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GOVERNO COLOCA A CÂMARA NO “PAU DE ARARA”. OU ELA APROVAVA, NA MARRA, SEM DEBATE E EXPLICAÇÕES MAIS UM PROJETO DE LEI PARA SUSTENTAR O HOSPITAL, OU PAULO NORBERTO KOERICH, PL, FECHARIA. DEVIA FAZÊ-LO. O QUE DEMONSTROU TUDO ISTO? FALTA DE PLANEJAMENTO,  GESTÃO, MUDANÇA, TRANSPARÊNCIA, COMUNICAÇÃO E DIÁLOGO DO E NA ADMINISTRAÇÃO. SOBROU O TAL “SELO DIAMANTE”, IMPORTADO DE BELÉM, DO PARÁ.

UMA NOVA PÁGINA PARA O HOSPITAL DE GASPAR. QUE SANTO ANTÔNIO O PROTEJA. NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO, FALHOU

Eu não pretendia escrever mais esta semana, mas…

A imprensa da cidade estava mais uma vez em um obsequioso silêncio desde terça-feira à noite quando se ensaiou o desfecho de hoje à tarde. As redes sociais e os aplicativos de mensagens, por sua vez, estavam em chamas.

E que hoje foi dia de Sessão Extraordinária na Câmara de Vereadores, de Gaspar. A segunda da atual legislatura. Tensa. Bastidores exaltados e o governo tendo que se virar nos trinta, depois mostrar no encerramento da sessão ordinária de terça-feira passado aos vereadores um “pau de arara“, hoj, sexta-feira, ficou quieto para não arrumar mais confusão. E fez isso, porque tinha votos do bom senso como os do PP do mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato e do presidente da casa, Ciro André Quintino, MDB, em campanha e que não quer perder os minguados votos daqui, que já está contando antes da hora. Eles botaram o velho rolo compressor para funcionar e mais uma vez rasgar o Regimento Interno sem qualquer cerimônias diante do corpo de técnicos da Casa.

Em dez minutos, lido um dos mais importantes projetos do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, ele e as emendas, já se tinham o parecer favorável de três comissões para dar R$3,8 milhões mensais, por seis meses, ao Hospital Santo Antônio, de Gaspar, a partir de primeiro de julho. Uma emenda dos vereadores Roni Jean Muller, MDB, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, e Dionísio Luiz Bertoldi, PT, acatada por todos, deu esta trava. Originalmente o cheque em branco era para um ano. Esta é a notícia. Mas, o meu negócio não é a notícia, mas o que se esconde dentro dela.

INCOMPETÊNCIA E “PAU DE ARARA”

Desculpem-me leitores e leitoras, pois vocês não a merecem, mas vou repetir a nova frase chavão dos velhos políticos daqui neófitos nas redes sociais: vocês prestem bem a atenção!

Desde o dia 24 de abril, a cidade e o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, a secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matucheski Cunha (vinda de Blumenau); o ex-procurador geral Júlio Augusto de Souza Filho (que veio de Blumenau, já se foi e armou juridicamente tudo isso); o secretário de Saúde, funcionário de carreira, experiente, o que reclamava não ter tido chances em outros governos, Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior; o presidente da Comissão Interventora do  Hospital, Sandro Sandri; e a chefia de gabinete de Pedro Inácio Bornhausen, PP, JÁ SABIAM que para a filial gasparense do Hospital Santo Antônio, de Blumenau, assumir a gestão do Hospital de Gaspar em primeiro de julho, coisa que deveria ter acontecido em primeiro de janeiro, primeiro de abril e primeiro de junho, teria que se criar e aprovar uma lei autorizando o repasse da subvenção mensal de no mínimo R$3,8 milhões.

Não criaram nada, ou esconderam tudo, nesse tempo todo. Ou por incapacidade e falta de planejamento, tão comum na atual gestão, ou porque, por esperteza, aquela que come o próprio dono, estão escondendo alguma coisa que vai se esclarecida mais adiante e mais uma vez, rotulada de surpresa, acidente de percurso…

Como bem lembraram os vereadores Roni e Dionísio, isto estava escrito há mais de um ano. Diante do quadro, diante do “pau de arara” armado, diante das circunstâncias, não restou outra alternativa ao vereador Giovano Borges, PSD, pivô de todo o desconforto de terça-feira passada, do que bem classificar o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, de incompetente. Para tirar esta pecha, o governo precisa admitir, mais uma vez que botou os vereadores no “pau de arara“. E ela surtiu efeito, mas poderá criar danos irreversíveis. Uma marca de governo.

UM AVISO COM ALTOS RISCOS

Dei espaços para a imprensa ir atrás destes bastidores. Também para o debate. Alguns até apareceram no terceiro artigo que publiquei esta semana SEM ENTREGAS, SEM PLANOS, SEM EQUIPE E SEM LER ESTE ESPAÇO – O ÚNICO QUE LEVANTOU ESTA BOLA -, O GOVERNO PAULO E SEUS SATÉLITES, OBRIGADOS AOS APLAUSOS, DEPOIS DE 18 MESES – SEM OS TRÊS DE TRANSIÇÃO – ESTÃO COMPARANDO A DECEPÇÃO DO PRIMEIRO JOGO DA SELEÇÃO DE FUTEBOL COM O TROPEÇO CONTÍNUO DA FALTA DE RESULTADOS DA ATUAL GESTÃO GASPARENSE. O QUÊ? FINALMENTE, ESTÃO ASSUMINDO O DESASTRE?

Retomando pela primeira vez.

Mas, nada, entretanto, começou hoje. E sim na sessão da Câmara de terça-feira. Nada, todavia, é diferente do que vem sendo revelado neste espaço e por isso amaldiçoado. Já era antes. E mais uma vez a protagonista do recado e entrevero foi a líder do governo, a policial civil da ativa, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Ela vai deixando no chinelo o então radical ex-líder e pau para todas as pauladas na Câmara no tempo de trovoadas descontroladas de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, Francisco Solano Anhaia, com passagens pelo PP, PT e MDB, ou seja, ao sabor da onda do momento, como Alyne. Ela estava no PSD de Giovano Borges, presidente da sigla. Agora, ambos são cão e gato no embate político de Gaspar.

O PSD defendia Kleber. Alyne era suplente de vereadora. Chegou a exercer temporariamente a titularidade da vaga para defender o governo Kleber, de Marcelo de Souza Brick, PP.

Veja o recorte do vídeo de Alyne fechando sessão de terça-feira, não podendo mais ninguém falar depois dela para rebatê-la. Hoje, ela não um só pio. Volto depois 

Esta é a marca até aqui do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, um policial investigador de fama com 30 anos de carreira, que chegou ao topo dela como secretário de segurança estadual no governo de Carlos Moisés da Silva, União Brasil.  Quase dois anos depois de ser eleito, sem experiência política, está também evidente de que não possui controle do novo desafio na sua vida, está sem gestão,  sem prioridades, sem planejamento, sem interação com a comunidade, sem comunicação, sem diálogo com os atores administrativos e políticos. Restou o delegado.

Paulo está cercado de pitaqueiros no âmbito das velhas amizades pessoais e de novas. Elas sempre se atraem pelo poder. Muitas delas com interesses. Isto sem falar dos familiares. Eles se sentem atingidos nas críticas, mas erram pois deveriam estar bem longe disso. As críticas são endereçadas apenas ao político e administrador Paulo nas escolhas, com riscos, que ele fez ou faz ou como orienta em dobradinha a sua líder Alyne, na Câmara. Foi só ele quem escolheu ficar como ente exposto quando aceitou ser candidato. Foi ele que construiu uma equipe fraca. Ela não gerencia para resultados e fica exposta por suas decisões erráticas. As críticas, pelo que vejo, não são à pessoa do Paulo. A decepção é à promessa de mudanças, transparência e resultados.

Retomando pelas segunda vez.

Mas qual foi o babado desta nova treta ocorrida na terça-feira passada? Foi o Projeto de Lei 32/2026, um anula suplementa no Orçamento de ficção que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, mandou para a Câmara, mais uma vez de afogadilho, para vê-lo aprovado da noite para o dia. E o relator sorteado, Giovano Borges, PSD, queria tempo normal, digo e repito, normal, para apreciá-lo, na autonomia dele como vereador que é. Prá quê?

Veja o vídeo do Giovano nas redes sociais e volto para encerrar este comentário extraordinário desta sexta-feira de Brasil e Haiti, com o Brasil fazendo contas e os brasileiros rezando pela boa sorte, porque, afinal, entenderam, que o futebol é uma caixinha de surpresas, como na política em Gaspar.

Ali, neste continuado tom irônico, Alyne disse para a Câmara, sem qualquer disfarce, que o Legislativo era decorativo para o governo. E que se não fizesse do jeito como o governo queria, de afogadilho e sem reclamação o que Paulo Norberto Koerich, PL, mandou no PL 32/2026, ele fecharia o Hospital, ou seja, prejudicaria a população mais sofrida e pobre, a que lhe deu a maioria dos 52,98% dos votos válidos. E mais: colocaria a culpa nos vereadores.

E por quê Paulo mandou o recado pela sua líder? Ele sabia que tinha algo pior e que precisava enfiar goela abaixou, como enfiou, o PL 35/2026 que passou hoje por unanimidade. O governo apresentou aos vereadores o “pau de arara“. Repetiu a mesma dança de pressão de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, feita em vários casos, mas principalmente os das autorizações dos milionários empréstimos. O truque foi sempre o mesmo: quando se ameaçava se discutir na Câmara alguma coisa, Kleber informava aos vereadores de que a cidade pararia e ele iria culpar os vereadores por isso. E autorizado, fez o que quis, como encher as burras dos cofres das Furb com R$14 milhões, pegar o empréstimo para virar mais de R$20 milhões, para se tornar um parque infantil. Entenderam? Prestaram a atenção?

Naqueles dias, Giovano Borges e Alyne Karla Serafim Nicoletti, ambos no PSD, eram Kleber até debaixo d’água. Hoje estão em lados opostos, mas sabem bem o que fazem.

Ah, mas Herculano você exagera nesta metáfora do tal “pau de arara“. Então! Qual é mesmo outra expressão que melhor exprime o que aconteceu de terça até hoje? Chantagem? Intimidação? Autoritarismo? Falta de respeito entre os poderes independentes? O fato é: o governo, por sua máquina no Legislativo ameaçou e amedrontou a Câmara, especialmente Giovano e quem quisesse se meter a valentão a pedir informações, seguir o Regimento Interno, se inteirar melhor do que estava acontecendo. Armou o “pau de arara” e todos entenderam o recado. E tem mais: já se gastou com Hospital este ano quase R$50 mil para mantê-lo aberto, mais R$27,5 para “desapropriá-lo” não sei para quem, vai se gastar mais de R$100 mil, segundo fontes internas da prefeitura, fundação hospitalar e hospital com demissões, indenizações, fundo de garantia e processos a partir de primeiro de julho. O que se aprovou hoje, é fichinha.

Tudo isto é fruto de erros sucessivos, voluntarismo, poder, soluções goela abaixo, salvadores da pátria e omissões.

O Hospital de Gaspar não poderia ter sido reaberto sem um pacto de sustentabilidade. Eu era o vice-presidente da Comissão que o reconstruiu fisicamente. Não fui na inauguração dele porque achava que o desastre estava armado sem esta sustentabilidade. O tempo foi senhor da razão. Venceram mos políticos e vaidosos. Perderam os técnicos e os sensatos. Mais do que eles, só os que precisam do Hospital como referência para lhes curar e salvar a viada e não o tem.

O Hospital não poderia ter sofrido a intervenção que sofreu – pelas falsas alegações que alegou-se -num outro “pau de arara” e este de Pedro Celso Zuchi, PT. O Hospital, não poderia, de maneira alguma ter ficado solto como ficou com Kleber, ainda mais nas mãos de Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB. Em tudo e nesse tempo todo, a Câmara e os vereadores, coniventes, partidários, ou intimidados pelos prefeitos se tornaram sócios deste desastre clínico, social, imagem e econômico. O script até aqui com Paulo Norberto Koerich, PL, está sendo o mesmo, mas com muito mais grana. Tomara que o desfecho não seja o mesmo. Esta é a minha torcida, mas como falta transparência, debate e diálogo… Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Um caminho tortuoso I. Paulo Norberto Koerich, PL, resolveu interpelar os seus críticos pontuais nas redes sociais. Já contei aqui o caso do ex-funcionário por décadas, ex-presidente do Samae e ex-vereador Rui Carlos Deschamps, PT – e segundo o próprio Paulo, seu amigo -, que foi a rede social fazer uma observação sobre o suposto mau funcionamento da recolha dos tais sacos amarelos (lixo reciclável).

Um caminho tortuoso II. Passou-se horas e o alvo foi o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt (2005/2008), eleito pelo MDB, estava no PL de Paulo Norberto Koerich, para quem deum voto em 2024, mas deu no pé do PL depois de ser pego numa arapuca bem armada pelo próprio MDB e os donos da cidade – não confundir com o “dono de Blumenau” e que infestou o governo de Paulo, em história bem conhecida na cidade e já contada aqui.

Um caminho tortuoso III. Se Paulo Norberto Koerich, PL, escolher este caminho não vai governar mais, pois o que se reclama, desses líderes, é falta de resultados do governo que ele próprio criou expectativas na entrega. Em qualquer ambiente competitivo, isto seria de grande valia. As empresas, por exemplo canais de reclamações de seus clientes de forma ativa. E investem nisso para melhorar serviços, produtos e relações e não perderem clientes.

Um caminho tortuoso IV. Já os políticos fazem ao contrário. Canais de interação até existem, mas para o empreguismo dos cabos eleitorais e gente que não tem competência para outro emprego. E quem reclama, passou a ser um problema, um inimigo, um desperdício de tempo quando dá sinais preciosos para uma administração séria. Depois reclamam quando se abrem as urnas e os votos estão escassos.

Campanha antecipada I. Um político tictoker, habilmente faz um teaser nas redes sociais para “o povo de Deus”. Vai até uma comunidade, todo embecado, e dizendo que o momento exigia beca de rico, dizendo que a comunidade terá boas notícias em instantes. E teve. Minutos depois depois, o prefeito Norberto Koerich, PL, acompanhado do pré-candidato, fez novo vídeo.

Campanha antecipada II. Anunciou com exclusividade á desapropriação de imóveis para o alargamento da rua. Era antes de tudo, que se pontue, uma necessidade. E depois, uma promessa não cumprida de décadas.

Campanha antecipada III. O que está por detrás de tudo isto pode ser algo não muito inocente. O alargamento da Estrada Geral das Águas Negras, no bairro Figueira, só acontece exatamente quando um empreendimento imobiliário particular de alto padrão e que foi a menina dos olhos na administração de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, está praticamente finalizado, e aquele “estreitamento” que sempre foi um problema para a comunidade, passou ser um problema para o padrão – e segurança na mobilidade – dos que vão morar no empreendimento.

Campanha antecipada IV.  Se um ganhou um bônus, o vereador da Figueira, da suposta base do governo, mas cobrando explicações a todo momento do governo, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, e ligado ao vice, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, ficou de fora das comemorações. Pura vingança. Credo! Por outro lado, Ministério Público Eleitoral poderia catalogar esta e outras, como as emendas parlamentares, trazidas, supostamente, para “beneficiar o povo”, mas que asfaltam, casualmente, ruas de empreendimentos particulares.

Os bisbilhoteiros daqui e alhures estão querendo entender como um servidor público, só com o seu provento na repartição, mesmo com os penduricalhos, pode construir um Palácio em Rancho Queimado e outro, ampliar uma antiga mansão em Rua sem saída em Blumenau. Interessante. Nada como um dia após o outro perseguindo gente que não é da mesma pedreira.

Hoje foi “happy hour” com o pessoal da prefeitura de Gaspar. Escondido. Na São Judas Tadeu, na Margem Esquerda. Não foi para o esquenta do jogo de logo mais com a seleção de futebol, mas. Antes todos passaram na Arena Multiuso, para fingir que trabalharam para realização do Passaporte Morfológico da Raça Crioula, promovido pelo Núcleo de Criadores do Cavalo Crioulo do Vale do Itajaí. Os organizadores ficaram pasmos. E adianta? Muda, Gaspar!

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13 comentários em “GOVERNO COLOCA A CÂMARA NO “PAU DE ARARA”. OU ELA APROVAVA, NA MARRA, SEM DEBATE E EXPLICAÇÕES MAIS UM PROJETO DE LEI PARA SUSTENTAR O HOSPITAL, OU PAULO NORBERTO KOERICH, PL, FECHARIA. DEVIA FAZÊ-LO. O QUE DEMONSTROU TUDO ISTO? FALTA DE PLANEJAMENTO,  GESTÃO, MUDANÇA, TRANSPARÊNCIA, COMUNICAÇÃO E DIÁLOGO DO E NA ADMINISTRAÇÃO. SOBROU O TAL “SELO DIAMANTE”, IMPORTADO DE BELÉM, DO PARÁ.”

  1. Tudo, isso com o nosso dinheiro dos pesadíssimos e cada vez mais altos impostos on-line, cada vez mais sem canais para esclarecimentos, contestações e compensações, dinheiro que está faltando na Saúde, em parte da Educação, na Assistência Social de verdade e p0rincipalmente na infraestrutura que gera empregos, desenvolvimento e competitividade internacional no e do Brasil

    ANO ELEITORAL ARROMBA E FAZ A LIMPA NOS COFRES PÚBLICOS, por Álvaro Costa e Silva, no jornal Folha de S. Paulo

    Lula 3 anunciou uma linha de crédito, que no total pode chegar a R$ 4 bilhões, para financiar a compra de motos e bicicletas elétricas por entregadores com carteira assinada e motoristas de aplicativo. É mais uma das bondades do ano eleitoral, incluindo capacetes de graça para mulheres.

    Tecnocratas calculam que há um público potencial entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o país. O número parece subestimado. Basta olhar para as ruas cheias de motos em zigue-zague e alta velocidade.

    Nunca houve tanta gente trabalhando no setor de transporte e entregas, a chamada economia de plataformas digitais. O resultado é o caos no trânsito das médias e grandes cidades, além dos acidentes que atualmente representam 7 em cada 10 atendimentos por trauma nas redes municipais de saúde —um problemão até agora desprezado pelas autoridades.

    Lula tenta entender e se aproximar do novo mundo do trabalho. Muitas pessoas, em especial as mais jovens, não se definem como trabalhadores, mas como empreendedores. Rechaçam a ideia de trabalhar com carteira assinada.

    O Congresso Nacional não quer modernizar-se. Sua meta é eternizar-se. Sabe quem deve favorecer —empresários com direito a lobbies e bancadas. Igual ao Executivo, não dá a mínima para as contas públicas.

    Dois projetos avançam nos recursos do Orçamento. O primeiro, com impacto de R$ 140 bilhões, permite o uso de receitas do pré-sal para financiar descontos de dívidas do setor rural. Sem multas, juros e encargos por inadimplência, o agro ficaria mais pop. Com o segundo, que amplia a renúncia fiscal para templos evangélicos, alguns exploradores da fé poderão ostentar mais riqueza.

    Na farra com dinheiro do contribuinte, entram famílias de estimação. Entre janeiro e abril, o PL desembolsou do fundo eleitoral quase R$ 500 mil para remunerar os apadrinhados de Bolsonaro, entre os quais o inelegível Cláudio Castro. Após degustar com Daniel Vorcaro o uísque de US$ 1 milhão num evento em Nova York, o ex-governador do Rio desfruta o cala-boca.

  2. PARA BOLSONARO, COMOÇÃO E QUASE PRISÃO. JÁ PARA LULA

    Esta é a postagem da jurista, professora da USP, advogada, ativista de direita e vereadora em São Paulo pelo PP, Janaina Paschoal, no X

    Bolsonaro quase caiu, sob a alegação de que teria interferido na atuação da Polícia Federal! Isso sem qualquer evidência concreta de tal interferência. Pois bem, no âmbito das investigações sobre o escândalo do Banco Master, nos últimos tempos, muitas medidas, e até prisões, foram determinadas, sob os aplausos da base governista. Bastou o líder do Governo Lula, no Senado, ser alcançado, para retirarem os Policiais Federais, que vinham auxiliando o Ministro André Mendonça nesse importante trabalho. O Presidente da República e seu Ministro da Justiça devem explicações à população! Incrível o silêncio diante de movimentação tão significativa!

    Retorno. Houve movimento semelhante quando as investigações do roubo dos idosos, doentes e viúvas pelas organizações criminosas associativas e sindicais no caso dos descontos do INSS e que arrolavam tanto o irmão como o filho de Luiz Inácio Lula da Silva, PT. Incrível.

  3. O BANCO CENTRAL PARALELO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Em mais uma iniciativa voltada a turbinar as chances eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro, a equipe econômica agora prepara uma nova etapa do Programa Desenrola 2.0, voltada a trabalhadores informais que pagam suas dívidas em dia.

    Além de uma aula de deseducação financeira, a ação cria ainda mais dificuldades para que a taxa Selic, mesmo em patamares extremamente elevados, tenha efetividade. Ao empilhar linhas de crédito direcionado como vem fazendo recorrentemente, o governo aumenta a fatia de mercado “imune” à taxa de juros oficial.

    Na prática, como não conseguiu convencer o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a reduzir os juros na base da camaradagem, a gestão lulopetista cria uma espécie de BC paralelo, que determina os juros a serem cobrados de acordo com o perfil do eleitor que se pretende fisgar.

    De acordo com o Estadão/Broadcast, a nova fase do Desenrola 2.0, a ser lançada até o final do mês, será destinada a trabalhadores sem carteira assinada com dívidas de até R$ 15 mil. Para ter acesso à renegociação será necessário, além de não estar inadimplente, já ter pago cinco parcelas do empréstimo contratado.

    A ideia do governo é que, uma vez renegociada, a dívida restante tenha juros máximos de 3,49% a 3,99% ao mês (entre 50% e 60% ao ano), bem abaixo da taxa média de juros no Crédito Direto ao Consumidor (CDC).

    De acordo com dados recentes do BC, a taxa média para essa modalidade de crédito estava em 7% ao mês (121,5% ao ano) em abril. O universo de potenciais beneficiários é estimado entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas. Embora considerado reduzido, esse contingente deve se somar ao de outras iniciativas de crédito direcionado recém-lançadas pelo governo, como a voltada para entregadores de aplicativos.

    Viciado em gastar o que não tem, a atual gestão agora quer desvirtuar até quem é bom pagador. Com o lançamento do Desenrola para adimplentes, o governo estimula que brasileiros que pagam suas contas em dia tomem empréstimos a juros altos já esperando por uma renegociação que resultará em taxas mais baixas que as definidas em contrato no futuro.

    Tanto é assim que a versão original do Desenrola, voltada para quem tem dívida em atraso há mais de 90 dias, já está em sua segunda edição e, muito provavelmente, será uma série de longa duração.

    Não bastasse o BC paralelo petista dificultar ainda mais a vida daquele comandado por Gabriel Galípolo, programas como o Desenrola para adimplentes podem abalar a atual estrutura de crédito do sistema bancário brasileiro, gerando aumento do spread (a diferença entre a taxa de juros paga pelos bancos na captação de recursos e a que é cobrada dos clientes que tomam crédito no sistema). Isso porque os bancos devem passar a incorporar a probabilidade de que um cliente adimplente peça revisão do contrato ou até mesmo torne-se inadimplente diante da existência de iniciativas do governo para renegociação de dívidas a juros mais baixos. Consequentemente, os bancos, que ganham dinheiro antecipando riscos, passarão a cobrar mais juros, e não menos.

    Tamanho incentivo governamental ao mau comportamento escancara ainda mais o descompromisso da atual gestão com a responsabilidade fiscal dele mesmo e a do cidadão, e abre as portas para que lobbies de setores abastados da economia brasileira passem a reivindicar ainda mais benesses.

    Obviamente, não deveria ser assim. Principal responsável pela taxa de juros proibitiva que vigora no País, o governo insiste em culpar o BC pela Selic elevada, mas não para de adotar medidas que não apenas impedem a queda de tais juros, como só pioram o já sombrio quadro da dívida pública. Em seu terceiro mandato, Lula logrou a façanha nada honrosa de elevar a dívida pública do País em quase dez pontos porcentuais.

    Como se vê, de olho nas eleições e tão somente nelas, o governo petista condena o País a um futuro de endividamento para o qual arrasta até mesmo aqueles que, diante dos inúmeros obstáculos no caminho, ainda conseguem cumprir com suas obrigações.

  4. Vamos Falar de Credibilidade
    Ou Falar de Corragem

    Confesso que fico com uma dúvida. O vereador Solano Borges afirmou que precisava de mais tempo para analisar e fiscalizar, dizendo que prestaria contas à sociedade e explicaria tudo com transparência. Afinal, quem exerce mandato público deve satisfação à população.

    Em gestão pública não deveria existir espaço para ameaças ou receios, mas sim para a transparência. Por isso, causa estranheza que, depois de afirmar que precisava de mais dias e que contaria tudo para a sociedade, de repente… catchummm! Veio a assinatura, e o esperado esclarecimento não apareceu.

    Não faço qualquer acusação, pois desconheço os motivos. Apenas faço uma pergunta que acredito ser legítima: o que mudou? A população merece respostas, porque confiança se constrói com transparência, e não com silêncio.

    Vereador o Sr. Ficou com medo da nascimento de saias ou o Sr. Não leu ou ainda…. …..?

    1. Como escrevi, cedendo as cantilenas, as coisas mal esclarecidas, as cantilenas e até as ameaças e chantagens, a Câmara do passado e do presente é sócio do desastre chamado Hospital e outros. Quem dos vereadores pode hoje dizer que tentou esclarecer e barrar esta farra. O único que tentou fazer isso, morreu. E era servidor público de carreira, era da base do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, era o vereador Amauri Bornhausen, PDT. O governo, o hospital e os vereadores pares da base, que o perseguiam, intimidavam e o boicotavam, o consideravam um problema e ficaram aliviados, vejam só, com a sua morte.

      Em qualquer ambiente, não só o político, incluindo o jornalismo investigativo ou de observação crítica, antes da coragem, vem a credibilidade, a obstinação, a resiliência, a coerência, o desapego, o passado de enfrentamentos construtivos, a transparência e a opção ética.

      1. Em Gaspar, muito se falou que, de cerca de 21 mil consultas agendadas, aproximadamente 7 mil acabaram não sendo realizadas. Mas é preciso fazer uma reflexão: será que essas pessoas simplesmente desistiram ou deixaram de comparecer por vontade própria?

        Quem fica meses aguardando na fila e não consegue atendimento, muitas vezes acaba procurando outro caminho, pagando uma consulta particular, recorrendo a um pronto atendimento ou buscando ajuda de outra forma. Quando finalmente a vaga aparece, o problema já foi resolvido por conta própria ou até mesmo se agravou.

        Por isso, antes de responsabilizar a população e dizer que é preciso desmarcar consultas para evitar o congestionamento do sistema, é necessário perguntar: quantos desses casos ocorreram porque o cidadão simplesmente cansou de esperar?

        Afinal, se a fila não andava e o atendimento não chegava em tempo razoável, a responsabilidade é de quem aguardava por um serviço público ou da gestão que não conseguiu atender a demanda?

        Gestão pública não se faz transferindo responsabilidades para a população. Faz-se com transparência, eficiência e compromisso com quem depende do SUS.

        “Quem tem dor tem pressa”, essa foi uma frase utilizada pela vereadora Mara da Saúde durante sua campanha. Mas quem está há meses ou anos aguardando uma consulta, um exame ou um procedimento também tem pressa.

        A vereadora está no segundo mandato. Entre projetos e homenagens, fica a pergunta: qual foi o impacto concreto de sua atuação para reduzir filas, ampliar o acesso ou melhorar a saúde do município?

        Se de mais de 21 mil consultas, cerca de 7 mil deixaram de ser realizadas porque as pessoas buscaram outras alternativas diante da demora, isso é culpa da população ou consequência de um sistema que não respondeu a tempo?

        Quem sente dor não pode esperar. Depois da eleição, o salário do político está garantido todos os meses. Já a dor do eleitor não espera a próxima campanha, ela precisa de solução agora.

        Na gestão pública não basta ter boas intenções ou frases de efeito. É preciso apresentar resultados. Porque quem tem dor tem pressa, e quem tem pressa acaba dando um jeito quando o poder público não consegue atender

        1. Excelente observação, leitor, que não o tenho, segundo os poderosos de plantão de ontem e de hoje. O seu esclarecimento, apenas reforça o que eu já escrevi aqui, várias vezes e não se aplica, aianto, apenas a Gaspar. O SUS é um programa referência. Mas, as gestões municipais o mancham.

          Esta fila de espera, com cheiro de crime continuado contra a pessoa e dignidade humana, dos mais fragilizados, vulneráveis e doentes com esperanças de apenas continuarem sãos, produtivos e até vivos, é a que provoca a desistência na busca de uma desesperada solução de que está ou se sente doente, e por isso, precisa tanto de diagnóstico e tratamento em tempos adequados.

          Falo por experiência própria e com familiares.

          A desculpa esfarrapada e desqualificada dos políticos ou gestores públicos do setor e outros de que a população não comparecem a consultas ou exames marcados, precisa ser melhor avaliada, a partir do tempo de espera, da especialidade, do tipo da doença e da gravidade como ela se desenvolve depois de instalada no ser humano.

          É comum, doente buscar ajuda financeira de familiares, recorrerem a empréstimos de parentes, agiotas e cartões de juros altos, para uma consulta e até procedimento médico de emergência diante da inércia do postinho, do pronto atendimento e da policlínica. Em alguns casos, crônicos, ou irreversíveis, o doente fica com dois problemas graves sem solução, a doença em sim e a dívida, que o atormenta emocionalmente, agravando ainda mais a sua doença e a miséria econômica familiar.

  5. Maria Paula Neves

    Muitos acreditavam que Giovano resistiria. Não resistiu. Amarelou. Como os demais, avalizou mais uma suplementação milionária de um governo cuja maior especialidade parece ser, não saber administrar crises que ele próprio ajuda a criar.

    O mais triste não foi a aprovação do projeto. Foi a rendição do Legislativo.

    Vereadores foram eleitos para fiscalizar, questionar e estudar projetos. Não para funcionar como cartório de autenticação dos desejos do prefeito.

    Mas talvez exista algo ainda mais interessante.

    Enquanto a cidade discute hospital, gritos, ameaças e suplementações emergenciais, ninguém mais fala sobre as obras conduzidas pelos mesmos personagens que aparecem nas investigações que vieram de Blumenau.

    A obra da Figueira foi a única com problemas?

    Ou foi apenas a única que ganhou manchete?

    Porque, enquanto os vereadores discutem qual governo é mais incompetente — uma disputa acirrada, diga-se de passagem — ninguém parece disposto a investigar se outras licitações seguiram o mesmo roteiro.

    No final, o prefeito grita, a Câmara aprova e as perguntas inconvenientes continuam sem resposta.

    Talvez seja exatamente esse o plano.

  6. ELIAS MARTINS DA SILVA NETO

    até chato .. já … o jargão “Esta é a marca até aqui do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, um policial investigador de fama com 30 anos de carreira, que chegou ao topo dela como secretário de segurança estadual no governo de Carlos Moisés da Silva, União Brasil.” Um estelionato eleitoral em Gaspar. Colocaram um Burro na gestão.

    1. Sei que até é chato, caro leitor que não tenho. Mas, não é jargão. É uma assinatura que o credenciou a candidato e a votação expressiva que Paulo Norberto Koerich, PL, teve em uma cidade que precisava de conserto, urgente. E tinha, incialmente, algo a ver com apurações policiais. Nem isso, prosperou até o momento. Será mais fácil a polícia pegar os críticos dele. E tudo ficar como está, ou pior.

    2. João Carlos Silva

      Na delegacia ele gritava todo mundo obedecia…

      Quem tinha intenção de contrariar, pouco podia fazer, pois estava algemado.

      Agora, ele continua igual. Gritando..

      A nossa sorte, é que assim como seus líderes, Moisés e Bolsonaro, não vai ter reeleição…

    3. Adilson Luis Schmitt

      Herculano Domicio!

      Como o Projeto de Lei 35/2026, teve aprovação, agora segue para sanção do Prefeito e posterior publicação no Diário Oficial dos Municípios. Permitirá um repasse mensal de R$ 3.800.000,00, no período de julho a dezembro de 2026, totalizando R$ 22.800.000,00. Podendo caso precise ter uma prorrogação por mais 6 meses, quer seja janeiro a junho de 2027. Assim ao final destes 12 meses, R$ 45.600.000,00.

      Estes valores somados aos R$ 7.500.000,00, quando, houve a assinatura do decreto de desapropriação em setembro de 2025, e bem os dois repasses do Governo do Estado na casa dos R$ 20.000.000,00 em setembro de 2025 e R$ 24.000.000,00 em abril de 2026. Chegaremos a 100 milhões de reais, isso mesmo R$ 100.000.000,00. Mas claro saúde x hospital, são prioridades de uma Gestão Pública. Nós os Contribuintes esperamos que a partir de 01 de julho de 2026 ocorra por parte das partes envolvidas uma prestação de contas mensal, detalhando todo centavo repassado ao Hospital Santo Antônio de Gaspar, a partir de 01 de julho.

      Adilson Schmitt
      Ex Prefeito de Gaspar

  7. UM ESPECTRO RONDA O CASO MASTER, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    “Vejo desconfortante semelhança.” Foi assim, aludindo à Lava Jato, que o ministro Gilmar Mendes questionou a condução do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) ao votar contra a manutenção das prisões preventivas de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro. Seu colega André Mendonça, relator do caso, rebateu: “Não estamos julgando a Lava Jato”.

    A disputa resumiu a sessão da Segunda Turma do STF. Mendes dedicou boa parte de seu voto exumando sombras de Curitiba, enquanto Mendonça descrevia uma organização com “contornos de máfia”. Segundo a Polícia Federal (PF), ela continuou operando mesmo após os inquéritos, intimidou testemunhas, manipulou canais financeiros e tentou administrar os estragos provocados pelo avanço das investigações. O contraste importa porque as prisões não foram decretadas para punir fatos passados nem extorquir delações. Os autos demonstram o fundamento cautelar das prisões.

    Mendonça mencionou dois braços da estrutura investigada. Um seria responsável por coerções e obtenção ilegal de informações. O outro atuaria no campo digital, com monitoramento ilícito de autoridades e testemunhas e ataques cibernéticos. O ministro também relatou tentativas de administrar o espólio de Felipe Mourão, o “Sicário”. Os investigadores sustentam que houve infiltrações na própria PF e transações destinadas a comprar silêncios e neutralizar riscos.

    Mendes, por sua vez, preferiu concentrar sua atenção em reminiscências de vazamentos e pressões para delações de sua bête noire, a Lava Jato. O alerta merece ser levado a sério. O Brasil conhece os estragos produzidos por investigações que extrapolaram seus limites legais. Mas comparações só ganham força se acompanhadas de demonstração respeitosa aos fatos. Mesmo admitindo-se que o decano não tenha outras motivações além de preservar a higidez do processo, escolheu mal suas analogias. Só o ministro Dias Toffoli, relator de recursos da Lava Jato, acredita que magnatas escoltados pelas bancas advocatícias mais caras do País confessaram crimes no “pau de arara do século 21”. As irregularidades que transformaram a Lava Jato num problema institucional eram de outra ordem.

    Onde está a colaboração imprópria entre juiz e acusação? Onde está a manipulação de competência? Onde está a perseguição política? Se Mendes está preocupado com abusos dessa natureza, não precisa rememorar uma distante Curitiba. Na própria Praça dos Três Poderes, neste exato momento, um juiz conduz inquéritos no mínimo nebulosos e múltiplas vezes mais “desconfortantes”. O embate havido na Segunda Turma expõe um dilema que acompanha o sistema de Justiça desde o colapso da Lava Jato. Os excessos daquela operação precisavam ser corrigidos; mas os crimes que ela desbaratou precisavam ser punidos. O problema começou quando a correção foi transformada em álibi para justificar uma amnésia seletiva, a ponto de converter delinquentes confessos em vítimas.

    Mendes escrutinou a atuação de Mendonça com lupa. Questionou procedimentos, cronologia, acesso a documentos e fundamentos cautelares. Nada há de errado nisso. O estranho é lembrar que o mesmo caso Master passou meses sob uma relatoria – não por mera coincidência, de Toffoli – abarrotada por dúvidas sobre competência, imparcialidade e transparência. Naquela fase, a vista foi bem grossa e não houve nenhum desconforto.

    O futuro julgamento do caso Master ficará registrado como algo maior do que uma divergência sobre o propósito de prisões preventivas. Está-se diante de um choque entre duas maneiras de encarar o legado ambíguo da Lava Jato. Para uma delas, o hiperfoco nos abusos é tal que passa a enxergá-los em qualquer investigação ambiciosa – e incômoda. A outra assimila as lições, não perde de vista o fim do combate à corrupção e se pergunta se os meios são adequados. A resposta dos demais ministros da turma foi inequívoca: os obstrutores da Justiça seguirão presos.

    Antes de procurar Curitiba em cada esquina, convém examinar o que está acontecendo diante dos próprios olhos. “Certos setores atuam para criar um vício. Há um sistema articulado para isso”, alertou Mendonça. “Eu não sou cego.” Eis aí uma advertência da qual Mendes deveria se ocupar – se é que já não está se ocupando.

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