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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLXXI

A voz dos sensatos e minimamente alfabetizados. Como a massa majoritária de eleitores e eleitoras é de analfabetos, ignorantes, desinformados e dependentes, estamos elegendo como nossos representantes, gente que está nos levando para o abismo e eles próprios para se manter no poder e nos privilégios cada vez mais abusivos, propõem, votam e se lambuzam nos pesados e cada vez mais altos impostos cobrados on-line contra nós. Este outubro, pelos discursos e candidatos que se apresentam bem ao nosso lado, não será diferente. Está cada vez pior. (by Herculano). Foto, anônima.

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66 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLXXI”

  1. Miguel José Teixeira

    “Flávio Bolsonaro é um maracujá murcho, mas ainda não caiu do pé”
    – Na política, o cheiro de fraqueza não perdoa. Quando o fruto murcha e cai, logo aparece alguém para pisotear.
    (Ricardo Kertzman, O Antagonista, 22/07/26)

    Não entendo patavinas de agropecuária. Claro que não chego a pensar que o leite vem de uma caixinha de papelão, mas sou daqueles que não sabe se determinadas frutas e hortaliças dão no pé ou crescem no solo. Por isso, recorri ao especialista em agronegócio e latifundiário digital, Dr. Google, para entender o porquê de alguns maracujás – fruta que detesto, aliás – serem murchos e enrugados. Eis o que aprendi: “O fruto do maracujá murcho e a casca enrugada podem ser resultados de ataque de pragas ou insetos, especialmente o percevejo, que suga a seiva do fruto e injeta uma toxina mortífera.”

    Pois bem. Flávio Bolsonaro, ou Flavinho Racha Master Tarantino Wonka para os íntimos (Racha por causa das rachadinhas em seu gabinete na Alerj, quando era deputado estadual; Master por causa da bufunfa milionária pedida – e recebida – a Daniel Vorcaro; Tarantino porque o bolsokid jura que o dinheiro mendigado foi para produzir o filme do pai (2); Wonka em alusão a Willy Wonka, da Fantástica Fábrica de Chocolates, em referência à loja que tinha e que vendia panetones de chocolate – inclusive fora de época – como nenhuma outra, sobretudo em dinheiro vivo) (3), vem se transformando num maracujá murcho.

    Longe de estar fora da corrida eleitoral ou de não ter chance de ser eleito presidente da República em outubro que vem, a verdade é que, somados:

    1) a incapacidade ampla, geral e irrestrita;
    2) os enroscos de ordem jurídica;
    3) o passado ligado a rachadinhas e a milicianos;
    4) a herança maldita do pai;
    5) o irmão Pateta (4), segundo Ronaldo Caiado, Dudu Bananinha;
    6) o aliado que não gosta de mulher votando, o neto de ditador e ideólogo bolsonarista Paulo Figueiredo; e
    7) o conflito com a madrasta Micheque, ops!, Michelle,

    o filho 01 de Jair Bolsonaro vem se distanciando do favoritismo que já teve meses atrás.

    Cai, cai, balão
    Sem conseguir formar uma frente ampla com os partidos do Centrão, especialmente Republicanos, PP e União Brasil (estes dois últimos federados); sem contar, ao menos no primeiro turno, com PSD e Novo, que têm candidaturas próprias; sem o apoio contundente de lideranças da oposição – Nikolas Ferreira é um exemplo -; e sem palanques regionais fundamentais até o momento, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, acaba de assistir, ao vivo e em cores, para todo o Brasil, à ex-ministra da Agricultura de seu pai, a senadora Teresa Cristina, dizer-lhe “não” como possível candidata à vice na sua chapa.

    Para piorar, rumores cada vez mais frequentes sobre um suposto vídeo íntimo, provavelmente de cunho erótico ou com algum conteúdo comprometedor, deixaram os bastidores da política e começaram a circular também pelas redações Brasil afora. E, por último, mas não menos importante, uma nova fala desastrosa sobre urnas eletrônicas (5) ganhou as manchetes, reforçando ainda mais a associação entre Jair-pai e Flávio-filho como agentes golpistas e políticos negacionistas. Parafraseando uma antiga propaganda de TV: “Tá fácil pra ninguém”. Não à toa, os próprios aliados tirando proveito.

    Ronaldo Caiado partiu para cima, publicando mensagens em que reprova o ataque às urnas. Romeu Zema, que já havia criticado Flávio pelo pedido de dinheiro a Vorcaro, voltou a “bater” no rival. Mas chama muito a atenção a velocidade com que a candidatura bolsonarista começa a desidratar. Na política, o cheiro de fraqueza não perdoa. Quando o maracujá murcha e cai do pé, logo aparece alguém para pisotear. Ao que parece, Flávio Bolsonaro pode estar sendo carcomido pelos “insetos” ao seu redor muito antes de a campanha começar. Nessa toada, mesmo com todo o telhado de vidro lulopetista, não haverá inseticida que dê jeito.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/flavio-bolsonaro-e-um-maracuja-murcho-mas-ainda-nao-caiu-do-pe/)

    (1) https://www.alerj.rj.gov.br/

    (2) “Do tio Queiroz ao irmão Vorcaro, a evolução de Flávio Bolsonaro, o Tarantino tupiniquim”
    – Como quem fica parado é piano, o bolsokid evoluiu. Cansou de ser corretor de imóveis e vendedor de panetone e partiu para voos maiores.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/do-tio-queiroz-ao-irmao-vorcaro-a-evolucao-de-flavio-bolsonaro-o-tarantino-tupiniquim/

    (3) “Cadê o chocolate, Flávio Bolsonaro?”
    – A loja de chocolates Kopenhagen de Flávio Bolsonaro, num shopping na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, foi fechada, de acordo com o Globo. O MP suspeita que a loja emitia notas fiscais frias, um clássico da lavagem de dinheiro…
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/flavio-bolsonaro-fecha-loja-de-chocolates-no-rio/#google_vignette

    (4) https://www.youtube.com/watch?v=LS7R1ZWbkdY

    (4) “Caiado ironiza o “Pateta” da “política brasileira”
    – “Quem é o personagem que vive nos Estados Unidos, é todo atrapalhado e sempre que abre a boca faz alguma besteira?”, escreveu no X.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/caiado-ironiza-o-pateta-da-politica-brasileira/?utm_source=site&utm_medium=single&utm_campaign=mais_lidas&utm_term=flavio-bolsonaro-e-um-maracuja-murcho-mas-ainda-nao-caiu-do-pe&utm_content=artigo

    (5) “Caiado alfineta encontro de Flávio com embaixadores”
    – Flávio pediu a diplomatas estrangeiros o envio de observadores internacionais para o pleito presidencial de outubro.
    +em: https://crusoe.com.br/diario/caiado-alfineta-encontro-de-flavio-com-embaixadores/#google_vignette

  2. Miguel José Teixeira

    Felizmente, não estamos sós!

    “O INAC (*) renovou sua diretoria, mantendo Roberto Livianu como presidente e nomeando Miguel Reale Jr e Maria Tereza Sadek como vice-presidentes. O conselho foi ampliado com Ana Elisa Bechara, Antônio Carlos Secchin, Fernando Lottenberg, Ligia Maura Costa, Paulo Galizia e Rubens Barbosa.”
    (FSP, 21/07/26)

    (*) Instituto Não Aceito Corrupção
    – PLANO INAC PELO RESGATE DA INTEGRIDADE NACIONAL
    +em: https://www.naoaceitocorrupcao.org.br/post/plano-inac-pelo-resgate-da-integridade-nacional

  3. Miguel José Teixeira

    O espinhoso pequi!

    “Caiado à frente”
    Levantamento Realtime Bigdata (BR-05864/2024), divulgado nessa terça-feira (21), mostra apenas um candidato numericamente à frente de Lula (PT) em um eventual segundo turno: Ronaldo Caiado (PSD).
    (Coluna CH, DP, 22/07/26)

  4. Miguel José Teixeira

    “Tudo a Ler” (I)
    (Isadora Laviola, FSP, 22/07/26)

    Olá, leitor! Olá, leitora!

    A Flip 2026 começa já com uma dimensão inédita, ao menos em programação. O festival bateu o recorde de 46 casas parceiras, compondo uma programação (1) paralela que pode chegar a mil atividades, segundo estimativa do diretor artístico Mauro Munhoz.

    É bastante coisa para fazer em cinco dias —a festa ocupa o Centro Histórico de Paraty desta quarta (22) até o domingo (26). Munhoz diz ao editor Walter Porto que o crescimento é um sinal do fortalecimento do festival e que as casas parceiras não são concorrência, mas complemento. “É um sinal de sucesso.”

    A programação principal, sob a curadoria de Rita Palmeira, homenageia a poeta Orides Fontela reunindo autores que, como ela, receberam prêmios, mas (ainda) não a atenção do grande público. Alguns exemplos são o argelino Kamel Daoud, vencedor do Goncourt, o italiano Andrea Bajani, que ganhou o Strega, e Nathacha Appanah, reconhecida com o Femina.

    A angolana Ana Paula Tavares, premiada com o Camões em 2025, participa da programação principal e lança “O Sangue da Buganvília” (Pallas, R$ 79, 232 págs.), onde se assume uma “anatomista do corpo feminino”, como escreve o repórter Matheus Rocha (2).

    “Conhecia muitas alusões ao corpo feminino sempre com um olhar de fora e descritivo. E eu me interrogava: ‘O que as mulheres pensam sobre o seu próprio corpo?’”, diz a poeta.

    Figura já conhecida — e esperada — na programação paralela do festival, Ruy Castro volta neste ano à Casa Folha (3). Seguindo um ritmo constante de publicações, ele fala no festival sobre seu mais recente livro “Eu Gosto de Música” (Companhia das Letras, R$ 79,90, 240 págs.).

    A obra reúne 97 colunas publicadas por Castro de 2007 a 2025 na Folha, compondo um retrato de sua influência sobre “qualquer um que escreva sobre música no Brasil”, como diz André Barcinski (4).

    Outra colunista — esta mais nova no jornal — que também passará pela Casa Folha é Socorro Acioli. Estar presente em festivais é algo que ela entende como parte do trabalho. Como disse em entrevista (5), é preciso estar em contato com os leitores. “Eu escrevo para quem me lê, porque se eu escrevesse para mim, não escreveria.”

    A Folha acompanha a Flip com cobertura diária, perfis de autores e livros e dicas dos melhores destaques da programação. Acompanhe no site do jornal (6)!

    Até a próxima semana,
    Isadora Laviola
    Jornalista da editoria de Livros

    +em:
    (1) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/flip-se-amplia-com-recorde-de-casas-parceiras-e-ritmo-louco-de-mesas-simultaneas.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (2*) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/conheca-ana-paula-tavares-autora-que-venceu-o-camoes-ao-dissecar-o-corpo-feminino.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/casa-folha-na-flip-tera-drauzio-djamila-e-carla-madeira-veja-programacao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/ruy-castro-reune-decadas-de-textos-sobre-cancoes-e-seus-autores-em-novo-livro.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/socorro-acioli-lanca-coletanea-sobre-amor-tema-de-toda-sua-literatura.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/flip/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  5. Miguel José Teixeira

    “Tudo a Ler” (II)
    (Isadora Laviola, FSP, 22/07/26)

    acabou de chegar

    > “O Astrágalo” (trad. Mônica Kalil, Editora 34, R$ 79, 208 págs.) é “uma abrupta e inesperada incursão no submundo francês”, como escrevem os críticos Roberto Zular e Philippe Willemart. O livro de Albertine Sarrazin, originalmente publicado em 1965, acompanha uma fugitiva da prisão que fratura o astrágalo, um osso da parte superior do pé, durante a escapada.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/albertine-sarrazin-faz-das-tripas-o-coracao-das-palavras-em-o-astralago.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > “A Arte da Alegria” (trad. Igor de Albuquerque e Valentina Cantori, Autêntica Contemporânea, R$ 119,80, 648 págs.) é um calhamaço que, depois de rejeitado por várias editoras italianas, foi publicado dois anos depois da morte da autora, Goliarda Sapienza. Entre emancipação feminina, revolução comunista frustrada e contos de fadas, o que falta no livro, segundo a crítica Ligia Gonçalves Diniz, é uma boa edição, “que poderia ter ajudado a extrair o romance extraordinário escondido ali dentro”.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/goliarda-sapienza-criou-bom-romance-libertario-escondido-por-ma-edicao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > “Filhos da Mãe Gentil” (Intrínseca, R$ 79,90, 352 págs.) foi escrito por Roberto Feith, de 73 anos, após uma longa carreira como editor de livros na Objetiva. Depois de anos publicando, chegou a sua vez de ser publicado, com uma história sobre um jornalista veterano que, perdendo espaço, se envolve com a contravenção, o mercado financeiro e uma startup de inteligência artificial. “A gente vai ficando mais velho, mais perto do fim e sente o impulso de criar”, ele conta ao repórter especial Ivan Finotti.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/roberto-feith-lanca-primeiro-romance-aos-73-anos-apos-erguer-a-editora-objetiva.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  6. Miguel José Teixeira

    “Tudo a Ler” (III)
    (Isadora Laviola, FSP, 22/07/26)

    agenda literária

    > A semana em São Paulo segue ainda ditada pela Flip, recebendo autores que vieram ao Brasil para participar da festa literária.

    > Na segunda (27), às 19h, a Folha recebe o escritor ucraniano Andrei Kurkov para uma conversa com a repórter especial Patrícia Campos Mello, no auditório do jornal (Al. Barão de Limeira, 425, 9° andar – Campos Elíseos). Kurkov é autor de “Ucrânia: Diário de uma Guerra”, eleito um dos melhores livros de 2025 pelo jornal. Ingressos gratuitos para o evento estão disponíveis na plataforma Sympla.
    +em: https://www.sympla.com.br/evento/conversa-com-escritor-ucraniano-andrei-kurkov/3506581?referrer=www.google.com&utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler;referrer=www.google.com&referrer=www.google.com&referrer=www.google.com

    > Também na segunda (27), às 19h, a canadense Maria Reva lança seu “Extinção” na Livraria da Travessa (R. dos Pinheiros, 513 – Pinheiros). A autora conversa com o jornalista Ruan de Sousa Gabriel sobre o romance.

    > Ainda na segunda (27), às 19h, a autora espanhola Eva Baltasar participa de um bate-papo na Megafauna Copan (av. Ipiranga, 200 – loja 53 – República) com Mariana Salomão Carrara. O encontro é mediado por Tamy Ghannam.

    > E na terça (28), às 19h, a Megafauna Copan (av. Ipiranga, 200 – loja 53 – República) recebe o franco-argelino Kamel Daoud para uma conversa sobre “Língua Interior”. O encontro será mediado pela jornalista da Folha Gabriela Mayer e contará com tradução consecutiva do francês.

    (TRPCE)

  7. Miguel José Teixeira

    “Tudo a Ler” (IV)
    (Isadora Laviola, FSP, 22/07/26)

    e mais

    > Após esgotar na editora Planeta, a biografia “O Mago”, de Fernando Morais sobre Paulo Coelho, ganhará uma nova edição pela editora Realejo. Lançado em 2008 e baseado em 170 cadernos de diários do escritor, o livro de mais de 600 páginas já foi traduzido para 22 idiomas e terá tiragem inicial de 3.000 exemplares, como conta o Painel das Letras.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/walter-porto/2026/07/fernando-morais-leva-o-mago-sua-biografia-de-paulo-coelho-a-nova-editora.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > Aos 82 anos, Fernando José de Almeida publica seu primeiro livro de literatura. “Elogio à Saudade” (Seja Breve, R$ 64,90, 88 págs.) é um diário de bordo, como diz o autor, escrito em meio à maior tempestade de sua vida —o suicídio da filha. Lorena D’Elia de Almeida era pesquisadora e documentarista e morreu no dia 11 de novembro de 2023. No livro de Fernando, não há um relato sobre Lorena, mas sobre a relação de pai e filha e sobre a falta que ela faz. “Não é um combate ao luto, mas um combate com o luto”, afirma o autor.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/professor-estreia-na-literatura-aos-82-anos-com-livro-sobre-suicidio-da-filha.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > A australiana Anna Funder precisou ler sete biografias de George Orwell e suas correspondências preservadas para descobrir Eileen O’Shaughnessy, esposa do escritor ainda pouco discutida. “Quanto mais eu descobria sobre ela e o papel que ela desempenhou na vida dele, mais eu voltava e relia as biografias. Ficou claro o quanto os autores se esforçaram para deixá-la de fora”, conta Funder à repórter Bárbara Blum. É tentando compensar isso que a australiana lança “A Vida Invisível da Sra. Orwell” (trad. Denise Bottmann, Companhia das Letras, R$ 139,90, 504 págs.)
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/por-que-a-mulher-de-george-orwell-foi-apagada-da-maioria-das-biografias-dele.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  8. Miguel José Teixeira

    “Tudo a Ler” (V)
    (Isadora Laviola, FSP, 22/07/26)

    além dos livros

    > A demora do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) em publicar o edital para 2027 pode fazer com que estudantes cegos ou com baixa visão iniciem o ano letivo sem material adaptado. O alerta foi feito pelas empresas que produzem livros didáticos em braile e que viram o mesmo acontecer para o ano letivo de 2026, como lembra a reportagem de Bruno Lucca. O órgão, no entanto, nega o atraso e diz seguir o cronograma do PNLD (Programa Nacional do Livro Didático).
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/07/demora-do-governo-lula-ameaca-deixar-alunos-sem-livros-em-braile-diz-setor.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > O repórter João Gabriel de Lima visitou a Manifesto Library, biblioteca inaugurada no mês passado pela Dua Lipa no Porto, em Portugal. A cantora britânica se tornou uma voz influente no mundo literário pelo sucesso de seu clube de leitura. Em conjunto com a livraria Lello, uma das mais bonitas do mundo, Dua Lipa montou um acervo de cem livros que estimulam o debate sobre a liberdade de expressão.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/07/dua-lipa-abre-biblioteca-em-portugal-em-defesa-da-liberdade-de-expressao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > A jornalista e educomunicadora Januária Cristina Alves chama a atenção para uma nova camada da discussão sobre fake news. Enquanto muito se debate sobre a criação e compartilhamento de desinformação, Alves aborda o consumo crítico de informações —habilidade que, segundo ela, deve ser trabalhada desde a infância. “Por que não dão aula de como se proteger no ambiente digital, em vez de proibi-lo?”, ela diz em entrevista a Gabriella Franco.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/07/ia-prejudica-a-capacidade-de-duvidar-de-informacoes-diz-pesquisadora-em-novo-livro.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  9. Miguel José Teixeira

    “Tudo a Ler” (VI)
    (Isadora Laviola, FSP, 22/07/26)

    ▶️ Para ver:

    > “Conheça Raúl Zurita, poeta chileno que transformou sua vida em ‘obra de arte total'”
    – Autor ganha primeira antologia brasileira em ‘Sua Vida Quebrando-se’.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/tv/2026/07/conheca-raul-zurita-poeta-chileno-que-transformou-sua-vida-em-obra-de-arte-total.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > “‘Grande Sertão: Veredas’ acata com maleabilidade suas infinitas leituras”
    – Ambiguidade do romance de Guimarães Rosa é o princípio que organiza a totalidade da escrita do livro.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/07/grande-sertao-veredas-acata-com-maleabilidade-suas-infinitas-leituras.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    > “Memórias retratam traumas e beleza da vida como monge beneditino”
    – ‘A Casa dos Malditos’, relato de escritor que deixou a vida monástica, mostra peso dessa tradição.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/darwin-e-deus/2026/07/memorias-retratam-traumas-e-beleza-da-vida-como-monge-beneditino.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  10. Miguel José Teixeira

    📍”Mapa do poder”
    – O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
    (Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 20/07/26)

    1 – O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mudou sua versão e afirmou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino não ter cota ou poder jurídico para decidir sobre emendas parlamentares, mas admitiu que participa de conversas sobre o tema. O magistrado cobrou explicações de 21 dirigentes partidários após Valdemar dizer, em entrevista, que interferir na destinação dos recursos sob comando de senadores e deputados é uma tarefa natural do cargo à frente das legendas.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/07/valdemar-nega-ter-cota-de-emendas-apos-defender-interferencia-de-presidentes-de-partidos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    Na Esplanada…
    Sob o comando do então ministro Fernando Haddad, o Ministério da Fazenda afrouxou uma regra e permitiu que o Amapá tomasse um crédito de R$ 536 milhões apenas três meses após dar um calote em dívidas que tinham a própria União como fiadora. Agora, o Tesouro honrará os pagamentos em caso de inadimplência. O Amapá é reduto eleitoral do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), e do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT).
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/fazenda-afrouxa-regra-de-emprestimo-a-estados-e-destrava-credito-de-r-536-milhoes-ao-amapa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    (TRPCE)

  11. Miguel José Teixeira

    “Latifúndios na TV”
    (Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 20/07/26)

    A cerca de um mês para o começo da propaganda eleitoral na TV e em rádio, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, poderá ter 20% a menos de exibição (*) do que o presidente Lula (PT) se continuar isolado, sem alianças partidárias. O senador busca reverter o cenário desfavorável e ganhar uma leve vantagem sobre a campanha petista com uma coligação com o Republicanos, que hoje sinaliza que ficará neutro na disputa pelo Planalto.

    Flávio viu grandes partidos do centrão como União Brasil e PP tomarem distância com o vazamento de áudios em que ele pede dinheiro (**) ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Se não conseguir o apoio do Republicanos, ele ficará com 4min20s por bloco de propaganda.

    Nesse cenário, Lula terá 5min32s de cada programa. Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) terão 2min2s e 36 segundos, respectivamente. Outros pré-candidatos ao Planalto, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), não contam com apoio de legendas que superaram a cláusula de desempenho e por isso ficarão de fora do horário eleitoral.

    Já num cenário em que Flávio consiga o apoio do Republicanos, o senador do PL passará a ter leve vantagem sobre o petista: 5min16s x 4min51s. O tempo de Lula diminuiria porque, nesse caso, o tempo do Republicanos deixaria de ser distribuído entre todos os candidatos e seria somado integralmente à candidatura de Flávio.

    As campanhas buscam mais espaço nessa modalidade de propaganda principalmente pelo alcance da TV aberta. Isso porque essa é a melhor forma de atingir o público de até dois salários mínimos, única faixa de renda do eleitorado em que Lula vence Flávio, segundo o último Datafolha. Nessa faixa, Lula tem 53% dos votos contra 38% de Flávio em um eventual segundo turno. As inserções na televisão e em rádio começam em 18 de agosto.

    +em:
    (*)https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/07/flavio-tera-20-menos-tempo-na-tv-do-que-lula-se-continuar-isolado-e-busca-republicanos-para-equilibrar-propaganda.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
    (**) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/05/vorcaro-pagou-r-61-milhoes-para-filme-sobre-jair-bolsonaro-e-flavio-pediu-mais-diz-site.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    (TRPCE)

  12. Miguel José Teixeira

    “A Itália se vê diante da questão de fazer justiça ou aprovar vingança”
    – Neste verão, na Itália, o termômetro ferve também por causa da condenação do joalheiro Mario Roggero a quase 15 anos de prisão.
    (Mario Sabino, Metrópoles, 20/07/26)

    Neste verão, na Itália, o termômetro ferve também por causa da condenação do joalheiro Mario Roggero, de 72 anos, a quase 15 anos de prisão. Vejamos o que você acha dessa história.

    Morador da cidadezinha de Grinzane Cavour, no Piemonte, ele matou dois ladrões e feriu um terceiro, com um revólver devidamente registrado, depois de um assalto ocorrido em sua joalheria, em 28 de abril de 2021.

    Naquele dia, Roggero, a sua mulher e a filha foram surpreendidos por Giuseppe Mazzarino e Andrea Spinelli, que entraram na loja munidos de uma pistola (que se descobriu ser de brinquedo) e uma faca, enquanto o comparsa Alessandro Modica os esperava no carro que os levou até lá.

    Executado o assalto, os dois saíram da joalheria, mas Roggero não chamou a polícia. Com muita raiva, uma vez que não era a primeira vez que a sua loja era roubada (após sofrer vários furtos desde 1990, ele apanhou de assaltantes e viu a sua filha ser ameaçada por eles em 2015), Roggero pegou a sua arma e foi atrás dos bandidos.

    O joalheiro disparou quatro tiros contra o carro dos criminosos, enquanto o que dirigia tentava ligá-lo.

    Modica foi ferido na perna; Mazzarino tentou se esconder atrás do carro, onde morreu; Spinelli tentou fugir, mas caiu, e Roggero então o chutou na cabeça e nas costas. O assaltante ainda se levantou antes de morrer. Foi só nesse momento que o joalheiro ligou para a polícia.

    Levado à Justiça, levaram-se em conta atenuantes, mas a tese de legítima defesa foi excluída, e Roggero foi condenado em primeira instância a 17 anos de prisão.

    No recurso, a pena foi reduzida para 14 anos e 9 meses de cadeia, e pena acabou confirmada pela derradeira instância, o Tribunal de Cassação (*), equivalente ao nosso Supremo.

    Além de pegar cana dura, Roggero foi condenado a pagar 780 mil euros de indenização às famílias dos dois bandidos mortos e ao terceiro ferido, além das custas do processo. Foi obrigado a vender patrimônio para fazer o pagamento, e ainda não conseguiu quitar o total devido.

    A Justiça concluiu que o joalheiro, ao reagir, arrogou-se o papel de “juiz e carrasco”, fazendo os disparos quando “a ação agressiva por parte dos assaltantes estava totalmente concluída”. Ou seja, cometeu ato de vingança, não de legítima defesa.

    É uma conclusão tão mais eloquente porque, ao contrário do que se pensa, o oposto de justiça não é injustiça, mas vingança. Foi para evitar as vinganças individuais que se concedeu ao Estado o monopólio da violência para a preservação da lei e da ordem e da realização de justiça.

    Antes de ser preso, Roggero disse que, como já tem 72 anos, a pena recebida por ele equivale a prisão perpétua.

    A direita está indignada com o que afirma ser completa inversão de valores e pede que o presidente da República, Sergio Mattarella, conceda graça a Roggero, extinguindo a pena que lhe foi imposta.

    Na frente jurídica, a direita quer alargar o conceito de legítima defesa com a não punibilidade de qualquer reação imediatamente após uma agressão a mão armada dentro de casa ou no interior do próprio negócio, “independentemente da proporcionalidade dos meios usados e da natureza estritamente defensiva da conduta”.

    A primeira-ministra Giorgia Meloni escreveu nas redes sociais (*) que introduziu uma regra no seu projeto de lei para a segurança, impedindo que se ressarça quem cometeu crime ou os seus familiares:

    “Me agride. Me defendo. E eu deveria ressarcir você? Não é justo. O Estado está do lado das pessoas de bem. Não dos criminosos.”

    A esquerda, por sua vez, aplaude a prisão do joalheiro, acusando a direita de querer substituir o direito de legítima defesa pelo direito à vingança e de agir para instaurar o faroeste na Itália.

    A favor do argumento da esquerda, pinta-se Roggero como um homem de índole violenta, que, em 2007, foi condenado a dois meses de prisão, comutados em multa, por ter ameaçado com arma a família de um ex-namorado da filha depois que o rapaz a insultou e estapeou.

    Em qualquer latitude, mostramos que existe um Roggero dentro de nós quando aplaudimos vingadores no cinema. Mas aí se está no terreno da catarse, não da justiça.

    No Brasil, e não apenas aqui, há um Roggero dentro de quem grita que bandido bom é bandido morto. Mas aí se está no terreno da barbárie, não da civilização.

    Mesmo assim, há um lado em mim que acredita que se deva perdoá-lo ao menos em parte. Cancelar a indenização, diminuir a pena, talvez. Mas isso seria possível sem transmitir a mensagem de que a vingança pode substituir a justiça? Não sei. E você, o que acha?

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/a-italia-se-ve-diante-da-questao-de-fazer-justica-ou-aprovar-vinganca)

    (*) “Moraes, o juiz macroscopicamente parcial”
    – Os juízes italianos que negaram a extradição de Zambelli viram o que salta aos olhos: Moraes não poderia julgar uma causa em que é vítima.
    +em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/moraes-o-juiz-macroscopicamente-parcial

  13. Miguel José Teixeira

    “A festa da Democracia”!

    > “Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em 2026”
    – Cadastro cresceu 1,5% em comparação com 2022; Sudeste continua maior, mas encolhe.
    (Rúbia Bragança, Poder360, 20/07/26)

    O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar no 1º turno das eleições de 2026, em 4 de outubro. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou os dados, que mostram um crescimento de 2,3 milhões de pessoas (1,5%) em comparação com o pleito de 2022.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/brasil-tera-1587-milhoes-de-eleitores-aptos-a-votar-em-2026/

    >> “Eleição de 2026 terá recorde de idosos e menos jovens aptos a votar”
    – São 37,5 milhões de votantes com 60 anos ou mais, alta de 14% ante 2022; participação de todos os grupos etários abaixo de 45 anos caiu.
    (Rafael Barbosa, Poder360, 20/07/26)
    . . .
    Do total de eleitores, 23,6% têm 60 anos ou mais. Esse percentual de idosos é o maior da história. Em 2010, eram só 15,3% dos votantes com essa faixa etária. Em 2022, no último pleito geral, 21,0% tinham essas idades.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/eleicao-de-2026-tera-recorde-de-idosos-e-menos-jovens-aptos-a-votar/

    >>> “Número de eleitores com menos de 18 anos cai 14,5% em 2026”
    – Dados do TSE mostram que o eleitorado está mais idoso; quantidade de brasileiros acima de 60 anos aptos a votar cresceu 13,9%.
    (Poder360, 20/07//26)

    O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nesta 2ª feira (20.jul.2026) o perfil do eleitorado que vai participar das eleições de outubro. Em relação ao pleito de 2022, o número de eleitores com mais de 60 anos cresceu 13,9%, enquanto aqueles com menos de 18 anos tiveram queda de 14,5%.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/numero-de-eleitores-com-menos-de-18-anos-cai-145-em-2026/

    >>>> “Número de eleitores aptos a votar em 2026 cai em SP e RS”
    – Houve aumento em todos os outros Estados; Tocantins, Amazonas e Piauí tiveram as maiores altas em relação ao pleito de 2022.
    (Poder360, 20/07/26)

    O número de eleitores aptos a votar nas eleições de 2026 caiu em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Em todos os outros Estados, houve alta em relação ao pleito de 2022. O Tribunal Superior Eleitoral divulgou nesta 2ª feira (20.jul.2026) o perfil do eleitorado de 2026
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/numero-de-eleitores-aptos-a-votar-em-2026-cai-em-sp-e-rs/

  14. Miguel José Teixeira

    Trutas & tretas para o tetra,
    segundo a Coluna CH, DP:

    > “A tropa da comunicação da “pré”-campanha de Lula está em polvorosa com a taxação promovida pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que avalia ter rendido dividendos eleitorais ao petista. O problema agora é administrar a língua nervosa de Lula, para que o presidente não erre o tom nas críticas e o eleitorado associe o tarifaço a uma eventual má-condução das negociações. A estratégia é velha e conhecida, apostar no fator “ataque de um inimigo externo” para faturar com a união nacional.”

    >> “O próprio governo Lula (PT) já admite oficialmente que vai gastar pelo menos R$22,6 bilhões a mais do que pode, em 2026. A informação é do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União, que mantém dados atuais das receitas e despesas da administração federal petista. Os números apontam: o governo Lula espera tomar dos pagadores de impostos R$6,34 trilhões, enquanto sabe que vai gastar R$6,36 trilhões.”

    +em: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/campanha-petista-teme-que-lingua-nervosa-de-lula-dificulte-proveito-eleitoral-do-tarifaco

  15. Miguel José Teixeira

    “OK, Computer” (I)
    – Newsletter de tecnologia
    (Por Bruno Romani, O Globo, 20/07/26)

    Quando a Meta vai parar de cometer barbeiragens?
    – Embora tenha um histórico controverso de práticas de privacidade e uso de dados, acontecimentos recentes mostram que pouco mudou na empresa — e a era da IA pode piorar isso.

    Bruno Romani
    Repórter de tecnologia

    Na semana passada, 26 ex-funcionários da Meta entraram com um processo contra a empresa. A alegação é a de que trabalhadores com deficiências ou em licenças médicas teriam sido desproporcionalmente prejudicados pelos sistemas de inteligência artificial (IA) no processo de demissão em massa realizado no começo deste ano. A gigante se defendeu, dizendo que humanos fizeram parte do processo. Claro, todo desligamento em massa é traumático e tem diferentes versões. Mas, mais importante: esse foi só o capítulo mais recente na série de ‘deslizes’ da companhia” com privacidade, uso de dados e sistemas de IA.

    Enquanto as principais conversas do mundo da IA seguem em torno de modelos, custos e infraestrutura, a companhia fundada por Mark Zuckerberg parece ter mudado muito pouco em relação às práticas do passado. Na semana passada, ela foi forçada a recuar de um novo recurso implementado silenciosamente no Instagram (1).

    Com ele, qualquer usuário poderia usar fotos públicas de outros perfis para alimentar os geradores de imagem da Meta AI. Ou seja, você poderia colocar a cara da vovó do seu vizinho no corpo de um super-herói, mesmo que ela não soubesse disso. Bastava estar disponível no feed.

    Não apenas o recurso é questionável como ele foi ativado por padrão, o que significa que aqueles que não curtiram a ideia teriam que encontrar a opção para desabilitá-lo nos menus de configuração — uma tarefa que não é simples para todos.

    Isso lembra o caso das mudanças de termos do WhatsApp, em 2021, quando a companhia tentou impor novos termos de uso aos usuários do WhatsApp, que deveriam aceitar o compartilhamento de dados entre o app e outros serviços da companhia caso quisessem continuar a usar o serviço. Por aqui, as autoridades barraram a mudança, e a Meta foi obrigada a recuar da obrigatoriedade (2).

    Os dois casos se somam ainda às informações recentes de que a companhia está desenvolvendo óculos de “super detecção” (3), que registram áudios e imagens o entorno de forma quase permanente, com capturas em intervalos de segundos. Seriam uma versão turbinada dos acessórios que a companhia já comercializa com a marca da Ray-Ban, que permitem o registro de fotos e vídeos das pessoas.

    O estrago que a versão atual pode causar já assusta (4). Em fevereiro, trabalhadores da Sama, empresa terceirizada no Quênia que fornece serviço humano para treinamento de IA, afirmaram que tiveram acesso a imagens capturadas pelos óculos já comercializados, incluindo cenas de pessoas no banheiro e fazendo sexo. (Ok, por que alguém usaria nessas situações eu não sei, mas são possibilidades que não podem ser descartadas ). Resultado: a Meta rompeu o contrato com a Sama.

    Tudo isso aconteceu enquanto a companhia iniciava um programa de monitoramento de seus funcionários. Chamado de Model Capability Initiative, ele queria que os dados da mão de obra humana treinassem sistemas de IA, capturando comandos de teclado, cliques, movimentos do mouse e capturas de tela. No final de junho, o programa foi pausado após expor dados pessoais dos funcionários.

    Todas essas barbeiragens não são coincidência. A empresa que ajudou a esgarçar a noção de privacidade de muitas pessoas (quem nunca ouviu a frase “está tudo na rede mesmo”) construiu um império publicitário ao testar os limites do uso dos dados de seus usuários. No primeiro trimestre deste ano, a companhia atingiu com anúncios receita de US$ 55,02 bilhões. Já há projeções de que ela vai ultrapassar o Google em 2026 — serão US$ 243,46 bilhões contra US$ 239,54 bilhões. Era algo impensável poucos anos atrás.

    (E repare que eu não falei de nenhum dos grandes processos pelos quais a gigante responde nos EUA e na Europa:
    1) A acusação da UE de que a Meta usa design ‘viciante’ (5) no Instagram e no Facebook;
    2) A acusação francesa de violação de direitos autorais (6) ;
    3) As ações de quatro Estados americanos que pedem indenização de US$ 1,4 trilhão por estimular uso compulsivo de adolescentes (6) e por mentir sobre a segurança dos produtos)

    Mas há algo além da publicidade na maioria dos casos recentes. A companhia também está coletando dados para a era da IA. Com o esgotamento da internet, um dos gargalos do setor é a busca por dados inéditos para o treinamento de novos modelos — quem tem acesso à informação inédita pode se diferenciar. Imagens no Instagram (muitas vezes já legendadas), ações de funcionários e dados coletados pelos óculos são grandes avenidas.

    Vai além: uma ala do campo da IA acredita que a próxima fronteira da tecnologia são dados que ajudam a compreender melhor o mundo físico, o que poderia ser aplicado à robótica, além de aumentar a sofisticação dos próprios modelos de linguagem. Yann LeCun , ex-cientista-chefe da Meta, acredita que esse é o caminho. Ele só deixou a gigante quando passou a divergir de Zuckerberg sobre as limitações dos LLMs, mas parece que algum legado ficou. Capturar movimentos, tanto de funcionários quanto de usuários com os óculos, se enquadra bem no quesito.

    Por isso, apesar de a Meta contar com um histórico de escândalos de privacidade e uso de dados, como Cambridge Analytica e Facebook Papers, é difícil imaginar uma mudança no fim desses aparentes deslizes. É preciso ficar ligeiro com tudo isso.

    Quer troca uma ideia? Quer enviar sugestões de coisas imperdíveis? Me manda um salve em bruno.romani@edglobo.com.br

    +em:
    (1) https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/11/meta-remove-recurso-de-ia-do-instagram-apos-sofrer-onda-de-criticas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (2) https://oglobo.globo.com/economia/whatsapp-diz-que-nao-vai-mais-limitar-funcoes-para-quem-nao-aceitar-novos-termos-de-privacidade-1-25042824?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (3) https://www.ft.com/content/ac282450-91a8-4597-8f60-9e6ef416865a?mc_cid=7768f2171a&mc_eid=26078b7d71&syn-25a6b1a6=1&utm_campaign=newsokcomputer&utm_medium=newsletter
    (4) https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2025/12/16/oculos-com-ia-de-meta-e-google-sao-proibidos-em-cruzeiros-da-gigante-msc.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (5) https://oglobo.globo.com/saude/bem-estar/noticia/2026/07/15/facebook-e-instagram-sao-feitos-com-design-viciante-para-aumentar-tempo-de-tela-aponta-estudo-europeu.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (6) https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/07/acoes-contra-meta-na-justica-americana-preveem-multas-de-us-14-trilhao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    (TRPCE)

  16. Miguel José Teixeira

    “OK, Computer” (II)
    – Newsletter de tecnologia
    (Por Bruno Romani, O Globo, 20/07/26)

    A Alexa da OpenAI

    Quer dizer que o primeiro dispositivo da OpenAI para a era da IA é uma Alexa com ChatGPT? Por enquanto, a expectativa para uma nova categoria de eletrônicos está tomando a forma de um alto-falante portátil para controlar eletrodomésticos inteligentes, reproduzir mídia, responder a perguntas, responder a mensagens e aproveitar os recursos oferecidos pelo ChatGPT. Eu esperava bem mais de uma empresa que fez fanfarra pela parceria com Jony Ive, o designer do iPhone e “alma gêmea” de Steve Jobs. Isso sem falar que toda essa divisão da companhia nasce sob a suspeita de espionagem industrial.

    Inventar uma nova categoria de eletrônicos, que promete redefinir comportamento e consumo, como fez o iPhone, não é algo que acontece todos os dias. Já houve algumas tentativas de explorar aparelhos sem tela que bebem do potencial de LLMs, mas nada colou. Quem aí se lembra do AI Pin, o broche esperto, criado por ex-funcionários da Apple, que prometia muito do que a OpenAI imagina alcançar agora? Flopou. Será que ficaremos presos para sempre no formato dos smartphones?

    Vale lembrar que a OpenAI colocou seu primeiro hardware no mercado há duas semanas. Ele também gerou expectativas por ser o primeiro produto da era Ive, mas, no final, o Codex Micro era só um teclado maluco de US$ 230 para programadores.

    Para mais detalhes da Alexa da OpenAI, confira comigo no replay (**).

    +em:
    (*) https://oglobo.globo.com/google/amp/economia/tecnologia/noticia/2026/07/18/chatgpt-ja-tem-seu-primeiro-acessorio-um-painel-de-controle-para-gerenciar-agentes-de-ia.ghtml
    (**) https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/14/primeiro-dispositivo-da-openai-sera-um-alto-falante-portatil-sem-tela-criado-para-ser-um-companheiro-de-ia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    (TRPCE)

  17. Miguel José Teixeira

    “OK, Computer” (III)
    – Newsletter de tecnologia
    (Por Bruno Romani, O Globo, 20/07/26)

    Boletos altíssimos

    Agentes de IA prometeram eficiência, produtividade e crescimento para empresas de diferentes tamanhos, mas o que anda chegando para executivos e empresários é algo bem mais concreto e doloroso: boletos altíssimos. A verdade é que, muito além da capacidade de modelos e da massificação da tecnologia, um dos principais papos da IA no ano é custo. Já que IA virou infraestrutura, quebrando a lógica do SaaS tradicional, seria impossível debater consumo de tokens. Em abril, eu participei de uma apresentação da OpenAI, na qual Sam Altman afirmou que ninguém falava sobre isso até o ano passado e que todos estavam felizes com aquilo que estavam pagando. Mas o jogo virou, meu querido.

    Neste domingo, contei sobre a tendência do tokenmaxxing, que nasceu do estímulo maluco para adoção de agentes nas empresas — e falo sobre como ela chegou ao Brasil. Fui atrás de nomes que se posicionaram como “AI First” ou “AI driven”, como Nubank e iFood. Ninguém afirma que teve orçamento estourado, como o já caricato caso do Uber, mas a queima de tokens está no radar de todo mundo.

    Resultado: o rebote do tokenmaxxing é o tokenminning, o estímulo ao consumo consciente de tokens. Entre as várias estratégias, é interessante notar a mistura de modelos (um potente para planejar e outro mais barato para executar, por exemplo). Isso joga novamente luz sobre as IAs chinesas — o DeepSeek V4 Flash custa US$ 0,17 por milhão de tokens processados, enquanto o Fable 5, da Anthropic, custa US$ 18. Mas até isso pode mudar: apesar de mais caro que outros modelos conterrâneos, o Kimi K3, lançado pela Moonshot na quinta (*), ainda é mais barato que os rivais americanos e já dá indícios de apresentar desempenho semelhante — o interesse foi tão grande que a companhia precisou pausar novas assinaturas por restrição em poder computacional (**). A pressão para OpenAI e Anthropic vem de todos os lados.

    Confira a reportagem completa! (***)

    +em:
    (*) https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/18/moonshot-desafia-percepcao-de-vantagem-dos-eua-sobre-a-china-em-inteligencia-artificial.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (**) https://www.scmp.com/tech/article/3361172/kimi-k3-developer-suspends-new-subscriptions-amid-compute-constraints?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (***) https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/18/moonshot-desafia-percepcao-de-vantagem-dos-eua-sobre-a-china-em-inteligencia-artificial.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    (TRPCE)

  18. Miguel José Teixeira

    “OK, Computer” (IV)
    – Newsletter de tecnologia
    (Por Bruno Romani, O Globo, 20/07/26)

    Se liga

    1) Demis Hassabis, ganhador do Nobel de Química em 2024 e “o cara” da IA no Google, cometeu um textão no X, pedindo um órgão autorregulatório de IA nos EUA (*) — ficaria tudo na mão da indústria para evitar o que ocorreu com os modelos de OpenAI e Anthropic, que foram atrasados pela Casa Branca. Enquanto isso, 29 países do Sul global, incluindo o Brasil, criaram a Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico, na sigla em inglês), uma espécie de “ONU da IA”, que vai direcionar desenvolvimento, implementação e acesso da tecnologia no mundo. O novo órgão é uma iniciativa chinesa (**), e Europa e EUA não aderiram — os americanos contam com iniciativa própria junto a outros países, o Pax Silica (***).
    +em:
    (*) https://x.com/demishassabis/status/2076957440109625718?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (**) https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/editoria-2013-defeso-eleitoral/nota-a-imprensa-conjunta-mre-mcti-e-mgi-sobre-a-fundacao-da-organizacao-mundial-para-cooperacao-em-inteligencia-artificial-waico?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer
    (***) https://www.state.gov/pax-silica?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    2) Enquanto o Brasil tenta atrair data centers, o movimento de rejeição a essas estruturas começa a ganhar força em países desenvolvidos. No Japão, os cidadãos estão protestando contra essas instalações. Eles temem aumento do calor, ruído, risco de incêndios e perda de luz solar.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/18/moradores-protestam-contra-megacentros-de-ia-no-japao-por-risco-ambiental-entenda.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    3) A Thinking Machines, nova startup de Mira Murati, a ‘mãe do ChatGPT’, lançou o seu primeiro modelo de IA, o Inkling . Ele não mostrou nada que não seja padrão no campo dos LLMs, mas deve virar uma opção americana na era dos modelos abertos. Eu confesso que, até aqui, esperava mais dos executivos estrelas que deixaram a OpenAI.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/16/nova-empresa-da-mae-do-chatgpt-lanca-primeiro-modelo-de-ia-conheca.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    4) Hackearam o gerador de música Suno, e descobriram o que se imaginava: a companhia treinou seus modelos com dados indevidamente obtidos de YouTube Music, Deezer e Genius. Por essa ninguém esperava, hein.
    +em: https://www.404media.co/hack-reveals-suno-ai-music-generator-scraped-youtube-deezer-and-genius/utm_source=edg_newsletter_geral/?utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    5) Com o crescimento massivo de câmeras no espaço público, roupas que confundem sistemas de reconhecimento facial podem se tornar a grande estrela da moda.
    +em: https://www.theguardian.com/fashion/2026/jul/17/adversarial-clothing-are-garments-designed-to-confuse-facial-recognition-systems-about-to-go-mainstream?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    6) A China mandou desativar chatbots que pudessem gerar laços afetivos, especialmente em jovens — e deixou um rastro de corações partidos.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/15/decreto-de-pequim-deixa-chinesas-com-amantes-virtuais-de-coracao-partido.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    7) Parece inacreditável que o presidente de um país venda acesso exclusivo a posts de redes sociais para o mercado financeiro. Mas é o que Trump planeja fazer.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/16/truth-social-passa-a-vender-aos-bancos-e-corretoras-acesso-prioritario-as-postagens-de-trump.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    8) Cientistas mostraram como usar IA e computação quântica para a descoberta de novos medicamentos.
    +em: https://www.wired.com/story/scientists-using-ai-and-quantum-computing-to-generate-new-peptides/?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    9) Jill Tarter , radioastronoma, fundadora do Instituto SETI, amiga de Carl Sagan e inspiração para a personagem Ellie Arroway, do filme Contato, me deu uma ótima entrevista. Ela falou do impacto da IA na astronomia, de bilionários no espaço, de financiamento, de teorias da conspiração e até do ET de Varginha. Spoiler: ela não conhece o alienígena mais mineiro do universo. Mas conhece o carioca Ivan Lins.
    +em: https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/07/18/precisamos-encontrar-uma-maneira-de-nao-nos-destruirmos-diz-astronoma-que-busca-vida-extraterrestre.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsokcomputer

    10) Ainda está chateado com o desempenho da Seleção na Copa? O Brasil ainda pode ser campeão “olímpico” no futebol de robôs humanoides. E eu não vou fazer piadas com robôs que são “cai-cai” e um certo jogador.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2026/07/18/chateado-com-a-selecao-brasil-vai-buscar-titulo-olimpico-no-futebol-de-robos-humanoides.ghtml

    (TRPCE)

  19. Miguel José Teixeira

    Ei tio Sam, o PIX é nosso! Mas…
    o PIXuleco é da corja vermelha!

    📱 “Pix nos holofotes”
    (Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 20/07/26)

    O Pix está no centro da briga política e comercial (1) entre o Brasil e os Estados Unidos.

    Rebobinando…
    Na semana passada, Washington aplicou uma tarifa de 25% sobre 4.000 produtos brasileiros (2).
    A decisão foi anunciada após uma investigação realizada pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio do país) (3).

    A entidade analisou práticas comerciais em diversas áreas.
    O Brasil é acusado de conceder taxas mais baixas para produtos estrangeiros e excluir o país americano, de não combater o desmatamento efetivamente e de favorecer o Pix (4), prejudicando empresas dos EUA.

    Pano de fundo.
    A discussão não se restringe às bandeiras de cartão que temem perder receita e mercado com a expansão de novas tecnologias.
    Trata-se de uma disputa por poder (5).

    O governo dos EUA é conhecido por propor sanções que negam o acesso a bancos controlados por americanos.
    Se os países criam suas próprias soluções financeiras (6), isso reduz a capacidade de Washington de aplicar regras fora de seu território.

    O tamanho do Pix…
    Lançado em 2020, o sistema tem mais de 170 milhões de usuários, cerca de 80% da população.
    A quantidade total de transações bateu 7,7 bilhões em junho.

    … e dos cartões.
    As bandeiras movimentaram R$ 4,5 trilhões em 2025.
    Foram feitos 48,1 bilhões de operações.

    ➝ Você sabe quem inventou o Pix?
    Conheça, ou relembre, essa história (7).

    (TRPCE)

    +em:

    (1) “Após tarifaço, EUA negam querer acabar com o Pix”
    – Sistema de pagamento foi alvo de reclamações na investigação da seção 301 comandada pelo USTR.
    – Governo americano reconhece importância do Pix para brasileiros, mas quer igualdade competitiva.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/apos-tarifaco-eua-negam-querer-acabar-com-o-pix.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (2) “Entenda em 5 pontos o novo tarifaço dos EUA contra o Brasil”
    – Tarifa de 25% é resultado de uma investigação americana que mira pontos como Pix e etanol.
    – Lista de isenções tem mais de 2.100 itens, como café, frutas e partes para fabricação de aviões.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/entenda-em-5-pontos-o-novo-tarifaco-dos-eua-contra-o-brasil.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (3) “Governo Trump conclui investigação contra o Brasil e propõe novo tarifaço de 25%”
    – Processo teve início no ano passado e decisão final sobre novas sanções cabe ao presidente americano.
    – Escritório de comércio quer colher sugestões do setor privado antes de concluir investigação.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/governo-trump-conclui-investigacao-contra-o-brasil-e-propoe-novo-tarifaco-de-25.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (4) “Lula volta a defender Pix após tarifaço e diz que ‘contra o Brasil ninguém ganha mentindo'”
    – ‘Vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar’, diz presidente.
    – EUA confirmaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros na quarta-feira (15).
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/lula-volta-a-defender-pix-apos-tarifaco-e-diz-que-contra-o-brasil-ninguem-ganha-mentindo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (5) “Alvo dos EUA, Pix está no centro de disputa sobre quem controla os trilhos do dinheiro no mundo”
    – Embora o embate tenha origem na guerra comercial, a discussão gira também em torno de influência geopolítica e soberania digital e monetária.
    – Controle sobre meios de pagamento dá aos EUA poder para aplicar sanções.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/alvo-dos-eua-pix-esta-no-centro-de-disputa-sobre-quem-controla-os-trilhos-do-dinheiro-no-mundo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (6) “Trump transforma soberania brasileira em prática comercial desleal, diz jornal The Guardian”
    – Editorial critica ações de presidente dos EUA contra o Brasil e diz ser preocupante a atuação de família Bolsonaro como aliada.
    – Publicação cita Pix e medidas para responsabilizar plataformas digitais como atos de autonomia.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/07/trump-transforma-soberania-brasileira-em-pratica-comercial-desleal-diz-jornal-the-guardian.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (7) “Quem criou o Pix? Entenda como surgiu o sistema em meio à disputa entre Lula e Flávio”
    – Audiência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos recoloca autoria da modalidade em debate.
    – BC atribui desenvolvimento à equipe técnica; professora reivindica reconhecimento na Justiça.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/quem-criou-o-pix-entenda-como-surgiu-o-sistema-em-meio-a-disputa-entre-lula-e-flavio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

  20. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    Oi,

    Depois de 16 anos, a Espanha é campeã do mundo. O fim da Copa é o início de uma campanha eleitoral que promete ser mais dura, catimbada e renhida do que o jogo do domingo.

    Flávio Bolsonaro tinha a Copa inteira para resolver seus problemas internos com Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira, além de arranjar uma explicação minimamente convincente para os mais de R$ 65 milhões que recebeu do banqueiro corrupto Daniel Vorcaro. Perdeu tempo e agora entra numa temporada de caça. Até o registro da candidatura, em 5 de agosto, Flávio Bolsonaro será alvo de denúncias, vídeos e ataques para tentar convencer Jair Bolsonaro a substituí-lo. Uma pesquisa inédita Genial/Quaest mostra que 55% dos eleitores acreditam que o presidente Lula será reeleito e apenas 25% apostam na vitória de Flávio Bolsonaro. A vitória do presidente é a opinião majoritária em todas as regiões, gêneros, idades, nível escolar e religiões. Entre os eleitores independentes, 52% acreditam na vitória de Lula. Apenas 14% em Flávio Bolsonaro. Conversei com três dirigentes de partidos de direita nos últimos dias, e eles concordam que o risco da campanha bolsonarista é virar uma profecia autorrealizável: se a maioria acha que Flávio vai perder, ele acaba perdendo.

    Nesta newsletter, revelo quem será o porta-voz econômico escolhido por Lula para um eventual Lula 4. Spoiler: não é nenhum petista de carteirinha.

    Explico ainda como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, busca, com o novo tarifaço, encontrar no Brasil uma nova Delcy Rodríguez, a presidente da Venezuela que faz o que ele manda. Em um erro do qual irá se arrepender, ganhe ou perca a eleição de outubro, Flávio Bolsonaro vai descobrir que os EUA querem, lógico, aliados eleitos pelo mundo, mas ao mesmo tempo querem ganhar tudo e sempre. No fundo, querem um mundo de Delcys Rodríguez.

    Boa leitura!
    TT

    Nesta edição (abaixo replicados):

    1. ⁠A temporada de caça a Flávio
    2. Bolsonaro 2026 e Lula 2018
    3. Soltando o pino da granada
    4. A voz do chefe
    5. Em busca de uma Delcy Rodríguez
    6. Obscurantismo eleitoral
    7. Fique atento

    (TRPCE)

  21. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann (1)
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    A temporada de caça a Flávio

    Os três meses consecutivos de crise na campanha do senador Flávio Bolsonaro começam a cobrar seu preço. Um recorte inédito da pesquisa Genial/Quaest (1) mostra que 55% dos eleitores acreditam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será reeleito em outubro. Apenas 25% apostam na vitória de Flávio Bolsonaro. A vitória do presidente é a opinião majoritária em todas as regiões, gêneros, idades, nível escolar e religiões. Entre os evangélicos, fortaleza do bolsonarismo, Lula é considerado o provável vencedor por 45% a 36% para o senador. Mesmo entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o levantamento mostra uma degradação na confiança das chances do candidato: entre os que se identificam com direita não-bolsonarista, o índice dos que acreditam na vitória da oposição caiu de 67% em abril para 46% em julho. Entre os bolsonaristas raiz, a variação foi de 80% para 72%. Entre os eleitores independentes, na prática os que decidem a eleição, 52% creem na vitória de Lula. Apenas 14% acreditam em Flávio Bolsonaro.

    Faltando onze semanas para o primeiro turno, o fato de Lula ser o favorito não significa que o jogo está jogado. Na política brasileira, falta um século até a eleição. No entanto, o fato de que tanta gente desconfia das chances de Flávio Bolsonaro tem implicações políticas imediatas. Um eleitor pode votar no candidato que defende suas propostas mesmo achando que ele vai perder. Um político, porém, terá muito mais cautela em embarcar num barco afundando.

    No domingo que vem, o PL faz a convenção para sacramentar a candidatura de Flávio Bolsonaro e, por enquanto, só deve atrair partidos nanicos. Maior federação do Congresso, PP e União Brasil ficarão neutros. O Republicanos também resiste a um apoio formal. É grande a possibilidade de Bolsonaro ter menos tempo de propaganda de rádio e TV do que Lula.

    A fragilidade de Flávio Bolsonaro abriu a temporada de caça por uma improvável substituição do candidato. Conversei com três dirigentes de partidos de direita nos últimos dias, e eles concordam que o risco da campanha bolsonarista é virar uma profecia autorrealizável: se a maioria acha que Flávio vai perder, ele acaba perdendo.

    Mesmo dentro da campanha há o temor de que, nas próximas semanas, aumentem os ataques para convencer Jair Bolsonaro a substituir o filho por outro candidato. São três as frentes de ataques no radar:

    • Caso Vorcaro – A divulgação da fotografia (2) na piscina da cobertura do hotel Fasano, no Rio de Janeiro, de Flávio Bolsonaro com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” do banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, foi compreendida como um alerta de que outras imagens podem surgir em breve. Ninguém na campanha dorme tranquilo, com medo de um vídeo comprometedor de Flávio com Vorcaro.

    • Governo do Rio – As investigações em curso (3) sobre a corrupção no governo Cláudio Castro sugerem que Flávio Bolsonaro controlava algumas secretarias envolvidas em licitações fraudadas.

    • Um novo vídeo de Michelle – Descartada por Flávio Bolsonaro e atacada violentamente pela guerrilha de Eduardo Bolsonaro, nada impede a madrasta Michelle de divulgar novos ataques (4). No último, ela deixou uma ameaça no ar: “Eles (os irmãos Bolsonaro) me tratam como se eu fosse idiota. Como se eu fosse alguém que chegou ontem. Eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam”.

    Num ataque de sinceridade, Flávio Bolsonaro reconheceu na semana passada, em entrevista ao Flow Podcast, não ter mais nenhuma relação com a madrasta. Depois de Eduardo Bolsonaro coordenar ataques nas redes sociais, a campanha de Bolsonaro está também distante de outros dois líderes da oposição, o governador Tarcísio de Freitas e o deputado Nikolas Ferreira.

    Os adversários sentiram o sangue na água (5). Nos últimos dias, Ronaldo Caiado, do PSD, que até agora fazia uma campanha mais bolsonarista que o próprio Flávio, passou a mostrar um tantinho de coragem. Com luvas de pelica para não ferir os sentimentos dos eleitores bolsonaristas, Caiado argumenta que Flávio teria uma derrota certa no segundo turno contra Lula, ao contrário do que supostamente aconteceria se ele chegasse à reta final. Com luvas de boxe, Renan Santos, do Missão, escolheu como candidato a vice um tenente-coronel da Brigada Militar gaúcha que se apresenta como um “verdadeiro bolsonarista” e acusa Flávio de ter “traído os ideais” defendidos pelos que votaram no pai em 2018.

    Na avaliação dos líderes da direita, os ataques especulativos contra Flávio Bolsonaro duram até 5 de agosto, prazo para o registro da candidatura. Em tese, um novo escândalo até lá poderia fazer Jair Bolsonaro retirar o nome do filho. No plano de alguns políticos, se Flávio Bolsonaro ficar inviável, poderia surgir uma nova chapa com Ronaldo Caiado e Michelle Bolsonaro como vice. Por enquanto, é só sonho. O fato de alguns políticos investirem nesse sonho, porém, comprova a fragilidade de Flávio Bolsonaro neste momento.

    +em:
    (1) https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/07/os-cinco-recados-da-pesquisa-genialquaest-para-a-campanha-de-flavio-bolsonaro-na-esteira-do-conflito-com-michelle.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
    (2) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/07/o-impacto-da-selfie-de-flavio-bolsonaro-com-sicario-nas-redes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
    (3) https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/07/13/rio-tem-r-718-bilhoes-em-contratos-e-recursos-publicos-sob-investigacao-por-corrupcao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
    (4) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/26/video-de-michelle-divide-bolsonarismo-e-pressiona-flavio-no-voto-feminino-e-evangelico.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
    (5) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/17/jogo-politico-caiado-e-zema-mudam-de-estrategia-sobre-ataques-a-flavio-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  22. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann (2)
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    Bolsonaro 2026 e Lula 2018

    É uma ironia da história que Jair Bolsonaro repita hoje um roteiro similar ao de Lula em 2018. Condenado naquele momento a 12 anos de prisão por corrupção, Luiz Inácio Lula da Silva recebeu inúmeros conselhos para indicar Ciro Gomes como seu candidato a presidente em 2018. Ouviu e recusou. Insistiu em ser ele mesmo o candidato até que o registro da candidatura fosse cassado, semanas antes do pleito, e Fernando Haddad assumisse a candidatura. Haddad perdeu, mas Lula manteve a esquerda unida em torno de si. Em 2022, com as condenações anuladas, ele voltou à Presidência. Ciro Gomes nunca o perdoou.

    Condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro foi pressionado até o limite para escolher Tarcísio de Freitas como seu candidato. Ouviu e recusou. Indicou o filho Flávio, que rapidamente herdou os votos do bolsonarismo, mas hoje sofre com a sua escandalosa relação com Daniel Vorcaro. Novamente, Bolsonaro recebe pressão para substituir Flávio, mas é altamente improvável que isso aconteça.

    Assim como Lula em 2018, Jair Bolsonaro em 2026 prefere perder a eleição a vencer com alguém que não lhe é absolutamente fiel. Por essa analogia, mesmo a derrota ainda garantiria aos Bolsonaros a liderança da oposição e a possibilidade de voltar ao poder em 2030.

    (TRPCE)

  23. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann (3)
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    Soltando o pino da granada

    Na berlinda, a campanha de Flávio Bolsonaro pode antecipar a divulgação de diálogos do celular da empresária Roberta Luchsinger com o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A intenção inicial era guardar o material para agosto.

    (TRPCE)

  24. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann (4)
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    A voz do chefe

    O presidente Lula decidiu que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, será o seu porta-voz sobre os planos econômicos de um novo mandato.

    Isso significa que quem quiser antecipar o que será um eventual Lula 4 deve ler com mais atenção o projeto de Orçamento que será enviado ao Congresso no fim de agosto do que o programa de governo preparado pelo PT.

    +em: https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/noticia/2026/03/19/quem-e-dario-durigan.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  25. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann (5)
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    Em busca de uma Delcy Rodríguez

    Os repórteres Tyler Pager e Anatoly Kurmanaev, do jornal The New York Times, revelaram na semana passada como o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está governando a Venezuela pelo telefone (*). Com autorização da presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, o Tesouro dos EUA recebe a receita da maior parte das exportações do país e depois devolve por meio do sistema bancário, “em uma relação semelhante à dos pais distribuindo auxílios para filhos. Rubio e sua equipe estabeleceram as condições para o que esse dinheiro pode ser gasto, e por quem”, afirma o Times. O novo tarifaço sugere que, para os americanos, Flávio Bolsonaro é candidato a ser uma nova Delcy Rodríguez.

    Pré-candidato à sucessão de Donald Trump em 2028, Rubio usa a América Latina como sua plataforma, se equilibrando no discurso intervencionista dos neoconservadores com o isolacionismo do movimento Maga (“Faça a América grande novamente”). Para os primeiros, Rubio reciclou o discurso do “perigo comunista” da influência chinesa nos governos de esquerda. Para o Maga, ressalta as vantagens que os trabalhadores e empresários americanos terão com administrações dóceis pelo continente. O tarifaço contra o Brasil, anunciado na quarta-feira (15), é só uma peça nesse quebra-cabeça.

    O primeiro tarifaço, de julho do ano passado, foi pedido por Eduardo Bolsonaro, que convenceu o entorno de Donald Trump de que as pressões econômicas e jurídicas norte-americanas seriam suficientes para fazer com que o Supremo Tribunal Federal liberasse a candidatura de Jair Bolsonaro. As tarifas unilaterais, no entanto, eram tão flagrantemente ilegais que o escritório de comércio dos EUA (USTR) iniciou uma série de “investigações de práticas ilegais” para dar sustentação jurídica às sobretaxas, não apenas contra o Brasil, mas especialmente contra China, Índia e União Europeia. Quando a Justiça derrubou o tarifaço de 2025, os processos do USTR se tornaram o eixo legal para a política de tarifas de Trump. Nunca houve uma negociação de boa-fé entre os países. O USTR só buscava cumprir os prazos para não ter um novo revés na Justiça.

    Rubio recebeu os vários recados da família Bolsonaro de que o novo tarifaço ajuda Lula, mas não havia como recuar. O máximo que ele pode fazer foi o post grosseiro dizendo que o ego de Lula impediu a negociação que nunca existiu.

    Como mostrou em artigo na Folha o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, a proposta norte-americana era inaceitável. Ela obrigava o Brasil a zerar as tarifas de etanol sem compensação, dar ao USTR a possibilidade de padronizar os preços de commodities “para mitigar a avassaladora competitividade do agronegócio brasileiro”, eliminar tarifas para produtos químicos, veículos e medicamentos exclusivamente para os EUA, impedir a venda de empresas de minerais para “entidades estrangeiras de preocupação” (ou seja, a China) e zerar as tarifas para carros americanos. Só Delcy Rodríguez aceitaria este pacote.

    Nesta semana, o governo americano vai impor ao Brasil e a outros 53 países uma nova sobretaxa (**), agora de 12,5%, sob o pretexto de que estes mercados compram produtos de “nações que usam trabalho forçado”, um eufemismo para as exportações chinesas.

    A primeira lição a ser aprendida com essa segunda onda tarifária é que ela mira os interesses eleitorais nos Estados Unidos, não os do Brasil. Os EUA pretendem ajudar Flávio Bolsonaro, mas não o suficiente para desviar da sua agenda interna.

    Isso significa também que, se Lula for reeleito, é previsível que apareçam outras medidas contra o Brasil. E a natureza do governo Lula não é ceder, mas se afastar, o que vai gerar mais atrito. Só a China tem a ganhar com a disputa.

    A diplomacia foi organizada em torno do aforismo de lorde Palmerston (1784-1865), “não existem aliados permanentes, nem inimigos permanentes, apenas interesses permanentes”. Com Rubio, há uma contradição. Os EUA querem, lógico, aliados eleitos pelo mundo, mas ao mesmo tempo querem ganhar tudo e sempre. No fundo, querem um mundo de Delcys Rodríguez.

    +em:
    (*) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/07/13/controle-sobre-financas-decisoes-e-ate-politica-externa-como-secretario-de-estado-dos-eua-governa-a-venezuela-a-distancia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
    (**) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/16/governo-reconhece-que-eua-devem-aplicar-nova-taxa-de-125.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  26. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann (6)
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    Obscurantismo eleitoral
    Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral foi o guardião da razão em meio à campanha de fake news conduzida por Jair Bolsonaro contra as urnas eletrônicas. Em 2026, sob a condução do ministro Kássio Nunes Marques, o TSE atua na direção contrária, como defensor de iniciativas obscurantistas paridas pela pior parcela do Congresso contra pesquisas eleitorais.

    Durante a semana, Nunes Marques propôs em uma reunião com 16 empresas de pesquisa a concessão de um “selo de acurácia eleitoral” (*) para quem mais acertar resultados na eleição de outubro. É daquelas ideias que deixam a dúvida se é um caso de ignorância ou de má-fé.

    A proposta foi feita pelo ministro em busca de uma saída para a “regulamentação das pesquisas”, um buraco cavado por ele mesmo após censurar um levantamento (**) da Atlas/Bloomberg a pedido de Flávio Bolsonaro. Quem poderia imaginar que um erro crasso levaria a uma péssima ideia, capaz de produzir outro pior ainda, não é mesmo?

    Estagiários do TSE e estudantes de estatística sabem que pesquisas eleitorais não são previsões do resultado de uma eleição. Usam métodos estatísticos, com comprovação científica, para estimar a intenção de voto em determinado momento. Como se sabe — ou se deveria saber no Congresso e no TSE —, intenção de voto e voto não são a mesma coisa.

    Como acontece com a maioria das péssimas ideias, essa não é nova. Está na praça desde 2022, inserida pela Câmara numa proposta de reforma do Código Eleitoral. Sobreviveu na passagem ao Senado, sob a relatoria do hoje ministro Alexandre Silveira. O Código nunca foi votado.

    A função real do tal selo é intimidar as empresas para, em seguida, procurar restringir suas atividades. Parte do Congresso deseja manter o eleitor às escuras durante a campanha. Assim como a luz do Sol é o melhor detergente (como dizia o juiz Louis Brandeis, da Suprema Corte americana), a escuridão é essencial para a sobrevivência de malfeitos.

    O erro de Nunes Marques coloca em risco não só sua gestão, mas a autoridade do TSE no momento mais crucial. O tribunal pode se tornar não a última instância das disputas eleitorais, mas uma instância de passagem, com os conflitos sendo levados ao STF. Tudo que o país não precisa agora é de uma Justiça Eleitoral enfraquecida.

    +em:
    (*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/14/tse-propoe-premio-a-institutos-de-pesquisa-que-mais-se-aproximarem-dos-resultados-da-eleicao-e-enfrenta-resistencias-das-empresas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
    (**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/08/nunes-marques-atende-a-pedido-de-flavio-e-suspende-pesquisa-eleitoral-por-possivel-inducao-dos-entrevistados.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  27. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann (7)
    (Newsletter)
    O Globo, 20/07/26

    Fique atento

    • O governo norte-americano anuncia uma nova sobretaxa sobre os produtos brasileiros e de outros 53 países, agora de 12,5% por importação de produtos feitos com “trabalho forçado” (ou seja, chineses).
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/16/apos-tarifaco-eua-avaliam-ainda-taxa-de-125percent-ao-brasil-por-acusacao-ligada-a-trabalho-forcado.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    • Contrariando a vontade inicial do presidente Lula, os ministérios da Fazenda e da Indústria e Comércio vão seguir buscando evitar uma retaliação aos tarifaços.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/07/17/nao-cabe-falar-em-retaliacao-diz-ministro-da-fazenda-sobre-tarifas-dos-eua.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    • A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro recorre da decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de proibir visitas com finalidade “político eleitoral” até o fim das eleições. Alexandre não autorizou a visita do presidente argentino Javier Milei a Bolsonaro.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/17/moraes-mantem-bolsonaro-em-prisao-domiciliar-apos-receber-manifestacoes-sobre-carta-lida-por-flavio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    • Nesta segunda-feira, o PDT abre a temporada de convenções (*) confirmando o seu apoio à reeleição de Lula. O calendário das convenções vai até 4 de agosto:

    • 20 de julho – PDT apoia Lula
    • 25 de julho – PL confirma Flávio Bolsonaro
    • 26 de julho – PSD confirma Caiado
    • 27 de julho – Novo confirma Zema
    • 27 de julho – MDB fica neutro
    • 27 de julho – PP fica neutro
    • 29 de julho – PSB apoia Lula
    • 30 de julho – Republicanos pode ficar neutro
    • 1º de agosto – Missão confirma Renan Santos
    • 2 de agosto – PT confirma Lula
    • 4 de agosto – União Brasil fica neutro

    (*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/19/quem-sera-o-vice-de-flavio-para-onde-vao-pp-e-uniao-as-principais-perguntas-as-vesperas-das-convencoes-partidarias.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    • Às vésperas da convenção marcada para o dia 25, Flávio Bolsonaro tenta um acordo com o Republicanos que lhe permita anunciar a desconhecida Daniella Marques como sua candidata a vice.

    • Em Minas, o PL tenta um acordo com o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos. Líder nas pesquisas, Cleitinho quer distância do caso Master. Ainda em Minas, o PT anuncia na segunda-feira (20) a candidatura do deputado Patrus Ananias ao governo. Sem opção, o PT sacrifica um militante histórico.

    • O PL promete ingressar com ação para censurar a pesquisa Genial/Quaest que mostrou Bolsonaro atrás na disputa.

    • Na sexta-feira (24), o Datafolha divulga nova pesquisa presidencial.

    • O Congresso só volta a trabalhar em agosto. O meu, o seu, o nosso bolso agradece.

    (TRPCE)

  28. Miguel José Teixeira

    “Análise com IA em mais de sete mil processos detalha como atuam os quatro grupos de ministros do STF”
    – Levantamento do GLOBO mostra que a “geopolítica” da Corte tem um núcleo mais sólido, porém menos numeroso e muitas vezes vencido.
    (Por Dimitrius Dantas e Pepita Ortega — Brasília, O Globo, 20/07/26)
    . . .
    “Uma análise de mais de sete mil processos com inteligência artificial revela a “geopolítica” do STF, composta por quatro blocos de ministros. O grupo mais coeso, formado por André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, é frequentemente isolado. Outros blocos, com alianças mais fluidas, incluem ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A pesquisa destaca as afinidades e divergências que moldam as decisões da Corte.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/20/analise-com-ia-em-mais-de-sete-mil-processos-detalha-como-atuam-os-quatro-grupos-de-ministros-do-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  29. Miguel José Teixeira

    (*) E nós, burros de cargas/eleitores,
    a “nos perguntarmo-nos”:
    – votar no roto ou no amarrotado?

    “Quem será o vice de Flávio? Para onde vão PP e União? As principais perguntas (*) às vésperas das convenções partidárias”
    – Período começa amanhã e vai até 5 de agosto; também há pendências em alianças estaduais.
    (Por Caio Sartori, O Globo, 20/0726)
    . . .
    “Às vésperas das convenções partidárias, que acontecem até 5 de agosto, questões cruciais permanecem em aberto. Flávio Bolsonaro ainda define seu vice, enfrentando dificuldades em atrair alianças, enquanto a federação PP-União Brasil e Republicanos tendem à neutralidade, beneficiando Lula. Em Minas, Cleitinho (Republicanos) não confirma candidatura ao governo, afetando palanques estaduais. Michelle Bolsonaro, após desavenças familiares, não confirma candidatura ao Senado pelo DF.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/19/quem-sera-o-vice-de-flavio-para-onde-vao-pp-e-uniao-as-principais-perguntas-as-vesperas-das-convencoes-partidarias.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  30. Miguel José Teixeira

    “48 seleções, artilheiros, Trump e Fifa: o que deu certo e errado na maior Copa de todos os tempos”
    – O GLOBO faz balanço com o que melhor e pior aconteceu no Mundial que terminou ontem com o título da Espanha.
    (Por GLOBO, 20/07/26)
    . . .
    “A Copa do Mundo, encerrada com o título da Espanha, destacou-se por boas histórias e polêmicas extracampo. A expansão para 48 seleções trouxe novidades como Cabo Verde e Curaçao, enquanto a disputa acirrada entre artilheiros como Mbappé e Messi foi marcante. Contudo, a proximidade de Trump com Infantino levantou questões sobre interferência política e falta de transparência da Fifa. A política de ingressos e eventos paralelos também geraram críticas.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/07/20/48-selecoes-artilheiros-trump-e-fifa-o-que-deu-certo-e-errado-na-maior-copa-de-todos-os-tempos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  31. Miguel José Teixeira

    Tetra vice!

    “A Argentina igualou uma marca negativa na história das Copas do Mundo. Com a derrota para a Espanha por 1 a 0, neste domingo (19), em Nova Jersey, nos Estados Unidos, a Albiceleste igualou a Alemanha como recordista de vices na competição. Afinal, foi a quarta vez que perderam uma disputa de título mundial na história.”
    +em: https://www.terra.com.br/esportes/futebol/internacional/alemanha/argentina-iguala-recorde-com-mais-vices-em-copas-do-mundo,fd705a39b7f390c1399f9d6091356441qfyaj450.html

    Só, felizmente, ainda não fez 7 a 1 na Canarinho!

  32. Miguel José Teixeira

    Corja vermelha,
    modo “boca de siri”!

    “Tarifa de 67% trava exportações de carne para a China”
    – Brasil esgota cota anual, enfrenta sobretaxa e setor aguarda negociações para reduzir impactos nas exportações de carne bovina.
    (Por Luna Amaro, Agro em Campo, Portal iG, 19/07/26)

    > A China impôs tarifa total de 67% sobre exportações de carne bovina brasileira que ultrapassam a cota anual de 1,106 milhão de toneladas, tornando exportações excedentes economicamente inviáveis.

    > O governo chinês não sinalizou negociações para revisão das tarifas, que permanecerão por três anos, dificultando a retomada do volume de exportações para o principal mercado do setor.

    > A redução nas exportações para a China pode aumentar a oferta interna de carne no Brasil, pressionando preços, enquanto indústrias buscam ampliar vendas em outros mercados para minimizar impactos.

    +em: https://agroemcampo.ig.com.br/2026/noticias/tarifa-de-67-trava-exportacoes-de-carne-para-a-china/

  33. Miguel José Teixeira

    “O golpe se voltou contra quem o desferiu”
    – A tentativa de punir Flávio e a ofensiva de Trump contra o Brasil podem produzir o efeito contrário e favorecer seus alvos.
    (Nuno Vasconcellos, Último Seguno, Portal iG, 19/07//26)

    O calendário eleitoral avança. Nesta semana terá início a temporada de convenções partidárias e, com elas, haverá uma mudança formal, porém importante, no cenário da disputa. Daqui por diante, os políticos que disputarão cargos eletivos este ano poderão ser chamados de candidatos — algo que já eram há muito tempo, mas que não podiam dizer. A convenção nacional do PL, de Flávio Bolsonaro, será no sábado, 25 de julho. A do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrerá na próxima semana, dia 2 de agosto.

    Os candidatos não precisarão recorrer a subterfúgios para pedir voto ao eleitor. No Brasil é assim: o Código Eleitoral é rígido e estabelece uma série de restrições a quem vai disputar eleições. Mas a impressão que fica é a de que os postulantes aos cargos nem ligam para isso.

    Até o dia 4 deste mês, por exemplo, Lula, Tarcísio Gomes de Freitas, de São Paulo, e os outros governadores que disputarão a reeleição participaram de dezenas de inaugurações de obras de suas gestões. Os eventos nada mais foram do que comícios. Eles falavam e agiam como candidatos, distribuíam tapinhas nas costas dos correligionários — só não podiam se apresentar como candidatos.

    Malha fina
    Mais de uma vez, nessas ocasiões, os limites da lei eleitoral foram ultrapassados. Dias atrás, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo se manifestou favorável à aceitação de uma denúncia contra o presidente Lula. O motivo foi um pedido explícito de votos para as candidatas que apoiará na disputa pelo Senado em São Paulo, Simone Tebet e Marina Silva — suas ex-ministras. A punição é multa de R$ 5.000 a R$ 25.000.

    Será que o presidente está preocupado com isso? Não parece. Em 2024, Lula fez exatamente o mesmo: pediu votos antes da hora para o então candidato Guilherme Boulos, do Psol, que disputou a Prefeitura de São Paulo com o apoio do PT. Até hoje, mais de dois anos depois, não há registro do pagamento da multa, reduzida de R$ 20.000 para R$ 15.000.

    São tantos os casos em que a Justiça parece inerte diante do descumprimento das normas eleitorais que, quando alguém cai na malha fina, é inevitável que o episódio atraia atenção. Na última segunda-feira, o ministro Alexandre de Moraes tomou decisões que atingem em cheio a candidatura (ou melhor, a pré-candidatura) de Flávio Bolsonaro.

    O episódio girou em torno da carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, lida por Flávio em suas redes sociais. Na tentativa de reorganizar as forças de apoio ao PL, o ex-presidente, que cumpre em regime domiciliar a pena de prisão a que foi condenado pelo STF, disse que seus apoiadores deveriam deixar as “possíveis diferenças” de lado e se unir em torno da candidatura de seu filho mais velho.

    Consequências inesperadas
    A reação de Moraes (*), que cuida do caso, não tardou. Rigoroso, como costuma ser quando se trata de qualquer ação que envolva a família Bolsonaro, ele endureceu o jogo e proibiu Flávio de ter contato com o pai por 90 dias — o que os manterá afastados durante todo o processo eleitoral. Também solicitou à Justiça Eleitoral que avalie o possível descumprimento da lei por campanha eleitoral antecipada.

    No calor dos acontecimentos, emergiu a suspeita de que a intenção de Flávio, ao divulgar amplamente a carta, foi justamente a de provocar a reação do ministro. Como se o golpe tivesse se voltado contra quem o desferiu. A decisão ampliou o alcance político da carta, conferiu relevância nacional ao episódio e recolocou o nome de Jair Bolsonaro no centro da campanha justamente às vésperas das convenções partidárias.

    Os movimentos da política às vezes têm consequências estranhas. O contencioso comercial com os Estados Unidos, por exemplo, é um desastre para o Brasil. Na semana passada, o governo americano aplicou tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros — e é cada vez mais evidente que a decisão foi estimulada pela postura do Itamaraty, que, em vez de negociar, preferiu não conversar com Washington.

    Assim como a decisão de Moraes pode acabar projetando ainda mais o nome de Flávio Bolsonaro, a decisão do governo de Donald Trump, que parece mirar o governo brasileiro, pode render dividendos eleitorais a Lula. Por essas e outras, a campanha deste ano promete fortes emoções. É esperar para ver.

    (Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2026-07-19/o-golpe-se-voltou-contra-quem-o-desferiu.html)

    (*) “Moraes determina depoimento de Flávio Bolsonaro à PF”
    – Ministro do STF marcou oitiva para o dia 28 de julho após defesa pedir novo prazo em investigação sobre suposta calúnia contra o presidente Lula.
    +em: https://ultimosegundo.ig.com.br/2026-07-17/moraes-determina-depoimento-de-flavio-bolsonaro-a-pf.html

  34. Miguel José Teixeira

    “Lula recebeu ao menos 16 estrangeiros enquanto esteve preso”
    – Atual presidente encontrou de ex-chefes de Estado a intelectuais e ativistas; o petista cumpriu pena em Curitiba, de 2018 a 2019.
    (Poder360, 19/07/26)

    O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu a visita de, pelo menos, 16 autoridades, intelectuais e ativistas internacionais ao longo de seus 580 dias de prisão, em 2018 e 2019. O Poder360 compilou dados de veículos de comunicação de grande circulação e publicações de canais institucionais ligados ao presidente.

    Entre as visitas recebidas por Lula na cadeia, estão o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica (1935-2025), o então candidato à Presidência da Argentina Alberto Fernández, o ex-presidente do Parlamento Europeu Martin Schulz e o filósofo e linguista Noam Chomsky.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-recebeu-ao-menos-16-estrangeiros-enquanto-esteve-preso/

  35. Miguel José Teixeira

    “Governo Lula se apagou por medo de Mendonça”
    – Decisão inédita de tirar do ar publicações levou a protestos de entidades jornalísticas e escancara degradação institucional do Brasil.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 19/07/26)

    A administração pública federal simplesmente tirou do ar em 4 de julho (1) todos os registros que considera passíveis de serem interpretados como propaganda durante o período eleitoral.

    A medida inédita, instruída pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) e pela Advocacia-Geral da União (AGU), responde por um nome: André Mendonça (foto).

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) indicado por Jair Bolsonaro não determinou a exclusão dos conteúdos, entre eles cerca de 150 mil produções da Agência e da TV Brasil. Mas o chefe da Secom, Sidônio Palmeira, não quis dar sopa para o azar, como apurou O Antagonista.

    Mendonça comanda as eleições deste ano ao lado de Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também indicado por Bolsonaro para o STF.

    O ministro “terrivelmente evangélico” é vice-presidente do TSE e atuará na análise da propaganda eleitoral (2).

    Exagero
    A preocupação exagerada de Sidônio com possíveis decisões do TSE levou até órgãos da administração pública, como ministérios, a apagarem perfis de rede social, diante da impossibilidade de omitir os conteúdos durante o período de defeso eleitoral, que vai até 25 de outubro.

    A decisão levou a protestos públicos de entidades de jornalismo, que viram “um ataque direto à autonomia em relação ao governo determinada pela legislação que criou a EBC”.

    O inédito apagamento estratégico escancara também o nível de degradação institucional do Brasil.

    Degradação
    A eleição de 2022 já tinha sido poluída pelos desafios de Bolsonaro ao sistema eleitoral, especialmente às urnas eletrônicas, e o ministro Alexandre de Moraes, então presidente do TSE, só aumentou as desconfianças dos bolsonaristas com sua atuação voluntariosa.

    Esse clima de desconfiança levou ao acampamento de milhares de pessoas em frente a quartéis após o anúncio da vitória de Lula e, dias depois, à depredação da Praça dos Três Poderes no 8 de janeiro.

    Como destacou Crusoé na reportagem de capa da edição 424 (3), há hoje uma disputa entre os ministros do TSE e do STF para saber quem vai mandar mais na eleição deste ano.

    E dificilmente algo de bom sairá desse confronto.

    Leia mais: Brasil apodrece às vésperas da eleição
    – País teve na Lava Jato a oportunidade de expiar boa parte de seus pecados, mas o mundo político e parte relevante da população optaram por rejeitá-la
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/brasil-apodrece-as-vesperas-da-eleicao/

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/governo-lula-se-apagou-por-medo-de-mendonca/)

    (1) “EBC apaga os rastros”
    – Despublicação de conteúdos da Agência e da TV Brasil sugere prudência, mas soa como tentativa de esconder aquilo que não deveria ter sido feito.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/ebc-apaga-os-rastros/

    (2) “Mendonça vai atuar na análise da propaganda eleitoral, decide Nunes Marques”
    – Portaria foi publicada no Diário Oficial da União; líder do PL na Câmara dos Deputados disse ver a decisão com “esperança”.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/mendonca-vai-atuar-na-analise-da-propaganda-eleitoral-decide-nunes-marques/#google_vignette

    (3) “Quem decide a eleição”
    – Intervenções do STF e do TSE deixam o eleitor em segundo plano.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/quem-decide-a-eleicao/#google_vignette

  36. Miguel José Teixeira

    “Ciranda política”
    – Vença quem vencer a eleição deste ano, seremos reféns do passado até pelo menos 2030, quando haverá uma nova safra de políticos à disposição dos eleitores.
    (Por Merval Pereira, O Globo, 19/07/26)

    Vença quem vencer a eleição deste ano, seremos reféns do passado até pelo menos 2030, quando haverá uma nova safra de políticos à disposição dos eleitores, o que não acontece desde 1994, quando Fernando Henrique (*), um presidente ocasional como ele gosta de se definir, surgiu no cenário nacional fruto de uma visão moderna da política trazida pelo PSDB, que rompeu com o desgastado MDB devido aos mesmos problemas que vivemos hoje, especialmente a corrupção.

    O hoje presidente Lula envelheceu no poder, de um renovador apresentado ao eleitorado em 1989 a um velho oligarca que hoje comanda um partido político, o PT, que caminha para a obsolescência assim que seu único líder se retirar da política, pela derrota este ano ou até 2030, ao terminar um possível quarto mandato presidencial. Se alguma intercorrência, de saúde ou política, impedir que termine o eventual mandato, seu substituto será o vice Geraldo Alckmin, outra raposa política vinda dos tucanos para o petismo, capaz de cantar a Internacional Socialista com a mesma entonação monocórdica com que acusava Lula de ter roubado na eleição presidencial que disputaram entre si em 2006.

    Nem Lula é esquerdista, como ele mesmo diz, muito menos Alckmin, mas os dois encontraram-se no terceiro governo de Lula como uma solução para aquietar a classe média de centro. O PSDB, seu berço político, não é nem sombra hoje do que já foi, e para isso o destino foi cruel com os brasileiros. Sendo um presidente sem vícios da política tradicional, saído da Academia diretamente para o Senado com um eleitorado de opinião, Fernando Henrique não tinha gosto pelas artimanhas partidárias, preferia a arte da política com P maiúsculo. No varejo partidário, ajudavam-no o ex-ministro Sérgio Motta, um “trator” político, e o ex-governador e ex-presidente da Câmara Luís Eduardo Magalhães, um fino político de raízes profundas no nordeste e nas tramas de bastidores de Brasília.

    Ambos morreram sem garantir ao PSDB a continuidade de seu projeto, interrompido pela assunção do líder operário Lula. Para se livrar da concorrência da social-democracia tucana, os petistas inventaram de taxar de direitistas políticos como José Serra, Fernando Henrique, Mário Covas, mas a verdade é que aconteceu com o PSDB o contrário do PL bolsonarista de hoje. Os tucanos foram a força política capaz de derrotar o petismo, e a direita, àquela altura com vergonha de se declarar, levou o PSDB ao poder duas vezes no primeiro turno e várias vezes para o segundo turno, com chances claras de vencer em 2014 com Aécio Neves, que hoje lidera um PSDB minguado que tende a apoiar o bolsonarismo a pretexto de ser antipetista.

    A direita hoje está refém da extrema direita liderada por Bolsonaro, e era liderada pela social-democracia quando existia o PSDB original. O faro elogiável de Alckmin confirmou-se, portanto. Um político que era considerado amorfo pela esquerda, o atual vice na verdade tinha fortes raízes sociais, tanto que escolheu ir para o PT a ficar num PSDB, este sim, amorfo. É como o eleitor órfão dos tucanos, que hoje vota no PT para evitar a vitória de Bolsonaro. Nunca mais, desde o Plano Real, tivemos governos com projeto de país, mas governos que se opõem aos adversários pela negação do outro, sem que apresentem ao eleitorado luzes para o desenvolvimento nacional.

    As ações de natureza social, indispensáveis, iniciadas pelos tucanos e aprofundadas pelo petismo, encerraram-se em si mesmas, sem que dessem início a uma retomada de projeto de país para além das decisões compensatórias. O bolsonarismo chegou a bordo de uma farsesca luta antissistema e anticorrupção, com o objetivo de destruir o que fora construído, colocando no lugar um governo golpista que não convive com as regras democráticas. Estamos neste ponto.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/coluna/2026/07/ciranda-politica.ghtml)

    (*) O terceito melhor presidente que o Brasil já teve:
    https://s2-oglobo.glbimg.com/lTy-u4jH7qAvm7I8ZWq04PMjgJs=/0x0:597×480/888×0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2023/Q/K/vy35wQTNWLflN6QSdtAg/100595529-fernando-henrique-cardoso-o-fhc.jpg
    Antes dele, Getulio Vargas e Juscelino Kubitschek, com uma “beiradinha” para o Michel Temer. . .
    O resto. . .
    Bom.
    O resteo é o resto!!!

  37. Miguel José Teixeira

    Parasitários virtuais, mas. . .
    com elevados custos reais !

    “Senado virtual”
    (Denise Rothenburg e Eduarda Esposito, Coluna Brasília-DF, CB, 19/07/29)

    Das 38 sessões deliberativas (de votações), realizadas de fevereiro a julho no plenário do Senado, apenas 14 delas foram presenciais, exigindo-se a presença física dos senadores. Ou seja, em mais da metade dessas reuniões imperou o recurso do Infoleg — o sistema de votação on-line que funcionou na época da pandemia. Em julho, em todas as sessões, as votações puderam ser feitas pelo Infoleg. Em março, das nove deliberativas realizadas, apenas duas foram presenciais. O único mês em que todas as sessões de votação foram presenciais foi abril. Não por acaso, muitos políticos pensam em limitar esse expediente de votação pelo Infoleg, em que os debates se tornam escassos, e o parlamentar termina dedicado a outras tarefas, que não a apreciação de leis que mexem diretamente com a vida dos brasileiros.

    Tem que ter limite

    Entre os senadores, Izalci Lucas (PL-DF) é um dos que têm reclamado desse expediente. “Não dá para querer votar emenda constitucional sem um debate sério em plenário com a presença de todos”, afirma.

    Na Câmara, conforme o leitor da coluna já sabe, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) tem uma proposta para tentar acabar com o abuso das sessões virtuais, de forma a ampliar o debate parlamentar na Casa.

    Tanto o Senado quanto a Câmara terão duas semanas de esforço concentrado antes da eleição de outubro: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. A expectativa de muitos parlamentares é a de que propostas importantes, como o caso da escala 6 x 1, sejam apreciadas nesse período de oito dias e de forma presencial.

    (Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/denise/senado-virtual/)

  38. Miguel José Teixeira

    “Nas entrelinhas”

    . . .”A retaliação de Trump pode fortalecer uma narrativa nacionalista, mas o custo de vida, a insegurança, os juros, a qualidade dos serviços e a esperança continuarão orientando o voto.”. . .

    “O Brasil entre soberania, democracia e seus velhos problemas sociais”
    (Luiz Carlos Azedo, em seu Blog no Correio Braziliense, 19/07/26)

    Quem quiser que se iluda, estamos diante de um novo ciclo político de longa duração, no qual os velhos problemas do país já não podem ser enfrentados da mesma forma, num contexto de crise da democracia ocidental, revolução tecnológica e desestruturação dos pactos diplomáticos pós Segunda Guerra Mundial. É nesse contexto que o Brasil chega às eleições de 2026, com uma combinação complexa de problemas sociais e econômicos, de radicalização política e de mudança da ordem internacional.

    Ninguém pode desconsiderar que o nosso subdesenvolvimento, para usar uma expressão clássica, decorre da baixa produtividade, da desigualdade de oportunidades, da precariedade da educação básica, da expansão do crime organizado, dos deficits de saneamento e de habitação, do alto custo do capital e da fragilidade fiscal. Esse é o diagnóstico que alimenta o debate e divide opiniões por parte de quem busca soluções para o país em bases democráticas.

    Ocorre que, agora, o Brasil enfrenta uma ameaça externa inédita desde a redemocratização, na medida em que o governo norte-americano de Donald Trump transformou tarifas comerciais e pressões diplomáticas em instrumentos de interferência política, numa tentativa de favorecer seus aliados ideológicos e influenciar as escolhas dos brasileiros. Não se trata, portanto, apenas de decidir quem governará o país, mas de definir como o Brasil defenderá sua democracia, sua economia e ocupará seu lugar numa ordem mundial em transformação.

    Os Estados Unidos continuam sendo um parceiro histórico fundamental, mas sua política externa passa por uma mudança de paradigma. O movimento Maga (Make America Great Again) rompeu com aspectos importantes da tradição liberal que orientou Washington no pós-guerra. Em lugar da defesa das instituições multilaterais, da previsibilidade das alianças e da abertura comercial, a Casa Branca opera uma diplomacia transacional, nacionalista e protecionista na qual pontificam o histrionismo de Trump e os interesses da plutocracia que hoje domina a política norte-americana.

    Tarifas, sanções e ameaças são utilizadas como instrumentos de pressão até mesmo contra países aliados estratégicos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Agora, a aproximação entre o movimento Maga e o clã Bolsonaro trouxe um elemento perigoso à disputa brasileira: a tentativa de vincular interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos no Brasil ao resultado de nossa eleição. A resposta não pode ser o velho antiamericanismo, mas exige a firme defesa da soberania.

    Uma boa relação com os Estados Unidos não significa obediência, sobretudo quando interesses eleitorais e comerciais de uma corrente estrangeira se confundem com os de um grupo político brasileiro. Sem embargo das críticas, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva não tem outra opção a não ser negociar com firmeza, recorrer às instituições multilaterais, proteger os setores atingidos e, simultaneamente, preservar os canais de cooperação. Nossa política externa é de Estado, baseada nos interesses permanentes do Brasil.

    Direitos e deveres

    Ao contrário de outros momentos de tensão com os Estados Unidos, como aquele que resultou no golpe militar de 1964, o Brasil tem relações comerciais muito mais diversificadas. Nosso comércio com os Estados Unidos representa apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB), porém, é o principal destino de nossos produtos industrializados. E também não podemos cair na dependência de nosso maior parceiro comercial, a China, cuja capacidade industrial excedente pressiona os produtores de outros países. O Brasil deve ampliar acordos com União Europeia, Índia, Japão, Canadá, México, África, Sudeste Asiático e Oriente Médio, sem abandonar Washington nem Pequim. Ou seja, trata-se de construir novas alternativas e buscar ainda maior integração com a economia mundial.

    Nada disso, porém, no plano interno, eliminará a insatisfação social e resolverá os problemas objetivos da população. A retaliação de Trump pode fortalecer momentaneamente uma narrativa nacionalista, mas o custo de vida, a insegurança, os juros, a qualidade dos serviços públicos e a esperança continuarão orientando o voto. A eleição não será decidida apenas com denúncias do autoritarismo adversário. É preciso demonstrar capacidade de entrega: segurança, educação, saúde, habitação, mobilidade urbana, crescimento, inclusão social e instituições que funcionem.

    Com a Constituição de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS), a universalização da educação fundamental, o salário mínimo valorizado, a transferência de renda, as ações afirmativas e a ampliação do acesso à universidade transformaram a sociedade brasileira. Não podemos brigar com os fatos. Os resultados insuficientes dessas políticas não são a prova de que a inclusão social fracassou. Nem devemos tratar quatro décadas de redemocratização como tempo perdido, apesar da descontinuidade administrativa e das recidivas oligárquica e patrimonialista. O desafio não é abandonar os fundamentos da Constituição de 1988, mas atualizar os meios pelos quais se pretende alcançar igualdade, liberdade e dignidade.

    Entretanto,p Brasil realmente precisa reconciliar direitos coletivos com responsabilidade individual. A emancipação e a inclusão social devem oferecer condições para que cada cidadão desenvolva suas potencialidades e, ao mesmo tempo, responda por suas escolhas. O problema é que o mau exemplo vem de cima, devido à captura de instituições e políticas públicas por interesses privados, empresariais ou mesmo individuais. Vem daí, na verdade, a maior ameaça às nossas democracia e soberania. Basta ver as pesquisas sobre aprovação das principais instituições do país.

    (Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/o-brasil-entre-soberania-democracia-e-seus-velhos-problemas-sociais/)

    O piNçador Matutildo, piNçou:

    “O problema é que o mau exemplo vem de cima, devido à captura de instituições e políticas públicas por interesses privados, empresariais ou mesmo individuais. Vem daí, na verdade, a maior ameaça às nossas democracia e soberania. Basta ver as pesquisas sobre aprovação das principais instituições do país.”

    E o Bedelhildo, disparou:

    Alô, corja vermelha! “Se-aprume-se”. . .

  39. Miguel José Teixeira

    “Visto, lido e ouvido” (*)

    . . .”Ao longo da história, países que confundiram retórica com estratégia acabaram reduzindo sua influência internacional. Os que preservaram instituições diplomáticas profissionais conseguiram atravessar mudanças de governo mantendo credibilidade perante diferentes parceiros. O verdadeiro patrimônio de uma política externa não é o brilho momentâneo de uma fotografia nem o impacto de uma declaração. É a confiança acumulada durante décadas de comportamento previsível.”. . .

    “Entre Zé Carioca e Tio Sam”
    (Imagem: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/wp-content/uploads/sites/13/2026/07/tioze.png)
    (Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, no Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 19/07/26)

    Criado por Walt Disney em 1942, durante a Política da Boa Vizinhança, Zé Carioca nasceu como um símbolo da aproximação entre Brasil e Estados Unidos. Elegante, simpático, dono de conversa fácil e de um talento quase sobrenatural para escapar das dificuldades, o papagaio brasileiro tornou-se um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos mundiais. Representava um Brasil cordial, criativo, improvisador e profundamente confiante na força da própria lábia. Passadas mais de oito décadas, o personagem continua servindo como metáfora útil para compreender certos momentos da vida política nacional.

    Na diplomacia, como na vida, existe uma diferença fundamental entre simpatia e poder. A boa conversa pode abrir portas. Não substitui interesses nacionais. A habilidade retórica pode aliviar tensões. Não altera a correlação de forças entre países. Grandes potências negociam com base em interesses estratégicos permanentes, muito mais do que em afinidades pessoais entre governantes. Foi justamente essa lição que a história da diplomacia ensina repetidas vezes.

    Os Estados Unidos mantiveram relações estreitas com governos democráticos e autoritários, conservadores e progressistas, republicanos e socialistas, sempre que seus interesses nacionais assim recomendaram. A China faz exatamente o mesmo. Rússia, Índia e União Europeia seguem lógica semelhante.

    Na política internacional, amizades são circunstanciais. Interesses costumam ser permanentes. Por isso, encontros entre chefes de Estado raramente podem ser avaliados apenas pelas imagens produzidas para a imprensa. Um aperto de mão não significa convergência estratégica. Um sorriso diante das câmeras não elimina divergências comerciais, tecnológicas ou geopolíticas. O Brasil ocupa posição singular nesse tabuleiro. É a maior economia da América Latina, possui enormes reservas minerais, enorme produção agrícola, matriz energética relativamente limpa e importância crescente na segurança alimentar mundial. Justamente por isso desperta o interesse simultâneo de Washington, Pequim, Bruxelas e Moscou. Essa condição exige uma diplomacia extremamente cuidadosa. Qualquer percepção de alinhamento automático ou de antagonismo permanente tende a reduzir a margem de manobra brasileira.

    A tradição diplomática construída pelo Itamaraty ao longo de décadas sempre buscou preservar autonomia, previsibilidade e capacidade de diálogo com diferentes polos internacionais. Nos últimos anos, entretanto, a política externa brasileira tornou-se mais polarizada internamente. Decisões diplomáticas passaram a ser interpretadas também sob a ótica da disputa política doméstica. Isso elevou o custo de cada gesto e aumentou a repercussão de cada declaração presidencial. Nesse ambiente, a metáfora de Zé Carioca volta a fazer sentido. O personagem acreditava que inteligência improvisada bastava para resolver praticamente qualquer situação. Muitas vezes conseguia. Outras tantas descobria que havia interlocutores igualmente experientes, conhecedores das regras do jogo e pouco suscetíveis ao charme do improviso. A política internacional raramente recompensa improvisações, corpo a corpo ou conexão descontraída e despreparada. Negociações entre países envolvem cadeias produtivas, investimentos bilionários, segurança nacional, tecnologia, comércio exterior e alianças militares.

    Quando uma governante aposta na informalidade e na quebra de protocolos, o argumento de seus defensores é que isso humaniza a liderança, abre canais diretos de diálogo e projeta um soft power autêntico no exterior. No entanto, o contra-argumento que ganha muita força em momentos de crise econômica ou de impasses diplomáticos sérios é o de que a liturgia do cargo não é mero capricho estético. Ela serve para blindar a imagem do país e garantir que as negociações de alto nível sejam tratadas com a gravidade que os interesses nacionais exigem. Ao longo da história, países que confundiram retórica com estratégia acabaram reduzindo sua influência internacional. Os que preservaram instituições diplomáticas profissionais conseguiram atravessar mudanças de governo mantendo credibilidade perante diferentes parceiros. O verdadeiro patrimônio de uma política externa não é o brilho momentâneo de uma fotografia nem o impacto de uma declaração. É a confiança acumulada durante décadas de comportamento previsível. Zé Carioca permanece um personagem fascinante justamente porque simboliza um traço conhecido da cultura brasileira: a crença de que criatividade e improvisação sempre encontrarão uma saída. Na vida cotidiana, isso pode até funcionar. Na geopolítica, entretanto, costuma prevalecer uma máxima muito mais antiga: nem sempre quem parece ingênuo realmente o é, e quase nunca as grandes potências entram numa negociação sem conhecer, com antecedência, todos os interesses que pretendem defender. Entre a simpatia do papagaio e o pragmatismo das relações internacionais existe uma distância que nenhuma boa conversa consegue eliminar. É nessa distância que se decide o espaço de um país no cenário mundial.

    A frase que foi pronunciada:
    “Lula é o presidente que o Brasil merece” (1)
    (Celso Amorim)

    (*) Criada por Ari Cunha (**) DESDE 1960
    (**) https://globoplay.globo.com/v/6910988/

    (Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/as-universalidades-esquecidas/)

    (1) Será, MeuBomJe!!!

  40. Miguel José Teixeira

    “Elogio da desistência: o fantástico caso de Lionel Messi”
    (Julián Fuks, Colunista de Ecoa/UOL, 18/07/26)

    Há de soar insólito um título desses para tratar de um dos jogadores mais tenazes de todos os tempos, que ao fim de sua carreira ainda nos surpreende com seus feitos. Cada sujeito digno de atenção guarda sua complexidade, carrega em si um paradoxo que faz dele um mistério, que o torna até indecifrável. É o que se dá com Lionel Messi, jogador de constância impressionante, que no entanto traz em sua trajetória uma contradição, um descompasso. Foi preciso que ele fracassasse de vez na seleção argentina, que acreditasse ter perdido tudo, que se visse como o culpado por uma longa escassez de títulos, que anunciasse que jamais voltaria a jogar com aquela camisa, foi preciso a mais enfática das desistências para que enfim ele triunfasse.

    Foi há exatos dez anos esse momento decisivo, depois de perder três finais consecutivas. E não foi um caso menor, um desalento qualquer, não há extrapolação nessa leitura dos fatos. Foi um escândalo de grandes proporções, todos entendendo sua gravidade, mesmo a imprensa do país que tanto o criticava, que o acusava de jogar sem interesse, sem gana, de ser um estrangeiro a vestir a camisa argentina. Messi, um dos maiores vencedores de toda a história do futebol, se deu por vencido, vislumbrou a derrota definitiva, aceitou o seu fim. Mas calhou de seguir jogando, e então começou tardiamente a história que ofuscou por inteiro a anterior, a história que neste momento alcança o clímax, a que assombra os que ainda se deixam assombrar com o futebol, a que encanta os que se permitem o encantamento.

    O curioso nessa narrativa é que ela tem se reiterado em contextos menores, tem se repetido metonimicamente, tem se reencenado de novo e de novo talvez para que enfim a compreendamos. Em tantos jogos da Argentina nesta Copa dá-se a mesma inflexão, quase cristalina. Por um instante a derrota parece dada, sacramentada, concluída. Messi volta a vislumbrar o fracasso, a conceber o fim, a aceitar com alguma amargura que ali a história termina. Nós também o sentimos, e por seus olhos avistamos o mesmo inevitável fim. E então ele continua a se mover, sem desespero, sem terror, com paciência e sabedoria, ele nos prova que é sempre tempo de recomeçar a história. Messi realiza o irrealizável tal como se dá na definição do sublime.

    Que sentido se pode depreender disso tudo não é fácil dizer. Lições do futebol arrastadas para a vida costumam ter pouca transcendência, não chegam a convencer porque vida e futebol têm naturezas distintas, não são feitos da mesma substância. Messi é mais uma vez a prova cabal dessa diferença, dotado de uma inteligência tão específica, manifesta no corpo e nada mais, expressa apenas nos campos e nunca nas palavras, nunca em nenhuma atitude que exceda aquele espaço restrito. Messi é o futebol reduzido aos seus elementos essenciais, e por isso à primeira vista nem parece tão grandioso o que ele faz, já que sua grandiosidade se compõe de detalhes mínimos, dribles curtos, passes precisos. Messi é muito puramente um futebolista, e por isso é difícil sua transposição metafórica em herói ou em artista.

    Ainda assim há algo de exemplar em seu calmo deambular pelos gramados, em seus movimentos que retornam sempre ao cerne e aos domínios da necessidade, mesmo quando o resultado desejado já se fez impossível. Cabe arrastar para a vida algo dessa sensatez, fazer dessa firmeza a nossa firmeza quando nos toma algum desalento, o ímpeto de desistir? Cabe tocar adiante a vida em movimentos certeiros e sutis quando algo de inefável já parece perdido? E, voltando ao futebol, que desfecho é mais digno depois disso tudo, que desfecho aguarda Messi ao fim dessa sinuosa trajetória: o triunfo definitivo, ou o retorno à derrota que tão bem o constituiu? O bonito do futebol, tão diferente da vida, é que amanhã o final dessa história estará escrito.

    (Fonte: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2026/07/18/elogio-da-desistencia-o-fantastico-caso-de-lionel-messi.htm)

  41. Miguel José Teixeira

    Só pra BETanizar. . .

    “Troféu da Copa do Mundo chegará à final em baú da Louis Vuitton”
    – Prêmio será levado ao gramado por um embaixador da marca francesa de luxo e por um ídolo do futebol durante o jogo entre as seleções da Espanha e da Argentina.
    (Poder360, 18/07//26)

    O troféu da Copa do Mundo da Fifa 2026 chegará à cerimônia de entrega da final dentro de um baú (*) produzido pela Louis Vuitton. As seleções masculinas de futebol da Espanha e da Argentina disputam o título no domingo (19.jul.2026), às 16h. O jogo será realizado no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA).
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/copa-2026/trofeu-da-copa-do-mundo-chegara-a-final-em-bau-da-louis-vuitton/

    (*) https://static.poder360.com.br/uploads/2026/07/bau-trofeu-final-da-copa-do-mundo.png

    Alô enroLULAdos e desenroLULAdos!

    (*) Em qualquer bet que se preze, as aPosTas estão abertas:
    será o baú legítimo ou será falsificado?

  42. Miguel José Teixeira

    A corja bolsonaro
    na truta & na tetra
    rumo ao tetra:

    Comando 1:

    > “Lula mescla “velha guarda” e nomes mais novos do PT por 4º mandato”
    – Ao menos 20 pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente na coordenação de campanha do presidente.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/lula-mescla-velha-guarda-e-nomes-mais-novos-do-pt-por-4o-mandato/

    Comando 2:

    > “Cúpula do PT vê erros da direita e fala em vitória de Lula no 1º turno”
    – Avaliação é de que há um clima favorável para reeleição do petista e que Flávio Bolsonaro comete sucessivos erros; sigla trabalha para aumentar aprovação do presidente.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/cupula-do-pt-ve-erros-da-direita-e-fala-em-vitoria-de-lula-no-1o-turno/

    Comando 3:

    > “Desta vez somos nós contra o resto, diz coordenador de campanha de Lula”
    – Responsável pela agenda de pré-campanha do presidente, Gilberto Carvalho avalia que Lula não deve ter apoio de outros candidatos em eventual 2º turno.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/desta-vez-somos-nos-contra-o-resto-diz-coordenador-de-campanha-de-lula/

    Só pra “Caetanear!

    “Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
    De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
    E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante”
    . . .
    O singular Ney Matogrosso: https://www.youtube.com/watch?v=n3svIijHHss

  43. Miguel José Teixeira

    “Burnham será o 1º líder católico do Reino Unido em 500 anos”
    – País tem lei vigente de 1829 que proíbe católicos a aconselharem o rei sobre nomeações a cargos eclesiásticos.
    (Ana Mião, Poder360, 18/07/26)

    Andy Burnham (Partido Trabalhista), confirmado na 6ª feira (17.jul.2026) como novo líder do Partido Trabalhista britânico, será o sucessor de Keir Starmer (Partido Trabalhista). Ao assumir como premiê na 2ª feira (20.jul), ele se tornará oficialmente o 1º líder católico do país desde 1558..

    A última vez que um católico romano ocupou o posto de ministro-chefe da Coroa inglesa foi durante o reinado da rainha Mary Tudor, que tentou reverter a Reforma Anglicana iniciada pelo rei Henry 8º, sem sucesso. O Reino Unido teve premiês ligados à vertente, mas nenhum se declarava católico durante o mandato.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/burnham-sera-o-1o-premie-catolico-do-reino-unido-em-500-anos/

  44. Miguel José Teixeira

    . . .e, ninguém sabe, ninguém viu, mas,
    os lombos dos burros de cargas sentiu!

    “Cidade de 3.518 habitantes ganhou mais emenda Pix que 18 capitais”
    – Rondolândia (MT) recebeu R$ 10,5 milhões dessas transferências em 2025, mais que Salvador, Belo Horizonte, Recife e João Pessoa somadas…
    (Bianca Penteado, Poder360, 18/07/26)

    A cidade de Rondolândia (MT), de 3.518 habitantes, recebeu R$ 10,5 milhões em emendas Pix em 2025 –mais do que 18 capitais brasileiras. Os números são de levantamento do Poder360 com dados do Tesouro Nacional.

    Essas emendas são tecnicamente conhecidas como as de “transferência especial”. Permitem o repasse direto de recursos da União a Estados e municípios, sem a celebração de convênios. A modalidade é alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal por ter uma fiscalização mais difícil e ser menos transparente do que outros meios de transferências.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/cidade-de-3-518-habitantes-ganhou-mais-emenda-pix-que-18-capitais/

    1. Alexandre de Moraes, está ajudando a campanha de Flávio na ausência completa de planos, projetos, propostas e discursos de mudanças.

      A direita, o bolsonarismo e conservadorismo deixaram Alexandre e STF se criarem. O Senado e os senadores – parte deles pedindo para serem reeleitos – não fizeram a parte deles e que é permitido pela Constituição. Agora, estão reclamando do que mesmo? Talvez isso tenha sido proposital para a falta de objetivos. Lula precisa do Bolsonaro para ser reeleito. Flávio precisa ser vítima para continuar a ser um candidato cheio de dúvidas, defeitos, falta de conteúdos, sem liderança e apenas uma cabeça de ponte de um clã que atrasa a vida dos brasileiros.

  45. Miguel José Teixeira

    “Porque não paras relógio
    Não me faças padecer” (1)
    . . .

    “Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões após operação da PF”
    – Senador petista tentou negociar imóvel um dia após ser alvo de operação da PF que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.
    (Redação O Antagonista, 18/07/26)

    O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de recebimento de propina envolvendo o Banco Master, diz o Estadão (*).

    A transferência do imóvel, porém, foi impedida após uma ordem de bloqueio de bens expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O bloqueio também atingiu a venda de um apartamento de Wagner em Salvador, negociado por R$ 10 milhões uma semana antes da operação da PF.

    Embora os negócios tenham sido acertados, os registros de transferência das propriedades não foram concluídos pelos cartórios.

    Segundo documentos obtidos pelo Estadão, o terreno de 51 mil metros quadrados, localizado na Região Metropolitana de Salvador, havia sido comprado por Wagner em 2000.

    O imóvel foi vendido a uma empresa ligada ao Grupo City, dono da SAF do Bahia, e a companhias do setor imobiliário.

    Defesa nega irregularidades
    A defesa do senador afirmou que não há irregularidades nas transações.

    “A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, disse o advogado Pablo Domingues.

    Wagner já teria recebido ao menos R$ 12 milhões pelos negócios antes da determinação de bloqueio.

    Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado após a operação da PF e atualmente é pré-candidato à reeleição.

    A investigação apura suspeitas de que Wagner teria solicitado ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, destinado à filha do senador. A PF afirma que o imóvel teria sido adquirido por uma empresa em nome de terceiro.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/jaques-wagner-tentou-vender-terreno-de-r-15-milhoes-apos-operacao-da-pf/)

    (*) “Jaques Wagner tentou vender terreno de R$ 15 milhões um dia após ser alvo da PF, mas cartório barrou”
    – Negócio foi bloqueado por ordem do ministro do STF André Mendonça; defesa de senador afirmou que ‘não há mínima irregularidade e nem nada a esconder’, mas não explicou detalhes da transação.
    +em: https://www.estadao.com.br/politica/jaques-wagner-tentou-vender-terreno-de-r-15-milhoes-um-dia-apos-ser-alvo-da-pf-mas-cartorio-barrou/

    (1) Essa música alguém oferece para o “colecionador de réplicas de relógios e grife” como prova de AeC. . .
    https://www.youtube.com/watch?v=hEdhDes-y5M&t=14s

  46. Miguel José Teixeira

    “Eu não acreditei, mas vou dar uma aliviada. Foi praticamente isso que Xandão decidiu hoje sobre a prisão domiciliar do nosso ex. O supremo ministro disse que sabe que Flavitcho Nantes confessou que o pai sabia da divulgação da cartinha aos brasileiros, o que fere as regras da prisão domiciliar, mas que ia deixá-lo mesmo assim em casa, mas sem poder falar de eleição. Então tá, BRASEW, que hoje é dia de react. E quero ver a reação de vocês sobre a história do Bruno Dantas, o ministro do Tribunal de Contas da União. É sexta, é julho, o Congresso entrou em férias e a Tixa está trabalhada no react.”

    “Xandão aqui”
    “éNoiteNaCidade”, 17 jul 2026, TixaNews, JUL 18)
    (https://www.tixanews.com.br/newsletter/)

    Xandão, o supremo ministro
    “As alegações da Defesa não afastam a claríssima confissão de Flávio Nantes Bolsonaro, no sentido do pleno conhecimento de JAIR MESSIAS BOLSONARO sobre a divulgação: ‘É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação’”.

    Xandão decidiu que nosso ex fica em casa, mas não poderá receber visitas nos próximos 30 dias e não poderá falar de eleições até o fim da disputa.

    A licitação do Bruno Dantas
    “O eventual vínculo mencionado, o qual a autoridade desconhece, não fere as regras do edital.”

    Essa foi a justificativa do Porto de Santos para o fato de o consórcio vencedor de uma licitação bilionária terem sido a esposa, o cunhado e o sogro do ministro do TCU, Bruno Dantas. Para quem não sabe, seu sogro é João Camargo (ex-CEO da CNN, dono da Esfera, concorrente do Lide de João Doria). A treta foi noticiada pelo UOL. Basicamente, o problema todo está no fato de a licitação ter sido amplamente contestada, inclusive no TCU e todo o negócio ter sido mantido pelo TCU graças a um voto de quem? Do Bruno Dantas.

    Isaac Sidney, presidente da Febraban
    “Está muito claro para mim que é criminosa a conduta da ou das fontes da matéria, ao buscarem uma de 112 operações de uma lista sem cabeçalho e sem correlação entre elas, para atingir quem está à frente de uma entidade que continuará a enfrentar esses delinquentes da mais grave fraude no sistema bancário.”

    Esse foi Isaac explicando um empréstimo que fez no banco Master e que foi divulgado pela imprensa nesta semana. Ele é presidente da Federação dos Bancos que foi fortemente para cima do Master e que, inclusive, ajudou a revelar o esquema dos influenciadores que atacaram o Banco Central quando houve a liquidação do banco do Daniel Vorcaro. O problema todo é que Isaac foi advogado do banco de Vorcaro, lá nos primórdios, e ajudou a arrumar argumentos para que o BC aprovasse a compra do banco Máxima (que depois virou Master).

    Valdemar Voldemort Costa Neto, dono do PL
    “Ela tem muito prestígio junto aos empresários e ela é muito competente. Agora, na minha opinião tem que ser alguém que tenha voto. O Bolsonaro vai decidir, vamos ver o que ele vai decidir, ele e o Flávio.”

    Esse foi Valdemar jogando água na campanha do Flavitcho para ter Daniella Marques como candidata a vice-presidente. Ela é ex-presidente da Caixa e cotada para ser o Posto Ipiranga do Flavitcho.

    Lula, nosso atual
    “Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar.”

    Então, tá. Sem comentários.

    Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA
    “Existe uma novidade nesse momento, que é a política. A tarifa vai ser usada em campanha eleitoral. Nunca houve uma crise política com os EUA que pode escalar tanto, como está acontecendo agora. Ela começou com as críticas do presidente Lula ao Trump. Foram 62 críticas ao longo dos últimos três anos. Na quarta-feira, 15, o secretário de Estado americano Marco Rubio chamou Lula de egoísta e contrário aos interesses do povo brasileiro. Depois, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, escalou a crise, dizendo que as falas eram um ataque grosseiro e arrogante, e que o Brasil não se curvou às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis. A escalada política pode se completar se a ameaça de retaliação brasileira se concretizar. O Brasil tem 30 dias para analisar essa possibilidade. Dos 200 países do mundo, nenhum ameaçou escalada contra os EUA. Só com a China houve uma disputa tarifária, no ano passado. Todos os países negociaram, a União Europeia, a Índia, o Vietnã, a Ásia inteira.”

    O ex-embaixador diz que essa discussão do tarifaço não tem nada a ver com nosso ex-presidente, mas sim com uma postura que os EUA adotaram com o mundo inteiro e criticou o governo por não ter negociado.

    Alckmin, Geraldo, vice-presidente do Brasil
    “Não saímos da mesa de negociação. Vamos continuar negociando.”

    Basicamente, dizendo que o Brasil negociou sim.

    Trumpices
    “A China e outros países têm tentado interferir em nossas eleições, e evidências de fraude foram ocultadas. Centenas de milhares de não cidadãos e pessoas falecidas constam como ativos nas listas de eleitores e, ainda assim, realizamos eleições sem exigência de identificação do eleitor ou comprovação de cidadania, com dezenas de milhões de cédulas circulando livremente pelo correio.”

    Donald J. Trump (J de João, eu juro) voltando a proferir teorias da conspiração sobre as eleições que ele perdeu para Joe Biden. A galera acha que ele está preparando terreno para as eleições de meio de mandato, em que ele tende a perder a maioria do Congresso por conta da impopularidade de suas guerras.

    E a gente que lute, BRASEW. Bora pedir uma pizza. E seguimos firmes na campanha para conseguir manter a Tixa subindo pelas paredes. Apoie a Tixa. Direto no Pix 49875575000147 ou assinando a news pelo link https://www.tixanews.com.br/newsletter/

    (TRPCE)

  47. Miguel José Teixeira

    E só porque “Será” consta na abertura
    de três postagens abaixo:

    . . .dois ícones da MPB,
    Chico Buarque & Milton Nascimento
    em “O que será”:

    https://www.youtube.com/watch?v=lkRe-6evscY

    “O que será que me dá
    Que me bole por dentro, será que me dá
    Que brota à flor da pele, será que me dá
    E que me sobe às faces e me faz corar
    E que me salta aos olhos a me atraiçoar
    E que me aperta o peito e me faz confessar
    O que não tem mais jeito de dissimular
    E que nem é direito ninguém recusar
    E que me faz mendigo, me faz suplicar
    O que não tem medida, nem nunca terá
    O que não tem remédio, nem nunca terá
    O que não tem receita

    O que será que será
    Que dá dentro da gente e que não devia
    Que desacata a gente, que é revelia
    Que é feito uma aguardente que não sacia
    Que é feito estar doente de uma folia
    Que nem dez mandamentos vão conciliar
    Nem todos os unguentos vão aliviar
    Nem todos os quebrantos, toda alquimia
    E nem todos os santos, será que será
    O que não tem descanso, nem nunca terá
    O que não tem cansaço, nem nunca terá
    O que não tem limite

    O que será que me dá
    Que me queima por dentro, será que me dá
    Que me perturba o sono, será que me dá
    Que todos os tremores me vêm agitar
    Que todos os ardores me vêm atiçar
    Que todos os suores me vêm encharcar
    Que todos os meus nervos estão a rogar
    Que todos os meus órgãos estão a clamar
    E uma aflição medonha me faz implorar
    O que não tem vergonha, nem nunca terá
    O que não tem governo, nem nunca terá
    O que não tem juízo”

    (Fonte: https://www.letras.mus.br/chico-buarque/1217237/)

  48. Miguel José Teixeira

    Se o “eleitor é animal muito safado”
    os políticos dessa laia são o quê mesmo?

    “Votos garantidos”

    O “coronel” e vereador Nei Ferreira era candidato à reeleição, em Vitória da Conquista (BA), quando visitou um bairro da cidade: “Aqui eu quero 750 votos!”, gritou do palanque.
    Um cabo eleitoral cochichou:
    – “Pois o sr. Vai ter 1.500 votos, coronel”.
    Ferreira voltou a proclamar ao microfone:
    – “Eu sei que 1.500 eleitores já prometeram votar em mim neste bairro, mas como eleitor é animal muito safado, eu aceito a metade!”

    (Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 18/07/26)

  49. Miguel José Teixeira

    Deu na Coluna CH, DP, hoje:

    “O governo Lula deu um golpe para enganar o eleitor”
    (Deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), sobre a volta da “taxa das blusinhas”)

    Matutando b em. . .

    Então, em outubro é o momento certo do
    eleitor dar um golpe para enganar o lula!

  50. Miguel José Teixeira

    Será que com o recesso dos parasitas
    os cofres públicos terão sossego?
    – D u v i d o !!!

    “É oficial”
    A produtividade no Congresso, que já não era lá essas coisas, agora é que não anda mesmo. Começa hoje (18), ainda que desrespeitando a Constituição, já que a LDO não foi votada, o recesso parlamentar.
    (Coluna CH, DP, 18/07/26)

  51. Miguel José Teixeira

    Será que procede?

    “Como regra geral, o STF é um órgão “inerte”, ou seja, ele só pode agir e julgar casos quando é provocado por quem tem legitimidade para iniciar uma ação (como partidos políticos, presidentes da República, Procuradoria-Geral da República e entidades de classe).
    A Justiça não pode atuar de ofício.
    (Fonte: https://share.google/aimode/CTB6DIonARDi7sVnQ)

    Com a palavvra, os doutos!

    A Coluna CH, no Diário do Poder, hoje, demonstra que não:

    “Em todas”
    A decisão do representante de comércio dos EUA de impor novo tarifaço contra o Brasil não cita o STF. Ainda assim, a Corte emitiu nota oficial sobre o assunto, assinada pelo presidente, ministro Edson Fachin.

    “Tudo a ver?”
    A nota do STF sobre o tarifaço dos EUA começa com a promessa de “esclarecimentos” para a “correta compreensão” e acaba com garantias que nada muda na Corte, que permanece “sem qualquer influência”.

    E também provoca. . .o eleitor:

    “Projeto de poder”
    Rosângela Moro (PL-SP) alertou que uma eventual continuidade do governo Lula poderá ampliar a influência do petista sobre o STF: “Poderá indicar mais quatro ministros [do STF]. O Brasil não pode ignorar”.

    . . .com a turma que lulampião ja mantém encabrestada, definitivamente, a democra$$ia engolirá a Democracia!

  52. Miguel José Teixeira

    Será que só os a$$ociado$
    foram beneficiado$???

    “Lula já pagou R$25,5 bilhões em emendas em 2026”
    (Coluna CH, DP, 18/07/26)

    O governo Lula (PT) pagou R$25,5 bilhões em emendas parlamentares, desde o início do ano. Em pouco mais de seis meses, a administração petista conseguiu pagar mais em emendas do que em todo o ano de 2025. O valor se aproxima do recorde dos últimos cinco anos, desbancado pelos pagadores de impostos no ano passado, quando o governo petista pagou R$31,5 bilhões para bancar as emendas.
    . . .
    +em: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/maioria-de-estados-afetados-pelo-tarifaco-dos-eua-votou-em-lula

  53. Miguel José Teixeira

    A palavra da hora: “short”!

    A palavra “short” (termo em inglês que significa “curto”) assume diferentes significados dependendo do contexto. Ela é amplamente utilizada no mercado financeiro, no universo digital e na moda.

    > Mercado Financeiro (Venda a descoberto)
    No mundo dos investimentos, short ou short selling é uma estratégia utilizada para lucrar com a queda no preço de um ativo.

    > YouTube Shorts (Vídeos curtos)
    No contexto digital, o Shorts é um recurso do YouTube voltado para a criação e visualização de vídeos verticais de curta duração (geralmente de até 180 segundos). O formato é a resposta da plataforma aos conteúdos estilo TikTok e Reels do Instagram.

    > Moda e Vestuário
    Em português, a palavra sofreu uma leve adaptação (geralmente usada no plural, “shorts”) para se referir à peça de roupa curta. É uma vestimenta informal ou esportiva, menor do que uma bermuda, que cobre a região da cintura até o início das coxas.

    (Fonte: https://share.google/aimode/JJ8tYbFSwi4L6VGpc)

  54. Miguel José Teixeira

    Em 100, garoupa já valeu.
    Agora, javali (*). . .

    “Deputados aprovam projeto que prevê o pagamento de R$ 100 por cada javali morto em SC; entenda”
    – Projeto de lei ainda precisa ser sancionado pelo governo estadual para passar a valer.
    (Redação Terra, 17/07/26)

    Deputados da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) aprovaram um projeto de lei que prevê o pagamento de R$ 100 para cada javali morto no estado. O intuito é promover o controle populacional dos javalis, que já tem o abatimento autorizado por lei no Estado. Para a proposta virar lei, ela ainda precisa ser sancionada pelo governo estadual.

    Se trata do PL287/2026 (**), que institui um programa de incentivo financeiro para apoiar o controle populacional de javalis em Santa Catarina, conforme previsto na Lei 18.817/2023. No caso, a lei autoriza a captura e o abate dos animais de forma a “minimizar os impactos ambientais e os efeitos nocivos à saúde pública”.

    Conforme descrito no texto que tramitou na Alesc, de autoria do deputado Camilo Martins, pessoas físicas ou jurídicas cadastradas nos órgãos ambientais competentes e devidamente autorizadas para o manejo e controle do javali receberão R$ 100 por animal abatido.

    O texto não detalha eventuais impactos financeiros com a medida, regras que devem ser definidas pelo Poder Exercutivo.

    A justificativa do projeto é que a espécie provoca impactos ambientais e prejuízos à agropecuária, motivando ações de controle populacional.

    (Fonte: https://www.terra.com.br/planeta/meio-ambiente/deputados-aprovam-projeto-que-preve-o-pagamento-de-r-100-por-cada-javali-morto-em-sc-entenda,645e6c7a1537c3dbecaabf694355e692nmeu33z0.html)

    (*) https://p2.trrsf.com/image/fget/cf/1548/0/images.terra.com/2026/07/17/javali-s4p41gaftx6b.jpg
    (**) https://portalelegis.alesc.sc.gov.br/proposicoes/5qGm3/tramitacoes

  55. Miguel José Teixeira

    “Do rio ao prato: pesquisa transforma lambari (*) em produto de alto valor”
    – Pesquisas consolidam a lambaricultura como atividade aquícola viável e sustentável.
    (Por Henrique Rodarte, Agro em Campo, portal iG, 17/07-/26)

    O lambari carrega um lugar especial na memória afetiva de boa parte dos brasileiros. Presente em rios, córregos e lagoas de quase todo o território nacional, o peixe costuma marcar as primeiras pescarias da infância, ao lado de pais, avós e tios. Além do valor cultural, a espécie ganha cada vez mais relevância econômica. Ou como alimento, tradicionalmente consumido em forma de petisco, ou como isca viva na pesca esportiva.

    Durante décadas, produtores dependeram quase exclusivamente da captura em ambientes naturais ou da presença do lambari como fauna acompanhante em cultivos de peixes comerciais. O termo “lambari” reúne diversas espécies de pequenos caracídeos, família numerosa de peixes de água doce. O Instituto de Pesca (IP-APTA) assumiu papel pioneiro na geração de conhecimento científico e tecnológico voltado ao cultivo comercial de espécies como Astyanax fasciatus, Astyanax lacustris e Deuterodon iguape.

    Para o pesquisador do IP Fábio Sussel, a consolidação da lambaricultura como atividade aquícola exigiu tecnologias específicas, capazes de tornar a produção previsível, eficiente e economicamente viável.

    Pesquisa e inovação fortalecem a produção

    Nas últimas décadas, o Instituto de Pesca desenvolveu e aperfeiçoou protocolos para diferentes etapas do processo produtivo, o que ajudou a consolidar uma cadeia até então inexistente em escala comercial.

    Entre as principais contribuições, os pesquisadores aprimoraram os protocolos de reprodução induzida, essenciais para garantir produção contínua de alevinos ao longo do ano. A equipe também desenvolveu técnicas de larvicultura e recria em diferentes sistemas de cultivo, adaptadas às características biológicas de cada espécie estudada.

    Esses avanços trouxeram mais regularidade à produção, aumentaram a sobrevivência dos peixes e melhoraram os índices zootécnicos, o que oferece maior segurança técnica aos produtores. Paralelamente, o instituto ampliou suas linhas de pesquisa para outras frentes estratégicas. Criou tecnologias para produção de lambaris destinados ao mercado de iscas vivas, avaliou o potencial da espécie em sistemas de aquaponia e passou a utilizar diferentes lambaris como bioindicadores em estudos de ecotoxicologia, voltados a avaliar contaminantes ambientais e a qualidade dos ecossistemas aquáticos.

    Nova tecnologia amplia o potencial do lambari para consumo
    O lambari também ocupa lugar de destaque como alimento tradicional de alto valor gastronômico. Apesar dessa vocação, um gargalo tecnológico limitava a ampliação do consumo em larga escala: o processamento do pescado.

    Para resolver esse desafio, Fábio Sussel propôs a criação de uma máquina para evisceração de lambaris. Uma empresa de Santa Catarina, especializada em equipamentos para frigoríficos de peixes, desenvolveu o equipamento posteriormente. A máquina automatiza uma das etapas mais críticas do processamento, aumenta significativamente a produtividade, reduz custos operacionais e agrega valor ao pescado destinado ao consumo humano.

    Segundo Sussel, essa inovação representa um exemplo concreto de pesquisa aplicada. O Instituto de Pesca transforma resultados científicos em soluções tecnológicas capazes de atender demandas reais da sociedade. Além de fortalecer cadeias produtivas estratégicas para a aquicultura brasileira.

    Mais do que um peixe ligado à memória afetiva dos brasileiros, o lambari se tornou exemplo de como a pesquisa pública pode converter conhecimento científico em desenvolvimento econômico, inovação e segurança alimentar.

    (Fonte: https://agroemcampo.ig.com.br/2026/noticias/do-rio-ao-prato-pesquisa-transforma-lambari-em-produto-de-alto-valor/)

    (*) Estou sentindo o seu “cheirinho”:
    https://agroemcampo.ig.com.br/wp-content/uploads/2026/07/lambari-Fabiano-Bulow.jpg

  56. Miguel José Teixeira

    “Para Tabata e Erika, misógino é quem elas acham que é misógino”
    – As deputadas Tabata Amaral e Erika Hilton querem aprovar uma lei segundo a qual misógino é quem elas decidem que é misógino.
    (Mario Sabino, Metrópoles, 17/07/26)

    Vou comentar o PL da misoginia, defendido com estridência pelas deputadas Tabata Amaral (1) e Erika Hilton (2).

    Abro já parêntese. É assunto que mobiliza mais as redes sociais do que a imprensa, em outro episódio que mostra a distância entre as preocupações dos cidadãos e os assuntos selecionados pelos editores de jornais e sites. Fecho parêntese.

    Atribui-se ao nazista Hermann Göring a frase anedótica “judeu é quem eu decido que é judeu”. Ele a teria dito ao comentar a expedição de atestados de “sangue ariano” emitidos pelo regime de Adolf Hitler.

    A lembrança me ocorreu, porque Tabata Amaral e Erika Hilton estão querendo aprovar uma lei segundo a qual misógino é quem elas decidem que é misógino.

    Aprovado no Senado e em vias de ser votado na Câmara, o PL prevê punir com severidade quem discrimina, agride e ofende mulheres pelo fato de serem mulheres, mas não tipifica exatamente a misoginia, deixando o crime com interpretação em aberto em mais de um aspecto. Ou seja, no terreno do que pode ser absolutamente subjetivo.

    A ilustração mais recente do perigo que isso implica foi fornecida pela mulher de Lula, a primeira-dama Janja. Ela disse que é vítima de misoginia pura quando a chamam de gastadeira de dinheiro público, o que Janja efetivamente é a julgar pelo que custa aos cofres públicos.

    Outro exemplo: a juíza (3) que concedeu perdão à mãe do menino Henry Borel, cuja segurança foi negligenciada por ela e que acabou assassinado brutalmente pelo padrasto, disse que a agraciada havia sido vítima de misoginia ao ser alvo de opróbrio e até mesmo ao ser incluída como ré no processo.

    “Fosse o pai e não a mãe na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado, como é regra nos processos de igual natureza. É que o papel culturalmente reservado à mulher nos moldes patriarcais não só dela exige ser mãe, mas, muito além, a mãe perfeita. Mãe suficiente não basta”, escreveu a magistrada.

    Fazer piada de loira com Erika Hilton ou qualquer outra mulher, biológica ou não, certamente resultará em censura e poderá dar até cadeia.

    Já aconteceu com o humorista Léo Lins, condenado em primeira instância a oito anos e três meses de reclusão por fazer piadas supostamente preconceituosas contra minorias. Felizmente, ele foi absolvido em segunda instância e teve preservado o direito à liberdade de expressão (quer dizer, mais ou menos, porque seguro morreu de velho).

    Criticar o próprio PL da Misoginia demonstrou ser um perigo. A pedido de Erika Hilton, a Advocacia-Geral da União notificou a rede social X para retirar posts que repudiavam o projeto. O pretexto foi o de que os posts continham “desinformação”, essa palavrinha mágica para fechar a boca de quem discorda da esquerda.

    Aliás, Erika Hilton (4) propôs uma emenda ao projeto de lei bastante explícita na sua intenção censória. Diz a emenda que “o exercício da liberdade de expressão, de manifestação do pensamento, de convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política não constitui causa de exclusão de ilicitude”.

    Obviamente, não estou dizendo que misoginia não existe. Ela está presente no nosso dia-a-dia, como resultado de uma cultura machista secular que precisa ser combatida. Mas o bom combate não deveria se dar por meio de uma lei vaga, que dá margem a medidas autoritárias.

    Quanto a este colunista, quando o assunto é mulher, vou ser menos banal do que citar Simone de Beauvoir. Faço minhas as palavras do falecido Luís Fernando Veríssimo: “em matéria de mulher, há um tipo cem por cento: desquitada, analisada e com apartamento”. Espero não ter cometido crime.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/para-tabata-e-erika-misogino-e-quem-elas-acham-que-e-misogino)

    (1) https://www.camara.leg.br/deputados/204534
    (2) https://www.camara.leg.br/deputados/220645

    (3) “Ainda há juízes em Brasília?”
    – Ainda há juízes em Brasília? A cada julgamento no STF, a dúvida reaparece na minha cabeça pervertida, visto que vivemos sob democracia plena.
    +em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/ainda-ha-juizes-em-brasilia

    (4) “Maquiadores: não, meus amores, Erika Hilton não representa uma minoria”
    – O patrimonialismo é o nosso sistema e o nosso mal. Erika Hilton não é exceção. Somos criados para tratar a coisa pública como particular.
    +em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/maquiadores-nao-meus-amores-erika-hilton-nao-representa-uma-minoria

  57. Miguel José Teixeira

    🇺🇸 “Ressaca do tarifaço”
    (Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 17/07/26)

    Donald Trump teve na última semana o que mais gosta: estar no centro das atenções.
    Ataques entre os EUA e o Irã foram retomados, o republicano ameaçou — e depois voltou atrás — criar um pedágio em Hormuz e, ontem, tarifou o Brasil (1).

    Se você perdeu a notícia mais recente, relembro brevemente: depois de investigar o país em inúmeras áreas, o USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) recomendou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

    Na quarta, Trump acatou a indicação da entidade (2).
    As taxas devem entrar em vigor em 22 de julho e afetarão 26% das exportações do país (3), segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
    O governo estima que elas atingem 18% das vendas aos EUA (4).

    Quem será taxado…
    Máquinas agrícolas, roupas, papel, açúcar orgânico e equipamentos eletrônicos.
    São cerca de 4.000 produtos afetados.

    A indústria de calçados, por exemplo, diz que a nova taxa torna muitas operações insustentáveis (5).
    O segmento exporta para mais de 160 países, mas os EUA são o principal destino.
    Cerca de 20% de tudo que eles enviam vai para lá.
    7,1% das vendas de calçados serão afetadas.

    Quem ficou de fora…
    Respira aliviado, pelo menos por enquanto.
    São mais de 2.100 produtos (6) na lista de exceções, que inclui carne, café, mel orgânico e hidróxido de alumínio, entre outros.
    Os itens são essenciais para evitar uma escassez no mercado americano.

    O USTR deve encerrar, em breve, os procedimentos a respeito de outra investigação.
    Desta vez, a entidade apurou o suposto uso de trabalho forçado (7) em 59 países e na UE.
    Em junho, recomendou um tarifaço de 12,5% aos alvos, e Trump deve decidir se aplicará a taxa.

    Setores isentos acreditam que a lista deve se repetir (8), mas ainda não têm certeza.

    Briga de gente grande.

    O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, culpou Lula (9) pelo novo tarifaço.
    “No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”
    (Marco Rubio)

    O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, rebateu as falas de Rubio (10) e disse que são inaceitáveis e ofensivas.
    “Claramente, o que incomoda o governo dos EUA é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis.”
    (Mauro Vieira)

    Falando em governo…
    A gestão anunciou um programa para apoiar empresários prejudicados pelas taxas (11).
    A linha de crédito Brasil Soberano será reforçada, e os ministros discutirão a Lei de Reciprocidade com Lula, que decidirá se a medida será aplicada.
    ↳ A legislação permite que produtos americanos sejam taxados.
    O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pediu que o Ministério da Fazenda liberasse R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito (12).

    Leia mais sobre a novidade:

    Sobe e desce.
    O USTR sinalizou que as tarifas podem aumentar ou cair dependendo de como o Brasil reagir.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/tarifas-podem-aumentar-ou-cair-conforme-resposta-do-brasil-sinalizam-eua.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    E o culpado é…
    O governo Lula, segundo a Fiesp. A entidade culpa a gestão por “ruídos desnecessários”.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/setor-empresarial-lamenta-novo-tarifaco-de-25-e-fiesp-dispara-contra-governo-lula.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    Campeão.
    O Brasil é o país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao poder.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/brasil-e-pais-que-mais-viu-tarifas-aumentarem-desde-que-trump-voltou-ao-poder.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (TRPCE)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/veja-a-cronologia-do-tarifaco-dos-eua-sobre-o-brasil-no-ultimo-ano.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/eua-decidem-taxar-produtos-do-brasil-em-25-apos-investigacao-comercial-sobre-pix-e-etanol.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/nova-rodada-do-tarifaco-atinge-26-das-exportacoes-brasileiras-aos-eua-diz-cni.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (4) mhttps://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/governo-lula-estima-que-tarifaco-atinge-18-das-exportacoes-aos-eua-e-anuncia-ajuda-a-empresarios.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/um-ano-apos-tarifaco-fatia-dos-eua-nas-exportacoes-do-brasil-atinge-minima-historica.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/lista-de-isencoes-de-nova-tarifa-de-trump-tem-mais-de-2100-itens-e-inclui-carne-cafe-soluvel-e-obras-de-arte.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (7) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/eua-concluem-investigacao-sobre-trabalho-forcado-e-propoem-mais-uma-tarifa-contra-brasil.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (8) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/setores-isentos-citam-alivio-mas-temem-novas-tarifas-dos-eua-em-caso-sobre-trabalho-forcado.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (9)https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/rubio-diz-brasil-foi-tarifado-em-25-porque-lula-nao-negociou-com-os-eua-de-boa-fe.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (10) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/rubio-faz-ataque-grosseiro-e-arrogante-contra-lula-diz-mauro-vieira-apos-tarifaco.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (11) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/governo-lula-estima-que-tarifaco-atinge-18-das-exportacoes-aos-eua-e-anuncia-ajuda-a-empresarios.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (12) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/bndes-pede-r-725-bilhoes-a-fazenda-para-reforcar-socorro-a-setores-afetados-por-tarifas-dos-eua.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

  58. Miguel José Teixeira

    “Crusoé: Selo Nunes Marques de Qualidade”
    – TSE alimenta a tradicional desconfiança em relação às pesquisas eleitorais. E mais: A última carta e Os fantasmas que assombram os pré-candidatos.
    (Redação O Antagonista, 17/07/26)

    Cerca de vinte empresas realizam atualmente pesquisas de intenção de voto para presidente no Brasil. Quando se consideram também as disputas estaduais, o número sobe para 35.

    Trata-se de um mercado maduro, em que companhias disputam clientes e fazem parcerias com veículos de imprensa, oferecendo diferentes metodologias e análises.

    Mas o Brasil sempre consegue estragar tudo.

    Nas eleições de 2022, quando pesquisas eram publicadas ao ritmo de três por semana, os bolsonaristas atacaram os institutos, dizendo que valia mais confiar no “Datapovo” — uma expressão que engloba tanto as aglomerações com que Bolsonaro era recebido em eventos quanto enquetes organizadas por simpatizantes ou meros curiosos.

    Desta vez, o bolsonarismo voltou a desacreditar os institutos de pesquisa, contando com a contribuição relevante do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.

    Em junho, Nunes Marques suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel, que mostrava uma queda do candidato Flávio Bolsonaro (Nunes Marques, vale lembrar, foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, pai do senador).

    Na segunda, 13, o magistrado propôs a criação de um “selo de acurácia eleitoral” para premiar os levantamentos que mais se aproximam do resultado das urnas.

    Além de confundir o recorte científico de um momento específico com bola de cristal, o “Selo Nunes Marques de Qualidade” (*) amplia o intervencionismo da Corte no processo eleitoral e pode gerar distorções, caso empresas alterem suas metodologias só para ganhar a benção do TSE, dizem Duda Teixeira e Wilson Lima na reportagem de capa de Crusoé desta semana.

    Outros destaques de Crusoé

    Em A última carta (**), Wilson Lima trata dos impactos para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro da proibição de visitas ao pai, Jair Bolsonaro, por 90 dias, por causa da leitura de uma carta do ex-presidente em live na internet.

    Crusoé apurou que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro era contra a leitura da carta, e a reportagem detalha as tensões internas do bolsonarismo no novo cenário.

    Na reportagem Os fantasmas que assombram os pré-candidatos (***), Wal Lima esmiúça as fraquezas das principais pré-campanhas presidenciais, à luz do que já ocorreu no passado.

    +em:
    (*) https://crusoe.com.br/noticias/selo-nunes-marques-de-qualidade/
    (**) https://crusoe.com.br/noticias/a-ultima-carta/
    (***) https://crusoe.com.br/noticias/os-fantasmas-que-assombram-os-pre-candidatos/

    Colunistas

    Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.

    Nesta edição, escrevem

    > Leonardo Barreto
    (Lula colhe maior derrota diplomática da sua história)
    – Quando os resultados da guerra comercial se mostrarem, aí é o momento de fazer as pesquisas de opinião.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/lula-colhe-maior-derrota-diplomatica-da-sua-historia/#google_vignette

    > Izabela Patriota
    (O revisionismo do sufrágio feminino)
    – Defender famílias fortes nunca exigiu defender mulheres silenciosas.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-revisionismo-do-sufragio-feminino/

    > Dennys Xavier
    (Por que temos homens medíocres?)
    – No Império, o saber funcionava como uma credencial esperada daqueles que aspiravam aos altos postos. Hoje, essa expectativa tornou-se menos exigente.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/por-que-temos-homens-mediocres/

    > Maristela Basso
    (O que a Argentina tem?)
    _ Não é apenas talento. É uma cultura de formação emocional que transforma grandes jogadores em grandes competidores.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-que-a-argentina-tem/#google_vignette

    > Clarita Maia
    (O manifesto da Casa Apostólica e da Frente Evangélica)
    – Documento desloca o foco da disputa geopolítica para a proteção dos brasileiros diretamente afetados pelo recrudescimento do antissemitismo.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-manifesto-da-casa-apostolica-e-da-frente-evangelica/

    > Márcio Coimbra
    (O custo do amadorismo)
    – Ao impor tarifas de vingança, o Brasil encarece insumos vitais, asfixia empresas importadoras, destrói postos de trabalho na cadeia logística e portuária e reduz o dinamismo da economia.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-custo-do-amadorismo/#google_vignette

    > Roberto Ellery
    (Tanta bondade chega a ser maldade)
    – Políticas que incentivam o mau uso do capital têm o potencial de reduzir o crescimento potencial da economia brasileira.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/tanta-bondade-chega-a-ser-maldade/
    e
    > Rodolfo Borges
    (Uma conspiração para Messi).
    – A Seleção argentina se impôs mais uma vez, e de uma forma tão caótica que só pode ser explicada por meio de uma teoria conspiratória.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/uma-conspiracao-para-messi/#google_vignette

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    (Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/crusoe-selo-nunes-marques-de-qualidade/)

  59. Bom dia.
    Culpar os eleitores pelos candidatos que as SIGLAS PARTIDÁRIAS nos apresentam como alternativa de governança,
    quando os candidatos são tudo farinha do mesmo saco, se não é inocência, é DEBOCHE.

    Nada mudará enquanto o quociente partidário seguir ELEGENDO candidatos sem VOTOS;
    Enquanto as candidaturas avulsas não forem permitidas,
    E enquanto a contagem de VOTOS não for majoritária.

    São regras criadas pelas velhas RAPOSAS dentro do congresso nacional, estrategicamente para a manutenção da tal “governabilidade” do toma lá dá cá, e nada como contar com os PARÇA nessa interminável caminhada.

    Nesse cenário, chamar o Brasil de país democrático,
    é igual chamar Gaspar de capital nacional da moda infantil
    👀😱😱😱

  60. Miguel José Teixeira

    “Veja 11 sugestões de leitura psicodélica em português de graça”
    – Mercado de Letras e Chacruna liberam volumes sobre ayahuasca e outros temas.
    – Pesquisadores da UFRN e UFRJ engrossam massa crítica com 3 artigos científicos.
    (Marcelo Leite, relata novidades da fronteira da pesquisa em saúde mental, FSP, 16/07/26)

    Após a ordem executiva de Trump para acelerar estudos psicodélicos, (1) o setor oscila entre otimismo (2) com a perspectiva de regulamentação de tratamentos e pessimismo (3) mcom monopólios gringos que devem encarecer e restringir acesso. A boa nova veio dar na praia de quem quer manter o espírito crítico na forma de uma coleção gratuita de livros de reflexão sobre o tema, todos em língua portuguesa.

    São 11 e-books na Biblioteca Psicodélica – Drogas, Política e Cultura (4), iniciativa da editora Mercado de Letras e do Instituto Chacruna (5) para comemorar os dez anos dessa ONG sediada em São Francisco (EUA), que tem a antropóloga brasileira Bia Labate na direção e um portal dedicado à América Latina (6)(aviso: sou colaborador da página Chacruna Chronicles) (7).

    Eis os títulos sobre plantas de poder como a ayahuasca, povos indígenas, religião, saúde e políticas de drogas que podem ser baixados sem custo:

    1. “Virando Indígenas, Virando Yawanawás”, de Lígia Duque Platero;
    +em: https://drive.google.com/file/d/1M1uzYSLR0KK57DHK6dnWFKAxAQVnqDsC/view

    2. “O Uso de Plantas Psicoativas nas Américas”, de Beatriz Caiuby Labate e Sandra Lucia Goulart (Orgs.);
    +em: https://drive.google.com/file/d/1eVBC3VD8GtnGHDjc8MLnia-OYurTfwZU/view

    3. “Drogas: Perspectivas em Ciências Humanas”, de Beatriz Caiuby Labate e Frederico Policarpo (Orgs.);
    +em: https://drive.google.com/file/d/1iW_hC3F_-Wiqszgw8VFPRlfR0543WsQt/view

    4. “Políticas de Drogas no Brasil: Conflitos e Alternativas”, de Beatriz Caiuby Labate e Thiago Rodrigues (Orgs.);
    +em: https://drive.google.com/file/d/1jcAfNWdMC8j6JKdBgCKOIIASDxTxWYNf/view

    5. “Drogas, Políticas Públicas e Consumidores”, de Beatriz Caiuby Labate, Frederico Policarpo, Sandra Lucia Goulart e Pablo Ornelas Rosa (Orgs.);
    +em: https://drive.google.com/file/d/1t2eBdxwOpkDa4aYN9FomJDI3ISybTW5s/view

    6. “Uso de Drogas: Controvérsias Médicas e Debate Público”, de Maurício Fiore;
    +em: https://drive.google.com/file/d/1x_bH5UFnAeD1FvjqApYDvAJN2tVjhpTA/view

    7. “Música Brasileira de Ayahuasca”, de Beatriz Caiuby Labate e Gustavo Pacheco;
    +em: https://drive.google.com/file/d/1zLKDB1z18SE3Nv71msqyWJKaD4FlyrVQ/view

    8. “Religiões Ayahuasqueiras: Um Balanço Bibliográfico”, de Beatriz Caiuby Labate, Isabel Santana de Rose e Rafael Guimarães dos Santos;
    +em: https://drive.google.com/file/d/1d0hqNP8g75AyOEUF117SuViiiW3fMokl/view

    9. “A Reinvenção do Uso da Ayahuasca nos Centros Urbanos”, de Beatriz Caiuby Labate;
    +em: https://drive.google.com/file/d/1Eeo9xVdfmn75_iQreOofdD5dr3h69yDK/view

    10. “O Uso Ritual das Plantas de Poder”, de Beatriz Caiuby Labate e Sandra Lucia Goulart (Orgs.);
    +em: https://drive.google.com/file/d/1mEyp5wyR3_4pZNPCJ-kaouLq5sic_ust/view

    11. “O Uso Ritual da Ayahuasca”, de Beatriz Caiuby Labate e Wladimyr Sena Araújo (Orgs.):
    +em: https://drive.google.com/file/d/174IEykO-L_3xbLx-NT1qIL7RaPaWFeHY/view

    Além da perspectiva reflexiva das ciências humanas, a massa crítica brasileira no campo psicodélico tem produzido uma enxurrada de artigos de pesquisa igualmente em ciências naturais. Na impossibilidade de tratar de todos em profundidade aqui, como merecem, vão aqui outras três dicas de leitura sobre a DMT da ayahuasca (8) e da jurema-preta (9) – desta vez, em inglês, mas com títulos traduzidos para facilitar:

    1. “Além da redução de sintomas: DMT melhora ansiedade, satisfação com a vida e qualidade de vida em voluntários saudáveis e pacientes com depressão”, publicado no periódico Journal of Psychopharmacology (10) por Raynara Bolcont e oito coautores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) (11), que tem no Instituto do Cérebro um centro de excelência em pesquisa psicodélica;

    2. “Um protocolo de suporte físico e psicológico não diretivo para N,N-dimetiltriptamina (DMT) inalada: uma avaliação qualitativa de segurança, conforto e integração em ambiente clínico”, publicado no periódico Journal of Consciousness: Theory, Research, and Practice (12) por Handersson Barros e outros 16 autores do mesmo grupo da UFRN;

    3. “Efeitos proliferativos do psicodélico N,N-dimetiltriptamina (DMT) em células-tronco neurais humanas”, publicado no periódico ACS Chemical Neuroscience (13) por José Alexandre Salerno mais 16 colaboradores do grupo extenso liderado por Stevens Rehen em quatro instituições (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, Universidade Federal do Rio de Janeiro, empresa Promega e Instituto Usona em Wisconsin) (14).

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2026/07/veja-11-sugestoes-de-leitura-psicodelica-em-portugues-de-graca.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

    (1) “Impulso de Trump a terapias psicodélicas consagra adesão da direita e afasta a contracultura”
    – Ordem do presidente dos EUA para acelerar tratamentos atordoa povos indígenas e herdeiros do movimento hippie.
    – Biomedicina, conservadores, capital e militares passam a ditar as cartas na cena psicodélica.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/05/impulso-de-trump-a-terapias-psicodelicas-consagra-adesao-da-direita-e-afasta-a-contracultura.shtml

    (2) “Rainha da dependência química nos EUA se rende a psicodélicos”
    – Nora Volkow comanda há 23 anos Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos EUA.
    – Ela deu guinada em favor da ibogaína, que também está na mira do governo Trump.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marceloleite/2026/05/rainha-da-dependencia-quimica-nos-eua-se-rende-a-psicodelicos.shtml

    (3) “Europa fura bolha de entusiasmo dos EUA com psicodelia”
    – Conferência na Holanda encara promessas e problemas do modelo médico-empresarial.
    – Debates temperam otimismo com críticas a misticismo, patentes e microdosagem.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/06/europa-fura-bolha-de-entusiasmo-dos-eua-com-psicodelia.shtml

    (4) https://mercado-de-letras.com.br/e-books-serie-drogas-politica-e-cultura/
    (5) https://chacruna.net/
    (6) https://www.chacruna-la.org/inicio-pt
    (7) https://chacruna.net/author/marcelo-leite-ph-d/

    (8) “Patentes sobre ayahuasca são menos comuns que se imagina”
    – Levantamento focalizado indica 279 pedidos relacionados de propriedade intelectual.
    – Do total, 49 constituem ameaça presente de usurpação do conhecimento tradicional.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2026/05/patentes-sobre-ayahuasca-sao-menos-comuns-que-se-imagina.shtml

    (9) “Seminário da Jurema avança em gênero, número e grau”
    – Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas, comparece a encontro em território dos Truká.
    – Evento em Orocó (PE) aproxima povos indígenas, de terreiro e da academia pela jurema-preta.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2026/05/seminario-da-jurema-avanca-em-genero-numero-e-grau.shtml

    (10) https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/02698811261465005

    (11) “UFRN busca pessoas com depressão para estudo em 5 cidades”
    – Instituto do Cérebro investiga inalação de DMT, psicodélico da ayahuasca e da jurema.
    – Recrutamento começa em Natal e abrangerá São Paulo, Rio, Salvador e Fortaleza.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/virada-psicodelica/2026/06/ufrn-busca-pessoas-com-depressao-para-estudo-em-5-cidades.shtml

    (12) “Protocolo não diretivo de suporte físico e psicológico para N , N -dimetiltriptamina (DMT) inalada: uma avaliação qualitativa de segurança, conforto e integração em um ambiente clínico.”
    +em: https://psycnet.apa.org/doiLanding?doi=10.1037%2Fcns0000480

    (13) https://pubs.acs.org/action/showCitFormats?doi=10.1021/acschemneuro.6c00209&ref=pdf

    (14) “Quem é o bilionário que quer combater depressão com terapia psicodélica”
    – Instituto bancado por americano prepara maior teste clínico com psilocibina, composto de cogumelos ‘mágicos’.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2024/06/quem-e-o-bilionario-que-quer-combater-depressao-com-terapia-psicodelica.shtml

  61. Miguel José Teixeira

    “PT é imbatível em tirar o corpo fora
    – Partido tem longo histórico de empurrar para terceiros a responsabilidade por seus erros.
    – Se bastava uma canetada para limitar publicidade de bets, por que esperaram tanto?
    (Hélio Schwartsman, FSP, 16/07/26)

    Numa coisa os petistas são imbatíveis: empurrar a responsabilidade de seus erros para outros. Um histórico completo da tendência estouraria os limites físicos desta coluna, de modo que me limito a pincelar casos notórios.

    Na visão do partido, o julgamento do mensalão (1) não passou de uma farsa orquestrada pelo STF, pela oposição e pela mídia para enfraquecer a agremiação, que não havia feito nada que outras legendas não fizessem, que era utilizar-se dos tais “recursos não contabilizados”, o popular caixa 2. A crise econômica gestada por Dilma Rousseff não foi mais do que o resultado da retração do preço das commodities apimentada pelas pautas-bombas da oposição. O próprio petrolão foi descrito por Lula como uma mancomunação entre elites brasileiras e o Departamento de Justiça dos EUA, que queria destruir a Petrobras.

    Mais recentemente, o PT tentou empurrar a conta do escândalo do INSS (2) para o governo Bolsonaro. Não há dúvida de que a gestão anterior tem seu quinhão de responsabilidade, mas não dá para ignorar que os descontos indevidos ganharam enorme tração nos dois primeiros anos do governo Lula, registrando crescimento de 253%. E isso apesar dos múltiplos alertas de que coisas erradas estavam acontecendo.

    Petistas também tentaram pular fora das cobranças pela profusão da propaganda de bets (3). Quase me enganaram. É verdade que Temer e Bolsonaro têm muita culpa aí, por não ter regulamentado a publicidade. A gestão Lula, ao contrário das anteriores, se mexeu. Mas se mexeu mal.

    Minha fé na narrativa petista começou a desmilinguir quando li reportagem da Folha (4) mostrando que foi um funcionário do Ministério da Justiça de Lula que redigiu emenda que reduziu as restrições à publicidade no processo de regulamentação. A desilusão mesmo veio quando descobri que bastava uma portaria, isto é, a assinatura de um ministro, para limitar consideravelmente o espaço para abusos. Se não era necessário mais do que uma canetada, por que esperaram quase até o fim da Copa para tomar uma atitude? (*)

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/07/pt-e-imbativel-em-tirar-o-corpo-fora.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

    (1) “‘Não me arrependo de nada porque não fizemos nada de errado’, diz Delúbio, que volta às urnas”
    – Em entrevista à Folha, ex-tesoureiro do PT reafirma inocência no mensalão e na Lava Jato e confirma pré-candidatura a deputado federal.
    – Petista diz que objetivo é ampliar bancada do partido e ajudar Lula no Congresso Nacional.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/delubio-soares-nega-que-candidatura-em-2026-seja-para-resgatar-imagem-apos-escandalos.shtml

    (2) “Desconto em aposentadorias do INSS disparou após 2022”
    – Investigação da CGU mostra que débitos passaram de milhões para bilhões; entenda o motivo do aumento.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/04/desconto-ilegal-em-aposentadorias-do-inss-disparou-apos-2022-veja-evolucao-dos-valores.shtml

    (3) “Blaze gastou R$ 330 mi com anúncios em 2025 e tem Virginia como principal influenciadora no Brasil”
    – Bet, que diz seguir legislação, e criadora de conteúdo são investigadas por propaganda abusiva; ela não se pronunciou”
    – Plataforma declarou R$ 361 mi de lucro e R$ 1,9 bi de receita, o triplo do estimado pelo Ministério Público.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/blaze-gastou-r-330-mi-com-anuncios-em-2025-e-tem-virginia-como-principal-influenciadora-no-brasil.shtml

    (4) “Governo vai restringir publicidade de bets e obrigar exibição de alerta de perda de dinheiro”
    – Apostar pode causar dependência, não é investimento e faz você perder dinheiro são alertas da Fazenda.
    – Medidas passarão a valer no dia 17 e incluem veto a uso de comentaristas ou influenciadores.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/07/governo-vai-restringir-publicidade-de-bets-e-obrigar-exibicao-de-alerta-de-perda-de-dinheiro.shtml

    (*) Provável resposta nas contas da “cumpanherada” em paraisos fiscais!

    Entenda o escândalo dos descontos do INSS em:
    https://www1.folha.uol.com.br/webstories/mercado/2025/05/entenda-o-escandalo-dos-descontos-do-inss/

  62. Miguel José Teixeira

    “Selo de qualidade a pesquisas desqualifica o TSE”
    – O presidente do tribunal eleitoral errou e tenta consertar um mau soneto com um péssimo remendo.
    – Os institutos não se prestam a adivinhações; retratam tendências do eleitorado no decorrer das campanhas.
    (Dora Kramer, FSP, 16//07/26)

    O presidente do Tribunal Superior Eleitoral fez uma bobagem, percebeu que fez e agora tenta consertar o mau soneto com um péssimo remendo.

    Nunes Marques propõe a entrega de selo de qualidade (*) aos institutos de pesquisa que acertarem os resultados das eleições. Faz isso a fim de se desvencilhar da repercussão negativa à decisão de suspender o levantamento Atlas/Bloomberg, que registrou queda nos índices de Flávio Bolsonaro (PL) após a divulgação do áudio com Daniel Vorcaro.

    O gesto, além de inútil, pois os dados já haviam sido divulgados, recendeu a censura. A tentativa de conserto revelou constrangedor desconhecimento sobre o trabalho dos institutos, aos quais cabe captar tendências do eleitorado no transcorrer das campanhas.

    À Justiça Eleitoral, sabemos, cumpre garantir ao país eleições livres e limpas, o que já é tarefa ampla e árdua o suficiente para o tribunal evitar atuar onde não é chamado e não propor imprimir chancela do Estado em iniciativas de natureza privada.

    Pesquisas não são oráculos, não se destinam a adivinhações. A ideia do ministro Nunes Marques, dá força à errônea —e até disseminada— impressão de que os levantamentos sobre tendências têm a obrigação de cravar acertos sob pena de serem postos sob suspeita de incompetência ou, mais grave, de manipulação deliberada.

    A vontade do eleitorado é dinâmica, submete-se a circunstâncias impostas pelos fatos que acontecem no decorrer do processo. Era o que faltava os institutos deixarem de medir tal evolução por meio de métodos estatísticos para atuar como concorrentes ao melhor julgamento do tribunal eleitoral e, no fim da corrida, ganhar uma medalha.

    Se há algum mérito na ideia do ministro Nunes Marques, é o de suscitar o debate sobre o verdadeiro papel das pesquisas, esclarecer que elas não substituem a realidade, apenas a retratam. A proposta está sob consulta e depende da decisão do colegiado que, se a aceitar, vai imprimir um selo de desqualificação às atribuições do tribunal.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/07/selo-de-qualidade-a-pesquisas-desqualifica-o-tse.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

    (*) “Kassio propõe selo de acerto para institutos de pesquisa eleitoral, e especialistas veem erro inaceitável”
    – Texto prevê premiar empresas que divulgarem resultados mais parecidos com os do pleito.
    – Diretora do Datafolha e cientista político dizem que medida parte de princípio equivocado de que pesquisa é previsão.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/07/kassio-propoe-selo-de-acerto-para-institutos-de-pesquisa-eleitoral-e-especialistas-veem-erro-inaceitavel.shtml

    O que faz a Justiça Eleitoral?
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/webstories/politica/2026/03/o-que-faz-a-justica-eleitoral/

  63. Miguel José Teixeira

    Matutando sobre. . .

    “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”
    (Mateus 7:15)

    Como, infelizmente, ainda não foi criado um detector de lobos em peles de ovelhas, descarte seu “político de estimação”!
    Não reeleja!
    Tente alguem novo!

    Os atuais políticos com mandatos, para “se-reelegerem-se”, apresentarão uma gama de “feitos” por e para você.
    Coitados!
    Estão estafados de tanto “trabalharem” para o povo!
    Merecem ficar em casa descansando. . .

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