Texto alterado e acrescido da seção TRAPICHE às 9h54min e 11h45min deste 28.04.2026. Esta foto acima é de uma operação chamada “Cahsback” (você recebe de volta parte do que paga). Ela foi deflagrada hoje, terça-feira, pelo Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas – de Santa Catarina contra os antigos gestores do Hospital de Gaspar ao tempo do ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB.
Esta foto é um retrato amarelado com menos 12 anos de atraso. Kleber teve tudo, como prometeu na campanha em 2016, para esclarecer a intervenção marota criada pelo ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, contra o Hospital. Ele justificou que havia ladroagem do dinheiro da prefeitura de Gaspar. Botou gente lá para procurar os suspeitos e indicar os culpados. Nunca os apresentou. E o Hospital virou um problema e um segredo em “perpétuo socorro”.
Quando assumiu em 2017, Kleber e seus “çábios” – alguns deles que já bateram em retirada e já não serão alcançados pela atual operação que começa em 2021 – preferiu ampliar esta intervenção marota, com mais dúvidas e perseguindo quem o questionava, inclusive este espaço. Alguns poucos ganharam. A cidade como um todo sempre perdeu. E entre os perdedores, todos são doentes, fragilizados, esperançosos e normalmente, os mais vulneráveis socialmente. Há notícias, por processos conhecidos – e discursos gravados na Câmara -, de quem tenha até, pagado com a vida.
A operação de hoje do Gaeco tem cheiro de vazamento. Na semana passada da noite para o dia, montou-se um evento político na Sociedade Alvorada. Era para anunciar, mais uma vez, com a presença do governador Jorginho Melo, PL, a vinda do Hospital Santo Antônio, de Blumenau, para gerenciar o Hospital de Gaspar. Isto já estava prometida para primeiro de janeiro deste ano, mas que foi sucessivamente adiado e agora está prometido outra vez, para primeiro de julho. Em Blumenau, não há, por enquanto, nenhuma autorização formal conhecida para isto..
Analisada, fica-se com a impressão que os políticos de hoje em campanha, não queriam se associar com as dúvidas de ontem e de hoje do Hospital em ano eleitoral. Compreensível. Primeiro o comício. Depois a “limpeza”. E se der, palanque.
Soma-se de que ontem, o ex-delegado, que já serviu ao Gaeco, Paulo Norberto Koerich, PL, estava percorrendo em Florianópolis, gabinetes das forças de segurança e do Tribunal de Contas. Hoje, estava dando bom-dia. Sintomático. Unindo as pontas soltas, não podem ser apenas mera coincidência. E se são, só tempo, mais uma vez, dirá. Ingênuos.
Apesar desses esforços e está correto colocar o Gaeco para esclarecer tudo isso que se escondeu na falta persistente de ontem e de hoje na transparência de políticos e gestores públicos em Gaspar e no Hospital, a operação deixará de fora tudo o que aconteceu daqui para cinco anos para trás. É da lei, como vai caminhando para não ser cobrada a empresa dos erros e mau serviço na ligação do pasto do Jacaré, entre as avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo. Uma pena, nos dois casos.
Noves fora, Paulo Norberto Koerich, PL, está avisado que esta resistência que ele possui a transparência do que faz em ambiente público que o obriga ao esclarecimento, pode ser um problema no futuro, não só para ele, mas para sua equipe e cidade. Um dia, a conta chega.
Estou de alma lavada. E os meus leitores e leitoras que não os tenho segundo os poderosos de plantão de ontem e de hoje, sabiam disso tudo há anos, mesmo sob pressão dos poderosos da cidade de sempre, disfarçados ontem e hoje, contra este espaço. Não sou um repórter. Então vou aguardar os desdobramentos e notícias. Sou um analista. E o tempo é o senhor da razão.
O certo é que o Hospital de Gaspar precisava desse choque policial investigativo. E como escrevi lá no início, há pelo menos 12 anos. Isto mostra o tamanho do prejuízo contra a cidade, cidadãos e cidadãs. Em Blumenau, o Santo Antônio que conheceu o fundo do poço como o de Gaspar, não precisou de tanto aparato policial. A sociedade organizada de lá, resolveu tirar do Hospital de lá os políticos, criar regras firmes de controles da sociedade e ter um Hospital modelo. Já aqui… Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Hoje é dia de sessão na Câmara de Gaspar. Hoje é dia para ver os camaleões e os discursos oportunistas. E de reverências, também, se alguém tiver esta coragem. O vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, por exemplo, pode apontar quem o boicotou na iniciativa de propor uma CPI para apurar as supostas irregularidades do Hospital. E o perseguido servidor público municipal Amauri Bornhausen, o ex-vereador pelo PDT, sem duas pernas, diabético e com problemas cardíacos que o fez morrer em pleno exercício do mandato, da base de Kleber Edson Wan Dall, MDB, mas sem concessões para as dúvidas do Hospital, mereceria uma homenagem especial póstuma.
A imprensa de Gaspar deveria ser minimamente coerente. Quando é para dar notícias boas ela agora deu um novo nove para o Hospital: Hospital Santo Antônio de Gaspar. Quando a notícia parece não ser boa, mas é por demais boa, todavia não pode ser entendida assim pelo eleitorado, ela denomina o mesmo Hospital, de Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
E dizer que o Hospital de Gaspar serviu até de muletas para amolecer decisões judiciais. Quando alguém da política ou da gestão pública entrava na Justiça de Gaspar pedindo indenização por danos morais, dizia, que se ganhasse, iria doar o pedido para o moribundo Hospital. Quando, ganhava a causa, embolsava a promessa e o ganho. Todos usaram e espetaram o Hospital de todas as formas. Vergonha.
Sobre a procura de uma empresa especializada para verificar tecnicamente se as obras do Pasto do Jacaré foram feitas corretamente, ninguém quis entrar nesta roubada na dispensa de licitação da prefeitura. A Progresso Ambiental, penhoradamente, deveria estar agradecida. Faltam poucas semanas para expirar o prazo de cinco anos para o município de Gaspar questionar a qualidade da obra na Justiça, com o pedido de reparos e ressarcimentos para os gasparenses. Muda, Gaspar!
Acrescentado às 11h45min de 28.04.2026. A transparência I. Circula, nervosamente, no silêncio dos aplicativos de mensagens, nomes e lista de nomes de envolvidos, que foram “visitados” por policiais e até mesmo, detidos em Santa Catarina e São Paulo pela Operação Cash Back, do Gaeco, realizada hoje em Gaspar. O Ministério Público de Santa Catarina não divulgou nenhum nome até o momento que posto esta nota.
A transparência II. O que mostra isto? De que a operação está supostamente em andamento. Ou de que já devia ter sido esclarecida sobre os resultados obtidos. E por que? Há gente mencionada, por pura maldade, ou porque de uma forma estava relacionada ao hospital, mas que as investigações não foram conclusivas contra elas até o momento. A diversão na cidade é geral. Previsível. E de há muitos anos. Muda, Gaspar!
24 comentários em “GAECO APARECE NO HOSPITAL DE GASPAR. E NÃO FOI PARA PEDIR SOCORRO E CUIDADOS MÉDICOS”
OS SALTOS ALTOS QUEBRAM, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi o ponto alto da onipotência petista durante o Lula 3.0. Sua rejeição marcou o momento em que o salto alto do comissariado quebrou-se. No dia seguinte, com a derrubada do veto da dosimetria, quebrou-se o salto do Supremo Tribunal.
Quebrar o salto é uma coisa, andar sem ele é quase impossível. A melhor solução é descalçar o outro pé.
Se Lula tivesse indicado Rodrigo Pacheco nada disso teria acontecido. Ele teria sido aprovado, Lula e Davi Alcolumbre estariam felizes e ninguém estaria triste. Tudo bem, mas se Matisse tivesse embarcado para o Brasil em 1940, os museus teriam as Mulatas do Matisse.
Messias foi produto do consenso do Palácio, coisa perigosa, porque quase sempre esse apreço nada tem a ver com a vida lá fora. Em outubro do ano passado, logo depois da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, Messias já estava em campanha. Seria o jogo jogado se Lula não tivesse adicionado desaforos desnecessários.
Preterido Rodrigo Pacheco, Lula mostrou sua preferência por Messias, mesmo sabendo da contrariedade de Alcolumbre e do seu séquito. Ele sabia desde dezembro que o advogado-geral da União poderia ser rejeitado. Então, como hoje, restava-lhe o consolo de chorar baixinho.
Desde dezembro o governo vive assombrado por maus indicadores nas pesquisas, prenúncio de dificuldades com o Congresso.
Numa trapaça da sorte, Messias foi rejeitado numa quarta-feira e, no dia seguinte, o Congresso derrubou o veto de Lula ao refresco dado aos condenados pela trama golpista de 2022/2023. Deu-se a confirmação de um momento de pessimismo do general Golbery do Couto e Silva (1911-1987), bruxo do ocaso da ditadura:
“Toda vitória carrega no seu bojo uma derrota e toda derrota traz consigo outra derrota”. A derrota de Messias foi uma derrota do governo e a queda do veto ao refresco dos golpistas foi uma derrota da onipotência do Supremo Tribunal. Os ministros, alguns dos quais calçam saltos do tipo stiletto, mais altos que os dos comissários, distribuíram penas pesadas para desordeiros do 8 de Janeiro.
Basta relembrar o julgamento da cabeleireira Débora Rodrigues pela Segunda Turma do STF. Ela escreveu, com batom, “Perdeu, mané” na estátua da Justiça da Praça dos Três Poderes.
Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino condenaram-na a 14 anos. Cristiano Zanin deu-lhe 11 anos. A voz da sensatez veio de Luiz Fux, que ficou com uma pena de um ano e seis meses.
Débora acabou cumprindo a sentença em casa.
Essa barafunda de rigor e leniência reflete o caos jurídico alimentado pelo tribunal. Quando se trata de uma senhora, mãe de dois filhos, a questão soa simples. A complexidade da coisa muda quando o STF anula multas milionárias e confissões de empreiteiros, moendo alguns resultados da Lava-Jato.
Condenando-se a cabeleireira a 14 anos embaralharam-se as condenações e na charanga da dosimetria acabaram tomando carona o ex-presidente Jair Bolsonaro e os generais da trama golpista. O rigor da onipotência pavimentou o terreno para a leniência.
(Vale lembrar que em janeiro de 1970, quando a ditadura vivia seu período sangrento, um tribunal militar condenou a oito anos de prisão oito dos sequestradores do embaixador americano Charles Elbrick.)
CONTA DE ALCOLUMBRE
Ouvido do senador Davi Alcolumbre no início da tarde de quarta-feira:
“Segure seus 30 votos que eu tenho 15”.
Messias foi rejeitado por 42 senadores.
VENTANIA
A rejeição de Jorge Messias prenuncia uma tempestade para 2027, quando entra na cena um Senado renovado em dois terços.
Com ministros do Supremo Tribunal Federal dobrando suas apostas contra críticas documentadas, a água vai para o impedimento de pelo menos um de seus ministros, talvez dois.
Duas cadeiras no STF são o sonho do consumo de qualquer presidente em início de mandato.
MULHER NO STF
Pelo andar da carruagem, se Lula quiser paz, indicará uma mulher para a cadeira vazia do STF. A escolha blindaria a candidata.
Acima de qualquer preconceito de gênero. O Supremo Tribunal teve três mulheres: Ellen Gracie, Rosa Weber e Cármen Lúcia.
Ganha um fim de semana no resort Tayayá quem lembrar de uma só encrenca ou farofa em que qualquer uma delas tenha se metido.
CUSTOS MÉDICOS NOS EUA
O sistema de saúde dos Estados Unidos está bichado. Viva o SUS.
O New York Times mostrou que um médico com bases em Nova York e na Flórida anunciou procedimentos de redução dos seios por até 25 mil dólares, mas valendo-se de buracos nas normas, chegou a cobrar 440 mil dólares pelo serviço.
Poderia ser um ponto fora da curva, mas uma cirurgia de apendicite numa criança, sem qualquer intercorrência e menos de 24 horas de internação, custou 115 mil dólares.
Nos dois casos, quem paga é o plano de saúde.
FILA DO INSS
Depois de muitas promessas descumpridas, o governo finalmente descobriu uma maneira de reduzir a fila dos segurados do INSS.
Pelo sistema atual, se um cidadão está na fila à espera de três decisões, contam-se três pedidos. Assim, a fila está em cerca de 2,5 milhões de processos.
Com a mudança, a conta poderá vir a ser feita a partir do CPF do segurado. Se ele tem três processos, contará como um só solicitante.
Mágica de burocratas, até porque se ela reduzir a fila à metade, suas vítimas continuarão na casa do milhão.
LOROTA SOBRE O IRÃ
Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. Em janeiro, o chefe do serviço secreto de Israel disse em Washington que na hipótese de uma guerra com os Estados Unidos, a oposição aos aiatolás derrubaria o regime.
A guerra vai para seu terceiro mês e o levante popular não se materializou.
A Casa Branca gosta de ouvir o que lhe agrada. No dia 19 de abril de 1975, o presidente de Zâmbia, Kenneth Kaunda, foi a Washington e se reuniu com o presidente Gerald Ford.
Kaunda disse-lhe que a situação de Angola estava encrencada e seus vizinhos, Zâmbia, Zaire, Tanzânia e Moçambique, não aceitariam um governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Ford e Henry Kissinger acreditaram e se meteram no melê angolano.
O Movimento Popular de Libertação de Angola expulsou as facções rivais de Luanda, arrastou as fichas, e em novembro tomou o poder. Está lá até hoje.
O BRASIL PRECISA DE REFORMAS, NÃO RUÍNAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Há algo de inquietante no espírito do tempo político brasileiro. De diferentes matizes ideológicos, ganha força um discurso que flerta com a ideia de que o sistema está esgotado e, por isso, mereceria ser implodido. Esse impulso, classificado como “antissistema” e hoje em voga tanto na retórica bolsonarista quanto em setores do lulopetismo, constitui um risco real para a democracia. De um lado, multiplicam-se ataques demolidores ao Supremo Tribunal Federal, distintos do necessário debate sobre sua reforma e correção. De outro, o esforço do PT para posar como alternativa ao “sistema” soa como deboche diante de um presidente em terceiro mandato e de um partido em seu quinto ciclo no poder.
A pergunta elementar, raramente enfrentada com a seriedade devida, permanece no ar e deve ser dirigida à direita reacionária, mormente bolsonarista, à esquerda demagógica, mormente petista, e ao Centrão fisiológico: destruir o sistema para colocar o quê em seu lugar? A história política, no Brasil e no mundo, oferece uma resposta incômoda: a ruína de sistemas institucionais, ainda que imperfeitos, raramente dá lugar a arranjos mais virtuosos. Com frequência, abre caminho para aventuras autoritárias, quando não para experiências abertamente totalitárias. O vazio institucional não é ocupado pela virtude, mas pela força.
Em artigo recente no Valor Econômico, o cientista político Fernando Abrucio destacou um ponto igualmente essencial: ao contrário da narrativa catastrofista, o sistema político brasileiro não está em colapso. Essa visão é compartilhada por analistas como Maria Hermínia Tavares de Almeida, Carlos Melo, Marcus André Melo e Carlos Pereira, que vêm demonstrando a funcionalidade das instituições.
Ao longo dos últimos 30 anos, construiu-se um arcabouço que, com limitações características de regimes imperfeitos, produziu avanços relevantes. Reformas eleitorais, mecanismos de controle, leis de responsabilidade fiscal e instrumentos de transparência ilustram um processo contínuo de aperfeiçoamento democrático. Não se trata de idealizar o sistema, mas de reconhecer que ele funciona e tem resistido a crises severas.
Isso não minimiza a gravidade das turbulências recentes. O País atravessou momentos dramáticos, com tensões entre Poderes, ataques às instituições e tentativas explícitas de ruptura da ordem democrática. Ainda assim, o sistema resistiu, continuou a produzir decisões, arbitrar conflitos e garantir a alternância de poder. É precisamente essa resiliência que desautoriza o discurso da terra arrasada. É necessário olhar a democracia brasileira sob a perspectiva de sua saúde institucional. Democracias maduras não são imunes a crises, mas capazes de enfrentá-las sem colapsar. O Brasil demonstrou esse atributo. E é justamente isso que expõe a inconsistência da agenda de aventureiros, no caso bolsonarista, e de oportunistas, no lulopetista.
Cabe ainda a questão levantada por Abrucio: onde estavam, em momentos decisivos para a democracia brasileira, os atores que hoje brandem a bandeira antissistema? Como se posicionaram diante da ditadura de 1964 ou de autocracias mundo afora? A discussão de ideias é indispensável, mas não pode prescindir do exame das biografias. A defesa da democracia não comporta ambiguidades.
Levar adiante uma agenda séria de aperfeiçoamento institucional exige mais do que retórica contra adversários. Requer independência crítica, compromisso com regras universais e disposição para um diálogo que vá além das conveniências eleitorais. Reformas dirigidas contra o oponente de turno ou ancoradas em demagogia não fortalecem o sistema, e sim o corroem por dentro. Esse será um dos debates centrais da campanha eleitoral deste ano. O Brasil não precisa de salvadores da Pátria, mas de instituições mais eficientes, regras claras e lideranças comprometidas com o aperfeiçoamento democrático.
Entre a reforma e a ruína, a escolha não deveria ser difícil. Fiel à sua tradição, este jornal não tem apreço por aventuras. Sociedades estáveis e prósperas privilegiam reformas graduais e pactuadas. Mudanças incrementais, não rupturas, definem as democracias mais avançadas. É assim que deve ser no Brasil.
BANCADA DO IMPEACHMENT, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
A maioria das reações de perplexidade – ante a rejeição a Jorge Messias – derivou da quebra de expectativa sobre o que deveria ser processo de aprovação automático, como se o poder de indicar fosse absoluto, como se o exercício da democracia estivesse contido exclusivamente na plenitude daquele teatro de beija-mãos a que a história de nossa República nos rebaixou-habituou. Trata-se de disfunção – sobre a essência do processo republicano – considerar perigoso que o Senado exerça uma prerrogativa; deturpação que turva a capacidade de análise sobre o que terá se passado.
É controverso que Messias tenha notório saber jurídico para ser juiz na Suprema Corte; incontroverso sendo que fora indicado em função do histórico leal de serviços prestados a um partido político e para compor-ampliar a já constituída e atuante bancada governista no Supremo, pervertido o tribunal constitucional em terceira casa legislativa. Deveria ser natural que indicações dessa natureza fossem rechaçadas. Terá demorado a ocorrer, ocorrência impulsionada pela combinação tsunâmica entre ano eleitoral e fator Master; e pela articulação entre Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre.
O revés do governo Lula – objetivo do presidente do Congresso – foi instrumento para a derrota-mensagem que o Senado quis infligir ao STF, meta do bolsonarismo. O não a Messias como espécie de pré-impeachment de ministro do Supremo; manifestação-reação-juramento de um Poder contra aquele percebido como agente-interferente na atividade política, que ergueu bloco legitimador-explorador do inquérito xandônico como ferramenta de controle intimidatório.
(O cronista expressa dificuldade em compreender a versão de que Alexandre de Moraes teria trabalhado contra Messias – o que seria trabalhar contra si. Não faz sentido que tivesse se mobilizado – ainda que a matar CPI do Master – pelo que afinal seria a construção de novo patamar para a bancada do impeachment no Senado.)
Alcolumbre venceu. Imposto o comunicado de que não aceita que governo tente negociar codevasfs à margem de seu império; de que investigar a gestão do fundo de pensão dos servidores do Amapá tem consequências. A leitura mais relevante sendo a de que não teria alterado o padrão alcolúmbrico se acreditasse no favoritismo de Lula em outubro; se acreditasse que, mesmo reeleito, o presidente lhe pudesse prescindir. Aposta que o Planalto não pode retaliá-lo; que precisa mais de Alcolumbre do que Alcolumbre, do Planalto.
Venceu. Não venceria sem a sociedade com o bolsonarismo. Foi sobretudo operador da onda, hábil surfista da chance levantada pelo encontro entre ano eleitoral, caso Master e as ações ameaças de ministros do STF contra a atividade parlamentar – contra parlamentares. Mais que hábil, um surfista mágico, beneficiando-se de espírito do tempo em cujo cerne está a revolta contra o que ele, Alcolumbre, representa, também ele – dos mais interessados em enterrar o affair Master – agente blindador contra apurações legislativas sobre a teia vorcária e suas relações.
A prova de que mal geriu a economia brasileira no seu terceiro mandato e agora, desesperadamente, tenta encontrar culpados em outros lugares e dobrando o erro, quer corrigir o que não tem mais jeito e vai custa mais caro para todos nós e deverá derrotá-lo nas urnas
INFLAÇÃO E JUROS ENROLAM LULA, editorial do jornal O Globo
Como esperado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou seu pronunciamento por ocasião do Dia do Trabalho para anunciar o Desenrola 2, segunda versão de seu programa para refinanciar dívidas de famílias. Um dia antes, também como esperado, o Banco Central deu notícias incômodas sobre a inflação e a taxa de juros.
Por mais bem-vinda que seja a redução da Selic de 14,75% para 14,5% ao ano, evidencia-se o patamar ainda extraordinariamente elevado da taxa, em grande medida causado pela gestão perdulária das contas públicas. As perspectivas de alívio monetário, ademais, tornaram-se mais incertas.
A motivação do BC para manter o ritmo cauteloso do ajuste reside no cenário inflacionário complexo. As cotações do petróleo dispararam com o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, elevando custos em toda a cadeia produtiva. No plano doméstico, a atividade não desacelerou o bastante para conter pressões de preços como a do setor de serviços.
Esses fatores tornam mais árdua a convergência do IPCA para a meta de 3%, como indicado nas projeções do Banco Central. Para este ano, a estimativa passou de 3,9% na reunião anterior para 4,6% agora; para o horizonte relevante em 2027, o número subiu de 3,3% para 3,5%. As expectativas de mercado são ainda piores, de 4,9% e 4%, respectivamente.
O aumento da incerteza em torno dessas previsões —agravado pela falta de clareza quanto à duração e ao alcance dos choques geopolíticos— justifica que o Comitê de Política Monetária (Copom) avance com cautela redobrada no ciclo de corte dos juros. Tanto que, em seu comunicado, o colegiado não se compromete com movimentos futuros.
Em que pese a conjuntura externa desfavorável, o patamar anômalo da Selic, que se espraia pelas taxas de mercado, não pode ser dissociado das escolhas imprudentes do próprio governo. Ao longo de todo este terceiro mandato de Lula, a expansão de gastos públicos foi ininterrupta, pressionando a demanda e elevando temores em relação à solvência da dívida pública.
Não é surpresa, assim, que o endividamento e o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de juros e amortizações continuem em nível recorde mesmo depois da primeira edição do programa Desenrola, lançada em 2023.
Ao elevar o custo de capital, o governo contribui diretamente para o aperto no orçamento doméstico, o aumento da inadimplência e o recurso crescente a modalidades caras de crédito.
A poucos meses da eleição presidencial, o Desenrola 2 pode até produzir algum efeito prático e imediato para devedores de baixa renda, ao facilitar renegociações com descontos expressivos.
Sem queda firme da inflação e dos juros, porém, seu alcance tende a ser limitado e pontual. Lula terá dificuldade para se desenrolar de consequências das más escolhas econômicas de sua gestão.
Para lembrar: Santa Catarina é o estado que possui maior número de portos estruturados: Itapoá, São Francisco do Sul, Navegantes, Itajaí e Imbituba. Santa Catarina, possui uma legislação – bem antiga e criada ao tempo de Carlos Moisés da Silva – específica que fomenta o uso desses portos, se tiver sede em SC, a TTD (Tratamento Tributário Diferenciado) 409 (há a TTD 410 e a 411), previsto na lei 17.763/2019
AÇÃO CONTRA CONTRABANDO NO RIO DEVE INSPIRAR OUTRAS EM PORTO DO PAÍS, editorial do jornal O Globo
Foi exemplar a Operação Mare Liberum, ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal para desbaratar um megaesquema de corrupção no Porto do Rio. Por determinação judicial, 17 auditores fiscais e oito analistas tributários foram afastados. A investigação revelou uma quadrilha formada por servidores da Receita, empresas importadoras e despachantes aduaneiros — totalmente dedicada ao contrabando. Estimativas preliminares sobre o total sonegado chegam a R$ 500 milhões. A suspeita é que o esquema também tenha sido usado para abrir portas a armas e drogas ilícitas. A ação, que envolveu cem auditores ou analistas da Receita e 250 agentes da PF, deveria inspirar operações semelhantes noutros portos brasileiros. É difícil acreditar que os crimes e irregularidades desvendados estejam circunscritos ao litoral fluminense.
Os agentes encontraram todos os indícios frequentes em casos de corrupção. Quantias milionárias de dinheiro vivo e produtos caros em abundância. Em imóvel na Barra da Tijuca, a polícia achou US$ 166 mil (R$ 830 mil) dentro de um piano, além de R$ 1,2 milhão em espécie. Em Niterói, mais US$ 358 mil (R$ 1,7 milhão). Em Copacabana, outros R$ 233 mil. O dinheiro “guardado debaixo do colchão”, longe dos controles do sistema bancário, ultrapassou R$ 4 milhões. Na lista do material apreendido, constam caixas de vinho, joias e outros bens normalmente usados na lavagem de recursos ilícitos.
A Corregedoria da Receita deu início às investigações em fevereiro de 2022. Encontrou 17 mil declarações de importação suspeitas. Uma das práticas consistia em registrar custo abaixo do real para os produtos que chegavam ao porto. Dessa forma, as empresas do esquema pagavam menos imposto. Outro crime era liberar a entrada de produtos ilegais, identificados como artigos permitidos pela legislação brasileira. Agentes criminosos faziam vista grossa para as mercadorias no porto.
Além das adulterações nas declarações, foram identificadas fraudes na admissão temporária de produtos, principalmente no setor de óleo e gás. Empresas petrolíferas costumam trazer para o Brasil equipamentos usados por tempo limitado, depois enviados a outro país. É o caso de máquinas usadas em perfuração ou sondas. A legislação estipula prazos rigorosos para essas importações, mas as regras foram muitas vezes esquecidas mediante propina.
“Qualquer tipo de fragilidade no controle é motivo de preocupação. Pode entrar de tudo, como produtos que colocam em risco a saúde, o meio ambiente e a segurança pública”, disse ao GLOBO Claudiney Santos, superintendente da Receita no Rio. A próxima fase da operação terá como objetivo chegar aos corruptores, às companhias que se beneficiaram do esquema e aos intermediários. A ação de criminosos dentro da estrutura do Estado reduz a arrecadação de impostos, beneficia empresas que operam na ilegalidade, distorce o ambiente de negócios e põe a saúde, ou mesmo a vida, da população em risco. Não pode haver trégua contra eles, seja no Rio, seja em qualquer outro porto brasileiro.
O PT E A DEMOCRACIA, by me
O PT, o lulismo e as esquerdas do atraso, são, em tese e palanque, os únicos arautos e defensores das democracia. Democracia é a vontade da maioria pelos votos que sufragam. Mas, todas as vezes, que se contraria os votos e principalmente, à falta deles para formar a maioria da vontade “desses democratas”, eles recorrem ao supremos togados – que também se arrogam guardiões da democracia em prerrogativas e exageram como nos processos industriais e exageradas penas impostas aos supostamente anti-democráticos – para reverter as decisões que perderam no voto (falta de maioria).
Na derrota ontem no Congresso Nacional, quando se derrubaram os vetos que criam uma dosimetria, o líder do PT na Câmara, o catarinense oestino Pedro Francisco Uczai, não teve a menor dúvida, como um mimado e mau perdedor, em matéria legislativa n~]ao sancionada por Luiz Inácio Lula da Silva, PT, não perdeu a oportunidade e disse que o PT vai apelar, mais uma vez, por si, e principalmente por seus pares como o PSOL, para o tapetão.
Então, perguntar, não ofende: se tudo o que contraria o poder de plantão no poder representativo do povo e dos estados por falta de votos for levado para a decisão do Supremo, muitas vezes, monocraticamente, não seria o caso de se fechar o Congresso Nacional e economizar bilhões dos nossos pesados impostos?
Se eles próprios – parlamentares – não se dão o respeito à autonomia deles próprios e de suas casas, missão política representativa e atividade parlamentar deles… Credo.
HOJE É DIA DO TRABALHO OU DO TRABALHADOR
Os nossos políticos brasileiros conseguiram até desvirtuar o sentido do repensar e conscientização sobre o nosso Primeiro de Maio. E foi o pai do trabalhismo, Getúlio Vargas, PTB. Irônico.
Veja o que explica o texto da Inteligência Artificial
O Dia do Trabalhador e do Trabalho é comemorado mundialmente em 1º de maio, sendo um feriado nacional no Brasil desde 1925. A data homenageia a luta histórica por melhores condições de trabalho, originada em 1886 com greves nos EUA, e celebra a dedicação de todos os profissionais.
Origem e Diferenças
Dia do Trabalhador: Foca na luta operária, reivindicações de direitos, melhorias na jornada de trabalho e celebração da classe trabalhadora.
Dia do Trabalho: Conceito consolidado na Era Vargas, que passou a focar na celebração oficial, festividades e no valor do trabalho para o desenvolvimento do país
BALANÇO
Penso que abril que de fecha hoje no calendário não foi um bom mês para a extrema esquerda, a esquerda do atraso, o PT e Lula. Alguns avisos, frutos da arrogância, da má política, da política, da traição e da falsa defesa da democracia, estão dados. A extrema direita, a direita, os conservadores de um modo geral, o bolsonarismo retrógrado e o dito centrão – uma máquina de negócios contra o Brasil – podem se embriagar nesta comemoração e em decorrência disso, deixarem passar a janela de oportunidades.
Se por um lado até outubro há muito tempo para errar, por outro, até outubro, há pouco tempo para se concertar. O tempo é o senhor da razão.
DERROTA DE MESSIAS VIRA JOGO DA ELEIÇÃO, por Malu Gaspar, no jornal O Globo
Um dia antes de o Senado Federal derrotar a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) mandou um recado aos senadores da oposição bolsonarista. Se perdessem a oportunidade de derrubar o indicado de Lula no plenário, que não viessem lhe pedir para colocar em pauta um dos cerca de cem pedidos de impeachment de ministros que ele mantém engavetados. No dia seguinte, o mesmo Alcolumbre, conhecido por nunca atender o celular, passou o tempo todo ao telefone falando com qualquer parlamentar que tivesse condição de ajudá-lo. Nas conversas, variações do mesmo tema — faça seu papel que farei o meu —, terminando sempre com “hoje será um dia histórico”.
Com o primeiro vaticínio confirmado, dois novos passaram a ser ouvidos em Brasília. O primeiro: o governo “acabou”. Outro: o próximo passo é o impeachment de ministros do Supremo. É difícil cravar agora com 100% de certeza se tais previsões se confirmarão.
Um teste importante ocorre já hoje, quando o Congresso avalia o veto de Lula ao projeto que abre espaço à redução de pena dos condenados pelo 8 de Janeiro, aprovado em dezembro por ampla maioria. Há pouca dúvida de que o veto de Lula será derrubado. Isso, além de agravar a crise no governo, também fará aumentar a cotação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas bolsas de apostas para a campanha presidencial.
Se há algo mais que comprovado pela experiência, é que, assim como as piranhas da Amazônia, os políticos partem para o ataque quando sentem o cheiro de sangue. Outra máxima é que a perspectiva de poder atrai, e isso explica o movimento de alas do Centrão, sem as quais o nome de Messias nunca teria sido rejeitado no plenário.
Não é segredo para ninguém que Alcolumbre se lançou na disputa com o Palácio do Planalto depois que o presidente da República decidiu não indicar Rodrigo Pacheco (PSB-MG) à vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, ainda no ano passado. De lá para cá, ele nunca deixou de dizer que se sentiu traído pelo governo. Nos últimos dias, repetiu algumas vezes a interlocutores: “O que fizeram comigo não faço com ninguém”. E se mostrava decidido a mostrar a Lula quem manda de verdade.
Mas, pragmático, muito provavelmente teria cedido se achasse que teria mais a lucrar que a perder. Foi o que fez nestes três anos de governo, sempre lucrando. Se não fez agora, é porque chegou à conclusão de que o jogo eleitoral está virando e decidiu pular do barco antes que ele afundasse.
Daí o discurso propagado nos bastidores não só pelo próprio Alcolumbre, mas também pelos líderes da oposição, segundo o qual a derrota de Messias era o “impeachment possível”. O mesmo diagnóstico foi feito por ministros do governo que estavam no plenário na noite de ontem, ao afirmar que o candidato de Lula era julgado por crimes que não cometeu.
É aí que entra um outro xadrez: o do próprio STF. Por mais paradoxal que possa parecer, a vitória de Messias também não interessava ao maior aliado de Alcolumbre no Tribunal, Alexandre de Moraes. Para este, a nomeação de Messias poderia desequilibrar o jogo de forças no Supremo e dar ainda mais poder a André Mendonça, o relator do caso Master que se tornou seu principal antagonista na Corte.
Moraes sabe que tem muito a perder se as investigações sobre os esquemas de Daniel Vorcaro e o contrato de R$ 130 milhões de sua mulher com o Banco Master continuarem avançando. E não se furtou a mandar, ele mesmo, recados a senadores com processos ou inquéritos pendurados no STF, para que pensassem em seus próprios interesses ao apertar os botões no plenário.
Moraes obviamente não ignora que a derrota de Messias assanha a oposição a trabalhar por seu impeachment. Mas conta com a blindagem do amigo Alcolumbre, igualmente enrolado com o Master, entre outras coisas em razão do investimento de R$ 400 milhões que o fundo de pensão do Amapá, seu estado, fez em papéis do banco. Alcolumbre precisa de Moraes forte, por isso as chances de algum pedido de impeachment de ministro ser submetido ao plenário é menor que zero.
O que interessa para eles é o fato de a derrota de Messias lhes dar tempo para planejar os próximos passos. Certamente já planejaram como faturar com a grande ajuda que acabam de dar a Flávio ao humilhar Lula no plenário, de preferência encontrando uma forma de enterrar o caso Master no Supremo nos próximos meses. O problema em casos assim é sempre o mesmo: quem instala o caos nem sempre é capaz de controlá-lo. O jogo pode ter virado agora, mas ainda está muito longe de acabar.
O PIOR CEGO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo
Estava claro e só não enxergou quem não quis ver. Especialmente o presidente Lula. Fez mais uma aposta errada, uma das piores na sequência de apostas políticas equivocadas que demonstram um líder político em seu ocaso. As condições para a aprovação do indicado eram difíceis de saída, sobretudo pela proximidade das eleições. Não só a oposição declarada, mas um bom pedaço do centrismo no Senado achava que seria melhor uma indicação depois do 4 de outubro – melhor até para o próprio STF.
Não se sabe quem garantiu a Lula que Messias passaria raspando, mas passaria. Se foi Alcolumbre, foi um conselho diabólico para pular para dentro do abismo. Pois a derrota política é histórica na pura acepção da palavra.
Uma boa parte das causas da derrota ficou explicitada num momento-chave da sabatina do indicado, ali pela sétima hora de perguntas e respostas. Foi quando o senador Alessandro Vieira cobrou Jorge Messias não só pelo comportamento de alguns integrantes do Supremo no caso do Master, mas sobre o ataque do STF em relação às CPIs – incluindo abertura de ações judiciais contra o mesmo Vieira.
Antes mesmo que Messias dissesse qualquer coisa (e o que disse acabou por ser irrelevante), Vieira recebeu efusivas manifestações de apoio das principais correntes políticas. Ou seja, Lula e seus operadores no Senado subestimaram a disposição dos parlamentares de dar um troco ao que passaram a identificar como a suprema arrogância dos que assumiram em público uma conduta de “intocáveis”.
Em várias respostas a severas críticas formuladas pelos senadores ao STF durante a sabatina, o próprio Messias tinha deixado claro que não assumiria ali o papel de defensor da Corte. Evitou como pôde responder “sim” ou “não” à provocação do senador Cleitinho sobre se teria sido imoral a conduta de alguns dos integrantes do Supremo, mas usou como recurso de retórica texto de Celso de Mello aludindo à perda de confiança da população no Judiciário.
Parece ter funcionado pouquíssimo a “fuga para frente” que Gilmar Mendes ensaiou ao proceder um “road show” midiático de enfrentamento direto da crise de credibilidade do Supremo. Ao contrário, o decano produziu até aqui um clássico tiro no pé do ponto de vista político – ou seja, convenceu seus adversários (grande parte deles dentro do Senado) da fragilidade da postura da Corte.
O próprio Messias indicou isso indiretamente durante a sabatina, ao assumir com aparente boa vontade a necessidade de reforma do Judiciário e do Supremo. Chegou a ponto de sugerir que o Senado elaborasse um tipo de código de conduta para os ministros da Corte.
Deve acentuar-se o isolamento político das figuras de maior projeção dentro do Supremo. E a ideia da infalibilidade da sabedoria política de Lula e sua infinita capacidade de articulação. Vai colecionando derrotas, achando que terá uma grande vitória.
LULA SOFRE DERROTA HISTÓRICA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Fez muito bem o Senado ao recusar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Como já dissemos neste espaço, o advogado-geral da União não possuía notável saber jurídico, um dos mais importantes pré-requisitos constitucionais para vestir a toga no STF, e só foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque devota lealdade canina ao demiurCgo petista. Mas é preocupante que o Senado tenha tomado tão grave decisão não em razão do óbvio despreparo do postulante, e sim porque algo não funcionou nas negociações entre Lula e os parlamentares, sobretudo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Messias pagou a conta de um governo com imensas dificuldades na articulação política e cada vez mais acuado diante da perspectiva de derrota de Lula na eleição. É preciso ter a real dimensão do fato histórico ocorrido na noite de ontem: Lula é o primeiro presidente a ter uma indicação ao STF rejeitada desde Floriano Peixoto, no final do século 19. De lá para cá, todos haviam sido aprovados pelo Senado, inclusive os mais escandalosamente despreparados, como Dias Toffoli, cujo “saber jurídico” era seu notório trabalho como advogado do PT e que levou bomba nos dois concursos que prestou para a magistratura. Perto dele, Messias é um Moreira Alves.
Por ora, a sociedade pode respirar aliviada por não ter sido vítima de um erro cujas consequências nefastas para o País seriam muitíssimo duradouras, considerando que o jovem Messias, se aprovado, ficaria no Supremo até meados deste século. Mas o alívio há de ser, a um só tempo, cauteloso e vigilante. O acerto do Senado não decorreu de um juízo rigoroso sobre a capacidade técnica de Messias, mas sim de um cálculo político rasteiro, que provavelmente ficará mais claro nos próximos dias.
A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, como se viu, mais uma vez esteve longe de cumprir sua finalidade. Não se discutiram com a seriedade devida as credenciais jurídicas de Messias, tampouco se exigiu dele a demonstração inequívoca dos atributos requeridos pela Lei Maior para ingresso na mais alta corte do País. O que se viu, ao contrário, foi a repetição de um teatro medíocre, esvaziado de espírito público, cujo desfecho acabou sendo definido, a bem da verdade, não no plenário, mas nos conchavos de gabinete.
A rejeição de Messias, ao que tudo indica, resultou da incapacidade do governo Lula de satisfazer as demandas do grupo político que ora comanda o Senado. No nível em que foram oferecidos pelo Palácio do Planalto, cargos em órgãos estratégicos da alta administração pública, emendas bilionárias e espaços de influência política parecem não ter bastado, o que prenuncia uma crise muito maior.
O episódio expõe a profunda deterioração das relações entre o Executivo e o Legislativo. A recusa inédita de um indicado ao STF não importa por si só, mas sobretudo como sintoma de uma turbulência institucional muito mais ampla, cujas consequências tendem a se estender para muito além das eleições de 2026. Ao impor uma derrota dessa magnitude ao presidente da República, o Senado sinaliza uma disposição de confronto que pode comprometer a governabilidade e tensionar ainda mais o já cambaleante equilíbrio entre os Poderes – incluindo, claro, o Judiciário.
Não assistimos, portanto, a um surto de zelo republicano por parte dos senhores senadores. Fosse o Senado mais cioso de seu papel constitucional e menos covarde, o Supremo certamente não estaria coalhado de ministros despreparados para o cargo e, consequentemente, não estaria imerso na pior crise de credibilidade de sua história. O que mudou desta vez foi apenas o desfecho da barganha que ainda rege as relações entre os Poderes, com o evidente enfraquecimento de Lula – e, por tabela, do próprio Supremo, cujos principais integrantes fizeram campanha por Messias. E tudo isso se dá debaixo de pesadas nuvens que anunciam tempestade.
O ARTIGO DE HOJE ESTÁ ADIADO
A histórica – não o fato em si, mas na linha do tempo, ou seja, há132 anos isto não acontecia – derrota do jovem AGU Jorge Messias para ser eterno no STF, criou um dia de ressaca. E ele pode se ampliar hoje, com à provável queda dos vetos presidenciais no Projeto da Lei da Dosemetria. Se derrubado, os vetos vão beneficiar os condenados no atacado pelo ST no condenável vandalismo de oito de janeiro e supostamente por eles e uma elite diretiva de direita na trama do suposto golpe de estado. Estes fatos e a reverberação, fizeram-me adiar o artigo de hoje sobre a nossa aldeia. E olha que por aqui, as vezes, parece ser pior.
A prioridade de hoje e deste feriadão é a reprodução de notas, artigos e comentários plurais para a repercussão nacional deste novo momento de recomposição política e que estarão aqui acima, ou nas “Anotações de Miguel Teixeira CDLII e CDLIII”.
São sinais de uma derrota que vai além da decisão política embutida no resultado acachapante de ontem (34 a 42).
Não foi um embate ideológico como os derrotados expressaram ontem e continuam no mesmo rosário de choro ainda hoje. Foi um aviso claro contra a reeleição de Lula por suas práticas, incoerências e até mentiras de danos coletivos, foi contra o envelhecido – líderes, praticas e ideias – PT, bem como a parte do STF tirano, aquele avança contra o devido processo legal (autor, vítima, investigador, juiz sem instância revisional), contra a pauta de destruição da economia brasileira e o aumento cada vez maior dos impostos on line que empobrece o país e seu povo para sustentar farras de salários a uma casta de privilegiados servidores, beneficiados de indecorosos e caros penduricalhos, bem como a corrupção desenfreada e bilionária, infelizmente, perigosamente e desgraçadamente permeando os três poderes
PARA LULA, É “VENCER OU VENCER” COM MESSIAS, por Vera Magalhães, no jornal O Globo
Lula enfrenta nesta quarta-feira um dos testes mais importantes de seu terceiro mandato. Uma derrota no Senado na votação da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) o fragilizaria de maneira até aqui inédita perante o Congresso e um eleitorado já bastante ressabiado. Para o petista, hoje é vencer ou vencer.
As contas pré-sabatina e votação no plenário mostram que será “com emoção”, mas a maioria dos prognósticos aponta uma vitória por pequena margem do ex-advogado-geral da União, cuja indicação foi feita no ano passado, segurada, confirmada neste ano e contrariou frontalmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A votação acontece num momento de extrema tensão entre STF e Senado, com ecos na pré-campanha eleitoral e endosso de parcela crescente da sociedade, medida por pesquisas. Messias dificilmente escapará de uma inquirição dura, que refletirá esse cenário. Seu desafio será responder de forma a não se queimar com os dez ministros da Corte nem contrariar seus “eleitores” em potencial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário — lembrando que as duas rodadas de votação são secretas, para aumentar o suspense.
Líderes experimentados da Casa apostam que ele terá entre 43 e 47 votos no plenário. Caso se confirme a aposta, Messias se juntará a outros indicados recentes que chegaram ao STF com placares modestos. Flávio Dino e André Mendonça obtiveram 47 votos “sim”, o menor número até aqui. Paulo Gonet passou ainda mais sufoco, recebendo 45 endossos à recondução para a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Essa incerteza, incomum em tempos não tão remotos, é reflexo do papel que tanto STF quanto PGR assumiram na História recente do país, pelo menos do mensalão para cá, com contornos bem mais dramáticos depois da Operação Lava-Jato e do governo Bolsonaro. Foi nesse último período que, ao se colocar como anteparo a ameaças democráticas, o Supremo passou a ser visto pela direita e pelo eleitorado que se identifica com ela como “aliado” do governo.
O perfil dos indicados por Lula nesta sua terceira passagem pela Presidência corrobora a percepção. Foram dois ministros de seu governo e seu advogado pessoal os eleitos pelo petista, escaldado por inúmeros casos de mandatos anteriores em que nomeados por ele votaram contra o governo, contra o PT e contra ele próprio. A preferência por “bolas de segurança” levou Lula a ignorar a preferência manifestada por Alcolumbre, pelo aliado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Essa aposta de risco será testada hoje.
A aprovação, ainda que sem aclamação, dará a Lula uma “maioria” confortável no STF para um eventual quarto mandato e passará à opinião pública a imagem de um governo que ainda mantém o controle, mesmo que sem muita margem, da articulação política com o Parlamento.
Uma eventual e menos provável derrota teria consequências para muito além da composição do Supremo. Seria a cristalização da imagem de isolamento político e institucional, combustível para adversários e fator de contaminação do ambiente eleitoral. Em Brasília, derrotas desse tipo raramente ficam circunscritas ao episódio. Reverberam na percepção de força do governo, atingem expectativas econômicas e acabam, cedo ou tarde, aparecendo nas pesquisas de intenção de voto.
Lula, portanto, não disputa apenas uma indicação. Testa, ao mesmo tempo, sua capacidade de manter pontes com o Judiciário, de resistir à pressão de um campo político que elegeu o STF como inimigo e de demonstrar que ainda consegue transformar a prerrogativa formal conferida pela Constituição de nomear integrantes da mais alta Corte de Justiça em poder efetivo. Num mandato marcado por crises constantes e muito pouca margem de manobra política de Lula, a votação de Messias funciona como um momento em que todas as limitações são postas à prova simultaneamente.
A OUSADIA DO CRIME ORGANIZADO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A ousadia do Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo atingiu um patamar que já não pode mais ser descrito simplesmente como alarmante, o que seria impreciso. Uma operação deflagrada pela Polícia Civil no dia 27 passado, que desbaratou a infiltração de integrantes do bando em prefeituras paulistas, não lançou luz sobre um risco, mas sim sobre um fato consumado. Pelo que se depreende das investigações, em alguns municípios, não existem mais fronteiras entre o Estado e o crime organizado.
As revelações da Operação Contaminatio não se resumem aos 6 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão que a autorizaram. Tampouco se circunscrevem à descoberta de um dos mais audaciosos esquemas de lavagem de dinheiro por meio de prefeituras no maior Estado da Federação, com práticas que vão desde a emissão de boletos falsos até a própria gestão do orçamento municipal. O que se constata é a presença de uma organização criminosa, parida do sistema prisional paulista, que adquiriu uma força tão colossal que passou a ocupar espaços de poder institucional de forma cada vez mais desabrida.
Tal é a audácia dos criminosos que até uma liderança do PCC ousou acionar seus “contatos políticos” para pousar, pasme o leitor, em pleno heliponto do Palácio dos Bandeirantes, em 10 de março de 2022. O objetivo do criminoso era prosaico: assistir a um jogo entre São Paulo e Palmeiras no MorumBis, pelo Campeonato Paulista daquele ano. De forma didática, só esse episódio sintetiza o grau de intromissão do crime organizado no aparato do Estado, pois evidencia a obliteração de limites legais e morais que deveriam ser absolutamente intransponíveis.
Aqui não cabe imputar responsabilidade direta ao então governador, João Doria (PSDB), haja vista que, por óbvio, não cabe ao chefe do Poder Executivo paulista gerenciar pousos e decolagens no heliponto da sede do governo. Mas seria um erro tratar o episódio como uma exceção ou um desvio mais espetaculoso. O que o pouso revela é a naturalização de um ambiente de promiscuidade, no qual controles elementares foram ultrapassados, muito provavelmente, pela corrupção de agentes públicos. A própria trajetória do PCC nos autoriza essa inferência.
O PCC nasceu intramuros. Seus membros originais estavam sob custódia do Estado, numa penitenciária de Taubaté (SP). Ao longo de mais de três décadas, a facção se infiltrou por fissuras institucionais que lhe permitiram crescer, diversificar suas atividades delitivas e expandir sua influência para além das fronteiras não apenas de São Paulo, como do Brasil. Esse processo não ocorreu à revelia do Estado, mas, fundamentalmente, pela colaboração direta ou indireta de servidores públicos – sejam os corruptos, sejam os prevaricadores.
A investigação da Polícia Civil que identificou um “núcleo político” do PCC, com capacidade de influenciar eleições por meio do financiamento paralelo de candidaturas, confirma que o projeto de poder da organização criminosa extrapola o mundo do crime “tradicional”, chamemos assim. Trata-se de uma estratégia que busca aplicar um verniz de legalidade a recursos ilícitos e, mais do que isso, orientar decisões administrativas em benefício da facção. A Operação Carbono Oculto, fruto da parceria entre os governos federal e estadual, foi reveladora nesse sentido.
Diante desse quadro de absoluta perversão da ordem jurídico-institucional, não basta mais celebrar operações bem-sucedidas, por mais relevantes que a Carbono Oculto e a Contaminatio, entre outras, tenham sido. É de justiça reconhecer que provavelmente a maioria dos servidores do Estado é comprometida com a lei e a causa pública. Mas algo além precisa ser feito. O enfrentamento do crime organizado e do PCC, em particular, exige mais do que ações episódicas, impõe uma concertação nacional permanente.
O PCC surgiu sob vigilância do Estado. Prosperou pela corrupção de agentes públicos. Só o Estado, portanto, será capaz de destruí-lo. E, para isso, há de haver coordenação federativa e integração para valer entre forças policiais, órgãos de controle financeiro e instâncias do Poder Judiciário. Além de vontade política para isso, é preciso enfrentar não só criminosos, mas também as condições que lhes permitiram se alimentar das entranhas do próprio Estado.
O TIMES SQUARE DE SÃO PAULO, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo
De uma hora para outra, São Paulo foi levada a crer que a esquina das avenidas Ipiranga e São João pode virar uma Times Square, aquele magnífico pedaço de Manhattan. Tomara, mas a iniciativa está com forte cheiro de macaquice, supondo que foram os luminosos que revitalizaram a região.
Até o fim do século passado, o entorno da esquina da Broadway com a Rua 42 passou por uma inédita decadência, tomado por cinemas pornô, drogas, prostituição e batedores de carteira. O cartão-postal da cidade parecia irremediavelmente perdido. Comparada à Times Square de então, a esquina de Ipiranga com São João era um brinco.
Então surgiu o prefeito Edward Koch. Vitriólico e incansável, ele criou um escritório para revitalizar a região. Pensou-se nos grandes letreiros, mas esse foi apenas um asterisco. O Estado de Nova York assumiu casas de espetáculos, a prefeitura deu incentivos e, acima de tudo, o coração do pedaço foi presenteado aos pedestres.
Pensou-se na população. Os letreiros luminosos continuaram a ser um detalhe tradicional. A revitalização da Times Square resistiu a duas recessões, e o triunfo de Ed Koch foi completo. Conhecido por ter ideias malucas, foi ele quem ensinou os donos de cachorros a recolher o cocô dos pets. Hoje, esse hábito está disseminado no mundo.
A ideia de que basta um luminoso LED para revitalizar uma região central é pobre. Precisa-se de muito mais, e a renovação do Centro de São Paulo está à espera de um Ed Koch. O governador Tarcísio de Freitas quer levar a administração do estado para o Centro. A ideia é boa, mas falta o sopro de arquitetos audaciosos, meio malucos, enfim.
Um dia, um governador ou prefeito de São Paulo transformará a Biblioteca Mário de Andrade num novo e arrojado prédio (como o francês François Mitterrand fez com a Biblioteca Nacional da França). Revitalizar o Centro ouvindo só empresários é tão arriscado quanto lançar projetos sem ouvi-los. A Times Square mudou de rosto graças à mão pesada da iniciativa privada.
Se luminosos bastassem, as cidades japonesas estariam entre as mais bonitas do mundo. São as mais iluminadas, pouco mais. (A prefeitura de Roma ilumina exageradamente o Coliseu, transformando-o num anúncio de sabonete.)
A única virtude de uma São João iluminada é que, em tese, ela nada custará à Viúva. A beleza de São Paulo deve alguma coisa à sua desordem.
Logo ali fica o Rio de Janeiro. Lá, continua-se a investir no crescimento da cidade na direção de São Cristóvão. Teimosa, ela cresce na direção oposta. (O primeiro projeto da Cidade Nova, unindo o Paço, atual Praça XV, à Quinta da Boa Vista é do tempo de Dom João VI.) O projeto do Porto Maravilha tornou-se um estudo de caso de fracasso. Quando o novo porto oferecer moradias baratas aos tradicionais moradores da região, ela virará uma maravilha.
Quando o Centro de São Paulo for revitalizado, com ou sem luminosos, ecoará o canto de Caetano Veloso: Alguma coisa acontece no meu coração/Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João.
Parafraseando um amigo “Cash back. E por gente especializada”
E por empresa com especialistas especializados
é muita maldade! a politicagem sangrando o hospital. o hospital sangrando a prefeitura..a prefeitura de braços cruzados (à época, ao menos)…atendimentos péssimos. até criança morrendo por negligência…é muita falta de consideração! a sorte dessa gente é que a maioria das pessoas, geralmente as mesmas que usam o hospital, não entendem que são elas também que pagam os impostos que sustentam essa roubalheira…elas não tem noção que o valor que pagam nos mercados, no combustível, nas escola dos filhos está ali o imposto que serve justamente pra serem bem atendidos nos hospitais. Pra terem boas estradas. Pra terem segurança.
infelizmente fica tudo na denúncia, investigação, levantamentos, buscas e nada acontece com quem tira o pouco que ainda temos.
tá difícil…
Daniel…
É maldade, sim. E não foi por aviso, não só neste espaço. Era público. A Câmara, feita de vereadores que são, a princípio fiscais representantes do povo, era um palco. Conivente. Nada do que comentei, foi uma descoberta exclusiva. Era público. Impressionante como demorou tanto tempo o ministério público e a polícia especializada em corrupção para por a mão nisso. Era uma teia. Impressionante como essa gente viveu protegida. Por isso, parte do que se fez se perdeu, não será esclarecida e ninguém será punido. Impressionante é ver essa gente com a bíblia na mão e citando Jesus…
NÃO É PAPEL DA AGU REGULAR A INFORMAÇÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Uma certa Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), estrutura interna da Advocacia-Geral da União, enviou notificação para a rede social X pedindo a exclusão ou a rotulagem de dez postagens que faziam referência ao projeto de lei destinado a punir a misoginia —aprovado pelo Senado em março e tramitando na Câmara dos Deputados.
A AGU alega que as postagens atribuíram ao texto aprovado trechos de outro projeto, o que “ataca a integridade do processo legislativo e confunde a opinião pública sobre uma política pública relevante”.
De fato, algumas postagens confundiram as duas propostas; outras fizeram referência àquela não aprovada no Senado para criticar o ímpeto legislativo que busca criminalizar a misoginia.
Trata-se de controvérsia política e jurídica legítima, com as distorções, os enganos e os exageros que fazem parte do debate público nas democracias liberais.
A função da AGU é representar a União judicial e extrajudicialmente, além de prestar consultoria jurídica ao Poder Executivo.
Regular opiniões sobre os Poderes e seus agentes definitivamente não faz parte desse escopo. Mas isso mudou com a criação da PNDD no primeiro dia do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O “enfrentamento à desinformação sobre políticas públicas” é uma de suas atribuições, o que expande de modo temerário o raio de ação da AGU.
As notificações extrajudiciais se fortaleceram com a reinterpretação do artigo 19 do Marco Civil da Internet (2014), em 2025, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Antes, plataformas só seriam responsabilizadas por conteúdos de terceiros se não cumprissem ordens judiciais —exceto em casos que não precisam de ordens, como nudez não consentida.
Mas a própria decisão da corte deixa claro que a punição só se dará no caso de desobediência a notificações extrajudiciais relativas a conteúdos criminosos ou ilícitos, o que não parece ser o caso do debate, ainda que equivocado, sobre um projeto de lei.
A expansão da polarização político-ideológica, de populismos e das redes sociais na última década tem gerado uma discussão global sobre regulações que visem conter possíveis efeitos nefastos desse ecossistema digital.
No Brasil, qualquer mudança nesse sentido tem de se dar no Congresso Nacional, com amplo debate e sob bases técnicas, o que não se viu no Projeto das Fake News, felizmente engavetado em 2024.
A AGU não deveria se imiscuir no monitoramento de conteúdo online, ainda mais com as atribuições tão vagas da PNDD.
O CASO MASTER E O FATOR ZEMA, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Romeu Zema testa-desafia o projeto-fachada de moderação de Flávio Bolsonaro, ou lhe oferece-amplia as condições para que se venda como moderado? Seria jogo combinado, Zema avançando para que Flávio pudesse exibir reforçar a imagem de “Bolsonaro ponderado”? Esse Zema de texto radicalizado, que denuncia-enfrenta ministros do Supremo, forçará-obrigará “o Bolsonaro que não é louco” a se mexer e expor a própria natureza; ou, situando-se à direita do “Bolsonaro que come de garfo e faca”, empurraria-ajudaria Flávio a se mover para o centro?
Não há dúvida de que a coragem do ex-governador de Minas Gerais – o cronista se refere à percepção do eleitor – perturbe, fira mesmo, o sistema de crenças-valores bolsonarista, erguido sobre a propriedade do confronto conflito e constituído sob o monopólio do discurso antissistema; daí por que o bolsonarismo de extração eduardista já se lance contra a ameaça Zema. Flávio Bolsonaro solta – já soltou – os seus cachorros. Quanto a ele próprio: morderá? Poderá não morder? Poderá terceirizar a mordida? Porque não se trata somente de Zema percebido como o que não tem rabo preso nem telhado de vidro. Trata-se, por oposição, de o senador encaixotado como com rabo preso e sob telhado de vidro. Jogo combinado?
É grande a pressão para que morda; para que dê satisfação sanguínea a uma militância forjada na beligerância e incomodada com o candidato – o mitinho, filho do mito – que presta “apoio” e se posiciona a reboque do representante da linha auxiliar Partido Novo. A ver, a propósito, se não estaria Zema afinal trabalhando por subir o preço do que era, até faz pouco, apoio banal e aliança quase automática. A ver também se terá lastro individual para sustentar a persona até as urnas. A carga para que Flávio reaja aumentará – desafiará a manutenção da máscara de paz e amor – caso Zema cresça nas pesquisas e se acerque dos 10%.
Não é a hipótese mais provável – a do crescimento competitivo de Zema. Tampouco deve ser possibilidade descartada. Por uma razão: o caso Master, cuja geração de instabilidade-imprevisibilidade, a mesma que derrubara Lula da condição de reeleito e dera a Flávio Bolsonaro o privilégio de se beneficiar da crise mesmo jogando parado, agora tornou Romeu Zema – também graças ao marqueteiro Gilmar Mendes – o pauteiro do debate público eleitoral, capaz de tirar o bolsonarismo da zona de conforto. Ninguém imaginava.
Ninguém compreendeu e explora a natureza do caso Master como a equipe de Zema. Este é o fator Zema: menos a sua capacidade atual de concorrer à Presidência com chances de vencer; e mais a forma influente como a sua campanha leu e reage materialmente ao mercado de desejos eleitorais. A série de filmetes satíricos sobre “os intocáveis de Brasília” é primor de aplicação concentrada dos sentimentos difusos do brasileiro que decidirá a eleição em 2026. O caso Master desafia jogos combinados e abre a fenda a partir da qual o imponderável – o Zema pauteiro, por exemplo – exercita-se.
O STF NÃO É PODER CONSTITUINTE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou uma lei vedando cotas raciais para o ingresso de estudantes ou contratação de profissionais em universidades estaduais e instituições beneficiárias de verbas estaduais. O Supremo Tribunal Federal (STF) a declarou inconstitucional, e o fez por rara unanimidade, como se fosse matéria incontroversa. Não é. A Constituição, na melhor das hipóteses, permite as cotas raciais, mas de modo algum as exige.
Democracias desenvolvidas admitem ações afirmativas, mas em geral vedam cotas, por entenderem que substituem a avaliação individual por pertencimento a grupos e tensionam princípios como a igualdade perante a lei. Nesse sentido, o modelo brasileiro é exceção, não regra. De todo modo, o mérito das cotas é secundário. O que está em jogo é o direito de uma sociedade decidir sobre políticas públicas.
Há argumentos sólidos para advogar que reservas raciais ferem pilares constitucionais como o da igualdade (art. 5.º), vedação a discriminações (artigos 3.º e 19.º) e isonomia no acesso à educação (art. 206). Apesar disso, o Supremo pacificou a jurisprudência segundo a qual as cotas são constitucionais. Mas daí segue-se uma lógica elementar: o fato de que a Constituição não as proíba não quer dizer que as exija. Em sua interpretação expansiva, o STF extrapolou mais uma vez sua função de guardião da Constituição e, na prática, deslocou do ordenamento jurídico o “pode haver cotas” para “deve haver cotas”.
O relator, ministro Gilmar Mendes, apoiou-se basicamente em dois argumentos. O primeiro é o de que o legislador teria partido de uma “premissa” incompatível com a jurisprudência do tribunal. No entanto, o controle de constitucionalidade não incide sobre intenções atribuídas ao legislador, só sobre o conteúdo da lei. Julgar “premissas” é abrir caminho para invalidar leis por divergência política travestida de técnica jurídica.
O segundo argumento foi o da fragilidade do processo legislativo – tramitação breve, ausência de audiências públicas, falta de estudos. Mas a Constituição não exige um ideal de deliberação, apenas o cumprimento de regras formais, como o respeito a quórum, ritos ou prazos. Se o Judiciário passa a avaliar a qualidade do processo parlamentar, e não apenas sua legalidade, qualquer lei se torna passível de invalidação por não satisfazer critérios subjetivos de suposta razoabilidade institucional.
O impacto dessa lógica extrapola Santa Catarina. Ao restringir a margem de escolha de um Estado em matéria educacional, o STF esvazia o federalismo e uniformiza decisões que deveriam refletir realidades locais. Mais grave: reduz o espaço legítimo de disputa política.
O povo de Santa Catarina, por meio de seus representantes eleitos, pode ter tomado uma decisão ruim. Isso é discutível. O que não é discutível é seu direito de decidir. No caso, o que importa é que a sua decisão é absolutamente legítima e constitucional. Ao derrubá-la, a Corte não consagrou a Constituição, só a ambição de seus ministros de fazer do STF um poder constituinte.
Operação do GAECO no Hospital de Gaspar!
Esta investigação no Hospital de Gaspar, já passou da hora. O engraçado é que muitas questões ainda estão sem respostas. Principalmente, os porquês das não divulgações das referidas prestações de contas dos valores milionários repassados desde de maio de 2014, no então Governo do Celso Zuchi, passando pelos anos do Kleber Wan-dall, chegando a 2026. Muito estranho mesmo!
Só para lembrar o dinheiro repassado é do Contribuinte, como tal deve ser muito bem investido.
P.S. o mais engraçado é ver Agente Público, querendo surfar na onda. Mas que num passado recente da última legislatura se negou a assinar o pedido de uma CPI. Estamos de olho.
Adilson Schmitt
Ex Prefeito de Gaspar
Uma observação. Não é agente público que está surfando. E mais uma vez. É agente político. E está pré-candidato, por isso surfa para confundir e mais uma vez levar vantagem. Impressionante é como tem gente que vai nesta onda