00h00min de 20.07 – Camila Beatriz Tillmann, vinda de Indaial, continuava secretária interina de Planejamento Territorial de Gaspar, depois do vexatório, arrogante, protegido e mentiroso – não exatamente do que mal pronunciou, mas principalmente no que se negou a falar – durante o depoimento que deu na Câmara de Gaspar, sob a proteção do mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, para nada explicar nas dúvidas da licitação, contratação e execução da proteção da barranca do Rio Itajaí Açú, na Anfilóquio Nunes Pires e que estão sendo pagas pela Defesa Civil e Proteção de Jorginho Mello, PL. Tudo o que ela fez na Câmara estava sob o olhar do chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP.
00h01min de 21.07 – Camila Beatriz Tillmann não resistiu ser o centro de questionamentos nas redes sociais, aplicativos de mensagens e parte do entorno do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, que a orientou neste vexatório, arrogante, protegido e mentiroso depoimento. Por isso, ela voltou a ser Diretora-Geral de Projetos de Infraestrutura Pública, da secretaria de Planejamento Territorial de Gaspar. E o engenheiro eletricista de formação (Celesc), Pedro Inácio Bornhausen, PP, deixou então a chefia de gabinete – que foi igual em idêntica função no governo de Kleber Edson Wan Dall, eleito no MDB, hoje no Podemos e que Paulo prometeu mudar tudo e não mudou – pulou de galho. Pedro se tornou o quarto, repito, o quarto, “novo” secretário de Planejamento Territorial do governo Paulo em um ano e sete meses. A cidade se tornou um grande sistema elétrico sujeitos a curto circuito e apagões (ilustração de abertura). Planejamento é algo de longo prazo de concepção, contratação, execução e maturação. Meu Deus!
13h01min do mesmo 21.07 – Camila Beatriz Tillmann nem tinha sentado de volta à sua cadeira de Diretora-Geral de Projetos de Infraestrutura Pública, quando foi informada para colocar tudo na sacolinha e bater em retirada. Paulo Norberto Koerich, PL, sem saída para enrolar mais e passar a mão na cabeça de gente importada, estava exonerando-a para ela voltar Indaial e procurar novo emprego. Desta vez, Paulo foi mais rápido. Antes, porém, repetidamente, vinha esticando a corda e há meses em casos bem assemelhados. Camila está inconformada como do anonimato, ela se tornou centro das más notícias. Simples, ela, só ela, optou por ser um ente politicamente exposto em ambiente público. Credo!
NÃO HAVIA MAIS ESPAÇO PARA O GOVERNO DESGASTADO ENROLAR A CIDADE
O que pesou contra tudo o que se manobrou no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, para virar mais esta triste página do seu governo? A inteligente exploração do desastroso depoimento de Camila na Câmara. Tudo foi decorrente, muito mais do mau comportamento, do que pelo nada que ela não revelou, ou tentou esconder o tempo todo da cidade, cidadãos, cidadãs e de alguns pouquíssimos vereadores, como Giovano Borges, PSD, interessado no esclarecimento das dúvidas. Este comportamento de Camila e sob proteção governamental no depoimento, deu à clara impressão de culpa coletiva do próprio governo. Nem o silêncio da imprensa local e regional ajudou, mais uma vez, neste caso os implicados e o governo de Paulo. Era demais a forma como Camila e os que a orientaram, esticaram a corda e debocharam contra Gaspar e os gasparenses, com aval de vereadores da base.
Eu mesmo fui o primeiro – a mostrar documentos e fotos aqui. Elas desmentiam Camila e a trama do governo de Paulo. Foi em “A SECRETÁRIA CAMILA, DE PLANEJAMENTO TERRITORIAL, COM AJUDA DE MELATO, DEBOCHOU DESCARADAMENTE DA CÂMARA, DOS VEREADORES E DA CIDADE, OU ENTÃO PROVOU DE QUE A VINDA DELA NO KIT QUE O PL IMPORTOU DE BLUMENAU E INDAIAL PARA POSTOS CHAVES NA ADMINISTRAÇÃO DE PAULO NORBERTO KOERICH – E QUE PARTE DESTE KIT ESTÁ ENVOLVIDO EM INQUÉRITOS POLICIAIS -, NÃO SERVE PARA OS GASPARENSES”. Aí, vieram uma série de outros “fiscais” do povo. Eles trouxeram documentos, fotos e áudios pelas redes sociais e nervosamente, pelos aplicativos de mensagens. Inacreditável. Transparência zero. Exposições nuas e cruas, de gente que se diz acima de qualquer suspeita.
OS PROBLEMAS FORAM IMPORTADOS POR PAULO, PL E O BOLSONARISMO DE GASPAR NO EMPREGUISMO POLÍTICO
Muito desses anunciados desastres políticos, éticos administrativos, já integram as diversas operações montadas pela polícia de Blumenau especializada em corrupção, o Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas – e o Ministério Público. Eles bateram na prefeitura – empresas – de Gaspar para colocar tornozeleira eletrônica no secretário de Planejamento Territorial, de Gaspar, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi – o chefe e quem trouxe Camila para Gaspar -, o “dono de Blumenau”. Até agora, os desgastes ético-administrativos ou suposta advocacia administrativa e corrupção são só por coisas que ele fez em Blumenau nas administrações passadas de Blumenau, mas principalmente a de Mário Hildebrandt, PL.
E aonde entra Paulo Norberto Koerich, PL, eleito com 52,98% votos válidos? Ele entrevistou Maiochi- e outros – e nada viu de anormal neles.
Toda essa gente trazida para mudar Gaspar é jovem. Mas, um dos áudios que vazou ontem, por exemplo, há quem ensine um fornecedor de serviços a montar licitação com preços falsos de concorrentes para o orientado vencer. parece um velho conhecedor da velha prática de roubar. É prácabá.
E foi a capivara, ou seja, a folha corrida, os indícios claros que estavam em todos os locais, levados como advertência ao governo de Gaspar, inclusive aqui, que o próprio Paulo, um investigador de fama, um policial com mais de 30 anos de carreira, com passagens inclusive pelo Gaeco, além da titularidade de delegacias locais, regionais e geral de Santa Catarina, antes de ser o equivalente a secretário de Segurança, no governo do então bolsonarista Carlos Moisés da Silva, hoje no União Brasil, dizia e diz desconhecer. Se há alguém que não pode dizer isso, por toda experiência e currículo, mesmo tendo sido enganado, é Paulo.
Paulo revelou – o contato prévio e o suposto posterior engano – na espantosa e nervosa entrevista que deu a Joel Reinert (o dono) e Paulo Flores (o repórter), da 89 FM. Incrivelmente Paulo disse à cidade, naquela entrevista de que estava sendo “surpreendido” com as operações ( é no plural mesmo) de Blumenau. Elas respingaram no seu principal homem de confiança para fazer a cidade ser um “canteiro” de obras. Tanto que poucos dias depois desse anúncio de R$300 milhões em reunião secreta com os vereadores e festiva com os empresários, o valor já tinha passado em questão de horas para R$390 milhões e o “segredo” quebrado e virado peça de marketing fake. E por quê? Tudo sumiu. Não se fala mais em investimentos em Gaspar. Eram cartas marcadas? Sintomático. O mágico operador também sumiu.
PAULO TEVE VÁRIAS JANELAS PARA FAZER DO LIMÃO UMA LIMONADA, MAS…
Paulo Norberto Koerich, PL, o teimoso, julga quase todos os que não falsamente lhe batem palmas como seus adversários. Esses gasparenses lhe avisaram de que ele estava – e ainda está – cercado de interesses e interessados que podem lhe custar caro.
Se fosse hábil em separar o joio do trigo e principalmente, tivesse uma real equipe de confiança, não precisaria passar por tudo isto e colocar o seu belo currículo policial exposto. Bastava limpar os ouvidos, usar melhor os seus óculos e principalmente, não perder o faro de policial que o deu fama. Tentou dobrar a aposta e está quebrando a sua própria banca. E há mais croupiers comprometidos nesta jogatina. É preciso agir mais e rapidamente antes do próximo escândalo. E está próximo.
E para encerrar. Quase dois anos depois de eleito, Paulo Norberto Koerich, PL, mandou para a Câmara uma caríssima e exótica caríssima “Reforma Administrativa”, que de cara mostra que a polícia de Jorginho Mello, PL, está falhando ente nós, tanto que precisamos criar uma secretaria de Segurança. Esta Reforma cria cargos, funções e aumenta vencimentos que ele próprio Paulo esconde do povo que paga a conta de tudo isso. Sumiram os salários do funcionalismo efetivo, celetista, temporário, de função gratifica e comissionado no Portal da Transparência, incluindo o seu salário, um dos mais altos de Santa Catarina.
As três perguntas essenciais é: foi a falta desta tal “Reforma Administrativa”, cara e demorada para ser elaborada, que levou à contratação de gente que está sendo expurgada por dúvidas? A resposta é não! Uma coisa não tem a ver com a outra. A Reforma cria mais vagas, mas o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, não conseguiu nestes um ano e sete meses preencher nem as que tinha, vai trazer mais gente de fora para arrumar mais empregos e problemas a esquemas políticos contaminados? Ou é apenas, uma forma de dar vagas aos bolsonaristas, os do PL e gente de Santa Catarina que está ameaçada de ficar desempregada a partir das eleições de outubro deste ano?
O relator da “Reforma Administrativa” é o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, do presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, do apoiador do governo, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, bem como da líder do governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, já manobram nos bastidores e na área técnica da Câmara, via as Comissões onde eles detém a maioria, para fazer o relator Dionísio de bobo e decorativo nesta matéria. Vão tentar tratorar e alegar que se trata de embate político entre a direita e a esquerda. Cai quem quer. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
O outro delegado Egídio Maciel Ferrari, PL, que abriga gente daqui lá em Blumenau e como compensação, mandou gente de lá pata cá, na dobradinha com o ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL, e proteção do bolsonarismo, não aguentou e foi ontem as redes sociais e sem meias palavras salvar a sua própria pele. Culpou a administração que sucedeu, a de Mário, como a responsável pelo caos de dúvidas e corrupção que atrasam a cidade e obras essenciais ao povo de lá.
Os candidatos governistas de Gaspar a qualquer coisa nestas eleições de outubro, estão desesperados com as pressões das pessoas, seus possíveis eleitoras e eleitores. Agora, não mais de repente, apesar de antigo, apareceram nas redes as queixas de como temos gente de rua amocosada em vários locais de bairros perto do Centro. Também pudera. A secretária – apesar de dominar a área -, Neusa Pasta Fillizetti precisa de GPS para andar por aqui. E se Assistência Social não fosse um grande calo entre nós, ela tem que cuidar da Causa Animal, onde também está outro caos, exatamente por empreguismo político e falta de política pública.
No dia que o povo de Gaspar entupiu o Jornal do Almoço da NSC TV com queixas de má recepção (velha goteiras, em dia de pouca chuva) no Hospital Santa Antônio, Gaspar, a administração dele, resolveu chamar os vereadores para lhes dar um banho de otimismo e esperança. Os políticos estão contentes. Já o povo doente, desconfiados.
O Tribunal de Contas do Estado barrou uma licitação genérica para construção e reforma de escolas e CDIs em Gaspar. Isto aconteceu na semana passda. Só ontem, um jornal de rede social de Ilhota (reprodução da montagem abaixo), deu o caso. Imediatamente, a procuradoria do município orientou todos a suspenderem a forma de contratação e seguir as orientações do TCE. Uma luz.

Mas, na área de comentários dos meus artigos, apareceu esta interação. “Sr. Excelentíssimo Jornalista e Redator,
Peço desculpas se meu comentário parecer irônico, mas sempre enxerguei o senhor como alguém que esteve à frente dos principais debates da nossa cidade e que conta com uma respeitável rede de amigos, entre advogados, ex-prefeitos e ex-vereadores.
Por isso, causa estranheza que tenha passado a oportunidade de esclarecer à sociedade gasparense questões tão relevantes, como a suspensão do TEC/SC e o cancelamento de um pregão superior a R$ 5 milhões em razão de supostas irregularidades.
Não lhe parece estranho que fatos dessa importância tenham recebido tão pouca atenção? A população merece informações claras e transparentes sobre assuntos que envolvem a administração pública.
(O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) determinou a suspensão cautelar da Concorrência Eletrônica nº 14/2026, lançada pela Prefeitura de Gaspar para a contratação de serviços técnicos especializados de arquitetura e engenharia em metodologia BIM (Building Information Modeling). O certame tem valor estimado de R$5.365.498,51 e foi interrompido após indícios de irregularidades apontados em análise preliminar da Diretoria de Licitações e Contratações (DLC). A decisão foi proferida pelo conselheiro substituto Gerson dos Santos Sicca e publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE/SC em 15 de julho.)
Eu respondi desta forma: Caro: se não for provocação, realmente é má-fé.
Primeiro. Aonde eu sou responsável por esta licitação barrada no Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina? Segundo. E não sendo, quem deve explicações? Eu? E por quê? Afinal, quem é o prefeito de Gaspar eleito com 52,98% pelo povo?
Quem é o procurador geral de Gaspar que ele escolheu e avalizou isto? Quem é a secretária de Fazenda e Gestão Administrativa que ele escolheu, bem como o Controlador Geral que ele escolheu, o Chefe de Gabinete que ele escolheu por onde passou estes tipos de licitações? Quem é o secretário de Planejamento Territorial que ele escolheu, o secretário de Obras e Serviços Urbanos que ele escolheu, e a secretária de Educação que ele escolheu, responsáveis por planejamento, gestão e execução de obras e reformas de escolas e CDIs caindo aos pedaços por falta de manutenção do governo anterior e que o Tribunal de Contas diz que não pode ser feito como se arquitetou pelos bruxos de Gaspar? É muita gente para fazer a coisa certa, mas o culpado ainda sou eu? Credo.
Por último, repito, aonde mesmo eu entro nesta história toda e com culpa solidária de um governo que nada tenho a ver com ele? Muda, Gaspar!
22 comentários em “PAULO CHAMOU O PERIGO PARA DANÇAR AGARRADINHO COM ELE. E O PERIGO ESTÁ MATANDO A VELHA IMAGEM DELE DE FAMOSO INVESTIGADOR. COM A IMPRENSA MUDA E CONTROLADA, AS REDES SOCIAIS, OS APLICATIVOS DE MENSAGENS E OS FATOS FIZERAM A FARRA. ELAS DERROTARAM A TEIMOSIA DELE E DOS SEUS PARA MANTER NO SEU GOVERNO GENTE IMPORTADA, CHEIA DE VÍCIOS E DÚVIDAS”
FÉRIAS? QUE NADA
Aqui é dia de artigo inédito. Daqui a pouco.
AS TARIFAS DOS ESTADOS UNIDOS CONTRA O BRASIL SÃO UM ERRO ESTRATÉGICO, por Luiz Inácio Lula da Silva, no jornal norte-americano The Washington Post,
Há um ano, fui surpreendido pela publicação, em uma plataforma digital, de carta do Presidente Donald Trump que impunha tarifa de 50% a produtos brasileiros. A menção, logo no primeiro parágrafo, ao ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado no ano passado e hoje preso por tentativa de golpe de Estado no Brasil — deixava explícita a motivação política da medida.
Nos diálogos que mantive com Trump desde então ressaltei que não é necessário compartilhar as mesmas visões de mundo para buscar relação mutuamente benéfica entre nossos países. Afinal, somos líderes das duas maiores democracias e economias das Américas.
Negociações entre nós e decisões da Suprema Corte dos EUA desmontaram a primeira versão do tarifaço. Mas este mês, desconsiderando dezenas de reuniões entre nossas equipes, sólidos argumentos técnicos e documentos que entreguei pessoalmente ao próprio Trump, o governo norte-americano decidiu adotar novas tarifas contra o Brasil que vão de 12,5% a 37,5%.
Como resultado, a Global Trade Alert, organização independente baseada na Suíça, estima que o Brasil e a Turquia são hoje os segundos países mais tarifados pelos Estados Unidos, depois apenas da China. E isso apesar do superávit norte-americano no comércio bilateral de bens e serviços, que ao longo de quinze anos consecutivos acumula 428 bilhões de dólares.
Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para o menor patamar desde 1997. Na comparação entre os primeiros 6 meses de 2025 e 2026, o comércio bilateral com os EUA recuou 12,8%, enquanto o comércio com a União Europeia cresceu 6,1% e com a China aumentou 15,9%.
No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros.
Isso diz muito da inconsistência entre os interesses dos EUA anunciados em sua estratégia de segurança nacional e as políticas que adota em relação ao Hemisfério Ocidental.
A América Latina e o Caribe não precisam de porta-aviões rondando suas águas nem de punições tarifárias. O que nos falta são parceiros confiáveis e previsíveis. Neste momento em que os EUA isolam seu mercado, outros países se apresentam como alternativas, oferecendo uma agenda positiva, capaz de fomentar o desenvolvimento econômico e social.
Estou convicto de que a união de esforços em torno de iniciativas concretas de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir para superar as mazelas que afligem um hemisfério que é de todos nós.
A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos.
Apesar da longa história de intervenções políticas e militares dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, houve momentos em que Washington soube ser um parceiro à altura de nossos interesses de desenvolvimento.
O Presidente Franklin D. Roosevelt implementou uma política de Boa Vizinhança que tinha como objetivo substituir o uso da força pela diplomacia em sua política externa para a região. Essa postura contribuiu de forma decisiva com os primórdios da industrialização no Brasil. O presidente George W. Bush, ao enfrentar a crise financeira de 2008, incluiu 3 países latino-americanos na primeira reunião de líderes do G20.
Para o Brasil, a única guerra que precisamos travar nesta parte do mundo é contra a fome, a pobreza e a desigualdade. E as únicas armas a empregar são as dos investimentos, da transferência de tecnologia e do comércio justo e equilibrado.
Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras.
As alegações do Presidente Trump contra o Brasil, na tentativa de justificar as tarifas, são infundadas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade nas plataformas de redes digitais — não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. Nosso sistema de pagamentos, o Pix, não discrimina empresas norte-americanas e é uma referência internacional de infraestrutura pública digital. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros.
Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la.
Estamos prontos a continuar dialogando de maneira aberta e construtiva, como o relacionamento entre dois países como o Brasil e os Estados Unidos requer. Mas o destino do Brasil compete apenas aos brasileiros, sem interferência externa, nem subserviência.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
As vezes acho que o prefeito Paulo só não pode se declarar paladino por conta das amarras partidárias, aquelas onde um não pode largar a mão do outro pq corre riscos com PUNIÇÕES SEVERAS E IRRESTRITAS, que vão da suspensão de repasses até a expulsão do partido e perda do mandato, igual fizeram com o Saudoso Vereador Amauri Bornhausen e igual tentaram fazer com o vereador Alex em 2.024.
Talvez por isso ,junto com Blumenau, tenham terceirizado os serviços ao GAECO…
FLÁVIO BOLSONARO RESISTE NAS CORDAS, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
Flávio Bolsonaro foi para a convenção de seu partido, o PL, e só dele. Uma tragédia: o Centrão declarou-se neutro, leia-se aberto a um entendimento com outros candidatos, inclusive Lula. O bolsonarismo dinástico levou a direita para as cordas. O que se apresenta como uma situação de estabilidade de fato o é, mas o filme tende a terminar com Lula no Planalto pela quarta vez. O esfarelamento partidário de Flávio faz desta a campanha dos seus sonhos.
Em maio Lula havia ampliado de 3 para 9 pontos percentuais sua vantagem sobre Flávio (40% a 31%). O Datafolha de sexta-feira indica que a vantagem seria de 6 pontos (48% a 43%). Um empate técnico, com Lula a três pontos da maioria absoluta. Se não acontecer nada, Lula ganha a eleição. Em agosto de 1989, Lula patinava e um segundo turno entre Fernando Collor e Leonel Brizola era fava contada. Lula tomou o lugar de Brizola e foi derrotado.
Lula continua travado na barreira da dissonância. Ele liderando a disputa, mas seu governo sendo mal avaliado por um percentual maior do que o dos satisfeitos (38% de ruim ou péssimo contra 32% de ótimo). Agora, a diferença entre os que aprovaram e desaprovam a gestão é de um fio de cabelo (1%), mas é uma diferença. Além disso, 28% acham-no regular. Afinal, no seu quarto ano o Lula 3.0 continua sem marca. Seu maior capital continua sendo o repúdio ao bolsonarismo.
Refletindo a polarização, os dois candidatos têm rejeições semelhantes. A briga com Michelle e os detalhes de suas transações com Daniel Vorcaro tiveram pouco impacto na campanha de Flávio. Seu patrimônio é o eleitorado que não vota em Lula de jeito nenhum. Se for o caso votam num rinoceronte, mas Lula, não. Se Lula tivesse se metido nas encrencas em que Flávio se meteu estaria fora da disputa.
A pergunta de 1 milhão de dólares é por que Ronaldo Caiado e Romeu Zema patinam num só dígito. A campanha ainda não começou, mas nenhum dos dois fixou uma marca. Caiado mostrou-se goiano demais e Zema tem um jeito monótono de mestre-escola. Mesmo assim, ambos têm desempenhos que justificariam pontuações mais robustas.
Temas para dar identidade a um candidato não faltam, uma política de segurança sem chacinas, uma política externa menos alegórica, um país mais normal. Um presidente que só promete o que poderá entregar, mandando ao arquivo as peças de marquetagem do Programa de Aceleração do Crescimento, que virou terreno baldio, onde se joga o que não se sabe onde guardar.
MILEI FEZ UMA URSADA
Vindo ao Brasil para apoiar Flávio Bolsonaro, Javier Milei fez-lhe uma ursada. Se a Argentina tivesse ganhado a Copa, ele seria um presidente libertário e campeão.
Derrotada e malcriada, a seleção argentina tisna a imagem de Milei.
Para Flávio teria sido melhor se ele ficasse em Buenos Aires.
TEREZA CRISTINA
Aumentou o cerco sobre a senadora Tereza Cristina para que ela entre na disputa pela Presidência.
Se dependesse da senadora, ela ficaria onde está, disputando a sucessão de Davi Alcolumbre na presidência do Senado.
ESTADOS UNIDOS
Em mais de dois séculos de relações diplomáticas, Estados Unidos e Brasil passam por um novo tipo de encrenca. Pela primeira vez, a espoleta da encrenca está na Casa Branca, com um braço no Departamento de Estado.
Durante o Império três representantes americanos criaram encrencas. Um foi-se embora, outro foi levado até a porta e o terceiro chegou a ameaçar com a suspensão das relações. Os três foram repreendidos por Washington.
Nos anos 70 do século passado, quando os direitos humanos e um acordo nuclear assinado com a Alemanha colocaram os dois países em rota de colisão, os presidentes Ernesto Geisel e Jimmy Carter, bem como seus ministros, nunca se insultaram.
Quando Washington taxou produtos brasileiros, Geisel limitou-se a recusar um convite para visitar os EUA.
Com Trump e Marco Rubio, palanque leva a lugar nenhum.
REGISTRO HISTÓRICO
Trump, Rubio e os Bolsonaro avacalharam as relações do Brasil com os Estados Unidos, transformando-a em assunto de palanque. Coisa muito mais séria já aconteceu e ficou esquecida.
Em março de 1964 a política brasileira estava polarizada, e o empresário Alberto Byington, sócio da mineradora americana Alcoa, viajou para Washington. Foi aos seus contatos, inclusive na Central Intelligence Agency (CIA). Seu pleito: a situação do país podia se agravar e os sindicatos ameaçavam parar as refinarias — e o país precisava de gasolina.
No dia 20 de março a crise agravou-se e reuniram-se o presidente Lyndon Johnson, o secretário de Estado, Dean Rusk, e o diretor da CIA, John McCone, e o embaixador no Brasil, Lincoln Gordon. Eles decidiram mandar uma frota para o litoral brasileiro, se fosse o caso. McCone mencionou o pleito de Byington e resolveram acrescentar petroleiros à frota.
Um pedido semelhante foi encaminhado pelo marechal Cordeiro de Farias, mas não deixou rastro.
No final da tarde do dia 30 o embaixador americano Lincoln Gordon pediu que se checassem os petroleiros. Na noite de 31 de março quatro petroleiros comerciais que estavam no Atlântico foram desviados de suas rotas para o litoral brasileiro com 553 mil barris de combustível. (Equivalente a um dia de consumo.)
(Às 13h30 do dia 31 o general Paul Tibbets Jr. centralizou todas as mensagens relacionadas com o Brasil. Na manhã de 6 de agosto de 1945 ele pilotava o avião que jogou uma bomba atômica sobre Hiroshima.)
A frota só poderia chegar ao litoral brasileiro a partir do dia 7 de abril. Os petroleiros, depois do dia 13. Não foi preciso, a frota foi desmobilizada entre os dias 2 e 3 de abril.
Alberto Byington foi candidato a deputado pelo Rio em 1965, mas não se elegeu. Era sogro de Paulo Egydio Martins, eleito indiretamente governador de São Paulo em 1975.
EREMILDO RECLAMA
Ente de honra do Sindicato dos Bandidos Autônomos do Brasil, o idiota volta a reclamar diante da concorrência desleal que sua categoria sofre.
Três coronéis da PM paulista foram citados em relatórios do Ministério Público de São Paulo por manterem relações com grupos suspeitos de movimentar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital. Um deles comandou a PM do governador de São Paulo até abril passado, quando passou para a reserva.
A trinca integrava um grupo de WhatsApp onde as coisas eram chamadas pelo nome: buscavam “recursos financeiros para pagar a polícia.”
Eremildo argumenta que seus bandidos nada custam ao Erário, nem têm direito a aposentadoria ou assistência médica. A concorrência de agentes públicos encarece a bandidagem privada.
Vergonhosa jogada dos políticos profissionais, sustentados pelos nossos pesados impostos cada vez mais altos
CAMPANHA REMUNERADA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A quarentena remunerada, criada para impedir conflitos de interesse entre o Estado e a iniciativa privada, está financiando, com recursos públicos, candidatos que deixam o governo para a disputa.
A lógica da quarentena é conhecida. O Estado impede que determinadas autoridades, quando deixam o governo, passem imediatamente a atuar em atividades privadas potencialmente relacionadas às funções que exerciam. Nesse período, são remuneradas como forma de compensação. O problema surge quando essa mesma autoridade deixa o cargo não para ingressar na iniciativa privada, mas para concorrer a um mandato eletivo.
Como mostrou reportagem de O Globo, os ex-ministros Márcio França (PSB-SP) e Rui Costa (PT-BA) deixaram o governo para disputar as eleições deste ano, mas comunicaram à Comissão de Ética da Presidência terem recebido propostas de trabalho na iniciativa privada, o que lhes garantiu o enquadramento na quarentena remunerada. Cada um poderá receber até R$ 278 mil, levando em conta o salário de ministro por seis meses.
A desincompatibilização existe para afastar o candidato da máquina pública e impedir que as prerrogativas do cargo influenciem a disputa eleitoral. A quarentena existe para afastar a autoridade do setor privado e evitar conflitos de interesse. O encontro das duas regras produziu um efeito que ninguém parece ter antecipado.
Existe aí uma lacuna normativa. A legislação disciplinou a passagem do setor público para a iniciativa privada, mas ignora a situação de autoridades que deixam o governo para disputar eleições. O resultado é que dois regimes jurídicos concebidos para proteger a lisura da administração acabam produzindo um efeito colateral incompatível com a finalidade de ambos.
O paradoxo é ainda maior porque a campanha eleitoral já dispõe de mecanismos próprios de financiamento. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acaba de estabelecer limites de gastos que chegam a R$ 133,4 milhões para candidatos à Presidência e a R$ 40 milhões para candidatos ao governo de São Paulo, oriundos de um fundo eleitoral de R$ 4,9 bilhões. A remuneração compensatória da quarentena jamais foi concebida para integrar esse sistema de financiamento político.
Há ainda outro aspecto que causa desconforto. Para justificar a quarentena, é preciso demonstrar a intenção de assumir uma atividade privada que possa gerar conflitos de interesse. Mas se o próprio interessado sustenta que dedicará os meses seguintes à campanha eleitoral, é inevitável perguntar qual é a efetiva consistência dessas propostas de trabalho e em que medida elas representam uma perspectiva profissional concreta ou apenas um requisito formal para obtenção do benefício. Não se trata de presumir má-fé dos candidatos, mas de reconhecer que o modelo cria incentivos pouco compatíveis com a finalidade para a qual foi concebido.
Em um sistema que já reserva bilhões de reais para financiar campanhas eleitorais, é difícil justificar que a remuneração criada para evitar conflitos de interesse também acabe servindo para garantir renda pública aos candidatos durante a disputa.
DATAFOLHA MOSTRA ANTAGONISMO ELEITORAL CEGO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
O retrato da corrida presidencial imediatamente anterior à homologação das candidaturas, segundo o Datafolha, não traz novidade em relação aos últimos meses. A rivalidade entre lulistas e bolsonaristas continua a mobilizar a preferência e sobretudo a repulsa de parcela majoritária do eleitorado.
Quando os pesquisadores apresentam os nomes dos postulantes no primeiro turno, mais de 7 em cada 10 eleitores afirmam que votariam no presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva (40%) ou no senador pelo PL Flávio Bolsonaro (32%). A terceira colocação, na qual empatam Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), nem sequer atinge 5% das menções.
Na simulação de segundo turno, Lula (48%) supera Flávio (43%) por margem estreita. A vantagem do candidato à reeleição sobre Caiado, de sete pontos percentuais, e sobre Zema, de oito pontos, mostra que a rejeição ao incumbente dá condições de competir a qualquer oposicionista que chegar à rodada final.
O painel das rejeições esclarece a situação. Indagados sobre em quem não votariam de jeito nenhum para presidente, 41% apontam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e 39% indicam Lula. Como só 7% dos respondentes rejeitam ambos ao mesmo tempo, a ampla maioria dos brasileiros repele um ou outro.
O antagonismo cego, mecânico, que vertebrou as duas últimas disputas presidenciais persiste às vésperas da abertura do certame de 2026. Nesse ambiente, a escolha do candidato que vai governar o Brasil pelos próximos quatro anos responde mais ao instinto defensivo de evitar o mal maior do que à afinidade programática e pessoal com o postulante.
Não por acaso, os gravíssimos desajustes do país —a começar pelo descalabro do endividamento público, que enseja taxas de juros insustentáveis— deixam de ser discutidos com a seriedade que merecem na campanha. Quando a adesão se dá sobretudo pelo ódio ao adversário, não é preciso alimentar o eleitor com nada que seja propositivo.
Enquanto o Tesouro vive o drama de financiar a gastança federal tomando empréstimos que oneram o Orçamento com juros reais superiores a 8% ao ano, as principais campanhas tecem um universo paralelo, como se o muro da crise fiscal já não fosse visível. A guerra tarifária de Donald Trump torna-se pretexto para um empurrar a culpa ao outro, ao arrepio do interesse nacional que envolve milhões de empregos.
O confronto entre candidatos fartamente rejeitados propaga o anestésico das rivalidades clubísticas. Como no futebol, a emoção acaba num domingo à noite. Na manhã seguinte, a realidade fria baterá à porta ainda mais desafiadora, pois os problemas não se terão deixado de avolumar.
A irresponsabilidade de relegar os temas e os debates incômodos para depois da eleição vai cobrar um preço elevado não do candidato que vencer, mas de todos os 213 milhões de brasileiros.
Um artigo para os políticos, que conseguem fazer isto, lerem, bem como seus staffs de “assessores”, dedicados muito mais a preservarem no mês a boquinha deles e penduricalhos, cada dia mais ameaçada por uma insatisfação crescente, já bem identificada: a burocracia e o velho sistema
A FÚRIA DOS ELEITORES AO REDOR DO MUNDO, por Fareed Zakaria, escritor e jornalista indiano-norte-americano, em artigo traduzido publicado no jornal O Estado de S. Paulo
Nesta semana, o Reino Unido empossou seu sétimo premiê em uma década. A França viu passar quase o mesmo número de líderes em alguns anos. Sua próxima presidente pode ser Marine Le Pen, figura antes marginalizada. Na Alemanha, o partido de extrema direita AfD – minúsculo há poucos anos – lidera as pesquisas.
Até as democracias do Leste da Ásia – estáveis, prudentes e até monótonas – viram governos no Japão, na Coreia do Sul e em Taiwan enfrentarem dificuldades em meio à crescente insatisfação popular. E, onde populistas estão no poder, a situação não é muito diferente. Donald Trump registra um índice de aprovação perto do mais baixo já visto entre presidentes americanos modernos nesta fase do mandato. As democracias conseguem funcionar?
Em todo o mundo democrático, muitos países tributam, contraem empréstimos e gastam quantias exorbitantes. Os gastos já representam, em média, mais de 40% do PIB de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e a relação entre a dívida e PIB nesses países mais do que dobrou nas últimas três décadas. No entanto, as pessoas não parecem acreditar terem sido beneficiadas.
Por que isso aconteceu? Parte da explicação é econômica. O custo elevado da moradia, a estagnação da renda e o aumento da desigualdade alimentaram a insatisfação. Mas a economia é apenas uma parte da história. Os EUA registraram um crescimento mais robusto do que a maioria das outras economias avançadas.
A França, sob a presidência de Emmanuel Macron, reduziu o desemprego e atraiu mais projetos de investimento estrangeiro do que qualquer outro país da Europa por sete anos consecutivos, segundo análise da Ernst & Young. A Coreia do Sul é um caso de sucesso econômico. O Japão vivenciava uma recuperação. No entanto, governos democráticos são impopulares em quase todas as partes.
A explicação mais ampla é que estamos vivendo uma das grandes revoluções tecnológicas da história. E essas transformações sempre geram profunda ansiedade e medo.
REVOLUÇÃO.
A última transformação tecnológica dessa magnitude ocorreu entre 1880 e 1920. A eletricidade, o telefone, as ferrovias, o automóvel e o cinema revolucionaram setores inteiros e modos de vida. Milhões de pessoas deixaram o campo rumo às cidades.
O comércio global desestabilizou economias locais. Novas fortunas surgiram da noite para o dia, enquanto antigas profissões desapareciam. Nesse cenário de turbulência, a frustração e a raiva encontraram canais de expressão política. A esquerda voltou-se para o comunismo; a direita, para o fascismo. O que se seguiu foram novos movimentos de massa, convulsões culturais e uma guerra mundial.
AVANÇO.
Nossa revolução é digital, e não elétrica: começou com os computadores, seguiuse com a internet, depois com os smartphones e as redes sociais e, agora, com a inteligência artificial. Esta última pode vir a ser a mais transformadora de todas. Como disse na semana passada Demis Hassabis, da DeepMind: “Encontramos uma maneira de fazer a areia pensar” – uma referência aos chips de silício, feitos de areia.
A capacidade de produzir inteligência em massa – uma inteligência que se torna mais poderosa a cada mês – é, certamente, o maior triunfo tecnológico da história. Mas isso também significa que ela pode ser a mais disruptiva.
O cientista político Samuel Huntington observou que “o problema fundamental da política é a defasagem no desenvolvimento das instituições políticas em relação às mudanças sociais e econômicas”. Mudanças em grande escala geram ansiedade. E sociedades ansiosas exigem mais da política. Os cidadãos querem líderes que restaurem a ordem, garantam a segurança e os ajudem a recuperar a sensação de controle sobre forças que parecem, cada vez mais, escapar ao alcance de qualquer pessoa.
Embora a tecnologia eleve drasticamente as expectativas, ela também torna o governo democrático menos capaz em comparação. Chamamos um carro em três minutos. Uma encomenda chega no mesmo dia. A IA responde a perguntas complexas em segundos e realiza, em poucos minutos, tarefas que antes levavam meses para serem concluídas por pessoas.
Naturalmente, os cidadãos passam a esperar uma eficiência semelhante por parte do governo. No entanto, a democracia não foi concebida para a velocidade; ela foi concebida para a legitimidade. Ela negocia, busca consensos, consulta tribunais, protege grupos vulneráveis e equilibra interesses conflitantes. São justamente essas salvaguardas que distinguem a democracia do autoritarismo. Contudo, em uma era marcada pela velocidade vertiginosa da tecnologia, elas parecem cada vez mais sinal de paralisia.
REDES SOCIAIS.
As redes sociais ampliam essa lacuna. Cada erro governamental tornase instantaneamente visível. Cada decepção transforma-se em uma polêmica viral. Qualquer cidadão frustrado pode mobilizar milhares de outros antes mesmo que os governos comecem a reagir.
Isso ajuda a explicar a trajetória peculiar do populismo moderno. Políticos como Donald Trump, o brasileiro Jair Bolsonaro e o argentino Javier Milei ascenderam ao poder prometendo romper à força os impasses institucionais. No entanto, uma vez no cargo, a maioria deparou-se com a mesma realidade enfrentada pelos líderes que substituíram. Os insurgentes de hoje rapidamente se tornam os governantes decepcionantes de amanhã.
As pessoas não parecem ter perdido a confiança na democracia. Elas não viraram as costas para eleições, constituições e tribunais independentes. Contudo, estão profundamente insatisfeitas com o desempenho democrático. As democracias precisam provar, mais uma vez, que são capazes de construir casas e infraestrutura, modernizar serviços públicos, gerir mudanças tecnológicas e reduzir a desigualdade – e fazer tudo com urgência e eficácia.
LIBERDADE.
A história oferece motivos para otimismo. Sociedades livres frequentemente parecem mais frágeis em meio a grandes transformações tecnológicas, pois avançam lentamente e debatem incessantemente. No entanto, ao longo do tempo, elas geralmente se adaptam melhor do que as autocracias, justamente por serem capazes de aprender, corrigir erros e mudar de rumo sem recorrer à violência ou à repressão.
Líderes democráticos não devem tentar competir em velocidade com a tecnologia. Eles não conseguiriam vencê-la. Devem, porém, demonstrar – por meio de competência e foco incansável – que as democracias são capazes de entregar resultados. Assim, as pessoas compreenderão que o atrito inerente à prestação de contas e o peso da legitimidade não são falhas do sistema. São, na verdade, as características que preservam a nossa liberdade.
RABO PRESO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
André Mendonça autorizou a abertura de inquérito para apurar o trânsito dos dinheiros de Vorcaro destinados a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A forma da movimentação dos recursos se encaixa no padrão de dissimulações da rede vorcárica. A PF suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Falamos de US$ 10,6 milhões captados por Flávio Bolsonaro, grana disparada – de fevereiro a maio de 2025 – por meio de empresa de fachada, a Entre, e que chegaria aos EUA pousando no fundo Havengate, administrado por advogado amigo de Eduardo Bolsonaro.
Já se passaram mais de dois meses desde que Flávio se comprometera com a divulgação de prestação de contas sobre os usos desses milhões pela produtora do filme. Foi em 19 de maio – e ele dava prazo: 30 dias. Até agora, nada. Período em que novos maus-cheiros se estabeleceriam, revelado, pelo Metrópoles, que o escritório de advocacia do senador prestara serviços advocatícios para empresa de contabilidade pertencente a sujeito outrora investigado por supostamente operar esquema de notas fiscais falsas de CNPJs de fachada.
(Talvez fosse o caso de o senador-consultor contratar os serviços do escritório Barci de Moraes para lhe preparar – tal qual feito para o Master – um manual de compliance, de modo a evitar certas associações.)
Em 7 de abril de 2025, o escritório de Flávio emitiria duas notas fiscais – ambas de R$ 500 mil – para a consultoria Copenhagen, criada em novembro de 2024 e que, já em dezembro, receberia R$ 11,2 milhões do Master. Seriam outros R$ 46,6 milhões em 25. Empresa pertencente ao fundo Estônia, da Trustee DTVM, gestora apontada como custodiante de ativos de Vorcaro.
Flávio disse que não quis trabalhar para a Copenhagen. Emitiu notas para empresa com a qual não quis trabalhar. As notas foram canceladas no próprio dia 7 e em 9 de abril, quando uma terceira – também de R$ 500 mil – seria emitida, para a Contábil Corrêa, e nunca cancelada. O senador lhe prestou os serviços, não sabidos quais, tampouco se sob formalização de contrato e com procurações.
A Contábil Corrêa, que não recebeu recursos do Master, é de Rogério Lourenço Novo, aquele outrora investigado por suspostamente operar esquema de notas fiscais falsas de CNPJs de fachada – sujeito que, em setembro de 25, tornar-se-ia diretor da Copenhagen, que recebeu, entre 24 e 25, R$ 57,8 milhões do Master.
A título de curiosidade: o balé das notas de R$ 500 mil, em abril de 2025, está contido no intervalo – entre fevereiro e maio de 25 – em que Vorcaro remeteria os R$ 10,6 milhões para Dark Horse.
Deflagrada a investigação sobre as transações cinematográficas entre os Bolsonaro e a teia vorcárica, somente a porção concernente às relações entre Vorcaro e ministros do Supremo – Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques – não é investigada. Não será. O gilmarmendismo já mandou fechar o estreito de ormuz. Virão as nulidades. E Flávio – cavalo manco – pode falar nada a respeito.
REALISMO, por José Casado, na revista Veja
Nunca tantos desconfiaram tanto do governo, do Legislativo e do Judiciário. Há uma miríade de sondagens de opinião demonstrando que, para a maioria dos eleitores, os governos têm sido ruins, o Supremo Tribunal Federal não merece confiança e o Congresso representa mal o povo. Na média, quase sete em cada dez brasileiros que vão às urnas em outubro julgam de forma negativa os políticos, inclusive aqueles que aparecem vestindo togas nos plenários dos tribunais superiores.
Quatro décadas depois da redemocratização, as utopias estão pulverizadas, a conexão dos representantes com os representados está rarefeita e o Estado passou a ser dirigido como se fosse propriedade privada. Esse processo de liquefação política tem contornos bem delineados em dois livros recém-lançados.
No instigante A Oligarquia dos Poderes e a Crise da Democracia, Joaquim Falcão retrata a origem e a evolução de uma espécie nova de regime político, um tipo “de populismo sem líder definido”: a oligarquia dos Três Poderes que nasce, se alimenta, se apropria e atua para se perpetuar no domínio do Estado.
É o jogo principal, ele acha, e o mais peculiar do Brasil hoje. No olhar de Falcão, desenha-se um governo de poucos para muitos, em que castas se reproduzem no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Se unem, celebram pactos para autopreservação, se escondem e se revelam, por exemplo, em episódios como o da corrupção do Banco Master.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro e associados atravessaram os últimos oito anos empenhados em luxuoso investimento na construção de uma rede de proteção no governo, no Congresso e no Judiciário. Vorcaro está preso, mas o caso Master segue travado na falta de respostas objetivas e detalhadas ao menos a duas perguntas-chave: como e por que se permitiram fraudes em série por quase uma década, e para onde escoou a grana dessa maracutaia bilionária?
Falcão vê no enredo do Master com os Três Poderes um indicador relevante de ameaça da oligarquia estatal ao Estado de direito, sobretudo porque envolve parentelas e aliados da elite em Brasília, nas capitais e nos principais colégios eleitorais de dezoito estados. Levanta a hipótese de um conluio “em que um Poder deixa de controlar o outro, propositadamente”, numa engrenagem de autoproteção e enriquecimento, com garantia de reprodução de um mesmo benefício para todas as autoridades — como se vê na novela dos penduricalhos salariais e no padrão de altíssima concentração da renda nas folhas de pagamento do setor público.
Essa percepção é senso comum, demonstra o livro O Novo Perfil Eleitoral do Brasil — Como Pensa e Como Vota o Brasileiro. Os cinco autores (Paulo Bracarense, Sinoel Batista, Eros Nascimento, Adriana Silva e Matheus Cabús) mergulham em pesquisas inéditas, conduzidas durante um ano com 36 grupos de 246 eleitores em paralelo a outra com 2 242 eleitores em todas as regiões, sob patrocínio da Fundação João Mangabeira, que é vinculada ao Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Não sobram dúvidas sobre o colapso da representatividade. Nada menos que 115 milhões de eleitores (73% do total) consideram que seus interesses são mal representados pelo Congresso. Pouco mais de 82 milhões (52%) repudiam o desempenho dos juízes e dizem não confiar no Supremo Tribunal Federal. É paradoxal, mas 118,5 milhões (75%) reivindicam mais democracia, enquanto 94,8 milhões (60%) acham que “o Brasil precisa de um líder forte que não dependa do Congresso”. Mais de dois terços do eleitorado julga a desigualdade social e de oportunidades como o principal problema nacional; no entanto, a maioria (55%) ainda aposta no mérito individual como fator essencial para ascensão social.
O realismo da sobrevivência na desconfiança é a chave dos livros A Oligarquia… e O Novo Perfil Eleitoral…, que se complementam. Ambos demonstram que não foi o eleitor que perdeu o mapa, a bússola e o rumo na construção de uma sociedade democrática. O fiasco é dos governos que transformaram o país em fábrica de pobreza. É também do Judiciário, percebido como politizado, elitista e zeloso do espírito de casta. E tem a contribuição dos partidos e do Congresso, onde 594 deputados e senadores não apenas se desconectaram do interesse público como passaram a atuar como empreendedores individuais. O eleitor, certamente, é o que menos culpa tem nessa liquefação política. Volta às urnas em dez semanas na esperança de, mais uma vez, conseguir empurrar a própria história.
Senhor Herculano, fala-se tanto na queda dos Secretários da atual administração por suspeita de corrupção em Prefeituras próximas, aí eu lhe pergunto, e toda
aquela “suspeita” de corrupção do governo passado de Kleber Van Dall, que está mais que comprovado a mão grande dos administradores passados e nada acontece. Será que eles vão ter de Declarar no IRPF, os Imóveis comprados, Carros de Luxo e até Cavalo de Raça pra que sejam enquadrados.
data venia: acorda Gaspar.
Primeiro, você denunciou e com indícios e provas? Aonde e quando? Se não fez, falhou e não pode cobrar. Se não fez, não tem como reclamar. Segundo, os cidadãos e cidadãs, querem os malvados punidos. É um bom começo. Todavia, não exercem a cidadania. Ficam escondidos, lavam as mãos assistindo a coragem de outros, quando e se alguma coisa acontecer contra os supostos malvados. Como você mesmo escreveu, eram “suspeitas”. Então…
Bom dia.
Senhor, na terça passada a Câmara de vereadores de Gaspar APROVOU as contas do governo Kleber referentes a 2024 quase por unanimidade.
O único que votou contra foi o vereador Alex, mas pra não jogar uma pá de cal no mandato passado.
Isso sem falar nos VEXAMES das CPI do desconheço e do biscoito, culminando com a convocação da ex-secretária Camila.
Então assim: olhando de fora, a impressão que temos é que só há DIVERGÊNCIAS quando os acordos de porões não são cumpridos.
Bom dia. Obrigado pela leitura e interação
Para a maioria dos eleitores e eleitoras de Paulo Norberto Koerich, PL, cada vez fica mais claro que houve um estelionato eleitoral. Se ele não é a continuidade piorada do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, agora no podemos e no mesmo palanque pela reeleição de Jorginho Mello, PL, faz de tudo, para se parecer. Passado um ano e nove meses de governo, sem contar o prazo de transição, ele não conseguiu sequer montar equipes, dar eficiência, ter uma marca de governo para vender agora em outubro, muito menos ir atrás do que estava supostamente errado no governo Kleber.
TEMPORADA DE CAÇA AOS MENSAGEIROS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na CPI do Crime Organizado era passível de críticas. Deslocava a comissão de seu objeto original, misturava questões que talvez devessem ser examinadas por outros instrumentos parlamentares e atribuía protagonismo excessivo às suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República, que resultaram em pedidos de indiciamento por crimes de responsabilidade. O Senado avaliou esse trabalho e o rejeitou por seis votos a quatro. Numa democracia, esse deveria ter sido o desfecho natural da controvérsia.
Não foi. O ministro Gilmar Mendes entrou com representação contra Vieira na Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo que o senador fosse investigado por suposto abuso de autoridade, alegando que Vieira praticou desvio de finalidade ao tentar atingi-lo (junto com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli) com um pedido de indiciamento por crime de responsabilidade no relatório final da CPI. O procurador-geral, Paulo Gonet, afastou a hipótese de abuso de autoridade, mas surpreendentemente preservou a acusação ao remetê-la à esfera eleitoral, abrindo caminho para uma investigação capaz de atingir a elegibilidade do senador.
Parece claro que o tal relatório do senador Vieira se tornou um problema porque, ao longo da investigação da CPI, que incluiu o escândalo do Banco Master, surgiram elementos que alcançavam integrantes do próprio Supremo: o contrato multimilionário firmado pelo Master com o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes e as relações econômicas do banco envolvendo negócios do ministro Dias Toffoli.
Dias Toffoli resistiu o quanto pôde como relator do caso Master no STF mesmo com evidências abundantes de suspeição. Gilmar Mendes interrompeu diligências destinadas a esclarecer os vínculos financeiros. A Procuradoria-Geral da República se recusou a investigar os volumosos indícios que alcançavam ministros. Quando a condução passou para o ministro André Mendonça, vieram críticas duras ao colega.
Sempre que a investigação se aproxima de áreas sensíveis para integrantes da Corte, multiplicam-se obstáculos processuais, cautelas extraordinárias e argumentos para conter seu avanço. Foi esse bloqueio que Vieira tentou romper por meio de um relatório parlamentar. Se o instrumento era obviamente inadequado, as perguntas que ele fazia não. A resposta da Justiça, porém, concentrou-se não nas suspeitas que ele levantava, mas na punição a quem ousou formulá-las.
Diante de contratos milionários, conflitos de interesses e fatos que reclamavam esclarecimentos, prevaleceram por parte do STF e da PGR arquivamentos, cautela extrema e baixa disposição para novas diligências. Diante de um relatório rejeitado pelo próprio Senado, a criatividade institucional mostrou-se muito maior. A acusação penal foi abandonada, mas encontrou-se um caminho alternativo para manter a ameaça de punição ao mensageiro.
Essa assimetria evidencia a existência de duas réguas por parte do procurador-geral. A primeira exige um grau quase inalcançável de certeza para que ministros do Supremo sejam enfim investigados. A segunda admite interpretações amplas e soluções processuais inovadoras quando o alvo é quem tenta submetê-los a escrutínio.
Pela Constituição, cabe justamente ao Senado exercer funções de fiscalização sobre ministros do STF. Por mais inadequada e até oportunista que tenha sido, a atuação de Vieira ocorreu no exercício legítimo da atividade parlamentar, sem qualquer traço de ilícito eleitoral e muito menos penal. Se senadores passam a correr riscos por exercer sua função, ainda que de maneira imperfeita, a mensagem aos futuros relatores, presidentes de comissão e demais integrantes da Casa é inequívoca: questionar ministros do STF pode custar caro.
Num Estado de Direito, a resposta a um relatório ruim é rejeitá-lo, desmontá-lo ou ignorá-lo – não transformá-lo em instrumento para intimidar seu autor. Da mesma forma, suspeitas relevantes contra autoridades não devem ser arquivadas antes de serem suficientemente esclarecidas. Mas o que se vê na Justiça é uma engrenagem que serve para proteger ministros do STF e para punir seus críticos e desafetos.
é muita presepada para um prefeito só.
Chamado de Dr. Paulo Norberto Koerich.
Quanta barbaridade.
Concordo
Bom dia.
Liga não.
Quando não há argumentos pra justificar o caos, procuram culpados.
O conservadorismo proíbe em público tudo o que faz sem nenhum pudor, ESCONDIDO.
Isso vale pra direita, esquerda e centro, uma vez que estão todos juntos e misturados nos acordos de porões:
“Quem rouba unido, jamais será traído”.
Um não larga a mão do OUTRO.
A APROVAÇÃO das contas de 2.024 do guverno Krebs na Câmara terça passada deixou EXPLÍCITA aquela máxima: “eu esqueço do teu e tu esquece do meu”.
O único que votou contrário, por coerência com o discurso que o reelegeu, foi o vereador Alex.
Sem falar da Reforma Administrativa que,
SEM CONCURSO PÚBLICO,
irá ABSORVER dezenas de “funcionários” CLT descartados pela iniciativa PRIVADA.
Enquanto isso, a antiga policlínica, hoje almoxarifado de ARARAS E CABIDES (DE CORRELIGIONÁRIOS),
vai se DETERIORANDO a olhos vistos e perdendo a passos largos a sua vocação: ENCURTAR AS DORES E REABILITAR PESSOAS.
Agradeço a leitura, a interação e a indignação. Ela hoje parece ser de 52,98%. Chega quatro de outubro
Excelentíssimo Senhor,
Peço desculpas se causei a impressão de que a culpa é sua. Não foi essa a minha intenção. Na verdade, eu realmente estava lhe provocando, justamente porque reconheço sua experiência e sua capacidade de analisar os fatos com profundidade.
O senhor foi cirúrgico em suas explicações sobre as escolhas do prefeito. Suas colocações realmente provocam uma importante reflexão. Aproveitando essa oportunidade, gostaria de fazer mais algumas perguntas.
O presidente da Câmara de Vereadores é conhecedor de toda a situação e, como fiscal do Poder Executivo, possui o dever institucional de exercer seu papel. Diante dos fatos que vêm sendo divulgados, já não passou da hora de convocar o prefeito para prestar os devidos esclarecimentos à população?
Outra pergunta: onde está o vereador mais votado do município e ex-presidente da Câmara? Em meio a tantos questionamentos e escândalos, seu silêncio chama a atenção.
Por fim, convido os vereadores a caminharem pela principal rua do bairro Bela Vista. Um bairro que já chegou a eleger três vereadores ao mesmo tempo e que, atualmente, mesmo contando com dois representantes, encontra-se em situação pior do que quando não tinha nenhum. A que se deve esse abandono?
São perguntas que merecem respostas, em respeito à população e ao compromisso assumido por aqueles que foram eleitos para representar os cidadãos.
Obrigado pela leitura e interação
Presidente da Câmara? Você acredita que Gaspar possui um presidente da Câmara, como reza a Constituição e o Regimento Interno? Há uma degradação aos piores legislativos que temos nos grotões e que inundam as redes sociais com falhas e truques. Há o presidente eleito, e há o presidente que manda em tudo. E quando a bronca aumenta, ele assume, porque tem o couro grosso, como foi na sessão especial que ouviu a Camila Beatriz Tillmann, orientada pelo mesmo grupo que domina a Câmara, fazer gato e sapato, de forma humilhante da instituição.
Sobre o mais votado, vamos esperar o quatro de outubro. E por que? O eleitorado está cada vez mais alienado e raios realmente podem cair várias vezes no mesmo lugar, contrariando o ditado popular.
QUAL SOBERANIA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo
O tarifaço americano está onde Lula (e todo populista) gosta. No campo das frases fáceis, da indignação seletiva e de seu intenso uso imediato como tática eleitoral no lugar de estratégia coerente de longo prazo.
No uso tático da questão, Lula se utiliza do presente que recebeu de adversários espetacularmente incompetentes. A ponto de ignorarem um princípio universal de ciência política, o das fileiras que se fecham até em torno de governos impopulares diante de agressão externa. E ainda posam com um sorriso beócio ao lado do agressor.
Lula lançou uma ampla campanha de “defesa da soberania” na qual falta entender a qual soberania a propaganda governamental se refere. A clássica soberania não é ameaçada por ninguém vindo de fora (apesar de o Itamaraty supor isso), mas, sim, pela incapacidade do Estado brasileiro de controlar o próprio território – é o que acontece com o crime organizado na Amazônia.
Se a “manutenção da soberania” é a questão de tarifas comerciais, então dificilmente pode-se falar de “soberania”. Cada país faz o que julga apropriado nas relações comerciais e colhe os resultados do que aplica. O Brasil é soberanamente protecionista há décadas e vítima de um consenso típico do nosso patrimonialismo, segundo o qual o Estado existe para proteger quem não consegue competir.
Se a defesa da soberania tem a ver com Defesa, a situação é mais precária ainda. O Brasil é descrito como potência média com escassa capacidade de projeção de poder, formulação elegante que mal esconde nossa precária condição de indefesos. Já tivemos esboços de uma “base industrial de defesa”, mas a indústria em geral no Brasil está recuando, e não avançando.
Nesse sentido, deveriam ser considerados como “limitadores de soberania” nossa tributação, insegurança jurídica, regulação, baixa produtividade e juros sufocantes, que impedem desenvolvimento sustentável. Por analogia, deveria ser considerado “mais soberania” o fato de o Brasil estar a um pequeno passo de destronar os Estados Unidos como maior exportador agrícola do planeta – resultado de inovação tecnológica, qualificação e integração internacional.
Mesmo assim, a superpotência brasileira de grãos e proteínas é vulnerável ao estrangulamento de insumos, às transformações geopolíticas, à precária infraestrutura e, principalmente, às notórias dificuldades de se desenvolver inteligência estratégica, ligando setor público e privado num horizonte de tempo mais amplo.
É bem mais fácil defender a soberania de bravata.
O que fazem os deputados e senadores contra os doentes e os mais vulneráveis. E olha que eles se elegem jurando que serão os nossos representantes na nossa proteção.
EMENDAS PÕEM EM RISCO INVESTIMENTOS NO SUS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Nos últimos anos, o Congresso Nacional ampliou seu controle sobre o Orçamento por meio das emendas parlamentares, em geral executadas sem transparência nem critérios técnicos.
Na saúde, boletim do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), divulgado na terça-feira (21), mostra que 22% dos R$ 10,3 bilhões destinados a investimentos no SUS em 2024 vieram de emendas. Trata-se de recursos voltados à ampliação ou modernização da estrutura do sistema, como obras e aquisição de equipamentos.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada do SUS e responde por serviços essenciais, como vacinação, pré-natal, controle da hipertensão e do diabetes e visitas domiciliares.
Segundo o Ieps, 65,7% dos itens financiados por emendas individuais na APS em 2025 (62.788 de um total de 95.598) pertencem à categoria “Infraestrutura e Material de Escritório”, que inclui cadeiras, computadores e aparelhos de ar-condicionado.
Equipamentos médicos de baixo custo, como eletrocardiógrafos e aparelhos de ultrassom, representam 27,9%.
Dos R$ 491 milhões destinados à APS, 23% (R$ 113,9 milhões) foram para infraestrutura, 12% (R$ 58,8 milhões) para equipamentos médicos de baixo custo e mais da metade (R$ 263,5 milhões) concentrou-se na compra de veículos.
O estudo ressalta que não é possível verificar se esses recursos estão sendo distribuídos de acordo com as necessidades dos municípios. Os dados, contudo, sugerem carência de infraestrutura básica e levantam dúvidas sobre se investimentos em equipamentos clínicos essenciais estão sendo preteridos.
Também merecem atenção as disparidades regionais. Entre os municípios do Norte e do Nordeste, mais dependentes da União, 63% e 59%, respectivamente, receberam emendas. No Centro-Oeste (85%), no Sul (76%) e no Sudeste (73%), as proporções foram maiores.
A pesquisa verificou ainda que, entre os municípios com até 10 mil habitantes, as emendas nem sempre beneficiaram os mais pobres ou aqueles com menor capacidade de financiar o SUS. Parte dos recursos foi destinada a cidades que já apresentavam gasto relativamente elevado com recursos próprios.
Além de moralizar o uso das emendas parlamentares, é indispensável que a distribuição das verbas para a saúde seja orientada por diagnósticos das necessidades locais, e não pela conveniência política.