Atualizada parte da redação da seção TRAPICHE às 22h44min deste 21.05.23. Hoje é sábado. Há reclamações da minha ausência por aqui com a cidade em “ebulição”. Não desisti. Não acertei com ninguém. Não faltou assunto, ao contrário. Faltou tempo para atualizar. Tenho outras prioridades. Então, uma palhinha do que está entulhado e atravessado. Bom Domingo. Bom outono. Bom fim de semana.
Hoje foi dia de pescar lixo no Rio Itajaí Açú, em Gaspar, numa cidade que não sabe há 15 anos como manejar, controlar e cobrar adequadamente o resíduos sólidos como mostrei em SABE DAQUELA TENTATIVA DE AUMENTO EXORBITANTE DA TAXA DE LIXO QUE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, O PP E CIRO QUERIAM NO APAGAR DAS LUZES DA CÂMARA NO ANO PASSADO E QUE ALGUNS VEREADORES CORAJOSAMENTE BARRARAM? ERA PARA OS PEQUENOS PRODUTORES DE LIXO PAGAREM A CONTA DOS GRANDES. O ASSUNTO FOI PARAR NO MINISTÉRIO PÚBLICO. ELE ESTÁ ATRÁS DE RESPOSTAS TÉCNICAS. E NÃO FOI NENHUM POLÍTICO QUE METEU A MÃO NESTA CUMBUCA CHEIA DE MARIMBONDOS DE FOGO, MAS O EX-PROCURADOR AURÉLIO QUE ENTENDE DESSE RISCADO COMO POUCOS. PARTE I.
Todos os figurantes da prefeitura – os que dão duro de verdade, os que ainda acham que vão fazer a diferença e os que estão obrigados a olhar a turma da champanhe, empregada por padrinhos de todos os tipos que já começaram a pedir votos para continuar na mesma mamata de sempre, zombando deles nas redes sociais – foram convocados para o espetáculo deste sábado. Alguns, com boas desculpas escaparam neste dia de sol e praia, mais uma vez. É mais uma marquetagem bem armada. Cortina de fumaça. Apareceram uns 30. Merecem estátuas. Era a cidade que deveria estar lá exigindo água limpa, não apenas limpando como se enxuga gelo.
Não desdenho, nem desonro à ideia da limpeza do Rio Itajaí Açú, em Gaspar. Destacarei apenas a incoerência. E por que?
Primeiro, porque ela é feita para esconder o que se prometeu e se esperava, mas não veio até agora, e essencialmente em mudanças para se superar no básico do básico. Destaco que há duas décadas de atraso entre nós, e em quase um ano e meio de governo, o das supostas mudanças nada de sair do papel o projeto de coleta e tratamento de esgotos. Zero, por aqui. Faz-se esta zombaria em pleno ano de eleições e de cobranças contra os próprios eleitores e eleitoras. Coragem ao limite. Caras-de-pau.
Segundo: tudo isso é para aparecer com factoides, repito, factoides do tipo pão e circo, e preencher o vazio da imprensa e especialmente na NDTV, que a prefeitura de Gaspar fez dela um canal de comunicação local comercial como se isso fosse resolver o problema de imagem da área e principalmente do governo, para assim para manter na função a terceira titular de comunicação – em 13 meses de governo. Aliás, ela quer ser a estrela, não o governo que a emprega e a paga. Credo!
QUAL FOI O BABADO DESTE SÁBADO “EXTRAORDINÁRIO” PARA O MEIO AMBIENTE DE GASPAR? I

Tudo como parte da semana dos nossos 92 anos de emancipação de Blumenau, emancipação feita por um gasparense, interventor de lá (Jacob Alexandre Schmitt – 1933/34). Ele sofreu ameaças – e das brabas, pelo ato de trairagem -, segundo os relatos da época. Aqui, vergonhosamente, Jacob Alexandre é ignorado por historiadores, educadores, gestores, políticos e a própria sociedade que escondem este fato histórico. Guardada, as proporções, é como se o Brasil e os brasileiros ignorassem Dom Pedro I no processo da nossa Independência de Portugal. Já escrevi. É reiterado. Beira a um crime contra a memória.
Mas, os que estes dois casos tem a ver? Tudo.
Porque nesta semana de emancipação de Blumenau como parte da pobrinha, e bota pobrinha nisso, programação comemorativa e já de responsabilidade exclusiva do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, com mais um daqueles slogans desconectados e criados pelo pessoal da comunicação “crescendo e investindo no futuro“, aprovado pelos bruxos da atual gestão, estava a “limpeza do Rio Itajaí Açú”, como penúltima atividade da programação.
Não é bem limpeza, é a recolha de lixo visível – fruto da falta de conscientização e educação – nas barracas do Rio. Merda também boia, mas ninguém se arriscou a recolhe-la.
A promoção é da Superintendência de Defesa Civil, tocada pelo terceiro sargento bombeiro militar, Rafael Araújo Freitas, em comemoração do Dia Mundial da Água e que será neste domingo dia 22.
QUAL FOI O BABADO DESTE SÁBADO “EXTRAORDINÁRIO” PARA O MEIO AMBIENTE DE GASPAR? II
Pera aí. Defesa Civil? Esta iniciativa não deveria ser essencialmente do Samae – Serviço Autônomo de Água e Esgotos (não distribuindo água, mas se comprometendo na implantação da coleta e tratamento de esgotos – e da superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, ligada a Secretaria de Planejamento Territorial? E se o “novo” slogan marqueteiro do governo Paulo é “crescendo e investindo no futuro“, não deveria ter a secretaria de Educação como vetor desse futuro para conscientizar e mudar os que os marmanjos de hoje fazem: poluir, fingir que limpam e completamente descomprometidos, com o presente para resultados no futuro ainda fazem marquetagem barata? E o que falar da secretaria de Saúde, a maior comedora de recursos do Orçamento e vítima de tudo isso?
Vou encerrar, pois tão nojento quanto o fedor do lixo e as manobras para não parametrizar as cobranças do lixo contra quem realmente produz mais lixo e paga menos comparativamente à maioria da população, é esta “limpeza” do Rio Itajaí Açú, em Gaspar.
Na mesma semana desta limpeza marqueteira do Rio Itajaí Açú, o Instituto Trata Brasil divulgou que as cidades brasileiras não avançaram e ou se avançaram, avançaram, foi muito pouco naquilo que né necessário e prometerem na coleta e tratamento de esgotos, ou no tal Marco Nacional do Saneamento. Vergonha, mais uma vez.
Gaspar, não possui coleta e tratamento de esgotos, mas possui um projeto de 20 anos para os bairros Sete de Setembro, Santa Terezinha, Coloninha e Centro. O atual governo – como outros desde o tempo de Pedro Celso Zuchi, PT, e Kleber Edson Wan Dall, MDB -, está atolado neste esgoto, na transparência e incoerência. O MPF também. Há um TAC – Termo de Ajuste de Conduta – de quase duas décadas e ninguém foi encostado na parede em nome da saúde, do futuro e da qualidade de vida dos gasparenses. O projeto e o TAC parecem estar nas valas fedidas que misturam água da chuva, veios de água natural e esgotos altamente contaminados que vão direto para o Rio e o lençol freático.
Limparam, simbolicamente de um trechinho, as barrancas de lixo visível, para fazer fotos e marquetagem. Mas, a verdadeira poluição que compromete a qualidade da água é a que afeta a vida de todos nós: a merda e outros poluentes químicos, continua no Rio, praticamente invisível, desafiando governos, poderosos, políticos e os defensores da saúde. Sobre isto, nada nadinha de nada.
Parte das filas – e dos altos gastos, incluindo os desgastes pelas queixas – nos postinhos de saúde, onde se agoniza em espera, decorre deste quadro de inércia naquilo que parece ser invisível: a poluição dos nossos mananciais e ao redor das nossas casas em Gaspar. Quando salas inteiras – desde as creches aos anos regulares do ensino municipal, estadual e particular são interditadas por supostas viroses -, não são desses lixos que foram recolhidos e falsamente propagandeados hoje, mas daquilo que está invisível ao nosso redor, dentro dos rios, nas valas que passam por nossas ruas e casas, e nos invadem nas enxurradas ou enchentes.
Aonde mesmo estava essa gente obrigadas as ações para a cidade, sua população e que deve respostas? Muda, Gaspar!
TRAPICHE

A máquina ilusionista e seus parceiros I. A polícia de Blumenau especializada em corrupção, bem apurou à suposta cobrança a maior – e bota a maior nisso – daquilo que era roçado em Gaspar pelas curitibanas Ecosystem e Sanitary, no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.
A máquina ilusionista e seus parceiros II. A bancada bolsonarista na Câmara de Gaspar, vendo que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, não deslanchava como se esperava e se prometeu, pegou esta apuração policial e criou uma cortina de fumaça, armando uma CPI que quase nada acrescentou ao apurado pela polícia. Resultado: apenas ajudou a atrasar o processo no Ministério Público e na Justiça. Se não fosse isto, talvez, já poderia estar próximo da punição aos supostos culpados.
A máquina ilusionista e seus parceiros III. A empresa que a CPI – o presidente era Ciro André Quintino, MDB, e a relatora, a policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL -, contratou para provar as supostas cobranças indevidas e pagas pelo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi alvo de denúncia anônima, por vejam só, pela suposta contratação indevida pela própria CPI. Tudo, também, já foi devidamente engavetado. Salvo melhor juízo, esta empresa que custou mais de R$40 mil, corre sério risco de ser desmoralizada na parametrização que elaborou para vingar a tese da CPI. Os membros da CPI, confrontados de que tudo acontecia igual no atual governo, saíram pela tangente para não serem envenenados pelo veneno que criaram baseados no parâmetros desta empresa que contrataram para reforçar a incriminação dos outros. Meu Deus!
A máquina ilusionista e seus parceiros IV. O martelo de que uma coisa é outra coisa, na mesma coisa, foi batido em reunião tensa nesta semana na Câmara de Gaspar e que se aceitou as explicações do secretário de Obras e Serviços Urbanos, Leandro Rafael Mello (o primeiro à direita na foto acima). Estava presente, vejam só, o procurador geral do município, vindo de Blumenau, Júlio Augusto Souza Filho. A denúncia de que tudo se repetia, foi do vereador bolsonarista, que estava na base do governo e na CPI, mas não prendeu a língua diante do que viu, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil (ao centro da foto acima), e pediu explicações ao governo. Thimoti só possui dois caminhos: engolir o que disse, ou mostrar à cidade de que estava certo e que se arma mais um truque de ilusão, no grito, na chantagem, na vingança conhecida e repetida, na mesma página também conhecida que se queria virar como se todos fossem tolos.
A máquina ilusionista e seus parceiros IV. Outro detalhe. A denúncia de Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, feita no plenário da Câmara. Ela foi praticamente foi ignorada na imprensa local e regional. Menos aqui neste espaço que não é lido por ninguém. Já a produção do espetáculo de desmoralização da denúncia, fez o pessoal da prefeitura, principalmente o de Blumenau, que atrapalha e burocratiza tudo, movimentar a ausente imprensa para cobrir a reunião. Até apareceu e circulou um press release, com foto e tudo da armação na Câmara, para se comer gato por lebre. E de forma inédita, a imprensa foi lá na Câmara. Para assistir, sem perguntar. E eu aqui. Ligando as pontas. E esse pessoal do governo está enfurecido com a minha clareza, contrariando a versão oficial, aceita de mão beijada pela imprensa local. Credo!
A máquina ilusionista e seus parceiros V. E lá o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Leandro Rafael Mello, que não é daqui e está comendo na mão de fiscais – que pelas empreiteira é o mesmo que foi da Ecosystem e da Sanitary -, disse que a atual empreiteira está roçando áreas supostamente particulares. Cumuéqueé? E diante do procurador geral? Tudo isso, para justificar à alta, ou estranha conta apresentada ao seu fiscal de contrato da prefeitura, e assim, tentar se livrar de culpas, bem como desconstituir e desmoralizar à denúncia de Thimothi.
A máquina ilusionista e seus parceiros VI. Espantoso foi ver a bancada governista, incluindo os do PP, endossar esta tese como um erro menor. Pimenta nos olhos dos outros é refresco? Pau que bate em Francisco, não bate mais em Chico? Essa gente metida a esperta, mas monitorada por quem acreditou que seria diferente de primeiro de janeiro de 2025, ainda vai inocentar o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, naquilo que lhe rotulou de malfeitos e se nçao se continuar e continuar com orientação tão equivocada, vai ter que pedir desculpas ao ex-prefeito. Por isso, a melhor informação e debate não está nas redes sociais, nem nos jornais, nem nas rádios de Gaspar, mas no whatsapp. Como pegar, como censurar, como perseguir em algo que é muito particular, mas que se multiplica pela cidade?

Para encerrar. Depois de meses afastados, afinal vice é apenas um suplente a espera de uma oportunidade, Paulo Norberto Koerich, PL, e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, apareceram nos mesmos ambientes nestas comemorações dos 92 anos de emancipação de Gaspar. Mas, nas fotos que tiraram juntos, como a abaixo, oficialmente, a prefeitura de Gaspar acabou editado e excluindo dela tanto o vice como o presidente da Ampe de Gaspar e Ilhota, Kauê Berkendorf, que originalmente estavam à esquerda. Ironicamente, ao fundo se lê: “juntos somos mais fortes”. Ahmmm. Muda, Gaspar!
Vai ter que se explicar. O vereador de Blumenau, Jean Volpato, PT, denunciou à Agencia Nacional do Petróleo (ANP) o Sindicato do Comércio Varejistas de Derivados de Petróleo de Blumenau, tocado pelo empresário e posteiro gasparense, Julinho Zimmermann, devido à suposta constatação de preços abusivos e práticas coordenadas de aumentos de preços dos combustíveis nos postos nas duas últimas semanas. Desta vez, a coisa pode pegar, pois entrou na parada a Polícia Federal.
Eu já tinha registrado aqui a inusitada “aula” de economia e geopolítica – decorrente da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, com o consequente comprometimento dos preços do petróleo e seus derivados a partir da crise no Oriente Médio – que Julinho Zimmermann tinha dado nas suas entrevistas, para explicar o aumento de diesel, principalmente, bem como da gasolina. Bingo. Agora, Julinho, pelo jeito, vai precisar se preparar para outro teste na ANP e na PF. Estava acostumado com o Procon. Finalmente. Segundo a mesma ANP, a gasolina não havia sido aumentada desde então nas distribuidoras, mas nos postos onde eu pagava R$6,37 até então, neste sábado paguei R$6,97. E como abasteço com regularidade, no mesmo posto…
8 comentários em “VOCÊ PENSA QUE BRASÍLIA FICA LONGE, É INCONTROLÁVEL, É O FIM DO MUNDO E QUE TUDO ESTÁ UMA ESBÓRNIA NA ESPERANÇA DE UMA URGENTE E NECESSÁRIA MUDANÇA? GASPAR É TÃO PARECIDA. VOCÊ NÃO PRECISARIA DE TESES COMPLEXAS PARA ENTENDE-LA, BEM COMO AS DE SEUS AGENTES PÚBLICOS E POLÍTICOS QUE O RODEIAM. ELES FORAM ELEITOS POR VOCÊ PARA MUDAR E ESTÃO PERTINHO DE VOCÊ. EM BRASÍLIA, QUASE TODOS ESTES DESASTRES E SINAIS ESTÃO NOS OLHOS DA IMPRENSA E DA PLURALIDADE DAS REDES SOCIAIS. AQUI, ESTE MUNDO DE INCOERÊNCIAS PERCORRE MEDROSAMENTE O “SILÊNCIO” DOS APLICATIVOS DE MENSAGENS. E PODE NOS SURPREENDER”
Pingback: UM GOVERNO É ACIMA DE TUDO, TÁTICO. QUANDO HÁ OBJETIVOS, PLANOS, PARCERIAS, EQUIPE, EXECUÇÃO E TRANSPARÊNCIA ISTO SE REFLETE A FAVOR NA IMAGEM DE QUEM CONDUZ ESTE PROCESSO. PAULO NORBERTO KOERICH INSISTE EM CONTRARIAR ESTE MÍNIMO E ÓBVIO. ESTÁ PR
VORCARO QUER PAUTAR A DELAÇÃO, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo
Daniel Vorcaro é uma pessoa audaciosa e o que ele fez com o banco Master comprova essa característica. Da cadeia, ele sinalizou que partirá para a delação. Até aí, tudo bem, mas em apenas uma semana ele soltou sinais de fumaça, indicando que pretende ser o maestro do espetáculo.
Quando estava solto e tentava ser recebido pelo ministro Fernando Haddad, ele avisava: “Eu preciso falar para ele o que pode acontecer se algo acontecer comigo”.
Enquanto a Polícia Federal digere o conteúdo de seus oito celulares, os primeiros sinais revelaram-no simultaneamente ameaçador e conciliador. Ameaçou revelar suas conexões com o PT e levantou uma bandeira branca para as ligações com magistrados, revelando que não pretende envolver o Supremo Tribunal Federal na sua delação.
Vorcaro achou que controlaria o Banco Central dando capilés a pelo menos dois funcionários. Depois acreditou que paralisaria o BC indo a Lula com o consigliere Guido Mantega. Quando deu tudo errado e o Master entrou em regime de liquidação, valeu-se de uma patrulha de blogueiros para intimidar o BC. Deu errado de novo e ele acabou preso pela segunda vez. Só então partiu para a delação, mas acredita que pode pautá-la.
Vorcaro dizendo que não quer envolver magistrados com sua colaboração é uma piada. Uma delação controlada pelo delator é uma inversão dos papéis. Quem controla esse processo são funcionários da Viúva. Eles podem influir na fixação do tamanho da multa que será imposta a Vorcaro, bem como a extensão da pena que cumprirá.
Vorcaro tem um fraco por espetáculos, quer pelas suas festas, quer pelos seus patrocínios de farofas enfeitadas por parlamentares e magistrados. O melhor que pode lhe acontecer é transformar sua colaboração num espetáculo, colocando-se no papel principal.
Em 2013, quando a Receita dos Estados Unidos detonou a rede de roubalheiras no futebol, o empresário brasileiro José Hawilla foi preso e passou a colaborar com a polícia federal americana. Ele gravava conversas e era acompanhado por Jared Randall, um agente do FBI. A certa altura depois de ter sido fixada uma multa de US$ 20 milhões, garantida por um depósito de US$ 5 milhões, Randall sentiu-se na obrigação de lembrar ao colaborador:
“Eu não sou teu amigo”.
O instituto da delação premiada não existe para fazer amizades e a colaboração de Vorcaro não pode avacalhar o processo.
Agora vai-se ver o que acontece com Vorcaro falando.
O ESTILO DE MAURO VIEIRA
Com a proximidade da campanha eleitoral, as relações do Brasil com os Estados Unidos voltaram a azedar. O Itamaraty cancelou o visto de Darren Beattie, conselheiro do governo Trump para assuntos relacionados com Pindorama. Ele pretendia visitar Jair Bolsonaro na Papudinha. Novas lombadas virão.
Muita gente mete a colher nessa encrenca. Para evitar que o Brasil caia em crises pueris, valeria prestar atenção no estilo do chanceler Mauro Vieira. Afinal, foi ele quem aplainou as arestas criadas por Trump.
Vieira fala pouco, só quando quer, sem dar detalhes de suas negociações. Cala-se quando consegue prevalecer e nunca reclama.
O CÉREBRO DE TRUMP
Um neurologista que acompanha as idas e vindas de Donald e o viu fazendo piada com o ataque a Pearl Harbor com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi arrisca um palpite, quase uma certeza:
“Ele tem um quadro relacionado com alguma lesão do lobo frontal do cérebro. A pessoa perde a inibição e toma decisões erráticas. Em português claro, diz o que lhe vem à cabeça”.
Trump estava com a primeira-ministra quando um repórter perguntou-lhe porque atacou o Irã sem consultar seus aliados, como o Japão. Ele estava ao lado de Sanae Takaichi e respondeu:
“Nós queríamos surpresa. Quem entende melhor de surpresa que o Japão? Por que você não me avisou de Pearl Harbour?”
O Japão atacou a base naval dos Estados Unidos no Havaí em dezembro de 1941, enquanto conduzia negociações diplomáticas em Washington.
Quatro anos depois os Estados Unidos jogaram duas bombas atômicas no Japão, acabando com a guerra.
MAXWELL NA REDE
Está na rede a edição eletrônica do livro “Globalização do Século XVIII: A Conspiração de Minas e o Atlântico Revolucionário”, do professor Kenneth Maxwell, autor do celebrado “A Devassa da Devassa”.
Com novos documentos, ele revisita a tentativa de envolvimento dos Estados Unidos com a conspiração dos mineiros. Em 1786, o estudante Joaquim Maia e Barbalho tratou do assunto com Thomas Jefferson, então embaixador dos Estados Unidos na França. Jefferson não queria encrenca com Portugal.
O pano de fundo dessa história foi um pequeno livro, com uma coletânea de documentos da revolução americana. Dois exemplares do livrinho estavam no Brasil e um passou pelas mãos de Tiradentes.
Os “americanos ingleses” como eram chamados os subversivos da época foram citados 90 vezes nas devassas da Inconfidência Mineira e os livros revolucionários tiveram 15 menções. Gente perigosa, aqueles americanos.
Nesse livro, Maxwell faz uma audaciosa afirmação: “José Bonifácio era tudo o que Thomas Jefferson gostaria de ter sido”.
A perigosa coletânea de textos ficou nos arquivos até 1860, quando o historiador Alexandre de Mello Moraes doou-a à biblioteca pública de Florianópolis.
ESCORPIÕES NA GARRAFA
O juiz Oliver Wendell Holmes dizia que a Corte Suprema dos Estados Unidos assemelhava-se a nove escorpiões dentro de uma garrafa. O Supremo Tribunal Federal brasileiro tem 11 ministros e passa pelo pior momento de sua existência.
Já houve casos de choque entre o tribunal e o Executivo. Às vezes os choques deram-se com o Congresso, mas foram leves. Desta vez, o curso de colisão é com a opinião pública. Uma pesquisa da Quaest revelou que, pela primeira vez a porcentagem de pessoas que não confiam no Supremo Tribunal (49%) superou a dos que confiam (43%).
Essa novidade ocorre num cenário que não envolve divergências políticas. O que desgasta o Supremo Tribunal são condutas pessoais, autoritarismos, blindagens e até mesmo farofas.
O ministro Edson Fachin pôs na mesa a discussão da necessidade de um código de conduta e foi repelido por alguns de seus pares como se propusesse um veneno.
A banda do Supremo que bloqueia o código ainda não se deu conta de que está fortalecendo a ideia que que o atual Pretório Excelso pegou fama como o pior tribunal de todos os tempos.
OS ERROS DE CÁLCULO DE TRUMP, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo
Os governos de Irã e EUA cometeram sérios erros de cálculo – o primeiro, no que diz respeito à deterrência; o segundo, às consequências políticas e econômicas da guerra. Agora, ambos precisam de tempo para recolocar a guerra na direção de seus objetivos.
Depois que Donald Trump rompeu o acordo nuclear em 2018, o governo do presidente Ebrahim Raisi, um nacionalista morto em acidente de helicóptero em 2024, alardeou avanços no enriquecimento do urânio para o patamar de 60%. O objetivo era mostrar que o rompimento fora um erro e incentivar os EUA de Joe Biden a voltar à mesa de negociações.
O efeito foi o contrário: 60% eram próximos demais dos 90% necessários para a confecção de bombas e distantes demais para exercer a deterrência. Para Trump e Binyamin Netanyahu, pareceram o estágio certo para conter o Irã.
Os ataques com mísseis iranianos contra Israel em abril e outubro de 2024 e junho de 2025 serviram para israelenses e americanos observar o poder do arsenal do Irã e ajustar seus sistemas defensivos e ofensivos.
Os iranianos superestimaram sua capacidade de intimidar os israelenses e os aliados árabes do Golfo Pérsico, assim como o compromisso de Trump de não iniciar uma nova “guerra sem fim” no Oriente Médio. Agora, o regime iraniano luta pela própria sobrevivência.
De sua parte, o governo Trump superestimou sua capacidade de neutralizar os mísseis e drones iranianos e de criar as condições para a mudança de regime em Teerã antes que a guerra impactasse gravemente a economia americana. Os patéticos apelos de Trump por ajuda para reabrir o Estreito de Ormuz e a recusa dos aliados europeus e asiáticos revelam grave erro de planejamento e desgaste de liderança.
ESCALADA. Agora, os EUA se preparam para mobilizar aviões de ataque ao solo A-10 Warthog e helicópteros Apache para destruir, respectivamente, embarcações e drones iranianos e reabrir o estreito. Segundo a agência Reuters, o Pentágono planeja enviar tropas para tomar a Ilha de Kharg, por onde escoa 90% do petróleo iraniano, e para a costa do Irã, para proteger a navegação.
Enquanto isso, o Irã continua atacando instalações petrolíferas das monarquias árabes do Golfo, forçando a redução da produção e exportação de petróleo e derivados. O regime causará o máximo de dano possível à economia mundial e americana para garantir que uma campanha como essa não se repita.
Os houthis, do Iêmen, aliados do Irã, têm capacidade de interromper o trânsito de petróleo pelo Mar Vermelho, usado como alternativa pelos sauditas. E eles ainda nem entraram em ação. Isso indica o quanto o fim desta crise está longe.
AUMENTO DOS “PENDURICALHOS” DEMONSTRA QUE O PROBLEMA SE TORNOI INCONTORNÁVEL, editorial do jornal O Globo
O Supremo Tribunal Federal (STF) pretende começar a julgar na próxima quarta-feira a constitucionalidade das verbas indenizatórias pagas de modo recorrente à elite do funcionalismo público — popularmente conhecidas como “penduricalhos”. Liminares dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, confirmadas pelo plenário, suspenderam o pagamento de auxílios, gratificações por acúmulo de função, licenças compensatórias ou férias convertidas em dinheiro — e deram 60 dias para os três Poderes nas esferas federal, municipal e estadual revisarem as benesses. A situação está longe de resolvida. Ao contrário, os “penduricalhos” têm crescido e se tornaram um desafio incontornável, como revela um novo estudo do pesquisador Sérgio Guedes-Reis para a República.org.
“Em um intervalo de apenas quatro a cinco meses, houve considerável expansão nos ganhos extrateto, inclusive nas carreiras da magistratura e Ministério Público”, afirma o estudo. “O quantitativo de juízes e membros do MP ganhando acima do teto passou de 31,4 mil para 37,9 mil, e o valor pago acima do limite constitucional nesse grupo saiu de R$ 14,7 bilhões para R$ 17,5 bilhões.” Guedes-Reis levou em conta no cálculo não apenas os contracheques de juízes, promotores e advogados da União, mas também ganhos de defensores públicos estaduais e procuradores em 11 estados, bem como de duas capitais, São Paulo e Rio de Janeiro. Apenas nessa fração do funcionalismo, estimou que o valor gasto acima do teto salarial — R$ 630 mil anuais, ou a remuneração de um ministro do Supremo — foi de R$ 24,3 bilhões. Pelo menos 67,3 mil servidores ganharam mais que o permitido pela Constituição. “Há evidência, portanto, de intensificação da corrida por supersalários dentre as carreiras de elite do setor público”, afirma Guedes-Reis. O trabalho aponta “evidências robustas” de que o abuso está também disseminado por estados e municípios.
O estudo compara a remuneração brasileira à equivalente em uma dezena de países e conclui: “As quatro carreiras jurídicas brasileiras têm sido remuneradas em expressivo descompasso com a realidade internacional”. Os 7.400 juízes mais bem pagos do Brasil recebem mais que todos os 53 mil juízes dos dez países. “Esse grupo expressivo descumpriria o teto remuneratório brasileiro mesmo se ele fosse equiparado ao italiano, que corresponde a mais que o dobro”, diz o estudo.
Além de constatar a distorção, a pesquisa recomenda um modelo de transição ordenada a uma remuneração em consonância com o padrão internacional. “A reestruturação remuneratória, embora complexa, não é incompatível com as balizas jurídicas hoje vigentes”, diz Guedes-Reis. A economia estimada para os cofres públicos alcançaria R$ 578 bilhões em 20 anos, ou R$ 186 bilhões em dez anos — metade viria da magistratura e um quarto do Ministério Público. Trata-se, evidentemente, apenas de um exercício. Mas é uma contribuição valiosa tanto para o julgamento no Supremo quanto para as propostas legislativas sobre o tema.
É lamentável o que o
“povo” e as “otoridades” do Vale,
fazem com o belo Rio Itajaí Açú!
. . .
“Pra rio pequeno, canoa
Pros grandes rios, navios”
. . .
Almir Sater e No rastro da Lua Cheia: https://www.youtube.com/watch?v=QvpO9Yu1H-s
Eu lamento um rio que poderia ter aguas cristalinas, ao contrario disso esgoto a céu aberto.
E desperdiça a oportunidade que vai virar esta tragédia ambiental e de saúde pública.
O CUSTO DO DESMONTE DA REFORMA TRABALHISTA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
As empresas brasileiras gastaram no ano passado mais de R$ 50 bilhões em ações trabalhistas. A elevada cifra é reflexo da alta no volume de ações ajuizadas na Justiça do Trabalho. Conforme aumenta o número de processos trabalhistas nas varas do País afora, cresce também o montante de recursos que escoam das companhias para o pagamento de acordos e condenações judiciais. Como se pode ver, o desmonte da reforma trabalhista tem custado muito caro ao País.
Esse processo de desfiguração das mudanças da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é progressivo. Quando a reforma trabalhista do governo Michel Temer entrou em vigor, o primeiro grande feito foi a redução do volume de ações. Para se ter uma ideia, a quantidade de processos caiu de 2,6 milhões em 2017 para 1,7 milhão em 2018. O objetivo era impor, acertadamente, alguma racionalidade ao contencioso trabalhista e conter a litigância aventureira e de má-fé.
Para isso, a parte derrotada, mesmo que beneficiária da chamada Justiça gratuita, teria de arcar com os custos dos honorários periciais e sucumbenciais – que são devidos à defesa da parte vencedora. Ou seja, o litigante deveria ser responsável ao fazer seus pedidos. Mas não só: foram estabelecidas regras mais claras sobre quem tem direito ao benefício da Justiça gratuita, ficando definido que o acesso seria assegurado aos mais pobres, que são aqueles que ganham até 40% do teto da Previdência Social (R$ 3.262,96).
As boas intenções da reforma trabalhista não resistiram por muito tempo. Primeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) liberou os beneficiários da Justiça gratuita de arcar com os honorários, o que endossou a litigância descompromissada. Depois, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) subverteu o texto da lei e decidiu que basta declarar, e não provar, que é pobre para ter acesso à Justiça gratuita, promovendo uma espécie de distribuição de renda às avessas.
É legítima a decisão da sociedade, por meio do legislador, de conceder o acesso gratuito à Justiça a uma parcela da população. “Mas a escolha da sociedade”, como bem explicou ao Estadão o juiz do trabalho e ex-auxiliar da vice-presidência do TST Rogério Neiva, foi socorrer apenas “os mais pobres”. Não parece que altos executivos, envolvidos “em ações de R$ 1 milhão, R$ 2 milhões”, conforme relatou o advogado Aloizio Ribeiro Lima, sócio do escritório Lefosse, sejam os merecedores do benefício.
O resultado não poderia ser outro: as decisões do STF e do TST ajudaram a retomar o status anterior da reforma trabalhista, que não era nada abonador para o desenvolvimento econômico do País: um cenário de alta judicialização e de elevado custo das ações trabalhistas. Só no ano passado, foram ajuizadas 2,3 milhões de ações em primeira instância, confirmando a tendência paulatina de alta. Soma-se a isso o montante vultoso de recursos financeiros desviados de investimentos na atividade econômica das companhias, na melhoria da remuneração dos colaboradores ou na amortização de dívidas.
O STF pode pôr um pouco de ordem na bagunça que fez junto com o TST. Tramita na Corte constitucional uma ação que questiona o acesso à Justiça gratuita por mera autodeclaração e até o perfil de quem pode receber o benefício. O ministro Edson Fachin, relator do caso, seguiu o entendimento do TST, mas o ministro Gilmar Mendes discordou, propondo o acesso ao benefício a quem ganha até R$ 5 mil por mês. Não se pode negar que se trata de um teto para impedir os reiterados abusos. Mas é sempre bom lembrar que basta retomar a autoridade da lei: a regra prevista na CLT que tem como base o teto do benefício da Previdência.
Uma boa decisão do Supremo pode reduzir o volume de processos e o montante de gastos das empresas com ações. Por ora, o Poder Judiciário só fez lambança na área trabalhista: criou regras, violando a separação dos Poderes; subverteu a lei, sob a alegação de interpretá-la; e disseminou a insegurança jurídica, dificultando a vida das empresas, aumentando seus custos e tornando o Brasil um país ainda mais hostil aos negócios.