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INVESTIGADOR, REPÓRTER E POLÍTICO PRECISAM DE FARO PARA SE DIFERENCIAREM DA MEDIOCRIDADE NO QUE FAZEM. SE TAMPAM OS NARIZES, CORREM O ALTO E SÉRIO RISCO DE SEREM PARTE DO MAU CHEIRO

Este texto foi revisado e ampliado às 18h18min deste 09.03.2026. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, desde antes da sua indicação oficial como candidato a prefeito de Gaspar em 2024, vinha flertando – como Pedro que negou conhecer Jesus – com o perigo. Falta de sinais e advertências, não faltaram. Paulo, eleito e se achando imune, preferiu os embalos de gente que mais parece o querer exposto do que realizador. 

Este teimoso e continuado flerte se tornou, outra vez, um problema anunciado na sessão de terça-feira passada da Câmara, quando um aliado da campanha, mas que não serviu mais no mandato, o vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil (foto abaixo), resolveu apenas fazer um dos papéis básicos de um vereador, o de fiscalizador do Executivo.

O vereador Thimoti entornou o caldo com o próprio veneno que Paulo – e seus palanqueiros de oportunidade – arrumou para os adversários que bem derrotou com 52,98% dos votos válidos naquele outubro de 2024.

Uma CPI, a do capim seco (foto de abertura), foi criada como espetáculo – daquilo que já estava bem apurado na polícia especializada contra a corrupção, de Blumenau – para ser uma cortina de fumaça às queixas dos eleitores e eleitoras pela falta de números, ações e resultados e que um ano e três meses depois, ainda não se tem à bancada bolsonarista na Câmara – a um custo aos gasparenses de mais de R$100 mil de despesas, sendo a metade disso, com uma empresa de consultoria para conferir as medições e cobranças irregulares das roçadas no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.

Com a métrica e método da consultoria e da CPI, o vereador Thimoti causou um mal estar e até, uma “surpresa” à base governista e principalmente, à líder de governo, a policial e relatora da CPI, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Mostrou que em menor proporção, e com outra empresa contratada pelo novo governo, tudo continuava o mesmo: errado. Espantoso.

FALTA DE FARO OU NARIZES TAMPADOS?

Volto ao título. Investigadores, repórteres e políticos, entre outros, mas principalmente neste quadro de análise, precisam de faro para se diferenciarem na mediocridade de seus pares e com isso, serem reconhecidos.

O investigador de fama Paulo (foto ao lado), a política-policial Alyne e os escolhidos a dedo para a proteção do governo – incluindo os que tinham a obrigação de fiscalizar estes relatórios e pagamentos, pois sabiam que tinham mexido com um ninho de maribondos de fogo quando armaram a CPI -, falharam neste básico cautelar. Impressionante.

Eu sabia deste assunto na semana anterior da denúncia. E, preventivamente, aguardava os documentos e não apenas dicas de números e fatos que terceiros me passaram.

Ora, se eu sabia disso, é impossível que Paulo, o investigador de fama de mais de 30 anos e o seu entorno de confiança que ele nomeou para lhe proteger no governo, não sabiam. Igualmente, a líder de governo que frequenta a Câmara onde este assunto já tinha subido no telhado.

REAÇÃO TORTA

A melhor reação veio no calor da denúncia em plenário.

Os vereadores do PL que se manifestaram, constrangidos e sem outra alternativa diante dos documentos, reafirmaram – e não poderia ser diferente – a busca de esclarecimentos e punições a quem tiver responsabilidade nos fatos relatados e documentados por Thimoti.

A líder do governo, Alyne, ao final da sessão, transmitiu a mesma posição de Paulo. Os “novos” governistas do PP, calados (José Hilário Melato, presidia a sessão na saída antecipada de outro governista, Ciro André Quintino, MDB).

Mas, o governo Paulo – e sua comunicação torta que está na terceira titular em um ano e três meses de governo – apostou no esquecimento do assunto. E diante da pressão que tomava conta cidade via redes sociais e principalmente aplicativos de mensagens, não restou outra alternativa e Paulo apareceu na sexta-feira no jornal matinal da 89 FM comandado pelo dono dela, Joel Reinert e o repórter Paulo Flores.

Outra vez, Paulo estava soltando fogo pelas ventas, como se ele fosse vítima e não parte do problema. Se dizia limpo no passado e presente.

Ora, isto não está em discussão neste momento e ninguém ousou colocar a honra de Paulo em jogo, mas a correção de um erro, ou algo pior: a perpetuidade do erro. Simples assim! Paulo quer punição, o que é certo, mas tardia, pois era evitável, e na comunicação pouco clara, deixa transparecer vingança, incluindo aos que divulgam ou cobram soluções do seu governo. E é aí que começa outro erro.

Paulo, precisa entender e principalmente, compreender, que ele foi desmoralizado não por adversários, mas por aliados que ele descartou – por agir com o fígado e por maus conselhos e péssimas avaliações táticas – e dentro do próprio governo que permitiu este – e tem muitos outros –  erro, o qual a cidade já tinha rejeitado amplamente nas urnas em outubro de 2024, quando o elegeu. Inacreditável.

PAULO PRECISA REINVENTAR O GOVERNO

Na entrevista à 89 FM, Paulo disse que ficou indignado por não ter recebido antes no gabinete dele estas denúncias para que ele próprio tomasse as providências que o caso exige.

Cômico. Lembram-se do piti da secretária de assistência Social, Neusa Pasta Fillizeti? Pois é. O piti dela deu resultados para ela. Espera-se que o piti da roçada denunciado pelo vereador Thimoti – um braço político do alijado vice-prefeito, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, também promova mudanças urgentes e que estão na cara de todos em Gaspar, em todo o governo e para Paulo, principalmente.

Investigador, repórter e político que se preza, precisa sentir o faro.

Quem fechou o gabinete do prefeito? O próprio Paulo. A própria líder do governo, Alyne, policial há 28 anos, diz – em plenário e está gravado – que não tem acesso ao gabinete e informações, imagina-se outros vereadores.

A reclamação é igual de outros vereadores da base governista bolsonarista. Imagina-se aos adversários. E em coisas que deviam estar explícitas, atualizadas no Portal da Transparência e que é um deboche sem par para a cidade e seus cidadãs e cidadãs pagadores de impostos.  O gabinete embarriga vergonhosamente nos prazos e conteúdos os requerimentos com pedidos de informações dos vereadores e mesmo assim na entrevista Paulo fala em canal aberto e transparência? Credo!

E a quem entregou Paulo a chave do gabinete dele? A Pedro Inácio Bornhausen, PP, ex-chefe de gabinete de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP. Pode não ser, mas é o melhor sinal de continuidade do atraso. Isto é imagem. Isto é percepção. A cidade inteira acha que isso é dessa forma e proposital.

E é Pedro (foto ao lado) quem comanda, em nome de Paulo, com o grupo de Blumenau, indicado pelo ex-prefeito de lá, e secretário estadual de Defesa Civil e Proteção, candidato à Assembleia Legislativa, Mário Hildebrandt, PL, um núcleo duro de decisões com Michael Jackson Schoenfelder Maiochi (Planejamento Territorial) Júlio Augusto de Souza Filho (Procuradoria Geral) e Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha (Fazenda e Gestão Administrativa) onde tudo é decidido, sem que haja qualquer integração intra-equipe, minimamente obrigatória em qualquer gestão, seja ela pública ou privada. Tudo trava. Tudo é segredo.

É aí que está o nó górdio. Aliás, já expliquei o que é isto e como se resolve, ou na mitologia, foi resolvido.

Paulo perdeu o faro, ou tamparam o nariz dele. A exposição e demissão (“a pedido”) do empresário gasparense idôneo Nelson Mário Küstner, da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, foi o sinal trocado que levou a este – denunciado por Thimoti – e outros erros que ganharam os ouvidos e narizes da cidade.

O corte da cabeça de Nelson salvou de responsabilidade um processo viciado que se fazia ao tempo de Kleber, que não construído por Nelson, mas avalizado como “sempre foi feito assim”. Nelson foi instruído e levou a culpa sozinho. E Paulo, não fez até agora, à assepsia dos verdadeiros culpados. Continua, por isso, vulnerável. E vem mais.

Se Paulo insistir naquilo que já o expôs, de forma repetida e tentar se vingar em quem esclarece tudo isso, o novo escândalo já está contratado. Quem mesmo orienta Paulo, ou ele não se deixa orientar? Investigador, repórter e político precisam de faro para sobreviverem e se livrarem das mesmices. Muda, Gaspar! Boa semana a todos.

TRAPICHE

Deboche.  A publicação pessoal do sub-secretário de Fazenda e Gestão Administrativa de Gaspar, André Moura da Cunha, sobre esta semana de desafios, dá o tom dos importados do governo de Paulo Norberto Koerich, PL.

Não chamem para a mesma, os amigos de partido e tramas políticas, o presidente do Samae (funcionário efetivo) e ex-vereador, Cicero Giovane Amaro, PL (estava no PSD) e o presidente do PSD, o vereador Giovano Borges.

Saiu, finalmente, há dez dias da comemoração dos 92 anos de emancipação de Gaspar de Blumenau, a programação. Pobrinha. Reflete um ano de governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Sintomático.

Treta. A secretaria de Obras e Serviços Urbanos informou aos vereadores que se interessaram pelo assunto, de que a contenção de enchentes do Sertão Verde não possui projetos e verbas. Projeto, pode até não ter e isto reflete um problema comum e recorrente. Verba? pelo menos R$400 mil arrumados pela vereadora Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos. Muda, Gaspar!

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16 comentários em “INVESTIGADOR, REPÓRTER E POLÍTICO PRECISAM DE FARO PARA SE DIFERENCIAREM DA MEDIOCRIDADE NO QUE FAZEM. SE TAMPAM OS NARIZES, CORREM O ALTO E SÉRIO RISCO DE SEREM PARTE DO MAU CHEIRO”

  1. OS MUITOS REFÉNS DE VORCARO, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    À medida que o caso Master cresce e seu desfecho se torna mais imprevisível, aumenta o número de reféns desse que já é um dos maiores escândalos político-financeiros da História do Brasil. A cúpula dos três Poderes encabeça a lista daqueles cujo destino imediato está atrelado ao desenlace das investigações.

    A passagem de Edson Fachin pela presidência do Supremo Tribunal Federal será contada, no futuro, pela resposta institucional que ele conseguir dar ao enredamento de dois dos integrantes da Corte na teia de Daniel Vorcaro. A nova rodada da pesquisa Meio/Ideia ajuda a mostrar o tamanho da encrenca.

    O STF é a instituição mais associada ao escândalo: 35% citam a Corte, ante 21% que apontam o governo federal e 18% que escolhem o Congresso. Para 70%, a credibilidade do Supremo já está abalada pelo episódio, e 44% dizem que a defesa de impeachment de ministros da Corte aumentará a chance de votar num candidato ao Senado.

    O que era uma percepção difusa agora ganha contornos estatísticos: a falta de explicações cabais e críveis da ligação de Alexandre de Moraes com Vorcaro tisnou até a percepção a respeito da condenação de Jair Bolsonaro. Nesse levantamento, 54% dizem não acreditar que o ex-presidente tenha tramado um golpe de Estado.

    Até aqui, Fachin tem mandado recados em público e mantido conversas em privado que não parecem ter força suficiente para conscientizar o conjunto dos ministros de que agir como sempre, com o corporativismo costumeiro, não é uma possibilidade diante desse caso.

    O julgamento pelo plenário virtual da Segunda Turma a respeito da prisão de Vorcaro e das demais decisões cautelares do relator André Mendonça será decisivo. Se Dias Toffoli levar adiante sua disposição de votar normalmente como se nada o impedisse e se a maioria mandar soltar o ex-banqueiro, o colegiado lançará o tribunal num novo patamar de desmoralização.

    Para Lula, a equação não parece menos complexa de resolver. Uma pista importante sobre o impacto político do episódio aparece em entrevista recente do cientista político Alberto Almeida ao editor Thiago Prado, do GLOBO. Ele diz que o desgaste do caso recai mais fortemente sobre o presidente que sobre a direita e seu candidato, Flávio Bolsonaro, ainda que ele não tenha nenhuma ligação direta com Vorcaro e seu banco.

    Almeida, interlocutor histórico da esquerda, afirma que Lula hoje seria “favorito para perder”. São vários os analistas que têm se debruçado sobre a dificuldade global de incumbentes se reelegerem em cenários de alta polarização. As últimas rodadas de pesquisas têm comprovado a tendência, ao mostrar uma situação de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, até então tachado pela esquerda como fácil de derrotar.

    Não se trata apenas de perda pontual de apoio do presidente, mas da reativação de um sentimento difuso de desconfiança na política e nas instituições, e de associação de Lula e do PT à corrupção. Esse efeito ocorre porque o caso Master acabou funcionando como catalisador de uma narrativa já presente no debate público: a da proximidade excessiva entre política, Judiciário e disputas de poder.

    No Congresso, a contaminação generalizada pelo vírus Vorcaro funciona para um pacto silencioso contra investigações mais incisivas. Todo mundo trabalha para que as duas CPIs que acabaram tangenciando o assunto terminem logo e para que uma específica não seja instalada.

    A dificuldade da direita de surfar totalmente essa onda, para desgastar Moraes e Lula, decorre do fato de o bolsonarismo também não sair incólume do episódio: Fabiano Zettel, braço operacional de Vorcaro e também preso, foi o maior doador individual de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022.

    Crises institucionais prolongadas e generalizadas raramente produzem vencedores claros. Em geral, deixam como saldo o enfraquecimento difuso das instituições, exatamente o cenário de que o país menos precisa às vésperas de uma disputa presidencial.

  2. FLÁVIO BOLSONARO SURPREENDEU, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    A notícia não podia ser pior para o PT. Numa simulação para o segundo turno, o Datafolha mostrou que Lula (46%) e Flávio Bolsonaro (43%) estão tecnicamente empatados. A avaliação negativa do governo chegou a 40%, e 49% desaprovam o trabalho de Lula. Quando se vai para a rejeição, estão novamente empatados: Lula (46%) e Flávio (45%).

    Lula já surfou com sucesso noutras pesquisas, e faltam sete meses para a eleição. Flávio até agora jogou parado, à sombra do pai preso.

    Podem-se atribuir os números do Datafolha à polarização que envenena as eleições desde 2018. Os números do terceiro mandato de Lula revelam que há algo de injusto nesse empate com Flávio. A economia anda de lado, mas o Brasil saiu do Mapa da Fome, a renda dos trabalhadores melhorou, e o desemprego caiu a níveis inéditos.

    Uma explicação pode estar no próprio Lula. Três dias depois da divulgação do Datafolha, ele recebeu o presidente da África do Sul e repetiu sua encíclica diplomática. Faz campanha no Itamaraty e tomou gosto pela autolouvação (71% dos entrevistados pelo Datafolha condenaram o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói). Ulysses Guimarães ensinava que o Itamaraty só dá votos no Burundi.

    O silêncio e o absenteísmo de Lulinha começam a pesar mais para Lulão que o encarceramento de Jair Bolsonaro para o desempenho de seu filho. Pode-se achar que há uma desproporção nesse resultado, mas assim é a vida. O silêncio de Lulinha tornou-se um peso morto para o pai.

    A ascensão surpreendente de Flávio será mais um estímulo para que a Faria Lima faça sua escolha. Lula recebeu Daniel Vorcaro numa brecha de sua agenda. O banqueiro foi levado ao presidente pelo ex-ministro Guido Mantega, seu consigliere. O simples fato de Mantega estar no Planalto comboiando Vorcaro seria suficiente para os assessores de Lula dizerem que os dois seriam recebidos se a audiência tramitasse pelos devidos canais. Só a onipotência explica esse encontro. Lula acautelou-se colocando testemunhas na conversa. Sabendo o que sabia do Banco Master, teria feito melhor recusando-se a receber Vorcaro.

    Onipotência, na política, é prima do salto alto, e são vários os conhecedores de Brasília que se revelam surpresos com a altura do salto petista. Lula tem sete meses para calçar as sandálias da humildade.

    Só o tempo explicará a decisão de Lula de atirar o ministro Fernando Haddad na frigideira de uma disputa com o governador Tarcísio de Freitas. Enquanto o governo de Lula tem 40% de desaprovação, o de Tarcísio tem 45% de aprovação.

    Lula 3.0 cultiva uma agenda internacional que coleciona o êxito da neutralização do estrago feito pelos bolsonaristas na Casa Branca, envenenando a relação de Donald Trump com o Brasil. A volatilidade do presidente americano recomenda que esse sucesso seja sorvido com cautela.

    Flávio não poderá ir longe jogando parado. Sua primeira bola de ferro será a defesa de uma anistia para o pai, rejeitada por 54% numa pesquisa de setembro de 2025.

  3. Quando não fazemos o dever de casa, deixamos a porta aberta para os vizinhos meter a colher e com boas desculpas. Todos nós estamos fartos de roubalheiras do crime organizado e que pelo visto, saiu dos morros e Faria Lima e se instalou nas instituições, que deveriam ser, mas hoje, estão tão falsamente livres de qualquer suspeitas. E aí de quem as questionem. Aos tolos pagadores de cada vez mais altos pesados impostos, resta apenas a conta da derrama para os bandidos disfarçados de autoridades.

    UMA NOMA AMEAÇA AO BRASIL, por Marcelo Godoy, no jornal O Estado de S. Paulo

    Diante de Stephen Miller em Doral, na Flórida, havia uma plateia de ministros da Defesa e generais de 16 países da América Latina. O vice-chefe de gabinete do presidente dos EUA defendeu, no início de sua fala de nove minutos, transformar as Forças Armadas da região em caçadores de bandidos e de imigrantes ilegais, degradando militares e submetendo a soberania dos países aos interesses americanos.

    “Sob a liderança do presidente Trump, estamos usando o poder coercitivo, o poder militar, a força letal para proteger e defender a pátria americana”, confessou. As palavras têm seu peso.

    Miller é belicoso; na Itália, seria chamado de guerrafondaio e em sua terra, de warmonger. Enfim, é claro que por trás da pregação contra os cartéis e do Escudo das Américas criado por Trump está a competição com a China por mercados e… lucros.

    Miller quer fazer crer ao público que compra blusinhas pela internet que agora se canta Ch’i Lai nos morros e comunidades em vez de funk e pagode… Disse Miller: “Assim como combatemos a Al-Qaeda e o ISIS com armas extremamente letais, a razão pela qual esta é uma conferência com líderes militares e não uma conferência de advogados é porque essas organizações só podem ser derrotadas com o poder militar”. E seguiu ainda: “Vejo cabeças assentindo porque – tenham certeza – entendo que vocês estão lidando com muitos advogados em seus próprios países. Vocês têm minha permissão para não escutá-los”.

    Sim. É isso. Um assessor de Trump incitou chefes militares ao desrespeito à lei; quer que eles cometam em seus países crimes que a Justiça dos EUA pune com a cadeia. Miller revela apenas a inclinação de autoritários que pensam que lei e ordem são algo que deve ser imposto aos outros. Eles mesmos não se submetem à legalidade; preferem o uso da força. Nada mais corrupto em uma República do que o arbítrio e a desordem criada por quem deve dar o exemplo.

    Miller gosta de citar a tradição ocidental “traída pela modernidade” para justificar o uso da força. Há mais de 2 mil anos, Cícero escreveu a um juiz: “Legum (…) servi sumus, ut liberi esse possimus”. “Somos escravos da lei para sermos livres.” É esta a tradição ocidental contra a qual Miller se insurge. Lei e ordem devem ser observadas por todos; pelo STF, pelos morros, pelos policiais e pelos partidos.

    O risco para o Brasil, segundo militares consultados pela coluna, é os EUA usar o CV e o PCC como desculpa para ações que violem nossa soberania e território. E se, um dia, Miller concluir que a posse da Amazônia é necessária à segurança dos EUA? Seus apoiadores brasileiros vão chamar o Batman? Se só matar bandido resolvesse, o crime já teria acabado no Brasil.

  4. ESCÁRNIO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Há explicações que podem convencer um juiz. Outras talvez satisfaçam um cliente. E há as que não parecem destinadas a convencer ninguém – apenas a testar até que ponto o público tolera ser tratado como idiota. Após três meses de silêncio, a nota divulgada pelo escritório da mulher e dos filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para explicar o contrato com o Banco Master pertence a essa categoria.

    O Estadão consultou 13 advogados de bancas de elite e demonstrou que o contrato de R$ 129 milhões do Barci de Moraes Advogados, que teria vigorado entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 a uma remuneração mensal entre R$ 3,6 milhões e R$ 5,8 milhões, é absolutamente incompatível com o mercado. Mesmo adotando os preços do topo, o conjunto de atividades descritas na nota – reuniões, pareceres, revisão de políticas internas – dificilmente ultrapassaria R$ 7,8 milhões, no total.

    Honorários superiores a R$ 100 milhões são raros e normalmente estão associados a disputas fiscais ou operações societárias bilionárias envolvendo batalhões de advogados e múltiplos escritórios. Os especialistas questionaram ainda o gabarito técnico da banca dos Moraes nas áreas contratadas. Segundo apuração de O Globo, nunca desmentida, apenas entre 2023 e 2024 o patrimônio da mulher do ministro aumentou 232%, de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões. Um fenômeno.

    Ou Viviane de Moraes se transformou repentinamente na mais disputada advogada do Brasil, quiçá do mundo, ou todos os brasileiros estão autorizados a suspeitar que o contrato comprou serviços inconfessáveis.

    O negócio compõe um mosaico de indícios: encontros pessoais entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e Alexandre de Moraes; mensagens interceptadas pela Polícia Federal tratando de interesses do banco (incluindo no dia da prisão do banqueiro); e contatos institucionais sensíveis, como com o Banco Central. Nada disso, tomado isoladamente, é crime. Mas, no conjunto, esses indícios compõem uma base objetiva que demanda investigação imediata. O mesmo vale para os vínculos do ministro Dias Toffoli com estruturas financeiras ligadas a Vorcaro, e suas decisões judiciais enquanto relator do caso Master.

    Se fossem aplicados nesse caso os mesmos critérios que Moraes usou em processos recentes, o ministro estaria agora em sérios apuros. Moraes, por exemplo, já tratou o apagamento de mensagens em celular como ocultação de provas. Agora, há indícios de que o ministro tenha feito o mesmo com as mensagens trocadas com Vorcaro.

    Uma vez que os próprios ministros Moraes e Toffoli se recusam a expor tudo às claras, a responsabilidade de dissipar – ou confirmar – as suspeitas caberia, antes de tudo, ao Ministério Público. Mas também aqui os princípios são elásticos. Em outros episódios, o procurador-geral, Paulo Gonet, amigo e apadrinhado de Moraes, já demonstrou um zelo incomum – como no caso do empresário ostensivamente investigado após supostamente hostilizar Moraes em um aeroporto, ou do ex-assessor de Moraes que, após expor evidências de manipulações processuais pelo ministro, ao invés de ser ouvido como testemunha, foi convertido em réu. Compare essa urgência fulminante com a paciência quase geológica no caso Master.

    A percepção é de que a aplicação da lei pode variar, entre sonolenta e draconiana, conforme a posição institucional de quem está sob suspeita. Pela lógica constitucional, o poder emana do povo, aqueles que o exercem estão a seu serviço e, como bons funcionários, devem prestar contas de seus atos. Mas as autoridades togadas invertem essa lógica e tratam o poder como se fosse coisa sua, e os cidadãos como seus serviçais.

    Pior do que uma explicação implausível é a sensação de que ela foi formulada na expectativa de que ninguém ousará questioná-la. Quando autoridades acreditam poder oferecer versões que desafiam a aritmética e o senso comum sem sequer enfrentar uma investigação, algo está profundamente pervertido na ordem republicana. O ministro Alexandre de Moraes já demonstrou inúmeras vezes que seu respeito pela lei é seletivo. Poderia ao menos respeitar a inteligência alheia.

  5. Inacreditável.
    Na Câmara, vereadores governistas resolveram inovar na lógica política: agora, fiscalizar o governo virou… desperdício de dinheiro público.

    Segundo a nova tese governista, vereador que pede informação, analisa contratos ou questiona números estaria, na prática, “atrapalhando a cidade”. Curiosa interpretação do papel constitucional do Legislativo — especialmente para quem foi eleito justamente para isso.

    Mas a criatividade não parou por aí. Diante da dificuldade de explicar a paralisia administrativa do presente, a tropa governista decidiu recorrer ao método preferido deste governo: olhar pelo retrovisor. Em vez de responder sobre o que acontece hoje, foram resgatar medições e decisões da época do PT, como se a cidade ainda estivesse em 2016

    Até quem já percebeu que a atual gestão dirige Gaspar olhando mais para o passado do que para a frente deve ter ficado surpreso. Afinal, quando o governo começa a tratar fiscalização como problema, normalmente não é porque o fiscal está exagerando — é porque alguém não gosta muito do que pode aparecer quando as contas são abertas.

    No fim das contas, fica a impressão de que, para alguns governistas, a cidade pode até ficar parada… desde que ninguém pergunte por quê.

    1. Quem diria que os bolsonaristas de Gaspar eles próprios usariam a trena do PT para se livrar da inanição e da capacidade de produzirem resultados no presente e um investigador de fama, precisaria da falta de transparência para não ser fiscalizado e naquilo que está obrigado como gestor público. Muda, Gaspar!

  6. RETROCESSO TRABALHISTA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    As empresas brasileiras desembolsaram no ano passado o montante inaudito de R$ 50,7 bilhões em ações trabalhistas em 2025 —cifra que supera todo o orçamento da Justiça do Trabalho (R$ 30 bilhões) e marca um patamar inédito de custo.

    O que chama a atenção não é apenas o valor absoluto, noticiado pelo jornal O Estado de S. Paulo, mas também o fato de que esse ônus supera, em termos reais de impacto sobre a atividade produtiva, os picos verificados antes da reforma trabalhista de 2017.

    A judicialização, que a reforma pretendia conter, voltou a subir em custos, mesmo com número de ações ainda inferior ao período anterior. Em 2024, a Justiça do Trabalho recebeu 2,134 milhões de novas ações; em 2025, o total saltou a 2,321 milhões, com alta de 8,5%. Para efeito de comparação, o pico histórico ocorreu em 2016, com 2,756 milhões.

    Além de flexibilizar contratos de emprego, as mudanças buscaram desincentivar a litigância predatória ao prever que o perdedor arcasse com honorários periciais e de sucumbência.

    Em outubro de 2021, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a prática inconstitucional e determinou o limite de renda de 40% do teto dos benefícios do INSS ou ausência de condições materiais como critérios para acesso a gratuidade. Já o Tribunal Superior do Trabalho (TST) consolidou a concessão automática por mera autodeclaração.

    Ocorrem, assim, ações em tribunais diferentes, sem prova documental e com pedidos abusivos, sem consistência de decisões e aderência à jurisprudência.

    A enxurrada judicial se dá mesmo com o emprego em patamares recordes —de acordo com a pesquisa do IBGE, a taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro último, menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

    Enquanto isso, o debate sobre pejotização —a contratação como pessoa jurídica para serviços especializados— segue pendente no Supremo. O julgamento pode legitimar novas modalidades de relação de trabalho não celetista, tendo em vista a realidade do trabalho por aplicativos.

    É imperativa a necessidade de proteção efetiva ao trabalhador. Combater contratos fraudulentos que disfarçam vínculo empregatício é correto. Também é preciso reconhecer que o mundo do trabalho passa por inovação tecnológica, num contexto em que os próprios trabalhadores demandam flexibilidade.

    O equilíbrio é possível e já tarda. A reforma de 2017 foi um avanço, mas ficou pela metade. O STF tem, agora, nova oportunidade de recalibrar a gratuidade, exigindo prova objetiva de insuficiência econômica, sem fechar as portas a quem precisa. A Justiça do Trabalho deve assimilar que direitos se defendem com regras claras, previsíveis e adaptadas ao novo mundo do trabalho.

  7. UM CÓDIGO DEMOCRÁTICO PARA JORNALISTAS, por Augusto Franco, no X

    Este artigo é um esboço de proposta de código democrático para jornalistas (publicado originalmente na 98live em 03/02/2025). Talvez ajude. Talvez não. De qualquer modo, um conteúdo desse tipo deveria ser matéria obrigatória nos cursos de jornalismo.

    A função principal do jornalismo numa democracia é vigiar o poder, não ajudá-lo a se salvar (ou tentar salvá-lo de si mesmo); não ficar dando conselhos ao governo para não errar (para não ajudar as oposições), muito menos passar pano para seus erros ou investir na polarização atacando aqueles que um governo de turno elege como inimigos principais.

    Por que? Porque democracia (em qualquer concepção não-iliberal) não é propriamente sobre governo e sim sobre controlar o governo. Seja qual for o governo. E a chamada imprensa cumpre papel fundamental nesse sentido quando entende e leva à prática a conhecida máxima do saudoso Millôr Fernandes (“Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”). Em suma, o jornalismo democrático jamais pode ser colaboracionista.

    Ninguém precisa concordar com o que proponho aqui, mas creio que, com mais de meio século de atividade política – contra a ditadura e, depois, pela democracia –, tenho algumas credenciais para fazer isso. Mas advirto de antemão que não sou do “sindicato”, no sentido amplo do termo; embora também tenha publicado frequentemente na grande imprensa e participe como comentarista em programas de TV e rádio, não sou jornalista profissional, mas apenas um escritor – sem qualquer restrição de caráter corporativo para criticar e sem obrigação “ética” de defender a categoria.

    ESBOÇO DE CÓDIGO

    Neste código a palavra jornalista designa também, sempre que for o caso, colunistas, comentaristas e analistas que pontificam nos meios de comunicação profissionais.

    1 – O jornalismo democrático tem como fundamento a liberdade. Onde não há liberdade de imprensa, com múltiplos sistemas alternativos de informação e análise disponíveis, não há democracia e sim ditadura. Um (a) jornalista não poderá defender ou deixar de denunciar restrições de direitos políticos e liberdades civis, venham de ontem vierem, em especial a censura sob qualquer modalidade ou pretexto.

    2 – Press releases e briefings oficiais não são notícia, a não ser depois de serem checados, questionados, contextualizados e cotejados com o que dizem as oposições sobre os temas em tela (considerando que numa democracia as oposições – desde que não descumpram as leis – devem ser reconhecidas e valorizadas como players fundamentais para o bom funcionamento do regime). Jornalistas não serão divulgadores de matérias plantadas por agentes governamentais e partidários, em especial se visarem a deslegitimar as oposições.

    3 – Jornalistas não podem ser alto-falantes de fontes. Fontes não são provas de verdade. Jornalistas podem ter e cultivar suas fontes, mante-las no anonimato se necessário, mas não citá-las (mesmo sem nomeá-las) para corroborar a validade do que noticiam. Jornalistas devem saber distinguir fontes de “plantadores” profissionais de interpretações (considerando que existem partidos que destacam comissários, treinados ao longo de anos, para desempenhar essa função de “emprenhar pelo ouvido” jornalistas). Por medo de perder uma fonte, jornalistas não devem agradá-la, divulgando suas versões numa espécie de barganha para continuar tendo acesso a informações privilegiadas ou de primeira mão (“furos”).

    4 – Apurações não podem se resumir a consultas às fontes. Toda apuração envolve necessariamente uma investigação independente do que asseveram as fontes, ouvindo sempre diversos pontos de vista sobre os temas.

    5 – Um (a) jornalista deve manter espírito crítico em relação aos “consensos” formados nas “bolhas” dos seus colegas, profissionais de imprensa. Tais “consensos” não podem virar fatos ou substituir os fatos ou as notícias – sobretudo se desestimularem a observação imparcial e a análise isenta dos eventos de outros pontos de vista. Jornalistas não devem contribuir para que a imprensa se constitua como uma caixa de reverberação e de reprodução, repercutindo acriticamente as abordagens sobre os eventos que já fizeram jornalistas e analistas que tomam como referência.

    6 – Bastidores de eventos jornalísticos não são fofocas ouvidas ou entreouvidas nos meios oficiais. O (a) jornalista não dará curso à divulgação de fofocas, nem será porta-voz de “balões de ensaio” que interessam ao poder.

    7 – O (a) jornalista não deverá degradar sua atividade profissional virando uma espécie de “cronista da corte” (seja governamental, judicial ou parlamentar).

    8 – Jornalistas não devem ser teleguiados pelo celular, reproduzindo relatos ou interpretações que as “fontes” desejam que sejam divulgados, sobretudo quando estiverem no ar (em rádio, TV ou equivalentes).

    9 – Um meio de comunicação profissional pode até, eventualmente, ser favorável a um governo, mas jamais pode aceitar ser parte orgânica do seu esquema de governança (atuando como departamento oficioso de comunicação ou assessoria informal de imprensa de um governo). Um (a) jornalista não deve se conformar a um posicionamento desse tipo, mesmo se adotado pela direção da empresa onde trabalha.

    10 – O (a) jornalista não atuará, no exercício da sua profissão, como militante de uma causa (político-ideológica), usando um meio de comunicação como sua trincheira e acreditando que esse tipo de comportamento é eticamente justificável e democraticamente aceitável porquanto está lutando pelo bem contra o mal, pela democracia contra o fascismo, pelo povo contra as elites exploradoras, pelo progressismo contra o conservadorismo (ou o reacionarismo), pelos direitos humanos contra os abusos e violações, pela diversidade contra as discriminações de raça, etnia ou cor, de gênero, de orientação sexual etc.; ou, mutatis mutandis, vice-versa.

  8. REPÚBLICA DA CHANTAGEM: STF COBRA ALTO PREÇO PARA DEFENDER A DEMOCRACIA, por Alexandre de Borges, no UOL (Folha)

    Na última sexta-feira (6), Fernando Gabeira causou comoção nas redes sociais ao dizer, na GloboNews, que nós, analistas, temos excesso de cuidado ao comentar as complicadas denúncias que envolvem Alexandre de Moraes. Ele sugeriu que o ministro era “funcionário” de Daniel Vorcaro e completou: “a essa altura do campeonato, o Supremo devia acabar”.

    Entendo a indignação de um dos ícones do jornalismo brasileiro e suas declarações, ditas no calor das novas revelações da imprensa sobre conversas privadas do ex-banqueiro com o marido de Viviane Barci de Moraes, sócia do escritório contratado por estonteantes R$ 129 milhões pelo Master. O ministro, registre-se, negou ter conversado com Vorcaro em 17 de novembro de 2025 —data em que o empresário foi preso pela primeira vez.

    A revolta de Gabeira, um homem cordial e gentil que tive a honra de entrevistar em 2018 (está no YouTube, se você quiser conferir), é um sintoma do cansaço do Brasil com o que eu chamo de “república da chantagem”.

    Ela funciona num pacto que não foi negociado ou escrito, pairando como uma nuvem, implícito na Constituição de 1988 e inserido sem aviso prévio nas práticas e costumes do poder.

    Um pacto para o qual, até onde sei, o cidadão brasileiro não foi consultado e com o qual, claro, nunca consentiu. Se ele vier um dia a ser chamado a opinar, tenho minhas dúvidas se o brasileiro topará o acordo, ao menos como está.

    A mais alta corte do País se diz “defensora da democracia” e, inegavelmente, o foi em muitos episódios importantes da história, incluindo a recente tentativa de golpe de Estado. Mas essa conta tem um preço implícito: poderes quase ilimitados, censura e intimidação dos críticos, decisões monocráticas em série, julgamentos que envolvem escritórios com parentes de ministros que não se declaram impedidos, papel de moderador e supervisor dos outros Poderes.

    Nada disso é dito ou praticado nestes termos, evidentemente, mas quem acredita que não ocorre na prática? Quem dirá que não é um tipo dissimulado de chantagem, que cobra um preço pela alegada “defesa da democracia”?

    Não estou aqui fazendo coro com golpistas e seus satélites que desdenham do papel do Supremo em momentos decisivos como a pandemia ou a penalização dos articuladores do golpe, mas esse é seu papel constitucional e não é, na prática, nada além da obrigação.

    Seja o que for que o STF tenha feito que mereça aplausos não pode ser visto como um salvo-conduto para cobrar essa conta do país para sempre, para além do papel que cabe à corte. Ou uma desculpa para classificar qualquer crítica a um ministro específico como “um ataque” ao Supremo.

    O país não quer e não precisa de um STF que, para cumprir suas funções legais, não aceite sequer um código de conduta ou que, como lembrou Gabeira, deixe um clima persecutório no ar em que todo crítico pense dez vezes antes de se pronunciar.

    Quem não sentiu um desconforto, para dizer o mínimo, quando Kléber Cabral, presidente da Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), por determinação de Alexandre de Moraes, foi intimado pela Polícia Federal a depor como investigado depois de entrevistas em que criticou uma operação autorizada pelo ministro e disse que “é menos arriscado fiscalizar membros do PCC do que altas autoridades da República”?

    O clima de chantagem, diga-se, não pode ser exclusivamente atribuído ao Supremo. Todo o Judiciário, outro defensor da democracia, parece atrelar seus deveres a salários, proteções, vantagens e penduricalhos que, num país pobre como o Brasil, são vistos como obscenos pela população.

    Há chantagem para todo lado, a lista não tem fim.

    Empresários que defendem a democracia, mas querem regulações, proteções, juros subsidiados e contratos com o Estado.

    Congressistas que defendem a democracia, mas querem bilhões em emendas sem o devido controle.

    Partidos que defendem a democracia, mas querem fundões indefensáveis para engordar o caixa.

    Sindicalistas que defendem a democracia, mas querem intervir diretamente e arbitrar relações trabalhistas, mesmo que causem desemprego e queda de produtividade.

    Banqueiros que defendem a democracia, mas querem o fim das fintechs e um mercado preso ao passado.

    O Brasil não precisa apenas de defensores, mas quem defenda pelos motivos certos e pelo bem do país, não cobrando um preço impagável, que tira o mérito da própria defesa que dizem fazer.

    O patriotismo é, como disse Edmund Burke, o pacto das gerações que já passaram com as atuais e futuras. É difícil, parece impossível, mas não custa tentar. A alternativa é muito pior.

  9. Caro Herculano

    Paulo segue fielmente os passos de seu antigo chefe,

    Arrogantemente integrante das forças de segurança que sofreu dois processos de impeachment e passou o tempo procurando alguém para atribuir culpa ao invés de governar…

    Enquanto Paulo brinca de polícia e ladrao no gabinete, quem toca a prefeitura?

  10. Investigador ou garganteador?
    Assédio moral tá perto heim

    E Melhor é ver os vereadores tik tok tendo que fazer propaganda comercial da loja da esposa, da pitaya, da cascata, do bar.
    Por que não tem resultados para mostrar e não podem fiscalizar. E ficam chateados com os que estão fiscalizando. E se dizem contra a corrupção, de direita.

  11. VORCARO PRESO; AS INSITUIÇÕES FUNCIONAM, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    A foto de Daniel Vorcaro — sem barba, cabelos aparados, visto de frente e de perfil — divulgada pela polícia é a prova de que as instituições estão funcionando. O homem elegante que esbanjava luxo, riqueza e ostentava ligações com autoridades dos três Poderes está isolado numa cela de 9m2, num presídio federal de segurança máxima em Brasília. Sua rede de negócios fraudulentos foi desmantelada, capangas e cúmplices estão presos.

    Não foi sem percalços. Numa democracia, num Estado de Direito, os cidadãos e a própria sociedade têm sempre acesso a um último recurso, os tribunais. Ocorre que estes podem falhar — e vinham falhando até a quarta-feira da semana passada, quando Vorcaro foi preso pela segunda vez, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Este último desenvolvimento do caso decorreu do funcionamento da outra instituição da democracia, a imprensa independente, que revelou fatos graves até então mantidos sob sigilo por certas autoridades. Essas autoridades continuam em seus postos — e esse é o nó a desfazer.

    O que a polícia e os órgãos de fiscalização apanham segue para os tribunais. Nestes, há um percurso passando pelas várias instâncias, e sempre é possível que os equívocos (ou a má-fé) de umas sejam corrigidos pelas superiores. E aí caímos no Supremo, de onde não há mais recursos. Quando o STF erra — como se diz —, erra por último. Pode acontecer de o próprio STF se corrigir — o que ocorreu nesse caso, parcialmente e por obra da imprensa.

    Sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, o sigilo era regra. Ele tomou várias medidas que embaraçaram as investigações da Polícia Federal (PF), dificultando seu acesso a celulares de Vorcaro que a própria PF havia apreendido. Até que a imprensa encontrou as relações de Dias Toffoli com Vorcaro. O ministro, por meio de uma empresa laranja, a Maridt, havia recebido dinheiro de Vorcaro, indiretamente. Toffoli havia vendido sua participação no resort Tayayá a um fundo ligado a Vorcaro, num tipo de transação para não deixar rastros.

    O ministro Gilmar Mendes ainda tentou salvar o companheiro, pondo sob sigilo as atividades da empresa Maridt. Piorou a situação. Mostrou que havia algo a esconder. A posição de Toffoli tornou-se insustentável. Havia dois caminhos: ele declarar-se impedido de relatar e julgar o caso; ou o próprio STF declarar esse impedimento.

    Corporativistas, os ministros saíram pela tangente. Toffoli se afastou do caso, mas recebendo uma nota de bom comportamento dos colegas. Redistribuído, o caso caiu no gabinete do ministro André Mendonça, que devolveu a investigação à PF, sem restrições — e aí tudo andou mais depressa.

    E colocou na berlinda mais um ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ele já estava complicado desde que a jornalista Malu Gaspar, do GLOBO, pescou um contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Fora de todos os padrões da advocacia, o Master se comprometeu a pagar R$ 130 milhões, em três anos, para que o escritório tratasse das questões do banco nos tribunais e em diversas instituições, como o Banco Central.

    Procurando nessas instituições, a jornalista não encontrou uma só peça do escritório atuando na defesa ou na assessoria do Master. Mas, tendo acesso ao teor de um celular de Vorcaro, encontrou várias trocas de mensagens entre o ex-banqueiro e, segundo a jornalista, Alexandre de Moraes.

    A PF apanhou as mensagens de Vorcaro. São nove mensagens trocadas ao longo do dia 17 de novembro, data da primeira prisão de Vorcaro. Na penúltima mensagem, o ex-banqueiro, que tentava se livrar da prisão que sabia iminente, pergunta:

    — Conseguiu bloquear?

    Na última, diz montar uma operação de venda “com os gringos” para tentar evitar a liquidação de seu negócio. A resposta deixa uma pista: um sinal de positivo, um joinha.

    Moraes, como Toffoli, faz parte da última instância. Têm explicações a dar. Na sexta-feira à noite, Moraes divulgou nota dizendo que ele não era o destinatário das mensagens de Vorcaro. Não encerra o caso. No mínimo, tem o contrato milionário para explicar.

  12. STF E AS ALMÔNDEGAS, por Diogo Schelp, no jornal O Estado de S. Paulo

    Em dezembro de 2021, Ann-Christine Lindeblad, juíza da Suprema Corte da Suécia, foi flagrada tentando sair de um supermercado, sem pagar, com um pacote de almôndegas, um presunto natalino, salsichas e queijos. Foi aberta uma investigação policial e, menos de dois meses depois, Lindeblad renunciou ao cargo que exerceu por quase vinte anos. Posteriormente, ela foi punida com multa (uma decisão anterior da própria Suprema Corte considerou de menor gravidade furtos a lojas com valores abaixo de 1.250 coroas suecas, algo como R$ 710).

    O episódio das almôndegas, um escândalo raro na Suécia, foi tratado com transparência e sem a condescendência dos colegas de Lindeblad. Essas são características comuns nos tribunais superiores dos países escandinavos – e a maneira como elas são reforçadas por códigos de conduta e por mecanismos de prestação de contas poderia servir de inspiração para o nosso Supremo Tribunal Federal (STF).

    A credibilidade da corte brasileira vem sendo abalada por sua própria “almôndega”: uma mistura composta por transações comerciais, viagens em jatinhos, honorários milionários para familiares e supostas trocas de mensagens informais com um investigado, formando um bolo cuja liga é dada por um único ingrediente, o Banco Master. No centro da crise estão dois ministros do STF. É cedo para tirar conclusões sobre suas relações com o banqueiro Daniel

    Vorcaro. Não há dúvida, porém, de que faltou transparência por parte deles e sobrou complacência de seus pares.

    Dois exemplos vindos da Noruega poderiam ajudar a evitar situações como essa. O primeiro é a exigência de que todos os juízes, inclusive os da Suprema Corte, divulguem suas atividades paralelas em um registro público de empregos secundários. Ali, descobre-se de quais associações e conselhos os magistrados fazem parte, em que empresas aparecem como sócios ou investidores e quando recebem pagamentos por qualquer trabalho extra, como cursos, arbitragens e edições de livros. O segundo é o “dever de intervenção”, contido no 15.º princípio ético da Associação de Juízes do país, segundo o qual o magistrado que tome conhecimento de um desvio de conduta cometido por um colega “deve tratar do assunto de forma apropriada e intervir se a violação for significativa”.

    O Brasil está longe de ser uma Suécia ou uma Noruega, mas a transparência total e o desestímulo ao corporativismo são dois bons pontos de partida para a recuperação da imagem do STF.

  13. Bom dia.
    As verbas de deputados e vereadores são papelinhos servem só pra fazer pipa em período eleitoral.
    Ano retrasado a mesma vereadora Mara apareceu com PAPELINHO pra fazer uma UBS no Bateias.
    Nem um telhado pra proteger a fila dos pacientes da UBS do Barracão foi erguido..

    Igual também o PAPELINHO do vereador Ciro e o seu deputado Jerry Comper,
    pra cobertura da quadra da Escola Marina Leal, no Barracão.
    Essa fotografia já tá até AMARELA e nada da cobertura chegar.
    Será que quebrou o caminhão e não tem peça pra REPOSIÇÃO?

    Tem horas que penso ser os políticos o CÂNCER da Nação…😥

    1. Olha, esta definição é muito próxima do diagnóstico real. Mas, o remédio e o veneno somos nós, com os nossos votos. Mas, parece que também somos parte desse câncer e que se agrava celeremente. É só olhar para Brasília onde esta doença maligna saiu do ambiente político e contaminou a Justiça, a que justamente deveria nos proteger e nos ajudar na erradicação do mal pela aplicação, pura e simples da lei, do devido processo legal, que ela Justiça, ignora ou subverte para os seus.

      1. Dadas as devidas proporções, qual a diferença entre Brasília e Gaspar?
        A justiça só é aplicada quando o acusado não tem dinheiro pra pagar advogado..

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