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JOÃO RODRIGUES VEIO A GASPAR. MOSTROU A RAZÃO PELA QUAL JORGINHO MELLO O TEME E COMO O ESQUEMA QUE ELEGEU PAULO NORBERTO KOERICH ESTÁ EM RETALHOS CONTRA O PRÓPRIO JORGINHO

Alterado e corrigido, porque Roni Jean Muller, MDB foi ao evento. Correção às 10h03min deste 05..06.2026. O pré-candidato pela aliança PSD, PP, MDB e União Brasil ao governo de Santa Catarina em outubro deste ano, o gaúcho de São Valentin, João Rodrigues, 59 anos, empresário, ex-radialista, ex-prefeito de Chapecó, ex-vice e prefeito de Pinhalzinho – e que lhe custou uma punição na Justiça -, ex-deputado estadual e federal, esteve em Gaspar.

Ele se reuniu na noite de quarta-feira, vésperas de um feriadão, com lideranças partidárias e empresariais de Gaspar e Ilhota, no Restaurante Questão de Gosto, no Poço Grande. Antes visitou a Apae e a empresa Vida & Cor. O roteiro incluirá outras cidades polos do Vale do Itajaí neste final de semana. Na imprensa local, pouca repercussão. Compreensível. Aos que foram lá, saíram bem impressionados.

Então, eu não vou escrever como João, experimentado político e gestor público, é articulado e antenado. E, consequentemente, também não vou escrever, a razão pela qual o governador Jorginho Mello, PL, o que sempre está no lado mais oportuno da história – já esteve com Dilma Vanna Rousseff, PT -, teme pela sua sorte dele nas próximas eleições.

ESTAR NO SEGUNDO TURNO

Mas, não custa repetir. Tudo o que Jorginho mais teme é se João chegar ao segundo turno das eleições deste outubro. E se chegar, primeiro não será tão fácil diante do poder da máquina que dispõe Jorginho para se auto-beneficiar; segundo, há claros impasses nesta amarração para João conseguir esta meta. E João está consciente disso. O que já é uma grande vantagem. Então João está garimpado. Está ajuntando os cacos deixados pelo caminho pelo próprio Jorginho – outro experimentado político, reconheça-se desde já -, alguns deles, fruto do radicalismo que o imobiliza nas alianças que fez para se eleger, se manter no poder e agora tentar à reeleição. Veja que não escrevi sobre as  ou não entregas. Um capítulo à parte.

Veja o caso desta quarta-feira em Gaspar.

Ilhota, sob lideranças partidárias fortes veio em peso. Já Gaspar um paraíso de paraquedistas na cabala de votos nas eleições gerais, de lideranças atualmente frágeis. Tudo conta disso e de submissão aos donos da cidade por décadas.

O senador Esperidião Amim Helou Filho, PP, por exemplo, não viu no convescote o “fiel”, o “pedichão” e mais longevo dos vereadores (sete mandatos), José Hilário Melato. O União Brasil não deu as caras porque o seu presidente, o suplente de vereador Eder Carlos Muller da Silva é comissionado do governo de Paulo Norberto Koerich, PL; nem mesmo o vereador do partido, Thimoti Thiago Deschamps, que anda às turras com Paulo, deu às caras.

E o que falar do MDB? Lá só o seu presidente, Ciro André Quintino e a velha guarda do partido. Ela foi trazida pelo deputado Federal de Agrolândia, Rafael Pazentti,sucessor de deputado Federal de Ituporanga, Rogério Peninha Mendonça, que veio a Gaspar e promete sair da aposentadoria por João. Os vereadores Carlos Francisco Bornhausen não foi e Roni Jean Muller que estava ao lado da velha guarda, não está no projeto de Ciro.

JUNTANDO OS CACOS

Quem ressurgiu como estrela na vinda de João por aqui foi o vereador e presidente do PSD de Gaspar, um partido que cabe num fusca por erros táticos do passado, Giovano Borges.

É este quadro de recomposição que João tenta atalhar para se dar bem no primeiro turno e deixá-lo posicionado para uma disputa dentro do próprio conservadorismo catarinense. João, no discurso, e nas realizações, tem a cara dinâmica de Santa Catarina e que só na na cara e desconectada marquetagem para Jorginho aparece, mas não cola quando ela é confrontada com a realidade.

Ah, mas eu exagero? Então me diga qual é mesmo a marca de quase quatro anos de governo de Jorginho Mello, PL, que mudou a vida dos catarinenses e fez Santa Catarina diferente, se não pela resiliência de empresários e investidores? Santa Catarina é muito mais do que a disputa entre frágil esquerda e a direita que se tornou arrogante. Santa Catarina é acima de tudo resolutiva e mais do que isso, com o exemplo do ex-governador Celso Ramos, mostrou-se dinâmica e de que era necessário se adaptar, rotineiramente, por investimentos, segurança e certa previsibilidade de médio prazo, às novas exigências competitivas e sociais.

AS CARTAS

João, na verdade, joga com muitas cartas na manga. Incrivelmente, todas dadas por Jorginho. Entre elas, está à falta de preparação adequada do governo do estado para enfrentar o “El Niño” com a força prometida pelas previsões e entendidos no assunto, mesmo que ele nunca venha. O que Jorginho e seus sábios dizem serem ações preventivas, João as classifica como paliativas. Ou seja, desperdício – um vício da burocracia -, proposital e repetitivo.

Mas, há outro desastre no radar destas eleições que pode afetar o desempenho de Jorginho Mello, PL, e favorecer João Rodrigues, PSD, no mesmo campo ideológico, além do pragmatismo de João: são as dúvidas que rondam o governo de Jorginho. E se isso fosse pouco, em tão pouco tempo rondam administrações do PL recém eleitas, como as de Indaial, Gaspar e Blumenau – para não sair daqui onde pode ser compreendido melhor o meu exemplo – herdeiras de dúvidas do passado, que por inércia na não rápida na separação do joio do trigo, deixaram – esses políticos e gestores públicos – o imaginário popular ser contaminado. Como essa gente vai liderar e ser cabo eleitoral de Jorginho?

E se isso fosse pouco, a arrogância e a esperteza do uso, seguido do cruel devido descarte após a vitória de gente como o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt (2005/08), na foto ao lado, que esteve no PL para eleger Paulo Norberto Koerich, PL, mas foi corrido, faz desse movimento, ao meu ver, um exército de improváveis (unlikely party). E ele engrossa a favor de João Rodrigues que diz ser amigo do velho Jair Messias Bolsonaro, mas não dos filhos dele que usam o nome do pai para voos cheios de acrobacias que vai exterminando as possibilidades de união – e vitória – na direita nacional e ampliando falésias em Santa Catarina.

Basta dizer que João Rodrigues, PSD, só está nesta corrida porque o senador Esperidião Amim Helou Filho, PP, foi rifado na sua pretensão de continuar senador e decidida entre radicais da direita, num projeto sem a identidade de Santa Catarina.

Finalizando. João parece que está saindo do modo de espera. Nos debates, se houver, vai desmontar Jorginho. E Jorginho, os bolsonaristas e a direita radical, que atrasa o modelo de sobrevivência econômica de Santa Catarina, sabem disso. E perdeu o discurso. E poderemos ter a repetição do que aconteceu com Carlos Moisés da Silva, eleito pelo bolsonarismo do PSL como Comandante Moisés, sentado em beço esplêndido na Casa d’Agronômica, quando viu, era tarde demais. Jorginho, o experto, parece que desaprendeu com a lição.

O pré-candidato pela aliança PSD, PP, MDB e União Brasil ao governo de Santa Catarina em outubro deste ano, o gaúcho de São Valentin, João Rodrigues, 59 anos, empresário, ex-radialista, ex-prefeito de Chapecó, ex-vice e prefeito de Pinhalzinho – e que lhe custou uma punição na Justiça -, ex-deputado estadual e federal, esteve em Gaspar.

Ele se reuniu na noite de quarta-feira, vésperas de um feriadão, com lideranças partidárias e empresariais de Gaspar e Ilhota no Restaurante Questão de Gosto, no Poço Grande. Antes visitou a Apae e a empresa Vida & Cor. O roteiro incluirá outras cidades polos do Vale do Itajaí neste final de semana. Na imprensa local, pouca repercussão. Compreensível. Aos que foram lá, saíram impressionados.

Então, eu não vou escrever como João, experimentado político e gestor público, é articulado e antenado. E, consequentemente, também não vou escrever, a razão pela qual o governador Jorginho Mello, PL, o que sempre está no lado mais oportuno da história – já esteve com Dilma Vanna Rousseff, PT -, teme pela sua sorte dele nas próximas eleições.

ESTAR NO SEGUNDO TURNO

Mas, não custa repetir. Tudo o que Jorginho mais teme é João chegar ao segundo turno das eleições deste outubro. E se chegar, primeiro não será tão fácil diante do poder da máquina que dispõe Jorginho para se auto-beneficiar; segundo, há claros impasses nesta amarração para João conseguir esta meta. E João está consciente disso. O que já é uma grande vantagem. Então João está garimpado. Está ajuntando os cacos deixados pelo caminho pelo próprio Jorginho – outro experimentado político, reconheça-se desde já -, alguns deles, fruto do radicalismo que o imobiliza nas alianças que fez para se eleger, se manter no poder e agora tentar à reeleição. Veja que não escrevi sobre as  ou não entregas. Um capítulo à parte.

Veja o caso desta quarta-feira em Gaspar.

Ilhota, sob lideranças partidárias fortes veio em peso. Já Gaspar um paraíso de paraquedistas na cabala de votos nas eleições gerais, de lideranças atualmente frágeis. Tudo conta disso e de submissão aos donos da cidade por décadas.

O senador Esperidião Amim Helou Filho, PP, por exemplo, não viu no convescote o “fiel”, o “pedichão” e mais longevo dos vereadores (sete mandatos), José Hilário Melato. O União Brasil não deu as caras porque o seu presidente, o suplente de vereador Eder Carlos Muller da Silva é comissionado do governo de Paulo Norberto Koerich, PL; nem mesmo o vereador do partido, Thimoti Thiago Deschamps, que anda às turras com Paulo, deu às caras.

E o que falar do MDB? Lá só o seu presidente, Ciro André Quintino e a velha guarda do partido. Ela foi trazida pelo deputado Federal de Agrolândia, Rafael Pezenti,sucessor de deputado Federal de Ituporanga, Rogério Peninha Mendonça, que veio a Gaspar e promete sair da aposentadoria por João. Os vereadores daqui Roni Jean Muller e Carlos Francisco Bornhausen, não deram as caras.

JUNTANDO OS CACOS

Quem ressurgiu como estrela na vinda de João por aqui foi o vereador e presidente do PSD de Gaspar, um partido que cabe num fusca por erros táticos do passado, Giovano Borges.

É este quadro de recomposição que João tenta atalhar para se dar bem no primeiro turno e deixá-lo posicionado para uma disputa dentro do próprio conservadorismo catarinense. João, no discurso, e nas realizações, tem a cara dinâmica de Santa Catarina e que só na na cara e desconectada marquetagem para Jorginho aparece, mas não cola quando ela é confrontada com a realidade.

Ah, mas eu exagero? Então me diga qual é mesmo a marca de quase quatro anos de governo de Jorginho Mello, PL, que mudou a vida dos catarinenses e fez Santa Catarina diferente, se não pela resiliência de empresários e investidores? Santa Catarina é muito mais do que a disputa entre frágil esquerda e a direita que se tornou arrogante. Santa Catarina é acima de tudo resolutiva e mais do que isso, com o exemplo do ex-governador Celso Ramos, mostrou-se dinâmica e de que era necessário se adaptar, rotineiramente, por investimentos, segurança e certa previsibilidade de médio prazo, às novas exigências competitivas e sociais.

AS CARTAS

João, na verdade, joga com muitas cartas na manga. Incrivelmente, todas dadas por Jorginho. Entre elas, está à falta de preparação adequada do governo do estado para enfrentar o “El Niño” com a força prometida pelas previsões e entendidos no assunto, mesmo que ele nunca venha. O que Jorginho e seus sábios dizem serem ações preventivas, João as classifica como paliativas. Ou seja, desperdício – um vício da burocracia -, proposital e repetitivo.

Mas, há outro desastre no radar destas eleições que pode afetar o desempenho de Jorginho Mello, PL, e favorecer João Rodrigues, PSD, no mesmo campo ideológico, além do pragmatismo de João: são as dúvidas que rondam o governo de Jorginho. E se isso fosse pouco, em tão pouco tempo rondam administrações do PL recém eleitas, como as de Indaial, Gaspar e Blumenau – para não sair daqui onde pode ser compreendido melhor o meu exemplo – herdeiras de dúvidas do passado, que por inércia na não rápida na separação do joio do trigo, deixaram – esses políticos e gestores públicos – o imaginário popular ser contaminado. Como essa gente vai liderar e ser cabo eleitoral de Jorginho?

E se isso fosse pouco, a arrogância e a esperteza do uso, seguido do cruel devido descarte após a vitória de gente como o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt (2005/08), na foto ao lado, que esteve no PL para eleger Paulo Norberto Koerich, PL, mas foi corrido, faz desse movimento, ao meu ver, um exército de improváveis (unlikely party). E ele engrossa a favor de João Rodrigues que diz ser amigo do velho Jair Messias Bolsonaro, mas não dos filhos dele que usam o nome do pai para voos cheios de acrobacias que vai exterminando as possibilidades de união – e vitória – na direita nacional e ampliando falésias em Santa Catarina.

Basta dizer que João Rodrigues, PSD, só está nesta corrida porque o senador Esperidião Amim Helou Filho, PP, foi rifado na sua pretensão de continuar senador e decidida entre radicais da direita, num projeto sem a identidade de Santa Catarina.

Finalizando. João parece que está saindo do modo de espera. Nos debates, se houver, vai desmontar Jorginho. E Jorginho, os bolsonaristas e a direita radical, que atrasa o modelo de sobrevivência econômica de Santa Catarina, sabem disso. E perdeu o discurso. E poderemos ter a repetição do que aconteceu com Carlos Moisés da Silva, eleito pelo bolsonarismo do PSL como Comandante Moisés, sentado em berço esplêndido na Casa d’Agronômica, quando viu, era tarde demais. Jorginho, o experto, parece que desaprendeu com a lição.

TRAPICHE

Não é só em Blumenau. Em Gaspar há desfile de tornozeleiras. Elas controlam os passos de gente daqui tanto na Operação “DNA do Crime” como na “Ponto Final”, esta de Blumenau, mas que tinha as reuniões aqui na “pedreira”. As reuniões não são mais na “pedreira”.

Sobre o artigo principal, pensar é livre pensar. Quanto tempo será necessário para o pessoal que se entocou, sair da toca. Basta os ventos das pesquisas darem um certo refresco. E pensar que antigamente, todos estavam em qualquer reunião política. Hoje, fingem descomprometimento. Dia quatro de julho quando se fecha as torneiras das emendas deste ano, estará também aberta a porteira da traição. E dos mesmos.

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5 comentários em “JOÃO RODRIGUES VEIO A GASPAR. MOSTROU A RAZÃO PELA QUAL JORGINHO MELLO O TEME E COMO O ESQUEMA QUE ELEGEU PAULO NORBERTO KOERICH ESTÁ EM RETALHOS CONTRA O PRÓPRIO JORGINHO”

  1. QUANDO A CONFIANÇA COMEÇA A SE DESGASTAR

    A democracia depende da confiança da população em seus representantes. No entanto, quando promessas são abandonadas, discursos mudam e os mesmos grupos políticos parecem se acomodar ao poder, é natural que surjam questionamentos por parte dos cidadãos.

    Em Gaspar, muitos eleitores observam com estranheza o silêncio de representantes que, durante a campanha, se apresentavam como combativos, fiscalizadores e defensores intransigentes dos interesses da população. A vereadora que defendia a bandeira de que “quem tem dor tem pressa” é cobrada por parte da comunidade para manter a mesma intensidade de atuação após a eleição. Da mesma forma, surgem questionamentos sobre a coerência entre discurso e prática de outros representantes eleitos.

    A situação se torna ainda mais delicada quando se observa o cenário político mais amplo. Em Santa Catarina, ao longo dos anos, diversas operações policiais e investigações atingiram prefeitos, vereadores e agentes públicos. Independentemente do resultado de cada processo, a sucessão desses episódios contribui para o aumento da desconfiança popular em relação às instituições.

    Recentemente, um caso que ganhou repercussão envolveu o IÇARAPREV, instituto de previdência dos servidores municipais de Içara. O Tribunal de Contas de Santa Catarina apontou irregularidades em aplicações financeiras realizadas em fundo ligado ao então Banco Máxima, atualmente Banco Master. As aplicações investigadas somaram aproximadamente R$ 3,3 milhões, e houve determinação de ressarcimento de valores aos cofres do instituto. Para muitos cidadãos, episódios dessa natureza reforçam a necessidade de fiscalização rigorosa sobre a gestão dos recursos públicos.

    Também ganham repercussão denúncias eleitorais envolvendo práticas ilícitas. Quando surgem acusações de compra de votos mediante oferecimento de dinheiro, bens ou até mesmo drogas ilícitas, a preocupação ultrapassa a esfera eleitoral e passa a atingir diretamente os fundamentos éticos da democracia. Se comprovadas, práticas dessa natureza representam não apenas uma violação da legislação eleitoral, mas um ataque à liberdade de escolha do eleitor.

    Diante desse cenário, cresce entre muitos cidadãos a percepção de que as disputas eleitorais nem sempre produzem a renovação esperada. Surge a sensação de que adversários de campanha tornam-se aliados após as eleições, que críticas desaparecem quando determinados grupos chegam ao poder e que interesses políticos acabam prevalecendo sobre os interesses da população.

    E é justamente aí que nasce a crise de confiança. Não porque existam provas de acordos ocultos entre todos os agentes políticos, mas porque a falta de posicionamento, a ausência de fiscalização firme e o silêncio diante de temas relevantes acabam alimentando suspeitas e descontentamento.

    A população não espera perfeição de seus representantes. Espera independência, coerência, transparência e coragem para fiscalizar, independentemente de quem esteja ocupando o poder. Afinal, o mandato pertence ao povo, e a confiança depositada nas urnas precisa ser honrada diariamente por meio de ações concretas e não apenas por discursos eleitorais

  2. O mau exemplo do império que pode impor, não justifica o mau exemplo de quem para competir, precisa sacrificar direitos, saúde física e mental dos seus

    TRUMP NÃO OLHOU PARA O PRÓPRIO UMBIGO, por Raquel Landin, no jornal O Estado de S. Paulo

    No seu afã protecionista, o presidente Donald Trump decidiu remontar seu arsenal tarifário, mas se esqueceu de olhar para o próprio umbigo.

    Partiu de uma premissa louvável: punir países que produzem ou importam mercadorias que utilizam trabalho escravo.

    Porém, produziu um absurdo: taxou em cerca de 12,5% mais de 80 países, incluindo Noruega, Suíça e todos os europeus. Lá no meio da lista está o Brasil.

    Segundo a ONG Walk Free, baseada na Austrália, os EUA, até pelo tamanho de sua população e economia, são o maior escravizador das Américas.

    Em 2023, 1,091 milhão de pessoas viviam no país em condições análogas à escravidão, número superior ao 1,053 milhão do Brasil e aos cerca de 800 mil do México.

    Conforme a ONG, a situação americana é resultado de trabalho forçado nas prisões do país, mas também de serviço doméstico não remunerado de imigrantes ilegais, de exploração de imigrantes em fazendas, exploração de mulheres na prostituição, casamento forçado de crianças, entre outros.

    Os americanos também importam um volume imenso de produtos feitos com trabalho escravo: US$ 169,6 bilhões, conforme a Walk Free. E, junto com os chineses, se recusam a assinar tratados internacionais que combatam essa prática.

    Além disso, os trabalhadores americanos ganham mais que os brasileiros por hora, mas, quanto mais informais, menos protegidos. Lá não existe a licença-maternidade ou o SUS. Se alguém se acidenta, vai depender de convênio de saúde privado.

    O enfraquecimento da Organização Mundial de Comércio (OMC) tornou mais difícil combater esse tipo de medida arbitrária vinda dos EUA ou de qualquer país do mundo.

    Não dá mais para abrir um painel e combater via multilateralismo. Qualquer revés tem de vir de dentro dos EUA por reclamação na própria Justiça americana.

    O primeiro tarifaço de Trump, que impôs 10% de sobretaxa para vários países do mundo, estava baseado na chamada Lei de Emergência Econômica.

    A alegação era de que os Estados Unidos sofriam com o déficit provocado pelo comércio internacional. Foi derrubado pela Suprema Corte americana, que considerou que Trump usurpava de seus poderes.

    Agora será mais difícil, porque o instrumento utilizado, apesar de absurdo, é menos frágil juridicamente, dizem os especialistas.

    “É mais provável conseguir excluir um setor ou um produto do que derrubar toda a lei”, diz Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio do Barral Advogados Associados.

  3. TUDO, MENOS MEXER NO PIX!, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

    Os EUA podem até ameaçar duplamente com mais tarifas, pela Seção 301 e por alegação de “trabalho forçado”, mas não se atrevam a mexer com uma coisa: o Pix, que mais de 170 milhões de brasileiros (93% dos adultos do País) usam e não aceitariam voltar para as velhas notas amassadas, desagradáveis, que exigem troco, algo cada vez menos disponível.

    Gente que faz negócio sujo é que gosta de dinheiro vivo, gente trabalhadora ou empreendedora não abre mão do Pix. Donald Trump tende a dividir o Brasil, na mesma proporção da polarização política, ao declarar PCC e CV como “terroristas” e se autoconceder o direito de pintar e bordar por aqui, como fez na Venezuela. Mas ameaçar o Pix não divide, e sim une de lulistas a bolsonaristas.

    Tanto é assim que Flávio Bolsonaro classificou como “grande dia” o da classificação do PCC e CV como “terroristas”, mas tratou, rapidinho, de desmentir, ou tentar desmentir, a sensação generalizada de que estava por trás da ameaça de Trump ao Pix e até postou foto com um cartaz dizendo que “O Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.

    Versão de Flávio não se leva a sério, já foi pego na mentira, por exemplo, negando com uma gargalhada que Daniel Vorcaro tivesse financiado o filme Dark Horse, horas antes da divulgação do áudio em que pedia a bagatela de R$ 134 milhões a Vorcaro, para o filme sobre o pai. Mentira tem perna curta.

    Logo, o que transparece na pressa em negar que tenha incentivado Trump a meter a mão no nosso Pix e dizer que até tentou dissuadi-lo da ideia é a certeza do quanto isso afetaria sua candidatura à Presidência. Afinal, foi logo depois do encontro e da foto com Flávio na Casa Branca que Trump voltou sua metralhadora giratória contra o Brasil.

    Primeiro, o PCC e o CV como pretexto para intervir no Brasil; depois, o anúncio, sem comunicação ao governo, de tarifas de 25% como sanção por “concorrência desleal”, dentro da Seção 301; agora, mais 12,5% por “trabalho forçado”. Coincidência? E Flávio defenderia a ingerência externa, mas não o bocão sobre o Pix? E o tal “trabalho forçado”?

    Trump chamou Flávio de “jovem inteligente que ama muito o seu país” e pode até querer intervir no Brasil, mas ele não vota aqui. Os 160 milhões de brasileiros que votam não devem gostar de mexerem no nosso Pix de cada dia e de Flávio no meio disso. Segundo a Genial/Quaest, no Estadão, a mentira e o áudio com Vorcaro já abalam a credibilidade do candidato entre os eleitores “independentes” (nem Lula nem Bolsonaro) e são eles, justamente, os que devem decidir as eleições. Imaginem a pimenta do Pix nesse angu…

  4. STF É A PANELA PRESTES A EXPLODIR, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    Passada a semana do feriado, a volta ao trabalho presencial deverá ser acompanhada por um clima para lá de pesado no Supremo Tribunal Federal (STF). As tensões que vêm se acumulando entre os ministros nos últimos meses, em razão de divisões internas e discordâncias quanto ao papel do Judiciário no jogo institucional, tendem a deixar os bastidores e resultar em algum tipo de confrontação explícita.

    Os gatilhos são vários, mas o estopim foi aceso com a organização de um evento pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Herman Benjamin, para tratar de ética no Judiciário, simultaneamente à realização do Fórum de Lisboa, evento anual promovido pelo IDP, instituição de ensino fundada pelo decano do STF, ministro Gilmar Mendes.

    O evento, que está em sua 14ª edição, ganhou na imprensa e entre os frequentadores o apelido de “Gilmarpalooza”, numa analogia entre a sua grandiosidade e o conhecido festival internacional de música. Todo ano reúne diversas autoridades brasileiras, portuguesas e de outros países, além de empresários e acadêmicos do mundo jurídico, numa programação de palestras, mesas de debates e lançamento de livros.

    A confluência de autoridades e empresários com interesses nos três Poderes num ambiente propício ao lobby tem sido uma das razões para eventos dessa natureza terem entrado na mira dos críticos. O congresso organizado pelo presidente do STJ, que contou com palestras do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e da ministra Cármen Lúcia, escolhida por ele para relatar um até aqui incipiente código de conduta da Corte, foi marcado por críticas indiretas a essas e outras práticas.

    Ficou explícita a divisão vigente hoje no Supremo. De um lado, o grupo sob a órbita de influência do decano e de Alexandre de Moraes. De outro, Fachin, um presidente minoritário que enfrenta imensa dificuldade de implementar a agenda que timidamente empunhou.

    O próprio Gilmar já tratou de tirar o mal-estar da coxia ao cobrar publicamente Fachin pela paralisação da discussão de temas importantes no tribunal. Ele acusou o colega de recorrer a filibuster, prática de obstrução legislativa característica do Senado dos Estados Unidos, e listou uma série de processos importantes, com repercussão econômica, que se encontram parados.

    Há também temas da política pendentes de decisão por iniciativa da ala ligada ao decano. Ele próprio pediu vista da ação que questiona as mudanças introduzidas pelo Congresso à Lei da Ficha Limpa. Essa indefinição condiciona a possibilidade de vários políticos que estavam inelegíveis, mas poderiam ser candidatos graças à nova interpretação dada pelo Legislativo, prosseguirem com suas campanhas.

    O ministro Flávio Dino, que integra o grupo de Gilmar, também paralisou a discussão sobre a realização de eleições diretas ou indiretas no Rio de Janeiro para suprir a vacância criada com a renúncia do governador e do vice — diferentemente de outros estados que passaram por situações similares, mas já realizaram pleitos indiretos.

    Para além das divergências jurídicas e filosóficas sobre o papel do Judiciário, existe ainda um elefante estacionado no plenário do STF que torna as relações ainda mais explosivas, e ele se chama caso Master. O relator do caso, André Mendonça, designado depois que Dias Toffoli finalmente se declarou suspeito para continuar relatando o caso a que ficou aferrado por mais de dois meses, tem conduzido o explosivo inquérito longe dos holofotes da imprensa e das redes sociais, mas sob o escrutínio desconfiado de colegas.

    Os próximos dias também fornecerão combustível extra para a crise, com a decisão do Ministério Público Federal e do relator sobre a nova tentativa de delação de Daniel Vorcaro, que, a depender do que decidir revelar, pode engolfar integrantes da já conflagrada Corte, como Toffoli e Alexandre de Moraes.

  5. GILMARPALOOZA, por João Brandão, diretor Executivo do Instituto Transparência Brasil, no jornal Expresso, Lisboa, Portugal

    “No início de julho do ano passado, o Aeroporto de Lisboa atingiu o seu limite de aterragem para jatos privados, forçando diversas aeronaves a desviarem‑se para Cascais e Faro. A razão? Um fluxo extraordinário de grandes empresários brasileiros.

    Não chegavam à capital para aproveitar o verão europeu. Tampouco se tratava de uma conferência empresarial — ou seria? O motivo dessa invasão foi o 13.º Fórum de Lisboa, realizado na Universidade de Lisboa, e sobretudo o seu animado programa paralelo de eventos sociais. Nesta semana, é de esperar novo engarrafamento de aviões de luxo nos céus portugueses, para a atual edição deste evento anual, que começa esta segunda-feira.

    Oficialmente, o Fórum de Lisboa é coorganizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), juntamente com o Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (ICJP) da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O seu site descreve-o como um espaço anual de diálogo sobre “desafios, visões e diferentes modelos de sistemas jurídicos presentes em ambos continentes e a partir de perspetivas variadas”.

    Até à 11.ª edição, chamava-se “Fórum Jurídico de Lisboa”, mas, à medida que a participação se expandiu muito para além dos círculos (e dos interesses) jurídicos, os organizadores optaram por retirar a palavra “Jurídico”.

    No Brasil, porém, o encontro é amplamente conhecido como “Gilmarpalooza”. O termo faz eco do festival de música “Lollapalooza”, conhecido pela sua escala e intensidade, combinando-o com o nome de Gilmar Mendes, o mais longevo juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil, proprietário do IDP e principal patrono do Fórum.

    Em 2023, o então presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Arthur Lira, abriu a sessão inaugural do Fórum. Apenas semanas antes, a Polícia Federal tinha identificado apontamentos relacionados com despesas pessoais pagas em seu benefício por um assessor e um motorista — ambos visados numa investigação por desvio de verbas públicas destinadas à aquisição de kits de robótica escolar no estado brasileiro de Alagoas.

    Uma semana após o Fórum de Lisboa, já de volta a Brasília, o juiz Gilmar Mendes suspendeu essa investigação contra o seu keynote speaker. Lira já acumulava um histórico significativo de acusações de corrupção — e até uma condenação, posteriormente anulada — quando foi convidado para o Fórum. Não é caso único: vários outros oradores estiveram envolvidos em investigações de corrupção ou têm vínculos com empresas sob escrutínio.

    A própria Fundação Getúlio Vargas (FGV), coorganizadora do evento, e os seus dirigentes, enfrentaram investigações relevantes por suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais — posteriormente interrompidas por decisões de Gilmar Mendes, que também suspendeu medidas cautelares contra executivos da instituição. Mendes não se declarou impedido para julgar o caso, apesar da extensa parceria do seu IDP com a FGV no âmbito do Fórum e noutros projetos.

    O Fórum de Lisboa constitui um caso peculiar de interesse extraordinário do setor privado num seminário académico. Em 2025, 64 executivos de grandes empresas e associações empresariais participaram como oradores. O envolvimento do setor privado no programa social paralelo é ainda mais intenso, com jantares e receções opulentas em espaços de luxo da cidade.

    Investigações jornalísticas de 2024 revelaram que os anfitriões desses eventos eram partes em, pelo menos, 145 processos pendentes nos tribunais superiores do Brasil, incluindo o Supremo Tribunal Federal — onde Mendes é o juiz mais antigo em funções. Centenas de autoridades brasileiras e portuguesas — em especial magistrados dos tribunais superiores — circulam por esses encontros.

    O sucesso do Fórum inspirou eventos semelhantes no estrangeiro, que combinam uma aparência académica com interações altamente problemáticas entre atores privados e juízes. Frequentemente realizados em capitais estrangeiras, estes fóruns contornam regulamentações nacionais sobre este tipo de contacto e distanciam-se confortavelmente do escrutínio público.

    Um desses “filhotes” do Gilmarpalooza foi o 1.º Fórum Legal: Brasil de Ideias, realizado em Londres em 2024. Organizado pelo Grupo Voto, uma empresa privada que se apresenta como “a mais importante empresa de diplomacia empresarial e interlocução política no Brasil”, o evento decorreu no “The Peninsula”, um dos hotéis mais luxuosos do Reino Unido, com diárias entre 800 e 8.100 libras.

    Gilmar Mendes marcou presença, tal como outros dois juízes do Supremo Tribunal Federal, mais de uma dezena de magistrados de tribunais superiores, o Procurador-Geral da República, o ministro da Justiça e o diretor-geral da Polícia Federal. Entre os patrocinadores, responsáveis por cobrir viagens e alojamento de luxo, encontrava-se a British American Tobacco, empresa com processos no Supremo brasileiro e que se beneficiou de decisões dos juízes convidados.

    Outro patrocinador foi o Banco Master, grande financiador da programação social, que incluiu jantares em restaurantes com estrelas Michelin, uma degustação de whiskey no valor de 570 mil euros, um espetáculo particular do cantor Seal e até prostituição, segundo revelado pela imprensa.

    O Banco Master, que gastou cerca de 10 milhões de euros com autoridades brasileiras em eventos deste tipo em Londres, Nova York e Lisboa (cerca de 1,4 milhões de euros na programação social e jatos privados para o Fórum de Lisboa), está a ser investigado pela maior fraude bancária da história brasileira. Várias das autoridades comensais em Londres e Lisboa foram envolvidas no escândalo.

    É neste contexto que que se espera o engarrafamento habitual de jatos privados na capital portuguesa. Este ano, o embaraço criado pelo escândalo do Banco Master e uma pressão pública cada vez maior sobre a ética dos juízes do Supremo brasileiro poderá diminuir um pouco o fluxo de políticos, empresários e magistrados ao convívio animado do “Gilmarpalooza”.

    Ainda assim, este continua a ser o maior festival de lobby jurídico do planeta, mas a sociedade portuguesa ainda não se dá conta do trânsito de influências que acorre todos os anos a Lisboa, hospedado pela maior Universidade pública do país.”

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