Texto alterado e revisado no TRAPICHE às 8h21min deste 13.02.2026. Se as decorrências severas do fenômeno “El Niño” vierem com a força de 1983 e 1984 contra Santa Catarina e especialmente o Vale do Itajaí, como mostram os sucessivos modelos matemáticos atualizados a cada semana e que orientam as previsões de cientistas e meteorologistas, as eleições e reeleições de muitos dos nossos políticos no poder de plantão e partidos deles estarão comprometidas, entre elas, a do governador Jorginho Melo, PL.
Ele até gravou um vídeo com pop star da área Ronaldo Coutinho. Então, “desantenado”, não está. Teve três anos para se precaver e naquilo que estava bem diagnosticado e Santa Catarina domina como poucos estados este expertise preventivo.
Ou seja, será um castigo impulsivo e reativo – se não usado por adversários – silencioso da população nas urnas e de algo acontecido, fresco na memória, com traumas e prejuízos, parcialmente evitável por falta de gestão dos governantes de plantão. O risco do problema e da reação é grande neste momento. E a corrida contra o tempo já está com meses de atraso.
DOS ELEITORES OS PESADOS IMPOSTOS
E por que? Faltou, até aqui, prevenção óbvia prometida, suplicada pelos catarinenses do Vale na reciprocidade, respeito e reconhecimento para um dos polos econômicos que mais geram quando novos, os cada vez mais altos pesados impostos on line para Brasília e Florianópolis. Sobrou palanque. Inundou-se de desculpas.
Os gestores públicos e políticos são danados. Relegam a prevenção e tascam depois da crise instalada, decretos de calamidades e de emergência que facilitam contratações, que acabam o que dar o que falar. Santa Catarina – considerados um dos estados mais conscientes neste assunto -não está, mesmo suficientemente consicente.
Segundo o portal Contas Abertas, em 2024 recebeu da União R$70 milhões via o PAC para drenagens e proteção de encostas. Disso, usou menos da metade. No Brasil, gasta-se sete vezes mais em reconstrução do que em prevenção. Descuido, irresponsabilidade ou farra?
E o “El Niño”, se vier tão severo como se antecipa e como nos lembram a Oktoberfest e as festas de outubro, deverá começar no segundo semestre e vai até as eleições de outubro. E é esta proximidade evento-efeito que poderá afogar os políticos nas urnas diante dos estragos reais contra cidades, cidadãos, cidadãs, seus sonhos, vida e patrimônio. Não devemos nos esquecer do evento severo de novembro de 2008 em Gaspar, Ilhota (principalmente) e Luiz Alves. Nem mais, nem mais.
Ressalto: são previsões; não é uma precisão. A faixa do desastre anunciado vai do Rio Grande do Sul ao Paraná. Nele, todavia, estamos no meio dele. E se esta massa de nuvens carregadas estacionar descarregando horas afio por aqui no Vale, ou outras partes de Santa Catarina, como o Planalto Norte, como naqueles anos de 1983 e 1984, ou de 2008 (foto abaixo)?

COLANDO O DESASTRE DO VALE EM MÁRIO
Voltando. Ou seja, nada do que dizem os cientistas pode se abater exatamente contra nós no Vale ou em outras partes de Santa Catarina, até porque há enes variáveis de um fenômeno natural, apesar de conhecido, estudado e previsível. É impossível haver uma previsão assertiva e conclusivo e com isso, o fenômeno severo ser controlado. Ele, apenas pode ser mitigado com conhecimento, engenharia e ações preventivas, protetivas e corretivas.
Na semana passada, segundo as previsões iniciais, as chuvas daquela semana passariam por aqui muito rapidamente de quinta-feira para sexta. Elas só chegaram na sexta e estacionaram até sábado. E até assustaram para quem já se prepara para o pior e está mais exposto.
Retomando pela segunda vez.
Mas, o ex-prefeito de Blumenau por sete anos, Mário Hildebrandt, PL (um ex-vereador peregrino de partidos da hora), está com o seu colete laranja de secretário de Defesa Civil e Proteção estadual manchado antes mesmo dessas previsões se concretizarem contra o seu curral de votos.
Mário está correndo atrás de duas coisas: fazer o serviço que não fez e agora, descobre-se que andou permitindo sobrepreços para que órgãos de fiscalização atrasassem em explicações tudo que já deveria estar pronto, bem como fazendo todos de tolos ao dizer que não tem nada a ver com o que a polícia, o Gaeco e o Ministério Público estão encontrando nos que ele nomeou em confiança no governo de Blumenau e agora espalhou por outras prefeituras (Indaial e Gaspar) para serem seus cabos eleitorais.
BARRAGENS E DESPROTEÇÃO
Um vídeo postado neste final de semana pelo deputado Ivan Naatz, PL, que terá Mário Hildebrandt como seu concorrente dentro do próprio PL na reeleição à uma vaga à Assembleia Legislativa, plantado pelo próprio governador, Ivan desnudou Mário com fatos e palavras duras nas redes sociais. Foi pesado. Um tsunami.
Naatz já ensaiava isto. Desta vez, ele fez questão de tirar o manto de santo de Mário. E transferiu as culpas de um futuro desastre das possíveis cheias por aqui no vale e alhures a Mário. E na mesma balada, Naatz – ex-vereador de Blumenau – colocou o governador Jorginho Melo, PL, como aval nesta parada. Na mesma postagem, Naatz, sem medo de errar, esclareceu ao distinto público de que o governador já tinha sido esclarecido por ele, Naatz, de tudo. Então, Jorginho está obrigado a agir rápido e emergencialmente, sob pena de conivência e prejuízos no palanque que se arma e divide a direita.
Mário está se esquivando naquilo que foi responsável nos sete anos como prefeito de Blumenau e decorrente da falta absoluta de controle dele, sobre quem nomeou e era responsável, como apura e acusa a polícia, o Gaeco e Ministério Público.
Pior. Mário, o evangélico, o tadinho, o gente boa e simples, o que mora na mesma casa modesta por anos afio, migrante vindo do Alto Vale do Itajaí, está dizendo por aí que ele não está implicado, pelo simples fato de nada de nada que se desnuda. Credo.
Mesmo que isso fosse verdadeiro, a lama e o mau cheiro disso tudo está por todos os cantos de Blumenau e arredores. Se não é direto ou transversalmente culpado, ele tem a imediata obrigação de apontar o dedo, com provas, contra os que ele nomeou, confiou e o traiu. Sem isto, é balela tudo o que Mário alega. E se não é balela, parece ser. É assim que, neste momento, os que confiavam nele estão enxergando Mário – o que teve a sorte grande em ser vice de Napoleão Bernardes, PSD (foi eleito do PSDB), no segundo mandato dele. E os adversários – e como se vê neste caso, até gente do mesmo partido de Mário -, estão com um maço de pregos e muitos martelos para lacrar o caixão. Nem mais. Nem menos.
Com a polícia, o Gaeco e o Ministério Público revirando o passado Mário Hildebrandt, PL, na prefeitura de Blumenau, somada à inércia resolutiva na proteção do Vale do Itajaí, da sua Blumenau e arredores desde o Alto Vale contra as possíveis enchentes pelo anunciado efeitos do “El Niño” no estado, Mário, está contaminando não só ele próprio e sua turma que vem de outros carnavais, mas o próprio governador Jorginho Melo, PL, que o nomeou secretário de Defesa Civil e Proteção, bem como outras prefeituras da região sob o comando do PL, por causa dos seus que ele espalhou Indaial e aqui em Gaspar para se viabilizar a sua candidatura a uma das 40 vagas da Assembleia Legislativa.
Se o desassoreamento dos rios da bacia do Itajaí falharem, mas principalmente, se provado que as barragens de Taió e Ituporanga reparadas falharem para o Alto Vale e de José Boiteaux – a mais importante, não operar autonomamente para Blumenau, Indaial, Timbós e Gaspar não se afogarem às vésperas das eleições, Mário, o PL – com seus agregados – e Jorginho, o avalista, estarão atolados nas urnas pela rejeição dos eleitores e eleitoras.
Preventivamente, Ivan Naatz está tentando se descolar. Só isto. Um tsunami invisível já veio. Aguarda-se o visível.
TRAPICHE

O senador Flávio Bolsonaro, PL, esteve em Florianópolis. Veio visitar um paciente fraturado pela própria família: o conservadorismo catarinense. Ele quer o vereador carioca Carlos Bolsonaro, PL, senador por Santa Catarina e Jair Renan Bolsonaro, PL, na minguada bancada de 16 deputados Federais para Jair Renan voltar a morar em Brasília, com a família.
O clã Bolsonaro já possui um senador seu: o também carioca Jorge Seif Júnior, PL. Santa Catarina se Jair Renan Bolsonaro, PL, for eleito, terá perdido mais uma vaga. Pela Constituição deveria o estado Barriga-verde ter 20, as quatro que o Rio de Janeiro dos Bolsonaro possuem indevidamente, por exemplo. Pela Constituição não deveriam tê-las. O Congresso Nacional – com ajuda do PL e incrivelmente dos catarinenses, diga-se, também -manobrou contra o direito de Santa Catarina e outros estados na redistribuição desta representatividade proporcional ao número de eleitores daqui.
O pessoal do PL de Gaspar foi em peso ao convescote do partido catarinense para a família Bolsonaro. Nem chegou perto. Por exemplo: Paulo Norberto Koerich, presidente do PL e prefeito de Gaspar, só conseguiu chegar no gargarejo do palco. E na foto que ele próprio postou nas redes sociais, marcou Flávio e Carlos Bolsonaro, para que as assessorias deles, pudessem, ao menos, registrar a ida de Paulo lá.
Teimosias. Todos como baratas tontas depois que a Justiça autorizou a colocar tornozeleira eletrônica no ex-secretário de Planejamento Territorial de Gaspar, trazido de Blumenau, por Paulo Norberto Koerich, PL, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi e que dava as cartas por aqui.
O grupo de Blumenau – que manda e desmanda num tal de comitê gestor de Gaspar – não se abalou. Possui até nomes para não só substituir, mas para reforçar todas as áreas e continuar comandando. Se Paulo Norberto Koerich, PL, não aproveitar a janela e refundar o governo dele com gente de Gaspar, ou minimamente identificada com a cidade, Paulo corre um risco sério de colar o que ele diz que não é dele. O discurso está prontinho.
Paulo Norberto Koerich, PL, participou do governo de quase todo o governo de Carlos Moisés da Silva, eleito pelo PSL, expurgado pelo bolsonarismo, e hoje no União Brasil. O “Comandante” Moisés chegou ao poder numa onda conservadora. E encastelou-se entre poucos amigos do Sul na Casa da Agronômica. Só se deu conta de que era governador, que precisava agir e se relacionar politicamente, quando do escândalo dos respiradores. Saiu-se do caso sangrando. E não se reelegeu. Perdeu no próprio campo conservador para o mais esperto deles: Jorginho Melo, PL. A alguns, parece uma história repetida em Gaspar. Ou lições, mal aprendidas?
12 comentários em “ANTES DO TEMIDO E ANUNCIADO “EL NIÑO” CONTRA AS NOSSAS VULNERABILIDADES CHEGOU UM “TSUNAMI”.E OS POLÍTICOS ESTÃO, DESESPERADAMENTE, TENTANDO ESCAPAR DELE COM MAIS ESPERTEZAS, REPASSANDO CULPAS E JURAS DE INOCÊNCIAS”
Herculano
Se em Blumenau os mesmos atores protagonizaram um filme de horror, que acabou com os mesmos usando acessório desonroso, a moda Bolsonaro, por que Gaspar acredita que o enredo produzido aqui será diferente? Será que, os que aqui mandam,
são tão autoconfiantes de que aqui, nada pega? Vide as últimas licitações publicadas no portal da INtransparência….
E o que dizer da gestão destes 2 delegados. Blumenau e Gaspar vivendo tempos difíceis. Porque são tão teimosos e insistem na velha política?
Impressionante. Desafortunadamente, estou de alma lavada, mais uma vez. E pelos bastidores que tenho de muito tempo atrás, vem mais.
Em Blumenau, além da roubalheira herdada que mancha o atual governo, ele é um desastre na gestão. Não há simples manutenção. Não há projetos, não há obras e que descobre-se agora, mas se sabia há tempos, eram movidas ao jogo das rachadinhas entre empreiteiros, servidores, comissionados e políticos
Em Gaspar, não vou listar o que escrevo todas as semanas.
É só olhar Ilhota e ver como Gaspar e Blumenau se atrasam. E se a gente andar por Itajaí e Balneário Camboriú, vai se assustar na comparação. E todos estão cegos por uma falsa briga de direita e esquerda. Enquanto isso, a incompetência, a irresponsabilidade, a falta de transparência e a corrupção tomaram contas das gestões públicas.
Parece que é proibido ser capaz, competente e líder de verdade. E as instituições, a Câmara com seus vereadores tick tokers que fazem só espuma e tentam calar a boca dos críticos com ameaças, bem como o Ministério Público, no caso de Gaspar, especificamente, estão adormecidas. Em Blumenau, isto parece que está contaminando o que era o forte de lá: a vigilância das entidades antes que as coisas chegassem as vias de fato pelo Ministério Público, Gaeco e Polícia. perderam a vergonha na cara.
Se você não reza a cartilha extremista “Deus, pátria e família” (não a dos habitantes, mas sim de determinados “illuminati”), automaticamente você é enquadrado como inimigo a ser eliminado.
Consciência e criticidade deveriam ir além de qualquer pretenso espectro político.
Enquanto isso, há quem bata palmas e beba detergente, adule (ex)ditadores, etc; outros ainda acreditam que a vida se resume a redes sociais.
Lamentável, no mínimo.
Ninguém bebeu detergente. São memes deste fla-flu doido que você mesmo relata e condena. E falando em ditadura do Executivo do passado e do ensaio em tempos recentes, temos em pleno vigor a do Legislativo que sequestra e corrompe bilhões do Orçamento – sem transparência -, bem com o do Judiciário monocrático – que decisões deste tipo deveriam ser colegiadas -, que diz que Lei em vigor, não vigora porque contraria exatamente o poder ditatorial, porque se tocar no mercantilismo de togados, a coisa fica muito pior para todos os brasileiros cercados de insegurança jurídica.
Eu nunca acreditei nesta estória da carochinha e prediz, muito antes das eleições, de que isto poderia acontecer. Como um possível candidato do esquema, vai a Florianópolis, assina na Casa da Agronômica, uma ficha de filiação do PL, diante do governador Jorginho Melo, PL, e outras testemunhas daqui, e vem para cá, na cara dura negar isto. Com o intuito de me chamar de mentiroso? Até aceito. Em decorrência disso, vivo lavando, lamentavelmente em muitos casos, a minha alma.
Mas, feita uma festança pública, por quem lhe avalizou e ainda lhe dá apoio com todas estas lambanças vindo a público sucessivamente e não é de hoje, negou que tivesse feito a filiação; que se fosse o caso de todos se humilharam no pedido de salvador da cidade e se a família permitisse, ele iria para o sacrifício? E ali todos aplaudiram, sabendo que não se tratava disso.
Resumindo. Já não se tratava mais de me humilhar, desacreditar-me perante aos meus leitores e leitoras que não os tenho senão eu mesmo como se afirma neste grupo de salvadores da pátria, tratava de sinalizar do que viria. Escrevi o que viria. E veio. A reportagem da NSC que mostra parcialmente os achados da Polícia, Gaeco e Ministério público de lá do que virou prefeito de fato em Gaspar, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, PL, era o líder das lambanças por lá no governo de Mário Hildebrandt, PL, é algo inacreditável que não possa ter sido percebido por aqui, se todos de lá e daqui sabiam do passado da capivara do homem.
E tudo sob as bençãos do tal de Somar? Credo!
E virá mais.
Exatamente.
Enquanto as siglas partidárias segregam o POVO, a incompetência, a falta do BÁSICO e o descaramento nos golpes e benesses invadem os porões dos podres poderes.
Pra nós, o POVO, só PRIVAÇÕES E A CONTA.
O DIREITO XANDÔNICO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
A lei vale, está valendo, salvo quando não quiser o togado. Não querendo, ele construirá o puxadinho para que a norma não alcance esse ou aquele caso. E então temos o juiz da execução penal que não quer aplicar a lei penal; que não a aplica; e que inventa a justificativa para não a aplicar. Ficou fácil, sendo esse juiz da execução penal um ministro do Supremo.
A situação é grotesca: a defesa de uma condenada – pelo 8 de Janeiro – pediu que os benefícios da chamada Lei da Dosimetria lhe fossem estendidos. Alexandre de Moraes disse não. Trata-se de lei vigente, aprovada pelo Parlamento, promulgada pelo presidente do Congresso, cuja aplicação Xandão negou. Porque quis, sem Direito. Porque pode, inventor do Direito. Porque o STF permite, pervertido o tribunal em plataforma desde onde o monocrata governa.
Não apenas em matéria penal. Vide o caso do Rio, governado por um desembargador – a governar até janeiro – porque a Corte constitucional assim deseja. Será sempre pelo bem, contra os ladrões, contra os golpistas, em nome da democracia – será sempre sob motivação virtuosa que o juiz se espalhará como administrador da República e armará seus laboratórios políticos. Estamos já para mui além daquela condição deletéria em que o STF se constituíra em “terceira casa legislativa”.
O esquema é simples. Moraes quer algo; e então forja os meios para ter. Tem uma meta, manter o controle autocrático sobre os processos, em função da qual cata e manipula regras para criar o direito que lhe interessa. Faz isso há anos. Basta ler a sua nova decisão para compreender que o código xandônico – o dispositivo da vontade que molda a forma – impôs-se à Constituição.
Sejamos óbvios. Um ministro do STF pode suspender liminarmente a eficácia de uma lei até que o plenário discuta a sua constitucionalidade. Tampouco haverá dúvida de que o tribunal deva discutir os vícios acusados na lei: se seria produto de um desvio de finalidade, se feriria o princípio da impessoalidade, concebida para beneficiar grupo específico, Jair Bolsonaro particularmente. É um debate posto – propostas as questões a respeito em duas ações diretas de inconstitucionalidade, as quais Moraes instrumentaliza para exercer o poder imperial. Esse é o ponto. Leia o que determinou.
Ele não disparou liminar, a partir das ADIs, suspendendo cautelarmente a eficácia da norma, nem remeteu a análise da decisão ao plenário. Moraes é o relator dessas ações, sobre cujo mérito não avança. Ele as usa como escudo – o futuro por meio qual, falando em “segurança jurídica”, justificará o exercício de seu autoritarismo criativo para mostrar força e gerir os tempos. Quem se manifestou monocraticamente foi o Xandão relator do 8 de Janeiro; que estabeleceu “a suspensão da aplicação da lei” – até o julgamento das ADIs e à margem das ADIs – num caso concreto de execução penal.
As ADIs – em que não toca, e que poderiam “influenciar no julgamento dos pedidos realizados pela defesa” – são desculpa. Moraes não quis – não quer – aplicar a lei. Ele pode. E lamba.
Não pode ser chamado de democrático um país que não se insurja contra tamanha concentração de poder
CÓDIGO DE ALEXANDRE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Éramos felizes no tempo em que decisões esdrúxulas tomadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ainda se circunscreviam ao campo das controvérsias jurídicas, de resto legítimas. O que se vê hoje é algo bem mais grave. Ao que parece, o sr. Moraes deixou de se preocupar até com as aparências e consolidou uma espécie de direito particular, moldado segundo as veleidades do próprio ministro. Sua recente decisão de suspender os efeitos da chamada Lei da Dosimetria – Lei 15.402/26 – para um punhado de condenados pelo 8 de Janeiro é sua Pietà, o ápice de sua hermenêutica criativa.
Por mais confusa que seja a decisão monocrática de Moraes, a questão é muito simples. A referida lei foi aprovada pelo Congresso após tramitação regular na Câmara dos Deputados e no Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o texto, como lhe é facultado pela Constituição. Meses depois, o veto foi derrubado pelos parlamentares, também nos estritos termos da Lei Maior. Diante da inércia do presidente da República no prazo legal, coube ao chefe do Poder Legislativo, o senador Davi Alcolumbre (União-AP), promulgar a lei, no dia 8 passado. Ou seja, não houve vícios procedimentais. Goste-se ou não, a Lei da Dosimetria está em vigor no País.
Mesmo reconhecendo esse fato, o ministro Alexandre de Moraes decidiu, pasme o leitor, que a lei não deve produzir efeitos para os condenados pela trama golpista que acorreram ao STF após sua promulgação. E Moraes o fez da maneira mais heterodoxa possível: decidiu como juiz de execução penal, não como relator das duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que questionam a Lei da Dosimetria. Essa distinção é importantíssima.
Se entendesse haver fundamento jurídico nas alegações da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da federação PSOL-Rede para pleitearem a inconstitucionalidade da Lei da Dosimetria, Moraes poderia ter concedido liminar nas ADIs e, imediatamente, submetido sua decisão ao plenário do STF. Mas o ministro não escolheu a via regular democrática, optando por suspender, caso a caso, a aplicação de uma lei plenamente vigente. Isso só prova que Moraes se pretende o senhor absoluto do destino de cada um dos condenados pela tentativa de golpe de Estado – do mais anônimo dos golpistas até o líder de todos eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O fundamento invocado por Moraes para sua exegese autoritária foi o princípio da segurança jurídica. Seria risível, não fosse tão grave o precedente criado. Ora, segurança jurídica pressupõe justamente estabilidade, respeito às regras do jogo institucional. Nada poderia ser mais afrontoso à segurança jurídica do que um ministro do STF, sozinho, decidir que determinada lei aprovada pelo Congresso deixará de produzir efeitos seletivamente até segunda ordem.
Numa democracia parlamentar, pressupõe-se hígido o rito legislativo. Vale dizer, uma lei promulgada ao fim de uma tramitação formalmente regular no Congresso é constitucional e apta a produzir seus efeitos até que o Supremo decida em sentido contrário. O próprio Moraes, como já foi dito, não declarou inconstitucional a Lei da Dosimetria – até porque, convenhamos, como foi amplamente noticiado pela imprensa profissional, ele e o ministro Gilmar Mendes “avalizaram” o texto do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Mesmo assim, suspendeu seus efeitos. Que diabo significa isso? A lei é válida para todos, menos para aqueles que o sr. Moraes entende que não devem ser alcançados por ela? Data maxima venia, isso não é controle concentrado de constitucionalidade, isso é um regime jurídico de exceção.
O Supremo não foi concebido para operar como instância de tutela política permanente nem muito menos para subverter o processo legislativo quando este deriva em leis ou atos considerados indesejáveis por alguns de seus ministros. Por óbvio, aqui não se questiona a legitimidade da Corte para declarar a eventual inconstitucionalidade da Lei 15.402/26. O que causa perplexidade é a naturalização de decisões personalíssimas que suspendem, reinterpretam ou moldam a aplicação de uma lei plenamente vigente segundo critérios definidos por um único juiz. Não se pode chamar de democrático um país que não se insurja contra tamanha concentração de poder.
Little Jorge x Big Joao! A ultim pesquisa trouxe pinoquio com 54%, JR com 18% e Merisio com 6,8%! Lendo por cima é uma vitoria avassaladora! Porem, faz uma semana que JR saiu de casa e Merisio ainda esta ajeitando seu lado com a esquerda! Pela logica Merisio tera 20% dos votos! Jorginho só foi Senador pq o MDB o elegeu, e por sorte divina só é governador porque Bolsonaro foi para o PL! Sempre foi um apinista politica! Um politico perspicaz, esperto, mais de poucos amigos! Faz qualquer coisa pelo poder e nao tem gratidao pelos antigos aliados! A campamha mal começou e esta tentando empurrar o “novo abestado Jorge Seif” pra ca, o famoso Carluxo( eterno vereador, que como principal projeto na camara propos o salario vitalicio)! Pinoquio esta para o Bolsonarismo, como o Bolsonarismo está por pinoquio!! Ambos usam e abusam dos aliados, só pensam no poder proprio e nao tem gratidao a ninguem! Se o povo catarinense for decente tera que dar umz licao ao pinoquio e por consequencia ao Carluxo e ao Topeira( renan)
BRASÍLIA ESTÁ COM MEDO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
O caso Vorcaro será um marco no país. Se levado adiante, revelando quem são os corruptos e como agem, será dado um passo crucial para eliminar uma das principais causas do atraso brasileiro, a roubalheira que junta os setores público e privado. Se for abafado por um acordão, como aconteceu com a Operação Lava-Jato, o país estará condenado a mais alguns anos, talvez muitos, de atraso político e econômico.
O pretexto alegado para a derrubada de toda a Lava-Jato foi, oficialmente, o comportamento impróprio do promotor Deltan Dallagnol e do juiz Sergio Moro na condução dos processos. Mesmo considerando que houve de fato tal comportamento, ficou provado, escandalosamente provado, que havia grossa corrupção. Mas toda essa corrupção e seus agentes foram apagados. É como não tivesse ocorrido nada, a não ser uma conspiração do “tribunal de Curitiba” — como se chamava então a 13ª Vara da Justiça Federal, onde corriam os casos da Lava-Jato.
A rapidez com que tribunais cancelaram as investigações e anularam condenações revela que havia um grande acordo político para acabar com o combate à corrupção. O “Direito de Curitiba”, como dizia Gilmar Mendes, foi extirpado. Pegava gente demais.
O caso Vorcaro está no Supremo Tribunal Federal (STF), relatado pelo ministro André Mendonça. E, pelo que se viu até aqui, ele não parece disposto a abafá-lo. Ao contrário, sua última decisão — a busca e apreensão na casa e no gabinete do senador Ciro Nogueira — atingiu o coração do sistema político. Ciro, acusado de receber mesada de Vorcaro, entre outras impropriedades, é considerado um operador exemplar desse sistema. Conseguiu participar de todos os governos recentes, à esquerda e à direita. Mesmo agora, sendo oposição declarada a Lula, tem um correligionário no ministério.
O que se teme em Brasília: se bateu no Ciro, quem estará a salvo? Do temor se passa à ação: como estancar essa sangria, como se estancou a Lava-Jato? Ocorre que o caso Vorcaro está no STF, última instância do Poder Judiciário. Quem pode armar o acordão para barrar o “tribunal” de Mendonça? Somente seus pares no STF. É muito mais difícil.
O STF acabou com a “República de Curitiba”. Pode acabar com o processo conduzido por um de seus integrantes? Em tese, pode. Basta formar uma maioria de ministros para derrubar a investigação, com base em alguma alquimia jurídica que o pessoal lá sabe inventar muito bem. Mas uma coisa é afastar um promotor e um juiz de primeira instância. Outra, bem diferente, seria anular a relatoria de Mendonça.
Há, portanto, boa chance de o caso Vorcaro seguir adiante. Mais que um episódio, isso representaria a volta do combate à corrupção. Como roubalheira puxa roubalheira — o dinheiro de uma emenda parlamentar desviada precisa ser lavado por alguém, em alguma empresa —, a apuração de um único caso apanhará gente pelo país afora.
O então banqueiro Vorcaro voou alto e foi longe. Além do contrato com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, seu investimento mais caro pelo que se sabe até agora, ele distribuiu mesadas, “convenceu” fundos previdenciários de estados e municípios a comprar suas letras financeiras podres, criou fundos de fachada, colocando em risco o sistema financeiro. Além de oferecer viagens, presentes e festas quentes a figuras ilustres do sistema de Brasília. Essas farras podem vir a dar um bom colorido a uma série a ser filmada quando tudo estiver encerrado.
As operações com bancos e empresas públicas e privadas mostram como a corrupção afeta a economia. Para fazer um bom negócio com qualquer nível de administração, o empresário não precisa ser eficiente, basta comprar as pessoas certas dentro dos governos. Isso desmoraliza tanto o setor público quanto as empresas privadas. Passa a impressão de que ao menos parte do sistema só funciona à base de propina. Além de tudo, é concorrência desleal com quem faz as coisas direito. Sim, muita gente faz a coisa certa e espera isso do país.
Se bateu no Ciro, quem estará a salvo? Do temor se passa à ação: como estancar essa sangria, como se estancou a Lava-Jato?
DISPUTA IDEOLÓGICA NA JUSTIÇA NO TRABALHO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
A identificação de magistrados com perfil ideológico razoavelmente nítido não é novidade na Justiça do Trabalho. Até 1999, tal setor do Judiciário ainda operava com os vogais, juízes classistas que chegavam ao posto a partir de indicações de sindicatos patronais e laborais.
O fato novo é que dois ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) tornaram públicas suas diferenças ideológicas.
E isso num momento em que o Poder Judiciário enfrenta enorme desgaste de imagem, devido a casos como o envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal com o Banco Master e vendas de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sem contar os supersalários da categoria.
No início deste mês, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, dividiu os juízes trabalhistas entre “vermelhos” e “azuis” e se incluiu numa das categorias: “Nós, vermelhos, temos causa, não temos interesse”.
De acordo com Mello Filho, a terminologia cromática —que representa a disputa entre trabalhadores e empresas— teria sido cunhada anteriormente por Ives Gandra Filho, ministro do TST, que estaria no espectro azul.
Por mais que seja histórica, tal divisão não denota uma atuação técnica da Justiça do Trabalho, ainda mais necessária num contexto de mudanças tecnológicas no mercado, como os serviços por aplicativos, flexibilização de contratos e, principalmente, de litigância predatória.
Segundo dados do TST, em 2025, as empresas gastaram R$ 50,7 bilhões com ações trabalhistas, maior cifra desde o início da série histórica, em 2004. Em 2016, um ano antes da reforma trabalhista, foram R$ 26 bilhões. O salto, que se deve a mudanças na reforma realizadas pelo STF e pelo TST, gera impactos sobre a atividade produtiva.
A disputa entre os dois magistrados também se desdobra numa questão ética relevante.
Mello Filho, corretamente, cobrou Gandra Filho e outros de seus pares por uma opaca participação em curso oferecido pelo Instituto de Estudos Jurídicos Aplicados. Ao menos 14 dos 25 ministros do TST deram aulas ou foram anunciados como palestrantes no material de divulgação do curso, que ensina advogados a atuar na corte.
Não houve transparência em relação a quanto os magistrados ganham e sobre quem paga. Ademais, parece haver conflito entre o objetivo do curso e o dever de fidelidade institucional dos ministros. É razoável que juízes especializados deem aulas de direito do trabalho. Já ensinar a alunos pagantes truques para dar-se bem na corte em que atuam ultrapassa a linha do aceitável.
Num ponto, porém, juízes de todos os ramos do direito e de todas as instâncias, além de procuradores e advogados públicos, se irmanam, sejam vermelhos ou azuis: o ímpeto para acumular e ampliar penduricalhos que elevam seus salários muito acima do teto constitucional.