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A SECRETÁRIA CAMILA, DE PLANEJAMENTO TERRITORIAL, COM AJUDA DE MELATO, DEBOCHOU DESCARADAMENTE DA CÂMARA, DOS VEREADORES E DA CIDADE, OU ENTÃO PROVOU DE QUE A VINDA DELA NO KIT QUE O PL IMPORTOU DE BLUMENAU E INDAIAL PARA POSTOS CHAVES NA ADMINISTRAÇÃO DE PAULO NORBERTO KOERICH – E QUE PARTE DESTE KIT ESTÁ ENVOLVIDO EM INQUÉRITOS POLICIAIS -, NÃO SERVE PARA OS GASPARENSES

Esta semana houve duas sessões especiais na Câmara de Gaspar para tentar esclarecer as dúvidas dos vereadores de suposta e mínima oposição e que são dos gasparenses e da cidade. Obviedades. Mas, virou puro circo. E ele, devidamente explorado, pelos recortes nas mídias sociais, poderá custar caro neste outubro aos que participaram de todas essas tramas. Eles estão na praça como candidatos, fiadores ou cabos eleitorais.

Inevitável esta comparação ao que tudo que já aconteceu e vem acontecendo. Mais do que isso. Não cola, não prospera, não é verdade de que a secretária interina de Planejamento Territorial de Gaspar, Camila Beatriz Antunes, não sabia de nada como alegou, sucessivamente no seu depoimento na Câmara de Vereadores. A dezenas de provas contra ela sobre isto. Ela sabia de tudo, antes mesmo de ser secretária. Ela era a diretora da secretaria. E foi copiada nos documentos, estava nas reuniões, esteve nas trocas de mensagens. Confiram as datas. Vejam os implicados. Veja abaixo

O que se condenava na gestão de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Marcelo de Souza Brick e Luiz Carlos Spengler Filho, ambos do PP, incrivelmente pelos que estão no poder de plantão, um ano e meio depois da posse do suposto “novo” governo”, ampliou-se de forma tanto assustadora, quanto descarada e escandalosa. Na imprensa local e regional, nada. Sintomático. Todos pisando em ovos pelas migalhas. Ou com medo. Nas redes sociais, já começaram os recortes sobre o espetáculo da hipocrisia. Isto ainda vai matar todos eles de vergonha e no até então, impensável descrédito. Quem mesmo orienta o governo de Paulo Norberto Koerich, PL?

As respostas mais comuns dos depoentes do atual governo e que foram obrigados irem à Câmara de Vereadores, e tudo está gravadas e à disposição dos interessados, atestam, mais uma vez, que eu não exagero: “não sei de nada”, “não era comigo”, “não participei de tal ato”, “está no documento anexo”, “não tenho segurança e conhecimento para responder”, mesmo que gerenciando tudo como função obrigacional do cargo em que está investido. Credo! E tudo, foi cuidadosamente arranjado antecipadamente para o espetáculo das duas sessões especiais. Tinha script. O vereador perguntava o que estava no requerimento que se enviou para a prefeitura. E o depoente, como se fosse ventríloquo, lia o que ele escreveu e foi auditado na sua autonomia, ou os outros escreveram para ele ler. Nem atores de si próprios conseguiram ser.

BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA. MAS, MOSCA GOSTA DE COISA FEDIDA E PODRE

Ficou escancarado – e a cada dia isso parece ser a melhor marca da atual administração gasparense – de que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, um policial investigador afamado, trabalhou com a sua equipe, tanto a jurídica, como com o seu chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP – que esteve ciceroneando os depoimentos -, para não se esclarecer nada à cidade, aos cidadãos e cidadãs. Mas, não se engane. Paulo como governo tem a última palavra. Ou terá que admitir que não governo. Das duas uma. Não há outra escolha.

Mas, perguntar, não ofende: afinal, o que se quer esconder e o que causa medo ao atual governo de Gaspar e que teme ser revelado, além de tantas dúvidas que ampliam a má imagem do atual gestão? Comunicação tática e transparência são zeros. Os bruxos estão sendo derretidos nas suas próprias alquimias.

O governo liderado por Paulo, colocou a faca no pescoço dos vereadores curiosos e contou para isso, vejam só, com a benevolência dos vereadores Ciro André Quintino, MDB, e José Hilário Melato, PP. Eles presidiram as duas as sessões especiais e deixaram o governo a votante para manobras. São os dois que dão a minoritária bancada do PL, a maioria para a governabilidade. No fundo, ao se lançarem à proteção do governo de Paulo deram um tiro no próprio pé. E isto só o tempo dirá. E outubro é logo ali.

Faltou aos depoentes dizerem duas coisas: eu não sirvo para trabalhar onde eu trabalho com bom salário, ou, estou lá porque só cumpro ordens, sou a fachada de outros, só posso ler o que os outros escreveram para mim ler e debochar de vocês vereadores, cidadãos e cidadãs pagadores de pesados impostos. Na real? Aceitaram ser um testa de ferro de um sistema de interesses políticos de poder que não vai mudar nem nesta e nem na próxima eleição. Esta gente continua chamando os gasparenses de trouxas.

A BARRANCA DO RIO

Para não me alongar e deixar espaço para outro comentário mais tarde, neste momento, vou me ater apenas a ida da secretária interina de Planejamento Territorial, a engenheira – ou seja, supostamente com formação técnica e num cargo de elevada expressão, também, supostamente, com domínio da área e da pasta, Camila Beatriz Tillmann (foto de abertura do lado direito). 

Ela veio trazida pelo ex-titular da pasta Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, o “dono de Blumenau”, pego de calças curtas e por coisas cabeludas pela polícia especializada em corrupção, Gaeco Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas – e Ministério Público. Ele teve que ir embora daqui, correndo, e está – e com a turma da “pedreira” [empreiteiras] – está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. Camila assumiu interinamente o lugar dele. E Aline Fonseca Pereira Bratfisch, é engenheira. Vinda no mesmo pacote. Mantida por aqui.

Ela é a fiscal da obra que está sendo paga pelo governo de Jorginho Mello, PL, para recuperar a barranca do Rio Itajaí Açú, a beira da Rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira. Com as operações policiais em Blumenau, tudo desandou neste caso por aqui. Surgiram indícios de superfaturamento na obra. Tudo entrelaçado entre pessoas, empresas, sistemática de contratação e execução.

Tentaram embarrigar, mas não deu. Tinham as mãos de Maiochi, de Marcelo Maia [também envolvido nas operações] policiais que orientava tecnicamente a execução da obra e a empresa Engeplan [também sob investigações em outras paradas em Blumenau].

E aonde entra Camila e Aline? Aline era a fiscal da obra. E quando os fiscais da prefeitura de foram lá fazer uma vistoria – que está documentada – elas rodaram a baiana contra os fiscais. “Ameaçaram” até de PAD – Processo Administrativo Disciplinar os fiscais que não queriam prevaricar diante de denúncias públicas e que se confirmaram na análise deles. A coisa só não foi estancada como se queria, porque o caso foi levado ao Gaeco. E lá, tanto Camila e Aline não poderão mais responder o que que Camila respondeu na Câmara. Há provas. Há documentos. Há diálogos gravados. Simples assim.

O depoimento da Camila é a cara do atual governo. O deboche que ela fez com a Câmara, mostra bem de como o Legislativo é dispensável na fiscalização em nome dos gasparense ao Executivo. E vem de dentro do próprio Legislativo. Nada mudou em Gaspar. E tudo está nebuloso. E ninguém quer esclarecer.

No fundo, quem mesmo foi humilhado? O governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Ele, mais uma vez, por vários dos seus, escolheu zombar da cidade em tema tão relevante. A um político, hoje pode até soar como uma normalidade, tanto que estão desacreditados. Mas, isto não pode acometer um investigador policial de fama. Ele deveria exatamente se impor perante as dúvidas que a cidade possui sobre algo mal explicado, até aqui. Muda, Gaspar.

TRAPICHE

A prova dos nove I. O tempo todo, a secretária interina de Planejamento Territorial, Camila Beatriz Tillmann, trazida para Gaspar pelo já corrido daqui Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, diz que não sabia de nada, não participava de nada, que desconhecia até obrigações técnicas. Nesta foto ao lado, o consultor informal de Maiochi e da Engeplan, Marcelo Maia (de camisa escura ao centro e também pego pelas operações policiais de Blumenau) e Aline Fonseca Pereira Bratfisch (à direita) estão na obra da Anfilóquio Nunes Pires discutindo os detalhes dela. Impressionante como mentiras têm pernas curtas. E mesmo estando documentadas. Esta foto todos conhecem na prefeitura de Gaspar.

Prova dos nove II. Mais do que isso, há trocas formais de documentos, de assuntos puramente técnicos, bem como conversas informais entre todos os envolvidos. Não é um. Não é dois. São muitos. Há, inclusive, gravações de conversas dos envolvidos.

Prova dos nove III. O laudo de vistoria dos fiscais da prefeitura à obra é contundente no apontamento de dúvidas, de supostos erros de contração, superfaturamento e execução. Admitindo que este relatório possa estar totalmente contaminado e equivocado, como quer fazer crer a cidade os poderosos de plantão na prefeitura de Gaspar, por outro lado não se pode contestar de que tanto Camila Beatriz Tillmann e Aline Fonseca Pereira Bratfisch foram avisadas de que haviam problemas naquela obra e que aconteceu com Michael Jackson Schoenfelder Maiochi só faria aumentar a curiosidade sobre o que ele fez e fazia em Blumenau e Gaspar.

A prova dos nove IV. Se havia erros na fiscalização feita pelos próprios fiscais da prefeitura de Gaspar – e que era uma obrigação deles e na proteção do próprio governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e de Jorginho Mello, PL, que está bancando a obra – , o documento em si é que deveria ser contestado. O pessoal da prefeitura, optou por desqualificar a ação dos fiscais. Tecnicamente, de forma robusta, está o relatório. Incrível (abaixo está a parte final dele. Agora botaram sigilo. Estão investigando não a omissão dos que contrataram a obra, mas a ação dos fiscais. Cruzes).

A prova dos noves V. Quem, afinal, o governo de Paulo Noberto Koerich, PL, com o circo que montou na Câmara na sexta-feira, quer ou acha que vai proteger? Ficou mais exposto e enfraquecido. Simples assim. Gente estranha. Está enfiando a cabeça na terra, como a avestruz na areia. E o resto para todos ver e julgar. Meu Deus!

Prova dos nove VI. Foi Aline Fonseca Pereira Bratfisch quem assinou a ART da obra da Rua Anfilóquio Nunes Pires. Como então sempre alegar desconhecimento técnico da obra? Aline precisa ser convocada. Não para esclarecer, pois não fará isso. Mas, para expor o jeito de ser do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Quem precisa ser convocado, e poderão dar luz, são os fiscais da prefeitura que foram lá e produziram o relatório que a prefeitura de Gaspar quer desqualificar e engavetar.

A prova dos nove VII. A secretária Camila Beatriz Tillmann ficou em silêncio quando perguntada porque sendo diretora de projetos da secretaria de Planejamento à época da contratação da obra, agora ela alega desconhecer tudo o que se refere a ele. Credo. Ficou em silêncio quando questionada se conhecia e se reunião com Marcelo Maia. Ficou quieta quando perguntada se peitou os fiscais da prefeitura que foram lá e documentaram falhas, dúvidas e superfaturamento. Sintomático.

O foi algo estarrecedor a disfarçada tentativa de passada de pano do caçador de corruptos e que o tornou campeão de votos na última eleição: Alexandro Burnier, PL. Na mesma linha se posicionou a líder do governo de Paulo Norberto Koerich, PL Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, ao afirmar mais uma vez de que se tinha convocado a pessoa errada, num documento que a própria Alyne assinou. Quem então deveria ser convocado? Não nominou. O constrangimento de tudo isso dentro do governo, ficou com Sandra Mara Hostins, PL: “sinceramente, eu esperava respostas“.

A convocação da secretária Camila Beatriz Tillmann, foi de iniciativa do vereador Giovano Borges, PSD. E na minha avaliação foi uma das mais importantes já feitas até aqui. Ela cumpriu pelo governo de Paulo Norberto Koerich, PL, visivelmente ajudado pelo presidente da sessão, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, o papel de humilhar a Câmara, os vereadores e principalmente a cidade. Retratou um governo sem transparência, arrogante e até aqui sem resultados, além das dúvidas.

A intervenção mais explícita desse circo que se viu na sexta-feira, estava na observação – que foi de certa forma censurada por José Hilário Melato, PP – do vereador Roni Jean Muller, MDB, que chegou a ser entre outros, secretário de Obras e Serviços Urbanos, de Gaspar. “Se a senhora [Camila] não conhece nada do projeto e da obra [como ela alegava para todas as respostas aos 55 questionamentos e quase duas horas de sessão] como é que a senhora vai autorizar os pagamentos?” Camila ficou em silêncio. Um governo que há muito deve explicações a cidade e principalmente aos seus 52,98% dos votos válidos que recebeu em outubro do ano passado para ser o oposto ao que está aí. Muda, Gaspar!

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18 comentários em “A SECRETÁRIA CAMILA, DE PLANEJAMENTO TERRITORIAL, COM AJUDA DE MELATO, DEBOCHOU DESCARADAMENTE DA CÂMARA, DOS VEREADORES E DA CIDADE, OU ENTÃO PROVOU DE QUE A VINDA DELA NO KIT QUE O PL IMPORTOU DE BLUMENAU E INDAIAL PARA POSTOS CHAVES NA ADMINISTRAÇÃO DE PAULO NORBERTO KOERICH – E QUE PARTE DESTE KIT ESTÁ ENVOLVIDO EM INQUÉRITOS POLICIAIS -, NÃO SERVE PARA OS GASPARENSES”

  1. EFETIVA, ATENTA E OBSERVADORA

    Meu caro Herculano,

    Acompanhei com a devida atenção a sua última leitura sobre o teatro que virou a Câmara de Vereadores de Gaspar. Você foi cirúrgico. A vinda da secretária Camila, escoltada por Melato, não foi um depoimento; foi um teste de QI aplicado aos nossos parlamentares — e, infelizmente, a maioria deles foi reprovada por omissão voluntária.

    Mas, ouso dizer que o ponto central: o problema não é a foto do momento (a obra da barranca). O problema é o filme completo. Esse “Kit Blumenau” que o PL importou não veio para fazer gestão; veio para aplicar uma metodologia de engenharia política que o GAECO já carimbou com tarja preta na cidade vizinha.

    Mas aqui, Herculano, eu me sinto na obrigação de cutucar o seu texto e te provocar a ir além.

    Você e a cidade conhecem o roteiro clássico: a entrega do projeto pela empresa “parceira”, a facilitação interna de Maiochi, a assinatura cega de Aline e a chancela final de Camila. Nos servidores sabemos e estamos vendo como isto funciona. (Já vimos muita coisa em outros governos, mas em tão pouco tempo de mandato, este se supera, num misto de ousadia para o mal feito e incompetência).

    Mas, ninguém citou a Rua Itália, a Garuba, o João dos Santos e até o Eco Parque, as salas de aula modulares, etc… a anatomia da fraude está exposta. Mas a pergunta que te faço, é: por que a nossa Câmara insiste em fingir que não vê?

    O truque de mágico do governo está dando certo? Mostra-se a obra da barranca e deixa o resto do baile acontecer nas outras licitações? Enquanto a cidade olho para a barranca, a mágica acontece na outra mão.

    Será que o silêncio obsequioso de boa parte daquela bancada é apenas incompetência técnica para ler um edital ou é o reflexo de algo muito mais paroquial?

    A gente sabe como o jogo funciona em Gaspar. O silêncio dos inocentes na política local raramente é gratuito. Quando vereadores se curvam ao deboche de secretários que mal conhecem a história da cidade, eles não estão apenas blindando o prefeito; estão blindando a si mesmos e aos seus próprios arranjos de bastidores.

    A quais poderosos interessa a manutenção desse status quo inerte. Eu te desafio a dar os nomes dos bois na próxima. Quem são os fiadores locais desse “Kit Blumenau”? Quem ganha com o silêncio da Rua Aristiliano Ramos?

    A sociedade gasparense está anestesiada, mas o teu faro investigativo continua sendo um dos poucos alertas acesos. O cartel desenhou o mapa, o governo assinou embaixo e a Câmara aplaudiu. Agora, Herculano, nos diga: quem vai ter a coragem de puxar o tapete dessa engenharia antes que a cidade inteira afunde no mesmo barro das licitações suspeitas?

    A bola está contigo. E a cidade está de olho.

    1. “A bola está comigo” você escreve. Será? Mas, logo eu que nãos ou lido por ninguém?

      Como venho escrevendo, está em curso o descobrimento pelos gasparenses de um estelionato eleitoral. Os donos da cidade, arrumaram um candidato limpo para a cidade continuar com os mesmos sujos de sempre. Só que desta vez, esta sujeira, exatamente pelo estelionato, está grudando em quem se dizia limpo.

      Quanto aos vereadores, na sua na maioria, inclusive os que se dizem novatos ou “caçadores” de corruptos, pois dos antigos já era esperado o jogo de se estar comendo pelas beiradas no poder de plantão pelo morde e assopra de vantagens para si e os seus, nada mais a comentar. Cirúrgico você, leitora, que se identificou como efetiva.

      O tempo tem sido o senhor da razão. Representar o povo, isto, a maioria dos vereadores de ontem e de hoje nunca representaram

      1. O atual prefeito de Gaspar e seus bruxos, juram que nunca leram este espaço. Este seu recado, possivelmente, também não será lido. Quem sabe depois das eleições de outubro, eles vão considerar a sua gratuita assessoria.

  2. BRASIL TAMBÉM É PROTECIONISTA, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    O Brasil é protecionista. Há décadas. Isso significa que as tarifas de importação são elevadas em relação a outros países emergentes e desenvolvidos. Há uma lógica por trás disso. Trata-se de uma vertente de política econômica que, simplificando, indica que o país deve proteger sua indústria da concorrência externa. O objetivo é dar tempo para que a produção local se desenvolva.

    Temos um exemplo bem atual: a partir deste mês, todo veículo eletrificado que entrar no Brasil pagará um imposto de importação de 35%. Trata-se de um tarifaço, o nível mais alto permitido pelas regras da Organização Mundial do Comércio.

    De 2016 a 2023, a importação de elétricos foi praticamente isenta. O objetivo era a descarbonização da frota brasileira. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) manifestou-se contra, mas deixou passar.

    Isso porque a importação de elétricos era marginal. Vinham poucos carros, quase não havia tomadas de recarga das baterias, e os veículos eram caros.

    O cenário mudou rapidamente. E continua mudando. Em maio último, foram emplacados cerca de 45 mil carros elétricos ou híbridos, um espetacular aumento de 170% em relação ao mesmo período do ano passado.

    Antecipando esse cenário, a Anfavea vinha pressionando o governo para impor restrições à entrada desses veículos, quase todos vindos da China. Foi atendida. Os elétricos começaram a ser taxados em 2024, com tarifas entre 10% e 12%. Subiram ao longo do período, até os 35% de hoje.

    Os produtores locais de carros a combustão ganharam mais essa. O programa de descarbonização foi adiado. Por outro lado, fabricantes chineses, como a BYD, instalaram montadoras no Brasil. Mas não produzem. Importam peças da China e montam os veículos aqui — aproveitando que a importação de peças paga imposto menor. E agora quem reclama são os produtores brasileiros de peças.

    Por aí se vê como funciona uma política protecionista. Também se verifica como o resultado é pífio.

    A indústria automobilística nacional sempre foi protegida. Houve um tempo em que era simplesmente proibido importar carros — e mais uma longa lista de produtos industrializados, especialmente eletrônicos.

    Sem concorrência, a indústria brasileira não precisava se preocupar com ganhos de eficiência para entregar produtos mais atualizados. Quando caíram as barreiras de importação e começaram a chegar os importados, foi aquela vergonha. Os nacionais eram as “carroças”.

    Aconteceu de novo. Apesar de protegida e recebendo subsídios do governo, a indústria local foi incapaz de entrar na era dos elétricos. Resultado: tarifa pesada nos importados.

    Tudo considerado, a economia brasileira é fechada. Tem tarifas de importação entre as mais altas do mundo.

    E agora tem o Trump. Até sua gestão, a economia americana era a mais aberta do mundo. Mas Trump acha que os países que exportam para os Estados Unidos estão roubando seu país. E usa as tarifas politicamente para, como ele diz, punir os governos que não se alinham aos Estados Unidos.

    De maneira que o Brasil está diante de dois problemas. Um, de longo prazo, é a ineficiência do nosso protecionismo. O país permanece de renda média-baixa e a economia brasileira está entre as de menor produtividade.

    O segundo problema, do momento, é como lidar com Trump. Dadas as circunstâncias, pode-se dizer que algo saiu razoavelmente bem. A área técnica do governo e, sobretudo, as empresas brasileiras, com seus clientes americanos, conseguiram várias exceções na lista de tarifados.

    Alguns setores específicos, como a indústria de calçados, sofrem perdas enormes com as tarifas americanas. Mas, no conjunto, a exportação total do Brasil continua em alta. Vende-se menos para os Estados Unidos, mais para a China.

    E Lula, aproveitando-se dos enormes equívocos do bolsonarismo, ganhou um trunfo eleitoral. Trump quer prejudicar o Brasil, os Bolsonaros estão com Trump, logo eis aí o inimigo da pátria.

    E com isso, a questão estrutural do atraso da economia brasileira sequer aparece na campanha.

  3. UMA CHANCE DE OURO PARA A DIREITA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A menos de cem dias para as eleições presidenciais, parece claro que a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta seu pior momento até aqui. A mais recente pesquisa de intenção de voto da Genial/Quest mostra que Flávio está em trajetória descendente e que seu principal adversário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está em ascensão. São tendências cuja reversão em tão pouco tempo não é algo trivial.

    Nada disso significa, é claro, que a eleição esteja decidida em favor de Lula, mas não se pode ignorar que, na condição de incumbente, o petista tem as melhores armas para manter ou até ampliar sua vantagem, porque, além de ter uma base eleitoral sólida, dispõe da visibilidade que o cargo lhe confere e também da máquina do Estado funcionando a pleno vapor a favor de sua reeleição.

    Por essa razão, estamos nos aproximando de um momento crítico da corrida eleitoral: se o objetivo da oposição é desalojar Lula da Presidência, impedindo mais um desastroso mandato petista, já passou da hora de discutir a sério se Flávio Bolsonaro é mesmo o nome ideal para essa tarefa. Sabemos que não é nem nunca foi.

    Enquanto Flávio se mostrava bastante competitivo, suas inúmeras limitações como candidato eram ignoradas ou relevadas pelos correligionários. Das rachadinhas às relações com milicianos, passando pela calorosa ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do maior escândalo financeiro da história brasileira, nada parecia ser capaz de constranger os cabos eleitorais do senador, convencidos de que o sobrenome “Bolsonaro” seria suficiente para superar os problemas e consagrá-lo no segundo turno contra Lula.

    Agora que as pesquisas indicam uma aparente desidratação de sua candidatura, ficou evidente, para não dizer gritante, a incapacidade de Flávio de seduzir o eleitorado para além da base bolsonarista radical. A bem da verdade, o senador não consegue nem mesmo unir o campo que supostamente o apoia.

    Aqui e ali, a imprensa noticia murmúrios de insatisfação de seus aliados com a condução de sua campanha – ora porque Flávio é bolsonarista demais, ora porque é de menos. A bagunça é tanta que foi necessário que Jair Bolsonaro mandasse divulgar uma carta na qual reafirma que seu candidato é Flávio. Ademais, o senador ganhou como poderosa inimiga sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que resolveu sabotá-lo sabe-se lá com quais intenções, expondo as vísceras da família para todo o Brasil acompanhar, como num grosseiro reality show. E ainda estamos em julho.

    Talvez nada disso importe para Jair Bolsonaro, cujo dedazo lançou o filho Flávio na fogueira da campanha. O raciocínio do patriarca do clã é óbvio: ter um Bolsonaro na disputa assegura que nenhum outro candidato de direita tomará o espólio bolsonarista, mesmo que Flávio perca a eleição. O eventual sucesso de qualquer outro nome da direita fora da família significaria devolver os Bolsonaros ao subsolo da política miúda, lugar de onde nunca deveriam ter saído.

    Por isso, hoje, a candidatura de Flávio se justifica cada vez mais somente nos cálculos estritamente pessoais de Jair Bolsonaro. Ainda que a eleição esteja relativamente distante, e considerando que muitos eleitores deixam para tomar sua decisão às vésperas ou no dia da votação, as pesquisas indicam que Flávio já não é o único candidato da direita com potencial de fazer frente a Lula no segundo turno. Seu maior trunfo na disputa era ser o nome capaz de derrotar o petista, já que suas qualidades pessoais como presidenciável são reconhecidamente inexistentes. Agora, esse trunfo vem perdendo força.

    Eis, portanto, uma chance de ouro para que a oposição de direita finalmente se liberte dos Bolsonaros e, antes que seja tarde, se articule para oferecer aos eleitores o melhor dos dois mundos: uma candidatura capaz não só de derrotar Lula, mas também de conduzir o Brasil para uma urgente mudança de rumos, tirando o País do deserto da baixa produtividade, do investimento pífio, da falta de ambição, da polarização política estéril e da acomodação de conveniências privadas em detrimento do interesse público.

  4. CONTRA A CORRUPÇÃO DO OUTRO, por Carlos Pereira, no jornal O Estado de S. Paulo

    Poucos temas produzem tanto consenso no Brasil quanto o combate à corrupção. Pesquisas de opinião mostram, há décadas, que a maioria dos brasileiros considera a corrupção um dos principais problemas do País. Ainda assim, convivemos com uma sensação permanente de impunidade.

    O maior obstáculo ao combate à corrupção talvez não seja apenas a fragilidade das leis ou das instituições. Mas, sim, a incapacidade dos próprios eleitores de julgarem a corrupção com o mesmo critério, independentemente de quem esteja sendo investigado.

    Quando investigações atingem um adversário político, costumam ser celebradas como prova de independência institucional. Quando alcançam um aliado, surgem imediatamente acusações de perseguição, abuso de autoridade ou politização da Justiça. O mesmo eleitor que exige rigor para o outro lado passa a defender garantias processuais para o seu.

    Essa lógica não é exclusiva da direita nem da esquerda. Ela se manifesta dos dois lados da polarização. Para testar essa hipótese, realizei, juntamente com Mariana Furuguem e Frederico Bertholini, um experimento sobre combate à corrupção, cujos resultados serão publicados em breve no International Journal of Public Opinion Research. Apresentamos a eleitores brasileiros uma proposta para aumentar a coordenação entre juízes, procuradores e policiais com o objetivo de tornar as investigações mais eficientes, reconhecendo explicitamente que isso poderia trazer riscos ao devido processo legal.

    Sem qualquer referência política, a proposta recebeu amplo apoio. Mas bastou acrescentar uma informação: o debate havia surgido a partir de controvérsias envolvendo a Operação Lava Jato. A partir desse momento, a avaliação deixou de depender do conteúdo da proposta e passou a refletir a identidade política dos entrevistados. Eleitores à direita tornaram-se ainda mais favoráveis à coordenação institucional. Eleitores à esquerda passaram a rejeitá-la com maior intensidade. A mesma proposta. Os mesmos argumentos. Apenas um contexto político diferente.

    O resultado revela um mecanismo preocupante. A pergunta deixa de ser “esta regra melhora o combate à corrupção?” e passa a ser “quem será beneficiado ou prejudicado por ela?”.

    A legitimidade das instituições deixa de depender da qualidade de seu funcionamento e passa a oscilar conforme o grupo político atingido por suas decisões. O mesmo mecanismo que antes dividia opiniões sobre a Lava Jato hoje se reproduz em torno do STF, apenas com os sinais políticos invertidos. Enquanto a corrupção continuar sendo apenas a corrupção do outro, a impunidade continuará sendo um problema de todos.

    1. Ou seja, ela seguiu as orientações e tinha a aprovação “in loco” do que fazia (e não dizia) para livrar todos da bolha, como se em Gaspar, todos fossem mudos, surdos, cegos e estivessem ainda na Caverna de Platão

  5. Existem dois tipos de atuação administrativa que orientam as decisões do Poder Público: o poder vinculado e o poder discricionário.

    No poder vinculado, a lei determina exatamente como a Administração deve agir. Não há espaço para escolhas pessoais: diante dos requisitos legais, a decisão deve ser tomada conforme estabelece a norma.

    Já no poder discricionário, a Administração possui certa margem de liberdade para avaliar a conveniência e a oportunidade de suas decisões. Essa liberdade, porém, não é absoluta. Ela continua limitada pela lei e pelos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência.

    O que se observa em Gaspar, com a anuência da Câmara de Vereadores, parece ser uma confusão entre discricionariedade e liberdade irrestrita. Em um Estado Democrático de Direito, a fiscalização dos atos do Poder Executivo é uma das funções essenciais do Poder Legislativo. Quando a fiscalização deixa de existir ou se torna meramente formal, abre-se espaço para decisões concentradas nas mãos de poucos agentes públicos.

    A discricionariedade administrativa não pode servir de justificativa para o afastamento dos princípios que regem a Administração Pública. O interesse público exige transparência, controle e respeito à legalidade. Quando esses elementos são enfraquecidos, a população tem o direito de questionar se as instituições estão cumprindo o papel para o qual foram criadas.

    1. Caro leitor

      Boa teoria. Excelente conhecimento. Bela explanação.

      Se entendi bem, poderia resumir tudo no seguinte: a Câmara de Gaspar poderia ser fechada. Não serve ao papel que ela está descrita na Constituição. E os vereadores e vereadoras, pagos pelos pesados impostos do povo, que os têm como seus representantes, na sua maioria, são uns bocas moles, bocas alugadas ou pau mandados do Executivo. Conclui equivocadamente a sua explanação e que tento esclarecer ao distintos leitores e leitoras do blog e que os poderosos de plantão juram que não os tenho?

  6. ELISABETH, A MENINA DE RENOIR, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Um dos mais admirados quadros do Museu de Arte de São Paulo é do pintor francês Renoir: chama-se “Rosa e Azul”. Retrata duas meninas: Alice (a de vestido rosa), de 5 anos, e Elisabeth (de azul), de 6, filhas do casal Louis e Louise Cahen d’Anvers, estrelas da granfinagem parisiense. Renoir recebeu 1.500 francos pelo serviço, não ficou muito satisfeito, mas o quadro foi bem de crítica. Acaba de sair no Estados Unidos o livro “The Renoir girls”, com sua história.

    No fim do século XIX os Rothschild, com seu banco e seus castelos, eram conhecidos como os reis dos judeus, e os d’Anvers (também judeus) estavam ligados aos Ephrussi, os reis do trigo. Faziam parte da elite francesa ou supunham fazer parte dela, pois o ranço antissemita sempre estava pronto para mais um bote.

    As duas meninas viveram no esplendor. Hoje esse mundo denomina-se proustiano, rico e refinado. Elisabeth casou-se duas vezes. Essa parte da história é conhecida, e o quadro a ilustra.

    Mas o tempo passou e depois da invasão da França pela Alemanha, em 1940, o antissemitismo tornou-se uma política de Estado. A partir desse momento, o livro da jornalista inglesa Catherine Ostler difere das narrativas habituais entrando nas trevas do século XX. Enquanto Alice casou-se com um oficial inglês e foi viver em Londres, Elisabeth (a menina de azul) converteu-se ao catolicismo e ficou na França.

    Em janeiro de 1944, Elisabeth tinha 69 anos e vivia reclusa, por receio e pela sua artrite. A guerra estava perdida para a Alemanha. O Exército Vermelho já havia entrado na Polônia e, em Londres, os Aliados planejavam a invasão da Normandia, e o general americano Dwight Eisenhower havia sido colocado no comando do Dia D. Os Aliados haviam desembarcado na Itália. (O Vaticano pediu que não entrassem em Roma com soldados negros.) Em Paris as porteiras dos judeus depenaram suas casas. Nesse mesmo dia, no interior da França, uma patrulha chegou a uma casa: procuravam uma judia. A senhora não andava sem ajuda. Elisabeth Cahen d’Anvers foi presa e colocada num Citroën.

    O prefeito do lugar era um antissemita estremado e neto de Eugène Schneider, um titã da indústria francesa, e as duas famílias já se haviam cruzado. Ele informou que a senhora havia sido da religião judaica até os 20 anos. A menina de Renoir foi para uma prisão próxima e, de lá, para um campo de trânsito. Dias depois estava em Drancy, a antessala da morte.

    No dia 27 de março de 1944 ela foi colocada num vagão com destino ao campo de extermínio de Auschwitz. No comboio foram 1.025 pessoas (só 152 sobreviveriam) e a viagem durou 55 horas. Cada prisioneiro recebeu apenas um pedaço de pão.

    Elisabeth, a menina de vestido azul, desapareceu.

    O CAMINHO DO QUADRO

    A família Cahen d’Anvers vendeu o quadro em 1909. Ele foi comprado por uma família alemã, passou para as mãos de galeristas e do governo francês. Em 1939 estava na Argentina, como parte de uma exposição. Passou por vários museus americanos. Em 1951 ele estava em Nova York, na coleção do galerista Sam Walz. Em setembro, com o provável aconselhamento de Pietro Maria Bardi, que organizava o Masp, ele o ofereceu ao jornalista Assis Chateaubriand, que o comprou por 120 mil dólares (1,5 milhão em dinheiro de hoje). Ao seu estilo, Chatô conseguiu quem pagasse pela obra, e nela há a informação de que foi doada pela Cidade de São Paulo. Em 1954, quando a tela chegou à capital paulista, uma neta de Alice (a menina de rosa) posou diante dele.

    TARCÍSIO E O TARIFAÇO

    Com 16 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad na disputa pelo governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas sofreu o seu primeiro contratempo. Ele terá tempo até outubro para explicar sua fotografia de julho de 2024 cobrindo-se com um boné da campanha de Donald Trump com a sigla MAGA (Make America Great Again).

    Noves fora os insultos dirigidos a Lula, o segundo tarifaço de Trump travará negócios e desempregará trabalhadores.

    Tarcísio havia sido avisado de que a presepada poderia vir a custar caro.

    FAXINA NO FGC

    O setor privado orgulha-se de ter uma capacidade regeneradora que falta ao setor público. Será? O Fundo Garantidor de Créditos foi criado na crise bancária de 1995 para proteger investidores de até R$ 250 mil, mas não pretendia ser uma casa da sogra.

    Um finório como Daniel Vorcaro podia embolsar dois funcionários do Banco Central, podia até mesmo tentar fabricar uma elevação do teto da garantia para R$ 1 milhão. Alguém devia ter desconfiado que havia gato na tuba, e muita gente desconfiou. Disseram nada, e o FGC tomou uma mordida de R$ 40,3 bilhões.

    A menos que os diretores dos bancos liquidados percam boa parte de seus patrimônios, essa conta irá para a clientela, embutida em taxas e juros.

    Falta de aviso não foi.

    COMPA DAS APOSTAS

    Hoje vai-se saber quem leva a Copa, mas o certame será lembrado como a Copa das Apostas. Elas dominaram o evento, com jogadores servindo de garotos-propaganda de casas de jogos. No mundo dos jogos sérios, a seleção brasileira teve um desempenho sofrível porque não jogou com responsabilidade.

    O governo legalizou a jogatina sem medir consequências, interessado apenas em arrecadar, mas não está conseguindo fazê-lo com responsabilidade.

    O PODEROSO DIOSDADO

    Nem um raivoso antiamericano seria capaz de imaginar que depois de oferecer 25 milhões de dólares pela captura de Diosdado Cabello, o poderoso ministro do interior da ditadura chavista, a diplomacia trumpista sequestraria Nicolás Maduro e tomaria conta do país mantendo o doutor Cabello na pasta.

    Ele era acusado de ter traficado toneladas de cocaína. Do jeito que ficaram as coisas, Donald Trump e Marco Rubio tornaram-se os patronos do maior traficante de cocaína que denunciavam.

    PT BAIANO

    O alto comando petista teme uma surpresa eleitoral amarga na Bahia.

    DECADÊNCIA

    Rainha consorte da Inglaterra, Mary of Teck (1867-1953) adorava joias e comprou a esplêndida tiara Vladimir a preço de banana de uma grã-duquesa russa destronada. Além disso, gostava de levar lembrancinhas das casas por onde passava, sem consultar os donos. Já Lord Mountbatten (1900-1979) apreciava bibelôs alheios. A Duquesa de Windsor trancava os seus quando ele ia visitá-la.

    Até aí, tudo bem, mas príncipe (Harry) pedindo dinheiro a cantor (Elton John) é coisa de Império de Bananas, para não mencionar o tio Andrew.

    TERRAS RARAS

    Deu errado a ideia de colocar as terras raras no pano verde das negociações de políticas tarifárias de Donald Trump.

    O Planalto poderia mandar um jovem secretário pesquisar os documentos das negociações de Getulio Vargas com os Estados Unidos em torno das areias monazíticas do Espírito Santo durante a guerra.

  7. O BRASIL E A OUTRA OPORTUNIDADE PERDIDA, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    A tarifa americana de 25% aprofunda a escolha do Brasil de privilegiar setores ineficientes, sacrificar os eficientes, elevar o protagonismo do Estado, intensificar a transferência silenciosa de riquezas para grupos privilegiados e a dependência da China. Antes da ofensiva de Donald Trump, os EUA impunham alíquota média de 3%; a União Europeia, de 4%; o Mercosul, 11%.

    Empresas com mais poder político usufruem de proteções ainda maiores: 18% para o etanol, 20% para produtos industrializados, 35% para automóveis e 63% para resinas termoplásticas, se consideradas as ações antidumping.

    Com tanta proteção, o Brasil tinha muita margem para fazer concessões, que beneficiariam principalmente os brasileiros. A redução das tarifas permitiria a empresas brasileiras importar bens de capital e matérias-primas de alta qualidade a preços mais baixos, para impulsionar sua inovação e competitividade. Em vez disso, o governo brasileiro quis arrancar concessões dos EUA.

    Um exemplo foi o etanol. A tarifa americana era de 2,5%. Os EUA queriam equiparação. O Brasil impôs como condição ampliar a cota de exportação de açúcar. Para o USTR, cujo mandato é buscar condições equilibradas, isso não fez sentido. Essa postura do Brasil se repetiu nos outros casos. Não precisava ser assim. O Reino Unido produz 800 milhões de litros de etanol, consome 1,4 bilhão por ano e protegia o setor com tarifa de 19%. O país exporta 100 mil automóveis por ano para os EUA e importava mil toneladas de carne americana.

    Keir Starmer, premiê de esquerda criticado por Trump, negociou de forma rápida e pragmática, evitando politização. Abriu o mercado de etanol e de carne dos EUA e assegurou a exportação dos 100 mil automóveis sem tarifa. UE e Japão também conseguiram acordos com benefícios mútuos.

    Empresas brasileiras que exportam para os EUA porque investiram em qualidade agora correm o risco de fechar as portas. O governo oferece R$ 15 bilhões de ajuda extra. O programa, com o nome demagógico de Brasil Soberano, desvia recursos que poderiam ser destinados a infraestrutura e capital humano para aumentar a competitividade. A lição é: não seja eficiente, seja dependente do governo.

    O Brasil reduz exportações de alto valor agregado para os EUA e aumenta as de commodities para a China. Um dia após o tarifaço, o Brasil entrou na Organização de Cooperação de Inteligência Artificial, liderada pela China. O grupo tem 29 países, todos sob a órbita de China ou Rússia. Nenhuma democracia, com exceção do Brasil.

  8. TRUMP ANUNCIA QUE VAI BAGUNÇAR AS ELEIÇÕES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O presidente dos EUA, Donald Trump, está com medo de perder a maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato, em novembro, e, assim, ver-se alvo de mais um processo de impeachment – desta vez com chances reais de prosperar no Senado. Isso explica o seu infame pronunciamento na quinta-feira passada, quando foi à TV em horário nobre para reafirmar, sem provas, que sua derrota para Joe Biden em 2020 foi “fraudada ou roubada”. Eis a base da confusão que Trump arma para as chamadas midterms.

    O inimigo imaginário da vez é a China. Trump acusou Pequim de ter “roubado” dados de 220 milhões de eleitores. Como a realidade factual não tem relevância para golpistas, de nada valem as conclusões de dezenas de ações judiciais que Trump e seus aliados moveram para reverter a vitória de Biden sob a alegação de fraude. Tampouco as recontagens, as auditorias e a investigação do próprio Departamento de Justiça, que jamais chegaram a uma prova sequer de que houve fraude na eleição de 2020.

    Não é a primeira vez que Trump tenta corroer a legitimidade de um processo eleitoral que, antes dele, nunca foi questionado a sério nos EUA. Novidade, se há, é o momento: falta pouco para as eleições que renovarão o Congresso. E, exclusivamente por seus deméritos, Trump corre sério risco de perder o apoio que sustenta seus desatinos no Capitólio. Nesse sentido, seu discurso não foi um alerta, foi um ardil para semear dúvidas antecipadas sobre o resultado das midterms, caso seja desfavorável ao Partido Republicano.

    Grave por si só, o discurso golpista de Trump vem acompanhado de um esforço concreto de seu governo para alterar as regras do jogo antes mesmo de a eleição ocorrer. Recorde-se que dez Estados já mudaram ou estão mudando as fronteiras de seus distritos eleitorais, prática conhecida como redistricting. Trump pressionou aliados em Estados republicanos a redesenhar os mapas para ampliar as chances do partido em distritos disputados. Com a manobra, a Casa Branca estima ter de oito a dez cadeiras adicionais para os republicanos, o que seria suficiente para blindar a estreita maioria pró-Trump na Câmara, hoje com 218 assentos.

    O governo também pressiona o Congresso a aprovar o Save America Act, que exige prova documental de cidadania para o registro eleitoral e dificulta o voto por correspondência. Ademais, comissários da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC, na sigla em inglês) foram destituídos, deixando o órgão bipartidário sem quórum para certificar novos sistemas de votação. Como se nada disso bastasse, Trump, em pessoa, segue atuando como uma espécie de bedel ideológico do Partido Republicano nas primárias, infernizando a vida de qualquer candidato que não lhe preste vassalagem.

    Outra medida que diz muito sobre as más intenções de Trump foi a confirmação de que os republicanos realizarão uma convenção nacional especial de meio de mandato, no Texas. A praxe de convenções nacionais apenas em ano de eleição presidencial foi rompida para que Trump possa influenciar diretamente as escolhas de seu partido em distritos nos quais a disputa está mais acirrada.

    Esse rol de medidas, somado ao discurso presidencial que reedita teorias da conspiração envolvendo a eleição de 2020, obedece ao padrão do neopopulismo inaugurado por Trump. O presidente dos EUA, sendo quem é, não precisa provar fraude alguma, basta semear a dúvida para deslegitimar as eleições caso, de fato, perca o controle do Congresso em novembro. É sintomático que emissoras como ABC, NBC e CNN tenham hesitado em transmitir o pronunciamento, o que levou Trump a ameaçar com a cassação de suas licenças, um ataque frontal à liberdade de imprensa que só atesta seu vezo autoritário.

    Não sem sobressaltos, a democracia americana tem sobrevivido a Trump, mas será testada novamente. Em novembro, o mundo verá se as instituições e o eleitorado dos EUA resistirão a um presidente que faz o que pode e o que não pode para reescrever as regras do jogo quando se dá conta de que pode perder a partida.

    1. Por isso, não cola mais o discurso, a desculpa, a inocência. É o que este lastimável depoimento muito mal orientado e interpretado – e já havia indícios em outros -, demonstra. Falsa ou verdadeira, hoje há no seio da população – bem informada, ou não, porque a comunicação oficial é desastrosamente falha e os personagens dela dão razão para isso – há uma continuada sina para esconder fatos e dados. É mais que esfarrapada, a cada dia que passa, asa desculpa de que o governo, em algum momento, foi surpreendido quando a polícia bateu à porta procurando contratados por supostos mal feitos em outros locais. Quando possui a oportunidade para dirimir esta dúvida, complica tudo e assina esplendorosamente a confissão em público. Os depoimentos de quinta e sexta-feira são exemplos e estão ainda à disposição dos gasparenses.

  9. Adilson Luis Schmitt

    Herculano Domicio, vou postar este comentário, pois assisti ao vivo. Então resolvi fazer estas colocações.

    A Referente a convocação da Secretária Municipal Interina de Planejamento Territorial Camila Beatriz Tillmann, para explicar a obra de contenção do Barranco do Rio Itajaí-Açu, no bairro Figueira.

    Que esta embargada, desde de junho.

    Esta Secretária Camila Beatriz Tillmann, veio bem treinadinha pelo Executivo. Respondendo a maior parte da convocação, que a Unidade Secretaria Municipal de Planejamento Territorial não dispunha de informações, bem como as dúvidas constavam no projeto. Separou bem Secretaria de Secretária…

    Ela não viu nada e não sabe de nada

    Como pode estar ainda nomeada.

    Uma vergonha como Profissional e ainda estar nomeada num função pública importante.

    Demissão imediata ou será que não pode ocorrer.

    A sorte dela, que o Melato esta conduzindo os trabalhos. Se fosse um outro Vereador.

    Ela deveria ser exoneada. Pois nada sabe, nada viu, nada conhece. Então demissão sumária

    A Secretaria Municipal de Planejamento Territorial Camila Beatriz Tillmann, não tem nenhuma informação.

    Sinceramente.
    Isso confirma que este Governo não tem Planejamento, Gestão Pífia, Credibilidade baixa e muito menos tem um norte. Ainda afirmou que a responsabilidade é dos Fiscais da Obra.

    A Camila foi treinada, orientada e preparada. Tudo ela desconhece, não participou e não soube responder.

    Os Fiscais da Obra que fiquem espertos. Pois daqui a pouco, serão os responsáveis. Kkkk

    Poste mijando no cachorro, durante toda a Sessão Especial da Câmara Municipal de Vereadores.

    Secretária Municipal de Planejamento Territorial Camila Beatriz Tillmann, popular Desconhece, Não tem elementos e Não participou do projeto. Deveria pedir para sair do cargo.

    Deveriam chamar os ficais da obra, assim eles vão falar tudo o que sabem. Mas que fique claro, os Fiscais não elaboraram o projeto, não participaram do edital e muito menos fizeram os devidos orçamentos.
    Mas uma coisa é certa, eles notificaram a Secretária Municipal de Planejamento Territorial Camila Beatriz Tillmann, sobre o andamento e possibilidade de erros na execução da referida obra.

    Este Governo tem muita o que explicar, especialmente porque foi eleito com o slogan da ” MUDANÇA ” & ” Gaspar em Boas Mãos “!

    Chega de desculpas esfarrapadas: como as que foram dadas durante a 2° Sessão Especial na Câmara Municipal de Vereadores, realizada em 17/07/26:

    Senão vejamos

    “não participei do ato, não possuo ARGUMENTOS para RESPONDER”
    Essa é a atual Secretária do Planejamento Territorial de Gaspar. Pois até pra se apresentar, teve ler o que estava escrito no script. Pior ficou o tempo todo olhando o seu celular, como se estivesse recebendo as demais orientações de seus Gurus!

    Adilson Luis Schmitt
    Ex Prefeito de Gaspar

    1. Antes dela ser demitida, deveria ser demitido – e já – quem a usou acintosamente para debochar dos vereadores e da cidade.

      Ela deve ser demitida, que se ela não tem condições de liderança, técnica e controle, ela fingiu, mentiu e serviu a interesses que não estão claros, a não ser a de esconder a verdade da cidade, cidadãos e cidadãs gasparenses

    2. Carlos Nascimento

      Caro Prefeito

      O Senhor sabe que Camila foi apenas o boi dado as piranhas, ( e diga-se essas piranhas estão de barriga cheia e dentes cegos, mal arranharam) para que a boiada continue segura….

      O verdadeiro rolo, montado pelo pessoal de terras vizinhas está acontecendo em outras licitações, de valor bem mais generosos.

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