Parece que nesta eleição geral vai se levantar e sacudir o tapete. É para se mostrar sujeiras de todos os tipos e de quem menos se esperava estar sujo. É o que está acontecendo em Gaspar, Blumenau, Florianópolis e Brasília. É um Brasil perdido. São os brasileiros pagando a pesada conta da falta da transparência cada vez mais ampla, apesar de leis específicas “boas”, “exemplares” e “duras” para que tudo seja o mais transparente possível. Deboche continuado. Com a falta de transparência vem também a pesada conta da corrupção, do desperdício do poder público, do tardio ou da falta proposital de controles, do empreguismo e da infiltração do crime organizado no aparelho do estado. Paga? Você leitor e eleitora. Eu. E na forma de pesados impostos novos e ou alíquotas ainda maiores às exageradas já existentes. Vem automática e compulsoriamente e on line, na mesma proporção que aumenta a corrupção, com escândalos diários, privilégios para minorias encasteladas nos três poderes, rotuladas ou vestidas de salvadores da pátria. Muitos dos que comandam este processo criminoso e deterioração ética tiveram o nosso aval pelo voto livre de uma democracia, que ao que se mostra, não temos mais, sequer, o controle do nosso destino. Então, outubro se abre outra chance para acuar, frear e mudar este estado de degeneração entre os que nos representam. (By Herculano). A charge é do traço inconfundível de Cláudio de Oliveira, para a edição deste 07.05.2026 do jornal Folha de S. Paulo.
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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLV
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Um espaço plural para debater as obscuridades e incoerências dos políticos, bem como à incompetência combinada com sacanagens dos gestores públicos com os nossos pesados impostos.
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A LÍDER DO GOVERNO PAULO NA CÂMARA DE GASPAR NÃO DEIXOU A MENOR DÚVIDA NA SESSÃO DE ONTEM. FOI ELE QUEM TROUXE AS NOVAS TEMPESTADES PARA DENTRO DA PREFEITURA. AS ESCOLHAS FORAM DELE. ESCLARECIDO! ALYNE LAVOU A MINHA ALMA E DESMORALIZOU O DISCURSO PÚBLICO DE PAULO DE QUE FOI SURPREENDIDO, TRAÍDO. ONTEM O GAECO ESTEVE MAIS UMA VEZ AQUI. LONGE DA PREFEITURA. MAS, NÃO TÃO LONGE. ELE ESTÁ AFUNDANDO UMA PICADA EM GASPAR
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64 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLV”
“Moraes ignorou o direito, sustou a Constituição e aboliu o parlamento”
– Estranha democracia, onde um único juiz, Alexandre de Moraes, pode suspender monocraticamente a aplicação de uma lei aprovada pelo Congresso.
(Mario Sabino, Metrópoles, 11/05/26)
Estranha democracia, a brasileira, onde um único juiz, o ministro Alexandre de Moraes, pode suspender monocraticamente a aplicação de uma lei aprovada pelo Congresso, no caso específico a da Dosimetria.
Não vou entrar no mérito se diminuir as penas dos condenados pelo 8 de janeiro e a de Jair Bolsonaro é justo ou não (acho justo) ou discorrer sobre a qualidade intelectual e moral da maioria dos parlamentares (acho péssima).
A questão é que o Congresso aprovou a lei, a Associação Brasileira de Imprensa e o PSol (não são a mesma coisa?) entraram previsivelmente com Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) para derrubá-la no tapetão do STF — e Moraes tomou uma decisão fora das regras do jogo.
O pretexto foi uma ação impetrada por uma condenada em 8 de janeiro, que pede a aplicação da Lei da Dosimetria para reduzir a sua pena. O ministro argumentou que não poderia julgar pedidos como o dela, enquanto estiverem tramitando ADIs que põem em dúvida a validade da legislação aprovada pelo Congresso.
Ele poderia ter ficado nisso, mas não: deu uma caneta e suspendeu a aplicação da lei em casos relativos ao 8 de janeiro.
Não sou advogado (ainda os há ou existem apenas “juristas” no Brasil?), mas sei que direito é forma. É a forma concertada, cristalizada, aplicada no dia a dia, incansavelmente, nas petições, nos prazos, nos acórdãos, nos instrumentos recursais, que diferencia o direito daquilo que não tem forma ao adquirir qualquer uma: a vingança.
Diversos advogados estão estupefatos com a profanação da forma do direito, mais uma perpetrada desde há quase quatro anos, na suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria.
Moraes não suspendeu a lei no âmbito das ADIs das quais foi sorteado relator, em outro sorteio de resultado curioso no STF. Mesmo que o tivesse feito, a decisão monocrática seria contrária à previsão legal segundo a qual só o tribunal poderia adotar uma medida cautelar tão drástica.
O ministro tirou do ar a aplicação da Lei da Dosimetria como relator de um processo de execução penal — o que só não é completo absurdo no país que anda normalizando absurdos completos. Como escreveu o professor de processo penal Rodrigo Chemim, do Paraná:
“A decisão é errada, até porque, quando se admite isso, cria-se uma categoria juridicamente estranha: uma espécie de suspensão monocrática, seletiva e incidental da lei, sem previsão constitucional clara e sem o procedimento próprio do controle de constitucionalidade.”
A aplicação foi suspensa sem que a lei tenha sido declarada inconstitucional e em relação a apenas alguns cidadãos, certamente considerados de segunda categoria. Como explica Chemim, “continua formalmente válida para todos, mas deixa de valer naquele caso porque assim decidiu individualmente o relator. Se normalizarmos isso, a segurança jurídica deixa de depender da Constituição, da lei e dos procedimentos de controle, para depender da vontade decisória de quem julga. E, nesse cenário, a jurisdição constitucional deixa de funcionar como garantia democrática e passa a operar como instrumento de exceção”.
Moraes ignorou a forma do direito, suspendeu a Constituição e aboliu o parlamento com a sua canetada. E tudo fica ainda mais esquisito quando se sabe que as penas dos condenados de 8 de janeiro e de Bolsonaro podem ser usadas como moeda de troca para evitar o impeachment de ministros do STF.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/moraes-ignorou-o-direito-sustou-a-constituicao-e-aboliu-o-parlamento)
(*) https://www.youtube.com/@rodrigochemim
“Sensação de -12ºC em SC e manhã mais fria em SP: cidades amanhecem com baixas temperaturas”
– Cidades do interior do estado catarinense chegaram a registrar neve e geada diante das marcas negativas nos termômetros.
(Por O Globo — Rio de Janeiro, 11/05/26)
. . .
“A massa de ar polar trouxe frio intenso ao Brasil, com neve em cidades de Santa Catarina e mínimas recordes. Urupema (SC) registrou -3ºC com sensação de -12ºC. São Paulo teve a manhã mais fria do ano, com 8ºC. Porto Alegre e Campo Grande também sentiram o frio, com mínimas de 8ºC e 10ºC, respectivamente. O frio deve persistir até quarta-feira, quando as temperaturas começam a subir novamente.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/11/sensacao-de-12oc-em-sc-e-manha-mais-fria-em-sp-cidades-amanhecem-com-baixas-temperaturas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Enquanto alguns “se-chapam-se”
com detergente Ipê. . .
“Estudo de físico brasileiro sobre ‘atalho’ para Marte repercute em mais de 50 países; saiba quem é o cientista”
– Pesquisa sugere viagens de ida e volta ao planeta vermelho em até 226 dias e levantou debate internacional sobre novos caminhos para exploração espacial.
(Por O Globo — Rio de Janeiro, 11/05/26)
. . .
“O estudo do físico brasileiro Marcelo de Oliveira Souza sugere um “atalho” para Marte, reduzindo viagens de ida e volta ao planeta para até 226 dias. A pesquisa, publicada na Acta Astronautica, ganhou repercussão global ao propor o uso de padrões orbitais de asteroides, revelando um “portal secreto” no Sistema Solar. A missão rápida a Marte está projetada para 2031. Marcelo, doutor em Cosmologia e destaque em divulgação científica, fundou o Clube de Astronomia Louis Cruls.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/11/estudo-de-fisico-brasileiro-sobre-atalho-para-marte-repercute-em-mais-de-50-paises-saiba-quem-e-o-cientista.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
. . .eu confundo as letrinhas. . .Ypê!
Os 4 retratos da hora!
> 1) Tamanho: 46,9 X 44,4:
“Flávio tem 46,9% contra 44,4% de Lula no 2º turno, diz Futura/Apex”
– Levantamento mostra que o petista aparece numericamente à frente em todos os cenários de 1º turno testados
+em: https://www.poder360.com.br/poder-pesquisas/flavio-tem-469-contra-444-de-lula-no-2o-turno-diz-futura-apex/
> 2) Tamanho: 47,4 X 43,8:
“Lula é rejeitado por 47,4% dos eleitores e Flávio por 43,8%, diz pesquisa”
– Levantamento Futura/Apex mostra Fernando Haddad como 3º candidato mais rejeitado, com 31,9%.
+em: https://www.poder360.com.br/poder-pesquisas/lula-e-rejeitado-por-474-dos-eleitores-e-flavio-por-438/
> 3) Tamanho: 51,8 X 44,9
“Lula é desaprovado por 51,8% e aprovado por 44,9%, diz pesquisa”
– Governo é considerado “ruim” ou “péssimo” por 45,7% dos brasileiros; outros 37,6% consideram “ótimo” ou “bom”.
+em: https://www.poder360.com.br/poder-pesquisas/lula-e-desaprovado-por-518-e-aprovado-por-449-diz-pesquisa/
4) Tamanho: 54,3 X 33,9
“STF é reprovado por 54,3% e aprovado por 33,9%, diz Futura/Apex”
– Entre os Poderes, o Congresso tem a maior reprovação, com 60,1%; só 26,1% aprovam.
+em: https://www.poder360.com.br/poder-pesquisas/stf-e-reprovado-por-543-e-aprovado-por-339-diz-futura-apex/
Atentem para o tamanho
do retrato dos parasitários:
60,1 X 26,1. . .
Já é um poster!
“O PL da dosimetria e o direito absolutista de Alexandre de Moraes”
– A decisão do ministro, que suspendeu a vigência do PL da Dosimetria, não para de pé sob qualquer argumento. Trata-se de uma decisão indefensável.
(Wilson Lima, O Antagonista, 11/05/26)
Alexandre de Moraes rasgou a Constituição mais uma vez. No final de semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) (1) – ao negar a vigência do PL da Dosimetria (2), lei que foi aprovada e promulgada pelo Congresso Nacional – inaugurou uma nova jabuticaba jurídica nacional: o direito absolutista. Moraes quer ser o próprio Rei Sol do STF. Um ser soberbo que não admite derrotas, contraditas e que não consegue conviver com aquilo que ele, por tantas vezes, disse defender: a democracia.
A decisão do ministro, que suspendeu a vigência do PL da Dosimetria, não para de pé sob qualquer argumento. Trata-se de uma decisão indefensável (3).
Na largada, ela traz consigo um grave problema. O art. 5º da Constituição estabelece que “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. Estamos falando de garantia fundamental clássica do direito penal. Algo que qualquer aluno da pior faculdade de Direito do país aprende no primeiro período.
Ora, se a nova lei criou mecanismos mais favoráveis ao condenado — como alterações em progressão de regime, remição ou concurso de crimes — a tendência natural do sistema seria sua aplicação imediata aos condenados, inclusive em fase de execução penal. É algo tão simplório, que irrita.
A ilegalidade de Moraes que afronta o direito penal no PL da dosimetria
Mas Moraes inaugurou outro princípio: “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu, mas apenas no momento em que eu quiser”. Um absurdo completo. Moraes simplesmente ignora uma lei promulgada pelo Congresso à espera de uma decisão do plenário do Supremo. Ou seja, de forma preventiva, nega o direito líquido, certo e adquirido, a centenas de pessoas. Tudo por puro capricho. Por pura vaidade.
A jurisprudência do STF e do Superior Tribunal de Justiça é amplamente favorável à incidência imediata da chamada lex mitior (*). Lula, amigo de Moraes, foi beneficiado por isso. Em regra, uma lei penal mais benéfica possui eficácia imediata, independentemente do trânsito em julgado, alcançando inclusive condenações definitivas. A execução penal é justamente o ambiente em que esse princípio normalmente se concretiza.
Há ainda outro ponto extremamente relevante: Moraes fundamenta a suspensão na “segurança jurídica” e na existência de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidades (ADIs) pendentes de julgamento (4) – uma delas ajuizada pelo PT. Porém, no modelo brasileiro de controle de constitucionalidade, o simples ajuizamento de ADI não suspende automaticamente a eficácia de uma lei. Sequer houve liminar, dentro da ADI, que suspenda a vigência do PL da Dosimetria.
Mais uma vez, o PT perde uma discussão no Congresso, recorre ao STF, e ganha no tapetão. Mas, dessa vez, estamos falando de algo mais grave. Muito mais grave.
Sob o prisma constitucional, a decisão de Moraes soa como uma forma indireta de afastamento da eficácia da lei sem observância plena da cláusula de reserva de plenário prevista no art. 97 da Constituição. Em tese, apenas o plenário ou órgão especial poderia declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou afastar, preventivamente, sua incidência por incompatibilidade constitucional.
Poderia listar aqui outros absurdos completos da decisão de Moraes, mas fico com apenas esses três. Estamos, definitivamente, diante do Rei Sol brasileiro.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-direito-absolutista-de-alexandre-de-moraes/)
(1) https://portal.stf.jus.br/
(2) “Moraes trava aplicação da Lei da Dosimetria”
– Ministro do STF afirma que pedidos de redução de pena devem aguardar julgamento das ações que questionam a constitucionalidade da norma.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/moraes-trava-aplicacao-da-lei-da-dosimetria/#google_vignette
(3) “Moraes rejeita mais de 20 pedidos com base na Lei da Dosimetria”
– Entre os casos afetados está o da cabeleireira Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/moraes-rejeita-mais-de-20-pedidos-com-base-na-lei-da-dosimetria/#google_vignette
(4) “Moraes trava aplicação da Lei da Dosimetria”
– Ministro do STF afirma que pedidos de redução de pena devem aguardar julgamento das ações que questionam a constitucionalidade da norma.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/moraes-trava-aplicacao-da-lei-da-dosimetria/#google_vignette
(*) (Literalmente: Lei mais branda ou suave) Lei penal posterior que é mais favorável ao réu do que a lei vigente na época do crime. Aplica-se retroativamente.
+em: https://jurishand.com/dicionario-juridico/lex-mitior
Pra não dizerem que esqueci
o pé esquerdo da sandália. . .(*)
“O detergente Ypê é a nova cloroquina”
– Talvez seja esse o maior dano produzido pelo bolsonarismo: a corrosão deliberada da confiança pública em qualquer instituição técnica.
(Ricardo Kertzman, O Antagonista, 11/05/26)
Há algo de profundamente doentio no Brasil contemporâneo, e não é de hoje. Aliás, não é exclusividade brasuca. Falo da incapacidade de parte da sociedade – ou grande parte – de aceitar qualquer conclusão técnica, seja jurídica, científica, etc., sem antes submetê-la ao filtro da ideologia cega. Não importa mais o fato. Importa “de que lado” veio o tema. E o caso da Ypê (1) escancarou isso de maneira quase caricatural, ainda que não inédita.
A decisão da Anvisa (2), que suspendeu a produção e a comercialização de parte dos produtos da empresa, não nasceu de uma denúncia persecutória, de um boato de WhatsApp ou de um chilique de funcionário mal humorado. Houve inspeção técnica, identificação de falhas graves, problemas no controle de qualidade e, a partir disso, a conclusão objetiva de que havia risco de contaminação microbiológica em produtos da companhia.
A própria empresa, antes de a Agência recomendar que os consumidores não utilizassem determinados lotes, alertou para o risco. Não se trata, portanto, de “perseguição ideológica”, como rapidamente passaram a repetir bolsonaristas nas redes sociais (3). Mas impressiona a velocidade com que essa gente abandona qualquer compromisso com prudência, ciência e racionalidade para transformar até detergente contaminado em besteirol político.
Covid-19
É o mesmíssimo mecanismo bocó-psicológico que vimos durante a pandemia. Centenas de milhares de pessoas decidiram que usar máscara, tomar vacina e respeitar recomendações médicas não eram questões sanitárias, mas resistência política. A consequência foi trágica: mais de 700 mil mortos. O debate mergulhou em obscurantismo grotesco, em que médicos eram tratados como inimigos e youtubers viravam autoridades epidemiológicas.
Agora, o roteiro se repete em escala doméstica. A Anvisa identifica falhas sanitárias graves (4) e a reação automática de bolsonaristas não é cobrar rigor da empresa, exigir transparência ou defender o consumidor. A prioridade passa a ser defender a marca porque, em algum momento, ela teria sido associada ao “campo conservador”. É como se bactéria tivesse filiação partidária e contaminação microbiológica pudesse ser derrotada no Instagram.
O mais curioso – e também o mais perigoso – é perceber como essa lógica destrói a própria ideia de vigilância sanitária. Afinal, qual seria o critério? A agência reguladora só merece confiança quando confirma crenças políticas? Se amanhã houver contaminação em remédio, vacina, alimento infantil ou água, a reação será a mesma? Primeiro pergunta-se em quem a empresa vota e depois decide-se se o risco existe?
Cloroquina
Esse tipo de comportamento não fortalece a Ypê. Pelo contrário. Uma empresa se fortalece quando corrige falhas, respeita protocolos, presta esclarecimentos e protege consumidores. Transformar um problema sanitário em guerra política apenas rebaixa o debate público e infantiliza a sociedade. Durante a Covid, vimos gente recusando vacina porque acreditava mais em corrente de Telegram do que em pesquisadores.
Agora vemos consumidores dispostos a relativizar um alerta sanitário porque o produto virou símbolo ideológico. Em ambos os casos, a lógica é a mesma: a política sequestra a realidade e a prudência. E não importa, como ocorreu com a cloroquina, que o fabricante venha a público e se manifeste, afinal, é a tia do Zap ou político de TikTok (5) a única autoridade confiável sobre o assunto. O resto são comunistas.
Talvez seja justamente esse o maior dano produzido pelo bolsonarismo nos últimos anos: a corrosão deliberada da confiança pública em qualquer instituição técnica, que não funcione como braço de militância. Pode ser uma empresa, um laboratório, uma agência e, principalmente, a imprensa. A consequência é um país onde evidência científica perde para opinião, fiscalização vira conspiração de esquerda e bom senso, a encarnação de todo o mal.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-detergente-ype-e-a-nova-cloroquina/)
(1) “Anvisa suspende fabricação e manda recolher produtos Ypê por risco de segurança sanitária; veja a lista”
– O caso Ypê escancara como falhas internas de controle de qualidade podem transformar produtos presentes em quase todas as casas em um risco invisível à saúde.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/anvisa-suspende-fabricacao-e-manda-recolher-produtos-ype-por-risco-de-seguranca-sanitaria-veja-a-lista/#google_vignette
(2) https://www.gov.br/anvisa/pt-br
(3) “Michelle Bolsonaro entra na campanha em defesa da Ypê”
– Aliados de Jair Bolsonaro dizem que empresa sofre perseguição política após ação da Anvisa.
(https://oantagonista.com.br/brasil/michelle-bolsonaro-entra-na-campanha-em-defesa-da-ype/#google_vignette)
(4) “Anvisa mantém orientação para não utilizar produtos da Ypê”
– Retomada parcial da produção foi autorizada após recurso, mas avaliação de risco sanitário permanece.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/anvisa-mantem-orientacao-para-nao-utilizar-produtos-da-ype/#google_vignette
(5) “As falácias de Nikolas não resistem ao debate com uma criança”
– Hoje, qualquer um com carisma, boa oratória e sensibilidade popular saca um smartphone e produz conteúdo.
+em: https://oantagonista.com.br/analise/as-falacias-de-nikolas-nao-resistem-ao-debate-com-uma-crianca/
(*) “A polêmica das Havaianas é típica de um país quadrúpede”
– O Brasil, certamente, não tem nada de mais grave com o que se preocupar nestes estertores de 2025. As Havaianas são o problema.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/a-polemica-das-havaianas-e-tipica-de-um-pais-quadrupede
Uma boa idéia?
– NÃO! (*)
– Venezuela, o novo ’51º estado’ de Trump?”
– Presidente americano volta a falar em anexação e inclui a Venezuela na lista de desejos.
(João Pedro Farah, Crusoé, 11/05/26)
O presidente americano, Donald Trump, sugeriu nesta segunda-feira, 11, que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado dos Estados Unidos.
Segundo o correspondente John Roberts, da Fox News, o republicano estaria “considerando seriamente” a possibilidade.
“A Venezuela ama Trump”, teria dito Trump.
“Eles estavam infelizes. Agora estão felizes. Está sendo bem administrado.
A quantidade de petróleo que está sendo extraída é enorme, a maior em muitos anos. E as grandes companhias petrolíferas estão usando as plataformas mais enormes e bonitas que você já viu.”
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reagiu às declarações e rejeitou qualquer possibilidade de anexação do país pelos EUA.
Canadá
A Venezuela não é o primeiro país citado por Trump como possível 51º estado americano.
Em maio do ano passado, o presidente americano afirmou que o Canadá poderia se tornar o novo estado do país caso aceitasse o sistema antimíssil “Domo de Ouro” (***).
“Eu disse ao Canadá, que deseja com todas as suas forças fazer parte do nosso fabuloso sistema Domo de Ouro, que custará US$ 61 bilhões se continuar sendo uma nação separada, mas desigual”, publicou Trump em sua rede social, a Truth Social.
“Mas não vai custar nada se eles se tornarem nosso querido 51º estado. Estão considerando a oferta!”, acrescentou.
Groenlândia
A Groenlândia também se tornou alvo frequente das declarações de Trump.
Ainda este ano, o presidente americano pressionou a Otan a apoiar seu plano de anexação do território da Groenlândia sob o argumento de que a ilha é “vital” para a segurança nacional.
“Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, Rússia ou China o farão — e isso não vai acontecer!”, escreveu.
Cuba
Outro país citado recentemente pelo presidente americano foi Cuba.
Em meio à crise na ilha, Trump afirmou que seria “uma honra” para ele assumir o controle de Cuba, o que levou o governo cubano a iniciar negociações com os Estados Unidos.
(Fonte: https://crusoe.com.br/diario/venezuela-o-novo-51o-estado-de-trump/)
(*) Revistiando. . .
“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…”
(Martin Niemöller (**)
(**) Emil Gustav Friedrich Martin Niemöller (Lippstadt, 14 de janeiro de 1892 — Wiesbaden, 6 de março de 1984) foi um pastor luterano alemão. Em 1966, foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz. Desde a década de 1980, tornou-se conhecido pelo seu discurso/poema antinazista, largamente adaptado e parafraseado, conhecido no Brasil como “E não sobrou ninguém…”.
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Martin_Niem%C3%B6ller
(***) O Domo de Ouro foi concebido para incluir capacidades terrestres e espaciais capazes de detectar e parar mísseis em todos os quatro estágios principais de um possível ataque:
> detectá-los e destruí-los antes do lançamento;
> interceptá-los no estágio inicial do voo;
> pará-los no meio do caminho no ar;
> detê-los nos minutos finais enquanto descem em direção a um alvo.
+em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/05/21/domo-de-ouro-o-que-e-e-como-vai-funcionar-escudo-antimisseis-dos-eua.ghtml
“Quem lucra com a guerra?”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 11/05/26)
A desgraça de uns é a sorte de outros?
Enquanto as famílias relatam os prejuízos gerados pela guerra no Irã, algumas empresas contabilizam altos lucros (1).
O principal impacto para a economia mundial, até agora, foi o forte aumento dos preços de energia.
Como você bem sabe, o tráfego do petróleo e do gás pelo estreito de Hormuz foi interrompido desde o final de fevereiro. Pelo menos 20% da produção mundial dessas commodities passa por lá. O efeito da restrição foi a oscilação nos preços.
Os principais beneficiários…
Foram as gigantes petrolíferas (2) europeias. Elas têm setores especializados na compra e venda de ativos ligados à energia, o que permite que ganhem com as variações nos valores.
> A BP (British Petroleum) registrou US$ 3,2 bilhões nos três primeiros meses do ano;
> A Shell atingiu US$ 6,92 bilhões;
> A TotalEnergies registrou US$ 5,4 bilhões.
Guardiões da grana.
Importantes bancos dos EUA também viram seus ganhos crescerem desde o início do conflito.
O J.P. Morgan Chase (3), por exemplo, registrou US$ 11,6 bilhões na área de negociação, a maior receita de todos os tempos no setor.
Entre todas as instituições financeiras do grupo dos “Seis Grandes” (Bank of America, Morgan Stanley, Citigroup, Goldman Sachs e Wells Fargo, além do JP), os lucros aumentaram no primeiro trimestre do ano (4).
US$ 47,7 bilhões é a soma dos lucros de todos os grandes no período.
O que explica?
Em cenários de instabilidade, investidores correm para realocar seus recursos em ativos mais seguros, o que beneficia os bancos. Os bancos ganham dinheiro financiando e facilitando essas operações.
Proteção em 1º lugar.
O setor de defesa (5) também foi um grande beneficiário —e costuma ser em qualquer conflito. A guerra cria a necessidade dos países reabastecerem o estoque de armas, o que aumenta a demanda.
O poder da luz do sol.
O conflito também destacou a necessidade de diversificar as fontes de energia e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis (6).
A americana NextEra Energy e as dinamarquesas de energia eólica Vestas e Orsted tiveram lucros impulsionados pela guerra. A empresa Octopus Energy disse que as vendas de painéis solares aumentaram em 50% desde o final de fevereiro.
Quem perde muito?
As companhias aéreas, em razão da alta no custo do combustível (como explicado aqui (7) na semana passada).
Resultado?
Passagens mais caras (8) e redução de voos no Brasil.
(TRPCE)
(1) “As empresas que estão ganhando bilhões com a guerra no Irã”
– O aumento dos lucros e dos preços das ações fez com que a guerra beneficiasse algumas empresas e setores inteiros da economia.
– JP Morgan registra segundo maior lucro trimestral da história com trading recorde.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/as-empresas-que-estao-ganhando-bilhoes-com-a-guerra-no-ira.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “CEO da Aramco adverte que perda de 1 bilhão de barris atrasará recuperação do mercado de petróleo”
– Subinvestimento de anos agravou pressão sobre estoques globais já baixos, segundo executivo.
– Bloqueio iraniano do estreito de Hormuz reduziu transporte marítimo e elevou preços do petróleo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/ceo-da-aramco-adverte-que-perda-de-1-bilhao-de-barris-atrasara-recuperacao-do-mercado-de-petroleo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) “J.P. Morgan ofereceu US$ 1 milhão a ex-funcionário para evitar processo por assédio”
– Autor do processo diz que sofreu investidas sexuais e comentários de motivação racial com aval do banco.
– Defesa de Lorna Hajdini e porta-voz do J.P. Morgan dizem que acusações são falsas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/jp-morgan-ofereceu-us-1-milhao-a-ex-funcionario-para-evitar-processo-por-assedio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(4) “Bancos dos EUA batem recordes de lucro enquanto guerra no Irã impulsiona boom nas negociações”
– JPMorgan Chase, Citigroup e Wells Fargo reportaram mais de US$ 25 bi em lucros no primeiro trimestre.
– Volatilidade gerada por recentes choques geopolíticos beneficia bancos de investimento.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/bancos-dos-eua-batem-recordes-de-lucro-enquanto-guerra-no-ira-impulsiona-boom-nas-negociacoes.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(5) “Trumpices justificam maior gasto em defesa no Brasil?”
– Sociedade precisa discutir de forma madura o que quer de seus cidadãos em armas.
– Gastamos mais com pensões e com salários de inativos do que com todo o resto que realmente importa.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/03/trumpices-justificam-maior-gasto-em-defesa-no-brasil.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(6) “Crise global do petróleo impulsiona o setor de energia renovável”
– Relatório de agência internacional aponta que eólica e solar passaram a fornecer energia de forma contínua com avanços tecnológicos
– As renováveis também são consideradas mais baratas que os combustíveis fósseis em meio à guerra no Irã.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/crise-global-do-petroleo-impulsiona-o-setor-de-energia-renovavel.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(7) https://newsletter.folha.com.br/folha-mercado/202605061200-folha-mercado.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(8) “Guerra pressiona caixa de companhias aéreas no Brasil, e setor prevê impacto na aviação regional”
– Latam projeta barril de petróleo a US$ 170 no segundo trimestre.
– Associação descarta risco de desabastecimento de querosene nos próximos meses.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/guerra-pressiona-caixa-de-companhias-aereas-no-brasil-e-setor-preve-impacto-na-aviacao-regional.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26
Oi, a ação policial sugerindo que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, recebia um mensalão entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, derrubou a primeira peça de dominó no Congresso. A surpresa da operação não foi envolver Ciro, mas tentar adivinhar quem será o próximo alvo. Quanto mais o escândalo atingir congressistas e governadores do Centrão, mais difíceis serão as explicações que Flávio Bolsonaro terá de dar. Quanto mais os holofotes iluminarem ministros do STF, pior para o presidente Lula. A operação da semana passada sugere que, depois de meses esquadrinhando o STF, as investigações vão estacionar no Congresso nas próximas semanas.
Nesta edição informo ainda que, segundo investigadores, a proposta de delação de Daniel Vorcaro traz um nome novo, o do investidor Nelson Tanure. A possível citação a Tanure reforça uma tese que ganha força na PF, a de que Vorcaro terceirizava parte da sua rede de contatos políticos. Segundo a suspeita dos investigadores, Vorcaro intermediava eventuais acordos entre empresários e políticos, usando o Master para quitar o pagamento de propinas e evitando o contato direto entre as duas partes.
E, numa antecipação de como a eleição será polarizada, conto como a decisão da Anvisa de suspender as vendas do detergente Ypê gerou uma onda de protestos bolsonaristas, que consideram a ação uma represália pela posição política dos donos da empresa. Na mesma linha de que consumir é um ato político, o maior expoente digital do bolsonarismo, Nikolas Ferreira, se lançou embaixador de uma marca de chinelos chamada Pé Direito.
Boa leitura,
TT
Nesta edição (abaixo replicadas):
1. Ciro Nogueira e o Mensalão de Vorcaro
2. Desafiando Mendonça
3. Até as bactérias estão polarizadas
4. Só Trump gosta de Lula
5. E se Tarcísio ganhar no primeiro turno?
6. O rei do Rio
7. Fique Atento
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26 (1)
Ciro Nogueira e o Mensalão de Vorcaro
A principal dúvida desta campanha é dimensionar qual será o estrago do escândalo Master sobre as candidaturas do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Quanto mais o escândalo atingir congressistas e governadores do Centrão (*), mais difícil serão as explicações de Bolsonaro. Quanto mais os holofotes iluminarem ministros do STF, pior para Lula. A operação da Polícia Federal na semana passada sobre o mensalão do banqueiro Daniel Vorcaro para o senador Ciro Nogueira sugere que, depois de meses esquadrinhando o STF, as investigações vão estacionar no Congresso nas próximas semanas.
A maior surpresa na operação contra Ciro Nogueira é que ela não gerou surpresa alguma. Há anos se sabe da relação íntima entre os dois, com Vorcaro dizendo à namorada que Ciro era “um amigo de vida”. A PF apresentou indícios de que Ciro recebia um mensalão (**) que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do pagamento de viagens e faturas de cartão de crédito. A Polícia Federal afirma que uma empresa ligada ao núcleo familiar de Ciro comprou por R$ 1 milhão uma participação societária que valia R$ 13 milhões de uma companhia controlada pelo Banco Master, uma vantagem explicada no inquérito por corrupção.
Presidente do PP e vice-presidente da Federação União-Progressista, a maior do Congresso com 111 deputados e 14 senadores, Nogueira é um dos rostos do bolsonarismo. Tempos atrás, se quisesse, podia impor seu nome como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro. Agora, virou a primeira peça de dominó a cair no Congresso.
Acuado pela proximidade com Ciro, Flávio Bolsonaro escorregou na própria língua. Em 2025, ele havia elogiado o senador como eventual vice na chapa bolsonarista (***). “(Ciro) Já levantou o dedo e acho que tem todas as credenciais para ser (o vice). É nordestino, de um partido grande e forte. Teve ali a lealdade ao presidente Bolsonaro (quando foi ministro). Sem dúvida é um nome que está colocado”, disse. Na sexta-feira (8), em entrevista aos repórteres Débora Bergamasco, Iuri Pitta e Jussara Soares, da CNN Brasil, o candidato recuou:
— Em questão de vice, é especulação. Em uma entrevista lá atrás, eu comentei mais em termos de cortesia para ele.
A missão de Flávio de se desvincular de Ciro (****) é impossível. Ciro Nogueira era a “alma” do governo Jair Bolsonaro, na definição do próprio ex-presidente, e o sucesso da aliança da direita depende de um acordo com o PP. Se abandonar Ciro à própria sorte e não tiver o apoio do PP e do União Brasil, Flávio Bolsonaro terá menos tempo de propaganda em rádio e TV do que Lula. Sem contar a desconfiança que a ingratidão vai gerar em outros políticos que temem virar os próximos alvos da PF.
A Polícia Federal descobriu que o jabuti pendurado por Ciro Nogueira (*****) no projeto de independência do Banco Central, que aumentava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aos investimentos em títulos bancários, foi escrito por funcionários do Banco Master. Na prática, o rombo de R$ 50 bilhões gerado pelas fraudes do Master no mercado financeiro poderia ter quadruplicado se a emenda de Ciro fosse aprovada.
No domingo (10), o repórter Renan Porto, do portal Metrópoles, revelou que três meses depois do negócio entre a empresa da família Nogueira e o Banco Master e 26 dias depois de apresentar a emenda, o senador comprou por R$ 22 milhões uma cobertura triplex de mais de 550 metros quadrados na elegante Rua Oscar Freire, em São Paulo. No mesmo ano, Ciro trocou a cobertura por uma casa de 878 metros na região do dinheiro velho de São Paulo, o Jardim Europa.
Como lembrou a repórter Adriana Fernandes, da Folha de S.Paulo, em abril de 2025 Ciro Nogueira havia apresentado, cinco dias após o anúncio da compra do Banco Master pelo BRB, uma proposta para aumentar a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) exclusivamente dos grandes bancos. A proposta, uma emenda no projeto que isentava o IR para quem ganha até R$ 5 mil, era catastrófica para os grandes bancos que pressionavam o Banco Central a limitar as ações do Master no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Em português claro, era uma chantagem para manter os concorrentes quietos.
A operação da PF, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça, preocupa outros políticos citados no caso Master porque indica que a investigação sobre Nogueira é só o início de uma jornada que pode fazer a Operação Lava-Jato virar uma brincadeira. Ao contrário das empreiteiras da Lava-Jato, Daniel Vorcaro não montou seu esquema de corrupção na distribuição de malas de dinheiro e doações de caixa dois para campanhas eleitorais. De acordo com as investigações da Polícia Federal, sua rede de proteção no mundo político foi desenhada quase toda em contratos legais, com escritórios de advocacia do presidente do União Brasil, Antonio Rueda, ou da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, por exemplo, ou via consultorias, como a do ex-prefeito ACM Neto e da nora do senador Jacques Wagner, ou ainda por negociações, como as realizadas com empresas da família de Ciro Nogueira e de Dias Toffoli.
Por um lado, esse modus operandi de Vorcaro facilita à PF encontrar as ramificações do Banco Master com autoridades dos três Poderes. Por outro, mistura no mesmo patamar contratos que podem ser legítimos e acordos para encobrir propina.
No caso de Ciro Nogueira, a PF acredita que a apresentação da emenda favorecendo o Master é uma prova do quid pro quo, a troca de uma coisa pela outra. Deputados que assinaram projetos que favoreciam o Master no Congresso (como Filipe Barros, Dr. Luizinho e Claudio Cajado) ou autorizaram seus subordinados a comprar papéis podres de Vorcaro (como os ex-governadores Cláudio Castro e Ibaneis Rocha) têm mais motivos para perder o sono.
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/08/com-ciro-nogueira-operacao-do-master-chega-a-lideres-do-centrao-pela-primeira-vez.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/07/pf-aponta-que-ciro-nogueira-recebeu-vantagens-indevidas-de-vorcaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(***) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/07/alvo-da-pf-ciro-nogueira-foi-citado-por-valdemar-para-ser-vice-de-flavio-bolsonaro-excelente.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(****) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/09/flavio-bolsonaro-busca-se-distanciar-de-ciro-nogueira-sem-ferir-alianca-com-uniao-pp-e-tenta-colar-master-no-pt.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(*****) https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2026/05/emenda-proposta-por-ciro-nogueira-era-central-para-a-expansao-do-banco-master.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26 (2)
Desafiando Mendonça
Há um consenso na cúpula da Polícia Federal e no gabinete do ministro André Mendonça de que a oferta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro foi intencionalmente fraca para forçar uma rejeição e permitir um recurso à Segunda Turma do STF, como indicou o repórter Lauro Jardim (*), do GLOBO. Se Mendonça recusar a proposta de Vorcaro, a sua decisão seria revisada pelos ministros Gilmar Mendes, Kássio Nunes e Luiz Fux. Dias Toffoli, que também pertence ao grupo, não vota porque assumiu sua suspeição no caso.
A postura é vista como um desafio direto a André Mendonça. Na proposta entregue à PF na quarta-feira (6), por exemplo, Vorcaro promete devolver R$ 40 bilhões em dez anos, oferta considerada uma aposta de que o caso poderá ser anulado futuramente como já aconteceu com as empreiteiras da Lava-Jato.
De acordo com relatos de investigadores próximos ao inquérito, a proposta de Vorcaro exclui três nomes considerados essenciais, o ministro Alexandre de Moraes, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o senador Ciro Nogueira, alvo de operação da PF um dia depois de a defesa apresentar sua sugestão de delação.
O documento enviado pela defesa de Vorcaro, no entanto, traz um nome novo, o do investidor Nelson Tanure, que desde os anos 1990 se notabilizou por comprar grandes empresas em crise nos setores de energia, telecomunicações, petróleo, saúde, infraestrutura e mídia. De acordo com a PF, desde 2020, Tanure colocou pelo menos R$ 1,6 bilhão no Banco Master, por meio de complexas operações em múltiplas empresas para dificultar o rastreio do investidor original. Em janeiro, Tanure já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em operação policial ligada ao caso Master.
A possível citação a Tanure reforça uma tese que ganha força na PF, a de que Vorcaro terceirizava parte da sua rede de contatos políticos. Segundo a suspeita dos investigadores, Vorcaro intermediava eventuais acordos entre empresários e políticos, usando o Master para quitar o pagamento de propinas e evitando o contato direto entre as duas partes.
Ao mesmo tempo, Vorcaro tem agora a concorrência de outros candidatos a delator (**), como o presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Na sexta-feira (8), o ministro André Mendonça autorizou a transferência de Costa para um batalhão da PM do Distrito Federal na Papuda. Transferências assim são sinais de que um acordo de delação está em negociação.
(*) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/05/o-plano-da-defesa-de-vorcaro-se-mendonca-rejeitar-delacao-do-master.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/com-aceno-de-delacao-mendonca-transfere-ex-presidente-do-brb-para-papudinha.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26 (3)
Até as bactérias estão polarizadas
No Brasil de 2026, até bactérias viram personagens da polarização política. Na quinta-feira (7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote dos detergentes, sabão líquido para roupas e desinfetante da marca Ypê, medida suspensa depois de um recurso da fabricante. A Anvisa afirma que, durante inspeção da linha de fabricação dos produtos da marca, na unidade da Química Amparo, em Amparo (SP), detectou “risco sanitário” (*) em conexão com um “histórico de contaminação microbiológica” registrado na empresa em novembro de 2025. Naquela ocasião, a fabricante havia anunciado um recolhimento voluntário cautelar de lotes após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa exclusivamente em lava-roupas líquidos.
O que deveria ser um exemplo de alerta aos consumidores foi transformado nas redes sociais pelos bolsonaristas em um ataque de motivação política, num frenesi anticientífico que lembrou a onda antivax da pandemia de Covid.
Líder nas pesquisas para ser o próximo governador de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) postou para seus 4,2 milhões de seguidores no Instagram um vídeo lavando louças e desafiando a Anvisa.
— Vocês viram aí que a Anvisa mandou suspender a fabricação e a comercialização dos produtos da Ypê. Eu quero fazer um desafio para a Anvisa ir na casa de cada brasileiro fiscalizar a bucha de cada brasileiro. Isso é importante também, viu, Anvisa?
No vídeo, o senador sugeriu que a ação da Anvisa se deve ao fato de os donos da Ypê terem doado para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022. Quatro integrantes da família Beira, dona da Ypê, doaram R$ 1,5 milhão para Bolsonaro, quantia que nem os coloca entre os dez maiores contribuintes.
— Foi um lote que “tá” com problema, que tem que ser fiscalizado sim, que a saúde “tá” sempre em primeiro lugar, mas vale com uma coincidência também que essa empresa, a Ypê, ela doou para a campanha do Bolsonaro. É só uma coincidência? — insinuou Cleitinho.
O fervor em defesa da Ypê pelo bolsonarismo (**) inclui o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo (PL) e o deputado estadual Lucas Bove (PL) que afirmou que os consumidores não devem confiar na “Anvisa de Lula”.
O transbordamento da polarização política para o cotidiano foi descrito no livro “Biografia do Abismo”, que publiquei com o cientista político Felipe Nunes, sobre como o choque entre lulistas e bolsonaristas mudou o Brasil. O acirramento da campanha em 2026 indica que a onda de boicotes de empresas por motivos políticos está só começando.
Maior expoente digital do bolsonarismo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) se anunciou no sábado (9) embaixador da marca de chinelos capixaba “Pé Direito”, criada como resposta a uma propaganda de fim de ano da marca Havaianas de que os brasileiros deveriam começar 2026 com o pé esquerdo.
Em vídeo para seus 22 milhões de seguidores, Nikolas defendeu o boicote de marcas como “a única linguagem que eles (as empresas) entendem”. Cada real que você gasta ou fortalece os seus valores ou financia quem quer destruí-los, ressaltou o deputado.
Apesar do efeito suspensivo obtido pela Ypê, a Anvisa segue recomendando não usar o produto por ter registrado falhas em etapas essenciais do processo produtivo que poderiam representar risco à saúde dos consumidores.
(*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/07/fabrica-da-ype-tinha-sujeira-e-bacteria-foi-achada-em-produtos-de-limpeza-duas-vezes-dizem-fiscais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/blogs/sonar-a-escuta-das-redes/post/2026/05/vice-de-nunes-recomenda-uso-de-ype-mesmo-apos-alerta-de-vigilancia-de-sp-e-proibicao-da-anvisa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26 (4)
Só Trump gosta de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva almoçou e conversou na quinta-feira (7) com o único representante do governo norte-americano que gosta dele, Donald Trump. Durante quase três horas de um encontro previsto para durar 90 minutos, Lula arrancou de Trump a concessão mais preciosa da Casa Branca: tempo (*).
Depois do encontro, Trump chamou Lula de “cara esperto”, “homem bom” e “presidente dinâmico”. Lula disse que os dois mantêm um “amor à primeira vista e espero que continue assim”. É um oásis de amabilidades (**) num ofidiário. Pessoas como os secretários Marco Rubio (Estado), Scott Bessent (Tesouro) e Howard Lutnick (Comércio), o representante de Comércio Jamieson Greer, o vice-secretário de Estado Christopher Landau e o assessor sênior para Brasil Darren Beattie odeiam o que Lula representa e farão o possível para ajudar a eleição de Flavio Bolsonaro. Estão de mãos atadas no momento para não desagradar Trump. No momento.
No encontro em Washington, os presidentes concordaram em adiar por mais trinta dias a decisão de eventuais sanções norte-americanas sobre supostas ações comerciais desleais, não debateram a decretação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas e, principalmente, adiaram uma postura mais agressiva da Casa Branca a favor de Flávio Bolsonaro.
Lula ganha com a inação do governo norte-americano o discurso de que não cedeu no tarifaço e, por isso, foi respeitado. Se novas sanções vierem, ele pode tomar de novo para si a causa do nacionalismo. Desde o fim de abril, o PT retrata Flávio Bolsonaro como um “entreguista” usando um discurso feito no Texas (***), em fevereiro, de que a sua eleição iria salvar os EUA da dependência da China para terras raras.
Existe um temor real no Departamento de Estado de que uma ação dura contra o Brasil possa ter um efeito rebote, ajudando Lula como aconteceu com o tarifaço no ano passado. Esse é o real motivo para a não decisão sobre tratar as facções criminosas como terroristas, documentação que está pronta para ser assinada.
Até políticos bolsonaristas fizeram chegar ao governo Trump a previsão de que qualquer sanção contra o Pix daria a vitória em outubro a Lula.
(*) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/05/lula-falou-bem-mais-do-que-trump-em-reuniao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/07/trump-diz-que-reuniao-com-lula-foi-otima-e-que-o-brasileiro-e-um-homem-bom-um-cara-inteligente.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(***) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/03/28/flavio-bolsonaro-pede-monitoramento-internacional-das-eleicoes-brasileiras-em-discurso-nos-eua.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26 (5)
E se Tarcísio ganhar no primeiro turno?
A possibilidade de as eleições para governador em São Paulo e no Rio de Janeiro serem resolvidas no primeiro turno pode, se confirmada, ter um impacto direto no resultado da disputa presidencial. De acordo com a Genial/Quaest, em São Paulo o governador Tarcísio de Freitas tem 38% das intenções de voto contra 36% de todos os outros adversários e 13% de eleitores indecisos. No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes tem 34% enquanto todos os demais têm 26%. Na pesquisa, 20% dos eleitores fluminenses se dizem indecisos.
A principal mudança em um governador eleito no primeiro turno é que o vencedor, com quatro anos de poder assegurado pela frente, tem uma capacidade de pressão única sobre prefeitos e deputados para ajudar seu candidato a presidente. Em 2002, Romeu Zema foi reeleito no primeiro turno em Minas Gerais e se jogou na campanha de Jair Bolsonaro. Resultado: Bolsonaro, que havia feito apenas 43,6% no primeiro turno, avançou para 49,8%. No Rio de Janeiro, a vitória do bolsonarista Claudio Castro no primeiro turno também ajudou o candidato a presidente. Bolsonaro foi de 51,09% no primeiro turno para 56,53% no segundo. Em 2014, as vitórias no primeiro turno de Fernando Pimentel, em Minas, e Geraldo Alckmin, em São Paulo, impulsionaram os resultados de Dilma Rousseff e Aécio Neves, respectivamente.
Ter um governador eleito que trabalhe a seu favor, portanto, pode ser a diferença da vitória. Se o bolsonarista Tarcísio de Freitas e o lulista Eduardo Paes vão vencer no primeiro turno e, uma vez eleitos, mergulhar nas campanhas de seus padrinhos é uma questão para ser resolvida em outubro.
O cenário de uma eleição rápida aumenta o peso da campanha de Lula sobre os ombros do seu ex-ministro Fernando Haddad. Foi o fato de Haddad ter levado a eleição de São Paulo para o segundo turno e vencido na capital em 2022, que deu a Lula a chance de ser presidente novamente.
Agora, o cenário é mais complexo. Tarcísio está na margem de erro de uma vitória no primeiro turno (*) e são poucos os candidatos. No cenário mais amplo, Tarcísio tem 38%, Haddad 26%, o deputado federal Kim Kataguiri 5% e o deputado estadual Paulo Serra 5%. Se um dos dois últimos não se lançar, cresce a possibilidade de uma definição no primeiro turno.
No Rio de Janeiro, as chances de uma vitória de Eduardo Paes no primeiro turno estão vinculadas diretamente à continuidade do governador interino desembargador Ricardo Couto, que está desmontando a máquina bolsonarista que governa o Estado desde 2019. O caso está no STF. Se o Supremo decidir tirar o desembargador, quem assume é o maior adversário de Paes, o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, aliado de Flávio Bolsonaro. Se Ruas tiver a máquina do estado nas mãos, se torna imediatamente um candidato competitivo.
Historicamente o comparecimento no segundo turno é menor do que no primeiro, devido ao trabalho dos candidatos a deputado e senador para convencer os eleitores a votar. A eleição de 2022 foi uma exceção, com a abstenção caindo de 20,95% para 20,58%, devido ao grau de polarização da disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Quem ganha com um aumento da abstenção?
Autor de “O País Dividido – Duas décadas de eleições presidenciais no Brasil”, previsto para chegar às livrarias em junho, o cientista político Jairo Nicolau mostra que os eleitores mais velhos e de menor escolaridade tendem a faltar mais — duas estratificações mais lulistas do que bolsonaristas.
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/03/o-voto-nos-estados-com-seguranca-e-privatizacoes-no-centro-da-revanche-tarcisio-e-haddad-reeditam-disputa-em-sp.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26 (6)
O rei do Rio
O apodrecimento da máquina pública do Rio é tamanho que o homem mais popular do Estado é o governador interino, o desembargador Ricardo Couto, apenas porque demitiu mais de 1.400 servidores públicos (*). O fato permite duas constatações: a população tem certeza de que nenhum dos demitidos merecia estar lá; os desastres dos últimos 20 anos baixaram significativamente as exigências sobre o que é ser um bom governador no Rio.
Couto está no cargo enquanto o Supremo Tribunal Federal não toma uma decisão capaz de resolver, por eleição direta ou indireta, a situação caótica gerada pela renúncia de Cláudio Castro e pelas prisões e afastamentos na linha sucessória. Sem experiência política, Couto determinou auditorias em secretarias e estatais e demitiu “funcionários” que nem crachá tinham.
As demissões enfurecem deputados estaduais responsáveis pelas indicações. O comentarista Otávio Guedes, da GloboNews, mostrou que, em represália, deputados aliados do presidente da Alerj, Douglas Ruas, que tenta assumir o governo, ameaçaram divulgar nomes de supostas amantes de desembargadores empregadas na Assembleia.
A vingança seria aplaudida pela população e poderia elevar mais um pouco a popularidade de Couto. No universo deteriorado da administração pública do Rio, fazer apenas o normal é excêntrico; gera indignação na política e elogios nas ruas.
(*) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/05/mais-demissoes-no-no-governo-do-rj.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 11/05/26 (7)
Fique atento
> A paranoia sobre novas operações da Polícia Federal na investigação do Banco Master manterá Brasília em estado de atenção.
> A semana será de teste sobre quem ficará ao lado de Ciro Nogueira e quem vai abandoná-lo pelo caminho. O PP faria um evento na segunda-feira (11) para oficializar o apoio à candidatura de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, mas cancelou após a operação da PF.
> Com a decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender os efeitos da Lei da Dosimetria (*), o STF vai marcar o julgamento da constitucionalidade da decisão do Congresso.
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/09/moraes-suspende-aplicacao-da-lei-da-dosimetria-ate-julgamento-do-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> O presidente Lula lança na terça-feira (12) o programa “Brasil contra o crime organizado” (*), a enésima tentativa do PT de dar uma resposta à demanda eleitoral por mais segurança. O programa promete distribuir equipamentos de bloqueio de celulares nos presídios, aumentar número de policiais nas operações de fronteira e desburocratizar o bloqueio de bens de investigados.
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/11/lula-deve-anunciar-quase-r-1-bilhao-em-investimentos-na-seguranca-publica-nesta-semana.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Na terça-feira (12), Kássio Nunes Marques assume a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (*). Entre quarta e sexta-feira, o TSE faz o teste de segurança das urnas eletrônicas, numa tentativa de acalmar os bolsonaristas de que a urna é segura.
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/11/nunes-marques-e-mendonca-assumem-tse-abrindo-nova-fase-da-corte.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> A comissão especial da Câmara sobre a redução da escala 6×1 terá audiências públicas com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos.
> A ação policial de retirada dos estudantes (*) que ocupavam a reitoria da USP será o novo capítulo da disputa ente Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad. Violenta, a ação deixou cinco alunos hospitalizados.
(*) https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2026/05/10/pm-desocupa-reitoria-da-usp-com-corredor-polones-e-quatro-estudantes-sao-detidos-veja-o-video.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> A partir de sexta-feira (15), os pré-candidatos podem começar a arrecadar dinheiro (*) para suas campanhas por meio de financiamento coletivo.
(*) Como se já não bastassem os pornográficos fundos eleitoral e partidário!
(TRPCE)
Portanto, todo cuidado é pouco,
pois, a suprema toga quando
não é desbotada & amarrotada
é furta-cor. . .
“Investigadores revisitam traumas da Lava-Jato para tentar não repetir erros no caso Master”
(Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Rio e Brasília, O Globo, 11/05/26)
O flagra da conversa entre o advogado de Daniel Vorcaro, José Luis Oliveira Lima, e o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Floriano de Azevedo Marques, amigo do ministro do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, logo após entregar a proposta de delação resgatou na memória dos investigadores um dos episódios mais marcantes da Lava-Jato: a cena do encontro furtivo do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com o advogado Pierpaolo Bottini, responsável pela defesa do delator Joesley Batista.
A cena mais recente, que ocorreu no restaurante de um hotel e foi registrada numa foto divulgada pelo Estadão, foi comparada nos últimos dias por investigadores à imagem de Janot e Bottini em 2017 como exemplo de uma derrapada com potencial de prejudicar o andamento das apurações.
A diferença é que, enquanto a primeira pode ser usada para desmoralizar a delação de Vorcaro, por levantar especulações sobre se Moraes não teria usado o amigo de 40 anos para tentar monitorá-la, a reunião do PGR de então com o advogado de Joesley é até hoje lembrado como um erro que abalou a credibilidade da Lava-Jato e que deve ser evitado a todo custo para que a apuração sobre o Master possa avançar.
O episódio traz à tona uma preocupação que vem sendo expressada com frequência por delegados e procuradores da República nos bastidores a interlocutores variados. Nessas conversas, eles dizem que os traumas da Lava-Jato têm que servir para que não repitam os mesmos erros.
A superexposição, no caso, é um desses traumas, e dos grandes. Ao contrário dos delegados e procuradores da Lava-Jato, que davam entrevistas a cada etapa da investigação, a recomendação agora é trabalhar longe dos holofotes, tanto que muitos dos integrantes da equipe são desconhecidos do público.
Outro trauma frequentemente citado é o que se costuma chamar internamente de “tsunami” de delações da época de Janot, que em sua gestão na PGR fechou mais de 100 acordos de colaboração premiada entre 2013 e 2017 – 77 só de executivos e ex-executivos da Odebrecht. Gonet, por sua vez, não fechou ainda nem uma só delação em sua gestão, o que deve mudar a partir de agora.
“Eles já avisaram que não vão admitir delação por delação, que tem de ter substância”, relatou um advogado que tenta emplacar um acordo com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
As acusações de direcionamento das delações que embasaram os pedidos de suspeição da Lava-Jato também são um trauma. Por isso, tanto os integrantes da PF como da PGR têm deixado claro aos advogados nas reuniões que não vão citar nomes de potenciais alvos para não serem acusados mais tarde de terem pedido ou forçado os delatores a entregar pessoas escolhidas a dedo.
Outro trauma, esse bilionário, é a negociação de multas parceladas. O grande exemplo é a multa fechada pela PGR com a J&F, de Joesley e Wesley Batista, que se comprometeu a pagar R$ 10,3 bilhões em 25 anos, mas depois, com o desmonte da Lava-Jato no STF, teve a multa suspensa pelo ministro Dias Toffoli (1). Em novembro do ano passado, a Justiça Federal de Brasília determinou que a multa fosse recalculada – nas contas da J&F, o valor deveria ficar na casa de R$ 1 bilhão.
Por isso, os investigadores fizeram uma espécie de pacto entre eles de não aceitar mais multas parceladas. Nas últimas semanas, a equipe de defesa de Vorcaro chegou a sinalizar reservadamente a disposição de pagar uma multa de R$ 40 bilhões ao longo de 10 anos, mas ao apresentar sua proposta de acordo, na semana passada, eles não incluíram uma cifra para negociação (2).
Segundo fontes ligadas ao caso relataram à equipe da coluna, Vorcaro apenas se comprometeu a revelar à PF e ao MPF o destino dos recursos ainda detidos por ele no Brasil e no exterior, direta ou indiretamente – ou seja, valores mantidos no seu nome e de suas empresas ou ocultos na conta de laranjas ou fundos obscuros.
Insatisfação
Nesta quarta-feira, o time jurídico do executivo Daniel Vorcaro entregou ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, a sua proposta de colaboração premiada. No dia seguinte, Mendonça autorizou uma operação policial que revelou que Vorcaro pagava uma mesada de até R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) (3), uma das principais lideranças do Centrão no Congresso Nacional.
Os pagamentos a Ciro, que incluíam despesas com hotéis, restaurantes e viagens internacionais, no entanto, foram omitidos da proposta de Vorcaro.
O ministro não está satisfeito com o material entregue pelo dono do Master e deve cobrar ajustes e mais informações, antes de decidir se valida ou não a delação.
Mendonça já deu sinais de que pretende fazer jogo duro não apenas com Vorcaro, mas com os demais potenciais delatores, avisando que só vai aceitar homologar acordos que efetivamente contribuírem com o aprofundamento das investigações, diante do farto material já extraído após a quebra do sigilo do dono do Master e dos outros alvos da apuração.
Em outro paralelo da Lava-Jato, Mendonça chefiou o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro, entrando no lugar do ex-juiz federal Sergio Moro, que deixou o cargo no primeiro escalão após acusar o então presidente de interferência indevida em investigações da PF. Uma das principais preocupações de Mendonça é a de que o caso Master não tenha o mesmo fim da Lava-Jato, que acabou implodida pelo próprio STF.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/investigadores-revisitam-traumas-da-lava-jato-para-tentar-nao-repetir-erros-no-caso-master.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
(1) “Dias Toffoli cancela multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F”
– Mulher do ministro, Roberta Rangel, advoga para a empresa de Joesley e Wesley Batista no litígio com a Paper Excellence.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2023/12/dias-toffoli-cancela-multa-de-r-10-bilhoes-da-jandf.ghtml
(2) “Delação de Vorcaro deixa de fora cálculo da multa a ser paga pelas fraudes do Master”
– Fator-chave para um acordo de colaboração premiada, ressarcimento a ser feito pelo dono do Banco Master será definido em um segundo momento.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/proposta-de-delacao-entregue-por-vorcaro-nao-estipula-valor-de-multa.ghtml
(3) “Master: Proposta de delação de Vorcaro omite mesada de R$ 300 mil a Ciro Nogueira”
– Dono do Banco Master evitou comprometer o presidente nacional do PP em seu acordo.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/master-proposta-de-delacao-de-vorcaro-nao-traz-fatos-de-operacao-que-revelou-mesada-de-r-300-mil-a-ciro-nogueira.ghtml
“Trump ‘versus’ Maga, o cisma”
– Ataque ao Irã representaria uma renúncia crucial: a adesão do presidente à ordem que jurou destruir.
(Por Demétrio Magnoli, O Globo, 11/05/26)
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“O artigo aborda a cisão dentro do movimento Make America Great Again (Maga) após a decisão de Trump de atacar o Irã, vista como uma traição ao seu discurso anti-imperialista. Tucker Carlson critica a guerra, alinhando-se a críticas tradicionais da esquerda sobre imperialismo e desigualdade, mas com ênfase em populismo econômico e política anti-imigração. Carlson sugere que Trump foi “refém” de influências externas, principalmente de Benjamin Netanyahu e do lobby israelense.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/opiniao/demetrio-magnoli/coluna/2026/05/trump-versus-maga-o-cisma.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
(*) Dedo na ferida.
“Brasília está com medo”
– Se bateu no Ciro, quem estará a salvo? Do temor se passa à ação: como estancar essa sangria, como se estancou a Lava-Jato? (*)
(Carlos Alberto Sardenberg, O Globo, 11/05/26)
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“O caso Vorcaro pode ser um divisor de águas no combate à corrupção no Brasil. Sob a relatoria do ministro André Mendonça no STF, o caso já abalou o sistema político com buscas envolvendo o senador Ciro Nogueira. A situação remete à Operação Lava-Jato, destacando o risco de um possível acordão para abafar investigações. A continuidade desse caso pode marcar a retomada do combate à corrupção, expondo a ligação entre setores público e privado.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/opiniao/carlos-alberto-sardenberg/coluna/2026/05/brasilia-esta-com-medo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Detetives de sofá: livros interativos exploram o prazer contemporâneo de investigar crimes”
– Títulos como ‘Murdle’, ‘Murdoku’ e ‘Crimes ilustrados’ unem exercícios de lógica e mistérios de romance policial.
(Por Bolívar Torres, O Globo, 11/05/26)
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“Livros como ‘Murdle’, ‘Murdoku’ e ‘Crimes Ilustrados’ estão transformando leitores em detetives de sofá, combinando mistérios de romance policial com exercícios de lógica. A popularidade do true crime e jogos de tabuleiro impulsionam esse gênero interativo, que oferece uma experiência imersiva e social. Autores como Anthony Johnston destacam o apelo universal de solucionar mistérios, enquanto obras permitem aos leitores criar suas próprias narrativas e teorias.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/05/11/detetives-de-sofa-livros-interativos-exploram-o-prazer-contemporaneo-de-investigar-crimes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
MeuBomJe!!!
O caos é de conhecimento
internacional!!!
“Professores viralizam ao relatarem hostilidade de alunos e geram debate sobre más condições em sala de aula”
– Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem apontou que quase metade dos docentes relatou sofrer intimidação ou abuso verbal de estudantes.
(Por Eduardo Moure* — Rio de Janeiro, O Globo, 11/05/26)
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“Professores estão relatando hostilidade e abuso verbal em sala de aula, gerando debate sobre as más condições de trabalho na educação brasileira. Segundo a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, 47% dos docentes enfrentam intimidação de alunos. Casos de agressão e desrespeito são comuns, levando educadores a desabafar nas redes sociais. Especialistas associam o comportamento agressivo dos alunos à influência das tecnologias e à falta de supervisão. O Ministério da Educação está implementando programas para apoiar professores.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/11/professores-viralizam-ao-relatarem-hostilidade-de-alunos-e-geram-debate-sobre-mas-condicoes-em-sala-de-aula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Lembrem-se:
A Escola ensina.
A família educa!
Assim como no futebol,
acreditar no governo é
“uma caixinha de surpresas”!
“Tesouro lança hoje aplicação que funciona como ‘caixinha’ e rende mais que poupança; saiba como será”
– Aplicação mínima do Tesouro Reserva será de R$ 1 e rendimento acompanhará a Selic. Valor poderá ser sacado a qualquer momento, e novos aportes poderão ser feitos 24 horas por dia.
(Por Paulo Renato Nepomuceno — Rio de Janeiro, O Globo, 11/05/26)
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“O Tesouro Nacional lança hoje o Tesouro Reserva, um novo investimento que promete maior rentabilidade que a poupança e liquidez diária, com negociações 24 horas. Com aplicação mínima de R$ 1 e segurança da dívida soberana, o título visa atrair investidores iniciantes. O Tesouro Reserva, atrelado à Selic, integra a estratégia de popularizar títulos de dívida, prometendo zero oscilação negativa.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2026/05/11/tesouro-lanca-hoje-aplicacao-que-funciona-como-caixinha-e-rende-mais-que-poupanca-saiba-como-sera.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
E as “otoridades”?
– Planejando mudanças, para tudo como está ficar!
Ou. . .piorar. . .
“Datafolha: 68 milhões de brasileiros moram em áreas com presença de facções e milícias”
– Quase metade dos entrevistados diz que a atuação dos criminosos é explícita no território, segundo material contratado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
(Por Samuel Lima — São Paulo, O Globo, 11/05/26)
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“Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 68 milhões de brasileiros convivem com a presença de facções e milícias em suas comunidades, apontando que 41,2% percebem essa atuação criminosa como visível. A pesquisa destaca o impacto do crime organizado na vida cotidiana, incluindo o medo de violência e a influência nas regras de convivência. O levantamento mostra ainda que a criminalidade organizada influencia o comportamento da população, que evita certos locais e horários por temor, afetando sua mobilidade e economia pessoal.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/10/68-milhoes-de-brasileiros-moram-em-areas-com-presenca-de-faccoes-e-milicias-aponta-pesquisa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
A pilili da caca lulu,
“peliga” dar chabu!
“Às vésperas da eleição, 6 a cada 10 brasileiros têm medo de sofrer agressões por opção política”
– Pesquisa Datafolha contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública acende o alerta para a violência a cinco meses do pleito.
(Por Samuel Lima — São Paulo, O Globo, 11/05/26)
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“A pesquisa Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que 60% dos brasileiros temem agressões devido a suas escolhas políticas, um índice apenas levemente inferior aos 68% de quatro anos atrás. O medo é mais expressivo entre mulheres e classes mais pobres. A presença do crime organizado também intimida eleitores, levando 59% a evitar manifestações políticas. A pesquisa entrevistou 2.004 pessoas em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/10/as-vesperas-da-eleicao-6-a-cada-10-brasileiros-tem-medo-de-sofrer-agressoes-por-opcao-politica.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Menino vadio”
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“O Piauí não é aqui”
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“De cargos a contratos, irmão de Ciro Nogueira atua à sombra do senador na gestão de empresas e de cargos públicos”
– Alvo da PF, Raimundo Neto participa de empresas ligadas ao parlamentar e foi indicado para função no governo do Piauí.
(Por Bernardo Mello — Rio de Janeiro, O Globo, 11/05/26)
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“Raimundo Neto Nogueira, irmão de Ciro Nogueira, está sob investigação da PF por envolvimento em empresas ligadas ao senador e contratos no governo do Piauí. Empresas associadas a ele receberam R$ 67,5 milhões da prefeitura de Teresina. A PF investiga se aquisições de empresas foram usadas para transferências de riqueza indevidas ao senador. Ciro nega as acusações e alega perseguição política.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/11/de-cargos-a-contratos-irmao-de-ciro-nogueira-atua-a-sombra-do-senador-na-gestao-de-empresas-e-de-cargos-publicos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Caetano Veloso: https://www.youtube.com/watch?v=RFEQSvAMYyg
E as “otoridades” cariocas?
– “Se-locupletando-se”!
“Como nasce o medo: CV instala célula do tráfico em área da milícia em Jacarepaguá e aterroriza moradores”
– Moradores relatam ao GLOBO como em pouco mais de um mês para o Comando Vermelho consolidou presença num trecho de aproximadamente 55 mil metros quadrados naquela área, região historicamente dominada pela milícia.
(Por Anna Bustamante — Rio de Janeiro, O Globo, 11/05/26)
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“O Comando Vermelho (CV) instalou uma célula em área da milícia em Jacarepaguá, aterrorizando moradores. Em pouco mais de um mês, consolidou seu domínio em 55 mil m², alterando a rotina local com extorsões e violência. Moradores relatam que muitos criminosos são conhecidos da vizinhança. A polícia reconhece aumento de crimes, mas nega expansão territorial do CV. Especialistas alertam para o risco de controle total se a situação não for contida.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/05/11/como-nasce-o-medo-cv-instala-celula-do-trafico-em-area-da-milicia-em-jacarepagua-e-aterroriza-moradores.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Alê Momo desfilando
com sua toga vermelha!
“Presidenciáveis da direita sobem tom contra Moraes por barrar Lei da Dosimetria, e oposição mira retomar debate da anistia”
– Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema voltam a atacar o STF, tema recorrente da pré-campanha presidencial deste ano.
(Por Letícia Pille, Pepita Ortega, Bernardo Mello e Rafaela Gama — Rio de Janeiro, O Globo, 11/05/26)
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“Os presidenciáveis Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema criticam o STF após o ministro Alexandre de Moraes suspender a Lei da Dosimetria, que reduziria penas de envolvidos nos atos do 8 de Janeiro. A decisão, vista como ataque à separação dos poderes, reacende a discussão sobre anistia no Congresso. A oposição considera propor uma PEC para anistiar os condenados, enquanto governistas apoiam a suspensão da lei.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/11/presidenciaveis-da-direita-sobem-tom-contra-moraes-por-barrar-lei-da-dosimetria-e-oposicao-mira-retomar-debate-da-anistia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Eis a especialidade de lulampião,
janjapacaassada & a$$ociado$:
desagradar a gregos e troianos!
“Desenrola reforça crédito menos sensível à Selic, que avança 12% e dificulta tarefa do BC”
– Efeito das mudanças na taxa básica de juros é menor no segmento de financiamentos direcionados.
(Por Fabio Graner — Brasília, O Globo, 11/05/26)
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“O programa Desenrola Brasil visa impulsionar empréstimos menos sensíveis à Taxa Selic, permitindo a renegociação de dívidas e aumentando o crédito direcionado, que cresce mais rápido que o crédito livre. Com juros elevados, o governo busca mitigar efeitos econômicos, pressionando o Banco Central. A expansão do crédito direcionado, mesmo com taxas de mercado, desafia a eficácia da política monetária do BC.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/post/2026/05/desenrola-reforca-credito-menos-sensivel-a-selic-que-avanca-12percent-e-dificulta-tarefa-do-bc.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Nem tudo é festa!”
– O problema não é a farra que virá com a redução da jornada de trabalho. A questão é fazer isso de qualquer maneira e, depois, sofrer com a ressaca.
(Por Nuno Vasconcellos, Último Segundo, iG, 10/05/26)
Por mais que, daqui por diante, apareçam políticos interessados em comemorar a redução da jornada de trabalho, que atualmente prevê seis dias de labuta por um de descanso, e queiram tirar proveito da aprovação dessa medida, como se tivessem apoiado a proposta desde o primeiríssimo momento, ninguém conseguirá tirar essa bandeira das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A vitória é dele e de sua insistência em transformar esse tema numa das principais medidas dessa reta final de mandato.
Embora a tramitação da matéria ainda não tenha passado pela Câmara e ainda precise, na sequência, ser submetida ao crivo do Senado para entrar em vigor, sua aprovação já pode ser dada como favas contadas. Pode ser que a vitória não seja suficiente para compensar de forma imediata os danos colaterais que as derrotas da semana retrasada causaram à popularidade do presidente.
Só para lembrar, as derrotas se referem à rejeição do Advogado Geral da União Jorge Messias para uma vaga no STF e a derrubada dos vetos do presidente ao projeto que reduz a pena dos condenados pelas manifestações do 8 de janeiro de 2023. Mas, pelo menos, servirá para mostrar que Lula não desistiu da corrida eleitoral e continua firme na campanha pela reeleição. É isso aí: a redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas e, mais tarde, 36 horas, sem qualquer redução de salário tem sido um tema frequente do debate político nos últimos dias — e nem mesmo a visita de Lula a Washington, para uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira passada, reduziu o interesse que o tema tem despertando entre os políticos.
“Grito do Trabalhador”
O projeto que sacramentará a matéria, como se sabe, tramita em regime de “urgência constitucional” no Congresso. Em abril, a matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (1) e, depois, pela Comissão Especial convocada para tratar do assunto. Desde a semana passada, o tema vem sendo discutido em “audiências públicas” que mais parecem palanques destinados à colheita de frutos eleitorais do que uma tentativa sincera de perfeiçoar o texto que irá a plenário.
“O governo acha plenamente sustentável reduzir a jornada para 40 horas semanais imediatamente, sem redução de salário e com duas folgas na semana. Esse é o grito do trabalhador e da trabalhadora”, declarou o ministro do Trabalho Luiz Marinho, que fala em nome de Lula nas audiências. Na quarta-feira, por exemplo, a caravana destinada a discutir o assunto fez escala em João Pessoa, Paraíba — e o encontro terminou sem que um único subsídio fosse acrescentado ao texto. Tudo o que se ouviu ali foi a reafirmação do apoio e aplausos ao governo que levou a medida adiante.
A Paraíba, como se sabe, é reduto eleitoral do presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (2) — que, obviamente fez questão de aparecer com destaque nas fotografias da Audiência Pública. O local do encontro, por sinal, foi uma exigência de Motta. Além da necessidade de projetar o próprio nome para renovar seu mandato na Câmara, Motta se esforça para garantir para seu pai, ex-prefeito da cidade de Patos, Nabor Wanderley, uma das vagas na disputa pelo Senado nas eleições de outubro na chapa apoiada por Lula.
A tentativa de se apoiar na popularidade inquestionável de Lula nos estados nordestinos ficou evidente na insistência de Motta em sediar o evento em seu reduto eleitoral. As próximas audiências já estão programadas. Elas estão previstas para acontecer em Minas Gerais, no dia 15, em São Paulo, no dia 21, no Rio Grande do Sul, ainda sem data marcada e em encontros com Confederações de Trabalhadores, Centrais Sindicais e outros interessados, na Câmara dos Deputados.
Avanço civilizatório
Para o governo, como se sabe, o assunto é tratado como questão de honra. A redução da jornada é vista como uma oportunidade de turbinar a popularidade de Lula que, se não sofreu a queda acentuada que se previa em consequência das derrotas recentes, há muito tempo não consegue embicar para cima e garantir a tranquilidade que os apoiadores do presidente esperavam ter na corrida pela reeleição.
A divulgação massiva do esforço pela aprovação da redução da jornada, como se percebe, tem sido parte destacada da corrida em busca do prestígio perdido. Tanto assim que, nas últimas semanas, foi lançada uma campanha publicitária que tenta colar a redução da jornada à imagem de Lula. As peças de divulgação insistem na ideia de que “tempo é direito” e que a redução da jornada melhorará a qualidade de vida do trabalhador.
As críticas, é claro, não demoraram a surgir, mas, pelo que se vê até aqui, elas são tímidas e não impedirão a aprovação da medida. O que se vê, ao contrário, é a adesão cada vez maior de políticos da oposição ao projeto. Afinal, como acontece nos anos eleitorais, as questões de fundo serão evitadas e todos os políticos — sejam do governo, sejam da oposição — não medirão esforços para afagar o eleitor. Independentemente das consequências negativas que isso pode gerar para a saúde da economia no médio prazo, isso é do jogo.
Não importa se, mais uma vez, o afago virá na forma de medidas populistas e irresponsáveis — contra as quais poucos parecem ter coragem de se opor, sob a desculpa de que isso poderá revelar um prejuízo considerável no momento em que as urnas forem abertas. Numa situação como essa, é bom ter sempre em mente que as aparências valem mais do que a essência da proposta. Sendo assim, todas — ou, senão, a maioria — das avaliações da redução da jornada levam em conta os benefícios que ela pode trazer para o cidadão — ou melhor, para o eleitor. Mas poucas se mostram minimamente preocupadas em medir o impacto que a medida terá sobre a saúde financeira das empresas, principalmente as de médio e pequeno porte. Esse é o xis da questão.
Em tempo: ninguém em sã consciência pode se opor a uma proposta que poderá levar ao aumento do tempo que o trabalhador dedica à família, ao descanso e ao lazer. Mais do que uma questão econômica, essa possibilidade deve ser tratada como medida de avanço civilizatório. O problema não é conceder um dia a mais de descanso. O risco é fazer isso de qualquer maneira e, no final, ao invés de aumentar o tempo de descanso, eliminar o emprego e acabar com a renda do trabalhador. O problema não é a festa da aprovação da medida, mas a ressaca do dia seguinte.
Tratamento superficial
Os cálculos feitos pelos apoiadores da medida pecam pela absoluta falta de precisão. E, também, pela insistência em apontar os benefícios sem considerar minimamente as eventuais consequências negativas. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do ministério do Trabalho, o Brasil tem cerca de 50 milhões de pessoas com vínculos formais de trabalho. A maioria, cerca de 40 milhões, tem as certeiras assinadas pelo regime CLT. Os outros são funcionários públicos estatutários — da União, dos estados e dos municípios.
É aí que a pegadinha começa. Sempre que Marinho fala do percentual de trabalhadores que cumprem a jornada seis por um, o governo usa como numerador os 50 milhões de vínculos formais — ou seja, inclui os servidores públicos na conta. Por esses números, apenas 30% dos trabalhadores contratados no país são regidos pelo sistema seis por um. Caso se considerasse apenas os 40 milhões de contratados em regime CLT, o percentual de trabalhadores que passarão a ser contemplados imediatamente com duas folgas por semana — e não com apenas uma —, o percentual saltaria automaticamente para 37%.
E mais: um número expressivo de funcionários públicos no Brasil é contratado pelo regime CLT. De acordo com o Anuário de Gestão de Pessoas no Serviço Público de 2024, os últimos disponíveis, há mais ou menos 1,5 milhão de servidores nessa situação. Excluindo-se esse grupo da base de cálculo, como seria correto, visto que a medida afeta apenas o setor privado, percebe-se que quase 40% dos profissionais com carteira assinada trabalham pelo regime seis por um.
Ainda que esses números ajudem a jogar um pouco mais de luz sobre o debate, o tema segue sendo tratado de forma superficial. Desde que a deputada Erika Hilton (PSOL/SP) apresentou um projeto de lei com a proposta de redução da jornada (3), a temperatura em torno dessa discussão vem se elevando. O governo abraçou a causa e a transformou em prioridade — certamente com os olhos voltados para os dividendos eleitorais que a medida poderá render. Até aí, tudo bem! Todo governo do mundo tem todo direito de transformar seus projetos em bandeiras eleitorais e utilizá-las para tentar estender seu tempo no poder. Isso é do jogo. O que também é do jogo, mas não é correto, é omitir informações importantes do eleitor.
Vamos lá: o projeto que Erika Hilton apresentou no dia 25 de fevereiro de 2025 não fazia qualquer avaliação da capacidade das empresas privadas arcarem com a elevação de custos que virá com a redução da jornada. A ideia avançou e o projeto de Hilton, que previa três dias de ócio para quatro dias de batente, felizmente foi reduzido a um adendo da PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT/MG). Mais bem estruturada, mas nem por isso mais precisa, a PEC é a base do texto relatado pelo deputado Léo Prates (Republicanos/BA) e aprovado por uma Comissão Especial da Câmara.
Onde está o problema? Bem… Hoje é domingo, 10 de maio de 2026. Ou seja, já se passaram 439 dias desde que Erika Hilton desencadeou a discussão da redução da jornada com a apresentação de seu Projeto de Lei. As datas são mencionadas aqui apenas para lembrar que não foi é a falta de tempo que explica a inexistência de uma avaliação mais detida dos impactos da medida sobre as empresas privadas e sobre o provável aumento de demissões que o projeto pode acarretar.
Tempo para isso houve de sobra. O que não houve foi interesse em expor com seriedade os riscos que se seguirão à aprovação dessa medida populista. A falta de dados consistentes não chega a ser uma novidade. No nível superficial do debate político que acontece no Brasil, qualquer dado mais aprofundado é considerado desnecessário. Tudo, no final das contas, acaba se reduzindo a mais um round da velha batalha do “nós contra eles”, ou dos “ocupantes do andar de cima contra os moradores do porão” que, nos últimos anos, domina o cenário político brasileiro.
Caricatura grotesca
No Brasil, o “empresário” ou, como os sindicalistas adoram dizer, o “patrão”, carrega uma imagem extremamente negativa — e tudo o que for feito para prejudicá-lo é visto pela esquerda como um serviço prestado ao trabalhador. Quando se fala em patrão, a figura que surge na cabeça de boa parte da militância é a do nababo endinheirado, que enche a pança com o que há de bom e de melhor, e vive às custas do suor do trabalhador. Esse sujeito “malvadão” e “espertalhão” é pintado como alguém que maltrata os subalternos e faz tudo o que está a seu alcance para espoliar o pobre trabalhador e encher ainda mais o bolso de dinheiro.
Essa caricatura de “empresário” vem sendo cuidadosamente desenhada pelos militantes de esquerda desde o final do Século 19, início do Século 20. Ela serve para ilustrar a ideia de que a vida é um eterno campo de batalhas da luta de classes. A imagem grotesca, porém, não resiste ao mínimo confronto com a realidade do Brasil — onde a maioria dos “patrões” leva uma vida muito parecida com as dos trabalhadores que contrata.
Existem no Brasil cerca de 24 milhões de CNPJ ativos, mas a multiplicidade de critérios de classificação torna difícil saber quantos deles estão realmente operacionais e qual é a divisão exata do cadastro entre micro, pequenas, médias e grandes empresas. Os números são do Mapa de Empresas, do ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Acredite! Embora pouca gente tenha se dado conta disso, um ministério responsável pelo empreendedorismo é um dos 39 que dão expediente na Esplanada, em Brasília!
Os números não levam em conta as empresas inscritas no Inova Simples — que contempla startups e empresas inovadoras. Mas, para efeito do raciocínio que se faz aqui, esse dado é irrelevante. Nos 24 milhões considerados aqui, estão incluídos os CNPJs sob responsabilidade dos chamados “microempreendedores individuais”, os chamados MEI. São artesãos, costureiros, cozinheiros, encanadores, motoristas, pedreiros, vigilantes e dezenas de prestadores de serviço que formalizaram seus negócios por meio dessa modalidade. Eles somam cerca de 12,6 milhões de pessoas.
Todos os demais titulares dos demais 11,5 milhões de CNPJs ativos no Brasil, independentemente do porte de suas organizações, são donos de negócios e, portanto, empresários. De acordo com o Mapa de Empresas, 93,8% dos CNPJs do país se referem a microempresas e empresas de pequeno porte.
De acordo com os dados imprecisos que surgem do cruzamento dessas informações — e que poderiam, perfeitamente, ter sido refinados desde que esse tema começou a ser debatidos — algo em torno de 80% dos empregos com carteira assinada no Brasil são gerados não pelas grandes e médias, mas pelas micro e pequenas empresas do país.
Na maioria dos casos, são empreendimentos discretos, que vivem e trabalham no limite da capacidade financeira, cujos proprietários terão que fazer uma opção radical no momento em que se virem obrigados a fazer com que a folha de pagamentos inflacionada pela jornada de trabalho reduzida caiba na sua receita de suas organizações.
Nesse caso, eles se verão diante de duas alternativas trágicas. Em nome da sobrevivência de seu negócio — que é o ganha-pão de suas famílias tanto quanto o salário é o ganha-pão das famílias de seus empregados —, eles terão que escolher. Ou demitem colaboradores — o que é sempre uma decisão difícil — ou apelam para a informalidade e aceitam pagar os empregados “por fora”, mesmo sabendo que, no país das taxas em que se transformou o Brasil, tentar burlar a Receita é sempre um risco dobrado.
Sim! A nova jornada de trabalho será um peso a mais nas costas dos pequenos empresários, que já arcam com uma carga sobre-humana para manter seus negócios operantes. Além de suportar com uma taxa de juros escorchante — que praticamente os proíbe de contrair empréstimos; além de serem pressionados por uma realidade tributária extorsiva; além de viver sob a ameaça de índices de violência que impacta diretamente a rentabilidade dos negócios; além de serem obrigados a investir em segurança e, muitas vezes, no plano de saúde dos empregados — custos que, em países evoluídos, são bancados pelo Estado — e além de enfrentar obstáculos que afetam a produtividade de seus negócios, os empresários do país ainda têm contra si uma instituição poderosa, que atende pelo nome de Justiça do Trabalho.
Se ainda houvesse dúvidas em relação a isso, elas foram eliminadas na semana passada, pelas declarações sinceras do presidente do Superior Tribunal do Trabalho, ministro Luiz Phelipe Vieira de Mello Filho. Num país em que a polarização política chega até à escala cromática e a menção às cores azul e vermelha é suficiente para mostrar para que lado pendem as decisões tomadas, Mello Filho declarou com todas as letras na semana passada: “Eu diria que não tem azul ou vermelho, tem quem tem interesse e tem quem tem causa. Nós, vermelhos, temos causa, não temos interesse. E que isso fique bem claro para quem fica divulgando isso aqui no país”, disse.
Num país como o Brasil, em que a toda hora surge alguém disposto a dificultar a vida do empresário, a redução da jornada é apenas um detalhe a mais. A impressão que fica, no final das contas, é que ter um negócio no Brasil não é para quem pensa em enriquecer, mas apenas para quem faz questão de viver perigosamente.
(Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2026-05-10/nem-tudo-e-festa.html)
(1) “CCJ da Câmara aprova proposta que acaba com escala 6×1”
– PECs que reduzem jornada de trabalho foram discutidas na Comissão de Constituição e Justiça nesta quarta (22) e vão agora para comissão especial.
+em: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2026-04-22/ccj-da-camara-aprova-proposta-que-acaba-com-escala-6×1.html#google_vignette
(2) “Motta reafirma votação do fim da escala 6×1 em maio”
– Discussão na Câmara dos Deputados prevê mudanças nas regras de carga horária, folgas semanais e modelos adotados pelas empresas no país.
+em: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2026-05-07/motta-reafirma-votacao-do-fim-da-escala-6×1-em-maio.html
(3) “Brasília: CUT faz ato de 1º de Maio com foco no fim da escala 6×1”
– Mobilização na capital federal pede jornada de trabalho equilibrada e digna sem redução salarial; a presença do presidente Lula não está confirmada.
+em: https://ultimosegundo.ig.com.br/2026-05-01/brasilia–cut-faz-ato-de-1-de-maio-com-foco-no-fim-da-escala-6×1.html
Domingueira
“Jaboticabal se consolida como o maior polo produtor de goiaba de São Paulo”
– Cidade projeta liderança absoluta na produção de goiaba industrial e de mesa.
(Por Henrique Rodarte, AgroEmCampo, iG, 10/05/26)
. . .
> A produção de goiaba em São Paulo cresce forte, com Jaboticabal consolidada como principal polo, atendendo tanto o mercado de frutas frescas quanto o setor industrial.
> São Paulo projeta colher 83 mil toneladas de goiaba para indústria e 45,5 mil para consumo, com Jaboticabal liderando com mais de 75 mil toneladas para processamento.
> A assistência técnica da CATI é fundamental, apoiando manejo, controle de pragas e sustentabilidade, além de incentivar variedades inovadoras que elevam a qualidade e a rentabilidade da fruta.
. . .
+em: https://agroemcampo.ig.com.br/2026/noticias/jaboticabal-se-consolida-como-o-maior-polo-produtor-de-goiaba-de-sao-paulo/
Será que a cidade mudará seu nome para Goiabal?
-Tudo indica que não. Pois no passado, Joboticabal (*) também foi conhecida como “Cidade das Rosas” e “Capital do Amendoim” e nem por isso virou Roseiral ou Amendoinzal.
(*) O nome da cidade paulista de Jaboticabal origina-se de um denso bosque de jabuticabeiras nativas existente no primeiro perímetro demarcado do município, no início do século XIX. Jaboticabal significa, portanto, “lugar com muitas jabuticabeiras”, com a grafia oficializada com “o” pela Lei Municipal 421/1960.
+em: https://share.google/aimode/gNSp4phJHE6GTTbnY
Finalmente, um “équiça”!
Para desespero da corja bolsonara. . .
“É hexa: Brasil vira sobre a Argentina e conquista o Sul-Americano Sub-17”
– Apesar de sair atrás na decisão do Sul-Americano Feminino Sub-17, Brasil mostrou melhor desempenho, virou ainda no primeiro tempo e venceu por 3 x 2.
(Lucca Pisani, Campo Delas, iG)
+em: https://campodelas.ig.com.br/2026/futebol/selecao-brasileira/e-hexa-brasil-vira-sobre-a-argentina-e-conquista-o-sul-americano-sub-17/
“Faz papel de bobo quem crê na retórica antirreeleição de Flávio”
(Josias de Souza, Colunista do UOL, 10/05/26)
Flávio Bolsonaro subiu no salto alto. De passagem por Santa Catarina, carbonizou a proposta de emenda constitucional apresentada por ele mesmo, prevendo o fim da reeleição (*). Declarou que, se chegar ao Planalto, seu mandato pode durar oito anos.
Discursando para uma plateia de empresários, o filho de Bolsonaro declarou: “O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, onde a gente vai poder bater o peito e falar: ‘Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias’.”
Neste sábado, questionado sobre a afirmação feita na véspera, Flávio tentou se corrigir. Mas a emenda piorou o soneto, pois deixou evidente o desejo do candidato de esticar um mandato que ainda não obteve.
“Sou contra a reeleição”, disse Flávio Bolsonaro. “Mas acho quatro anos muito pouco para um mandato só. […] Vou trabalhar para que a PEC seja aprovada. Acredito que ela vai ser aprovada, mas convenhamos, quatro anos acho muito pouco para um mandato só, para tanta coisa que o Brasil precisa arrumar.”
Originalmente, a emenda sobre o fim da reeleição foi apresentada pelo filho de Bolsonaro para engambelar Tarcísio de Freitas. A ideia era sinalizar para o aliado que, trocando o sonho presidencial pela reeleição ao Governo de São Paulo, teria o apoio de Bolsonaro e seus devotos para concorrer ao Planalto em 2030.
Ficou entendido que faz papel de bobo quem acredita no conto da carochinha segundo o qual a família do “mito” preso passe a cultivar, de repente, uma noção qualquer de desapego pelo poder. O salto alto de Flávio Bolsonaro é o menor dos problemas. Alguma coisa subiu à cabeça do candidato. E não é nada que se pareça com bom senso.
Na sexta-feira, em entrevista à CNN, Flávio insinuou que o pai será uma espécie de eminência parda de sua eventual Presidência. “O Jair será sempre o meu norte, minha bússola, minha referência, a pessoa com quem eu me consulto. Se ele quiser exercer um cargo no meu governo, é óbvio que vai exercer.” A declaração contém duas assombrações: além de pressupor a anistia de Bolsonaro, carrega a admissão de que ele pode voltar a dar as cartas no Planalto.
(Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2026/05/09/flavio-se-desdiz-sobre-reeleicao-e-ja-fala-em-governo-de-8-anos.htm)
(*) “Flávio Bolsonaro fala em governo de até 8 anos após ter acenado com fim de reeleição”
– Discurso a empresários de SC contraria proposta para atrair aliados; presidenciável promete nova reforma tributária.
– Flávio também cita esquerda insignificante por 40 anos e critica resultado de reunião de Lula com Trump.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/05/flavio-bolsonaro-fala-em-governo-de-ate-8-anos-apos-ter-acenado-com-fim-de-reeleicao.shtml
“Nas entrelinhas”
. . .”O avanço das apurações do caso Master produzirá reações políticas cada vez mais intensas. Ciro Nogueira não é um parlamentar periférico. É um dos líderes mais influentes do Centrão.”. . .
“O conto noir, o detetive durão, os negócios da política e o caso Master”
(Luiz Carlos Azedo em seu blog no correio Braziliense, 10/05/26)
“Pelas ruas vis deve passar um homem que não seja ele próprio vil, que não esteja maculado nem tenha medo. O detetive, nessa espécie de história, deve ser esse homem. Ele é o herói; ele é tudo. Deve ser um homem completo, um homem comum e, contudo, um homem incomum. Deve ser, para usar uma frase já bastante gasta, um homem de honra — por instinto, inevitavelmente, sem pensar nisso, e certamente sem dizê-lo. Deve ser o melhor homem de seu mundo e suficientemente bom para qualquer mundo.”
Essa passagem do ensaio literário A simples arte de matar (“The Simple Art of Murder”) (*), de Raymond Chandler (**) (LPM), é a melhor definição do herói noir dos romances policiais norte-americanos. O homem solitário, moralmente íntegro, mas mergulhado num mundo corrompido, no qual a fronteira entre crime e legalidade se tornou nebulosa. O herói atravessa uma sociedade decadente sem ilusões sobre justiça ou pureza como um Ulysses da sarjeta.
Essa é a ética noir. O herói não é um vencedor clássico nem um justiceiro absoluto. Ele vive cercado por corrupção, violência, políticos venais, policiais vendidos e milionários decadentes, mas preserva um código moral próprio. Sua integridade nasce da escolha pessoal e não das instituições. Sabe que não salvará o mundo. Sua função é apenas resistir à degradação sem se tornar parte dela.
O ensaio de Chandler foi um manifesto literário e moral e, ao mesmo tempo, a defesa do romance noir norte-americano como forma moderna de representação da sociedade urbana, corrupta e violenta do século XX. Expulsos de Hollywood pelo macartismo, antigos roteiristas, seus criadores transformaram o romance policial em literatura de crítica social.
Chandler considerava os enigmas dos autores policiais clássicos distantes da experiência real da violência. “O assassinato, que na realidade é uma tragédia, tornou-se uma espécie de jogo de salão”. O crime não é um quebra-cabeça abstrato. Em sua visão, a literatura policial precisava reencontrar o mundo concreto: ruas sujas, corrupção policial, chantagem, medo, desigualdade e decadência moral.
O assassinato não podia ser apenas um truque lógico; deveria revelar a própria estrutura da sociedade moderna. Em vez de lordes envenenados em mansões, surgem gângsteres, políticos corruptos, policiais vendidos, empresários inescrupulosos e mulheres fatais. O crime deixa de ser exceção e passa a integrar o funcionamento cotidiano da ordem social. Vira uma patologia, na definição clássica do antropólogo e sociólogo Émile Durkheim (***).
O detetive não é um herói triunfante, mas a consciência moral solitária num universo decadente. A literatura noir fez a crítica cultural da sociedade americana do pós-guerra. A expansão do capitalismo urbano, a corrupção institucional e a mercantilização das relações humanas criaram um ambiente em que a violência foi banalizada.
O novo patamar
As histórias ocorrem nas zonas cinzentas entre legalidade e crime, porque as instituições formais já não são plenamente confiáveis. Chandler mostra que o verdadeiro mistério não está apenas em descobrir quem matou, mas em compreender por que uma sociedade produz continuamente violência, cinismo e corrupção. Seu ensaio permanece como uma das reflexões mais sofisticadas já escritas sobre crime, literatura e modernidade.
Com todos os seus ingredientes, o caso Master dispensa a ficção de um romance policial noir. Banqueiros, executivos, políticos, magistrados, o cadáver de um suicida numa cela da PF. Uma história na qual a corrupção, mais do que naturalizada, é institucionalizada. A nova ação da Polícia Federal, o que há de mais competente e íntegro no sistema de segurança, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Seu foco são as relações entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, o dono do banco Master, cujas revelações elevaram as investigações a um novo patamar.
Ao alcançar Nogueira, um dos principais articuladores do Centrão e figura estratégica da oposição ao governo Lula, a Polícia Federal ingressa numa zona sensível, na qual qualquer passo em falso pode comprometer não apenas o destino do inquérito, mas também a credibilidade das instituições encarregadas de conduzi-lo. A proximidade entre Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro já era conhecida nos bastidores de Brasília. Há outros políticos e magistrados no vasto círculo de amizade e, digamos, relações institucionais do banqueiro.
Pagamentos mensais, aquisição de participação societária com deságio expressivo, custeio de viagens internacionais e suposta elaboração de emenda constitucional pelo próprio banco são indícios de atividades criminosas, mas quem acompanha os bastidores da política sabe que esse modus operandi da “política como negócios” predomina no Congresso e contaminou o Judiciário. Quem quiser que atire a primeira pedra. O que espanta mais é a escala. O avanço das apurações produzirá reações políticas cada vez mais intensas.
Ciro Nogueira não é um parlamentar periférico. Trata-se de um dos líderes mais influentes do Centrão, ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, presidente nacional do PP e peça-chave na articulação do conservadorismo brasileiro. Qualquer movimento contra ele terá repercussões no Congresso, nas alianças eleitorais de 2026 e nas relações entre a PF e o Supremo Tribunal Federal (STF). Circunscrever o caso ao escândalo financeiro é a receita pronta para o inquérito virar uma pizza napolitana (****). Restará a literatura policial para um dia recontar essa história ao estilo noir.
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/o-conto-noir-o-detetive-durao-os-negocios-da-politica-e-o-caso-master/)
(*) https://www.amazon.com.br/Simples-Arte-Matar-Cole%C3%A7%C3%A3o-Pocket/dp/8525418854
(**) Raymond Thornton Chandler (23 de julho de 1888 – 26 de março de 1959) foi um romancista e roteirista americano-britânico . Em 1932, aos 44 anos, Chandler tornou-se escritor de romances policiais após perder o emprego como executivo de uma companhia petrolífera durante a Grande Depressão
+em: https://en.wikipedia.org/wiki/Raymond_Chandler
(***) David Émile Durkheim (Épinal, 15 de abril de 1858 — Paris, 15 de novembro de 1917) foi um sociólogo, antropólogo, cientista político e filósofo francês. Considerado o pai da sociologia, formalmente tornou-a uma disciplina acadêmica. Durkheim é citado como um dos principais arquitetos da ciência social moderna, junto a Karl Marx e Max Weber.
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89mile_Durkheim
(****) Preocupantemente, preocupante!
Porém. . . provavelmente, provável!
E a pergunta no TriSuEl:
Será que a pilili (*) da caca lulu vai dar tilt em outubro?
(*) “Pilili é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões”
(Alexandre Garcia)
+em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/alexandre-garcia/pilili-desastre-comunicacao-6-milhoes/
Imaginem o que esse PULHA fará,
se eleito, para continuar no “pudê”?
“Flávio Bolsonaro: “Quatro anos é muito pouco para um mandato só”
– Senador reafirma ser contra a reeleição, mas volta a defender mudanças na duração do mandato presidencial.
(Redação O Antagonista, 09/05/26)
O senador Flávio Bolsonaro voltou a defender o fim da reeleição, mas levantou dúvidas sobre a duração de um eventual governo ao mencionar a possibilidade de permanecer no cargo por até oito anos.
A declaração foi dada durante evento político em Florianópolis (1), ao lado de aliados do PL.
Em discurso a empresários na sexta-feira, 8, Flávio afirmou que pretende deixar um país menos dependente do Estado “seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos”.
A fala contrariou acenos feitos anteriormente a aliados de que exerceria apenas um mandato caso seja eleito em 2026.
O senador apresentou em fevereiro uma PEC para extinguir a reeleição no país.
“Quatro anos é muito pouco”
Questionado neste sábado, 9, sobre a declaração, Flávio afirmou que houve “distorção” de sua fala, mas reiterou considerar curto o tempo de um único mandato presidencial.
“Eu sou contra a reeleição, mas eu acho quatro anos muito pouco para um mandato só (*). Isso vai ser uma discussão que vai ter no Congresso. Eu não quero a reeleição. Vou trabalhar para que a PEC seja aprovada”, disse.
O senador também afirmou que ainda não sabe qual será o formato final da proposta em debate no Congresso e mencionou a possibilidade de ampliação do mandato presidencial para cinco anos sem recondução.
Críticas ao PT e ao STF
Durante o evento, Flávio voltou a atacar o governo do presidente Lula e afirmou que a esquerda ficará na “insignificância” caso a direita vença a eleição de 2026.
“A gente vai botar um fim no ciclo do PT nesse país. Vocês nunca mais vão ouvir falar de esquerda (**) nos próximos 30, 40 anos”, disse.
O encontro também marcou o lançamento da chapa “puro-sangue” do PL em Santa Catarina, com apoio à reeleição do governador Jorginho Mello e as candidaturas de Carlos Bolsonaro e Carol De Toni ao Senado.
Flávio ainda criticou o ministro Alexandre de Moraes pela suspensão da chamada Lei da Dosimetria e classificou a decisão como uma “canetada monocrática”.
Leia mais: PL lança chapa “puro-sangue” em SC com Carluxo e Carol De Toni (2).
(Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/flavio-bolsonaro-quatro-anos-e-muito-pouco-para-um-mandato-so/)
(1) “Flávio critica “canetada monocrática” de Moraes sobre Lei da Dosimetria”
– Senador fala em “jogo combinado” e acusa ministro do STF de interferir no debate legislativo.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/flavio-critica-canetada-monocratica-de-moraes-sobre-lei-da-dosimetria/#google_vignette
(2) “”PL lança chapa “puro-sangue” em SC com Carluxo e Carol De Toni”
– Composição foi oficializada após meses de disputa interna.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/pl-lanca-chapa-puro-sangue-em-sc-com-carluxo-e-carol-de-toni/#google_vignette
(*) Mas. . .para um cabeça de bagre como ele, isso será uma eternidade para nós!
(**) Qualquer semelhança com o então poderoso Jorge Bornhausen será mera coincidência?
“Estou encantado porque vamos nos ver livre dessa raça durante pelo menos 30 anos”
– A polêmica envolvendo Jorge Bornhausen e a ideia de “exterminar” um grupo político refere-se a uma declaração famosa feita por ele em agosto de 2005, durante o auge do escândalo do Mensalão.
+em: https://share.google/aimode/SJqKqauSYFGikpvw2
Alê momo aprisionando o
rabo do faveco rachadjinha!
“O principal empecilho para um acordão entre Flávio Bolsonaro e Moraes”
– Atuação de Flávio Bolsonaro e Moraes pela derrota de Jorge Messias levantou suspeitas de um possível acordão entre o senador e o ministro.
(Igor Gadelha, Metrópoles, 10/05/26)
A atuação de Flávio Bolsonaro e de Alexandre de Moraes em prol da derrota de Jorge Messias no Senado levou aliados do presidente Lula a desconfiarem de um possível “acordão” entre o senador e o ministro do STF.
A tese é de que o acordo foi mediado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e teria envolvido também a aceitação pelo STF da derrubada dos vetos do PL da Dosimetria, que reduz a pena de Jair Bolsonaro
Na avaliação dos aliados de Lula, o acerto envolveria ainda uma suposta proteção a Moraes por bolsonaristas e por Alcolumbre, caso Flávio seja eleito presidente da República nas eleições de outubro de 2026.
Há, porém, um empecilho para esse possível acordão vingar: tanto aliados de Moraes quanto pessoas próximas ao clã Bolsonaro apontam, nos bastidores, que os bolsonaristas dificilmente cumprem acordos.
Essas fontes lembram que o grupo de Bolsonaro tem um histórico de descumprir acordos de trégua. Um exemplo foi a tentativa de pacificação entre o então presidente e Moraes articulada pelo ex-presidente Michel Temer.
Em setembro de 2021, após xingar Moraes de “canalha” em manifestação na Avenida Paulista, Bolsonaro escreveu um carta à nação prometendo apaziguar os ânimos (*). Meses depois, voltou a atacar o ministro do STF.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/igor-gadelha/o-principal-empecilho-para-um-acordao-entre-flavio-bolsonaro-e-moraes)
(*) https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/bolsonaro-publica-nota-a-nacao-e-diz-que-nunca-teve-intencao-de-agredir
Agora são 2:
Até então, apenas o “amigo do amigo do meu pai” mantinha o rabo do faveco rachadjinha preso.
E dá-lhe contratar “pelhas”
à peso de ouro e com seus
salários astronômicos!
“5 clubes têm metade da dívida dos 20 maiores devedores do Brasil”
– Passivo total alcançou R$ 16 bilhões em 2025, alta real de quase 7% em comparação com 2024.
(Poder360, 09/05/26)
Corinthians, Atlético-MG, Botafogo, Cruzeiro e Palmeiras concentram 53,7% da dívida total dos 20 maiores devedores do futebol brasileiro. Estudo da consultoria Sports Value, com base nos balanços financeiros, mostra que as dívidas atingiram o valor recorde de R$ 16 bilhões em 2025.
. . .
+ e lista dos endividados em: https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/5-clubes-acumulam-metade-da-divida-dentre-os-20-maiores-do-futebol/
“84% das congressistas brasileiras são mães”
– Levantamento foi feito para o Dia das Mães, comemorado neste domingo (10.mai.2026); congressistas de esquerda e direita divergem sobre aborto, vacinação e papel do Estado
(Diogo Campiteli, Poder360, 10/05/26)
Das 101 congressistas em exercício no Brasil, 84 são mães, segundo levantamento do Poder360. Entre as deputadas federais, 71 das 87 (81,6%) têm filhos, ante 16 (18,4%) sem filhos. No Senado, 13 das 14 senadoras (92,9%) são mães.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/84-das-congressistas-brasileiras-sao-maes/
Da série:
“A viúva é rica e os abastecedores dos seus cofres são mansos”
“Conta 2026”
Segundo o Impostômetro da Associação Comercia de São Paulo (ACSP), a partir deste domingo (10), o governo já tomou mais de R$1,5 trilhão dos pagadores de impostos, o maior valor da História no período.
(Coluna CH, DP, 10/05/26)
Abismos X Abismos
“Abismo ideológico entre Congresso e Presidência é o maior dos últimos 35 anos”
+em: https://noticias.uol.com.br/colunas/tiago-mali/2026/05/10/o-que-pensa-o-congresso-mais-polarizado-em-30-anos.htm
E, confesso, que nesses meus 70 anos bem vividos,
sómente nas última 2 décadas que venho percebendo
esse estupendo abismo entre a realidade vivida por nós,
burros de cargas e as “otoridades” dos 3 Poderes!
Claro que já existiam enormes diferenças!
Mas agora, extrapolou!
E o pior, não “se-vislumbra-se” saída!
Bom dia!
Feliz Dia das Mães!
https://gemini.google.com/share/91dc394f5844
“Fuzil de olhos verdes”
– Carmen Miranda serviu, sim, à Política da Boa Vizinhança. Ela e dezenas de astros americanos.
– Ao se apresentar para os soldados nos quartéis, ela era o Brasil lutando pela causa da liberdade.
(Ruy Castro, FSP, 09/05/26)
Em coluna recente (22/4) (*), tentei desmentir a história repetida à exaustão de que Carmen Miranda (**) foi para os EUA em 1939 nas asas da Política da Boa Vizinhança, uma arma americana na Segunda Guerra. Demonstrei que, naquele ano, a famigerada política ainda não estava em operação, que os EUA sequer tinham entrado na guerra (o que só aconteceria em dezembro de 1941) e que a guerra nem mesmo começara. Carmen foi contratada por seu talento e pelo dinheiro que renderia para o megaempresário dos teatros, Lee Shubert. A Broadway, então uma operação doméstica, exclusivamente nova-iorquina, não tinha o menor interesse pela guerra.
Um leitor observou que, depois, Carmen foi usada por Hollywood em filmes para agradar ao mercado latino-americano. Isto, sim, é verdade. Carmen foi a estrela dos filmes produzidos pela 20th Century-Fox em cenários “exóticos” (1), como “Serenata Tropical” (1940), “Uma Noite no Rio” (1941), “Aconteceu em Havana” (1941), “Minha Secretária Brasileira” (1942) e o sensacional “Entre a Loura e a Morena” (1943).
E, assim como ela, seus colegas americanos naqueles filmes: Betty Grable, Alice Faye, Don Ameche, John Payne, Harry James, Benny Goodman. Todos superestelares, e nenhum deles perdeu pontos por “trabalhar para a Política da Boa Vizinhança”. Foi o que eles fizeram, assim como Walt Disney, Orson Welles, Bing Crosby, o compositor Aaron Copland, o maestro Leopold Stokowski. Muitos até interromperam suas carreiras para lutar pelos EUA na Europa: Clark Gable, James Stewart, Tyrone Power, Henry Fonda, William Holden. Frank Sinatra não pôde ir — tinha um tímpano perfurado e podia não escutar o canhão (2).
Ao trabalhar naqueles filmes e se apresentar para soldados nos quartéis do país, Carmen era só mais uma artista a lutar pela causa dos Aliados. Suas armas eram o jeito esfuziante de cantar e dançar e de fuzilar com seus olhos verdes as últimas filas da plateia nos acampamentos.
E, quando fazia isto, todos sabiam que, ali, ela era o Brasil, ao lado dos que lutavam pela liberdade.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/05/fuzil-de-olhos-verdes.shtml)
(*) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/04/carmen-assombrou-a-broadway.shtml
(**) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/08/a-ultima-noite-de-carmen.shtml
(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Filmografia_de_Carmen_Miranda
(2) E o “Ol’ Blue Eyes”, hein?
– “tinha um tímpano perfurado e podia não escutar o canhão.”
“É mito achar que delações fazem Brasília tremer”
– Quem sabe o que fez no verão passado não se aflige. Antes, atua para escapar dos infortúnios do amanhã.
– A corrida é para ver quem cruza primeiro a linha de chegada: se investigados ou investigadores.
(Dora Kramer, FSP, 09/05/26)
Há algo de mito, daqueles que facilitam o raciocínio, na história de que Brasília “treme” a cada expectativa de delação premiada de investigados presos.
O pessoal que sabe o que fez em verões e invernos passados não perde o sono nem tempo com aflições comuns aos inocentes. Trata mesmo é de se mexer para encontrar um jeito de escapar dos infortúnios do porvir.
Nessa hora entram em cena advogados especializados em cavar situações propensas a nulidades futuras e aparecem propostas de pactos reformistas com intuito de normalizar as anormalidades. É assim que funciona: ninguém fica embaixo da cama roendo as unhas. A palavra de ordem é atividade.
Quando acertos para a contenção da sangria se avizinham difíceis —como parece ser o caso agora, quando a Polícia Federal reúne provas que podem atropelar a delação (*) de Daniel Vorcaro —, a torcida passa a ser para que a lama se espalhe a ponto de se validarem versões sobre perseguições do “sistema” de forças ocultas interessadas em desmoralizar as instituições.
Dessa receita fazem parte as reações genéricas sem acusações pessoais e que ressaltam a gravidade dos fatos. Pontuam a necessidade de apuração rigorosa, prescrevem total apoio às investigações e condenação dos ilícitos porventura cometidos e dos quais, claro, seus autores estariam muito distantes. Das malfeitorias, inclusive, nunca ouviram falar.
Brasília não treme nem se amofina; Brasília age em direção à fuga. Procura novas formas de escapar, de contornar o cerco que desde o mensalão as instâncias e fiscalização fazem sobre as mais variadas formas de corrupção.
Essa modalidade de crime se sofistica, adota novas artimanhas, como vemos agora no golpe do Banco Master, cujos descaminhos ainda estão por ser desvendados.
Os métodos de investigação também se modernizam: já não dependem só de delatores, prescindem de recibos ou de grampos telefônicos; as coisas estão no zap e no exibicionismo das redes digitais.
Resta a observar quem cruzará primeiro a linha de chegada.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/05/e-mito-achar-que-delacoes-fazem-brasilia-tremer.shtml)
(*) “PF faz buscas contra Ciro Nogueira e diz que Vorcaro pagava R$ 500 mil por mês ao senador”
– Defesa diz que senador não teve participação em atividades ilícitas; primo de Vorcaro é preso.
– Investigação aponta que ex-banqueiro pagou voos de jatinho, restaurante no Caribe e apartamento para parlamentar.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/pf-faz-buscas-contra-ciro-nogueira-em-nova-fase-de-operacao-do-caso-master.shtml
Entenda a fraude do Banco Master:
https://www1.folha.uol.com.br/webstories/economia/2026/01/entenda-a-fraude-no-banco-master/
Na toga certa! (2)
“Moraes é sorteado relator de ações que questionam Lei da Dosimetria”
– Ministro do STF pediu informações à Presidência da República e ao Congresso sobre o tema; o prazo estipulado para envio é de 5 dias.
(Poder360, 09/05/26)
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado relator das duas ações que tramitam na Corte que questionam a validade da chamada Lei da Dosimetria. Aprovado no Congresso, o texto permite a redução das penas de condenados pelos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023 e pode beneficiar pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/moraes-e-sorteado-relator-de-acoes-que-questionam-lei-da-dosimetria/
Começou. . .
“O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria em pedidos de condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 enquanto ações que questionam a constitucionalidade da norma não forem julgadas pela Corte”
+em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/05/09/moraes-suspende-aplicacao-da-lei-da-dosimetria-em-casos-especificos.ghtm
Começou? Continuou.
De manhã Alexandre de Moraes, o aplicador das penas severas, é sorteado como “revisor” da decisão congressual pedida pela Associação Brasileira de Imprensa e a federação PSOL-Rede, que parecem ser uma coisa só há muito tempo, de tarde, em pleno sábado, suspende tudo. E olha que o texto da “dosemetria” aprovado no Congresso, vetado por Lula, e promulgado por Alcolumbre, segundo o Senador Flávio Bolsonaro, PL, em campanha por Santa Catarina neste sábado, foi obra que o relator Paulinho Força, fez andar no Congresso Nacional.
PeTezuela:
a república dos “partidos e associações satélites do PT”
““Toda lei tem presunção de inconstitucionalidade. Não é razoável suspender a lei 15.402, que reduziu as penas exacerbadas dos condenados do 8/1, só porque partidos e associações satélites do PT ingressaram com ações de inconstitucionalidade no STF. Se dependesse da vontade deles, nem o Plano Real teria acontecido. Os presos em 8/1 têm pressa e sede de justiça”.
(Senador Sérgio Moro no X, segundo O Antagonista, hoje)
“O zumbi Lula perambula”
– Petista encanta a própria torcida com os elogios calculados de Trump, mas seu governo morto-vivo segue à base de ilusionismo e dependente do acaso.
(Rodolfo Borges, O Antagonista, 09/05/26)
A torcida de Lula (à esquerda na foto) se empolgou com a visita a Donald Trump (à direita na foto).
O presidente brasileiro realmente conseguiu dar a impressão de que seu governo está vivo ao ser recebido pelo presidente americano, ainda que num encontro cheio de mistérios e com a China como pano de fundo (1).
A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) também animou os lulistas, porque bagunça o jogo no Congresso Nacional, onde o Palácio do Planalto tinha sido humilhado na semana anterior, com a rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao STF.
Mas o fato é que o governo segue no modo sobrevivência e ao sabor da sorte, torcendo para que a Operação Compliance Zero, que lhe deu algum fôlego nesta semana, não atinja um dos seus na próxima fase — e o PT da Bahia, do líder do governo no Senado, está na linha de tiro faz tempo.
Ilusão
Dizer que o governo Lula não acabou por causa de uma operação da PF que atingiu um adversário e pelo truque da visita a Trump é querer se enganar — ou enganar os outros.
As condições políticas do governo continuam as mesmas, e talvez até piorem se o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) venha a ser afetado pelas investigações do escândalo do Banco Master. Podem melhorar também, mas por mero capricho da sorte.
É claro que a política também depende disso e da capacidade de reagir ao imponderável, mas a fraqueza que a rejeição de Messias escancarou não foi nem de longe anulada pelos eventos da última semana.
Zumbi
Lula continua vagando como um presidente zumbi em um governo morto-vivo, e apenas simulou um pouco mais de vida ao viajar para os Estados Unidos, onde foi recebido porque conseguiu se apresentar como útil para Trump, iludindo a própria torcida com uma projeção de relevância.
É curioso, aliás, como os elogios calculados de Trump a Lula envaidecem a esquerda brasileira, tão crítica à tentativa de aproximação da família Bolsonaro com o republicano.
É por essas e outras que não se deve subestimar a esperteza de Lula. Desde 30 de abril, a desaprovação do petista caiu três pontos percentuais no Lulômetro, medido pela Realtime Big Data em parceria com O Antagonista, para 46%, enquanto a aprovação subiu dois, para 29%.
Mais ilusões
Nesse período, seu governo relançou um programa para renegociação de dívidas — as mesmas dívidas que seu governo incentivou os brasileiros a contrair. O Desenrola 2.0 começou mal (2), com os bancos pedindo mais tempo para as renegociações. Por quanto tempo o truque vai funcionar?
O outro truque que o Planalto botou na praça é menos perverso, mas potencialmente mais danoso para a economia do país. A promessa irresponsável do fim da escala 6×1, que ninguém sabe como vai funcionar, foi comprada pelo Congresso Nacional, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), entre tantos outros, tenta se apropriar dela (3).
O fato de Lula ser um presidente zumbi não significa sequer que ele não possa vir a se reeleger neste ano, tendo em vista que a família Bolsonaro lhe ofereceu a chance de permanecer no jogo, com a pré-candidatura duvidosa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A situação do petista indica apenas que ele não tem condição de liderar o país — o que está claro para quem enxerga para além de seu ilusionismo desde as condenações na Operação Lava Jato.
Dilma Rousseff levou a ingovernabilidade até o limite. Lula tentará fazer o mesmo?
Assine Crusoé e leia mais: Lula enrola com o Desenrola (4).
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-zumbi-lula-perambula/)
(1) “Diplomacia de urgência”
– O que Lula realmente ganhou na Casa Branca?
+em: https://crusoe.com.br/noticias/diplomacia-de-urgencia/#google_vignette
(2) “Desenrola 2.0 começa enrolado e devedores reclamam”
– Programa de renegociação de dívidas enfrenta gargalos operacionais nos primeiros dias.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/desenrola-2-0-comeca-enrolado-e-devedores-reclamam/#google_vignette
(3) “Motta: Debate sobre redução de jornada “não foi criado por ser ano eleitoral”
– Presidente da Câmara disse ainda que deixou claro ao setor produtivo que este vai se decepcionar se apostar na não votação de PEC.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/motta-debate-sobre-reducao-de-jornada-nao-foi-criado-por-ser-ano-eleitoral/#google_vignette
(4) +em: https://crusoe.com.br/noticias/lula-enrola-com-o-desenrola/
Na toga certa!
“Amigo do amigo”
Está no gabinete do ministro Dias Toffoli (STF) pedido da J&F, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, para suspender definitivamente as multas do acordo de leniência do rolo na Lava Jato.
(Coluna CH, DP, 09/05/26)
É praxe:
“Apontar defeito com o dedo sujo” (*)
“Causa e consequência”
Ao comentar o caso Master, Flávio Bolsonaro denuncia que o governo Lula foi contra a CPI sobre o banco:
– “Tudo acontece nos governos do PT. Mas, curiosamente, nunca é culpa deles. Já perceberam isso?”
(Coluna CH, DP, 09/05/26)
(*) Ariano Suassuna (**) é frequentemente citado como autor de reflexões sobre o perigo e a feiura de apontar falhas alheias quando não se tem moral para isso.
+em: https://share.google/aimode/RIBJqIFRhzmeVkfQj
(**) Ariano Vilar Suassuna OMC (João Pessoa, 16 de junho de 1927 – Recife, 23 de julho de 2014) foi um intelectual, escritor, filósofo, dramaturgo, professor, romancista, artista plástico, ensaísta, poeta, político e advogado brasileiro.
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna
Matutando bem. . .
Os dedos sujos de “chocolate rachado”
apontam os defeitos dos dedos sujos de “vermelho corruPTo”.
E vice versa!
E projetos para tirar a Nação desse mar de lama em que se ela encontra e colocada ali por eles mesmos: ZERO!
Talvez, o gênio que saiu da lâmpada
saiba como devolver o brilho da toga!
“Gilmar vê o STF submetido a ‘corredor polonês’”
(Coluna CH, DP, 09/05/26)
O ministro do STF Gilmar Mendes atribuiu a queda de confiança da população no Supremo Tribunal Federal à “pancadaria” da imprensa brasileira em verdadeiro “corredor polonês”, quando alguém passa entre duas filas de agressores. Disse até que haveria “organização e método”, ao eleger os jornalistas como dedicados a “atacar” o STF. Em nenhum momento, durante entrevista ao Jornal Gente, da Bandeirantes, Gilmar admitiu a hipótese de erro no STF. Ele vê apenas virtudes na Corte.
Crise de confiança
Pesquisa do Real Time Big Data atestou: 42% dos entrevistados que admitem votar no PT e até 78% de conservadores não confiam no STF.
Sem fundamento
Gilmar destaca que não falta confiança apenas no STF, alfinetando a imprensa e a acusando “niilismo crítico” (descrença geral).
Endereço errado
Acha que a imprensa (outra vez a imprensa) fez o caso Master virar “caso do STF”, relativizando os escândalos envolvendo ministros.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/vorcaro-pode-ter-reinventado-propina-usando-cartoes-de-credito-sem-limite)
Pois é. . .
Como já dizia Sartre:
“O inferno são os outros”!
(*) “Crimes perfeitos,
não deixam suspeitos”
“Vorcaro pode ter ‘reinventado’ propina usando cartões de crédito sem limite”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 09/05/26)
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, implantou um sistema para subornar pessoas, inclusive autoridades, segundo fontes próximas à investigação, que tem sido classificado como “crime perfeito” (*). Em vez de usar malas de dinheiro ou assemelhados, ele distribuiu aos “parceiros” entre 80 e 90 cartões ilimitados, que os permitiam pagar qualquer despesa, de viagens luxuosas a carrões. Como os cartões eram em seu nome, ele apenas informava a senha àqueles beneficiados.
Sem rastro
O crime seria considerado “perfeito” porque os cartões estavam no nome de Vorcaro e eram emitidos pelo seu banco. Não deixavam rastros.
CPMI já sabia
O esquema apareceu pela primeira vez na CPMI que investigou o roubo a aposentados e pensionistas, mas a bancada do Planalto agiu.
Porta fechada
O deputado Evair de Melo (PP-ES) até pediu a convocação dos diretores dos cartões Visa e MasterCard, mas foi rejeitado imediatamente.
Fala, Vorcaro
A expectativa das autoridades é que Vorcaro detalhe, em sua delação, quem foram os beneficiados pelos cartões distribuídos.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/vorcaro-pode-ter-reinventado-propina-usando-cartoes-de-credito-sem-limite)
Pra ser sincero. . .
https://www.youtube.com/watch?v=mWrHYWYhBc4
“Bondades do governo Lula já somam R$ 144 bilhões em ano eleitoral”
– Pacote inclui renegociação de dívidas, botijão de gás subsidiado, reforço do Minha Casa, Minha Vida e crédito para caminhoneiros.
– Fazenda diz que trabalha de forma consistente desde o primeiro dia e que aprovou 72 medidas econômicas desde 2023.
(Adriana Fernandes e Marcos Hermanson, FSP, 08/05/26)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou 11 medidas que somam R$ 143,7 bilhões neste ano eleitoral, levantando questionamentos de especialistas sobre qual seria o melhor uso desses recursos para o país.
O mapa do pacote de bondades do governo (1) foi feito pela Folha com base em levantamento dos anúncios de medidas realizados pelo Palácio do Planalto nos últimos meses.
Boa parte das medidas –R$ 76,2 bilhões– garante aumento de linhas de crédito para pessoas físicas (caminhoneiros, microempreendedores individuais (2), estudantes do Fies) e empresas de diferentes setores da economia, como habitação, indústria e agronegócio (3).
O governo também liberou até R$ 32 bilhões em subsídios (4) e renúncia fiscal para financiar a redução de combustíveis no cenário atual de alta do preço internacional de petróleo, para enfrentar o impacto negativo da guerra no Irã.
Outros R$ 15,2 bilhões serão liberados do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e mais R$ 5,3 bilhões para o Gás do Povo (5), política pública reforçada neste ano e que subsidia a compra de gás de cozinha por famílias de baixa renda.
Para bancar o Desenrola 2, o governo também anunciou um aporte de até R$ 15 bilhões no FGO, fundo administrado pelo Banco do Brasil que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote.
Nas últimas semanas, o governo acelerou os anúncios à medida que as pesquisas mostravam avanço nas pesquisas do pré-candidato da oposição (6), senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, Bolsonaro também lançou mão de bondades eleitorais para ganhar apoio popular.
Nos anúncios das medidas e nas entrevistas recentes à Folha, os ministros Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e auxiliares do presidente Lula negam que as iniciativas sejam eleitoreiras (7) e representem um estímulo ao consumo para melhorar o ambiente econômico.
Eles justificam as ações como uma resposta aos efeitos negativos da guerra e ao alto endividamento das famílias em decorrência da manutenção da taxa Selic pelo Banco Central em níveis elevados por muito tempo.
Procurado para comentar a lista de medidas reunidas pela Folha, o Ministério da Fazenda afirmou ter aprovado, desde janeiro de 2023, 72 matérias com perfil econômico de iniciativa do governo ou com seu apoio decisivo. “Os números mostram um governo que trabalha e produz de forma consistente desde o primeiro dia”, disse em nota.
“A natureza do que foi aprovado reforça essa leitura”, diz a Fazenda no posicionamento, citando medidas de caráter estrutural, como a reforma tributária do consumo, o arcabouço fiscal, a tributação de fundos exclusivos e offshores e a PEC dos Precatórios.
A lista enviada pela pasta também menciona medidas populares aprovadas antes do ano eleitoral, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, o crédito consignado privado, e o primeiro Desenrola 1.
Para integrante da Fazenda, o número de matérias econômicas aprovadas antes de 2026 demonstra que o governo trabalha para emplacar medidas de maneira proativa, que independem do ano eleitoral, e que elas não vão atrapalhar o trabalho do Banco Central.
Como mostrou a Folha (1), analistas estão preocupados com os efeitos dos estímulos do governo na economia, uma vez que podem adicionar riscos à inflação e, assim, atrapalhar o corte da taxa básica de juros.
Novas medidas também estão no forno e devem beneficiar pessoas que estão em dia com o pagamento (8) dos empréstimos, mas têm dívidas com custo muito alto, além de trabalhadores informais, taxistas e motoristas de aplicativos, que são grupos de eleitores em que Lula e o PT enfrentam mais resistência.
Das 11 medidas listadas pela reportagem, uma delas ainda não tem valor estimado e depende de aprovação de projeto de lei enviado ao Congresso. É a que permite o uso de arrecadação extra com alta do petróleo para subsidiar a redução dos preços das gasolina e etanol.
Para isso, o governo pede uma exceção à regra da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). No caso do pacote de subvenção para diesel, gás de cozinha, biodiesel e o querosene de aviação, o governo adotou o IE (Imposto de Exportação) de petróleo instituído em março para compensar o custo da medida.
Economistas da área fiscal ouvidos pela reportagem avaliam que é acertada a inclusão dos gastos com a subvenção aos combustíveis e recursos de fundos na lista elaborada pela Folha, pois a arrecadação extra vinculada à alta do petróleo e mesmo o imposto de exportação (criado como compensação) têm impacto fiscal, já que poderiam ser utilizados para melhorar o resultado das contas públicas.
O mesmo vale para os recursos que estão sendo mobilizados em operações de garantia e concessão de crédito –a exemplo do FGO e do FGE (Fundo de Garantia à Exportação).
“Apesar de esses recursos já existirem, eles estão imobilizados em fundos específicos. À medida em que são destinados a novas finalidades, passam a circular na economia, aumentando a disponibilidade de renda e crédito”, diz Tiago Sbardelotto, economista da XP Investimentos.
Economistas também criticam o foco ampliado dessas medidas, que acabam beneficiando um público que não é vulnerável, como é o caso da gasolina e da querosene de aviação.
“O fato é que teria um uso alternativo [dessa arrecadação extra] que poderia ser para abater a dívida pública e que, se reduzida, poderia se refletir em menos prêmio na curva de juros”, diz Jeferson Bittencourt, que foi secretário do Tesouro e hoje é chefe de macroeconomia da gestora de investimentos ASA.
Bittencourt é um dos que avaliam que há um descompasso das medidas com a atuação do BC.
“A ideia [do BC] é promover alguma desaceleração da atividade, e o governo continua dando estímulo. Por mais clichê que seja a expressão, não tem como não fazer analogia com um pé pisando no freio e o outro pisando no acelerador. Assim, o BC sustenta a taxa de juros num patamar restritivo”, disse.
Especialistas também questionam a eficácia de um segundo Desenrola em pouco menos de três anos. “É um conjunto de medidas de baixa eficácia prática, que só se justificam pelo prisma eleitoral”, afirma Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper e colunista da Folha. “A economia tem crescido acima do seu potencial, e estímulos fiscais vão pressionar a inflação, fazendo o Banco Central manter os juros mais altos”, diz Mendes.
Na avaliação do economista, a distorção nos preços dos combustíveis vai dificultar a redução do consumo, além de subsidiar famílias de alta renda.
“O governo fez uma clara opção por deixar a dívida pública crescer, usando recursos que poderiam abater dívida para ampliar programas públicos de grande visibilidade. O resultado de médio prazo será mais inflação, mais despesa com juros e menos crescimento. A política econômica está 100% à disposição do plano de reeleição.”
No início das discussões do Desenrola 2, o governo pretendia fazer o anúncio de um pacote mais amplo, mas optou em fazer anúncios em separado para não parecer que estava estimulando o consumo após alertas da equipe econômica.
Foi o caso do anúncio da linha de crédito de R$ 10 bilhões para troca de máquinas agrícolas feito pelo vice-presidente Geraldo Alckmin numa feira do agronegócio, depois do reforço no programa Minha Casa, Minha Vida e em seguida a renovação do Move Brasil para caminhões.
O presidente Lula tem cobrado mais medidas. Em seu discurso nesta semana, o presidente se referiu ao ministro Bruno Moretti (Planejamento), como responsável por fazer “aparecer dinheiro”, ao falar do orçamento desembolsado para as iniciativas governamentais.
“Esse moço é mágico para aparecer dinheiro. Quando a Miriam [Belchior, ministra da Casa Civil] está chorando que não tem dinheiro. Quando o companheiro Dario [Durigan, ministro da Fazenda] está dizendo ‘olha o arcabouço fiscal, não posso, não tem mais dinheiro’. Chama o Bruno Moretti. Ele vai futucar no arquivo morto das possibilidades e vai conseguir encontrar alguma coisa para a gente fazer”, disse.
(Fonte e Gráfico em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/bondades-do-governo-lula-ja-somam-r-144-bilhoes-em-ano-eleitoral.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha)
(1) “Pacote de bondades de Lula preocupa investidores com estímulos de R$ 100 bi que podem atrapalhar BC”
– Estimativa de injeção em ano eleitoral acende alerta para taxas de juros no mercado futuro; equipe econômica é aconselhada a deixar claro o caminho que governo pensa seguir.
– Ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) negam que medidas busquem estimular consumo em ano eleitoral.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/pacote-de-bondades-de-lula-acende-luz-vermelha-e-pode-atrapalhar-politica-de-juros-e-inflacao-do-bc.shtml
(2) “Novo Desenrola dará até 90% de desconto em dívida, limitada a R$ 15 mil após renegociação”
– Programa permite que trabalhadores usem até 20% do saldo do FGTS para pagar débitos.
– Poderão participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/lula-lanca-novo-desenrola-mirando-reeleicao-com-perdao-a-dividas-de-ate-r-100.shtml
(3) “Alckmin anuncia R$ 10 bilhões para modernização de máquinas agrícolas”
+em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/alckmin-anuncia-r-10-bi-para-modernizacao-de-maquinas-agricolas
(4) “Lula zera tributo sobre diesel e cria imposto de exportação para conter preços com guerra no Irã”
– Governo afirma que redução de tributos, com impacto de R$ 30 bi, será compensada por taxa sobre vendas ao exterior.
– Postos serão obrigados a exibir redução de preços, em medida similar à adotada por Jair Bolsonaro em 2022, também ano eleitoral.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/ministros-do-governo-falarao-sobre-reducao-do-impacto-do-aumento-do-preco-do-petroleo.shtml
(5) “Lula cita anistia e diz que ‘batalha’ tem que ser feita pelo povo; veja vídeo”
– Presidente afirma em MG que extrema direita tem muita força no Congresso.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/09/lula-cita-risco-de-anistia-diz-que-extrema-direita-tem-muita-forca-e-fala-em-batalha-no-congresso.shtml
(6) “Datafolha: Flávio se consolida e empata com Lula no 2º turno”
– Filho de Bolsonaro marca 43%, ante 46% do presidente; ambos têm a mais alta rejeição entre os pré-candidatos.
– Ratinho Jr. é o postulante do PSD mais bem colocado entre os três lançados por Kassab, mas distante dos líderes.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/03/datafolha-flavio-se-consolida-e-empata-com-lula-no-2o-turno.shtml
(7) “Trabalhador poderá sacar até 20% do FGTS para pagar dívidas, diz ministro da Fazenda”
– Dario Durigan diz que pacote inclui ainda linhas para caminhões, motoristas de aplicativo e taxistas.
– Chefe da pasta nega viés eleitoral nas medidas e diz que, em 2022, houve ‘descalabro’ com contas públicas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/trabalhador-podera-sacar-ate-20-do-fgts-para-pagar-dividas-diz-ministro-da-fazenda.shtml
(8) “Durigan diz que futuro Desenrola será voltado para trabalhadores informais e para quem paga juros altos”
– Ministro da Fazenda diz que terceira etapa do programa deve ser apresentada até o início de junho.
– Segunda fase teve regras publicadas na terça-feira e será para quem inadimplentes que ganham até cinco salários mínimos.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/durigan-diz-que-futuro-desenrola-sera-voltado-para-trabalhadores-informais-e-para-quem-paga-juros-altos.shtml
“Era um dia qualquer do segundo semestre do ano passado, quando Ciro Nogueira subiu no palco com Tarcísio de Freitas em um evento do Esfera e o lançou candidato a presidente. Ahã, teve isso. Lançaram até um slogan: 40 anos em 4. Tarcísio nem tocou no nome de Bolsonaro. Corta para maio de 2026. Tarcísio não conseguiu ser candidato a presidente e vai ter que disputar de novo o governo do estado. Já o Ciro Nogueira virou alvo da Polícia Federal por conta do Master.”
“Ciro? Que Ciro?”
“éNoiteNaCidade”, 8 mai 2026, TixaNews, MAI 9″
(https://www.tixanews.com.br/newsletter/)
E aí, nessas circunstâncias, o que acontece? Cancela o apoio do PP, o partido do Ciro Nogueira. Ia ter um evento para o partido dar seu apoio a Tarcísio na próxima segunda-feira e o povo achou melhor cancelar. O Tarcísio fez a egípcia, disse que o importante era a aliança que tinha consolidado com os partidos e, quando questionado sobre a ligação com Ciro Nogueira, respondeu: “Isso não tem nada a ver com a gente, não prejudica nada”.
Como não, governador? Só para lembrar, Ciro Nogueira não só lançou Tarcísio como candidato a presidente, como queria ser seu vice. E tem mais: Ciro foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro. Não qualquer ministro. Ministro da Casa Civil. Naquela época o Daniel Vorcaro já circulava de jatinho para cima e para baixo.
Mas impactante mesmo foi a nota do Ciro Nogueira:
“Todo ano político é a mesma coisa e tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos.”
Gente, que pesquisa será essa, né? Ciro Nogueira estava tão mal na foto que sua única saída era ser vice do Tarcísio, por isso o movimento no ano passado. Já não havia esperança de Ciro ser um candidato competitivo no Piauí para ser senador. Tanto que no fim do ano chegou a tentar se aliar ao Lula. Ahã, teve isso também.
Mas na política vocês sabem, né? Quando a gente acha que o político acabou, ele renasce das cinzas.
Bolsonaro
O Bolsonaro, por exemplo, tenta ressurgir das cinzas pedindo para o Supremo anular sua condenação de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. Qual alegação? A de que o julgamento da Primeira Turma foi irregular. A melhor parte é que o advogado de Bolsonaro neste caso é um ex-assessor do supremo Luiz Fux, que foi o único que deu voto contra a condenação de Bolsonaro.
Penduricalhos
O povo dos penduricalhos não quis saber muito da decisão do Supremo e o rolê continuou rolando solto. Aí os ministros Xandão, Zanin, Dino e Gilmar Mendes tomaram uma série de decisões para fechar o cerco contra os penduricalhos que continuam sendo pagos pelo Judiciário e pelo Ministério Público. Sim, o pessoal deu o seu jeitinho para continuar com as vantagens. Socorro, né, BRASEW?
Então nossa vida está assim. De um lado vendo Xandão com sua esposa ganhando milhões do Master por serviços advocatícios e Gilmar impedindo a quebra de sigilo do rolê do Toffoli no caso Master, e de outro lado os super supremos litigando contra a bandalheira. Até me dói a vista tentando entender.
Dosimetria
Lula se recusou a promulgar a nova lei que reduz as penas do povo do 8 de janeiro e então o Alcolumbre, Davi, foi lá e publicou a lei no Diário Oficial. Mas é claro que o caso já foi parar no Supremo e adivinha quem é o relator do processo para decidir se a lei é inconstitucional? Sim, ele mesmo, Xandão. O ministro já até pediu para o presidente do Congresso e para o presidente Lula que se manifestem sobre a nova lei. E eu aqui só querendo uma dosimetria.
Trump
As análises de hoje dão conta de que Lula ressurgiu das cinzas, depois das derrotas históricas da semana passada que foram impostas pelo Congresso. Um dos motivos foi a reunião com Trump. Mas hoje já tem gente dizendo que a reunião foi boa para dar mais prazo, mas ainda existe um medo de que o governo americano imponha novas tarifas. Apenas sorria, Trump.
Fora isso, hoje já é sexta, e se você vai gastar numa pizza e num vinho, ajuda a manter a Tixa também. Direto no pix 49875575000147 ou assinando a news pelo link https://www.tixanews.com.br/newsletter/
(TRPCE)
“Mapa do poder”
– O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
(Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 08/05/26)
1 – Davi Alcolumbre promulgou a lei que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o que beneficia Jair Bolsonaro. Coube ao presidente do Senado chancelar a proposta porque Lula deixou vencer o prazo após a derrubada de seu veto ao texto. A promulgação da dosimetria deve resultar em judicialização no STF (Supremo Tribunal Federal), com ações tanto para derrubar a decisão do Congresso quanto para reduzir as penas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/05/alcolumbre-promulga-lei-da-dosimetria-que-reduz-pena-de-bolsonaro-apos-lula-deixar-prazo-vencer.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
2 – Os ministros do STF Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes fizeram um novo alerta conjunto sobre o que consideram “drible” à decisão da corte que limitou os penduricalhos salariais e proibiram o recebimento de valores em mais de um contracheque. De acordo com interlocutores, um holerite para o salário e outro para as gratificações é uma prática considerada comum nas carreiras jurídicas, o que dificulta a devida transparência.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/05/ministros-do-stf-falam-em-drible-a-decisao-sobre-penduricalhos-e-ordenam-contracheque-unico.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
3 – A reunião de Lula com o presidente dos EUA, Donald Trump, foi concentrada na discussão sobre tarifas. O petista conseguiu um prazo de 30 dias ao propor um grupo de trabalho para resolver questões ligadas às cobranças e à investigação comercial contra o Brasil. Segundo apurou a Folha, o governo avalia que não há uma vitória definitiva. Isso porque consideram que o mandato de Trump é permeado por idas e vindas e classificam seu comportamento como “errático”.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/tarifas-dominam-conversa-entre-lula-e-trump-e-minerais-e-big-techs-ficam-em-2o-plano.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
Na Esplanada… O governo federal deve anunciar cerca de R$ 130 bilhões de investimentos em distribuição de energia elétrica com a renovação dos contratos com 16 empresas do setor. A medida não atingirá a empresa Enel, porque a concessionária enfrenta um processo na Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que pode levar ao rompimento de seu contrato em São Paulo, em razão dos seguidos apagões que atingiram o estado desde 2023.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/governo-preve-r-130-bi-para-novos-contratos-de-energia-enel-em-sp-nao-e-contemplada.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
“Direita mira posto de Alcolumbre”
(Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 08/05/26)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem tentado se aproximar da direita, mas bolsonaristas veem o gesto com desconfiança (*) e se articulam para disputar o comando da Casa em 2027. Segundo apurou a Folha, dois dos líderes da oposição no Senado já se movimentam nos bastidores para isso: Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).
Alcolumbre era tido como um dos principais aliados do presidente Lula (PT), mas recentemente passou a articular derrotas do governo e a bloquear projetos que eram apostas do petista para recuperar sua popularidade antes das eleições. A posição é parte de estratégia para restabelecer um canal de diálogo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com a direita, com o intuito de se reeleger ao comando do Senado na próxima legislatura caso o filho do ex-presidente vença o pleito.
Tanto bolsonaristas como governistas interpretaram a série de derrotas imposta à gestão petista pelo atual presidente do Senado como uma movimentação antecipada de Alcolumbre na corrida pela reeleição e também como um recado de que ele detém o controle da Casa para ajudar ambas as alas políticas.
Opositores, no entanto, afirmam que Alcolumbre já traiu Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e, portanto, o ideal é eleger um de seus próprios integrantes para comandar o Senado. Esse plano só deve mudar se o grupo não conseguir eleger parlamentares em número suficiente para formar a maioria da Casa em 2027, o que poderia forçar uma nova aliança com o atual chefe, como já ocorreu no ano passado.
(*) +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/05/bolsonaristas-mantem-desconfianca-com-alcolumbre-e-ja-se-movem-por-presidencia-do-senado-em-2027.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
“Desenrola atende a um único brasileiro”
– O governo e os bancos ganham, e quem perde são as famílias, que incineram a renda na pira sacrificial dos credores.
– Curiosamente, o sistema de Justiça omite-se, quando não ampara.
(Demétrio Magnoli, FSP, 08/05/26)
Mais de 80% das famílias estão endividadas e quase 30% formam o “país dos inadimplentes”. Segundo o governo, o Desenrola 2.0, deflagrado menos de três anos após o Desenrola original, atende ao problema das dezenas de milhões de brasileiros asfixiados em dívidas financeiras. Falso: o programa destina-se a resolver o problema de um único brasileiro, que aparentemente não experimenta inadimplência e chama-se Lula da Silva.
O Desenrola 2.0 tornou-se necessário graças, ao menos em parte, a um crime legalizado (o crédito consignado) e suas regras legalizam um outro crime (a transferência parcial do FGTS para instituições financeiras). Curiosamente, o sistema de Justiça omite-se diante de ambos, quando não os ampara.
A explosão do consignado público caminhou paralelamente ao crescimento do endividamento dos servidores e dos aposentados. Os juros anuais dessas modalidades giram em torno de 20% a 24%, algo com cinco a seis vezes a inflação de 2025. O saldo do consignado do setor privado cresceu mais de 140% em um ano, enquanto os juros anuais atingem estratosféricos 59%. O fenômeno resulta da substituição de dívidas de cartão e cheque especial mas, ao comprimir a renda familiar disponível, realimenta o endividamento bancário tradicional.
O governo ganha, colhendo votos por meio da anabolização do consumo. Os bancos ganham, operando uma roda da fortuna que troca riscos irrisórios por lucros exorbitantes. Quem perde são as famílias, que incineram sua renda na pira sacrificial dos credores. A Justiça finge não ver a ilegalidade. A penhora de salário ou aposentadoria é proibida pelo artigo 833 do Código de Processo Civil, mas os ilustres magistrados de um STJ-legislador resolveram “flexibilizá-lo” a fim de não perturbar o “negócio do Brasil”.
A raiz da generalização da inadimplência são as taxas de juros. A raiz das colossais taxas de juros é uma Selic punitiva destinada a contrabalançar a política fiscal expansionista do governo. Nos quatro anos de Lula 3, o arcabouço fiscal “me engana que eu gosto”, perfurado por mil e uma exceções, produzirá aumento de dez pontos percentuais na relação dívida pública/PIB. A inadimplência em massa assenta-se no solo do “gasto é vida”, a teoria econômica piramidal formulada por Dilma Rousseff.
Desenrola-se pela violação descarada da lei –ou, no eufemismo da moda, pela sua “flexibilização”. O Desenrola 2.0 permite saques extraordinários do FGTS para amortização de dívidas financeiras. Na origem, 1966, aurora da ditadura militar, inventou-se o FGTS para suprimir a estabilidade decenal dos trabalhadores. A legislação estabeleceu os objetivos do fundo: proteger o assalariado em caso de desemprego e financiar a casa própria.
Agora, sob profundo silêncio do Ministério Público, o “governo dos trabalhadores” propicia a transferência direta de 20% do fundo para os credores. Aguarda-se a “flexibilização” do valor autorizado para saques, em linha com a “flexibilização” da parcela da renda que pode ser comprometida com o consignado e, ainda, das taxas de juros do próprio consignado.
Qual será o intervalo entre o segundo e um terceiro Desenrola? Quem desenrolará o último Desenrola? Não importa: o Desenrola 2.0 não liga para a lei ou para o futuro. Mira dois dias sagrados, que são o 4 e o 25 de outubro.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/demetriomagnoli/2026/05/desenrola-atende-a-um-unico-brasileiro.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
“Garantir a mamata do clã é único projeto de Flávio”
– Primeira mulher de Jair, Rogéria mira o Senado, como Michelle.
– Num eventual governo, Eduardo e Carlos vão povoar o Palácio do Planalto.
(Alvaro Costa e Silva, FSP, 08/05/26)
Flávio Bolsonaro se prepara para dar um peteleco em Cláudio Castro. Condenado no TSE por abuso de poder político e econômico e tornado inelegível, mas insistindo em concorrer ao Senado, Castro viu despencar sua aprovação como governador do Rio de Janeiro, segundo a Quaest. Passou de 53% em outubro —mês em que ocorreu a matança nos complexos da Penha e do Alemão— para 35%. Entre os entrevistados, 47% rejeitam sua administração.
Abandonar aliados caídos em desgraça é um velho hábito do clã. A solução encontrada para depois de rifar Castro é que surpreende. Ou, pensando bem, não surpreende, é uma escolha esdrúxula, mas óbvia: tirar do ostracismo Rogéria Bolsonaro —ex-mulher de Jair, mãe dos filhos 01, 02 e 03 e feroz opositora da ex-primeira-dama Michelle— e lhe entregar de bandeja a candidatura ao Senado pelo Partido Liberal.
Rogéria tem 65 anos e um currículo sobre o qual não resta dúvida. Nas águas de Bolsonaro, exerceu dois mandatos na Câmara Municipal do Rio, entre 1993 e 2000. Já divorciada, tentou uma terceira eleição, enfurecendo o chefe da família, que lançou Carlos, então com 17 anos, para competir e derrotar a própria mãe. Ainda perdeu outras duas vezes, para vereadora em 2018 e para deputada estadual em 2022.
Na cabeça do filho 01, não basta tirar o pai da cadeia, objetivo principal da corrida ao Planalto. É preciso assegurar que ninguém com o sobrenome Bolsonaro fique desassistido, longe do poder e da dinheirama pública e, desgraçadamente, obrigado a trabalhar de verdade.
Em São Paulo, a candidatura de André do Prado ao Senado está atrelada à indicação de Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente. Num eventual governo, o 03 não fará por menos: exige um ministério. Independente do resultado das urnas em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro se move para reeditar o gabinete do ódio na Secom ou assumir a Secretaria-Geral da Presidência.
Além dos parentes, é necessário não esquecer os aderentes (*). Uma mamata, uma boquinha para o Queiroz (**), coitado.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alvaro-costa-e-silva/2026/05/garantir-a-mamata-do-cla-e-unico-projeto-de-flavio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) O SuTriFe para o Frederick Wassef?
(**) Ministério das Rachadjinhas?
“Visto, lido e ouvido”
. . .”De acordo com o Instituto Liberal “Não é que o Paraguai seja atrativo demais. O Brasil é que se tornou caro demais para produzir.”. . .
“Rumo ao Paraguai”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, no Blog do Ari Cunha, CB, 08/05/26)
Há algo de profundamente simbólico no fato de o Paraguai, país que por décadas figurou como sinônimo de contrabando, desordem e informalidade, ter se convertido no destino preferido dos empreendedores brasileiros. Não é ironia menor: a nação que o imaginário coletivo associava às feiras de eletrônicos pirateados às margens do Rio Paraná hoje ostenta filas de brasileiros acampados ao sol, dispostos a enfrentar madrugadas em cadeiras de praia para conquistar o direito de residir e produzir do outro lado da fronteira.
Esses brasileiros não fogem da miséria. Fogem da prosperidade impossível. São empresários, industriais, profissionais liberais e aposentados que fizeram suas contas e chegaram a uma conclusão incômoda: no Brasil atual, trabalhar muito e pagar impostos honestos não garante futuro. Garantir futuro, ao contrário, exige emigrar.
Os números confirmam o que a intuição já denunciava. Segundo a Direção Nacional de Migrações do Paraguai, entre janeiro e outubro de 2025 foram registrados 38.236 pedidos de residência de estrangeiros, número que já supera todo o ano de 2024 e representa crescimento de 31,3% em relação ao período anterior. Desse total, 22.136 pedidos vieram de brasileiros, equivalendo a 57,9% de todos os imigrantes que escolheram o Paraguai no período. Em 2024, foram 17.139 autorizações de residência apenas para cidadãos do Brasil, representando 60,21% do total de imigrantes formalizados no país.
Estima-se que mais de 263 mil brasileiros já vivam em território paraguaio. Para entender esse êxodo, é preciso olhar para o que acontece dentro de casa. Em 2024, a carga tributária brasileira atingiu o maior patamar da série histórica: 34,24% do PIB, segundo o Observatório de Política Fiscal da FGV, superando o recorde anterior de 33,01%, registrado em 2022. A arrecadação do governo federal, dos estados e dos municípios somou R$ 2,7 trilhões no ano, crescimento de quase 10% sobre o ano anterior, conforme dados da Receita Federal. Em 2025, o recorde foi renovado: a carga tributária chegou a 32,4% do PIB apenas pela metodologia do governo geral, mas analistas indicam que a cifra real, incluindo contribuições parafiscais, supera os 34%.
O mais estarrecedor não é o volume arrecadado, mas o que esse dinheiro não entrega. Mesmo batendo todos os recordes históricos de impostos, o governo federal registrou em 2024 um déficit nominal de 7,67% do PIB, o equivalente a R$ 900,57 bilhões apenas na esfera federal. A dívida bruta do governo geral caminha para 78% do PIB, segundo projeções do mercado financeiro. Em linguagem direta: o Estado brasileiro arrecada mais do que nunca, gasta mais do que nunca e ainda assim não fecha as contas.
“Mesmo batendo recordes de arrecadação e carga tributária, a conta continua não fechando”, sintetizou o economista Ecio Costa da Universidade Federal de Pernambuco ao Poder 360. Para o especialista e consultor, o aumento persistente dos gastos obrigatórios e a ausência de reformas estruturais do lado da despesa tornam a trajetória da dívida pública insustentável. “O arcabouço fiscal é uma mera peça ilusória, cheia de furos que são usados para gerar um déficit adicional de R$ 300 bilhões nesse governo”, afirmou.
De acordo com o Instituto Liberal “Não é que o Paraguai seja atrativo demais. O Brasil é que se tornou caro demais para produzir.” A folha de pagamento brasileira é uma das mais caras do mundo. Encargos trabalhistas e previdenciários podem dobrar o custo efetivo de um funcionário em relação ao seu salário nominal. O chamado Custo Brasil, que engloba complexidade tributária, infraestrutura deficiente e insegurança jurídica, aparece diretamente na decisão de investir ou não investir no país, como alertou o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Jorge Lima.
O custo da energia elétrica industrial exemplifica o abismo. Enquanto no Brasil o preço médio gira em torno de 123 dólares por megawatt-hora, no Paraguai o mesmo insumo custa apenas 39 dólares por megawatt-hora, segundo levantamentos divulgados pela imprensa. Isso significa que uma indústria instalada em território paraguaio pode abastecer três plantas fabris pelo preço de uma operação equivalente no lado brasileiro da fronteira. A diferença não decorre de tecnologia superior ou de subsídio artificial: é a energia de Itaipu, co-construída com dinheiro e engenharia brasileiros, chegando muito mais barata ao lado de lá. O resultado é visível nas decisões corporativas.
No início de 2025, a Lupo, uma das maiores fabricantes têxteis do país, com décadas de história no Brasil, sinalizou a abertura de uma fábrica de meias no Paraguai, alegando inviabilidade econômica da produção doméstica diante da carga tributária e do ambiente regulatório brasileiro. O caso não é exceção. Dados do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, atualizados em junho de 2025, mostram que 65% de tudo que é produzido sob o regime de Maquila (*) no país tem como destino o Brasil. Ou seja: empresas saem daqui, produzem lá e nos vendem o produto acabado, pagando impostos muito menores.
A frase que foi pronunciada:
“Não adianta ficar desinformado sobre o que está acontecendo com a economia e os cenários macroeconômicos e setoriais e achar que sua empresa, instituição ou evento irá ter sucesso.” (Ecio Costa(**)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/rumo-ao-paraguai/)
(*) A Lei Maquila no Paraguai (Lei nº 1064/1997) é um regime de incentivo fiscal que permite a empresas estrangeiras produzirem no país com impostos reduzidos para exportação. O principal benefício é uma alíquota única de 1% sobre o valor agregado na operação, além de isenção de impostos de importação sobre matérias-primas e maquinários.
+em: https://interseas.com.br/lei-de-maquila-beneficios-de-fabricar-no-paraguai/
(**) https://www.instagram.com/eciocosta/
“Trump é cabo eleitoral de Lula”
– A impressão é a de que errei (erramos) completamente. Na verdade, Trump é cabo eleitoral de Lula, e ambos não são tão diferentes um do outro.
(Mario Sabino, Metrópoles, 08/05/26)
Não sei qual é a impressão do leitor, mas a minha é a de que errei (erramos) completamente. Na verdade, Donald Trump é cabo eleitoral de Lula.
Se não, vejamos. No ano passado, ao impor tarifas alfandegárias ao Brasil e sancionar ministros do governo e juízes do STF, mas voltar atrás na maioria das medidas depois de conversar com o chefão petista — que já havia sido afagado por Trump na Assembleia Geral da ONU e com o qual ele viria a encontrar-se pessoalmente —, o presidente americano possibilitou a Lula que se apresentasse como grande vencedor na luta pela soberania brasileira.
Agora, ao receber o chefão petista na Casa Branca, com uma cordialidade que normalmente não é dispensada a ninguém que o critica publicamente, como faz Lula, e emprestando ao chefão brasileiro mais adjetivos positivos, como “bom homem” e “inteligente”, Trump fortaleceu ainda mais a imagem de estadista tão necessária Lula neste momento que antecede a campanha eleitoral pela reeleição.
O chefão petista saiu de Washington dizendo acreditar que Trump não vai interferir nas eleições deste ano em prol dos adversários do PT e reforçando o discurso de defesa da soberania. “Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outros países. É um princípio básico para que a gente não permita a ocupação cultural, política e a soberania de outro país”, afirmou Lula, em coletiva na capital americana.
Trump deixou Jair Bolsonaro no passado, é vendedor da própria mãe, e só o ressuscitará como aliado se Flávio vier a ganhar a eleição presidencial, naturalmente. Para o presidente americano, Lula tem se demonstrado um esquerdista conveniente, apesar do discurso antiamericano, e talvez até pense que a reeleição do chefão petistas possa ser tão confortável para os Estados Unidos quanto a manutenção de Delcy Rodriguez no comando da Venezuela.
Por falar em Venezuela, assim como Trump, o chefão petista deixou aliados históricos no passado, agora que o vento sopra forte em sentido contrário: venezuelanos e cubanos foram assuntos desimportantes na conversa entre ambos. Na verdade, nem foram temas. Lula limitou-se a dizer ao presidente americano que ele está disposto a conversar sobre Venezuela, Cuba, Irã, “sobre o que ele quiser”, e vamos adiante.
Quanto a Cuba, então, o chefão petista de uma indiferença notável ao abordar a ilha na coletiva.
“Eu ouvi, não sei se a tradução foi correta, que ele disse que não pensa em invadir Cuba. Isso foi dito pela intérprete e acho que isso é um grande sinal”, afirmou Lula.
No final das contas, o chefão petista não é tão diferente assim de Trump.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/trump-e-cabo-eleitoral-de-lula)
“Crusoé: O preço de um senador”
– PF descobre relação financeira entre Vorcaro e Ciro Nogueira e pode esvaziar delação do banqueiro. E mais: Lula enrola com o Desenrola e Guru, pré-candidato e líder capissocial.
(Redação O Antagonista, 08/05/26)
A operação da Polícia Federal (PF) desta quinta, 7, mostrou quanto custa um senador da República. E o valor não é dos mais modestos.
Mensagens interceptadas pela PF, e que resultaram na quinta fase da Operação Compliance Zero, revelaram que Daniel Vorcaro pagava entre 300 mil e 500 mil reais mensais para o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e um dos principais expoentes do Centrão, para que o banqueiro tivesse algum tipo de interlocução no Congresso.
Na fase anterior, a PF já havia mostrado quanto custa o dono de um banco público.
Para comprar o presidente do BRB, Paul Henrique Costa, foram seis apartamentos de luxo, avaliados em 140 milhões de reais.
Segundo as investigações, Ciro Nogueira apresentou uma emenda à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autonomia do Banco Central que aumentava o valor do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de 250 mil reais para 1 milhão de reais.
A emenda — mais precisamente um jabuti no jargão do Congresso Nacional, já que o texto versava sobre algo que não tinha a menor relação com a proposta originária — beneficiava diretamente o banco de Daniel Vorcaro e foi elaborada pela assessoria do banqueiro, diz Wilson Lima em “O preço de um senador” (1), a matéria de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Em “Lula enrola com o Desenrola” (2), Rodolfo Borges e Wilson Lima contam como o presidente Lula (PT) recicla um programa para diminuir o endividamento que seu governo incentivou.
Na matéria “Guru, pré-candidato e líder capissocial” (3), Duda Teixeira revela como o psiquiatra Augusto Cury, pré-candidato à Presidência pelo Avante, inicia a saga para transformar leitores em eleitores.
Na reportagem “Jiu-jítsu brasileiro na Ucrânia” (4), Fabrício Vitorino mostra como soldados ucranianos feridos no campo de batalha treinam jiu-jítsu com civis em centro de reabilitação, sob a bandeira brasileira.
Colunistas
Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.
Nesta edição, escrevem:
> Wilson Pedroso
(Fique longe, Trump)
– O movimento silencioso de Lula para afastar o americano da eleição brasileira.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/fique-longe-trump/#google_vignette
> Márcio Coimbra
(Diplomacia de urgência)
– O que Lula realmente ganhou na Casa Branca?
+em: https://crusoe.com.br/noticias/diplomacia-de-urgencia/#google_vignette
> Maristela Basso
(A nova inquisição)
– Quando a esquerda woke substitui o Direito pela moral.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/a-nova-inquisicao/
> Clarita Maia
(Terrorismo: a guerra semântica de Brasília)
– Brasil propõe cooperação em inteligência e rastreamento financeiro, mas sem aderir à classificação formal.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/terrorismo-a-guerra-semantica-de-brasilia/#google_vignette
> Bruno Bimbi
(O mito da conspiração sionista)
– Atos antissemitas em Itacaré e no Rio de Janeiro são consequência de percepção que demoniza e desumaniza os judeus.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/o-mito-da-conspiracao-sionista/#google_vignette
> Dennys Xavier
(A salvação que vem do passado)
– É preciso recuperar os espaços que conferem significado real ao nosso mundo e onde podemos efetivamente experimentar vida livre.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/a-salvacao-que-vem-do-passado/#google_vignette
> Izabela Patriota
(Quando a maternidade deixa de ser acidente)
– Mulheres com mais de 40 anos que decidem ter filhos normalmente já alcançaram estabilidade financeira e têm relacionamento estável.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/quando-a-maternidade-deixa-de-ser-acidente/#google_vignette
> Josias Teófilo
(O paradoxo do desenvolvimento brasileiro)
– Vale do Anhangabaú foi transformado numa espécie de lugar para shows, uma planície concretada e anódina
+em: https://crusoe.com.br/noticias/o-paradoxo-do-desenvolvimento-brasileiro/#google_vignette
> Roberto Ellery
(A volta da direita nacional-desenvolvimentista)
– Ideia de que intervenção estatal é indispensável une Delfim Neto, PT e, agora,, MBL e Flávio Bolsonaro.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/a-volta-da-direita-nacional-desenvolvimentista/#google_vignette
e
> Rodolfo Borges
(A Ilíada de Roger Machado)
– São Paulo violou máxima essencial ao demitir Crespo, e a punição dos deuses do futebol pesa mais sobre o treinador que o substituiu.
+em: https://crusoe.com.br/noticias/a-iliada-de-roger-machado/#google_vignette
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(Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/crusoe-o-preco-de-um-senador/)
(1) https://crusoe.com.br/noticias/o-preco-de-um-senador/#google_vignette
(2) https://crusoe.com.br/noticias/lula-enrola-com-o-desenrola/
(3) https://crusoe.com.br/noticias/guru-pre-candidato-e-lider-capissocial/
(4) https://crusoe.com.br/noticias/jiu-jitsu-brasileiro-na-ucrania/
(5) https://crusoe.com.br/
Matutando sobre a charge. . .
Do lado do “faveco rachadjinha” essa gente que já “se-locupletou-se” também do outro lado.
No outro lado,
a corja vermelha que,
depois de 17 anos no “pudê”,
veja o que o PeTê
tem à mostrar “procê”:
Após a implantação do Plano Real, comandada pelo tucano FHC, com 1 REAL VOCÊ COMPRAVA 1KG DE FRANGO.
Hoje, com 1 REAL você compra apenas 1 FIGURINHA da COPA!!!
PeTezuela, “rumu au équiça”!
E nós, burros de cargas/eleitores,
ZELANDO pelo nosso salário,
SEM PENDURICALHOS,
mas. . .
COM O PODER DO VOTO!
Qual a diferença entre Ciro Nogueira do DF e o Maiochi de Gaspar?
Os dois são “funcionários” Públicos, os dois estavam enrolados em escândalos milionários e os dois se mantinham “empregados” nas repartições Públicas como bons cidadãos brasileiros.
A impressão que passa é que Siglas partidárias são facções com prerrogativas de criar as leis que os inocentarão nos TRIBUNAIS
Logo, a diferença está no tratamento da justiça para com os ladrões de galinha e as benesses ofertadas aos LADRÕES do NOSSO SUADO DINHEIRINHO 👀