A pesquisa Genial/Quest desta quarta-feira “pegou” os bolsonaristas de “surpresa”? Só eles se consideraram, mais uma vez, “surpreendidos”. Na praça já se sabia que a soma de tantos erros táticos com um candidato manco, a campanha estava lhe escapando do controle na pretendida convergência da direita e do conservadorismo. Ele representa uma família e não, exatamente, uma parte da sociedade como deveria de ser. Então, só poderia dar no que está dando. Ao senador fluminense Flávio Bolsonaro, PL, restou choramingar e se agarrar às tábuas do barco que fazendo água desde abril, quando ultrapassou Luiz Inácio Lula da Silva, PT.
Flávio se embrulhou nos casos das tarifas impostas pelo “doido dono do mundo”, o republicano que governa os Estados Unidos, Donald Trump ao Brasil; muito tardiamente percebeu que era contra empregos e a economia brasileira. Mentiu – e foi pego tentando construir uma narrativa mais mentirosa ainda – ao tentar dizer que não tinha relação alguma com o banqueiro bandido Daniel Vorcaro. Mas, nada foi pior para ele, do que a briga familiar com a madrasta Michele Bolsonaro, PL, e levado a público. Ficou claríssimo a partir deste momento quem é Flávio neste jogo familiar.
O resultado desta longa lista está nas ruas – e nas pesquisas. Se Flávio, tinha a obrigação de empunhar a bandeira da mudança, da estabilidade jurídica, econômica e social, ele apenas se agarrou a um imaginário bipolar ao que está – ou estaria – posto em disputa, como se isso fosse o suficiente para todos os cidadãos e cidadãs cansados de estagnação, enrolação e “surpresas” ruins a todo momento.
E por quê? Porque Flávio não tem nada além do que Jair Messias Bolsonaro, PL, tinha: pátria, família e Deus. Isto já passou. O país precisa de muito mais num mundo de turbulências, separações e oportunidades geopolíticas. Flávio, o bolsonarismo, principalmente e o PL, não possuem, até o momento, um projeto real de Brasil. Simples assim. Flávio não é um estadista. Flávio não possui equipe. Flávio não tem discurso. Flávio não é por si só, como foi Jair, um carismático catalizador de votos e esperanças de mudanças. Flávio não consegue sequer, ser um animador de brigas de torcidas.
No fundo, o PL, o bolsonarismo e a direita são trituradores de reputações e geradores em alta tensão de confusões dentro da própria bolha onde estão.
Exagero? Vamos a Santa Catarina. Aqui o bolsonarismo alugou o eleitorado para se encostar na perpetuidade do poder. É isto que quer o improdutivo vereador carioca por mandatos seguidos, Carlos Bolsonaro, PL. Ele virou “barriga-verde”, mas apenas para tomar uma vaga das três que temos no Senado, como se já não bastasse a conseguida por outro carioca Jorge Seif Júnior, PL.
E de contrapeso pela diminuição da representação de Santa Catarina no Congresso, Jair Renan Bolsonaro, PL, vereador inexpressivo em Balneário Camboriú, já conta como favas contadas a sua eleição à Câmara Federal para retomar a sua rotina familiar e de amigos em Brasília. Santa Catarina terá 15 deputados aos diminuídos 16 e contra a Constituição. Ela diz, expressamente, que devemos ter 20.
O bolsonarismo catarinense ignorou os catarinenses. Impressionante. E Jorginho Mello, PL, experiente político, que já esteve ao lado impichada de Dilma Vana Rousseff, PT, conseguiu criar dentro do próprio conservadorismo a candidatura do ex-deputado estadual, Federal e prefeito de Pinhalzinho e Chapecó, João Rodrigues, PSD, o seu próprio adversário ao não liderar este processo da sua reeleição. Gente doida.
E em Blumenau e Gaspar? Eu conto ou deixo rolar solto o que todos contam sobre os desastres das gestões de Egídio Maciel Ferrari e Paulo Noberto Koerich, ambos do PL, bolsonaristas e conservadores? E os candidatos deles?
Concluindo: é gente como os bolsonaristas radicais e sem controles, como Jorginho, Egídio e Paulo, agregados que sempre estiveram em outros projetos de poder, que no fundo, está desmanchando a capilaridade de Flávio em ambientes de direita e conservadores – que nesta altura da pré-campanha já deveriam estar consolidados – mas que já enxergaram que o projeto de Flávio é apenas dos Bolsonaros e não de Brasil, de Santa Catarina, Blumenau ou Gaspar.
Em Santa Catarina, ao menos, ainda há uma opção dentro da direita e do conservadorismo. Mas, no Brasil, este “samba do crioulo doido” está reelegendo Lula mesmo diante de tanto desastre econômico, desperdício, inflação, inseguranças – incluindo a jurídica e a parlamentar que aprova pautas bombas para nos obrigar a pagar mais impostos e sustentar os devaneios eleitoreiros – e tantos impostos tão altos e on-line contra a geração – e circulação – de riqueza e inclusão competitiva. Flávio está perdendo o controle da sua própria bolha, quando deveria agregar a parte ponderável do pêndulo que elegeu Lula e está insatisfeita com ele.
1 comentário em “QUEM ELEGE A DITA ESQUERDA NO BRASIL? A INCOMPETÊNCIA E A MESMA VALA COMUM DE POLÍTICOS DA DIREITA. TODOS TÃO IGUAIS. É O QUE MOSTRAM OS ARRANJOS DESTA ELEIÇÃO, AS PESQUISAS E POR EXEMPLO, A REALIDADE DA MAIORIA DOS ELEITOS AQUI EM OUTUBRO DE 2024”
Texto de Yago Godoy, para o jornal O Globo
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições. Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário até o momento, o petista aparece com 45% das intenções de voto, contra 37% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O cenário representa uma oscilação positiva para Lula, que, na divulgação anterior, marcou 44%, enquanto Flávio tinha 38%.
O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de julho, com 2.004 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.
Pulso: TSE estuda elaborar resolução para ampliar transparência de pesquisas eleitorais após reunião com institutos
Intenções de voto – 2 º turno
Lula x Flávio:
Lula (PT): 45%
Flávio Bolsonaro (PL): 37%
Branco/Nulo/Não vai votar: 14%
Indecisos 4%
Em maio, antes da divulgação da relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro — caso ‘Dark Horse’ —, os dois apareciam empatados tecnicamente: Lula marcava 42%, e o senador, 41%.
Lula x Caiado:
Lula (PT): 45%
Ronaldo Caiado (PSD): 36% (+1)
Branco/Nulo/Não vai votar: 15% (-1)
Indecisos 4%
Lula x Zema:
Lula (PT): 45%
Romeu Zema (Novo): 35%
Branco/Nulo/Não vai votar: 16% (-1)
Indecisos 4% (+1)
Lula x Renan Santos:
Lula (PT): 45%
Renan Santos (Missão): 33% (+2)
Branco/Nulo/Não vai votar: 18% (-2)
Indecisos 4%
Genial/Quaest: A três meses da eleição, Lula alcança sua melhor aprovação desde 2024
Primeiro turno
No primeiro turno, Lula mantém a liderança, com oscilação de um ponto para cima. Ele aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% de Flávio, que fica em segundo lugar. Na divulgação anterior, em junho, o petista tinha 39%, e o senador, 29%.
Três pré-candidatos — Edmilson Costa (PCB), Heró Bezerra (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) — não pontuaram. Indecisos são 11%, e eleitores que declaram voto em branco, nulo ou não vão votar, representam 8%.
Lula (PT): 40%
Flávio Bolsonaro (PL): 28%
Ronaldo Caiado (PSD): 4%
Renan Santos (Missão): 3%
Romeu Zema (Novo): 2%
Cabo Daciolo (Mobiliza): 2%
Augusto Cury (Avante): 1%
Joaquim Barbosa (DC): 1%
Samara Martins (UP): 1%
A escolha de voto é definitiva para 65% dos brasileiros, contra 35% que afirmam que ainda pode mudar. No mês passado, o percentual dos decididos era de 63%.
Rejeição
Flávio é o pré-candidato com maior rejeição entre os testados nesta rodada da Genial/Quaest. O senador é rejeitado por 57% dos eleitores — percentual que, em abril, era de 52%.
Lula vem em seguida, com 50%, mantendo a tendência de queda dos últimos meses. Em junho, ele era rejeitado por 53% da população, taxa que era de 55% em abril.
Alta na aprovação do governo
A Genial/Quaest também mostra que Lula é aprovado por 48% dos brasileiros, contra 47% que desaprovam a atual gestão. É a primeira vez, desde dezembro de 2024, que o índice positivo é numericamente superior. Para efeito de comparação, em julho do ano passado, a desaprovação era de 53%, taxa que caiu para 48% na divulgação anterior, no último mês.
Sobre esse tema, 5% não sabem ou não responderam. Em junho, o governo era aprovado por 47%. Já em maio, a aprovação era de 46%, contra 49% que desaprovavam.
A alta na aprovação é puxada por uma melhora, nos últimos meses, da percepção nas regiões Sul e Sudeste. Na primeira, a desaprovação é de 58%, contra 63% em junho. Na segunda, a desaprovação é de 50% — em abril, percentual negativo era de 58%.
Outro fator que alavanca a melhora no cenário é a performance do governo entre o público de 16 a 34 anos. Na faixa etária, Lula é aprovado por 48%, contra 46% que o desaprovam. Em junho, a gestão petista era reprovada por 50%, contra 43% que aprovavam.
Em relação à avaliação do governo, 36% consideram o trabalho como sendo positivo, contra 26% que avaliam ser regular. O percentual negativo, por sua vez, também é de 36% — há um ano, em julho de 2025, era 40%.
Em um recorte de 1 ano para cá, o pior cenário ocorreu em março deste ano, quando a avaliação negativa alcançou 43%. À época, somente 31% consideravam o trabalho como sendo positivo, contra 25% que avaliavam ser regular.