Esta semana torço para ser amena e com menos artigos por aqui. Porque nos bastidores do poder de plantão de Gaspar, como filial de um poder contaminado de Blumenau, a coisa promete continuar quente. A ilustração acima, de um leitor com uso da Inteligência Artificial, diz que no Reino Capivariano Gasparense, o diabinho diz que pior do que está, não fica. Mas, está ficando. O diabo, ardiloso, sempre sabe o que quer e faz…
Antes do tema de hoje, propriamente dito, não devemos nos esquecer do que está rolando nos bastidores da Câmara. Ela está em chamas depois que uma minoria riscou o fósforo e o governo deu, por provocação, confronto e pela falta de habilidade tática ou por método, combustível para sustentar o fogaréu.
Parte disso, eu lhes expliquei na sexta-feira em GOVERNO COLOCA A CÂMARA NO “PAU DE ARARA”. OU ELA APROVAVA, NA MARRA, SEM DEBATE E EXPLICAÇÕES MAIS UM PROJETO DE LEI PARA SUSTENTAR O HOSPITAL, OU PAULO NORBERTO KOERICH, PL, FECHARIA. DEVIA FAZÊ-LO. O QUE DEMONSTROU TUDO ISTO? FALTA DE PLANEJAMENTO, GESTÃO, MUDANÇA, TRANSPARÊNCIA, COMUNICAÇÃO E DIÁLOGO DO E NA ADMINISTRAÇÃO. SOBROU O TAL “SELO DIAMANTE”, IMPORTADO DE BELÉM, DO PARÁ.
Conclusão: os hipócritas de ontem e os de hoje estão se encontrando num mesmo ponto nas observações deste blog. Faz tempo. Quando eles estavam na suposta oposição e na busca de poder, festejavam, repito, festejavam, a minha independência como uma peça essencial dos seus planos. Nunca combinaram nada comigo, mas usufruíram das vantagens. Entretanto, quando chegaram no poder, pintam-me como um perigoso incendiário a ser debelado a qualquer custo. Fazem isso, como pêndulo, há quase três décadas. Então não estou surpreso, conheço os feiticeiros e seus feitiços, mas, reconheço, não tenho como me livrar deles. Aliás, eles são parte da minha existência e dos meus leitores e leitoras que não os tenho quando eles estão no poder, só os reconhecem como essenciais serem bem esclarecidos, quando precisam buscar o poder.
No fundo, o diabo azucrina esta gente. E vestido de anjo. E ela, insiste, em se encarnar num personagem de salvador de todos nós. Ela nos quer mansos, que nos esqueçamos das promessas feitas, das necessidades mínimas e urgentes para a simples manutenção da gestão de uma cidade aos seus cidadãos e cidadãs.
Três fatos para começar a semana matutando.
1. A transparência em Gaspar está só nos discursos. Quem busca descobri-la, é fofoqueiro. É uma tática de intimidação, constrangimento e desacreditação.
Aliás, Paulo Norberto Koerich, PL, quando reclamou disso em público pela rádio 89 FM, exatamente por falta de esclarecimentos convinventes, foi atropelado pelos fatos, apurações, inquéritos, provas e tornozeleiras, que integraram três operações policiais, Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas – e o Ministério Público, todos de Blumenau. Elas feriram de morte na imagem o seu governo. Paulo um policial civil investigador de mais de 30 anos de carreira que culminou ao topo dela como secretário de segurança do estado no governo de Carlos Moisés da Silva, União Brasil, sabe muito bem o que isto representou. Mesmo assim, não foi preventivo e “surpreendido”, demorou para reagir.
Parece ser falta de criatividade e o caminho mais curto para quem está devendo explicações. Envolvido até o nariz na atual administração, a qual criticava até chegar à zona de conforto para ser o fiel da balança de votos na Câmara e Paulo Norberto Koerich, PL, ser dependente dele – a sessão extraordinária de sexta-feira foi o retrato mais fiel desse jogo que nunca deixou o mais longevo dos vereadores José Hilário Melato, PP, de fora dos governos do PT, do MDB e agora do PL – ele acabou de cair na mesma armadilha para salvar seu “novo líder Paulo”.
Neófito no manuseio das redes sociais, Melato resolveu convidar os fofoqueiros para levarem as suas línguas para a sua feijoada feita entre seus amigos. E impulsionou a mensagem raivosa – pagou – e chapa branca. Atraiu também, os chamados haters, até porque ele não é delegado que provoca receios aos “comentaristas”. Nas redes sociais e principalmente nos aplicativos de mensagens que rodaram freneticamente a cidade, estão os massivos prints das interações dos internautas. Eles não ofereceram só a língua, mas a linguiça para…
Não vou entrar na pilha dos comentários, mas no mérito. No fundo, os eleitores e eleitoras que fizeram comentários duros, estão de saco cheio seja de gente que se diz nova na política que não está dando conta do recado, quanto de gente antiga que fica sempre agarrada no mesmo velho galho, usufruindo, seja quem esteja no poder de plantão. Apenas isto se retratou. E Melato sabe disso. Mas, está calejado. Tanto que já foi réu em uma CPI

2. O outro fato deste final de semana bem mostra que nada mudou, de verdade, Ao contrário, prova que no fundo, tudo e todos estão bem misturadinhos nas instituições, no poder de plantão e nos partidos sob as mais variadas siglas e que torna tudo ainda mais confuso para os eleitores e eleitoras nesta e outras eleições.
Este sinal está expresso a reaparição público, com desenvoltura, do ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall (2017/24), eleito pelo MDB desde 2008 e agora no Podemos. Aonde Kleber estava para recomeçar a sua vida política que Paulo Norberto Koerich, PL, prometeu interrompê-la, por conta das coisas mal explicadas, da suposta herança maldita e das mudanças que ele lideraria à nova administração gasparense: no Primeiro Seminário Eleitoral do PL catarinense. A foto ao lado é a reprodução do rede social próprio Kleber, dando as tintas, no convescote do PL. Meu Deus!
Resumindo: Kleber, Paulo, Rodrigo Boeing Althoff, este no Republicanos, Mário Hildebrandt, PL, e o deputado Federal de Blumenau, Ismael dos Santos, padrinho de Kleber na prefeitura de Gaspar, que trocou o PSD pelo PL, estarão todos no mesmo palanque por Jorginho Melo, PL, Flávio Bolsonaro, PL.
O que mudou ou vai mudar mesmo? E depois esta gente diz não saber à razão de tanta queixa e a necessidade de constranger e calar os observadores; da falta de votos nas urnas e das cobranças por coerência e da qual causa tanta zanga aos políticos quando cobrados ou expostos. E ainda há eleitores e eleitoras, brigando por por essa gente vira-casaca e sempre juntinha. Por conta dela, esses eleitores estão até dividindo amizades e famílias… Credo!
3. E para encerrar este artigo ameno desta segunda-feira. Esta gente quando na oposição, oprimida e em busca das vulnerabilidades dos poderosos de plantão para tirá-los do poder, sempre olha três coisas para emprestar credibilidade alheia: a falta de transparência, as dúvidas e a irritação da massa com a hipocrisia, incoerência e falta de resultados.
E, imediata e estruturadamente, hoje com auxilio das redes sociais e Inteligência Artificial, essa gente transfere a crítica por meio do discurso e que o qualifica como sendo liberdade de expressão, numa sociedade democrática ansiosa por mudanças, controles, ética e resultados comuns.
Mas, quando no poder, esta tal de liberdade de expressão vira um problemão sério devido ao vazio, à continuidade ou repetição das mesmas incompetências e incoerências pelos novos poderosos de plantão escolhidos pelos votos livres. Com o passar do tempo, descobre-se que tudo não passa do mesmo minguau feito na mesma panela. Os fatos não deixam nenhuma dúvida.
Quem definiu bem como essa gente se comporta depois de eleita e no poder, por meio de vários mecanismos e instituições, foi Fernando Luiz Schüller, um filósofo, professor universitário, articulista, cientista político e consultor de empresas e organizações civis nas áreas de cultura e ciências políticas, num debate do programa do WW (Willian Wack) da CNN Brasil.
Veja este recorte e conclua você mesmo a razão pela qual, em Gaspar, contratou-se uma empresa “especialista”, de Belém, do Pará, para dar o “Selo Diamante” de transparência e comunicação à atual gestão. O custo disso? Quase R$100 mil. Meu Deus! Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Está passando despercebido. Mais um clube vai fechar em Gaspar. É a Sociedade Carijós. Uma Assembleia dos sócios na quarta-feira às 9h da manhã, na sede do Clube na rua Augusto Becker, na Margem Esquerda. Ela vai validar os valores de alienação. Quem vai comprar? A prefeitura. Para que? Para fazer ali uma unidade educacional.
Finalmente, uma boa notícia. Está liberado desde ontem o trevo de acesso da Rua Hercílio Fides Zimmermann com a BR-470. Foi o último trevo de acesso a Gaspar que teve esta ligação completada. E olha que esta ligação já foi a principal entre a margem esquerda, a BR e o centro de Gaspar. Antes veio a da Lagoa, a do Sertão Verde com a Ponte do Vale, e as três do Belchior Baixo.
Como funciona I. O Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos do Vale do Itajaí realizou na Arena Multiuso Francisco Hostins neste final de semana o Passaporte Morfológico Cavalo Crioulo. Segundo os organizadores, foi um sucesso. A prefeitura de Gaspar não teve participação alguma na estruturação e promoção. Ao contrário: cancelou a Expo-feira de Animais, para que sobrasse dinheiro na prevenção ao “El Niño”.
Como funciona II. Diante do sucesso quem apareceu por lá para aparecer nas fotos e reconhecimento? O prefeito, a secretária de Agricultura e Aquicultura e a secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda.
Como funciona III. Um eleitor, cidadão, ralador, do tipo que faz acontecer no que faz e com espirito comunitário se cansou de ver os pontos de ônibus da Avenida da Comunidade, ou seja, a poucos metros da prefeitura de Gaspar, sujos. O jovem Carlos Alberto de Souza Neto possui uma empresa de limpeza comercial e pós obras, chamada Helf Clean, ao saber que uma cliente cancelou o serviço na última hora, não chorou. Pegou este tempo e foi limpar o ponto de ônibus, que não usa, mas o incomoda sujo, e limpou. Virou heroi.
Como funciona IV. O assunto chegou ao gabinete do prefeito. E Paulo Norberto Koerich, PL, chamou o jovem voluntário, dono do ato de cidadania por Gaspar e os gasparense para lhe agradecer e aparecer na iniciativa alheia. Quem devia estar na foto? O secretário de Obras e Serviços Urbanos, Leandro Melo. Gasta-se uma baba dos pesados impostos de todos para este tipo de serviço, ninguém do governo fiscaliza, controla e faz, mas está aos olhos de todos, inclusive de que foi lá voluntariamente resolvê-lo, para depois os políticos e gestores políticos ainda saírem bem na foto. Muda, Gaspar!
Vem aí o tradicional Stammtisch do Cruzeiro do Vale. Será no dia quatro de julho, um sábado, sai da Arena Multiuso Francisco Hostins e vai pra o centro de Gaspar, a exemplo de Blumenau. E como começou.
Três registros. Ontem foi dia de comemorar os 68 anos de emancipação de Ilhota. Silenciosamente, ela vai crescendo mais que Gaspar. No dia 19 de junho, a velha ponte Hercílio Deecke, aqui no Centro, a primeira ligação entre o Centro e a Margem Esquerda, completou 66 anos. Para um suposto erro de convocação trama-se na prefeitura de Gaspar o embrulho aos questionamentos na convocação da secretária de Planejamento Territorial, Camila Beatriz Tillmann pelos vereadores sobre as dúvidas e suspeitas nas obras de recuperação da barranca do Rio Itajaí Açu, na Anfilóquio Nunes Pires, em Gaspar. A “dona” do projeto e obrigada as explicações técnicas seria a Aline Fonseca Pereira Bratfisch. Ambas eram de confiança do ex-secretário, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi e foram mantidas por Paulo Norberto Koerich, PL. A conferir.
22 comentários em “QUASE TODOS QUEREM O PODER. MAS, QUANDO NELE, NÃO SABEM O QUE FAZER COM ELE. FICAM SURDOS AOS QUE LHE DERAM ESTE PODER, CERCAM-SE DE BOBOS-DA-CORTE, EXIGEM UMA OPOSIÇÃO SUBMISSA E DESMORALIZADA. QUEREM ANULADOS OS CRÍTICOS. ESQUECEM ATÉ O PRÓPRIO DISCURSO QUE EMBRULHARAM QUASE TODOS PARA CHEGAREM AO PODER PELOS VOTOS LIVRES”
Pingback: DEPOIS DA ANESTÉSICA VITÓRIA DA SELEÇÃO DE FUTEBOL BRASILEIRA DE FUTUBOL É PRECISO ACORDA E OLHAR COMO E PORQUÊ DOS POLÍTICOS, POR ESTA SIMPLES VITÓRIA, ESTAREM NOS DOPANDO, NÃO EM BRASÍLIA, MAS AQUI EM GASPAR, BLUMENAU, VALE E SANTA CATARINA PA
LULA PRECISA DE UM MOMENTO DE MESSI, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo
Depois de ter perdido um pênalti, Messi fez dois gols contra a Áustria e decidiu a partida. Terminada a Copa, começará a campanha eleitoral. Até outubro, Lula precisará destravar uma dissonância das pesquisas. Segundo o Ipec, 50% dos entrevistados desaprovam seu governo. Segundo o Datafolha, 38% acham que Lula 3.0 é ruim, ante 32% satisfeitos. Tudo bem, perdendo um pênalti, Messi não é mais o mesmo.
Fulanizando a disputa, o Datafolha mostrou que Lula teria 41% contra 31% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A terceira via patina com Ronaldo Caiado e Renan Santos (3%), mais Romeu Zema e Aécio Neves (2%).
Um presidente reprovado por metade dos entrevistados é o preferido com 10 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado. Marcando um gol poucos minutos depois, Messi é o grande artilheiro das Copas.
Salta aos olhos que os candidatos da terceira via ainda não decolaram e, pelo andar da carruagem, dificilmente decolarão. Serão muitas as explicações, mas até agora nenhum deles firmou uma identidade. Nem Flávio Bolsonaro, salvo pela conexão dinástica.
Depois dos quatro tumultuados anos de Jair Bolsonaro, o eleitor parece querer paz com Lula, mesmo não gostando do seu governo. Essa situação pode ser explicada imaginando um eleitor que viu no Bolsonaro pai um presidente que não gostava de vacinas durante uma epidemia nem de urnas eletrônicas numa eleição. Flávio seria algo novo, mas, até agora, seu único aliado de peso chama-se Donald Trump e mora nos Estados Unidos.
Trump está no meio de seu segundo mandato. Não se conhece uma só medida saída da Casa Branca que tenha sido simpática ao Brasil. Outras, como o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, foram claramente arbitrárias e antipáticas, produto da cavalgada bolsonarista pela Casa Branca.
Até outubro, a usina de encrencas de Washington produzirá novidades, mas Lula e o PT parecem ter metabolizado Trump, associando-o a tarifaços e ameaças à soberania nacional. Os adversários do PT que engataram sua charanga na locomotiva do presidente americano foram com sede ao pote. O vinho desse copo é vinagre.
Faz tempo, quando o general Emílio Médici governava o Brasil, foi recebido em Washington pelo presidente Richard Nixon. Para lambuzá-lo, o americano disse que “para onde for o Brasil, irá toda a América Latina”. A torcida governista exultou, mas o chanceler Mário Gibson Barboza sentiu o travo do vinagre: “É o beijo da morte”. Não deu outra, afinal, Gibson era um diplomata experimentado.
Depois do primeiro tarifaço de Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram ao menor nível em 30 anos. Para Trump, essa notícia é boa. Para os Bolsonaros, que festejaram a medida, a conta virá em outubro. Eles montaram um cenário inédito: os eleitores não gostam do governo, mas, por enquanto, preferem manter Lula no Planalto. As dissonâncias das pesquisas de junho mostram o que se sabe.
O JUDICIÁRIO BRASILEIRO, GENTE QUE RALA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA, NOS TRIBUNAIS SÉRIOS, NÃO MERECE ESTA HUMILHAÇÃO
Assistindo – inteira, por duas vezes – a entrevista do decano ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, é algo assustador. Há um exemplo invertido no topo da jurisdição, a mesma que quer moralizar quem está abaixo dela. Impressionante. Como isto pode dar certo? Não sei.
Cláudio Dantas, na conta dele no X, resume bem nesta pergunta: Toda vez que Gilmar perder no voto, ele vai dar entrevista para tentar vencer na narrativa?
Só para lembrar, na turma, quando julgava o livramento da prisão do pai de Daniel Vorcaro, o Henrique, presidindo a sessão, Gilmar Mendes foi voto vencido, e com esclarecedoras e estarrecedoras intervenções do relator, ministro André Mendonça que ganharam o Brasil e os brasileiros.
O BANCO DE EDIR MACEDO NO TEMPLO DA PERDIÇÃO QUE JUNTA FINANÇA, CRIME E POLÍTICA NO BRASIL, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo
Há podridão extensa na finança —se estende da bandidagem de rua à da política. Isto é, crimes financeiros, gangues no controle de instituições financeiras, o crime organizado “comum” se valendo de instituições de pagamentos, “fintechs”, e fundos para sumir com dinheiro, com apoio de parte da elite política graúda. Nem vamos lembrar da Americanas e de tantas empresas com balanços “com problemas”.
O Digimais pode ser um Masterzinho, diz a Polícia Federal. Ou mais do que isso. Edir Macedo, dono do banco, não ocupa ou ocupou cargo político, mas lidera corrente do evangelismo político. Ele, seus vassalos ou fiéis poderosos mandam em um partido, o Republicanos. O Congresso está à beira de aprovar mais favores tributários para igrejas.
Daniel Vorcaro, chefe de gangue que também tinha um banco, alugou ou comprou a alta ralé da República com o fim de fazer valer seus interesses no Legislativo, no Judiciário e no Executivo e em instituições de supervisão e fiscalização.
Uma elite política corrompida em tantas frentes não se ocupa do desastre. O país parece indiferente até para um apodrecimento catastrófico tal como a infiltração (ou domínio?) das facções no poder estadual no Rio de Janeiro. Ainda não sabemos das teias completas dos parlamentares que mandam na distribuição de emendas, vários deles amigos de Vorcaro e de gente dessa laia.
Ao menos parte do grande crime é acoplada à economia dita formal, de resto. Se não fosse assim, seria difícil vender terra grilada e produtos de terra grilada ou desmatada ilegalmente, como boi, soja, madeira, ouro etc. Parte desses negócios é protegida, financiada ou comandada por traficantes de drogas e armas.
A PF diz que o caso do Digimais é similar ao do Master —a ver as provas. O Master era um tipo de esquema de pirâmide. Tomava emprestado dinheiro que não tinha como devolver, pois seus ativos (haveres) não rendiam o bastante para pagar as contas (como CDBs), dificilmente poderiam ser vendidos logo, a bom preço e baixo custo (como precatórios), quando não eram pura fraude —inexistiam. O Digimais também maquiava balanços para não parecer quebrado.
Vorcaro era muito mais do que fraudador de banco, claro. Tinha gangue de corrupção, de infiltração em sistemas de informação sigilosa do Estado. Quando sua fraude estava para ser exposta, tentou repassar o cadáver do Master para o BRB, o banco estatal do Distrito Federal que colaborou com o crime, e fugir com parte do dinheiro.
Essa e outras fraudes e relações financeiras criminosas se tornaram possíveis também pela multiplicação de instituições de pagamento, “fintechs”, sem controle, regulação ou fiscalização suficientes, está evidente agora. Liberou geral. Bandidos de espécie variada montaram na boiada que estourou. Vide o caso da Reag, maior gestora de fundos independente, central de fundos usados por crimes, das máfias de combustíveis a facções criminosas, passando por Vorcaro e seus amigos.
Além disso, o sistema de regulação e supervisão permitiu a existência de fundos secretos e fundos de fundos, sem que se soubesse o que havia dentro e quem era dono de quê, inclusive fundos de bancos. O capital escondido servia ainda mais a crimes variados. Sob Gabriel Galipolo, o BC passou a denunciar essa gente à polícia ou a liquidar instituições. Entretanto, a podridão se espalhou e se entranhou; nos habituamos a viver no lixo.
O HEGEMONISMO LULOPETISMO, por Augusto Franco, na sua conta do X
Gilmar Mendes não é um juiz de suprema corte. É um oligarca do novo arranjo de poder que se erigiu no Brasil graças ao hegemonismo lulopetista.
UM LEGADO DE FACHIN PARA A REFORMA TRIBUTÁRIA, por Fernando Exman, no jornal Valor Econômico
O turbilhão no qual foi envolvido o Supremo Tribunal Federal (STF) deixou em segundo plano uma iniciativa crucial de seu presidente, o ministro Edson Fachin, para tentar reduzir o potencial contencioso envolvendo a reforma tributária do consumo.
Poucos discordam que a aprovação da reforma, ocorrida após mais de três décadas de idas e vindas, foi um feito histórico. Ela deve finalmente simplificar o que se acostumou a chamar de “manicômio tributário”, o emaranhado de regras e impostos que por anos atrapalhou empreendedores e travou o desenvolvimento nacional.
Economistas a festejam, devido ao seu potencial efeito positivo sobre o crescimento do Produto Interno Bruto e a atração de investimentos. O Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, chegou a estimar que ela, ao eliminar ineficiências, aumentaria o nível do PIB em 6% a 11% ao longo da transição (2026 a 2033), ante um cenário sem reforma. Mas o risco de judicialização tem preocupado magistrados, advogados, autoridades e, claro, o contribuinte que eventualmente precisará recorrer à Justiça.
Não custa lembrar. Entre outros pontos, a reforma prevê a extinção de cinco tributos (ISS, ICMS, IPI, Cofins e PIS) e cria outros dois impostos sobre o consumo: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) no âmbito federal e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) de competência compartilhada entre Estados, municípios e Distrito Federal. CBS e IBS seguirão o modelo de tributação sobre o valor agregado, o IVA, e incidirão sobre bens e serviços uma única vez ao longo da cadeia de produção.
Os alertas começaram a surgir desde a promulgação da reforma. E continuam agora, durante o processo de regulamentação. Tendem a crescer.
Houve quem apontasse, ainda em 2024 no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o risco de saturação e desorganização dos trabalhos do Poder Judiciário. Já existia uma preocupação com a dispersão da jurisprudência e o risco de desequilíbrios competitivos, além da necessidade de garantir o direto ao recurso, ao contraditório e à ampla defesa.
Em outra frente, o Valor vem mostrando a preocupação de empresas e advogados. Recentemente, uma reportagem anotou que 22 temas da reforma tributária ainda precisam ser devidamente regulamentados, de forma conjunta, pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS). Foram elencados pontos como a emissão de notas fiscais, o “split payment” e o conceito de valor de mercado, entre outros. Isso sem falar na expectativa de aumento da carga tributária e do Imposto Seletivo, cuja proposta ainda nem foi enviada ao Congresso.
Mas esse não é um assunto que pertence apenas a um horizonte de longo prazo. Como também já mostrou o Valor, há a expectativa de que o plenário do Supremo Tribunal Federal se depare, ainda nesta semana, com os primeiros processos que discutem especificamente pontos da reforma tributária do consumo.
Um levantamento do escritório Mannrich e Vasconcelos Advogados cita que as ações em pauta questionam as regras para o uso da alíquota zero do Imposto e da Contribuição sobre Bens e Serviços na compra de veículos por pessoas com deficiência e pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). De acordo com o levantamento, também já foram judicializados requisitos exigidos de comerciais exportadoras para a suspensão de IBS sobre suas vendas, os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus e aqueles concedidos à comercialização de agrotóxicos, ponto que foi definido pelo Supremo em ação mais abrangente. Especialistas ainda apontam a possibilidade de questionar se a imunidade da Casa da Moeda alcança seus insumos.
Em um desses casos, aliás, os autores obtiveram decisões divergentes, ao protocolar petições sobre o mesmo assunto em diferentes endereços. Não é sem justificativa, portanto, que no STF se quer evitar uma avalanche de processos capaz de dominar a agenda de 2027.
Nesse contexto, um objetivo é dar racionalidade procedimental e definir competências. Em outras palavras, decidir se determinado juiz ficará responsável, caso a ação entre num município específico, e se ele será competente para julgar todos os processos sobre o assunto que surgirem. Ou, então, se o processo deve seguir para Brasília. Neste caso, vai para o STJ ou ao STF?
Atualmente, há três propostas sobre a mesa. Uma é criar uma espécie de competência tributária exclusiva na Justiça Federal, aproveitando a estrutura já existente, para tratar dos tributos estaduais. Os Estados resistem. Por sua vez, eles não querem perder essa competência e pretendem afastar a Justiça Federal da discussão, mantendo-a no âmbito local. A terceira via é uma espécie de “fast track”, que daria preferência aos litígios tributários. STJ e o STF, eventualmente, teriam prazos para se debruçarem sobre esses casos.
A expectativa é que Fachin receba um compilado das discussões em andamento na área técnica da Corte, que colheu recentemente contribuições da sociedade civil e de partes interessadas. Com o material em mãos, o presidente do Supremo deve avaliar a necessidade de formulação de uma proposta legislativa que trate dessas competências. Em caso positivo, irá apresentá-la à cúpula do Congresso.
Esse trabalho ganha menos atenção do que as discussões sobre o necessário código de ética para o STF, o urgente fim dos penduricalhos e a reforma do sistema de Justiça – iniciativas também tocadas pelo presidente do Supremo desde que tomou posse. Mas é fundamental para assegurar que os potenciais ganhos com a reforma tributária sejam de fato obtidos.
por quê Gaspar seria diferente, se se inspira em Brasília? Meu artigo dá a dica. Todos misturadinhos.
ENTRE OUTROS, por Felipe Moura Brasil, na sua conta no X
Lava Jato atingiu lulismo e bolsonarismo.
Caso Master atingiu lulismo e bolsonarismo.
Lava Jato foi destruída por lulismo e bolsonarismo.
Caso Master vai ser também?
Eles posam de rivais, mas se acobertam quando esqueletos do armário aparecem, atrasando o país.
Agora, eu: ou atrasando Gaspar
PACTOS, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Ocaso Master estabeleceu a lama como arena para a disputa eleitoral. Em curso a peleja por impor a própria versão sobre quem estará mais enredado na teia vorcárica, reivindicada já a vantagem de ser daquele grupo político com menos tentos no placar de contaminação por Daniel Vorcaro.
Já era sabido que Jaques Wagner, expressão maior do petismo baiano, deitara-se na rede vorcárica. Não se sabia a que custo e com que extensão – segundo a Polícia Federal, tal e qual o de Ciro Nogueira, configurado outro mandato parlamentar instrumentalizado a serviço de interesses privados do banqueiro.
Na última sexta, o Estadão publicou, com base em registros da PF, que o melhor amigo de Wagner, Guilherme Sodré, o Tio Guiga, intermediava contatos entre o senador e Vorcaro, e teria agendado reunião entre eles: “O encontro vai ser hoje em Brasília! Lucas, chefe de gabinete, vai enviar mensagem para acertar detalhes! Abraços e sucesso”. Foi em 7 de agosto de 2024, seis dias antes de Nogueira apresentar a chamada Emenda Master, no dia 13. No dia 12, Sodré, após telefonema com Vorcaro, mandou-lhe o número do celular pessoal de Wagner – e escreveu: “boa sorte”. No dia 13, Augusto Lima, o amigo fraterno Guga, sócio de Vorcaro, ligou ao senador e lhe enviou o link da proposta ao Senado.
Tramas que darão novo molho à memória de que Lula, ao receber Vorcaro no Planalto, fora da agenda e sob o lobby de Guido Mantega, recebeu também Lima e mandou chamar Rui Costa, o governador sob quem a Bahia concedera a Guga a exclusividade – por 15 anos – na exploração de oferta de crédito consignado a servidores do Estado. Wagner era secretário de Desenvolvimento.
Talvez não tarde a que cheguemos ao debate em que se pedirão votos mercadejando a condição de menos enlameado. Wagner não é Lula – dirá o petista, para isolar o presidente do amigo, político milionário, que tornara líder do governo. Flávio Bolsonaro não recebeu propina – rebaterá o bolsonarista, para distinguir o senador, caso em que Vorcaro seria apenas um investidor no cinema nacional.
O cronista então lembrado da notícia – veiculada em março – de que as turmas de Wagner e ACM Neto teriam firmado espécie de acordo para deixar o caso Master à margem da campanha eleitoral na Bahia. Foi logo após à revelação de que o ex-prefeito de Salvador recebera R$ 5,4 milhões do Master e da Reag a título, claro, de consultorias. Pouco antes, circulara a notícia de que a nora de Wagner levara – também por serviços de consultoria – pelo menos R$ 11 milhões do Master. (A nora de Wagner, casada com o filho de Tio Guiga, operador da BN Financeira, empresa que seria o destino de propina para Wagner.)
Quiçá as equipes de Lula e Flávio pudessem firmar pacto para ignorar o escândalo até outubro, o senador ficando, por exemplo, desobrigado de explicar os encontros com Vorcaro. Na sexta, venceu o prazo – de até 30 dias – que Flávio dera para que a produtora de Dark Horse apresentasse a prestação de contas do filme.
UMA CRIATURA MAL CRIADA
A observação é de Augusto Franco, na conta dele no X e não deixa de ser preocupante
A esquerda populista (em parte revolucionária travestida de “progressista”) tanto caluniou quem não se subordinava a ela de extrema-direita, que “produziu” afinal uma direita populista (em parte reacionária travestida de “conservadora”).
É PREOCUPANTE A RETIRADA DE POLICIAIS CEDIDOS A TRIBUNAIS, editorial do jornal O Globo
Investigações contra corrupção no Brasil esbarram com frequência em obstáculos que contribuem para transmitir a sensação de impunidade. O exemplo mais citado costuma ser a Operação Lava-Jato, desmontada depois que vieram à tona erros processuais, em especial a ação coordenada entre magistratura e procuradoria — que levou à anulação da vasta maioria das condenações, mesmo de réus confessos, diante de provas irrefutáveis.
O escândalo do Banco Master, pelas figuras já atingidas em todo o espectro partidário e pelo alcance das relações políticas de seu protagonista, o banqueiro Daniel Vorcaro, demonstra potencial de revelar esquemas de dimensões comparáveis. Têm sido, em tal contexto, louváveis a moderação e a cautela do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ao conduzir os processos, atitudes essenciais para evitar sua contaminação. Nada pode ser tão prejudicial à Justiça quanto o fervor ou o espírito justiceiro.
Há, contudo, outras formas de minar o trabalho das instituições na aplicação da justiça além dos vícios processuais. A procuradoria pode pecar pelo açodamento policialesco, mas também por omissão, ao não levar adiante denúncias diante de provas eloquentes. E os próprios braços do Estado atingidos pelas investigações podem tentar agir de forma defensiva, podando o trabalho policial necessário para elucidar os fatos. É, por isso, preocupante a medida do Ministério da Justiça que determinou o retorno de mais de cem agentes policiais cedidos a diversos setores da administração pública.
Em ofício a mais de 50 órgãos do governo, o ministério pediu a devolução de profissionais da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de policiais penais federais. Entre as áreas afetadas, estão tribunais federais, estaduais e até o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde havia quatro delegados da PF em funções de assessoramento. A medida havia preservado, até a última sexta-feira, delegados da PF que atuam como auxiliares em vários gabinetes do STF — essenciais para a condução de processos sob relatoria de ministros como Mendonça ou Alexandre de Moraes.
O argumento usado pelo Executivo para justificar a convocação é suprir as carências de pessoal no combate ao crime, trazendo de volta aqueles policiais que não estejam exercendo atividades relacionadas à segurança pública. A confecção da medida, segundo envolvidos ouvidos pelo GLOBO, começou em abril e realizou levantamento em diferentes esferas a respeito das funções efetivamente exercidas pelos profissionais.
Trata-se, evidentemente, de medida insuficiente para fazer alguma diferença na luta contra as organizações criminosas. Felizmente, até o momento o Supremo foi poupado, já que ele próprio exerce papel decisivo nesse combate — e conta com a contribuição dos policiais lá alocados para isso. Além disso, retirar neste momento os delegados que atuam no gabinete de Mendonça configuraria interferência indevida do Executivo numa investigação que começa a atingir seus interesses.
Correção: O stammtisch será na rua geral do centro.
corrigido. Obrigado por ajudar
Herculano
O selo, o delegado e a cidade parada
É curioso ver a surpresa de alguns com o desempenho do atual prefeito. Afinal, de onde surgiu a expectativa de que Paulo Koerich seria um gestor transformador?
Durante toda a sua vida profissional, nunca precisou prestar contas ao cidadão. Transparência, comunicação e participação popular jamais foram exatamente marcas registradas de sua trajetória. Agora, diante das críticas, a solução encontrada parece ser contratar consultoria para conquistar selo de transparência. Uma espécie de transparência terceirizada.
Mas o problema nunca foi o selo.
Os grupos econômicos mais influentes da cidade sabiam exatamente o que queriam quando apoiaram sua eleição. E Paulo também sabia qual papel deveria desempenhar. Modernizar a cidade, romper estruturas antigas ou mexer nos centros tradicionais de poder nunca pareceu fazer parte do plano. Mudança de verdade costuma incomodar quem está confortável.
Também não se pode dizer que tenha sido eleito por um histórico de grandes realizações administrativas. Basta observar o estado em que permaneceu, por anos, a própria estrutura da delegacia onde construiu sua carreira. Mais tarde, quando ocupou uma das mais poderosas cadeiras da segurança pública catarinense, os prédios, quartéis e delegacias continuaram envelhecendo à espera de investimentos.
Por isso, talvez a discussão esteja sendo feita no lugar errado. O problema não é a falta de um selo diamante. O problema é a falta de obras, resultados e visão de futuro. Paulo não sabe como, muito menos o que fazer.
Porque selo se compra. Transformação …
Excelente
Eu, o ingênuo, até acreditei que…
De ingênuo você nada tem, até ontem, estava nos bastidores quando a Ceval dava as cartas por aqui. E no final do mandato do Adilson o orientava.
Estava tudo bem nítido pra quem conhece um pouco da politicagem da nossa cidade e aqueles que sempre deram as cartas, uns crias da própria Ceval.
Ingênuo, é no sentido de acreditar nas pessoas e seus propósitos. E continuo ingênuo, mas como percepção é algo que vem dos outros, não vou discutir comigo mesmo. Agora, ladrão não sou. Nem aposentado precoce. Precisei recolher 35 anos ao INSS para receber um terço do que era prometido.
Sobre mim há muitas lendas. E você parece seduzido, como outros, por elas. Ou quer ditar com quem devo na velhice, me relacionar.
É lenda, exemplo, de que a Ceval mandava na cidade. Se professor Francisco Hostins, PDC, fosse vivo, ele contaria a história de como em dois anos depois dos profissionais indicados por ela terem reestruturado a cidade, como se esperava do atual governo, mandou todos eles para casa e entregou o governo aos políticos, e neste caso, adversários de sempre dele nascido na Arena ou o que hoje é PP. Nunca mais se reergueu politicamente, é bem verdade.
A outra é uma mentira e facilmente contestável. Porque o político mencionado está vivo para me contestar. No governo (2005/2008) de Adilson Luiz Schmitt, eleito pelo MDB, ele não teve folga. Foi no governo dele que o Conselho e não o prefeito Adilson, como injustamente ou de forma sacana levantam isto contra ele até hoje como se ele tivesse tomado esta decisão, foi fechado o Hospital. Eu estive na Comissão de reconstrução física, naquilo que devia ser feito, e não para reelegê-lo como ele queria. Nunca dei orientações para ele em campanhas e governo. Parece-me que Adilson também não roubou nada quando prefeito e fez coisas que até hoje são referências e na época bem orientado pelo seu irmão Maurílio (já falecido), seu padrinho político. Agora, Adilson foi um inábil com os donos da cidade de ontem e que se perpetuam até hoje, atrasando-a. Um erro imperdoável.
Aliás, as minhas conversas com ele, naqueles tempos, sempre foram duras. E ele tramando o meu tombo.
Ainda sobre a Ceval, se o modelo dela fosse válido para Gaspar, proporcionalmente ao sucesso e impetuosidade da Ceval no mercado e competitividade, Gaspar seria o Centro do Vale do Itajaí (e não Blumenau). Surgiu do nada e virou uma das principais empresas do mundo no seu setor em 20 anos, tanto que foi disputada na compra por elas nos anos 1990. E você ainda continua lá no século 20. Mudou o século, passaram-se 30 anos. E aprendizado é zero como bem demonstra, cheio de resquícios e raivinhas, uma personalidade que mal acompanha Gaspar.
Eu realmente sou um ingênuo, achando que Gaspar ainda vai mudar. Mas, mudanças são feitas com pessoas, desapegadas do saudosismo e abraçadas ao novo. Abraços e obrigado pela leitura. Como dizem os poderosos, não tenho leitores e leitoras. De vez em quando, cai um…
Ingenuidade pressupõe desconhecimento. O que houve foi algo diferente: crença.
E crença, por definição, dispensa evidências. Está muito mais próxima da fé do que da razão.
Porque, convenhamos, ninguém jamais viu Paulo Koerich ser reconhecido pela transparência. Ninguém jamais o viu liderar grandes transformações urbanas ou deixar um legado de obras públicas. Basta olhar para as estruturas policiais que permaneceram durante anos sob sua esfera de influência: prédios envelhecidos, instalações precárias e uma constante sensação de abandono.
Ainda assim, muitos acreditaram.
Acreditaram naquilo que nunca haviam visto. Apostaram que, ao chegar à Prefeitura, surgiria um gestor diferente daquele que a própria trajetória pública havia apresentado durante décadas.
A história ensina que a fé pode mover montanhas. Mas também ensina que ela não substitui resultados.
Hoje, a cidade assiste a um governo que parece perder fôlego antes mesmo de encontrar rumo. As promessas começam a se desfazer diante da realidade, e a expectativa construída durante a campanha encontra o inevitável choque com os fatos.
Quem acreditou tem todo o direito de se decepcionar. Afinal, a decepção é filha legítima da expectativa.
E talvez a maior lição seja esta: quando se escolhe um líder pela fé, sem observar sua trajetória e suas realizações, corre-se o risco de descobrir tarde demais que ele não servia exatamente aos interesses que proclamava servir.
Com o passar do tempo, os discursos perdem força. Os slogans desaparecem. As justificativas se esgotam.
E resta apenas a velha pergunta que a realidade sempre faz aos governantes: a quem, afinal, servem suas decisões?
Obrigado pela participação. Esclarecedor. Se ingenuidade pressupõe desconhecimento, então sou filho legítimo da decepção.
Dificil transparência nesse país principalmente da Política.
Temos corruptos que são pré candidatos a presidência e o povo aceita, estranho que alguém que é advogado me dizer que: A maioria desse nosso Grupo está com Flávio Bolsonaro, ai eu pergunto onde está a Moral e a Ética? Lógico que vão dizer posição politica não tem nada haver com a profissao de Advogado, tudo bem? pode ser. Mas dar um voto a corrupto ai acho demais.
Gaspar Não foge a Regra, corrupção existe e transparência nunca vai existir.
O STF CONSEGUIU COLOCAR A CENSURA NA MENTE DO BRASILEIRO, editorial do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba
Criticar uma autoridade é crime? A pergunta, se fosse feita a cidadãos de qualquer democracia sólida, independentemente de sua tradição jurídica sobre a liberdade de expressão, seria provavelmente recebida com alguma perplexidade, ou mesmo com um riso de deboche. A razão é evidente: a crítica a uma autoridade, venha de uma pessoa pública ou de um anônimo, é perfeitamente legítima – se está correta ou se não faz o menor sentido, se é feita em termos elegantes ou chulos, pouco importa: criticar é um direito do cidadão. Em uma democracia sólida, repetimos. Por aqui, a situação é muito diferente.
Uma pesquisa recente do Instituto Sivis, feita em abril, mostra que 61,7% dos entrevistados disseram acreditar que é proibido criticar publicamente figuras públicas. Uma proporção ligeiramente menor, de 57,5%, afirmou que “acusar publicamente o STF de prejudicar a democracia” é proibido no Brasil. Ou seja: seis em cada dez brasileiros acreditam na existência de um crime fictício, que não está em lugar nenhum da lei penal. Como se chegou a esse ponto, em que mais de 100 milhões de cidadãos consideram que uma mera crítica a autoridades é algo criminoso? A resposta é simples: este é o resultado óbvio de um trabalho feito ao longo de anos, e capitaneado pelo Supremo Tribunal Federal, tendo à frente o censor-mor da República, o ministro Alexandre de Moraes.
A crítica ou a exposição de fatos inconvenientes não é crime, mas o STF se encarregou de criminalizá-la, com a ajuda de órgãos como a Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. O brasileiro vê pessoas sendo investigadas, processadas, censuradas e punidas por criticar ministros do Supremo, vê vídeos com fantoches rendendo denúncias da PGR ao STF, vê piadas transformarem senadores em réus, vê uma faixa com os dizeres “Lula ladrão” pendurada na janela de um apartamento provocar uma visita da PF. E não só isso: vê que, por longos anos, nada disso foi devidamente apontado como abuso, nem coibido como deveria pelos que têm a missão constitucional de colocar freios ao Supremo. Qual a conclusão mais provável que alguém há de tirar? A de que talvez a crítica seja mesmo um crime.
Está realizado, assim, o sonho das autoridades liberticidas: a crítica não precisa ser oficialmente criminalizada; basta que as pessoas acreditem que ela já é crime. O resultado é a ampliação da autocensura, em que a proibição não existe na lei, mas na mente dos brasileiros, que pensarão milhões de vezes antes de tornar público qualquer pensamento mais crítico em relação a uma autoridade, e ainda exortarão parentes e amigos a se restringir também, com medo de que eles sofram alguma consequência. Quanto mais essa mentalidade se espalhar, menos será necessário escancarar o arbítrio reprimindo críticos, pois eles serão cada vez mais raros.
O medo, por si só, já basta para comprovar que estamos vivendo uma grave anomalia institucional, mas no Brasil contemporâneo talvez estejamos assistindo ao surgimento de um fenômeno ainda mais grave. Uma coisa é a população acreditar que há restrições à liberdade de expressão, mas discordar delas, mesmo temendo a punição; muito pior seria apoiar a mordaça. Os dados do Sivis indicam que, entre determinados grupos (como entrevistados de 18 a 29 anos, e aqueles com curso superior completo), metade dos entrevistados era favorável à limitação de expressões consideradas ofensivas ou “discurso de ódio”. Mas, aqui, é preciso apresentar nuances importantes.
Há manifestações que de fato constituem discurso de ódio, que desumanizam o outro, que defendem a discriminação – é o caso do racismo, que inclusive já é criminalizado no Brasil. Se é disso que estamos falando, o apoio à proibição estaria até abaixo do ideal. No entanto, bem sabemos que a expressão “discurso de ódio” tem sido usada de maneira muito mais ampla, para deslegitimar opiniões legítimas, por exemplo a crítica a comportamentos, e que não cumprem o clássico critério tripartite estabelecido por Norberto Bobbio – “a existência de uma desigualdade entre grupos, uma hierarquização desses grupos (com um sendo considerado superior ao outro) e a defesa de práticas de escravização, exploração ou eliminação do grupo considerado inferior”, nas palavras do filósofo italiano. Se é esse tipo de opinião que está na mira dos entrevistados, ainda que estejamos em terreno diverso daquele da crítica às autoridades, trata-se de tendência muito preocupante.
A internalização da censura e o possível apoio a novas proibições entre a população representam um novo estágio do apagão da liberdade de expressão vivido pelo Brasil desde 2019. Enquanto houve quem tivesse denunciado o liberticídio desde o seu início – incluindo esta Gazeta do Povo –, a maioria dos atuais críticos acordou apenas muito recentemente, em muitos casos porque a mordaça começou dirigida contra um certo grupo político-ideológico que precisava ser “vencido” (nos dizeres de um agora ex-ministro do STF). Mesmo assim, é preciso seguir acreditando que não é tarde demais; depende dos que não desejam censurar, nem se deixar censurar, seguir insistindo, com cada vez mais força.”
Não só em Brasília. É só olhar para o nosso redor que… Vão ao último parágrafo. É o que trato no artigo desta segunda-feira. O culpado é quem investiga e principalmente quem dá publicidade para que os eleitores e eleitoras possam fazer escolhas mais conscientes. E eles, quando berram, sabem que estão tentando esconder aquilo que não deveriam fazer. Então, estão conscientes dos erros ou dos crimes
EM BRASÍLIA, ACHA-SE NORMAL O QUE É TOTALMENTE ANORMAL, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
A cena se passa em Brasília, em meados de 2024, pouco antes do evento promovido em Lisboa pelo ministro do Supremo Gilmar Mendes — o famoso Gilmarpalooza. Participam do diálogo o senador pelo Piauí Ciro Nogueira, presidente do PP, e o deputado pela Paraíba Hugo Motta, do Republicanos. Quem relata a conversa é Hugo Motta, numa entrevista ao Estadão:
— Ciro me chamou: “Vamos para o evento do Gilmar”. Eu disse: “Ciro, não comprei passagem e tal, e eu tenho que voltar”, porque era a época da festa junina lá nossa. Ele disse: “Não, pô, vamos com o Daniel de carona”. Conhecia o Daniel, fomos de carona. Chegou lá, o Daniel tinha reservado o hotel. Também não vejo problema nisso, é um evento corporativo. Se você falar com qualquer pessoa, é normal você convidar uma pessoa, botar no hotel.
O Daniel é o Vorcaro, claro. A carona é num jatinho. O hotel é o cinco estrelas Four Seasons de Lisboa. De maneira que temos um senador e um deputado federal pegando uma boca-livre de um banqueiro que tinha questões de interesse tramitando no Congresso Nacional — questões que seriam analisadas e votadas pelos parlamentares.
Tudo normal, não é mesmo? Uma situação corriqueira no ambiente de Brasília. Onde mais seria normal “você convidar uma pessoa, botar no hotel”? Sendo que a “pessoa”, no caso, é uma autoridade, e o patrocinador, interessado em negócios com dinheiro público. Todo mundo sabe disso. Reparem no comentário de Hugo Motta, quando ele justifica a boca-livre: “se você falar com qualquer pessoa…”. Quer dizer: se você falar com qualquer pessoa em Brasília, ela dirá que é normal.
Motta também esteve presente num fórum jurídico promovido por Vorcaro em Nova York. Entre os exaustivos debates, participantes tiveram direito a momentos de relaxamento: uma degustação de uísque e charutos num clube de luxo. Diz Motta: “Eu fui também … Os ministros estavam. Não foi escondido isso. Tinha gente da imprensa lá, de todo mundo. Não era um negócio secreto, vamos nos disfarçar aqui. Não, não. Foi à luz do dia”.
Vorcaro ainda não tinha sido apanhado pela Polícia Federal. Era um banqueiro que conhecia todo mundo em Brasília, onde também promovia jantares, festas e “experiências” — como elas, autoridades, chamam um banquete comandado por chef badalado.
Hoje presidente da Câmara, Motta diz que os parlamentares recebem empresários dos diversos setores, banqueiros, líderes políticos, autoridades de outros Poderes — sempre para discutir temas nacionais. Qual o problema nisso? Nenhum, desde que as conversas se deem formalmente, nos gabinetes, com agenda marcada e publicada. Deveriam ser audiências formais. O que é muito diferente de um papo regado a uísque de 30 anos.
Parlamentares podem, é claro, participar de eventos no exterior que considerem relevantes. Recebem até diárias para custear as viagens, pagas em dólares. Isso para que o parlamentar possa viajar com independência, ele mesmo escolhendo sua agenda e dedicando-se exclusivamente a ela. Ao trabalho. E por quê? Porque é pago com dinheiro público, o nosso dinheiro. E, se tem a diária, ninguém precisa pegar carona em jatinho nem ter um amigo para “botar no hotel”.
A sinceridade, a simplicidade de Motta impressionam por isso. Ele considera normal o que é totalmente anormal, ou deveria ser, numa República. Jatinhos, festas, hospedagens em hotéis internacionais ou resorts locais, mesadas em dinheiro, presentes, incluindo apartamentos — tudo isso parece normal. Os presenteados por Vorcaro dizem que não sabiam o que ele fazia. Ora, mesmo que fosse o banqueiro mais ortodoxo do mundo, também não podia.
Motta, um político mais novo, falou como alguém que usufrui alegremente aquilo tudo. Muitos outros também usufruem, mas se calam. Mesmo quando apanhados, não fornecem qualquer explicação ao público que paga seus salários. Até sentem-se ofendidos quando solicitados a falar. Nos bastidores, manobram para bloquear as investigações.
A normalização da ladroagem entre os velhos e novos poderosos, independente de ideologia e partido. Tudo infestado e corrompido, incluindo as instituição que deveria vigiar e deter este avanço contra o futuro do país. Como se diz no pouplar, todos estão de rabos presos. Foram ao alambique e se chaparam no vício
CONGRESSO DEVE REPOSTAS SOBRE O CASO MASTER AO PAÍS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
A semana que passou trouxe novas e chocantes evidências do envolvimento de parlamentares na rede de influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem que as lideranças do Congresso Nacional tenham esboçado uma reação à altura do escândalo.
O caso em apuração mais avançada pela Polícia Federal é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujas relações com o ex-controlador do Master eram conhecidas desde antes da quebra do banco.
As investigações mostram não só favores recebidos pelo expoente do centrão, como viagens suntuosas e até a suspeita de uma mesada de centenas de milhares de reais, mas também contrapartida na forma de ação legislativa.
É de Ciro, afinal, o texto apresentado em 2024 para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura individual para investimentos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos, instrumento fundamental para o esquema de Vorcaro.
Se a proposta tivesse sido aprovada, a conta deixada pelo Master superaria em muito os R$ 60 bilhões hoje estimados, já o maior prejuízo da história do FGC.
A novidade mais rumorosa da semana, contudo, foi a operação da PF que mirou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), de próximas relações com Luiz Inácio Lula da Silva.
Aqui, o padrão de presentes nababescos se repete, bem como as suspeitas de atuação em favor dos interesses do Master —além do apoio ao texto de Ciro, uma proposta para ampliação do crédito consignado.
Diante dos fatos, a conduta dos principais dirigentes do Congresso é vexatória. Quanto ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), soube-se que ele próprio, ao lado de Ciro, desfrutou de hospedagem paga por Vorcaro em Lisboa para participação no sempre badalado e controverso fórum jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que barrou tentativas de instalação de uma CPI sobre o Master, desta vez preocupou-se mais em manifestar solidariedade a Jaques Wagner. O governo de seu estado, ao qual é aliado, é investigado por generosos depósitos do fundo de previdência dos funcionários na instituição de Vorcaro.
A poucos meses das eleições, será ingenuidade esperar que o Legislativo se mobilize para dar as respostas que deve ao país a respeito do envolvimento de seus membros no caso. Essa dívida, contudo, não se dissipará.
Embora desejável, uma comissão parlamentar de inquérito não é a única providência a tomar. Câmara e Senado não precisam aguardar denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) para deliberar sobre desvios éticos.
E uma legislação que regulamente o lobby, incluindo limites para presentes e favores recebidos por agentes públicos, seria uma medida moralizadora básica, a exemplo do código de ética que o ministro Edson Fachin procura implantar no STF.