Este assunto, mais uma vez, pouco percorreu a imprensa local e regional. Tratei dele em MAIS UM EXEMPLO DA GESTÃO “PITI”. SECRETÁRIA ESTICA A CORDA, ANTECIPA E FATIA A REFORMA ADMINISTRATIVA EM SEU FAVOR. POR OUTRO LADO, NA ESTEIRA DISSO TUDO, ESTÁ O ENCARECIMENTO E O INCHAMENTO DA MÁQUINA PÚBLICA MUNICIPAL POR PAULO NORBERTO KOERICH, PL, NUNCA VISTO ANTES POR AQUI. PARECE ATÉ SER UM GOVERNO SINDICAL, DA ESQUERDA DO ATRASO E CONTRÁRIO A ENXUGAMENTO E MODERNIZAÇÃO DO SETOR PÚBLICO EM TEMPOS DE VACAS MAGRAS PARA A MAIORIA DA POPULAÇÃO
Por conta deste silêncio da imprensa, dos desdobramentos nas Comissões, na sessão da Câmara na terça-feira, o pedido de vistas ao Projeto de Lei Complementar 10/2026 e a forte guerra de bastidores dentro do próprio governo de Paulo Norberto Koerich, PL, volto ao tema.
Esta foi corda esticada. E ao final, terá um perdedor certo: o próprio governo. Ele não foi capaz de convencer uma secretária vinda de Blumenau, que já havia dado sinais de falta de unidade, a de Desenvolvimento Social, Neuza Pasta Fellizeti, PL, esperar mais algum tempo para algo já sacramentado em outro Projeto de Lei Complementar, o 06/2026. O governo terá que decidir entre Neuza e a líder do governo, a policial como Paulo Norberto Koerich, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. E precisava disso? Uma das duas sairá como perdedora. E como disse Alyne na sessão de terça-feira passada, “todo silêncio tem um preço“. E terá. No mínimo, desgastes.
Qual o babado? Vou repetir. Este PLC 10/2026 tinha razão de ser lá no início do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Agora, depois de quase dois anos e estando ele, todo incluído na cara (na confecção e na aplicação) e demorada Reforma Administrativa (PLC 06/2026), se não for uma barbeiragem sem explicação coerente do próprio governo é uma teimosa afronta da secretária ao próprio governo que ela serve.
Pior mesmo foi ver participando ativamente dessa patacoada o ex-chefe de gabinete, onde tudo isso foi controlado por quase dois anos e atual secretário de Planejamento Territorial, Pedro Inácio Bornhausen, PP. É no Planejamento Territorial que está as diretorias de Bem Estar Animal e a de Habitação e as quer longe dele. E as mudanças parecem não serem exatamente de governo, mas às virtudes, qualificações e desejos do comissionado de plantão, como ficou claro nos debates. Foi o que admitiu Pedro.
E se vier outro para controlar a causa animal e a quase inexistente política de habitação? Vão mudar o Organograma das secretarias? Credo!
O governo já sabia de Paulo Norberto Koerich, PL, que tinha atravessado o samba. E mesmo assim, mandou a alegoria cheia de defeitos para a avenida. Pagou para ver. E viu. Achou que a ida de Pedro e Neuza às Comissões da Câmara, afinaria o samba mal concebido e ensaiado. Não deu certo. O presidente da Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação, José Hilário Melato, PP, pegou a partitura, sem chances, em minutos, a deu como boa.
Praticamente o mesmo aconteceu na Comissão de Gestão Pública, presidida por Carlos Francisco Bornhausen, MDB, mas que ausente, foi presidida por Sandra Mara Hostins, PL.
Já na Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, presidida pela líder do governo, Alyne, o buraco foi mais embaixo. Neuza sentiu. Enrolou. Pedro praticamente aquietou-se. Ao final, depois de 40 minutos, a presidente da Comissão deu o seu parecer. Ele está aqui no vídeo abaixo para não me chamarem de exagerado, ou mentiroso. A raiva e o sentimento de vingança está na forma como Neuza se levantou e saiu sem dar um pio, bem como Pedro resmungou.
Era o final de duas semanas de pressão fora do ponto de uma secretaria contra o próprio governo. Era a bílis de uma vereadora que ao fazer o certo, também mandava recados tanto para o governo quanto para a secretária, bem como para quem armou um suposto uso irregular por ela de um veículo da Secretaria de Segurança do estado, em plena campanha eleitoral e que pode, no mínimo, dar uma averiguação interna contra a policial.
Como escrevi, mais uma vez, perdeu o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, mesmo que a vereadora retire as vistas e tudo vá a plenário, sendo aprovado sem um pio esta antecipação inconveniente da Reforma Administrativa, por capricho de Neuza Pasta Fillizeti, PL, indicada por outro policial, o delegado, e ex-deputado estadual e hoje prefeito de Blumenau, Egídio Maciel Ferrari, PL.
Se prevalecer a vontade de Alyne, Neuza depois dos seus sucessivos “pitis”, se ficar no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, estará desmoralizada. E de quebra, ela arrastou Pedro Inácio Bornhausen, PP, para a mesma situação. E precisava disso tudo? Muda, Gaspar!
O que é a tal “A Escolha de Sofia”, tratado pelo escritor Willian Styron, em 1979? Significa encarar uma situação extremamente difícil e dolorosa, na qual a pessoa é forçada a escolher entre duas alternativas trágicas, indesejadas ou insuportáveis.
TRAPICHE
Os R$100 milhões I. Três dos cinco valentões que mandaram recados na votação na Câmara contra requerimento que pretendia quebrar o Regime de Urgência do Projeto de Lei, o qual pedia autorização para o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, na contratação de até R$100 milhões em empréstimos no Banco do Brasil, voltaram atrás. E o projeto foi aprovado. Fim do velório.
Os R$100 milhões II. O primeiro foi o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB. ele nem precisava votar naquele requerimento. Ciro colocou a matéria na pauta sem avisar ninguém. O segundo, foi Giovano Borges, PSD. E o terceiro Thimoti Tiago Deschamps, União Brasil.
Os R$100 milhões III. A articulação para surpreender, evitar debates e mais desgastes, foi do mais longevo dos vereadores alinhado com o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, para lhe dar governabilidade na Câmara, José Hilário Melato, PP. Mantiveram o voto contra os vereadores Dionísio Luiz Bertoldi, PT, relator da matéria e que não o relatou, bem como Roni Jean Muller, MDB. Ele inclusive, levantou a hipótese de parte dessa dinherama pode ir para a compra da sede da AABB, em Gaspar. O governo até agora não negou formalmente esta intenção.
Os R$100 milhões IV. Qual as treta neste Projeto de Lei, agora Lei? O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, enrolou e não explicou aos vereadores o que fará esse dinheiro. É um cheque em branco e ao contrário de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, que também tomava emprestado para uma coisa e fazia outra, e por isso era cobrado e desgastado publicamente, Paulo, nem isso fez. Não deve explicações como devia Kleber.
Os R$100 milhões V. A falta de transparência é uma marca clara do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Corajosamente, ao agradecer aos vereadores à aprovação da matéria, a líder do governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, assegurou que Paulo não se furtará em prestar contas à Câmara dos empréstimos autorizados por ela neste pacote. Rir é pouco. A troça começa quando se negou a dizer para que precisa dessa dinheirama.
Os R$100 milhões VI. Na verdade, além da transparência, está o principal deles: à falta de projetos e prioridades. Ao final, só a área de Educação terá avanços até 2028 e isto se dará porque está executando projetos do governo passado, porque há verbas federais vindas por emendas parlamentares, porque possui a maior fatia do Orçamento (25% obrigatório por Lei) e a titular, Andreia Symone Zimmermann Nagel, PL, sob fortes ataques – desde os que estavam no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, a franja ideológica da esquerda do atraso que domina a área e até o fogo amigo -, peitou várias ações, mesmo avisada dos desgastes.
Gaspar possui 22 acumuladores compulsivos. Começaram com coisas e ampliaram com animais. Ou começaram com animais e ampliam com coisas. A informação é da secretária de Desenvolvimento Social, Neuza Pasta Fillizeti, PL, nas conversas dela nas Comissões da Câmara. Então, não são abrigos informais de animais. Nem são vulneráveis. No fundo, essa gente precisa de tratamento e acompanhamento especializado.
Quem se der ao luxo de ouvir os relatos de Neuza Pasta Fillizeti, PL, nas Comissões da Câmara, principalmente a de Economia, Finanças e Fiscalização, terá pressentido que há uma guerra surda entre as clínicas veterinárias locais e a secretária. Alguma coisa precisa mudar neste relacionamento para o bem da política de bem estar animal, para quem Neuza é uma reconhecida ativista. E isto, por si só, não basta.
Os livros da discórdia I. Circula em Gaspar, uma denúncia anônima, contra a secretária de Educação, Andreia Symone Zimmermann Nagel, PL. Ela teria comprado, às “escondidas”, R$3,5 milhões em livros “imprestáveis” aos alunos da rede municipal. Isto tem cheiro de vingança do ex-secretário de Educação do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, o jornalista vindo de Blumenau e indicado por Ismael dos Santos, PL, na cota do PSD, Emerson Antunes.
Os livros da discórdia II. Emerson Antunes e a turma do antigo governo estão no papel deles, se se apresentarem. Conhecem o mercado e acendem luzes. Afinal, foram pegos em algo que virou escândalo pela voz e rede social do vereador Alexsandro Burnier, PRD. Antunes comprou ao final do ano para fechar o caixa dos R$25% de obrigação no Orçamento da Educação, livros que nem foram usados. Os de agora, Andreia Symone Zimmermann Nagel, PL, jura que foram ouvidos os diretores, coordenadores e professores que indicaram a compra desses livros. E eles estão em uso nas salas de aulas. Então, “escondidos”, não foram.
Os livros da discórdia III. Se verdadeira no processo de compra, a denúncia é grave. Se não for, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, como de costume, assiste mais um do seu governo queimar na fogueira do jogo político, como se ele não fosse parte do assado. E por que? Além da secretária que se frita, esse tipo de compra passa pela procuradoria geral – dispensa de licitação -e pela secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa. É ela que no fundo faz a compra e deveria ter olhado e prevenido os eventuais defeitos.
Os livros da discórdia IV. E este assunto não se resolve no bate-boca em tempo de campanha eleitoral onde tudo é valioso nas narrativas. Ele se resolve colocando luz e transparência, bem como a polícia e o Tribunal de Contas nestas paradas. Há muitos interesses grossos em jogo. Vão desde quem vende livros, de quem os aprova, mas diz que não participou da aprovação e de quem, às vésperas das escolhas de diretores de escolas, quer se dar bem, olhando 2028 e não é para reeleger Paulo Norberto Koerich, PL. Muda, Gaspar!
Sintoma. A única sessão da semana da Câmara de Gaspar terminou na terça-feira passada com três na mesas diretora e quatro vereadores no plenário. Noves fora, são 13 os eleitos. E querem aumentar para 15, além de mais assessores e outras “cosistas mas”.
Alguém ainda possui dúvidas de que a maioria do STF é parte do poder, de Luiz Inácio Lula da Silva e do PT que desgoverna o Brasil? As entranhas e chicanas incontidas, tentadas e realizadas das últimas não deixam a menor dúvida disso. Agora, parece ser tarde demais para se livrar de uma realidade que se escondia em Brasília, mas que todos os poderosos estavam no mesmo banquete pago pelos salafrários de rabos presos, incluindo os eleitos com os nossos votos numa democracia.
4 comentários em “A GESTÃO “PITI” EM GASPAR SOFREU UM REVÉS TEMPORÁRIO. ELA REVELOU UM GOVERNO CHEIO DE INTERESSES PESSOAIS COM EMPREGUISMO PARTIDÁRIO E IDEOLÓGICO SEM A LIDERANÇA DO ELEITO. POR CONTA DISSO, PERIGOSAMENTE E SOB PENA DE AUMENTAR A EXPOSIÇÃO E AS FISSURAS, TERÁ QUE FAZER MAIS UMA ESCOLHA DE SOFIA”
Nesse caso, a vereadora Alyne ganhou o meu respeito, independente se existe ou não alguma intenção por trás da ação.
Quanto aos três “mosqueteiros” contrários ao empréstimo dos CEM MILHÕES pro projeto SECRETO, e que na última sessão plenária mudaram o posicionamento, acredito que saíram do corredor pra uma poltrona na janelinha da reforma administrativa.
A questão não é PRIORIZAR o que será melhor para o COLETIVO, aquele que banca todas as extravagâncias administrativas do município, mas atender os interesses individuais dos caciques dos eleitos.
E ISSO PRECISA MUDAR..
Estes comissionados que vieram de Blumenau e Indaial para postos chaves aqui, são filhos, netos e bisnetos dos quase inexistentes MDB e PP de Blumenau. Eles – os que se espalham – se adaptaram às ondas para não perder o poste da vez (partido ou ideologia) e à saga empregatícia.
O SUPREMO NÃO É LUGAR PARA CHICANAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O Supremo Tribunal Federal (STF) fará amanhã uma sessão extraordinária para decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas relações com Daniel Vorcaro. Depois de meses de revelações sobre o escândalo do Banco Master, há carradas de razões para que os ministros do STF autorizem a investigação sem mais delongas. Por isso, serão inaceitáveis quaisquer chicanas que devolvam o caso ao limbo, como se o Brasil não tivesse visto o que viu, isto é, as gritantes evidências de relações promíscuas entre Moraes e o banqueiro mafioso.
O Master celebrou contrato de R$ 131 milhões com o escritório da mulher de Moraes, e o próprio ministro participou da elaboração do documento. O celular de Vorcaro registra contatos com Moraes enquanto o banqueiro tentava obstruir investigações. Em mensagens, buscava acionar o diretor-geral da Polícia Federal (PF) e o procurador-geral da República. Dois dias antes de ser preso, perguntou a Moraes se já deveria estar “fora”. Se isso não basta para abrir uma apuração, será difícil explicar qual padrão a Corte reserva aos demais cidadãos.
Moraes e seus companheiros tentam misturar alhos com bugalhos e jogar areia nos olhos do público. Ele chegou a pedir que se examinasse na mesma sessão as acusações contra o relator André Mendonça que ele mesmo forjou com fofocas espúrias da PF, alegando querer evitar “tumulto processual”. A manobra, rejeitada pelo presidente Edson Fachin, foi calculada para produzir justamente esse tumulto, criando uma falsa equivalência entre as suspeitas sobre sua relação com Vorcaro e as acusações contra quem permitiu que elas viessem à luz.
Mendonça não abriu, por conta própria, uma investigação contra um colega. A apuração já existia, estava sob sua relatoria e foi a PF que produziu o material. Ao se deparar com ele, Mendonça fez o que deveria: encaminhou ao plenário. Eventuais irregularidades devem ser apuradas. Ainda que existam, não inocentam Moraes nem diluem os indícios contra ele.
O mesmo vale para as alegações de nulidade do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que já deveria ter se declarado impedido. Se o plenário considerar um ato irregular, deverá identificar o vício e sua consequência. Se a investigação precisar tramitar por outra via, abra-se a via correta. Invalidar um caminho não demonstra que nenhum caminho exista. A nulidade de um ato tampouco faz desaparecer os fatos.
Há precedentes para desconfiar de subterfúgios processuais que deixem as suspeitas sem resposta. Em fevereiro, depois que a PF levou ao Supremo elementos relativos ao então relator do caso Master, Dias Toffoli, os ministros se reuniram a portas fechadas. Em nota, validaram os atos do colega, declararam inexistirem suspeição e impedimento, manifestaram “apoio pessoal” e anunciaram sua saída da relatoria em nome dos “altos interesses institucionais”. O STF “explicou” a saída de Toffoli da relatoria. Jamais explicou ao País o destino dos indícios que o atingiam.
A sessão de amanhã será pública, mas câmeras ligadas não garantem transparência, muito menos integridade. O Supremo pode transmitir horas de debates sobre competência, nulidades e questões de ordem, para terminar sem responder ao que levou o plenário a se reunir. Seria uma versão televisionada daquela infame reunião que livrou Toffoli, agora revestida de juridiquês. A publicidade só servirá à República se mostrar o que cada ministro decidiu e qual será o destino dos fatos.
Um pedido de vista tampouco deveria oferecer esconderijo coletivo. O regimento permite que um ministro peça tempo; os demais podem antecipar seus votos. A vista é individual. O silêncio dos colegas será uma escolha. O tempo cobra seu preço: a atenção se dispersa, a responsabilidade se dilui e abre-se margem para acomodações – com o risco de um ministro sob suspeita de obstrução da Justiça continuar no exercício do cargo. Os fatos estão maduros, e consumir mais 90 dias seria prevaricação – se não legal, moral.
CASOS DE MORAES E MENDONÇA NÃO PODEM SER MISTURADOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Não é surpresa que a crise no Supremo Tribunal Federal repercuta de maneiras diferentes nos dois polos do eleitorado. Segundo o Datafolha, 50% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL) defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, ante apenas 9% entre os que escolhem Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os lulistas voltam suas baterias contra o ministro André Mendonça, até há pouco o responsável pela apuração das relações entre Moraes e o corruptor Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Entre eles, 49% querem que Mendonça se afaste do cargo para ser investigado, ante 23% entre os que preferem Flávio.
Paixões políticas à parte, deveria restar evidente que o que pesa contra um ministro e outro são coisas absolutamente distintas, que não podem ser misturadas nas decisões a serem tomadas doravante —e fez bem o presidente do STF, Edson Fachin, ao negar o exame da conduta de Mendonça na sessão plenária de terça-feira (15) destinada a deliberar sobre a situação de Moraes.
Esta, gravíssima, exige investigação não só urgente como tardia. Sabe-se desde o final de 2025 que o Master firmou contrato de valores exorbitantes com o escritório da família do magistrado. Vieram à tona mensagens de Vorcaro em busca de proteção e aconselhamento direcionadas, segundo a Polícia Federal, a Moraes, sempre com o suspeitíssimo recurso de visualização única.
O ministro aprofundou a crise ao recusar, até aqui, a renúncia ou mesmo um afastamento temporário. Ao lado de Dias Toffoli, que também manteve negócios com a rede de Vorcaro, está sob óbvio conflito de interesses e não deveria votar na sessão de terça.
Contra Mendonça, indicado à corte por Jair Bolsonaro (PL), há a acusação formalizada por Moraes de atuar com motivações políticas, atingindo uns e protegendo outros —tanto no caso Master como no das fraudes no INSS, que envolve um filho de Lula.
Há de fato atos questionáveis de Mendonça, em especial a decisão liminar de afastar o diretor da PF. Só com a derrubada de sigilos recém-determinada por Fachin, ademais, soube-se que Flávio é investigado por ter recebido dinheiro de Vorcaro para o filme de louvação a seu pai —o que não parece incomodar os eleitores bolsonaristas, aliás.
É prudente, assim, a decisão do presidente do STF de afastar Mendonça das apurações que envolvem Moraes. Abusos e desvios da imparcialidade judicial devem ser avaliados tempestivamente; nada disso, porém, muda os fatos a serem esclarecidos sobre as relações entre ministros da mais alta corte do país e o responsável por uma fraude recorde contra o sistema financeiro nacional.
Misturar os dois casos só tumultuaria a deliberação que o Supremo tem pela frente, decisiva para sua reputação e mesmo sua solidez institucional. A exposição pública das posições de cada magistrado é o primeiro passo para o enfrentamento da crise.