Mais uma propaganda do povo contra os políticos – surdos e cegos – que eleitos, fazem troça contra os brasileiros, aprovam e mandam a pesada conta em impostos cada vez mais altos e on-line, aumentando a inflação e retirando a parcela benigna da economia que se transforma em penduricalhos, privilégios, corrupção endêmica, empreguismo, incompetência, falta de competitividade, produtividade e resultados para os mais vulneráveis. Ontem os deputados e senadores, os mesmos que estão em busca dos nossos votos, em plena campanha eleitoral, aprovaram mais um extra teto, ou seja, que aumenta os gastos do governo e fora do arcabouço fiscal.(By Herculano)
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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLXXVII
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Um espaço plural para debater as obscuridades e incoerências dos políticos, bem como à incompetência combinada com sacanagens dos gestores públicos com os nossos pesados impostos.
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9 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLXXVII”
Quem disse?
– Uma frase que importa no mercado.
(Beatriz Pecinao folha Mercado, 13/08/26)
“Sim, eu bato na mesa e encaro as pessoas com severidade. Se não puder fazer isso, é melhor virar um vegetal.”
↳ O autor da frase morreu ontem.
Foi um alto dirigente chinês, responsável por arquitetar a entrada do país da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Veja de quem estamos falando (*)
(*) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/zhu-rongji-arquitetou-entrada-da-china-na-omc-e-iniciou-projeto-da-superpotencia-economica.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado#:~:text=Sim%2C%20eu%20bato%20na%20mesa%20e%20encaro%20as%20pessoas%20com%20severidade.%20Se%20n%C3%A3o%20puder%20fazer%20isso%2C%20%C3%A9%20melhor%20virar%20um%20vegetal
(TRPCE)
👋 “Estrangeiros dão tchau à Bolsa”
(Beatriz Pecinato, Folha Mercado, 13/08/26)
A Bolsa de Valores brasileira (1) viveu momentos de ascensão e queda em um único ano.
📈 No início de 2026, recebeu uma avalanche de investimentos estrangeiros (2).
Havia a expectativa de que a Selic caísse para 12% ao ano.
O movimento criou um apetite por ações, pois ativos atrelados à taxa de juros sofreriam uma desvalorização.
Além disso, parte deles resolveu diversificar suas carteiras.
As investidas (3) e discursos (4) de Trump criaram uma instabilidade econômica (5), e o mercado correu para apostar em países menos expostos, como o Brasil.
📉 Sim, mas…
O fluxo não durou muito tempo (6).
Projeções agora cravam os juros a 13,75% (7) no fim do ano.
Outro fator que ajudou a frear o movimento foi a guerra no Irã, que fez investidores buscarem ativos mais fáceis de serem resgatados.
↳ As justificativas estão interligadas.
O conflito diminuiu a oferta de petróleo disponível, o que aumentou seu preço e afetou vários segmentos da economia, de transporte (8) a aviação (9).
↳ Se os bens e serviços ficam mais caros, o governo precisa manter a Selic alta para desacelerar o consumo e diminuir os preços.
O período eleitoral (10) carrega sua parcela de culpa (11).
Promessas de campanha que preveem o aumento de gastos ou a queda nas receitas podem elevar a percepção de risco fiscal, o que desagrada investidores.
(1) “Investidores estrangeiros retiram R$ 7 bi da Bolsa em agosto com incertezas sobre guerra e eleições”
– Juros elevados e temor fiscal também reduzem atratividade das ações brasileiras.
– No acumulado de 2026, o saldo permanece positivo em R$ 33,8 bilhões.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/investidores-estrangeiros-retiram-r-7-bi-da-bolsa-em-agosto-com-incertezas-sobre-guerra-e-eleicoes.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “Janeiro registra maior alta mensal da Bolsa desde 2020”
– Ibovespa acumulou valorização de mais de 12% no mês, mostra levantamento da Elos Ayta.
– Movimento foi reflexo da entrada de investidores estrangeiros no país.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/janeiro-registra-maior-alta-mensal-da-bolsa-desde-2020.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) “EUA atacam a Venezuela e capturam Nicolás Maduro, que será julgado em Nova York”
– Ofensivas militares ocorrem na capital e em outras três regiões; Trump diz que ditador foi levado para fora do país.
– Vice do regime diz que paradeiro de ditador e esposa é desconhecido e pede prova de vida; Maduro é indiciado por narcoterrorismo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/01/venezuela-acusa-eua-de-realizarem-ataques-militares-em-caracas-e-outras-partes-do-pais.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(4) “Entenda por que Trump quer a Groenlândia; veja infográfico”
– Riquezas minerais, rotas comerciais e posição militar estratégica orientam investida de americano contra ilha da Dinamarca.
– Aquisição já foi tentada por Washington, que tem uma base importante na ilha, e ação militar acabaria com a Otan.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/01/entenda-por-que-trump-quer-a-groenlandia-veja-infografico.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(5) “Tensões geopolíticas impulsionam entrada em massa de estrangeiros na Bolsa”
– Selic a 15% e exposição a commodities tornam país atrativo para operadores internacionais.
– Fluxo em janeiro representa quase um terço do total captado em 2025.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/tensoes-geopoliticas-impulsionam-entrada-em-massa-de-estrangeiros-na-bolsa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(6) “Você está pensando em comprar Bolsa brasileira? O estrangeiro está vendendo”
– Depois de uma entrada recorde no início do ano, estrangeiros já retiraram R$ 38 bilhões da Bolsa desde abril.
– Após uma trégua em julho, a saída de estrangeiros voltou a acelerar em agosto.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/08/voce-esta-pensando-em-comprar-bolsa-brasileira-o-estrangeiro-esta-vendendo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(7) “Economistas reduzem previsão do PIB pela primeira vez desde abril”
– Boletim Focus aponta que analistas esperam crescimento econômico de 1,98% neste ano.
– Especialistas ainda diminuem expectativa para inflação pela sexta semana consecutiva.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/economistas-reduzem-previsao-do-pib-pela-primeira-vez-desde-abril.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(8) “Guerra no Oriente Médio eleva custos de transporte para 95% da indústria, aponta CNI”
– Pesquisa mostra que setor viu fretes dispararem após conflito entre EUA e Irã e fechamento de Estreito de Hormuz.
– 7 em cada 10 empresas consideram insuficientes medidas do governo para conter efeitos da disparada do petróleo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/guerra-no-oriente-medio-eleva-custos-de-transporte-para-95-da-industria-aponta-cni.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(9) “Guerra encarece passagens de avião e diminui voos; entenda como usuários são afetados”
– Tarifa média de voos nacionais atingiu R$ 669,41 em abril, alta de 9% na comparação anual.
– Mesmo com eventual fim da guerra, preços devem levar de 6 a 12 meses para cair, diz CEO da Latam Brasil.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/companhias-aereas-reduzem-voos-e-preco-da-passagem-aumenta-9.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(10) “Ano eleitoral aumenta a volatilidade do mercado; veja como isso afeta os investimentos”
– Especialistas recomendam atenção ao cenário fiscal e cuidado com mudanças bruscas na carteira.
– Investidores devem aprender a separar o barulho político de sinais econômicos que realmente importam.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/ano-eleitoral-aumenta-a-volatilidade-do-mercado-veja-como-isso-afeta-os-investimentos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(11) “JPMorgan reduz recomendação para ações brasileiras e cita volatilidade eleitoral”
– Para a instituição, juros devem permanecer elevados neste ano, o que deve pressionar o mercado acionário.
– El Niño, preço do petróleo e discussão sobre escala 6×1 estão entre fatores de risco citados pelo banco.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/jpmorgan-reduz-recomendacao-para-acoes-brasileiras-e-cita-volatilidade-eleitoral.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(TRPCE)
“Aspas em ‘Lulinha’ e ‘Flávio'”
– Certos nomes em que há algo de fake ou mal contado deveriam ser grafados entre aspas.
– ‘Lulinha’ é usado para atingir Lula e ‘Flávio’ só existe porque é acoplado a Bolsonaro.
(Ruy Castro, FSP, 12/08/26)
Alexandra Moraes, ombudsman da Folha, perguntou neste domingo (5) por que Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, é chamado pela imprensa e pela oposição de “Lulinha” se ninguém, íntimo ou não íntimo, o chama desse jeito. Ela mesma explicou: o tratamento surgiu na Folha há 20 anos, já numa história mal contada envolvendo dinheiro. Como o rapaz foi repetente no quesito, a oposição adotou o diminutivo, ideal para atingi-lo e ao seu pai. Mas, diz Alexandra, um apelido usado como arma política não deveria ser encampado pelo jornal.
Há alguns meses, aqui neste espaço, chamei a atenção para a leveza com que a imprensa estava se referindo ao então pré-candidato Flávio Bolsonaro, tratando-o de “Flávio” com uma familiaridade que não dispensava nem ao pai dele, o ex-presidente e presidiário Jair Bolsonaro. De fato, nos títulos e manchetes dos jornais, Jair Bolsonaro nunca foi chamado de “Jair”. Foi sempre e só “Bolsonaro”, como deve ser.
É verdade que, se um veículo se referir a Flávio Bolsonaro apenas como “Bolsonaro”, os leitores poderão confundi-lo com seu apenado pai, daí a decisão de reduzi-lo a “Flávio”. Mas “Flávio” não existe, a menos que se acrescente o “Bolsonaro” —é o que as pesquisas estão demonstrando. Mesmo com os desastres de campanha, levando seus apoiadores ao desespero, e por mais inviável que seja como candidato, ainda tem números invejáveis, graças ao nome e ao sobrenome no varal.
Daí ser surpreendente a decisão dos marqueteiros de passar a chamá-lo só de “Flávio”, não mais de “Flávio Bolsonaro”. Com isso, querem vender a imagem de alguém próximo, palpável. Mas quem quer estar próximo de “Flávio” e, pior ainda, apalpá-lo? A prova disso é que seu nome não é citado nem nos palanques de seus supostos aliados, os candidatos a governador.
Uma solução tanto para “Lulinha” quanto para “Flávio” é que passemos a nos referir a eles entre aspas. Aspas dão um sentido irônico a um nome e denotam algo de fake no sujeito. Como um rabo de papel que se pendura em alguém.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/aspas-em-lulinha-e-flavio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
Nem pensem em imaginar. . .
. . .que os 3 artigos abaixo replicados, nada tem a ver com seu dia a dia!
A Democracia PeTezuelana está a um passo do precipício!
Este poema não é sobre judeus, comunistas e ateus, nem sobre Brasília, STF ou Florianópolis. É sobre você daqui que está rindo, lavando as mãos, achando que está imune e levando vantagens enquanto os outros estão passando perrengue ao arrepio da lei ou até fora dela com gente que a conhece muito bem e obrigada aplicá-la. Até quando alguém achar que você não deve mais ser no mínimo igual perante a lei, quanto mais levar vantagens.
Poema de Niemöller, por Alexandre de Sá
Assim é a vida
Você é livre até não ser
Você tenta até não poder
E apesar de não querer mais
De não aguentar mais
Você vai e faz tudo de novo
Crendo mais uma vez
Naqueles que se venderam
Então te afirmam
Assim é a vida
Um dia vieram e levaram consigo
Meu vizinho que era judeu
Como eu não sou judeu, eu não me incomodei
Um a menos para me importar
Então seja você mesmo (eles disseram)
Não, não desse jeito (disseram)
Estamos apenas cumprindo ordens (eram)
(Shh! Minha nota é dó, fica quieto!)
A sua fila é da esquerd (shhh!)
No dia seguinte, eles vieram e levaram
Meu vizinho comunista
Não sou comunista então não me incomodei
Dois a menos para me importar
No terceiro dia, eles vieram e levaram
Meu vizinho que era ateu
Como eu não sou ateu, eu não me incomodei
Três a menos, quem se importa?
(Ninguém se importa!)
No quarto dia, eles vieram e me levaram
Já não havia mais ninguém pra reclamar
“O público e o privado”
– Uma briga política do Maranhão, ou de qualquer estado brasileiro, não vale a nacionalização de uma crise institucional que revela o caráter autoritário da instituição que deveria zelar pelo cumprimento da Constituição.
(Por Merval Pereira, O Globo, 13/08/26)
A medida da decisão autoritária do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de ordenar uma busca e apreensão na casa de um jornalista para descobrir a fonte da denúncia deste contra seu colega Flávio Dino é transformar um caso de política regional em crise institucional, afetando a liberdade de imprensa. O ponto de partida é simples: nenhuma autoridade tem o direito de apreender celulares e computadores de jornalistas com o objetivo de descobrir quem lhes deu uma determinada informação.
Se considera tão grave o fato a ponto de se mover rapidamente para defender Dino, o Judiciário tem o dever de investigar, mas não pode avançar sobre a liberdade de imprensa, não importa que o jornalista maranhense seja corrupto — como acusam — ou que Dino não tenha cometido nenhuma ilegalidade.
Dino e sua família têm direito a usar carro blindado para ir à praia, pois são ameaçados? Basta rebater as acusações demonstrando que têm essa permissão. Podem também processar o autor da denúncia falsa. Nada além disso. Para defender seu colega de toga, Moraes, relator do inquérito das fake news, que já dura sete anos sem conclusão — o que pode demonstrar incompetência ou vontade de manter aberto um inquérito como a espada de Dâmocles sobre a cabeça dos opositores —, atravessou uma linha perigosa num país que lutamos para manter democrático, como o Brasil.
Tudo indica que a perseguição de que Dino se considera vítima tem a ver com o outro lado da mesma moeda, sua atuação como político. Ex-governador do Maranhão, ele está em disputa com seu grupo pelo poder político no estado. Não há nada que envolva nessa disputa o STF, onde Dino assumiu o cargo depois de ser ministro da Justiça do governo Lula. Se é uma disputa de sua outra persona, de político, que deveria ter sido apagada no momento em que assumiu a cadeira no Supremo, Dino não poderia pedir apoio do tribunal a que pertence para perseguir seus adversários maranhenses.
Agindo com uma visão autoritária, Moraes afrontou uma pedra basilar do sistema democrático, a liberdade de informação, sem que fosse aberta uma investigação para definir se houve calúnia ou difamação no caso. Se houver, o jornalista pode ser processado por quem se considerou atingido, sem que a liberdade de imprensa seja aviltada. Transformar o caso maranhense em crise nacional demonstra como os ministros do Supremo se consideram inatingíveis. Deixam de investigar o caso em si para investigar quem deu a informação, falsa ou verdadeira. A quebra de sigilo bancário do jornalista é um absurdo, vulnerável a enganos, como já aconteceu.
O caseiro Francenildo Costa, principal testemunha de acusação contra o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que frequentava a “casa do lobby” em Brasília, teve em 2006 seu sigilo bancário quebrado ilegalmente pelo presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso — a pedido do assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto. Foi descoberto um depósito de cerca de R$ 40 mil, que atribuíram a um suborno que o caseiro recebera para acusar Palocci. No entanto, depois ficou provado que o dinheiro fora enviado por seu pai biológico.
Os R$ 100 mil que a Polícia Federal diz ter encontrado na conta do jornalista podem ser mesmo fruto de suborno, como acusam. Mas a maneira como se chegou a essa conclusão fere os princípios democráticos. Moraes perece ter passado por cima de alguns passos legais para saber quem foi a fonte do jornalista, e com que intenção. Pode ser tudo verdade, mas uma briga política do Maranhão, ou de qualquer estado brasileiro, não vale a nacionalização de uma crise institucional que revela o caráter autoritário da instituição que deveria zelar pelo cumprimento da Constituição.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/coluna/2026/08/o-publico-e-o-privado.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
“Banalizar sigilo é inovação perigosa”
– Não revelar a fonte não é vantagem para jornalista. É garantia de que as informações chegarão à sociedade.
(Por Julia Duailibi, O Globo, 13/08/26)
O debate político atual atropela qualquer tentativa de ponderação. O STF tomou decisões recentes questionáveis e perigosas do ponto de vista da liberdade de expressão e do respeito ao sigilo constitucional da fonte. Algo que deveria ser considerado perigoso pela sociedade em geral — e por quem exerce a profissão de jornalista, em particular. A defesa intransigente dos ministros do STF, no entanto, levou a uma passada de pano constrangedora. Em nome da defesa da democracia, relativizam-se justamente marcos civilizatórios do regime democrático que nos protegem contra os autoritários de plantão.
A decisão recente do ministro Alexandre de Moraes, com base na quebra do sigilo da fonte de um jornalista do Maranhão, abre um precedente perigoso que não deve ser aplaudido, apesar dos serviços prestados por ele em defesa da democracia. Em março, Moraes autorizou busca e apreensão de dois celulares, um notebook e um pen drive do jornalista, suspeito de cometer crime de perseguição contra Flávio Dino — ele publicou na internet dados sobre a rotina do ministro e de sua família, alegando uso irregular de carros oficiais.
A PF mergulhou nos aparelhos e descobriu a fonte do jornalista:
— Em relação ao notebook, foi possível acessar a conta de WhatsApp de Luís Pablo tendo sido identificadas conversas com o contato registrado como secretário Raimundo Cutrim.
Pablo é o jornalista; Cutrim, a fonte. O ministro não só considerou a prova da PF lícita, como autorizou mais medidas cautelares, desta vez contra a fonte do jornalista.
Jornalista não é ser intocável. Deve ser investigado se há indício de que cometeu crime, como no caso de Pablo, suspeito de ter recebido dinheiro para publicar as informações (ele nega). A investigação, no entanto, tem de ser baseada nas regras do jogo e não deveria atropelar a garantia constitucional do investigado. A PF deveria ter começado por outra porta, mas apontou o jornalista como suspeito e foi direto no celular e no computador dele, com aval de Moraes e da PGR, que costuma se alinhar ao STF em matéria que envolve seus ministros.
Sigilo de fonte não é vantagem concedida a jornalista. É garantia dada à sociedade de que as informações chegarão a ela, mesmo que os poderosos tentem evitar que isso ocorra. As regras do jogo valiam até agora, e não se tem notícia de que o respeito a essa garantia constitucional tenha contribuído para aumentar a impunidade. Nos Estados Unidos, Donald Trump passou a relativizá-la e foi para cima de jornalistas do New York Times e de seus familiares que escreveram sobre a segurança do avião presidencial. O governo pediu à Justiça o acesso aos telefones deles e de terceiros, alegando que quer chegar, apenas, aos autores dos vazamentos. Admite que os jornalistas não cometeram crime, mas ainda assim atropela o direito ao sigilo de fonte para, em tese, punir quem vazou as informações — e, com isso, coibir toda fonte potencial de informar os repórteres.
Se a fonte do jornalista cometeu crime de violação do sigilo funcional ao vazar dados, que responda por isso. Se o jornalista escreveu algo errado, que responda na Justiça por crime contra a honra. A inovação nessa matéria não presta. Amanhã o jogo vira, os poderosos são outros, e a segurança, que estava na Constituição, acabou por ser banalizada.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/opiniao/julia-duailibi/coluna/2026/08/banalizar-sigilo-e-inovacao-perigosa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
“. . .Constranger um jornalista a não exercer sua profissão por medo de ser preso é coisa de ditador. Os ministros do Supremo deveriam ter vergonha do precedente aberto nesse caso, ainda mais quando se apresentam à opinião pública como heróis que salvaram nossa democracia.”
“Alexandre de Moraes fragiliza democracia ao violar sigilo da fonte de jornalista”
(Por Malu Gaspar, O Globo, 13/08/26)
A história das democracias modernas está repleta de escândalos derivados de apurações jornalísticas expondo o que os poderosos buscam esconder. Do mensalão ao petrolão, da Vaza-Jato à rachadinha de Flávio Bolsonaro ou às fraudes do Banco Master, todos esses casos fundamentais para a depuração das nossas instituições só andaram graças a fontes que nunca teriam colaborado se fossem obrigadas a se identificar. De tão central para o fortalecimento da democracia, o sigilo da fonte é garantido na Constituição como cláusula pétrea, que nem uma emenda constitucional pode alterar.
No entanto, nesta semana nos vimos metidos num debate bizantino sobre a legalidade de uma decisão de Alexandre de Moraes que simplesmente atropelou esse direito fundamental: a ordem para que a Polícia Federal (PF) fizesse busca e apreensão sobre um político que municiou de informações um blogueiro do Maranhão sobre o suposto uso irregular de um carro oficial do Tribunal de Justiça do estado pelo ministro Flávio Dino.
Tudo começou quando o jornalista Luís Pablo da Conceição publicou em seu blog uma série de reportagens com fotos do tal carro circulando por São Luís. Nelas, dizia que o veículo transportava familiares de Dino mesmo quando ele estava em Brasília e recorria a documentos internos do tribunal para afirmar que o ministro não tinha autorização formal para usar o automóvel.
Nos textos, o jornalista afirmou ainda ter recebido as imagens de fontes anônimas — e, portanto, não perseguiu reiteradamente Dino pelas ruas. Questionado pelo blog a respeito da irregularidade, o ministro preferiu não responder, mas acionou a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Desde então, já foram realizadas duas operações de busca e apreensão como parte de uma investigação de perseguição, monitoramento clandestino e ameaça à integridade física de Dino. De que ele e sua família foram seguidos e monitorados, não há dúvida. Mas, em vez de mandar a PF investigar quem fez isso, de que forma e com que frequência, em março deste ano Moraes ordenou que os policiais fossem à casa de Luís Pablo e apreendessem o computador, o celular e tudo o mais que permitisse descobrir quem lhe passara as informações.
Uma ação com cara, jeito e cheiro de pesca probatória, em que se encontraram as mensagens comprovando que a fonte das matérias era o ex-deputado estadual e ex-secretário de Segurança do Maranhão Raimundo Cutrim, adversário político de Dino acusado de assassinato num caso relatado pelo próprio ministro.
Foi com base nesse material que Moraes mandou fazer a busca sobre Cutrim. Quem lê as 34 páginas da decisão, porém, constata que o jornalista (ou blogueiro, não importa) não seguiu Dino, não monitorou sua vida clandestinamente, nem extraiu documentos sigilosos do sistema do tribunal maranhense. Recebeu informações que julgou de interesse público e as divulgou, o que não é crime.
A decisão também não oferece nenhuma pista para entender por que esse caso tramita no Supremo, por onde só se investigam o presidente da República, ministros, senadores e deputados federais.
Como se descobriu pelas mensagens que Luís Pablo recebeu R$ 100 mil de um advogado que foi secretário de Habitação da Prefeitura de São Luís, tratado nos diálogos como empréstimo para comprar um terreno, também se levantou a suspeita de que ele tivesse sido pago para publicar as reportagens, o que ele nega. Ainda que seja verdade, receber dinheiro para publicar um texto não configura crime de perseguição.
Em toda área há profissionais venais, e no jornalismo não é diferente. O Brasil está salpicado de sites e blogs que recebem dinheiro de governos e políticos para divulgar informações de seu interesse, verdadeiras e falsas, e nenhum sofreu uma batida policial por causa disso.
Só com a apuração das fraudes do Master soubemos de vários sites de alcance nacional que recebiam milhões para publicar acusações falsas contra autoridades e figuras públicas, e nenhum deles foi alvo de busca ou quebra de sigilo. Para esse tipo de coisa, o remédio legal são os processos de injúria, calúnia e difamação, com possibilidade de multas e indenizações, e não uma devassa intimidatória que viole direitos fundamentais.
Se todo juiz deste país puder quebrar o sigilo da fonte de um jornalista que divulgou algo incômodo, ficará impossível fiscalizar a ação das autoridades, premissa básica do sistema democrático. Constranger um jornalista a não exercer sua profissão por medo de ser preso é coisa de ditador. Os ministros do Supremo deveriam ter vergonha do precedente aberto nesse caso, ainda mais quando se apresentam à opinião pública como heróis que salvaram nossa democracia.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/coluna/2026/08/alexandre-de-moraes-fragiliza-democracia-ao-violar-sigilo-da-fonte-de-jornalista.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
Matutando sobre. . .
Das “tantas coisas erradas”, seguramente, uma delas poderemos corrigir em 4 de outubro, que causará efeito cascata em nosso benefício:
não reeleger nenhum candidato!
Entenda-se por reeleição, o ato de conduzir um candidato a um cargo eletivo, independentemente do cargo eletivo que já ocupa atualmente!