Novamente, no mesmo caso, desorientado talvez, Paulo Norberto Koerich, PL, atravessou a rua para escorregar na casca de banana podre e se estatelar como pouco se viu até aqui num governo gasparense. Este fato é só comparável ao afastamento pela Justiça do ex-prefeito e já falecido, Leonardo Bernardo Spengler, eleito pelo MDB (1997/99). O governo dele foi finalizado pelo seu ex-vice, Andreone Cordeiro dos Santos (1999/2000), filiado no então PTB.
Durante seis longos e tenebrosos dias, Paulo fingiu que eram menores, mesmo, mais uma vez, diante de tantas evidências, os erros de Michel Jackson Schoenfelder Maiochi – o “dono de Blumenau”, segundo o título dado pelas empresas que ele extorquia como revelou a apuração do MP -, vindo para Gaspar com manchas da administração de Mário Hildebrandt, PL, de Blumenau. E Maiochi – um concursado como assistente administrativo na prefeitura de Blumenau desde de 2002, mas em posto de comando de confiança desde 2018 como diretor e secretário de Obras – veio com tudo para Gaspar. Esperto e antenado foi o prefeito de lá, o policial civil investigador, delegado e ex-deputado estadual, Egídio Maciel Ferrari, PL, que o colocou à disposição aqui.
De cara, com esta “experiência” de tomar espaços, Maiochi se tornou o secretário líder de Paulo [ou se tornou prefeito de fato] num tal “comitê de gestão”, a partir da secretaria de Planejamento Territorial – um local de graves e históricos problemas em Gaspar, principalmente no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB (2017/2024), Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP. Sem medo do passado, Maiochi se tornou um interlocutor de peso nas entidades e aos interesses das empresas locais que viram nele, a solução dos seus problemas desta complexa pasta que tem em sua estrutura, a terror de todos eles no jeitinho: a superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Resumindo:
Paulo escorregou na banana pela primeira vez quando nomeou Maiochi. Até os peixes do Rio Itajaí, segundo Rafael Gomes dos Santos na sua rede social. Escorregou pela segunda vez, quando deu amplo poderes e o fez seu porta-voz de negociações sobre os destinos territoriais da cidade como Plano Diretor, prioridades em obras sem projetos, interesses de investidores, questões ambientais… Escorregou pela terceira vez quando foi “surpreendido” pela “Operação Ponto Final” – há mais duas outras – e ficou calado como se o assunto não fosse com ele; que nada pegaria por aqui e que todos, como tolos, esqueceriam rapidamente. A quarta vez que escorregou, foi quando pressionado pelas circunstâncias, apareceu num vídeo, lido – ou seja, alguém ou ele fez -, com voz alterada, gestos bruscos, como isso significasse autoridade; ou seja, estabeleceu-se no ridículo para a cidade.
Não é à toa, que Paulo, em menos de um ano, trocou três titulares da superintendência de comunicação da prefeitura de Gaspar. Os que se foram reclamavam da falta de autonomia profissional. E a que está, se possui autonomia, parece não conhecer do riscado seja pelo sepulcral silêncio, seja pelo vídeo atrasado, cheio de vazios e falta de empatia. Kleber, por sua vez, em oito anos, mais um ano de campanha em 2017, teve uma única titular para orientá-lo.
Se estava atrasado na fala, para fazer o que fez, Paulo deveria ter ficado calado. Ganharia mais. A conta chamada “Jornal Pagras” no Facebook, lavou a alma e a égua com a incoerência de Paulo e seus bruxos. A montagem dessa conta em rede social popular, tudo em cima do seu discurso de Paulo, vale muito mais do que os meus muitos textões que não são lidos por ninguém, além de mim mesmo, segundo estes mesmos aprendizes de feiticeiros amoitados no poder de plantão de Gaspar – daqui e de fora. Agora, eles estão querendo o meu silêncio, mas que para chegarem ao poder onde cambaleiam nas próprias pernas, liam, aplaudiam e propagavam este espaço como sendo de credibilidade e isento.
CRONOLOGIA DE ERROS IMPERDOÁVEIS. A CIDADE SABE O QUE ACONTECEU. E A BOLHA TEIMA EM IGNORAR?
- A “Operação Ponto Final” que bateu aqui e em Maiochi foi no dia seis maio. Ontem era dia 12. Seis dias para preparar uma resposta à sociedade gasparense? Não! É que ontem, a NSC mostrou trechos de gravações da peça do Ministério Público. Nelas Maiochi aparece como o centro do propinoduto por anos afio entre empresários [tem até empresa gasparense, mais uma vez enrolada por lá] e os da prefeitura de Blumenau ao tempo de Mário Hildebrandt, PL. Hoje a NSC repisou no assunto. Maiochi era o “dono de Blumenau”. Na verdade, testa de ferro dos donos do submundo político de lá e que está fugindo ao controle das instituições de lá.
- “Hoje [ com seis dias atrasado] venho falar com transparência sobre um assunto que exige seriedade e responsabilidade“, discursou Paulo ao povo gasparense no vídeo ensaiado e lido.
- Menos. Transparência é desafiada a todo momento no atual governo. Ela, no que toca a imagem institucional, junto com a comunicação errática, e este é mais novo crasso exemplo, são os calcanhares de Aquiles do atual governo.
- O Portal da Transparência da prefeitura de Gaspar é um desastre total. Nele, ou por ele, é quase impossível se obter qualquer dado contábil e das contas. E olha que há até militante como diretor de informática que vivia apontando estas dificuldades no governo de Kleber. Então, é intencional. Mais. Pedidos de informações e principalmente naquilo que é obrigado a informar em requerimentos aos vereadores, inclusive os da base, a prefeitura atrasa, enrola e até confronta. É uma técnica.
- Foi no governo de Paulo, por exemplo, que se retirou o quanto cada servidor – incluindo o próprio Paulo – ganha como empregado do povo, numa afronta expressa a lei e a dita transparência em Gaspar no atual governo só da boca para fora. Nunca antes isto se procedeu desta forma na cara dura por nenhum outro prefeito. E o Ministério Público finge que não é com ele isto. E vem falar em transparência? Credo!
- “Desde o primeiro dia da nossa gestão estabelecemos um compromisso inegociável com a verdade, a ética e o respeito ao cidadão“. Credo, mais uma vez. De que gestão Paulo está falando depois do caso Maiochi? E Paulo dobrou a aposta: “todos os secretários e membros da esquipe foram escolhidos não só com base com base em critérios técnicos, mas também questionados sobre a sua idoneidade, sua conduta e seu compromisso com a transparência no serviço público“.
- Se isto de fato for verdadeiro, falhou a área de Compliance, o Recursos Humanos e o faro do afamado do investigador Paulo que já teve até passagens pelo Gaeco. O fato está aí. Não há como contestar. E por que?
- “Referente aos últimos fatos [vem mais, não são os últimos e fazem já sete dias desses últimos] relacionados as investigações conduzidas pelo Gaeco em Blumenau quero ressaltar que no momento da contratação dos secretários [ já admite que tem mais, como venho advertindo?] não existia qualquer fato conhecido que impedisse ou desabonasse a permanência de qualquer deles no cargo”.
- Credo, pela tereira vez. E precisava assinar este recibo dessa vergonha alheia. Supondo de que não havia fatos, havia indícios. Inclusive Boletim de Ocorrência com tiros dados por outro envolvido nestes casos em Blumenau na casa de Maiochi. Eu mesmo publiquei estes fatos aqui em junho do ano passado. As redes sociais estavam cheias desses indícios.
- Com quem se conversasse em Blumenau e se falasse que era de Gaspar, estas estórias escabrosas vinham à tona. E o experimentado e afamado policial investigativo, com passagens pelo Gaeco, não desconhece o que são indícios, ainda para quem gravou o discurso que gravou, objeto deste meu comentário de hoje.
- No mínimo, este assunto precisava ser investigado e à fundo, principalmente porque Paulo Norberto Koerich, PL, foi delegado de polícia não só aqui, mas delegado regional, delegado geral e secretário de segurança. Havia, um risco latente. O que Paulo deveria ter dito neste seu discurso aos gasparenses: que deu chance ao azar e que assumiu estes riscos dessa irmandade blumenauense.
- “No entanto, assim que vieram à tona informações relacionadas a essa investigação, referente a um período anterior a nossa administração e em outra cidade [Blumenau] determinei imediatamente a exoneração [do Maiochi]”.
- Também é meia verdade e tardia. No dia da Operação do Gaeco, o chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP, foi lá na secretaria de Planejamento Territorial designar provisoriamente Camila Beatriz Tillmann, vinda de Indaial e do mesmo bonde de Mário Hildebrandt. Ele informou a todos que Maiochi tinha pedido para sair. O ato da prefeitura, traz, de fato, a exoneração de ofício. Ou seja, até numa desgraça visível, ainda se tentou passar o pano a favor de Maiochi com versões desencontradas. Ou seja, ninguém larga a mão de ninguém. Quem tem padrinho, não morre pagão.
- “O nosso governo não compactua, não concorda e não se alia a qualquer prática ilícita, irregular ou que contrarie os princípios da administração publica. A confiança da população é um patrimônio que precisa ser preservado todos os dias com atitude, responsabilidade e coerência“. Balela. Palavras certas, óbvias e desnecessárias se a prática real fosse outra por aqui, a começar pela contratação e o prestígio dos gasparense na condução da cidade.
- Na verdade, estas palavras são apenas ajuntamentos ao acaso delas para formarem clichês, por quem não entende de comunicação e muito menos sabe em que crise estão tosos metidos. A emenda saiu pior que o soneto, diz o ditado popular. Incrível.
- Elas foram ajuntadas, tardiamente, para o discurso político de desesperado com a corda no pescoço, o qual trabalha contra o seu próprio currículo profissional, seu melhor e maior patrimônio até então. Paulo precisa, urgente, ver que está lhe sabotando na sua imagem em tempos de aposentadoria. A começar pela coerência. Caçava bandidos. Foi eleito para colocar em pratos limpos o passado de dúvidas de Kleber. Hoje, está se explicando, porque foi pego, por falha grave de não olhar a capivara do escolhido, convivendo com um deles. Credo, pela quarta vez. Muda, Gaspar!
Assista abaixo.
TRAPICHE
Tudo a ver. A Progresso, que fez a interligação do quilômetro mais caro de Santa Catarina (R$12 milhões há cinco anos) das avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo pasto do Jacaré também está envolvida nas operações que estão sob investigação da Polícia e Gaeco para o Ministério Público de Blumenau.
E o prazo de cinco anos para contestar a obra e obrigá-la a reparar vai se esgotar em semanas. Começa a ficar mais claro à razão pela qual não pediram em juízo a antecipação de provas, preferiram na última hora lançar um edital para gastar dinheiro para uma peritagem que não vai servir para nada quando o caso for para a Justiça. E ninguém apareceu. Com tantos guardiões de Blumenau por aqui nada é por acaso.

Efeitos das operações na prefeitura de Blumenau que envolveu a Engeplan. Foram abertas sindicâncias para verificar as obras de contenção da barranca da Rua Anfilóquio Nunes Pires, que é da Defesa Civil e Proteção do estado, onde era titular até dias atrás, Mário Hildebrandt, PL. Por aqui (foto ao lado), quando da assinatura do papelinho houve uma festança. A portaria é a 126, de 11 de maio. Está no Diário Oficial de hoje.
Escrevi, que se fazia estardalhaço militante com o Cão Orelha. Bingo. A NSC teve que engolir a seco o pedido de arquivamento do Ministério Público, com múltiplas perícias e perda de tempo e dinheiro naquilo que sempre esteve mal contado e usado politicamente.
Mais uma pesquisa para a corrida presidencial saiu nesta quarta-feira. Está claro que a terceira via parece morta, mesmo com todo o malabarismo corajoso do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema Neto, Novo. O tempo de rádio e televisão pode salvar? Em tempos de redes sociais, difícil. Mesmo assim, as coligações em torno do PT e a do PL darão, respectivamente, vantagens incomparáveis de tempo para Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O que está claro? Uma disposição para tirar o atual populista governo de esquerda. E Flávio saiu com muitas cabeças à frente.
Contra o Brasil. A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, além da bilionária máquina em que está montado, está concedendo bilhões em renúncia fiscal somente às vésperas das eleições em que está apertado. A isenção das blusinhas cria empregos na China e desemprega no Brasil, inclusive em Gaspar a tal Capital Nacional da Moda Infantil. Os produtos daqui chegam ao consumidor com 90 por cento de impostos local, estadual e federal nas diversas cadeias por onde transita.
A ilustração de abertura é um convite para se manifestar contra a corrupção não apenas em Blumenau, mas no Vale que parecia estar imune a esta praga contra os cada vez mais pesados impostos on line que os governos tiram de circulação da movimento da riqueza pelos brasileiros. Não tardará, um dia, teremos provas do crime organizado entre nós.
Épracabá. Na Câmara de Gaspar tem vereador do clube que fazia estardalhaço para ter votos fáceis na caça a corruptos daqui. Agora quando a lama chegou perto dos seus, diz que os exagerados são os que enxergam a lama nos do seu chiqueiro. Nada como um dia após o outro. A culpa não é dessa gente, mas quem dá mandato para ela. Muda, Gaspar!
8 comentários em “A COMUNICAÇÃO E OS BRUXOS DA PREFEITURA DE GASPAR FALHAM CLAMOROSAMENTE MAIS UMA VEZ. EXPÕEM PREFEITO DE GASPAR AO RIDÍCULO. INCRÍVEL. SEIS DIAS DEPOIS DO SEU SECRETÁRIO LÍDER SER PEGO NA “OPERAÇÃO PONTO FINAL” POR ESTAR ENROLADO EM CASOS DE CORRUPÇÃO EM BLUMENAU E DESDE ENTÃO VIAGIADO POR TORNEZELEIRA ELETRÔNICA, PAULO VEIO A PÚBLICO DIZER QUE NÃO SABIA DE NADA, IGUALZINHO AO QUE FOI CHEFE DE MAIOCHI, MÁRIO HILDEBRANDT. INACREDITÁVEL!”
Prefeito sabia, tenho certeza, ninguém assim e tão inocente para acreditar em certas retóricas igual essa da taxa das blusinhas que foi revogada. Prefeito tinha conhecimento, falta é coragem dele em admitir.
Mas, passou recebido para a cidade inteira que não sabia. E se a cidade inteira não sabia, todo o seu círculo sabia, os leitores e leitoras deste espaço sabiam há quase um ano. Então…
Um descaramento sem igual.
LULA BRINCA COM COISA SÉRIA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A cinco meses da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece ter intuído que era urgente apresentar ao País alguma ação na área de segurança pública, nem que fosse uma gambiarra. Eis que surge o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, lançado com pompa pelo presidente da República, anteontem, como se fosse o marco inaugural de uma robusta política nacional de combate às facções criminosas, ao tráfico de armas e à barbárie no sistema penitenciário.
Por si só, a ocasião para o lançamento do “Brasil Contra o Crime Organizado”, às vésperas da campanha eleitoral, bastaria para provar que o programa não foi escrito para ser levado a sério. Mas seu vezo marqueteiro também não disfarça o horizonte de curtíssimo prazo. Não se trata de uma política de Estado, cuja continuidade a despeito do resultado das urnas é presumível. A rigor, não se pode dizer nem que seja uma política de governo – ao menos não de um governo responsável. Longe de ser uma política de segurança, trata-se efetivamente de uma peça de marketing idealizada para render dividendos eleitorais numa seara pela qual nem Lula nem o PT jamais demonstraram ter interesse genuíno.
Lula quer provar aos eleitores que enfim acordou para a aflição de milhões de brasileiros que convivem diariamente com medo de serem vítimas da violência. Para isso, garatujou no papel timbrado da Presidência um punhado de boas intenções – asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento da segurança prisional, qualificação das investigações policiais e combate ao tráfico de armas –, como se isso bastasse para restabelecer nos brasileiros a confiança de que o Estado finalmente vai atuar para enfrentar os criminosos que os aterrorizam. É com esse sentimento legítimo de seus concidadãos que Lula está brincando.
Não se improvisa em segurança pública. Não se inventa às pressas um programa que claramente tem um prazo de validade: a eleição. É de uma obviedade ululante o fato de que nenhuma das medidas anunciadas por Lula, objetos de um decreto e de meia dúzia de portarias, terá tempo de sequer ser devidamente implementada neste mandato, que dirá de gerar resultados. Mesmo as ações mais simples exigem coordenação entre entes federativos, forças policiais, Ministério Público e Poder Judiciário. Não há notícia de que o presidente tenha liderado essa integração prévia.
O “Brasil Contra o Crime Organizado” é tão falacioso que uma de suas principais medidas é igualar o regime de encarceramento dos 138 presídios estaduais ao das cinco penitenciárias federais. Ora, nem todo cárcere precisa ser de segurança máxima. Ademais, reformas estruturais no sistema penitenciário levam anos, senão décadas.
Por sua vez, o aprimoramento das investigações policiais depende de formação, investimentos em tecnologia e inteligência e coordenação federativa permanente. A asfixia das finanças do crime organizado depende ainda de uma capacidade operacional que os governos – federal e estaduais – historicamente não demonstraram ter. Contam-se nos dedos os casos bem-sucedidos.
O medo da violência tornou-se uma das principais preocupações dos cidadãos, como atestam várias pesquisas de opinião. E, como a campanha eleitoral se avizinha, os marqueteiros do Palácio do Planalto entenderam que era preciso fabricar algum discurso para que Lula pudesse se expor nos palanques e nos debates com seus adversários.
A precariedade do programa também aparece no seu modelo de financiamento. Dos R$ 11 bilhões anunciados, apenas R$ 1 bilhão virá do Orçamento da União. O restante dependerá de empréstimos do BNDES a eventuais Estados e municípios interessados em aderir ao “Brasil Contra o Crime Organizado” – alguns já encalacrados há anos por dívidas monumentais, como é o caso do Rio de Janeiro, berço do Comando Vermelho.
Governar é fazer escolhas responsáveis. Se a segurança pública fosse mesmo central para o governo, Lula deveria ter submetido a debate parlamentar um remanejamento orçamentário para esse fim. Em vez disso, o demiurgo recorreu mais uma vez a expedientes parafiscais. Assim é fácil.
Até o momento, não vi uma só linha de manifestação da ACIG e Ampe em defesa dos malheiros e empresários gasparenses da tal Capital Nacional da Moda Infantil, o setor mais prejudicado com a volta desta isenção tarifária.
FIM DA “TAXA DAS BLUSINHAS” É PONTA DO ICEBERG ELEITOREIRO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Por si só, a tal “taxa das blusinhas” tem impacto modesto na receita do governo e na economia, embora afete uma quantidade expressiva de consumidores. Sua revogação, porém, é uma amostra de como o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está disposto a sacrificar a prudência e a coerência administrativa em nome da corrida eleitoral.
A tributação de importações de pequeno valor, em especial provenientes da China, era uma demanda de varejistas nacionais que foi rapidamente encampada pela Fazenda petista, ansiosa por medidas capazes de elevar a arrecadação —e tentar, inutilmente, conter o déficit orçamentário impulsionado pela escalada contínua do gasto público.
É verdade que houve idas e vindas até a adoção da norma, pois Lula percebeu que haveria riscos para sua popularidade. No entanto, o presidente da República sancionou a norma —um imposto de 20% sobre importações até US$ 50, antes isentas— em junho de 2024, quando ela foi incluída pelo Congresso em mais um projeto do Executivo para auxílio à indústria automobilística.
Se o líder petista tomou a providência a contragosto, auxiliares importantes ficaram satisfeitos. O vice, Geraldo Alckmin, que ocupou também a pasta do Desenvolvimento, defendeu a proteção a empresas nacionais; o ex-ministro Fernando Haddad, da Fazenda, apontou a importância de evitar fraudes e contrabando —e a arrecadação federal ganhou cerca de R$ 5 bilhões anuais.
A decisão de revogar a taxa após menos de dois anos de vigência seria mais facilmente defendida por um governo preocupado em abrir a economia à competição externa, ou que não tivesse um déficit fiscal projetado em quase R$ 60 bilhões neste ano, sem contar gastos com juros.
Trata-se apenas, porém, de uma ponta de iceberg na ofensiva eleitoreira de Lula. Há apenas cinco dias, um levantamento da Folha apontou R$ 143,7 bilhões em benesses promovidas neste ano, entre gastos orçamentários e linhas de crédito.
De lá para cá, já se anunciaram R$ 11 bilhões para um novo plano de segurança pública, o fim da “taxa das blusinhas” e, nesta quarta-feira (13), mais subsídio para os combustíveis —desta vez, uma medida provisória para conter os preços da gasolina. Articula-se ainda no Congresso Nacional uma aprovação açodada da redução da jornada de trabalho.
Se, mesmo com esse ritmo frenético de uso da máquina pública, Lula permanece com baixos níveis de aprovação popular nas pesquisas de opinião, pode-se temer pelo que ainda virá nos quase cinco meses que restam até a abertura das urnas.
Recorde-se que, em 2022, Jair Bolsonaro (PL) chegou ao extremo de decretar um estado de emergência, aprovado com apoio da direita à esquerda, para viabilizar alta geral de gastos ao arrepio das leis fiscais e eleitorais. A polarização política, como se vê, vai incentivando heranças amargas para os governos seguintes.
Não é bem assim. Em Santa Catarina, a NSC TV, que é afiliada da TV Globo, apostou por semanas, e de forma exagerada, na versão errada ou mal apurada. Ou seja, foi uma extensão, do que o editorial abaixo tenta desacreditar – pela concorrência – das redes sociais. A NSC TV engoliu a seco a conclusão do caso pelo Ministério Público catarinense, mas ainda jogando a culpa da sua torcida de rede social para a suposta mau apuração do caso pela Polícia catarinense.
O CASO ORELHA REFLETE VALOR DA IMPRENSA PROFISSIONAL, editorial do jornal O Globo
Após longa análise, o Ministério Público (MP) de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha, achado morto no início do ano na Praia Brava, em Florianópolis, não foi vítima de agressão humana, como sugeria a investigação policial. Pelas evidências disponíveis, o cão morreu em decorrência de uma infecção óssea. Os erros cometidos ao longo da investigação foram graves e incentivaram a condenação pública de adolescentes injustamente acusados. Causaram prejuízos à rotina e à saúde mental deles. Por isso o arquivamento do caso não deveria encerrar o assunto. É preciso responsabilizar as autoridades que, por oportunismo, incentivaram o prejulgamento. Sobretudo, é essencial que o episódio sirva para a população entender o perigo de pensar e agir com base nos “tribunais das redes sociais” e reconhecer o papel do jornalismo profissional na busca pela verdade.
A morte de Orelha no início de janeiro causou comoção nacional depois da divulgação da declaração de um porteiro, segundo o qual os adolescentes “parece que deram umas pauladas nos cachorros”. Ele depois negou em depoimento ter presenciado a agressão ao cão, mas isso não impediu que a polícia seguisse tratando os menores como alvo das investigações. Semanas depois, o governador Jorginho Mello (PL), em busca da reeleição, afirmou que as provas no processo “embrulharam o estômago”. Candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa, o então delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, defendeu a redução da maioridade penal.
No início de fevereiro, o inquérito estava concluído. Dos quatro menores inicialmente investigados, um foi apontado como autor. Mesmo sem ter ao menos uma prova direta do crime, os policiais fizeram pedido de internação provisória. Incentivada pelas declarações das autoridades, a opinião pública encarava os quatro adolescentes como culpados. Seus nomes, endereços e fotos circulavam em perfis nas redes sociais. Para garantir a integridade física dos filhos, famílias tiveram de mudar a rotina.
Uma jovem que apareceu em vídeo apresentado pela polícia com o suspeito passou a sofrer ameaças. Até quem não tinha relação com o episódio foi atingido. Um casal sócio da mãe de um dos adolescentes foi intimidado e procurou a polícia para registrar queixa contra mais de cem perfis. Entre os apontados estavam professores, empresários, funcionários públicos e influenciadores. Um adolescente de São Roque (SP) que nunca esteve em Santa Catarina foi acusado de participar da morte de Orelha. Seu nome completo, CPF e endereço foram divulgados. Nas ruas, manifestações pediam justiça.
Ao apurar o caso, uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, ouviu policiais, advogados, moradores da Praia Brava, familiares do acusado, o veterinário que atendeu Orelha e integrantes do MP. Ao longo de 14 minutos veiculados em fevereiro, ela ressaltou todas as contradições e falhas da investigação. Na época, não faltaram protestos de quem acreditava na culpa do jovem apontado pela polícia. Ao fim, a conclusão do MP de Santa Catarina deu razão não à histeria das redes sociais, mas aos fatos apurados pela imprensa profissional. A sociedade brasileira tem o dever de refletir e aprender com o ocorrido.
BRASÍLIA NÃO FICA TÃO LONGE DAQUI
Leia este texto publicado agora à tarde, por Felipe Moura Brasil, na sua conta do X. Qualquer semelhança é mera coincidência. Há método nisso tudo. É um copia e cola desavergonhado.
Irmão, imagine a reunião de emergência para a gestão de uma crise desse tamanho…
– Vamos dizer que o áudio é falso!
– Mas é falso?
– Não faz pergunta difícil!
– E as mensagens?
– O que eu acabei de dizer?!
– Mas e se provarem que é tudo verdade?
– E qual é o problema de financiar filme?
– De financiar com dinheiro dos outros?
– Vamos dizer que eu não sabia de nada!
– Do filme ou da fraude?
– Não pode ser dos dois?
– Mas é sua voz no áudio…
– Vamos dizer que era tudo lícito!
– Tipo a loja de moto da família do Ciro?
– Isso!!!
– E como explicar que você omitiu do eleitorado por 6 meses sua relação com o protagonista do maior escândalo do país?
– Não tinha relevância!
– Tipo os chocolates da sua loja?
– Isso!!!
– Tipo os funcionários fantasmas?
– Isso!!!
– Tipo sabotagem da Lava Jato e da Lava Toga?
– Isso!!!
– Então vou fazer o texto do vídeo…
– Bota aí que é perseguição política!!!
– Mas é pra dizer que é tudo falso, ou que é tudo lícito?
– Falso! Lícito… Ih, peraí…
– Ok, irmão, estou e estarei contigo sempre.
LULA ACELERA MEDIDAS DE ÚLTIMA HORA, por Vera Magalhães, no jornal O Globo
Com a água subindo perigosamente ao casco do navio, Lula resolveu acelerar ideias que estavam tempo demais em gestação para turbinar simultaneamente a avaliação de seu governo e suas chances eleitorais. No curso de pouco mais de uma semana, saíram o novo Desenrola, um plano de combate ao crime organizado com injeção de R$ 11 bilhões e, como bônus, o fim da “taxa das blusinhas”.
São medidas que apontam para todo lado, diferentemente do receituário de última hora adotado por Jair Bolsonaro em 2022. Este apostou quase unicamente em iniciativas populistas de repasse de renda e concessão de benefícios tributários, furando o teto de gastos e contrariando até vedações da lei eleitoral (que proíbe alguns repasses em período de campanha) — depois, trechos da PEC Kamikaze, que aprovou a derrama com votos até da esquerda, foram considerados inconstitucionais.
No caso de Bolsonaro, as benesses de última hora — que incluíam o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 só até dezembro de 2022, redução de impostos dos combustíveis, aumento do vale-gás e um abono para caminhoneiros — não foram suficientes para levar à reeleição, mas as pesquisas mostraram melhora de sua competitividade à medida que o dinheiro era colocado na praça.
O arsenal de Lula é mais variado, além de incluir medidas coerentes com o que ele pregou na campanha e com iniciativas já adotadas desde o início do mandato, como a reforma do Imposto de Renda e a segunda edição do programa de refinanciamento de dívidas. Mas a decisão de atirar em várias direções, e tão tardiamente em muitos casos, evidencia alguns dos problemas estruturais deste terceiro mandato, apontados, muitas vezes, por integrantes do próprio Executivo.
A dificuldade de o Planalto coordenar as ações das demais pastas, arbitrar divergências de visões e definir a linha a seguir foi uma tônica desde 2023. Rui Costa, agora fora da cadeira, era frequentemente criticado pelos colegas por não deixar que as coisas andassem. Todas as medidas que saem do forno agora estavam marinando havia meses, algumas havia anos.
O diagnóstico de que o governo precisaria ser mais presente no tema da segurança pública vem da campanha. A disputa entre os que defendiam a manutenção da área no guarda-chuva do Ministério da Justiça e dos que pressionavam pela criação de uma pasta específica nunca foi devidamente arbitrada por Lula. Nos estertores do mandato, ele diz que pode optar pela cisão do ministério caso a PEC da Segurança passe no Senado. Fazer isso agora segue uma lógica unicamente eleitoreira. Pouco ou nenhum resultado efetivo dessa mudança poderá ser apresentado ao cidadão/eleitor.
A razão dos anúncios parece ser menos atender às demandas específicas e mais compor um pacote robusto o suficiente para criar a percepção de um governo em plena atividade. Os estrategistas acreditam que o volume de ações, devidamente propagandeadas, pode fazer diferença nas pesquisas. Mas ainda é cedo para colher algum fruto. Qualquer mudança, para melhor ou para pior, que seja detectada na nova pesquisa Quaest que sai hoje será devida a fatores anteriores à máquina de soltar medidas.
O cansaço detectado por diversos institutos com Lula e sua administração parece algo mais profundo e espalhado por diferentes segmentos de renda, escolaridade, religião e por boa parte do país. A reversão desse sentimento pode passar, sim, pela constatação de que o governo age para melhorar a vida da população, mas, num cenário polarizado, é na comparação com o outro candidato que reside a decisão de voto.
O embate direto com Flávio Bolsonaro é a parte 2 da estratégia lulista, até aqui entregue a aliados do presidente, antes que ele próprio entre no ringue. Tanto para as entregas de governo quanto para esse confronto com o bolsonarismo, o tempo exíguo contribui para tornar o desafio de Lula mais complexo.
PLANO DE ÚLTIMA HORA PARA A SEGURANÇA PÚBLICA, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Não é por falta de planos nacionais que a segurança pública brasileira vai mal. A depender do critério utilizado, pode-se contar uma dezena deles desde 2000, quando o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) inaugurou a série com o seu PNSP.
Só neste seu terceiro mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já lançou o esquecido Programa de Ação na Segurança (PAS), em 2023, e o Brasil Contra o Crime Organizado, que veio à luz nesta terça-feira (12). Entre um e outro, também mandou ao Congresso uma proposta de emenda constitucional voltada ao setor e um projeto, alterado e convertido em lei, para o combate às facções.
Decerto a mais recente iniciativa —anunciada a poucos meses das eleições para Presidência da República, Congresso Nacional, governos e assembleias estaduais— não será a mais promissora da lista. Mas ao menos Lula terá providências a elencar nos debates que travará com adversários à direita que farão da segurança sua bandeira.
O tema, sem dúvida, é de alta relevância para o eleitorado. Em pesquisa feita pelo Datafolha em dezembro de 2025, 16% dos entrevistados apontaram a segurança como o principal problema do país, percentual só superado pela saúde (20%).
Em março deste ano, 41% afirmaram notar a presença do crime organizado no bairro onde vivem, e similares 40% disseram ter sido vítimas de algum crime nos últimos 12 meses.
Para seu novo plano, a administração petista promete R$ 1 bilhão do Orçamento federal e mais R$ 10 bilhões em empréstimos do BNDES aos governos estaduais —valores que não chegam a impressionar perto dos R$ 143,7 bilhões em benesses já prometidas neste ano eleitoral.
Os quatro eixos principais para a aplicação dos recursos são corretos: combate ao tráfico de armas, asfixia financeira das facções, qualificação das investigações de crimes graves e fortalecimento do sistema prisional. Mas não é por prioridades erradas que os planos para o setor têm sido pouco eficazes.
Há problemas de continuidade de um governo para outro e de coordenação entre as ações da administração federal e dos estados. Tais deficiências são agravadas por divergências ideológicas entre Lula e os governadores, em grande parte de linha conservadora. Não à toa, a PEC da Segurança está parada no Senado.
A direita pode ter captado melhor os anseios do eleitorado nessa seara, mas segue presa a um ideário populista que combina aumento de penas e operações espetaculosas, não raro letais. A vertente bolsonarista piora a receita com liberação de armas, corporativismo policial e defesa da temerária equiparação de facções a grupos terroristas.
Resta esperar que o flagelo imposto por PCC, CV e congêneres a comunidades inteiras, além de sua infiltração crescente no poder público e na economia, por fim leve à superação desses obstáculos políticos e federativos.