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A SESSÃO BRANCA. O ESPETÁCULO FEITO PARA NÃO DAR EXPLICAÇÕES. AMONTOAM-SE INCOERÊNCIAS E O PASSADO ASSOMBRA O PRESENTE POR SEMELHANÇA E REPETIÇÃO

Ainda não vou escrever sobre a suposta oficialização de entrega da gestão do Hospital de Gaspar para o Hospital Santo Antônio, de Blumenau, uma referência na área não só em Santa Catarina, e que teve uma história tão triste quanto o nosso pela interferência errática de políticos nele.

No fundo do poço, o Santo Antônio deu, espetacularmente, na minha opinião, a volta por cima quando a sociedade resolveu dar um basta, organizou-se e escanteou esses mesmos políticos que o infestavam, criando proteções jurídicas e de gestão ao Hospital por meio de mecanismos de transparência, controle social plural e técnico superior.

O problema, hoje, não está exatamente em Blumenau.

Está também lá com Egídio Maciel Ferrari e seu PL, mas está principalmente aqui e via aval errático para ser prioritariamente um fator de alavancagem eleitoral, para a reeleição do governador Jorginho Melo, PL. Não só. Mas, está igualmente em gabinetes de políticos e entidades que devem esclarecimentos neste processo à sociedade. E enrolam. É antes de tudo, um complicado caso jurídico, financeiro, contábil, técnicos e administrativo.

Este problema esconde o que se faz neste assunto delicado – e sei disso porque por décadas não só acompanhei, mas participei por dentro desta agonia que sempre apresentou fórmulas velhas, “mágicas”, pessoais, repetidas e a favor do erro – para ou contra as vantagens dos mesmos, normalmente, grupos de poder, grupos políticos e guildas de prestadores de serviços, fornecedores e profissionais da área de Saúde.

Se não houver a transparência  que mencionei no artigo de quarta-feira, A TRANSPARÊNCIA TRANSLÚCIDA. MINISTÉRIO PÚBLICO ADVERTE PREFEITO DE GASPAR SOBRE AS PENAS DA LEI DIANTE DO REITERADO ATRASO NO ENVIO DE SIMPLES INFORMAÇÕES. É SOBRE A OBRIGATÓRIA E ATRASADA ATUALIZAÇÃO DO PLANO DIRETOR. ELAS DEVERIAM JÁ ESTAR DISPONÍVEIS NÃO SÓ PARA ESCLARECIMENTOS MÍNIMOS OU INSTRUIR OU CESSAR UMA AÇÃO CIVIL PÚBLICA, MAS NO DEBATE DA CIDADE VIA UM CANAL PRÓPRIO E ABERTO mais uma vez, entre mais de uma dúzia com a mesma preocupação que escrevi, nada mudará a artimanha que nos meteu neste buraco onde estamos com o Hospital. Ele respinga, diretamente, na qualidade de atendimento dos postinhos de saúde, ainda numa cidade dormitório, de empregos de baixo salário e que precisa dar mais atenção básica aos vulneráveis.

Esta falta de transparência em algo que expõe um governo perante a cidade – e parece que teimosamente ele insiste em não entender, nem mesmo como o erro dos outros que levou ao resultado que tentar consertar, prefere posar de vítima, perseguido e ensaiar vinganças -, uma nova fragilidade pode estar sendo pactuada em segredo para apenas vencer as desconfianças públicas de curto prazo, em tempo de campanha eleitoral.

No fundo, se este fato relatado for essencial, os de boa fé, os que querem resolver a qualquer custo logo esta antiga engronha para obter vantagens eleitorais, os novos espertos e principalmente, os “gênios” da solução com bisturis enferrujados, apenas estão criando discursos e cortinas de fumaças para o distinto público desinformado ou mal informado pela velha propagada capenga oficial.

Apenas se quer, prioritariamente, tapar a boca dos críticos ou outro para levar vantagem. Na verdade, corre-se, mais uma vez, um risco sério devido à falta do necessário debate e esclarecimento de ver de volta um castigo contra a cidade e os mais vulneráveis. E isso vai respingar, exatamente na busca da reeleição de 2028. Avisados estão.

A solenidade política da semana passada, e aí que começa o problema em algo técnico bem torto para a cidade, os seus cidadãos e cidadãs, lembrou, incrivelmente, a solenidade que o poder de plantão da época liderado pelo PT e Pedro Celso Zuchi, fez aqui, com pompa, com o então governador e já falecido, Luiz Henrique da Silveira, MDB. É a foto que abre este artigo, para que não se esqueça como a conivência, o silêncio e a politicagem estavam lá. Era a nata empresarial e política de Gaspar que avalizava a reabertura do Hospital reconstruído fisicamente sem a participação deles até então e que estavam na foto, entrevistas e discursos. Festa. Foi à falta de transparência e principalmente, um pacto de sustentabilidade e de controle externo como fez o Hospital de Santo Antônio para sair das cordas que faltou ao Hospital de Gaspar. O mau de antes, tenta-se remediar, sob desgastes e dúvidas se remediar neste momento sob pressão e emergência.

Depois da festa, o poder e o político esperto daqui, resolveu intervir e tomar para si o Hospital. A cidade engoliu, mais. O resultado está aí. E todos espalhando culpas para quem, verdadeiramente, não as têm.

Voltarei ao tema mais tarde, em algo conhecido e repetido, mas que os políticos e gestores públicos teimam em desvirtuar ou criar versões, apesar da farta documentação que os dementem. Agora é a hora da propaganda para se levar vantagem política eleitoral deste ano.

Só para lembrar. Em setembro do ano passado quando o governo esteve na mesma Sociedade Alvorada, discursos e entrevistas gravados, prometeu-se publicamente esta transição para primeiro de janeiro deste ano. Depois ficou para primeiro de abril, o dia da mentira, da piada pronta. Ficou, para primeiro de maio, Dia do Trabalho. Recentemente, marcou-se para primeiro de junho.

Agora, na semana passada, a nova data foi cravada para primeiro de julho. Ou seja, há tempo para se esclarecer o que está obscuro para a cidade, cidadãos, cidadãs e os envolvidos, que secretamente, dizem entre eles, está tudo claro. Por derradeiro, o que mesmo foi desapropriado? Como o município liquidará as dívidas do CNPJ atual do Hospital? Quem sustentará economicamente o Hospital em outro CNPJ? Muda, Gaspar!

TRAPICHE 

A transparência foi uma precariedade do gestor público e dos políticos em Gaspar no poder de plantão de ontem. E continua hoje, o que prometeu em palanque ser uma prioridade no diálogo com a cidade e suas forças institucionais e políticas. Quando cobrados, alegam que é perseguição de uma suposta oposição. Pedem para entrar na onda da cortina de fumaça de que aqui é um novo paraíso.

A sessão da Câmara da semana passada, perdeu-se tempo para crucificar o vereador petista Dionísio Luiz Bertoldi. E por quê? Ele apenas fez o seu papel quando foi informado por cidadãos gasparenses, eleitores: foi fiscalizar “in loco” à razão pela qual um caminhão do Samae de Gaspar, em pleno final de semana de feriadão, estava atolado num terreno particular no Óleo Grande e dormindo lá por dias.

Os da base do governo, incluindo, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, tem na ponta da língua um pecado contra Dionísio Luiz Bertoldi que o desacredita de cara naquilo que ele faz pela comunidade ou naquilo que ele quer ver esclarecido: ser do PT. Para não me alongar, vou resumir: falta de argumento para contrapor e ao mesmo tempo esconder o que deve ser explicado mesmo sem se pedir.

Não vou me alongar neste assunto e que já está longo. Dionísio Luiz Bertoldi, PT, fez o que deve fazer um vereador para não errar: protocolou um requerimento, o 91/2026 pedindo explicações ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Ao invés de reclamar, é agilizar e tapar a boca de todos com respostas claras. Nem isso, Paulo e sua turma têm feito seja para a sociedade, vereadores e até o Ministério Público, como registrei na quarta-feira. Resta se queixa e se desgastar.

Registros necessários do convescote sobre a solenidade do Hospital na Sociedade Alvorada, armado emergencialmente em dois dias. Gente de Gaspar, pouca. Inclusive os que armaram a candidatura de Paulo Norberto Koerich, PL. Muitos comissionados. Muitos candidatos e seus cabos. Muita gente de fora. O chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP, apareceu pela primeira vez em público depois da enfermidade que o levou a internação, em Blumenau. E um empresário papagaio de pirata, apareceu para as fotos com o governador….

Os ex-prefeitos Adilson Luiz Schmitt, sem partido, mas eleito pelo MDB, e Luiz Fernando Poli, eleito pelo MDB e antigo PFL foram lá na Sociedade Alvorada. Adilson – que é acusado inclusive pela líder do atual governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, de ter fechado o Hospital e não foi, sou testemunha disso – bateu em retirada. Poli, ouviu o deputado Ivan Naatz, PL, dizer que Paulo Norberto Koerich, PL, foi o único que deu solução ao Hospital. Ainda não deu.  Ausente, o presidente do PL de Gaspar, o empresário Bernardo Leonardo Spengler Filho. Outro ausente, mas porque não recebeu nenhum tipo de convite, foi o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos e que já se tornou um “desconhecido” dos cerimonialistas da prefeitura de Gaspar. Meu Deus!

Logo depois da solenidade, dois episódios idênticos, foram registrados por dois vereadores na sessão da Câmara de quarta-feira. Uma mãe esperou por dez horas por atendimento no Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar. Um pai teve o filho liberado depois de analisado com febre alta. Foi a um Hospital de Blumenau. Era pneumonia.

Outra. As filas no Pronto Atendimento do Hospital, devido ao feriadão de segunda-feira nos postinhos de saúde aumentaram. Este problema é reiterado por falta de contingências. Nesta sexta-feira se inicia outro feriadão. Então….

O espelho I. Corretamente, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, terceiro mandato, desmascarou o oportunismo de direita do vereador Alexsandro Burnier, ex PL e hoje PRD. É que ele começou no PSB – quando a esquerda era moda – e na eleição que participou em Gaspar e perdeu, o PSB – Partido Socialista Brasileiro – estava coligado com o já extinto Partido Comunista do Brasil. Hoje é vice de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, com Geraldo Alckmin.

O espelho II. Os políticos só olham para o seu próprio umbigo e não para o espelho. Eles acham que a sociedade só tem gente com Mal de Alzheimer. O próprio Dionísio Luiz Bertoldi, e grande parte da sua família antes de ser PT, era o que é o PP de hoje, que de progressista não tem nada além do nove na sigla, pois é oriundo e sucessor da Arena que sustentou a ditadura militar.

O espelho III. Dionísio Luiz Bertoldi, PT, por exemplo, não só foi cabo eleitoral, mas até coordenador da campanha do mais longevo dos vereadores de Gaspar, José Hilário Melato, PP, hoje integrado à base e está obrigado a defender o governo de Paulo Norberto Koerich, PL.

O espelho IV. Em sua defesa, Alexsandro Burnier, PRD, diz que a sua passagem pelo PSB foi uma aventura de um jovem desinformado. Credo. Mesmo jovem não e com tanta disponibilidade de mídias na palma da mão não conseguiu se informar? Foi para o PL e agora está no nanico PRD e não deve ser por desinformação, mas porque se esclareceu demais e viu o caminho congestionado no PL para as suas ambições políticas, as mesmas que já o fez escolher o PSB. O único coerente neste ambiente deles, é José Hilário Melato que nunca saiu do que é o PP. Muda, Gaspar!

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6 comentários em “A SESSÃO BRANCA. O ESPETÁCULO FEITO PARA NÃO DAR EXPLICAÇÕES. AMONTOAM-SE INCOERÊNCIAS E O PASSADO ASSOMBRA O PRESENTE POR SEMELHANÇA E REPETIÇÃO”

  1. O STF NÃO É PODER CONSTITUINTE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou uma lei vedando cotas raciais para o ingresso de estudantes ou contratação de profissionais em universidades estaduais e instituições beneficiárias de verbas estaduais. O Supremo Tribunal Federal (STF) a declarou inconstitucional, e o fez por rara unanimidade, como se fosse matéria incontroversa. Não é. A Constituição, na melhor das hipóteses, permite as cotas raciais, mas de modo algum as exige.

    Democracias desenvolvidas admitem ações afirmativas, mas em geral vedam cotas, por entenderem que substituem a avaliação individual por pertencimento a grupos e tensionam princípios como a igualdade perante a lei. Nesse sentido, o modelo brasileiro é exceção, não regra. De todo modo, o mérito das cotas é secundário. O que está em jogo é o direito de uma sociedade decidir sobre políticas públicas.

    Há argumentos sólidos para advogar que reservas raciais ferem pilares constitucionais como o da igualdade (art. 5.º), vedação a discriminações (artigos 3.º e 19.º) e isonomia no acesso à educação (art. 206). Apesar disso, o Supremo pacificou a jurisprudência segundo a qual as cotas são constitucionais. Mas daí segue-se uma lógica elementar: o fato de que a Constituição não as proíba não quer dizer que as exija. Em sua interpretação expansiva, o STF extrapolou mais uma vez sua função de guardião da Constituição e, na prática, deslocou do ordenamento jurídico o “pode haver cotas” para “deve haver cotas”.

    O relator, ministro Gilmar Mendes, apoiou-se basicamente em dois argumentos. O primeiro é o de que o legislador teria partido de uma “premissa” incompatível com a jurisprudência do tribunal. No entanto, o controle de constitucionalidade não incide sobre intenções atribuídas ao legislador, só sobre o conteúdo da lei. Julgar “premissas” é abrir caminho para invalidar leis por divergência política travestida de técnica jurídica.

    O segundo argumento foi o da fragilidade do processo legislativo – tramitação breve, ausência de audiências públicas, falta de estudos. Mas a Constituição não exige um ideal de deliberação, apenas o cumprimento de regras formais, como o respeito a quórum, ritos ou prazos. Se o Judiciário passa a avaliar a qualidade do processo parlamentar, e não apenas sua legalidade, qualquer lei se torna passível de invalidação por não satisfazer critérios subjetivos de suposta razoabilidade institucional.

    O impacto dessa lógica extrapola Santa Catarina. Ao restringir a margem de escolha de um Estado em matéria educacional, o STF esvazia o federalismo e uniformiza decisões que deveriam refletir realidades locais. Mais grave: reduz o espaço legítimo de disputa política.

    O povo de Santa Catarina, por meio de seus representantes eleitos, pode ter tomado uma decisão ruim. Isso é discutível. O que não é discutível é seu direito de decidir. No caso, o que importa é que a sua decisão é absolutamente legítima e constitucional. Ao derrubá-la, a Corte não consagrou a Constituição, só a ambição de seus ministros de fazer do STF um poder constituinte.

  2. SAMAE e o saco amarelo: agora a gente liga pro SAMAE e a ligação cai lá em Timbó!
    Como os atendentes de lá não conhecem a cidade, recebi “promessas”.
    Retornei a ligação ao SAMAE e lá me passaram o telefone do senhor Gutemberg.
    Conversando sobre a riqueza do lixo reciclado, perguntei pq o SAMAE não implantou uma cooperativa de RECICLAGEM no município, e pq a coleta Seletiva é realizada com caminhão COMPACTADOR, uma vez que é praticamente impossível separar VIDRO MOÍDO DE PAPELÃO, PLÁSTICOS E METAIS.
    Segundo o senhor Gutemberg, o reciclado recolhido em Gaspar é LEVADO ATÉ UM GALPÃO EM ILHOTA ANTES DE IR PRA TIMBÓ 👀

    Como ele pediu o meu watts pra posterior informação, amarrei a conversa do telefone na mensagem do aplicativo.
    O senhor Gutemberg ficou sem resposta e enviou um áudio dizendo que assim que ele tiver uma resposta, entra em contato 💸💸💸💸💸

    Afinal, isso PODE, Arnaldo??

    Sobre as DÍVIDAS DO PERPÉTUO SOCORRO, uma matéria vinculada no jornal Cruzeiro do Vale, o DINHEIRO da desapropriação do hospital será repassada ao Conselho do Perpétuo Socorro; junto com o DINHEIRO, AS DÍVIDAS…

    Políticos brasileiros são tão bonzinhos, né 👀

    1. 1. Em Gaspar, no caso do lixo ou estamos na idade da pedra ou no tempo da preguiça ou na era da esperteza
      2. Como repassar ao Conselho do Hospital? O Conselho não é uma entidade abstrata. Ele é feito de pessoas e que foram sendo substituídas ao longo dos anos enquanto se constituía o desastre técnico, contábil e financeiro. O quanto elas colocaram no Hospital para serem “indenizadas”? Então é simples: tapar a boca dos mal esclarecidos com esclarecimentos. Mas, todos se negam

      1. O dinheiro que dizem estar investindo no hospital e em ano eleitoral são só papelinhos;
        as DÍVIDAS, não.
        Logo, estão jogando o rojão no colo daqueles que a quase duas décadas estão afastados da direção do hospital.

        Encheram os bolsos, enriqueceram os correligionários e agora entregam o cavalo de Tróia pro ANTIGO conselho..
        Parece manobra articulada pra “se eximirem de qualquer responsabilidade pela falta de esparadrapo”.

  3. JORNADA MENOR, BAIXA DA PRODUTIVIDADE: É O NÓ DA ECONOMIA, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Estado de S. Paulo

    Começando pelo óbvio: a redução da jornada de trabalho, sem redução do salário, aumenta o custo da mão de obra. Quanto? Depende do perfil da empresa. Numa fábrica automatizada, o impacto será pequeno. Num hospital ou data center, o custo do trabalho terá peso significativo na rentabilidade. Em resumo, quanto mais empregados tiver uma empresa, maior será o aumento de custos com a redução da jornada.

    Considerando as propostas em andamento no Congresso, parece que o resultado mais provável será o seguinte: jornada máxima de 40 horas semanais, com escala de cinco dias trabalhados por dois de descanso. Hoje, são 44 horas semanais (desde a Constituição de 1988), admitindo a escala 6×1.

    Em ano eleitoral, a proposta deve ser aprovada por ampla maioria. A questão, portanto, é saber como as empresas farão para produzir com menos trabalho e com o inevitável aumento de custos. Muitos setores da economia já trabalham no regime de oito horas diárias, cinco dias na semana. No comércio e nos serviços, especialmente, empresas ainda funcionam na escala 6×1, com as 44 horas semanais.

    Como reagirão às novas regras?

    Há diversas possibilidades. A empresa pode contratar mais empregados. Mas isso, obviamente, aumenta ainda mais o peso da mão de obra no custo de produção. Quem paga? O consumidor, pelo aumento de preços, ou a própria empresa, pela redução da margem de lucro. Aumentar preços é difícil num setor muito competitivo. Absorver o custo também é difícil para companhias que, devido mesmo à concorrência, já funcionam com margens apertadas. A única saída, portanto, é buscar uma combinação de aumento de preços com redução de margem. E abrir as portas por menos dias.

    Associações empresariais já pleiteiam medidas compensatórias, como desoneração de impostos para empresas que contratarem novos empregados. Ou financiamentos baratos para o período de transição. Pelo que se ouve do governo, não há nada disso em cogitação. As contas públicas apresentam déficit todos os anos, de modo que é mesmo complicado renunciar a qualquer receita.

    Na verdade, o governo Lula espera que as empresas se virem. E muita gente repete: a melhor resposta para as empresas e para a economia em geral é o ganho de produtividade. Faz sentido: com mais eficiência, é possível manter a produção ou mesmo aumentá-la com a mesma força de trabalho. Na prática, porém, o que se vê por aqui é uma economia estagnada na baixa produtividade.

    Ainda na semana passada, saíram novos dados do Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). No ano passado, a produtividade do trabalho cresceu 0,4% em relação a 2024. É um resultado muito baixo, especialmente para um país emergente. Além disso, o dado é enganador. Dividindo por setores, verifica-se que só houve ganhos na agropecuária. E ganhos espetaculares. Em 2025, a produtividade do agro aumentou 13,2%, compensando as perdas dos demais setores. Na indústria, a produtividade caiu 0,3%. Nos serviços, foi pior ainda: recuo de 0,6%.

    O estudo mostra que não foi um ano diferente. Ao contrário, a regra tem sido essa. De 1996 a 2025, a produtividade da economia brasileira cresceu em média 0,8% ao ano. Mas o agro responde por 0,5%, ou mais da metade do ganho. Convém reparar: indústria e serviços (incluindo comércio) representam 90% das horas trabalhadas. Tirando o agro, resta uma economia presa ao padrão de crescimento intensivo em trabalho, com baixa produtividade. A jornada de 40 horas semanais, com escala de 5×2, não destruirá a economia. Mas também não acelerará o crescimento, muito menos a produtividade.

    Eis o ponto: uma economia intensiva em trabalho trabalhará menos horas. E nem dá para aumentar as contratações, pois a taxa de desemprego está em nível recorde de baixa. É muito bom trabalhar menos. Mas continuaremos no baixo crescimento. Fora o agro e sua intensa tecnologia. Faltam reformas. Isso mesmo, aquelas de que falamos tanto.

  4. POR QUE O STF “DOBRA A APOSTA”, por Carlos Pereira, no jornal O Estado de S. Paulo

    O STF tem sido alvo recorrente de críticas. Parlamentares defendem o indiciamento de ministros. Políticos de oposição acusam a Corte de ser “intocável”. O tom do debate público subiu — e a pressão política, ao menos no discurso, parece crescente.

    Mas o comportamento recente do STF aponta em outra direção. Em vez de recuar, a Corte avança. Diante das críticas, ministros não apenas reafirmam suas posições, como ampliam o escopo de suas decisões — como evidenciado pela solicitação de inclusão de novos atores políticos no inquérito das fake news e pela continuidade de investigações sensíveis.

    À primeira vista, esse movimento pode parecer arriscado. Em democracias, supremas cortes dependem, em última instância, da disposição dos outros poderes de respeitar suas decisões. Ao tensionar esse equilíbrio, o STF não estaria aumentando o risco de retaliação?

    O Brasil combina presidencialismo com multipartidarismo extremo e forte fragmentação política. Nenhuma força política — nem no Executivo, nem no Legislativo — detém maioria para impor, sozinha, mudanças relevantes nas regras do jogo.

    Reformas que afetem e/ou diminuam os poderes do Judiciário, especialmente o STF, exigem coordenação ampla, estável e custosa entre múltiplos atores com interesses divergentes. Esse é o ponto central: o custo de coordenação para retaliar o Supremo é extraordinariamente alto – por vezes impagável.

    Não basta haver insatisfação difusa. É preciso alinhar preferências, construir coalizões e sustentar acordos ao longo do tempo. Em um ambiente marcado por competição intensa, baixa disciplina partidária e incentivos eleitorais descentralizados, essa coordenação tende a falhar.

    Os ministros do STF, juízes e promotores sabem disso. E ajustam seu comportamento a esse contexto. Ao perceberem que a probabilidade de uma retaliação institucional efetiva é baixa, o custo de decisões mais assertivas diminui. O risco existe no plano retórico, mas não se materializa no plano institucional.

    É nesse sentido que o Supremo “dobra a aposta”. Não por ausência de cálculo, mas exatamente pelo contrário. Isso não significa que o STF seja imune a pressões. Tampouco implica que o atual equilíbrio seja estável no longo prazo.

    Mas, no curto prazo, a combinação entre fragmentação política e altos custos de coordenação cria um ambiente em que ameaças ao Supremo têm pouco efeito prático. No Brasil, o problema não é a falta de disposição para reagir ao STF. É a incapacidade de fazê-lo. E enquanto esse for o caso, a tendência é clara: diante do barulho, a Corte não recua — ela avança.

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