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A FALTA DE TRANSPARÊNCIA JÁ É UMA MARCA ADMINISTRATIVO-POLÍTICA. NOVE DOS 13 VEREADORES DE GASPAR NÃO QUEREM CPI PARA APURAR POSSÍVEIS SUPERFATURAMENTO NA OBRA CONTRATADA PELA PREFEITURA DE PAULO NORBERTO KOERICH E QUE VAI SER PAGA PELO GOVERNADOR JORGINHO MELLO, AMBOS DO PL. ENQUANTO ISSO, ESSENCIAL À PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO E À MOBILIDADE, ESTÁ PARADA.

É sábado. É agosto, o mês do desgosto e cachorro loco. É, novamente, um textão para reflexão da cidade.

Uma reunião feita esta semana na sala de reuniões de comissões da Câmara de Gaspar ganhou a cidade, os vizinhos e Florianópolis com vários recortes virais. E tudo por conta da incoerência que se tornou um escancarado escândalo. Ainda bem que o que sempre se discutiu no escurinho de salas da Câmara, graças a modernidade da internet e comunicação digital saiu dela e se propagou. Antes, era tudo abafado, negado e até sentenciado em punições aos que ousavam relatar os acontecimentos. Porque aquela reunião você não viu debatida na imprensa local. Ela está cega. E há muito. E reclama do suposto desprestígio. Um banho – mais uma vez – das redes sociais. E quem traz luz, com provas, ainda é rotulado de fofoqueiro. Meu Deus!

Pior. Com a divulgação desses recortes e um deles está abaixo, houve uma inundação especulativa, incontrolável, silenciosa, altamente tóxica e corrosiva contra os políticos e poder de plantão, via aplicativos de mensagens. Incrível como os “bruxos” que orientam os poderosos locais – visíveis e invisíveis, principalmente – escondem apenas a cabeça no buraco como avestruzes, e não percebem que são alvos nus. E logo em ano eleitoral. Imperdoável. Resta, então, reclamar da má sorte.

A SUJEIRA PARA DEBAIXO DO TAPETE

Esta reunião não está no site da Câmara, o primeiro ponto oficial contra a transparência. Ela foi armada para discutir entre os vereadores se se instalava ou não a CPI. É para apurar suposto faturamento da obra de recuperação da barranca do Rio Itajaí Açú na proteção da Rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira, na ligação com o bairro Bela Vista e Blumenau.

É um jogo. Um lado quer aclarar e ganhar dividendos. Ninguém é ingênuo nesta história. O outro lado, está acuado, sem condições de controlar a situação, matar a cobra e mostrar a cabeça dela aos que diz serem oportunistas não quer perder os dividendos que está vendo ir embora tão cedo. Por isso, entrou em modo de negação. Sob desgastes que está custando muito caro na imagem e politicamente. Preferiu colocar a sujeira, por presunção de inocência, para debaixo do tapete. E está perdendo com isto duas vezes e se explicando em época de pedir votos. O “novo” governo de Gaspar foi menos de dois anos de herói a vilão. Credo.

O QUE ESTÁ PEGANDO?

O projeto e a contratação das obras de proteção da barranca do Rio Itajaí Açú, ali no bairro Figueira – recorrentemente se reclama da má sinalização – são da prefeitura de Gaspar; tudo ao tempo de Paulo Norberto Koerich, PL. Tudo feito com muita pompa e propaganda política intencional para se ter dividendos em época de campanha eleitoral. Quem vai bancar a obra vital para garantir a mobilidade que está se comprometendo a cada dia, e ainda mais sob ameaça de tempestades severas e altas do nível do rio em tempos de El Niño? O governo de Jorginho Mello, PL, via a Defesa Civil e Proteção, na época do acerto e assinatura era comandada pelo secretário, o ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL.

Mas, o que pegou?

Várias operações da polícia especializada, do Gaeco – Grupo de Atuação Especial no Combate as Organizações Criminosas – e o Ministério Público estadual. Elas desbarataram, após longo tempo de investigações, uma rede de políticos, servidores, empresas e empresários envolvidos em corrupção ativa e passiva contra os cofres da prefeitura de lá. E na operação “Ponto Final” estava o “dono de Blumenau”, articulador das reuniões por aqui da turma da “pedreira” – o cartel de empreiteiras – e homem forte do governo de Hildebrandt, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi.

Mário Hildebrandt, PL, sempre alega em sua defesa de que não é investigado ou indiciado em coisa alguma. Entretanto, tudo correu solto nas suas barbas. E este assunto pelos nomes revelados nas operações, vem permeando os governos de lá desde os tempos do gasparense Renato de Mello Vianna, MDB, passando por João Paulo Kleinubing, PL e Napoleão Bernardes, PSD. Egídio Maciel Ferrari, PL, livrou-se de alguns deles, mas não das consequências, como o Samae e a BRK, por exemplo, entre tantas outras..

UM ALVO À VISTA DE TODOS

E é creditado a Maiochi – que veio de Blumenau numa indicação do PL de lá – como secretário de Planejamento Territorial de Gaspar e assessorado por um kit de técnicos importado de Blumenau e Indaial, sempre muito próximo a Maiochi, a contratação da obra de proteção da barranca do Rio aqui. O dia da assinatura do papelinho da Ordem de Serviço não deixa dúvidas de que ele – e seu padrinho Mário Hildebrandt – era o centro das atenções e a importância que o PL, o governo do Estado, os políticos pré-candidatos e os da administração de Paulo Norberto Koerich, PL davam à obra. A foto oficial abaixo é da prefeitura de Gaspar.

Neste processo, o superintendente de Defesa Civil de Gaspar, o sargento bombeiro militar, e especializado no assunto, Rafael Araújo de Freitas era passageiro. É só olhar as fotos do evento. Os políticos tomaram conta, na esperança de retorno para eles. Não exatamente para a cidade. E agora, se estreparam. Uma parte quer explicações e a maioria não.

Retomando. Maiochi saiu daqui de tornozeleira eletrônica pelo que supostamente fez por anos em Blumenau. E aqui, por decorrência normal, repito, normal, começou-se a vasculhar o que ele já tinha feito na secretaria de Planejamento Territorial onde era uma espécie de prefeito de fato, e mandava e desmandava numa comissão de gestão reduzida ao procurador geral Júlio Augusto de Souza Filho – que já foi – a secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha e ao chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP, agora o quarto secretário de Planejamento Territorial em um ano e sete meses do governo Paulo. Parte dos vereadores estava desconfiada de Maiochi diante de informações cada vez mais vindas de Blumenau sobre o passado dele. E em reunião quase secreta com eles no gabinete de Paulo Norberto Koerich, PL,, Maiochi anunciou – sem fatos e projetos concretos – um “plano de obras” de R$300 milhões. Horas depois, já era R$360 milhões perante os associados da ACIG. E os vereadores ligaram uma coisa a outras. Bingo.

UMA MÁ PRÁTICA IMPORTADA E ACOLHIDA POR AQUI

E surgiram, imediatamente, as dúvidas desta obra de pouco mais de R$2,4 milhões – sem os aditivos, naturalmente. Tudo embrulhado: as mesmas pessoas, os mesmos técnicos, as mesmas empresas, os mesmos indícios de superfaturamento, os mesmos vícios e o mesmo sentido de negação dos que devem explicações à cidade, cidadãos e cidadãs.

Imediatamente, também, o cheiro de enxofre no ar, virou acusação de perseguição e exploração política para desmerecer e desqualificar quem possui a obrigação de esclarecer em nome do povo, os vereadores com mandato para isto. Impressionante. Bingo pela segunda vez. A corda estava sendo esticada a partir dos gabinetes da Praça Getúlio Vargas

E exatamente, estas desqualificações partiam de quem, no passado, disse que viraria a página de dúvidas e falta de transparência. E assim se elegeu. Mais do que virar a página, o “novo” poder instalado, a mando dos que são donos da cidade há décadas, seja que governo esteja no poder plantão, jurou esclarecer tudo o que supostamente escondia no governo de Kleber Edson Wan Dall (2017/24) que se elegeu no MDB e está no Podemos, para exatamente se alinhar e surfar na campanha de reeleição de Jorginho Mello, PL. Bingo pela terceira vez.

UMA TEIMOSIA INCOMPREENSÍVEL CONTRA A IMAGEM CONSTRUÍDA

Acuado, irritado e subindo o tom, Paulo Norberto Koerich, PL, foi a 89 FM. Ali, naquele dia, o afamado investigador de mais de 30 anos de Polícia Civil, delegado de municípios, ex-integrante do Gaeco, delegado regional, delegado geral e ex-secretário de Segurança no governo de Carlos Moisés da Silva, União Brasil, se disse “surpreendido” com as operações e o envolvimento direto do seu secretário Maiochi.

A cidade inteira, à aquela altura dos acontecimentos, sabia que não tinha sido bem assim. Paulo apenas teimou e bancou quem já estava indiciado. E a corda estourou e contra o próprio Paulo

Paulo disse à cidade em sua frágil defesa de que demitiu Maiochi. Sim, mas só depois do escândalo. Não havia mais alternativas e saídas honrosas. E a pergunta que não quer calar é: e Paulo precisava atestado dar este atestado em público?

Se não é teimoso, Paulo é mal, mas muito mal orientado. E precisa rever urgentemente este círculo de má proteção. Ele próprio, por esses orientadores, está destruindo uma fama profissional que o fez chegar ao topo da carreia policial em Santa Catarina. Ou virou político em cassino jogando com a sorte e amnésia dos eleitores e eleitoras?

Se isto não fosse pouco, fuçando diante da teimosia de Paulo e os seus “bruxos” orientadores, as provas se avolumavam contra a equipe de Maiochi na prefeitura de Gaspar. Ele saiu, mas ficou o kit. E ele continuava a operar nas sombras do antigo secretário.

E Paulo bancando tudo isso. “Não há provas”, jurava Paulo. Com a imprensa daqui em continuado obsequioso silêncio, precisou-se, mais uma vez, estampar nas redes sociais e aplicativos de mensagens de fora de Gaspar, áudios cabulosos, documentos comprovando a mistura de todos e fotos dos implicados que se diziam desconhecer um ao outro. Este espaço não se rendeu à pressão nem para esconder muito menos para virar um panfleto irresponsável. Apenas preservou à obviedade.

E ela tudo foi replicada na Câmara. Estava e está na cara de todos. Os do poder de plantão em Gaspar, Blumenau, Indaial, Florianópolis, PL e direita, ficaram nus mais uma vez. E tardiamente, Paulo ficou sem alternativas. Bingo pela quarta vez. Encalacrado – e teve oportunidade para não ficar encalacrado – Paulo teve que demitir a ex-secretária interina de Planejamento Territorial e titular como Diretora Geral de projetos da mesma secretaria, Camilla Beatriz Tillmann, a que zombou dos vereadores em um depoimento vexatório na Câmara. Hora depois chegou a vez de quem carregou o projeto da barranca nas costas, Aline Fonseca Pereira Bratfisch. Mais uma vez os fatos atropelaram Paulo Norberto Koerich, PL, e o deixaram exposto. Inacreditável. Quem mesmo o orienta?

“MEÇA AS SUAS PALAVRAS“

Para se abrir uma CPI na Câmara de Gaspar é preciso de cinco assinaturas dos vereadores titulares. E não vai ter CPI. Está enterrada. Este é o jogo. A não ser que haja um milagre até segunda-feira.

Os quatro que assinaram foram: Giovano Borges, PSD; Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, supostamente da base do governo e ligado ao vice-prefeito, o engenheiro e multitulado Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, e afastado politicamente do grupo de poder; Roni Jean Muller, MDB, ex-integrante ativo do governo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, que teve no governo CPI (a da drenagem da Frei Solano) instalada pela Câmara e uma (a da Roçada), veja, só a hipocrisia, pelo atual governo de Paulo para apurar fatos do governo dele onde indiretamente Roni estava implicado; bem como Dionísio Luiz Bertoldi, PT.

Os que não assinaram, não vão assinar, trabalham para que nada seja assinado, ou jogam para que assinado, tudo dê em pizza, estão José Hilário Melato, PP, alvo de uma CPI, a da drenagem da Rua Frei Solano. Era o presidente do Samae e licenciado da Câmara, assim como Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP. O PP é que dá maioria para a governabilidade para Paulo Norberto Koerich, PL e se precisar o voto minerva do presidente Ciro André Quintino, MDB.

Neste rol contra a CPI está o campeão de votos na última eleição Alexsandro Burnier, eleito pelo PL e agora num tal de PRD.  Ele teve 3.429 votos (9,43%) dos votos válidos. Qual era o mote de campanha dele? Pegar os corruptos, tirar a suposta sujeira que o governo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, colocou para debaixo do tapete e autor da CPI da Roçada. Era o tiktoker. Agora, em semanas, mudou. Alexsandro é contra qualquer investigação no governo do PL de Paulo Norberto Koerich. Há para isso, várias teses. Elas vão desde conspiração à falta de provas suficientes para se apurar alguma coisa.

Integram a lista dos que não vão assinar Ciro André Quintino, MDB. “Se tiver as cinco assinaturas, eu instalo. Não carrego ninguém pela mão“, costuma dizer Ciro no conhecido discurso. Ele sabe que, se milagrosamente, houver as cinco assinaturas terá um problemaço pela frente. Vai ter que matar no peito e se desgastar, ou então virar heróis.

Ainda integram a lista, dos que não querem ou não vão assinar a instalação da CPI do Maiochi, Carlos Francisco Bornhausen, MDB, com 37 anos de serviços na área de Obras e Planejamento Urbano de Gaspar e por fidelidade, mesmo sabendo dos desgastes, a bancada do PL inteira com Sandra Mara Hostins, Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, Alyne Carla Serafim Nicoletti (policial que esteve no governo de Kleber como suplente de vereadora do PSD de Giovano e foi a relatora da CPI da Roçada) e Elisete Amorim Antunes. A até então calada Elisete, agora em reuniões dos vereadores, como se viu no vídeo acima, quer que eles sejam mudos, mesmo na necessária divergência educada: “meça as suas palavras“, insistiu, ameaçadoramente, aos colegas na falta de melhor argumentação sobre as razões para não ver nada apurado e tudo sepultado. Cruzes.

UMA SANGRIA DO TIPO SE CORRER O BICHO PEGA; SE FICAR O BICHO COME

Estamos em época de eleições. Fora dela, a instalação de uma CPI desse tipo já seria difícil. E a milionária Reforma Administrativa que está em curso na Câmara é o trunfo de moeda de troca para que poucos se mexam em vespeiros como esta CPI. Ela cria muitos benefícios para os servidores efetivos que a enxergam com simpatia. Há quem diga que primeiro a polícia precisa entrar no caso. Há quem argumente que antes, a prefeitura precise terminar a sindicância interna. Ora, esperar pela polícia é esperar o atual governo acabar. Esperar pela sindicância interna, em sigilo, sem transparência, é duvidar que a CPI não possa confirmar o que está se apurando as escondidas.

Então, diante de tudo isso e da campanha oficial que se inicia em meados deste agosto para cabalar votos para quatro de outubro deste ano, prospera os desgastes, qualquer que seja a situação escolhida pelo governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Uma CPI respingaria diretamente não só no seu governo, mas no de Egídio Maciel Ferrari, bem como no de Mário Hildebrandt e por costeio, em Jorginho Mello, PL. É isto que está em jogo. Nenhuma descoberta é mais importante. Nenhum escândalo pode ser propagado. Nenhum suposto culpado neste momento deve ser apontado. É hora de caçar votos. Depois, todos se agarram e comemoram.

A CPI não entra na agenda oficial da Câmara de Gaspar. Entretanto, ela fica como zumbi nos palanques, nas redes sociais, nos aplicativos de mensagens e no imaginário das pessoas. No fundo, ela será pior do que a própria CPI em andamento e sob controles. Ela, no fundo, sem existir, estará colada silenciosamente nos candidatos do PL, de Egídio, Paulo, Jorginho, do conservadorismo, da direita, a que se dizia limpa e avessa a esconder as coisas.

O enterro desta CPI antes dela nascer acaba de destruir o discurso de transparência, respeito ao dinheiro público e caça aos desvios administrativos que a fez vencedores em Gaspar e Blumenau, com suposta mudanças e resultados, com alguns campões de votos.

O PL, a direita, os conservadores, na verdade, em Gaspar, estão lavando a alma do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP e de Jorge Luiz Prucino Pereira, entre tantos. Aliás Kleber por Jorginho já está com o grupo que governa Gaspar. No fundo, está faltando a Paulo Norberto Koerich, PL, e a Alexsandro Burnier, PRD, um pedido de desculpas formais por tudo que duvidaram do governo anterior para conseguir se eleger.

Nada como um dia após o outro para se saber quem é caça e o caçador. Eu não mudei um milímetro de lugar. Estou mais uma vez de alma lavada. Até aqui, a melhor marca do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, é o desconhecimento do currículo dos que trabalham com ele e a permanente falta de transparência. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

A escolha estava encaminhada. Só faltava a oficialização. André Moura da Cunha, será o novo chefe de Gabinete do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, pelas mudanças conhecidas até aqui pelo Diário Oficial dos Municípios. Ele era o secretário adjunto de Fazenda e Gestão Administrativa efoi exonerado no dia 30 de julho. Se for o escolhido, ele substituirá o engenheiro elétrico Pedro Inácio Bornhausen, PL, que foi levado a titularidade da secretaria de Planejamento Territorial depois de tantas burradas nesta pasta. Pedro fica na chefia de Gabinete até esta segunda-feira.

André Moura da Cunha, apesar de nascido em Gaspar não possui qualquer identidade político-administrativa com Gaspar. É mais um que veio de Blumenau, mora no litoral. Ele se empregou aqui no pacote do PL de Blumenau. Um chefe de gabinete é escolhido por uma afinidade técnica abrangente que exige dedicação muito além da formal, ou então, amplo domínio – com autoridade – dos bastidores da máquina pública e relações com os políticos da cidade, Florianópolis e até Brasília. Converso com este bastidor (pessoas) e que me garante que André não tem nem uma, nem outra. Então o tempo será senhor da razão para desmentir a todos.

O governo está só. Na prefeitura estão tentando barrar acesso a sites e blogs. Nas redes sociais, é visto com frequência, gente comissionada curtindo e interagindo em horário de expediente. Nos sites oficiais da prefeitura, a interação é minguada. E de gente obrigada a isto pelo emprego que possui. A comunicação da prefeitura de Gaspar é desastrosa. Muito, porém diante dos erros táticos, como o do enterro da CPI do Maiochi. Aí não há marqueteiro que de conta.

Outra. Não há em Gaspar alguém que não dependa das verbinhas do governo e dos donos do poder político e econômico que por não depender, transpasse confiabilidade e credibilidade. Vira e mexe, vejo que o governo quando tem a faca e o queijo na mão, ou limões para uma limonada, de tanto desacreditar esses veículos, não pode usá-los, exatamente porque fica sempre a dúvida se é propaganda, medo, vira-casaca ou jornalismo. O próprio sistema mata a galinha dos ovos de ouro. Muda, Gaspar!

Então quer dizer que agora não há mais disfarces? O PT, por seus candidatos e em pleno exercício do mandato, na busca dos votos dos indíginas, vão até José Boiteaux se solidarizar com os moradores da reserva na luta deles de proteção às suas terras, mas a de esticar cada vez mais a altura do sarrafo contra um acordo definitivo para o funcionamento da Barragem Norte, na proteção de quase um milhão de votos a jusante, onde verdadeiramente qualquer um se elege?

Está dada a largada na disputa ao governo de Santa Catarina. A luta para a reeleição de Jorginho Mello, PL, está exatamente em não permitir que João Rodrigues, PSD, chegue ao segundo turno. Se chegar, haverá uma nova e outra eleição. E Jorginho corre risco sério. E o carioca importado pelo PL para ser candidato a senador por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, prova que não conhece o estado e sua gente. Usou por debaixo da sua roupa um colete para proteção de tiros.

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26 comentários em “A FALTA DE TRANSPARÊNCIA JÁ É UMA MARCA ADMINISTRATIVO-POLÍTICA. NOVE DOS 13 VEREADORES DE GASPAR NÃO QUEREM CPI PARA APURAR POSSÍVEIS SUPERFATURAMENTO NA OBRA CONTRATADA PELA PREFEITURA DE PAULO NORBERTO KOERICH E QUE VAI SER PAGA PELO GOVERNADOR JORGINHO MELLO, AMBOS DO PL. ENQUANTO ISSO, ESSENCIAL À PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO E À MOBILIDADE, ESTÁ PARADA.”

  1. Pingback: NOVE VEREADORES QUE APOIAM GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, ENTERRARAM A CPI QUE IRIA APURAR SUPERFATURAMENTO E DÚVIDAS TÉCNICAS DA OBRA DE PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ, NA FIGUEIRA. ELA, QUANDO CONTINUAR, SERÁ PAGA PELO GOVERNO DE JORGI

  2. MELHOR EVITAR, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    É abismante a hipótese de que os donos de partidos do que se chama de Centrão resistam a se aliar a Flávio Bolsonaro “por medo” do Supremo. Para além do já paralelamente constituído Tribunal Xandônico Eleitoral, seria o “fator STF” interferindo na eleição por meio de “recomendações”: juízes da Corte constitucional que usariam o poder togado para fazer carga sobre agentes políticos que têm foro por prerrogativa de função naquela mesma Corte constitucional.

    “Recomendações” prudentes de quem controla a informação e a caneta para materializá-las em decisão serão “recomendações” autoritárias. “Recomendações” autoritárias daqueles que são os gestores dos tempos de inquéritos não serão recomendações.

    Será impossível não especular sobre por que Flávio Dino mantém xandonicamente abertos os inquéritos relativos às corrupções do orçamento secreto, quando dispõe dos elementos para declarar inconstitucional a emenda de comissão, com todas as consequências para os parlamentares que lhe violaram o espírito republicano. “Recomendações” autoritárias não raro são entendidas como facas nos pescoços.

    Publicou Malu Gaspar, no Globo, que os proprietários de PP e União Brasil estariam sob “pressão” de ministros do STF “para preferir não fazer aliança formal com a chapa do filho de Jair Bolsonaro – tanto pelo risco de serem alvo de algum tipo de retaliação em razão da opção eleitoral por adversário da Corte como pelo risco de o próprio Flávio vir a ser alvo de alguma medida judicial até o final da eleição”.

    O “risco de serem alvo de algum tipo de retaliação” como consequência de aliança política compõe nova ode à função de ministro de tribunal constitucional submetida à agenda política. O juiz que poderia-deveria agir, que tem os instrumentos formais e as razões fundamentadas para punir – e que agirá, que agiria, para retaliar, jogando com as possibilidades enquanto corre aquele relógio específico das convenções partidárias.

    Há vários motivos (dos dinheiros de Vorcaro até os trânsitos do crime organizado pelo governo do PL no Rio de Janeiro) para que um partido não se associe à casa de vidro de Flávio Bolsonaro; que, de resto, pode ter quantos adversários – inimigos, sob o discurso para conflito bolsonarista – quiser. O Supremo não pode ter adversários nem ser aquele que, detentor exclusivo da prerrogativa de autorizar operações, medidas cautelares e até prisões contra o senador investigado, previne agentes políticos sobre o risco de se aliar ao senador candidato.

    Melhor acreditar que os ciros nogueiras não fecham com Flávio Bolsonaro porque um acordo de neutralidade com o PT lhes ameniza a ladeira de pedir votos no Nordeste contra Lula. Melhor acreditar que os ruedas e alcolumbres, senhores de bilhões em emendas parlamentares, não fecham com Flávio Bolsonaro porque podem prescindir de contratos prévios com candidaturas majoritárias.

  3. LULA, MAIS UMA VEZ, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O nome do petista Luiz Inácio Lula da Silva aparece na cédula eleitoral como candidato a presidente desde os tempos imemoriais do voto em papel, lá se vão quase 40 anos. Anteontem, o presidente foi oficializado como candidato pela sétima vez, e estará em busca de seu quarto mandato. Logo, os eleitores brasileiros estão cansados de saber quem ele é e o que é capaz de fazer quando está no poder. Mas Lula é imbatível na arte de engambelar: agora ele promete fazer diferente, “fazer o que a gente ainda não fez”.

    Na convenção do PT que oficializou sua nova candidatura, Lula encarnou um super-herói boquirroto disposto a salvar o Brasil de vilões daqui e de fora. O petista prometeu blindar as terras raras da cobiça estrangeira, jurou que investirá em defesa para que o País jamais seja “invadido” como a Venezuela pelos EUA e anunciou que brigará com o Congresso para, ora vejam, retomar o controle do Orçamento e pôr fim à “promiscuidade” do Fundo Partidário. Para ficar perfeito na personagem, só faltou Lula vestir uma esvoaçante capa vermelha com a estrela do PT.

    Esse Lula vingador mascarado é o mesmo que, na campanha de 2022, prometeu acabar com o orçamento secreto, mas que, uma vez no poder, deixou tudo como está. O insulto à inteligência alheia também vale para o suposto combate ao Fundo Partidário.

    Mas o auge da farsa lulopetista veio no momento em que Lula anunciou que vai “mudar muita coisa neste país”. Para começar, o petista disse que vai recuperar os “direitos” do presidente da República, entre os quais o de definir o Orçamento, cada vez mais capturado pelos parlamentares e seus interesses paroquiais. Lula disse que não dá mais para ficar “chorando atrás da miséria que sobra do Orçamento”.

    Ora, com que base parlamentar Lula pretende fazer isso? Se hoje o governismo no Congresso é uma massa disforme e incontrolável, a próxima legislatura promete ser ainda mais hostil ao presidente petista. Num surto delirante, Lula pode escolher a ingovernabilidade e brigar com o Congresso, mas, depois de tanto tempo no poder, ele sabe que isso não acaba bem.

    Contando com a ingenuidade dos eleitores, contudo, Lula anunciou que será “mais ousado”: “Eu não quero o Lulinha Paz e Amor, eu quero o Lulinha Porreta. Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque o básico nós já cuidamos, o povo já está comendo. Agora que estamos com o básico garantido, agora é hora de dar um salto de qualidade”.

    Trata-se de uma fantasia recorrente do lulopetismo. Se estivesse realmente interessado num “salto de qualidade”, Lula teria ao menos mencionado a necessidade urgente de um ajuste fiscal. Mas esse tema, obviamente, esteve ausente do palavrório do presidente.

    Aqui e ali, gente do governo diz que o quarto mandato será diferente. O último a fazê-lo foi o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, que disse ao jornal Valor que o “ajuste fiscal do próximo governo” teria “vários caminhos” e que seria preciso discutir “poupança de longo prazo” e mecanismos para estimular famílias e o poder público a poupar mais. Chega a ser ultrajante ouvir de um assessor de Lula que, depois de décadas incentivando os brasileiros a gastar o que têm – e, principalmente, o que não têm –, o governo petista agora acha que é o caso de estimular a poupança dos brasileiros.

    Os números desmentem o suposto compromisso com a responsabilidade fiscal até como discurso. O País bateu recorde de arrecadação no primeiro semestre – R$ 1,587 trilhão – e, mesmo assim, fechou o período com déficit de R$ 92,2 bilhões, o segundo pior resultado desde 1997. A dívida pública federal chegou a R$ 9,268 trilhões em junho e deve encerrar o ano em R$ 10,3 trilhões, cerca de 82% do PIB, com custo médio no maior patamar desde a recessão de 2016.

    Com esse histórico, Lula pode achar que ainda ilude os incautos com seu discurso de “fazer diferente” e “dar um salto de qualidade”, mas a verdade é que, se vencer a eleição, não será porque os eleitores acreditaram nessa patacoada, e sim porque a ojeriza ao bolsonarismo terá se provado maior do que a hostilidade ao lulopetismo.

  4. IMPRESSIONANTE

    O texto é de Augusto Franco no X

    O fato dos partidos do chamado centrão não quererem se coligar ao candidato Flávio já é, por si só, uma indicação de que a chamada extrema-direita não comanda, como se diz, a direita. Isso significa que o bolsonarismo já perdeu a luta política no período em que vivemos: nem é necessário esperar as próximas eleições.

    E o fato de Lula, por mais uso (e abuso) que faça do Estado a seu favor, não conseguir ampliar suas alianças para além dos partidos de esquerda (alinhados ao eixo autocrático) e nem chegar a 50% das intenções de voto, indica que o lulopetismo – embore continue sendo hegemônico em instituições-chave do Estado e da sociedade (parte do funcionalismo público, STF e tribunais superiores, sindicatos, centrais e associações profissionais, ONGs e movimentos sociais, universidades federais nas áreas de humanas, juristas, jornalistas e analistas políticos, institutos de pesquisa de opinião e agências de checagem) – não detem mais a maioria das preferências populares e sua hegemonia sobre a sociedade em geral entrou em declínio.

    Tudo isso aponta para uma crise dos populismos: tanto do nacional-populismo bolsonarista, quanto do neopopulismo lulopetista. Mesmo uma vitória eleitoral em 2026 não vai fazer um desses lados inverter a tendência de queda no médio prazo (até 2030-2034).

  5. O braço direito do Mário já assumiu a chefia de gabinete???
    Não precisa nem de DNA, pra comprovar que a administração de Gaspar é filha do Hildelbrandt. Já podem trazer o André Espezin, Botelho, Roni Wan-dall porque já perderam a vergonha…

    1. Mas, todos foram e serão entrevistados pelos empregadores, como justificou e disse na rádio – e está gravado – não encontrar nada o empregador

  6. A sindicância interna instaurada para apurar possíveis irregularidades na obra de contenção da Rua Anfilóquio Nunes Pires estaria sendo conduzida sob sigilo, conforme informações que chegaram até nós considerando os esclarecimentos nada esclarecedores prestados pela então Secretária de Planejamento Camilia durante os questionamentos realizados na Câmara.

    Diante disso, surgem questionamentos legítimos sobre a independência e a efetividade dessa apuração, especialmente diante de fatos que ocorreram simultaneamente ao andamento da sindicância.

    Vamos aos fatos:
    O Projeto de Lei Ordinária nº 50/2026, disponível no site da Câmara Municipal (https://www.camaragaspar.sc.gov.br/documento/projeto-de-lei-ordinaria-no-50-2026-104182), propõe uma gratificação mensal de R$ 5.500,00 para cada membro da Comissão Permanente de Sindicância e Processo Administrativo, valor que seria recebido além da remuneração normal dos servidores que integram a comissão.
    O projeto foi protocolado na Câmara em 17/07/2026, justamente durante o período em que, segundo as informações disponíveis, estaria em andamento a sindicância relacionada às possíveis irregularidades na obra de contenção da Rua Anfilóquio Nunes Pires.

    Diante dessa coincidência temporal, é razoável questionar: qual é a relação entre a criação dessa gratificação e o momento em que a sindicância está sendo realizada?

    Não se trata de afirmar, sem provas, que exista qualquer favorecimento ou interferência na investigação. Entretanto, os fatos merecem esclarecimento público, principalmente porque a sociedade tem o direito de saber quem está conduzindo a sindicância, quais são os critérios adotados, quais garantias de independência existem e quando os resultados serão apresentados.

    E fica uma preocupação que não pode ser ignorada: diante de todo esse contexto, existe o receio de que a sindicância já esteja, de alguma forma, “aparelhada” pelo próprio governo, com o objetivo de colocar o caso para debaixo do tapete e evitar que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e responsabilizados.

    Ao mesmo tempo, mantemos a esperança de que as autoridades policiais também avancem nas investigações, sem proteção a quem quer que seja e sem que interesses políticos ou administrativos se sobreponham à busca pela verdade.

    No final, o que a população espera é simples: transparencia, verdade e responsabilização, caso sejam comprovadas irregularidades, poré, fica a impressão de que a devida apuração dos fatos poderá depender exclusivamente da investigação policial juntamente com o Ministério Público.

    1. Nada é coincidência

      Acumulam-se, como diria Hercule Poirot (investigador belga de Agatha Christie) ou C. Auguste Dupin (do inigualável Edgar Allan Poe), evidências.

      O que esta gente tanto tenta esconder? No fundo, coloca mais veneno neste emaranhado de confusões. E o povo amplia. E como. Os aplicativos de mensagens tem coisa do arco da velha e no meio de tudo, sempre, o bom velhinho…

      Que esta milionária Reforma Administrativa virou moeda de troca, ah, isto virou. Será outro escândalo.

    1. Se tiver a CPI do Maiochi e sua barranca, Gaspar vai ganhar um herói improvável. Ou estará em curso uma esperteza de se colocar a sujeira do tapete para diminuir os dados que já bateu às porta dos catadores de votos para este quatro de outubro

  7. O CANDIDATO

    Em Gaspar, tem candidato que se diz enviado de Deus. Realmente, na falta de votos, na enxurrada de erros e incoerências, só milagres. Afinal, Deus salva.

  8. PIORA O DESIQUILÍBRIO DAS CONTAS PÚBLICAS, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    Quando o arcabouço fiscal foi lançado, em agosto de 2023, comentamos aqui que o novo sistema só alcançaria o equilíbrio das contas públicas com forte aumento da arrecadação tributária. Pois o governo conseguiu significativo aumento das receitas — e, mesmo assim, a dívida entrou numa trajetória de alta. A despesa cresceu ainda mais que a receita.

    De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira, a dívida bruta de todos os níveis de governo (federal, estaduais e municipais) alcançou em junho R$ 10,8 trilhões, o equivalente a 81,9% do PIB. Subiu R$ 190 bilhões só em maio. Para comparar: o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recomenda que países emergentes como o Brasil tenham dívida em torno de 40% do PIB.

    De onde vem essa dívida? Do déficit primário (receita menos despesas, excluído o pagamento de juros) e do déficit nominal, que inclui a conta de juros paga pelo governo federal. Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o problema maior está na conta de juros, de fato maior que o déficit primário.

    Trata-se de um engano. A conta de juros elevada é consequência de um fato simples: o governo, todo mês, gasta mais do que arrecada. Isso acontece com todo o setor público, mas o problema maior está na esfera federal.
    Nos 12 meses encerrados em junho, o déficit primário do governo federal alcançou R$ 139,7 bilhões, pouco mais de 1% do PIB.

    Está fora da meta. Para este ano, pelas regras do arcabouço, o governo deve produzir superávit de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. Há margem de tolerância. Se der déficit zero, o resultado está dentro da meta. Com truques: algumas despesas não entram na contabilidade.

    Só que esse rombo aparece no crescimento da dívida. Gastando mais do que arrecada, o governo precisa tomar dinheiro emprestado para cobrir o déficit. Em outras palavras, faz dívida nova todo mês para rolar as contas e pagar juros da dívida já feita. Só há um jeito de interromper a escalada da dívida: fazer superávit primário. Com isso, com a sobra, o governo poderia amortizar a conta de juros.

    Como a receita já está muito elevada, o único modo de obter equilíbrio é redução de despesas. Ou seja, mudar a regra do arcabouço, pois este estipula que a despesa pode crescer anualmente 2,5% acima da inflação. O ministro Durigan, questionado sobre um eventual ajuste fiscal no ano que vem, supondo que Lula seria reeleito, falou em diminuir a expansão da despesa, crescer, digamos, “só” 2%. Não adiantará. A dívida continuaria em trajetória de alta.

    Muitos economistas e analistas políticos entendem que haverá necessariamente um ajuste fiscal em 2027. Seria por imposição dos fatos. A dívida chegaria a tal nível alarmante que qualquer governo se sentiria forçado a fazer o ajuste.

    Todo mundo sabe o que precisa ser feito. É necessário eliminar a regra de reajuste real do salário mínimo, porque a maior despesa do governo, a previdenciária, é indexada ao mínimo. Ou então é preciso eliminar essa indexação e corrigir as aposentadorias apenas pela inflação. Um ajuste fiscal também exige redução de gastos com saúde e educação e corte substancial nas emendas parlamentares.

    Nenhum candidato presidencial sequer fala nessas hipóteses. O governo Lula gasta como se não tivesse limites. Por isso, é tentador dar um comando ao BC para que reduza taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano. Isso aliviaria a conta de juros. Mas, se o BC reduzir a taxa com a inflação acima da meta, criará instabilidade — mais inflação, menos crescimento.

    E os juros não caem no mercado. Com a dívida em alta, o governo terá de pagar mais caro para vender os títulos do Tesouro. Hoje, um dos papéis mais demandados é a NTN-B. Paga inflação mais 8% de juros reais. Não faz muito, esse mesmo papel pagava inflação mais 6% de juros. Subiu exatamente por causa do aumento do déficit e da dívida. E o que acontece se o próximo governo, qualquer que seja, não fizer o ajuste? Pense no governo Dilma: inflação e recessão.

  9. O DISCURSO QUE LULA NÃO FARÁ, por Demétrio Magnoli, no jornal O Globo

    “Trump pretende dobrar o Brasil. Fracassará. Meu governo decidiu encarar o tarifaço como oportunidade de modernização econômica. Movemo-nos pelo interesse nacional, não pelo interesse eleitoral.

    Desisti do programa Brasil Soberano. Os setores tarifados abrangem, largamente, a ‘indústria Paulo Skaf’: empresas pouco competitivas, historicamente protegidas. Não receberão subsídios do governo. Concedê-los seria ampliar a dívida pública, pressionando ainda mais a taxa de juros. Não agiremos como seguradora de empresários, transferindo-lhes a renda do povo em nome do protecionismo.

    Deixemos o protecionismo para Trump. Nosso caminho é o inverso: como fizeram Indonésia e Vietnã, baixaremos taxas alfandegárias para estimular a importação de bens de capital e insumos, impulsionando a modernização industrial.

    Só exporta quem importa. A abertura de mercado proporcionará aumento e diversificação das exportações, além de produtos melhores e mais baratos aos consumidores. O Brasil é aliado dos Estados Unidos. Por isso ajudaremos Trump a alcançar seu objetivo, isolar os Estados Unidos do mundo. Queremos parcerias comerciais com Ásia, Europa e Canadá. A redução de tarifas de importação começa seletivamente. Exclui os Estados Unidos e beneficia concorrentes das empresas americanas no setor estratégico de máquinas e equipamentos.

    — Temos que negociar! — falam por aqui os lobbies dos setores da lista de exceções.

    Fingem não saber que tentamos negociar ao longo de meses. Trump queria submissão: o monopólio da exploração de nossas terras-raras e o fim do Pix, além de outras exigências abusivas. Não somos colônia.

    As tarifas punitivas foram aplicadas sob pretextos falsos (o Brasil mantém déficit com os Estados Unidos) e injuriosos (repudiamos, aqui e no exterior, o trabalho forçado). O tarifaço tem motivações políticas e ideológicas. Negociação de verdade, só com reação. Temos cartas, ao contrário do que Trump imagina.

    Não somos néscios. Ninguém imporá tarifas simétricas de importação. Seria um tiro no pé. Escolhemos a retaliação assimétrica calibrada. Por meio de impostos discriminatórios sobre exportações (apenas para os Estados Unidos), faremos os consumidores americanos pagarem mais pelo hambúrguer e pelo café. Vai doer neles, na hora das eleições ao Congresso.

    A China ensinou ao mundo uma lição, ao ensaiar o controle de exportações de minérios críticos, impondo a negociação à Casa Branca. Não somos a China, mas os Estados Unidos não têm substitutos para nosso nióbio, essencial à produção de aços especiais para as indústrias aeronáutica e de defesa. Não descartamos proibir temporariamente as exportações para os Estados Unidos.

    Embraer e Bombardier fornecem quase todos os aviões regionais usados nos Estados Unidos. Em aliança com o Canadá, abrimos a possibilidade de controlar as exportações dessas aeronaves. Que fique claro: seriam controles temporários, dirigidos exclusivamente aos Estados Unidos, que cessarão quando concluirmos um acordo comercial equânime.

    Retaliação não sai de graça. Os setores excluídos do tarifaço são compostos por empresas modernas, altamente competitivas, com forte lastro financeiro. Mas a vida não se resume a lucros. Fazendo sua parte no esforço nacional, elas sofrerão perdas momentâneas. Contudo, mesmo antes de recuo dos Estados Unidos, acelerarão a diversificação de mercados já em curso, exportando para China, Japão, Sudeste da Ásia, Europa e Canadá. Ao longo dessa trajetória, o agro oferecerá alimentos mais baratos para um mercado interno em expansão.

    A ideia é negociar, não escalar, mas tudo está sobre a mesa: tarifar serviços prestados por empresas americanas, taxar pesadamente as big techs, quebrar patentes farmacêuticas. Imagino que não seremos forçados a chegar a esses limites.

    O governo do Brasil não desfralda bandeiras ideológicas. Queremos restaurar o intercâmbio comercial normal com os Estados Unidos. Soberania não é de esquerda ou de direita. Conclamamos a oposição a desviar-se da estrada da submissão a interesses estrangeiros, participando da resistência nacional ao ataque contra nossa economia. Não pedimos adesão. O voto popular está aí para deliberar sobre nossas divergências.”

  10. ATIVISMO DE MORAES REQUER SEMPRE MAIS HETERODOXIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O problema clássico de um magistrado que flexibiliza a ortodoxia das regras em nome de um objetivo virtuoso é o risco de ele ter de recorrer a novas rodadas de direito criativo para lidar com anomalias causadas pelas decisões anteriores.

    Há três semanas o ministro Alexandre de Moraes proibiu o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, de visitar seu pai, Jair, que cumpre em casa pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

    A divulgação de uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro, em que reafirmava apoio ao primogênito na tentativa de afastar dúvidas sobre a coesão familiar, deflagrou a reação do juiz do Supremo Tribunal Federal. A comunicação, decidiu Moraes, violou uma medida cautelar de julho de 2025 que proibia manifestações públicas do ex-mandatário, inclusive por meio de terceiros.

    Note-se a sucessão de esgarçamentos em relação ao que seria a aplicação canônica dos regulamentos. A incomunicabilidade deveria ser medida excepcionalíssima, inclusive para quem cumpre pena de prisão, mas perdura no caso de Jair Bolsonaro como se fizesse parte do seu castigo.

    Que ele possa ser sancionado pelo que vier a dizer ou transmitir faz todo sentido, mas que seja proibido a priori e por tempo indeterminado de se expressar parece um vedamento extravagante. Esse direito, corretamente, não foi cassado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando ele cumpria pena de prisão —ressalve-se que, diferentemente da condenação de Bolsonaro, a de Lula ainda não estava transitada em julgado.

    Impedir um familiar de visitar o preso, ainda mais quando é advogado constituído pelo apenado, tampouco homenageia as melhores práticas do direito.

    Tal cadeia de heterodoxias produziu mais um rebento. Um vídeo declaradamente feito com inteligência artificial, exibindo mensagem de Jair Bolsonaro à convenção que oficializou a candidatura de Flávio, ensejou nova intervenção do ministro do STF.

    O ex-presidente negou ao juiz ter consentido na produção da peça, e o bizarro é que poderia ter sido punido com a volta ao presídio se tivesse dito que sim.

    A alternativa oferecida por Moraes, de que o não consentimento poderia implicar punições eleitorais a Flávio Bolsonaro, estica mais uma corda exótica ao ordenamento constitucional. Quem julga eventuais infrações ao código eleitoral e determina as sanções dos culpados é o Tribunal Superior Eleitoral, que o ministro Alexandre de Moraes não integra.

    O Supremo poderá julgar recursos de decisões do TSE, desde que eles tanjam os temas dispostos pela Carta de 1988. Moraes e seus aliados que fazem circular a ideia da ação do STF como “corte revisora” do órgão eleitoral poderiam adotar o decoro de ao menos esperar em silêncio que os recursos cheguem a seus gabinetes.

    A institucionalidade seria beneficiada com a volta à ortodoxia da cúpula do Judiciário brasileiro.

    1. Pelos recorte que apareceram nas redes sociais, parece-me que esta gravação é particular. Nos canais de comunicação da Câmara, não há sinais dela.

  11. PERGUNTAR NÃO OFENDE

    Alguém pode me dizer se achou um candidato de Gaspar a qualquer coisa em quatro de outubro e que depois das convenções de ontem se perdeu do caminhão de mudanças ?

    Qualquer informação, urgente, aqui.

  12. A LUTA DE HELENO FRAGOSO, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Vem aí um grande livro. Será lançado no dia 26 uma reedição de “Advocacia da liberdade — A defesa dos processos políticos”, do criminalista Heleno Fragoso (1926-1985). Advogado acima de tudo, ele foi um destemido defensor de presos políticos.

    Preso em um arrastão intimidatório em 1970, Heleno Fragoso contou alguns de seus casos. Defendia presos num regime que não tinha habeas corpus e que casos políticos eram julgados em tribunais militares.

    Passados quase 50 anos, é emblemática sua defesa dos dirigentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos de São Bernardo (Lula) e Santo André (Benedito Marcilio) e de outros 11 sindicalistas pela deflagração da greve de 1980. Ela durou 41 dias e Lula passou 31 dias na cadeia. Fragoso entrou nesse caso em sua reta final. Julgados no ano seguinte, quatro dirigentes foram condenados a 3 anos e 6 meses, com direito a recorrer em liberdade. O primeiro julgamento foi anulado no Superior Tribunal Militar e, em 1982, veio outro. Fragoso e os demais advogados sustentavam que a Justiça Militar era incompetente para julgar grevistas. Prevaleceram.

    HELENO DEFENDE NIOMAR

    O julgamento dos sindicalistas fez história, mas a “Advocacia da liberdade” rememora dois casos que medem a onipotência de uma ditadura. Heleno Fragoso defendeu o historiador Caio Prado Júnior e Niomar Moniz Sodré Bittencourt (1916-2003), dona do falecido matutino Correio da Manhã.

    Em março de 1964, o Correio havia pedido a deposição de João Goulart e em abril tornou-se um corajoso defensor das liberdades públicas. Em novembro de 1968, Niomar havia sido uma das convidadas da rainha Elizabeth para um coquetel no iate Britannia, fundeado na Baía da Guanabara. No dia 13 de dezembro, veio o Ato Institucional nº 5 e os censores entraram na redação do Correio.

    Na tarde de 7 de janeiro, num novo arrastão, levaram Niomar e Osvaldo Peralva, diretor da Redação. Ela ficou num depósito de presas comuns. Só no final de mês foi-lhe concedida prisão domiciliar, num dos melhores apartamentos do Rio, repleto de obras de arte. Niomar só ganhou a liberdade em março de 1969 e foi absolvida pela Auditoria Militar em novembro.

    Ela foi presa para mostrar que nem a dona do Correio da Manhã estava fora do alcance da tigrada.

    HELENO DEFENDE CAIO PRADO

    A reedição de “Advocacia da liberdade” resgata uma arbitrariedade premeditada para dar uma lição aos intelectuais brasileiros. Sabe-se lá por que, o episódio é pouco lembrado. Trata-se da prisão, em 1970, de Caio Prado Júnior, condenado a quatro anos e seis meses de prisão por uma auditoria militar composta por um tenente-coronel, três capitães e pelo auditor civil Nelson da Silva Machado Guimarães. Caio Prado saiu do prédio preso. Seu recurso foi julgado no Superior Tribunal Militar em setembro de 1970 e ele teve a pena reduzida para um ano e nove meses de detenção.

    Heleno Fragoso recorreu ao Supremo Tribunal Federal e lá ele foi absolvido por unanimidade.

    Caio Prado Júnior (1907-1990), um dos maiores historiadores brasileiros, passou 525 dias no Presídio Tiradentes e num quartel da PM, dividindo a cela com um delegado preso por tráfico de drogas.

    Qual foi o crime de Caio Prado?

    Em 1967 (dois anos antes da denúncia), ele tinha dado uma entrevista a estudantes paulistas que publicavam a revistinha Revisão. Não teve qualquer repercussão mas, a certa altura ele dizia:

    “Não devemos discutir a forma de luta, e sim começar a lutar. Depois, são as contingências do momento que vão indicar que espécie de luta se vai fazer. Se se dissesse, concretamente, que existem em São Paulo 30 ou 50 mil trabalhadores dispostos a pegar em armas e tomar o poder, é evidente que nossa tarefa é arranjar armas para esses operários e ajudá-los a tomar o poder. Mas não adianta programar a luta armada, se não existem os elementos capazes de concretizá-la.”(…)

    “Vocês, que são estudantes, veem a possibilidade de um grupo de estudantes se armarem e se tornarem guerrilheiros? (…) Não acredito.”

    “Como lembrou Alcides Carneiro, ministro civil do STM, que ficou vencido no STM: ‘Quem incita não mostra dificuldades, e sim as facilidades.’”

    Em 1970, a oposição estava muda. O grito mais expressivo em defesa de Caio Prado veio de 20 brasilianistas que publicaram uma carta no The New York Times.

    Só advogados como Heleno Fragoso defendiam o fiapo de Direito que ainda existia.

    Passado quase meio século, vale lembrar que a ditadura não condenou Caio Prado nem prendeu Niomar por burrice. Quis dar um exemplo e deu.

    LULINHA

    Lulinha e a suas conexões com o Careca do INSS serão um espinho no pé de Lulão nos próximos meses.

    Por temperamento, Lulinha tem horror aos holofotes, mas no clima emocional da campanha, levá-lo a depor será o sonho dos adversários.

    ESTILO CHINÊS

    A insistência com que o governo e empresários brasileiros repetem que compensarão o fechamento parcial do mercado americano aumentando seu comércio com a China incomoda Beijing.

    Os chineses trabalham em silêncio e não gostam de ser apresentados como alternativa aos Estados Unidos. Comem pela borda.

    ELEIÇÕES SEM DEBATE

    A eleição de outubro está ameaçada por um enxugamento dos debates. Lula e Flávio Bolsonaro sinalizam que pretendem ir a poucos debates.

    Em agosto, os candidatos bem posicionados nas pesquisas preferem não ir a debates. Se eles faltarem, e Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Renan Santos romperem a barreira do dígito solitário por irem a debates, poderão ter motivos para arrependimento.

    GUERRA DO PARAGUAI

    Lula perdeu a enésima oportunidade de ficar calado ao tratar da Guerra do Paraguai. Isso não quer dizer que no século XIX o ditador Solano Lopez não tenha invadido o Brasil e saqueado Combá em 1865.

    Entre 1855 e 1864, quando começou a guerra, Solano Lopez elevou o efetivo militar paraguaio e equipou sua marinha com canhoneiras. O desorganizado Exército brasileiro começou a acautelar-se em 1864.

    Em dezembro de 1864, tendo declarado guerra ao Brasil e à Argentina, Solano Lopez achava que acabaria com a briga em oito meses. Enganou-se.

    Em 1866 Lopez começou a fuzilar as famílias de paraguaios que considerava desertores, inclusive crianças.

    Guerras não se ganham no replay.

    Noves fora a arqueologia, Lula deve perceber que virou moda atacá-lo, mau sinal.

    SÃO PAULO

    A campanha de Tarcísio de Freitas trabalha com a possibilidade de ele vir a ser reeleito no primeiro turno.

    Por mais que essa hipótese seja atraente, ela pode ser um fator de desmobilização, sobretudo em cidades do interior.

  13. DETERIORAÇÃO DAS ESTATAIS AGRAVA CRISE FISCAL, editorial do jornal O Globo

    É preocupante a corrosão da saúde financeira das empresas estatais. O último relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, constatou deterioração no resultado das empresas federais ao longo dos últimos anos. Entre janeiro de 2020 e maio de 2026, o resultado financeiro primário consolidado passou de um superávit equivalente a 0,2% do PIB para um déficit de 0,07%. A situação se agravou durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — o saldo no início do mandato ainda era positivo, em 0,06% do PIB.

    A situação piorou tanto nas estatais que entram no Orçamento da União, classificadas como dependentes, quanto naquelas que, ao menos no papel, afirmam não depender de recursos públicos para sobreviver. De acordo com a análise da IFI, a situação aumenta o risco fiscal para o Tesouro, em razão da necessidade constante de aportes ou suplementações orçamentárias.

    As subvenções do Tesouro às estatais dependentes cresceram de R$ 25,4 bilhões em 2022 para R$ 30,9 bilhões em 2025. A análise da IFI revela, nesse grupo, empresas cuja trajetória financeira contrasta com o padrão de exercícios anteriores. Estão nele a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Hospital das Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). O risco nesses casos, diz o relatório, é o descompasso entre despesas e repasses, que, se persistente, tende a gerar pressão por aportes extraordinários, disputando espaço fiscal com outras políticas públicas, sujeitas aos limites fiscais.

    Há ainda mais motivo para preocupação entre as estatais não dependentes. Casos como os Correios, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) ou a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) mostram que elas podem não apenas comprometer a distribuição de dividendos à União, mas também demandar aportes de capital como o que o governo federal terá de fazer nos Correios, em razão dos empréstimos de R$ 12 bilhões contraídos em 2025.

    Chamam a atenção os números da Codevasf, outrora considerada um paraíso do orçamento secreto. A empresa apresenta insuficiência de caixa operacional desde 2022. Os Correios vivem situação especialmente dramática. O prejuízo foi de R$ 808 milhões em 2022 para R$ 2,6 bilhões em 2024 e R$ 8,5 bilhões em 2025. Ao mesmo tempo que registrou queda nas receitas, a empresa sofreu pressão de custos com pessoal e benefícios entre 2022 e 2025. Seu programa de reestruturação não tem dado resultado e, novamente, haverá prejuízo bilionário neste ano.

    É inverossímil que os problemas relatados pela IFI não sejam de conhecimento do governo. O remédio também é conhecido: em alguns casos, como os Correios, a privatização; noutros, a liquidação. Historicamente, porém, Lula tem demonstrado resistência ideológica a ambas as soluções. A alternativa tem sido avançar sobre o bolso do contribuinte aumentando impostos. A situação das estatais — algumas relevantes, como a Embrapa— deveria ser avaliada sob critérios técnicos, não ideológicos. Ao preservar de forma injustificável empresas que demandam cada vez mais socorro do Tesouro, o governo empurra ao contribuinte a conta da incúria fiscal.

  14. CONVERSA PARA BOI DORMIR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A equipe econômica do governo quer convencer o mercado financeiro de que um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será muito diferente do atual. A promessa, agora, é entregar um ajuste fiscal já no início de 2027, algo que soa como música para investidores preocupados com o desequilíbrio das contas públicas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem ventilado que a proposta é ajustar o limite de despesas do arcabouço fiscal, que permite um aumento de gastos entre 0,6% e 2,5% ao ano em termos reais, para algo entre 1,5% e 2%, no máximo.

    Trata-se de uma óbvia tentativa de reduzir os danos causados pelas declarações do ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do PT. Em um brutal surto de sinceridade, Gabrielli ousou colocar em palavras tudo aquilo que o governo realmente pensa e efetivamente faz na seara econômica.

    A investidores, Gabrielli disse ser favorável ao controle de capitais e defendeu a continuidade da política de reajuste do salário mínimo como uma maneira de estimular a saída de beneficiários do Bolsa Família. Sugeriu, ainda, mudanças no arcabouço fiscal para permitir que o governo possa ampliar investimentos e gastos sociais.

    De efetivo, nada de muito novo ou diferente do que prega o lulopetismo. Mas, paradoxalmente, isso causou mal-estar no partido e no Ministério da Fazenda e rendeu uma bronca a Gabrielli por parte do Palácio do Planalto, segundo noticiou este jornal.

    O coordenador da campanha de Lula em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, disse que somente Lula tem autoridade para falar sobre seu programa, uma vez que o presidente não tem porta-voz. “O que posso dizer é que nós não daremos um cavalo de pau na economia nem faremos nada pirotécnico”, afirmou.

    Ora, se há algo de que a economia brasileira precisa é de um cavalo de pau, ainda que no sentido oposto a que Carvalho se referia. Afinal, desde o momento em que Lula foi eleito, tudo o que ele propôs foram mais gastos. E isso começou antes mesmo de tomar posse, ainda em 2022, com a emenda constitucional da transição, quando a necessidade de recompor o orçamento fictício apresentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro serviu como pretexto para elevar despesas muito além do justificável.

    Tal prática se manteve ao longo de todo o mandato, com o boicote ativo da própria base aliada a toda iniciativa que pudesse trazer mais racionalidade para o Orçamento, e foi deliberadamente acelerada neste ano, quando as pesquisas ainda indicavam empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nem mesmo o período de defeso eleitoral tem sido respeitado, e o governo acaba de anunciar a prorrogação, até o fim de agosto, da segunda etapa do programa de renegociação de dívidas Desenrola.

    Chega a ser irônico que Gabrielli tenha sido escolhido como bode expiatório para eximir a equipe econômica da responsabilidade pela completa descrença do mercado financeiro de que Lula fará um ajuste fiscal. O ex-presidente da Petrobras não passa de um influente conselheiro de campanha.

    Já os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, são autoridades constituídas, e a inconsistência entre o discurso fiscal que sustentam e os atos que referendam têm consequências concretas. Basta observar a trajetória da dívida nos últimos anos para ter a certeza de que o cumprimento da meta fiscal que os ministros tanto alardeiam não teve resultado algum.

    O governo, por sinal, nem sequer é obrigado a aumentar os gastos em 2,5% em termos reais. Esse é o teto. Se houvesse vontade política, portanto, o Executivo já poderia ter limitado o crescimento da despesa em 1,5% a 2%. A questão é que Lula não vê nem nunca viu problema em aumentar gastos.

    Nada indica que Lula faria algo diferente em um quarto mandato. Logo, se for para acreditar em alguém, convém prestar atenção ao que diz Gabrielli, que ao menos tem a virtude da coerência. O discurso fiscalista da equipe econômica é conversa para boi dormir.

  15. O slogan frequentemente associado à direita bolsonarista é: “Deus, Pátria, Família e Liberdade.”

    Partindo dessa premissa, chama a atenção que a mesma pessoa que defende esse discurso tenha publicado, em suas redes sociais, comentários sugerindo que o prefeito sabia da vinda de determinadas pessoas para “Gastar”… desculpem, quis dizer Gaspar.

    A ironia é proposital.

    O mais curioso é ver que o vereador mais votado, que se apresentava como um grande combatente, agora pede uma pausa para que o governo possa se entrincheirar e se organizar. Isso leva a uma reflexão sobre a diferença entre o discurso adotado na oposição e a postura assumida diante da administração atual.

    Na minha opinião, é justamente assim que funciona a democracia: quem vence as eleições governa de acordo com o projeto que apresentou à população e, inevitavelmente, impõe sua forma de governar dentro dos limites da lei. Isso não impede críticas nem fiscalização, mas faz parte da dinâmica democrática que o governo eleito implemente as políticas para as quais recebeu o voto da maioria.

    Cada um é livre para concordar ou discordar e tirar suas próprias conclusões.

    Quem são os que assinam a CPI:
    DIONÍSIO;
    GIOVANO;
    THIMOTI;
    RHONY.

    NUNCA QUE IRA ACONTECER A CPI.

    1. Caros leitores e leitoras que não me leem e não interagem neste espaço de livre pensar, pois sou o único que me atrevo a escrever para eu mesmo ler o que escrevo, segundo os que mandam em Gaspar

      Há um pensamento popular que se encaixa aqui como uma luva sob medida: “muitas pessoas usam a honestidade como desculpa para serem cruéis, e a bondade como máscara para serem falsas.”

      Mas, a melhor, neste caso, penso é de François de La Rochefoucauld: “a hipocrisia é o homenagem que o vício presta à virtude.”

    2. Vereador Bornhausem tem medo que uma CPI no planejamento chegue nas gavetas dele… por isso não assina…. Os outros são oficialmente base

      Aliás tem umas histórias interessantes num terreno na margem esquerda.

  16. A MALDIÇÃO DE PELÉ, por Fernando Schüler, no jornal O Estado de São Paulo

    Há temas que não se resolvem na vida brasileira. O espaço é curto, mas vou tratar de três deles aqui. Os três lidam com o tema da “governança” brasileira e, por certo, afetam a qualidade de nossa democracia. O primeiro é um velho incômodo brasileiro: a desproporcionalidade do voto. Se você for um cidadão de Roraima, seu voto tem um peso 7,1 vezes maior que o voto de seu primo distante, que vive em São Paulo. Se você morar no Amapá, seu voto pesa perto de 5,3 vezes mais do que o de seu quase vizinho, logo ali no Amazonas. E por aí vamos.

    De longe, o Estado mais prejudicado nesta equação é São Paulo… Estados como Pará e Santa Catarina deveriam ter quatro deputados a mais, mesmo dentro das atuais regras. Mas deixamos passar, uma vez mais.

    Isto não é uma trivialidade. É uma afronta à regra mais elementar das democracias – uma pessoa, um voto – e ao princípio da igualdade entre os cidadãos, que está na base da Constituição. Além disso, impacta diretamente a alocação de recursos públicos.

    Um estudo publicado pelo Ipea mostrou como, entre 1997 e 2010, os Estados sobrerrepresentados no Congresso receberam, em média, 55% mais recursos de emendas parlamentares por habitante do que os Estados sub-representados. (…)

    A distribuição de recursos não é, porém, o problema mais complicado. O ponto é a possibilidade de alteração artificial do perfil político do Congresso, da composição dos partidos e do impacto nas decisões estratégicas do País.

    Muita gente diz que não dá para mudar isto porque haverá “muita gente de São Paulo” na Câmara. E, por aí, haveria um problema. Errado. A representação federativa é função primordial do Senado, e não da Câmara. Há aqui um elemento normativo. Se, de fato, achamos que a representação proporcional faz sentido na democracia, é preciso que isto seja tratado com alguma seriedade.

    Uma segunda reforma que deveríamos fazer, e para ontem, é o fim do voto obrigatório. É um tema que toca no coração de nossa cultura política paternalista. Alguns dizem que a culpa é do Pelé, que, em uma entrevista perdida, nos anos 70, sugeriu que o “povo” não teria condições de votar “por falta de prática, de educação”. E pela curiosa mania de votar “por amizade” nos candidatos.

    A ideia do Pelé funciona como uma maldição. Muita gente pensava assim antes dele e continua pensando, décadas depois. Perdi a conta de quantas vezes escutei coisas parecidas, ditas de um jeito mais elegante, em seminários e debates, País afora. “Não estamos preparados”, não temos “maturidade”, os mais “pobres” não vão sair de casa, e por aí adiante.

    Pois bem, agora vamos votar pela décima vez para presidente. Já votamos algumas dezenas de vezes depois daquela entrevista do Pelé, de modo que já “praticamos” bastante. E desconfio que hoje votamos mais por “inimizade” do que por qualquer coisa, dado o ódio generalizado que observamos no debate público, em especial no mundo digital.

    Não importa. O voto é um direito, e não parece razoável imaginar que tenhamos de votar mais dez ou 22 vezes para alguém achar que já estamos maduros para decidir se queremos exercer ou não este direito.

    A terceira reforma que deveríamos fazer é eliminar integralmente o dinheiro público das campanhas eleitorais. Dinheiro público, aqui, é um velho e conhecido eufemismo: trata-se de obrigar o cidadão a colocar a mão no bolso e pagar a conta de campanhas eleitorais.

    O Brasil, com seu fundão eleitoral, é um dos países que mais colocam dinheiro público em campanhas e políticos. O argumento para isto é um perfeito truque: a ideia de que se está produzindo “igualdade” na disputa política. Na prática, é o contrário. Não apenas os maiores partidos ficam com a maior parte do bolo, como os políticos com mandato e maior destaque ficam com o maior quinhão dentro dos partidos.

    É lógico que isto aconteça. E isto desequilibra o jogo político. Além disso, há um efeito perverso do dinheiro sobre a política: gente que vai para a máquina partidária pelo dinheiro, não pela vocação; a atração de políticos pela oferta de recursos para campanhas; o reino do marketing de luxo e seu mundo da fantasia.

    Estas três reformas têm um ponto em comum: elas colocam o “cidadão comum”, o “eleitor ordinário”, o pagador de impostos, no centro do jogo. Isso a partir de ideias simples. O voto de todos é igual; é você que decide se quer ou não votar. E também se acha que vale ou não apoiar o crowdfunding de um partido ou candidato. No fundo, é um jeito de ir enterrando aquela frase do Pelé, na qual muita gente boa ainda acredita, de que, de alguma forma, somos incapazes para a vida política. Isto não é verdade depois de tanto tempo de vida democrática. O que somos é um País com corporações fortes o suficiente para plantar narrativas e bloquear reformas sistematicamente, a começar pelo próprio sistema político, em benefício próprio. E é isto que precisamos superar.”

  17. SOBRE MENTIRAS E TARIFAS, por Fareed Zakaria, escritor e jornalista indiano-norte-americano, para o Washginton Post, traduzido e publicado no jornal O Estado de S. Paulo

    Para quem achava que a Suprema Corte havia posto fim à obsessão de Donald Trump por tarifas, é melhor repensar. Em fevereiro, ela derrubou as tarifas abrangentes do Dia da Libertação, determinando que o presidente não possuía poderes de emergência para tributar importações de quase todos os países do mundo. A resposta de Trump foi vasculhar os códigos legais em busca de formas incomuns, obscuras e talvez ilegais de restabelecer tarifas semelhantes.

    Primeiro veio uma tarifa global temporária. Quando ela expirou, ele impôs tarifas de 10% a 12,5% sobre 60 economias alegando práticas comerciais desleais. No caso do Canadá, Trump recorreu à Seção 338 da Lei Tarifária Smoot-Hawley de 1930, uma disposição nunca invocada até então.

    Para essas tarifas, a justificativa é o suposto trabalho forçado. O governo declarou que países que vão do Camboja à Noruega não conseguiram impedir a entrada em seus mercados de produtos fabricados com trabalho forçado, e essa falha sobrecarrega o comércio americano. A acusação é tão espúria que revelou o jogo. É quase certo que ela foi inventada porque a Casa Branca precisava de um pretexto para subverter o espírito da decisão da Suprema Corte.

    Isso vai além da simples manipulação política. O presidente parece estar ordenando que o governo dos EUA certifique formalmente como fato algo que sabe não ser verdade. Os órgãos governamentais são obrigados a publicar conclusões, elaborar argumentos jurídicos e conferir a autoridade do Estado a uma falsidade fabricada com o objetivo de contornar a Suprema Corte.

    CORRUPÇÃO.
    É assim que as instituições são corrompidas: primeiro, pede-se que distorçam a verdade; depois, que atestem a mentira. E então as mentiras se tornam rotina, de modo que ninguém mais as considera incomuns. Esse é o caminho para o mundo de Orwell.

    Aliás, a Walk Free, ONG de direitos humanos que elabora o Índice Global de Escravidão, estima que os EUA importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias que correm o risco de terem sido produzidas com trabalho forçado – de longe o maior total entre os países do G-20. Isso não prova que a fiscalização americana seja pior do que a de todos os países que Trump tem como alvo. Mas faz com que a posição moral do governo pareça ainda mais absurda.

    Os argumentos econômicos contra as tarifas ficam mais sólidos à medida que os números são divulgados. Os gastos com a construção no setor manufatureiro, que dispararam durante o governo Biden e atingiram um pico de US$ 250 bilhões em taxa anual em setembro de 2024, caíram para US$ 175 bilhões em maio. O número de empregos no setor manufatureiro diminuiu em 75 mil postos desde a volta de Trump. A produção industrial aumentou, mas os ganhos estão concentrados na manufatura avançada e na inteligência artificial, refletindo investimentos planejados antes de Trump assumir.

    LÓGICA INVERSA.
    Considere o caso de Greg Fraley, sobre quem a Câmara de Comércio escreveu há alguns meses. Ele ajuda a administrar a Falco, pequena empresa do Arizona que fabrica peças de alumínio para aeronaves comerciais. Esse é o tipo de negócio que Trump diz querer ajudar: uma fábrica americana que emprega trabalhadores americanos.

    Os custos com alumínio da Falco aumentaram 72%. A empresa não pode simplesmente comprar metal americano; a produção nacional atende apenas cerca de metade da demanda dos EUA e grande parte dessa produção não está disponível no mercado aberto.

    Assim, a Falco continua importando alumínio, paga a tarifa e absorve o prejuízo. Ela congelou as contratações, permitiu que sua força de trabalho diminuísse em 20% por meio de rotatividade natural, recorreu às reservas de caixa e adicionou uma “sobretaxa tarifária” às faturas dos clientes, segundo Fraley.

    Enquanto isso, Trump dobrou a tarifa sobre o alumínio importado para 50% e ofereceu aos produtores um desconto caso construíssem fundições nos EUA. A Rio Tinto, uma das maiores produtoras mundiais de alumínio, recusou a oferta. Assim, a tarifa alcançou uma tríplice consequência: custos mais altos para um fabricante americano, menos empregos e menos investimentos no país, e nenhuma nova fundição do produtor estrangeiro que se pretendia atrair.

    A lógica está de cabeça para baixo. A fundição de alumínio representa apenas uma pequena fração dos empregos do setor de alumínio nos EUA. A grande maioria está na reciclagem e nos setores intermediários e de transformação, que convertem o metal em peças para aeronaves, carros, latas, maquinário e materiais de construção. Trump está protegendo a minúscula fatia do setor de produção, tributando a base industrial muito maior que depende dela e emprega muito mais.

    Por oito décadas, os EUA lideraram o mundo rumo a mercados abertos e ao livre comércio. Em apenas dois anos, Trump transformou o país na economia avançada mais protecionista do mundo. O resultado não foi um renascimento da indústria manufatureira. Foram preços mais altos, investimentos mais fracos, menos empregos na indústria e um governo cada vez mais disposto a transformar falsidades em política oficial para defender um credo econômico fracassado.

  18. MENDONÇA FEZ BEM EM AUTORIZAR A PF A INVESTIGAR SUSPEITAS CONTRA LULINHA, editorial do jornal O Globo

    Foi sensata a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de autorizar, a pedido da Polícia Federal (PF), a abertura de novos inquéritos para investigar se Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cometeu crimes como tráfico de influência e corrupção valendo-se de suas relações com o Palácio do Planalto. Lulinha, como ele é conhecido, nega as acusações, mas, se há suspeitas de atos ilícitos, precisam ser apuradas. Mendonça autorizou uma investigação de Lulinha relativa ao fornecimento de produtos ao SUS e outra ligada à Dataprev, estatal de processamento de dados do INSS.

    As investigações não envolvem questões irrelevantes. No caso da Dataprev, a suspeita é que Lulinha tenha agido em conluio com um empresário do setor de tecnologia interessado em obter negócios na empresa e noutros órgãos do governo. No outro caso, as autoridades querem saber se ele atuou ao lado de Roberta Luchsinger — dona de uma consultoria que faz a ponte entre empresas e órgãos públicos — e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para ajudá-lo a fornecer ao SUS produtos de Cannabis medicinal (sem relação com o caso que levou Antunes à prisão).

    Muitos fatos precisam ser esclarecidos. Roberta, diz a investigação da PF, prestou serviços de consultoria a Antunes pelos quais recebeu R$ 1,5 milhão em parcelas de R$ 300 mil. Uma enigmática mensagem de Antunes a ela afirma que uma transferência de R$ 300 mil era destinada “ao filho do rapaz”. Investigadores tentam saber se era uma referência a Lulinha. Em depoimento à PF, Roberta negou ter feito qualquer repasse a ele. Em 2024, a convite de Antunes, Lulinha viajou para Portugal para visitar uma fábrica de produtos à base de canabidiol.

    O nome de Lulinha já havia aparecido nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o escândalo do INSS. Durante as apurações, governistas travaram uma batalha com oposicionistas na tentativa de blindá-lo. No fim de março, a CPMI rejeitou o relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) que recomendava o indiciamento de 216 suspeitos, entre os quais Lulinha.

    Apoiadores de Lula veem oportunismo na decisão de Mendonça, tomada a dois meses das eleições. Afirmam que ela tem motivação política. O argumento não procede. Primeiro, Mendonça atendeu a um pedido da PF, a mesma polícia que investiga adversários políticos do petista. Segundo, decisões da Justiça não podem ficar a reboque do calendário eleitoral. Nem para acelerar nem para retardar qualquer investigação. Seria um despropósito.

    O próprio Lula, sujeito aos desgastes do caso, se declarou favorável à apuração, embora afirme acreditar na inocência de Lulinha. “Se for culpado, ele terá de pagar como todo mundo”, disse. Seria uma lástima se não fosse assim. Parentes do presidente não podem receber tratamento privilegiado. Se há suspeitas de irregularidades na atuação de Lulinha ou de quem quer que seja, é dever das autoridades investigá-las. Não deve haver apurações seletivas.

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