Pesquisar
Close this search box.

ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLIII

Um dia histórico? Não! Foi um jogo jogado e no campo democrático. Houve arrogância, imposição, dissimulação, traição, articulação, contrapartidas, acusações e principalmente, falta de voto. A puxada de tapete do presidente do Senado, David Alcolumbre, UB-AP, nem ele faz questão de esconder esta interferência. Derrotou Luiz Inácio Lula da Silva, PT, que não conseguiu emplacar mais um estafeta da esquerda e do lulismo no STF que virou, por uma minoria, um problemaço institucional e jurídico para a nação. Por linhas tortas, veio, à meia boca, o tal freio de arrumação. Ao menos nos sinais. (by Herculano)

Compartilhe esse post:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
LinkedIn
Email

64 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLIII”

  1. Miguel José Teixeira

    Muito além do
    halterocopismo! (*)

    “Estudo com 15 mil brasileiros mostra que atividade física é o melhor investimento para o envelhecimento”
    – Prática regular de qualquer movimento com gasto de energia atua como fármaco natural.
    – Exercícios promovem saúde metabólica, cardiovascular e cognitiva e sensação de bem-estar.
    (Natan Feter, Coordenador do Centro de Pesquisas em Atividade Física, Saúde e Tecnologia na UFPel (Universidade Federal de Pelotas), FSP, 04/05/26)

    Em 2024, a cada 15 minutos, o Brasil registrou quatro mortes que poderiam ter sido evitadas se a prática de atividade física (1) fizesse parte da rotina das pessoas. Esse dado reforça o que pesquisadores já alertam: a inatividade física (2) não é apenas uma escolha individual, mas uma pandemia com impactos (3) profundos na saúde coletiva e custos humanos e econômicos.

    No cenário de um país que envelhece a um ritmo acelerado, o movimento corporal surge não como um luxo, mas como uma estratégia essencial de sobrevivência e de dignidade.

    O Brasil que envelhece e se imobiliza
    O Brasil passa por uma transição demográfica acelerada (4). Enquanto nações europeias enriqueceram antes de envelhecerem, estamos envelhecendo em um contexto de desigualdades sociais persistentes.

    Os dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) (**) oferecem um retrato fiel desse desafio. Há mais de 15 anos a pesquisa acompanha 15 mil adultos em seis estados brasileiros. O projeto é financiado pelo Ministério da Saúde e conta também com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Fincep (Financiadora de Estudos e Projetos).

    Epidemiologicamente, a prevalência de atividade física insuficiente (5) no Brasil ainda é preocupante. O boletim do ELSA-Brasil revela que o comportamento sedentário — o tempo gasto sentado ou deitado com baixo gasto energético — torna-se um hábito ainda mais comum em fases críticas, como a aposentadoria.

    Ao contrário do que muitos pensam, parar de trabalhar muitas vezes reduz o nível de movimento: a inatividade física aumenta em 65% entre os homens e 55% entre as mulheres após a saída do mercado de trabalho.

    Movimento como pilar para a longevidade
    A prática regular de atividade física (6), definida como qualquer movimento voluntário com gasto de energia acima do repouso, atua como um “polifármaco” natural. Os benefícios para o envelhecimento saudável, evidenciados nos diversos artigos publicados pelo ELSA-Brasil, são multissistêmicos:

    Saúde metabólica e cardiovascular:
    atingir as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 150 minutos semanais de atividade moderada a vigorosa está associado a um risco de mortalidade 25% menor em cinco anos. Na prática, a estatística mostra que para cada 4 mortes registradas entre sedentários ocorrem apenas 3 entre indivíduos ativos. Ou seja: a atividade física regular é capaz de evitar 1 em cada 4 mortes que ocorreriam.

    Preservação cognitiva:
    o exercício é fundamental (7) para a manutenção de domínios centrais da cognição, como memória, linguagem e atenção, além de reduzir o risco de declínio cognitivo.

    Proteção do coração:
    manter-se ativo ao longo da vida reduz a rigidez das artérias e a incidência de hipertensão e diabetes.

    Bem-estar e qualidade de vida:
    pequenas mudanças, como dar cerca de 7.000 passos por dia, podem reduzir a mortalidade pela metade.

    Políticas públicas
    Para que o exercício não seja apenas uma recomendação clínica, o ambiente deve ser favorável. O Brasil possui ferramentas robustas, como o Guia de Atividade Física para a População Brasileira (***). O documento orienta que “todo passo conta” e que a atividade física pode ocorrer no lazer, no deslocamento ou em tarefas domésticas.

    No âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde), o programa Academia da Saúde (****) destaca-se como uma política essencial para democratizar o acesso ao movimento. Além disso, o ELSA-Brasil demonstra que o ambiente urbano influencia diretamente o comportamento: pessoas que vivem perto de áreas verdes e parques praticam exercícios com mais frequência. Morar em uma vizinhança com boa infraestrutura para caminhar e sombra de árvores aumenta em 69% a probabilidade de o indivíduo praticar atividade física no lazer.

    A ciência que sai do laboratório: o papel da divulgação
    Para que dados complexos como os do ELSA-Brasil se transformem em mudanças de hábitos, a comunicação precisa ser clara e acessível. A divulgação científica atua como essa ponte vital, traduzindo evidências estatísticas em orientações práticas que a população pode compreender e aplicar no dia a dia.

    O ELSA-Brasil tem investido sistematicamente em estratégias para devolver seus achados à sociedade. Uma dessas iniciativas é a criação de boletins informativos periódicos, como o que fundamenta este artigo. Estes documentos utilizam uma linguagem visual e direta para explicar desde conceitos básicos — como a diferença entre atividade física (movimento voluntário) e exercício físico (planejado e repetitivo)— até os resultados mais recentes sobre prevenção de doenças.

    Esses boletins temáticos, disponíveis no site do ELSA-Brasil, fazem parte de um ecossistema de divulgação que busca democratizar o conhecimento produzido em mais de 15 anos de estudo. Ao apresentar de forma lúdica que substituir apenas 10 minutos de comportamento sedentário por movimento pode salvar vidas, a ciência deixa de ser um gráfico em um artigo acadêmico e se torna um incentivo real para o cidadão que está no sofá. Mais do que informar, essa iniciativa visa empoderar o brasileiro a tomar decisões baseadas em evidências para o seu próprio envelhecimento.

    Nunca é tarde para começar
    Um dos achados mais encorajadores da ciência moderna é a quebra do mito do “tempo perdido”. O papel protetor da atividade física é resiliente, independentemente da idade de início. Substituir apenas 10 minutos diários de sofá por movimento moderado já reduz o risco de morte em 10% no curto prazo.

    O corpo humano mantém sua capacidade de adaptação em qualquer estágio da vida. Se o benefício acumulado de uma vida ativa é inegável, o benefício imediato da mudança de hábito é o que garante que o idoso de hoje seja o protagonista de sua própria história amanhã. O movimento é, sem dúvida, a forma mais eficiente de transformar os anos que ganhamos em vida plena e independente.

    Este texto foi publicado no The Conversation (8). Clique aqui para ler a versão original (9).

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/05/estudo-com-15-mil-brasileiros-mostra-que-atividade-fisica-e-o-melhor-investimento-para-o-envelhecimento.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/atividade-fisica/

    (2) “Especialistas defendem prescrição obrigatória de atividade física na oncologia; saiba quais”
    – Evidências sobre benefícios pressionam recomendação por oncologistas.
    – Ideia foi difundida entre médicos no Onco in Rio, congresso internacional no Rio de Janeiro.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/03/especialistas-defendem-prescricao-obrigatoria-de-atividade-fisica-na-oncologia-saiba-quais.shtml

    (3) “Fazer exercícios por prazer traz mais benefícios do que com foco em emagrecer, dizem especialistas”
    – Valorização de conquistas, além da perda de peso, envolve aumento da disposição, autonomia e experiência coletiva.
    – Se exercitar por estética transforma a prática em obrigação, gerando culpa e angústia.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/03/fazer-exercicios-por-prazer-traz-mais-beneficios-do-que-com-foco-em-emagrecer-dizem-especialistas.shtml

    (4) “Idosos recorrem à atividade física para cuidar do corpo e da mente: ‘Voltei a ser feliz'”
    – Pessoas com mais de 60 anos dizem encontrar energia e motivação em práticas como dança e natação.
    – Especialistas defendem investimento cada vez maior em programas de estímulo ao exercício físico na saúde pública.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/04/idosos-recorrem-a-atividade-fisica-para-cuidar-do-corpo-e-da-mente-voltei-a-ser-feliz.shtml

    (5) “Combinar cardio com musculação é receita ideal para vida mais longa e saudável”
    – Incluir exercícios aeróbicos na rotina de treinos de força maximiza benefícios, dizem especialistas.
    – Atividade oferece proteção contra doenças cardiovasculares e previne vários tipos de câncer.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/05/combinar-cardio-com-musculacao-e-receita-ideal-para-vida-mais-longa-e-saudavel.shtml

    (6) “Desigualdades sociais influenciam quem é sedentário e quem pratica atividade física, diz estudo”
    – Pesquisa publicada na Nature Medicine aponta que sedentarismo mata 5 milhões de pessoas por ano no mundo.
    – Em outro artigo, pesquisadores apontam falhas na implementação de políticas públicas de promoção à vida ativa.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/03/desigualdades-sociais-influenciam-quem-e-sedentario-e-quem-pratica-atividade-fisica-diz-estudo.shtml

    (7) “Sedentarismo na juventude começa na infância e ameaça saúde futura”
    – Especialistas dizem que hábito de fazer atividade física é mais difícil na vida adulta.
    – Inatividade nessa faixa etária é multifatorial e tem influência ambiental.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/10/sedentarismo-na-juventude-comeca-na-infancia-e-ameaca-saude-futura.shtml

    (8) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/the-conversation/

    (9) https://theconversation.com/estudo-com-15-mil-brasileiros-comprova-que-atividade-fisica-e-o-melhor-investimento-para-o-envelhecimento-281083

    (*) O halterocopismo é um neologismo humorístico utilizado para descrever o ato frequente de beber bebidas alcoólicas, especialmente cerveja. É uma brincadeira com a palavra “halterofilismo” (levantamento de peso), sugerindo que levantar copos é o único exercício físico praticado pelo indivíduo.
    +em: https://share.google/aimode/3xKrOfu29sj3QvHvg

    (**) https://elsabrasil.org/
    (***) https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/ecv/publicacoes/guia-de-atividade-fisica-para-populacao-brasileira/view
    (****) https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/academia-da-saude

  2. Miguel José Teixeira

    Não bastou virar o Brasil
    de cabeça para baixo.
    A corja vermelha quer
    também, virar o mundo!

    “IBGE faz novo mapa invertido e com Brasil no centro do mundo”
    – Projeção aborda diversidade de espécies nos países.
    – Gestão do presidente Marcio Pochmann já provocou polêmica com trabalhos semelhantes em 2024 e 2025.
    (Leonardo Vieceli, FSP, 04/05/26)

    O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), presidido pelo economista Marcio Pochmann, lançou nesta segunda-feira (4) mais um mapa com o Brasil no centro do mundo e o território dos países de forma invertida na comparação com as projeções tradicionalmente utilizadas.

    O novo mapa-múndi carrega o título “Riqueza de Espécies 2025” por tratar da biodiversidade no planeta.

    Na projeção, há um indicador que mede a quantidade potencial de espécies de anfíbios, aves, mamíferos, répteis, crustáceos e peixes de água doce em cada célula de 100 km². Parte do território brasileiro, como a região amazônica, se destaca pelo alto número representado pela cor verde.

    Em nota, o IBGE afirmou que o país aparece centralizado por sua “importância no atual contexto social e político”. Também disse que existem diferentes formas de visualizar o mundo além da tradicional orientação norte-sul.
    . . .
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/05/ibge-faz-novo-mapa-invertido-e-com-brasil-no-centro-do-mundo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha

    Se, errar é humano,
    então, persistir no erro
    é pochmannisse!

  3. Miguel José Teixeira

    “Sadia Halal, a permitida”
    (Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 05/05/26)

    A MBRF anunciou a conclusão da criação da Sadia Halal (1), uma joint venture — junção de duas empresas — entre sua subsidiária BRF GmbH e a HPDC (Halal Products Development Company).

    Antes, uma lembrança:
    MBRF (2) é o nome da empresa criada após a fusão da Marfrig, grande produtora de carne bovina do Brasil, e da BRF, a maior produtora de frango do país.
    É dona da Sadia, Perdigão e Qualy, e está presente em 117 países;
    Tem uma receita anual de R$ 160 bilhões;
    Produz 8 milhões de toneladas de alimentos por ano.

    O acordo.
    A MBRF afirma que a Sadia Halal tem valor de mercado de US$ 2,07 bilhões (R$ 10,3 bilhões) e que a sua listagem na Bolsa de Valores de Riade começa a ser preparada.
    90% do capital é da subsidiária BRF GmbH
    10% são da HPDC, subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita (3).

    A joint venture é uma das
    “maiores plataformas de produção e distribuição de proteínas halal do mundo”,
    diz o comunicado. A base de consumidores abrange mais de 350 milhões de pessoas em 14 países islâmicos e terá capacidade de produção anual de 800 mil toneladas.

    O entendimento prevê um investimento inicial da HPDC de US$ 24,3 milhões (R$ 121,2 milhões) e mais de US$ 73,1 milhões (R$ 364,6 milhões) até o fim do ano.

    A BRF, a partir de suas unidades no Brasil, fornecerá produtos à Sadia Halal por um período de dez anos, prazo que pode ser renovável.

    Por que importa?
    Em 2025, as exportações brasileiras para países islâmicos (4), árabes e não árabes, somaram US$ 44,2 bilhões (R$ 220,5 bilhões), segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

    Entre os principais produtos estão carne de frango, carne bovina, açúcar, café e arroz.

    E o que é halal?
    Ligada à tradição islâmica, a expressão “halal” significa “permitido” e indica práticas de consumo alinhadas à saúde e à segurança alimentar dos muçulmanos.

    A expectativa é que, em nível global, este mercado atinja US$ 1,94 trilhão (R$ 9,7 trilhões) de faturamento com alimentos e bebidas até 2028.

    (TRPCE)

    (1) “Marfrig e BRF criam Sadia Halal, negócio de alimentos islâmicos avaliado em mais de US$ 2 bi”
    – Empresa será plataforma global de produção e distribuição de carnes permitidas pela lei islâmica e fará IPO na Bolsa de Riade.
    – Exportações brasileiras para países islâmicos somaram mais de US$ 44 bilhões no ano passado.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/marfrig-e-brf-criam-sadia-halal-e-preparam-ipo-na-arabia-saudita.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (2) “Dona da Sadia fecha acordo com Ministério Público para realocar grávidas em frigoríficos”
    – Trabalhadoras devem ser transferidas assim que gravidez for informada, sem perda de salário.
    – Empresa diz que segue legislação e que não identificou correlação entre casos citados e atividades desempenhadas.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/dona-da-sadia-fecha-acordo-com-mp-e-afasta-gestantes-de-frigorificos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (3) “MBRF dispara mais de 20% na Bolsa após acordo de expansão com fundo saudita”
    +em: https://aovivo.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/01/6428-dolar-empresas-e-bolsas-acompanhe-ao-vivo-o-mercado.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado#post448737

    (4) “Marfrig anuncia incorporação da BRF para criar empresa global de alimentos”
    – Dona das marcas Sadia e Perdigão será subsidiária de frigorífico, em conglomerado com receita de R$ 152 bilhões.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/05/marfrig-deve-fazer-oferta-por-fatia-restante-da-brf-diz-agencia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

  4. Miguel José Teixeira

    . . .”Em todos os casos, o Supremo é um território a ser ocupado, e não um espaço que a sociedade preenche com os mais brilhantes e honestos juristas, na esperança de decisões sábias e imparciais.”. . .

    “Derrota no Senado serve para tirar Lula da zona de conforto”
    – Alguns analistas disseram que o governo acabou e que ele perderá as eleições. São conclusões apressadas.
    (Por Fernando Gabeira, O Globo, 05/05/26)

    Nesse filme, é difícil achar o mocinho. Lula indicou um amigo fiel para o Supremo. Davi Alcolumbre o sabotou porque queria colocar um amigo fiel no Supremo. A direita ajudou a derrubar Jorge Messias porque sonha em conquistar o Senado e povoá-lo de amigos fiéis, derrubando alguns ministros de reputação duvidosa.

    Em todos os casos, o Supremo é um território a ser ocupado, e não um espaço que a sociedade preenche com os mais brilhantes e honestos juristas, na esperança de decisões sábias e imparciais.

    Muitos analistas consideram histórica a rejeição de Messias. De certa forma, acho um exagero. Não é histórica como a cena em que Dom Pedro parou no riacho Ipiranga ou a carta de Getúlio Vargas, deixando a vida para entrar na História. É verdade que algo assim aconteceu antes, há 132 anos, no tempo de Floriano Peixoto. É mais um fato de almanaque.

    Na verdade, não posso dizer que tenha se passado um filme. Não fui testemunha. Mas, analisando o relato de quem fala com os envolvidos, concluo que poderia ser uma série intitulada “Fugindo da polícia”, algo que sempre rende muitos capítulos. Agora mesmo, veio a público que senadores e deputados desembarcaram com malas suspeitas num aeroporto de São Paulo. Não passaram pela alfândega.

    O Banco Master, segundo analistas, foi o centro do roteiro que derrubou Messias. Alcolumbre teme as investigações. O Amapá despejou quase R$ 400 milhões nos cofres de Daniel Vorcaro. O presidente da Previdência do estado é indicado por ele. Jornalistas de Brasília afirmam também que Alexandre de Moraes participou da emboscada contra Messias. Ele temia que o novo ministro se alinhasse a seu amigo evangélico André Mendonça e, com a graça de Deus, o ferrassem quando seu caso fosse a julgamento.

    O papel da direita nessa história foi embarcar na rejeição e não falar mais em CPMI do caso Master. Todos se sentem mais seguros, mas não deveriam. A Polícia Federal está investigando. Suas mesas estão cheias de celulares, como nas fotos de apreensão de telefones roubados no carnaval.

    Alguns analistas disseram que o governo acabou e que Lula perderá as eleições. São conclusões apressadas, com apenas uma utilidade: tirar Lula da zona de conforto e trazê-lo para uma das mais importantes campanhas de sua história: a saideira. Para muitos, ícone da redemocratização, cara do Brasil no exterior, maior líder da História recente, Lula pode se empolgar e tentar fazer o melhor governo de toda a sua trajetória.

    Afinal de contas, a redemocratização é tarefa de todos, e é preciso lutar para que não se afunde na mediocridade. Se a rejeição de Messias puder inspirar uma virada de jogo, ela, afinal, valeu a pena para as forças no poder.

    Talvez essa visão seja um pouco otimista. O Manifesto do PT foi considerado pobre, e a campanha parece que será dirigida pela velha guarda. O próprio Lula precisa superar a húbris (*) que se instala depois de tantos anos no poder, abrindo-se com mais humildade para o Brasil de nossos dias. Enfim, tudo é possível quando se sacode a poeira e se dá a volta por cima.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/opiniao/fernando-gabeira/coluna/2026/05/derrota-no-senado-serve-para-tirar-lula-da-zona-de-conforto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

    Sempre o genial Gabeira
    para nos fornecer uma
    informação para reflexão:

    (*) A húbris (do grego hýbris) é um conceito que define o orgulho excessivo, a arrogância ou a autoconfiança desmedida que leva um indivíduo a ignorar seus limites e, frequentemente, a desafiar a vontade dos deuses ou as leis naturais.
    Na cultura grega antiga, esse comportamento era considerado uma das falhas mais graves de um ser humano, pois representava uma ruptura com a “sophrosyne” (moderação e equilíbrio).
    +em: Na cultura grega antiga, esse comportamento era considerado uma das falhas mais graves de um ser humano, pois representava uma ruptura com a “sophrosyne” (moderação e equilíbrio).

    Matutando bem. . .
    Assim sendo, a PeTezuela
    está dominada pela húbris!

  5. Miguel José Teixeira

    Dormiríamos mais tranquilos
    se isso fosse verdade! Ou não?

    “Por que fazer o Novo Desenrola”
    – Diante do alto endividamento, o governo precisava agir. Que muitas famílias quitem suas dívidas e mais brasileiros possam dormir melhor.
    (Por Míriam Leitão, O globo, 05/05/26)
    . . .
    “O governo lançou o Novo Desenrola para enfrentar o alto endividamento das famílias brasileiras, especialmente aquelas com renda de até cinco salários mínimos. A medida simplifica renegociações, permitindo que bancos ofereçam descontos de até 65% diretamente via aplicativos, com parcelamento em até quatro anos. O programa visa aliviar dívidas, como no rotativo do cartão de crédito, e utiliza o FGTS para apoio. Críticos temem incentivo ao calote, porém, a iniciativa busca equilibrar forças entre credores e devedores, semelhante ao apoio já dado a grandes empresas.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/coluna/2026/05/por-que-fazer-o-novo-desenrola.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  6. Miguel José Teixeira

    “IA pode ser antídoto contra polarização nas redes”
    – Povos cindidos, divididos em partes que perderam a capacidade de se tolerar, poderão voltar a conviver.
    (Por Pedro Doria, O Globo, 05/05/26)
    . . .
    “A inteligência artificial (IA) pode ser a chave para mitigar a polarização nas redes sociais e promover o consenso em sociedades divididas. Enquanto algoritmos de redes sociais incentivam o conflito para engajamento, modelos de linguagem de IA, como GPT e outros, buscam uma abordagem mais moderada e consensual. Estudos indicam que as IAs podem reduzir extremismos e favorecer diálogos equilibrados, apontando para um futuro político menos polarizado.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2026/05/ia-pode-ser-antidoto-contra-polarizacao-nas-redes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  7. Miguel José Teixeira

    A prevenção não rende votos!

    “Brasil gasta três vezes mais com reconstrução do que na prevenção a desastres como as chuvas em PE e na PB”
    – Entre 2012 e 2026, a União empenhou R$ 24,36 bilhões em ações de resposta e recuperação.
    (Por Bruna Lessa, O Globo, 05/05/26)
    . . .
    “Entre 2012 e 2026, o Brasil gastou R$ 24,36 bilhões em resposta a desastres, três vezes mais que os R$ 9,62 bilhões para prevenção. Recentes chuvas em Pernambuco e Paraíba causaram mortes e destruição, destacando a necessidade de prevenção eficaz. O TCU critica a abordagem reativa e cara; cada US$ 1 em prevenção economiza até US$ 15 em reconstrução. Falta coordenação entre governos e infraestrutura municipal.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/05/brasil-gasta-tres-vezes-mais-com-reconstrucao-do-que-na-prevencao-a-desastres-como-as-chuvas-em-pe-e-na-pb.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  8. Miguel José Teixeira

    Como se já não bastasse
    os dois candidatos fakes!

    “Da Dona Maria ao Zé da Feira, ‘fakes sintéticos’ inundam as redes e driblam TSE com narrativas pró e contra governo”
    – Vídeos se diferenciam dos conhecidos “deepfakes” e exploram brechas da legislação eleitoral.
    (Por Rafaela Gama, O Globo, 05/05/26)
    . . .
    “Com a intensificação das pré-campanhas eleitorais, avatares criados por Inteligência Artificial, conhecidos como “synthfakes”, têm inundado as redes sociais com narrativas pró e contra o governo Lula. Diferentes dos “deepfakes”, os synthfakes exploram brechas na legislação eleitoral. Destacam-se as personagens “Dona Maria” e “Zé da Feira”, que viralizam com críticas e apoio ao governo, enquanto a legislação tenta acompanhar esses avanços tecnológicos.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/sonar-a-escuta-das-redes/post/2026/05/da-dona-maria-ao-ze-da-feira-fakes-sinteticos-inundam-as-redes-e-driblam-tse-com-narrativas-pro-e-contra-governo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  9. Miguel José Teixeira

    “Passada a ressaca da Dosimetria do Messias, em que Xandão, Alcolumbre e Flavitcho Bolsonaro se uniram para derrotar o terrivelmente evangélico (ou seria o Lula?), o governo está tentando mudar rapidamente a pauta. Hoje, Lula lançou o Desenrola para reduzir o endividamento das pessoas. No show da Shakira, com público de 2 milhões de pessoas, teve projeção no Copacabana Palace pelo fim da jornada 6×1, Congresso inimigo do povo e Sem Anistia.”

    “Desenrola, bate e joga de ladinho”
    TixaNews, MAI 5″
    (https://www.tixanews.com.br/newsletter/)

    E ainda rolou a confirmação de uma agenda de reunião com o Donald J. Trump na quinta-feira nos States (se é bom para a eleição não sei, mas que muda a pauta, muda).

    Dentro do PT, o que se diz é que a pauta do Messias não saiu muito da bolha de quem acompanha política. Aguardando as pesquisas para saber se foi isso mesmo. Como diz o outro, o que muda na nossa vida o fato de Alcolumbre ter derrubado o Messias? É mais ou menos esse o sentimento.

    Já o Desenrola, com Messias ou sem Messias, pode aliviar diretamente o bolso do eleitor. O programa pode beneficiar mais de 35 milhões de pessoas (isso é gente que não se acaba em uma eleição) e o governo ainda botou um prazo bem apertado para que os bancos já liberem as renegociações de dívida bem rapidinho. (e eu que não dei calote, renegocio como a minha dívida, BRASEW?)

    A outra frente vai ser o fim da jornada 6×1. O governo já teve sucesso durante a votação da mudança do imposto de renda colocando a pecha de inimigo do povo no Congresso. A projeção no show da Shakira feita por um movimento ligado ao MTST já deu o gostinho da estratégia. Relatos de quem esteve no show dão conta de que o povo demonstrou grande apoio às pautas projetadas. Ainda tinha o fim da jornada 6×1 (Congresso consegue segurar?), além do Sem Anistia para golpista.

    Anistia para golpista vai ter, mas o Xandão que de um lado ajudou a derrubar o Messias, de outro já rejeitou um pedido do advogado da Débora do batom (aquela que pintou a estátua da Justiça com batom) para reduzir sua pena. Motivo alegado por Xandão: a lei foi aprovada, o veto derrubado, mas não foi promulgada ainda.

    Adiós Pachequito
    Para surpresa de zero pessoas, a notícia hoje é de que Lula não vai indicar Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo. Ah, vá? Já dizem que Alcolumbre vai tentar lançá-lo ao Tribunal de Contas da União na vaga do Bruno Dantas, que, diga-se de passagem, continua por lá. Mas é um amor esse do Alcolumbre pelo Pacheco, hein?

    E essa daqui?
    O Thomas Traumann escreveu na sua news no O Globo que o supremo Flávio Dino também era um desafeto do Messias (aquele que concorreu para ser ministro supremo, não confunda) e completou o acordo entre Xandão e Alcolumbre. Vale dizer que Dino prorrogou por 120 dias o afastamento do vice-prefeito de Macapá. A decisão prejudica o ex-prefeito Dr. Furlan, que é um desafeto de quem? Do Alcolumbre, lá por aquelas bandas. Hmmm. Então é com Dino e com tudo? Fico aqui me perguntando se o Lula queria mesmo o Messias.

    BFF
    A Tixa hoje é lida todos os dias por 20 mil pessoas, mas só 240 bancam as nossas páginas. Para a gente continuar subindo a parede e incomodando quem precisa ser incomodado, precisamos chegar em 1.500.

    Não tem brinde, não tem PDF secreto. O que tem é a garantia de que a Tixa vai continuar sendo gratuita e sem filtro para todo mundo.

    Se a Tixa já te ajudou a entender uma jogada política ou um tombo do mercado, considere se tornar um assinante. É só clicar aqui: https://www.tixanews.com.br/newsletter/

    Temos ainda os nossos apoiadores que o fazem sempre pelo pix 49875575000147

    Bora bater essa meta para depois a gente dobrar a meta?

    Segura a delação
    A Procuradoria-Geral da República pediu para o supremo André Mendonça, que é relator do caso da roubalheira do INSS, que a delação do Camisotti seja refeita. A procuradoria diz que a delação só foi feita com a Polícia Federal e que o Ministério Público teria que participar. Se o supremo André aceitar, atrasa a delação. E o que o Camisotti já disse na delação? Sabemos muito pouco, mas parece que tem políticos envolvidos. Ah, vá!

    O suplente
    E o Dudu Bolsonaro, que segue nos Estados Unidos, agora arrumou um jeito de ter um carguinho bom na próxima fornada de senadores. Ele deve ser suplente do candidato ao Senado pelo PL em São Paulo, André do Prado, que é presidente da Assembleia Legislativa. O acerto, segundo contam, é que, se Flavitcho ganhar, André ganha um cargo de ministro e Dudu vai para o Senado.

    Os anti-Flavitcho
    Tem sido frequente nas redes de ex-bolsonaristas uma galera fazendo denúncias sobre Flavitcho Bolsonaro. Outro dia a Joice Hasselmann dizia que era absurdo que quem vota no Flávio diz estar preocupado com corrupção. Segundo ela, se as pessoas estão preocupadas com corrupção, não podem votar no Flavitcho. Estaria Joice fazendo campanha para Lula? Not, darling. Isso é nitidamente estratégia da terceira via.

    Trumpices
    Lula vai a Washington encontrar Donald J. Trump (J de João, juro). Digamos que Trump já salvou o Lula de um ciclo de notícias que estava acabando com sua popularidade no ano passado. Resta saber se Donald ainda repetirá a dose agora. Os bolsonaristas lobistas dos States que corram. E a gente que lute, BRASEW.

    (TRPCE)

  10. Miguel José Teixeira

    “Poder360 lança 1º episódio da minissérie “Poder nos Trilhos”; assista (*)
    – Em “Conheça o único trem diário para passageiros no Brasil”, Poder360 embarca na história e dilemas das ferrovias brasileiras.
    (Poder360, 04/05/26)

    O Poder360 lança, nesta 2ª feira (4.mai.2026), o 1º episódio da minissérie em vídeo “Poder nos Trilhos“ (**), produção original de 5 episódios sobre a malha ferroviária brasileira. Em “Conheça o único trem diário para passageiros no Brasil“, o produtor e jornalista Pedro Linguitte viaja 17h na EFVM (***) (Estrada de Ferro Vitória a Minas) de Cariacica (ES) até Belo Horizonte (MG).

    Ao longo dos 664 km da única ferrovia de longa distância do país que ainda mantém transporte regular diário de passageiros, operada pela Vale, mergulha na história e nos dilemas da malha ferroviária brasileira.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-infra/poder360-lanca-1o-episodio-da-minisserie-poder-nos-trilhos-assista/

    +em:

    (*) https://youtu.be/Y5yu7_1lsUE?si=zHjh2OAl_6S3EgSf

    (**) https://www.poder360.com.br/tag/poder-nos-trilhos/?_gl=1*5vp7cx*_ga*MTI1NTUwMDAyNS4xNjg1NDAzMjYw*_ga_HGJJJTZ4BN*czE3Nzc5Mzc0MzQkbzE3NSRnMSR0MTc3NzkzOTAzMiRqMTMkbDAkaDA.

    (***) https://vale.com/pt/trem-de-passageiros

  11. Miguel José Teixeira

    “Conheça a Pilili, mascote símbolo das eleições 2026”
    – Personagem inspirada na urna eletrônica foi lançada pelo TSE em cerimônia que celebrou 30 anos do sistema de votação.
    (Poder360, 04/05/26)

    A Justiça Eleitoral apresentou nesta 2ª feira (4.mai.2026) a “Pilili” como mascote oficial das eleições 2026. O lançamento foi feito em Brasília, durante cerimônia que celebrou 30 anos de uso do sistema eletrônico de votação no Brasil. Saiba mais sobre as 3 décadas urnas aqui (*).

    O nome escolhido remete ao som produzido quando o eleitor pressiona a tecla “confirma” na urna eletrônica. A personagem foi concebida para transmitir valores relacionados à acessibilidade, confiança e proteção do regime democrático.

    A iniciativa do tribunal visa estabelecer um símbolo para as campanhas eleitorais de 2026. “Defensora da democracia, acessível, fácil de lidar e muito sociável, a Pilili é o símbolo das eleições 2026. Inspirada na urna eletrônica, a mascote será a porta-voz da Justiça Eleitoral. Imparcial e aguerrida, estará nas campanhas em defesa do voto e da escolha consciente”, afirmou o TSE (**).
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/conheca-a-pilili-mascote-simbolo-das-eleicoes-2026/

    (*) “Urnas eletrônicas completam 30 anos sob clima de desconfiança”
    – De Lula a Bolsonaro, lideranças de diversos partidos já levantaram dúvidas sobre o modelo de votação
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/urnas-eletronicas-completam-30-anos-sob-clima-de-desconfianca/

    (**) “Quem é Pilili? É a mascote das Eleições 2026”
    – Com a bandeira da democracia, a personagem inspirada na urna eletrônica foi batizada por causa do som emitido pela tecla quando há o clique do “confirma”.
    +em: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Maio/quem-e-pilili-e-a-mascote-das-eleicoes-2026

  12. Miguel José Teixeira

    “Código de ética que falta ao Supremo inexiste no Congresso”
    – Alcolumbre faz acordo com extrema direita para barrar CPI do Master e beneficiar golpistas.
    – Motta viaja a paraíso fiscal em jatinho das bets e na volta bagagem não passa no raio-X.
    (Alvaro Costa e Silva, FSP, 04/05/26)

    As últimas jogadas de Davi Alcolumbre sugerem que, em matéria de traição e velhacaria, ele está disposto a superar Eduardo Cunha.

    Ex-presidente da Câmara que engendrou o impeachment de Dilma Rousseff, dez anos atrás, Cunha acabou preso por corrupção, lavagem de dinheiro, contas secretas na Suíça e risco à ordem pública. Agora quer se reeleger deputado, garantindo que, sem o show dele, o bolsonarismo não existiria. Uma espécie de marketing do desastre.

    Alicerce do grupo de políticos fisiológicos que usam o apelido de “centrão” e movimentam sem transparência ou controle dezenas de bilhões de reais em emendas, o presidente do Senado abraçou Flávio Bolsonaro para impor duas derrotas a Lula em menos de 24 horas: o rechaço à indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto do presidente ao projeto de lei da dosimetria.

    Ao favorecer os condenados pelos atos antidemocráticos de 8/1 e dar continuidade ao projeto golpista no país, Alcolumbre fez um acordo com os bolsonaristas para barrar a CPMI do Banco Master, escândalo ao qual ele e muitos deputados e senadores estão ligados. Eduardo Cunha deve ter ficado com inveja.

    Na noite anterior à sabatina do advogado-geral da União, Alcolumbre compareceu a um jantar na casa de Alexandre de Moraes. Se Moraes articulou pela rejeição de Messias, como acredita o governo, deu nova prova de que está se lixando para qualquer tipo de código de ética no STF. Além de ter prejudicado a si próprio, pois encabeça a lista de ministros que podem sofrer impeachment.

    Quem também não dá a mínima para a ética são os parlamentares —e nem por isso são cobrados. A PF investiga a entrada no Brasil de cinco bagagens trazidas em um voo em que estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira e mais dois deputados. Os volumes não passaram pelo raio-x (*). O jatinho, que retornava da ilha de São Martinho, pertence a um empresário do ramo de apostas online.

    Os tigrinhos precisam explicar o que foram fazer no paraíso fiscal do Caribe.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alvaro-costa-e-silva/2026/05/codigo-de-etica-que-falta-ao-supremo-inexiste-no-congresso.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista

    (*) “Entenda investigação da PF sobre entrada de malas de avião onde estavam Motta e Ciro Nogueira”
    – Polícia apura possíveis crimes de facilitação de contrabando e prevaricação; aeronave pertence a dono de empresas de apostas online.
    – Presidente da Câmara confirmou viagem, mas disse que ‘cumpriu todos os protocolos’; senador do PP e deputados não se manifestaram.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/04/entenda-investigacao-da-pf-sobre-entrada-de-malas-de-aviao-onde-estavam-motta-e-ciro-nogueira.shtml

    O piNçador Matutildo, piNçou:
    “Quem também não dá a mínima para a ética são os parlamentares — e nem por isso são cobrados.”

    O Bedelhildo, cobrou:
    O eleitores têm ética?

    E o Chatildo, previu:
    Se o tiverem, em outuro não reelegerão ninguém!

  13. Miguel José Teixeira

    “Queridu i incautu eleitor:
    nóis semo todus contra u sistema!

    “Combate ao sistema é truque para enganar eleitor”
    – Governistas e oposicionistas disputam a pauta antissistema, sendo todos eles criaturas da ordem institucional.
    – No lugar de propostas de desmonte, a sociedade seria mais bem atendida com uma agenda racional de reconstrução.
    (Dora Kramer, FSP, 04/05/26)

    Uma das saídas defendidas por petistas para superar a fase de adversidades é vestir o figurino antissistema (*). Isso equivale à difícil tarefa de convencer as pessoas de que o governo é, ao mesmo tempo, de situação e de oposição.

    Pode ser que o conceito fique um tanto confuso na mente do eleitorado, porque sendo governo e se colocando no lugar de opositor a “tudo isso que está aí”, esse ente híbrido seria adversário de si mesmo.

    E aí, de que lado se localiza o argumento? A sugestão propõe mais um enigma do que uma solução. Ademais, insere o risco de soar como falsidade, pois, quando interessa, os detentores do poder de turno argumentam que a sua força segue inabalável e resistente ante as investidas dos inimigos. Reivindicam, com razão, suas prerrogativas —todas decorrentes das regras do “sistema”.

    É a chamada contradição em termos, da qual busca se valer também a oposição, cujos pretendentes a presidente são um senador, dois ex-governadores, um presidente de partido e um ex-ministro e ex-presidente da Câmara. Todos devidamente criados nos critérios da ordem institucional. O sistema, portanto.

    A partir dessa realidade inquebrantável chega-se à conclusão de que essa história de antissistema é só uma tentativa mal-ajambrada de enganar o eleitorado.

    Gente que, obviamente, em sua maioria, não se deixa enganar nem se levar pela ideia do desmonte da ordem na qual se organizam os Poderes, os partidos, as eleições, as demandas populares, enfim, tudo aquilo que rege a democracia.

    Falta aos defensores da tese da confrontação dizer claramente o que querem. Seria a terra arrasada? Acabar com tudo, refazer a República? Com base em quais preceitos? Posta assim, a questão dos pretensos insurgentes revela-se apenas o caso de rebeldes de uma causa vazia.

    O tempo perdido com falácias seria mais bem aceito pela sociedade se preenchido com o exame claro e detalhado das muitas distorções a serem corrigidas, a fim de que o dito sistema funcione no molde equilibrado postulado pela Constituição.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/05/combate-ao-sistema-e-truque-para-enganar-eleitor.shtml)

    (*) “Discursos farsescos de Lula e Flávio”
    – Petista posa de antissistema, e filho de Bolsonaro renega ajuste fiscal discutido com empresários.
    – É provável que radicalismo e moderação venham a ser apresentados conforme as conveniências, sobretudo ao tratar das contas públicas.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/05/discursos-farsescos-de-lula-e-flavio.shtml

  14. Miguel José Teixeira

    “O recado de ministros do STF ao Congresso sobre a derrubada de veto que beneficia Bolsonaro”
    (Por Rafael Moraes Moura — Brasília, no Blog da Malu Gaspar, O Globo, 04/05/26)

    Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizaram a parlamentares que a Corte não deve interferir na decisão do Congresso Nacional de derrubar o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria. O projeto, aprovado em dezembro do ano passado e mantido com a votação desta quinta-feira, reduz a pena dos condenados por envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A derrubada do veto com apoio de 318 deputados e 49 senadores, bem mais que o necessário – 257 votos favoráveis na Câmara e 41 no Senado — reforçou a crise de governabilidade aberta com a rejeição de Jorge Messias para o STF (*). Logo após o resultado, o PSOL e a Rede anunciaram que vão acionar o Supremo para declarar o projeto inconstitucional.

    Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, a ala do STF com mais trânsito no Parlamento, conhecida como “Centrão do Supremo”, foi previamente consultada até mesmo sobre a manobra do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de excluir da derrubada do veto o trecho do projeto que poderia facilitar a progressão de regime para aqueles condenados por feminicídio e outros crimes hediondos.

    Nesse grupo estão Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, por quem teriam passado inclusive minutas do texto original do projeto (**), apresentado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) .

    Além do aval à manobra de Alcolumbre, integrantes do STF também indicaram a parlamentares, tanto da oposição quanto da base do governo Lula, que o sentimento da maioria da Corte é a de respeitar a decisão do Congresso.

    Essa costura nos bastidores contou inclusive com a atuação do relator da trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes.

    Costura de Moraes
    Conforme revelou o blog, em dezembro do ano passado, durante a tramitação do PL da Dosimetria, Moraes discutiu com ao menos quatro senadores, entre eles Alcolumbre e o seu antecessor no comando da Casa, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ajustes na redação do texto aprovado pela Câmara dos Deputados.

    Justamente em razão dessa participação de Moraes no texto final, aliados de Lula também não acreditam que nenhuma ação para sustar sua validade vá ter sucesso. A redução das penas só poderá ser feita mediante pedidos da defesa de cada réu, e quem vai avaliar cada um desses pedidos é o próprio Moraes.

    “Acho que o Supremo não vai querer se envolver nisso”, disse um ex-ministro de Lula ouvido reservadamente pelo blog, em referência à pouca disposição da Corte de mexer nesse vespeiro diante de uma crise de credibilidade e níveis recordes de desconfiança da população no Judiciário, com a pauta anti-STF ganhando força no debate político em pleno ano eleitoral.

    Também não ajuda o fato de Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecerem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, segundo as pesquisas de intenção de voto mais recentes.

    Na avaliação dos lulistas, o fato de Flávio ter chances de assumir o Planalto em um contexto em que as eleições devem ser pautadas pela rejeição ao STF deve fazer com que os ministros se poupem de mais uma briga com o Congresso em relação ao tema mais importante para o bolsonarismo.

    Absorção de crimes
    Entre os principais pontos do texto estão a aceleração das progressões de regime e a redução de penas. Nas contas de especialistas, Bolsonaro poderia migrar para o regime semiaberto no início de 2028, ao invés de 2033, como estava previsto originalmente.

    Conforme previsto no projeto, no caso dos réus condenados pelos crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito, deve prevalecer a pena do crime mais grave (golpe de Estado) – e não o somatório dos dois, como feito pela Primeira Turma do Supremo no julgamento que levou Jair Bolsonaro a uma condenação total de 27 anos e três meses de prisão.

    Na condenação imposta a Bolsonaro em setembro do ano passado, as penas por abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado foram, respectivamente, de 6 anos e 6 meses e 8 anos e 2 meses.

    O ex-presidente também foi condenado por organização criminosa, dano qualificado e deterioração do patrimônio público.

    A tese da absorção dos dois crimes já vinha sendo adotada pelos ministros do STF André Mendonça e Luiz Fux em julgamentos relacionados ao 8 de Janeiro. Com a vigência da lei, deverá ser aplicada de forma irrestrita pelo STF, a menos que a Corte a declare inconstitucional.

    Na avaliação do advogado Ezequiel Silveira, que defende a autointitulada Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro, um total de 600 pessoas condenadas pelo STF podem ser beneficiadas com a derrubada do veto.

    “A judicialização de decisões do Parlamento tem se tornado uma prática cada vez mais corriqueira. Assim, não nos espanta caso a base do governo resolva judicializar esse tema. Caso isso ocorra apresentaremos os argumentos favoráveis à medida e esperamos que o STF respeite a decisão do Parlamento e rejeite eventuais medidas contrárias à dosimetria”, afirmou.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/o-recado-de-ministros-do-stf-ao-congresso-sobre-a-derrubada-de-veto-que-beneficia-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)

    (*) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/04/alexandre-de-moraes-atuou-pela-rejeicao-a-messias-em-votacao-que-impos-reves-a-andre-mendonca.ghtml
    (**) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2025/12/pl-da-dosimetria-alexandre-de-moraes-sugeriu-a-senadores-ajustes-em-texto-que-reduz-tempo-de-bolsonaro-na-prisao.ghtml

  15. Miguel José Teixeira

    “Trump arrisca ao mover peça no tabuleiro de Ormuz”
    – Em newsletter especial sobre a guerra no Oriente Médio, Guga Chacra analisa potenciais consequências da promessa de escoltar navios pelo Estreito de Ormuz.
    (Por Guga Chacra na newsletter De Beirute a NY, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “Donald Trump anunciou a intenção dos EUA de escoltar navios no Estreito de Ormuz, uma movimentação arriscada em meio ao frágil cessar-fogo no Oriente Médio. Guga Chacra analisa as implicações dessa decisão, que pode evitar ataques iranianos às embarcações, mas também aumentar a tensão. Com o impasse nas negociações, a possibilidade de uma escalada militar entre EUA e Irã cresce.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/guga-chacra/post/2026/05/trump-arrisca-ao-mover-peca-no-tabuleiro-de-ormuz.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  16. Miguel José Teixeira

    “O que faltou no anúncio do novo Desenrola, mas segue na mesa”
    – Nova versão do programa mira apenas dívidas inadimplentes, com atraso superior a 90 dias.
    (Por Fabio Graner — Brasília, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “O novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo, foca em dívidas inadimplentes com mais de 90 dias de atraso, deixando de fora a proposta de migração de dívidas caras para mais baratas. Esse ajuste busca evitar o risco moral, mas não tem prazo para implementação. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfatizou que o programa não será recorrente. A alta da Selic e a inflação influenciam o cenário, destacando a necessidade de uma reforma estrutural nos juros bancários.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/post/2026/05/o-que-faltou-no-anuncio-do-novo-desenrola-mas-segue-na-mesa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  17. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (I)
    (Por Gabriel Cariello, 04/05/26)

    ENCONTRO MARCADO

    O presidente Lula será recebido por Donald Trump (*) na Casa Branca, em reunião prevista para a próxima quinta-feira. O encontro — o terceiro entre eles — foi acertado em telefonema (**) na semana passada que não foi divulgado pelos governos do Brasil e dos EUA. Temas que geraram ruído na relação bilateral devem estar na pauta da conversa (***): tarifas sobre exportações, minerais críticos, facções criminosas e a guerra no Irã.

    +em:
    (*) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/05/04/lula-viajara-aos-estados-unidos-para-encontro-com-trump-nos-proximos-dias.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (**) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/05/04/lula-e-trump-combinaram-encontro-durante-ligacao-telefonica-na-semana-passada.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (***) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/05/04/lula-e-trump-devem-conversar-na-casa-branca-sobre-tarifas-minerais-criticos-faccoes-criminosas-e-guerra-no-ira.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (TRPCE)

  18. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (II)
    (Por Gabriel Cariello, 04/05/26)

    DESENROLA, FASE 2

    A nova versão do Desenrola (1) começará nesta terça-feira, oferecendo desconto médio de 65% da dívida — e até 99% (2) para débitos com o Fies. Estabelecido por medida provisória, o programa ficará aberto por três meses e será limitado a quem ganha até cinco salários mínimos. Devedores poderão sacar até 20% do saldo do FGTS para abater as dívidas. Quem aderir à iniciativa ficará proibido de apostar em bets por um ano. Veja como vai funcionar e tire dúvidas (3).

    ► O governo deve liberar até R$ 8,2 bilhões do FGTS para trabalhadores ingressarem no programa e usar dinheiro esquecido (4) nos bancos para cobrir eventual calote.

    +em:
    (1) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/04/desenrola-brasil-2026-desconto-medio-durigan.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (2) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/04/desenrola-20-vai-dar-desconto-de-ate-99percent-nas-dividas-do-fies-saiba-como-vai-funcionar.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (3) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/04/desenrola-20-saiba-como-vai-funcionar-novo-programa-de-renegociacao-de-dividas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (4) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/04/desenrola-governo-vai-usar-dinheiro-esquecido-nos-bancos-para-cobrir-eventual-calote-em-novo-programa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  19. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (III)
    (Por Gabriel Cariello, 04/05/26)

    AS MARGENS DO CONSIGNADO

    Junto com o Desenrola, o governo anunciou mudanças no consignado (*) do INSS e de servidores públicos. O percentual máximo da renda comprometida será reduzido, o prazo de pagamentos das parcelas será ampliado e haverá autorização para carência. Em contrapartida, o cartão consignado e de benefícios para aposentados do INSS será extinto.

    ► Bancos e fintechs criticaram a decisão cautelar (**) do Tribunal de Contas da União que suspendeu todas as modalidades de crédito consignado do INSS, apontando risco de travar o mercado (***) e impactar a população vulnerável. O governo vai recorrer da decisão.

    +em:
    (*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/04/governo-muda-regras-para-consignado-do-inss-e-de-servidores-entenda.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (**) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/04/governo-vai-recorrer-de-decisao-do-tcu-que-suspende-credito-consignado-do-inss-medida-drastica-diz-ministra.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (***) https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2026/05/04/bancos-criticam-suspensao-do-consignado-do-inss-e-alertam-para-impacto-sobre-populacao-vulneravel.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (TRPCE)

  20. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (IV)
    (Por Gabriel Cariello, 04/05/26)

    NOS BASTIDORES DO PLANALTO

    Lula vai manter o senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado, mesmo após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Wagner foi tratado como culpado pela derrota por integrantes do governo e do PT, versão que repercutiu no entorno do presidente. Amigo de Wagner há 40 anos, Lula se irritou com aliados que insinuaram possível traição do senador.

    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/04/lula-se-irrita-com-pecha-de-traira-colocada-em-aliado-e-decide-manter-jaques-wagner-na-lideranca-no-governo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (TRPCE)

  21. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (V)
    (Por Gabriel Cariello, 04/05/26)

    GUERRA DE VERSÕES

    A tentativa de Donald Trump de liberar o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz elevou as tensões na região ao mais alto nível (*) desde o início do cessar-fogo, há cerca de um mês. Os EUA anunciaram a passagem de dois contratorpedeiros e dois navios mercantes e afirmaram ter afundado seis lanchas rápidas iranianas. O Irã negou e disse ter feito disparos de alerta com mísseis, foguetes e drones. Enquanto isso, os Emirados Árabes e a Coreia do Sul registraram ataques a embarcações suas (**).

    (TRPCE)

    +em:
    (*) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/05/04/comando-militar-dos-eua-afirma-que-primeiros-navios-mercantes-americanos-cruzaram-ormuz.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (**) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/05/04/ira-dispara-misseis-contra-navio-de-guerra-dos-eua-no-estreito-de-ormuz-diz-agencia-iraniana.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  22. Miguel José Teixeira

    Para mim, sempre foi
    “faveco rachadjinha”.
    Se eleito for, rachadão! (*)

    “Flávio é Bolsonaro”
    – Quem se preocupa com a ausência do sobrenome do senador em manchetes no noticiário se arrisca a favorecê-lo durante a campanha presidencial.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 04/05/26)

    Surgiu, há cerca de dois meses, uma polêmica vazia a partir de uma autocrítica da Folha de S.Paulo (1): o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria sido “promovido” a Flávio, sem menção ao sobrenome da família, após virar pré-candidato à Presidência da República.

    Leitores do jornal reclamaram do encurtamento do nome, um subterfúgio jornalístico para deixar a mensagem mais direta e clara (Bolsonaro sempre será uma referência a Jair Bolsonaro), e a ombudsman endossou a neurose dos assinantes, ao propor reflexão sobre algo tão banal.

    No fundo, os leitores neuróticos temem que Flávio consiga se distanciar do pai o bastante para atrair os votos do determinante eleitorado independente, como o Bolsonaro “moderado” — a repercussão da autocrítica da Folha entre esquerdistas deixou isso bem evidente.

    Mais moderado
    O problema, para quem teme a eleição de Flávio, é que ele pode até não ser moderado, mas é o mais moderado da família, e as pesquisas de intenção de voto já indicam essa percepção (2).

    Outro problema para essa mesma turma: Flávio precisa ser associado a Bolsonaro para conseguir os votos dos eleitores do pai, e nem todos se convenceram ainda de que ele merece confiança.

    Quem entrar nesse jogo enfrentará o mesmo desafio do senador: passar duas mensagens conflitantes ao mesmo tempo, mas com sinais invertidos, sob o risco de favorecê-lo em algum momento.

    Do lado do pré-candidato presidencial do PL, que tem apostado em suavizar a imagem, principalmente com o eleitorado feminino (3), há ainda outro elemento incontrolável: seus irmãos.

    Leia mais: Flávio Bolsonaro, “pai de menina” (4)

    Eduardo e Carlos
    Eduardo Bolsonaro, o deputado federal cassado por faltas, que já tinha reivindicado participação (5) na rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), minimizou a “troca de farpas” nas redes sociais com aliados para destacar sua atuação e a do irmão Carlos para o projeto da família.

    Eduardo compartilhou em seu perfil no X (6) um trecho de uma entrevista em que diz ter viabilizado a pré-candidatura presidencial do irmão, com a seguinte mensagem:

    “Se Jair e Flávio tivessem ouvido quem mandava se afastar de mim e do Carlos, o resultado seria simples:

    -JB não seria presidente em 2018

    –Flávio nem seria opção em 2026

    Conclusão: quem repete que ‘o problema são os filhos’ ou não entende nada, ou age de má-fé.”

    Herança maldita
    O deputado cassado argumenta, na entrevista, que a pré-candidatura de Flávio surpreendeu a todos e que ela não definhou, ao contrário do que se previa. Mas a maior vantagem do filho 01 de Bolsonaro hoje está na debilidade política de Lula, e não na força de sua própria pré-candidatura.

    Pesquisa AtlasIntel divulgada em abril sugeriu que a maior fragilidade (7) da candidatura de Flávio, no que diz respeito a sua associação ao pai, é a forma como Bolsonaro conduziu o país durante a pandemia de covid.

    É com essa herança (8) que ele vai ter de lidar e, mais do que isso, com o fato de que não concorre sozinho. Flávio pode ser o mais moderado dos Bolsonaros, mas a família concorre unida, por mais desunida que seja, e seus irmãos não estão nada interessados em moderação.

    Assine Crusoé e leia mais: A grande família Bolsonaro (9)

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/flavio-e-bolsonaro/)

    (1) “Flávio Bolsonaro é promovido a Flávio, enquanto saúde e segurança viram detalhe”
    – Divulgação dos dados do Datafolha abre a temporada do candidato sem sobrenome, além de deixar de fora as principais preocupações dos brasileiros.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandra-moraes-ombudsman/2026/03/flavio-bolsonaro-e-promovido-a-flavio-enquanto-saude-e-seguranca-viram-detalhe.shtml

    (2) “Flávio está emplacando como Bolsonaro “moderado”
    – Pesquisa Quaest indica queda na rejeição ao senador e mudança na percepção sobre sua moderação na comparação com os parentes.
    +em: https://crusoe.com.br/diario/flavio-esta-emplacando-como-bolsonaro-moderado/

    (3) “Flávio corteja as eleitoras”
    – Pré-candidato do PL tenta conquistar voto feminino com discursos contra violência e por mais representatividade.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/flavio-corteja-as-eleitoras/

    (4) https://crusoe.com.br/diario/flavio-bolsonaro-pai-de-menina/

    (5) “Eduardo reivindica efeito borboleta na rejeição de Messias”
    – “A vitória de hoje foi construída a muitas mãos, mas ela só foi possível pois Barroso saiu do STF”, diz o filho 03 de Jair Bolsonaro.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/eduardo-reivindica-efeito-borboleta-na-rejeicao-de-messias/

    (6) https://x.com/BolsonaroSP/status/2050363922230788597

    (7) “A maior fragilidade de Flávio Bolsonaro”
    – Pesquisa AtlasIntel sobre as raízes da rejeição aos pré-candidatos à Presidência indica a maior vulnerabilidade do filho 01 de Bolsonaro.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/a-maior-fragilidade-de-flavio-bolsonaro/

    (8) “A herança maldita de Bolsonaro”
    – Enquanto ainda tenta absorver todos os votos do pai para a corrida presidencial, Flávio já carrega no sobrenome toda rejeição à família.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/a-heranca-maldita-de-bolsonaro/

    (9) https://crusoe.com.br/noticias/a-grande-familia-bolsonaro/

    Já imaginaram. . .
    (*) com a musculatura dos cabidódromos
    o volume de rachadões que o faveco poderá fazer?

  23. Miguel José Teixeira

    É tudo o que uma
    Nação precisa! (*)

    . . .”Tratar o trabalhador como vítima e o patrão como vilão, como fez o presidente do TST, é a melhor forma de fazer ambos sumirem.”(*)

    “A causa dos juízes vermelhos do Trabalho”
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 04/05/26)

    O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luís Felipe Vieira de Mello Filho (foto), conseguiu chamar atenção para seu desprestigiado tribunal ao discursar no Congresso Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Conamat). E, do ponto de vista da categoria dos juízes do Trabalho, seria melhor não ter direcionado os holofotes para o TST.

    “Não tem juiz azul, nem vermelho. Eu sou do tempo em que todos nós, com os nossos diferentes pensamentos, trabalhamos pela defesa e o fortalecimento e o crescimento da Justiça do Trabalho. E eu tenho trabalhado nesse sentido, porque eu venho dessa geração que trabalhou pelo fortalecimento e crescimento. E eu diria que não tem azul ou vermelho, tem quem tem interesse e tem quem tem causa. Nós, vermelhos, temos causa, não temos interesse. E que fique bem claro isso para quem fica divulgando isso: aqui no país nós temos uma causa e eles que se incomodem com a nossa causa, porque nós vamos estar lá, lutando o tempo todo na defesa da nossa instituição, porque as pessoas vulneráveis deste país precisam de nós, e a Constituição nos dá o poder para isso”, discursou Vieira de Mello no 1º de Maio, Dia do Trabalhador.

    A declaração é límpida e resume a alma do TST e da legislação trabalhista brasileira de forma tão competente que causou incômodo nas redes sociais.

    Mas o fato trágico é que o presidente do tribunal está certo em sua argumentação, pelo menos no que diz respeito à Constituição de 1988, que provavelmente seria outra caso tivesse sido elaborada após a queda do Muro de Berlim, que atestou o fracasso socialista da União Soviética.

    Reforma trabalhista
    “Nós temos uma Constituição democrática social de direito. Nós não temos uma Constituição liberal, nós não temos 11 constituições. Nós temos uma Constituição e essa Constituição é democrático-social, queiram ou não queiram/ Isso decorre de um pacto político e um compromisso da nação com o seu futuro, e, para isso, esses valores da justiça social”, argumentou Vieira de Mello, deixando transparecer o incômodo com o Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a decidir contra o TST após a reforma trabalhista do governo Michel Temer, de 2017.

    Em julgamento de dezembro de 2023 no qual a Primeira Turma do STF decidiu que não há vínculo de emprego entre os motoristas e as empresas de aplicativo, o ministro Alexandre de Moraes chegou a dar uma bronca pública (*) nos juízes do Trabalho, que estariam descumprindo reiteradamente precedentes Supremo sobre a inexistência de relação de emprego entre as partes.

    O presidente do TST reagiu a essa nova tendência dizendo, em seu discurso no 22º Conamat, que o objetivo da Justiça do Trabalho é a “construção de uma justiça social” e “promover uma economia inclusiva e combater as desigualdades sociais”. E fez uma defesa da justiça trabalhista.

    Autodefesa
    “Dizem que nós somos um empecilho ao desenvolvimento socioeconômico. A minha pergunta é: será que mais essa retórica, será que mais essa falácia e, como dizem alguns, agora o terraplanismo jurídico trabalhista, ele consegue sustentar?”, questionou, alegando que não fala corporativamente, mas em defesa daqueles “vulneráveis do nosso país que trabalham e constróem a nossa cidadania, a nossa nação”.

    Em meio à defesa do TST, Vieira de Mello também falou em “uma limitação a um capitalismo selvagem e desenfreado”, bem ao sabor do clima com que o governo Lula tenta impor a aprovação do fim da escala 6×1, sob o desgastado argumento de que os patrões oprimem e exploram os empregados deliberadamente, em nome do lucro.

    É óbvio que o Brasil precisa se adequar à nova realidade do trabalho, assim como o mundo inteiro. Nem tudo o que o presidente do TST disse está errado, o problema é seu raciocínio viciado.

    Ele destacou, de forma correta, o alto número de mortes de motociclistas — 13 mil por ano — e a necessidade de cuidar da Previdência dos trabalhadores informais. Mas ignorou e omitiu que a legislação trabalhista empurrou milhões de brasileiros para a informalidade nas últimas décadas, e a Justiça colaborou, julgando processos sob essa ótica dos “juízes vermelhos”, inviabilizando negócios.

    “Clima de perseguição contra patrões?”
    Presidente do TST de 2000 a 2002, Almir Pazzianotto demonstrou surpresa ao se manifestar em seu perfil no X (**) sobre os comentários do atual titular do tribunal.

    “Fui ministro do TST. Não havia divisão entre vermelhos e azuis. Prevalecia a regra da igualdade de todos perante a lei. O ministro Vieira de Mello gera medo entre micro, pequenos e grandes empresas com recurso no Tribunal. Haverá ou já existe clima de perseguição contra patrões?”, questionou o ministro aposentado completando:

    “Os ministros vermelhos do TST são adeptos do marxismo-leninismo, adversários da livre iniciativa, da propriedade privada? Isto precisa ser definido de maneira clara pelo ilustre presidente do TST. Seriam eles comunistas? Como explicar a divisão da Corte em vermelhos e azuis?”

    Tratar o trabalhador como vítima e o patrão como vilão é a melhor forma de fazer ambos sumirem — e quem vai sofrer mais, na maioria dos casos, é o trabalhador que os “juízes vermelhos” imaginam e alegam defender.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/a-causa-dos-juizes-vermelhos-do-trabalho/)

    (*) “A bronca de Moraes na Justiça do Trabalho”
    – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta terça-feira, 5, que não há vínculo de emprego entre os motoristas e as empresas de aplicativos…
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/a-bronca-de-moraes-na-justica-do-trabalho/#google_vignette

    (**) https://x.com/APPazzianotto/status/2051324296446775548?s=20

  24. Miguel José Teixeira

    “A toga como ela é”

    “Elogio tem limite”

    O falecido ministro Djaci Falcão dignificou o Supremo Tribunal Federal pelo saber jurídico e também pelo rigor.
    Mas, certa vez, em 1985, surpreendeu ao reconsiderar um despacho para atender a um agravo regimental de um jovem e cabeludo advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que chamava a atenção também pelos trajes, que não eram exatamente os mais discretos.
    Falcão chamou o assessor Marcos Chaves e ditou novo despacho, com elogios à petição e ao advogado.
    Chaves ponderou:
    – “⁠Ministro, este advogado é aquele dos ternos estranhos e das gravatas que o senhor não gosta”.
    Djaci Falcão respondeu com seu melhor sotaque pernambucano:
    – “⁠Ritire os elogios…”.

    (Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 04/05/26)

  25. Miguel José Teixeira

    De volta aos remos!

    “Da tela ao papel”

    A Suécia já substitui tablets e telas por livros, papel e caneta, nas salas de aula, após a queda vexatória nos rankings de educação que liderava antes.
    Um quarto dos alunos nem atingem nível básico de compreensão.

    (Coluna CH, DP, 04/05/26)

  26. Miguel José Teixeira

    “Mecânico agradece”

    Com a gasolina sendo cada vez menos gasolina, Lula anuncia nesta semana mais uma lapada de etanol na mistureba.
    O percentual de etanol vai subir de 30% para 32%.
    O diesel passa a ter 16% de biodiesel.

    (Coluna CH, DP, 04/05/26)

  27. Miguel José Teixeira

    E o retorno, ó:
    ZERO!

    “Impostômetro: R$1,4 trilhão tomados dos brasileiros”
    (Coluna CH, DP, 04/05/26)

    A partir desta segunda-feira (4), os pagadores de impostos brasileiros já amargam mais de R$1,45 trilhão pagos em impostos, em 2026. A conta é da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), através da ferramenta “Impostômetro”. Só no mês de abril, foram tomados da população cerca de R$360 bilhões, aumento de 13% em relação a março, que já foi considerado recorde histórico no volume de taxas cobradas para o mês.

    Nunca antes
    Em média, o pagador de impostos bancou R$12 bilhões por dia, durante o mês de abril. É o maior nível da História.

    Só paulistas
    Apenas o estado de São Paulo respondeu por R$504 bilhões pagos em impostos, entre 1º de janeiro e 1º de maio, este ano.

    Só aumenta
    A arrecadação dos governos municipais, estaduais e federal cresceu 2,9% em 2026 em comparação com o ano passado, aponta a ACSP.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/emendas-do-relator-da-6×1-desenrolam-em-abril)

  28. Miguel José Teixeira

    Belzebú de Garanhuns
    fazendo o diabo. . .

    “Emendas do relator da 6×1 ‘desenrolam’ em abril”
    (Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 04/05/26)

    A coluna adiantou que o Palácio do Planalto trabalhava diuturnamente (*) para derrubar Paulo Azi (União-BA) da relatoria do projeto sobre o fim da escala 6 por 1 e, de quebra, também melava os planos de Paulinho da Força (Solidariedade-SP) de assumir a vaga. Não deu outra. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), passou a relatoria para o Leo Prates (BA), que anunciou a troca do PDT para o Republicanos. Para fechar, deu a presidência da comissão especial para o PT.

    Pé na tábua
    Dias antes de anunciar Prates na relatoria, o governo resolveu andar com as emendas do agora relator do projeto que Lula tenta se aproveitar.

    Separa a grana
    Foram mais de R$22,6 milhões empenhados, ou seja, reservou a grana no orçamento para pagar as indicações do deputado baiano.

    Modo turbo
    Curiosamente, os valores não andaram em 2026. Todo montante só ganhou tração em abril, mês em que Prates foi “revelado” relator.

    Capital eleitoral
    A última movimentação ocorreu dia 23, dias antes de o deputado ser publicizado como relator do projeto que Lula quer colar a imagem.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/emendas-do-relator-da-6×1-desenrolam-em-abril)

    (*) . . . e noturnamente também, né querida!

  29. Miguel José Teixeira

    A evolução dos vikings. . .

    “O paradoxo norueguês”
    (Vitoria Pereira, Mercado, FSP, 04/05/26)

    A Noruega (1) vive de petróleo, mas tenta não viver com ele.

    O país nórdico é, de longe, o maior produtor da commodity na Europa Ocidental (2) e exporta 95% do que produz e quase todo o seu gás para a União Europeia e o Reino Unido.

    Mas…
    consome cada vez menos esse recurso (3).

    Por que?
    Cerca de 98% da eletricidade do país vem de fontes renováveis, principalmente de sua ampla rede hidrelétrica.

    Foi uma das primeiras nações a criar impostos sobre emissões de carbono, em 1991, para promover energia limpa.

    9 em cada 10 carros novos vendidos em 2024 eram elétricos.
    O país foi o primeiro a ter mais veículos elétricos (4) do que a gasolina.

    Sim, mas…
    Petróleo e gás são a maior fonte de receita do Estado norueguês. Esses recursos sustentam o famoso fundo soberano do país, conhecido como “Fundo do Petróleo”, que ajuda a financiar o sistema de aposentadorias e bem-estar social.

    Em números:
    as exportações do setor representam mais de 60% de tudo o que a Noruega vende ao exterior e correspondem a mais de 20% do PIB nacional.

    Por que isso voltou ao debate?
    A Guerra no Oriente Médio e a alta global do petróleo, impulsionada pelo bloqueio do Estreito de Hormuz, acabaram beneficiando a Noruega.

    Desde o início do conflito no Irã, o Estado norueguês recebeu US$ 5 bilhões a mais, cerca de R$ 24,7 bilhões.

    É aí que a divisão aparece.

    De um lado…
    o setor de petróleo e gás defende sua importância para a economia e para as centenas de milhares de empregos gerados pela indústria. As empresas querem expandir as operações no Ártico, onde a maior parte de suas reservas está localizada.

    Do outro lado…
    grupos ambientalistas e ativistas cobram um calendário para reduzir a atividade petrolífera no país. Eles se preocupam com a perfuração da região do Ártico, que se tornou cada vez mais frágil devido às mudanças climáticas

    (TRPCE)

    (1) “A Noruega é um país escandinavo reconhecido globalmente por sua excepcional qualidade de vida, paisagens naturais dramáticas — como os famosos fiordes e a aurora boreal — e uma economia robusta impulsionada pela energia e sustentabilidade.”
    +em:
    (a) https://share.google/aimode/aPZ4nOk5muNhXYJ4w
    (b) https://www.youtube.com/watch?v=LEu_YifmudY

    (2) “Europa está desesperada por mais energia. A Noruega pode vir ao resgate?”
    – País escandinavo ganhou US$ 5 bilhões extras desde o início do conflito em fevereiro.
    – Europa obtém 30% de seu petróleo da Noruega, que exporta 95% de sua produção.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/europa-esta-desesperada-por-mais-energia-a-noruega-pode-vir-ao-resgate.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (3) “O paradoxo da Noruega, país que ganha bilhões com aumento do petróleo mas o consome cada vez menos”
    – País nórdico tem uma das redes de energia menos poluentes do mundo, mas fatura com combustíveis fósseis.
    – Grupos ambientalistas e jovens ativistas exigem a adoção de um calendário para reduzir a atividade petrolífera.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/o-paradoxo-da-noruega-pais-que-ganha-bilhoes-com-aumento-do-petroleo-mas-o-consome-cada-vez-menos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (4) “Noruega é o primeiro país a ter mais carros elétricos que movidos a gasolina”
    – Federação afirma que 94,3% dos carros novos registrados na Noruega são totalmente elétricos.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/09/noruega-e-o-primeiro-pais-a-ter-mais-carros-eletricos-que-movidos-a-gasolina.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    Por aqui. . .
    Os trogloditas continuam com as mesmas promessas!

  30. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26

    Oi.

    Acuado pelo Congresso, o presidente Lula entrou no modo sobrevivência. Em pronunciamento em rádio e TV no Primeiro de Maio, atacou o “sistema”, o chavão que sua campanha vai usar para atacar ricos, patrões, congressistas, a família Bolsonaro ou o governo Donald Trump. Será a volta dos vídeos nas redes sociais chamando o Congresso de “inimigo do povo” e o impulso de jogar todas as fichas nas investigações do Banco Master. Ah, o escândalo pode atingir petistas baianos e ministros amigos no STF? Azar o deles.

    Nesta edição, conto como a primeira rejeição de um indicado presidencial ao STF desde o século 19 é um ato sem volta. A mensagem principal da rejeição de Jorge Messias é que nada no Senado pode acontecer sem o aval de Davi Alcolumbre. Essa regra vale para Lula hoje, mas pode seguir em pé se o presidente for outro. Messias foi rejeitado por uma intrincada aliança entre Alcolumbre, Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Se Bolsonaro voltar ao poder, ele pode até ser forçado pelas circunstâncias a manter o acordo com Alcolumbre, mas não com Moraes.

    Boa leitura,
    TT

    Nesta edição (abaixo replicados):

    (1) Lula no modo sobrevivência
    (2) A solidão do poder
    (3) Sangue no mar
    (4) Atravessando o Rubicão
    (5) Nem um, nem outro
    (6) Viver é muito perigoso
    (7) Fique atento

    (TRPCE)

  31. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26 (1)

    Lula no modo sobrevivência

    Em entrevista ao repórter Fernando Rodrigues em 2006, o marqueteiro João Santana explicou o fenômeno popular de Luiz Inácio Lula da Silva pela existência de “dois Lulas” no imaginário popular: um trabalhador humilde que virou “fortão” e, ao mesmo tempo, o pobre, vítima do preconceito das elites, o “fraquinho”. Vinte anos depois, o conceito segue atual para entender como Lula pretende virar o jogo faltando cinco meses para a eleição.

    O primeiro sinal do Lula “fraquinho” veio no pronunciamento em rede nacional de TV do Primeiro de Maio, quando acusou “o sistema” (*) de jogar contra seu governo:

    — Os obstáculos que temos pela frente são enormes. Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil.

    Um parêntese. Soa ridículo que o partido no poder no Brasil por 18 dos últimos 24 anos agora pose de antissistema, mas o marketing político tem dessas embromações. Deputado do Centrão por sete mandatos consecutivos, Jair Bolsonaro posou de antissistema em 2018 e deu certo. Fecha parêntese.

    O Lula “fortão” reaparece com o lançamento hoje do Desenrola 2 (**), o programa de refinanciamento de dívidas bancárias de mais de 30 milhões de brasileiros a juros abaixo de 2% ao mês. O discurso vai reforçar a identidade de que apenas um trabalhador no poder poderia fazer um acordo com os bancos para favorecer outros trabalhadores.

    Em propaganda do PT, Lula surge como o símbolo do fortão. A música, um sertanejo com sanfona de forró, é uma narrativa da superação e do trabalho duro. Diz a letra:

    “Já levei muita pedrada/ já falaram sem saber/ teve gente desejando me ver cair, me ver sofrer/ mas eu sou raiz de campo/ sou poeira e sou chapéu/ quanto mais o vento soca/ mais eu firmo o pé no chão (…) Eu não paro/ eu não quebro/ eu não largo minha fé/sou peão de esperança/ com poeira no pé”.

    O tom de confronto vai ganhar volume com o avanço das discussões na Câmara (**) para o fim da jornada 6×1. A votação do projeto deve ocorrer até a última semana de maio. A campanha do governo será de “nós contra eles”, repetindo a fórmula que deu certo no ano passado, quando o Congresso virou “inimigo do povo” e terminou aprovando por unanimidade a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil. Será novamente o Lula “fraquinho” enfrentando o “sistema”, o chavão para atacar ricos, patrões, congressistas, a família Bolsonaro ou o governo Donald Trump.

    No calendário governista, a votação do fim do 6×1 deve coincidir com as primeiras revelações da delação do banqueiro Daniel Vorcaro sobre o esquema de favores envolvendo governadores, senadores, deputados e ministro do STF, ou seja, “o sistema”.

    Depois da rejeição de Jorge Messias no Senado, dois ministros e um ex-ministro me disseram que Lula só tem a ganhar com uma delação ampla, geral e irrestrita no caso Master. Perguntados qual seria a reação se o inquérito da Polícia Federal envolver petistas da Bahia ou ministros do STF aliados do governo, a resposta foi igual:

    — Azar o deles.

    +em:

    (*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/02/contra-o-andar-de-cima-pressionado-nas-pesquisas-e-pelo-congresso-lula-tenta-reacao-com-resgate-de-discurso-antissistema.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (**) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/30/lula-pronunciamento.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (***) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/29/camara-instala-comissao-da-pec-do-fim-da-escala-6×1-com-previsao-de-transicao-e-duvidas-sobre-compensacao-a-empresas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  32. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26 (2)

    A solidão do poder

    O principal conselheiro do presidente Lula hoje é seu antigo parceiro Paulo Okamotto. Eles estavam distantes nos últimos três anos.

    (TRPCE)

  33. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26 (3)

    Sangue no mar
    O Ministério da Fazenda proibiu recentemente sites que aceitam apostas em eventos futuros, dos índices da próxima pesquisa eleitoral à data da abertura do Estreito do Ormuz, do próximo país a ser invadido pelos Estados Unidos à presença de Neymar na Copa do Mundo. Não importa. O principal preditor do Brasil segue funcionando e indicou que as chances de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão mais baixas que nunca. Numa decisão inédita desde o século 19 (1), o Senado rejeitou na quarta-feira (29) a indicação presidencial para o Supremo Tribunal Federal e, no dia seguinte, o Congresso reduziu as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e os golpistas de 2022. Senadores e deputados nunca fariam essa ousadia se achassem que Lula será reeleito (2).

    A rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, é resultado de uma aliança surpreendente (3) entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Por trás do acordo, como mostrou a jornalista Andréia Sadi, da GloboNews, estão os desdobramentos do escândalo Master.

    Alcolumbre e Moraes são nomes prováveis de capítulos das delações em negociação do dono do Master, Daniel Vorcaro. Bolsonaro não está na lista, mas dezenas de aliados seus estão, como os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda. Se tivesse o seu nome aprovado para o STF, Jorge Messias seria um apoiador das investigações do Master conduzidas pelo seu único aliado na Corte, o ministro André Mendonça.

    Se você ficou confuso com as alianças e intrigas do parágrafo anterior, não se preocupe. O que está acontecendo em Brasília desafia a lógica. Para impedir que André Mendonça (indicado por Jair Bolsonaro) tenha maioria no STF para avançar no caso Master, Alexandre de Moraes fez um acordo de ocasião (3), via Davi Alcolumbre, com Flávio Bolsonaro, filho do seu maior inimigo. Em troca, Alexandre de Moraes e o STF deixaram que deputados e senadores desqualificassem os julgamentos dos golpistas ao derrubar os vetos do projeto da Dosimetria, criando um precedente histórico que pode transformar o Congresso em casa revisora das decisões do STF. Davi Alcolumbre conseguiu que os bolsonaristas desistissem da CPI do Master e selou uma aliança que, talvez, lhe garanta o apoio para ser reeleito presidente do Senado em 2027.

    No sábado (2), o ministro do STF Flávio Dino, outro desafeto de Messias, completou o acordo do STF com Alcolumbre ao prorrogar por mais 120 dias o afastamento do vice-prefeito de Macapá (4), Mário Neto. A decisão de Dino prejudica o ex-prefeito Dr. Furlan, o maior adversário de Alcolumbre no Amapá.

    “O artigo mais frequente da política — a traição — desfilou sem inibição por esses dias: Messias foi traído por gente até então próxima ao próprio governo. André Mendonça foi traído por amigos da bancada evangélica que lhe prometeram votos a favor de Messias minutos antes da votação, mas entregaram a cabeça do candidato da mesma fileira religiosa, mostrando que o voto evangélico se rendeu aos interesses do establishment”, condensou a jornalista Natuza Nery, da GloboNews.

    Como qualquer conjunção de interesses de personagens tão díspares, nada assegura que Bolsonaro e Moraes não voltem a brigar em breve. O impeachment de ministros do STF, particularmente de Alexandre de Moraes, é o discurso número um de dez entre dez candidatos bolsonaristas ao Senado. Se Flávio Bolsonaro virar presidente, é crível supor que se vingar de Alexandre de Moraes se torne sua prioridade número um.

    O fato de Alcolumbre agir como se Lula fosse um pato manco não significa que ele esteja certo. A morte política do presidente já foi anunciada dezenas de vezes e em todas Lula ressuscitou. É fato, no entanto, que políticos que jogam o seu destino em saber antes de todos para onde o vento sopra estão agora apostando que a oposição vai vencer.

    A brilhante foto (5) da repórter Gabriela Biló, da Folha, retratando Alcolumbre abraçado a Flávio Bolsonaro durante a sessão do Congresso Nacional que reduziu as penas dos condenados pelos atos golpistas vale por mil pesquisas.

    +em:

    (1) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/29/messias-barrado-no-stf-como-foi-a-ultima-vez-em-que-o-senado-vetou-a-indicacao-de-um-ministro-ainda-no-seculo-19.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (2) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/03/derrotas-no-congresso-estremecem-base-de-lula-para-tentativa-de-reeleicao-e-testam-relacao-entre-poderes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (3) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/04/como-alcolumbre-e-flavio-bolsonaro-derrubaram-messias-e-conseguiram-impor-derrota-historica-a-lula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (4) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/02/dino-prorroga-por-tempo-indeterminado-afastamento-de-vice-de-macapa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (5) https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/coluna/2026/05/a-rendicao-do-senado.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  34. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26 (4)

    Atravessando o Rubicão
    Em um aforismo atribuído ao deputado Ulysses Guimarães (1916-92), “ninguém vai ao Rubicão para pescar”. Assim como a decisão de Júlio César de desobedecer ao Senado, atravessar o rio Rubicão e conduzir seu exército na península da Itália no ano 49 era definitiva e irremediável, a articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo não tem volta. Impor ao presidente da República um vexame que não ocorria há 132 anos é uma aposta de Alcolumbre (*) de que seu poder está acima de quem for o eventual ocupante do Palácio do Planalto.

    A mensagem principal da rejeição de Messias é que nada no Senado pode acontecer sem o aval de Alcolumbre, eleito presidente no ano passado com 73 dos 81 votos. Essa regra vale para Lula hoje, mas pode seguir em pé se o presidente for outro.

    O risco é enorme. A partir de agora, Davi Alcolumbre é o alvo preferencial do governo Lula, apesar das negativas oficiais de praxe. Não é uma questão de perda de inúmeros cargos em Brasília e no Amapá, mas da condução das investigações dos maiores escândalos dos últimos anos, a fraude do INSS e o caso Master.

    No caso do INSS, um assessor de Alcolumbre, Paulo Boudens, recebeu R$ 3 milhões do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O governo Lula atuou ao lado de Alcolumbre para evitar que o sigilo de Boudens fosse quebrado na CPI do INSS. No caso Master, Alcolumbre foi citado em trocas de mensagens de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga um aporte de R$ 400 milhões da Amapá Previdência (Amprev) em títulos podres do Banco Master, realizado sob gestão de um aliado de Alcolumbre, Jocildo Lemos, que ignorou seguidos alertas de que o negócio era ruim. A PF apura se Lemos agiu a mando de Alcolumbre.

    Um sinal ruim para Alcolumbre apareceu menos de uma hora após a rejeição de Messias. O ministro André Mendonça, do Supremo, fez uma postagem no X: “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande Ministro do Supremo”.

    Mendonça não gosta de Alcolumbre. Em 2021, sofreu o mesmo que Messias ao passar quatro meses sendo tratado com desdém pelo presidente do Senado, que preferia outro candidato. O calvário e a religião em comum fizeram com que Mendonça trabalhasse por Messias. Por coincidência e para azar de Alcolumbre, as investigações do INSS e do Master estão sob a relatoria de Mendonça.

    Ao assumir todo esse risco, Alcolumbre demonstra enorme autoconfiança de que é a pessoa mais poderosa de Brasília. Fez questão de mostrar isso. Em cinco meses, sua contrariedade por Lula da Silva não ter escolhido seu candidato, Rodrigo Pacheco, e não o ter informado antes da opção por Messias não deu um minuto de trégua.

    Os cientistas políticos norte-americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, autores do clássico “Como as democracias morrem”, usam o termo “reserva institucional” (institutional forbearance) para designar uma tradição de autocontenção entre os Poderes, um acordo tácito em que cada lado sabe até onde pode ir e que evita o vale tudo. Para a dupla, essa autocontenção se perdeu na política norte-americana já no final do governo Barack Obama, quando os republicanos impediram a aprovação (**) de um indicado democrata para a Suprema Corte. A rejeição de Messias é uma demonstração de que os velhos parâmetros da boa convivência entre os Poderes podem não valer mais em Brasília.

    Alcolumbre tem um histórico de voo solo e rompimentos. Na revista Piauí, os repórteres Camille Lichotti e Allan de Abreu mostraram como, por anos, Alcolumbre foi um aliado e assessor do ex-presidente José Sarney. Aprendeu tudo com ele, até que o abandonou. Em 2014, Alcolumbre contrariou Sarney, lançou-se candidato ao Senado e venceu. Sarney não o perdoou.

    Como presidente do Senado, Alcolumbre foi aliado de Jair Bolsonaro no início de seu governo, mas rompeu. Foi aliado de Lula da Silva até ser contrariado com a escolha de Messias, em novembro. A reaproximação com o bolsonarismo é um novo caminho. A sobrevivência de Alcolumbre (***) vai além dos casos do INSS e do Master e chega à disputa pela reeleição para a presidência do Senado. Os pedidos de impeachment de ministros do Supremo serão as moedas de troca pelo apoio da oposição bolsonarista à sua recondução. O Rubicão não serve para pescarias.

    +em:

    (*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/30/alcolumbre-retoma-laco-com-bolsonarismo-em-rejeicao-a-messias-por-espaco-eleitoral-e-recados-a-planalto-e-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (**) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/bolsonarismo-segue-roteiro-de-partido-de-trump-ao-tentar-adiar-indicacao-do-stf-para-2027.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (***) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/coluna/2026/02/master-alcolumbre-aposta-em-aliados-para-escapar-de-mais-um-escandalo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  35. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26 (5)

    Nem um, nem outro

    Os dados das pesquisas Genial/Quaest nos estados (*) mostram uma vida difícil para Flávio Bolsonaro obter apoios decididos de candidatos a governos. Em sete dos 10 estados pesquisados, a maioria dos eleitores diz preferir um candidato a governador independente, não alinhado a Lula da Silva, nem a Flávio; em três a maioria quer um governador lulista; em nenhum dos estados a maioria quer um governador aliado de Flávio.

    Os números:

    > São Paulo
    Lula – 23%
    Independente – 47%
    Bolsonaro – 27%

    > Bahia
    Lula – 47%
    Independente – 32%
    Bolsonaro – 16%

    > Rio Grande do Sul
    Lula – 23%
    Independente – 45%
    Bolsonaro – 28%

    > Paraná
    Lula – 17%
    Independente – 44%
    Bolsonaro – 34%

    > Pará
    Lula – 32%
    Independente – 37%
    Bolsonaro – 25%

    > Minas
    Lula – 30%
    Independente – 37%
    Bolsonaro – 28%

    > Rio de Janeiro
    Lula – 26%
    Independente – 40%
    Bolsonaro – 29%

    > Goiás
    Lula – 17%
    Independente – 46%
    Bolsonaro – 31%

    > Pernambuco
    Lula – 47%
    Independente – 30%
    Bolsonaro – 17%

    > Ceará
    Lula – 43%
    Independente – 34%
    Bolsonaro – 18%

    Preferem um governador independente os eleitores de sete estados: São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Minas, Paraná e Pará.
    ⁠Preferem um governador lulista os eleitores de três estados: Bahia, Pernambuco e Ceará.

    Flávio Bolsonaro não prevalece em nenhum estado. Mas em cinco dos sete estados que preferem um governador independente, mais eleitores preferem um governador que seja seu aliado do que um aliado a Lula. Apenas em Minas e no Pará Lula tem mais preferência que Flávio.

    Na prática das campanhas presidenciais, candidatos a governador estão para os candidatos a presidente como os coadjuvantes estão para os atores principais em esquetes de humor. Funcionam como escadas: criam oportunidades para os presidenciáveis aparecerem em eventos e pedem votos. Todo presidenciável precisa ter um candidato a governador competitivo.

    Foi para fazer esse papel para Lula da Silva que Fernando Haddad trocou o Ministério da Fazenda por uma segunda candidatura a governador de São Paulo (**), mesmo com possibilidades razoáveis de derrota. Haddad terá cumprido sua missão se o PT repetir 2022, quando Lula perdeu de pouco de Jair Bolsonaro no estado com o maior número de eleitores.

    São Paulo tem uma situação específica. Mais eleitores preferem um governador aliado de Flávio que um aliado de Lula da Silva (27% a 23%), o que está em linha com as pesquisas nos últimos anos. Mas é onde há a maior proporção de eleitores que buscam um candidato independente, com 47%.

    Na pesquisa da Quaest, 45% dos eleitores identificam o governador Tarcísio de Freitas, líder na pesquisa, com o bolsonarismo, enquanto 49% não sabem responder. Tarcísio pode se beneficiar desse desconhecimento — o que pode ser vantajoso para ele, mas não para Flávio Bolsonaro.

    +em:

    (*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/03/pesquisas-sinalizam-desafio-para-pelo-menos-oito-governadores-que-tentam-fazer-sucessores-ou-buscam-reeleicao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/03/o-voto-nos-estados-com-seguranca-e-privatizacoes-no-centro-da-revanche-tarcisio-e-haddad-reeditam-disputa-em-sp.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  36. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26 (6)

    Viver é muito perigoso

    Havia um sertão dentro de João Guimarães Rosa. Maior escritor brasileiro do século 20, o diplomata mineiro recebe agora uma biografia à altura dos seus Diadorim, Riobaldo, Matraga e Manuelzão. Em “João Guimarães Rosa, biografia” (editora Nova Fronteira, 736 páginas; livro: R$ 175,42; e-book: R$ 139,90), o repórter Leonêncio Nossa viaja para dentro das veredas de um personagem contraditório. Médico que não suportava ver sangue, decifrador da alma dos vaqueiros que andava mal a cavalo, vaidoso que recusava dar entrevistas, Guimarães Rosa é uma chave para entender melhor o Brasil.

    +em: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/03/29/nova-biografia-de-guimaraes-rosa-destaca-trajetoria-multifacetada-do-autor-de-grande-sertao-viveu-varias-vidas-numa-so.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    (TRPCE)

  37. Miguel José Teixeira

    Thomas Traumann,
    Newsletter, O Globo, 04/05/26 (7)

    Fique atento

    > Quase 20 mil pessoas estão desabrigadas em Pernambuco, Bahia, Paraíba e Ceará com as chuvas dos últimos dias.
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/03/apos-mortes-governo-de-pernambuco-decreta-situacao-de-emergencia-em-27-municipios-atingidos-por-chuvas.ghtml

    > Em postagem, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão guiar em segurança navios presos no Estreito de Ormuz a partir da manhã desta segunda-feira (4).
    +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/05/03/trump-diz-que-os-eua-irao-escoltar-navios-pelo-estreito-de-ormuz-a-partir-de-amanha.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    > Nesta segunda-feira, o presidente Lula lança o Novo Desenrola Brasil, programa de refinanciamento de dívidas. É o governo tentando sair do cheque especial da impopularidade.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/30/lula-pronunciamento.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    Ou seja:
    enrolando o povo para desenrolar sua enrolada popularidade!

    > O ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter alta hospitalar nesta segunda-feira, depois de passar por uma cirurgia no ombro direito.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/03/bolsonaro-mantem-boa-evolucao-clinica-apos-cirurgia-no-ombro-diz-boletim-medico.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    > Na terça-feira (5), o mercado financeiro lerá a ata do Copom em busca de sinais sobre o ritmo e a extensão dos cortes nos juros.

    > No mesmo dia, Gabriel Galípolo vai à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado falar sobre o caso Master. É parte da campanha de Renan Calheiros contra Arthur Lira na disputa pelas vagas do Senado por Alagoas

    > Termina na terça o prazo para os estados aderirem ao programa de subvenção do diesel, que estabelece um corte de R$ 1,20 no preço por litro — o valor é dividido ao meio entre governo federal e estados. Vinte e dois estados já aderiram.

    > Na quarta-feira (6), o Supremo julga ações sobre a distribuição de royalties do petróleo entre estados e municípios. Davi Alcolumbre (sempre ele!) trabalha para que o Rio de Janeiro e o Amapá tenham direito ao maior quinhão.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/03/royalties-decisao-do-stf-vai-definir-futuro-das-contas-do-rio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    > O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, convocou sessões deliberativas do plenário ao longo de toda a semana para acelerar a contagem do prazo para a apresentação de emendas na comissão especial que analisa a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/01/fim-da-escala-6×1-motta-convoca-sessoes-extras-da-camara-para-acelerar-tramitacao-de-pec.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    > Depois de conseguir a bênção do pastor Silas Malafaia no domingo (3), Flávio Bolsonaro vai a Santa Catarina na sexta-feira (8) para ajudar a campanha do irmão Carlos ao Senado.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/03/flavio-bolsonaro-vai-a-culto-da-malafaia-para-reconciliacao-apos-atritos-no-inicio-do-ano.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann

    > O presidente Lula articula uma nova candidata (*) ao STF.

    Huuummm. . .
    então, pelo seu notório “saber”, janja para o SuTriFe, já!

  38. Miguel José Teixeira

    “Gilmar pressiona Gonet para enquadrar Zema, mas enfrenta resistência na cúpula da PGR”
    (Por Rafael Moraes Moura — Brasília, Blog da Malu Gaspar, O Globo, 04/05/26)

    Após pedir a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news por conta da postagem de um vídeo satírico em que era retratado como fantoche, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes tem pressionado nos bastidores o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dar aval à sua iniciativa. Mas a ofensiva do decano do Supremo de enquadrar o pré-candidato do Novo à Presidência da República enfrenta resistência na cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR).

    Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido, mas vem sendo aconselhado a não fazer nada e deixar o assunto morrer.

    Ou, caso decida atender Gilmar, integrantes de sua equipe já sugeriram que ele deixe para algum subordinado o ônus de assinar o parecer favorável ao pedido do ministro, como uma forma de se distanciar do episódio e tentar se blindar das críticas que virão.

    Não há prazo para o procurador-geral da República escolher qual caminho vai seguir – e, por enquanto, Gonet empurra o encaminhamento do caso.

    Gonet foi indicado ao posto de procurador-geral da República e reconduzido ao cargo pelo presidente Lula, com o lobby de Gilmar, de quem foi sócio no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sediado em Brasília. Os dois são amigos de décadas.

    Apreensão
    O clima nos bastidores da PGR é de apreensão com o pedido de Gilmar, já que a maioria dos subprocuradores-gerais da República avalia que o Supremo já deveria ter encerrado o inquérito das fake news. O processo foi criado em março de 2019 por iniciativa do então presidente da Corte, Dias Toffoli, para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares.

    Mas, apesar da pressão da opinião pública, de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de integrantes do próprio STF, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, não tem dado sinais de que pretende concluir tão cedo as investigações, que se tornaram uma arma para a Corte se proteger de ataques – e perseguir opositores políticos. Em entrevistas recentes, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e afirmou que ele deveria ficar aberto pelo menos até as eleições de outubro.

    “A grande maioria de nós acredita que o inquérito tem que ser arquivado porque já exauriu o escopo de investigação e não pode se transformar em algo permanente onde qualquer crítica ao STF seja incluída como fato para investigação”, afirmou ao blog um interlocutor de Gonet que pediu para não ser identificado.

    Na opinião de outro integrante da cúpula da PGR, o inquérito se tornou um instrumento de coerção – e o pedido de Gilmar contra Zema vai servir como uma espécie de teste para o chefe do Ministério Público Federal (MPF).

    “Esse inquérito é um absurdo total e absoluto. Gonet vai ser mais leal ao Gilmar ou à Constituição?”, questionou. “O MPF não pode ser um órgão inerte e cúmplice. Se Gilmar acha que por algum motivo sua honra pessoal foi atingida, ele deveria entrar com uma ação de indenização por danos morais, como fazem os outros mortais quando se sentem lesados.”

    Homofobia
    Mesmo sem decidir o que fazer com o pedido de Gilmar, Gonet já agiu para blindar o colega.

    Na semana passada, a PGR arquivou um pedido para abrir uma ação civil pública contra Gilmar devido a declarações do ministro em que cita a homossexualidade como uma possível “acusação injuriosa” contra Zema.

    Ao analisar o caso, a PGR considerou que a declaração de Gilmar – que numa entrevista indagou aos repórteres do site Metrópoles se não seria ofensiva a fabricação de “bonecos do Zema como homossexual” – foi reconhecida pelo próprio Gilmar “como inadequada, havendo retratação espontânea e pública”.

    “Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”,concluiu o procurador da República e chefe de gabinete de Gonet Ubiratan Cazetta, ao determinar o arquivamento do pedido, apresentado pelo advogado e professor Enio Viterbo, que costuma usar as redes sociais para cobrar transparência e fazer críticas à atuação de integrantes do Supremo.

    Na avaliação do procurador, não foram identificados no caso de Gilmar “elementos mínimos que indiquem violação relevante e atual a direitos transindividuais [que alcançam grupos, não se limitando a um indivíduo específico], ilícito penal, bem como a necessidade de atuação institucional”.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/gilmar-pressiona-gonet-para-enquadrar-zema-mas-enfrenta-resistencia-na-cupula-da-pgr.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

  39. Miguel José Teixeira

    “O drama de Neymar vai ao teatro”
    – A história do jogador que, cansado das obrigações do sucesso, tenta destruir a própria carreira.
    (Por Joaquim Ferreira dos Santos, O globo, 04/05/26)
    . . .
    “A peça “Assim na terra como no céu”, em cartaz no Teatro Ipanema, aborda o drama de um jogador de futebol que, cansado das pressões do sucesso, decide sabotar sua própria carreira. A narrativa sugere uma alusão a Neymar, destacando a trajetória do craque brasileiro que, outrora inovador e celebrado, parece ter se perdido entre autossabotagens e escândalos. A peça reflete sobre a complexidade do sucesso e a pressão contínua enfrentada por atletas, evocando a nostalgia de um Neymar que encantava o mundo com seu talento.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2026/05/o-drama-de-neymar-vai-ao-teatro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  40. Miguel José Teixeira

    “Nunca, neste país, surgiu uma direita tão entreguista”
    – Os militares de 1964 tiveram ajuda dos americanos para dar um golpe de Estado, mas eram nacionalistas.
    (Por Miguel de Almeida, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “O artigo critica uma direita brasileira vista como entreguista, comparando-a com os militares de 1964 que, embora apoiados pelos EUA, eram nacionalistas. Há uma crítica ao PL e a Eduardo Bolsonaro, que tenta retornar ao Brasil, mas teme prisão. A discussão se estende sobre a polarização política, a falta de visão estratégica do país, e os desafios econômicos e sociais que os futuros senadores enfrentarão.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/opiniao/miguel-de-almeida/coluna/2026/05/nunca-neste-pais-surgiu-uma-direita-tao-entreguista.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  41. Miguel José Teixeira

    Estará o rei nú?

    “Guerra no Irã queimou munições estratégicas dos EUA projetadas para potenciais confrontos com China e Rússia”
    – Segundo fontes citadas pela CNN, US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões teriam sido gastos no conflito, que afetou o estoque de armas de grande valor e deslocou meios militares do Pacífico para o Oriente Médio.
    (Por Eric Schmitt e Jonathan Swan, Em The New York Times — Washington, O Globo, 05/04/26)
    . . .
    “A guerra no Irã drenou munições estratégicas dos EUA, projetadas para confrontos com China e Rússia, com gastos entre US$ 40 e US$ 50 bilhões. O Pentágono usou mais de mil mísseis Tomahawk e 1,2 mil Patriot, esgotando estoques críticos. A transferência de recursos militares do Pacífico para o Oriente Médio comprometeu a prontidão dos EUA contra adversários potenciais, levantando preocupações sobre a capacidade de reposição rápida e eficaz.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/05/04/guerra-no-ira-queimou-municoes-estrategicas-dos-eua-projetadas-para-potenciais-confrontos-com-china-e-russia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  42. Miguel José Teixeira

    “Piores cursos de Medicina são mais novos, têm menos doutores e estão em cidades pequenas”
    – Dados do Enamed apontam que grau de aprendizado de estudantes é pior em cursos abertos a partir de 2018, em meio a batalhas judiciais com o Ministério da Educação.
    (Por Bruno Alfano — Rio de Janeiro, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “Cursos de Medicina inaugurados a partir de 2018 apresentam pior desempenho no Enamed, segundo o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde. As graduações de baixo rendimento estão em cidades pequenas e têm poucos docentes doutores. O MEC não autoriza novos cursos desde então, mas decisões judiciais permitiram aberturas sem critérios técnicos. A ABMES argumenta que instituições mais novas ainda estão em processo de consolidação acadêmica.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/04/piores-cursos-de-medicina-sao-mais-novos-tem-menos-doutores-e-estao-em-cidades-pequenas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  43. Miguel José Teixeira

    “ECA Digital também vai valer para vendas on-line, e varejistas terão de se adaptar; entenda”
    – Grandes varejistas, marketplaces e qualquer empresa que tenha comércio eletrônico precisará se adaptar.
    (Por Mayra Castro — Rio de Janeiro, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “O ECA Digital, aprovado em março, atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente virtual e impõe regras rígidas de proteção aos menores na internet. E-commerce, mesmo não direcionado a crianças, deve se adaptar, assim como a publicidade. Empresas precisarão implementar verificações de idade confiáveis e os anúncios online não poderão mais ser direcionados diretamente a menores. A fiscalização caberá à ANPD (*), que aplicará sanções a partir de 2027.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/04/eca-digital-tambem-vai-valer-para-vendas-on-line-e-varejistas-terao-de-se-adaptar-entenda.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    (*) A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é uma autarquia federal especial, vinculada à Presidência da República, responsável por zelar, fiscalizar e regulamentar o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD – Lei nº 13.709/2018) no Brasil. Ela protege dados pessoais, promove a privacidade e sanciona descumprimentos, funcionando com autonomia técnica.
    +em: https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/noticias/anpd-ganha-nova-estrutura-e-se-consolida-como-agencia-reguladora#:~:text=A%20Ag%C3%AAncia%20Nacional%20de%20Prote%C3%A7%C3%A3o,13.709/2018%20%2D%20LGPD).

  44. Miguel José Teixeira

    “Após mortes, governo de Pernambuco decreta situação de emergência em 27 municípios atingidos por chuvas”
    – Fortes temporais também afetam a Paraíba, onde o governador, Lucas Ribeiro, decretou estado de calamidade pública ontem.
    (Por O Globo, 03/05/26)
    . . .
    “O governo de Pernambuco decretou situação de emergência em 27 municípios após seis mortes causadas por deslizamentos e inundações devido às chuvas. Segundo a Defesa Civil, 2.990 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. A governadora Raquel Lyra destacou a necessidade de apoio estadual e federal para restabelecer a normalidade. As chuvas severas causaram alagamentos e deslizamentos em várias áreas, deixando comunidades ilhadas e casas danificadas.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/03/apos-mortes-governo-de-pernambuco-decreta-situacao-de-emergencia-em-27-municipios-atingidos-por-chuvas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  45. Miguel José Teixeira

    É melhor substituirem logo
    esses dois pangarés!

    “Pesquisas em quatro estados mostram dificuldade de aliados de Flávio entre mulheres e dos de Lula entre evangélicos”
    – Levantamentos divulgados pela Genial/Quaest em abril sugerem que desempenhos de candidatos aos governos em RJ, SP, PR e RS reflete questões nacionais.
    (Por Eduardo Moure* — Rio de Janeiro, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “Pesquisas da Genial/Quaest revelam desafios eleitorais em quatro estados brasileiros. Candidatos da direita, aliados de Flávio Bolsonaro, enfrentam dificuldades com o eleitorado feminino, enquanto os de Lula encontram barreiras entre evangélicos. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas lidera entre homens, mas empata com Haddad entre mulheres. No Rio, Eduardo Paes tem apoio maior entre católicos do que evangélicos. Essas dinâmicas refletem tensões nacionais entre bolsonarismo e petismo.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/05/pesquisas-em-quatro-estados-mostram-dificuldade-de-aliados-de-flavio-entre-mulheres-e-dos-de-lula-entre-evangelicos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    *estagiário sob supervisão de Marlen Couto.

  46. Miguel José Teixeira

    Enquanto a bancada da
    toga amarrotada & desbotada
    for minoria, segue a folia!
    Depois, vale tudo!

    “STF chega a sete meses incompleto, com dez ministros, sob risco de travar julgamentos, como o da eleição-tampão no Rio”
    – Rejeição de Jorge Messias mantém Corte desfalcada desde outubro de 2025, o que aumenta risco de impasse em casos em andamento; 20 processos já foram interrompidos.
    (Por Mariana Muniz — Brasília, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “A rejeição de Jorge Messias pelo Senado para o STF mantém a Corte com dez ministros há sete meses, inviabilizando desfechos em julgamentos cruciais, como a eleição-tampão no Rio. Empates frequentes, especialmente em casos politicamente sensíveis, revelam o impacto da vaga aberta. A situação pode levar a decisões estratégicas, favorecendo réus em ações penais devido a empates, como observado em casos recentes.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/04/stf-chega-a-sete-meses-incompleto-com-dez-ministros-sob-risco-de-travar-julgamentos-como-o-da-eleicao-tampao-no-rio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Matutando bem. . .
    Essa nota está com cara de release da BTA&D, ou não?

  47. Miguel José Teixeira

    “Derrotas expõem fragilidade de ministros-chave enquanto avanço da oposição pressiona Lula”
    – Rejeição a Messias no Senado e derrubada do veto ao PL da Dosimetria colocam em xeque trabalho de auxiliares como Sidônio Palmeira e José Guimarães.
    (Por Letícia Pille — Brasília, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “Derrotas no Congresso expõem fragilidade de ministros estratégicos do governo Lula, como Sidônio Palmeira e José Guimarães, enquanto a rejeição a Jorge Messias no STF e a queda do veto ao PL da Dosimetria aumentam a pressão. Pesquisas mostram aumento na rejeição a Lula, gerando necessidade de articulação política eficaz para recuperar apoio popular e enfrentar a oposição em ascensão.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/04/derrotas-expoem-fragilidade-de-ministros-chave-enquanto-avanco-da-oposicao-pressiona-lula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  48. Miguel José Teixeira

    “Acesso a crédito dobra entre jovens e acende alerta sobre inadimplência precoce”
    – Jovens têm mais facilidades para abrir conta e ganhar cartão de crédito e mergulham em dívidas, acendendo alerta sobre início de ciclo de inadimplência.
    (Por Bruna Lessa — Brasília, O Globo, 04/05/26)
    . . .
    “O acesso ao crédito para jovens de 15 a 29 anos dobrou em oito anos, chegando a 27,6 milhões, mas trouxe um ciclo preocupante de inadimplência. Muitos jovens, como Danielly e Everyn, entram no sistema financeiro sem renda estável, enfrentando dívidas crescentes devido à digitalização e facilidades de crédito. A educação financeira ainda é limitada, e a antecipação do crédito antes de uma base financeira sólida gera riscos de endividamento precoce.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/03/acesso-a-credito-dobra-entre-jovens-e-acende-alerta-sobre-inadimplencia-precoce.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  49. Miguel José Teixeira

    “Um jarro se quebrou”
    – A rejeição do nome de Messias, mais do que uma derrota do governo, significa o esgotamento do padrão de relacionamento baseado no “toma lá, dá cá”.
    (Nuno Vasconcellos, Último Segundo, iG, 03/05/26)

    Não adianta! Depois que o cristal se quebra, é impossível colar os cacos e imaginar que o jarro voltará a ser igual ao que era antes. Foi mais ou menos isso que aconteceu com a base de apoio do governo — que se esfacelou na semana passada, depois de sofrer uma das derrotas mais emblemáticas já impostas ao Poder Executivo no Parlamento brasileiro desde o dia 3 de maio de 1823 — quando o Legislativo, ainda nos tempos do Império, foi instalado no país. Depois do que aconteceu, resta ao governo entender as causas da queda e encontrar um novo jarro para pôr no lugar do que se partiu.

    A questão é saber se haverá tempo para isso até o final deste ano ou se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá que esperar pelo próximo mandato para voltar a ter uma base confiável. Isso, obviamente, se ele sair das urnas, em outubro, com uma vitória que, embora provável, já não parece mais ser tão líquida e certa quanto se mostrava no início do ano.

    O estrago foi considerável. Por 42 votos a 34, o Senado rejeitou (1), na noite de quarta-feira passada (29), o nome do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Foi, como vem sendo dito com insistência desde o anúncio do resultado, a primeira vez que um nome indicado ao STF foi barrado pelos senadores desde 1894, no governo do marechal Floriano Peixoto. Foi um baque e tanto, mas não foi o único que o governo sofreu na semana passada.

    No dia seguinte, quinta-feira (30), houve outra derrota acachapante em mais um tema especialmente sensível. Com votações de 318 votos a 144, na Câmara, e de 49 votos a 24, no Senado, o Congresso Nacional derrubou o veto integral de Lula ao projeto da Dosimetria que, na prática (2), tirará da prisão a maioria dos condenados pelas manifestações do dia 8 de janeiro de 2023. Qualquer uma dessas derrotas já seria suficiente para mostrar que o governo enfrenta problemas seríssimos em sua articulação com o Parlamento. Somadas, então, elas expõem uma chaga dolorosa e revelam que essa articulação, se é que já existiu um dia, não deu o ar de sua graça no Plenário na semana passada.

    O que o governo fará daqui por diante para consertar essa relação e voltar a ter chances de ver os seus projetos prosperarem no Congresso ainda é incerto, mas os movimentos que se seguiram à divulgação dos resultados foram tão desastrados quanto os que conduziram às derrotas. A primeira reação dos responsáveis pela articulação do governo foi a de se queixar de uma traição mais do que previsível — e que só existiu porque os responsáveis por esse diálogo não se mostram à altura da importância de sua tarefa. Um exemplo evidente dessa inabilidade é o líder do PT na Câmara, o deputado Pedro Uczai. Na saída do Plenário, assim que foi anunciada a derrubada dos vetos de Lula ao projeto da Dosimetria, ele se revelou um substituto à altura de seu antecessor, Lindbergh Farias (PT).

    Liderança inábil

    Explica-se: assim como Farias, Uczai mostrou-se um especialista na arte de jogar nos adversários a culpa pelo próprio fracasso, sem parar um minuto para avaliar os erros que cometeu. Em vez de admitir os passos em falso no encaminhamento da votação da dosimetria e de se mostrar sensível à ideia de reduzir penas absurdas impostas aos condenados pelo dia 8 de janeiro de 2023, ele insistiu na ideia de manter atrás das grades as pessoas presas nas manifestações que o governo vê como uma “trama golpista”.

    A matéria, como se sabe, já havia sido aprovada no final do ano passado e, no dia 8 de janeiro deste ano, vetada integralmente por Lula (3). O que os deputados e senadores fizeram na quinta-feira (30) foi apenas ratificar a decisão que já tinham tomado. O erro dos “articuladores políticos” foi insistir nos mesmos argumentos que não convenceram a ninguém quando o projeto da dosimetria foi votado pela primeira vez.

    A inabilidade no exercício da liderança não é uma característica exclusiva de Uczai. Pouco antes da derrota nos vetos à dosimetria, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT), com aquela expressão de quem não sabe de onde partiu a pancada que o atingiu na cabeça, disse em entrevista coletiva que o presidente Lula não está disposto a esperar pelo próximo mandato para submeter ao Senado o nome de um novo candidato à vaga aberta no STF em novembro do ano passado, com a renúncia prematura do então ministro Luís Roberto Barroso. É aí que está o xis da questão. Se o governo insistir na indicação de um nome e continuar agindo em relação ao Congresso da mesma maneira que agiu até agora, o fracasso na indicação de um novo nome é mais do que provável. Mais do que isso, é quase uma certeza.

    Mudança de padrão
    Nesse caso, qual o melhor caminho a seguir? Para quem assiste à cena de fora, a insistência em colocar um aliado fiel no STF é uma decisão que se mostra mais arriscada para o governo na medida em que as próximas eleições se tornam mais próximas. No ponto em que a situação chegou, indicar um novo nome para a vaga é praticamente pedir para sofrer uma nova humilhação. Antes de fazer isso, será preciso rearticular a base de apoio no Congresso sob condições menos arriscadas — até porque, uma nova derrota, depois de ter fracassado com a indicação de Messias, seria um desastre. A pergunta é: haverá tempo para construir as condições ideais antes do fim do atual mandato do presidente da República?

    Uma mudança profunda como a que se mostra necessária não pode ser feita com a cabeça quente. Para dar certo, será necessário que o governo passe a trilhar um caminho diferente do que tem seguido até agora. Precisa, também, fazer algo que nunca fez desde que Lula tomou posse pela primeira vez na presidência da República: admitir que cometeu um erro grave e assumir com sinceridade o compromisso de mudar de rumo. Será que isso é possível? Possível é. Porém, é pouco provável que os parlamentares, com a boca torta pelo hábito de usar o cachimbo, concordem com as mudanças que precisam ser feitas.

    A tentativa de aprovar o nome de Messias para uma vaga no STF, na prática, expôs os limites e a inconsistência do modelo político baseado no “toma lá, dá cá”, que tem sido a base do relacionamento entre o Executivo e o Legislativo brasileiro desde a redemocratização. Às vésperas das votações da semana passada, conforme foi amplamente divulgado pela imprensa, o governo empenhou nada menos do que R$ 11 bilhões para pagamento de emendas parlamentares. Para se ter uma ideia do que significa esse valor, basta dizer que, entre o dia 1º de janeiro e meados do mês de abril, o valor emprenhado havia sido de pouco mais de R$ 13 bilhões. Só que, pelo que se viu, essa dinheirama não foi suficiente para comprar a aprovação de Messias.

    O preço que o Senado, sob o comando do melífluo Davi Alcolumbre (União), vinha cobrando no processo de substituição de Barroso era elevado demais para ser pago por Lula ou por qualquer outro político que ocupe o Palácio do Planalto. Esse preço era simplesmente o de tirar do presidente e entregar ao presidente do Congresso, em nome da promessa de fidelidade pelo Parlamento, a prerrogativa de indicar os integrantes do Supremo Tribunal Federal. Qualquer Presidente da República que aceitasse uma condição como essa estaria, na prática, abdicando de seu poder — e, convenhamos, por mais defeitos que os adversários queiram atribuir a Lula, uma acusação que nunca poderá ser feita ao presidente é a de não ter noção da importância do cargo que ocupa.

    Em tempo: não adianta agora, depois que o nome de Messias foi barrado, responsabilizar Alcolumbre e atribuir a derrota do governo a articulações tenebrosas, que incluiriam até mesmo a participação de integrantes do STF que não viam com simpatia a participação do Advogado-Geral da União no colegiado de ministros. Por esse motivo, o resultado da votação histórica teria sido resultado de uma articulação entre Alcolumbre e o ministro Alexandre de Moraes, que teria contado, também, com a simpatia do ministro Flávio Dino. Será?

    Se essa articulação aconteceu, o que é apenas uma hipótese, ela certamente não foi a razão determinante para o resultado da votação. O presidente do Senado só tem força suficiente para atrapalhar os planos de Lula — da mesma forma que seu antecessor, Rodrigo Pacheco (na época filiado ao PSD/MG), importunou Jair Bolsonaro — porque o Executivo fez da política do “toma lá, dá cá” como o principal meio de relacionamento com o Congresso. Isso mesmo: ao reduzir seu relacionamento com o Congresso à liberação de emendas em troca de apoio, o governo, ao contrário de demonstrar o poder da caneta, acaba se tornando um refém dessa prática.

    Em vez de investir na construção de uma base parlamentar sólida o suficiente para garantir governabilidade do primeiro ao último dia do mandato, os presidentes brasileiros vêm apostando em alianças ocasionais, que os obrigam a recompensar os parlamentares por todo e qualquer voto favorável na votação de toda e qualquer matéria importante. Sendo assim, mais útil do que se queixar agora de uma possível traição de Alcolumbre seria rever os próprios métodos e avaliar a eficácia dessa política. E, em vez de recompensar os senadores e deputados pelo voto favorável em matérias sensíveis, denunciar as tentativas de chantagem por parte de quem exige recompensas em troca do apoio. Será que isso é possível? Será que funcionaria?

    É bem verdade que Alcolumbre resistiu a Messias desde que seu nome foi indicado por Lula para a vaga no STF. A intenção do amapaense, que trata a presidência do Senado como se ela não passasse de um balcão de negócios, era instalar seu antecessor, Rodrigo Pacheco, na cadeira que pertenceu a Luís Roberto Barroso. Isso mesmo. Desde o primeiro momento, uma questão sensível como é o preenchimento de uma vaga na mais alta Corte do país, passou a ser tratada como uma queda de braço entre Lula e Alcolumbre.

    Pelo clima que se criou em torno dessa disputa, o resultado da votação da semana passada era mais do que previsível. Esta coluna, por sinal, levantou essa hipótese no dia 30 de novembro do ano passado, dias depois do nome de Messias ter sido indicado por Lula para a vaga no STF. O texto que tratou do assunto, intitulado “A Terceira Lei de Newton” (3), afirmou que Messias “é parte de uma disputa política e sabe muito bem de suas possibilidades e dos riscos que está correndo” de ter o nome rejeitado.

    Também foi dito, ali, que “uma rejeição por razões políticas num ambiente conflagrado como o da política brasileira não pode, de forma alguma, ser visto como um demérito” de Messias. Outra afirmação feita naquele momento foi a de que os argumentos de Alcolumbre em favor da indicação de Pacheco eram frágeis e nenhum deles parecia suficiente para considerar o senador por Minas Gerais “um candidato com mais credenciais do que Messias na disputa pela vaga de ministro”.

    O problema é que, de lá para cá, o governo utilizou a liberação do dinheiro das emendas como única ferramenta de persuasão e não fez qualquer outro movimento no sentido de desanuviar o ambiente e de reforçar as credenciais de Messias para o cargo. O resultado, é claro, foi uma derrota retumbante, que ecoou pelo mundo inteiro.

    A agência de notícias Reuters tratou o acontecimento como uma “grande derrota política” que expõe as dificuldades de Lula no Congresso. A Associated Press destacou as “tensões institucionais” e apontou as “falhas de articulação política”. O diário The Wall Street Journal considerou um resultado “um duro revés” para o presidente. A emissora SIC Notícias, de Portugal, foi pela mesma linha. O esquerdista El País, da Espanha, falou em “fragilidade da governabilidade” e apontou a influência do resultado sobre o calendário eleitoral que já está em curso.

    “Escrúpulos democráticos”
    O que resta ao governo agora, além de tentar refazer sua base de apoio e mudar seu padrão de relacionamento com o Congresso, é acatar o resultado das votações da semana passada e seguir adiante. Os parlamentares ligados ao governo, porém, já demonstraram a intenção de “judicializar” a matéria e levar a derrubada dos vetos ao projeto de dosimetria, que é e deveria ser tratada como uma prerrogativa do Parlamento, à apreciação da Justiça. Ou seja: como falar em independência entre os poderes se os próprios parlamentares governistas, sempre que são derrotados em alguma matéria, correm para se proteger atrás da primeira toga que encontram pela frente?

    O problema é que, se depender da vontade de alguns apoiadores do governo, a “judicialização” não se resumirá ao projeto da dosimetria. O chefe do grupo de advogados conhecido como “Prerrogativas”, Marco Aurélio de Carvalho, por exemplo, defendeu logo depois da divulgação da rejeição de Messias que se tentasse resolver o caso na Justiça. Próximo a Lula, Carvalho propôs que o governo recorra ao STF e peça a anulação da sessão que rejeitou o nome do indicado do presidente. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles na manhã de quinta-feira passada (30).

    Caso o “Prerrogativas”, que se apresenta como defensor do Estado Democrático de Direito, leve adiante essa ideia estapafúrdia; caso a Procuradoria-Geral da República aceite a denúncia; caso o STF concorde em apreciar a matéria e, no final, mande anular a sessão, o efeito será nefasto. Na hipótese de tudo isso acontecer e se o STF, eventualmente, anular a sessão, o Brasil estará, mais uma vez em sua história, mandando “às favas os escrúpulos democráticos” e mergulhando numa ditadura escancarada, como aconteceu em 1968.

    A história foi contada pelo ministro Jarbas Passarinho em suas memórias e merece ser repetida aqui. No dia 13 de dezembro de 1968, diante da resistência do vice-presidente Pedro Aleixo e de alguns ministros, Passarinho defendeu a decretação do AI-5 — o instrumento de exceção que eliminou os últimos vestígios de democracia que havia no país após o golpe militar de 1964. E sugeriu que o marechal Arthur da Costa e Silva, que ocupava a presidência, abrisse mão “de seus escrúpulos de consciência” e assinasse o documento.

    O AI-5, como se sabe, foi uma resposta radical a uma derrota do governo no Congresso. No dia 12 de dezembro de 1968, a Câmara se recusou, por 216 votos a 141, a autorizar o governo a processar o deputado Márcio Moreira Alves (MDB). Em um discurso desnecessário, o deputado havia sugerido que, nos bailes de debutantes, as moças recusassem os pedidos de dança dos cadetes do Exército, como era moda na época.

    A sugestão foi considerada ofensiva às Forças Armadas e o governo pediu à Câmara autorização formal para processar o parlamentar. Os deputados se recusaram. Em resposta, Costa e Silva fechou o Congresso, assinou o AI-5 e empurrou o país para as trevas. O que tem isso a ver com a ideia do Prerrogativas? Muito mais do que parece. Os tempos são outros, as circunstâncias são outras, mas a intenção é exatamente a mesma: passar por cima da decisão soberana do Parlamento e impor a própria vontade pelo grito ou pela força. Tomara que as instituições digam não e deixam essa proposta morrer por si mesma.

    (Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2026-05-03/um-jarro-se-quebrou.html)

    (1) https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2026-04-30/senadores-rejeitam-jorge-messias-ao-cargo-de-ministro-do-stf.html
    (2) https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2026-04-30/dosimetria–congresso-derruba-veto-e-reduz-penas-do-8-de-janeiro.html
    (3) https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2025-11-30/terceira-lei-de-newton.html

    O piNçador Matutildo, piNçou:
    “Um exemplo evidente dessa inabilidade é o líder do PT na Câmara, o deputado Pedro Uczai. Na saída do Plenário, assim que foi anunciada a derrubada dos vetos de Lula ao projeto da Dosimetria, ele se revelou um substituto à altura de seu antecessor, Lindbergh Farias (PT).”

    E o Bedelhildo, tascou:
    Já passou da hora de os eleitores catarinenses darem férias à ele!

  50. Miguel José Teixeira

    “Nas entrelinhas”

    “A rejeição da indicação de um indicado de Lula ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que foi fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação não explica tudo.”

    “O Senado, as derrotas de Lula e o fantasma da República Velha”
    (Luiz Carlos Azedo, em seu blog no Correio Braziliense, 03/05/26)

    A rejeição da indicação de um indicado de Lula ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que foi fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação não explica tudo

    A crise do florianismo, que pôs fim à chamada República da Espada, e a consolidação da República Oligárquica ajudam a iluminar, por contraste histórico, o momento atual da política brasileira. A dificuldade do marechal Floriano Peixoto em exercer plenamente sua autoridade sobre o sistema político — inclusive no que diz respeito à nomeação de ministros do Supremo Tribunal Federal —, não foi um acidente institucional, mas o sintoma de uma correlação de forças em mutação, na qual as oligarquias agrárias emergiam como poder decisivo em relação aos militares e outros setores da sociedade.

    Leia também: Derrotas põem governo a reboque do Congresso (*)

    Ao assumir a Presidência após a renúncia de Deodoro da Fonseca, Floriano governou sob estado de exceção permanente, enfrentando a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. Sua liderança, de caráter militar e centralizador, apoiava-se mais na força do que na mediação política. Isso enfraqueceu sua capacidade de construir uma base civil duradoura. Nesse contexto, houve o bloqueio às suas indicações para o Supremo. A Constituição de 1891 previa a participação do Senado na aprovação dos ministros, mas o que se observou foi a crescente capacidade de veto das oligarquias regionais, sobretudo aquelas ligadas à economia cafeeira paulista e às elites agrárias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

    A elite agrária, organizada em torno de interesses econômicos e redes clientelistas, impôs limites concretos à autoridade presidencial. Ao não conseguir emplacar ministros no Supremo, Floriano viu-se constrangido à lógica da negociação oligárquica. A eleição de Prudente de Moraes consolidou essa mudança. Primeiro presidente civil, Prudente representava a vitória do pacto entre as oligarquias regionais, que estruturariam a chamada “política dos governadores” e o sistema de alternância entre São Paulo e Minas — a “política do café com leite”.

    A República deixava de ser um projeto militar e passara a ser um arranjo oligárquico, baseado no controle do voto, no mandonismo local e na captura das instituições. Os fundamentos da República Velha estavam assentados também na mediação do Congresso como espaço de barganha entre elites e a subordinação do Executivo a essas correlações de força. O presidente continuava formalmente poderoso, mas sua autoridade dependia da capacidade de articular interesses dispersos, o que Floriano não sabia fazer.

    A crise de 1929 devastou a economia brasileira, baseada no café, ao derrubar os preços internacionais e as exportações para os Estados Unidos. Contribuiu para a Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha. Com forte apoio militar, Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda e governador do Rio do Grande do Sul, derrubou o governo Washinton Luiz e assumiu o poder.

    Correlação de forças

    A rejeição da indicação de um indicado do presidente da República ao Supremo não ocorria desde Floriano. A ideia de que é fruto de escolha errada e falta de capacidade de articulação até seria suficiente para explicar os 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção em relação ao wx-advogado-geral da União Jorge Messias. Mas o que ocorreu vai além da insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que havia sugerido o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para cargo. Lula preferiria que o senador mineiro fosse seu candidato a governador em Minas Gerais, porém, agora, não será nem uma coisa nem outra, até porque não quer.

    Leia ainda: Veto do Senado a Messias no STF põe Pacheco na berlinda (**)

    Na sequência, a derrubada pelo Congresso, sob comando de Alcolumbre, dos vetos presidenciais ao projeto de lei que diminui as penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, mostra que há algo mais profundo, assim como ocorreu com Floriano. Na Câmara dos Deputados, foram 318 votos contra o veto e 144 a favor, com cinco abstenções. No Senado, foram 49 votos pela rejeição do veto e 24 contra.

    Qualquer nome que seja indicado por Lula antes das eleições, sem acordo com o Centrão, também será derrubado. Se insistir, o presidente passará pelas agruras de Floriano, que teve cinco indicados barrados pelos senadores: o médico Cândido Barata Ribeiro, os generais Ewerton Quadros e Demóstenes Lobo e os advogados Innocêncio Galvão de Queiroz e Antônio Sève Navarro. Guardadas as proporções históricas, as duas votações revelam uma mudança de correlação de forças políticas do país.

    Qualquer iniciativa que não leve isso em conta estará fadada ao fracasso. O chamado “Centrão ampliado” cumpre, hoje, papel semelhante ao das oligarquias da Primeira República: não é uma força ideologicamente coesa, mas um bloco pragmático, orientado pela lógica da sobrevivência política e da maximização de recursos. Apoia o governo enquanto isso lhe for conveniente, mas não hesita em se alinhar à oposição quando a expectativa de poder se desloca. Esse deslocamento está em curso.

    O Congresso se move não apenas em função do Palácio do Planalto, mas das eleições de 2026. Há, contudo, uma diferença importante. Na República Velha, o poder oligárquico se exercia de forma relativamente estável, baseado em estruturas sociais rígidas e no controle do voto. No Brasil atual, a dinâmica é mais fluida, mediada por pesquisas de opinião, redes sociais e ciclos eleitorais mais curtos, além de uma derrama de emendas parlamentares impositivas. Ainda assim, o padrão se repete: a captura do sistema político por interesses regionais organizados, em detrimento de projetos nacionais mais amplos.

    Nas entrelinhas: todas as colunas no Blog do Azedo (***)

    (Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/o-senado-as-derrotas-de-lula-e-o-fantasma-da-republica-velha/)

    (*) https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/05/7411009-derrotas-poem-governo-a-reboque-do-congresso.html
    (**) https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/05/7410478-veto-do-senado-a-messias-no-stf-poe-pacheco-na-berlinda.html
    (***) https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/

  51. Miguel José Teixeira

    A farra com o dinheiro público! (2)

    “Deputado paga R$ 203 mil da cota parlamentar aos sobrinhos para alugar SUV de luxo”
    – Gastos descumprem regras da Câmara dos Deputados. Procurado pela coluna, deputado do Republicanos não respondeu.
    (Mateus Salomão, Coluna do Tácio Lorran, Metrópoles, 03/05/26)

    O deputado federal Wilson Santiago (*) (Republicanos-PB) gastou R$ 203 mil da cota parlamentar para alugar carros de uma empresa da família dele. O reembolso descumpre normas da Câmara dos Deputados, que pode até mesmo cobrar o dinheiro de volta.

    A Construtora e Locadora JMX, responsável pela emissão das notas fiscais, tem entre os sócios dois sobrinhos do parlamentar. Thiago e Thaísa Santiago são filhos de José Milton Santiago, irmão falecido de Wilson Santiago.

    O regramento da Câmara dos Deputados veda o reembolso de despesas relacionadas a qualquer empresa cujo proprietário é parente de parlamentar até o terceiro grau, o que inclui sobrinhos. Em contato com a reportagem, a Câmara reiterou a proibição.

    Conforme os documentos fiscais, o deputado alugou da empresa, em períodos distintos, um Tiggo 7, da Caoa Chery, e um Jeep Commander – uma SUV de luxo. A nota fiscal mais recente é de março deste ano e faz referência ao aluguel, por um mês, do Jeep Commander por R$ 12 mil.
    Parte dos documentos acompanha um recibo, que é assinado por Thiago Santiago, também conhecido como Thiago de Azulão, ou pela filha dele. O sobrinho do parlamentar é vereador na cidade de Uiraúna (PB), eleito também pelo Republicanos.

    Ao todo, a Câmara (**) reembolsou, via cota parlamentar, 22 notas fiscais entre maio de 2024 e março de 2026. Somados os valores, a Casa Legislativa restituiu o parlamentar em mais de R$ 203 mil pelo gasto.

    A cota parlamentar (***) é uma verba indenizatória disponível a cada parlamentar para custeio de despesas típicas do mandato. A quantia pode ser usada para reembolsar, por exemplo, despesas como aluguel de carro, combustível e alimentação.

    O que diz a Câmara dos Deputados

    Em nota, a Câmara dos Deputados ressaltou que é vedado o reembolso de despesas com bens ou serviços de empresas pertencentes a deputado ou parente até o terceiro grau ou a servidor da Câmara.

    “O parlamentar assume inteira responsabilidade pela nota fiscal que apresenta (art. 4º do Ato da Mesa 43/2009) e sua compatibilidade com as normas. Cabe à Câmara, no âmbito administrativo, verificar a regularidade fiscal e contábil da documentação comprobatória dos gastos (§10 do art. 4º do Ato da Mesa 43/2009)”, destacou.

    Segundo a Casa legislativa, em caso de identificação de eventual irregularidade no sistema de cotas, a Câmara suspende imediatamente o reembolso. “Se o valor já tiver sido restituído ao parlamentar, a instituição solicita formalmente a devolução”, destacou.

    “Os gastos realizados com a cota estão abertos à fiscalização dos cidadãos, da imprensa e dos órgãos públicos no Portal da Câmara, seja nas páginas individuais dos deputados, seja na área de transparência do portal”, ressaltou a Câmara dos Deputados.

    A coluna procurou o parlamentar, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/deputado-paga-r-203-mil-da-cota-aos-sobrinhos-para-alugar-suv-de-luxo)

    (*) https://www.camara.leg.br/deputados/74044/biografia
    (**) https://www.camara.leg.br/
    (***) https://www.metropoles.com/brasil/camara-dos-deputados-reajusta-verba-de-gabinete-e-cota-parlamentar

  52. Miguel José Teixeira

    A farra com o dinheiro público!

    “Emenda da esposa bancou mansão de candidato líder ao governo do Pará”
    – Emendas da deputada federal Dra. Alessandra Haber, do Pará, abasteceram empresas que pagaram casa dela e do marido em Fortim (CE).
    (Andre Shalders e Andreza Matais em sua coluna no Metrópoles, 02/05/26)

    Emendas parlamentares destinadas pela deputada federal Dra. Alessandra Haber (MDB-PA) acabaram abastecendo empreiteiras que ajudaram a pagar uma casa de praia de luxo da congressista em Fortim (CE), a duas horas de carro de Fortaleza.

    Alessandra Haber é casada com o ex-prefeito de Ananindeua (PA), Dr. Daniel Santos (Podemos). No começo de abril, Santos renunciou ao cargo de prefeito para concorrer ao governo do estado do Pará — ele é o atual líder das pesquisas (*).

    A casa de praia foi adquirida por Daniel e Alessandra já pronta, mobiliada e com todos os eletroeletrônicos, em outubro de 2024.

    Mas nem o ex-prefeito nem a deputada federal pagaram qualquer parcela do imóvel: todos os pagamentos foram feitos por terceiros — tanto pessoas físicas quanto empresas, algumas das quais tinham contrato com a prefeitura de Ananindeua, então comandada por Daniel.

    Essa informação foi repassada pela incorporadora que construiu a casa ao Ministério Público do Pará (MP-PA), que deu início à investigação do caso.

    As emendas de Alessandra Haber foram enviadas para a prefeitura de Ananindeua em 2024, já no mandato do marido dela. Uma delas, uma “emenda pix” no valor total de R$ 17,5 milhões, teve parte dos recursos usada para pagar uma operação tapa-buracos (descrita como obra de “drenagem e recomposição asfáltica”) nas ruas de Ananindeua.

    A obra foi executada pela Construtora Santa Cruz, sediada no município.

    No dia 20 de dezembro de 2024, a prefeitura de Ananindeua pagou à Construtora Santa Cruz a maior parte do valor da obra (R$ 2,99 milhões). No mesmo dia, a empreiteira fez um depósito de R$ 500 mil para a incorporadora que vendeu a casa de luxo ao prefeito e à deputada federal.

    Emendas parlamentares são modificações feitas por deputados e senadores à Lei Orçamentária Anual (LOA). Por meio delas, os congressistas destinam parte do Orçamento da União para obras ou serviços nos locais onde têm votos.

    Este não é o único caso de emenda parlamentar de Alessandra Haber que acabou custeando a casa de praia da deputada.

    Recursos de emendas dela também custearam uma obra de asfaltamento em Ananindeua, em 2024, executada pela empreiteira Norte Ambiental Gestão e Serviços LTDA. Nesse caso, o pagamento da prefeitura à empreiteira ocorreu em 11 de outubro de 2024.

    Três dias depois, em 14 de outubro, um funcionário da empresa fez uma transferência bancária de R$ 200 mil em favor da incorporadora que vendeu a casa de praia ao ex-prefeito e à deputada.

    Apesar do valor elevado, a casa de Dra. Alessandra e Dr. Daniel foi quitada em tempo recorde: apenas cinco meses, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025.

    A coluna não conseguiu contato com a prefeitura de Ananindeua nem com as empresas. O espaço segue aberto.

    A coluna procurou Alessandra Haber por mensagem de texto na tarde desta sexta-feira (1º/5), mas ainda não houve resposta.

    Fornecedoras da prefeitura do Pará na “vaquinha”

    Além da Norte Ambiental e da Construtora Santa Cruz, outras empresas fornecedoras da prefeitura de Ananindeua também entraram na “vaquinha” para ajudar a pagar a casa de praia do prefeito.

    A Neo BRS, por exemplo, fornece materiais escolares para a Secretaria de Educação da prefeitura. Em setembro e outubro, vendeu R$ 1,4 milhão em cadernos, canetas, tesouras e outros itens ao município.

    No dia seguinte ao recebimento de um pagamento da secretaria, em 2 de outubro de 2024, a Neo pagou R$ 866 mil pela casa do prefeito.

    Outra fornecedora da Secretaria de Educação, a Ferreira Comercial, transferiu R$ 521 mil para a “vaquinha” da casa de praia no mesmo dia em que recebeu um pagamento da prefeitura de Ananindeua, também em outubro de 2024.

    Parte da investigação sobre o caso chegou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa do ex-prefeito Daniel Santos pedia a nulidade da apuração, alegando erros por parte do Ministério Público do Pará.

    No entanto, no dia 13 de março o ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido do MP-PA e determinou que o caso continue tramitando na Justiça paraense (**).

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/emenda-da-esposa-deputada-bancou-mansao-de-lider-para-governo-do-para)

    (*) https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/emenda-da-esposa-deputada-bancou-mansao-de-lider-para-governo-do-para
    (**) https://www2.mppa.mp.br/noticias/investigacoes-relacionadas-ao-prefeito-de-ananindeua-voltam-a-tramitar-na-justica-estadual.htm

  53. Miguel José Teixeira

    “A folha corrida de um senador capaz de agredir quem cuida dele”
    – O uso do peso do cargo é a definição mais pura de covardia política.
    (Ricardo Noblat em seu blog no Metrópoles, 03/05/26)

    O novo capítulo da biografia do senador Magno Malta (PL-ES), com a acusação de agressão a uma profissional de saúde no hospital DF Star, em Brasília, não é apenas um “incidente isolado”, mas o retrato fiel de uma trajetória marcada pelo excesso e pela controvérsia.

    Para quem construiu a carreira sobre o pilar da “moral e dos bons costumes”, o senador parece ter uma dificuldade crônica em praticar a mansidão que prega nos altares para enganar os trouxas.

    A denúncia é grave: um tapa no rosto e xingamentos de “imunda” contra uma técnica de enfermagem que apenas tentava realizar um procedimento médico, aplicando-lhe uma injeção. Enquanto Malta se defende falando em “falha técnica” e “guerra espiritual”, a realidade do “chão de fábrica” da saúde brasileira — onde profissionais já trabalham sob pressão extrema — ganha um contorno de crueldade quando o agressor é alguém que detém o poder de um mandato.

    A folha corrida do senador não o ajuda a ter o benefício da dúvida. Olhar para o passado de Malta é mergulhar em um arquivo de episódios que desbotam qualquer aura de santidade. É impossível esquecer a história de Luiz Alves de Lima, ex-cobrador de ônibus em Vitória, que foi preso e torturado após ser acusado injustamente de pedofilia por Malta. O homem perdeu a visão, a guarda da filha e amargou nove meses de vida em um cárcere pavoroso. Restou-lhe pedir uma indenização ao Estado.

    O senador também já teve seu nome envolvido no escândalo da “Máfia das Sanguessugas”, no qual foi acusado de receber propina para liberar verbas de ambulâncias — um caso que, embora não tenha terminado em condenação, colou nele o rótulo da velha política que ele diz combater.

    Por atos e palavras, não raras vezes Malta se comporta como um sacripanta. No dia 21 de maio de 2023, o jogador brasileiro Vinícius Júnior foi chamado de “macaco” por torcedores do Valência, na Espanha. Dois dias depois, em discurso no Senado, Malta satirizou o ocorrido ao perguntar: “Cadê os defensores da causa animal que não defendem o macaco?”.

    A agressão no DF Star, se confirmada pelas câmeras que o próprio senador agora diz querer ver, é a cereja amarga de um bolo que o Brasil já está cansado de comer. Um parlamentar que usa o peso do cargo para humilhar quem está ali para cuidar dele é a definição mais pura de covardia política.

    Se houver um pingo de justiça no Senado, Magno Malta deveria responder não aos fiéis que ouvem suas pregações, mas ao Conselho de Ética por quebra de decoro. Afinal, imunidade parlamentar não é licença para distribuir tapas.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/ricardo-noblat/a-folha-corrida-de-um-senador-capaz-de-agredir-quem-cuida-dele)

  54. Miguel José Teixeira

    “Zona excelente”

    Disputando o governo do Paraná com Jayme Lerner, em 1994, Álvaro Dias resolveu apresentar algumas propostas que considerava inovadoras, como a criação de certas “zonas de excelência industriais”.
    Dias chegou em Realeza e, claro, prometeu a plenos pulmões, em discurso, que levaria ao município uma “zona de excelência”.
    O prefeito o interrompeu, preocupado:
    -“⁠O senhor explique melhor essa história porque vai ter gente achando que ‘zona de excelência’ é bordel com cama redonda e espelho no teto….”.

    (Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 03/05/26)

  55. Miguel José Teixeira

    Coluna CH, 28 anos

    A Coluna Cláudio Humberto completa 28 anos neste domingo (3). Até hoje, são 10.227 edições ininterruptas desde 1998, passando por 14 eleições (gerais e municipais), oito legislaturas e cinco presidentes.

    (Coluna CH, DP, 03/05/26)

  56. Miguel José Teixeira

    “Gigante come gigante”
    – A Warner lançou Humphrey Bogart, Doris Daym, James Dean. Agora eles pertencem à Paramount.
    – A um custo de US$ 111 bilhões, a Paramount ditará o que bilhões terão de pagar para assistir.
    (Ruy Castro, FSP, 02/05/26)

    Depois de meses de negociações, uma das marcas gigantes do show business aceitou ser engolida por outra —de histórico nem de longe comparável, mas mais hábil em controlar receitas e despesas. Ao se fundir com a Paramount (1), a Warner (2) entregou sua dívida de US$ 30 bilhões, suas propriedades (CNN, TNT, HBO Max, Discovery Chanel) e tudo que a Warner Bros., fundada em 1920, representou para o cinema. A Paramount, um estúdio médio no apogeu de Hollywood se comparado à MGM e à própria Warner, já detinha forças consideráveis: a CBS, a MTV, a editora Simon & Schuster. Agora, a um custo total de US$ 111 bilhões (3), ditará o que bilhões de telespectadores terão de pagar para assistir.

    Com isso, a Paramount se apodera também do patrimônio inestimável que a Warner Bros. (4) deu ao século 20: o cinema sonoro, os filmes de gângsteres, os musicais de Busby Berkeley, uma superlinha de desenhos animados, os melhores capa-e-espada, os mais ásperos filmes de guerra, os filmes noir e muito mais. Foi a Warner que descobriu e lançou Humphrey Bogart, James Cagney, Bette Davis, Barbara Stanwyck, Errol Flynn, Lauren Bacall, Doris Day, Marlon Brando e James Dean.

    Da Warner saíram “O Inimigo Público” (1931), “Rua 42” (1933), “Capitão Blood” (1935), “Jezebel” (1938), “Relíquia Macabra” (1941), “Casablanca” (1942), “O Tesouro de Sierra Madre” (1948), “Fúria Sanguinária” (1949), “O Pirata Sangrento” (1950), “Uma Rua Chamada Pecado” (1951), “Assim Estava Escrito” (1952), “Sindicato de Ladrões” (1954), “Nasce uma Estrela” (1954), “Juventude Transviada” (1955), “Rastros de Ódio” (1956), “My Fair Lady” (1964). Entre uma e outra dessas obras-primas, seu catálogo de filmes “menores” nos fazia ir ao cinema pelo menos uma vez por semana o ano inteiro.

    A Paramount também tem um belo passado, mas não pega nem aspirante. Foi dominada durante décadas pelo espírito bíblico-orgiástico de Cecil B. DeMille, um de seus fundadores.

    Hoje, não faz mais diferença. A telinha de 3 polegadas do celular (5) reduz tudo a pouco mais do que nada.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/05/gigante-come-gigante.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/paramount/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/warner/
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/warner-anuncia-que-acionistas-aprovaram-venda-para-paramount-por-us-110-bi.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/04/ceo-da-paramount-defende-fusao-com-warner-e-promete-30-filmes-ao-ano-no-cinema.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/empresas-nos-eua-mandam-funcionarios-guardarem-celular-em-bolsas-lacradas-durante-trabalho.shtml

  57. Miguel José Teixeira

    “Governo agoniza, mas não morre”
    – Lula dança na corda bamba, mas ainda tem tempo para despertar da ilusão de que seja o fortão de outrora.
    – O problema do presidente talvez não seja perder a eleição, mas ganhar sem força para governar mais quatro anos.
    (Dora Kramer, FSP, 02/05/26)

    A derrubada de uma indicação do presidente da República ao Supremo Tribunal Federal é ato que reforça e anima a oposição. Mas daí a dizer que isso sela destino de infortúnio para Luiz Inácio da Silva (PT) na eleição, há uma distância de efeitos a serem medidos pelas circunstâncias.

    A batida metáfora das nuvens na política poucas vezes foi tão verdadeira como na quadra atual. Lula tem histórico de subidas e descidas, numa oscilação da qual tem mostrado capacidade de se safar com êxito.

    Conviria à oposição considerar que ainda há léguas a percorrer antes de se acomodar junto aos louros da vitória presumida. O presidente desce mais alguns degraus no controle do Congresso, mas o governo não acabou pelo simples fato de que está aí, na posse de poderosos instrumentos.

    A questão é se saberá ou se poderá usá-los sem ultrapassar limites legais que o levem a se complicar mais. Lula tem tempo e espaço para despertar da ilusão de que seja o fortão do bairro Peixoto de outrora, mas talvez ainda possa contar com a condição de sortudo que o fez escapar de escaramuças como o mensalão e a condenação na Lava Jato.

    Assim como o Nestor de “Antonico”, o presidente se encontra em grandes dificuldades; está mesmo “dançando na corda bamba”, como na composição de Ismael Silva. Mas não está com o jogo perdido devido às recentes derrotas no Congresso.

    Uma vaga no segundo turno está garantida para candidato governista, seja Lula ou eventual substituto, como se especula, sem levar em conta que ele não é homem de desistir; até agora sempre preferiu a dinâmica da fuga para a frente.

    Desta vez, ao insistir em enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP) e companhia no Senado e no Supremo, errou no cálculo. O campo do equívoco, contudo, não é de uso exclusivo do presidente. Seus adversários também transitam por esse terreno, conforme demonstrado pelos desacertos da campanha de Flávio Bolsonaro (PL).

    Problema real de Lula nem é perder; é ganhar sem força para governar por mais quatro anos.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/05/governo-agoniza-mas-nao-morre.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

  58. Miguel José Teixeira

    EDITORIAL DO PODER360

    “Judiciário amplia poder e pressiona liberdade de expressão”
    – Decisões do STF e novo ativismo elevam riscos ao jornalismo e tensionam garantias constitucionais da prática profissional.

    De protetor da liberdade de imprensa no Brasil, o Judiciário vem se convertendo, em alguns casos, em fonte de preocupação. O movimento não é uniforme nem absoluto. Mas é perceptível e crescente.

    A democracia brasileira, ainda jovem, consolidou avanços importantes desde a Constituição de 1988 (1). A censura prévia institucionalizada em parte do período da ditadura militar (1964-1985), uma aberração, foi afastada pela Constituição. O debate público tornou-se mais amplo. O jornalismo profissional passou a operar, na maior parte do tempo, com garantias formais asseguradas.

    Esses avanços, no entanto, nunca foram lineares. Pressões judiciais contra jornalistas e veículos sempre existiram, sobretudo em instâncias inferiores. Ações por danos morais e pedidos de retirada de conteúdo são instrumentos recorrentes de contenção da informação.

    A novidade recente está no protagonismo das Cortes superiores –em especial do Supremo Tribunal Federal (2). Decisões que antes se concentravam em níveis locais passaram a emanar do topo do Judiciário, com efeitos mais amplos e duradouros.

    O marco dessa inflexão foi a abertura do chamado inquérito das fake news (3) (inquérito 4781) (4), em 2019. Determinado pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, e conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, o procedimento rompeu com práticas tradicionais do sistema acusatório.

    O desenho institucional do inquérito foi alvo de críticas desde o princípio. Dentro do STF foi nomeado como relator dessa investigação o ministro Alexandre de Moraes. Ele é responsável por investigar, montar as acusações e, no fim, julgar os investigados.

    Logo nas primeiras semanas, Moraes decretou bloqueio de contas nas redes sociais e mandados de busca e apreensão para uma série de pessoas acusadas de propagar o que o magistrado considerava discurso de ódio contra o Supremo.

    O episódio envolvendo a revista Crusoé e o site O Antagonista, em abril de 2019 (5), foi marcante. Uma reportagem divulgada conjuntamente por essas duas publicações identificava o ministro Dias Toffoli como a pessoa chamada de “amigo do amigo de meu pai” por Marcelo Odebrecht. Era uma informação oficial dentro da investigação da Lava Jato. Não havia nada inventado no relato. Ainda assim, Alexandre de Moraes mandou retirar a reportagem do ar – liberada só 3 dias depois (6). Esta foi uma das primeiras intervenções diretas a veículos de comunicação no inquérito.

    O inquérito das fake news consolidou a atuação mais proativa do Judiciário em temas relacionados à informação, à expressão e ao debate público. Medidas como bloqueios de perfis, remoção de conteúdos e buscas contra comunicadores passaram a integrar o repertório institucional.

    A justificativa é conhecida: combater a desinformação, proteger as instituições e preservar a ordem democrática. O problema reside na elasticidade desses conceitos. Termos vagos permitem interpretações difusas. Por consequência, as decisões também são de amplo espectro, com o Supremo se convertendo numa espécie de delegaacia da verdade.

    Esse cenário ganhou força durante as eleições de 2022, quando o Tribunal Superior Eleitoral (7) adotou medidas excepcionais para conter o que chamou de “desordem informacional” (8), um conceito controverso e que não pertence a nenhum diploma legal. Criaram-se instrumentos para ampliar o poder de intervenção direta sobre conteúdos, sem necessidade de provocação externa.

    No campo jurídico, decisões recentes também redefiniram parâmetros. O entendimento de que veículos podem ser responsabilizados por falas de entrevistados (9) – ajustado posteriormente– introduziu um elemento adicional de risco à atividade jornalística.

    Casos mais recentes, envolvendo medidas invasivas contra jornalistas e restrições a entrevistas, reforçam a percepção de mudança. Ainda que pontuais, esses episódios produzem efeito cumulativo.

    O resultado é um ambiente mais incerto. A possibilidade de sanções, apreensões ou remoções tende a estimular a autocensura. Profissionais e empresas passam a evitar temas sensíveis ou figuras poderosas, reduzindo o alcance do escrutínio público.

    Há também um efeito institucional. Quando decisões dessa natureza partem das mais altas Cortes, criam precedentes. Juízes de instâncias inferiores se sentem respaldados para adotar medidas semelhantes.

    O STF construiu, ao longo das últimas décadas, uma imagem de guardião das liberdades constitucionais. Julgamentos relevantes reforçaram a vedação à censura e a centralidade da liberdade de expressão.

    Essa posição, no entanto, vem sendo tensionada. A expansão de competências e a atuação direta em áreas sensíveis configuram um processo de hipertrofia institucional. O Tribunal amplia seu alcance ao mesmo tempo em que redefine limites.

    O risco é evidente. Liberdade de imprensa não se perde só com proibições explícitas. Ela também se deteriora em ambientes de insegurança jurídica e pressão indireta.

    A Constituição de 1988 estabeleceu um equilíbrio claro: ampla liberdade de expressão, com responsabilização posterior. Alterar essa lógica, ainda que com boas intenções, produz efeitos colaterais.

    O desafio do Judiciário é conter excessos sem comprometer garantias. Ao ultrapassar essa linha, o Tribunal deixa de ser só árbitro e passa a atuar como parte interessada na regulação do debate público.

    No fim, a consequência é coletiva. Uma imprensa mais limitada significa menos informação, menos transparência e menos controle sobre o poder. E esse efeito não se aplica apenas ao meio jornalístico. Centenas de milhares de brasileiros que desejam escrever seus pensamentos em seus perfis nas redes sociais agora precisam pensar com muito cuidado antes de expressar qualquer opinião.

    É necessário ter em mente que preservar a liberdade de expressão não é uma concessão. É um requisito básico de qualquer democracia funcional. O próprio Judiciário depende disso para manter sua legitimidade.

    MAIS RISCOS, MENOS LIBERDADES

    O STF, como Corte garantidora da Constituição, tem papel fundamental no reforço dos princípios de liberdade de imprensa no país. Em diversos julgamentos, agiu para garantir a proibição da censura, a responsabilização posterior pelos conteúdos publicados, a prevalência do interesse público, o direito à crítica e o sigilo da fonte como fundamental para o exercício do jornalismo.

    Alguns julgamentos foram essenciais nesses temas, como o de 2009, em que o Tribunal concluiu (10) que a Lei de Imprensa, de 1967 (11), era incompatível com a atual Constituição Federal. Em 2018, o Supremo declarou inconstitucional a ingerência estatal sobre conteúdos veiculados por meios de comunicação.

    Em 2015, o STF decidiu (PDF – 3 MB) (12) que não é necessária autorização prévia para a publicação de biografias e com isso consolidou a proibição à censura privada no país. Ficou famosa nesse julgamento a manifestação da ministra Cármen Lúcia em defesa da liberdade de expressão ao dizer que o “cala boca já morreu”.

    É importante, neste momento em que o Supremo às vezes dá alguns sinais ambíguos, ressaltar que a Corte teve papel fundamental na consolidação da liberdade de imprensa e de expressão no Brasil, como mostram os 2 infográficos a seguir:
    (Ver no link da matéria abaixo replicado)

    Reconhecido o papel do STF, é necessário também dizer o que se passa. Em geral, os jornalistas e empresas de jornalismo desfrutam de liberdade e condições políticas e sociais para trabalhar sem restrições. Só que passam a existir casos que contrariaram as garantias constitucionais.

    Só no mês de março de 2026 foram registrados 2 casos. Um deles envolvendo uma reportagem do Poder360. Por decisão liminar (provisória) (13) da Justiça da Bahia, este jornal digital teve de apagar o nome e a imagem de uma delegada que aceitou investigar uma suspeita de violência doméstica (14) em petição apresentada por um advogado que ela mesma contratou para defendê-la em outro caso.

    A decisão da juíza Renata Mirtes Benzano de Cerqueira foi expedida depois de uma série de iniciativas para constranger o Poder a alterar ou retirar do ar conteúdos jornalísticos sobre o caso. Houve uma notificação extrajudicial do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado da Bahia e uma tentativa da Polícia Federal de obter dados que poderiam levar à quebra do sigilo da fonte, outra garantia constitucional que ficou ameaçada.

    A decisão causou manifestação de repúdio por parte de associações de jornalistas (15) e por congressistas e políticos (16). O Poder360 recorreu ao STF (17), onde o caso ainda não havia sido julgado até o final de abril de 2026, quando este editorial foi publicado.

    Outro caso relevante foi registrado no Maranhão. O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo Blog do Luís Pablo (18), teve celular e notebook (19) apreendidos depois de publicar reportagens sobre o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino, em São Luís.

    A operação foi realizada por determinação do ministro Alexandre de Moraes para apurar se as publicações divulgaram informações sensíveis sobre a segurança do ministro e se houve monitoramento irregular de sua rotina de proteção. Leia mais sobre esse caso (20).

    O episódio do Maranhão é notável por mobilizar um ministro do STF para aplicar uma medida invasiva contra um jornalista que publicou informações verdadeiras que apontam um possível uso indevido do patrimônio público por familiares de outro ministro. É inevitável enxergar certo espírito corporativista na ação.

    Em 2023, em uma decisão de grande impacto sobre o jornalismo, os ministros do STF decidiram que os jornais poderiam ser responsabilizados (21) por declarações de entrevistados que contivessem informação falsa ou incorreta, incluindo em entrevistas realizadas e transmitidas ao vivo. O caso foi tema de editorial (22) do Poder360 em novembro de 2023.

    Depois de recurso da Abraji (23) (Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos) e do jornal Diário de Pernambuco, o tema foi revisto e uma nova tese foi fixada (24): os veículos só serão responsabilizados se for comprovada má-fé da empresa ao não verificar a informação do entrevistado e caso não seja dado o direito de resposta de maneira proporcional (mesmo espaço e destaque).

    Mais recentemente, em julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes proibiu Felipe Martins (25), ex-assessor especial de Jair Bolsonaro (PL), de dar entrevista ao Poder360. O magistrado alega “risco de tumulto processual”, exatamente com essas palavras, sem detalhar qual seria esse risco.

    Leia outros casos de decisões que representam riscos à liberdade de expressão e de imprensa:
    (Ver no link da matéria abaixo replicado)

    LIMITE PARA O JORNALISMO

    Decisões como as citadas neste texto abrem precedentes. Depois de decantadas as paixões do momento, o que sobrará é um cenário de atuação mais limitado e com mais riscos para a prática do jornalismo profissional.

    Quem perde com isso não são só os jornalistas e empresas de comunicação. Perde toda a sociedade, que terá menos informação de qualidade circulando e menos escrutínio sobre seus governantes e poderosos.

    Ao mesmo tempo, a percepção de que as decisões são tomadas privilegiando a proteção dos pares e o corporativismo naturalizam um comportamento que contraria em princípio o interesse público e a integridade das instituições. Não é coincidência que a avaliação negativa do STF pela população esteja batendo recordes. (26)
    (Ver no link da matéria abaixo replicado)

    Instituições desacreditadas e imprensa limitada formam um cenário que dilapida os pilares da Constituição. Ministros e juízes precisam se dar conta disso.

    É mais difícil enxergar o Judiciário como guardião da Constituição e de seus princípios, como a liberdade de imprensa e de expressão, quando ele os coloca tão frequentemente em risco.

    (Fonte: https://www.poder360.com.br/editorial-do-poder360/judiciario-amplia-poder-e-pressiona-liberdade-de-expressao/)

    (1) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
    (2) https://portal.stf.jus.br/

    (3) “Entenda o que é o inquérito das fake news, aberto em 2019”
    – Investigação foi criada de ofício pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli, que apontou como relator Alexandre de Moraes; centenas de pessoas já foram indiciadas e não há prazo para conclusão.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/entenda-o-que-e-o-inquerito-das-fake-news-aberto-em-2019/

    (4) https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/mandado27maio.pdf

    (5) “Ministro do STF determina retirada de reportagem em que Odebrecht cita Toffoli”
    – ‘Claro abuso no conteúdo’, diz decisão.
    – Declarou que se trata de ‘fake news’.
    – Revista rebate: ‘absolutamente verídica’.
    +em: https://www.poder360.com.br/justica/ministro-do-stf-determina-retirada-de-reportagem-em-que-odebrecht-cita-toffoli/

    (6) “Alexandre de Moraes revoga censura a sites”
    – Ministro do Supremo recuou de decisão.
    – Havia determinado retirada de textos do ar.
    +em: https://www.poder360.com.br/justica/alexandre-de-moraes-revoga-censura-a-sites/

    (7) https://www.tse.jus.br/

    (8) “Conheça o conceito de “desordem informacional” popularizado por Lewandowski”
    – Termo se refere a fatos que não são falsos, mas que podem desinformar, a depender de como são apresentados. De acordo com essa teoria, a Justiça deve censurar.
    +em: https://www.poder360.com.br/justica/conheca-o-conceito-de-desordem-informacional-popularizado-por-lewandowski/

    (9) “Jornal será culpado por falas de entrevistado se houver má-fé, define STF”
    – Corte ajusta tese sobre o Tema 995 com novos critérios para responsabilizar veículos por declarações de entrevistados, que incluem a ausência de direito de resposta e a não remoção de conteúdo falso.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/jornal-sera-culpado-por-falas-de-entrevistado-se-houver-ma-fe-define-stf/

    (10) https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=12837

    (11) https://static.poder360.com.br/2026/04/lei-5250-1967-liberdade-imprensa.pdf?_gl=1*15c4z8k*_ga*NjMyMTU2OTY4LjE3NzUyMjgyNDA.*_ga_HGJJJTZ4BN*czE3Nzc2NDY1MDkkbzE2JGcxJHQxNzc3NjQ4NjAwJGo2MCRsMCRoMA..

    (12) https://static.poder360.com.br/2026/04/adi-4815-censura-biografia-stf.pdf?_gl=1*1t6swe0*_ga*NjMyMTU2OTY4LjE3NzUyMjgyNDA.*_ga_HGJJJTZ4BN*czE3Nzc2NDY1MDkkbzE2JGcxJHQxNzc3NjQ4NjE2JGo0NCRsMCRoMA..

    (13) “Justiça da Bahia censura reportagem do Poder360”
    – Decisão determinou retirada de nome e foto de delegada que atuou num caso com possível conflito de interesses; antes, Polícia Federal já havia tentado quebrar o sigilo da fonte deste jornal digital.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-midia/justica-da-bahia-censura-reportagem-do-poder360/

    (14) “Delegada da Bahia investiga caso em que seu advogado é parte”
    – Profissional –cujo nome e imagem foram removidos por decisão liminar da Justiça da Bahia sem que o Poder360 fosse ouvido– não se declarou suspeita em queixa feita por seu defensor.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/delegada-da-bahia-investiga-caso-em-que-seu-advogado-e-parte/

    (15) “Abraji e ANJ repudiam censura ao Poder360”
    – Associações nacionais de jornalismo criticam decisão da Justiça da Bahia que ordenou retirada de informações divulgadas em reportagem deste jornal digital.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-midia/abraji-e-anj-repudiam-censura-ao-poder360/

    (16) “Congressistas e políticos repudiam censura ao Poder360”
    – Decisão da Justiça da Bahia determinou a retirada de nome e foto de delegada que atuou em caso com possível conflito de interesses de reportagem; antes da decisão, Polícia Federal já havia tentado quebrar o sigilo da fonte deste jornal digital.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-midia/congressistas-e-politicos-repudiam-censura-ao-poder360/

    (17) “Poder360 recorre ao STF contra censura judicial”
    – Decisão da Justiça da Bahia determinou retirada de nome e foto de delegada que atuou em caso com possível conflito de interesses; antes da decisão, Polícia Federal já havia tentado quebrar o sigilo da fonte deste jornal digital.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-midia/poder360-recorre-ao-stf-contra-censura-judicial/

    (18) “https://luispablo.com.br/

    (19) “Moraes autoriza busca contra jornalista que escreveu sobre Dino”
    – Luís Pablo Conceição Almeida teve celulares e computadores apreendidos pela PF depois de ter publicado reportagem sobre a utilização de um veículo funcional do TJ-MA por Flávio Dino e seus parentes no Maranhão.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/moraes-autoriza-busca-contra-jornalista-que-escreveu-sobre-dino/

    (20) “Caso Dino: reportagem sobre carro do TJ-MA levou a investigação no STF”
    – Jornalista apontou uso de carro oficial por familiares do ministro; Moraes determinou busca e apreensão, criticada por entidades de imprensa.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/caso-dino-reportagem-sobre-carro-do-tj-ma-levou-a-investigacao-no-stf/

    (21) “STF diz que jornais são responsáveis por declarações de entrevistados”
    – Veículos jornalísticos de qualquer natureza, impressos ou digitais, podem ser condenados por entrevistas com algum indício de informação errada ou falsa.
    +em: https://www.poder360.com.br/justica/stf-decide-que-jornal-podera-ser-responsabilizado-por-entrevista/

    (22) “Supremo exuberante e jornalismo vulnerável”
    – Decisão do STF sobre responsabilizar jornais por declarações de entrevistados é nociva para a liberdade de imprensa; leia a opinião do “Poder360”.
    +em: https://www.poder360.com.br/editorial-do-poder360/supremo-exuberante-e-jornalismo-vulneravel/

    (23) https://www.abraji.org.br/

    (24) “Jornal será culpado por falas de entrevistado se houver má-fé, define STF”
    – Corte ajusta tese sobre o Tema 995 com novos critérios para responsabilizar veículos por declarações de entrevistados, que incluem a ausência de direito de resposta e a não remoção de conteúdo falso.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/jornal-sera-culpado-por-falas-de-entrevistado-se-houver-ma-fe-define-stf/

    (25) “Moraes proíbe Filipe Martins de dar entrevista ao Poder360”
    – Ministro do STF diz ter tomado decisão “a fim de evitar o risco de tumulto neste momento processual”; outros réus no mesmo processo, como Jair Bolsonaro, falam com frequência a veículos de mídia.
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/moraes-proibe-filipe-martins-de-dar-entrevista-ao-poder360/

    (26) “Com tensão entre Poderes, avaliação negativa do STF bate recorde”
    – PoderData mostra que 52% acham que o trabalho dos ministros é “ruim” ou “péssimo”, a maior taxa desde 2021; só 9% dizem ser “bom” ou “ótimo”.
    +em: https://www.poder360.com.br/poderdata/com-tensao-entre-poderes-avaliacao-negativa-do-stf-bate-recorde/

  59. Miguel José Teixeira

    Gabola, sim!
    Tolo, não!

    “Lula falta a atos de 1º de Maio pelo 2º ano seguido para evitar vexame”
    – Após derrota de Jorge Messias no Senado, presidente poupa sua imagem e repete estratégia que adotou quando as fraudes no INSS vieram à tona.
    (Lara Brito, Poder360, 01/05/26)

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não comparecerá às manifestações do Dia do Trabalhador nesta 6ª feira (1º.mai.2026). Na mesma semana em que o governo sofreu a derrota de Jorge Messias no Senado, o petista repete a ausência registrada em 2025, quando também evitou os atos públicos depois de desgastes políticos.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-falta-a-atos-de-1o-de-maio-pelo-2o-ano-seguido-para-evitar-vexame/

  60. Miguel José Teixeira

    “Crusoé: Rejeição histórica”
    – Senado antecipa fim do governo ao recusar Messias, indicado de Lula para o STF. E mais: O emblema da verdade.
    (Redação O Antagonista, 01/05/26)

    Antes da noite da última quarta-feira, 29 de abril, as indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF) seguiam o mesmo roteiro: o governo de plantão demorava alguns dias ou semanas para enviar o nome ao Senado. Depois, o indicado era alvo de uma sabatina protocolar na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). Havia algum mistério sobre o placar, mas, ao final, o governo federal conseguia impor a sua vontade, e o amigo do Planalto assumia sua cadeira no Tribunal.

    As aprovações seguiram o rumo, mesmo com indicados controversos, como um advogado pessoal do presidente da República, Cristiano Zanin, e políticos ultrafiéis, como o ex-governador do Maranhão Flávio Dino.

    Mas, na noite da última quarta, a história mudou. E a esperança de parte do Senado é que tenha sido para sempre.

    Pela primeira vez em mais de 130 anos, uma indicação ao Supremo Tribunal Federal foi barrada pelo Senado. A vítima? Jorge Messias. O ‘Bessias’, atual advogado-geral da União. Desde a Constituição de 1988, nenhuma indicação de ministro do STF feita pelo presidente da República havia sido recuada pelos parlamentares.

    Lula sabia que corria risco com a indicação de Jorge Messias. Mas imaginou que conseguiria, com a força da máquina pública, impor a sua vontade, diz Wilson Lima em “Rejeição histórica” (1), a matéria de capa de Crusoé.

    Também nesta edição histórica de Crusoé, que completa oito anos (2) neste mês, Rodolfo Borges conta na matéria “O emblema da verdade” (3) que o STF se afunda em crise pelo que tentou esconder.

    A revista foi a primeira vítima do inquérito das fake news, por meio do qual o Supremo Tribunal Federal censurou uma reportagem que apenas relatava uma investigação.  A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, por “claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”

    Ao tentar evitar que a verdade circulasse na edição 50 de Crusoé, o STF apenas colaborou para celebrizar o hoje famigerado apelido “o amigo do amigo de meu pai“, com que o empreiteiro Marcelo Odebrecht se referia ao então advogado-geral da União Dias Toffoli.

    Outros destaques de Crusoé
    Em “O oráculo da política” (4), Carlos Graieb fala sobre o Oráculo, plataforma abrangente que combina jornalismo analítico com coleta de dados.

    Na reportagem “O informante Lula” (5), Duda Teixeira revela que a sinalização de virtude democrática do presidente Lula (PT) não resiste ao seu histórico durante a ditadura militar brasileira.

    Na matéria “Futuro indefinido” (6), Guilherme Resck fala sobre o MDB, partido que já teve três presidentes, mas agora perde protagonismo nacional e pena para definir posicionamento para eleições.

    Em “Quem julgará Putin?” (7), João Pedro Farah conversa com a advogada ucraniana Oleksandra Matviichuk, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2022 por documentar os crimes cometidos durante a guerra.

    Colunistas
    Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.

    Nesta edição, escrevem:

    > Bruno Soller
    (O termômetro do presidente)
    – O que aprendemos medindo a avaliação do presidente diariamente.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-termometro-do-presidente/

    > Roberto Reis
    (O partido que parou no tempo)
    – PT, que nasceu no Brasil do sindicato, da fábrica e da identidade coletiva do trabalho, não consegue falar com o empreendedor que fecha contrato no WhatsApp.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-partido-que-parou-no-tempo/

    > Izabela Patriota e Letícia Barros
    (Liberais em um país viciado em Estado)
    – Ao contrário do que sugere o senso comum, a expansão de mercados mais livres teve papel relevante no avanço das mulheres.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/liberais-em-um-pais-viciado-em-estado/

    > Lucas de Souza Martins
    (Soft power em órbita)
    – Ao retomar a ambição lunar, os Estados Unidos voltam a ocupar o centro das narrativas sobre o futuro da exploração humana.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/soft-power-em-orbita/

    > José Inácio Pilar
    (Diga alguma coisa)
    – Conversar com estranhos não exige uma habilidade especial e muda radicalmente os lugares por onde você passa.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/diga-alguma-coisa/

    > Josias Teófilo
    (A origem do sensualismo)
    – Apelo aos sentidos está no barroco, no rococó e no modernismo de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/a-origem-do-sensualismo/

    > Patrícia Chaccur
    (O sex appeal da intimidade artificial)
    – Um em cada três membros da Geração Z imagina que seria possível apaixonar-se por um companheiro de IA;
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-sex-appeal-da-intimidade-artificial/

    > Gustavo Nogy
    (Um pouco de esnobismo até que faz bem)
    – Os cadernos culturais ainda vivos, ou mortos-vivos, são panfletos de quermesse, ocupados por anúncios de condomínios.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/um-pouco-de-esnobismo-ate-que-faz-bem/

    > Dennys Xavier
    (O argumento da intimidação)
    – Quando sustentar determinada ideia é visto como indício de falha moral ou intelectual, pessoas passam a se preocupar mais com ser aceitas do que com a verdade.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-argumento-da-intimidacao/

    > Denis Lerrer Rosenfield
    (Como pensar o Ocidente)
    – Ditaduras que pisoteiam direitos humanos se aproveitam da condescendência das democracias.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/como-pensar-o-ocidente/

    > Luiz Gaziri
    (A ilusão corporativa da racionalidade)
    – Estudos mostram que comissões não ajudam a aumentar as vendas.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/a-ilusao-corporativa-da-racionalidade/

    > Paulo Roberto de Almeida
    (O Adam Smith brasileiro)
    – José da Silva Lisboa aprimorou as ideias do escocês ao sugerir que o conhecimento também deve ser levado em conta na riqueza das nações.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-adam-smith-brasileiro/

    > Márcio Coimbra
    (O comércio com amigos)
    – Reorganização das cadeias produtivas está se dando com parceiros que compartilham os mesmos valores.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-comercio-com-amigos/

    > Rodolfo Borges
    (O sertão da seleção)
    – Cobrança por Neymar na Copa do Mundo emula o sebastianismo de Canudos.
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/o-sertao-da-selecao/
    e
    > Marco Bianchi
    (Não leve o futebol a sério)
    – Premiação de melhor jogador é perfumaria, equivale a um concurso de Miss Simpatia
    +em: https://crusoe.com.br/noticias/nao-leve-o-futebol-a-serio/

    Assine Crusoé (8) e apoie o jornalismo independente.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/crusoe-rejeicao-historica/

    +em:
    (1) https://crusoe.com.br/noticias/rejeicao-historica/
    (2) https://crusoe.com.br/noticias/oito-anos-de-crusoe/
    (3) https://crusoe.com.br/noticias/o-emblema-da-verdade/
    (4) https://crusoe.com.br/noticias/o-oraculo-da-politica/
    (5) https://crusoe.com.br/noticias/o-informante-lula/
    (6) https://crusoe.com.br/noticias/futuro-indefinido/
    (7) https://crusoe.com.br/noticias/quem-julgara-putin/
    (8) https://crusoe.com.br/

  61. Miguel José Teixeira

    1º de maio – Dia do Trabalho!

    O Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador é celebrado anualmente no dia 1º de maio. Celebrada internacionalmente, essa data remete à luta histórica dos trabalhadores para conquistar melhores condições de trabalho. A origem da data remonta ao movimento grevista puxado por trabalhadores estadunidenses em Chicago no final do século XIX.

    No Brasil, a data passou a ser celebrada informalmente por trabalhadores no começo do século XX, e tornou-se oficial durante o governo de Artur Bernardes. A data foi amplamente explorada durante a Era Vargas, sendo parte do projeto político desse governante. Atualmente, ela é feriado nacional por determinação de uma lei de 2002.
    . . .
    +em: https://brasilescola.uol.com.br/datas-comemorativas/dia-do-trabalho.htm

    Portanto. . .
    bom descanso no Dia do Trabalho!

  62. Miguel José Teixeira

    Seis não. . .
    zumbis políticos com
    o voto dos incautos,
    nunca desaparecem!

    “Lula é um zumbi”
    – Há eventos políticos que se impõem para além de qualquer narrativa: após derrota histórica, petista não tem por que tentar a reeleição.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 30/04/26)

    Há eventos políticos que se impõem para além de qualquer narrativa alternativa.

    Ocorreu no 8 de janeiro de 2023, quando mesmo os apoiadores de Jair Bolsonaro tiveram de se render à constatação de que a depredação dos palácios de Brasília era indefensável, e em 13 de março de 2016, quando ocorreu a maior manifestação de rua da história do Brasil, pelo impeachment de Dilma Rousseff.

    Os políticos afetados por esses dois eventos históricos até conseguiram elaborar narrativas para se defender nos meses subsequentes — os bolsonaristas contaram com a ajuda do Supremo Tribunal Federal (STF), que pesou a mão contra os manifestantes (1) e os transformou em vítimas, enquanto os petistas se abraçaram ao discurso do golpe após a derrubada de Dilma —, mas é muito difícil distorcer a realidade imposta por um episódio como o da rejeição de Jorge Messias pelo Senado.

    Zumbi
    O fato é que Lula (à esquerda na foto) é um presidente morto-vivo, um zumbi.

    Ele já era, desde o início do terceiro mandato, que conquistou por causa do desgaste político de Jair Bolsonaro, e não pelos próprios méritos ou prestígio, mas, após a derrota imposta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP, ao centro na foto), isso é inegável mesmo para seus aliados e apoiadores, submetidos a um choque de realidade brutal.

    Beneficiado pela controversa anulação de condenações por corrupção, o petista já assumiu sem condição moral e política de governar, e teve de apelar ao STF diversas vezes para reverter as derrotas que sofreu no Congresso Nacional, contando com a ajuda de Messias (2).

    Sem popularidade que lhe permitisse impor as próprias vontades, Lula apostou a recuperação do controle da distribuição de emendas parlamentares, capitaneada por Flávio Dino no STF.

    Mas nem a promessa de liberação de 12 bilhões de reais em emendas é o bastante para um governo no qual não se pode confiar. Dino iria permitir o pagamento dessas emendas?

    Presidencialismo
    Antes que a ciência política brasileira se apresse em apontar uma crise no presidencialismo de coalizão (3) como razão para a fraqueza do atual governo, é imperativo destacar que o principal problema nessa história toda é o próprio Lula — e, em essência, o PT.

    Lula forçou a indicação de Messias contra uma realidade que se impôs mais de uma vez ao longo de seu governo: ele não manda sozinho e não basta comprar apoio político com emendas — nunca bastou.

    O jogo político demanda que ele se entenda com o parlamento, e não com o STF (4).

    O breve governo de Michel Temer, que conviveu em harmonia com o Congresso, serve de exemplo para quem imagina que o problema é o sistema, e não o presidente.

    Os ministros do tribunal conseguiram reverter algumas derrotas do petista, mas eles ainda não adquiriram a capacidade de solucionar a falta de governabilidade de um presidente autoritário.

    Reeleição?
    O governo Lula de fato acabou na quarta-feira, 29, como constatou o senador Flávio Bolsonaro (5) (PL-RJ). mas a situação é pior do que isso para o petista: depois da rejeição história de uma indicação para o STF, ele não tem sequer por que tentar a reeleição.

    Se o cenário para um quarto mandato já era ruim, com a perspectiva de ter de lidar com o adiado ajuste fiscal e com um Congresso ainda mais arredio, a derrota humilhante escancarou em praça pública um presidente fraco, que não conseguiu recuperar o prestígio como esperava.

    Lula depende, agora, de algum evento imponderável ou de uma mudança drástica na forma de atuar para permanecer de pé politicamente. Aos 81 anos e após passar os últimos quatro deles lutando contra a realidade que se impõe, é difícil acreditar nessa possibilidade.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/lula-e-um-zumbi/)

    (1) “O elefante Supremo esmaga formigas em nome da República”
    – Que os ministros admitam que estão imolando essas pessoas em defesa da democracia. Do contrário, a dose do remédio soará acima do saudável.
    +em: https://oantagonista.com.br/opiniao/o-elefante-supremo-esmaga-formigas-em-nome-da-republica/

    (2) “Messias rejeita STF como “Procon”, mas usufruiu dele”
    – Na tentativa de convencer os senadores a endossá-lo ao Supremo, indicado por Lula contradisse os próprios atos na AGU.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/messias-rejeita-stf-como-procon-mas-usufruiu-dele/

    (3) “E se o problema for o presidente?”
    – Presidencialismo de coalizão leva a culpa pela crise entre os Poderes, mas o Brasil não tem um presidente de verdade desde 2011.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/e-se-o-problema-for-o-presidente/

    (4) “Os perigos de governar com o STF”
    – Tabelinha de Lula com Zanin contra desoneração da folha de pagamento vulgariza ainda mais o STF, aumenta o desgaste do Planalto com o Congresso e amplia flanco para reação política ao Supremo.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/os-perigos-de-governar-com-o-stf/

    (5) ““Governo Lula acabou”, diz Flávio após rejeição de Messias”
    – Senador celebrou a derrota de Jorge Messias no Senado Federal.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/governo-lula-acabou-diz-flavio-apos-rejeicao-de-messias/

    Sempre é bom revisitar:

    “A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.”

    (Winston Churchill)

  63. Miguel José Teixeira

    Matutando sobre o comentário do Herculano na charge. . .

    Se “o tal freio de arrumação, veio, à meia boca”,
    a outra metade seria o freio de desarrumação
    ou o acelerador de arrumação?

    A resposta teremos em outubro, como os nossos votos!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não é permitido essa ação.