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O GAECO DESCOBRIU O CAMINHO DOS GABINETES DA PREFEITURA DE GASPAR. É A SEGUNDA VEZ EM DEZ DIAS

Texto Alterado e corrigido às 1526min deste 06.05.2026. Acrescentado o TRAPICHE. As minhas novas observações estão em claro. O negrito é da nota original. O Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – do Ministério Público de Santa Catarina, está numa operação chamada “Ponto Final” que envolve 50 mandados de busca e apreensão e onze investigados. O Comando é do 14ª Promotoria da Comarca de Blumenau. Às 10h30min haverá uma coletiva para explicar a operação.

Depois da coletiva dos policiais e promotores envolvidos é preciso reposicionar alguns fatos. Outros só farei em outro artigo.

E Gaspar virou figurinha fácil. Ela mais uma vez está no meio dessa operação. Foram a prefeitura e empreiteiras. E, penso, por tudo que reportei aqui por anos, com muitos anos de atraso. Aqui, foram na secretaria de Planejamento Territorial e Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Mira-se nos feitos do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e agora no Podemos (2017 a 2024). Sintomático. Mas, se as apurações por aqui quiserem unirem pontas soltas deverão procurar documentos na Procuradoria Geral do Município, Superintendência da Defesa Civil, Chefia de Gabinete, Secretaria de Obras e Serviços Urbanos, Samae e na secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa.

Realmente foram na secretaria de Planejamento Territorial, mas não foram na Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável que trabalham em par e contra elas, há uma série de antigas e novas dúvidas.

A “Operação Ponto Final” foi atrás do titular da secretaria, um dos muitos que o PL de lá, o atual prefeito de lá Egídio Maciel Ferrari, investigador e delegado ao que parece mais antenado do que o daqui, não quis por lá: Michael Jackson Schoenfelder Maiochi. Ele está sendo investigado nesta “Operação Ponto Final” como por coisas de lá, e não daqui. Como Paulo Norberto Koerich, PL, não corria com ele daqui por tudo que se tinha de notícia de lá, o próprio Maiochi pediu para sair. Quem disse isso, hoje pela manhã ao pessoal do Planejamento em cara de velório, foi o chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP, na ativa, em meio a emergência e rolo.

O problema, a princípio e pelos documentou que se procurou, mas que podem ser melhor esclarecidos na entrevista coletiva, reside na forma como se burlou sistematicamente para se adiar ou não se ter legislação específica, fiscalização autônoma e dar aprovação de projetos e empreendimentos contra a lei. As apurações também visam os beneficiários que podem ter sustentado este esquema.

Os assuntos, por enquanto, só se referem a Blumenau. E pode até ampliar por gente empregada por aqui. Há uma empresa daqui envolvida e que está no olho do furacão do Ministério Público, principalmente na área ambiental. Mas, também se refere aos casos de Blumenau.

Na prática, apesar da mudança de governo, o atual titular da prefeitura é Paulo Norberto Koerich, PL, um investigador de 30 anos de experiência nesta área, que já foi membro do Gaeco, delegado, delegado regional, delegado geral e secretário de segurança do estado, segundo denúncias robustas que foram remetidas ao Ministério Público depois da sua posse, há indícios de que pode não ter sido interrompido totalmente essta prática do jeitinho, ou se está querendo dar legalidade ao que se iniciou ilegal e que os prejudicados reclamam causados pela burocracia que conheciam e receberam promessas de serem retiradas para seus empreendimentos.

É impressionante como Paulo, com toda a sua experiência, avisos e sinais, dobrou a aposta em algo que sabia que poderia dar errado porque tinha indícios. Faltou puxar a capivara? A política e os novos amigos que vivem cheirando poder lhe retiraram o faro de policial investigador referência em Gaspar, no Vale e em Santa Catarina. Hoje, tenho certeza de que ele não lê este espaço. Sempre escrevi de que isto aconteceria. E não por ter qualquer acesso privilegiado. Mas, porque, doze de dez diziam que tudo era temerário nesse ambiente de indicações, principalmente do que vem por anos se livrando de tranqueiras desde o governo de João Paulo Kleinubing até chegar a Mário Hildebrandt, amoitado no PL.

O problema não reside exatamente no poder de plantão, mas em que domina o poder de plantão por governos afio, seja qual a matiz ideológica ou grupo de interesses – investidores, loteadores, empresas de terraplanagens -, manobrando leis, códigos e o próprio defasado e sem revisão Plano Diretor. A soma desses fatores permite a “criação” de facilidades ou para punir os críticos, mudando leis, zoneamento e a ocupação do solo com ares de legalidade.

A vez de Gaspar vai chegar. E antes do que muita gente pensa. O Ministério Público, em Florianópolis, olha com lupa.

Houve até casos da criação de leis inconstitucionais, criadas na Câmara, num processo vapt-vupt, usada pelos interessadas e depois desconsiderada oficialmente por obrigação do Ministério Público, mas permaneceram os efeitos dessa legalidade por suposto uso de boa fé. Estou de alma lavada, mais uma vez. Volto mais tarde. Primeiro vou assistir a imprensa, que com anos de atraso, tratar este assunto, que sempre soube e fingiu não ser importante editorialmente. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

E dizer que Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, como outra penca, o que nem sabe o CEP do prédio da prefeitura de Gaspar era o articulador com cartas brancas das empreiteiras, entidades, Conselho Municipal Urbano, os novos políticos que dão governabilidade e do governo de Gaspar para revisar o Plano Diretor, encalhado por anos afio nesta obrigação, exatamente para abrir negociação aos interesses de vantagens de uns e vinganças do passado e do presente a outros, por simples crítica ou pedir a mínima transparência. Credo.

Da série, perguntar não ofende pela enésima vez. Quem mesmo orienta Paulo Norberto Koerich, PL, na gestão e na política? Esta semana ele correu para Florianópolis para sair na foto com o que quer alugar o eleitorado catarinense para ser senador, Carlos Bolsonaro. Paulo cantou vitória como se fosse um grande feito. Do candidato não trouxe nada de concreto para Gaspar se ele for eleito e o irmão Flávio, presidente. O colega de profissão na polícia e na política, Egídio Maciel Ferrari, PL, esperou e abriu a agenda por Carlos em seu gabinete em Blumenau, vizinha a Gaspar. Então… Muda, Gaspar!

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12 comentários em “O GAECO DESCOBRIU O CAMINHO DOS GABINETES DA PREFEITURA DE GASPAR. É A SEGUNDA VEZ EM DEZ DIAS”

  1. Será que ninguém tem dúvidas???

    Mesma empresa contratada, mesmo secretário contratante?
    Lá em Blumenau vereadores estão eufóricos em discursos inflamadíssimos aqui todo mundo quieto..

    como acreditam em coelhinho da Páscoa os nobres vereadores também devem acreditar que Paulo, assim como Mário , não sabia de nada e Maioch é a Engeplan só faziam rolo lá.

    1. Quem cala consente. Quem cala, espertamente, espera o assunto ir para as calendas, para debaixo do tapete. Quem cala, acha que o mensageiro é o culpado. Quem cala, como sempre, arma com os amigos na esfera jurisdicional processos para calar quem noticia fatos de apurações policiais envolvendo gente que se acha acima de qualquer suspeita.

      Tudo embrulhado pelo PL em Blumenau, Indaial e Gaspar. Colocam gente de outras cidades em Gaspar para perpetuar esquemas, como demonstram as investigações do Gaeco e sob a regência do Ministério Público e conhecidas até aqui. E o que não foi dado a público? E o que está por vir em Gaspar? Não se trata de esquerda ou direita, trata-se de falta de vergonha na cara e com direito ao uso indevido e pecador da Bíblia para se passarem como santos e assim enganar melhor o eleitorado. Credo

  2. Carlos Nascimento

    Herculano,

    Gaspar parece ter desenvolvido uma curiosa especialidade administrativa: transformar licitação pública em mera encenação burocrática para confirmar vencedores previamente conhecidos.

    A nova suspeita gira em torno da Concorrência Eletrônica nº 26/2025, destinada à recuperação e contenção de talude na margem do Rio Itajaí-Açu, obra milionária estimada em mais de R$ 2,6 milhões.

    No papel, tudo aparentemente impecável.

    Na prática, os mesmos personagens, os mesmos vínculos, o mesmo cheiro de direcionamento e o mesmo modus operandi já denunciado em Blumenau.

    O então secretário de obras de Gaspar, Michael Maiochi, alvo de investigação da operação “Ponto Final”, o mesmo que acabou afastado do cargo após vir à tona seu envolvimento em apurações relacionadas a contratos públicos e favorecimento empresarial. Segundo reportagens amplamente divulgadas pela imprensa regional, o ex-secretário foi submetido a medidas cautelares e passou a utilizar tornozeleira eletrônica.

    Do outro lado aparece novamente o empresário Arnaldo Assunção, ligado à ENGEPLAN, empresa vencedora da licitação em Gaspar, também alvo das investigações e igualmente monitorado por tornozeleira eletrônica, conforme noticiado publicamente. Por que os dois?

    E mesmo assim, absolutamente nada pareceu motivo para notícias aqui pela cidade.

    A licitação foi realizada com aparência formal de concorrência, mas com comportamento típico de certame previamente acomodado. Diversas empresas apresentaram propostas iniciais exatamente no valor máximo do edital: R$ 2.654.757,21. Coincidência estatística? Talvez. Daquelas que só acontecem em prefeitura acostumada a tratar orçamento público como peça de teatro.

    Ao final, a ENGEPLAN saiu vencedora com desconto discreto, quase simbólico, incompatível com a narrativa de “ampla competitividade” que normalmente tentam vender para a população.

    Mas o ponto mais grave talvez nem esteja no desconto tímido.

    O escândalo real está nos bastidores.

    Embora a ART e o projeto estejam formalmente assinados pela engenheira da prefeitura Aline Fonseca Pereira Bratfisch , dentro da própria estrutura administrativa o comentário é praticamente público: o projeto executivo teria sido produzido pela própria empresa vencedora.

    Ou seja: quem desenhou a solução técnica seria justamente quem venceu a disputa.

    A Lei 14.133/2021 proíbe isso de maneira cristalina. O próprio edital repete expressamente a vedação à participação do autor do projeto na licitação.

    Mas em Gaspar parece existir uma modalidade própria de interpretação jurídica: pode tudo, desde que ninguém fale alto.

    A cidade inteira comenta. Poucos têm coragem de dizer publicamente.

    Porque em Gaspar existe um componente adicional: medo.

    Medo político. Medo institucional. Medo de perseguição. Medo de contrariar interesses já estabelecidos dentro da máquina pública.

    Só que documento não sente medo.

    E os documentos estão todos no Portal da Transparência.

    Os fatos estão publicados.

    As conexões estão expostas.

    O histórico dos envolvidos é conhecido.

    E a repetição do mesmo padrão investigado em outra cidade não parece mais coincidência. Parece método.

    A pergunta que resta é se os Vereadores vão continuar fingindo que não enxergam o que qualquer cidadão minimamente atento já percebeu faz tempo:

    a obra não apenas parece suspeita.

    Ela transborda direcionamento. O Gaeco já viu.

    1. Vou responder o quê? Esta vergonha tem nome e sobrenome: os donos da cidade, na sua segunda e terceira geração, que estiveram em todos os governos que acompanhei desde a década de 1980.

      Entidades fingidas, inclusive um tal de Observatório Social.

      O próprio Paulo Norberto Koerich, PL, quando jovem, família toda oriunda da UDN, Arena e atual PP, foi chefe de gabinete do então prefeito Francisco Hostins, que pulou para ser prefeito, do que é hoje PP, para o PDC, do então deputado Francisco Mastella, ex-diretor financeiro da antiga Ceval, ex-presidente combativo da então respeitada Acig e presidente que reergueu a Facisc. Naquele tempo a referência era (como retomou hoje o protagonismo) a Fiesc de Bernardo Wolfgang Werner (Eletro Aço Altona).

      Os donos da cidade de Gaspar não queriam esta mudanças. Perderam. A cidade estava, guardadas as devidas proporções, tão ou muito pior do que estaria hoje.

      Um grupo de profissionais, ajustou o município em dois anos dos quatro do governo de Francisco Hostins. O que fez o grupo que manda até hoje na cidade, viu defeito, e tinha, sempre conheci e nunca neguei isto, desqualificou os administradores profissionais, pois ameaçavam a nova ordem política.

      Hostins, sabedor do problema, ao invés de eliminar a cabeça do problema, preferiu cortar a cabeça de todos profissionais que o fizeram fama até hoje de excepecional administrador. Hostins virou MDB, sob a liderança de Bernardo Leonardo Spengler. O resto da história não preciso contar, apenas o castigo desta traição, até porque ele não fez mais nada além dos dois primeiros anos: Hostins, com a fama que os profissionais e não os donos da cidade lhe derem, nunca conseguiu mais ser eleito.

      Paulo parece que não aprendeu a lição dos políticos e dos donos da cidade para o atraso, bem como da confusão e traição que testemunhou na sua juventude do gabinete da própria prefeitura. Ainda há tempo. É só não repetir o passado. Mas, está caminhando na mesma trilha.

  3. Pagador de Impostos

    Interessante

    É que o único motivo para dois envolvidos terem restrição de liberdade, com tornozeleira é uma obra licitada e em andamento no atual governo….

    1. Obrigado pela leitura e participação. Mas, supondo que esta observação seja procedente, há pelo menos um único motivo e ele foi considerado na jurisdição que assim determinou esta medida cautelar. E o leitor acha que isto é pouco? É preciso uma penca para demonstrar que são reincidentes e do ramo? A Lei não diz claramente, ao menos até agora, que deve ser considerado o indiciado – capaz de desmanchar provas e constranger testemunhas – por um ter praticado um único delito tipificado e apurado no curso da investigação.

  4. SUPREMO TORNOU-SE COMITÊ DE ACERTO DE CONTAS POLÍTICAS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Houve um tempo em que os brasileiros podiam contar com a ortodoxia do Supremo Tribunal Federal na defesa de direitos básicos, como o de livre expressão e crítica e o de não ser submetido a arbitrariedades por agentes do Estado.

    As barbaridades de analfabetismo constitucional vinham de outros lugares, mas eram corrigidas na corte. Agora, extravagâncias partem do próprio tribunal.

    O julgamento que converteu o pastor Silas Malafaia em réu, sob a acusação de injuriar os generais do Alto Comando do Exército, é apenas o exemplo mais recente de que as garantias civis podem ser flexibilizadas quando a motivação é acertar contas com adversários políticos de ministros.

    Num comício na avenida Paulista em abril de 2025, o líder religioso ligado ao bolsonarismo chamou os oficiais militares da mais alta patente de “cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos”.

    Atendendo a representação do comandante do Exército, Tomás Paiva, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, denunciou o pastor evangélico por calúnia e injúria perante o Supremo. Mas Malafaia não tem foro no STF e poderia ser processado apenas no primeiro grau do Judiciário.

    Em vez de corrigir o descaminho e rejeitar a ação por violar o princípio do juiz natural, o Supremo aprofundou o caráter kafkiano do caso. A ação foi parar, sem o sorteio de praxe, no gabinete do ministro Alexandre de Moraes.

    Uma hermenêutica tortuosa fez conexão entre a denúncia por ofensa a militares e o famigerado inquérito dos superpoderes, aberto a mando de Dias Toffoli em 2019 para apurar desinformação contra membros da corte, de cuja relatoria foi incumbido Moraes também pelo “dedazo” do então presidente do tribunal.

    Não por acaso, o mesmo inquérito interminável de mil e uma utilidades foi invocado por Gilmar Mendes para enquadrar o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) por veicular sátiras com bonecos alusivos a ministros do STF. Zema, como Malafaia, não tem foro especial e não pode ser investigado na corte.

    Também sem prerrogativas para ser alvo de ministros de Brasília, um jornalista do Maranhão que publicou reportagens críticas ao uso de carros oficiais por familiares de Flávio Dino sofreu devassa ordenada por Moraes.

    Tais desvios recorrentes do devido processo legal escancaram a metamorfose do tribunal. Todos os seus críticos, mesmo os desprovidos de poder estatal e de mandato, estão sujeitos a cair na teia de repressão da corte.

    Alguns ministros tentam escrever uma nova Constituição, diferente da que a democracia consagrou. No texto de 1988, os cidadãos são o foco das garantias de liberdade, e as autoridades atuam como coadjuvantes encarregadas de servi-los. A versão deturpada nos gabinetes inverte os papéis.

    Eleva alguns agentes públicos à condição de demiurgos do povo, imunes à responsabilização. Questioná-los pode ser perigoso.

  5. JUSTIÇA MILITANTE NÃO É JUSTIÇA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    “Nós, vermelhos, temos causa”, declarou, em confissão nada sutil, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, em evento para seus colegas. Talvez embevecido pelos aplausos, Mello foi além e introduziu uma clivagem moral: assim como os “vermelhos” têm “causa”, os “azuis” teriam “interesses”. De um lado, quem luta pelos vulneráveis; de outro, os títeres do “capitalismo selvagem e desenfreado”. Mais do que denunciar uma mentalidade de diretório acadêmico, esse tipo de divisão tem consequências. Ela autoriza uma atitude que inclina o julgamento. A neutralidade, que deveria ser condição primária do ofício de julgar, é vista como obstáculo.

    Não surpreende a leitura da Constituição de Sua Excelência: “Nós temos uma Constituição democrática social de direito. Nós não temos uma Constituição liberal”. Falso. Em nenhum momento o constituinte fez essa escolha. A Carta consagra tanto direitos sociais quanto a livre iniciativa, a propriedade e a liberdade contratual (ainda que regulada). Se esse equilíbrio é ignorado, é apenas para satisfazer a preferência – ou a vaidade – de quem julga. “Alguém tem direito de mudar a Constituição porque acha que não é esse o caminho?”, pergunta-se Mello em tom de denúncia a adversários imaginários (os “azuis”), mas que descreve com precisão o que se pretende legitimar: uma Justiça que atua não como instância de aplicação da lei, mas como agente de correção social.

    Imbuídos dessa missão redentora, os juízes do trabalho criam categorias jurídicas inexistentes, evisceram a reforma trabalhista, impõem obrigações não previstas em lei, anulam acordos coletivos, ignoram precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e tratam súmulas e teses internas como superiores à legislação.

    Mello se pergunta como o Judiciário pode “contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do nosso país”. Tribunais não têm esse papel. Não definem política econômica, não calibram incentivos, não respondem por resultados agregados. Seu impacto vem de outro lugar: previsibilidade, respeito a contratos, coerência nas decisões. Ao ignorar essas funções, a Justiça do Trabalho contribui para o subdesenvolvimento do País.

    Num cenário em que a lei diz uma coisa e os juízes, outra, o volume de ações trabalhistas, que havia recuado após a reforma, voltou a crescer desenfreadamente. Para custear disputas judiciais (exorbitantes na comparação internacional), as empresas consomem dezenas de bilhões de reais drenados de investimentos, inovação, expansão e folha. O custo opera como um tributo, mas, ao contrário dos impostos formais, varia conforme o humor dos togados.

    Outras economias enfrentam conflitos semelhantes sem recorrer a esse grau de judicialização. Negociação coletiva, mediação e arbitragem ocupam espaço relevante. O Judiciário entra quando há descumprimento de regras e pactos, não para redesenhar o conteúdo das relações. No Brasil, a porta de entrada é quase sempre o processo. E quando ele é orientado por “causas” que se sobrepõem à lei, amplia a incerteza.

    Se a regra muda ao longo do tempo, contratar torna-se decisão de alto risco. A Justiça do Trabalho não só trata o trabalhador como hipossuficiente como, a pretexto de protegê-lo, produz o oposto: mais informalidade. Os trabalhadores pagam com menos empregos; os consumidores, com preços maiores; a economia, com menor crescimento; e os contribuintes, com mais impostos para bancar uma Justiça paquidérmica. A propósito, em 2025, os justiceiros sociais da Justiça do Trabalho receberam R$ 1 bilhão acima do teto constitucional. Só em março, entre salário e penduricalhos, o contribuinte pagou R$ 127 mil ao sr. Mello.

    A Justiça do Trabalho, mesmo sendo uma excentricidade brasileira, pode, desde que seriamente reformada, ser peça relevante do sistema jurisdicional. Mas sua relevância não está em “lutar” por um resultado, e sim em oferecer um parâmetro estável para todos. A confiança não nasce de declarações de intenção, muito menos de “causas”, mas de decisões previsíveis, coerentes e ancoradas na lei. Sem isso, a credibilidade se desintegra, e o custo sobre quem trabalha e produz só aumenta.

  6. Nos Estados Unidos os irmãos pagam pedágio alto por suspeitas de corrupção e cartel. Sem choro e vela. No Brasil, são compensados e perdoados por canetaços do STF e órgãos de fiscalização.

    O SUJEITO OCULTO, por Malu Gaspar, no jornal O Globo

    Até onde se sabe, a pauta do encontro de Lula e Donald Trump, marcado de última hora para hoje, será tomada pelos assuntos “de sempre”: a investigação sobre concorrência desleal envolvendo principalmente o Pix, a exploração das terras-raras e o combate ao crime organizado na América Latina, incluindo o impasse sobre considerar Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital organizações terroristas.

    Embora não se saiba ainda ao certo por que se decidiu fazer a reunião agora, nem seja possível antecipar os resultados, é fácil concluir que os dois presidentes procurarão tirar dividendos eleitorais da ocasião.

    Ambos enfrentarão eleições neste ano — Trump para Legislativo e governos estaduais, Lula pela reeleição — e precisam dar uma guaribada na imagem. Trump está enfiado no atoleiro que virou a guerra com o Irã e Lula numa crise de governabilidade depois da rejeição de Jorge Messias como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Mas, apesar do otimismo que as assessorias dos dois fizeram questão de espalhar, incluindo o “vazamento” de um “I love you” de Trump a Lula ao telefone, uma sombra surgiu nos últimos dias: o grupo JBS, dos irmãos Batista.

    Joesley Batista é hoje um dos maiores empresários dos Estados Unidos e, dos brasileiros, o mais próximo de Trump. Despejou US$ 5 milhões na festa da posse e se tornou próximo de figuras do círculo íntimo do presidente. Foi, ainda, um dos principais artífices da primeira reunião entre Lula e Trump depois do tarifaço, em outubro passado na Malásia, e, segundo reportagens da BBC e da CNN, deu também um empurrãozinho para o encontro de agora acontecer.

    Só que, um dia antes de confirmar oficialmente a agenda com Lula, o governo Trump anunciou conduzir uma investigação antitruste contra as quatro maiores produtoras de carne do país, que concentram 85% do mercado. O chefe do Departamento de Justiça (DOJ), Todd Blanche, ofereceu recompensas a quem apresentar evidências de crimes cometidos pelos frigoríficos. E a secretária de Agricultura, Brooke Rollins, citou expressamente as brasileiras Marfrig e JBS como ameaça aos Estados Unidos e à segurança alimentar dos americanos:

    “Uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e tem histórico documentado de corrupção e atividades ilícitas. A realidade brutal é que essa propriedade estrangeira de frigoríficos tem sido associada não apenas a corrupção, mas também a cartéis e, recentemente, ao trabalho escravo, o que já é ruim por si só, mas também prejudica os grandes fazendeiros e consumidores”.

    A inflação da carne é um enorme problema para Trump, e a concentração de mercado no setor tem sido alvo de protestos frequentes dos agricultores — os rednecks, eleitorado tradicional dos republicanos. Desatar esses nós é questão de sobrevivência política, e o anúncio da investigação às vésperas da visita de Lula faz a gente se perguntar se Trump não poderia, num arroubo, aproveitar a reunião para faturar junto ao público interno, atacando os “vilões brasileiros” do momento.

    Os diplomatas de Lula não acreditam nessa hipótese, e empresários próximos de Joesley relatam que ele tampouco teme que a investigação vá longe. Aposta, evidentemente, na relação que construiu com Trump e seu entorno. Entendidos em trumpismo tanto nos Estados Unidos quanto aqui também avaliam que a ofensiva contra os frigoríficos pode ser muito mais uma forma de dar satisfação à base indignada do que uma guerra com consequências reais.

    Pode ser, mas, tratando-se de Trump, nada é garantido, até porque seu governo está compartimentado em grupos que não se coordenam e muitas vezes se detestam. A investida contra os produtores de carne brasileiros é obra de Peter Navarro, o influente idealizador do tarifaço e um nacionalista ferrenho, obcecado por combater a influência chinesa no mundo.

    Além disso, o discurso da secretária de Agricultura mostra que nem ela e nem o pessoal do DOJ esqueceram que, em 2020, o grupo dos Batistas fechou um acordo para pagar US$ 128 milhões à Securities and Exchange Commission, a CVM americana, e ao DOJ para encerrar processos por corrupção, falhas nos controles e registros contábeis e práticas anticoncorrenciais.

    Foi só depois disso que Joesley e companhia puderam lançar ações em Wall Street e se tornar uma potência com faturamento de US$ 28 bilhões, 90 fábricas e 70 mil funcionários só nos Estados Unidos. É um poderio capaz de fazer qualquer presidente se curvar, tanto lá como cá, mas que também serviria como um belo pretexto para guerra de narrativas geopolítico-eleitoral — ainda mais no Trumpverso

  7. Tudo misturado, fora do controle, contra o cidadão e com aval dos representantes do cidadão no Legislativo. Eles, oficialmente, estão dando as chaves da porta para o aumento da corrupção, advocacia administrativa, para carteis, crime organizado disfarçado de lícitos e os mesmos poderosos de sempre: os deputados federais e os senadores. Os exemplos dessa mistura tóxica dos conhecem e não precisa sair do Supremo para se chegar a outras esferas onde as coisas se misturam por debaixo do pano. Não é o Brasil que perdeu a vergonha na cara, mas o brasileiro que permite e dá carteira para privilegiados os encurralem oficialmente e as leis sejam apenas instrumentos para os podem corromper ou estejam na mesma panelas de poderosos interesses que partilham vantagens entre os mesmos.

    ADVOGADOS DA UNIÃO QUEREM PERMISSÃO PARA FAZER BICO NO SETOR PRIVADO, por Adriana Fernandes, no jornal Folha de S. Paulo

    Um abre alas geral e institucionalizado para o popular bico no trabalho. É o que querem os advogados da União, procuradores da Fazenda Nacional, procuradores federais e procuradores do Banco Central.

    Os servidores dessas carreiras jurídicas federais poderão advogar no setor privado, fora das suas atribuições funcionais, caso a tramitação de um projeto, aprovado nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça, avance no Congresso.

    Querem o melhor dos mundos dos setores privado e público.

    Essas carreiras jurídicas do serviço público já têm direito a estabilidade no emprego e honorários de sucumbência, as verbas pagas pela parte perdedora em processos judiciais e rateadas entre eles. Além de outras regalias, como a ampliação do auxílio saúde para academia e práticas esportivas.

    Só em honorários de sucumbência, em 2025 os membros da AGU receberam R$ 6,1 bilhões. Um recorde turbinado por pagamentos de verbas retroativas e auxílios de alimentação e saúde —quase o triplo do montante pago em 2024.

    A dupla função entre o público e o privado expõe o servidor a conflitos de interesse, risco de uso de informações privilegiadas e comprometimento no horário do expediente.

    Mesmo que o projeto estabeleça salvaguardas importantes, como a proibição de advogar contra o setor público, o controle dessas restrições é de difícil implementação.

    Caberá à AGU publicar na internet a lista atualizada de todos os profissionais que optarem por exercer a advocacia privada. Mais trabalho para os órgãos de controle, como a CGU (Controladoria-Geral da União).

    O projeto, de 2016, é do Executivo e foi votado uma semana depois do atual AGU, Jorge Messias, ter seu nome vetado para o STF e em meio à pressão da sociedade contra os privilégios no serviço público escancarados pelos chamados penduricalhos.

    Mesmo após a decisão do STF que limitou o pagamento dessas verbas extras, tribunais de Justiça e ministérios públicos discutem criar novos penduricalhos.

    Desafiam a todos. Penduricalhos e privilégios são como praga e proliferam facilmente em Brasília.

  8. LULA E O “SISTEMA”, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    A grande surpresa do longo e pouco empolgante pronunciamento de Lula no Primeiro de Maio foi o apelo a um expediente tão gasto quanto capcioso para tentar explicar as recentes derrotas no Congresso e a dificuldade de implementar sua agenda de governo: na falta de outra justificativa, o presidente resolveu culpar o “sistema”.

    Não dá para colocar na conta de um desabafo circunstancial tamanha inflexão política e retórica. Afinal, se há um político que não só foi forjado no sistema, como praticamente passou a defini-lo, este é Luiz Inácio Lula da Silva. Ele refundou um sindicato, fundou uma central sindical, depois um partido, foi candidato em quase todas as eleições presidenciais desde a redemocratização, foi deputado constituinte… Na última campanha, fez um apelo justamente ao “sistema”, encampando a defesa de instituições que haviam sido atacadas, perseguidas ou enfraquecidas por Jair Bolsonaro.

    No cenário internacional, Lula tem tentado se diferenciar de Donald Trump e similares ao pregar o fortalecimento de organismos multilaterais, justamente o “sistema” erigido após a Segunda Guerra Mundial para reconstruir a governança global e reconfigurar as relações entre países e blocos geopolíticos.

    Tudo o que o PT e a esquerda vêm denunciando nas últimas eleições é o risco de fatias cada vez maiores do eleitorado serem seduzidas por discursos que pregam a redução drástica do Estado e dos impostos ou soluções fáceis e baseadas na apologia do individualismo, justamente por parte daqueles aventureiros que usam a lábia “antissistema” com forte apelo nas redes sociais.

    Portanto, cabe entender que sistema é esse de que Lula se queixa por não deixá-lo governar. Suas recentes derrotas graves no Congresso se devem ao fato de, além de não ter conseguido eleger coalizão majoritária, ter perdido apoio ao longo dos anos, por uma ruptura cada vez maior entre sua agenda e a do Parlamento.

    Isso pode até incomodar Lula, mas atribuir um dos pilares de qualquer democracia — a divisão de Poderes e o papel do Legislativo como parte da tomada de decisões — a um complô de um sistema obscuro é simplificador e denota enorme vazio de ideias e de capacidade de reação por parte dele.

    O outro pilar da democracia é o voto, e as pesquisas mostram que Lula ainda lidera, mas enfrenta enormes dificuldades na busca do quarto mandato. Começar, a cinco meses da eleição, a enxergar fantasmas para explicar o humor do eleitor não é nem de longe um caminho de fortalecimento da institucionalidade. Basta lembrar que o último presidente que se vendeu como antissistema, e trabalhou de fato para levar o arcabouço institucional ao colapso, chegou a colocar em dúvida a lisura das eleições.

    A falta de governabilidade de Lula tem várias razões, todas elas concretas: o descasamento de sua vitória e da escolha de Câmara e Senado predominantemente conservadores, a ineficiência da articulação política montada pelo próprio Lula, sua capitulação diante do deslocamento de poder do Executivo ao Legislativo graças às emendas, a arrogância de achar que poderia enfiar um nome como Jorge Messias goela abaixo de um Senado com esse perfil, e por aí vai.

    O presidencialismo de coalizão implica negociação constante com um Congresso cada vez mais fragmentado. A dificuldade não é nova nem exclusiva deste mandato, mas tende a ser crescente. Nos mandatos anteriores, Lula operou com habilidade dentro desse mesmo “sistema” e terminou seu segundo governo com níveis recordes de aprovação, superiores a 80%.

    As principais mudanças desde então foram, além da farra das emendas, o deslocamento da mobilização política das ruas e sindicatos para as redes sociais e a guinada conservadora da sociedade brasileira. Lidar com essas variáveis é o que se espera de qualquer um que deseje comandar o país e inseri-lo num mundo igualmente sujeito a essas condições.

    Ao se colocar como vítima de “forças ocultas” que não o deixam entregar resultados, Lula acaba investindo contra a política formal em que foi forjado e prosperou. Dos vários sinais de enfraquecimento que vem dando, esse é um dos mais notáveis.

  9. Não é só aqui em Gaspar e não é parte de um lado ideológico é uma prática de quem tem medo do que faz contra sociedade, representando-a…

    UM GOVERNO QUE GOSTA DAS SOMBRAS
    , editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Uma reportagem recente do Estadão que revelou a retenção de centenas de requerimentos de informação por um deputado do PT, integrante da Mesa Diretora da Câmara, não é um episódio isolado. Ao contrário, funciona como ponto de partida para um diagnóstico mais preocupante. Levantamento deste jornal mostra que, até poucos dias atrás, cerca de 600 dos pouco mais de mil requerimentos apresentados por deputados neste ano ainda aguardavam envio ao Executivo pelo primeiro-secretário da Câmara, deputado Carlos Veras (PT-PE). Entre eles, claro, havia pedidos sobre o escândalo do Banco Master. As explicações foram as de praxe: a Câmara afirmou que todos seguem tramitação regular e destacou o aumento do volume de solicitações, e o deputado petista sustenta que os pedidos obedecem ao fluxo institucional e atribui a demora à complexidade do processamento. Mas o fato incontestável é que os dados disponíveis indicam um represamento relevante.

    O ponto central não é apenas o número de requerimentos parados, mas o que isso representa. O requerimento de informação é um dos instrumentos mais básicos de fiscalização parlamentar. É por meio dele que o Legislativo exige dados, confronta versões e obriga o Executivo a prestar contas. Quando esse mecanismo perde ritmo, perde-se também a capacidade de controle.

    E isso não é uma abstração. Requerimentos de informação já foram decisivos para revelar inconsistências relevantes na administração pública. Durante a pandemia, por exemplo, foi por meio desse instrumento que o Ministério da Saúde admitiu ter inflado o número de vacinas anunciadas, reconhecendo que havia contratado cerca de metade das doses divulgadas oficialmente. O episódio ilustra a função prática desses pedidos: não apenas produzir informação, mas corrigir versões oficiais.

    Esse movimento no Legislativo dialoga com a atitude do próprio Executivo. Reportagens recentes mostram que, embora o governo Lula tenha sido eleito com o discurso de reconstrução institucional e ampliação da transparência, o acesso a informações públicas frequentemente depende de contestação ou pressão externa. Não se trata de fluxo aberto, mas de um processo condicionado.

    Os exemplos são numerosos. Houve tentativa de restringir o acesso a milhões de documentos de convênios no sistema TransfereGov. A divulgação de agendas da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, enfrentou resistência inicial. Informações sobre gastos públicos, como uso de aeronaves oficiais e despesas em residências oficiais, foram negadas ou limitadas. Dados sobre potenciais conflitos de interesses também sofreram restrições, revertidas apenas após questionamento.

    Há ainda um elemento estrutural no uso da Lei de Acesso à Informação. A invocação recorrente da proteção de dados pessoais, com interpretações amplas, tem aumentado na prática o alcance do sigilo. Um instrumento criado para garantir transparência passa, em parte, a ser utilizado para restringi-la.

    Quando esse cenário do Executivo se combina com o bloqueio de requerimentos no Legislativo, o problema se aprofunda. Forma-se um duplo obstáculo. De um lado, o governo dificulta o acesso. De outro, o Parlamento reduz a cobrança. A consequência é direta: menos informação disponível e menor capacidade de fiscalização.

    Não se trata de ruptura explícita nem de um ato isolado. O que se observa é um acúmulo de práticas que, somadas, produzem efeito semelhante. A transparência não é formalmente negada, mas vai sendo limitada por entraves administrativos, interpretações restritivas e inércia institucional.

    Esse padrão contraria o compromisso assumido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar a transparência após retrocessos recentes. Transparência não se afirma no discurso. Depende de acesso efetivo, resposta tempestiva e funcionamento pleno dos instrumentos de controle.

    Sem informação, não há fiscalização. E, sem fiscalização, enfraquece-se um dos pilares do regime democrático. O represamento de requerimentos e as restrições no Executivo não são detalhes administrativos. São sinais de um problema institucional que precisa ser enfrentado.

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