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O VELHO NOVO GOVERNO DE GASPAR CONFUNDE ADMINISTRAÇÃO COM GESTÃO. SEM RESULTADOS, PRECISA DE SUPOSTOS ADVERSÁRIOS E DE GENTE QUE DEIXOU NA ESTRADA, PARA ELEGER JORGINHO MELLO, PL, O CRIADOR DA CRIATURA

Este texto desta terça-feira – em que escapamos de uma enchente anunciada decorrente do El Niño atípico – é rápido, o que por si só, é excepcional, diante dos meus reiterados textões para ninguém os ler. Um vídeo, também rápido, que posto abaixo, esclarece – por quem é do ramo acadêmico – melhor que as minhas palavras. Sem metas, não há gestão. Para se ter metas, é preciso projeto. E projeto estabelece um resultado, que é cobrado e avaliado. Nem mais. Nem menos.

Um defeito de origem. Paulo Norberto Koerich, PL, um policial civil de carreira bem sucedida e afamada, não queria ser candidato a prefeito. Foi convencido, na marra, pelo “grupo” que manda na cidade e na política local. O” grupo” queria um “novo” candidato, identificado e de suposta confiança do “grupo”, mas de imagem “limpa” aos da cidade. O “grupo” estava cansado do menino promessa, mas que se tornou enrolão, que se desgarrava, numa vida política solo e perigosa para o “grupo”, Kleber Edson Wan Dall, eleito no MDB. O “grupo” também não queria que Kleber criasse asas com a sucessão que ele armava com Marcelo de Souza Brick, PP. O “grupo”, também não queria a volta ao quarto mandato de Pedro Celso Zuchi, PT.

Hoje, Kleber está no Podemos. E por quê? Simplesmente ele tem tesão, gana, estômago, cheira poder e não sabe fazer outra coisa além de política e politicagem, mesmo diante dos desgastes que possui, incluindo no meio evangélico. Kleber está no Podemos, para ser o cabo eleitoral a favor da reeleição de Jorginho Mello, PL, o criador de Paulo político e pasmem, que sozinho Paulo não pode ser. Ao menos, Paulo não vai poder dizer – e nem Kleber – que os votos de Jorginho em Gaspar são exclusivamente dele. Salvam-se, ou se afundam os dois.

TESÃO, GANA E ESTÔMAGO

A um político antes de tudo é preciso ter tesão, gana e estômago para a coisa política e gestão de um município cheio de problemas de toda a ordem como é Gaspar, conciliando interesses políticos partidários e a sustentabilidade na Câmara. A Paulo faltam os três: tesão, gana e estômago. Tanto que com ficha assinada no PL na Casa d’Agronômica, em Florianópolis, sob testemunhas, como Pedro a Jesus, Paulo negava tudo isso aqui, por semanas, incluindo naquele famoso jantar no Espaço Bunge JBS. E olha: era de lançamento do nome dele pelo “grupo” que manda em Gaspar, mesmo alguns deles nem morando e votando aqui.

Pior. Paulo desde então não conseguiu diferenciar entre o que é administração e gestão. E mesmo assim foi eleito. Pareceu-se até uma surpresa, mesmo diante das evidências de que não seria surpresa alguma a sua eleição diante de tantos interesses representados. E onde tudo começou a falhar e trabalhar contra a imagem do afamado Paulo? Na formação da equipe. Ela mudou tanto, ou mais, em tão pouco tempo, como fez Kleber, o que o enfraqueceu Kleber. Nem este mau exemplo serviu de aprendizado e aviso a Paulo. Credo!

Ao menos, Kleber tinha um núcleo duro, uma comunicação coerente – ele próprio era um bom comunicador de si mesmo e das fantasias que a marquetagem longeva (por mais de nove anos juntos) dele inventava. Paulo é um terror na comunicação. E os profissionais pagos por ele (nós), insistem nesta exposição que o enfraquece ainda mais. E para completar, Paulo, que disse ter entrevistado todos os que importou de Blumenau a mando do “grupo” daqui (pedreira) e de Florianópolis, teve que admitir que fez mal feito este trabalho. Logo em algo que deu fama estadual. Os “escolhidos” ou “plantados” aqui – e ainda há – estavam manchados por operações policiais. Inacreditável. E contra a própria fama

Mas, o que pega no DNA da atual administração municipal gasparense é a incapacidade de Paulo em liderar processos, percorrer caminhos políticos decisórios do poder (na região, em Florianópolis e até em Brasília onde não possui depois de dois anos interlocutores sólidos no seu espectro ideológico), e assim ser reconhecido e estar à frente de mudanças para a cidade. No fundo, se lhe falta jogo de cintura de político, falta o pragmatismo de gestor.

Hoje, olhando para os Projetos de Lei – e as resposta à meia boca dos requerimentos – que aportam na Câmara, está mais parecido com o PT e o sindicalismo de Luiz Inácio Lula Silva no inchamento da máquina pública, do que um liberal em busca de parcerias, atualização e agilidade para resultados desta mesma máquina. Ela nem chegou na era digital, quando já estamos navegando na inimaginável e até desconhecida era da Inteligência Artificial.

Definitivamente, Paulo não é um bom cabo eleitoral para Jorginho. E Jorginho sabe disso.

FALTA UM PORTO DE CHEGADA

E qual a razão disso? Paulo não é um gestor naquilo que se define óbvia e classicamente. Um gestor precisa de metas, métricas, equipes, projetos e entregas. Quem o cerca não faz – ou ele não deixa fazer – este necessário papel orientativo, de projeção e de discernimento. “Não bastam bons ventos (ditado dos tempos das caravelas), sem não se sabe o porto que se quer chegar“. Paulo aproveitou o bom vento e se elegeu. Foi a parte mais fácil. Falta saber aonde ele quer chegar (e com quem).

Outro ditado. E este torna claro o erro para quem tem pavor de colocar todos numa sala, regularmente – Kleber fazia isto toda semana com o primeiro escalão – sob uma mesma vibe, com cobranças por resultados prometidos, rever as prioridades diante de percalços e novas necessidades, além da promoção da integração cara a cara entre as divergências ou dificuldades, hoje cada vez mais confusa em troca de mensagens individuais e em grupos: “é na tempestade que se conhece o verdadeiro comandante“. Os secretários de Paulo revelam nos bastidores pavor desse tipo de reunião. Ficam desprotegidos. Até os tais raros e escondidos “happy hour”, são temidos.

Gestão é isto: como se chegar a um resultado querido, prometido e estabelecido. Veja e ouça o vídeo abaixo o conclua você mesmo.

Paulo perdeu quase dois anos. Tem mais um ano e meio para aprender o que é gestão ou então terceirizar isto para quem entende deste riscado. Por enquanto, está refém de burocratas, ou de jogos de vaidades vindos Ana Karina Schramm Matucheski Cunha, na poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa; de Pedro Inácio Bornhausen, na secretaria de Planejamento Territorial; e de André de Moura Cunha, na Chefia de Gabinete

TRAPICHE 

Está mais do que na hora de Paulo Norberto Koerich, PL, assumir o Samae de Gaspar. Há guildas de interesses que dominaram aquela autarquia. O funcionário de carreira, ex-vereador, Cicero Giovane Amaro, PL, perdeu totalmente o controle de uma peça fundamental da administração e do futuro da cidade.

Um vídeo antigo das câmeras de seguranças internas, em que dois servidores se estapearam em pleno horário de serviço espantou muita gente. Mas, ele só veio público, porque o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, fingiu não ver o que rolava nos aplicativos de mensagens – e se viu perdeu a oportunidade de colocar o dedo na ferida – de servidores olhando o serviço dos outros, jogando cartas ou em caravanas em cursos externos.

Este vídeo do estapeamento, mostra outro defeito do governo de Paulo Norberto Koerich, PL: o tal PAD – Processo Administrativo Disciplinar. Um PAD já teria resolvido isto há muito tempo. O PAD, reclamam os servidores, em alguns casos passam batidos e  em outros viram peça de perseguição.

E por falar em PAD – Processo Administrativo Disciplinar – o Projeto de Lei que quer aumentar para os absurdos R$5.500,00 a gratificação dos três membros do PAD, mostra bem como Paulo Norberto Koerich, PL, se desgasta à toa. Ninguém, em cidade alguma, bem maior que Gaspar, como Blumenau, Brusque e Itajaí, ganha mais que R$2.500,00.

O relator da matéria, Giovano Borges, PSD, promete emendar o Projeto de Lei. E diante do exagero e do desgaste provocado, parece que todos os demais vereadores enfiaram a viola no saco, ainda mais em época de campanha eleitoral.

Quem ficou com o pincel na mão? Paulo Norberto Koerich, PL. Pode isso? Quem foi o bruxo que lhe tirou a escada? E vai ficar por isso mesmo? Ele não vai espantar o bruxo da sua sala e convivência? Cruzes.

A Câmara de vereadores de Gaspar já pagou esta ano R$108.245,00 em diárias. Estamos só no início de setembro. O presidente Ciro André Quintino, MDB, como em anos anteriores, continua sendo o campeão: R$15.575,00. Ele é Seguido por Roni Jean Muller, MDB, R$9.630,00 e Alexsandro Burnier, PRD, R$9.360,00. Nelas, não estão inclusas as diárias dos assessores deles e as de deslocamentos.

Enrolação I. Há duas décadas se enrola – mesmo com TAC no Ministério Público e o marco do Saneamento Básico que prevê para 2033 que 90% do esgoto esteja tratado – Gaspar engatinha e se enrola. Vai começar pela estação de tratamento. E por quê? Para não esburacar a cidade em época de eleições. Erro de cálculo. Vai as ruas em 2028.

Enrolação. Mudou a chefia de gabinete e o método continuou o mesmo. O relator do Projeto de Lei em que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, pede autorização da Câmara para contrair empréstimo de R$100 milhões, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, re3queriu mais informações no que tais recursos seriam usados, quando contraídos. Ficou sem respostas. O governo quer um cheque em branco ou não possui projetos. Muda, Gaspar!

A conta de luz, para a maioria dos catarinenses aumentou quase 10%. Quem aprovou isto? Deputados Federais e Senadores nos jabutis que inventam para subsidiar uma série de projetos, entre eles, termoelétricas onde não há gás, e perpetuar a poluição na extração de carvão no sul do estado, desperdiçando (jogado fora mesmo) energia eólica e fotovoltaica, mais limpas e baratas (hoje em dia).

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30 comentários em “O VELHO NOVO GOVERNO DE GASPAR CONFUNDE ADMINISTRAÇÃO COM GESTÃO. SEM RESULTADOS, PRECISA DE SUPOSTOS ADVERSÁRIOS E DE GENTE QUE DEIXOU NA ESTRADA, PARA ELEGER JORGINHO MELLO, PL, O CRIADOR DA CRIATURA”

  1. A RESPONSABILIDADE DO SUPREMO, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Os dez ministros do Supremo precisam olhar para a estatueta da Justiça que enfeita seus gabinetes. Ela é cega.

    O presidente do tribunal, Edson Fachin, sabe que a estratégia da turma do Vorcaro é obter a nulidade de todo o processo e de suas provas. Afinal, o banqueiro quebrado ameaçou várias vezes contar “toda a história” do Master.

    Preso, está conseguindo mais do que supunha. Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça engalfinharam-se. Um (Mendonça) quer que os diálogos de Moraes com Vorcaro em poder da Polícia Federal venham a público.

    Trata-se da aplicação da lei do juiz americano Louis Brandeis: “A luz do sol é o melhor desinfetante”.

    O outro, Moraes, quer investigar iniciativas ilegais de Mendonça.

    No meio, clarividente, está o presidente do tribunal, Edson Fachin, vendo que a estratégia da defesa de Vorcaro e de sua turma é a busca da nulidade.

    Assim, a maior fraude financeira da história iria para baixo das togas. Quais? Todas, como se deu com a Lava-Jato.

    Isso está claro desde o tempo em que a relatoria do caso estava sob o ferrolho do ministro Dias Toffoli.

    Como ensinaria Chico Buarque, “chamem o banqueiro”.

    INSTITUTO E MINISTROS

    O ministro André Mendonça deve estar amargamente arrependido de ter criado o Iter, uma instituição privada de ensino nascida em 2024. Ela se apresenta como um lugar onde “autoridades vivem o que ensinam”. O sujeito dessa frase é a autoridade, não necessariamente o saber.

    Mendonça encabeça o plantel do Iter e é seguido por um “membro da Câmara Nacional de Licitações e Contratos da Advocacia-Geral da União” e outro é “assessor de ministro do Supremo Tribunal Federal”: “No Instituto Iter você aprende com quem faz.” Em dois anos, o instituto recebeu R$ 10,8 milhões em verbas púbicas, vindos de 55 contratos, 54 dos quais sem licitação.

    Mendonça criou o Iter três anos depois de ser nomeado para o Supremo Tribunal, mas não foi ele quem inventou essa fonte de conhecimento. A iniciativa de maior sucesso na área é o IDP, Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, criado pelo ministro Gilmar Mendes há 25 anos, um ano antes de ser indicado para o STF, quando ele era advogado-geral da União. Estendendo suas atividades a Portugal, o IDP promove ciclos de palestras chamadas de “Gilmarpalooza”, que reúnem em Lisboa magistrados, ministros, parlamentares e empresários.

    O atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi um dos fundadores do IDP.

    O IDP se apresenta como “conhecimento que conecta, comunidade que transforma” e convida: “Formamos os nomes por trás das grandes decisões. Agora é a sua vez!”.

    A lei permite que magistrados lecionem. Cada ministro do Supremo recebe R$ 46.366,19, mais automóvel e escolta, no Brasil e no Ultramar.

    PINDORAMA TEM DOIS TIPOS DE SEM-TETO

    Em tese, os servidores não podem receber mais que os vencimentos dos juízes do STF. Na vida real, o Brasil tem dois tipos de sem-teto.

    O primeiro tipo não tem onde morar. São cerca de 65 mil pessoas que vivem na rua. O segundo tipo é o dos servidores públicos cujos contracheques ultrapassam o teto constitucional. Eles seriam 53 mil. São magistrados, procuradores, militares, professores e sabe-se lá quem mais. Estima-se que 65% dos magistrados brasileiros recebam a cada mês valores acima do teto. Seis dos dez ministros do STF furam o teto. Como o Supremo está na chuva, vale mencionar os ministros que vivem livres desses penduricalhos: Edson Fachin, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Cristiano Zanin.

    RECORDAR É VIVER

    O caso Master jogou luz sobre a presença de delegados da Polícia Federal em gabinetes de ministros do Supremo. Tudo bem, esse magnetismo é velho e universal.

    Em abril de 1964, o marechal Castello Branco nomeou seu colega Juarez Távora (1898-1975), ministro da Viação e Obras Públicas, que ficava no Centro do Rio. Juarez começou a trabalhar e percebeu que sempre havia um PM na porta do seu gabinete. Intrigado, o marechal quis saber o que o PM fazia ali.

    Demorou, mas veio a informação. Fazia tempo, o ministro da ocasião mandou pintar a porta de sua sala. Com a tinta fresca, algumas pessoas sujaram seus ternos e seu chefe de gabinete mandou que o PM postado à entrada do prédio (no sol) fosse realocado para garantir que ninguém esbarrasse na porta (refrigerada).

    Isso, há anos.

    CHAME O LADRÃO

    Está nas livrarias “Chame o ladrão — Como os artistas driblaram a censura do governo militar”, do repórter Miguel de Almeida. Em 142 páginas ele traça um panorama do jogo de gato e rato entre artistas e censores durante a ditadura. O caso mais conhecido é o de Chico Buarque, que virou Julinho da Adelaide para escapar da censura que cortava tudo o que ele assinava. Mas há outros. Luiz Carlos Barreto resgatou “Dona Flor e seus Dois Maridos”, de seu filho Bruno, com a ajuda de Amália Lucy Geisel, filha do presidente.

    Um censor achava que a atriz Glauce Rocha e o cineasta Glauber Rocha eram a mesma pessoa. Vários censores amoleciam com bebidas, um general recebia as vítimas na garçonnière, mas todos censuravam e mutilavam a cultura nacional. Hilária a cena do Chacrinha enxotando os censores.

    Aquele mundo não era divertido como parece meio século depois. Gilberto Gil, Caetano Veloso e dezenas de artistas foram presos, projetos de filmes, peças e canções morreram no nascedouro por receio da tesoura. Miguel de Almeida pesa muito bem suas escolhas. No seu melhor momento, conta a saga do romancista Inácio de Loyola Brandão para liberar seu romance “Zero”. Em 1973, 13 editoras rejeitaram-no.

    Loyola furou a censura publicando “Zero” pela editora italiana Feltrinelli. Só depois da edição italiana, em 1975, saiu a edição brasileira, logo proibida. Era tarde: 10 mil exemplares haviam sido vendidos e seu “Zero” estava na vitrine da Biblioteca Mário de Andrade.

    “Chame o Ladrão” ecoa um verso de Chico Buarque. Nos primeiros anos da ditadura, o Serviço de Censura e Diversões Públicas era Romero Lago.

    Romero Lago era Hermelindo Ramirez Godoy, mandante de um duplo assassinato, fugido da cadeia, andou pela Argentina e pelo Paraguai, até trocar de identidade, estabelecendo-se no Rio. Optou pelo serviço público e explicou:

    — Eu queria acima de tudo servir ao meu país, e ter uma vida honrada. Minha principal preocupação era limpar totalmente aquela mancha. Iria trabalhar e mais tarde propor a comprovação da minha inocência — disse. — Nunca fui reconhecido — completou.

    Segundo Romero/Hermelindo, o mandante do crime foi seu irmão.

  2. ESTRATÉGIA DOS EUA CHEIRA A ANOS 60, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    Os pilares do plano de Donald Trump para a Venezuela sugerem um potencial padrão para a América Latina: coerção militar, pacto de sustentação do governo, expropriação de riquezas e ausência de compliance. O alinhamento de líderes políticos da região, incluindo do Brasil, à estratégia americana cria o risco de retrocesso institucional, econômico e geopolítico.

    O acordo, endossado com entusiasmo pela presidente interina Delcy Rodríguez, estipula que 20% do petróleo venezuelano será entregue a preço de custo aos EUA, que podem exercer preferência na compra dos outros 80%. O plano abrange a exploração de 65 bilhões de barris – o equivalente a quase dois anos de todo o petróleo consumido pelo mundo.

    O contrato é brindado à North American Blue Energy Partners (Nabep), com sede em Barbados, cujo dono, o venezuelano Alejandro Betancourt, cresceu como empresário sob Hugo Chávez e Nicolás Maduro, com contratos públicos de geração de energia.
    Trata-se de um “bolichico”, como são chamados os jovens homens de negócio que gravitam em torno do regime bolivariano.

    Significa que, em vez de levar para a Venezuela as regras de governança que os EUA ajudaram a criar, Trump está aderindo ao clientelismo chavista. Como os eleitores venezuelanos dificilmente aceitariam essa expropriação neocolonialista, Trump explicou na semana passada que “a Venezuela não está pronta para eleições”.

    Antes de capturar Maduro no início do ano, Trump lhe enviou emissários com o recado de que poderiam negociar sua permanência no poder em troca desse tipo de transação. O então ditador não aceitou. Delcy, então vice, apresentouse como alternativa – até para não ter o mesmo fim.

    A estratégia combinou a designação de narcotraficantes como terroristas, a identificação de Maduro como “líder” do crime organizado, a intimidação por meio dos bombardeios de lanchas no Caribe e no Pacífico, o bloqueio naval e a captura do ditador.

    Presidentes recém-eleitos e líderes de oposição conservadores na região, incluindo no Brasil, alinham-se com a estratégia de Trump de aplicar a força militar contra o crime organizado e submeter a exportação de minerais críticos e outras matériasprimas estratégicas ao monopólio dos EUA, a título de conter a influência chinesa.

    Além das implicações econômicas, existe o risco de os EUA interferirem em um país em caso de derrota eleitoral de um aliado de Trump para um crítico desses arranjos, que colocasse em risco contratos lucrativos para os americanos. Como nos anos 60.

  3. O BRASIL PRECISA DE UM NOVO STF, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A crise na qual o Supremo mergulhou exige que se apurem responsabilidades e se corrijam abusos. Mas ela impõe uma questão mais radical, que transcende este ou aquele ministro ou decisão: por que a República concentrou tamanho poder em 11 pessoas? Décadas de hipertrofia levaram a Corte para dentro da política e acumularam em suas mãos funções incompatíveis com a distância esperada de um juiz. Tamanho poder tornou a República excessivamente dependente da prudência dos ministros. Essa arquitetura precisa acabar.

    O STF guarda a Constituição, arbitra conflitos entre Poderes, julga ações penais e ocupa o topo de uma estrutura recursal. Sob uma Constituição abrangente, tamanha amplitude fez do Supremo protagonista na política. Em questões que a Carta deixou à deliberação democrática, a Corte frequentemente avança da fiscalização das leis à sua construção. Poderes excepcionais, criados para reagir a ataques à instituição, perpetuaram-se e multiplicaram-se numa infraestrutura da exceção.

    Uma Corte que recebe dezenas de milhares de processos por ano não consegue deliberar coletivamente sobre tudo. A sobrecarga ajudou a converter poder institucional em poder pessoal: liminares, relatorias, prevenção e controle do tempo permitem que decisões de um ministro governem situações relevantes antes do colegiado. A hipertrofia cobra seu preço do próprio Supremo. Ao entrar continuamente na arena política, a Corte perde a distância necessária para arbitrá-la e degrada a própria autoridade.

    Os freios existem, mas rareiam no vértice. Boa parte dos controles ordinários está nas mãos dos próprios ministros; fora, resta apenas o remédio extremo do impeachment. A distorção se agrava quando o tribunal participa de procedimentos investigativos ligados à própria proteção e exerce jurisdição sobre seus desdobramentos. Há um traço absolutista num arranjo que entrega poderes tão extensos e confia seus limites à contenção de quem os exerce. O liberalismo desconfia do poder antes de conhecer quem vai exercê-lo. Não há razão para suspender essa prudência diante de uma toga.

    Algumas reformas funcionam. Mudanças regimentais reduziram decisões monocráticas, mostrando que regras melhores alteram o exercício do poder. Mas consertar uma engrenagem deixa intacta a máquina. Mesmo uma Corte genuinamente colegiada continuará hipertrofiada se julgar matérias demais. Reduzir seu raio de ação exige rever competências e separar funções acumuladas, além de devolver à política escolhas que a Constituição nunca retirou dela. A reforma necessária alcança a missão, os poderes e o funcionamento da instituição.

    O País precisa discutir uma nova Suprema Corte. Ela pode julgar menos, deliberar melhor e falar com maior autoridade em sua missão precípua: proteger a Constituição, os direitos fundamentais e a divisão de poderes. Uma Corte forte não precisa estender seus domínios por toda a vida pública.

    As democracias constitucionais oferecem caminhos distintos. Algumas separam a jurisdição constitucional da Justiça comum; outras mantêm Supremas Cortes generalistas, mas filtram severamente os casos. Elas mostram que uma democracia constitucional não precisa entregar ao mesmo vértice tudo o que o Brasil concentrou no STF.

    Uma nova Corte também poderá cometer abusos. Reformas sob o calor da crise podem virar instrumentos de revanche política. A mudança, portanto, deve nascer do processo constitucional e preservar a independência judicial. Antes do projeto, vem o princípio: distribuir o poder, inclusive o poder de controlar quem o exerce.

    Crises são dolorosas, mas são também uma oportunidade. Este jornal estava presente quando a República aboliu o Poder Moderador do imperador. Uma corrente do liberalismo republicano, com Ruy Barbosa à frente, depositou no Supremo a esperança de um guardião impessoal da Constituição, capaz de proteger direitos e conter o poder. Mais de um século depois, o árbitro acumulou tantas funções que se tornou protagonista dos conflitos que deveria arbitrar, convertendo-se numa fonte suprema de instabilidade. Enquanto esse desenho institucional se perpetuar, nenhuma instituição estará segura no País. O STF atual precisa acabar para que o Brasil possa construir uma Suprema Corte à altura da República.

  4. Este texto é uma crônica didática. É uma mistura de cronograma da escalada autoritária e fora da lei entre os poderosos e por quem está obrigado pela Constituição a nos proteger diante da legislação e do devido processo legal em vigor, numa suposta democracia. Este texto no fundo, mostra como a grande mídia foi cúmplice de um crime. E só se espanta e acuada se rebela, bem tardiamente, porque o ministro Alexandre de Moraes, disse claramente para toda a sociedade e principalmente para esta mídia conivente, que não terá nenhuma dificuldade de pegá-la injustamente. Ele é a lei. E parte do STF está com ele nesta empreitada.

    MORAES NÃO NASCEU ONTEM, por Thaís Oyama, no jornal O Globo

    Exposto em conversas indefensáveis com o hoje presidiário Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes sacou do coldre o inquérito das fake news e apontou-o para a cabeça do seu colega de Corte, André Mendonça, mergulhando o Supremo numa crise nunca vista. Ministros do STF se disseram perplexos. Democratas se abanaram. O presidente Lula apressou-se em afetar indignação.

    Ninguém duvida de que a crise é abissal. Mas tanta surpresa não se justifica. Alexandre de Moraes não acordou um dia transformado em Alexandre de Moraes. Tampouco virou sozinho o que é.

    Nessa transmutação, o inquérito das fake news é apontado como a origem da audácia aparentemente sem limites de Moraes. Menos lembrado é o episódio que o gerou. No dia 8 de fevereiro de 2019, a imprensa publicou que a Receita Federal fazia análises preliminares sobre a variação no patrimônio do ministro Gilmar Mendes e de sua então mulher, Guiomar Mendes. No dia 25, revelou-se que também a então mulher do ministro Dias Toffoli, Roberta Rangel, constava da lista de 133 contribuintes selecionados pela peneira da Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes Tributárias. As informações, protegidas por sigilo fiscal, foram vazadas irregularmente. Os ministros se enfureceram e, no dia 26 de fevereiro, a Receita informou não ter encontrado indícios que justificassem investigações contra Gilmar, Guiomar Mendes e Roberta Rangel.

    Essa foi a gênese do inquérito das fake news — nascido no dia 14 de março daquele ano. Embora o STF estivesse sob ataque — bolsonaristas pediam seu fechamento, e ministros eram ameaçados —, a cronologia e o objeto que Moraes conferiu à investigação revelam que ele surgiu menos da proclamada defesa da democracia que de um impulso de autopreservação: resguardar ministros e familiares dos efeitos da divulgação ilegal de informações patrimoniais que atingiam um ministro e as mulheres de dois integrantes da Corte — ambas advogadas, como Viviane Barci de Moraes, a mulher de Moraes. A própria portaria inaugural do inquérito definia como objeto “notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações (…) que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares”.

    Cinco dias depois, Moraes decidiu ampliar-lhe o escopo. No novo rol de crimes a ser investigados pelo doravante imortal 4.781, Moraes incluiu o vazamento de informações e documentos sigilosos destinado a atribuir ou insinuar a prática de ilícitos por integrantes do STF — fundamentos que agora invocou na destemperada tentativa, contida por Edson Fachin, de vingar-se do colega Mendonça.

    A partir daí, a história é conhecida: à sombra do inquérito das fake news, Moraes censurou uma reportagem da revista Crusoé que mencionava Toffoli; suspendeu apurações da Receita sobre 133 dos 134 contribuintes selecionados e ordenou o afastamento de dois auditores; determinou que o Fisco rastreasse acessos aos dados de ministros e de cerca de cem parentes; e quebrou o sigilo da fonte de um jornalista que publicara reportagens sobre familiares do colega Flávio Dino.

    O poder de Moraes cresceu num ambiente em que cada heterodoxia sua recebia guarida de parte da sociedade não apenas em nome da excepcionalidade do combate ao golpismo, mas, da parte do STF, em nome do corporativismo também. O STF Futebol Clube nunca falhou com Moraes porque Moraes nunca falhou com ele.

    Diz-se que o poder absoluto corrompe absolutamente. Antes disso, porém, o poder excessivo costuma produzir algo mais banal — a perda de medida. O “posso porque preciso” de Moraes transformou-se pouco a pouco em “posso porque posso”.

    Moraes não nasceu ontem, o Brasil o viu crescer. A prosperarem os acordos que se avistam, ele se tornará presidente da Corte no ano que vem e, nessa condição, o rosto da Justiça brasileira. Essa aberração, os ministros ainda podem poupar ao país.

  5. O ATO INSTITUCIONAL XANDÔNICO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”

    Isso é Vorcaro, em 15 de novembro de 2025, a dois dias de ser preso, reagindo à mensagem de Alexandre de Moraes, o ministro do STF que, ante a impossibilidade de defender o “conseguimos fazer algo?”, chamou Xandão para contra-atacar.

    Difundindo falsas equivalências, quer que os pares decidam – não sobre se as suas relações vorcáricas devem ser investigadas – entre ele e André Mendonça. Um terá de morrer. Quer que os pares escolham, enquanto lhes mostra que tem o inquérito das fake news à mão, ferramenta que pode tanto lhes servir, vide Dino, quanto monitorá-los.

    Terá Moraes mandado investigar Mendonça? (Cadê Gonet?) Quem encomendou à PF os relatórios – apócrifos, sem data, desprovidos de prova – em que se baseiam? Quando foram produzidos?

    Matar Mendonça é o meio necessário para que mortas sejam as investigações sobre o caso Master (e sobre o roubo aos aposentados). O objetivo final é que as nulidades se imponham.

    A tese xandônica remetida a Fachin tem por fundamento que Mendonça usurpou prerrogativas da PF – corrompida assim a segurança das provas. É a tese da defesa de Vorcaro. O clube do uísque vorcárico – com Paulo Gonet e Andrei Rodrigues – reencontra-se. (Na véspera do contra-ataque, Moraes reuniu-se com Alcolumbre.)

    “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”

    “Que loucura (…).” Vorcaro reagia a algo que Moraes lhe dissera. Tratariam – a dois dias da prisão do banqueiro – de ordem judicial sigilosa? Teria o ministro encaminhado a um investigado notícia sobre mandado contra si? “Aquele mesmo juiz Ricardo?” Esse é o primeiro nome do magistrado – da 10.ª Vara Federal do DF – que o prenderia. “Conseguimos fazer algo?” Perguntou o investigado a um ministro do STF que tratava como assessor.

    (“O careca não pode atrasar” – reclamara a Vorcaro, em março de 2024, o ex-deputado Fábio Faria; sobre o atraso no pagamento do contrato de serviços prestados pelo escritório Barci de Moraes. “O careca não pode atrasar” – remunerada, afinal, a banca de que o ministro não era, nem poderia ser, sócio. Né?)

    “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou o investigado – talvez ante a informação de que a ordem de prisão lhe vinha – a um juiz do Supremo. Perguntou-lhe sobre se deveria fugir do País – e não foi preso pelo ministro. Foi preso dois dias depois, tentando fugir.

    Obstrução de Justiça, advocacia administrativa, talvez corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Xandão quer que o Supremo decida – não sobre se Moraes deve ser investigado – entre o gestor do AI-X e Mendonça.

  6. ALEXANDRE DE MORAES VANDALIZA O SUPREMO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Sem quebrar um copo, o ministro Alexandre de Moraes infligiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) um dano mais grave do que o causado pelos arruaceiros que tomaram a Corte de assalto no fatídico 8 de janeiro de 2023. Na quinta-feira passada, Moraes vandalizou a instituição em nome de sua defesa pessoal.

    O gatilho para a ira do ministro foi a revelação, feita por este jornal, de novos e inquietantes pormenores da promíscua – e potencialmente criminosa – relação entre ele e Daniel Vorcaro, que, como se sabe, celebrou um contrato de serviços advocatícios no valor de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes. O teor das dezenas de mensagens extraídas de celulares de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) sugere que Moraes atuava como uma espécie de consigliere do banqueiro vigarista – nada menos.

    Diante desse fato escabroso, o único caminho republicano seria Moraes se afastar voluntariamente do cargo, poupando o Supremo de ser atirado na fossa moral em que ele mesmo se meteu. Mas, em vez disso, o ministro acionou o “modo sobrevivência” e usou o famigerado inquérito das fake news, seu brinquedo de pequeno tirano, para declarar guerra ao colega André Mendonça, o relator das investigações sobre o Banco Master no STF, que ousou levantar o sigilo do relatório da PF e, assim, expôs o grau de proximidade entre Moraes e Vorcaro.

    Já um tal de “relatório de inteligência” – em tese, também feito pela PF – do qual Moraes se valeu para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e violação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, a bem da verdade, é uma peça tosca que mal vale o papel em que foi escrita. Não tem cabeçalho oficial, não é assinado por um delegado federal e consiste em uma série de ilações sobre objetivos políticos de Mendonça. No corpo do próprio texto, pasme o leitor, consta a advertência de que se trata de um documento “sem caráter decisório e sem valor probatório” e, ademais, de “baixa a moderada confiabilidade”. Foi com base nisso que Moraes pediu – e o presidente do STF, Edson Fachin, em boa hora recusou – que Mendonça fosse incluído no rol de investigados do inquérito das fake news.

    É preciso dizer sem rodeios: o sr. Alexandre de Moraes e todos os que o protegem no STF – a começar pelo decano do tribunal, Gilmar Mendes – se tornaram, não de agora, a maior fonte de instabilidade democrática no País. Essa ala daninha da Corte traiu o espírito norteador da criação do Supremo Tribunal Federal, em 1891, e a transformou nessa aberração corporativista que ameaça afundar o Brasil em uma crise de tal magnitude que, no limite, pode pôr em risco a própria democracia.

    Para salvar a pele, Moraes ainda tenta impor uma falsa equivalência entre legítimas dúvidas técnicas a respeito da atuação de Mendonça como relator do caso Master e as suspeitas gravíssimas que pesam sobre si mesmo. Ao que tudo indica, Moraes aposta na confusão generalizada para, ao fim e ao cabo, evitar ter de responder sobre o mérito dessas suspeitas, fixando-se na forma como foram expostas. Também não se pode condenar quem veja em sua campanha iracunda a pavimentação do caminho até a nulidade de todas as investigações sobre o caso Master no STF – sonho de todos em Brasília que colocaram suas almas à venda para servir aos interesses comerciais de Vorcaro.

    Para piorar, o subproduto dessa crise é a instrumentalização escancarada da PF: ora acionada por Moraes para produzir “relatórios” a seu feitio, ora orientada pelo decano do STF a praticar desobediência civil, ignorando decisões de Mendonça que considere “ilegais”, ora ameaçada pelo próprio Mendonça com o afastamento de seu diretor-geral, Andrei Rodrigues. Uma corporação que deve primar pela atuação legal, técnica e republicana virou joguete nas mãos de autoridades movidas por suas próprias agendas.

    O STF se reergueu fisicamente dos escombros do 8 de Janeiro. É incerto, porém, se será capaz de se libertar do cativeiro em que foi aprisionado por Moraes, que faz da Corte refém de suas ambições. Agora cabe a Fachin liderar essa histórica missão de resgate. Se decidir fazê-lo, tomando as decisões que lhe cabem nessa hora grave, o ministro presidente pode estar certo de que terá do jornal O Estado de S. Paulo todo o apoio de que precisar.

  7. MORAES ATACA MENDONÇA E ACERTA A REPÚBLICA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Na República vigora a impessoalidade. Defenda-se de quem o acusa, apresente os seus argumentos diante das imputações da outra parte. Um juiz imparcial, após o devido processo, decidirá o direito. O ministro Alexandre de Moraes atingiu a República ao alvejar seu colega André Mendonça.

    Em vez de expor argumentos ante os gravíssimos indícios de promiscuidade com o maior fraudador bancário da história nacional, levantados pela Polícia Federal, preferiu usar superpoderes em causa própria e metralhar o juiz que presidiu a elaboração do relatório. Para isso acionou mais uma vez a anomalia jurídica que, com a cumplicidade dos seus pares, cultiva desde 2019 —o inquérito da autoproteção, mal denominado “das fake news”.

    A institucionalidade deu lugar à pistolagem. Moraes afirma na sua peça, sustentada em relatórios de valor probatório para lá de duvidoso de agentes da PF, que Mendonça exorbitou das suas prerrogativas, direcionou o inquérito e agiu sob motivação partidária.

    Não pôde repetir o tratamento conferido a críticos menos ilustres —restrição de liberdades, censura, violação do sigilo de fonte. Mas chegou perto. No subtexto, acusa o colega de conspirar contra a democracia.

    O ato diversionista de Moraes não muda a sua situação. Um facínora manteve um contrato extravagante, de R$ 131 milhões, com o escritório da família do ministro enquanto saqueava o sistema financeiro nacional e corrompia à direita, ao centro e à esquerda.

    Mensagens que tinham o condão tecnológico de apagar-se após a visualização mostram uma intensa troca com o ministro às vésperas da prisão do arremedo de banqueiro. A família Moraes desfrutava do jato do fraudador, e seus filhos usufruíam de cartões de crédito do Banco Master.

    Não parece ter passado pela cabeça do magistrado a opção de sustentar, à luz do sol, que as informações que o desabonam estariam erradas, que jamais atuou em prol dos interesses do dono do Master nem trocou as mensagens que têm sido imputadas a ele em relatório policial; ou o porquê de Daniel Vorcaro ter escolhido sua esposa para representá-lo por meio de um contrato de dezenas de milhões de reais.

    Fez bem o presidente do STF, Edson Fachin, ao retirar o pedido de Moraes do inquérito de exceção e ao exigir dele e de Mendonça, do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, explicações sobre aspectos formais e substanciais dos casos. Fachin tenta reintroduzir o império dos ritos e protocolos num terreno que ameaça descambar para o vandalismo.

    O que está em jogo é uma instituição vital da República, o Supremo Tribunal Federal. A crise passou do ponto de ser administrável por pactos pessoais e oligárquicos de impunidade. O mal-estar é tamanho que apenas um processo sóbrio e profundo de prestação de contas e responsabilização poderá aplacá-lo.

  8. HÁ UM GOLPE EM CURSO NO BRASIL. E NÃO É UM GOLPE DOS BOLSONARISTAS E SIM DO CONSÓRCIO FORMADO PARA REELEGER LULA, por Augusto Franco, na Revista ID

    Jamais imaginei que estaria escrevendo isso. Há um golpe em curso no Brasil, mas não é um golpe de Estado como o intentado por Bolsonaro. E sim um golpe dos que acusaram o golpe bolsonarista, aquele que jamais chegou a se concretizar porque foi abortado pelos próprios golpistas por falta de força político-militar para desfechá-lo.

    Não é um golpe apenas da ala governista do STF. É um golpe do consórcio formado para reeleger Lula de qualquer maneira. Dele participam Lula e seu governo, a banda podre do STF, a direção e as facções petistas da Polícia Federal, o Procurador Geral da República, os presidentes da Câmara e do Senado e parte da imprensa comprada pelo governo ou colonizada por militantes petistas.

    No embate que se tornou público dentro do Supremo Tribunal Federal, o propósito da ala governista é retirar das mãos de André Mendonça todas as relatorias que ele exerce (INSS-Lulinha e Master). Se isso não der certo, David Alcolumbre já sinalizou que poderia pautar seu pedido de impeachment no Senado.

    Sim, agora o Brasil tem que decidir se quer continuar sendo uma democracia ou se quer manter no STF o monocrata Alexandre de Moraes comandando há mais de 7 anos o chamado Inquérito das Fake News e usando esse instrumento de exceção como arma política para praticar corrupção em larga escala e cometer outros atos ilegais e autoritários, incriminar quem denunciá-lo e perseguir adversários da sua facção na corte e inimigos do governo Lula a ela consorciado.

    Há muitas evidências de que a democracia no Brasil corre perigo. Comecemos com as coincidências.

    Menos de 24 horas depois do levantamento do sigilo do relatório da Polícia Federal revelando as relações promíscuas e criminosas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, Paulo Gonet, Procurador Geral da República, citado no relatório, soltou um documento pedindo a sua anulação.

    Para incriminar Mendonça, Moraes se baseou num documento anônimo da Polícia Federal chamado de “relatório de inteligência”. Não é um documento tipicamente policial. O estilo é de um documento político (vazado em termos lulopetistas). Quem encomendou esse documento? Se foi Moraes, ele não pediu autorização ao presidente da suprema corte. Quem o assina? Ninguém.

    Jogo de cartas marcadas. Ontem (03/09), pouquíssimo tempo depois do despacho de Moraes acusando Mendonça, Fachin já estava com outro documento pronto dando cinco dias de prazo para Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei se explicarem sobre as acusações do relatório clandestino da PF. Não daria tempo de redigir tal documento se ele, Fachin, já não soubesse do golpe que seria desferido por Moraes. Hoje (04/09) percebendo a mancada, para disfaçar ou tentar consertar as coisas, Fachin determinou que as acusações de Moraes sejam retiradas do inquérito das fake news e o caso seja incluído no procedimento aberto sobre os indícios encontrados pela PF contra Moraes.

    Passemos agora às tentativas de transformar o escândalo em uma briga de egos entre Mendonça e Moraes.

    Parte da imprensa comprou a narrativa da equivalência entre os erros de ambos. Ou seja, caiu no truque sujo de estabelecer uma equivalência entre dois supostos desviantes das regras. E, com isso, absolver preventivamente Moraes de seus crimes.

    Para desmascarar esse truque bastaria fazer algumas perguntas:

    A mulher de Mendonça assinou um contrato de 130 milhões com Vorcaro?

    Vorcaro deu cartões de crédito com limite de 300 mil para os filhos de Mendonça?

    Vorcaro colocou avião e helicoptero à disposição da família de Mendonça?

    Mendonça avisava Vorcaro para que ele pudesse escapar da polícia?

    Mendonça foi na degustação de whisky em Londres às expensas de Vorcaro (como foram Moraes, Gonet e Andrei)?

    Mendonça organizou em sua própria casa uma reunião dos chefes dos poderes executivo e legislativo para que todos apoiassem a reeleição de Lula?

    Até hoje Alexandre de Moraes não se explicou sobre nada disso. André Mendonça, entretanto, não tem que se explicar sobre nada disso, porque não cometeu nada disso.

    Voltemos, porém, ao início. Há um golpe em curso. O golpe em curso é um golpe para impedir que Lula perca a eleição – o que, segundo os petistas, seria um verdadeiro golpe de Estado (uma espécie de continuidade do 8 de janeiro, nos seus delírios).

    Para tanto, é necessário afastar todos aqueles que podem revelar escândalos que prejudiquem a reeleição de Lula:

    As relações do Careca do INSS com o filho de Lula, Marcola, Berger e outros ministros lulistas.

    O envolvimento de Frei Chico, irmão de Lula, com o roubo dos aposentados.

    O envolvimento do PT da Bahia e de Jaques Wagner, líder de Lula, com o caso Master.

    A investigação sobre os negócios escusos de Dias Toffoli (indicado por Lula para o STF) com Daniel Vorcaro.

    A investigação sobre as conexões (e traficâncias) de Alexandre de Moraes (aliado de Lula), Paulo Gonet (indicado por Lula para a PGR) e Andrei Rodrigues (ex-segurança pessoal de Lula e Dilma – indicado pelo PT para chefiar a Polícia Federal) com Daniel Vorcaro.

    Tudo isso tem que sumir para que não atrapalhe mais a eleição de Lula. E tudo vai começar pelo afastamento de André Mendonça, das relatorias que estão nas suas mãos ou do próprio STF.

    Ano que vem Moraes, impune, assume a presidência do STF. De 2027 a 2030, se Lula for reeleito, nomeará mais quatro membros para a suprema corte, consolidando uma maioria governista incontornável naquele que se transformou, em aliança com a PGR, com o chefe do governo e com os presidentes da Câmara e do Senado, num poder monárquico absoluto no Brasil. Se isso acontecer, não estaremos mais numa democracia.

    E vai acontecer. A menos que a sociedade brasileira se manifeste vigorosamente, nas ruas e em todo lugar.

  9. AONDE PERIGOSAMENTE CHEGAMOS E EXATAMENTE POR QUEM DEVERIA NOS LIVRAR DE TODO O MAL E PERSEGUIÇÃO MALDITA

    O texto abaixo é de Felipe Moura Brasil, na conta dele no X. Um excelente ponto de partida para de reflexão desapaixonada (corporativa, ideológica, partidária, interesses comuns e amizade) de tudo o que estamos assistindo e de forma muito cara, pagando esta conta daquilo que não se controlou no início, por achar que não daria em nada. Deu. E vai piorar. Pois o que se disputa além de bilhões de reais, é s perpetuação desse poder paralelo, como organização, no comando da República para render a uma casta mais outros bilhões de reais

    Existe a PF que investiga.

    Existe a “PF” que troca investigador de filho de presidente e faz pressão contra outros avanços inconvenientes.

    E agora existe a “PF” que fornece relatório apócrifo a magistrado irritado com colega.

    Todas elas são chamadas de PF na imprensa, mas é preciso saber identificar cada uma conforme o caso.

    Já o PGR Paulo Gonet é um só.

    Ele pediu nulidade do relatório oficial da PF que – sem diligências específicas contra autoridades do sistema de Justiça – mostrou sua intimidade e de Alexandre de Moraes com o banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, a partir de dados extraídos do celular dele.

    Agora esse mesmo PGR vai avalizar o relatório apócrifo usado pelo relator paralelo Moraes para pedir investigação sobre o relator oficial André Mendonça?

    O pior caminho para conter alegadas extrapolações de um ministro do STF é usar um documento “sem valor probatório” no âmbito do inquérito das fake news, ele próprio o exemplo maior, há mais de 7 anos, de extrapolações cometidas no Supremo.

    Essa utilização para blindagem pessoal é o enésimo motivo dado por Moraes para ser investigado pela verdadeira PF no caso Master. O problema, além do PGR com saudades de Vorcaro, é que a mais alta Corte do país virou o “STF Futebol Clube”, regado a charutos e whisky Macallan.

  10. PRESSA ELEITOREIRA CONTAMINA DEBATE SOBRE 6 X 1, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Teve sucesso apenas parcial o esforço do governo para apressar a aprovação da proposta de emenda constitucional destinada a reduzir a jornada máxima de trabalho.

    Como queria Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Comissão de Constituição e Justiça do Senado deu sinal verde na quarta-feira (2) à PEC que acaba com a escala de seis dias de trabalho semanal, já votada pela Câmara dos Deputados. Entretanto não há certeza quanto à data do exame definitivo do diploma em plenário.

    Sem acordo para que a tramitação fosse concluída nesta semana, os parlamentares só deverão voltar ao tema, na melhor das hipóteses para o governo, depois do primeiro turno das eleições —e assim restará a Lula, candidato a um quarto mandato, empenhar-se para que a votação ocorra antes do segundo turno.

    Uma eventual frustração de tal desejo fará bem ao debate em torno da proposta, hoje irremediavelmente contaminado por pressa e oportunismo eleitoreiro.

    Petistas e aliados carimbam de inimigos do povo os críticos da PEC, que não raro recorrem a subterfúgios para camuflar suas posições —o PL de Jair Bolsonaro chegou ao ridículo de defender jornada máxima de quatro dias na tentativa de inviabilizar o avanço do texto na Câmara.

    Além de evidente apelo popular, o assunto envolve tanto objetivos meritórios quanto questões complexas como viabilidade e efeitos colaterais. Merece, pois, análise mais técnica e serena.

    Em países mais desenvolvidos, a conquista de maior tempo livre para o lazer veio, em geral, como decorrência de maior produtividade dos trabalhadores. Imposições legais, das quais o Brasil é pródigo em exemplos, podem ser contornadas por informalidade e queda de remunerações.

    Estudos indicam que haveria perdas para a economia, cujos desempenho e perspectivas imediatas já não são animadores. Mesmo que os danos totais sejam considerados absorvíveis, alguns setores, do comércio à construção civil, sofreriam mais.

    A alegada urgência em votar a PEC não passa de discurso de campanha. O fim da jornada 6×1 e das 44 horas de trabalho semanais, até pouco tempo atrás, jamais fizera parte das prioridades das principais forças políticas do país — incluindo o PT, que, em seus quatro mandatos presidenciais anteriores, ignorou o tema.

    A bandeira veio a ganhar força nas eleições municipais de 2024, quando proporcionou um cargo de vereador, com boa votação, a um candidato do PSOL no Rio de Janeiro. Lula só abraçou a causa no final do ano passado.

    É, de resto, duvidoso que a benesse, já exaustivamente propagandeada pelo governo, possa mudar os sofríveis índices de popularidade do mandatário. Não o fizeram as isenções do Imposto de Renda, o Gás do Povo, o fim da “taxa das blusinhas” e uma série de estímulos ao crédito. Seja como for, é temerário tratar com açodamento algo tão importante como as relações de trabalho.

  11. GONET TEM DE SAIR DA PGR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Não é de hoje que o sr. Paulo Gonet não inspira a confiança necessária para o exercício do cargo de procurador-geral da República, mas o escândalo do Banco Master tornou sua situação insustentável. Gonet tem de deixar o cargo, e é melhor que o faça de maneira voluntária, de modo a evitar o aprofundamento da grave crise moral e ética que envolve a alta cúpula do sistema de Justiça do País.

    Mensagens apreendidas pela Polícia Federal revelam uma relação calorosa entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro, marcada por manifestações de carinho e convescotes requintados. “Paulo” aparece também nas tentativas de Vorcaro de mobilizar o ministro Alexandre de Moraes para obstruir investigações. Não há prova de que Gonet tenha atendido a esses pedidos. Há, porém, um fato que independe dessa dúvida: foi Gonet quem pediu ao Supremo o arquivamento sumário da apuração, sem exame do mérito, com argumentos que causariam inveja a um advogado de Moraes – e de si mesmo.

    O constrangimento seria grave mesmo se tivesse surgido do nada. Não é o caso. A PGR de Gonet opera com ampla elasticidade na aplicação de princípios e critérios conforme os personagens envolvidos. Em alguns casos, exibe rigor, iniciativa e furor punitivo. Em outros, sobretudo quando certos ministros do Supremo estão sob escrutínio, multiplicam-se escrúpulos probatórios e engavetamentos. O legalismo de Gonet parece ter hora, lugar e destinatário.

    Não que esteja sempre juridicamente errado. O mistério é por que certas ortodoxias só são invocadas em determinados processos. É certo que se pode questionar, como fez Gonet, a decisão do relator do caso Master no STF, ministro André Mendonça, de determinar diretamente à Polícia Federal a produção de um relatório de inteligência focado em mensagens do ministro Alexandre de Moraes. No entanto, o mesmo Gonet até agora não viu nenhum problema no famigerado “inquérito das fake news”, conduzido de maneira arbitrária há anos por Moraes.

    Ademais, o procurador-geral tolerou todo tipo de expansão de competência do Supremo em investigações sobre cidadãos sem foro, mas bastou que uma delas atingisse Lulinha, o filho do presidente Lula, para que ele subitamente invocasse o princípio do juiz natural e pedisse que o caso fosse remetido à primeira instância.

    A Procuradoria existe para fiscalizar o poder – muito especialmente o poder togado. Seu chefe precisa ser capaz de contrariar justamente aqueles com quem convive no topo da República. Mas Gonet tem sido valente para baixo e servil para cima. Imparcialidade e independência são as duas qualidades quintessenciais de um procurador. Gonet aparentemente trocou ambas por um prato de lentilhas – e também por uísque caro, charutos e uma viagem a Londres, com tudo pago, para um dos filhos, sob o generoso patrocínio do banqueiro Vorcaro.

    Isso também explica por que a discussão não se esgota com a ausência, por ora, de uma prova cabal de corrupção. A promiscuidade com Vorcaro e a participação do próprio Gonet no destino processual de um relatório que o menciona criam uma questão séria de suspeição. A lei prevê a substituição do procurador-geral em situações desse tipo. Prevê também, entre os crimes de responsabilidade do procurador-geral, emitir parecer quando legalmente suspeito, ser patentemente desidioso e proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo. Cabe apurar se houve a consumação desses tipos. No entanto, para concluir que Gonet perdeu as condições de chefiar a PGR, o que se sabe já basta.

    O procurador-geral dispõe de enorme margem para decidir quando investigar, denunciar ou arquivar. Essa liberdade só é legítima enquanto houver confiança de que a mesma régua vale para aliados, adversários, ministros e cidadãos comuns. Quando toda nova manifestação sobre o mesmo círculo de poder suscita a pergunta sobre como Gonet agiria caso os personagens fossem outros, a autoridade do cargo já virou pó.

    Gonet deveria poupar a instituição e renunciar. Se preferir agarrar-se ao posto, o Senado tem competência para examinar se suas condutas configuram crimes de responsabilidade e, eventualmente, afastá-lo.

    1. E daí? Para o que mesmo serve esta quantidade expressiva de votos? Para a eleição de vereador? Para essa gente profissional da politica e politicagem, Gaspar sempre estará em último lugar. Dionísio, talvez seria a exceção, mas não no PT que cria e aumenta impostos quase todos os dias contra nós para sustentar a farra, a gastança (inclusive das bilionárias campanhas), o empreguismo, o compadrio, os penduricalhos e a corrupção nacional

  12. A CRISE INSTITUCIONAL DO SUPREMO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Os donos imediatos do poder estão hoje na cúpula do Judiciário e do Legislativo. São, ao mesmo tempo, os que constrangem e funcionam como fiadores do chefe do Executivo, cuja reeleição é vista como essencial para que as coisas continuem mais ou menos como estão – daí a aliança que consagraram em público. O erro de cálculo político até aqui é o tamanho da crise do STF. Ela se precipitou não apenas pelo que a Polícia Federal encontrou nos celulares de Daniel Vorcaro sobre a promíscua relação com Alexandre de Moraes, que surge dali como uma espécie de advogado do banqueiro chefe de um esquema criminoso.

    Mas, sobretudo, pelo fato de a “ala de força” dentro do Supremo (Flávio Dino, Gilmar Mendes e o próprio Moraes) ter ignorado o que acontece com uma instituição, como o topo do Judiciário, quando ela passa a ser vista por grande parte da sociedade como sequestrada pelos interesses pessoais, políticos e pecuniários de alguns integrantes.

    Ela perde legitimidade, e isso é gravíssimo. Esse processo já vem de longe e a crise atual envolvendo Moraes a colocou numa situação irreversível. O STF não dispõe mais de boas opções. Aprofunda a crise institucional se nada fizer em relação ao ministro (como se comportou no início do escândalo). E aprofunda também se fizer.

    A razão imediata foi o mergulho dado pela ala de força da Corte no processo político-eleitoral, que calculou poder controlar pelos meios que tradicionalmente empregou. Ou seja, controle do ritmo e direção de investigações, processos e pressão direta sobre personagens políticos, incluindo ofertas de proteção e ameaças.

    Na mais recente delas, ao entorno de Lula foi transmitido recado de que não tem cabimento curvar-se às pesquisas qualitativas que indicam impacto negativo da imagem da Corte no esforço de reeleição. Foi lembrado o quanto Lula deve ao Supremo para poder governar, e quanto seu partido está enrolado na ala baiana do escândalo Master.

    Esse é o problema dos homens fortes quando se tornam vulneráveis – caso de Moraes. O conjunto da obra desaba rapidamente. E produz a passagem da condição de “salvador” da instituição para a condição de passivo do qual a instituição precisa se livrar para se salvar.

    É o momento atual. Não significa que Moraes corre risco imediato e inevitável de subir ao cadafalso. O que condiciona seu destino não é um tipo de arranjo, não importa a natureza, no Supremo. É o grau de dissociação da sociedade em relação à instituição que ele vem dominando com alguns colegas. Não é algo que os donos do poder resolvam reelegendo Lula. Ou salvando Moraes de uma investigação.

  13. Um retrato, cada vez, do pior do Brasil e no núcleo que nos devia dar paz e justiça, diante da lei que usa para condenar e absolver. Afinal, que lei que importa e vale para todos, desde o zé até os poderosos que a aplica?

    STF PODE DECIDIR SALVAR MORAES, Carolina Brígido, no jornal O Estado de S. Paulo

    Mesmo com indícios contundentes para justificar abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem motivos para assar uma pizza em cima do relatório da Polícia Federal (PF). Se o caso desaguar no plenário, estará em julgamento não só a relação supostamente imprópria entre Moraes e Daniel Vorcaro, mas a credibilidade da Corte.

    Depois da divulgação do relatório da PF, aumentou o abismo entre as alas de Moraes e de André Mendonça no Supremo. O primeiro grupo preferia que tudo continuasse sob sigilo até os ministros se reunirem para debater providências. A avaliação é que eventual punição a Moraes traria um custo alto para o tribunal. Para apoiadores de Mendonça, abafar um caso tão grave seria ainda pior para a imagem do STF. O modelo de empurrar a crise para debaixo do tapete foi adotado quando um relatório da PF mostrou o elo entre Dias Toffoli e Vorcaro. Houve uma reunião secreta entre os ministros do Supremo e o documento foi arquivado. Toffoli ficou isolado, mas se safou em nome da instituição.

    A situação de Moraes é diferente, porque os indícios que pesam contra ele foram amplamente divulgados. Moraes, no entanto, tem o trunfo de somar mais aliados do que Mendonça no tribunal. E a turma não parece disposta a largar a mão dele agora. Hoje, Moraes conta com o apoio fiel de Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Ao lado de Mendonça, a única certeza é Luiz Fux. Nos bastidores, pessoas próximas a Moraes dizem que Mendonça agiu com intenção de atacar o desafeto, não em nome da moralidade. Esse grupo concorda com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a nulidade das provas porque elas foram colhidas sem a anuência do plenário.

    Outro ponto pesa contra Mendonça. Hoje, campanhas surfam a onda de revés de Moraes e jogam o Supremo no centro do debate eleitoral. Os indícios viraram palanque especialmente de candidatos à direita.

    Um grupo na Corte acredita que a saída de Moraes em resposta ao clamor popular e político poderia insuflar nova onda de ataques ao tribunal. Gente próxima de Mendonça nega que ele tenha tido esse intuito.

    A solução para o caso não será fácil nem parecida com o desfecho da crise Toffoli. Ao contrário do colega, que submergiu, Moraes deve aumentar a artilharia para cima de Mendonça.

    A ala de Moraes, no entanto, nutre esperanças a partir do caso Toffoli. Quando o STF arquivou o relatório da PF em fevereiro, o clamor público era pela abertura de inquérito e renúncia do ministro. O jeitinho encontrado pelo tribunal abafou a crise e garantiu que a paz reinasse em Tayayá. Tudo em nome da institucionalidade.

  14. UM APELO AO QUE RESTA DO SUJPREMO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, veio a público na manhã de ontem para dizer que os indícios reunidos pela Polícia Federal (PF) sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro “reclamam o devido encaminhamento institucional” e que, ademais, o cargo de ministro do STF “não confere privilégios, mas impõe deveres”. Fachin também anunciou que, “no tempo devido e sem precipitação”, tomará as medidas cabíveis. É pouco, mas um sinal de que ainda resta vida republicana na Corte.

    Não ficou claro qual é o “devido encaminhamento” que Fachin pretende dar ao caso, mas não deveria haver dúvida: o relatório da PF deve ser submetido o quanto antes à deliberação do plenário do STF, em sessão pública e presencial. Se o ministro Fachin fizer a coisa certa, roga-se aos ministros que ainda colocam a instituição acima de seus interesses pessoais que manifestem sem medo seu horror diante do colapso moral que ameaça o STF. Não será fácil, diante da conhecida truculência de alguns ministros, mas o Brasil precisa saber que ainda há genuínos e destemidos republicanos no Supremo.

    Diante da extrema gravidade do que está em jogo, não há espaço para outro arranjo clandestino, como aquele a que o plenário se rebaixou para acomodar a evidente suspeição do ministro Dias Toffoli como o primeiro relator do caso Master no STF. Independentemente do parecer pusilânime e suspeito do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o relatório da PF documenta, de forma cabal, que Vorcaro tratava Moraes como um funcionário regiamente pago, cobrando-lhe providências, digamos assim, que nem a um advogado se cobra. Não estamos diante de um conjunto de ilações. Como revelou o Estadão, estão documentadas as relações promíscuas entre um investigado pela maior fraude financeira já praticada no País e um ministro do Supremo Tribunal Federal.

    Se Moraes cometeu crimes ao se vender aos interesses comerciais de Vorcaro, só uma investigação técnica e um julgamento justo haverão de concluir. Mas é preciso reiterar com todas as letras: a despeito de sua situação jurídico-penal, Moraes já é um estorvo para o STF. Sua permanência na Corte se tornou o maior problema do Poder Judiciário desde a redemocratização do País. A premente necessidade de seu afastamento – seja voluntário, seja pela via constitucional do impeachment – independe do que um futuro inquérito policial venha a apurar sobre prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. A questão é moral antes de tudo. E questões morais têm de ser enfrentadas com coragem e um mínimo senso de decência pessoal.

    Este jornal crê que ainda há, no Supremo, quem se preocupe com o papel da Corte como um dos pilares da República. É a essas autoridades que nos dirigimos, pedindo que examinem suas consciências e reconheçam que, ou bem o destino pessoal do sr. Moraes é desassociado do destino da instituição, ou o STF morrerá abraçado a um dos seus por reles corporativismo, quiçá cumplicidade. As consequências dessa segunda opção são imprevisíveis, mas, no limite, não será surpreendente se chegarem à desobediência civil.

    Como presidente do STF, Fachin tem o dever de evitar esse desfecho trágico. A crise, no ponto a que chegou, não será debelada com um acerto de contas nos corredores da Corte nem muito menos com covardia. O plenário do STF precisa autorizar que uma investigação sobre a conduta de Moraes seja instaurada – e não só a dele, haja vista a relação que há entre Toffoli e Vorcaro por meio de investimentos do ministro no resort Tayayá – e criar as condições para que o próprio Moraes se afaste do cargo enquanto ela tramita, supondo, é claro, que o ministro tenha respeito por este país e pela instituição que integra.

    A sobrevivência moral do STF como o conhecemos desde 1988 depende hoje da capacidade de seus ministros de provar à Nação que sabem o que significa proteger um dos seus e proteger a instituição.

  15. ENQUANTO LULA GASTA, PIB PERDE FÔLEGO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Os números do Produto Interno Bruto do segundo trimestre, divulgados nesta terça (1) pelo IBGE, mostram a economia em processo de desaceleração, a despeito do aumento de gastos e crédito público promovido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano eleitoral.

    O crescimento de 0,5% pode dar a impressão de que a situação não é tão preocupante, mas os componentes do PIB mostram que a taxa de juros astronômica mantida já há algum tempo —impulsionada pelas despesas do governo— tem causado impacto.

    O consumo caiu 0,4% e tende a enfraquecer. A inadimplência deu sinais de aumento nos últimos meses, especialmente nas faixas mais baixas de renda, dando a entender que o Desenrola 2 ainda não tem sido tão efetivo quanto desejaria o governo.

    Mais ainda, nota-se um mercado de trabalho que se ajusta ao arrocho monetário. Tanto os dados do IBGE quanto os do mercado formal mostram um início, mesmo que lento, de deterioração.

    Quem salva o resultado, como vem se repetindo na história recente, são os produtos primários de exportação. Cerca de metade do crescimento do segundo trimestre se deu graças à agropecuária e à indústria extrativa.

    Se 2025 foi o ano do agro no PIB, 2026 será o ano do petróleo —com todas as ressalvas a comemorar um vetor climático tão negativo como é o caso do principal produto da energia fóssil.

    Mas não nos enganemos com o peso das commodities. Desde 2021, pode-se dizer que cerca de 12% do crescimento observado na economia brasileira veio desses segmentos do PIB.

    Isso reforça a ideia de que as commodities podem muito, mas não tudo. Por exemplo, os juros, ao lado dos custos elevados de fertilizantes em razão da guerra entre EUA e Irã, tendem a resultar num 2027 muito complicado para a agropecuária.

    Para uma expansão sustentável da economia, o país depende de uma política econômica coerente e de reformas que permitam aumento da produtividade. O pós-pandemia, junto a anos seguidos de mercado de trabalho ruim, permitiu que se crescesse com novos empregos sem uma explosão inflacionária.

    O Banco Central soube conduzir a política monetária para evitar uma alta de preços muito descolada do teto da meta. Faltou, no entanto, a contribuição de uma política fiscal responsável.

    Em vez disso, o governo Lula 3 promoveu uma multiplicação de gastos desde antes da posse, no afã de obter popularidade e na crença de que tal estratégia pode ser mantida indefinidamente sem custos inflacionários. Não fosse esse impulso, os juros poderiam ser menores hoje.

    Maior crescimento decerto depende de mais do que apenas reduzir as taxas. Mas, sem o reequilíbrio fiscal, o próximo governo não terá nada a prometer.

  16. Vai vendo… Lula e o PT já foram avisados pelos supremos togados que o PT da Bahia será passado a limpo se Lula usar este caso para se limpar. Por muito menos, o CNJ ja expurgou juiz de primeira instância e tribunais superiores. Incompreensível. Não há necessidade de se eleger presidente e senadores. O STF resolve…

    A MORAES CABE A RENÚNCIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Não há mais lugar no Supremo Tribunal Federal (STF) para Alexandre de Moraes. Se o ministro não renunciar, restará ao Senado, por meio de um processo de impeachment, livrar a corte desse fardo.

    O limite da tolerância com a promiscuidade entre o juiz e o mafioso Daniel Vorcaro havia sido tangenciado com o que se sabia antes das últimas revelações. O contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da mulher de Moraes e as comunicações com o ministro à véspera da prisão do delinquente, numa modalidade que apaga o que foi dito, deixavam pouca dúvida sobre a gravidade da relação.

    A torrente de situações abomináveis que acaba de desaguar sobre a opinião pública sepulta qualquer incerteza restante sobre a incompatibilidade de Moraes com o exercício da magistratura no STF. O fraudador, enquanto enriquecia a família Moraes com dinheiro roubado, tinha o ministro como um conselheiro e um informante.

    No relatório policial que investigou o caso, o ministro aparece como editor do contrato multimilionário com o escritório da esposa, que negociou mais um acordo, este de R$ 50 milhões, com uma outra empresa de Vorcaro.

    No sábado anterior a sua detenção pela Polícia Federal, o dono do Banco Master quis saber de Moraes se ele deveria estar fora do país na segunda-feira. Idas e vindas de mensagens e aviões sugerem ter havido encontros pessoais com o juiz nos momentos agônicos do responsável pelo maior desfalque bancário da história do país.

    Graças à persistência da PF, da imprensa e do ministro André Mendonça, está seriamente ameaçado o pacto de impunidade que tem mantido Moraes isolado de prestar contas. Não há muito o que esperar da Procuradoria-Geral da República (PGR), infelizmente. O procurador Paulo Gonet, que descaradamente pediu a nulidade do relatório policial, surge emaranhado na teia de afinidades do Master.

    Entretanto agora cabe escolher entre Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal, entre um indivíduo de má conduta e a República. Enquanto o ministro permanecer na sua cadeira, a desonra e o descrédito se acumularão sobre o tribunal. A atitude mais digna e rápida seria a renúncia do magistrado. Ela pouparia as instituições nacionais de um desgaste desnecessário e longo.

    Na ausência desse ato de desprendimento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está instado a fazer tramitar os pedidos de impeachment contra Moraes, que terá direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as outras garantias legais.

  17. Os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, apanharam feio neste caso, que estarreceu – já se sabia, mas o jornalismo profissional e investigativo do liberal jornal O Estado de S. Paulo mostrou provas na edição de hoje – o país.

    Este é o editorial de amanhã (já disponível para os assinantes na área digital) do jornal O Estado de S. Paulo, ou “O Estadão” fundado em quatro de janeiro de 1875, repito, 1875 e conhece poderosos, mentirosos, chantagistas, processadores, intimidadores e censuradores como poucos neste país.

    MORAES TEM QUE SAIR DO SUPREMO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Alexandre de Moraes não tem mais condições de seguir como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e deveria pedir exoneração do cargo, para o bem da própria Corte. As revelações feitas pelo Estadão de que Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, desmentem categoricamente que o ministro fosse alheio ao acerto e a todas as suas implicações éticas e legais.

    Para começar, participar da elaboração de um contrato é exercício de advocacia, atividade incompatível com a magistratura. Mas as mensagens do celular de Vorcaro tornadas públicas hoje pintam um quadro muito mais grave. O banqueiro, pivô do maior escândalo da história do sistema financeiro nacional, tratava Moraes como alguém a quem podia recorrer para influir no curso de investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, perguntou, em referência ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em outra mensagem: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”. Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

    Não se sabe o que Moraes respondeu. Pouco importa, porque já não se pode negar o que está diante dos olhos: um investigado por fraudes bilionárias buscava num ministro informação, orientação e intervenção sobre atos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto seu banco pagava somas exorbitantes ao escritório de sua família – contrato que tem as digitais do próprio Moraes.

    Há perguntas que só uma investigação responderá. Moraes procurou Gonet? Falou com Andrei? Tentou retardar diligências? Transmitiu informações sigilosas? Dependendo das respostas, podem estar em jogo ilícitos de imensa gravidade, como prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. Gonet não pode continuar tratando esse material como “insuficiente”, como já o fez no passado, sem cair ele mesmo em suspeição.

    Gonet arquivou anteriormente uma representação contra o ministro. Agora surgiram evidências novas, e uma delas envolve o procurador-geral nominalmente: Vorcaro pedia a Moraes que recorresse ao próprio Gonet para conter a investigação. André Mendonça já cobrou esclarecimentos da PGR e avalia os próximos passos. Se isso ainda não basta para abrir uma investigação formal e independente, é difícil saber o que bastaria.

    Investigar, porém, resolve apenas parte da crise. As suspeitas recaem justamente sobre o uso do poder que Moraes continua exercendo. O homem que lhe pedia ajuda para alcançar o chefe da PF e o procurador-geral era o dono do banco que despejava dezenas de milhões de reais no escritório de sua mulher. O ministro participou pessoalmente do contrato e agora pode ter de ser investigado pelas mesmas instituições sobre as quais Vorcaro esperava que ele exercesse influência. Essa situação é incompatível com a normalidade institucional.

    Moraes tem direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as garantias legais que tantas vezes negou a outros, mas essas garantias não obrigam o Supremo a carregar, por tempo indefinido, o peso de um ministro cuja permanência compromete a autoridade da própria Corte.

    O STF já errou demais no caso Master. Dias Toffoli, que também mantinha negócios com Vorcaro, só deixou a relatoria do caso depois que sua posição se tornou insustentável. Agora a crise atinge Moraes em outro patamar – o mesmo ministro que tantas vezes invocou a defesa do STF e do Estado Democrático de Direito para justificar o exercício de seus poderes. Chegou a hora de demonstrar que seu compromisso com as instituições vale também quando o sacrifício é seu.

    Moraes tem de deixar o Supremo. Sua responsabilidade criminal será apurada, mas a responsabilidade institucional já se impõe. Se ele se recusar a retirar esse peso da Corte, sua permanência terá de ser enfrentada por quem a Constituição encarregou de julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF: o Senado. Defender o Supremo, agora, significa impedir que a crise de um ministro se torne a crise da instituição.

  18. “Este vídeo do estapeamento, mostra outro defeito do governo de Paulo Norberto Koerich, PL: o tal PAD – Processo Administrativo Disciplinar. Um PAD já teria resolvido isto há muito tempo. O PAD, reclamam os servidores, em alguns casos passam batidos e em outros viram peça de perseguição.” Ao que dizem este PAD assim como o PAD engavetado do ex vice prefeito Lu, ambos foram enterrados sob determinação e articulação de ninguem menos que Pedro Inácio Bornhausem, isso porque a chefe dos brigões do SAMAE é esposa do presidente do PP. E pelo jeito esses 5.500,00 a mais no salário do Luizinho do PAD é o preço pago. Muda Gaspar

    1. Pessoalmente tenho dúvidas. Mas, se foi, o tiro saiu pela culatra, de forma quase mortal e consagra uma série de desencontros e absurdos que a imprensa vive escondendo, mas que faz a farra de redes sociais, e principalmente da nervosa troca de conversas no whatapp gasparense, regional e até em Florianópolis. E quem está levando chumbo é quem assinou este desastroso Projeto de Lei. E precisava disso? Quem ele ouviu para enfrentar tanto gratuito desgastes, inclusive da sua própria base na Câmara. Credo!

  19. O dia ontem, foi de risada no Paço Municipal com a pataquada da Vereadora Eli tentando copiar a primeira-dama no festival de cuca em Brusque neste final de semana

  20. Bom dia.
    Acho que a democracia praticada no Brasil só favorece as QUADRILHAS ESPECIALIZADAS EM ROUBAR O POVO.
    O resto é eleitor brigando por eles..
    😳

      1. O senhor assistiu a sessão de ontem da Câmara?
        E o que dizer do congresso nacional?
        Parece que a democracia do Brasil é aquela onde as siglas partidárias se revesam nos gabinetes pra saquear o país e sua gente sem o menor constrangimento, medo ou vergonha na cara.

  21. LUTA NA LAMA, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Vazamento para todos! Vazamento para todos já! Só vazam informações sigilosas sobre um lado, seletivamente. Tem de equilibrar essa balança de ilegalidades. Justiça, ministro André Mendonça! Se vaza contra Lulinha, há que vazar contra Flávio Bolsonaro. Alô, Dino! Igualdade!

    E então proliferam as plantações na imprensa – feitas por colegas togados – sobre Mendonça estar influenciado por delegados da Polícia Federal lotados em seu gabinete, que seriam lavajatistas-bolsonaristas adversários de Andrei Rodrigues, aquele que bebeu o uísque de Vorcaro com Xandão e Gonet. Na última sexta, Rodrigues reafirmou que a corporação, órgão de Estado, atua de forma independente e sem viés político.

    (Não há mesmo vazamentos sobre as investigações relativas aos dinheiros de Vorcaro remetidos, via empresa de fachada, para fundo americano gerido por advogado amigo de Eduardo Bolsonaro; de modo que: ou será inquérito exemplar-singular, que avança sigilosamente, ou será inquérito mentiroso, que não vaza porque não avança. Há esperança, porém, dado que Dino, relator xandônico de tudo quanto se refira a orçamento secreto, tem agora consigo a investigação sobre se emendas parlamentares abasteceram a produtora do filme Dark Horse.)

    Vazamento isonômico para todos! O discurso caricatural que abre esta crônica está presente, disparado a sério, no debate público eleitoral corrente. Uma eleição presidencial disputada no Supremo e na PF, de seus descomedimentos podendo vir o que decidirá o pleito. Pleito engessado, com pouca margem para transformações – no qual vai presente, como expectativa bizarra, o elemento surpresa que mudaria tudo: “a bala-de-prata dos vazamentos”.

    Um jogo partidário poderoso em que o presidente diz não se meter com investigações da PF enquanto manda o diretor-geral da corporação procurar o relator de inquéritos no STF sobre seu filho – e sobre seu adversário – para se lhe apaziguar. Um jogo partidário perigoso em que ministros do tribunal constitucional, agentes-articuladores políticos com caneta para decidir (influir) monocraticamente, bebem uísque com Lula, discutem a campanha eleitoral e formam bancadas. A eleição é jogo de sobrevivência também para eles.

    (E de repente temos Dias Toffoli, num ato grotesco de desproporção, abusando do poder de cautela da Justiça Eleitoral para suspender – tirar mesmo do ar – a campanha de um candidato a presidente…)

    Uma eleição presidencial disputada na lama, em que o maior volume de eleitores já admitiu escolher quem estará menos chafurdado. É tapar o nariz e votar. Tapar o nariz e rejeitar. A rejeição, ao mesmo tempo, sendo critério com peso talvez sem precedentes, o que explicaria os casos Lulinha/Marcola e Dark Horse ferirem pouco as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro. E assim vamos, parece, até o fim – à espera do vazamento-bomba.

  22. NÃO SE PODE ENTERRAR DINHEIRO DO CONTRIBUINTO NOS CORREIOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Os Correios encerraram o primeiro semestre deste 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões, 30% acima do já desastroso resultado do período correspondente do ano passado. A estatal federal caminha para o pior ano de sua história, superando o rombo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025.

    Preso à ideologia e ao corporativismo, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insiste em prolongar o problema, o que implicará torrar mais dinheiro do contribuinte —incluiu-se na proposta orçamentária de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões para a empresa.

    A capitalização é uma exigência contratual do consórcio de bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) que concedeu empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios no final de 2025.

    Além de garantir o crédito, a União se comprometeu a fazer a injeção de recursos até o fim de 2027, sob pena de vencimento antecipado da dívida. Há negociações, ademais, para outro empréstimo, de R$ 7 bilhões.

    O Executivo se defende com o argumento de que houve progressos no plano de reestruturação da empresa. É muito pouco: no segundo trimestre, o prejuízo recuou 5,5% ante abril-junho de 2025, para R$ 2,39 bilhões, e 24% em relação ao primeiro trimestre (R$ 3,16 bilhões); o rombo semestral, porém, superou os R$ 4,26 bilhões anteriores.

    No período, a receita líquida caiu. Despesas com pessoal recuaram modestamente, cerca de 4%, e os custos de serviços ficaram R$ 1,3 bilhão abaixo do orçado. O primeiro programa de demissões voluntárias de 2026 teve pouco mais de 3.000 adesões —cerca de um terço da meta de 10 mil. Parte das medidas administrativas, como o corte de lojas, patina sob pressão sindical.

    Qualquer melhora ocorre em ritmo lento, insuficiente para estancar prejuízos sucessivos e recompor a geração de caixa.

    A garantia da União e o aporte previsto ampliam o passivo fiscal. Cada empréstimo afiançado e cada capitalização transferem o ônus para o Tesouro e pressionam o resultado primário (não financeiro) de 2027. Recursos que poderiam reforçar o superávit ou financiar despesas essenciais serão consumidos para sustentar uma estatal que não para em pé.

    Em entrevista à TV Globo, Lula reconheceu que os Correios “ficaram na mesmice” diante da evolução do setor e do surgimento de plataformas privadas de entrega.

    Incapaz de se adaptar às transformações tecnológicas e à concorrência, a empresa deteriorou-se à vista de todos. Nada era mais previsível, mas o petista se recusa a enxergar o óbvio —que a chance de salvar os Correios passa por sua privatização ou mesmo, se não houver interessados, por seu fechamento; nunca por novos recursos do contribuinte.

    Em 2020, fez-se um plano bem estruturado de desestatização, com manutenção da natureza pública dos serviços postais essenciais, infelizmente interditado por Lula e seu partido.

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