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NOVE VEREADORES QUE APOIAM GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, ENTERRARAM A CPI QUE IRIA APURAR SUPERFATURAMENTO E DÚVIDAS TÉCNICAS DA OBRA DE PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ, NA FIGUEIRA. ELA, QUANDO CONTINUAR, SERÁ PAGA PELO GOVERNO DE JORGINHO MELO,PP.  NO CENTRO DE TUDO, ESTÃO OS LAÇOS DO CARTEL DE EMPREITEIRAS E SERVIDORES MUNICIPAIS DE BLUMENAU – QUE VIERAM PARAR EM GASPAR – E PEGOS PARA EXPLICAÇÕES PELA POLÍCIA, GAECO E MINISTÉRIO PÚBLICO DE LÁ

Texto corrigido no TRAPICHE, às 19h12min, deste 08.08.2026. Hoje é sábado, 08 de agosto. Este texto parece ser repetitivo. Mas, não é. É literalmente uma missa de réquiem. É a confirmação daquilo que escrevi aqui também no sábado 1º de agosto – que ninguém na imprensa local e regional foi capaz de registrar .

O previsível desfecho contra a transparência, em plena corrida eleitoral, desmontando palanques dos “caçadores” de corruptos e incompetentes, causou, mais uma vez, desconforto no governo de Paulo Norberto Koerich, PL já estava previsto e precificado há muito e no artigo daqui no dia 1º de agosto e sob o inconformismo e o costumeiro praguejamento do poder de plantão: A FALTA DE TRANSPARÊNCIA JÁ É UMA MARCA ADMINISTRATIVO-POLÍTICA. NOVE DOS 13 VEREADORES DE GASPAR NÃO QUEREM CPI PARA APURAR POSSÍVEIS SUPERFATURAMENTO NA OBRA CONTRATADA PELA PREFEITURA DE PAULO NORBERTO KOERICH E QUE VAI SER PAGA PELO GOVERNADOR JORGINHO MELLO, AMBOS DO PL. ENQUANTO ISSO, ESSENCIAL À PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO E À MOBILIDADE, ESTÁ PARADA.

Antes, porém, no 29 de julho os leitores e leitoras que não os tenho aqui, segundo estes mesmos poderosos de plantão – no ambiente público e privado casadinhos nestas dúvidas -, já sabiam que este era o desfecho disso em GOVERNO, INTERMEDIÁRIOS E SUPOSTA OPOSIÇÃO TRABALHAM PARA SEPULTAR UMA “AMEAÇA” DE CPI. ERA PARA “ESCLARECER” AS DÚVIDAS NAS OBRAS DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ E A “IMPORTAÇÃO” DO PESSOAL DO PL DE BLUMENAU E INDAIAL PARA TOCAR A SECRETARIA DE PLANEJAMENTO TERRITORIAL DE GASPAR

Bingo. Oficialmente todos do governo, incluindo gente do PL, um tal nanico chamado PRD, bem como o PP e parte do MDB que apoiaram Kleber Edson Wan Dall, eleito no MDB, e hoje no Podemos para estar em campanha à reeleição de Jorginho Mello, PL, estão comemorando. Os que mandam na cidade,  nos políticos que criam e principalmente a turma da pedreira, também.

Quem manobrou o enterro da CPI para a suposta sujeira -sim, porque o poder de plantão liderado por Paulo Norberto Koerich, PL, um afamado investigador policial de mais de 30 anos carreira, delegado de municípios, delegado de regionais, delegado geral e ex-secretário de segurança de Santa Catarina ao tempo do bolsonarista Carlos Moisés da Silva, eleito do PL de Jair Messias Bolsonaro e hoje no União Brasil, depois de passar pelo Republicanos.

Quem expos Paulo e os seus, quem fez o anúncio oficial desta manobra politica para nada esclarecer foi do vereador Giovano Borges, PSD.

Tudo mais uma vez, em Gaspar, com aval da Câmara, foi para debaixo do tapete, como nos tempos de Kleber Edson Wan Dall, MDB, ato que o próprio Paulo sempre condenou e quem se elegeu com ele usando a mesma bandeira. Veja, abaixo o vídeo de Giovano. É auto explicativo. Ele diminui o meu textão e o mentiroso, neste caso, como quer sempre crer a cidade Paulo e sua turma daqui, de Blumenau e misturada com a de Kleber, não sou eu. Nada como um dia depois do outro para lavar a minha pobre alma de trouxa.

Conclusão: os “caçadores de corruptos” que fizeram disso – e estavam e sempre estarão certos diante dos da comunidade –  palanque e mote de campanha para votos e vitória mais fáceis nas eleições em outubro de 2024,  menos de dois anos depois, ensacaram a viola, pois a falsa música que eles tocavam agora eles próprio a cantam. Incrível. E não querem que os seus eleitores e eleitores reclamem que são farinhas do mesmo saco.

A REITEIRADA DESCULPA DO AMARELO E OS PÉS DESCOBERTOS

Entretanto, o que é comemoração de vitória desta semana para esconder o que deveria ser esclarecido sem meias palavras, poderá ser um problemaço no futuro. É que fotos, documentos, trocas de mensagens e áudios gravados com gente que estava ou ainda está no primeiro escalão de Gaspar, foi dar no Ministério Público. O material vai servir para dar mais robustez às apurações que se faz no caso de Blumenau e pode sobrar e enrolar não o governo passado, mas o atual, eleito para dar um ponto final nisso tudo.

A CPI para apurar as supostas irregularidades, misturava de gente do cartel de empreiteiras sob investigação da polícia especializada em Corrupção, Gaeco – Grupo de Ação Especial contra o Crime Organizado – e o Ministério Público, todos de Blumenau, foi enterrada aqui com a desculpa de que há um Procedimento Administrativo e Disciplinar na prefeitura de Gaspar sobre o caso.

O que afinal o PAD vai apurar, indiciar e principalmente punir, se as pessoas envolvidas já foram retiradas na marra daqui – sim só depois de explicitas exposições ou por ações policiais que colocaram uma jóia chamada tornozeleira eletrônica – ou eram sombras desse esquema de Blumenau? Quantos desses PADs já foram parar na polícia e com responsabilização criminal dos servidores e até terceiros envolvidos?

Ora, se a atual administração de Paulo Norberto Koerich, PL, em um ano e meio deixou escapar o prazo de buscar responsáveis e soluções compensatórias por quem fez, fiscalizou e permitiu que o quilômetro mais caro (R$12 milhões há cinco anos), na ligação das avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo, se tornasse uma armadilha contra os próprios gasparenses, terá este mesmo governo capacidade de apontar para os seus no caso da obra de contenção da barranca do Rio Itajaí Açú, no bairro Figueira, e que vai ser paga pela Defesa Civil e Proteção do governo de Jorginho Mello, PL?

Paulo, sua turma de bruxos que o orienta e os donos da cidade apenas estão esconder um caso grave – como se isso fosse possível em tempo de Whatsapp fervendo nos bastidores para livrar a campanha deste ano. Requentado e sempre lembrando, este e outros fatos – como a atrasada e milionária Reformar Administrativa, o cheque em branco de empréstimos de R$10 milhões  – vão dar na campanha de reeleição de Paulo e principalmente dos que ajudaram Paulo na Câmara entre eles o PP e parte do MDB. Esta é a parte mais fraca de todo este processo e que ficou exposta para o troco e recado. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

O vereador campeão de votos Alexsandro Burnier, PRD, corre um sério risco de perder o mandato na Câmara de Gaspar. Ele não deve saber direito quem é o ex-defensor público que pediu o primeiro pedido de impeachment do ex-governador Carlos Moisés da Silva, eleito pelo PSL de Jair Messias Bolsonaro, o oestino Ralf Guimarães Zimmer Júnior, Solidariedade – de origem sindical e que tem em Paulinho da Força, a sua expressão nacional, candidato a governador neste outubro.

Alexsandro Burnier, PRD, andou espalhando memes extraoficiais de apoio em dobradinha – desde o Planalto e Santa Catarina – com o pessoal do PL, que não está coligado com o PRD. O que está em jogo? A fidelidade partidária. O que está claro? Que se foi mesmo o governador Jorginho Mello, PL, que lhe pediu para trocar de partido como jura Burnier por aí, Jorginho é seu “amigo da onça”. Tem outros. Ou há muitas coisas para serem explicadas?

Trair e começar é só começar. A candidata a deputado estadual pelo Novo de Gaspar, Maria Bernadete de Souza, vem sistematicamente, escondendo que o partido possui um candidato a presidência da República, Romeu Zema. Disfarçadamente, ela está na canoa de Flávio Bolsonaro, PL,  exatamente, pelo dobradinha quem o novo faz com o PL de Jorginho Mello, em Santa Catarina.

A ex-vereadora campeã de votos por aqui e do Distrito do Belchior, ex-presidente da Câmara de Gaspar, Franciele Daiane Back, ex-PSDB e agora no MDB, voltou à Câmara, mas de Blumenau. Ela é assessora do vereador Bruno Horwatitsch Cunha, do Cidadania, candidato a deputado estadual. Sintomático.

Gaspar está coalhada de candidatos. Um desperdício. Um retrato de uma cidade sem liderança política, institucional, comunitária e objetivos para torná-la forte, estruturada, competitiva, exemplo e reconhecida. Os políticos com ou sem mandatos viraram cabos eleitorais de gente bem de longe, para nenhum comprometimento regional como mobilidade, proteção e defesa civil, segurança, desenvolvimento, lixo, água, esgotos, turismo, legislação ambiental e desenvolvimento complementar.

Agora, os candidatos daqui, sem chance alguma de serem eleitos e conspirando para esconder para o que deve ser esclarecido, mas que estão colocando mais uma vez para debaixo do tapete, estão reclamando desses paraquedistas. E os daqui, por outro lado, nem discurso por Gaspar são capazes de formular. Estão falando de ruas dos bairros deles como se ainda estivessem em campanha para vereador e que se não cuidarem perderão nas urnas em 2028. Desperdício.

Agora, até a simples varrição das ruas de Gaspar está comprometida. Para não passar vergonha no Centro, dois servidores efetivos para a tarefa. Como que alguém que falha com este mínimo básico e do básico, pode administrar a complexidade de uma cidade? Planejamento e execução caóticos. E olha que já estamos na era da Inteligência Artificial.

Já começou. Um decreto já começou a mudar os representantes da prefeitura na Equipe Técnica Municipal para a Revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Gaspar. A iniciativa é para encaixar o “novo” secretário de Planejamento Territorial, Pedro Inácio Bornhausen, PP. E ai vem a turma dele.

Um circo. O deputado Ivan Naatz, PL, reuniu o staff da prefeitura de Gaspar para impulsionar a sua campanha por aqui. Foi para lembrar e cobrar à reciprocidade naquilo que ele diz que ajudou em emendas e se eleito, segundo ele, poderá fazer muito mais. Até aí, é do jogo jogado.

Mas, não custa lembrar. Paulo Norberto Koerich, PL, já acende velas para quatro santos: fingidamente para os daqui; corporativamente para o ex-delegado geral, Ulysses Gabriel, PL, e na irmandade, para Mário Hildebrandt, PL, ex-prefeito de Blumenau, o que entupiu aqui de gente que se descobre está cheia de vícios e problemas. E os importados que ficaram, saem daqui todos os dias para os arredores daqui, incluindo o litoral, para puxar votos para outros candidatos que não são o Ivan Naatz, PL.

Agonia I. Na Lagoa, há mais de três meses, a comunidade de lá está tiririca com as empreiteiras que esfarelaram o asfalto de parte da Estrada Geral da Lagoa. São várias daqui – inclusive as da tal pedreira que fazia parte do esquema do “dono de Blumenau” e de fora que passam por lá. Mas, quem está sendo acuada, é só uma e da Lagoa. Ela está mais próxima, está exposta a um conflito político de vizinhos e porque não se alia aos esquemas que tentam ser esclarecidos daquelas do cartel. E o asfalto está comprometido, e de há muito, não só onde passam esses caminhões. Então…

Agonia II. “Asfalto esfarelado”? Só isto, demandaria dúvidas sobre a má qualidade do que foi posto e ainda está lá, “resistindo”. Os três pequenos trechos feitos em diferentes ocasiões para atender reeleições de prefeitos, não eram propriamente asfalto, mas uma nata, uma enganação e agora veio o preço disso para todos. Era “asfalto” para carros e carroças, não para caminhões, ainda mais com barro para os aterros região afora. Então, tanto os políticos, comunidade – que aceitou a enganação – e a própria prefeitura de Gaspar, possuem culpa solidária nisso tudo.

Agonia III. Por que o “asfalto” não aguenta lá? Esta imagem abaixo é definitiva. Não fizeram base e drenagem. E onde a base foi feita, o serviço foi de porco. As empreiteiras não colocaram pedras no leito da estrada para suportar o peso regular dos caminhões – não os com excesso que deveriam ser pesados para se conferir, mas de todos e não de uma só empresa como se advoga. Colocaram um tipo de chamota. Bingo. Com o tempo e o peso, virou uma geleia. Exatamente por falta de drenagem e principalmente, pedras na base para se colocar o asfalto por cima disso. Em campanha eleitoral, “economizaram” – com aval e fiscalização da prefeitura de Gaspar – para enganar.

Agonia IV. Um empreiteiro do bairro Lagoa, comunitário, tomou duas iniciativas para tentam resolver o problema em definitivo: foi à prefeitura de Gaspar negociar um TAC e o tem selado. A prefeitura, no fundo, é a causadora do problema está rateando. Ele se dispôs a fazer parte dele. E está fazendo.

Agonia V. Como as demais empreiteiras que usam o trecho, amigas do poder de plantão ou as que fizeram ao asfalto-lambança, cujos problemas apareceram agora, estão se escondendo olhando e torcendo para a agonia recaia só sobre um, este empreiteiro da Lagoa está tirando o barro podre do leito da Estrada Geral da Lagoa e colocando pedras, as quais deveriam ter sido colocada lá atrás por quem fez este serviço de porco e não foi fiscalizado ou foi autorizado pela prefeitura a fazer assim. Este remendo dos outros e da prefeitura, o empreiteiro está pagado do próprio bolso como sinal de que quer a solução para a comunidade e para sí.

Agonia V. Quem não está fazendo a parte neste TAC – Termo de Ajustamento de Conduta -, mais uma vez? A prefeitura de Gaspar. Está enrolando. A burocracia domina. Desgastes e para a administração que está sendo cobrada por soluções. E em época de campanha eleitoral. Impressionante. Falta, no fundo, mais uma vez, inciativa para uma solução compartilhada já proposta. Acha-se que o desgaste será só do empreiteiro, que não é candidato a nada e na sua proteção, já botou o seu jurídico para funcionar reunindo laudos, documentos e imagens provando quem fez, como mal fez, quem usa e agora tira o corpo fora.

Agonia VI. E pior: a prefeitura e seus bruxos do atual governo, além de não dar solução, estão sonhando. Querem fazer um projeto não só para colocar asfalto – com ou sem base – nos trechos já comprometidos, mas levá-lo da Capela São Brás, até a BR-470, onde não há nada, mas surgem vistosos e caros terrenos industriais e logísticos de outros empresários. Ora, se não há dinheiro para o mínimo, qual a razão para viver de enrolação num sonho que não se é capaz de torná-lo realidade seja nesta emergência ou no curto e médio prazos? Projeto para a extensão da Capela São Braz até a BR-470? Quanto tempo demora isto? Credo!

Agonia VII. Para encerrar e depois da chuva. Primeiro, por meses, evitei tocar neste assunto acreditando de que haveria bom senso e soluções compartilhadas. Segundo, há um ingrediente que beira à rixa e disputa política, onde se torce para o pior e Paulo Norberto Koerich, PL, finge não enxergar: o vice-prefeito e engenheiro, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, com quem Paulo está rompido, é morador exatamente no trecho afetado.

Agonia VIII. E terceiro, trazendo este assunto para o presente e comparando-o, é a mesma coisa que acontece – guardadas às devidas proporções – na ligação das avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo no pasto do Jacaré (o quilômetro mais caro que se tem notícia (R$12 milhões há cinco anos). A incúria dos gestores públicos do passado e no presente deixaram nascer, crescer e desgastá-los naquilo que estava na cara de todos para se dar soluções e obrigar a refação da obra pelos culpados. E agora quem vai pagar a conta do pasto dos defeitos daquela milionária obra no pasto do Jacaré? Os gasparenses.

Agonia XIX. Este é um exemplo de como as coisas se enrolam na prefeitura de Gaspar na atual gestão. Há múltiplos. Muda, Gaspar!

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5 comentários em “NOVE VEREADORES QUE APOIAM GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, ENTERRARAM A CPI QUE IRIA APURAR SUPERFATURAMENTO E DÚVIDAS TÉCNICAS DA OBRA DE PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ, NA FIGUEIRA. ELA, QUANDO CONTINUAR, SERÁ PAGA PELO GOVERNO DE JORGINHO MELO,PP.  NO CENTRO DE TUDO, ESTÃO OS LAÇOS DO CARTEL DE EMPREITEIRAS E SERVIDORES MUNICIPAIS DE BLUMENAU – QUE VIERAM PARAR EM GASPAR – E PEGOS PARA EXPLICAÇÕES PELA POLÍCIA, GAECO E MINISTÉRIO PÚBLICO DE LÁ”

  1. ELEITO PARA FAZER HISTÓRIA. MAS QUE HISTÓRIA ESTAMOS VENDO?

    O cara era para ser um exemplo de trabalho honesto e transparente. Foi eleito com um dos maiores percentuais da história e recebeu da população de Gaspar a confiança para fazer uma administração que colocasse a cidade em protagonismo.

    Recebe, inclusive, um dos maiores salários pagos pela cidade que deveria administrar.

    Mas a pergunta é: qual está sendo o retorno para Gaspar?

    Na saúde, por exemplo, entrega a gestão para uma instituição de Blumenau.

    Do meu ponto de vista, isso transmite uma mensagem muito ruim: “Aqui em Gaspar ninguém mais consegue fazer.”

    E isso soa como um menosprezo ao povo gasparense, especialmente aos profissionais da própria saúde, que conhecem a realidade da cidade e poderiam ter a oportunidade de participar da construção de soluções.

    E não para por aí.

    Temos ainda secretários que fizeram parte da administração de Mário Hildebrandt, de Blumenau.

    Agora, para completar, declara apoio a um candidato que era do PV e também é de Blumenau.

    Então fica a pergunta:

    Onde foi parar o orgulho de ser gasparense?

    Será que a mensagem do prefeito para Gaspar é:

    “Eu recebo meu salário daqui, mas para administrar a cidade preciso buscar gente e soluções de fora?”

    Gaspar tem profissionais competentes. Tem servidores capacitados. Tem gente que conhece a cidade, seus problemas e suas demandas.

    O que falta, talvez, não seja competência em Gaspar.

    Talvez esteja faltando acreditar mais em Gaspar.

    Quem recebeu uma votação histórica tinha a oportunidade de fazer história com o povo gasparense.

    Mas protagonismo não é apenas ganhar uma eleição.

    É colocar Gaspar no centro das decisões.

    E, sinceramente, olhando para algumas escolhas que estão sendo feitas, fica difícil não perguntar:

    o orgulho de ser gasparense ficou apenas no discurso de campanha?

  2. INDIGESTÃO INSTITUCIONAL, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, acompanhado do colega Cristiano Zanin, foi o anfitrião de um jantar de “reconciliação” entre o presidente da República e o presidente do Senado, na terça-feira passada. Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre estavam de mal desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF – de resto uma decisão plenamente legítima à luz da Constituição. Moraes, inclusive, é tido por muitos petistas como um dos artífices daquela histórica derrota de Lula. Eis aí o retrato de uma promiscuidade tratada por seus protagonistas com a maior naturalidade do mundo.

    Tendo a alta função que tem na República, o sr. Moraes não pode se comportar como uma espécie de cônsul das relações políticas. A rigor, nem ele nem qualquer dos ministros do STF. É espantosa a sem-cerimônia com que Moraes, ao se arvorar em articulador político, ignora os mais comezinhos princípios norteadores da magistratura, a começar pela imparcialidade e pela discrição pessoal. Convém relembrar que todos à mesa têm foro especial por prerrogativa de função no STF. E mais: ministros da Corte estão sujeitos a processo de impeachment no Senado – presidido, adivinhe, por um dos comensais. Não é preciso ter notável saber jurídico para enxergar o problema. Basta bom senso, artigo em falta em Brasília.

    Lula e Alcolumbre são políticos maduros, nada menos que chefes de Poderes. Obviamente, não precisam da intermediação de ninguém, muito menos de um ministro do STF, para conversar. Aliás, jamais deveriam ter parado de se falar, haja vista que as posições que ocupam não pedem amizade, mas compromisso com a Constituição e o melhor interesse público. O rompimento, que nem sequer deveria ter ocorrido, nasceu de uma picuinha travestida de crise institucional. “Quem ele pensa que é?”, perguntou um ofendido Lula a auxiliares próximos ao ouvir Alcolumbre anunciar a rejeição de Messias.

    Executivo e Legislativo têm o dever de trabalhar juntos, haja ou não afinidade pessoal entre seus chefes. E as conversas entre os Poderes devem ser às claras. Consta que a conversa no jantar tratou da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 e da PEC da segurança pública, entre outras pautas de interesse do governo represadas no Senado. Ora, se foram mesmo esses os assuntos à mesa, por que não debatê-los com transparência, no plenário da Casa, à vista da imprensa, e não amaciados a portas fechadas sobre uma toalha de linho? O interesse público não precisa de reservas. Quando o sr. Alcolumbre resume a jornalistas o teor da conversa com um lacônico “segredo”, autoriza a suspeita de que não foi nada republicano o pacto selado entre os convivas.

    É razoável desconfiar do que de fato uniu os quatro à mesa. À exceção de Zanin, todos se veem às voltas com seus escândalos particulares. Lula carrega o peso das fraudes contra os aposentados do INSS, do suposto envolvimento do filho Lulinha nessa e em outras malfeitorias e, agora, das suspeitas de traficância que pesam contra seu ex-chefe de gabinete. Alcolumbre figura entre os nomes mais enrolados no escândalo do Banco Master. E Moraes, por sua vez, segue sem explicar satisfatoriamente um contrato de R$ 129,6 milhões fechado entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Ou seja, temos três altas autoridades da República sobre as quais pairam gravíssimas suspeitas, que se sentam à mesa de um ministro da mais alta corte de Justiça do País e, coincidentemente, saem de lá “reconciliadas”. Que os distintos leitores tirem suas próprias conclusões sobre o que realmente as uniu em Brasília naquela noite. Alta gastronomia é que não foi.

    Não é papel de um ministro do STF promover as boas relações entre autoridades, e muito menos fazê-lo à sorrelfa. Se Lula e Alcolumbre têm contas políticas a acertar, que as acertem como manda o figurino republicano: com transparência e espírito público, sem intermediários, sobretudo togados. Se serviu para algo além de uma eventual troca de favores obscuros entre Moraes, Lula e Alcolumbre, o rega-bofe escancarou como a transparência republicana é facilmente substituída por articulações reservadas que pouco ou nada têm a ver com os interesses do País.

  3. TRÁFICOS DE INFLUÊNCIAS, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    A crise entre Supremo e Polícia Federal – entre André Mendonça e Andrei Rodrigues – só existe porque investigado vai Lulinha. Daí o festival reativo de plantações sobre desconfianças da corporação contra o ministro. Não tardaria até que Lula ordenasse a negociação de um cessar-fogo. A um presidente candidato à reeleição – cujos governos anteriores são marcados por corrupções – pegará malíssimo a prosperidade da hipótese de que apurações policiais sobre traficâncias do filho não avancem.

    Mendonça comunica que não avançam, insatisfeito com o que seriam manobras da PF para fatiar e redistribuir no STF investigações que, a partir da base de dados da Operação Sem Desconto – que relata – e tratando dos mesmos personagens, não obviamente lhe escapariam à prevenção.

    Fatiado o bicho, foi cair com Flávio Dino – ministro do Supremo e líder da bancada governista no tribunal – a porção concernente ao ex-chefe de gabinete de Lula, gestor da porta de acesso ao presidente, aquele que tomou empréstimo com a lobista parceira de Lulinha representante do “Careca do INSS”; empréstimo somente quitado depois de haver chegado ao Planalto a informação de que o sigilo da lobista fora quebrado.

    (Era empréstimo? Quem terá vazado a informação sigilosa, deflagradora do que podem ser sido soluções de fachada para tentar explicar o talvez inexplicável?)

    Na matéria “roubo bilionário a aposentados e pensionistas”, esticando a corda do controle externo da PF, Mendonça ordenou que a corporação submetesse a seu gabinete qualquer nova mudança na equipe de investigadores e lhe remetesse a cópia da matéria bruta produzida pelas investigações.

    (Colaborará à desconfiança – sendo o ministro também relator do caso Master – a presença de Rodrigues, com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, no clube do uísque londrino de Vorcaro.)

    A Polícia Federal reagiu, difundida a versão de que a atividade de Mendonça seria partidária: tão rápido para autorizar busca e apreensão contra Jaques Wagner, de repente menos rigoroso para tomar providências sobre o ex-governador do Rio Claudio Castro.

    O cronista não se lembra – não sob a intensidade de um protesto conjunto das 27 superintendências da PF – de tamanha expressão de incômodo relativamente à segurança da cadeia de custódia de provas, quando Dias Toffoli, então relator do caso Master no STF, deitou medidas centralizadoras sobre quem poderia ter acesso a conjunto probatório que, descobriríamos depois, tratava de seus ex-sócios no hotel Tayayá.

    Outra das queixas da PF consiste em que o interferente Mendonça pretenderia atuar como investigador. Não pode. Poderia Xandão? Talvez a Moraes, confrade de scotch, se tenha permitido a condição excepcional de delegadão porque, afinal, o objeto era o capeta golpista e a defesa da democracia – ameaçada pelo “8 de janeiro permanente” – autorizara a vigência do Direito Xandônico.

    O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, disse ontem que “quanto maior a independência dos juízes, maior deve ser o compromisso com a ética”. Durante solenidade de vitaliciamento de 122 magistrados, ele recomendou que a carreira deve ser exercida com discrição, prudência e dedicação. E fez um alerta. “Nós, juízes, não somos eleitos, de modo que nossas ações não recebem o escrutínio da aprovação popular pelo voto.”

    Loureiro declarou aos magistrados em início de carreira que, “em todas as democracias, é a confiança do público na independência das Cortes, na integridade de seus juízes e na imparcialidade e eficiência de seus processos que sustenta o sistema judiciário”. E chamou atenção para “tempos de polarização e de comunicação de massa em redes sociais”.

    F.M. e F.P.

  4. Para esse pessoal metido em rolo, ler e refletir

    OS MOTIVOS DA TRANSGRESSÃO DE MARCOLA, por Thaís Oyama, no jornal O Globo

    Por que as pessoas se suicidam? Por que têm filhos? Por que cometem crimes? O economista Gary Becker se fez todas essas perguntas para, a partir delas, construir modelos matemáticos capazes de gerar previsões. Interessava-lhe, sobretudo, a natureza humana — e como os humanos fazem escolhas. A resposta que formulou para a última questão — por que alguém comete um crime? — foi um dos eixos da obra que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Economia, em 1992. No modelo de Becker, três fatores influem na decisão de infringir a lei: o benefício desejado, a probabilidade de ser apanhado e a punição prevista. Quanto maiores o risco e o castigo, menor o incentivo para perseguir o benefício. Mas, se o benefício é grande e as chances de ser pego pequenas, o tamanho do castigo perde importância.

    Isso não significa que Becker, leitor de Schopenhauer e Dostoiévski, acreditasse que a natureza humana pudesse caber numa equação. Ele queria demonstrar como as paixões — vaidade, ressentimento, desejo de poder, prestígio, necessidade de aprovação do grupo e mesmo o mero prazer de transgredir — operam sob determinados freios ou incentivos.

    Tome-se o caso de Marco Aurélio Santana Ribeiro, desafortunadamente apelidado Marcola. Ex-chefe de gabinete do presidente Lula, ele admitiu ter recebido de uma lobista de Brasília R$ 249 mil. Afirma que o valor foi um empréstimo, já quitado. Admita-se como verdadeira a versão de Marcola e, ainda assim, será inescapável concluir que o dono da chave do gabinete presidencial optou por tirar vantagem indevida de seu cargo. Na leitura mais benevolente, pediu dinheiro a alguém cujos negócios dependiam de acesso ao governo e que, portanto, pela natureza da atividade, não poderia negar-lhe o favor — sem falar na taxa de juros que, a se provar a tese do empréstimo, certamente foi mais camarada que as do mercado.

    O que faria Marcola — estudioso de ciências políticas, dedicado funcionário do Planalto, homem de confiança e assessor direto de Lula — a incorrer em tão flagrante falta ética? E ainda mais em ano de eleição, sabendo que a um assessor presidencial não basta ser honesto, há que parecer honesto também?

    Marcola, hoje com 49 anos, filiou-se ao PT aos 23 e, desde então, viveu e trabalhou dentro da sigla. Há 11 anos assessora Lula diretamente. Nesse período, viu poucas e boas. Vieram a Lava-Jato e as revelações do petrolão, o escândalo da JBS, a prisão e a soltura de Lula. Gente graúda foi para a cadeia, reputações viraram pó, fortunas minguaram. Mas, com muita frequência, o inverso ocorreu: proscritos retornaram triunfantes à arena, condenados e delatores recuperaram liberdade e patrimônio, decisões foram anuladas, inquéritos foram para as calendas.

    Foi o caso de Fábio Luís da Silva, o Lulinha. Nas duas primeiras vezes em que ele foi acusado de tráfico de influência, em 2005 e 2019, não chegou nem mesmo a se tornar réu — os inquéritos foram arquivados. Agora, pela terceira vez em 20 anos, o mesmo filho de Lula volta ao centro das atenções, desta vez na companhia de Roberta Luchsinger, a lobista benfeitora de Marcola. Contra ele, a mesma suspeita fundamental: que as vultosas quantias recebidas não pagavam por seus serviços, mas pelo acesso ao governo do pai.

    No modelo de Becker, a decisão de transgredir pertence ao indivíduo, mas o benefício, o risco e a punição que ele enxerga são, em grande parte, definidos pelo comportamento das instituições — governos, Congresso, tribunais e órgãos de controle. Para quem se pergunta por que Marcola escolheu fazer o que fez — arriscando seu cargo, sua reputação e a de seu chefe —, a resposta de Becker talvez fosse que ele simplesmente confirmou seu modelo. Do posto avançado que ocupava, o ex-assessor presidencial olhou em torno e fez as contas. Concluiu que o ambiente era propício — e os incentivos para transgredir superavam com folga os freios.

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