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A GASPAR DESPEDAÇADA. SEM LIDERANÇA. SEM FUTURO. TOMADA POR PEQUENOS INTERESSES DE GRANDE RENDIMENTOS INDIVIDUAIS

Não vivo de esperança. Sou pragmático. Esperança é algo limitado a quem não possui capacidade de realizar, desafiar e entender às suas próprias limitações e estar obrigado a superá-las. Foi assim que o mundo evoluiu. Por isso, quase todos os medíocres esperam por milagres. Ou se estabelecem em suas próprias mentiras que pregam e acreditam. Ser racional é absolutamente humano.

Estou repetindo uma imagem captada pelo do Jadir Amorim. O que estamos permitindo é que o primeiro plano, cubra a beleza que homens de coragem mínima fizeram por Gaspar, como o alemão Frei Godofredo, com a ajuda dos comunitários locais ou migrantes.

O meu primeiro artigo deste domingo – dia de São Francisco de Assis, o rico que se despojou dos bens materiais para uma vida simples e dedicada à proteção animal e vulneráveis de todos os tipos – quase terminando a eleição, na verdade, já estava pronto. Apenas, retoco-o. Evitei não abrir esta chaga incurável entre nós. Durante esta semana, farei sucessivos artigos, curtos (o que é algo terrível para o meu jeito de escrever e ser) sobre os resultados locais, suas incoerências e consequências.

O que esta eleição mostrou antes da abertura das urnas deste domingo? De que Gaspar não possui liderança, projeto, propósito e até, vergonha na cara. E há um culto profano a bandeira de Gaspar.

Está cada vez mais claro, de que é difícil unir Gaspar por uma causa, incluindo a da representatividade dela no ambiente empresarial, social e político. Prevalecem os egos individuais, interesses mesquinhos e disputadas que nos dividem, cada vez mais.

Nos dias de hoje, sabe-se, de que nada passa fora do âmbito político. E poucos gasparenses entendem isto, ou então, estão dispostos ao esclarecimento da comunidade para esta vital importância do município na inserção regional – o Vale do Itajaí e até mesmo o Litoral. Basta olhar a quantidade de candidatos daqui nesta eleições, paraquedistas, lobos vestidos em pele de cordeiro, bem como as manjadas velhas justificativas. Gaspar prefere ser uma favela, nem mais de Blumenau, do que um condomínio organizado e de vida funcional própria, respeitado por quem o vê ou está nele.

Cada um marca seu espaço. Mesmo que isso lhe diz que é um fraco, vulnerável e sem preço. Estão importando gente estranha, lambuzada e procurada pela política na gestão política e do negócio público. Incrível. Não era assim. Agora, é.

Em 1986, Gaspar se uniu em torno de um projeto chamado Francisco Mastella, e o elegeu deputado constituinte pelo nanico, repito, nanico PDC. Este nanico até fez o ex-prefeito Francisco Hostins. Francisco Mastella, um executivo de finanças da antiga Ceval, sem experiência política, a não ser estudantil, ex-presidente da Facisc e com invejável e amplo relacionamento no estado, se tornou o campeão de votos no estado naquela eleição com 36.464 votos. Ele tirou a própria vida, em Florianópolis, em três de novembro de1989.

O outro movimento para e por Gaspar aconteceu em 2002 numa escolha que envolveu o MDB e o que é hoje o PP, o PPB. O PT de Pedro Celso Zuchi, como de hábito, boicotou a ideia. Normal. Até para os dias de hoje. E naquele movimento comunitário regional e com senso suprapartidário, Pedro Inácio Bornhausen, então como engenheiro eletricista gerente regional da Celesc, uma máquina política, foi o candidato no tal “100% Gaspar”. Novamente, num colégio eleitoral bem menor do que a metade de hoje em dia, Pedro conseguiu 20.227 votos, dos quais, pouco mais de 12 mil em Gaspar. Ficou na quinta suplência. Uma vitória, apesar do objetivo não tivesse sido alcançado: a eleição como deputado estadual.

Todos os candidatos de Gaspar que foram as urnas neste domingo não pensaram em Gaspar ou no Vale do Itajaí, que alguns, até disfarçadamente usaram. Pensaram em si. O resultado previsível – publico antes dos boletins oficiais das urnas e posso me enganar, mas como eu escrevi, sou pragmático, vivo dos números e da realidade – deverá ser vergonhoso. Não só para eles numa demonstração de falta de liderança, convencimento e credibilidade, mas desastroso para Gaspar, que continuará mendiga, marginalizada e sem voz, dependente de migalhas, de defesas para seu futuro e de sua gente.

A culpa é só dos políticos e partidos? Não! É muito da dita sociedade organizada. Ela está silenciosa. E por que? Também é parte do erro e da convivência com o vazio e os que estão nelas, não possuem liderança. Preenchem espaços e não exatamente, os vazios. Em Gaspar, tem mais valor as tais reuniões na pedreira da máfia que se organiza a partir de Blumenau. Hoje as pessoas que se dizem líderes em Gaspar, estão mais preocupadas neste tipo de reuniões, fazem escárnio da tornozeleira que usam, dão muito mais importância aos amigos do clube do vinho, do charuto, e enterro de amigos famosos do que do seus próprios eleitores e eleitoras que o colocaram no poder e de quem não terão mais votos, no obrigatório e derradeiro gesto de agradecimento eterno.

Perdemos a vergonha na cara e a identidade de sermos parte importante de um processo de reconstrução, se não o podemos mais liderar. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Vamos ter o caso do “cão orelha” repetido em Gaspar? Cadê as imagens? Quem mesmo foi desalmado que “jogou” o cão guaipeca no Rio Itajaí Açú para que o coitado fosse dar justamente, quase a morte, à beira da cabeceira da nossa velha ponte de tantas histórias (confusões), a Hercílio Deecke, aqui no Centro? Conseguimos olhar o cão, mas não o morador que se abriga, por anos debaixo daquela ponte. Credo.

E quem cuida da causa animal e está espalhafatando o acontecido sem ter uma solução? A secretária de Assistência Social do continuado “piti”, da secretária vinda de Blumenau, Neuza Pasta Fillizetti, ativista, e em cuja pasta, também está com a obrigação de dar soluções aos humanos, moradores de rua e sem habitação. Políticos pulguentos. Muda, Gaspar.

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