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POR FALTA DE ELEMENTOS MÍNIMOS PARA ALIMENTAR UMA INVESTIGAÇÃO, MINISTÉRIO PÚBLICO DE GASPAR DESCARTA DENÚNCIA ANÔNIMA SOBRE SUPOSTAS IRREGULARIDADES NA CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE AUDITORIA E PERÍCIA DA  CPI DO CAPIM SECO. CIRO DIZ QUE ISTO FOI UM ATESTADO DE IDONEIDADE. NÃO É BEM ASSIM.

Artigo revisado, acrescentada a introdução, bem como editada uma charge na seção TRAPICHE às 12h25min deste 12.03.2026. Atualizado às 8h58min deste 15.03.2026.

Acima, a reprodução do despacho do Ministério Público para que não haja à menor dúvida.

Nesta semana, o atual presidente da Câmara (foto ao lado) marcado como campeão de diárias e se repete neste ano (até hoje eram R$2.455,00), autor monocrático neste ano do aumento exorbitantes das já altas diárias dos vereadores e servidores da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, e ex-presidente no ano passado da CPI do Capim Seco, a qual apurou – o que já estava bem apurado pela polícia especializada de Blumenau no combate a corrupção – sobre as extraordinárias altas medições fictícias das roçadas feitas pela Ecosysten e Sanitary, ambas de Curitiba, em Gaspar, no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, sem convicção, pois sabia o que jogava para a plateia, foi à tribuna para dizer que estava de alma lavada.

Segundo Ciro, o Ministério Público o inocentou, assim como os membros da CPI, a Câmara e os que participaram do processo de licitação na contratação, por quase R$50 mil, desta empresa de consultoria especializada para lhes auxiliar, tecnicamente, a CPI e com isso, comprovar o que a polícia já tinha, repito, bem apurado.

Não é bem assim o que Ciro discursou.

E Ciro, escolado como poucos, é presidente pela quinta vez da Casa, e devido as articulações para romper acordos e fazer valer à sua vontade de poder e bastidores, acabou alimentando em passado recente um movimento de revolta dos vereadores e que terminou (ainda bem) com o voto secreto para a eleição da mesa diretora.

Além disso, Ciro viu como funcionou e se enterrou duas outras CPI. Uma delas, a da drenagem da Rua Frei Solano, que envolveu o mais longevo dos vereadores que estava naquela época, presidente do Samae, José Hilário Melato, PP.

Se procurar bem, e por isso foi comedido, esta denúncia, muito provavelmente, foi feita por gente do entorno do próprio Ciro e seu MDB (principalmente), PSD e PP, envolvidos diretamente na trama. Tanto que ela foi anônima e ninguém apareceu no Ministério Público para dar cara, alimentá-la com documentos e provas. O objetivo era tumultuar, causar constrangimento e dar recados. Ninguém foi inocentado. Na verdade, há um novo crime para atenuar outro cheio de provas.

O próprio vereador Alexsandro Burnier, PL, que agora deu para rechear seus discursos com palavrões ou termos chulos na falta de argumentos ou vocabulário, na mesma sessão, deu pistas disso. A CPI foi bandeira dele. Alexsandro pegou algo já pronto na polícia especializada e o requentou ao preço de R$100 mil para criar uma cortina de fumaça e desviar a atenção da opinião pública e desta forma, diminuir as críticas ao governo dele, o de Paulo Norberto Koerich, PL, ainda sem resultados para a cidade.

Alexsandro criticou os vereadores que alimentaram o assunto quando a denúncia surgiu na Câmara e que agora estão quietos.

Mais: revelou de que sabe que mexeu num vespeiro; de que isso envolve gente grande e há interesses poderosos; de que sofreu pressões por levar este caso adiante; e que até, pasmem, foi “chamado para uma prosa”.

Como é que é? Então tudo começa errado por aí. Alexsandro está na obrigação de revelar quem o chamou para essa “prosa” e qual era a proposta. Também está obrigado a revelar à cidade quem ele diz saber que é que está por detrás de tudo isso. Se não disser, iguala-se à denúncia anônima. Bravata e molecagem. E aí, ambos se merecem pois estavam obrigados à transparência em ambiente público e que envolveu muito dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Perguntar não ofende: o governo de Paulo Norberto Koerich, PL – aniversariante do dia -, trocou de líder na Câmara? A defesa que o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, fez contra as denúncias de que a medição das roçadas continuam superlativas no atual governo ao que efetivamente foi roçado, colocou no bolso a líder do governo de ofício, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL.

Há duas sessões se fez um banzé na Câmara contra o “regime de urgência” ao primeiro Projeto de Lei do ano e que entrou só neste Março. Teve requerimento para retirar esta urgência e ele foi derrubado sob polêmica.

O PL foi votado vapt-vupt nesta semana criando um crédito de R$614 mil para a secretaria de Assistência Social. Ela na elaboração do orçamento não conseguiu enxergar as sobras de emendas de exercícios que vem desde 2022. É ou não uma contabilidade ficcional? E o PL recebeu os votos de quem queria quebrar o regime de urgência. Incoerência ambulante.

Agora, Gaspar está autorizado a fazer compras com o gaúcho Consórcio Intermunicipal dos Municípios do Alto Uruguai, como se em Santa Catarina não houvesse estrutura e escrutínio sobre este assunto. A Câmara aprovou tudo rapidinho sem qualquer discussão. As desconfianças ampliaram.

Vem aí, mais um capítulo do fedor do lixo em Gaspar. Finalmente, o Ministério Público colocou os olhos técnicos nesta esbórnia. É assustador. É a Gaspar acordada e que os políticos antigos não a queriam e os novos, vestais da transparência, querem-na encurralada, constrangida e desmoralizada.

A secretária Katiani Zimmermann, de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo de Gaspar já pediu a licitação para o aluguel do transformador que dará suporte à lucrativa festança tradicionalista particular na Arena Multiuso para os seus realizadores, ou vai esperar o sistema de licitação e legal colocá-la numa fria, como aconteceu com o seu antecessor, o empresário Nelson Mário Küstner? Muda Gaspar!

Abaixo, reproduzo um artigo que foi postado na área de comentários do blog por uma daquelas leitoras que os poderosos de plantão de Gaspar juram que não tenho na área. Para reflexão. É da parte de Gaspar que pensa.

“Inacreditável.

Na Câmara, vereadores governistas resolveram inovar na lógica política: agora, fiscalizar o governo virou… desperdício de dinheiro público.

Segundo a nova tese governista, vereador que pede informação, analisa contratos ou questiona números estaria, na prática, “atrapalhando a cidade”. Curiosa interpretação do papel constitucional do Legislativo — especialmente para quem foi eleito justamente para isso.

Mas a criatividade não parou por aí. Diante da dificuldade de explicar a paralisia administrativa do presente, a tropa governista decidiu recorrer ao método preferido deste governo: olhar pelo retrovisor. Em vez de responder sobre o que acontece hoje, foram resgatar medições e decisões da época do PT, como se a cidade ainda estivesse em 2016

Até quem já percebeu que a atual gestão dirige Gaspar olhando mais para o passado do que para a frente deve ter ficado surpreso. Afinal, quando o governo começa a tratar fiscalização como problema, normalmente não é porque o fiscal está exagerando — é porque alguém não gosta muito do que pode aparecer quando as contas são abertas.

No fim das contas, fica a impressão de que, para alguns governistas, a cidade pode até ficar parada… desde que ninguém pergunte por quê” (por Maria Paula).

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17 comentários em “POR FALTA DE ELEMENTOS MÍNIMOS PARA ALIMENTAR UMA INVESTIGAÇÃO, MINISTÉRIO PÚBLICO DE GASPAR DESCARTA DENÚNCIA ANÔNIMA SOBRE SUPOSTAS IRREGULARIDADES NA CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE AUDITORIA E PERÍCIA DA  CPI DO CAPIM SECO. CIRO DIZ QUE ISTO FOI UM ATESTADO DE IDONEIDADE. NÃO É BEM ASSIM.”

  1. MORAES CRIA O PRECEDENTE, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    O ministro Alexandre de Moraes é experiente. Ele determinou uma operação de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida. O ministro autorizou a apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos que possam auxiliar numa investigação sigilosa.

    Investigação de que? De um eventual uso indevido de um carro oficial pelo ministro Flávio Dino. Fica combinado assim.

    Ex-procurador e ex-secretário de Segurança de São Paulo, Moraes pode estar golpeando o direito de todos os jornalistas de preservar a identidade de suas fontes. Nesses equipamentos quase todos os jornalistas guardam documentos, transcrições de conversas e até mesmo pistas para eventuais reportagens. São acervos que, em alguns casos, armazenam mais informações que um mês de grampos.

    À primeira vista, o caso envolve um jornalista maranhense, que escreveu contra Flávio Dino, seu colega de Supremo. Seria um caso despiciendo.

    À segunda vista, mesmo que essa não fosse sua intenção, atacou o exercício da profissão de todos os jornalistas. Atento aos avanços da tecnologia, Moraes quer apreender até mesmo dados guardados em serviços de armazenamento em nuvem.

    Moraes cria um precedente: busca nos equipamentos de Luís Pablo Conceição Almeida a história de um carro oficial que teria sido usado por Flávio Dino. A pontaria desse tiro pode ir mais longe.

    A RENÚNCIA DE CLÁUDIO CASTRO

    Se o governador do Rio, Cláudio Castro, renunciar para tentar preservar sua elegibilidade, o tempo terá mostrado o preço da eleição de Wilson Witzel, na onda antipetista de 2018 e da reeleição de Castro. Witzel teve trabalho para conseguir um vice e contentou-se com Cláudio Castro.

    Deposto em 2020, entregou o cargo a Castro, que viria a se reeleger em 2022, com quase 60% dos votos.

    OS MIMOS DE VORCARO

    O banqueiro Daniel Vorcaro tinha um gosto pelo espetáculo e um agudo sentido de oportunidade. Em setembro de 2023, quando ele começou a brilhar no mercado, torrou R$ 363 milhões com uma festa em Taormina, na Itália.

    Em dezembro Vorcaro lançou o nome do ministro Alexandre de Moraes em sua agenda. Meses depois o Master contratou a banca Barci de Moraes, da mulher e dos filhos do ministro. A essa época o Banco Central começava a prestar atenção nos números do Master.

    Em abril, Vorcaro co-patrocinou uma farofa em Londres enfeitada, entre outros, por Moraes e Dias Toffoli. Num ágape lateral, bancou um “serviço de degustação Macallan no George Club” que lhe custou R$ 3,3 milhões.

    Em setembro de 2024, a Polícia Federal passou a investigar o Master. Em novembro o Banco Central deu seis meses para que o Master acertasse suas contas.

    Em dezembro, Vorcaro conseguiu que o ex-ministro Guido Mantega lhe abrisse a porta do gabinete de Lula.

    Não adiantou, em novembro de 2025, depois de vários ultimatos, o Banco Central liquidou o Master.

    LULA SUPERSTAR

    Na semana passada Lula não foi à posse do novo presidente do Chile, o direitista José Antonio Kast, que havia convidado Flávio Bolsonaro para a cerimônia.

    Tudo bem, Lula Superstar telefonou para o presidente Gustavo Petro, da Colômbia, e para Claudia Sheinbaum, do México, porque Donald Trump quer classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas, coisa que não são. Alta diplomacia.

    Lula poderia ter ligado também para o prefeito Eduardo Paes. A polícia Federal acabava de prender o vereador Salvino Oliveira (PSD), seu ex- secretário da Juventude. O doutor é acusado de uma conexão eleitoral com o traficante Edgar Alves de Andrade, do Doca, um dos chefes do Comando Vermelho no Rio. Em tese, Paes é um aliado de Lula.

    Outro assunto interessante para a conversa com Paes seria a prisão de 15 PMs do Rio que integravam a equipe de segurança do bicheiro Rogério Andrade.

    Em outubro, Lula terá o voto dos colombianos e mexicanos preocupados com a segurança pública.

    OS VOTOS DO RIO

    Quem conhece a política do Rio teme que, na reta final da campanha, Eduardo Paes se afaste de Lula, aproximando-se de Flávio Bolsonaro.

    A FONTE DA FORTUNA

    Enquanto a revista Forbes colocava o brasileiro Eduardo Saverin no topo da lista de bilionários brasileiros, com US$ 35,9 bilhões, soube-se que Mark Zuckerberg está de olho numa casa de US$ 170 milhões.

    Ela fica em Miami tem nove suítes, 11 banheiros e quatro lavabos em 7,3 mil metros quadrados de terreno.

    A casa ainda está em obras. Em dezembro passado, o dono da casa pedia US$ 200 milhões.

    Em 2004, Saverin era um colega de turma de Zuckerberg em Harvard e acreditou na ideia de criar o Facebook (atual Meta). De lá para cá, os dois administraram seus patrimônios com rara competência. Desde 2009, ele vive em Singapura.

    VAGAS NO STF

    Pelo calendário gregoriano, o próximo presidente da República nomeará pelo menos três novos ministros para o Supremo Tribunal. A aposentadoria dos ministros do STF é compulsória ao completar 75 anos, conforme a “PEC da Bengala” (2015). A próxima vaga principal é de Luiz Fux (2028), seguida por Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030).

    Se a bandeira do impedimento de algum ministro prosperar, as vagas serão quatro ou cinco.

    RENDIÇÃO INCONDICIONAL

    Nenhum americano chegou à Casa Branca com um grau de ignorância da História dos Estados Unidos comparável à de Donald Trump, quando ele disse que os ataques ao Irã continuarão até que seu governo ofereça uma “rendição incondicional”.

    Ele ouviu o galo cantar, mas não sabia onde. Não há registro desse tipo de rendição sem ocupação territorial. Trump gostou da expressão e apropriou-se dela. Rendições incondicionais ocorreram em 1945 com a Alemanha e o Japão, que nem incondicional foi, pois o imperador Hirohito continuou no trono.

    A expressão popularizou o general Ulysses S. Grant, comandante das tropas do Norte durante a Guerra Civil. Em 1862 ao atacar o forte Donelsen, ele exigiu uma “rendição incondidional e imediata”. Essa foi a primeira grande vitória do Norte e fez 12 mil prisioneiros. Grant, um sujeito que havia fracassado em tudo na vida, passou a ser conhecido como Unconditional Surrender Grant.

    Acabou na Casa Branca e fez um governo desastroso.

  2. Se as próprias instituições não se auto contém, poderão ser limpas para além do necessário pelos votos silenciosos deste outubro.

    PF E IMPRENSA IMPLODEM PACTO DE SILÊNCIO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Foi abalado o pacto de silêncio tacitamente firmado nos últimos anos entre altas autoridades e a elite política do país em torno das evidências de alastramento da corrupção. A Polícia Federal, na esfera pública, e o jornalismo profissional, na sociedade, têm sido os responsáveis por fazer soar o alarme.

    A esta altura, pode-se estimar o efeito da anestesia se ela ainda estivesse ativa. Com a sem cerimônia usada para suspender R$ 18,8 bilhões em multas da Lava Jato, Dias Toffoli teria enterrado qualquer investigação dos malfeitos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    Passaria incólume a relação multimilionária do escritório da mulher de Alexandre de Moraes com o Banco Master, bem como a comunicação do ministro do Supremo com Vorcaro horas antes de ele ser preso, e seu banco, liquidado. Público e aposentados do INSS teriam sido privados de saber do furto de R$ 6,3 bilhões por quadrilhas enquistadas no Executivo federal. Não teriam visto a luz do dia os indícios de conexão entre o desfalque e um filho do presidente da República.

    Não que as tentativas de abafar os escândalos e suas repercussões tenham cessado. O ministro Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilos, decretada pela CPI do Crime Organizado, da empresa de Dias Toffoli que recebeu pagamentos de um fundo ligado a Vorcaro.

    Seu colega Flávio Dino aliviou a barra de Fabio Luis Lula da Silva ao derrubar a quebra de seus sigilos, decidida pela CPI do INSS. Não há assinatura petista no pedido de CPI para investigar Toffoli e Moraes no Senado.

    Elevou-se o custo do abafa, no entanto. Com a ferida exposta, cada atitude de autoproteção de autoridades e políticos reverte em mais desgaste institucional. Abafar tornou-se quase impossível. A Polícia Federal deu mostras de independência suficientes para assegurar que as investigações vão prosseguir a despeito de haver pressão contrária nas altas esferas. A condução de André Mendonça dos dois inquéritos —Master e INSS— tampouco indica concessões à acomodação.

    É uma lástima que o ânimo corporativista subjugue o republicano nessa crise grave, que pela primeira vez engolfa dois juízes da mais alta corte. A atitude correta da maioria dos ministros do STF seria favorecer investigação profunda e definitiva sobre as suspeitas, mesmo que isso implique atingir os próprios integrantes.

    Esquivar-se da tarefa vai alimentar as correntes antissistema às portas da eleição nacional. E vai delegar a outros Poderes, de pendor plebiscitário, uma resposta que deveria vir embalada em diligência e equilíbrio.

  3. A IMPRENSA NÃO DEIXARÁ SE INTIMIDAR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Quando um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) mobiliza o aparato persecutório do Estado contra um jornalista em razão de uma reportagem incômoda, já não se pode dizer que o Brasil seja um país democraticamente saudável. Pois foi o que fez o sr. Alexandre de Moraes ao ordenar busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, que ousou publicar em seu blog que o ministro Flávio Dino faz uso privado de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão. Em qualquer democracia digna do nome, isso é inaceitável.

    Segundo Moraes, tratado como um “herói” da democracia brasileira por segmentos da sociedade, o referido jornalista teria recorrido a “algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos”, o que permitiria, segundo ele, “a exposição indevida relacionada à segurança de autoridades”. É uma acusação grave. Porém mais grave é o fato de Moraes ter confundido jornalismo investigativo com “perseguição” e, pior, tratado a reportagem como “empreitada criminosa”.

    Em nota, Dino alegou que há normas que o autorizariam a usar o veículo público para seus deslocamentos privados. Vamos conceder que, de fato, possa haver. Mas, no regime democrático, autoridades, como quaisquer cidadãos, dispõem de amplos instrumentos para reagir a reportagens que considerem injustas, mentirosas ou potencialmente criminosas. Podem contestá-las publicamente, por exemplo, ou pedir direito de resposta. No limite, podem buscar reparação judicial, civil ou penal, quando houver fundamento. O que não se admite, em hipótese alguma, é que um ministro do STF use sua caneta para acossar jornalistas.

    Se Moraes quis dar um recado a jornalistas que têm perscrutado o mau comportamento de ministros do Supremo – sobretudo agora, quando a Corte vê esvair sua credibilidade em meio à crise deflagrada pelo envolvimento de alguns dos seus ministros com o Banco Master –, gastou tinta à toa. A imprensa profissional não se deixará intimidar pelo STF.

    O assédio contra o jornalista maranhense torna-se ainda mais perturbador quando se considera o evidente descabimento jurídico da ordem de Moraes. A prerrogativa de foro especial é do réu ou investigado, não da vítima. Luís Pablo, obviamente, não tem foro no STF. Se Dino entendeu haver ilícito penal em sua conduta, deveria ter recorrido à polícia e à instância judicial ordinárias. Em defesa do colega, Moraes, mais uma vez, criou uma situação em que o Supremo age simultaneamente como ofendido, instância investigativa e juiz da causa contra um cidadão comum.

    Com toda razão, as mais importantes entidades representativas da imprensa nacional reagiram em uníssono à truculência de Moraes. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais tiveram de lembrar ao ministro que a atividade jornalística está protegida pela Constituição. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo foi ainda mais direta ao afirmar que a decisão de Moraes coloca “não apenas o repórter sob risco, mas todos os jornalistas brasileiros”. É disso que se trata. A mensagem nada sutil do ministro é clara: investigar condutas de ministros do STF pode trazer consequências graves.

    Lamentavelmente, o cerceamento do trabalho do jornalista maranhense não é um caso isolado na Corte. Recorde-se da censura imposta à revista Crusoé, que publicou que o ministro Dias Toffoli era “o amigo do amigo de meu pai” citado por Marcelo Odebrecht em delação no âmbito da Operação Lava Jato. Mais recentemente, quantas decisões afrontosas à liberdade de imprensa não foram tomadas pelo próprio Moraes no infindável inquérito das “fake news”?

    É da natureza do jornalismo incomodar. Por isso, a Constituição resguarda tanto a liberdade de imprensa como o sigilo da fonte como pilares do Estado Democrático de Direito. Isso não significa, por óbvio, que jornalistas estejam acima da lei. Erros devem ser corrigidos, e crimes, punidos. Mas a resposta a uma reportagem nunca pode ser a intimidação nem o emprego desproporcional da máquina estatal.

    Numa democracia, autoridades devem estar preparadas para o escrutínio público. E é precisamente isso que a imprensa profissional continuará a fazer, goste ou não o Supremo.

  4. O PROJETO ABANDONADO: A FRAUDE NO CORAÇÃO DA OBRA PÚBLICA, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc). Este artigo foi publicado originalmente nas redes sociais do autor, que também é estudante de engenharia civil, ambiental e sanitária.

    Na engenharia, um projeto é um pacto de confiança. Cada pilar e cada tijolo têm um lugar certo e uma função calculada. Se você retira uma peça essencial depois que a estrutura começou a subir, o risco de desabamento é real.

    Na política, deveria ser igual.

    Hoje, vemos políticos que usam toda a estrutura de um partido para subir na vida. Eles se aproveitam do COEFICIENTE ELEITORAL para garantir a cadeira, ignorando que esse não é um troféu individual, mas um esforço coletivo. É o tijolo que o partido e o eleitor colocaram ali para sustentar uma ideia maior.

    Mais do que isso: muitos usam o FUNDO ELEITORAL, dinheiro público que pertence ao partido e ao projeto, para viabilizar seus sonhos. É preciso dizer a verdade: sem esse aporte financeiro da legenda, o sonho de muitos sequer teria saído do papel. Foram os recursos do partido que pagaram o alicerce e deram sustentação à campanha.

    Como gestor e futuro engenheiro, vejo isso como uma falha grave de execução. Quando o eleito vira as costas para o grupo que o financiou e o projetou, ele remove um suporte vital da nossa democracia. É como se um engenheiro recebesse todo o material pago pelo cliente e, no meio do caminho, decidisse levar esses insumos para construir outra coisa em outro lugar, abandonando a estrutura original.

    O eleitor catarinense chegou ao seu limite. Ninguém aguenta mais tanta mentira travestida de “ESTRATÉGIA POLÍTICA”. Estamos exaustos de ver mandatos sendo tratados como propriedade particular, como se a palavra empenhada, o fundo partidário e o coeficiente não tivessem dono.

    Quem usa o dinheiro do partido e o esforço de uma legenda para subir no andaime e, lá de cima, cospe no projeto original, comete um verdadeiro estelionato eleitoral. É uma fraude estrutural que adoece o Estado.

    Na engenharia, uma obra que ignora o cálculo cai. Na política, a falta de caráter enterra a esperança de quem acreditou. A sociedade está saturada: o projeto foi aprovado, o material foi pago e o povo exige que a obra seja entregue conforme o combinado.

    Sem desvios e sem traições.

  5. APERTOU? CHAME O XANDÃO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    O ministro Flávio Dino é líder de um grupo político no Maranhão; e usa o poder do STF para acertar contas e se impor no Estado. Ministro do STF líder de grupo político; que perverte a condição de juiz de Corte constitucional para investir contra o sigilo da fonte.

    Apertou? Chame o Xandão bloqueador. É o que faz poderoso com medo ou apenas pressionado. Recorre ao gestor do inquérito infinito e onipresente que corrompeu o sentido das palavras ataque, perseguição etc. Foi o que fez, em 2019, o ex-sócio de Fabiano Zettel (cunhado de Daniel “conseguiu bloquear?” Vorcaro), o ministro Dias Toffoli: sentindo-se desonrado com reportagem que o identificara como “amigo do amigo do meu pai”, ganharia de Moraes uma censura à revista Crusoé.

    Dino estava aborrecido. Porque não gostara de uma publicação, cujo conteúdo não consegue refutar, acionou a Polícia Federal. Dino, ex-governador, hoje senador togado, quer saber quais – quem, entre seus adversários regionais – foram as fontes do jornalista Luís Pablo para que publicasse reportagem que PF, PGR e Alexandre de Moraes considerariam “crime de perseguição”. Razão para que a pescaria – que o delegado Xandão chamou de ordem de busca e apreensão – fosse justificada.

    Diz Moraes – para atentar contra a liberdade individual – sobre elementos de prova que são as próprias reportagens do jornalista: “Os elementos de prova indicam que o investigado atenta contra a liberdade individual e pessoal do ministro (…)” Diz a reportagem: Dino e seus parentes utilizaram continuamente automóvel do Tribunal de Justiça do Maranhão – automóvel de uso restrito – para fins pessoais e sem cessão formal.

    É provável que Luís Pablo seja ligado ao grupo político adversário do de Dino; e que tenha sido subsidiado a partir de vazamentos distribuídos por essa turma. É incontroverso que o que publicou seja matéria jornalística de interesse público. Ocorre que, no país em que vige o direito xandônico, optou-se por investigar o denunciante e ignorar a denúncia. Tem sido assim, vide as acusações de Eduardo Tagliaferro sobre abusos de Moraes no TSE.

    A PGR de Paulo “on the rocks” Gonet, tão sossegada – não haveria razão para prisão preventiva, né? – sobre o obstrutor de Justiça (e pagador de Macallan) Vorcaro, aquele que violava o sistema do MPF e conversava com um capanga sobre quebrar dentes de repórter, no caso de Pablo fechou celeremente com o entendimento de que a reportagem provocaria “ameaças à integridade física e psicológica da vítima” e chancelou a blitz.

    O fato de Luís Pablo haver sido investigado por extorsão não desqualifica a pergunta que se quer enterrar sem resposta a contento: Dino e família utilizaram, para gozo particular, carro oficial – de uso restrito à atividade do Judiciário estadual – sem ato público que formalizasse a cessão?

    O sistema que mete Luís Pablo no inquérito das fake news – e que tomaria celular e computador de Malu Gaspar, publicasse o que apura num blog pessoal – precisa investigar também as relações de ministros do STF com Vorcaro.

  6. SORIDADE SELETIVA, por Thaís Oyama, no jornal O Globo

    Malu Gaspar é até aqui a jornalista responsável pelas revelações mais relevantes sobre o escândalo do Banco Master. Desde que passou a expor no GLOBO as ligações do ministro do STF Alexandre de Moraes e de sua família com o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tornou-se alvo de ataques abjetos, maciços e incessantes nas redes sociais.

    Pelo exercício de seu ofício, vem recebendo ameaças e insultos que tentam constrangê-la e humilhá-la, muitas vezes com base em referências a sua condição de mulher. Tais ataques configuram precisamente o que grupos feministas chamam de “violência política de gênero”. Ainda assim, nenhum desses grupos veio a público defendê-la. Nenhuma nota ou carta aberta — nem mesmo um reles vídeo no TikTok.

    Trata-se de silêncio que não se observou quando outras igualmente valorosas profissionais da imprensa expuseram malfeitos de bolsonaristas e foram por eles atacadas. Nesses casos, as jornalistas receberam um uníssono coro de solidariedade vindo de coletivos feministas e organizações de mulheres que não soltam a mão de ninguém e consideram um ataque a uma jornalista mulher como ataque a todas as jornalistas mulheres. Desta vez — em que o foco das reportagens é não um presidente de direita, mas um juiz eleito herói da resistência pela esquerda —, porém, nenhum desses grupos encontrou algo para dizer em defesa de Malu Gaspar.

    Mais que não ser defendida, ela vem sendo atacada por setores da esquerda. Militantes petistas pedem abertamente sua demissão, e sites de esquerda estimulam a perseguição a ela (não por coincidência, alguns desses sites figuram nos autos do inquérito Master como fregueses da generosidade suspeita de Vorcaro, mas essa já é uma conversa que transcende a hipocrisia ideológica — é assunto de polícia).

    Dos teclados desses militantes saem as mais sórdidas fake news — e também as mais hilariantes desculpas para o indesculpável (o troféu cara de pau fica com a feminista que invocou o imperativo do respeito à “independência profissional das mulheres” para justificar o contrato milionário de Viviane de Moraes com Vorcaro, numa mostra de que, ao contrário de quase tudo na vida, o cinismo e a capacidade de autoengano não conhecem limites).

    Nada disso chega a surpreender. Historicamente, a esquerda fundamentalista, sempre indulgente com modelos totalitários, não se vexa em trocar seus alegados princípios pela proteção de seus vilões preferidos — como podem confirmar, das profundezas do inferno, camaradas de mãos ensanguentadas e um punhado de aiatolás recém-chegados. A mesma condescendência, essa esquerda dedica a seus suspeitos de estimação.

    Um ministro do STF tinha encontros recreativos com um banqueiro adepto de práticas financeiras heterodoxas? Foi flagrado pela Polícia Federal trocando mensagens com esse banqueiro no dia de sua prisão? Respondeu com mensagem de visualização única à pergunta “Conseguiu ter notícias ou bloquear”? Sua mulher tinha um contrato de R$ 130 milhões com o agora ex-banqueiro-presidiário? Não tem importância. Salvo-conduto moral para os heróis da turma, e que ardam nas redes aqueles que ousarem colocá-los sob má luz.

    Foi o que fez Malu Gaspar como consequência de uma apuração profissional rigorosa. A jornalista não precisa que ninguém a defenda — sua trajetória e reputação cumprem com sobra esse papel. Mas é desolador constatar que, para os fundamentalistas da esquerda brasileira, nas revoluções como nos escândalos, princípios só valem quando servem para atacar o inimigo; é lícito e legítimo linchar quem aponta o dedo para um aliado; e todos os fatos merecem ser revelados, à exceção dos inconvenientes.

    Ataques a Malu Gaspar são o que grupos feministas chamam de ‘violência política de gênero’, e nenhum desses grupos a defendeu.

  7. MORAES USA O ARBÍTRIO PARA PROTEGER O COLEGA DINO, editorial do jornal O Folha de S. Paulo

    Ímpeto censório e corporativismo se combinam de modo abominável na determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que levou a Polícia Federal a cumprir na terça-feira (10) mandados de busca e apreensão contra o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, de São Luís (MA), autor do Blog do Luís Pablo.

    Sob o manto do infindável inquérito das fake news, iniciado de forma heterodoxa em 2019 para investigar ameaças e ataques do bolsonarismo à corte, a ação apreendeu celulares e computadores do profissional. Luís Pablo publicou, em novembro de 2025, relatos sobre o suposto uso pelo ministro Flávio Dino, colega de Moraes no Supremo, e por sua família de um carro custeado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.

    Quaisquer que sejam os méritos ou deméritos da reportagem, não passa de puro arbítrio qualificar como possível crime de perseguição —em razão da identificação de veículos de autoridades e a pretexto de preocupações com a segurança delas— o que é apuração jornalística e escrutínio do poder protegido nas democracias pela liberdade de imprensa.

    Caberia aos envolvidos desmentir, se assim quisessem e pudessem, as informações publicadas e buscar a devida reparação, se fosse o caso. O que se fez foi uma tentativa de intimidação.

    Corretamente, a medida foi alvo de críticas por parte de associações de imprensa, entre elas a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Editoras de Revistas (Aner), além da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Maranhão.

    O papel louvável do Supremo e do próprio Moraes na preservação do Estado de Direito e no enfrentamento do golpismo patrocinado por Jair Bolsonaro (PL) não autoriza seus ministros a se pretenderem imunes a críticas e questionamentos —e nem se fala aqui das graves suspeitas relacionadas ao caso Master.

    A fiscalização pela imprensa e pela sociedade de atos dos magistrados não prejudica a corte, antes pelo contrário.

    O que compromete sua imagem é o caráter sigiloso do processo contra o jornalista, bem como a falta de clareza sobre os parâmetros usados para separar a atividade jornalística de eventuais abusos em publicações de dados sensíveis de autoridades. A ambiguidade dá margem à intimidação e à censura.

    A Constituição brasileira, que o Supremo Tribunal deveria aplicar e proteger, dispõe que é “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”

  8. Há uma clara ditadura jurisdicional em vigor, manipulando ou mal interpretando a legislação em vigor, fora do devido processo legal segundo os juristas e pós doutores professores nas escolas de Direito, exatamente de um poder obrigado a combatê-la sob qualquer e disfarçadas formas. A vista de todos e com cara de perseguição e intimidação corporativa ou pessoal. Impressionante.

    MORAES BARRA ACESSO DE PRESIDENTE DA UNAFISCO AO PRÓPRIO DEPOIMENTO, por Wilson Lima, em O Antagonista.

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não autorizou, até o momento, que o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kléber Cabral, tenha acesso ao próprio depoimento prestado para a Polícia Federal (PF) em 20 de fevereiro deste ano.

    A súmula vinculante número 14 do próprio STF determina que “é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa”.

    Kléber Cabral foi intimado a prestar depoimento por determinação de Moraes, como desdobramento do inquérito das fake news. A convocação ocorreu após o dirigente conceder entrevistas à imprensa comentando o caso de servidores investigados e criticando medidas cautelares impostas pelo ministro do STF no inquérito que apura o vazamento de dados da Receita Federal de integrantes do Tribunal.

    A medida foi vista por integrantes do sindicato e do Congresso como uma tentativa pura de intimidação por parte de Moraes. O ex-procurador Deltan Dallagnol, por exemplo, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Moraes por crime de abuso de autoridade.

    Após prestar depoimento para a Polícia Federal, a entidade que Kleber representa informou que “o presidente da Unafisco Nacional, auditor-fiscal Kleber Cabral, prestou depoimento hoje, de modo remoto, à Polícia Federal”.

    E acrescentou: “Ele foi ouvido na condição de investigado no âmbito do chamado Inquérito das Fake News, apenas em razão das declarações concedidas à imprensa na quarta-feira, 18 de fevereiro. Conforme informado pela autoridade policial, o procedimento tramita sob sigilo, razão pela qual o presidente da entidade não poderá comentar o conteúdo do depoimento neste momento”.

    “MENSAGEM INTIMIDATÓRIA”
    Em entrevista concedida um dia antes de ser chamado para ouvido pela PF, ao programa Meio-Dia em Brasília, Kleber Cabral afirmou que “os crimes que estão sendo aventados [aos integrantes da Receita Federal na investigação sobre o vazamento de dados], mesmo se confirmados ao final, dão uma pena que é, no máximo, igual a essa que eles já estão sofrendo”.

    Foi determinado uma espécie de regime semiaberto, as pessoas estão de torneira eletrônica, têm que voltar para casa no final do dia, não podem se ausentar no final de semana. Isso é o regime semiaberto, quer dizer, é o máximo que, ao final, essas pessoas pegariam no caso mais grave de vazamento doloso de informações, o que está muitíssimo longe dos fatos concretos que nós temos apurados até o momento”, comentou Cabral, que tem jogado luz sobre o nebuloso processo conduzido por Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

    Cabral classificou como “um dos casos mais aviltantes de excesso de desproporcionalidade da história do Judiciário brasileiro” a decisão do ministro Alexandre de Moraes de impor a utilização de tornozeleira eletrônica a quatro servidores públicos suspeitos de vazar dados da Receita Federal.

  9. TOFFOLI, O SUSPEITO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e para relatar um mandado de segurança que pedia a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar as práticas do banqueiro. Com base no art. 145, § 1.º, do Código de Processo Civil, o ministro alegou “foro íntimo”, razão pela qual não está obrigado a explicar por que, subitamente, passou a se considerar suspeito. Seja como for, Toffoli fez o que a lei e a moral exigiam dele. Mas seu tardio reconhecimento levanta algumas questões incômodas.

    De antemão, deve-se reconhecer que o Brasil teve sorte por Toffoli ter sido o primeiro sorteado para relatar o mandado de segurança. Assim, criou-se a oportunidade para que ele se declarasse suspeito, tornando possível o conhecimento da real dimensão da bagunça criada pelo STF e os riscos que isso representa para um eventual processo penal contra Vorcaro et caterva por crimes financeiros na gestão do Banco Master.

    Há pouquíssimo tempo, o plenário do STF publicou uma nota em defesa de Toffoli que, além de inexplicável na forma, pois foi fruto de uma descabida reunião secreta, foi indigente em seu conteúdo. No texto, os ministros afirmaram, contra todas as evidências, “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição” o fato de Toffoli, a despeito de à época ser o relator do caso, ter ganhado milhões de reais com transações comerciais envolvendo indivíduos e fundos ligados ao Banco Master e a seu controlador. Os dez ministros ainda reconheceram a “plena validade dos atos praticados” por Toffoli no curso da investigação e de “todos os processos a ela vinculados por dependência”.

    Recorde-se que o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, prestou-se ao constrangimento adicional de defender publicamente o colega numa rede social, afirmando que Toffoli “tem uma trajetória pública marcada pelo compromisso com a Constituição” e que, “no exercício da jurisdição, sua atuação observa os parâmetros do devido processo legal e foi objeto de apreciação da Procuradoria-Geral da República, que reconheceu a regularidade de sua permanência no caso (Master)”.

    Apenas um mês depois, o próprio Toffoli, ao reconhecer a evidente suspeição que muitos tentaram negar, humilhou os colegas de Corte que saíram em sua defesa, por convicção ou espírito de corpo, e ainda tratou de desmontar todo esse circo corporativista.

    É possível que Toffoli, pressionado ou não, tenha decidido poupar o STF de um novo desgaste. Afinal, seria escandaloso se continuasse a atuar no caso Master a despeito de tudo o que se sabe sobre seus negócios com gente ligada ao banco. Mas a lógica permanece implacável. Ora, o que mudou em pouco mais de um mês para que um juiz considerado imparcial por sua consciência e por deliberação de seus pares se tornasse, de repente, suspeito? É evidente que nada mudou nesse interregno. A sociedade, porém, permanece no escuro. O Supremo não lhe oferece explicações, talvez porque tenha se acostumado a pairar olimpicamente acima do bem e do mal, como se seus integrantes não devessem satisfações ao público sobre suas condutas e decisões.

    Antes a suspeição tardia de Toffoli tisnasse apenas a reputação institucional da Corte, de resto já bastante abalada. A decisão expõe uma ameaça à higidez processual. Se Toffoli é suspeito agora, obviamente era suspeito um mês atrás. O ministro que se afastou anteontem é exatamente o mesmo que, enquanto conduziu o caso Master no STF, tomou muitas decisões no mínimo extravagantes.

    Nesse contexto, está-se diante de um risco não trivial para a validade dos atos processuais já praticados por Toffoli. Se o ministro não tinha condições objetivas de conduzir o caso, como agora admite, tudo o que decidiu poderá ser questionado pelas defesas dos investigados, malgrado o STF, em nota, ter asseverado o contrário. E não se pode condenar quem veja nesse movimento uma ação deliberada para levar à nulidade dos atos judiciais praticados contra o Banco Master e principalmente Vorcaro, um sujeito conhecido pela rede de proteção que construiu, sabe-se lá a que preço, nas altas rodas de Brasília.

  10. Até parece que a Câmara de Vereadores de Gaspar vota LOA e LDO pra “cumprir ritual” e manobrar com números da arrecadação superdimensionados exclusivamente pra AUMENTAR SALÁRIOS, VERBAS de GABINETE, DIÁRIAS, ETC,
    pois sessão sim, sessão também, eles tiram dinheiro de uma pasta pra TAPAR BURACO DE OUTRA.

    Sobre os R$ 300.000,00 em emendas parlamentares “trazidas” pelo vereador Ciro, junto com o secretário estadual Jerry Comper,
    mais uma vez pra INVESTIR NA CANCHA DE BOCHA DO BELCHIOR,
    PROPRIEDADE PRIVADA,
    será que não vai dar NADA?

    NÃO ESQUECENDO QUE O MESMO CLUBE PARTICULAR JÁ GANHOU UMA PONTE DE CONCRETO ENQUANTO A PREFEITURA REFORMAVA A PINGUELA QUE LIGA DOIS GRANDES BAIRROS NA REGIÃO CENTRAL DA CIDADE 👀

    QUEM É O DONO DO CLUBE?

    1. E depois os políticos – e os gestores públicos, bem como os donos da cidade há décadas e que agora passa de pai para filho – acham que os eleitores e eleitoras de Gaspar não sabem das coisas, ou que uma andorinha que dizem que não voa, faz verão. Se calam a boca na rara imprensa – por motivos óbvios -, se vivem atormentando, constrangendo e intimidando o pessoal das redes sociais, se até adversários passam perrengue naquilo que é obrigação de dar aos currais eleitorais, por outro lado, o whatsapp corre solto a cidade inteira, e com coisas cabeludas contadas, fotografadas e anexadas.

      Estou de lama lavada? Não! Estou rindo com a desgraça dos outros? Não, a desgraça cai sobre a cidade e as pessoas delas que precisam de mudanças. Eu estou preocupado como essa gente não seu deu conta que está lidando com corda em casa de enforcado. Só papelinhuos. Só gente sem credibilidade. Só risinhos que mais parecem de deboche… Impressionante. Muda, Gaspar!

  11. AS CORRENTES PROFUNDAS, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Mesmo com o desempenho recente de Flávio Bolsonaro, no fundo o cenário da eleição presidencial é estável, demonstram seguidas pesquisas de vários institutos. É essa estabilidade e o uso de modelos estatísticos que levam respeitadas agências de análise de risco (como a Eurásia, por exemplo) a dizer que Lula tem 60% de chances de ganhar.

    Mas modelos estatísticos têm célebre dificuldade em captar movimentos subterrâneos e correntes estruturais, ainda que pesquisas acusem tendências e sofram oscilações. E a grande corrente está trabalhando contra os planos de reeleição de Lula.

    É o que explica o fato de o enorme esforço de marketing e de bondades colocados em prática pelo governo não trazerem até aqui os resultados pretendidos. A imagem é forte: quem nada contra a corrente se esforça em dobro e, se tiver muita sorte, fica no mesmo lugar.

    Essa grande corrente se compõe de dois elementos principais. O primeiro é político em sentido bem amplo e vem sendo descrito (inclusive em sistemas políticos europeus e na vizinhança) como “sentimento antissistema”. Por óbvio, prejudica o incumbente, não importam o nome dele, o partido ou o país.

    No Brasil, esse primeiro fator é reforçado pelo cansaço do material Lula. Muita coisa mudou, menos ele. O antigo encantador de serpentes virou um personagem enfadonho.

    O segundo componente da grande corrente contrária é claramente de natureza sociológica. Tem a ver com modificações profundas no mercado de trabalho (resultado de inovações tecnológicas), com a religião na formação de voto (o PT nunca soube lidar com isso) e o deslocamento de regiões dinâmicas da economia para outras áreas (simplificando: o arco de produção da agroindústria).

    Chegou-se ao ponto no qual deveria estar claro para os estrategistas de Lula (parece ser apenas seu homem de marketing) que não há bala de prata para enfrentar situações desse tipo. Ou que seja apenas “questão de tempo” até que bondades eleitoreiras se traduzam em melhoria significativa nas pesquisas.

    A alta volatilidade política, trazida por dois grandes escândalos, tem sido fator negativo para a reeleição. Ela aprofundou a crise institucional na qual o Planalto está longe, muito longe, de surgir como qualquer fator de equilíbrio ou estabilidade. Ao contrário: o abraço com o STF tem no momento as feições de um abraço de afogados.

    Lula está derrotado? Não. Falta muito tempo ainda para a eleição e seus adversários não têm exibido grande habilidade política. Mas os dados atuais sugerem que uma vitória seria uma surpresa.

  12. A ESQUERDA QUE TEME O PT, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Após semanas de embates públicos entre alas favoráveis a se abraçar ao PT e correntes que, temerosas de serem engolidas pelos petistas, rejeitavam a ideia, o PSOL decidiu não aderir a uma federação com o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O grupo liderado pelo hoje ministro Guilherme Boulos (PSOL-SP) defendia a união sob o argumento de fortalecer o campo progressista e ampliar a bancada de esquerda no Congresso. Do outro lado, dirigentes e militantes advertiam para o risco de perda de autonomia e de diluição do partido na estrutura petista. Ao final, prevaleceu com folga a posição contrária à federação. O episódio encerra formalmente a disputa, mas deixa o PSOL visivelmente fissurado – e expõe algo maior que suas próprias divisões. Há fraturas que hoje atravessam a esquerda brasileira.

    A controvérsia revelou um debate que há muito percorre, ainda que em voz baixa, os partidos do chamado campo progressista: o receio de ser absorvido pelo peso político do PT. Está longe de ser uma suspeita repentina. Trata-se do reconhecimento – tardio, sublinhe-se – de uma dinâmica conhecida da política brasileira. Afinal, o PT nunca escondeu sua vocação hegemônica. Desde sua origem, organizou-se como força destinada não apenas a participar da esquerda, mas a liderá-la. Essa característica foi central para seu crescimento e permanência como principal partido do campo progressista, mas também produziu um efeito colateral evidente: a dificuldade de convivência equilibrada com aliados, entre os quais se inclui o próprio PSOL, que, convém lembrar, nasceu de uma costela do PT para encarnar a extrema esquerda que o partido de Lula se recusava a ser.

    O PT não sabe dividir o poder. Esse apetite hegemônico não é propriamente novidade. Partidos organizados sob estruturas fortemente centralizadas tendem a operar com lógica de predominância. A cooperação com aliados existe, mas quase sempre subordinada a um projeto mais amplo de liderança política. Em tais circunstâncias, a convivência raramente se dá em pé de igualdade. Com o tempo, legendas menores passam a gravitar em torno da força dominante, muitas vezes perdendo visibilidade, quadros e identidade própria.

    A experiência recente da esquerda oferece exemplos eloquentes. Na federação formada por PT, PV e PCdoB, os parceiros menores acabaram progressivamente ofuscados. O PV praticamente desapareceu do debate nacional. O PCdoB mantém presença institucional, mas perdeu o pouco que tinha de sua esquálida densidade política e viu parte de suas lideranças se dispersar. Mesmo partidos maiores convivem com tensões recorrentes na relação com o petismo. O PSB, por exemplo, oscila entre a cooperação governista e o esforço para preservar algum espaço político próprio, tensão visível tanto nas disputas regionais quanto nas negociações em torno do papel de suas lideranças no governo.

    Foi à luz desse histórico que boa parte do PSOL recebeu a proposta de federação com compreensível desconfiança. Enquanto o PT enfrenta sinais de desgaste em sua base tradicional, o PSOL reúne quadros jovens e ativistas mobilizados. Entrar numa federação significaria compartilhar recursos, estratégia eleitoral e atuação parlamentar por quatro anos. Em termos práticos, seria uma convivência política permanente sob a sombra do maior partido da esquerda.

    A decisão de rejeitar a federação pode ser interpretada, portanto, como uma tentativa de preservar autonomia. Mas isso não significa que o problema tenha desaparecido. O processo deixou cicatrizes evidentes dentro do PSOL. É plausível imaginar que parte de suas lideranças busque outro caminho político. Guilherme Boulos, cuja proximidade com Lula e com o próprio PT é cada vez mais explícita, poderá acabar formalizando uma migração que hoje já parece, em muitos aspectos, apenas uma questão de tempo.

    No fundo, a questão ultrapassa o destino do PSOL. Diz respeito ao próprio funcionamento da esquerda brasileira nas últimas décadas. Enquanto o PT permanecer como força dominante, com vocação para dirigir todo esse campo político, alianças à esquerda tendem a oscilar entre dois riscos conhecidos: a fragmentação ou a absorção. O PSOL decidiu evitar a segunda hipótese. Resta saber se conseguirá escapar da primeira. E se a esquerda brasileira aprenderá, algum dia, a viver sem a inevitável batuta do PT.

    1. 300 mil pra bocha, 500 mil pra Ama, emendas do Jerry Comper. Mas afinal, ele não está secretario de estado? Então como que ele distribui emendas se se secretario não tem essa prerrogativa?

    1. A lógica da política é transformar as siglas partidárias em facções com prerrogativas de criar as leis que os inocentarão nos TRIBUNAIS.
      Na outra ponta, todos juntos e misturados, grudados na nossa jugular, sugando até a última gota..

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