Eu poderia começar o artigo de hoje dando corda ao título acima e enumerar as sucessivas argumentações que o advogado Aurélio Marcos de Souza usou para fundamentar a sua Representação para Instauração de Inquérito Civil Público por Omissão Administrativa Grave, Ausência de Participação Popular e Afronta ao Princípio do Planejamento (Lei Municipal nº 3.378/2011 e Lei Federal nº 12.305/2010) que protocolou em janeiro deste ano no Ministério Público na Comarca e na Ouvidoria em Florianópolis.
E são graças àquelas fundamentações técnicas e legais, que a Representação foi acolhida pelo Ministério Público de Santa Catarina. E esta Representação, no fundo, lava a alma dos vereadores Giovano Borges, PSD, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, Roni Jean Muller e Carlos Francisco Bornhausen, ambos do MDB (a foto histórica que abre este artigo). Estes vereadores foram amplamente condenados pelo atual governo e seu entorno político, só porque exerceram um direito do voto inerente a função de vereador, em algo que não estava claro e não concordarem com o governo, um governo que os ignorava, pressionava e media forças com eles. Thimoti, até então governista, perdeu os cargos comissionados por isso e foi marcado para ser marginalizado porque não se ajoelhou incondicionalmente às dúvidas, por exemplo.
Eles votaram contra o “famoso” Projeto de Lei 100/2025. Com ele, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e seus bruxos, tentavam enfiar goela abaixo, numa votação vapt-vupt na Câmara, não discutida com a sociedade, na única convocação extraordinária armada do ano passado, na última sessão do ano – para nada se discutir ou esclarecer – e presidida por Alexsandro Burnier, PL -, aumentos abusivos na taxa de lixo contra os cidadãos e cidadãs de Gaspar.
Aliás, Alexsandro, o vereador campeão de votos e ticktoker, fez um vídeo no dia primeiro de janeiro de 2025 de que não varreria a sujeira para debaixo do tapete. Virou piada. Confira.
Retomando. Os vereadores Giovano, Thimoti, Dionísio, Roni e Bornhausen, fizeram a primeira parte deles: a de barrar a coisa mal armada e mal explicada. Infelizmente, todavia, esqueceram da mais importante: virar o jogo para o esclarecimento e o equilíbrio dessas contas que são pagas por todos os gasparenses. A Representação que está no MP tenta dar luz nisso tudo, com base na lei, nos cálculos, na realidade gasparense e longe da politicagem barata. Agora, será uma longa batalha. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, está metido – por que quis e avaliou mal – num dilema: ou vira a chave, ou luta e gasta tempo para tudo ficar torto, caro para o povo e cheio de dúvidas.
Retomando.
Este assunto, com a imprensa de Gaspar “cochilando” para não desagradar o poder de plantão, não perder as migalhas oficiais, ou porque preferiu as férias, eu tratei em vários artigos.
Destaco dois para serem revisitados neste blog, aliás sem audiência alguma, segundo atestam os poderosos de plantão de ontem e os “visionários” de hoje com o mesmo ranço e senso de vingança. Para não mudar, inovar e avançar – pois isso dá trabalhado qualificado – preferem este espaço excomungado e deletado: UM FEDOR QUE VAI ALÉM DO LIXO. A REJEIÇÃO PELA CÂMARA DO CHEQUE EM BRANCO QUE O PREFEITO PAULO NORBERTO KOERICH, PL, QUERIA PARA SUPER-AUMENTAR A TAXA DO LIXO EM COISAS MAL DEBATIDAS E EXPLICADAS, É UM RECADO CLARO: O TEMPO DE COMPREENSÃO E TOLERÂNCIA AO NOVATO E À ARROGÂNCIA DO SEU ENTORNO EXPIROU. FALTAM VOTOS PARA AS IMPOSIÇÕES. SIMPLES ASSIM, no dia 17 de dezembro e O FEDOR DO LIXO SE TORNA UM PROBLEMA PARA O GOVERNO GASPARENSE NAQUILO QUE SE ARMOU EM 2025, DEU-SE MAL NA COMUNICAÇÃO, NO JOGO POLÍTICO E FINALMENTE, NA FALTA DE VOTOS NA CÂMARA PARA DAR UM CHEQUE EM BRANCO PARA O PREFEITO AUMENTAR A TAXA DE LIXO, publicado no dia 26 de dezembro do ano passado, quando todos se sentiam livres dos meus comentários.
A Representação já demandou questionamentos do MP ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL, desacostumado a isto. Acha-se uma entidade secreta e acima disso perante a sociedade a quem devem satisfação. Faz troça de quem pede esclarecimento, incluindo os próprios requerimentos dos vereadores, inclusive os da base, os quais, igualmente mais que outros, estão obrigados ao Amém, mesmo que tendo que prestar constas na representação aos eleitores e eleitoras. Agora é aguardar.
O DESCONTROLADO CARO FEDOR DO LIXO

Continuando.
Se de cara eu não vou dar corda ao título do artigo, vou começar pela autoridade do doutor (como se diz erroneamente como título a um simples bacharel de direito) Aurélio (foto ao lado) sobre este assunto
Ele, exatamente por possuir autoridade técnica no âmbito acadêmico; forte convicção e opinião própria; desprendimento e coragem comunitários; e conhecimentos específicos, incomoda tanto ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL (o cidadão Aurélio foi declaradamente eleitor de Paulo, ressalta-se), como aos que estão obrigados a assessorá-lo tecnicamente, mas falham e deixam Paulo exposto. A não ser que Paulo resista aos “conselhos”, ou, deliberadamente, quer este resultado.
Pelo jeito, todos como se nos velhos tempos da velha prefeitura estivessem, preferem atalhos. E por isso, colocam a pesada conta em taxas, contribuições e impostos com uma facilidade incomum nas costas de todos – e quase sempre com aval da Câmara ainda mais agora que o PP manda no atual governo sob a batuta do mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato (foto abaixo abraçado a Paulo) enquanto o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, como presidente da Casa, jurou fidelidade no voto minerva.
O que era para mudar, ficou tão igual ao governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP: levar de barriga os problemas cruciais da cidade.
Voltando.
O doutor Aurélio, entretanto, não é um simples bacharel em direito. E mesmo sendo ex-procurador geral, em um governo turbulento, o de Adilson Luiz Schmitt (2005/08), eleito no MDB, filiado ao PL (não está mais, porque foi chutado por Paulo) não está num escritório suntuoso para viver de aparências e causar falsa impressão daquilo que não pode entregar. Está desde o início de carreira no mesmo lugar acanhado.
Talvez e só por isso, doutor Aurélio está obrigado a viver de resultados. O doutor Aurélio é um inconformado. Ouviu dizer que este seria o governo da mudança. Acreditou. Propagou. Agora, está cobrando a fatura de mais um enganado.
POR QUE NÃO QUER SE DISCUTIR ESTE ASSUNTO ESSENCIAL AOS NOSSOS BOLSOS?

E neste caso, especificamente e mais uma vez, o doutor Aurélio está falando de algo que ele entende para além da jurisdição, do devido processo legal e do advogado de décadas de atuação na Comarca, sempre sujeitos ao contraditório e à uma percepção diferente e de diferente julgadores e instâncias.
O doutor Aurélio está falando e está querendo colocar em “pratos limpos”, a cobrança atualizada dos resíduos sólidos coletados em Gaspar, exatamente quando é tempo de se discutir isso, mas tenta-se driblar a obrigação e a realidade para ficar tudo errado como está. Então o doutor Aurélio está buscando esta via a busca racional da igualdade de obrigações para beneficiar todos os gasparenses, principalmente os que são sufocados pelos interesses sucessivos e perpetuados dos poderosos de plantão.
O doutor Aurélio está querendo colocar tudo isto “em pratos limpos” numa área fedorenta cheia de interesses poderosos, porque ele não é apenas mais advogado e um ex-procurador municipal que lidou com isso nas suas entranhas. Ele é graduado também em Gestão Públicas, pela Udesc, reconhecida como uma das melhores neste ambiente e porque é graduando em Engenharia Civil, e Engenharia Ambiental e Sanitária (oitavo semestre) na Univali. Ou seja, farta-se em multi conhecimentos específicos que permeiam este assunto. Entenderam?
É por isso, que o doutor Aurélio está questionando via o MP e a Justiça, uma escandalosa e inadequada – no entender dele -, cobrança do lixo sólido em Gaspar e que, sorrateiramente, técnicos, políticos e gestores públicos de Gaspar do “novo” governo não querem ver esclarecidos, atualizados e modificados. A associação que Gaspar acaba de fazer ao CIMVI – Consórcio Intermunicipal do Vale do Itajaí – é coisa para “inglês ver”, tapar o sol com a peneira, adiar para remendos iguais aos que estão aí e não funcionam, empurrar com a barriga e nada resolver. São realidade e prioridades diferentes.
O CIMVI não está funcionando sequer no licenciamento ambiental. Há um espantoso gargalo e tudo está voltando para Gaspar. E nos pequenos projetos. Os grandes e dos amigos do poder de plantão, estão sendo resolvidos. Vício antigo que se perpetua.
Retomando. No fundo, todos os que continuam na prefeitura e no SAMAE, se entendem deste assunto, querem que a maior parte cada vez mais desta pesada conta – se continuarmos a crescer como projeta o IBGE e discursos fanfarrões dos próprios políticos – seja paga desigualmente pelos pequenos geradores de lixo. Impressionante!
QUEM TEM MEDO DA CONTA CERTA E POR QUE?

É impressionante como essa gente se elege (Paulo conseguiu 52,98% dos votos válidos em outubro de 2024, contra a continuidade e contra um ex-prefeito de três inéditos mandatos) com os votos mais humildes, pois são a maioria. Jura proteção e na hora da verdade, são os mais fracos, sem voz, ou sem esclarecimentos, que pagam pelos desatinos dos mais espertos, influentes, fortes, ricos e poderosos.
Em Gaspar, com anuência do SAMAE – o que gerencia esta área – quem gera mais lixo, nem sempre é quem paga mais pela coleta e destinação hoje, hoje diante da tecnologia, processos reversos e reciclagem altamente lucrativa para quem recebe estes resíduos mal coletados, mal qualificados, mal separados e mal pesados. É isso, que no fundo permite lei em vigor em Gaspar e o que se quer perpetuar.
É por isso, que o doutor Aurélio está buscando ajuda na Justiça via o Ministério Público. Para isso, usou apenas argumentos técnicos e legais razoáveis, já aplicáveis em outros municípios. Simples assim. Mas, em Gaspar ninguém no governo pensa assim, ou de fato não quer este tipo de mudança. E querem levar este erro adiante por mais muitos anos. Então é de se perguntar: a quem interessa isto? Ao cidadão e cidadã normal, o pagador da conta mal feita, certamente, não é.
Hoje, paga-se o lixo recolhido e destinado pelo volume de água consumida (ou a taxa mínima). Tem gente que para ter o seu lixo recolhido, em Gaspar, precisa de um caminhão. Mas, paga, por isso, praticamente, a mesma coisa de um simples residência. É comum na cidade, ver lixeiras abarrotadas com resíduos sólidos além da conta como se fossem residenciais. Entretanto, eles são industriais e comerciais. E tudo fica por isso mesmo, mesmo estando aos olhos de todos, inclusive do prefeito, secretários, vereadores, fiscais, burocratas pagos e obrigados a criarem soluções para este tipo de anomalia neste assunto.
PREGUIÇA ALIMENTA A ESPERTEZA E A DESIGUALDADE

O Zé Pequeno paga a conta dos outros porque este é o parâmetro em vigor. A preguiça ou a esperteza retroalimentam um sistema falido de medição, avaliação, coleta e cobrança do lixo em Gaspar aos gasparenses.
É uma medição conceitualmente errada (equivalente ou baseada no consumo de água tratada, mesmo aos que não possuem acesso a ela, mas possuem serviço de recolhimento de lixo). É um método simples. Talvez, válido, para uma vila. Não para quem se orgulha ser uma das maiores cidades de Santa Catarina, ao menos no salário do prefeito. O lixo gerado numa quadra é diferente dentro da própria quadra e na comparação com outra, mesmo que contígua. E o problema começa por aí. Falta um estudo, um levantamento, exigido por lei. É o Plano Diretor do lixo. Não sabemos quem e o que geramos, que recolhemos, o que transportamos. A distância para se buscar este lixo é outra métrica.
Calcula-se, cobra-se e se paga de forma errada porque o governo atual eleito para mudar – como os anteriores – não fez a parte dele: a revisão obrigatória por lei, do levantamento da geração de lixo (resíduos sólidos).
É isto que entorta licitações, alimenta falsos discursos, entrevistas duvidosas, mascara números e controles. Gera, se não proposital, uma esbórnia na qual fica difícil de separar o joio do trigo, o racional da maledicência administrativa. Abre brechas para desalinhamentos ambientais, comportamentos, cálculos, custos, preços e cobranças. Abre a porta para a corrupção sistêmica e de difícil detecção exatamente por falta de parâmetros claros, métricos e justos. No fundo, alguém ganha, e muitos perdem, inclusive o meio ambiente, a saúde e os cofres municipais.
O doutor Aurélio, está gastando o tempo dele – que outro não faz por sua cidade e as pessoas dela -, sem remuneração. O doutor Aurélio está inconformado com isto desde quando passou pela prefeitura e de lá para cá, nada evoluiu, a não ser o de criar uma empresa para atender o poder de plantão.
O doutor Aurélio está inconformado porque possui formação acadêmica secundária como lhe explico a seguir. O doutor Aurélio assim está agindo porque é um cidadão interessado com a sua cidade. O doutor Aurélio está decepcionado com a prometida mudança: ela está embrulhada em papel tão velho e rançoso como de décadas atrás. E pelos mesmos.
O doutor Aurélio, não é um simples advogado não remunerado nesta causa da cidade. Por isso, vou parar o meu textão de hoje por aqui. Voltarei mais tarde com o que ele embasou no pedido de Representação e que o Ministério Público quer que a prefeitura explique para desatar este nó que ele Paulo Norberto Koerich, PL, tentou como górdio, na última sessão vapt-vupt do ano no PL 100/2025 e que rendeu punições a quem ousou lhe derrotar porque ele se recusou a esclarecer o que queria cobrar a mais dos gasparenses. Muda. Gaspar!
TRAPICHE
É impressionante. O vídeo abaixo, fala por si só. Como pode um governo eleito com o discurso de mudanças e parte de seus vereadores bolsonaristas eleitos com discurso de caça aos malfeitos do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, conseguirem cochilar, cochilarem, no assunto do quilômetro mais caro de Santa Catarina na travessia do pasto do Jacaré e perdê-lo para o PT. Impressionante como este tema também está blindado no Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina. Com a palavra, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT. É auto explicativo.
Registro I. O empresário e ex-candidato derrotado a prefeito em Gaspar, Oberdan Barni – ainda filiado ao Republicanos, tomado dele pelo vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, ex-PL e levado ao ostracismo pelo eleito Paulo Norberto Koerich, PL -, aos poucos vai curando as feridas de outubro de 2024. Oberdan marcou um costelaço com os amigos no dia onze de abril, no bar e cancha do Roni. É o aniversário do Oberdan, o cabo eleitoral que não desistiu da política.
Alguns leitores e leitoras que não os tenho, questionam-me sobre o meu reiterado silêncio diante das armações ilimitadas à corrida deste outubro pelo Centro Administrativo, em Florianópolis. É muito cedo. Há muitas indefinições, barbeiragem e trairagem. Há muito jogo de cena. Estou idoso demais para ser parte ou ser usado nesta falsa disputa de espertos (vide o episódio grotesco da semana passada entre Jorge Bornhausen e João Rodrigues na tentativa enquadramento do PSD para ser gado a candidatura de Jorginho). Eles usam as suas redes sociais, influenciadores pagos como se tivessem opinião própria e até o jornalismo, para suas tretas, exatamente na na descarada manipulação e na falta de autoridade, capacidade e liderança como políticos na busca de votos e poder.
Há muita coisa ainda em jogo. E se não se cuidar, Jorginho Melo, PL (o que já se apresentou com uma picareta na mão), vai ser “comido” pela sua própria fanfarronice, bem como na sinuca de bico em que está metido com os bolsonaristas. Eles vivem rotulando qualquer um, por qualquer coisa, a qualquer momento, de traidor. Vejam o que aconteceu com o Comandante Moisés (Carlos Moisés da Silva) eleito pelo finado PSL. A eleição em Santa Catarina só começa quando se tiver definida a nominata dos candidatos ao Senado. Ela é mais importante, do que o nome para o governador. Ah, mas, a de deputados Federais e Estaduais. Meras listas. A da Câmara terá cinco a menos – são 16, mas devia ser 20 pela Constituição – a que temos direito na verdadeira representatividade que merecemos.
O Conselho Municipal de Saúde vai se reunir amanhã, véspera do feriado dos 92 anos de emancipação de Gaspar de Blumenau. Não há pauta conhecida. Espera-se que seja debatida a mal explicada, até agora – uma marca registrada do governo de Paulo Norberto Koerich, PL -, “desapropriação” do Hospital de Gaspar, anunciada lá em primeiro de setembro do ano passado numa festança na Sociedade Alvorada com o governador Jorginho Melo, PL, que deu para isso, R$20 milhões e Gaspar teria que dar outros R$7 milhões. Tudo continua tão pior quanto antes.
A estranha “desapropriação”, mesmo que tenha um valor tão baixo e mesmo que não se conheça os termos jurídicos administrativos dela, era a condição para a Fundação que toca o Hospital Santo Antônio, de Blumenau, uma referência na área nacional, pensar em assumir a gestão do Hospital de Gaspar. Se isto acontecer nesta reunião, a promessa é de que esta transição só se dê no segundo semestre deste ano, em movimentos que podem ser prejudicados pela restrições normativas do período eleitoral. Em Blumenau, o Hospital Santo Antônio continua na muda. Oficialmente, não há nada autorizando isso.
O vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, braço político do defenestrado – e parece também, exilado – vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, está colocando à prova um jogo de gato e rato. Quando surpreendido por denúncias, questionamentos ou votações contrárias na Câmara, nas entrevistas, Paulo Norberto Koerich, PL, reclamou de que está de portas abertas do gabinete dele e que os queixosos não o procuram para a solução insinuando que os tinha. Thimoti já tentou marcar várias reuniões no gabinete e todas, repito, todas foram ignoradas até hoje. Então…

Registro II. Também no dia 11 de abril, a Associação dos Moradores dos Moradores do Arraial D’Ouro, faz a tarde no salão da Capela São José, o Primeiro Café Colonial Alemão. E com música para dançar. A renda é para a Associação. Ela está promovendo a região como uma nova rota turística, diante do potencial de lá, da desarticulação oficial e da continuada inércia do poder público.
Gente sem noção. A área de comunicação, cara, em permanente troca de titulares, continua sem rumo e sem discurso. Ontem, aproveitando a onda de esquerda na torcida pelo Oscar as indicações do Agente Secreto, diante de tantos trabalhos sabidamente, na comparação bem melhores. É a tal síndrome vira-lata. Houve um tempo que fomo a tal prefa… Pelo jeito…
O Agente Secreto, apesar dos seu méritos numa produção bem elaborada, não ganhou nada. E agora virão as queixas, as críticas e distribuição de culpas aos que fizeram as escolhas e não ao produto em si levado a julgamento por quem o fez. Ele não tinha competitividade aos vencedores aos anunciados na noite de ontem. Era visível. É comparável. Em Gaspar, a comunicação sem produtos depois de um ano e três meses de governo, quis se atribuir o Oscar ao nada, ao óbvio, ou à falta do mínimo necessário. Mais uma irresponsável infeliz ideia sem criatividade e falta de responsabilidade com a imagem institucional.
Uma conta que não fecha. Em outubro de 2024 Gaspar tinha 51.156 eleitores. Vamos supor que haja um crescimento, via migração em torno de pouco mais de 5%, ou seja, seríamos 54 mil eleitores, menos os ausentes e outras nulidades, em média baixa de 20%, seríamos em torno 43 mil votos contáveis. Como é que podemos ter cinco candidatos a deputado estadual e cinco a federal, sendo que para o primeiro a ser eleito por coeficientes estreitos, em tese e antes de conhecidos todos os candidatos e partido, nas coligações e federações, será de 60 mil e no segundo caso, de 110 mil? Isto sem contar os paraquedistas que levam sempre, ao menos, a metade dos nossos votos válidos. Credo!
Um dos bruxos do governo que gravita externamente, mas influencia pessoalmente Paulo Norberto Koerich, PL, e não esconde isso nas rodas por onde passa, vai a um set de entrevistas armadas nas redes sociais afirmar que oposição é necessária, porque se ela não existir, o governo vira a Casa da Mãe Joana. Mas, ao mesmo tempo e contraditoriamente, ele não quer que se mostre os problemas do governo que ele orienta. Credo.
Então para você apresentar e ganhar uma menção honrosa de como diminuir a fila no SUS você precisa deixar, sem avisar, sem contingência, sem remanejamento antecipado, gente humilde na fila do postinho de Saúde? Inacreditável. Com esta condenável negligência, a “nova” comunicação ainda se faz marketing de algo indefensável, num ambiente sob fortes questionamentos, a saúde pública de Gaspar.
Gaspar é mesmo diferente. No dia 12 de março de 2018, Luciano Hang, anunciava daqui nas suas redes sociais, que abriria a 78ª loja da rede Havan, em Gaspar, em 12 dias. Uma festança com muitas bobagens, elogiando os políticos daqui que o deixaram pendurado no pincel. Avisei que não daria certo. Antecipei o fracasso. Fui desmentido. E a loja não existe mais. A Havan fará 40 anos neste ano, possui 188 lojas e quer chegar ainda neste 2026 as 200. E Gaspar está na história da Havan como a única loja que quase desabou e fechou. Credo!
Os ativistas e a imprensa, a que devia ser cuidadosa nas redações, a que devia estar identificada geograficamente e a diversidade cultural, não apenas sendo uma simples extensão das redes sociais. A NSC Total ainda não largou a RBS. Ela está devendo explicações sobre o banzé nacional que armou sobre os supostos matadores que liquidaram cruelmente o velho cachorro de rua, cuidado pela comunidade do interior de Florianópolis, e chamado Orelha. Aliás, a NSC vem fazendo apostas erradas, achando que o Centro de Santa Catarina fica na Ilha da Magia. Se soubesse os que pensam dela, os que trabalham duro para além das pontes…
Apostou no Figueirense e ele está rebaixado até na segunda divisão do futebol catarinense. Apostou no Avaí como salvação de suas transmissões do campeonato catarinense. Ele se perdeu pelo caminho. Aí quando acordou, errou mais uma vez. Colocou todas as fichas na Chapecoense. Ainda bem que ela chegou na final. A NSC não conseguiram perceber, o tempo todo, que o Barra, de Balneário Camboriú, vinha sendo o bicho a ser considerado, na velha máxima onde se diz que o “futebol é uma caixinha se surpresas”. Santa Catarina, aliás é uma caixinha de surpresas e que a NSC teima em ignorar.

O passado ainda não saiu do gabinete do “novo” governo. Sabem o que Paulo Norberto Koerich, PL, está distribuindo aos visitantes de seu gabinete? Lascas emolduradas da velha figueira que o ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, colocou em quadro para servir como souvenir. Antes, Kleber deixou tombá-la, por falta de cuidados, apesar de todos os avisos preventivos de que isto aconteceria dados pelo pessoal técnico e especializado da sua superintendência do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Muda, Gaspar!
Ao lado, a prova da marquetagem dos políticos do governo passado – e de gente marqueteira nas entidades de classe – que não levou a cidade lugar nenhum. O que preocupa? É que os do governo do presente, teimam em ignorar os estragos e os “ensinamentos” tortos do passado e que levaram os donos dessas ideias do atraso à derrota nas urnas.
Naquele passado, Gaspar virou a Capital Nacional da Moda Infantil, com papel oficial e tudo. Tempo perdido na Câmara Federal e na assinatura presidencial. Ninguém sabe aonde está esta tal moda infantil entre nós. A Acig e a Ampe sempre cheias de números. E os empresários do ramo nem aí. O negócio deles – e estão certos – é faturar, enxergar oportunidade, inovar, conquistar mercado e curtir a vida por aí. Quem tentou empreender e vender isso aos passantes e aos daqui, se estrepou. Teve que fechar as portas, ali na entrada da cidade pela Hercílio Fides Zimmermann, onde criou um comércio da moda infantil na capital nacional da moda infantil. Deixei até a data do registro na foto para que não haja dúvidas.
Enquanto isso, em Ilhota, sem título arrumado pelos políticos, empreendedores, produtores e lojistas, os de lá fazem a festa com a tal Moda Praia, Moda Íntima e Fitness. A Rodovia Jorge Lacerda virou um shopping – atacado e varejo – a céu aberto e em determinadas horas, com trânsito que mereceria mais cuidado em favor dos próprios clientes. Criou-se, naturalmente, uma arquitetura de negócios. Em tempo. Empreendedores apresentaram um shopping desses produtos com praça de alimentação para incrementar ainda os negócios e o turismo de vendas na cidade [de Ilhota]. Muda, Gaspar!
Quarta-feira, dia 18, até o momento, não há previsão de chuvas. Os desfiles no atual governo tem sido (aniversário e o de Sete de Setembro), sucessivamente, suspensos, diante de supostas ameaças de chuvas. No Distrito do Belchior, por outro lado, eles aconteceram. O desfile aqui no Centro é o que salvará a pobrinha, como não se via antes, programação dos 92 anos de emancipação de Gaspar. Por outro lado, com a volta do “El Niño” os modelos meteorológicos, dizem que em maio deveremos ter problemas sérios com chuvas intensas. É muito cedo, mas… Eu não sou meteorologista e nem tenho como questioná-los, inclusive agora, com Inteligência Artificial, limito-me à prevenção.
A guerra inventada no Oriente Médio pelo imperador do mundo, o republicano dos Estados Unidos da América, Donald Trump, descontrolou os preços mundiais dos combustíveis. Previsível. Aqui, horas depois do ataque, sem que houve mudança nos preços das distribuidoras, ou até o registro de chegada de novos carregamentos a novos preços nos postos, os marcadores das bombas já mostravam os altos reajustes. Pior mesmo, foi ter que ouvir o presidente do Sindicato explicar o inexplicável com autoridade de um especialista em economia mundial. Está faltando é fiscalização e punição.
Registro necessário. A juíza Maria Augusta Tonioli, da primeira vara da Comarca de Gaspar, julgou improcedente e desqualificou como vítima, a época dos fatos (30/08/2017, coincidente, dia do meu aniversário e que presente, heim?) a funcionária pública municipal, Jaqueline Fusinato, de supostos meus crimes de calúnia, injúria e difamação contra ela, decorrentes de notas publicadas na coluna “Olhando a Maré”, a qual mantive por anos no jornal Cruzeiro do Vale, órgão que também foi absolvido, neste caso. Jaqueline não recorreu da sentença.
E eu, neste caso, mais uma vez, fui ajudado na defesa, pelo advogado Aurélio Marcos de Souza.
Não vou remoer, revolver ou comemorar coisas passadas e já esclarecidas, agora com o aval da Justiça. Prefiro o futuro. Cada vez mais, perigosamente, em mudanças. Estarei sempre de vigia olhando a maré. Sobre este caso específico, devo apenas aprender, refletir e respeitar. As notas da época reportavam, por fontes de dentro da própria prefeitura e que a própria autora as alimentou, de que ela estava sendo mapeada para uma função em comissão dentro da estrutura da secretaria de Assistência Social – onde estava lotada -, comandada por aparentado dela, Ernesto Hostin.
Esta função, todavia, reportei e lembrei nas notas – e aí foi o ponto que me levaram à jurisdição para possível reparos à autora, a qual teve todo o espaço para o esclarecimento e não os usou, pois implicitamente, sabia o que se passava e se tratava, ou queria o embate jurisdicional -, exigia habilidade funcional específica em lei e que ela não a possuía à época dos fatos. Não a desabonei e a autora não foi prejudicada, pois continuou no cargo e função a que estava concursada e nomeada. Apenas não foi nomeada em nova função de confiança, exatamente por falta de formação e titulação adicional específicas exigíveis. E não pela divulgação dos fatos, mesmo que corretos.
Bom feriado. Se der, volto depois dele.
4 comentários em “SABE DAQUELA TENTATIVA DE AUMENTO EXORBITANTE DA TAXA DE LIXO QUE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, O PP E CIRO QUERIAM NO APAGAR DAS LUZES DA CÂMARA NO ANO PASSADO E QUE ALGUNS VEREADORES CORAJOSAMENTE BARRARAM? ERA PARA OS PEQUENOS PRODUTORES DE LIXO PAGAREM A CONTA DOS GRANDES. O ASSUNTO FOI PARAR NO MINISTÉRIO PÚBLICO. ELE ESTÁ ATRÁS DE RESPOSTAS TÉCNICAS. E NÃO FOI NENHUM POLÍTICO QUE METEU A MÃO NESTA CUMBUCA CHEIA DE MARIMBONDOS DE FOGO, MAS O EX-PROCURADOR AURÉLIO QUE ENTENDE DESSE RISCADO COMO POUCOS. PARTE I”
Bom dia.
Sobre a cobrança do lixo, lembro que na época do ex-prefeito Celso, a taxa do lixo era baseada em números nacionais: cada brasileiro produz em média 3 kg de lixo/dia.
Depois a metodologia mudou para o número de vezes que o caminhão da coleta passava na frente da nossa casa.
Em ambos os casos não há relação do consumo da água com o valor da taxa: casinha e mansão pagam o mesmo valor.
E, segundo a tabela do lixo apresentada na Câmara de Vereadores no final do ano passado, a cobrança segue pelo número de vezes que o caminhão passa na frente da nossa casa.
Se a taxa do lixo doméstico fosse baseada no consumo de ÁGUA, com certeza teríamos uma tarifa mais justa pra todos.
Em Bombinhas a taxa do lixo doméstico é anual.
Não teve reajuste em 2.026.
R$ 95,00.
Em Gaspar não há um estudo sobre este assunto, sequer sobre Gaspar. Estão empurrando para uma coisa regional chamada CIMVI para continuar errado, olhando para realidades que não são as nossas
OS INDICADORES SÃO POSITIVOS; A SENSAÇÃO É NEGATIVA, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Falta mão de obra em vários setores da economia brasileira, incluindo construção civil e agronegócio. Empresas informam ter criado benefícios especiais para conseguir contratar. A taxa de desemprego, medida pelo IBGE, está em nível historicamente baixo. Portanto o momento só pode ser favorável ao trabalhador. Mas parece que não é. Pelo menos, não para todos.
Pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostrou que 50% dos entrevistados declararam estar mais difícil conseguir emprego. E 40%, que está mais fácil. O indicador macroeconômico mostra uma situação que não bate com a percepção efetiva da maioria dos trabalhadores.
Tem mais. A inflação claramente desacelerou no Brasil nos últimos meses. Todos os indicadores mostram isso, tanto que o Banco Central já se prepara para reduzir a taxa básica de juros. A Quaest também perguntou sobre isso, e — bingo! — a população não percebe. Nada menos que 58% dos entrevistados disseram que os preços de alimentos subiram em março, ante 16% que notaram queda.
O PIB brasileiro cresceu três anos seguidos acima dos 3%, até 2024. No ano passado, a expansão foi menor, mas alcançou honrosos 2,3%, com ganhos reais da renda do trabalho. Mas 64% dos entrevistados disseram que compram hoje menos do que conseguiam comprar um ano atrás.
Para resumir: mesmo com PIB e renda em alta, inflação e desemprego em baixa, 48% dos entrevistados sentem que a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses. Apenas 24% acham que melhorou. Não se trata de fato novo ou exclusivo dos brasileiros. Faz tempo que a economia política estuda esse, às vezes, abismo entre os indicadores macroeconômicos e a percepção da população.
Um olhar mais detido sobre a realidade explica alguma coisa. É o caso do emprego. O IBGE considera ocupado alguém que ganha remuneração de qualquer tipo de trabalho. São considerados empregados os 38,5 milhões de trabalhadores na informalidade — aqueles sem carteira assinada, os que fazem alguma coisa por conta própria sem CNPJ (vendem cerveja na saída dos estádios) e os que ajudam em casa. Para esses, é duro ganhar alguma coisa. Bem diferente da situação dos 39 milhões que trabalham com carteira assinada. Mesmos esses, porém, têm dificuldades para encontrar posições mais bem remuneradas, pela falta de capacidade educacional e técnica.
Finalmente, a inflação e os preços. Aqui é fácil perceber de onde vem a oposição entre o índice e o sentimento da população. Quando o indicador mostra que a inflação caiu, isso quer dizer que os preços subiram menos, não que diminuíram.
Houve inflação mundial na saída da pandemia. Com a retomada da economia, a demanda voltou, mas os sistemas de produção e logística estavam desorganizados. Faltaram insumos, os alimentos não chegavam. Os preços subiram, e isso contribuiu para a queda de muitos governos. Para citar um exemplo de fora: nos Estados Unidos, Joe Biden pegou uma inflação que se aproximava de 10% e derrubou para a casa dos 3%, com índices em forte desaceleração. Mas Trump fez campanha atacando a inflação. Acertou. Os preços subiam menos, mas as coisas, especialmente gasolina e comida, continuavam muito caras.
Aconteceu por aqui também. Lula fez campanha prometendo devolver picanha e cerveja aos churrascos dos brasileiros. Mas já topou duas vezes com momentos de alta no preço das carnes. Este é um produto “símbolo”. No mundo, o consumo de carne, especialmente bovina, é diretamente proporcional ao ganho de renda. Por aqui, consumir picanha é status. Voltar para a carne de segunda é retrocesso, sinal de perda de poder aquisitivo. Além disso, o preço de alimentos é a inflação sentida no dia a dia. Compra-se comida na semana toda, as pessoas sabem os preços do feijão, percebem as variações.
Tudo considerado, os índices macro funcionam, mostram o estado geral da economia. A percepção da população capta a situação real de cada um — e é isso que influencia a decisão de voto.
UM PAÍS CANSADO DE LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Uma série de pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias abalou a autoestima sempre elevada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seus sabujos no Palácio do Planalto e no PT. Depois de alguns meses de euforia – sobretudo após o tarifaço de Donald Trump contra o Brasil e a aproximação cautelosa entre o presidente americano e o brasileiro –, ficou claro que os tropeços lulopetistas estancaram a aprovação de Lula e de seu governo. Em paralelo, Lula e o PT assistem à perigosa consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial.
Embora oscilações nas pesquisas sejam comuns quando a eleição ainda está distante das preocupações cotidianas do eleitor, o problema de Lula parece ser de outra ordem. E mais grave. O flagelo presidencial, a esta altura, tem relação com um dado mais profundo: o Brasil se mostra cansado de Lula.
Levantamentos diferentes convergem para o mesmo quadro, segundo o qual a desaprovação supera a aprovação. Na Genial/Quaest, 51% desaprovam o governo e 44% o aprovam. Na Ipsos-Ipec, a relação é semelhante: 51% a 43%. No levantamento Meio/Ideia, 50,5% a 47,2%. O Datafolha também registra deterioração, com a avaliação negativa subindo de 37% para 40%, contra 32% de positiva. Parece mais do que tropeço. Trata-se de um ambiente político aparentemente consolidado, mais profundo do que crises passageiras.
O avanço de Flávio Bolsonaro ajuda a ilustrar esse quadro. O filho “zero um” de Jair Bolsonaro exibe números consistentes nas simulações de primeiro turno e também em cenários de segundo turno contra Lula. Parte disso se explica pela delegação simbólica do sobrenome junto ao eleitorado conservador. Mas isso não explica tudo. Seu crescimento decorre muito mais da fadiga com Lula do que de entusiasmo com o projeto que Flávio Bolsonaro representa.
O núcleo duro do bolsonarismo permanece relativamente estável e minoritário, girando em torno de 20% do eleitorado. Há estimativas que apontam 25%; outras sugerem algo perto de 15%. Trata-se, em qualquer caso, de um grupo mobilizado, mas distante de constituir maioria social. Quando pesquisas registram intenções de voto acima desse patamar, convém perguntar de onde vêm os pontos adicionais. A explicação mais plausível é simples: voto de rejeição ao lulopetismo.
Parte relevante desse apoio pertence ao desgaste acumulado de Lula. O presidente chega ao terceiro mandato depois de décadas de protagonismo lulopetista no poder. O eleitor conhece bem esse projeto, suas promessas e limites. O governo atual reforça essa percepção ao reproduzir vícios conhecidos: populismo, baixa ambição reformista e prioridade constante à preservação do poder.
Crises pontuais podem surgir e desaparecer. Polêmicas econômicas mal conduzidas ou gestos simbólicos mal calibrados produzem irritação momentânea. O que pesa agora é algo mais profundo: a sensação de saturação que surge quando um projeto político parece ter esgotado sua capacidade de oferecer algo novo.
Cansaço político não se resolve com anúncios ou discursos. Ele nasce da percepção de que o governante já mostrou tudo o que tinha a mostrar. No caso de Lula, isso pesa mais. Depois de três mandatos e décadas de protagonismo, o espaço para reinvenção é limitado.
Ao mesmo tempo, isso não significa que o Brasil esteja pronto para abraçar novamente o bolsonarismo diante da fadiga com Lula. O sobrenome Bolsonaro ainda desperta resistências em parte da sociedade. O País pode estar cansado de Lula, mas isso não implica adesão automática a essa alternativa. Forma-se, assim, um impasse: uma parcela relevante do eleitorado parece não desejar nem a continuidade de um ciclo político esgotado nem o retorno a experiências recentes marcadas por instabilidade, inépcia e golpismo.
Para Lula, o desafio é mais complexo. Crises específicas podem ser superadas. Cansaço estrutural, não. Mesmo que o presidente preserve capacidade eleitoral – e jamais se deve subestimar sua habilidade de convencer incautos no momento do voto –, cresce a sensação de que seu ciclo político se esgotou. E quando uma sociedade chega a esse ponto, a reversão raramente é simples. Senão impossível.