De que a atrasadíssima entrevista satisfação à cidade de Paulo Norberto Koerich, PL, a rádio 89 FM foi um desastre, ninguém tem mais dúvidas disso. Mau orientado, Ou ele não percebeu à armadilha em que está metido. A própria superintendência de Comunicação da prefeitura de Gaspar, passou mal ao tentar fazer recortes para as redes sociais e aplicativos de mensagens e assim, tentar, salvar a imagem do governo e da própria entrevista dada ao dono da rádio, Joel Reinert, e ao repórter Paulo Flores.
Espremeu. Faltou suco. Sobrou bagaço.
A prova disso, é que se saíram-se melhores, os que fizeram recortes – e memes – para as suas redes sociais mostrando as incoerências e fraquezas daquela entrevista. Foi, digamos, mamão com açúcar para os criativos.
Ao final um recorte da própria rádio 89 FM. E mesmo assim, um espanto, quando se sabe que Paulo carregava consigo uma imagem de mais de 30 anos de um investigador exemplar, que – como poucos, e testemunhei – já esteve atrás de corruptos no Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado -, isto sem registrar de que foi delegado de cidades, delegado regional, delegado geral e até secretário de Segurança do finado governo de Carlos Moisés da Silva, União Brasil, eleito na onda bolsonarista, quando Jair Messias Bolsonaro estava no PSL.
Neste recorte abaixo, mais uma vez, Paulo Norberto Koerich, PL, insiste de que é vítima como outros prefeitos e prefeituras. Não vou entrar nesta pilha mal armada, até porque pela profissão e fama, Paulo conhece bem o que seja bandidos, cartel, facções e máfias. “Neste ato, as prefeituras como Gaspar e Blumenau são vítimas da prática de Cartel“, insistiu Paulo na sua “tese” de vítima e afogados. Segundo ela, não se tem muito o que fazer contra os cartéis preventivamente, sabendo que eles existem entre nós – e não é de hoje -como vem se provando nas sucessivas operações lá em Blumenau e até aqui.
Credo. E ainda usou como bengala, o “esclarecimento” de um promotor envolvido nas operações com quem conversou. “Não temos como saber o que eles combinam fora“. Meu Deus! Um investigador e delegado de tanto experiência – e olha que nos anos 1980, Paulo era chefe de gabinete na prefeitura de Gaspar – usar esta desculpa, é algo imperdoável.
O PROBLEMA ESTÁ NAS EMPRESAS OU NO PODER PÚBLICO E SEUS AGENTES?
Vamos colocar em pratos limpos. Ninguém “combina fora”, se não houver a cumplicidade de dentro da máquina pública e a participação de servidores, políticos e seus comissionados indicados por eles. E a coisa nasce e se arma muito antes das eleições. Há em certas situações até, uma hereditariedade. Incrível.
Supondo que a tese de Paulo Norberto Koerich, PL, é para valer e que os empresários montem cartéis, combinem tudo entre eles, corrompem o sistema que não é só de pessoas, repito, só de pessoas, mas de leis caprichadas (Gaspar), da falta delas (Gaspar) e luta para tudo se tratar na emergência (uma prática da esperteza generalizada) ou se lutar contra a burocracia (a falsa queixa recorrente dos dois lados para abrir as porteiras da sacanagem e privilégios) que ainda dificulta um pouco o funcionamento desse sistema corrompido sem controle algum, mas principalmente, da falta de transparência (só nos discursos dos político e Gaspar não é diferente), nada errado, escuso ou criminoso, iria para a frente sem anuência, cumplicidade e o jeitinho de dentro dos ambientes públicos.
Assim como é o mecanismo de receptação e circulação que fomenta o roubo, assalto, furto e falsificação, também é a cara de pau, o crime organizado e profissionalizado, com uma Justiça injusta – é só olhar para a Lava Jato e para ficar nela entre tantas – e a falta de juízo, que alimenta os cartéis que dominam o ambiente público no fornecimento de serviços, materiais nas licitações – algumas “transmitidas” pela internet e em tempo real – isto sem falar das facilidades de todos os tipos, incluindo licenciamentos. Paulo perdeu tempo e oportunidade, baseado no seu conhecimento e longa experiência para ser didático e propor soluções naquilo que hoje pode conter minimamente. Está do outro lado do balcão. Quem mesmo o orienta. Está acuado, justificando-se. Inacreditável.
QUEM NASCEU PRIMEIRO: O CARTEL OU FACILITADOR “REMUNERADO” NO AMBIENTE PÚBLICO?
Cada um cuida da sua casa. Cada um tem a chave da sua casa. Cada um sabe quem entra e sai da sua casa. Cada um sabe quem mora na sua casa. Paulo está, com estes exemplos da entrevista na 89FM que não param de pé, no fundo, protegendo o que ele qualifica como carteis, máfias, bandidos. Vítima, de verdade, foram os pagadores de pesados impostos. Eles não foram protegidos pelo caro sistema do serviço público dominado, refém ou vulnerável a um mecanismo criminoso. E todas as brechas, dúvidas e cartéis, nascem lá na campanha eleitoral e seus acertos. Em muitos dos casos, e penso que não é de Gaspar, já definem quem deve ganhar a eleição, aposta e aportam recursos. E este custo que precisa retornar não exatamente para as empresas, mas para um sistema, um mecanismo “investidor” de um lado e “funcional”, de outro. Simples assim. Ou alguém possui alguma dúvida sobre isto?
Paulo, depois das operações deflagradas em Blumenau e arredores, sabe agora, ao menos, quem são as empresas. Sabe mais: o modus operandi delas em obras, licenciamentos, merenda, segurança, vigilância….
Paulo sabe de que algumas delas atuaram no governo de Kleber Edson Wan Dall, eleito no MDB e hoje no Podemos, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP. E elas continuam tão ativas por aqui estavam quanto antes. A Progresso, por exemplo, está saindo ilesa na obrigação de se explicar e arrumar a ligação do pasto do Jacaré, o quilômetro de asfalto mais caro de que se tem notícia (R$12 milhões há cinco anos). Paulo teve um ano e meio para fazer isso.
O vitimismo e o discurso do traído não vai resolver. Vai encobrir. Vai manchar a fama do passado de Paulo. Só isso. Paulo falou com os promotores que cuidam das operações policiais contra a corrupção de Blumenau que respingam em Gaspar? Excelente. Então Paulo tem acesso ao material (espero que não seja fofoca, também). Porque o que a imprensa, teve acesso e publicou mostra que os agentes públicos é quem davam as cartas, viram nas empresas, que não são santas, uma vaca leiteira apropriada para seus interesses políticos, poder e enriquecimento. Há até pai proibido de se comunicar com a própria filha. Ou seja, há hereditariedade. E que os nomes mencionados, de forma direta e cruzada, vem desde o governo de Renato de Melo Vianna, MDB, a maioria criados no governo de João Paulo Kleinünbing, União Brasil, que permaneceram nos governo de Napoleão Bernardes, PSD e Mário Hildebrandt, PL.
Quem permite esse tal cartel exista, ganhe força e até influencie os destinos de pessoas e dos órgãos públicos? Ora, quem o sustenta. Ou será que este foi o único modo das empresas sobreviverem no ambiente público? Não tiro a culpa delas, mas nenhuma empresa foi montada com a finalidade única de roubar, mas a se dar bem pelo trabalho. Em algum momento, elas foram cooptadas e encurraladas pelas máfias políticas, dos políticos e agentes públicos. Quando se entra neste negócio escuso, não se sai mais. O rabo fica preso. E cada vez mais audaz. Torna-se uma organização criminosa. Ramificada. Poderosa. Protegida, mas vulnerável. No ambiente policial este “power point” é básico e conhecido. Então, antes do cartel de empresas, o que precisa ser combatido e desmanteladas nas prefeituras, estado e união são as tais máfias.
Com as redes sociais nadando de braçadas, com os aplicativos de mensagens soltos, com as operações desnudando gente que se achava protegida e poderosa, Paulo Norberto Koerich, PL, precisa trocar o disco, de amigos da onça, usar o conhecimento profissional e se aconselhar melhor antes de dizer que é vítima dos cartéis. Este discurso, pela fama, não combinaria com ele.
É preciso dar um cavalo de pau no seu governo que já funcionou quando uma secretária, também vinda de Blumenau, só quando ela resolveu dar piti. Exemplos e oportunidades não faltam para quem torce por melhores resultados para a cidade. Que tal riscar do mapa as empresas que estão até o gogó nas operações da Polícia contra a corrupção, Gaeco e Ministério Público de Blumenau? Não foi o próprio Paulo quem disse que elas formam um cartel e prejudicam prefeituras e prefeitos? Por que fazer um discurso e permitir que elas continuem atuando como cartel e permitindo que elas entrem na casa pública de Paulo, a prefeitura de Gaspar?
Está muito fácil de transferir a culpa, se nada mudar, sabendo quem é lhe causa problemas de imagem, má companhia e resolutividade. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Pensando mais na reeleição e no possível estrago – se as previsões se confirmarem, pois neste negócio não há precisão -, que o “El Niño”, como eu explanei em extenso artigo aqui, o governador Jorginho Melo, PL, acertou em antecipar esforços ao que se enrolava na prevenção e proteção. Não deveria fazer marquetagem com coisa séria e que ele próprio está em falta. Mas, reconhecer de que é algo emergencial, já é um alento.
Poderá ser tarde. Todavia, antes tarde do que nunca. A Barragem Norte de José Boiteaux, é a que mais preocupa para Blumenau, Indaial, Timbó, Gaspar e Ilhota. Vai levar um ano. O forte do “El Niño” está prometido para a partir agosto nos modelos matemáticos disponíveis. Então a ordem é começar por destravar a comporta. Se ela não funcionar, se vier enchente, os votos vão ser tragados na mesma proporção dos estragos.
A campanha nem começou e Flávio Bolsonaro, o bolsonarismo e seus fanáticos estão expostos. E o PL nacional está incomodado. Na própria reunião de lavação de roupa do partido, saiu mais uma: Flávio foi flar pessoalmente quando Daniel Vorcaro já estava com tornezeleira. A cada momento, uma descoberta de uma enganação. Mentiras. Afinal, quando esse tipo de direita vai se endireitar? A régua da falta de credibilidade parece ser a de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT e da esquerda do atraso.
Romeu Zema Neto, do Novo, esteve por Santa Catarina. Estava pisando em ovos para não fazer omelete na “união” de Adriano Silva, Novo, ex-prefeito de Joinville, e Jorginho Melo, PL, diante do massacre de radicais do PL catarinense, porque Zema tem opinião própria sobre as mentiras continuadas e a proximidade de Flávio Bolsonaro, PL, com o banqueiro bandido, Daniel Vorcaro. Credo. E depois culpam os de carteis. Se o próprio político não se dá o respeito e se mistura com gente cheia de lama….
O vereador Giovano Borges, PSD, protocolou um requerimento tecnicamente bem fundamentado na Câmara. Ele pede que a prefeitura informe sobre a embrulhada obra de Contenção da barraca do Rio Itajaí Açú, na Rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira.
Não seria o caso de pedir uma CPI. Primeiro para ver quem não a quer. Segundo, para ver quem a vai enterrá-la.
Perdido. Paulo Norberto Koerich, PL, foi dar um rolê pela zona sul e alimentar a pré-campanha de quem era caçador de ladrões do dinheiro público. Sem muita coisa para mostrar, resolveu dar uma parada numa escola estadual para dar lições cívicas às crianças.
Escola estadual? Mas, Paulo não é prefeito? E com escolas que passaram o segundo verão da gestão dele sem ar condicionado, há meses sem telhado, porque tudo está parado na burocracia da secretaria de Obras e Serviços Urbanos e da Fazenda e Gestão Administrativa, onde saem licitações e concorrências vapt-vupt e outras se enrolam.
O dia que se divulgar quem buscava a propina em Curitiba para o pessoal de Blumenau, muita coisa será esclarecida, ou ao menos entendida por lá, por aqui e Florianópolis e que denuncio há anos e por causa disso sofro perseguição, inclusive no meu patrimônio. Gente que deveria cuidar de contas tem a família envolvida num sistema que solapa as contas. Gente que mudar o poder de plantão em Gaspar, seja, qual o partido, ele está sempre dando as cartas. Então não é cartel. É um sistema, um mecanismo e antigo.
A realização da Expofeira, em Gaspar, mais uma vez subiu no telhado. No ano passado foi a falta de Orçamento de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, para tal. Este ano, é o “El Niño”. A possível chuvarada pode atrapalhar. E também será uma questão de dinheiro. É para as ações preventivas da Defesa Civil, a que não teve nada a ver com a lambança da barranca da Rua Anfilóquio Nunes Pires.
Paulo Norberto Koerich, PL, acertou em não ir a “marcha dos prefeitos” em Brasília. Além dele não ter canais para se virar neste ambiente político, gabinetes de parlamentares e dos ministérios estão lotados por todo o tipo de gente e pedidos. Mandou uma técnica com projetos debaixo do braço, a secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha. A chance de sucesso é bem maior.
Outro acerto de Paulo Norberto Koerich, PL. A prefeitura de Gaspar, ao menos até aqui naquilo que se conhece, não está gastando nada com o lucrativo e milionário Rodeio Crioulo. Apenas cedeu a Arena Multiuso Francisco Hostins. No ano passado, por causa de um aluguel mal licitado de um transformador, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, o empresário Nelson Mário Küstner. Muda, Gaspar!
21 comentários em “SÓ HÁ TANTOS ASSALTOS, ROUBOS E FURTOS É PORQUE EXISTEM DESDE INFORMAIS A ESTRUTURADAS ORGANIZAÇÕES RECEPTADORAS, SONEGADORAS E DEDICADAS A LAVAGEM DO DINHEIRO. SÓ HÁ CARTÉIS DE EMPRESAS E EMPRESÁRIOS PARA ROUBAR O PODER PÚBLICO PORQUE HÁ NELE, AGENTES – ALGUNS ELEITOS – GANANCIOSOS, CORRUPTOS, FINGIDOS DE SANTOS E FALSA TRANSPARÊNCIA QUE ATUAM COMO MÁFIAS. PARA SE MANTEREM, ELES COBRAM PARTICIPAÇÃO NOS “LUCROS” COMO SE SÓCIOS OCULTOS FOSSEM NESTE TIPO DE NEGÓCIO SUSTENTADO COM OS PESADOS IMPOSTOS DE TODOS NÓS”
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Hoje é dia de artigo inédito
PROCURA-SE UM PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Romeu Zema virou alvo de denúncia criminal junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por vídeos satíricos com fantoches de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A peça, assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusa o ex-governador de Minas de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. Convém parar um instante e absorver a cena: o chefe do Ministério Público mobilizou o aparato penal da República por causa de bonecos de internet.
Zema caricaturou uma decisão questionada pelo próprio presidente do STF, Edson Fachin, e suspeitas amplamente debatidas sobre o caso Banco Master e a atuação dos ministros. Pode-se considerar os vídeos injustos, agressivos, toscos ou demagógicos. O que não se pode fazer, sem violentar o Direito Penal, é fingir que um fantoche equivale a uma acusação formal de crime.
Calúnia exige imputação falsa de fato determinado. Humor político funciona justamente por exagero, compressão e distorção. Desde os panfletos do século 18 até os programas televisivos contemporâneos, a paródia sempre tratou governantes e juízes como personagens ridículos. Em democracias maduras, autoridades toleram isso. Aqui, o procurador-geral resolveu denunciar.
Zema não tem foro privilegiado. Se Mendes se sentiu ofendido, deveria acionar o Ministério Público na primeira instância. Mas o ministro pediu providências ao colega Alexandre de Moraes, que encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR). E o órgão que deveria funcionar como filtro contra abusos chancelou sua formalização. A peça da PGR se aproxima perigosamente de uma advocacia penal privada da honra de um ministro.
A seletividade fica mais visível quando se observa aquilo que Gonet escolhe não fazer. Mais de uma vez, o próprio Mendes insinuou que o senador Alessandro Vieira teria vínculos com milicianos e o crime organizado. Onde está a denúncia? Onde está o zelo pela honra? A régua muda conforme o sobrenome na capa do processo.
Diante de contratos multimilionários de empresas de Daniel Vorcaro – o banqueiro investigado pela maior fraude no sistema financeiro de que se tem notícia – e o escritório da mulher de Moraes ou a empresa da família de Dias Toffoli, a PGR entrou em estado contemplativo. Quando Toffoli assumiu a relatoria do caso Master, Gonet arquivou pedidos de impedimento que os próprios ministros do STF se viram obrigados a reconhecer – ainda que não formalmente – numa reunião secreta. Mensagens entre Moraes e Vorcaro foram dispensadas como ninharias. Gonet procrastinou a avaliação de um pedido de prisão de Vorcaro quando a Polícia Federal já evidenciava riscos flagrantes de obstrução e intimidação.
A elasticidade muda conforme o alvo. Depois que um ex-assessor de Moraes, Eduardo Tagliaferro, trouxe à tona mensagens e relatos sobre a atuação informal do ministro para perseguir críticos, o foco deslocou-se rapidamente. Em vez de concentrar energia no conteúdo revelado, o aparato persecutório voltou-se contra quem revelou. A Procuradoria investiga o mensageiro com vigor, mas a mensagem foi varrida para debaixo do tapete.
Esse padrão explica por que tantos brasileiros enxergam hoje uma Justiça de castas. Críticas a ministros são equiparadas a “ataques à democracia”. Um entrevero entre Moraes e um cidadão comum em Roma ativou as engrenagens penais da PGR. Uma frase escrita com batom numa estátua gerou pedido de pena superior à aplicada a criminosos violentos. Um Pix de R$ 500 para ajudar a fretar um ônibus com manifestantes rumo a Brasília virou acusação por tentativa de golpe. Já ministros do STF parecem habitar um ecossistema processual muito mais acolhedor, paciente e compreensivo.
O Ministério Público existe para defender a ordem jurídica e fiscalizar o poder, inclusive o poder togado. Uniformidade de critérios, prudência sem covardia, coragem sem abusos, apego rigoroso ao devido processo legal, proporcionalidade e, sobretudo, independência são o que se espera de um bom procurador. Já Paulo Gonet oscila entre dois polos igualmente degradantes para o parquet: o de perseguidor-geral da República e o de prevaricador-geral da República.
STF INVERTE PRIORIDADE NO ESCÂNDALO DO CASO MASTER, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Data de abril do ano passado a primeira menção ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, publicada pelo jornal O Globo.
Em dezembro, quando o Master já havia sido liquidado pelo Banco Central e suas fraudes financeiras eram de conhecimento público, o mesmo veículo revelou que o contrato somava exorbitantes R$ 129 milhões a serem pagos ao longo de 36 meses.
Em março, descobriram-se mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes, enviadas em 17 de novembro, quando o então controlador do Master fora preso pela Polícia Federal.
A despeito da comprovação de todos esses indícios escandalosos, a Procuradoria-Geral da República não moveu uma palha para investigar as relações entre o magistrado e Vorcaro —nem, aliás, as transações milionárias de uma empresa ligada ao ministro Dias Toffoli com um fundo da rede do banco fraudador.
Tampouco o Supremo se dispôs a tomar providências concretas. Magistrados resistem até mesmo a um singelo código de conduta proposto pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin.
As energias das autoridades, ao que parece, estão voltadas para descobrir e punir os responsáveis pelo vazamento das informações.
Logo no início deste ano, Moraes valeu-se dos superpoderes que ganhou com o interminável inquérito das fake news para determinar uma devassa na Receita Federal em busca de quebras de sigilos fiscais de ministros do STF e seus familiares. Funcionários do fisco foram afastados e colocados sob monitoramento.
Na última terça-feira (19), o ministro André Mendonça autorizou uma operação policial que resultou no afastamento de um perito da PF suspeito de ter repassado a terceiros informações confidenciais. A nota lacônica divulgada pelo tribunal não entrou em detalhes, mas soube-se em Brasília que se tratava do famigerado contrato entre o Master e Viviane Barci de Moraes.
Supondo que o servidor de fato seja responsável pelo vazamento, é de imaginar por que tamanha diligência investigativa não é aplicada em um esclarecimento mais importante —por que um banqueiro mafioso firmou um contrato de valores absolutamente fora dos padrões de mercado com o escritório da esposa de um ministro do STF.
A questão cabe não apenas à corte mais alta do país, mas também, e sobretudo, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, até aqui inerte no caso.
FLÁVIO ENTRE A POLÍCIA E A POLÍTICA, por Demétrio Magnoli, no jornal Folha de S. Paulo
Desde a divulgação de seus pactos com Vorcaro, Flávio Bolsonaro enfrenta um duplo dilema. Numa ponta, a investigação policial e judicial; na outra, o colapso de uma narrativa política. No crítico estado atual do STF, o segundo representa ameaça mais grave.
Provocada, a PGR autorizou a PF a seguir o dinheiro. Tudo ali é suspeito: os valores multimilionários associados ao filme; o papel dos dois irmãos na gerência da transação; o trajeto alegado da grana, via um fundo gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro; o suposto sigilo contratual absoluto sobre a participação do Master no patrocínio da obra. Crimes possíveis: lavagem de recursos do Master e financiamento da aventura americana do 03.
Das rachadinhas a Hollywood, Flávio percorreu um longo caminho financeiro sem sair de seu lugar ético. Contudo, a verdade completa depende da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do 01 e do 03. A PGR solicitará? O STF dará esse passo?
Flávio não está sozinho nos negócios nebulosos com Vorcaro. A rede estende-se pela elite política, da direita à esquerda, e alcança ministros do STF. A PGR e o próprio tribunal ignoraram olimpicamente as transações suspeitas de Toffoli e Moraes com o Master e seu emaranhado de fundos intermediários. Como quebrar os sigilos de um candidato à presidência sem, ao menos, deflagrar uma investigação formal sobre os ilustres juízes de capa preta?
No registro político, o cenário é outro. Os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro à irmandade dos Bolsonaro destinavam-se a comprar proteção, não a financiar um filme do gênero hagiográfico. “Estou e estarei contigo sempre” –a promessa de Flávio ao escroque configura um contrato mafioso. À sua sombra, desaba a campanha bolsonarista, apoiada na equação “o Pix é nosso; o Master é deles”.
Uma entrevista à GloboNews escancarou as mentiras de Flávio sobre suas relações com Vorcaro. As perguntas devastadoras partiram da jornalista Malu Gaspar, aquela mesma que se tornara alvo da difamação da rede petista pelo “crime” de expor o contrato do Master com a esposa-sócia de Moraes. Os efeitos não tardaram.
Duas pesquisas oferecem pistas sobre a derrocada. O Datafolha anterior aos áudios indicava empate numérico no segundo turno. Já a sondagem Atlas/Intel, imediatamente posterior, indicou 48,9% para Lula contra 41,8% para Flávio. O eleitorado tem memória curta? Talvez, mas será lembrado de cada palavra do candidato mentiroso ao longo da campanha. Suspeito que, com a sedimentação da história, desapareça a hipótese de triunfo da candidatura do 01 num segundo turno.
A família golpista encontra-se na encruzilhada. Pode seguir a seta que aponta a via da derrota a fim de conservar seu monopólio sobre a direita. Nessa hipótese, preservaria o padrão de polaridade que interessa aos dois polos e congela a política nacional, prendendo o futuro na caverna do passado. Alternativamente, pode curvar-se à pressão dos aliados políticos e, imitando a noiva proverbial, lançar aos ares o cobiçado manto do anti-Lula.
A lógica sugere que a fonte original das revelações divulgadas pelo Intercept Brasil é o próprio Vorcaro. Da prisão, o financista piramidal ensaia sua vingança e emite um alerta para os “traidores”. Avisa que tem mais balas na agulha. A corrida eleitoral abriu-se para o inesperado.
CALA-BOCA RESNASCEU, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
O Direito xandônico, perversor do verbo “atacar”, molda os costumes, tornado normal entre nós o recurso à censura prévia. O recurso à censura prévia, com seu custo depredador sobre a democracia, em nome da saúde da democracia. Censura prévia pelo bem, para sacrifício do ambiente garantidor das liberdades. Censura prévia do bem, claro. É o que aliados de Lula pedem formalmente ao TSE contra o filme-exaltação a Jair Bolsonaro: que não seja exibido antes das eleições, para proteger a pureza do nosso voto contra o perigo de a obra nos corromper – neste país em que milhões de pessoas votam sob o fuzil do crime organizado.
Recorrem ao precedente plantado pelo TSE em 2022. Um dos legados de Xandão, cuja atividade arbitrária sobre o debate público arrombou a porteira para a potencial transformação-transtornação em “propaganda eleitoral” de todo discurso político. Não há crime no discurso político – exercido por meio de filme ou de samba – que faça cabeças, porque essa é a própria naturezapretensão do discurso político.
Não há crime eleitoral no discurso político, seja ou não ano eleitoral, não havendo nele pedido explícito de voto. A regra norteadora do TSE deveria ser o comedimento, prosperante entre nós a ideia de que ao Estado caiba administrar a seleção prévia de produções intelectuais aceitáveis. Contra “peça de comunicação política de enorme impacto”, o Estado como instrumento de intervenção – de enorme impacto – sobre a comunicação política.
Era 20 de outubro de 22 quando Cármen Lúcia, fechada com o autoritarismo pela democracia de Moraes, outrora a juíza do “cala-boca já morreu”, votou pela censura prévia a um documentário bolsonarista: “Este é um caso específico e que estamos na iminência de termos o segundo turno das eleições. A proposta é a inibição até o dia 31 de outubro, exatamente o dia subsequente ao do segundo turno, para que não haja o comprometimento da lisura, da higidez, da segurança do processo eleitoral e dos direitos do eleitor”.
Censura prévia – “inibição”, né? – com data para acabar. O caso da juíza, de Corte constitucional, que chancelava a censura preocupada com as consequências do ato de censurar; que chancelava a censura, em nome dos “direitos do eleitor”, contra a desinformação, advertindo sobre o risco de a censura gerar censura, a expressão máxima da desinformação, caso em que se deveria voltar de pronto para dentro da Constituição: “Se, de qualquer forma, senhor presidente, isso se comprovar como desbordando para uma censura, deve ser imediatamente reformulada esta decisão no sentido de se acatar integralmente a Constituição e a garantia da liberdade”.
O caso da juíza, de Corte constitucional, que admitiu – pela “segurança do processo eleitoral”, para nos proteger de nós mesmos, porque somos incapazes de discernir – o meio acatamento da Constituição. Não se chegou até aqui de repente, com ações contra desfile de escola de samba, acusado – com pretensões de sentido estrito – de encarnar “propaganda eleitoral”. Não se sairá deste lugar facilmente.
O esquema é em São Paulo. Mas, no Rio de Janeiro, terra das Organizações Globo. Ela por décadas, glamourizou tudo isso nas suas novelas. Nos noticiários ficou do lado da violência dos bandidos para culpar a violência dos policiais. Enquanto isso, surgiram, cresceram e dominaram a cidade e instituições, os bicheiros, o Comando Vermelho e seus satélites, os abrigo e escolas do crime e terrorismo da facção para as filiais de outros estados. Somam-se as milícias, os traficantes, territórios dominados, governadores, prefeitos, execução de vereadores e presidentes da Assembleia que não duram em suas funções por delitos ligados à corrupção e associação à bandidagem, tudo associado a um sistema repressor podre aos olhos da sociedade e das corregedorias… Agora, O Globo acha que o pior disso tudo está longe dali, o Rio que é o centro de referência da bandidagem e crime organizado no Brasil. Que mundo, a empresa O Globo e o jornalismo dela estão? São parte de um Brasil que pune o cidadão e cidadã que ainda acredita na Lei, na Justiça e no bom senso como dignidade. São tão culpados se não pela ação, pela omissão e escolhas. Este editorial é um exemplo de hipocrisia conivente, pois fake não é
ESQUEMA DE INFLUENCIADORA COM PCC REVELA SOFISTICAÇÃO DO CRIME, editorial do jornal O Globo
A prisão em São Paulo da advogada Deolane Bezerra é mais uma evidência da infiltração do crime organizado na economia formal e da sofisticação dos esquemas de lavagem de dinheiro. Deolane, influenciadora digital com 21,7 milhões de seguidores que ficou conhecida pelo relacionamento com o funkeiro MC Kevin e costuma postar fotos ao lado de carros de luxo e de suas viagens pelo mundo, é acusada de ser uma espécie de “caixa” do crime organizado, atuando a serviço do PCC para lavar recursos ilícitos. A investigação, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, também expôs a incapacidade do sistema penitenciário de impedir que lideranças encarceradas continuem a comandar ações nas ruas.
Deolane já tinha prontuário policial. Em 2024, a Polícia Federal a manteve presa no Recife, sob a acusação de integrar um esquema de lavagem de dinheiro de apostas digitais ilegais. Segundo a Polícia Civil pernambucana, ela investiu R$ 65 milhões em 12 imóveis de luxo em três anos. Foi solta e responde ao processo em liberdade. Agora, foi flagrada num esquema de fracionamento de depósitos milionários em parcelas inferiores a R$ 10 mil para que passassem despercebidos pelos controles. Valores gerados por atividades criminosas transitavam, segundo a polícia, por contas de Deolane para depois retornar ao PCC. Na operação, foram bloqueados 39 veículos avaliados em R$ 8 milhões e ficaram congelados R$ 357,5 milhões — R$ 27 milhões dos quais em nome da própria Deolane.
A polícia diz ter encontrado vínculos dela com a cúpula do PCC, em particular com o líder da facção, Marcos Herbas Camacho, o Marcola, preso há 27 anos. A investigação chegou a Deolane depois da apreensão de bilhetes manuscritos com dois presos no complexo penitenciário de Presidente Venceslau (SP). Um dos inquéritos abertos a partir disso investiga lavagem de dinheiro por meio de uma empresa de transportes vinculada a Marcola, seu irmão Alejandro e outros parentes. No celular de um dos investigados, acusado de comprar caminhões e de movimentar recursos obedecendo a ordens de Marcola e seu irmão, havia imagens de recibos de depósitos bancários, alguns deles em contas de Deolane.
As empresas de transporte são apenas um dos elos com a economia formal na extensa teia de negócios criminosos do PCC. A Operação Carbono Oculto mapeou no ano passado uma rede de mil postos de combustível em diversos estados, para vender álcool adulterado, mobilizando empresas de logística, usinas de açúcar e destilarias no interior paulista. Reportagem recente do Wall Street Journal apresenta o PCC como a organização criminosa que mais cresce no planeta, com braços na América Latina, nos Estados Unidos e nos maiores portos europeus.
Para enfrentar organizações assim, não há alternativa: é urgente integrar as forças de segurança, sob coordenação federal. Embora o Congresso tenha avançado ao aprovar a lei das facções criminosas, só isso não basta. É preciso um plano nacional, executado com afinco por todas as esferas de governo.
O PREÇO DA LINHA DE COTA: O SUPER EL NIÑO DE 2026 E O LEGADO DE OMISSÃO NO VALE DO ITAJAÍ, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral de Gaspar 2005/08, graduado em Gestão Pública, pela Udesc, graduando em engenharia civil e em engenharia sanitária e ambiental. Originalmente, este artigo foi publicado nas redes sociais do autor.
Eu tinha apenas 13 (treze) anos em 1983 aqui em Gaspar. Lembro perfeitamente do som da chuva que parecia eterna, do cheiro persistente da lama e da angústia do isolamento que tomava a nossa região.
Mas a imagem mais viva que carrego daquela infância é a do meu pai, o Seu Zeca Campina.
Diante do caos, vi meu pai usar todo o seu conhecimento de carpintaria para construir, ali na raça, uma bateira de madeira. Foi com esse barco que ele atravessava dezenas de moradores que estavam completamente ilhados na entrada do bairro Santa Terezinha, bem perto do antigo viaduto da estrada de ferro.
A engenharia do meu pai era a da sobrevivência e do amor ao próximo.
O tempo passou e a vida me colocou na linha de frente de um cenário ainda mais doloroso. Em novembro de 2008, a maior catástrofe climática da nossa história desabou sobre Gaspar. Eu estava lá, não como espectador, mas como Procurador-Geral do Município de Gaspar/SC.
Senti nas costas o peso de uma tragédia que rasgou nossos morros e nos tirou inúmeras vidas.
Aquele desastre foi traiçoeiro: não foi anunciado, não veio precedido por alertas de TV ou decretos com meses de antecedência. Fomos golpeados no escuro.
Vi o então prefeito Adilson Luis Schmitt ser pego completamente de surpresa pela fúria de uma natureza que não deu aviso prévio. Mas vi também o que significa gestão pública de verdade diante do luto e do caos.
Não houve espaço para discursos ensaiados, vídeos para redes sociais ou marketing de crise.
Enquanto chorávamos nossos mortos e resgatávamos os sobreviventes, o prefeito Adilson e a nossa equipe trabalhamos dia e noite, no braço, abrindo estradas e acolhendo as famílias. Ali existia espírito público legítimo e respeito à dor do povo, ““NÃO OPORTUNISMO””.
Hoje, aos 55 anos, não falo por ouvir dizer. Minha trajetória não foi construída assistindo à história de longe. Sentei com orgulho nos bancos acadêmicos do Direito, da Educação Física e da Administração Pública.
E é essa mesma inquietação que me faz, hoje, continuar estudando e buscando respostas práticas nos cursos de Engenharia Civil e de Engenharia Sanitária e Ambiental.
Desde as lições de 1983 e 1984, a ciência hidrológica e a engenharia avançaram significativamente. O comportamento das bacias hidrográficas diante de eventos extremos tornou-se previsível através de modelos matemáticos e simulações hidráulicas.
No entanto, o que se viu ao longo das últimas administrações foi um abismo intransponível entre o conhecimento técnico e a prática política de balcão.
Essa bagagem multidisciplinar me dá a autoridade legal, administrativa e técnica para afirmar: “““o que fizeram com a topografia do nosso Vale foi um crime previsível, e a conta chegou”””.
Por isso, ver o recente Decreto de Alerta Climático Estadual (nº 1530 de 18/05/2026) e acompanhar prefeituras correndo para cancelar festas na tentativa tardia de remanejar orçamentos não me traz alívio. TRAZ INDIGNAÇÃO.
Essa correria não é prevenção: “É UMA CONFISSÃO DE CULPA”. É o atestado de falência de 4 (quatro) décadas de gestão urbana e ambiental no Vale do Itajaí.
Em 2008, fomos pegos de surpresa e respondemos com dignidade, silêncio e trabalho duro. Agora, em 2026, o desastre está anunciado há meses. O que vemos é um teatro político de emergência para mascarar 40 (quarenta) anos de omissão e falta de planejamento estrutural.
Sob a ótica da Engenharia Civil, cometemos um erro brutal contra o nosso relevo. As planícies de inundação, as “BAIXADAS” que atuavam como amortecedores naturais de cheias na minha infância, foram sistematicamente retalhadas, loteadas e aterradas.
A concessão indiscriminada para a execução de aterros geométricos gerou uma falsa sensação de segurança para os novos empreendimentos, mas criou um efeito colateral devastador: “O DESLOCAMENTO DE MASSA DE ÁGUA POR REDUÇÃO DE VOLUME ÚTIL DE ARMAZENAMENTO”.
Ao elevar o solo das baixadas para tirá-lo da cota histórica de inundação, as gestões passadas estrangularam a seção de vazão do rio e ribeirões.
A equação é matemática e implacável: se a água não pode ocupar o espaço que ocupava em 1983 e 1984, ela subirá a níveis muito mais altos e invadirá bairros e encostas que historicamente eram considerados seguros. O erro de planejamento de um loteamento na baixada decretou a inundação futura de quem mora na encosta.
Do ponto de vista sanitário e ambiental, a negligence com o escoamento superficial urbano reduziu drasticamente o tempo de concentração da bacia.
A substituição da cobertura vegetal por asfalto, concreto e telhados, sem a exigência rigorosa de medidas de mitigação na fonte, como bacias de detenção, micro-reservatórios e pavimentos permeáveis nos planos diretores, fez com que a água da chuva atinja a calha dos rios de forma quase instantânea.
O resultado não é apenas o aumento do volume inundado, mas a velocidade avassaladora com que o pico da cheia acontece, minando a capacidade de reação e encurralando a população. Não se investiu em infraestrutura verde; preferiu-se empurrar o passivo ambiental para as gerações futuras.
Como gestores públicos, o diagnóstico é ainda mais severo. A administração pública no Vale do Itajaí viciou-se no fetiche da “GESTÃO DE DESASTRES”.
É politicamente MAIS CONVENIENTE para um governante aparecer na televisão decretando calamidade, distribuindo donativos e inaugurando abrigos do que aplicar recursos orçamentários em obras invisíveis de macrodrenagem, dragagem perene, reflorestamento de APP e desapropriação de áreas de risco.
O pré-posicionamento de equipes e o contingenciamento de verbas de festividades a escassos dias do impacto previsto pelo Super El Niño expõem a mentalidade tacanha de governos que tratam a hidrologia como um evento surpresa.
O El Niño não é um CISNE NEGRO; ““é um fenômeno cíclico, monitorado mundialmente. SABIA-SE QUE ELE VOLTARIA FORTE””.
Em 2026, o Vale do Itajaí não enfrentará apenas a fúria da natureza. Mas sim enfrentará o resultado de 40 (quarenta) anos de concessões políticas fáceis, de Planos Diretores flexibilizados pela pressão imobiliária e de total ausência de engenharia proativa.
Cortar verbas de eventos agora não apagará o erro dos metros cúbicos de aterros autorizados nas últimas décadas.
Se o nível das águas ultrapassar os limites históricos e atingir os pontos altos da nossa região, a culpa não será do clima. Será de cada assinatura, de cada licença ambiental negligenciada e de cada omissão técnica que permitiu que o interesse econômico de curto prazo alterasse o relevo e condenasse a segurança de toda uma população.
Eu vi o rio em 1983 com os olhos de um menino orgulhoso do pai carpinteiro que salvava vidas na raça.
Enterrei nossos mortos e reconstruí a cidade em 2008 como Procurador-Geral ao lado do prefeito Adilson.
E hoje, vejo o perigo com la clareza de quem domina as leis e os cálculos da engenharia.
Se o povo de Gaspar precisar de bateiras novamente em 2026, a culpa será daqueles que herdaram os avisos da história, mas preferiram ignorar a ciência e dar as costas para a vida das pessoas.
Vergonha
ENSINO À DISTÂNCIA DETERIORA QUALIDADE DOS PROFESSORES NO BRASIL, editorial do jornal O Globo
São alarmantes os resultados recentes sobre o desempenho de alunos de cursos de licenciatura. Sem professores minimamente capacitados, não há escola bem equipada nem ferramenta digital de última geração que consiga elevar o nível da educação no país. De acordo com o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas, 42,2% dos estudantes nesses cursos estão abaixo do patamar considerado básico, 37,5% no limite desse nível e apenas 20,2% no nível adequado. Em matemática, crucial nas carreiras de tecnologia e engenharia, os resultados são ainda piores, com meros 5,6% atingindo o nível adequado. Quem puxa as médias para baixo são os estudantes de licenciatura da educação à distância (EAD). Mais da metade está abaixo do nível básico. Apenas 12% apresentam nível adequado.
A ideia de que cursos de licenciatura à distância, responsáveis por 70% da oferta de vagas, acelerariam a capacitação de professores para enfrentar os desafios da educação se mostrou uma quimera. Dos matriculados em cursos de matemática no EAD, 67% estão abaixo do nível básico. Em pedagogia, 54%; em letras/português, 47%; e em História, 40%. “Mais de 60% dos estudantes em cursos de licenciatura à distância estão matriculados em cursos nos quais nem 50% dos estudantes atingem o corte mínimo estabelecido”, diz avaliação da ONG Todos Pela Educação.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve o mérito de mudar os critérios de avaliação para obter um retrato mais fiel da situação. Os testes deixaram de ser genéricos, passaram a medir fatores ligados ao exercício da docência e a ser anuais. No ano passado, um decreto oportuno proibiu a formação de licenciados em cursos 100% à distância. Mas ainda persiste o risco de retrocesso nas normas sobre o aumento das aulas presenciais. A questão está em discussão no Conselho Nacional de Educação e sofre forte resistência do setor privado. O MEC ainda não se posicionou de forma contundente.
Embora a educação presencial conte com melhor desempenho — 75% acima do básico em pedagogia, 73% em letras/português e 89% em História —, ela também apresenta deficiências. Em matemática, 46% não atingem a proficiência mínima. No total, apenas três em dez alunos apresentam desempenho adequado. Quarenta e dois por cento estão no limite do nível básico e 26% abaixo dele.
A Todos Pela Educação sustenta que os resultados tornam premente a necessidade de fortalecer políticas de formação inicial. “Embora o Enade das Licenciaturas/Prova Nacional Docente ainda esteja em consolidação e apresente limitações, os resultados indicam fragilidades que requerem respostas estruturais do poder público”, afirma. É obrigação do Ministério da Educação promover as mudanças necessárias e intervir nas instituições com desempenho abaixo do aceitável para resgatar a qualidade do ensino no Brasil.
Bom dia.
Junta-se a péssima qualificação dos professores, a progressão AUTOMÁTICA dos alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental, e teremos muitos diplomas meramente decorativos.
Aí que DÓI quando vejo SALÁRIO BASE DA CATEGORIA, que não separa essa leva de INÚTEIS dos Mestres Vocacionados, aqueles que merecem reverências, respeito e SALÁRIOS COMPATÍVEIS, DIFERENCIADOS, CONQUISTADOS ATRAVÉS DA MERITOCRACIA.
Dói mais ainda quando vejo que são contemplados igualitariamente com escala 4×3, inclusive “professores” de CDI, para PLANEJAMENTO DA AULA SEMANAL 👀😱
Professor tem férias de DOIS MESES no final do ano e mais QUINZE DIAS em julho.
Será POUCO?
QUAL OUTRA CATEGORIA QUE GOZA DE TAMANHO PRIVILÉGIO, além do Congresso Nacional e parte dos LEGISLATIVOS estaduais e municipais?
Outra questão é a troca de DIREÇÃO das escolas a cada dois anos, e a FALTA DE CONTINUIDADE DOS PROJETOS PREMIADOS.
A cada nova ELEIÇÃO, ou uma porta se ABRE, ou se fecha durante DÉCADAS, até surgir um NOVO ABNEGADO.
PUNIR O MENSAGEIROS NÃO BASTA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
É absolutamente legítima a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o perito criminal João Cláudio Nabas, suspeito de vazar a informação sobre o contrato de quase R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Violação de sigilo funcional é crime previsto no art. 325 do Código Penal e, portanto, agentes públicos com acesso a informações sensíveis devem responder pelo eventual manejo indevido desses dados.
Dito isso, o suposto crime de que o sr. Nabas é suspeito não apaga a materialidade do conteúdo vazado. Ainda que o perito venha a ser processado e condenado, seguirão de pé as informações que realmente importam para o País, quais sejam, a de que o encalacrado banqueiro Daniel Vorcaro tinha relações próximas, compradas a peso de ouro, com Alexandre de Moraes, contexto que exige uma explicação convincente desse ministro do STF.
A nota divulgada pelo gabinete do ministro, em março, limitou-se a negar contato entre Moraes e Vorcaro num dado momento. Entretanto, as mensagens apreendidas pela PF, como revelado pela imprensa, apontam em direção diametralmente oposta. Já os argumentos apresentados pelo escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados para justificar o multimilionário contrato firmado com o Banco Master, de tão indigentes, soaram como uma ofensa à inteligência alheia que só aumentou as suspeitas sobre sua real natureza, ao invés de dissipá-las.
O Estadão, recorde-se, ouviu advogados de reconhecida reputação no mercado e demonstrou que os valores atribuídos aos serviços supostamente prestados pela sra. Viviane de Moraes destoam do parâmetro usual da advocacia empresarial brasileira, mesmo em seu mais alto nível. Honorários daquela monta costumam estar associados a litígios bilionários ou operações de extrema complexidade, envolvendo grandes equipes e múltiplas bancas especializadas. Não parecia – e segue não parecendo – ser o caso do trabalho desempenhado pela mulher de Moraes para o Banco Master, o que autoriza a suspeita de que o contrato, na verdade, tenha sido o meio encontrado por Vorcaro para comprar o acesso ao ministro, sabe-se lá para quê.
Fosse nossa república um tanto mais avançada, relações financeiras dessa magnitude envolvendo familiares de um ministro do STF e um notório escroque sob intensa vigilância regulatória e policial despertariam a imediata mobilização da Procuradoria-Geral da República (PGR). O que se vê, porém, é que a reação predominante do sr. Paulo Gonet e de setores da PF tem sido o silêncio obsequioso diante de autoridades denunciadas e a sanha punitiva contra servidores que, do jeito certo ou errado, as denunciaram.
O caso de João Nabas não é o primeiro. Um ex-assessor de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, também sentiu o peso do aparato persecutório do Estado depois de denunciar supostas irregularidades na produção de relatórios utilizados nos intermináveis e opacos inquéritos conduzidos por Moraes no STF. Servidores da Receita Federal que acessaram dados ligados à família do ministro e de alguns colegas dele na Corte também foram acordados pela polícia à porta. O recado a todos os servidores não poderia ser mais claro: não ousem chegar perto de autoridades que julgam estar ao abrigo do devido escrutínio público.
Para evitar esse tipo de coação, mesmo velada, existe o Ministério Público. A PGR, porém, continua fingindo que não há o que investigar no envolvimento de ministros do STF com o caso Master. Mas não custa lembrar: a missão institucional do sr. Gonet não é assegurar a tranquilidade de seus confrades nas altas rodas de Brasília. Seu dever como defensor da sociedade e da ordem jurídica é investigar fatos potencialmente criminosos, sobretudo quando envolvem autoridades investidas de enorme poder.
A investigação sobre o eventual vazamento praticado por João Nabas deve seguir seu curso regular, com respeito ao devido processo legal. Mas o País não pode aceitar que a punição do mensageiro impeça a apuração da mensagem. As relações entre Moraes, sua família e Vorcaro continuam muito mal explicadas.
ISTO É FLÁVIO BOLSONARO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Desde que estourou o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, os integrantes da equipe de campanha do filho de Jair Bolsonaro saíram por aí a dizer que foram surpreendidos com a revelação de que o candidato a presidente tinha relações fraternas (e transacionais) com o protagonista do maior crime financeiro da história brasileira. Alguns admitem que o baque pode até fazer o campo bolsonarista escolher outro candidato.
Ora, francamente: esse escândalo não muda uma vírgula da biografia de Flávio, na qual já figuram com destaque suas relações com milicianos, a prática de rachadinha em seu gabinete e estranhos negócios imobiliários em dinheiro vivo. Trata-se, portanto, de um candidato com longa ficha corrida, que nunca foi segredo para ninguém. O caso do Banco Master não torna Flávio pior do que ele já era.
Tampouco muda alguma coisa o fato de que Flávio Bolsonaro mentiu seguidamente – para seus aliados, para sua equipe de campanha e para a imprensa – a respeito de suas relações com Vorcaro. A mendacidade é a própria natureza do clã Bolsonaro, que construiu sua trajetória política em cima de desinformação, logro e desfaçatez. O filme sobre Bolsonaro, a julgar pelo trailer divulgado por Flávio, é em si mesmo um retrato fiel dessa doença congênita: inventa um Bolsonaro que só existe nos delírios da família. Como vivemos tempos estranhos, em que mentirosos patológicos ganham destaque no degradante mercado da atenção em que se transformou a política, chega a ser engraçado que alguém se queixe por ter sido enganado por Flávio Bolsonaro.
Mas é preciso reconhecer que Flávio sempre foi absolutamente honesto a respeito do espírito de sua candidatura à Presidência: ele nunca escondeu que seu único objetivo, ao chegar ao poder, é livrar o pai da cadeia. Governar o Brasil não está nos seus planos, como não estava nos planos do patriarca – que terceirizou a administração do governo por sua absoluta inaptidão ao trabalho e que vivia a lamentar o fardo de estar na Presidência.
Ainda assim, alguns aliados de Flávio Bolsonaro dizem por aí que acreditam na sobrevivência da candidatura do senador e mantêm sua disposição em apoiá-lo. O fator determinante nesse cálculo é que Flávio, a despeito de tudo, continua a aparecer nas pesquisas como o único capaz de fazer frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Portanto, segundo esse raciocínio, pouco importa se Flávio envolveu-se com o protagonista do maior escândalo financeiro da história brasileira, se tem ligação com milicianos, se tomou dinheiro de funcionários de seu gabinete e se fez negócios obscuros em dinheiro vivo. Também não interessa se o tal filme feito com dinheiro de Daniel Vorcaro é tão ruim que não se pode condenar quem o considere apenas um meio de lavar dinheiro, fazer caixa de campanha e sustentar o irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo, na sua dolce vita nos EUA. O que interessa é impedir um novo mandato de Lula, retratado pelos bolsonaristas como o diabo em pessoa.
O Brasil não pode mais ficar à mercê dos interesses particulares de uma única família, ainda mais quando esses interesses colidem frontalmente com a decência e as leis. Determinada pelo “dedazo” de Jair Bolsonaro, a candidatura de Flávio sabotou a construção de uma chapa de oposição democrática à reeleição de Lula. E é improvável que os Bolsonaros recuem, já que seu objetivo é impedir que a direita se organize em torno de nomes de fora da família. A lealdade, como ocorre na máfia, é a laços de sangue, não a valores morais e princípios republicanos ou mesmo a um projeto de país.
Bolsonaro e sua grei não geraram nada de bom para o País, só ressentimentos e destruição de consensos mínimos entre concidadãos. De quebra, conseguiram a proeza de devolver o poder a Lula, malgrado a extensa folha corrida do petista. Só por isso mereceriam do País o mais absoluto desprezo.
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BAIXO NÍVEL DE INTELIGÊNCIA POLÍTICA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo
Inteligência política parece ser um bem escasso em relação à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Ela nada tem a ver com moral ou ética – em boa medida, serve para escapar disso –, mas, sim, com a identificação exata de riscos e oportunidades.
O senador ungido pelo chefe do clã como candidato da franquia Bolsonaro achou que podia tocar uma campanha sem ser importunado pelo fato de que pediu dinheiro para o banqueiro no centro do maior escândalo da atualidade. Escondeu isso até de seu chefe de campanha, talvez temendo que a candidatura acabasse ali mesmo.
A própria escolha de Flávio já era claro sinal de baixo nível de inteligência política, pois, num duelo eleitoral de quem tem a roupa mais suja, ele já entrava com a vestimenta manchada – e antes mesmo de se saber que era “irmão” de Vorcaro. A insistência só se explica pela intenção de manter a franquia Bolsonaro circunscrita à família, pois só ela se acha “a direita”.
Ainda assim, revela-se de novo baixo nível de inteligência política, pois a candidatura foi sustentada exclusivamente em números de pesquisas. Esses números podem ser entendidos como títulos de renda variável: resultados de ontem não são garantia dos mesmos resultados amanhã. Os “investidores” seguiram pela mesma cilada e só agora começam a se esforçar para diversificar.
É perverso o estímulo aos operadores políticos para se deixar levar por números de pesquisas, e não pelo empenho em campanhas “orgânicas” e trabalho político “tradicional”. O que realmente interessa a eles é formar densas bancadas, daí o fato de apostarem apenas em puxadores de votos. Que pode ser Lula num lugar e Bolsonaro no outro, tanto faz.
Há evidências (nas pesquisas também) da existência de um grande potencial de votos fora do atual eixo de polarização. Mas esse potencial parece hoje elusivo e disperso não tanto pela calcificação das bolhas, que é um fenômeno real.
Até aqui, faltaram também a lideranças de direita um horizonte mais amplo e a disposição de romper a relação de dependência com a franquia Bolsonaro e explorar o enorme sentimento por verdadeiras mudanças (coisa que a franquia nunca entregou). É possível que uma ação política desse tipo prospere vagarosamente e não chegue ao segundo turno, a ser disputado pelo enfadonho e destrutivo eixo Lula-Bolsonaro.
Mas ela teria uma poderosa bandeira para o que vem depois. Os atuais campeões de rejeição – Lula e Flávio – são os que terão as piores condições de governabilidade e as menores condições de formar as necessárias alianças de opostos para enfrentar desafios formidáveis. O que faltará a ambos é confiança.
UM EXEMPLO. DE SÃO PAULO. JÁ EM GASPAR…
Marcello Lopes, é (ou era) amigo do senador Flávio Bolsonaro, PL. Esta era a condição dele como marqueteiro em ação e pré-definido para ser do da campanha presidencial.
Não é mais. Ele pulou fora. Iniciativa dele. Veio das férias dos Estados Unidos para dizer isso, bem claramente, ao amigo Flávio.
A agência de Marcello (conhecido como Marcelão) tem vários contratos, inclusive com órgãos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, PL,
Recentemente, a agência de Marcello, ganhou uma concorrência de R$300 milhões anuais no governo de Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, de São Paulo.
Depois do escândalo, com sucessivas mentiras e coisas mais explicadas na relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro bandido Daniel Vorcaro, Banco Master e seu conglomerado de investimentos, que Marcello possivelmente não tem nada a ver com isso, mas pelo simples fato dele estar relacionado como um obrigado a gerenciar este tipo de crise do candidato Flávio por conta de ser o marqueteiro da campanha de Flávio, o governo de São Paulo desclassificou a agência de Marcello.
Colocou ela bem longe de Tarcísio Comes de Freitas, Republicanos.
É que gato subiu no telhado e Tarcísio entendeu perfeitamente isso. Foi rápido. Definitivo. Marcelo sentiu no bolso, pressentiu que a condição de marqueteiro de Flávio, cheio de truques, falta de transparência e mentiras sucessivas, poderia contaminar outros negócios seus, que passariam a ser vasculhados.
Por que Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, pulou fora, mesmo estando, supostamente no mesmo campo ideológico de Flávio Bolsonaro, PL, para quem cedeu a vaga na corrida presidencial?
Porque não quer se ligar nos assuntos relacionados às dúvidas em tempo de busca a votos. A já oposição estava armada no papel dela de associoar e duvidar.
Vai que fuçando, polícia, Gaeco, promotoria e opositores, encontram alguma coisa escondida ou antiga? Tarcísio, um engenheiro, que mal iniciou a vida de político eleito pelo voto, tirou o foco. E rápido.
Muito diferente do que se queixa e não age, por exemplo em Gaspar, Paulo Norberto Koerich, PL.
Na única oportunidade que teve na 89 FM preferiu se enrolar e reclamar de os supostos cartéis de empresas dominaram as prefeituras, prefeitos e comissionados (todos indicados por políticos).
Tarcísio, por outro lado, não se queixou. Foi prático. Cortou o mal na raiz. Mesmo que isso, venha doer nos próprios do espectro ideológico. Tarcísio, preferiu antes de reclamar, se vitimizar e passar a culpa para os outros, agir e bem diferente da maioria dos políticos profissionais e alguns iniciados com velhas prática, como foi o caso de Paulo.
Tarcísio foi pragmático. Fez o que um estadista faria. Perceberam a diferença? Ainda há tempo para Paulo Norberto Koerich, PL, mudar o modo de enxergar como se livrar de gente que lhe faz mal na orientação e na proximidade ou dentro do seu governo. Muda, Gaspar!
E a área de comunicação da prefeitura de Gaspar, na terceira titular em um ano de governo, está normalizada como se a prefeitura Gaspar não estivesse queimando por dentro, com lenha trazida de Blumenau, de onde ela vem.
A GASPAR CRIATIVA
Nas apurações da Polícia de Blumenau que atua contra o crime organizado, o Gaeco – Grupo de Atuação Especial ao Combate contra o Crime Organizado – e O Ministério Púlico de Blumenau, especialmente a 14ª Promotoria de Marcionei Mendes, especializada no combate ao crime nos ambientes do poder público, apareceu que em Gaspar, os de Blumenau e de Gaspar envolvidos em sacanagens combinadas se reuniam numa tal de pedreira.
Gaspar está cheio delas.
PEDREIRA é um nada criativo codinome de uma empresa, usado para se disfarçar nas comunicações da quadrilha enroladas nas sacanagens. O que surpreende? A liderança dela. E aqui, os políticos, metidos numa perigosa bolha que vai lhe asfixiando, dizem, ainda, que não sabem quem é. Gaspar inteira, sabe. E é reincidente. Muda, Gaspar!
E DALE BANDA SÃO PEDRO 👀
Pra quem não assistiu a última sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Gaspar, a banda São Pedro, com escola de música e AULAS PARTICULARES, esteve na casa do POVO cobrando AJUDA da prefeitura de Gaspar pra MANUTENÇÃO do projeto e da banda.
Tava por um fio pra ser APROVADO por unanimidade o PL da vereadora Sandra.
Então eu falei que estava com vontade de criar uma banda aqui no hospital de Gaspar, e perguntei se aí eu conseguiria subsídios da Câmara e prefeitura pra CONSERTAR O TELHADO.
Ainda bem que não foi adiante, mesmo com a presença do jovem Bernardo Spengler, família rica da cidade,
pedindo apoio..
Dona Odete
Eu tive iniciação musical na minha vida com o maestro gasparense Egon Bohn. Só não continuei em bandas de igrejas – e nem em música, uma frustação -, porque as minhas prioridades passavam bem longe disso (estudos, trabalho, carreira…). Se Egon Bohn, legado que deixou para o João, me ensinou a solfejar, era porque Egon era abnegado, um voluntário, um comunitário. Se a banda daqui, e a São Paulo que Egon fundou em Blumenau, tinha instrumentos, porque ela cobrava as apresentações, tinha doadores – incluindo a própria Igreja Católica no processo de atração e educação de jovens e lideranças.
Os tempos são outros, eu sei. Aqui só se faz prédios para alugar e repassar a dinheirama para a Matriz, Diocese e tantas outras. A banda, está de banda, neste processo.
O que é certo? O senso de cultura comunitário, dos comunitários, despareceu. Está profissionalizado. E banda, como uma orquestra é nicho, erradamente, sofisticação. A cultura e uma banda como a São Pedro não pode ser olhada simplesmente como algo incômodo, periférico e nostálgico. Primeiro é uma história a ser preservada. Ela era agregadora, quem não se lembra do alfaite Poli, da clarineta (meu instrumento) do ex-prefeito e bancário Evaristo Spengler, ou do pai da dona Nadir e do Coruja? Segundo: a Banda São Pedro, tem hoje, muito mais do qualquer outro tempo, um caráter não apenas educativo e cultural, mas de inclusão social.
Portanto, dona Odete, falham a comunidade, a banda em si, a igreja católica, os políticos, mas muito mais, as áreas de cultura e assistência social da prefeitura de Gaspar neste governo que vai para quase um ano e meio e os anteriores. Não houve uma estruturação para a adaptação aos novos tempos e exigências trazidas pelo século XXI.
Esqueçam o patrimônio artístico e cultural de uma banda, mas olhem para a iniciação musical, a educação, a disciplina, o compromisso e quantos jovens em contraturno, poderiam estar num processo de transformação e despertar de laços sociais e oportunidades. Gaspar, dos políticos de ontem e de hoje, gostam mesmo é de escândalos, pelo jeito. E agora, até importam de Blumenau e adjacências. Tempos bons aqueles que nem sabíamos que éramos vítimas de cartéis, e que máfia, era aquela que sabíamos existir bem longe daqui, como “cosa nostra” italiana. Muda, Gaspar!
Boa noite.
Exatamente: aulas de música nas escolas no contraturno escolar foi a minha sugestão hoje durante a transmissão ao vivo da reunião de comissões da Câmara.
Eu não tenho nada contra a banda São Pedro, até pq estive presente em algumas apresentações durante a composição anterior.
Agora tem uma garota se achando a dona do mundo, dispensando os mais antigos participantes “por incompatibilidade de horários e insubordinação.
Ela deixou CLARO na noite de terça na sessão ordinária que não admite ser contrariada.
Então, se é tão autosuficiente, que corra atrás de PATROCÍNIO com as próprias pernas.
O nosso suado dinheirinho merece um destino que não favoreça apenas UM GRUPO específico, mas toda a COLETIVIDADE.
STF PRECISA SE RESPEITAR E SER RESPEITADO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Há neste ano piora expressiva da avaliação do Supremo Tribunal Federal por parte dos brasileiros. De dezembro de 2025 para cá, a parcela que considera o trabalho dos ministros da corte ruim ou péssimo aumentou de 35% para 40%, conforme a nova pesquisa Datafolha. No período, o índice de bom ou ótimo desabou de 32% para 22%.
Vale dizer: de um saldo negativo de meros 3 pontos percentuais, a rigor na margem de erro do levantamento, chegou-se a um de 18 pontos.
Parece intuitivo, dada a coincidência temporal, associar esse movimento à revelação das ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o escândalo do Banco Master. É fato que o Datafolha capta uma piora geral de humores do eleitorado, mas a deterioração da imagem do STF é mais aguda que a do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a do Congresso Nacional.
Há uma divisão política na avaliação do tribunal. Entre os que se declaram mais alinhados ao petismo, as menções positivas superam as negativas (39% a 17%), enquanto do lado bolsonarista há amplo predomínio das segundas (9% a 65%). No contingente que não se declara de um lado nem de outro, o saldo é pior que no conjunto do país (12% a 43%).
Pesquisas de opinião, como se deve repetir, são fotografias de momento. Mas o Supremo assumirá um risco grave se permanecer inerte diante da crise de credibilidade por que passa —como parece querer a ala de magistrados que resiste às propostas saneadoras do presidente da corte, ministro Edson Fachin.
Desde a eclosão do caso Master, Fachin intensificou a defesa pública de um código de ética para si e seus colegas de toga, capaz de disciplinar práticas hoje nebulosas, como a participação em eventos suntuosos e a contratação de escritórios de advocacia de seus parentes por interessados em causas no tribunal.
Nada disso substitui o imperativo de investigar com rigor a extensão do envolvimento de Moraes e Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas seria uma demonstração básica de respeito republicano à instituição.
Igualmente inadiável é pôr fim aos inquéritos anômalos, sem transparência nem limite de propósitos, que concedem superpoderes a ministros, não raro usados para censura e autoproteção.
O Supremo também precisa ser respeitado pelos demais Poderes. A nomeação de seus juízes não pode ser um embate entre interesses menores do presidente da República e do Senado Federal, como se viu na recente e histórica rejeição da indicação de Jorge Messias. Pior, segundo se noticia, é que Lula está disposto a insistir no nome do aliado fiel.
A maior parte dos eleitores —59%, segundo o Datafolha— não tomou conhecimento do fiasco, infelizmente. Mas é alentador que, consultados sobre as características muito importantes para um novo ministro, 64% deles apontem a independência ante políticos e partidos.
DECISÃO DO STF AGRAVOU CRISE DOS “PENDURICALHOS”, editorial do jornal O Globo
Têm sido impressionantes as artimanhas usadas na tentativa de driblar as regras impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para disciplinar o pagamento de verbas que ultrapassam o teto constitucional do serviço público, conhecidas como “penduricalhos”. Depois que o Supremo ressuscitou com sua decisão os aumentos automáticos a cada cinco anos para juízes e procuradores (até o limite de 35% do teto), os profissionais das duas categorias que mantinham direito a outra regalia semelhante extinta há duas décadas — o reajuste automático de 5% a cada cinco anos, conhecido como quinquênio — querem acumular as duas. Isso mesmo: querem dois aumentos automáticos a cada cinco anos, sem nenhuma relação com mérito ou desempenho, apenas por antiguidade.
Os defensores desse despropósito se apegam a um parecer da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) segundo o qual não há duplicidade indevida. O documento reconhece a coincidência, mas diz que isso não significa que sejam iguais. De acordo com o parecer, o antigo quinquênio, chamado tecnicamente de Adicional por Tempo de Serviço (ATS), só é pago a quem já tinha o direito adquirido e usufruía o benefício até 2006. É considerado remuneração e está sujeito ao teto. Em contraste, o novo reajuste automático criado pela decisão do STF, batizado Parcela de Valorização por Tempo de Antiguidade (PVTA), é considerado verba indenizatória, paga por fora do teto e, dizem os técnicos, será concedido de forma transitória, até o Congresso legislar sobre o tema. Ora, o objetivo de ambos é o mesmo, conceder reajuste automático por tempo de serviço, prática sem paralelo no setor privado.
Quando estabeleceu regras para os “penduricalhos” em março, o Supremo pretendia pacificar a questão. Decidiu que a soma das verbas indenizatórias não poderia exceder em 70% o valor estipulado na Constituição, equivalente ao salário de um ministro do STF (R$ 46,4 mil). Na prática, ampliou o teto para R$ 78,9 mil, abrindo espaço para acomodar as benesses reivindicadas por juízes e procuradores. O maior equívoco, estava claro desde o início, foi ressuscitar o descabido quinquênio, na forma de PVTA. Alegou-se que ao menos eram criadas regras comuns e que seriam provisórias. Vigorariam só até o Congresso legislar.
Mas o roteiro não saiu como imaginado. Quase dois meses depois do julgamento, os “penduricalhos” permanecem mergulhados em confusão sem fim. Categorias resistem em adotar as novas regras, sob os argumentos mais estapafúrdios. Embora o Supremo tenha proibido a criação de novas benesses, elas continuaram a proliferar, aproveitando brechas da decisão. Tudo indica que a Corte terá de se manifestar novamente para resolver o imbróglio. Mesmo levando em conta que a decisão foi extremamente generosa ao ressuscitar o quinquênio sob a roupagem da PVTA, não é razoável pagar dois benefícios com funções semelhantes.
Diante da falta de normas claras para conter os supersalários, o STF fez bem em agir. Mas não cabe à Corte legislar sobre o tema, e os próprios ministros deixaram isso claro na decisão. O Congresso precisa estabelecer regras sensatas sobre o assunto, eliminando as aberrações sem deixar margens a dúvidas ou a interpretações oportunistas de categorias interessadas em manter privilégios. Aquelas que insistirem devem sofrer as sanções legais cabíveis.