O Brasil virou terra de ninguém. E gente acima de qualquer suspeita de então, começa a ser tragada na reputação pelas circunstâncias. E se explicando.
Causou comoção, desconforto e irritação nos meios políticos e empresarias de Gaspar e região o artigo “A CASA CAIU”. PAULO NORBERTO KOERICH, PL, PRECISA, URGENTEMENTE, REFUNDAR E RECONSTRUIR O SEU GOVERNO DE “MUDANÇAS”, OU TERÁ QUE ADMITIR QUE O ESQUEMA DO “DONO DE BLUMENAU” CONTINUA VIGENTE EM GASPAR, SEM DISFARCES. NÃO ADIANTA ENTREVISTAS TRANSFERINDO RESPONSABILIDADES E SE PASSANDO POR VÍTIMA. ELE É O PREFEITO ELEITO E EMPOSSADO que publiquei na segunda-feira, dia 18.
Não era para menos. E hoje eu continuo, pois o problema permanece entre nós, perigosamente para alguns em ano de eleições, o qual deveria ser de depuração. E tudo isso é o que este mecanismo de corrupção, como expliquei naquele, outros e na quarta-feira em SÓ HÁ TANTOS ASSALTOS, ROUBOS E FURTOS É PORQUE EXISTEM DESDE INFORMAIS A ESTRUTURADAS ORGANIZAÇÕES RECEPTADORAS, SONEGADORAS E DEDICADAS A LAVAGEM DO DINHEIRO. SÓ HÁ CARTÉIS DE EMPRESAS E EMPRESÁRIOS PARA ROUBAR O PODER PÚBLICO PORQUE HÁ NELE, AGENTES – ALGUNS ELEITOS – GANANCIOSOS, CORRUPTOS, FINGIDOS DE SANTOS E FALSA TRANSPARÊNCIA QUE ATUAM COMO MÁFIAS. PARA SE MANTEREM, ELES COBRAM PARTICIPAÇÃO NOS “LUCROS” COMO SE SÓCIOS OCULTOS FOSSEM NESTE TIPO DE NEGÓCIO SUSTENTADO COM OS PESADOS IMPOSTOS DE TODOS NÓS, não precisa para sobreviver, prosperar, competir deslealmente e criar poder para uma casta de malvados, algumas vezes, à custa de gente fraca de valores, de oportunistas, de pessoas que querem riqueza sem trabalhar, que precisam de dinheiro fácil para exibir, esbanjar, chocar ou realmente, pessoas inocentes e ingênuas (porque inicialmente há). Entrou no esquema, fica nele, porque sente o gosto fácil do mel, ou porque já não tem mais saída sem danos.
E quando a casa cai?
Quando entra uma concorrência bandida – disputa entre grupos rivais, gananciosos e que não se acertam entre eles naquilo que é mais comum, ou seja todos ganham -; quando a coisa fica tão escancarada que chama a atenção de qualquer um do ramo onde prospera a sacanagem de poucos; quando há inveja do sucesso alheio; quando o certinho é um problema; quando entra a polícia e Promotorias com investigações sérias; quando entra um delator prejudicado na partilha ou um herói que cooptado se nega à prática crime proposto; quando há uma denúncia consistente ou insistente; quando a imprensa – a de verdade e com bala na agulha para suportar as ameaças e a força das relações e dinheiro dos bandidos – se intromete como curiosa e fazer a diferença para seu público e não se importa de ser qualificada e chamada de fofoqueira.
BLUMENAU UM NINHO DE FALCATRUAS. O PREFEITO DE LÁ “NÃO SABIA” DE NADA

Em Blumenau foram deflagradas três operações. Elas abalaram os alicerces de algo desconfiado e que estava conhecido nos bastidores há décadas. Quando escrevi aqui que isto vinha de décadas e desde o governo do gasparense Renato de Mello Vianna, MDB, e passava pelos governos de João Paulo Kleinubing, PL (mas que enfileirou partidos), Napoleão Bernardes, PSD e ex PSDB, e Mário Hildebrandt, PL (outro que foi se acomodando ao partido da ocasião), muitos de lá e até daqui, torceram o nariz.
Então antes de pular para o assunto de hoje, o da “reunião dos do cartel na pedreira”, gostaria que olhassem estes três nomes envolvidos de uma das três operações só deste mês de maio da polícia especializada em corrupção, do Gaeco – Grupo Atuação Especial no Combate as Organizações Criminosas e a 14ª Promotoria de Blumenau, sob a batuta de Marcionei Mendes. É a da Arbóreo, a que investiga a roubalheira na concorrência da merenda escolar de lá.
Ela já tem R$3,6 milhões indisponibilizados dos investigados e qualificados por desvios na merenda escolar de Blumenau entre 2022 a 2024. Quem estão envolvidos nela, principalmente? César Botelho (há alguma dúvida de parentesco?), César Poltronieri (que já estava empregado na prefeitura do PL de Indaial) e o encarregado de buscar as propinas em Curitiba, Ronaldo Roni Wan Dall. São profissionais. Não importa o partido em que estão. A corrupção transpassa os partidos. Ela é dos homens e mulheres. É subversão à lei, a moral, a ética e ao senso de vergonha na cara. E entre eles, isto vai se tornando uma normalidade. Sem comentários.
A “PEDREIRA”
A polícia, o Gaeco, a Promotoria, as apurações, não eu, dizem que em outra operação, a “Ponto Final”, envolvendo empreiteiras, a coisa foi muito escancarada e escandalosa lá em Blumenau.
No fundo, era regional. E por anos.
Mas, só podem apurar os últimos cinco anos. Até agora, R$50 milhões em bens dos envolvidos estão indisponíveis além da proibição de contratar com o poder público. Este montante dá a dimensão da ousadia do grupo, do carte, da máfia. A reunião deles todos para combinar a divisão, as armações de preços, prioridades e concorrência falsa entre eles e laranjas, segundo as mesmas investigações, se davam em Gaspar e entre as mesmas.
Era na “pedreira”. Injusto para algumas empresas que atuam por aqui neste ramo. “Pedreira” era o codinome por causa da marca de uma delas e que da noite para o dia se tornou a “queridinha” das oras de reeleição de Mário Hildebrandt, PL. E o que era rocha no passado, como numa pedreira em exploração por dinamites, virou pedra. E caminha para virar pó.
O CLUBINHO

Voltando. Era, ou ainda é, pois nada disso se desmancha do dia para a noite, apenas se reconfigura, um clubinho. O tal cartel. Nas nossas barbas. E os nossos políticos, que convivem com todos, diziam e ainda juram de que não sabiam de nada.
Atestam nas conversas privadas e até entrevistas de que se trata de implicância deste espaço, que denunciou e deu dicas por anos afio para fatos e indícios, mesmo sob várias ameaças e constrangimentos desde o privado, os intermediários até os políticos beneficiários – direto e indiretos – no setor público sócios do clubinho.
Desgraçada e lamentavelmente, estou, mais uma vez, de alma lavada. E eles putos com o tempo que foi o senhor e me deu razão. Mas, estava na cara de todos. E eu nunca estive sozinho. O deputado Ivan Naatz, PL, advertiu nas redes sociais. O influencier e político do Novo, de Blumenau, Halley Edson da Silva, igualmente. Paulo Norberto Koerich, PL, mesmo assim, ouvindo não se sabe quem, sempre dobrou a aposta. “Não havia qualquer indício“, assegurou a 89 FM. Credo.
Retomando. E ao final, para facilitar tudo isso, trouxeram para a prefeitura de Gaspar até o “articulador” mor deste mecanismo não nas empresas, mas que atuava livre leve e solto dentro do poder público em Blumenau favorecendo-a como se fosse um maestro. Ou seja, o vírus mal estava dentro de casa, não nos cartéis como quer Paulo. Se não for assim, Paulo terá que admitir ue quem governa não é ele, mas os cartéis que até indicam, sustentam até desmoralizar o seu próprio currículo de afamado investigador. É prácabá.
E a ousadia dos supostos carteis com a omissão – e não vitimismo – governamental não para aí. Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, veio comandar a secretária mais exposta e sensível a este problema durante todos os oito anos de governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, agora no Podemos, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.
Paulo Norberto Koerich, PL, policial de mais de 30 anos de carreira, investigador de fama, que já trabalhou para as forças do Gaeco da região, delegado, delegado regional, delegado geral e ex-secretário de Segurança no governo de Carlos Moisés da Silva, eleito no PSL, e agora no União Brasil, jura que é passageiro de tudo isso. No fundo, foi uma aposta errada, pois está cheio de depoimentos de que fazia uma escolha de altíssimo risco. E deu no que deu. Preferiu passar recibo.
IMPORTOU PROBLEMAS
Não vou repetir de como Paulo Norberto Koerich, PL, se saiu muito mal naquela entrevista dada a Joel Reinert e Paulo Flores, na 89 FM. Ele nem precisa de coaching de comunicação. Precisaria apenas aplicar suas habilidades e conhecimentos de policial investigador de fama. Caiu em várias contradições – sem que fosse “apertado” e que o enfraqueceram naquela entrevista, discurso e desculpas – quis transferir para outros. Nada era fofoca. As investigações vêm provando isso. A realidade vem mostrando que Paulo errou ou não está adequadamente informado.
Paulo trouxe um pacote recheado de problemas e vícios de Blumenau para a secretaria de Planejamento Territorial. Mas, não só ela. E ainda não explicou, convicentemente à razão disso.Não vale dizer que foi enganado. Ele mesmo, como assegurou, fez todas as entrevistas com os que contratou. E esta relutando e demorando a tirar a craca que está grudando na sua imagem que trouxe do passado para vencer de lavada (52,98% dos válidos) contra um prefeito de três mandatos, Pedro Celso Zuchi, PT, a continuidade de Kleber com Marcelo de Souza Brick, PP, e dois outros entrantes da direita como ele que a representava.
A verdade é que os empresários do tal cartel, ou não, já estão com saudades do ex-prefeito Zuchi. Credo. E por quê? Ele era um terror, todavia pontual. Tudo previsível. Fez vinganças e política nas desapropriações, como a da Arena Multiuso Francisco Hostins, mas para validou a revisão do Plano Diretor proposto pela Iguatemi. Era tempo de campanha difícil. Já o sucessor, Kleber Edson Wan Dall, eleito no MDB com o PP, queridinho dos empresários e investidores do ramo imobiliário e de infraestrutura daqui e e alhures prometeu o céu, mas entregou o inferno no desenho de paraíso. O resultado está aí contra eles próprios e o desenvolvimento da cidade. Querem, mais uma vez, milagres.
Nem Kleber, nem Paulo, por enquanto, desataram este nó. Ao contrário. É “nó górdio” na veia. O “cartel da pedreira” só existe porque no ambiente público, além da falta de transparência, não se fez a parte dele até agora, ou seja, o saneamento para enfrentar os seus próprios demônios na máquina de criar dificuldades para vender facilidades. E quanto mais demora, piora.
Bastaria uma audotoria independente sobre tudo isso dentro das secretaria de Planejamento Territorial, Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Cimvi, secretaria de Fazenda e Gestão Admistrativa e Procuradoria Geral, cotejando com casos que estão prosperando no ministério Público e como a própria prefeitura tenta burlar o que o MP fuça e impede. De um lado não há santos, mas do outro não há vítimas como quer fazer crer Paulo Norberto Koerich, PL. Não vai demorar muito, as operações de Blumenau, a mando do núcleo de Florianópolis, vai escandalizar por aqui. O que se está esperando para sanear tudo isso enquanto há tempo, porque fofoca, não é? Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Carta aberta I. Gaspar precisa ser revisitada. São números e que trabalham contra ela. Mostram a fraqueza das suas instituições e das lideranças sejam elas políticas ou não. Somos meros dormitório dos arredores. Um espanta investidores. Veja esta. Num ranking de 295 municípios catarinenses pesquisados, com a mesma metodologia, para o Índice de Progresso Social de 2026, do IPS Brasil, Gaspar aparece 159º lugar. Vergonhoso.
Carta aberta II. Para classificar, os 5.570 municípios brasileiros, o IPS usou três grandes grupos de avaliação. O primeiro é o de necessidades humanas básicas, que analisa acesso a alimentação, saúde, moradia e segurança. O segundo é o de fundamentos do bem-estar, que considera educação básica, vida saudável e meio ambiente. O terceiro grupo mede oportunidades, incluindo direitos individuais e acesso ao ensino superior.
Carta aberta III. Para onde se olhe, comparativamente, estamos mal na foto. Só estamos bem nos discursos dos políticos e de puxa-sacos dele bem empregados. Até secretária de Assistência Social, importada de Blumenau pelas mãos do seu ex-chefe de lá, Egídio Maciel Ferrari, PL, Neuza Pasta Felizetti, a que inaugurou a gestão “piti” para ter o mínimo que queria para desempenhar melhor a sua função, resolveu rotular na semana passada nas redes sociais a sua equipe como “Phoda”. O PH, faz são de “f”. Este retrato do IPS, mostra-nos que há caos e “phodido”.
Carta aberta IV. Quando se gasta um orçamento de uma secretaria mais com a estrutura dela para que ela possa funcionar do que propriamente com ações dela, muitas delas, obrigadas por lei, o resultado é este mesmo: phoda. Na lista, nossos vizinhos como Blumenau – de onde a secretária vem – é o sexto colocado (98º do Brasil); Pomerode é o 14º, Indaial é o 25º e Timbó o 34º.
Carta aberta V. Ah, mas Blumenau é grande e estruturada? É! Entretanto, os outros municípios elencados acima são menores do que Blumenau, são vizinhos como Gaspar, e meio que parecidos com Gaspar. E a campeã em Santa Catarina, é Luzerna no meio Oeste, encravada entre as maiores Joaçaba, Herval do Oeste e Videira. Ah, mas isto não é culpa de Paulo Norberto Koerich, PL, e Neusa Pasta Filizetti.
Carta aberta VI. Tomemos isto como verdade, porque há indicadores de educação e da nossa caótica saúde pública. Além disso, temos que admitir que isto é fruto de um processo de deterioração como já sinalizava os próprios índices do Ideb ao tempo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, e antes da pandemia. Contudo, Paulo foi eleito e Neusa indicada em função de confiança com a promessa de mudar este quadro caótico, degenerado e “phodido”. Então… É phoda. Muda, Gaspar!
Saiu. A comissionada Anna Júlia Belz pediu para sair do cargo de Coordenadora-geral de Meio Ambiente da secretaria de Planejamento Territorial de Gaspar. Ela, é uma das muitas indicadas de confiança do ex-secretário Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, incluindo a que ficou no seu lugar, Camila Beatriz Tillmann, e que teve o aval de Ana Karina Schramm Matuchaski da Cunha, secretária de Fazenda e Gestão Administrativa.
Pensando bem. Com o total comprometimento do que se vinha fazendo na secretaria de Planejamento Territorial e na Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, perguntar não ofende. Não seria minimamente prudencial suspender provisoriamente a já bem atrasada revisão do Plano Diretor de Gaspar? Ou está tudo pronto e embrulhado? Sinais? O Instituto Masterplan – a parte empresarial – sequer se interessou pelas oficinas que ouviu a cidade nos bairros e macrorregiões.
Interessante o artigo que o ex-procurador geral de Gaspar, Aurélio Marcos de Souza (2005/08) originalmente publicou nas suas redes sociais e eu republiquei aqui como convidado: O PREÇO DA LINHA DE COTA: O SUPER “EL NIÑO” DE 2026 E O LEGADO DE OMISSÃO NO VALE DO ITAJAÍ. Voltarei ao tema, porque enxerguei mais uma oportunismo político para o desleixo administrativo, naquilo que é muito sério entre nós.
Caso de polícia I. Em Blumenau, depois do “clássico”, BEC e Metropolitano, num dia de trabalho aos comuns, à tarde, nos arredores do Estádio do Sesi, como só se vê na televisão em grandes centros dominados por torcidas organizadas banidas de estádios, supostos torcedores se engalfinharam depredando o que viam pela frente. Se a Polícia e os gestores públicos querem realmente cortar o mal pela raiz, terão que admitir e ir atrás de facções que estão se instalando não apenas em Blumenau.
Uma observação além do meu quadrado. É preocupante para o Supremo Tribunal Federal do Brasil, especialmente, e por extensão à Justiça brasileira, a negativa com relevantes fundamentos técnicos pela equivalente corte suprema da Itália à extradição da ex-deputada federal por São Paula Carla Zambelli, PL. Isto tem virado rotina no exterior. É preciso haver contenção e saneamento na própria jurisdição.

Já no meu quadrado. Está cada vez mais claro, depois da embrulhada, dissimulação e mentiras do senador fluminense Flávio Bolsonaro, PL, no caso dos financiamentos do banqueiro criminoso Daniel Vorcaro para o filme da saga do pai Jair, que a eleição, cada vez mais, fica longe de um azarão ou terceira via.
No meu quadrado. A gana de uma maioria sólida de eleitores é a de derrubar o PT, Luiz Inácio Lula da silva e a esquerda do atraso. Mesmo que para isso, mais uma vez, tenha que pagar um preço caro. Foi o que mostrou a pesquisa Datafolha do final de semana que já pegou os reflexos do caso. A escolha do vice, valerá ouro desta vez
E aqui? Jorginho Melo, PL, nas suas armações ilimitadas está começando a pressentir que pode estar sendo traído. Se não ganhar no primeiro turno e João Rodrigues for para o segundo contra ele, as previsões não são nada boas. Parece um repeteco na maldição daquilo que ele fez contra Carlos Moisés da Silva, União Brasil.
Pensando bem. As três maiores festas de Gaspar não dependem no sucesso que produzem aqui e além daqui do amparo governamental municipal e talvez por isso, sejam atrativas de tanto público, patrocinadores, voluntários e fama. Pela ordem: Rodeio Crioulo (foto ao lado de Guilherme Spengler), Festival de Aeromodelismo e São Pedro. É para se pensar. E nelas, os políticos nadam de braçadas insinuando que têm muito a ver com elas. Credo!
Caso de Polícia II. O prefeito de Piçarras, Thiago Balt, MDB, foi preso pela “Operação Regalo”, do Gaeco e Ministério Público catarinense, na semana passada enquanto marchava em Brasília. Aqui, ironicamente, nas redes sociais, orgulhava-se de ter criado a tal Guarda Armada Municipal. Então…
9 comentários em “SÃO OS POLÍTICOS, GESTORES, COMISSIONADOS, SERVIDORES E AGENTES PÚBLICOS CULPADOS OU VÍTIMAS DOS QUE ELES CHAMAM DE CARTÉIS E TEIAS DO CRIME ORGANIZADO QUE DEVORAM – DE TODOS AS FORMAS E MANHAS – OS NOSSOS CADA VEZ MAIS ALTOS IMPOSTOS ON LINE?”
Bom dia.
Assistir de camarote a casa dos ladrões do nosso suado dinheirinho CAIR, é reconfortador!
Pena que logo alí na frente estes mesmos que caem hoje, pelo “currículo”, amanhã um novo PARÇA estende a mão.
São iguais CUPINS no pinus ou eucalipto branco: não sobra NADA.
Se dessa vez der confisco de bens pra RESSARCIMENTO do POVO, será um AVANÇO!
ENFIM, teremos saído do
7 X 0..
Como disse o Promotor para o Alcaide: é um Cartel. Ou ele não entendeu o que ouviu, ou quis entender – porque de crime e investigação ele diz entender – e acha que tudo isso vai passar. Vai pegá-lo pela omissão. E na imagem, já começou
ENVOLVER O SUPREMO EM SOCORRO AO BRB É VERGONHOSO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
É tradição deplorável do federalismo brasileiro que governadores e prefeitos busquem o socorro da União sempre que se encontram em apuros devido a gestões irresponsáveis —ou coisa pior— deles próprios ou de seus antecessores.
Quando as portas do Executivo federal estão fechadas, busca-se a camaradagem do Congresso ou até uma canetada do Supremo Tribunal Federal. É o que a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), faz agora.
Ela pediu que a corte mais alta do país obrigasse o Tesouro a avalizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para salvar o distrital BRB, cujo balanço tem um rombo de dimensões ainda desconhecidas por má gestão e envolvimento nas transações fraudulentas do Banco Master.
Em reunião mediada pelo STF nesta terça (26), discutiu-se a alternativa de apenas ampliar o limite de crédito do DF, sem garantia federal. Melhor assim.
O Tesouro se recusou corretamente a participar da operação com um argumento técnico sólido: o governo distrital tem baixa capacidade de pagamento, merecendo apenas a nota C numa escala de A a D —e garantias federais são reservadas a entes federativos com capacidade A ou B.
Descumprir a norma significa sujeitar os contribuintes brasileiros a pagar por desmandos em um banco regional com os quais, felizmente, nada a têm a ver.
A relação com o BRB foi a etapa derradeira da série de embustes do Master. O banco de Daniel Vorcaro começou a despertar suspeitas em razão da oferta massiva de CDBs com rendimentos generosos, garantidos por recursos alheios —do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que terá de cobrir perda acima de R$ 60 bilhões, a maior da história.
Outra frente foram nebulosas aplicações recebidas de fundos de previdência geridos por governos estaduais e municipais. Também nesta terça, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão mirando o ex-governador Cláudio Castro (PL), do Rio, devido ao aporte de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Master.
Por fim, houve a tentativa tresloucada de compra da instituição de Vorcaro pelo banco de Brasília, que reúne até aqui os indícios mais claros de corrupção no escândalo. A transação foi vetada pelo Banco Central, mas o Master já conseguira vender ao BRB algo como R$ 12 bilhões em créditos fraudulentos.
Celina Leão, que assumiu o governo distrital com a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), rechaça a privatização por temer desgaste em sua campanha para ficar no posto. Além de interesses eleitoreiros, o risco de falta de compradores também pode travar o que seria a solução virtuosa para o rombo financeiro.
Se o banco não atrair interessados por ser inviável, essa é mais uma razão para não envolver a sociedade em seu salvamento. Um resgate com o Tesouro premiaria negociatas promovidas sob o nariz de autoridades que deveriam zelar pela coisa pública.
PEC QUE EXTINGUE ESCALA 6X1 CRIARÁ NOVOS PROBLEMAS, editorial do jornal O Globo
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de seis dias de trabalho por um de descanso, ou 6×1, avança com rapidez no Congresso. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer garantindo dois dias de folga e reduzindo a jornada máxima de 44 para 40 horas, mantendo o salário atual. A previsão é que a PEC seja votada em plenário nesta semana. A medida é eleitoreira, o debate tem sido raso, e os estragos para a economia e o mercado de trabalho serão enormes.
No texto, resultante de acordo entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a redução está dividida em duas etapas. Em 60 dias, a jornada cairá de 44 horas semanais para 42, já com dois dias de folga. Em 12 meses, haverá nova redução de duas horas, consolidando a escala 5×2. A transição de apenas 14 meses é curta demais. “Qualquer alteração dessa magnitude exige prazo adequado de transição para adaptação das empresas, especialmente em cenário de baixa produtividade da economia brasileira e elevados custos operacionais”, afirma em nota a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Ante a celeridade com que o tema tem sido tratado na Câmara, a esperança é o Senado ponderar os efeitos nefastos da mudança.
Em qualquer economia, a riqueza produzida resulta do número de horas trabalhadas multiplicado pela produtividade. É ilusório imaginar que se pode reduzir um desses fatores sem afetar negativamente a renda da população. Economias avançadas que diminuíram a jornada aumentaram muito a produtividade antes de gravar os ganhos de eficiência na legislação. No Brasil, os defensores da 6×1 se enganam imaginando haver atalho. Trata-se de evidente retrocesso.
Empresas grandes e lucrativas podem até absorver o impacto financeiro, afinal algo como dois terços dos trabalhadores já seguem a escala 5×2. O caso de micro e pequenas empresas que operam no limite é outro. É inevitável que demitam ou passem a contratar por fora, piorando as estatísticas de desemprego e informalidade. Não se trata de discutir se a PEC provocará estragos para as empresas e o mercado de trabalho. Isso é inevitável. A questão é o tamanho— e como minimizá-lo.
Como um erro parece levar a outros, Motta diz ter negociado medidas de compensação via Projeto de Lei. É o caso de gatilhos para favorecer contratações por parte dos microempreendedores individuais (MEIs). “Hoje, esses empreendedores só podem empregar um funcionário com carteira assinada. Queremos permitir que contratem mais, já que estamos reduzindo a jornada de trabalho”, disse. Outra possibilidade é reajustar o teto dos MEIs. Atualmente, a receita bruta anual permitida para enquadramento é de até R$ 81 mil. O Senado aprovou um aumento, e agora a Câmara analisa se eleva o teto.
Além da arrecadação menor em plena crise fiscal, isso significará perda de foco ainda maior do programa. “Quando foi criado, o MEI tinha como objetivo formalizar microempreendedores de baixa renda”, diz Fernando Veloso, diretor de pesquisa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social. Mas o MEI foi desvirtuado e hoje atrai quem tinha carteira assinada, tendência que se agravará com o teto maior. Como se vê, em vez de resolver os problemas existentes na economia brasileira — e eles não são poucos —, o Parlamento parece se esmerar em criar novos.
NÃO OLHE PARA CIMA, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
A Polícia Federal investigava – investiga ainda – a prática de contrabando por meio do avião do empresário Fernando Oliveira Lima, descobertos então, entre os 16 viajantes do voo em xeque, Hugo Motta e Ciro Nogueira. A notícia é de 28 de abril deste ano. O episódio, de 20 de abril de 2025. Motta já presidia a Câmara. Voltavam da ilha de São Martinho, no Caribe, paraíso fiscal e dos cassinos. Desembarcaram num aeroporto executivo em São Paulo, ocasião em que o piloto da aeronave entraria no País sem submeter cinco bagagens ao raio X. Ninguém sabe o que havia nos volumes.
Sabido – assim atribuído e já consagrado – que as malas eram do comandante, condição em que viajava com mais pertences que os passageiros. Eram dele – admitiu. Foi ele a passar com as peças por fora. Os demais cumpriram o procedimento-padrão. Sabido também que Fernando Oliveira Lima é Fernandin OIG, operador de jogatina, outrora objeto da CPI das Bets no Senado – lá onde tinha suplência eloquente o senador Nogueira – e cuja prosperidade dos tigrinhos depende do Congresso. Também estavam a bordo os deputados, líderes de seus partidos, Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões. O piloto é funcionário do empresário.
Segundo a PF, não haveria “como descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais passageiros detentores de prerrogativa de foro nos delitos sob apuração (…)”, razão por que a investigação chegara ao STF. Na semana passada, Alexandre de Moraes considerou não haver suspeitas contra os parlamentares e determinou que o caso voltasse à primeira instância, acolhido o parecer da Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet.
Não há delito em legisladores viajarem em jatinhos cujos proprietários têm interesses no Parlamento. (Ciro Nogueira voaria novamente com Fernandin, para a França, em 22 de maio daquele mesmo 25.) E não seria Moraes a ver algum problema nessa prática. (Nunes Marques foi à festa do cantor Gusttavo Lima, na Grécia, em 2024, em avião do empresário.) Tampouco haverá problema em Gonet dividir a mesa do bar com Moraes e Motta – uísque e charuto pagos por Daniel Vorcaro. Foi em Londres, em abril de 2024. Ninguém pode dizer que a confraria condicione atos (ou omissões) institucionais.
Citado Vorcaro, esse fazedor de amigos, lembremos mensagem do banqueiro à noiva: “Acabou chegando hugo e ciro aqui para falarem com alexandre”. Era 20 de março de 2025, exato mês antes do desembarque investigado. Ninguém sabe se “hugo” seria o Motta; se “ciro”, o Nogueira; se “alexandre”, o de Moraes. Ainda que fossem, não há delito em o presidente da Câmara e o presidente de partido encontrarem-se com ministro do Supremo na casa do banqueiro que negociava com o banco estatal do Distrito Federal – o memorando de entendimento para a compra do Master pelo BRB seria anunciado em 28 de março.
O ônus da institucionalidade sob a República não pode tolher a natureza espontânea das amizades entre ricos e poderosos. Não criminalizemos os afetos a jato.
LULA E STF UNIDOS PELA CENSURA, por Lygia Maria, no jornal Folha de S. Paulo
Como todo populista, Lula e seu partido nunca esconderam a pretensão de controlar o debate público. A antiga fixação numa suposta democratização da mídia migrou para a regulação ampla do que é dito nas redes sociais.
Mas, agora, há um agravante inaceitável. O petista conta com a ajuda da mais alta corte do país, que deveria fazer valer os dispositivos cristalinos da Constituição que garantem o direito à liberdade de expressão. “A manifestação de pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição. É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”, diz o artigo 220.
O decreto presidencial publicado na quarta (20) regulamenta a lambança feita pelo STF, em 2025, no Marco Civil da Internet, lei aprovada em 2014 no Congresso após amplo debate público,
A corte criou uma lista de conteúdos que, se postados de forma massiva, devem ser removidos pelas plataformas. e o decreto de Lula atribuiu a fiscalização a uma agência ligada administrativamente ao Ministério da Justiça. Trata-se de afronta à Constituição e à separação dos Poderes.
Entre os conteúdos estão estão os chamados pelo STF de “atos democráticos”, com abolição do Estado Democrático de Direito.
Assim, Lula e o Supremo não disfarçam que suas motivações são políticas e buscam autoproteção. Críticas à corte são encaradas pelos ministros como ataque à democracia, e, desde 2019, o inquérito das fakes news se vale dessa premissa. Já o petista, em outro decreto, atribuiu a AGU o papel de monitorar críticas as políticas públicas na internet.
O cenário é claro: Executivo e Judiciário se unem contra a liberdade de expressão, enquanto passam por cima do Legislativo.
Na regulação da internet, não é preciso inventar a roda. Basta respeitar a separação dos Poderes, cumprir o que diz a Constituição e garantir que os crimes já previstos em diversas leis sejam investigados e punidos pelo sistema de Justiça, garantindo-se o direito ao contraditório e à ampla defesa. Todos o mais não passa de excrescência autoritária.
CADÊ AM TERCEIRA VIA? por Joel Pinheiro da Fonseca, no jornal Folha de S. Paulo
Foi um arranhão significativo para Flávio. No Datafolha de abril, ele estava numericamente à frente de Lula no segundo turno. No de sexta passada, já aparecia atrás —47% a 43%—, no limite da margem de erro.
Lula ganhou triplamente. Primeiro, porque seu principal adversário piorou sua projeção de votos no primeiro e no segundo turnos. Segundo, porque Lula vai numericamente melhor mesmo nos cenários sem Flávio. Sinal de que não foi só Flávio que caiu; Lula teve um avanço na estima do povo. Quem sabe o Desenrola, o subsídio pro carro novo, o desconto na gasolina, o auxílio gás, o fim da 6×1 e outras promessas do pacote de bondades começam a fazer efeito. Ter a caneta na mão faz diferença.
Em terceiro lugar, porque Flávio balançou, mas não caiu. A relação com Vorcaro pega mal mas, até agora, ela não implica Flávio em nenhum crime. Se —e é um grande “se”— nenhuma nova revelação mostrar algo pior sobre Flávio, ele deve manter a candidatura. Para Lula, melhor um Flávio —com seu potencial e suas fragilidades conhecidas— chamuscado do que uma Michelle (ou outro nome?) com a ficha limpa e com o elemento surpresa.
A política vem em ondas. Semanas atrás, falava-se na desistência de Lula. Hoje, é Flávio precipitadamente descartado. Daqui uma semana novas notícias hão de inverter esse quadro novamente, e assim iremos até o dia da eleição, que se promete acirrada.
Para Lula, a pesquisa foi ótima. Para Flávio, ruim mas não desastrosa. Ela foi péssima é para a “terceira via”, ou seja, todos os demais candidatos, em especial para os três nomes de direita que sonham em tirar Flávio do páreo e ir para o segundo turno com Lula: Caiado, Zema e Renan Santos.
Flávio balançou; todos vieram com sede ao pote para ocupar seu lugar. Zema, que até outro dia era seu aliado, passou a criticá-lo duramente. Renan Santos vem apostando no escândalo Master como um catalisador do sentimento antissistema nestas eleições e faz um trabalho muito intenso de militância digital. Até Caiado, que pouco aparece, deu a entender que Flávio está “contaminado”. E, no entanto, na hora da pesquisa, eles nem saíram do lugar?
Até agora, Flávio tem se mostrado vazio. Repete alguns bordões (“o Bolsonaro que tomou vacina”) por onde quer que vá e é isso. A única causa que o mobiliza é livrar seu pai da prisão (e, em breve, seu irmão?). Caiado, Zema e Renan nem discordam dessa pauta, como já deixaram claro. Eles só não a colocam como a prioridade suprema do país. A bandeira da anistia, aliás, nem é popular.
E, no entanto, ninguém chega perto de ameaçar Flávio. Seus rivais à direita têm desempenho pior que o dele mesmo no segundo turno contra Lula. Há quem diga que eles são muito próximos do bolsonarismo, e por isso não decolam. Alguém sinceramente acredita, contudo, que um nome mais de centro —um Eduardo Leite, por exemplo, que chegou a ser cotado pelo PSD— teria um resultado muito diferente a essa altura?
Bolsonarismo e petismo seguem as principais forças políticas do país. Um muro até agora intransponível para quaisquer outras forças. Aqueles que o atacam prestam um serviço ao país, mas é difícil acreditar que terão sucesso. E não, isso não mudará “quando a campanha começar”. A campanha já começou.
UM ESCÃNDALO QUE NÃO PODE SER ESQUECIDO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, disse ao Estadão que chegou a hora de o País “virar a página” da crise dos descontos ilegais nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Para ele, é preciso atacar novas frentes, entre elas a redução dos juros do empréstimo consignado para aposentados e pensionistas e o fim da fila de pedidos de benefícios do órgão.
“Precisamos salvaguardar a instituição, a Previdência Social e o INSS”, disse ele ao jornal. Muito à vontade no cargo, o ministro, inclusive, já assumiu o discurso de seu antecessor, Carlos Lupi, contra a reforma da Previdência. Para ele, trata-se de um “método de desconstrução” para enfraquecer a imagem da instituição e um problema da área econômica, muito embora a quantidade de contribuintes seja cada vez menor, e o envelhecimento da população, uma realidade que não pode ser ignorada.
É conveniente para o governo dar o escândalo como encerrado. Wolney Queiroz chefia o ministério há um ano, logo após a Operação Sem Desconto ter sido deflagrada. Então número dois da pasta, ele assumiu depois que se soube que Lupi havia sido alertado ainda em 2023 sobre os descontos em uma reunião do Conselho Nacional da Previdência Social e que levou quase um ano para adotar medidas para coibir as fraudes.
Wolney Queiroz, por sinal, estava nessa mesma reunião, mas, diferentemente do chefe, sobreviveu ao escândalo. A pedido de Lula, ele desistiu de disputar a eleição para deputado federal por Pernambuco e permaneceu no ministério, o que torna a superação da crise – a tal virada de página – vital para seu futuro político.
O ministro assegura que os processos internos foram revistos, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) tem dúvidas, tanto que chegou a suspender a concessão de novos empréstimos por julgar que os problemas que fizeram com que os descontos ilegais ganhassem escala ao longo dos anos ainda não haviam sido devidamente sanados.
As operações com desconto em folha foram liberadas após o governo recorrer da decisão, considerada “drástica” pela ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior. Drástica, mesmo, é a conta que ficou com a União – mais precisamente, com o contribuinte – após o ressarcimento de mais de R$ 3 bilhões a mais de 4,4 milhões de beneficiários. O rombo, aparentemente, ficará por isso mesmo, uma vez que o governo conseguiu autorização para excluir os valores do arcabouço e da meta fiscal.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS não ajudou em nada. Os trabalhos começaram mal, com deputados e senadores mais preocupados em blindar seus próprios grupos políticos, e terminaram de maneira melancólica, com o vazamento de mensagens íntimas do empresário Daniel Vorcaro e sem sequer um relatório final aprovado.
A “virada de página” a que Wolney Queiroz fez referência inclui ainda a demissão do presidente do INSS, Gilberto Waller Jr., que substituiu Alexandre Stefanutto, dispensado em abril do ano passado e preso desde novembro, e a troca da área responsável pelo inquérito da Polícia Federal (PF) sobre os desvios, que afastou o delegado Guilherme Figueiredo Silva das investigações.
No caso de Waller Jr., o Executivo o dispensou atribuindo a ele a responsabilidade pela fila recorde de pedidos de benefícios do INSS, como se a medida não fosse uma forma de conter despesas e administrar o orçamento a conta-gotas. Quanto ao delegado, que pediu a quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente da República, para apurar suas relações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, a PF alegou que a mudança visava a assegurar a eficiência e a continuidade das investigações.
O esforço do governo é para que o escândalo do INSS fique para trás sem que seja preciso dar respostas à sociedade. Ora, a superação definitiva dessa crise depende essencialmente do governo, que precisa fazer o mínimo: buscar a responsabilização de todos os culpados e cobrar a devolução dos bilhões desviados pelas entidades e associações ao erário. A “virada de página” depende disso.
MASTER TEM IMPACTO INICIAL MODESTO SOBRE O VOTO EM FLÁVIO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
A revelação das relações entre Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro impactou, sim, intenções de voto no senador fluminense. Mas, apesar de a nova pesquisa Datafolha registrar perdas, os danos não parecem suficientes para que o principal presidenciável da direita até aqui corra risco imediato de ser substituído.
No primeiro turno, a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio aumentou de 3 para 9 pontos percentuais. O parlamentar, porém, mantém-se competitivo no segundo turno, em que é batido por Lula por 47% a 43% —na pesquisa anterior, havia empate em 45%.
Ainda é um desempenho consideravelmente melhor que os de seus rivais no campo da direita, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que marcam 39% ante 48% de Lula. Numa simulação com Michelle Bolsonaro, o incumbente petista derrota a ex-primeira-dama por 48% a 43%.
Cabe ressaltar que a pesquisa retrata um momento anterior à campanha oficial. O filho de Jair Bolsonaro tem um histórico de envolvimento em episódios rumorosos a serem expostos e explorados pelos adversários. Nesse aspecto, sua situação piorou.
Não bastassem sucessivas omissões e mentiras sobre o relacionamento com o ex-controlador do Banco Master, a quem chamava de “irmão”, Flávio propiciou outro motivo de suspeitas sobre sua idoneidade.
Na semana passada, o portal Metrópoles revelou que, depois de preso pela primeira vez, mas em casa e com tornozeleira eletrônica, Vorcaro recebeu a visita de Flávio. Este saiu-se com a desculpa de que teria discutido o fim da relação no encontro.
Ainda não há clareza alguma sobre os negócios do ex-banqueiro e pivô do escândalo de corrupção com a família Bolsonaro e a produtora do filme sobre o ex-presidente. Nos mais de quatro meses que restam até as eleições, Flávio terá de encarar exposição e questionamento em debates, TV e redes —fora a possibilidade de novos fatos virem à tona.
Permanece difícil, de todo modo, a situação de Lula, que não obteve alta significativa em intenção de voto nem queda do índice de rejeição a seu nome.
Quanto à avaliação do governo, prossegue a discreta melhora verificada a partir do último mês. O saldo negativo entre os que o consideram ruim ou péssimo e ótimo ou bom, que era de 11 pontos percentuais em abril, recuou para 6 pontos agora (38% e 32%, respectivamente).
É possível que as sucessivas medidas eleitoreiras tenham influenciado de modo marginal os votantes, em particular as mulheres e o estrato com renda inferior a dois salários mínimos.
Assim, não se abala substancialmente por ora a polarização entre PT e bolsonarismo que já marcou as duas últimas disputas presidenciais. Cada lado acumula percentuais expressivos tanto de rejeição como de seguidores fiéis —aos quais não importa tanto o envolvimento em desmandos.