Agora vai. Depois de contratar uma empresa especializada em comunicação e imagem por quase R$100 mil lá da distante Belém, do Pará, local sem qualquer referência nacional neste assunto, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, finalmente encontrou um ponto de equilíbrio na interação com a cidade, cidadãos e cidadãs. Estamos a caminho do “selo diamante”. Credo! O que é isso mesmo?
Primeiro foi a líder do governo na Câmara, a policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, debochando e em tom de pilhéria “pediu” nas redes sociais, como cortina de fumaça, aos queixosos gasparenses para apontar nomes e escalar o time para produzir resultados na Administração de Paulo Norberto Koerich, PL, naquilo que só ele, é a autoridade para fazer isso. Paulo foi eleito pelos gasparense exatamente para isso. E com essa autoridade rifou gente como o próprio vice-prefeito eleito com ele, o engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos.
E para piorar, preferiu entupir a prefeitura com gente de fora, que precisa andar de GPS para chegar ao local de trabalho aqui e um deles, pelo menos, saiu daqui com uma tornozeleira eletrônica por coisas mal feitas e que estão sendo apuradas em Blumenau. Mas, muitos outros que vieram no mesmo pacote continuam aqui desafiando a lógica da ruptura com isso tudo, mesmo que não tenham nada, no imaginário dos eleitores e eleitoras. O caso mais emblemático é o que envolve a transição do Hospital de Gaspar para o Hospital Santo Antônio, de Blumenau.
Na mesma linha de tirar a autoridade do eleito e colocar nas costas do povo e principalmente dos 52,98% dos votos válidos que o elegeram, foi a vez ontem da vereadora que ainda não disse a que veio, Elisete Amorim Antunes, do mesmo PL de Paulo. Ela foi às redes sociais, onde não é uma influenciadora, dizer que todos os gasparenses precisam estar unidos, aguardar pacientemente o governo dela mostrar a que veio. E fez uma ligação com o primeiro aviso do jogo da seleção de futebol que não atingiu as expectativas, mas, possuiu ao menos, gente reconhecidamente qualificada para reverter a decepção inicial. Em Gaspar, estão procurando gente para esta reversão. Credo.
LIMPEZA DE TERRENOS BALDIOS

Por derradeiro, mas não tão derradeiro assim, pois há montanhas de exemplos desse tipo, o próprio Paulo Norberto Koerich, PL, parece que ainda não se deu conta do problema onde está metido, das prioridades, das mudanças urgentes, da importância que ele possui em todo este processo para o bem e o mal, da falta de tempo e da necessidade de reverter este quadro de Dante, diante de tanto tempo sem resultados efetivos e reais, da proximidade das eleições de outubro deste ano e da sua própria reeleição em 2028.
No domingo, um vereador candidato pelo PL do B reclamou pelas redes sociais que uma área tida como verde. Ela estava desprezada, verde demais e suja de lixo no governo de Paulo. Ontem, Paulo foi lá dar como presente de aniversário ao vereador da base coma promessa de limpeza daquela área no bairro do vereador para não passar vergonha nas urnas de outubro no seu próprio bairro.
Ou seja, com o espetáculo armado das redes sociais, finalmente, houve um anúncio de uma grande obra para Gaspar. Porque a simples manutenção em todos os locais continua à base de improvisos e esquecimentos. É só olhar para os postes. Os fios estão lá caídos numa maçaroca só de desconfianças. E o que falar do Maio Amarelo? Não se foi capaz de ao menos repintar as dessgastadas faixas de pedestres, cujo dinheiro se tem, diante das multas cobradas e obrigadas ao uso para esta finalidade.
Para Carlo Ancelotti a Copa Mundial da Fifa está começando e só ele pode mudar um desastre anunciado devido aos demônios de interesses que cercam a CBF, clubes, empresários, boleragem e a panela de sempre. E ele possui tempo e oportunidade para isso.
No caso de Paulo Norberto Koerich, PL, é exatamente o tempo que trabalha contra ele. Perdeu-se 18 meses, faltam resultados, mas faltam principalmente projetos. E eles maturam em média em quatro anos até serem entregues à sociedade. Para a eleição deste ano já não tem discurso neste sentido. E a eleição de 2028, pelo andar da carruagem, da falta de equipe e competência, já está comprometida. E a solução que veio de Blumenau estava corrompida. A que vem do Pará vai criar na arapongagem o Selo Diamante? É prácabá. Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Um leitor deste espaço, contumaz, ligado à política e a prefeitura de Gaspar, e por isso quer o anonimato pelo medo de perseguição, lê tudo escondido. É mais um leitor daqueles que os poderosos de Gaspar dizem que não os tenho. Ele me escreveu, entre tantos “achados filosóficos” que já recebi dele, mas é, no fundo, um bom resumo sobre a administração de Paulo Norberto Koerich, PL e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos. Diz o seguinte.
“Meu caro. Correntes são feitas para prender…segurar…deixar próximo… não soltar…Cada elo faz UMA IMPORTÂNCIA muito grande no todo… Esta corrente política de Gaspar faz com que nenhum elo se perca ou arrebente. Se for para MORRER… que morramos todos JUNTOS. Mas ninguém deixa ninguém, ou solta a mão de alguém, simplesmente. É uma corrente.”
E ele conclui: “O medo é tão GRANDE de mexer no tabuleiro, que o tiro pode e SERÁ pela culatra. A campanha ESTADUAL nem começou e já estão todos PERDIDOS. Será uma das CAMPANHAS POLÍTICAS, no Brasil todo, das mais bizarras“
Como se vê fora e dentro da prefeitura a leitura é a mesma, menos no e para isolado prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, e outros que foram às redes sociais para a zomba, ou estão desesperadamente na praça pedindo votos, oferecendo o nada como realidade e sonhos repetidos para o futuro como se todos sofressem do Mal de Alzheimer. É do mesmo autor, esta observação: “Rapaz… Ninguém nesta cidade de Gaspar, morre mais do coração….É uma atrás da outra…. Que loucura!”
Para encerrar por hoje com artigos no domingo, segunda e nesta terça-feira de mar calmo da minha janela de trabalho. Um caso que retrata bem como Paulo Norberto Koerich, PL, ainda não se vestiu de prefeito – não se exige beca de político, que é coisa bem diferente – e a autoridade dele ainda está contaminada pela de delegado mandão, animado por amigos e maus conselheiros políticos. Neste final de semana ele se encontrou casualmente com seu amigo Rui Carlos Deschamps, 37 anos de Samae e onde se aposentou, tendo sido lá, seu presidente entre 1991/92, ex-vereador pelo PT, mesmo tendo nascido na Arena que ainda está incorporado nele.
Paulo Norberto Koerich, PL, não perdeu tempo. E foi com tudo. Questiona fortemente Rui Carlos Deschamps, à razão da publicação que ele fez nas redes sociais e se alguém do Samae tinha procurado lhe para questionamentos e explicações. Até então, para mais uma decepção de Paulo, ninguém do Samae tinha feito contato com Rui. Paulo julgou ter sido uma “traição” o que Rui fez, porque Paulo o considera um amigo e amigos embrulham os problemas contra a cidade, pelo jeito. “Fala comigo. Eu resolvo”. Este é o retrato de um governo e da comunicação dele na falta de resultados, ou principalmente de observações ou críticas que podem, como esta, justamente melhorar o sistema de governança, resultados comuns, a imagem do governo e a do próprio Paulo.
Paulo Norberto Koerich, PL, escolheu a equipe para produzir resultados no Samae e não para perder tempo, com amigos para abafar o que está errado ou exposto como um problema – natural da mudança ou da implantação, que precisa ser aperfeiçoado – pela cidade inteira. Um gerente sério do Samae, ao ver a publicação já teria tomado providências. Um assessoria competente do prefeito, já teria feito a roda girar para corrigir o errado e não tratado o assunto como fofoca e alimentando um cala-boca de Paulo ao amigo e em público.
Rui Carlos Deschamps, como cidadão, com a autoridade de quem conhece este assunto, apenas observou na sua rede social, olhando para a frente da sua casa e da rua que mora aqui no Centro, que o tal Saco Amarelo, caro e diferencial, para os recicláveis que não estava funcionando para a cidade e o governo. Não exatamente para ele E Paulo preferiu desprezar esta ajuda e constranger quem, no fundo, lhe ajudava. Meu Deus. O funcionário do Samae entrou em contato com o Rui. Resolveu o problema do Rui. Mas, andando pela sua rua, Rui percebeu que o Samae mostrou desprezo pela lição. Tudo continuava como antes: sem recolher. Muda, Gaspar!
21 comentários em “SEM ENTREGAS, SEM PLANOS, SEM EQUIPE E SEM LER ESTE ESPAÇO – O ÚNICO QUE LEVANTOU ESTA BOLA -, O GOVERNO PAULO E SEUS SATÉLITES, OBRIGADOS AOS APLAUSOS, DEPOIS DE 18 MESES – SEM OS TRÊS DE TRANSIÇÃO – ESTÃO COMPARANDO A DECEPÇÃO DO PRIMEIRO JOGO DA SELEÇÃO DE FUTEBOL COM O TROPEÇO CONTÍNUO DA FALTA DE RESULTADOS DA ATUAL GESTÃO GASPARENSE. O QUÊ? FINALMENTE, ESTÃO ASSUMINDO O DESASTRE?”
Pingback: GOVERNO COLOCA A CÂMARA NO "PAU DE ARARA". OU ELA APROVAVA, NA MARRA, SEM DEBATE E EXPLICAÇÕES MAIS UM PROJETO DE LEI PARA SUSTENTAR O HOSPITAL, OU PAULO NORBERTO KOERICH, PL, FECHARIA. DEVIA FAZÊ-LO. O QUE DEMONSTROU TUDO ISTO? FALTA DE PLA
Será que a atual gestão municipal, que já se aproxima da metade do mandato, conseguirá contornar as situações em que vem se envolvendo?
Recentemente, o vereador mais votado, Alexandre Gevaerd, apresentou a obra da Figueira em um vídeo como se fosse o responsável direto por sua realização, chegando a dizer que deixaria o prefeito fazer o anúncio oficial. Uma cena curiosa, já que a execução das obras é atribuição do Poder Executivo, enquanto aos vereadores cabe legislar e fiscalizar.
Em seguida, a líder do governo, Mara Schramm, lançou uma pesquisa para que a população indicasse prioridades. Até aí, nada demais. O que chamou a atenção foi o fato de que, além das demandas, a pesquisa também perguntava quem deveria executar as obras. A situação foi, no mínimo, hilária — sem trocadilho com o mais longevo dos vereadores. Afinal, a responsabilidade pela execução das políticas públicas não é uma questão de preferência popular, mas uma atribuição institucional.
Mais recentemente, o vereador Francisco Solano Borges, relator de um projeto, afirmou ter sido ameaçado. E, observando a sessão, a impressão foi a de um ambiente de forte pressão, quase um interrogatório. Em determinados momentos, a postura adotada por uma das participantes fez lembrar, em tom de ironia, um “Capitão Nascimento de saias”, como se o debate político exigisse menos argumentos e mais intimidação. Na democracia, divergências são naturais, mas respeito e serenidade devem prevalecer.
Enquanto isso, os problemas reais continuam à espera de soluções. O transporte coletivo segue sendo motivo de reclamações constantes, e a situação dos ônibus está longe do padrão que a população merece. Trabalhadores, estudantes e usuários do sistema convivem diariamente com as deficiências do serviço.
Talvez seja a hora de o governo municipal e sua base concentrarem menos energia na disputa por protagonismo e mais nos desafios concretos da cidade. Porque governar não é disputar quem anuncia a obra, perguntar quem o povo gostaria que a executasse ou transformar debates em interrogatórios. Governar é resolver problemas e entregar resultados.
Gaspar não precisa de mais personagens. Precisa de gestão
Excelente
Me pergunto por que tanta gente boa saiu do governo do delegado, e o amigo do cartel das empreiteiras, Pedro, continua intocável mesmo fritando seu parça. Tudo centralizado neste senhor tão bonzinho. Paulo não sabe ou é sócio. E a cidade ó…..
PERMANÊNCIA DE CIRO NOGUEIRA NO SENADO FICOU INSUSTENTÁVEL, editorial do jornal O Globo
São estarrecedoras as novas revelações da Polícia Federal (PF) sobre a relação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e artífice de fraudes multibilionárias, com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (PP). É inaceitável a promiscuidade de líderes graduados do Congresso com um corruptor contumaz. À medida que o inquérito sobre corrupção e lavagem de dinheiro se aprofunda, acumulam-se evidências contra Nogueira. Torna-se a cada dia mais insustentável sua permanência no Senado. O que se sabe até o momento já é suficiente para abertura de processo de cassação por quebra de decoro, independentemente de decisão da Procuradoria-Geral da República sobre denunciá-lo.
Mensagens revelam que Vorcaro pagou hospedagem a Nogueira e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no hotel cinco estrelas Four Seasons de Lisboa. Relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) corrobora, segundo a PF, “achados referentes às vantagens indevidas recebidas pelo senador”. Em maio, a PF já revelara mensagens segundo as quais Vorcaro pagava a Nogueira mesada de R$ 300 mil, depois reajustada para R$ 500 mil. De acordo com a investigação recente, o senador montou uma rede para ocultar os valores ilícitos.
Quanto a Motta, as evidências são menos eloquentes, mas não menos constrangedoras. Ele tratou a ida a Lisboa com naturalidade e declarou não ver problema nas diárias pagas. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, há no celular de Vorcaro pedido de Motta por liberação de empréstimo à empresa de uma cunhada — ele afirmou que a operação “está dentro da legalidade”. Suas explicações são insuficientes. O presidente da Câmara não pode receber nenhuma vantagem de alguém com interesses em projetos na Casa, muito menos de uma figura como Vorcaro. Motta deveria prestar esclarecimentos sobre suas interações com o banqueiro e seus intermediários, além de tornar públicas todas as hospedagens e caronas em jatinhos recebidas no exercício do mandato.
Sobre a relação entre Nogueira e Vorcaro, restam poucas dúvidas. Antes de ser liquidado pelo Banco Central (BC), o Master oferecia papéis com retorno muito acima do praticado no mercado, usando como chamariz a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a aplicações até R$ 250 mil. Em junho de 2024, Nogueira viajou para Lisboa por conta de Vorcaro. Dois meses depois, quando os apuros do banco eram conhecidos, apresentou proposta redigida pelo próprio Master aumentando a garantia do FGC para R$ 1 milhão.
Em janeiro de 2025, viajou para Courchevel, nos Alpes Franceses, onde foi fotografado aos abraços com Vorcaro. Em setembro daquele ano, em meio ao cerco do BC às fraudes e diante do veto à venda do Master ao Banco de Brasília, aliados de Nogueira na Câmara assinaram requerimento de urgência para projeto estipulando exoneração de diretores do BC pelo Congresso.
Enquanto defendia os interesses do Master no Congresso, Nogueira se deixou fotografar com Vorcaro, pegou carona em seus jatinhos e desfrutou o luxo propiciado por ele em Nova York, Lisboa, Paris e nos Alpes. Tamanha desfaçatez mostra como confiava na impunidade. Se os parlamentares permanecerem inertes ante tantas evidências, serão cúmplices de qualquer crime por que venha a ser condenado.
Caro Herculano
Talvez o problema seja esse: como eu não existo, talvez eu realmente não tenha capacidade de compreender o que aconteceu na sessão de ontem. Afinal, personagens imaginários não costumam entender muito bem o funcionamento do mundo real.
Mas, para quem existe e assistiu à sessão, a cena foi difícil de acreditar.
A vereadora Alyne afirmou, com todas as letras, que sequer presta atenção aos debates porque passa parte do tempo trocando mensagens com o prefeito. E, em seguida, transmitiu um recado que deixou muitos estarrecidos: se os vereadores não votassem o projeto da forma desejada pelo Executivo, sem maiores questionamentos, análises ou estudos, o prefeito fecharia o hospital.
É difícil acreditar que esse seja o nível do debate institucional em Gaspar.
A impressão é de que alguns vereadores passaram a ser tratados como presos em negociação de cadeia. Daquelas situações em que policiais oferecem uma cigarrilha, um privilégio ou alguma pequena vantagem em troca de colaboração e obediência. Na versão política apresentada ontem, a lógica parece ser a mesma: façam o que o prefeito manda, aprovem sem questionar e o hospital permanece aberto. Questionem, fiscalizem ou estudem o projeto, e a ameaça entra em cena.
Se a Câmara Municipal aceitar esse tipo de pressão e aprovar projetos apenas por medo, conveniência ou submissão aos gritos do prefeito-delegado, estará vivendo talvez o momento mais constrangedor de sua história recente. Um Parlamento que abre mão de fiscalizar, analisar e questionar deixa de representar a população para se tornar mera extensão do gabinete.
Mas há algo ainda mais grave.
O funcionamento de um hospital não pode ser utilizado como instrumento de pressão política. Milhares de famílias dependem daquela estrutura. Pacientes, idosos, crianças e trabalhadores não podem ser transformados em moeda de troca numa disputa de poder.
Hospital é política pública. Não é prêmio para quem obedece nem castigo para quem discorda. E cidadãos não são brinquedos nas mãos de quem confunde autoridade com intimidação.
Será que esta é a orientação da empresa especializada em comunicação e transparência de Belém do Pará, para obter o Selo Diamante? Credo
O jabá esmola dos poderosos aos esfomeados
Patéticos
Difícil saber o que é pior, o discurso da vereadora ou a realidade que se impõe os vereadores serão subservientes ao prefeito.
Vereadores omissos apequenados o que parecia ruim no mandato passado escancara hoje que ainda é possível caminhar para o pior.
Esperar o que de um governo que tem por líder na Câmara, uma servidora cujo o exemplo de vida e inspiração, alguém ejetado da vida pública pela porta dos fundos.
Então leitor, que não tenho, segundo os mandões da cidade, mas mesmo assim respondendo-lhe. A pergunta que se faz é: o que mudou? Quando não é a continuidade do que era ruim por aqui – em tudo e não só no Hospital -, empresta-se e se usa aqui como referência, o que Blumenau está dizendo e apurando no ambiente policial como sendo uma máfia bandida, e até, tardiamente, admitida por aqui como um cartel e não por mim, mas pelo próprio gestor da cidade numa entrevista dada a 89 FM. Credo!
E esta conta vai ultrapassar a R$100 milhões e não apenas os R$25 milhões que se quer passar de afogadilho na Câmara. Ainda escreverei sobre isto
Outra. Desde abril se sabia que o que se pede de afogadilho nesta semana na Câmara, fazendo a agenda em outro poder, que supostamente é independente e fiscalizador do Executivo.
Ou seja, desde abril quando o Conselho Municipal de Saúde, a contragosto de alguns aprovaram este modelo de suporte financeiro milionário da prefeitura parra a prefeitura, todos na prefeitura – prefeito, secretaria da Saúde, procuradoria geral, secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa (mais uma vez ela), Chefia de Gabinete e líder de governo (ou foi feita de boba?) sabiam que este assunto teria que passar pela Câmara.
Esta é a transparência e a comunicação do tal Selo Diamante que se paga para empresa “especializada” de Belém, do Pará, por quase R$100 mil? Qual a dificuldade de colocar tudo as claras para a cidade e os representantes do povo? Primeiro faltou habilidade, segundo faltou diálogo, agora acha-se que vai resolver na base chantagem e da porrada como ameaçou a líder de governo Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, na última sessão da Câmara comunicando o recado do prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, que segundo ela, acompanhava a sessão?
Trazer para a última hora um problema que deveria ser debatido, não só na Câmara, mas com a sociedade, é uma estratégia de quem não quer transparência e está ampliando ainda mais o problema ao invés de dar soluções. Por que o PL, o PP, o presidente da Câmara Ciro André Quintino, MDB, são contra o esclarecimento?
Os vereadores, que não estão intimidados – ou estão comprometidos com o Hospital aberto de forma sustentável e sob controle não apenas desde governo, mas dos vindouros – apenas querem ouvir, ou estão pedindo esclarecimentos via documentos e que não são respondidos? Aliás, hoje deveria vir a Câmara o próprio secretário de Saúde, o funcionário de carreira – que dizia não ter tido oportunidade em outros governos para mostrar o que sabia fazer e pelo jeito, agora se sabe – Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior. Mais, uma oportunidade para esclarecer tudo, fugir ou se enrolar.
O que mudou, mesmo, neste governo em comparação aos demais neste e outros temas cruciais para a cidade? Credo! Estranho mesmo é o silêncio da imprensa de Gaspar. Quando este escândalo chegar a imprensa de Blumenau, corre-se o risco de tudo dar errado por aqui e se tornar um problema sem solução. Muda, Gaspar!
Politico é politico, gestor é gestor, policial é policial.
Um país que nao aceita improvisar lateral na zaga….
mas, a cidade tolera improvisar delegado na função de prefeito.
precisa ser explicado.
Ou seja, grande chance de continuar perdendo de goleada….
Caro leitor, que não tenho, segundo os donos da cidade.
Concordo e discordo. O ponto de concordância está óbvio em Gaspar e Blumenau. Impressionante. E estão sendo pegos no contrapé exatamente onde não deveriam, que é a a´rea de conhecimento de ambos, a investigação de ondem vem com famas de policiais que eram. Precisou a água bater no nariz para reagirem. E em Gaspar, teimosamente, o bom velhinho, ain da está apostando no time de quem veio para cá e teve que sair daqui com a tornozeleira.
Onde eu discordo? Naquilo que fui testemunha. Trabalhei com gente que nunca foi a um banco de Administração de Empresas, como eu fui entre outras graduações, e deu show neste quesito aos acadêmicos e teóricos. Onde eu discordo? Na história empresarial de sucesso de Santa Catarina. Está cheio de vencedores, que nunca foram a um banco escolar especializado e deram aulas de empreendedorismo, transformação e inovação como poucos conquistando mercados, mentes e corações de brasileiros e de outros consumidores e fornecedores de além mar
Aqui falta o mínimo: objetivo, equipe para este objetivo, transparência com a comunidade – o consumidor – e resultados – o produto.
Dois patinhos na lagoa, BINGO
Discordo, em parte da alegoria. Não são patinhos com tanto tempo de polícia e fama. Podem ser patinhos no número dois que no desenho se assemelha a um pato na lagoa (sem pernas), e para por aí. Eles quiseram ser os donos da lagoa e disseram que sabiam nadar, mergulhar e respirar debaixo d’água.
Parecem dois pintos, que não sabiam que chuva molhava. Foram para a chuva, a penugem descobriu o corpo e se não se cuidarem, vão ficar doentes e na frente de todos, que agora, negam socorro. Credo!
CONDENAÇÃO DE EDUARDO BOLSONARO ELEVA ALERTA NO STF PARA RISCO DE AÇÃO DOS DOS EUA, por César Felício, no jornal Valor Econômico
A condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro por coação a justiça deve elevar o grau de alerta no Supremo Tribunal Federal (STF). Aumenta a possibilidade de uma ofensiva dos Estados Unidos contra integrantes do Judiciário, em especial contra o ministro Alexandre Moraes, que também foi relator do processo que condenou por golpismo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Integrantes da Corte creem que o princípio de extraterritorialidade está arraigado no Executivo e no Judiciário americano e não descartam a possibilidade de uma ação direta contra Moraes. No ano passado, na reta final do julgamento de Bolsonaro, o governo americano enquadrou o ministro e sua esposa, Viviane Barsi, no âmbito da Lei Magnitsky, concebida contra violadores de direitos humanos, que permite o bloqueio de ativos, independentemente da nacionalidade e da residência do titular. A pressão do governo do presidente Donald Trump não ficou por aí e envolveu também a cassação dos vistos de 8 dos 12 ministros do Supremo e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A crise paradoxalmente amainou depois da prisão de Bolsonaro. Em dezembro, Moraes e a mulher tiveram as sanções levantadas. Na mesma semana, o Congresso aprovou o projeto de lei da dosimetria, que pode levar a uma redução da pena de golpistas. A norma, contudo, está com a aplicação suspensa pelo Supremo desde maio, por decisão de Moraes, para a análise da constitucionalidade da medida.
Decisões de Moraes têm recebido contestação internacional. No início do mês, a Corte de Cassação da Itália, órgão máximo do Judiciário daquele país para matérias criminais, negou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli. Ela foi condenada pelo STF por violação do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para inserir um mandado de prisão falso contra Moraes. O ministro participou do julgamento que condenou Zambelli a dez anos em regime fechado. De acordo com os magistrados italianos, houve quebra de imparcialidade, já que Moraes foi vítima, relator e julgador.
No caso de Eduardo, Moraes faz parte da Primeira Turma que julgou o ex-parlamentar, também como relator. E foi alvo direto da ação considerada criminosa: Eduardo foi condenado por ter se mudado para os Estados Unidos para fazer lobby por sanções contra o ministro, tendo pedido a aplicação da Lei Magnitsky a funcionários do governo americano e parlamentares daquele país.
A decisão da justiça italiana indignou integrantes do Supremo, que consideraram desairoso a corte do país europeu questionar o entendimento do Tribunal brasileiro. Mas optaram por uma resposta comedida, já tendo em mente que será necessário elevar o tom quando a pressão vier dos Estados Unidos.
Nesse sentido, aponta-se que o Supremo deve ter papel proativo em defesa de Moraes. No ano passado, o entendimento foi de permanecer em posição de expectativa, abrindo caminho para negociações de bastidores do governo brasileiro que desarmaram as sanções de Trump. Desta vez, um dos caminhos estudados é o de envolver organismos multilaterais. O Brasil preside, por exemplo, a subcomissão de Direitos Fundamentais da Comissão de Veneza, órgão consultivo do Conselho Europeu para matérias constitucionais, além de integrar a Corte Interamericana de Direitos Humano.
AS ÁGUAS, REALMENTE SÃO NEGRAS
A entrada da conhecida de Estrada Geral das Águas Negras, na parte de quase dá na Rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira, em Gaspar, vai ser alargada, depois de décadas de suplicantes pedidos da comunidade. Para isso, a prefeitura de Gaspar está colocando a mão no bolso e desapropriando os imóveis (terrenos e casas) que a estreitavam a antiga passagem que virou uma artéria importante em Gaspar.
Boa.
O anúncio foi feita por Paulo Norberto Koerich, PL, mas dando a paternidade não exatamente para ele ou ao vereador da Figueira que é da base e anda fiscalizando o governo, a um pré-candidato, para aparecer e comemorar sozinho, que, vejam só, se vestiu com uma beca especial para comemorar tal feito e iniciativa nas redes sociais.
Era necessário este alargamento? Era. Mas, ele só aconteceu, porque aquela estrada se tornou uma passagem para um empreendimento imobiliário para riquinhos, a maioria dos investidores gente de fora, com altos investimentos e feitos no tempo do governo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos. Ao futuros moradores não ficava bem este estreitamento e o perigo. Já os normais de sempre, moradores por décadas naquela região, penaram por décadas com as suplicas de solução contra os perigos daquela passagem estreita.
Quando se vê vereador anunciando emendas parlamentares – dinheiro público, dos pesados impostos de todos os catarinenses – que vão para outros riquinhos empresários valorizarem seus empreendimentos imobiliários com estrada asfaltada que “casualmente” passaram na frente dos seus loteamentos, é assustador como o povo gasparense é feito de trouxa pelo candidatos aque dizem que se eleitos vão defender esse mesmo povo, mas no fundo, só chamados para contribuir com o dinheiro dos pesados impostos que tornam heróis seus eleitos, e quando eleitos e no mandato, só beneficiam gente grande, poderosa e seus negócios. Está, de verdade, é faltando Ministério Público. Muda, Gaspar!
Boa tarde.
O mesmo aconteceu com o asfaltamento VAPT-VUPT do acesso Ivo Silveira/hotel Fazzenda na época do Krebs
Lembro da homenagem da Câmara aos donos do empreendimento na legislatura passada, quando no discurso dos homenageados rolou o 0800 (diárias) para todos os vereadores e seus familiares! 🥂
Aqui, quem tem padrinho não morre pagão.
TCU MOSTRA PRECARIEDADE DA POLÍTICA FISCAL, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Enquanto no Brasil a política monetária acumulou progressos institucionais e consolidou boas práticas nas últimas décadas, o outro grande eixo da gestão da economia, a política fiscal, seguiu alternando avanços e retrocessos no período.
Não é por falta de regras que as contas públicas se encontram em estado deplorável. Temos, entre outras, a Lei de Responsabilidade Fiscal, as metas de saldo primário, a chamada regra de ouro da Constituição (que limita o uso das receitas financeiras) e o famigerado arcabouço instituído por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em substituição ao teto de gastos.
Esse emaranhado normativo não é inútil, mas se mostra incapaz de evitar que os ímpetos de governo e Congresso Nacional por mais despesas se transformem em mais déficit e dívida pública. O recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as contas federais de 2025 dá fartos exemplos de como os limites são driblados ou ignorados.
Superestimação de receitas para evitar bloqueios preventivos de verbas, uso de fundos para tocar programas fora do Orçamento e metas frouxas para o saldo das contas do Tesouro são velhos artifícios para torrar o dinheiro do contribuinte sem descumprir formalmente a legislação.
Governo e, principalmente, Congresso também ignoram com frequência as normas que determinam, para cada novo gasto ou benefício tributário, a obrigação de estimar o impacto orçamentário e apontar fontes de receita para cobri-lo. Nessa permissividade está a origem das chamadas pautas-bomba, especialmente encontradiças em anos eleitorais.
Embora tenha feito várias ressalvas às contas do ano passado, o TCU não recomendou sua rejeição pelo Legislativo. Essa seria uma medida extrema, antessala de um processo de impeachment do presidente da República. Não por acaso, até hoje a corte só reprovou as contas de 1936, sob Getúlio Vargas, e de 2014-15, da deposta Dilma Rousseff (PT).
A reação ao descalabro promovido por Dilma deu maior peso institucional ao tribunal, hoje mais atuante no controle da gestão orçamentária —porém ainda vulnerável a ingerências políticas, dado que 6 dos seus 9 ministros são escolhidos pelo Congresso e 1 é de livre indicação do Planalto.
Tentou-se incluir na Constituição um órgão técnico e autônomo de monitoramento e avaliação da política fiscal, proposta que foi rejeitada pelos parlamentares. Em vez disso, foi criada por resolução interna a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, que faz trabalho relevante mas tem alcance e recursos mais modestos.
O próprio TCU, aliás, atropela as regras quando é de seu interesse. Em recente portaria, o órgão concedeu a seus servidores em cargos de chefia e assessoramento uma nova gratificação capaz de permitir remunerações acima do teto do funcionalismo. Nem esse limite generoso e explícito, de R$ 46,4 mil mensais, é respeitado na gestão pública brasileira.
XANDÃO É O BRASIL, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Estará sempre disponível a crença em que a Corte constitucional italiana seria bolsonarista e teria rejeitado a extradição de Carla Zambelli como afronta político ideológica à Justiça brasileira. Num debate público em que ministro do Supremo foi consagrado nosso herói salvador, aquele a quem Vorcaro – no dia em que seria preso – perguntou sobre se conseguira bloquear algo, não faltam elementos mistificadores para compor essa fé. (E, se criticar, lembre-se: Bolsonaro volta – o golpe sempre à espreita.)
Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, tudo sendo ataque à democracia, tem-se o Alexandre de Moraes isento. Sob a imposição do 8 de janeiro permanente, a isto foi elevado Moraes, cujo escritório de advocacia da esposa tinha contrato de R$ 130 milhões com o Master, tornado a própria encarnação do estado democrático de direito: Xandão é o Brasil; donde será ataque ao País apontar que a condição do juiz, ao mesmo tempo vítima, suscitaria “dúvidas sobre a imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal que proferiu a condenação”.
Moraes não é somente vítima e juiz. É vítima, investigador, acusador e julgador. Às vezes, carcereiro. Os inquéritos xandônicos, infinitos e onipresentes, têm o objeto que ele quiser. Até o caso Master lhe chegou, como magistrado. Como amigo de uísque e de charuto, em Brasília ou Londres, Vorcaro lhe chegara havia tempo. (Em março de 2025, o banqueiro escreveu à noiva: “Acabou chegando hugo e ciro aqui para falarem com alexandre”.) Moraes não é somente vítima, investigador, acusador e julgador. É suspeito. E deveria ser investigado.
Lembre-se de Eduardo Tagliaferro, escolhido por Moraes para lhe compor a equipe no Tribunal Superior Eleitoral, e das denúncias que fez: o gabinete do ministro no STF encomendaria – informalmente – relatórios ao TSE que, disparados como de geração autônoma, substanciariam-esquentariam as medidas que já decidira tomar. Moraes, nem sempre vítima, não é somente investigador, acusador e julgador. É juiz sob suspeição; que deveria ser investigado. Investigado apenas o vazador Tagliaferro. Jamais o conteúdo vazado. Investigado o vazador, que nunca teve foro no STF, corrompido o princípio do juiz natural.
A questão não é Zambelli. É se Moraes poderia julgá-la, condenada por invasão do sistema do CNJ para emitir ordem falsa de prisão contra ele. A Corte de Cassação italiana não entrou no mérito do crime pelo qual a ex-deputada foi punida. Não a absolveu. Tratou do “aspecto objetivo” – o envolvimento do ministro no caso – em função do qual o estado de direito estaria em xeque, dado que a qualquer criminoso devem ser asseguradas as garantias processuais que o Direito Xandônico suprimiu.
A questão é a parcialidade de Moraes. É a subordinação do Supremo ao código de Moraes; a contaminação dos processos – do Supremo – pela prática de Moraes. Porque, virando a maré política cedo ou tarde, os vícios que reabilitaram os corruptos serão os mesmos que reabilitarão os golpistas.
O DILEMA DOS INDEPENDENTES, por Merval Pereira, no jornal O Globo
A não ser que a propaganda eleitoral no rádio e na televisão provoque uma mudança substancial na campanha à Presidência da República — capaz de desmontar a desejada, pelos próprios, disputa entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro —, o segundo turno será definido pela união dos candidatos de direita em torno deste último, ou pela capacidade de Lula de alcançar os eleitores centristas independentes. As duas hipóteses são duvidosas, pois Lula parece disposto a radicalizar na campanha, para marcar sua história política, e a união da direita ainda não é uma certeza.
O único candidato de direita que ousa criticar o filho de Bolsonaro é Renan Santos, do Missão, que vem surpreendendo pela atração dos eleitores jovens, mas não parece com fôlego para chegar ao segundo turno. Seus eleitores depois serão os de Flávio. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado é o único candidato da direita que tem condições de atrair os eleitores bolsonaristas num eventual segundo turno, por isso mesmo tem feito uma campanha apática, sem proporcionar aos que não querem nenhum dos dois uma expectativa de vitória.
Nenhum dos candidatos, na verdade, apresentou até agora um programa de governo que justifique a mobilização de eleitores. Todos parecem aguardar a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ou de outro preso qualquer, para se posicionar. Estudiosos do comportamento eleitoral dos evangélicos veem Flávio sem tração nesse setor importante do eleitorado, que alavancou a candidatura de seu pai e que rejeita, na maioria, o petismo. Mesmo assim, parte deles já acena a Lula, motivada pelas benfeitorias realizadas pelo governo neste último ano — cavando a crise financeira que o próximo governo receberá como “herança maldita”. No caso de Lula, é um “abismo cavado” com os próprios pés.
Os independentes fazem agora cálculos delicados para decidir em quem votar. Há os que não queiram dar um quarto mandato a Lula e podem votar em Flávio por isso. Há os que consideram melhor votar em Lula porque seria seu último mandato, e o PT não tem substituto para continuar governando. Ou até os que jogam com a possibilidade de o vice-presidente Geraldo Alckmim assumir o governo em caso de alguma crise.
O mesmo raciocínio vale para Flávio. Há os que preferem votar em Lula para impedir a volta do clã ao poder. Também há quem tema que, no governo, o pai Jair e o irmão Eduardo tenham papel relevante, escancarando que Flávio não é “o Bolsonaro que tomou vacina”, mas o único que sobrou para representar a família. A tentativa de golpe por que o patriarca foi condenado é talvez a maior razão para que os independentes abandonem Flávio. Além do mais, há o temor justificado de que ele levará ao Palácio do Planalto toda a confusão que implica ser o herdeiro de um bolsonarismo que vive de crises, especialmente as familiares —Eduardo e o pai subindo a rampa com ele.
Confusão que continua em vigor, pois a madrasta Michelle exige desculpas públicas dos enteados para entrar na campanha de Flávio. Além disso, as pesquisas mostram que, entre os bolsonaristas, a maioria acha que Michelle deveria ser a candidata, especialmente entre os evangélicos. A crise na campanha de Flávio é tamanha que, agora, a grande esperança é que surja algum fato novo afetando diretamente Lula — no caso, por meio do filho Lulinha — ou o PT — pela delação premiada de Vorcaro ou de seus parentes e amigos envolvidos nas fraudes. Essa esperança mostra como deverá ser baixo o nível da campanha, que será curta, pouco mais de dois meses depois do fim da Copa do Mundo. Até a camisa amarela da seleção de futebol é disputada pelos dois lados, como se não tivéssemos coisas mais importantes do que como Ancelotti escalará o time ou se Neymar terá condições de jogar.
ACORDO ESCANCARA O FIASCO DA GUERRA DE TRUMP, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Uma semana depois de começar a guerra contra o Irã, Donald Trump escreveu que não haveria acordo com o inimigo, apenas “rendição incondicional”. O Irã não se rendeu.
O regime obscurantista dos aiatolás está, isso sim, à beira de impor condições aos Estados Unidos —ao menos, termos de negociação no acordo que, segundo se anunciou, será oficializado na sexta-feira (19). O documento deve estender um cessar-fogo por 60 dias e estabelecer as cláusulas da trégua e as diretrizes das tratativas nos próximos dois meses.
A perspectiva de fim do conflito continua incerta, danos econômicos serão por enquanto apenas atenuados e o prestígio político-eleitoral do presidente americano e do seu Partido Republicano fica avariado. O resultado parcial do embate ilustra mais uma vez as dificuldades das chamadas guerras assimétricas.
Não há clareza a respeito dos termos dos entendimentos entre americanos e iranianos, que ainda dão declarações contraditórias a esse respeito.
O estreito de Hormuz seria, em tese, reaberto, dado que o Irã deixaria de ameaçar navios que ali querem transitar; no entanto, a teocracia afirma que ainda teria algum controle de tráfego, talvez cobrando pela passagem.
Os EUA acabariam com o bloqueio das embarcações nos portos iranianos. O Irã reafirmaria um compromisso, duvidoso, de não tentar obter ou desenvolver armas nucleares. Em compensação, sanções americanas seriam paulatinamente suspensas.
Trump dizia que o objetivo da guerra seria eliminar o programa nuclear e derrubar o regime persa. Não se pode dizer que esteja perto de conseguir seus objetivos. Há certeza apenas sobre morticínio e desordem global.
Ainda que o cessar-fogo perdure, problemas econômicos devem persistir. A reabertura de Hormuz será lenta. Depende da organização do tráfego de mais de 500 navios ainda retidos, da retirada das minas e da confiança de que não haverá bombardeios. Instalações produtivas dos países do Golfo foram danificadas. Empresas relutarão em reenviar embarcações para a zona de conflito.
Uma alta da inflação mundial está contratada. Preços de petróleo, derivados e outros insumos transportados pela região ficarão elevados por ainda algum tempo.
A tensão regional permanece. Ganha agora ingrediente novo, os atritos entre Trump e Israel. Os países do Golfo promoviam reformas e investimentos a fim de se afirmarem como centros de comércio, transporte e turismo. A situação geopolítica incerta dificulta tais planos e cria dúvidas a respeito de alianças regionais e com os EUA.
No Irã, a linha-dura da ditadura teocrático-militar ganhou mais força. Com alguma retomada econômica, deve se rearmar. Há dúvidas sobre o destino da trégua e do material nuclear do Irã. Por ora, o mais certo é que Trump prejudicou as relações globais e a eficiência dos mercados —e fez do mundo um lugar mais perigoso.