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NOVE VEREADORES QUE APOIAM GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, ENTERRARAM A CPI QUE IRIA APURAR SUPERFATURAMENTO E DÚVIDAS TÉCNICAS DA OBRA DE PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ, NA FIGUEIRA. ELA, QUANDO CONTINUAR, SERÁ PAGA PELO GOVERNO DE JORGINHO MELO,PP.  NO CENTRO DE TUDO, ESTÃO OS LAÇOS DO CARTEL DE EMPREITEIRAS E SERVIDORES MUNICIPAIS DE BLUMENAU – QUE VIERAM PARAR EM GASPAR – E PEGOS PARA EXPLICAÇÕES PELA POLÍCIA, GAECO E MINISTÉRIO PÚBLICO DE LÁ

Texto corrigido no TRAPICHE, às 19h12min, deste 08.08.2026. Hoje é sábado, 08 de agosto. Este texto parece ser repetitivo. Mas, não é. É literalmente uma missa de réquiem. É a confirmação daquilo que escrevi aqui também no sábado 1º de agosto – que ninguém na imprensa local e regional foi capaz de registrar .

O previsível desfecho contra a transparência, em plena corrida eleitoral, desmontando palanques dos “caçadores” de corruptos e incompetentes, causou, mais uma vez, desconforto no governo de Paulo Norberto Koerich, PL já estava previsto e precificado há muito e no artigo daqui no dia 1º de agosto e sob o inconformismo e o costumeiro praguejamento do poder de plantão: A FALTA DE TRANSPARÊNCIA JÁ É UMA MARCA ADMINISTRATIVO-POLÍTICA. NOVE DOS 13 VEREADORES DE GASPAR NÃO QUEREM CPI PARA APURAR POSSÍVEIS SUPERFATURAMENTO NA OBRA CONTRATADA PELA PREFEITURA DE PAULO NORBERTO KOERICH E QUE VAI SER PAGA PELO GOVERNADOR JORGINHO MELLO, AMBOS DO PL. ENQUANTO ISSO, ESSENCIAL À PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO E À MOBILIDADE, ESTÁ PARADA.

Antes, porém, no 29 de julho os leitores e leitoras que não os tenho aqui, segundo estes mesmos poderosos de plantão – no ambiente público e privado casadinhos nestas dúvidas -, já sabiam que este era o desfecho disso em GOVERNO, INTERMEDIÁRIOS E SUPOSTA OPOSIÇÃO TRABALHAM PARA SEPULTAR UMA “AMEAÇA” DE CPI. ERA PARA “ESCLARECER” AS DÚVIDAS NAS OBRAS DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ E A “IMPORTAÇÃO” DO PESSOAL DO PL DE BLUMENAU E INDAIAL PARA TOCAR A SECRETARIA DE PLANEJAMENTO TERRITORIAL DE GASPAR

Bingo. Oficialmente todos do governo, incluindo gente do PL, um tal nanico chamado PRD, bem como o PP e parte do MDB que apoiaram Kleber Edson Wan Dall, eleito no MDB, e hoje no Podemos para estar em campanha à reeleição de Jorginho Mello, PL, estão comemorando. Os que mandam na cidade,  nos políticos que criam e principalmente a turma da pedreira, também.

Quem manobrou o enterro da CPI para a suposta sujeira -sim, porque o poder de plantão liderado por Paulo Norberto Koerich, PL, um afamado investigador policial de mais de 30 anos carreira, delegado de municípios, delegado de regionais, delegado geral e ex-secretário de segurança de Santa Catarina ao tempo do bolsonarista Carlos Moisés da Silva, eleito do PL de Jair Messias Bolsonaro e hoje no União Brasil, depois de passar pelo Republicanos.

Quem expos Paulo e os seus, quem fez o anúncio oficial desta manobra politica para nada esclarecer foi do vereador Giovano Borges, PSD.

Tudo mais uma vez, em Gaspar, com aval da Câmara, foi para debaixo do tapete, como nos tempos de Kleber Edson Wan Dall, MDB, ato que o próprio Paulo sempre condenou e quem se elegeu com ele usando a mesma bandeira. Veja, abaixo o vídeo de Giovano. É auto explicativo. Ele diminui o meu textão e o mentiroso, neste caso, como quer sempre crer a cidade Paulo e sua turma daqui, de Blumenau e misturada com a de Kleber, não sou eu. Nada como um dia depois do outro para lavar a minha pobre alma de trouxa.

Conclusão: os “caçadores de corruptos” que fizeram disso – e estavam e sempre estarão certos diante dos da comunidade –  palanque e mote de campanha para votos e vitória mais fáceis nas eleições em outubro de 2024,  menos de dois anos depois, ensacaram a viola, pois a falsa música que eles tocavam agora eles próprio a cantam. Incrível. E não querem que os seus eleitores e eleitores reclamem que são farinhas do mesmo saco.

A REITEIRADA DESCULPA DO AMARELO E OS PÉS DESCOBERTOS

Entretanto, o que é comemoração de vitória desta semana para esconder o que deveria ser esclarecido sem meias palavras, poderá ser um problemaço no futuro. É que fotos, documentos, trocas de mensagens e áudios gravados com gente que estava ou ainda está no primeiro escalão de Gaspar, foi dar no Ministério Público. O material vai servir para dar mais robustez às apurações que se faz no caso de Blumenau e pode sobrar e enrolar não o governo passado, mas o atual, eleito para dar um ponto final nisso tudo.

A CPI para apurar as supostas irregularidades, misturava de gente do cartel de empreiteiras sob investigação da polícia especializada em Corrupção, Gaeco – Grupo de Ação Especial contra o Crime Organizado – e o Ministério Público, todos de Blumenau, foi enterrada aqui com a desculpa de que há um Procedimento Administrativo e Disciplinar na prefeitura de Gaspar sobre o caso.

O que afinal o PAD vai apurar, indiciar e principalmente punir, se as pessoas envolvidas já foram retiradas na marra daqui – sim só depois de explicitas exposições ou por ações policiais que colocaram uma jóia chamada tornozeleira eletrônica – ou eram sombras desse esquema de Blumenau? Quantos desses PADs já foram parar na polícia e com responsabilização criminal dos servidores e até terceiros envolvidos?

Ora, se a atual administração de Paulo Norberto Koerich, PL, em um ano e meio deixou escapar o prazo de buscar responsáveis e soluções compensatórias por quem fez, fiscalizou e permitiu que o quilômetro mais caro (R$12 milhões há cinco anos), na ligação das avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo, se tornasse uma armadilha contra os próprios gasparenses, terá este mesmo governo capacidade de apontar para os seus no caso da obra de contenção da barranca do Rio Itajaí Açú, no bairro Figueira, e que vai ser paga pela Defesa Civil e Proteção do governo de Jorginho Mello, PL?

Paulo, sua turma de bruxos que o orienta e os donos da cidade apenas estão esconder um caso grave – como se isso fosse possível em tempo de Whatsapp fervendo nos bastidores para livrar a campanha deste ano. Requentado e sempre lembrando, este e outros fatos – como a atrasada e milionária Reformar Administrativa, o cheque em branco de empréstimos de R$10 milhões  – vão dar na campanha de reeleição de Paulo e principalmente dos que ajudaram Paulo na Câmara entre eles o PP e parte do MDB. Esta é a parte mais fraca de todo este processo e que ficou exposta para o troco e recado. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

O vereador campeão de votos Alexsandro Burnier, PRD, corre um sério risco de perder o mandato na Câmara de Gaspar. Ele não deve saber direito quem é o ex-defensor público que pediu o primeiro pedido de impeachment do ex-governador Carlos Moisés da Silva, eleito pelo PSL de Jair Messias Bolsonaro, o oestino Ralf Guimarães Zimmer Júnior, Solidariedade – de origem sindical e que tem em Paulinho da Força, a sua expressão nacional, candidato a governador neste outubro.

Alexsandro Burnier, PRD, andou espalhando memes extraoficiais de apoio em dobradinha – desde o Planalto e Santa Catarina – com o pessoal do PL, que não está coligado com o PRD. O que está em jogo? A fidelidade partidária. O que está claro? Que se foi mesmo o governador Jorginho Mello, PL, que lhe pediu para trocar de partido como jura Burnier por aí, Jorginho é seu “amigo da onça”. Tem outros. Ou há muitas coisas para serem explicadas?

Trair e começar é só começar. A candidata a deputado estadual pelo Novo de Gaspar, Maria Bernadete de Souza, vem sistematicamente, escondendo que o partido possui um candidato a presidência da República, Romeu Zema. Disfarçadamente, ela está na canoa de Flávio Bolsonaro, PL,  exatamente, pelo dobradinha quem o novo faz com o PL de Jorginho Mello, em Santa Catarina.

A ex-vereadora campeã de votos por aqui e do Distrito do Belchior, ex-presidente da Câmara de Gaspar, Franciele Daiane Back, ex-PSDB e agora no MDB, voltou à Câmara, mas de Blumenau. Ela é assessora do vereador Bruno Horwatitsch Cunha, do Cidadania, candidato a deputado estadual. Sintomático.

Gaspar está coalhada de candidatos. Um desperdício. Um retrato de uma cidade sem liderança política, institucional, comunitária e objetivos para torná-la forte, estruturada, competitiva, exemplo e reconhecida. Os políticos com ou sem mandatos viraram cabos eleitorais de gente bem de longe, para nenhum comprometimento regional como mobilidade, proteção e defesa civil, segurança, desenvolvimento, lixo, água, esgotos, turismo, legislação ambiental e desenvolvimento complementar.

Agora, os candidatos daqui, sem chance alguma de serem eleitos e conspirando para esconder para o que deve ser esclarecido, mas que estão colocando mais uma vez para debaixo do tapete, estão reclamando desses paraquedistas. E os daqui, por outro lado, nem discurso por Gaspar são capazes de formular. Estão falando de ruas dos bairros deles como se ainda estivessem em campanha para vereador e que se não cuidarem perderão nas urnas em 2028. Desperdício.

Agora, até a simples varrição das ruas de Gaspar está comprometida. Para não passar vergonha no Centro, dois servidores efetivos para a tarefa. Como que alguém que falha com este mínimo básico e do básico, pode administrar a complexidade de uma cidade? Planejamento e execução caóticos. E olha que já estamos na era da Inteligência Artificial.

Já começou. Um decreto já começou a mudar os representantes da prefeitura na Equipe Técnica Municipal para a Revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Gaspar. A iniciativa é para encaixar o “novo” secretário de Planejamento Territorial, Pedro Inácio Bornhausen, PP. E ai vem a turma dele.

Um circo. O deputado Ivan Naatz, PL, reuniu o staff da prefeitura de Gaspar para impulsionar a sua campanha por aqui. Foi para lembrar e cobrar à reciprocidade naquilo que ele diz que ajudou em emendas e se eleito, segundo ele, poderá fazer muito mais. Até aí, é do jogo jogado.

Mas, não custa lembrar. Paulo Norberto Koerich, PL, já acende velas para quatro santos: fingidamente para os daqui; corporativamente para o ex-delegado geral, Ulysses Gabriel, PL, e na irmandade, para Mário Hildebrandt, PL, ex-prefeito de Blumenau, o que entupiu aqui de gente que se descobre está cheia de vícios e problemas. E os importados que ficaram, saem daqui todos os dias para os arredores daqui, incluindo o litoral, para puxar votos para outros candidatos que não são o Ivan Naatz, PL.

Agonia I. Na Lagoa, há mais de três meses, a comunidade de lá está tiririca com as empreiteiras que esfarelaram o asfalto de parte da Estrada Geral da Lagoa. São várias daqui – inclusive as da tal pedreira que fazia parte do esquema do “dono de Blumenau” e de fora que passam por lá. Mas, quem está sendo acuada, é só uma e da Lagoa. Ela está mais próxima, está exposta a um conflito político de vizinhos e porque não se alia aos esquemas que tentam ser esclarecidos daquelas do cartel. E o asfalto está comprometido, e de há muito, não só onde passam esses caminhões. Então…

Agonia II. “Asfalto esfarelado”? Só isto, demandaria dúvidas sobre a má qualidade do que foi posto e ainda está lá, “resistindo”. Os três pequenos trechos feitos em diferentes ocasiões para atender reeleições de prefeitos, não eram propriamente asfalto, mas uma nata, uma enganação e agora veio o preço disso para todos. Era “asfalto” para carros e carroças, não para caminhões, ainda mais com barro para os aterros região afora. Então, tanto os políticos, comunidade – que aceitou a enganação – e a própria prefeitura de Gaspar, possuem culpa solidária nisso tudo.

Agonia III. Por que o “asfalto” não aguenta lá? Esta imagem abaixo é definitiva. Não fizeram base e drenagem. E onde a base foi feita, o serviço foi de porco. As empreiteiras não colocaram pedras no leito da estrada para suportar o peso regular dos caminhões – não os com excesso que deveriam ser pesados para se conferir, mas de todos e não de uma só empresa como se advoga. Colocaram um tipo de chamota. Bingo. Com o tempo e o peso, virou uma geleia. Exatamente por falta de drenagem e principalmente, pedras na base para se colocar o asfalto por cima disso. Em campanha eleitoral, “economizaram” – com aval e fiscalização da prefeitura de Gaspar – para enganar.

Agonia IV. Um empreiteiro do bairro Lagoa, comunitário, tomou duas iniciativas para tentam resolver o problema em definitivo: foi à prefeitura de Gaspar negociar um TAC e o tem selado. A prefeitura, no fundo, é a causadora do problema está rateando. Ele se dispôs a fazer parte dele. E está fazendo.

Agonia V. Como as demais empreiteiras que usam o trecho, amigas do poder de plantão ou as que fizeram ao asfalto-lambança, cujos problemas apareceram agora, estão se escondendo olhando e torcendo para a agonia recaia só sobre um, este empreiteiro da Lagoa está tirando o barro podre do leito da Estrada Geral da Lagoa e colocando pedras, as quais deveriam ter sido colocada lá atrás por quem fez este serviço de porco e não foi fiscalizado ou foi autorizado pela prefeitura a fazer assim. Este remendo dos outros e da prefeitura, o empreiteiro está pagado do próprio bolso como sinal de que quer a solução para a comunidade e para sí.

Agonia V. Quem não está fazendo a parte neste TAC – Termo de Ajustamento de Conduta -, mais uma vez? A prefeitura de Gaspar. Está enrolando. A burocracia domina. Desgastes e para a administração que está sendo cobrada por soluções. E em época de campanha eleitoral. Impressionante. Falta, no fundo, mais uma vez, inciativa para uma solução compartilhada já proposta. Acha-se que o desgaste será só do empreiteiro, que não é candidato a nada e na sua proteção, já botou o seu jurídico para funcionar reunindo laudos, documentos e imagens provando quem fez, como mal fez, quem usa e agora tira o corpo fora.

Agonia VI. E pior: a prefeitura e seus bruxos do atual governo, além de não dar solução, estão sonhando. Querem fazer um projeto não só para colocar asfalto – com ou sem base – nos trechos já comprometidos, mas levá-lo da Capela São Brás, até a BR-470, onde não há nada, mas surgem vistosos e caros terrenos industriais e logísticos de outros empresários. Ora, se não há dinheiro para o mínimo, qual a razão para viver de enrolação num sonho que não se é capaz de torná-lo realidade seja nesta emergência ou no curto e médio prazos? Projeto para a extensão da Capela São Braz até a BR-470? Quanto tempo demora isto? Credo!

Agonia VII. Para encerrar e depois da chuva. Primeiro, por meses, evitei tocar neste assunto acreditando de que haveria bom senso e soluções compartilhadas. Segundo, há um ingrediente que beira à rixa e disputa política, onde se torce para o pior e Paulo Norberto Koerich, PL, finge não enxergar: o vice-prefeito e engenheiro, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, com quem Paulo está rompido, é morador exatamente no trecho afetado.

Agonia VIII. E terceiro, trazendo este assunto para o presente e comparando-o, é a mesma coisa que acontece – guardadas às devidas proporções – na ligação das avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo no pasto do Jacaré (o quilômetro mais caro que se tem notícia (R$12 milhões há cinco anos). A incúria dos gestores públicos do passado e no presente deixaram nascer, crescer e desgastá-los naquilo que estava na cara de todos para se dar soluções e obrigar a refação da obra pelos culpados. E agora quem vai pagar a conta do pasto dos defeitos daquela milionária obra no pasto do Jacaré? Os gasparenses.

Agonia XIX. Este é um exemplo de como as coisas se enrolam na prefeitura de Gaspar na atual gestão. Há múltiplos. Muda, Gaspar!

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14 comentários em “NOVE VEREADORES QUE APOIAM GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, ENTERRARAM A CPI QUE IRIA APURAR SUPERFATURAMENTO E DÚVIDAS TÉCNICAS DA OBRA DE PROTEÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ, NA FIGUEIRA. ELA, QUANDO CONTINUAR, SERÁ PAGA PELO GOVERNO DE JORGINHO MELO,PP.  NO CENTRO DE TUDO, ESTÃO OS LAÇOS DO CARTEL DE EMPREITEIRAS E SERVIDORES MUNICIPAIS DE BLUMENAU – QUE VIERAM PARAR EM GASPAR – E PEGOS PARA EXPLICAÇÕES PELA POLÍCIA, GAECO E MINISTÉRIO PÚBLICO DE LÁ”

  1. NEGÓCIOS PRIVADOS COM DINHEIRO PÚBLICO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    A corrupção é tão antiga quanto a administração pública. Mas não se dá sempre da mesma maneira. Há momentos em que prevalece o sentimento de respeito ao bem público. Forma-se um ambiente de honestidade entre os que participam ou se relacionam com os governos e a população em geral. Daí derivam a indignação com o roubo e a vergonha de ser apanhado.

    Há momentos em que a roubalheira desanda. Os episódios se multiplicam no noticiário e, pior, o público parece não se importar com isso. Quem é apanhado não se arrepende de seus atos. Ao contrário, mostra-se indignado por ser acusado e responde com desculpas as mais esfarrapadas.

    O Brasil vive um desses momentos. Acontece à direita, à esquerda e nesse ajuntamento chamado de Centrão. Tudo diante de um público que ou não se incomoda — “política é assim mesmo” — ou simplesmente perdeu o ânimo de protestar.

    Tome-se o caso do senador Flávio Bolsonaro. Depois de ter negado qualquer envolvimento com o tóxico Daniel Vorcaro, foi surpreendido pelo vazamento de um áudio em que pede milhões de reais ao então banqueiro. “Qual o problema?” — respondeu mais ou menos assim. Disse que se tratava de uma transação privada — o financiamento para o filme “Dark Horse”, que santifica seu pai.

    Mas, se era algo tão banal, por que o dinheiro precisou dar tantas voltas entre empresas e fundos de investimento até chegar ao destino? Aliás, que destino? O dinheiro foi todo para os Estados Unidos? Voltou em parte ao Brasil? Como foi distribuído? Tem recibo?

    Uma transação privada não precisa ser explicada publicamente. Mas, quando um candidato a presidente da República pede dinheiro a um banqueiro que comprou, digo, financiou tanta gente em Brasília, aí já não é um negócio particular. Por isso precisava ficar escondido. Continua assim, mal explicado, enquanto o senador já se ocupa de outros enroscos, como aqueles em que aparece seu companheiro de chapa, o deputado Alfredo Gaspar.

    Tome-se, do outro lado, o caso de Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Foi apanhado recebendo dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, ativa na promoção de negócios junto ao governo federal. Ela pagou boletos de um funcionário de que dependia para marcar alguns encontros com integrantes da administração. A resposta foi a mesma de Flávio. Tratava-se de negócio particular, um empréstimo pessoal feito por Luchsinger. Lula confirmou:

    — Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?

    Não pode, presidente. Não nesse caso. Mesmo que Luchsinger e Marcola sejam as pessoas mais honestas do mundo, um funcionário público que abre portas da Presidência não pode receber um tostão de quem precisa passar por aquelas portas. Se fosse tão simples quanto alega o presidente, não teria sido preciso afastar Marcola do governo e de sua campanha.

    Flávio manteve-se competitivo nas pesquisas eleitorais que saíram depois de conhecidas suas relações com Vorcaro. Terá perdido alguns poucos pontos, mas continua aí, na cola de Lula. O presidente também passou batido pelos problemas envolvendo seu pessoal. Como o caso do senador Jaques Wagner, apanhado pedindo um favorzinho a um sócio de Vorcaro, o também banqueiro Augusto Lima. Um negócio de R$ 2,5 milhões. Lima compraria um apartamento em Salvador, com diversas manobras contábeis, e passaria o imóvel ao senador. E este pagaria quando pudesse. De novo, uma pequena transação privada.

    Um dos filhos do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, amigo de Roberta Luchsinger, é alvo de três inquéritos no STF, investigado por tráfico de influência. Nesse caso, nem Lulinha, nem Luchsinger deram explicações públicas. Por ora, vão levando.

    Em toda campanha eleitoral no Brasil há denúncias de corrupção. Desta vez ficou assim: a sua turma é mais corrupta que a minha. Nessa disputa de quem tem o mais corrupto, os pecados se anulam. O eleitor parece deixar passar, ou por tolerância ou por desânimo.

    1. Estão todos embreados, hipnotizados.
      Literalmente jogaram a rede com iscas variadas: tecnologia de ponta aliada as práticas tradicionais:
      Tem camisa pra time de futebol, churrasco nas festas de igreja, homenagens no legislativo, empregos para os carregadores de bandeirinhas durante campanha eleitoral, etc.
      Infelizmente , a isca que captura mais votos, com baixo investimento é a bíblia embaixo do braço.
      Hoje, a segunda maior bancada do Congresso Nacional é a religiosa.

      Não deveríamos ser o melhor país do mundo?

      1. Interessante à sua observação. E ela vai na mesma direção do que já se sabe e os políticos a usam como uma prática na pescaria de peixes miúdos, a maioria de mares, rios, ribeirões e valas: a manjadas, nojentas, uteis e eficazes velhas minhocas. Gulosos, os peixes tentam come-la, e ficam fisgados para a morte e a saciar a fome e até a diversão dos outros

        1. Acredito que tudo isso aconteça por conta dos resquícios da época da ditadura, período onde ter opinião política era sinônimo de cárcere, tortura e até morte.

          Ainda hoje, veladamente, a perseguição aos contestadores das verdades ditas como absolutas, permanecem.

  2. NÃO É UM EMPRÉSTIMO QUALQUER, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Empréstimos já ocuparam lugar de destaque na política brasileira. Em 1992, a chamada Operação Uruguai tentou justificar a origem dos recursos que sustentavam o alto padrão de vida do então presidente Fernando Collor. A versão fracassou e virou símbolo de uma explicação que desperta mais dúvidas do que esclarecimentos.

    Cada caso tem particularidades, mas a experiência requer cautela com contratos de mútuo.

    Compra e venda de imóveis também podem cumprir esse papel, como nos negócios do senador Jacques Wagner (PT-BA): um terreno declarado por R$ 28 mil ao TSE em 2018 foi vendido por R$ 13,8 milhões, e um apartamento declarado por R$ 1,7 milhão em 2022, por R$ 10 milhões.

    Permanecem, portanto, dúvidas sobre eventuais relações de Wagner com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a quem Flávio Bolsonaro (PL) recorreu em busca de financiamento para um filme sobre o pai, Jair.

    Foi essa cautela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou de demonstrar ao dizer que “todo mundo pega empréstimo” ao comentar o caso de seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.

    Ninguém questiona a normalidade de um empréstimo. O problema é que Marcola, então responsável pelo controle da agenda e do acesso ao gabinete presidencial, recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, lobista que registrou dezenas de entradas no Planalto e em ministérios e é investigada pela Polícia Federal.

    Era esse vínculo, não o contrato entre as partes em si, que exigia firmeza do mandatário.

    É elogiável a saída de Marcola da equipe de campanha à reeleição de Lula, que mostra compreensão sobre a gravidade política do episódio. A alegação de que foi um empréstimo, já quitado, será examinada pelas autoridades.

    No plano político, porém, ela não basta. A PF investiga a atuação direta de Roberta em apurações sobre fraudes no INSS e a aproximação de outros suspeitos com o governo federal.

    A empresária também é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de inquéritos no STF por suposto tráfico de influência —acusações que ele nega.

    Nada disso comprova favorecimento ilícito. Mas revela perigosa zona cinzenta no cerne do Poder Executivo, o que é repreensível.

    O chefe de gabinete da Presidência é o guardião dos bastidores do poder; não pode manter transações privadas com quem tem trânsito livre em Brasília e está sob escrutínio policial.

    Lula acerta ao defender a autonomia da PF. Mas a liderança do Estado não se limita ao Código Penal. Cabe ao chefe do Executivo estabelecer a fronteira entre o tolerável e o inaceitável na alta administração.

    Ao minimizar o episódio do empréstimo, Lula emite um sinal equivocado sobre os limites da ética pública. Proteger as instituições exige afastar conflitos de interesse antes que eles se convertam em casos de polícia.

  3. QUEM NUNCA? por Diogo Schelp, no jornal O Estado de S. Paulo

    O presidente Lula incorporou um novo bordão contendo o advérbio “nunca” ao seu repertório. Já havia o indefectível “nunca antes na história deste país”, que ele usa como recurso de marcação de excepcionalidade e ineditismo em seus governos e em sua trajetória pessoal. Nunca antes um presidente teria feito “tanto em tão pouco tempo”.

    Nunca antes um líder deste País teria sofrido tanta perseguição política quanto ele. É uma tentativa de reescrever a história e de apagar da memória coletiva os avanços obtidos por antecessores, como se houvesse uma clivagem temporal equivalente ao nascimento de Jesus Cristo: antes de Lula, depois de Lula. A fórmula foi repetida por Lula em discurso na convenção do PT do último dia 2, quando afirmou que nunca, na história deste País, os militantes do partido tiveram tantos argumentos para defender sua continuidade no poder. Como ele está em seu terceiro mandato não consecutivo, trata-se do cúmulo da hipérbole: Lula se considera pioneiro em comparação consigo mesmo.

    A nova formulação com a palavra “nunca” usada por Lula busca o oposto da excepcionalidade. O objetivo, agora, é atribuir normalidade absoluta a uma atitude que nem precisaria estar escrita em lei para ser considerada incompatível com a função pública. O contexto é a revelação de que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, recebeu dinheiro da empresária Roberta Luchsinger, que defende interesses privados junto a órgãos do governo. Segundo Marcola, tratava-se de um empréstimo que já foi pago.

    No episódio há, na melhor das hipóteses, um potencial conflito de interesses. Para que isso se configure, não é preciso haver dano ao erário ou ganho pessoal indevido por parte do agente público. Mas, segundo reportagem de Vera Rosa, no Estadão, Lula defendeu seu ex-chefe de gabinete com a seguinte frase, em reunião com dirigentes de partidos aliados: “Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?”

    O argumento chega a ser cômico, pois remete à conhecida pergunta retórica usada nas redes sociais para fingir que uma atitude é comum, quando na realidade é constrangedora, exagerada, egoísta ou claramente reprovável: “Quem nunca?” A ironia está em buscar uma cumplicidade improvável com o interlocutor: “vamos admitir que todo mundo faz isso”, embora o subtexto seja “isso é absurdo” ou “pode ser tentador, mas é imoral”. Com a campanha presidencial já em andamento, falta uma explicação convincente – e pública – sobre o que aconteceu na antessala do presidente, no Palácio do Planalto.

  4. ED@MORGAN PARA MARCO RUBIO, por Elio Gaspari nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Estimado Secretário de Estado Marco Rubio:

    Fui o embaixador mais duradouro dos Estados Unidos no Brasil, de 1912 a 1933. Acredite que nunca aprendi a falar português. Temos um ponto em comum, pois vivi três anos em Cuba e de lá eu trouxe o hábito de servir aos convidados uma mistura de suco de limão com aguardente, o daiquiri de lá, a batida daqui.

    Sou um diplomata da velha escola, Harvard, colarinho duro e horror aos dias quentes do Rio. Eu vivia em Petrópolis e aqui estou sepultado.

    Escrevo-lhe para ponderar que o senhor está armando tantas crises e ressentimentos nas relações com o Brasil que levaremos tempo para remendá-las. Revogar o visto da embaixadora foi uma criancice. Tomar o partido de um candidato à Presidência castra nossa influência em favor dos chineses.

    Veja o meu caso. Cheguei aqui na Presidência do marechal Hermes da Fonseca e, até 1930, atravessei cinco governos daquela que os brasileiros chamam, erradamente, de República Velha. Em março de 1930 o paulista Júlio Prestes elegeu-se, derrotando Getulio Vargas. Acompanhei-o numa visita ao presidente Herbert Hoover. Ela correu tão bem que até na capa da revista Time ele saiu.

    Deu-se uma revolução e Vargas foi para o Palácio do Catete. O presidente Washington Luís e Júlio Prestes viram-se exilados na Europa. Eu havia ficado longe da fogueira e continuei no posto por quase três anos. Não tive qualquer dificuldade com Vargas.

    Naquele tempo eu achava que o Brasil deveria investir em transporte e comunicação. Infelizmente, nunca concordei com os métodos de Percival Farquhar, vice-rei da infraestrutura brasileira, mas suas empresas ofereciam serviços aos brasileiros.

    O que temos hoje? Seu governo hostiliza o governo de Lula em torno de mixarias e tarifas leoninas, enquanto os chineses ocupam espaços nas comunicações, nos portos e nos transportes. Farquhar, com quem me reconciliei, contou-me que a China poderá comprar 20% da Rumo, passando a controlá-la. Trata-se da maior operadora de cargas ferroviárias do país, com 14 mil quilômetros de malha. Os carros elétricos chineses estão tomando o mercado brasileiro, suplantando montadoras americanas protegidas há 70 anos. A China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil e avança nos investimentos, sem se meter com candidaturas.

    Secretário Rubio, nós estamos rosnando por mixarias enquanto não fazemos nosso serviço. O presidente Trump, durante seu primeiro governo, passou a negar vistos aos parceiros de diplomatas homossexuais. Mesmo hoje, trava a carreira de nossos profissionais. Com semelhante postura, os presidentes Taft, Wilson e Harding não teriam me designado para o Brasil.

    Em 1937, o presidente Franklin Roosevelt mandou para o Rio o meu grande colega Jefferson Caffery. Ele ficou aqui até 1944, se deu muito bem com Vargas e aparou as arestas com os generais germanófilos.

    Encontrei outro dia numa festa o subsecretário de Estado Sumner Welles (1937-1943). Ele foi demitido porque saiu do armário num trem. Welles me contou que a intriga contra ele partiu do hétero William Bullittt, cuja mulher era lésbica.

    Naquele tempo ficávamos no armário, mas o serviço diplomático fazia seu serviço, porque havia, e há, coisa séria a fazer.

    Do seu humilde servidor

    Edwin Vernon Morgan

    FANTASIAS DE MARQUETEIRO

    Pela ação de seus adversários internos e externos, Lula chega ao fim do seu mandato estranhado com os presidentes dos Estados Unidos e da Argentina. Ambos dizem o que lhes vêm à cabeça. Em 2023, quando voltou ao Planalto, seus áulicos viam-no numa caminhada em direção ao prêmio Nobel da Paz. Lá atrás, Lula achava que podia ajudar a acabar com a guerra da Ucrânia.

    ARGENTINA

    Quem conhece o estilo de Javier Milei acredita que o presidente argentino passará de incendiário a socorrista depois da eleição de outubro.

    SINUCA

    Ao anunciar em público que pretende ter uma nova conversa com Donald Trump, Lula meteu-se numa encrenca típica da diplomacia de palanque.

    Se a conversa acontecer depois da concessão de agrément a Daniel Perez, ficará a impressão de que cedeu. Se não acontecer depois, ele ficará como intransigente.

    DEZ ANOS DA OLIMPÍADA

    Numa trapaça da História, o Rio de Janeiro está de novo no colo do ex-prefeito Eduardo Paes, dez anos depois do delírio da Olimpíada de 2016. Comentando a ruína do prometido “legado” dos jogos o atual prefeito, Eduardo Cavaliere, disse o seguinte:

    “Poucas cidades no mundo conseguiram preservar e dar uso permanente ao legado de uma Olimpíada como o Rio”. Falso. Os jogos de Atenas (2004) e do Rio (2016) são exemplos do contrário. Já os de Londres (2012), Barcelona (1992) e Tóquio (1964) cabem na louvação de Cavaliere.

    Londres botou uma parte da vila olímpica numa região parecida com a Baixada Fluminense, sem os tiros. Revitalizada, seu shopping center tornou-se um dos maiores da Europa, com três hotéis, 70 restaurantes e 300 lojas. Barcelona mudou de cara e voltou-se para o mar e a de Tóquio apresentou ao mundo o trem-bala. Ganha um fim de semana em Teerã quem viu coisa parecida no Rio.

    JOGATINA

    Depois de ter escancarado a jogatina eletrônica para aumentar a arrecadação, Lula 3.0 cogita colocar um esparadrapo na ferida onde mais de 100 milhões de pessoas fazem apostas.

    Uma portaria obrigará o cidadão a esperar cinco segundos entre uma aposta e outra. Ganha outro fim de semana em Teerã quem souber porque o intervalo entre uma aposta e outra não foi fixado em um minuto.

    A FAMA DE MARCO BUZZI

    Antes mesmo das denúncias de assédio sexual do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça, sua fama entre os colegas não era a pior, mas era uma das piores. Sua degola mostrou que o pescoço de ministro de tribunal de Brasília não está livre da lâmina.

    AS FRITURAS DA FEDERAL

    O ministro André Mendonça entrou em curso de colisão com a Polícia Federal. Mau negócio. Deixando-se de lado frituras nacionais recentes e indo-se a um precedente americano, foi um ex-agente do FBI, a Federal americana, quem deu o empurrão que ajudou a fritar Richard Nixon em 1974, derrubando-o da Presidência dos Estados Unidos.

    A Casa Branca tentou grampear a sede do partido democrata em junho de 1972 e cinco aloprados foram presos. Em outubro, Nixon desconfiava que um agente do FBI estivesse alimentando a imprensa.

    Bingo. Mark Felt, ex-vice-diretor do FBI, apelidado Garganta Profunda (título de um filme pornô da época), na redação do Washington Post, era uma de suas fontes. Era dele que Nixon desconfiava.

    HOOVER E A CARTA DA PF

    Se 27 superintendentes do FBI tivessem assinado uma carta sobre seja lá o que for, J. Edgar Hoover (1895-1972), criador e eterno diretor da Federal americana, teria se enforcado no banheiro de sua casa.

  5. LULA AGIU COMO SE FOSSE O ESTADO FOSSE ELE, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    O governo brasileiro rebaixou o status das relações diplomáticas com dois de seus principais parceiros, Estados Unidos e Argentina. As hostilidades partiram deles. O Brasil poderia ter manifestado sua reprovação de forma a estancar as crises. Mas preferiu agravá-la, por um cálculo eleitoral, com consequências prejudiciais para o País.

    O Departamento de Estado anunciou, no dia 1.º de junho, a designação do deputado republicano Daniel Perez para o posto de embaixador em Brasília. Fez isso sem antes consultar o governo brasileiro, como prevê a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

    Diante da afronta, o Itamaraty congelou o pedido de agrément, sem o qual Perez não pode assumir o posto. O Departamento de Estado seguiu nos trâmites para a nomeação no Senado, concluídos na sextafeira, como parte de um pacote de 74 novos embaixadores.

    Além disso, o Itamaraty recusou vistos a três funcionários do Departamento de Estado: Darren Beatty, chefe da pasta de Brasil, que tentou vir em março visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão; Riley Barnes e Samuel Samson, do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e do Trabalho, que buscavam esclarecimentos sobre o sistema eleitoral.

    Em resposta, o Departamento de Estado revogou o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Ela pode continuar representando o Brasil em Washington, mas, se deixar os EUA, terá de pedir novo visto para voltar. O Itamaraty reagiu dizendo que não concederá o agrément antes das eleições de outubro, nas quais esses funcionários teriam planos de interferir.

    RESPOSTA. A diplomacia brasileira poderia ter protestado contra o atropelo da praxe diplomática na designação de Perez e concedido o agrément. Poderia, igualmente, ter permitido a entrada dos funcionários americanos e demonstrado a eles a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

    O presidente Javier Milei veio à convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência, expressou apoio ao candidato e chamou o presidente Lula de “ladrão” e “presidiário”. De volta à Argentina, repetiu os insultos.

    Lula não respondeu, mas chamou de volta o embaixador Júlio Bitelli e rebaixou a representação em Buenos Aires ao nível de encarregado de negócios. Isso, apesar de o chanceler argentino, Pablo Quirno, ter manifestado o desejo de manter boas relações diplomáticas, e de Milei ter autorizado a entrada de militares e embarcações do Brasil para um exercício conjunto entre os dias 13 a 24.

    À maneira do absolutismo, Lula agiu como se o Estado fosse ele. O certo seria deixar argentinos e americanos falando sozinhos. Ou responder, mas sem arrastar a diplomacia junto.

  6. TRANSPARÊNCIA DO JUDICIÁRIO PRECISA SAIR DO DISCURSO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    A iniciativa do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Edson Fachin, de estabelecer regras para prevenir conflitos de interesse na magistratura merece apoio.

    Ela não resolverá todos os problemas de imagem do Judiciário, mas enfrenta questões que há muito tempo exigem normas mais claras.

    A proposta amplia a transparência sobre atividades privadas dos magistrados, participação em eventos de empresas, recebimento de presentes, hospitalidades e outras vantagens.

    Também prevê mecanismos para identificar relações econômicas e profissionais que possam comprometer a independência dos juízes, além da criação de instrumentos para orientar condutas e prevenir situações de risco.

    Como o STF não se submete a normas do CNJ, outro texto poderá ser apresentado mais à frente aos ministros da alta corte, onde há considerável resistência à submissão a um código de ética.

    Mesmo integrantes do Supremo próximos a Fachin questionam ideias como a obrigatoriedade de informar processos em que familiares dos ministros atuam como advogados e a divulgação da agenda de compromissos.

    Seria desejável, contudo, que, a partir da experiência do CNJ, o STF viesse a adotar também normas de transparência.

    Fachin deu prazo de 60 dias para que tribunais apresentem sugestões antes da votação da resolução pelo CNJ. A consulta é bem-vinda e pode aperfeiçoar o texto. O importante é que a iniciativa não se perca em discussões intermináveis nem seja esquecida.

    A proposta faz parte de um movimento mais amplo de fortalecimento da integridade no Judiciário. Nesse contexto, o Supremo também merece reconhecimento pela tentativa de controlar abusos nas emendas parlamentares.

    As decisões do ministro Flávio Dino, ao exigir mais visibilidade e rastreabilidade na destinação desses recursos, representam ação importante em área historicamente marcada por distorções.

    Constitui também avanço a regulamentação, pelo CNJ, do fim da aposentadoria compulsória como punição máxima a magistrados que cometam infrações graves. A possibilidade de perda definitiva do cargo, após o devido processo legal, elimina uma anomalia que transmitia a impressão de que juízes punidos permaneciam amparados por um privilégio incompatível com a gravidade de certas condutas.

    Isso não resolve o desgaste da reputação do Judiciário, também provocado pelos supersalários inflados por penduricalhos que desrespeitam o teto constitucional. O tema continua a cobrar respostas das instituições e não pode ficar à margem da modernização do sistema de Justiça.

    Transparência, combate aos conflitos de interesse, responsabilização e fiscalização de recursos fortalecem o Poder Judiciário e a democracia. A agenda iniciada por Fachin vai na direção correta e deveria chegar ao Supremo.

  7. ELEITO PARA FAZER HISTÓRIA. MAS QUE HISTÓRIA ESTAMOS VENDO?

    O cara era para ser um exemplo de trabalho honesto e transparente. Foi eleito com um dos maiores percentuais da história e recebeu da população de Gaspar a confiança para fazer uma administração que colocasse a cidade em protagonismo.

    Recebe, inclusive, um dos maiores salários pagos pela cidade que deveria administrar.

    Mas a pergunta é: qual está sendo o retorno para Gaspar?

    Na saúde, por exemplo, entrega a gestão para uma instituição de Blumenau.

    Do meu ponto de vista, isso transmite uma mensagem muito ruim: “Aqui em Gaspar ninguém mais consegue fazer.”

    E isso soa como um menosprezo ao povo gasparense, especialmente aos profissionais da própria saúde, que conhecem a realidade da cidade e poderiam ter a oportunidade de participar da construção de soluções.

    E não para por aí.

    Temos ainda secretários que fizeram parte da administração de Mário Hildebrandt, de Blumenau.

    Agora, para completar, declara apoio a um candidato que era do PV e também é de Blumenau.

    Então fica a pergunta:

    Onde foi parar o orgulho de ser gasparense?

    Será que a mensagem do prefeito para Gaspar é:

    “Eu recebo meu salário daqui, mas para administrar a cidade preciso buscar gente e soluções de fora?”

    Gaspar tem profissionais competentes. Tem servidores capacitados. Tem gente que conhece a cidade, seus problemas e suas demandas.

    O que falta, talvez, não seja competência em Gaspar.

    Talvez esteja faltando acreditar mais em Gaspar.

    Quem recebeu uma votação histórica tinha a oportunidade de fazer história com o povo gasparense.

    Mas protagonismo não é apenas ganhar uma eleição.

    É colocar Gaspar no centro das decisões.

    E, sinceramente, olhando para algumas escolhas que estão sendo feitas, fica difícil não perguntar:

    o orgulho de ser gasparense ficou apenas no discurso de campanha?

  8. INDIGESTÃO INSTITUCIONAL, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, acompanhado do colega Cristiano Zanin, foi o anfitrião de um jantar de “reconciliação” entre o presidente da República e o presidente do Senado, na terça-feira passada. Luiz Inácio Lula da Silva e Davi Alcolumbre estavam de mal desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF – de resto uma decisão plenamente legítima à luz da Constituição. Moraes, inclusive, é tido por muitos petistas como um dos artífices daquela histórica derrota de Lula. Eis aí o retrato de uma promiscuidade tratada por seus protagonistas com a maior naturalidade do mundo.

    Tendo a alta função que tem na República, o sr. Moraes não pode se comportar como uma espécie de cônsul das relações políticas. A rigor, nem ele nem qualquer dos ministros do STF. É espantosa a sem-cerimônia com que Moraes, ao se arvorar em articulador político, ignora os mais comezinhos princípios norteadores da magistratura, a começar pela imparcialidade e pela discrição pessoal. Convém relembrar que todos à mesa têm foro especial por prerrogativa de função no STF. E mais: ministros da Corte estão sujeitos a processo de impeachment no Senado – presidido, adivinhe, por um dos comensais. Não é preciso ter notável saber jurídico para enxergar o problema. Basta bom senso, artigo em falta em Brasília.

    Lula e Alcolumbre são políticos maduros, nada menos que chefes de Poderes. Obviamente, não precisam da intermediação de ninguém, muito menos de um ministro do STF, para conversar. Aliás, jamais deveriam ter parado de se falar, haja vista que as posições que ocupam não pedem amizade, mas compromisso com a Constituição e o melhor interesse público. O rompimento, que nem sequer deveria ter ocorrido, nasceu de uma picuinha travestida de crise institucional. “Quem ele pensa que é?”, perguntou um ofendido Lula a auxiliares próximos ao ouvir Alcolumbre anunciar a rejeição de Messias.

    Executivo e Legislativo têm o dever de trabalhar juntos, haja ou não afinidade pessoal entre seus chefes. E as conversas entre os Poderes devem ser às claras. Consta que a conversa no jantar tratou da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 e da PEC da segurança pública, entre outras pautas de interesse do governo represadas no Senado. Ora, se foram mesmo esses os assuntos à mesa, por que não debatê-los com transparência, no plenário da Casa, à vista da imprensa, e não amaciados a portas fechadas sobre uma toalha de linho? O interesse público não precisa de reservas. Quando o sr. Alcolumbre resume a jornalistas o teor da conversa com um lacônico “segredo”, autoriza a suspeita de que não foi nada republicano o pacto selado entre os convivas.

    É razoável desconfiar do que de fato uniu os quatro à mesa. À exceção de Zanin, todos se veem às voltas com seus escândalos particulares. Lula carrega o peso das fraudes contra os aposentados do INSS, do suposto envolvimento do filho Lulinha nessa e em outras malfeitorias e, agora, das suspeitas de traficância que pesam contra seu ex-chefe de gabinete. Alcolumbre figura entre os nomes mais enrolados no escândalo do Banco Master. E Moraes, por sua vez, segue sem explicar satisfatoriamente um contrato de R$ 129,6 milhões fechado entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Ou seja, temos três altas autoridades da República sobre as quais pairam gravíssimas suspeitas, que se sentam à mesa de um ministro da mais alta corte de Justiça do País e, coincidentemente, saem de lá “reconciliadas”. Que os distintos leitores tirem suas próprias conclusões sobre o que realmente as uniu em Brasília naquela noite. Alta gastronomia é que não foi.

    Não é papel de um ministro do STF promover as boas relações entre autoridades, e muito menos fazê-lo à sorrelfa. Se Lula e Alcolumbre têm contas políticas a acertar, que as acertem como manda o figurino republicano: com transparência e espírito público, sem intermediários, sobretudo togados. Se serviu para algo além de uma eventual troca de favores obscuros entre Moraes, Lula e Alcolumbre, o rega-bofe escancarou como a transparência republicana é facilmente substituída por articulações reservadas que pouco ou nada têm a ver com os interesses do País.

  9. TRÁFICOS DE INFLUÊNCIAS, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    A crise entre Supremo e Polícia Federal – entre André Mendonça e Andrei Rodrigues – só existe porque investigado vai Lulinha. Daí o festival reativo de plantações sobre desconfianças da corporação contra o ministro. Não tardaria até que Lula ordenasse a negociação de um cessar-fogo. A um presidente candidato à reeleição – cujos governos anteriores são marcados por corrupções – pegará malíssimo a prosperidade da hipótese de que apurações policiais sobre traficâncias do filho não avancem.

    Mendonça comunica que não avançam, insatisfeito com o que seriam manobras da PF para fatiar e redistribuir no STF investigações que, a partir da base de dados da Operação Sem Desconto – que relata – e tratando dos mesmos personagens, não obviamente lhe escapariam à prevenção.

    Fatiado o bicho, foi cair com Flávio Dino – ministro do Supremo e líder da bancada governista no tribunal – a porção concernente ao ex-chefe de gabinete de Lula, gestor da porta de acesso ao presidente, aquele que tomou empréstimo com a lobista parceira de Lulinha representante do “Careca do INSS”; empréstimo somente quitado depois de haver chegado ao Planalto a informação de que o sigilo da lobista fora quebrado.

    (Era empréstimo? Quem terá vazado a informação sigilosa, deflagradora do que podem ser sido soluções de fachada para tentar explicar o talvez inexplicável?)

    Na matéria “roubo bilionário a aposentados e pensionistas”, esticando a corda do controle externo da PF, Mendonça ordenou que a corporação submetesse a seu gabinete qualquer nova mudança na equipe de investigadores e lhe remetesse a cópia da matéria bruta produzida pelas investigações.

    (Colaborará à desconfiança – sendo o ministro também relator do caso Master – a presença de Rodrigues, com Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, no clube do uísque londrino de Vorcaro.)

    A Polícia Federal reagiu, difundida a versão de que a atividade de Mendonça seria partidária: tão rápido para autorizar busca e apreensão contra Jaques Wagner, de repente menos rigoroso para tomar providências sobre o ex-governador do Rio Claudio Castro.

    O cronista não se lembra – não sob a intensidade de um protesto conjunto das 27 superintendências da PF – de tamanha expressão de incômodo relativamente à segurança da cadeia de custódia de provas, quando Dias Toffoli, então relator do caso Master no STF, deitou medidas centralizadoras sobre quem poderia ter acesso a conjunto probatório que, descobriríamos depois, tratava de seus ex-sócios no hotel Tayayá.

    Outra das queixas da PF consiste em que o interferente Mendonça pretenderia atuar como investigador. Não pode. Poderia Xandão? Talvez a Moraes, confrade de scotch, se tenha permitido a condição excepcional de delegadão porque, afinal, o objeto era o capeta golpista e a defesa da democracia – ameaçada pelo “8 de janeiro permanente” – autorizara a vigência do Direito Xandônico.

    O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, disse ontem que “quanto maior a independência dos juízes, maior deve ser o compromisso com a ética”. Durante solenidade de vitaliciamento de 122 magistrados, ele recomendou que a carreira deve ser exercida com discrição, prudência e dedicação. E fez um alerta. “Nós, juízes, não somos eleitos, de modo que nossas ações não recebem o escrutínio da aprovação popular pelo voto.”

    Loureiro declarou aos magistrados em início de carreira que, “em todas as democracias, é a confiança do público na independência das Cortes, na integridade de seus juízes e na imparcialidade e eficiência de seus processos que sustenta o sistema judiciário”. E chamou atenção para “tempos de polarização e de comunicação de massa em redes sociais”.

    F.M. e F.P.

  10. Para esse pessoal metido em rolo, ler e refletir

    OS MOTIVOS DA TRANSGRESSÃO DE MARCOLA, por Thaís Oyama, no jornal O Globo

    Por que as pessoas se suicidam? Por que têm filhos? Por que cometem crimes? O economista Gary Becker se fez todas essas perguntas para, a partir delas, construir modelos matemáticos capazes de gerar previsões. Interessava-lhe, sobretudo, a natureza humana — e como os humanos fazem escolhas. A resposta que formulou para a última questão — por que alguém comete um crime? — foi um dos eixos da obra que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Economia, em 1992. No modelo de Becker, três fatores influem na decisão de infringir a lei: o benefício desejado, a probabilidade de ser apanhado e a punição prevista. Quanto maiores o risco e o castigo, menor o incentivo para perseguir o benefício. Mas, se o benefício é grande e as chances de ser pego pequenas, o tamanho do castigo perde importância.

    Isso não significa que Becker, leitor de Schopenhauer e Dostoiévski, acreditasse que a natureza humana pudesse caber numa equação. Ele queria demonstrar como as paixões — vaidade, ressentimento, desejo de poder, prestígio, necessidade de aprovação do grupo e mesmo o mero prazer de transgredir — operam sob determinados freios ou incentivos.

    Tome-se o caso de Marco Aurélio Santana Ribeiro, desafortunadamente apelidado Marcola. Ex-chefe de gabinete do presidente Lula, ele admitiu ter recebido de uma lobista de Brasília R$ 249 mil. Afirma que o valor foi um empréstimo, já quitado. Admita-se como verdadeira a versão de Marcola e, ainda assim, será inescapável concluir que o dono da chave do gabinete presidencial optou por tirar vantagem indevida de seu cargo. Na leitura mais benevolente, pediu dinheiro a alguém cujos negócios dependiam de acesso ao governo e que, portanto, pela natureza da atividade, não poderia negar-lhe o favor — sem falar na taxa de juros que, a se provar a tese do empréstimo, certamente foi mais camarada que as do mercado.

    O que faria Marcola — estudioso de ciências políticas, dedicado funcionário do Planalto, homem de confiança e assessor direto de Lula — a incorrer em tão flagrante falta ética? E ainda mais em ano de eleição, sabendo que a um assessor presidencial não basta ser honesto, há que parecer honesto também?

    Marcola, hoje com 49 anos, filiou-se ao PT aos 23 e, desde então, viveu e trabalhou dentro da sigla. Há 11 anos assessora Lula diretamente. Nesse período, viu poucas e boas. Vieram a Lava-Jato e as revelações do petrolão, o escândalo da JBS, a prisão e a soltura de Lula. Gente graúda foi para a cadeia, reputações viraram pó, fortunas minguaram. Mas, com muita frequência, o inverso ocorreu: proscritos retornaram triunfantes à arena, condenados e delatores recuperaram liberdade e patrimônio, decisões foram anuladas, inquéritos foram para as calendas.

    Foi o caso de Fábio Luís da Silva, o Lulinha. Nas duas primeiras vezes em que ele foi acusado de tráfico de influência, em 2005 e 2019, não chegou nem mesmo a se tornar réu — os inquéritos foram arquivados. Agora, pela terceira vez em 20 anos, o mesmo filho de Lula volta ao centro das atenções, desta vez na companhia de Roberta Luchsinger, a lobista benfeitora de Marcola. Contra ele, a mesma suspeita fundamental: que as vultosas quantias recebidas não pagavam por seus serviços, mas pelo acesso ao governo do pai.

    No modelo de Becker, a decisão de transgredir pertence ao indivíduo, mas o benefício, o risco e a punição que ele enxerga são, em grande parte, definidos pelo comportamento das instituições — governos, Congresso, tribunais e órgãos de controle. Para quem se pergunta por que Marcola escolheu fazer o que fez — arriscando seu cargo, sua reputação e a de seu chefe —, a resposta de Becker talvez fosse que ele simplesmente confirmou seu modelo. Do posto avançado que ocupava, o ex-assessor presidencial olhou em torno e fez as contas. Concluiu que o ambiente era propício — e os incentivos para transgredir superavam com folga os freios.

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