Segundo o escritor, filósofo e jornalista russo Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821/61), “a tolerância chegará a tal nível que as pessoas inteligentes serão proibidas de pensar para não ofender os idiotas“.
- O caso do Hospital de Gaspar chegou ao ponto em que estamos – e parece querer continuar com os mesmos defeitos – para não contestar os abnegados, mas desqualificados para resultados; às ausências do Tribunal de Contas, do Ministério Público, da Câmara de Vereadores, das entidades e da sociedade organizada local por décadas, bem como na falta de vergonha na cara suprapartidariamente dos políticos e gestores públicos.
- O caso do Hospital de Gaspar – que já é um caso real de polícia – promete se perpetuar em socorro – porque simplesmente não há e se nega à clareza à sociedade – à verdadeira beneficiária dele se ele estiver funcionando, a sociedade. É ela a prejudicada se ele continuar doente, mesmo diante daquilo que está sendo feito para extirpar um câncer terminal em metástase, aparentemente incontrolável.
- A “virada” do Hospital de Gaspar só acontecerá com ampla transparência, expondo e punindo os que levaram – por década a fio – o Hospital à bancarrota aos propósitos dele como um hospital: o acolhimento, a cura e de salvar vidas e não ser apenas um antro de negócios mal geridos, desconhecidos, ou até, como se aparenta e se apura, protegendo os malfeitores da exposição dos seus malfeitos.
- A “chegada” do Hospital Santo Antônio, de Blumenau, para Gaspar como gestor qualificado é bem-vinda, por ser ele uma referência daquilo que é, mas principalmente no exemplo de como deu a volta por cima. Mas, nem ele – com seus mecanismos de proteção que criou para não cair novamente na velha armadilha da qual se livrou – está certo disso. Até agora, não há dada oficial publicado em documentação dos conselhos superiores de controle e gestão dele – mecanismos legais que rejeitam as politicagens dos políticos de plantão. Ainda, não há nada público autorizando-o assumir o Hospital em Gaspar. Zero de clareza. Era para ser primeiro de janeiro. Foi para primeiro de abril, passou para maio, junho e agora, está prometido para primeiro julho. Então…
- A vinda do Hospital Santo Antônio para Gaspar não só estanca uma doença grave e silenciosa que o corrompe por aqui há décadas, mas dá a esperança social à cidade e mais do que isso, equilibra o sistema hospitalar de Blumenau. Mal funcionando ou fechado por aqui – somado ao que vai mal nos postinhos -, pressiona o de lá.
- No vídeo abaixo, Paulo Norberto Koerich, PL, demonstra irritação quando lhe pediram para esclarecer a transição pelo dono e apresentar jornalístico da Rádio 89 FM, Joel Reinert. Esta irritação em algo tratado em segredo e entre poucos é recorrente. E preocupante, quando a resposta é tão semelhante, para não dizer igual, a que sempre dava a Gaspar, Pedro Celso Zuchi, PT e Kleber Edson Wan Dall, MDB, quando se pedia os mesmos esclarecimentos óbvios e semelhantes.
- E os resultados dessas respostas para as perguntas ou comentários que as autoridades de então julgavam incômodos, todos em Gaspar sabem, inclusive o próprio Paulo. Ele as usou como mote de sua campanha amplamente vitoriosa daquilo que dizia não devia fazer e não faria. Daí, a insistência dos gasparenses por algo realmente novo: mudanças com atualizada transparência para se ter um Hospital por aqui tão igual ao que ainda é o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
- E para ser igual, precisa constituir uma Fundação Hospitalar com Conselhos superiores de gestão e controles superiores, de preferência sem os mesmos que deixaram por décadas por amizade, falta de conhecimento e irresponsabilidade, o caos se instalar tão dramaticamente por aqui em algo tão essencial para a comunidade, principalmente, a mais vulnerável.
Retomando pela primeira vez. Longe de lançar embaraços e faço questão, mais uma vez, de ressaltar isto, até porque lidei com esta entranha do Hospital de Gaspar pedinte e em perpétuo socorro por mais de 20 anos entre as décadas de 1980 a 2000. Então, eu sei, mais que outros, de há uma resistência latente e de poder – o da desgraça, certamente – sobre este assunto quase proibido entre os poderosos da cidade e políticos oportunista que vivem levando vantagens na desgraça sobre seus controles de interesses. E quem me conhece, sabe que sempre fui uma voz – quase sempre isolada – desde a década de 1980 pela urgência em se sair desta sinuca de bico, a favor da cidade, do cidadão, cidadã e da própria gestão política.
É a cidade – e não os “travestidos” de donos dela, tanto no passado como no presente – que precisam de um Hospital referência, atualizado, funcionando, sustentável técnica e financeiramente para o presente e o pincipalmente o futuro. E quem espera esta mudança de postura de seus líderes do presente? Os cidadãos e cidadãs, os mais vulneráveis num universo de quase 80 mil almas, segundo projeta o IBGE, que habitam Gaspar.
Não há nada mais desesperador para quem se acidenta, ou adoece repentina, ou progressivamente, do que a incerteza do atendimento; do diagnóstico minimamente assertivo e feito antes de qualquer agravamento por incúria ou imprecisão técnica; da intervenção e tratamentos adequados que resultem na esperança de se sair com vida e curado de um Hospital.
Hoje, desgraçadamente, o Hospital de Gaspar falha no básico do básico: o acolhimento. Imagina-se nos outros itens. E isto não é exagero ou propaganda da desgraça. Os relatos são públicos. São recentes, tanto na Câmara – e não por supostos oposicionistas -, nas redes sociais, até na imprensa que vive sob ameaça de processos quando tenta relatar casos repetidos e graves – ou escondidos nos aplicativos de mensagens que giram a cidade.
Sem alternativas imediatas e para os casos de hoje, corriqueiros inclusive na baixa complexidade, estes acidentados e doentes não encontram respostas de assistência mínima de saúde e recuperação no Hospital de Gaspar. Impressionante!
E o secretário de Saúde, Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior, que já foi um entre mais de uma dezena dos nomeados nos oito anos de Kleber Edson Wan Dall, MDB, agora no Podemos, poupado. Parece que o Hospital, para onde vai a maior parte dos recursos do Fundo Municipal de Saúde em algo sem transparência e que não funciona para o objetivo que existe, está também por isso, comprometendo o funcionamento dos postinhos. O Hospital de Gaspar ser uma coisa apartada. Ele agrava e espalha problemas.
O NÓ GÓRDIO

Onde está o nó górdio? Exatamente com políticos e gestores públicos o quais vivem a prometer soluções dia sim e outro também. E por quê? Eles teimam e repetem os mesmos métodos que levaram o Hospital à falência de imagem, administrativa e fundamentalmente de resolutividade: a falta de transparência, a falta de prestação de contas e exposição de suas fraquezas para a comunidade. E mesmo assim, juram estar “construindo” uma solução para tudo isso. Estão, mais uma vez e como antes, à espera de milagres. E esses milagres não chegam, porque dependem de trabalho duro, de decisões arriscadas eleitoralmente e difíceis de produzirem resultados à curto prazo.
É uma equação que não fecha porque tenta combinar política com o obrigatório pragmatismo. Mesmo assim, apostam que tudo dará certo e se sairão como heróis fantasiados E se der errado? Vão, mais uma vez, transferir as culpas. E para quem mais uma vez? Pois eles, como se viu até agora, nunca estiveram ou estarão estão manchados dessa culpa. Estamos vivendo uma fase do anúncio do espetáculo. Êxtase. É pré-campanha. Chegará o dia de apresentá-lo ao distinto público para ser avaliado. E terrivelmente, coincidirá com a campanha e a transformação em votos.
Retomando pela segunda vez.
Estranhamente, se falhar esse heroísmo de alto risco, a culpa será transferida para o governo do afamado do policial investigador de mais de 30 anos de serviços – que fazia questão de esclarecer tudo nos seus inquéritos de então – e que chegou até ser secretário de Segurança de Santa Catarina.
Paulo Norberto Koerich, PL, parece querer repetir a mesma fórmula do desastre dos governos de Pedro Celso Zuchi, PT (2009/16), e Kleber (2017/24) e que agora no Podemos estará do mesmo lado político de Paulo na corrida eleitoral de outubro, sob a batuta do deputado Federal Ismael dos Santos, de Blumenau, que foi para o PL de Jorginho Melo. Tudo misturado como era antes.
Retomando pela terceira vez. Esta “fórmula”, com heróis, úteis, mágicos e irresponsáveis, levou o Hospital de Gaspar – e não foi da noite para o dia ou criado em um governo específico – a um mar de dívidas perante a entidade em si e dúvidas com a população. O improviso ingênuo e intencional levam aos oportunismos dos espertos. Este descontrole – ou a necessidade de deixar minimamente funcionando – gera gastos incontroláveis, empreguismos, fragilidades jurídicas, irresponsabilidades sucessivas pelos maus exemplos, dúvidas constantes, dívidas escondidas, pagamentos indevidos e imagem desastrosa interna e externamente como resultado disso tudo. Somadas, colocaram reiteradamente o Hospital de Gaspar nas manchetes como ineficiente para sua finalidade: acolher, curar e salvar vidas.
Então, estava escrito, há muitos anos e sempre lembrei disso aqui: o Hospital de Gaspar, agora, tornou-se, por esta conivência do passado e principalmente pela falta de transparência, controles claros e públicos para a própria comunidade – pois o dinheiro é dos pesados impostos do povo -, incluindo a imprensa – e não adianta só culpar os políticos e gestores -, num caso de polícia. Exagero? Semeio inverdade e caos porque esclareço? Ou não foi isso que bem mostraram as manchetes da semana passada quando uma força tarefa da Gaeco – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – do Ministério Público Estadual apareceu por aqui e mesmo assim, pouco se sabe o que foi feito?
Nada do que se faz para sair deste nó górdio, é revelado. Ou é esclarecido. Coisa repetida. Esta foi até agora a fórmula – à espera de mágicos – que nos trouxe até aqui aos dias de desastres completos ao Hospital de Gaspar. Ah, mas agora há o Hospital Santo Antônio como aval para desatar este nó. E é aí que se torna mais preocupante tudo isso. O centenário Hospital de lá também teve uma história de superação tão delicada quanto se apresenta hoje o Hospital de Gaspar.
A sociedade de Blumenau, cansada de botar dinheiro, de não ter prestação de contas auditadas e principalmente não ter uma contrapartida para a cidade, decidida e unida, foi ao basta de forma clara e profissional. Transformou e reergueu o Hospital Santo Antônio com severas, repito, severas, travas de controles. Afastou os políticos da gestão e principalmente das decisões técnicas do Hospital. E foram estes mecanismos – as tais travas de controles – fundamentais para o Santo Antônio se tornar e ser a referência nacional que ele é hoje. O Santo Antônio não só se recuperou financeira e tecnicamente como está atualizado, desenvolvendo-se, ampliando e mais do que isso, é confiável e querido pela sua própria população de lá e daqui.
Então, qual a razão pela qual o Hospital Santo Antônio não estar fazendo a parte dele – determinada por seus estatutos – no esclarecimento, não exatamente dos gasparenses, mas principalmente dos blumenauenses a quem prioritariamente ele serve. É aos blumenauenses que reergueram o Santo Antônio que ele deve explicações sobre a participação dele no Hospital de Gaspar. Aqui, sabe-se da nefasta prática de se esconder tudo nesta área. Ou os políticos conservadores de lá, à cata de votos fáceis e verbas públicas manobradas por políticos no poder de plantão, estão novamente, contaminando um Hospital de lá que deu à volta por cima, sacudiu a poeira e se tornou referência nacional? Ai, ai, ai.
OS SEGREDOS? OU SE ESTÁ AGRAVANDO E EMPURANDO UM PROBLEMA COM A BARRIGA?

Este artigo só é escrito desta forma porque há falta transparência em todo atual processo para tirar o Hospital de Gaspar do buraco em que está metido há décadas pelos políticos e donos da cidade seja o grupo político no poder de plantão. E o que se diz é que há novos salvadores e milagreiros. Então, vamos esquecer e não malhar em ferro frio naquilo que todos já sabem sobre a atuação danosa – mesmo que todos jurem decorrentes da boa-fé ou das limitações de todos os tipos – ao Hospital nos governo de Zuchi e Kleber. Vamos ao atual governo que parece ser tão igual aos demais no que tange à transparência, a mãe de todos os problemas até aqui.
Paulo Norberto Koerich, PL, está 17 meses no governo, ou seja, quase um terço do seu mandato. Não há uma vírgula, em qualquer lugar de prestação de contas públicas do Hospital de Gaspar. Tente o zumbi chamado Portal da Transparência e que tem até um diretor de informática comissionado que vivia na campanha expondo tudo nas redes, Demetrius Domingos Wolff da Silva, PL. Aliás, quando Zuchi fez a “intervenção”, a publicação da prestação de contas era uma exigência mensal do Ministério Público para a “intervenção marota” que ele produziu. Tornou-se letra morta até hoje.
Em setembro do ano passado, com a presença do governador Jorginho Melo, PL, e do prefeito de Blumenau, o também delegado Egídio Maciel Ferrari, PL, um comício na Sociedade Alvorada, anunciou o repasse de R$20 milhões para a “desapropriação” do Hospital de Gaspar. A prefeitura que colocaria mais outros R$7,5 milhões. Havia uma maciça participação de lideranças gasparenses.
Ok. Mas o que é, em tese genérica uma desapropriação? É a transferência compulsória da propriedade privada para o Poder Público (União, Estados, Municípios), fundamentada na necessidade pública, utilidade pública ou interesse social. O Estado toma o bem para obras ou fins coletivos, garantindo ao proprietário indenização prévia e justa em dinheiro.
Pergunta básica: o que foi exatamente desapropriado? Quem recebeu os tais R$27,5 milhões desta desapropriação. Que arranjo jurídico foi feito para dar legalidade a tudo isto? Qual a segurança jurídica e consequências reais deste ou destes atos subsequentes? Qual é a dívida de fato apurada, contabilizada e registrada do Hospital para ser liquidada, negociada e negada? Quem vai pagá-la e em quanto tempo? O que foi pago, se pago? Como foi pago e para quem?Cadê a lista de credores para os gasparenses conferirem? E os inúmeros processos contra o Hospital? Quanto importam? Quem assume eles? E isto é o que chamam de transparência? Credo? E tudo com dinheiro dos pesados impostos de todos os catarinenses e gasparenses? E quem pede estes mínimos esclarecimentos é inimigo dos poderosos de plantão e deve ser calado? Impressionante.
O Hospital Santo Antônio vai assumir, como revelei, o de Gaspar em novo CNPJ feito há meses, endereço diferente até o momento da própria sede do Hospital, mas aonde fica exatamente as delimitação de responsabilidade sucessórias e solidárias com o passado mal explicado e por vezes, segundo alguns, desconhecido?
São questões simples e óbvias que não podem ser levadas com a barriga mais uma vez no presente para levar para se criar mais prejuízos, embaraços, dúvidas, culpados e um fardo ainda mais pesado para se resolver no futuro. Foi assim que se fez no passado. Lição desse passado, parece, ser zero no presente. É por causa dessa prática é que cada governo, ao seu modo silencioso achando que se tornaria herói, escondeu da população o que fazia, permitiu vantagens para poucos à custa da desgraça de doentes. Cada governo do passado quis se livrar do pepino sem compartilhar suas ideias, ações e resultados. Por isso, o Hospital de Gaspar foi acumulando problemas e ficou sem futuro. Um dia a corda não suportaria. E não suportou.
Por que a prefeitura de Gaspar não presta conta ao distinto público para quem governa de que o Hospital Santo Antônio só se ensaia para ser um gestor, como outras tantas empresas que passaram por aqui no Hospital? Por que a prefeitura de Gaspar e Paulo Norberto Koerich, PL, não colocam os números em cima da mesa, antes que seja pego neste twist carpado e tenha mais desgastes? É que prefeitura de Gaspar vai continuar repassando por mês, no mínimo, R$3,5 milhões ao Hospital, mais uma outra cifra milionária na compra de serviços (Pronto Atendimento) e o governo do estado, outros R$1 milhão mensalmente. Só aí, a conta ultrapassa o que se diz gastar hoje com Hospital de Gaspar.

Quando numa empresa privada há uma mudança de relacionamento com seus credores, fornecedores e gestão, ela apresenta aos seus sócios – ou acionistas – o plano de saneamento e investimentos. Mas, obrigatoriamente, ele vem acompanhado de justificativas e de como isso vai reerguer, ou fazer funcionar melhor, a empresa e torná-la assim, melhor e competitiva no mercado. O que se está fazendo com o Hospital de Gaspar parece ser a mesma receita que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, está fazendo com os Correios: mais dinheiro, para supostamente melhorá-lo, mas na realidade, tudo está piorando e comendo mais dinheiro bom dos pagadores de pesados impostos. A solução, no caso dos Correios, ficará, mais uma vez, para o próximo governo.
Ah, é exagero? Então, exagero, desinformação e especulação se combatem com transparência e comunicação. Paulo Norberto Koerich, PL, seus bruxos, e perigosamente o saneado e referência Hospital Santo Antônio, de Blumenau, por enquanto, não estão fazendo de forma clara e convincente aqui e até, estranhamente, com os próprios blumenauenses. No segundo último comício que se assinou os papelinhos na Sociedade Alvorada, faltou povo. Sobrou políticos de todos os cantos do estado. E em ano de eleições, isto pode ser um mau indicador.
Encerrando o textão da volta de um feriadão. Ah, não é bem assim? Então, qual a razão para não esclarecer a população, torná-la cúmplice e parceira do problema e da solução que tanto se quer e é urgente? De tanto criar heróis políticos, o Hospital de Gaspar virou um doente quase sem cura. E parece que a doença teima em não regredir. Falta um simples remédio chamado de transparência. A luz do sol é o melhor desinfetante para essa gente medrosa, teimosa, autossuficiente e cara de pau. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
O barro solto I. Na semana passada, a Câmara de Gaspar deu mais uma amostra de que como ela funciona. Parte da “lama de asfalto” da estrada geral do bairro Lagoa foi para o saco com a passagem de caminhões carregados de barro sem sobrepeso por lá. O suposto asfaltamento da via deveria suportar este tipo de veículo e peso. Até um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – foi assinado entre a empresa e a prefeitura, para a recuperação da base, que na época não foi feita pela prefeitura (empreiteira) para a prefeitura colocar asfalto nas áreas recuperadas por falta de base, drenagem e imprimação. A empresa jura e documentou de que fez o que tratou no TAC.
O barro solto II. O povo de lá, movido por suas lideranças – que sabem o que foi feito e alguns até estão na mira do Gaeco exatamente por coisas mal explicadas nas roçadas – está inconformado. Antes se tinha “lama de asfalto” esburacada e remendada várias vezes ao longo dos anos. É a enganação dos políticos do passado para palanques e votos fáceis a cada eleições. Um exame de bancada em laboratório de engenharia, não deixaria dúvidas de quem é a culpa. Hoje, há mais poeira e lama decorrente da recuperação da base. Falta o asfalto. Na Câmara, sessão sim e outra também, o assunto volta. E cada vez com mais contundência, mesmo sabendo que é a prefeitura quem está em dívida com a parte dela no TAC: o asfalto.
O barro solto III. O mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, que se tornou circunstancialmente governo e que não tem nada a ver na região, reagiu quando viu na sua região e atendendo parte do seu eleitorado, um caminhão do Samae atolado num terreno particular. Foi semanas atrás e num terreno particular no outro lado da cidade, o Óleo Grande, botando barro fora. Melato entrou com os dois pés nesta parada da Lagoa e que classificou desastrosa e exigindo ação governamental. Igualmente, o então da base do governo, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, da Figueira.
O barro solto IV. José Hilário Melato, PP, está defendendo os donos da cidade na área de terraplanagens e loteamentos. Eles estão sem jazidas de barro legalizadas para explorar, pois confiavam nos jeitinhos da secretaria de Planejamento Territorial, Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e a Defesa Civil e isso ficou mais difícil. A da Lagoa está legalizada. Então, a ação é para impedir a exploração por outros meios e arrumar mais espaços no governo. Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, está entisicando o governo de quem está em litígio por ser o braço direito do escanteado vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, morador da Lagoa e que politicamente não combina com o dono da jazida de barro. Resumindo: politicagens e negócios ao tempo antigo. Solução para a cidade, cidadãos e cidadãs, zero.
Ensaio I. O líder do PL na Câmara deu a dica e está exagerando. Carlos Eduardo Schmidt, Sobrinho, PL, disse que em breve vai aportar no Legislativo de Gaspar a tão anunciada Reforma Administrativa do governo de Paulo Noberto Koerich, PL. De tão demorada, ela está velha e ultrapassada. Estamos caminhando para o fim do segundo ano de governo. Kleber Edson Wan Dall, MDB, agora no Podemos, por exemplo, fez isso no primeiro ano dos seus oito anos de mandato. Ele tinha naqueles dias uma Câmara hostil. Paulo já não tem mais com a composição com o PP e MDB.
Ensaio II. Qual foi a alegação de Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL? De que a atual estrutura administrativa foi feita para uma cidade de 30/35 mil habitantes e hoje ela beira 80/90 e rumando para 100 mil habitantes. Falso. Quando se aprovou em 2017, a cidade tinha 67,4 mil habitantes. Hoje, há pouco mais dez mil a mais segundo o IBGE: 78,3 mil habitantes. Com inteligência artificial essa gente nova, usa e imita os truques dos discursos dos velhos políticos, inventando números para justificar o injustificável, e aumentar gastos sem trazer resultados para a sociedade que representam. Credo!
Perguntar não ofende: o que é feito dos vereadores que duvidaram da lisura da licitação e montagem relâmpago da decoração de Páscoa de Gaspar, que durou uma semana na Páscoa e mais de 20 dias depois da data? Não era algo igual ao aluguel do transformador para a Arena Multiuso para o festão que faz caixa para gente rica? A cidade está aguardando. Inclusive as explicações de que tudo estava certo.
A Fundação Municipal de Esporte e Lazer – FMEL – de Gaspar já teve melhor planejamento no passado. Alegando falta de caixa e colocando a culpa na burocracia, o titular dela, Haroldo Roberto Medeiros, o boleiro Suca e que nunca viu isto acontecer naqueles bons tempos em que era recompensado pelas vitórias, não conseguiu sequer disponibilizar simples medalhas e troféus para os vencedores de uma etapa do “Moleque Bom de Bola”. E ainda se apresenta como um orquestrador do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Pode-se, então, a partir disso, compreender-se muito coisa dos fios desencapados da atual adminiastração.
Está uma confusão só, este mau uso do “saco amarelo” para a coleta seletiva em Gaspar e feira para os outros – o CIMVI – ganharem dinheiro com o que é mal feito aqui, como tenta apurar o Ministério Público. Vejam só: gestores e políticos estão culpando o povo por algo que não ficou claro para a cidade. Faltou, mais uma vez, experimentação, conscientização, educação e massiva comunicação para algo novo com finalidade nova. Simples assim. Só pensam em punir, inclusive os que vivem da cata de lixo reciclável.
Perdeu o troféu. O vereador Ciro André Quintino, MDB, que por anos e meses afio foi o campeão de diárias na Câmara de Gaspar, não é mais. Até agora somou neste ano R$6.175,00. Quem acirradamente lidera numa disputa é a líder de governo Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, com R$7.470,00, seguida de Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP, com R$7.020,00 e Elisete Amorim Antunes, PL, com R$6.810,00. Todas da base do governo de Paulo Norberto Koerich, PL.
Patéticos os raros pronunciamentos na sessão de terça-feira passada dos vereadores da base do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, sobre a visita do Gaeco ao Hospital de Gaspar e outros endereços da região e outros estados. Parecem que até tem culpa no cartório ou não queriam melindrar os do governo passado que estão implicadíssimos neste assunto. Era a hora de lavar a alma e pedir uma virada de chave, mas…
E foi Dionísio Luiz Bertoldi, PT, quem lavou a égua. E deu mérito de parte disso ao falecido Amauri Bornhausen, PDT, que era da base do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, agora Podemos, e que por isso, sofreu como pouco na pele pela coragem que teve de colocar parte da fiscalização do seu gabinete neste assunto. A função do vereador não é buscar verbas. É legislar e fiscalizar. Não apenas os adversários. E Amauri foi ético nisto. Pena que não inspira com o que fez no exemplo que deu.
Então há candidato a qualquer coisa em outubro em Gaspar que não está mais dormindo e no meio da madrugada, desesperado está pedindo conselhos espirituais a Deus lendo a bíblia? Hum.
Nas listinhas de ajuda dos governos para Gaspar aparecem muita coisa de deputados estaduais, federais e até do governador Jorginho Melo, PL. A dos petistas é mais gorda tanto nas listinhas bem como na listonas: a começar pela ponte do Vale – que Gaspar não pagou quase nada e hoje sairia por mais de R$100 milhões -, passa pelo IFSC, Policlínica…
Quando Jair Bolsonaro, PL, foi presidente da República, por exemplo, por causa de uma briguinha particular com o governador Carlos Moisés da Silva, eleito no PSL de Jair, depois distanciado no Republicanos e hoje sem partido, os catarinenses precisaram colocar a mão no bolso de mais de R$465 milhões para as obras rodoviárias federais não pararem, entre elas a duplicação da nossa BR-470. Picuinha. Vingancinha. E contra os catarinenses.
Os bolsonaristas, acham a conservadora de direita, a deputada estadual por Itajaí, Ana Caroline Campagnolo, PL, um problema. Errado. O problema é o bolsonarismo que resolveu alugar o eleitorado de Santa Catarina. Cada entrevista e discurso dela é um exemplo de coerência, raro nos políticos, mas próprios dos que constroem discutindo ideias e prioridades. Primeiro, Ana é uma pessoa que pensa e isso é um perigo na política. Segundo, ela lidera e forma base; e isso poucos fazem por preguiça e preferem esperteza da fruição das ondas. Terceiro, Ana possui coragem e esta decisão é muito difícil, mesmo sabendo usar como poucos as redes sociais que é o caso dela. Quarto, Ana não grita; ela expõe, convence e não está isolada como queriam alguns bolsonaristas.
E quando Ana Caroline Campagnolo, PL, diz que não votou no carioca Jorge Seif Júnior, PL, para senador em 2020 porque ele não representa Santa Catarina, mas apenas o bolsonarismo de Jair, Ana não apenas cria distâncias, mas expõe feridas da dialética intrapartidárias que no jogo bolsonarista é tratado sempre uni e injustamente como traição. Se Jorge Seif Júnior é tão identificado com Santa Catarina e teve quatro ano para mostrar isso no Senado, por que o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro está grudado da deputada Federal de Chapecó, Coroline de Toni, PL, fazer dobradinha, identificar-se e confundir o eleitorado catarinense? Sintomático! E é a partir daí todos ficam sem respostas e o senador Esperidião Amim Helou Filho, PP, ressurge das cinzas como o segundo voto dos catarinenses.
Agora, o mesmo bolsonarismo além de estar alugando eleitorado catarinense para eleger Senador, o ex-vereador carioca de vários mandatos, sem identificação e currículo de resultados por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, ensaia outra diminuição de representação política contra Santa Catarina. Organiza-se para eleger a deputado Federal, Jair Renan Bolsonaro, PL, um inexpressivo vereador que alugou o eleitorado Balneário Camboriú.
O bolsonarismo, Carlos e Jair Renan Bolsonaro estão putos quando se toca e se tenta discutir este assunto entre os catarinenses, ligado exclusivamente à nossa autonomia representativa. Aliás, ela está sub representada na Câmara Federal. Temos direito a 20 vagas. Estamos com 16. O Rio de Janeiro dos bolsonaros tem direito apenas 42, está com 46. E o bolsonarismo se omitiu neste arranjo contra Santa Catarina, contra os catarinenses e contra a Constituição Federal. E agora, estão ocupando vagas com gente sem identidade com o estado, para enfraquecê-lo ainda mais na representatividade. Credo!
7 comentários em “SESSÃO BRANCA II. O QUE O ATUAL GOVERNO ESCONDE DA POPULAÇÃO SOBRE A FRÁGIL SAÚDE DO HOSPITAL DE GASPAR E O TRATAMENTO ARMA PARA CURAR ESTE CÂNCER QUE É GUARDADO COMO SEGREDO? O “MILAGRE” DO PASSADO AINDA SE SABE POUCO, MAS FOI PARAR NAS MANCHETES DAS PÁGINAS POLICIAIS COMO SE VIU NA TERÇA-FEIRA”
Para os prefeitos de Gaspar e do Vale do itajaí, incluindo os de Blumenau, bem como o ex-vestido de candidato fiador da Defesa Civil precisam ler este editorial e refletirem. O “El niño” está se aprontando pior do que os anteriores. Sabe-se o que ele é capaz. Não se sabe onde, exatamente, serão os estragos. Mas, o Vale do Itajaí está no radar de destruição dele se não houver a adequada preparação, mesmo que ele passe longe daqui para sacrificar outros. Nota-se, por motivos óbvios, uma diferença entre o discurso e as efetivas ações dos políticos. Parece ser mais vantajoso a desgraça
OMISSÃO CRÔNICA EM PREVENÇÃO ELEVA O CUSTO DAS TRAGÉDIAS DEPOIS DAS CHUVAS, editorial do jornal O Globo
O Brasil tem repetido erros ao lidar com tragédias causadas por desastres naturais, como as chuvas que castigam estados do Nordeste, onde já provocaram pelo menos oito mortes, deixaram mais de 10 mil desabrigados ou desalojados e impuseram transtornos à população. Nos últimos 14 anos, o governo federal gastou com reconstrução de áreas atingidas o triplo do gasto com prevenção, de acordo com levantamento feito pelo GLOBO com base em dados do Painel de Gestão de Riscos e Desastres do Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre 2012 e 2026, o Estado empenhou R$ 24,4 bilhões em ações de resposta e recuperação a desastres, ante R$ 9,6 bilhões em prevenção. Desse valor, foram efetivamente pagos R$ 21,6 bilhões e R$ 6,8 bilhões, respectivamente. As respostas incluem medidas emergenciais de assistência, como distribuição de água, cestas básicas ou material de higiene. A recuperação envolve reconstrução de estruturas danificadas e pequenas obras de contenção. As verbas para prevenção dizem respeito a drenagem, contenção de encostas e intervenções destinadas a evitar, ou ao menos reduzir, efeitos das catástrofes.
Para o TCU, esse padrão configura uma estratégia “reativa”, considerada ineficaz e mais dispendiosa. Com base em dados internacionais, a Corte diz que cada US$ 1 investido em prevenção pode economizar até US$ 15 em reconstrução. O modelo equivocado expõe também a falta de coordenação entre governo federal, estados e municípios, uma vez que as ações de prevenção dependem em boa parte de intervenções locais, enquanto a reconstrução costuma recair sobre a União.
O pouco-caso com a prevenção fica patente também na falta de empenho para se preparar. Segundo números da Confederação Nacional de Municípios, 68% das cidades nem têm mapeamento de risco, 57% não dispõem de sistemas de alerta, 44% não têm setor responsável pelo monitoramento de eventos e 46% não contam com equipes treinadas — iniciativas básicas que deveriam ser obrigatórias.
Gestores de todos os níveis de governo costumam se agarrar aos índices pluviométricos para tentar encobrir as lacunas na prevenção. Num mundo convulsionado pelas mudanças climáticas, porém, não há qualquer perspectiva de que os eventos extremos darão trégua. Ao contrário, tendem a ser mais frequentes e intensos. Ser pego despreparado só agravará a situação.
Há décadas, o Brasil convive com tragédias provocadas pelas chuvas. Mudam as cidades, as regiões, as datas, mas as situações são praticamente idênticas. Não é admissível assistir sempre às mesmas cenas de famílias soterradas pela lama, moradores implorando socorro no telhado, motoristas arrastados pela correnteza, cidadãos usando porta de geladeira como bote salva-vidas. Não há como evitar chuvas torrenciais, mas é possível reduzir danos, desde que haja investimento em prevenção. Uma das respostas necessárias é retirar famílias das áreas de risco. Mas como fazer isso se muitas cidades não sabem sequer quem são, quantas são e onde estão?
O STF EM PERMANENTE ESTADO DE EXCEÇÃO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réu o pastor Silas Malafaia por injúria. A fala resumia-se a invectivas genéricas contra generais: “frouxos”, “covardes”, “omissos” – o feijão com arroz da política. Ainda assim, foi suficiente para mover o maquinário penal da Corte. O STF gabaritou um catálogo de agressões – ao devido processo legal, à liberdade de expressão, ao bom senso –, o que faz do caso uma espécie de biópsia do Estado policial instaurado em consórcio com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Malafaia não tem foro privilegiado. Os supostos ofendidos não se incomodaram a ponto de apresentar queixa. Mas a PGR se incomodou. A relatoria foi direto, sem sorteio, para o ministro Alexandre de Moraes, por “conexões” com o inquérito das “fake news”. Quais? O que seria um episódio corriqueiro do debate político foi tragado por um circuito penal onde investigação, acusação e julgamento se confundem.
Há evidências abundantes de um padrão. Já na inauguração do inquérito das “fake news”, aberto há longínquos sete anos pelo ministro Dias Toffoli, Moraes censurou uma reportagem sobre uma menção ao próprio Toffoli em uma delação premiada. Agora, o ministro Gilmar Mendes solicitou a inclusão do pré-candidato à Presidência Romeu Zema no inquérito por um vídeo com fantoches do próprio Gilmar. Moraes ordenou busca e apreensão contra um blogueiro que noticiou o uso de veículos oficiais por parentes do ministro Flávio Dino. Manifestações políticas ou jornalísticas incômodas aos togados são tratadas como violações a serem reprimidas pelo aparato penal.
O ministro Gilmar Mendes avisou que o inquérito será “necessário” nas eleições. O deputado Gustavo Gayer foi tornado réu pela Primeira Turma por associar o presidente Lula ao nazismo. O próprio Gayer foi chamado de “nazista” pelo deputado José Nelto, mas a denúncia foi rejeitada pela Primeira Turma. Dino associou Jair Bolsonaro ao nazismo e o chamou de “serial killer”. O mesmo Dino abriu queixa-crime contra um influencer que o chamou de “gordola”.
Moraes abriu um inquérito contra o principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, por um post que menciona o presidente e acusa o Foro de São Paulo de crimes. Mas quantas vezes Lula, como todos os seus companheiros – incluindo Dino –, acusou Jair Bolsonaro do pior dos crimes: o genocídio? No STF, punitivismo e garantismo são servidos à la carte, ao gosto do freguês.
O procurador-geral, Paulo Gonet, opera como fiel tarefeiro de seu ex-sócio Gilmar Mendes e companhia limitada. Quando se trata de incriminar falas genéricas, ríspidas ou satíricas contra o governo ou os ministros, é solerte e valente. Já para a máfia de Daniel Vorcaro e os negócios nebulosos dos clãs Toffoli e Moraes, faz ouvidos de mercador. Para críticos, meia inferência basta; para os camaradas, nem um contrato de espantosos R$ 129 milhões entre Vorcaro e o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes é indício suficiente.
O caso Malafaia não é um ponto fora da curva. É a curva. Nele se acumulam a expansão de competências, o uso elástico do Direito Penal, a criminalização seletiva da linguagem política, a equiparação de críticas a autoridades a “ataques às instituições”, as conexões misteriosas com os inquéritos infinitos, a contradição jurisprudencial e o pas de deux entre STF e PGR.
Nesse jogo de cena, o Supremo investiga, acusa, julga e executa. A Procuradoria chancela. E o consórcio pune – ou blinda – quem bem entende, como bem entende, pelo que bem entende. Ninguém sabe exatamente o que pode dizer, quem pode julgá-lo e segundo quais regras. O cidadão já não responde pelo que faz, mas por quem é e por quem desagrada. A lei, que deveria limitar o poder, é manietada por ele. O nome disso é conhecido – e não é “Estado Democrático de Direito”.
“Mostre-me o homem e eu lhe direi o crime”, dizia o comissário Beria ao chefão Stalin. Mudam os atores. A farsa não.
XANDÃO GOLPISTA, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Que Xandão se voltará contra seus sócios: não há dúvida. Questão de tempo; que ainda não chegou. Que o governo – sócio oportunista – tentaria se livrar de Xandão: tampouco havia dúvida. Pressionado pela combinação entre ano eleitoral e fator Master, Lula tenta se desvincular de Alexandre de Moraes já, às pressas, descarte prematuro baseado na ficção ousada de que ele, aliando-se ao bolsonarismo, teria trabalhado pela rejeição a Jorge Messias.
Literatura fantástica: Moraes se associara a Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro – dedicando-se assim à obra que ergueu novo patamar competitivo para a bancada do impeachment de ministro do Supremo no Senado – num pacto pela reeleição do presidente do Senado em 2027, o que garantiria o bloqueio a processos de impeachment de ministros do STF; algo que ninguém poderia prometer, a Casa a ter 2/3 de suas cadeiras em disputa, projetada a eleição de senadores bolsonaristas em volume sem precedentes.
Literatura fantástica: Moraes se associara a Alcolumbre e Bolsonaro para impedir que a formação da dupla Messias e André Mendonça compusesse novo centro de poder no tribunal a partir da gestão da relatoria do caso Master – que não pouparia ministros do Supremo. Não havendo quaisquer indícios de que Mendonça transformariaas apurações em devassa sobre as relações de togados com a rede vorcárica. Ao contrário: o vazamento das conversas havidas na reunião secreta blindadora de Dias Toffoli o teve exposto como um dos mais vocais na defesa corporativista, decerto ciente do que sejam precedentes.
Literatura fantástica: Moraes se associara a Alcolumbre e Bolsonaro para impedir que a formação da dupla Messias e Mendonça, novo centro de poder, ajudasse o Planalto a investigar profundamente as traficâncias vorcáricas. Caso em que a sociedade xandônico-bolsonarista atrapalharia a constituição de parceria entre a relatoria de Mendonça e o governo Lula. Uau!
O conjunto conspiratório só faz sentido no discurso que os petistas tentam tornar influente: o do Lula antissistema, vítima de armação. Abordagem sob a qual deveríamos esquecer que o “antipizza” Messias fora indicado para compor-robustecer a bancada governista no Supremo, “a terceira casa legislativa” – uma das expressões do sistema, aquela graças à qual o Planalto governa, chamando seus senadores-togados, Xandão entre eles, a lhe resolver os problemas, como quando da intervenção no IOF.
No mundo real, o STF está blindado. Moraes mesmo tornou restritivo o compartilhamento de relatórios do Coaf. Gilmar Mendes mudou o quórum necessário para impeachment de ministro e forjou para si prevenção sobre qualquer investigação parlamentar contra os supremos. O nascimento da CPI do Master foi asfixiado bem antes de qualquer negociação relativa a Messias. Com a ajuda do governo Lula, Alcolumbre e STF fulminaram as CPIs do Crime Organizado e do INSS. E a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, certa desde a manifestação do presidente, não poderia ser objeto de acordo nem motivo de surpresa.
ALGO VAI MAL QUANDO HÁ 2 ANOS PROGRAMAS EM 3 ANOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Algo vai mal quando um governo lança dois programas de renegociação de dívidas pessoais em apenas três anos, sem que tenha havido uma recessão ou outro grande revés inesperado entre um e outro.
Não se trata apenas de erro de cálculo da política econômica. Iniciativas do gênero não podem se banalizar, sob o risco de incentivar mais endividamentos imprudentes —na expectativa de que novos socorros virão.
Quanto ao erro de cálculo, ele foi explicitado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante o anúncio do Desenrola 2 nesta segunda-feira (4). Quando foi lançado o Desenrola 1 em 2023, relatou, esperava-se que os juros do Banco Central fossem entrar em tendência de queda, aliviando os orçamentos das famílias. “A expectativa de uma redução de juros no país se frustrou.”
De fato, a taxa básica do BC viria a cair de 13,75% para 10,5% ao ano entre junho de 2023 e maio de 2024. No setembro seguinte, porém, voltou a subir, chegando ao pico de 15% em junho do ano passado. Hoje, são 14,5%.
Esse, porém, não pode ser considerado um fenômeno inesperado. Foi consequência natural da expansão desmesurada dos gastos do Tesouro Nacional sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pressionou a demanda e a inflação, e do afrouxamento prematuro das metas fiscais, que elevou a desconfiança quanto à perspectiva de controle da dívida pública.
O sufoco financeiro das famílias é mais grave do que sugere a taxa do BC, que serve de mera referência para os juros de mercado. Como noticiou a Folha, o spread bancário —a diferença entre o que os bancos pagam aos depositantes e o que cobram dos tomadores de crédito— chegou aos maiores patamares da série histórica iniciada em 2013.
Os dados mostram que os juros médios cobrados em novos financiamentos e empréstimos a pessoas físicas atingiram 38,4% ao ano em março deste 2026 (spread de 27,7 pontos percentuais). Se considerado apenas o crédito com recursos livres, isto é, não sujeito a regulação oficial, a taxa é de astronômicos 61,5%.
Com as famílias comprometendo 29,7% de sua renda com o pagamento de dívidas a poucos meses da eleição presidencial, Lula se viu premido a lançar seu novo programa de refinanciamento —cujo alvo principal são pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105 mensais).
O Desenrola 2 dará descontos de até 90% nos débitos, limpará o nome de quem deve até R$ 100 e permitirá o uso de até 20% do saldo do FGTS. Os custos terão teto de 1,99% mensais, equivalentes a 26,7% ao ano. Calcula-se um impacto fiscal modesto.
Pela experiência do Desenrola 1, tudo isso poderá não passar de paliativo efêmero se não forem promovidas condições para a queda sustentável dos juros. Hoje há o empecilho conjuntural da alta do petróleo decorrente da guerra no Irã, mas o fundamental será reequilibrar o Orçamento e conter a dívida pública.
DEZ VEZES SEM JUROS: O CUSTO INVISÍVEL DO EMPRÉSTIMO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Muitos pais já ouviram dos filhos, quando diziam que aquele brinquedo, aquele tênis era muito caro:
— Mas aceita cartão.
No tempo em que se usava dinheiro vivo, ouvi de uma senhora rica que não gostava de cheque, nem de cartão. Dizia:
—A gente compra, compra e parece que não gastou nada.
Pois é, a gente sabe que não é assim, mas o cartão de crédito dá aquela sensação de que depois se arranja o dinheiro. Ou se joga a dívida mais para a frente.
Tem mais: a maravilhosa invenção do pagamento em dez vezes sem juros, no cartão. Ou mais. Outro dia, comprei um celular pagando em 24 vezes. Parece que tudo fica acessível. Sabemos que não é sem juros, nem de graça, mas com frequência a tentação fala mais alto.
Nos programas e cursos de educação financeira, uma das demandas mais frequentes é justamente sobre a administração dos cartões. Há casos de pessoas que, não conseguindo fugir da tentação, simplesmente picotam seus cartões e prometem nunca mais usar. Ou, ok, vá lá, não usar por seis meses ou até que todos os cartões estejam zerados.
O problema do endividamento excessivo é uma consequência do aumento da oferta de crédito no país. Mas talvez fosse melhor dizer que aumentou muito a oferta de cartão de crédito, fato paralelo à bancarização — a inclusão de faixas de renda mais baixas no sistema bancário. Preste atenção: em aplicativos, nos meios de comunicação são oferecidos diversos tipos de cartão e de crédito. Hoje, são nada menos que seis cartões por pessoa — incluindo crédito e débito. O leitor faça sua conta. A maioria se surpreenderá. Ainda mais agora, quando não se usa mais dinheiro.
Mesmo pessoas com boa educação financeira se atrapalham e acabam caindo no desastre de usar cheque especial para pagar o saldo do cartão. E pessoas sem educação financeira, novatas no uso de cartões, com frequência não percebem que o pagamento mínimo as joga no crédito rotativo, com aqueles juros exorbitantes.
Os dados de hoje, depois do Desenrola 1, são um bom demonstrativo: a maior inadimplência aparece no cartão rotativo. Também é a que mais cresce. Depois vem o cheque especial. Em terceiro, longe, o crédito pessoal não consignado. De outro lado, a inadimplência se concentra na faixa de um a três salários mínimos. E grande parte dos devedores fica inadimplente na dívida renegociada.
Esse deve ser o público do Desenrola 2 e, provavelmente, do Desenrola 3. Isso mesmo. Há um estímulo à tomada de crédito na medida em que se coloca no horizonte a possibilidade de renegociação. Como acontece com a longa série de Refis — programas de refinanciamento para empresas. Há também um estímulo ao aumento de juros por parte dos bancos e financeiras. Até porque não há estímulo ao bom pagador. Estes deveriam pagar taxas de juros menores em todo tipo de crédito.
Em resumo: o Desenrola 2 alivia a vida dos devedores, mas não resolve o problema da inadimplência. Para isso, seria preciso adotar medidas de tal modo que o devedor só pudesse voltar a tomar crédito depois de ter zerado sua dívida negociada. Não é isso que tem acontecido. A renegociação parece ser um caminho para a pessoa voltar ao mercado. Que é, como dissemos, uma feira de ofertas de cartões.
Vai pelo mesmo caminho a anistia parcial que o Conselho Nacional de Trânsito concedeu a motoristas que não pagaram o pedágio no novo sistema free flow. Nada menos que 3,4 milhões de multas foram suspensas. E serão depois canceladas se o motorista pagar os pedágios atrasados. O governo alega que não se trata de bondade eleitoral, mas de reparação. Diz que o sistema é novo, com falhas no funcionamento e mal comunicado. Mas e os milhões que pagaram certinho? A anistia parcial sugere que outras poderão ser aplicadas. É, pois, estímulo negativo.
Em anos eleitorais, os governos costumam abusar das bondades. O governo federal está aumentando gastos, colocando dinheiro na economia, na expectativa de que se transforme em votos. O saldo devedor? Depois se vê.
PARA O PT, O FUTURO É PASSADO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Aprovado no 8.º Congresso Nacional do PT, sob aplausos de sua ao mesmo tempo assustada e tinhosa militância, o manifesto do partido foi apresentado como uma bússola para o País. Nada mais petista do que o que se viu naquele encontro, realizado em Brasília. O documento tem título curioso – “Construindo o futuro” –, ao projetar-se para adiante enquanto revisita longamente o passado sob domínio da legenda. Combina, de forma previsível, o triunfalismo em torno do que Lula teria realizado com o alerta de tom sombrio sobre o que pode nos acontecer caso ocorra o que, para a companheirada, seria impensável: sua derrota em outubro. Fala em longo prazo com retórica inflamada, mas permanece preso ao curtíssimo prazo – a reeleição do presidente. O futuro, aqui, não passa de um nome elegante dado a uma necessidade imediata.
A leitura do manifesto não tarda a revelar o roteiro conhecido. Logo de saída, o PT se entrega ao que sabe fazer como poucos: um longo, minucioso e quase obsessivo arrazoado comparativo entre o terceiro mandato de Lula e a gestão de Jair Bolsonaro. Páginas e páginas são dedicadas a reiterar a velha cantilena de que o País foi entregue em frangalhos, devastado, destruído, uma terra arrasada que só agora estaria sendo reconstruída sob a liderança iluminada do lulopetismo. Há, evidentemente, fatos que não podem ser ignorados. O governo Bolsonaro promoveu desmontes relevantes, sobretudo em educação, ciência e meio ambiente, com custos reais. Também é justo reconhecer resultados pontuais do atual governo. Mas nada disso autoriza o exagero de pintar o Brasil pré-2023 como cenário apocalíptico.
É nesse ponto que emerge o velho vício petista, cultivado desde 2003 como tradição: a “herança maldita”. A lógica é simples. Se o governo vai bem, o mérito é do PT; se vai mal, a culpa é sempre do antecessor. Foi Fernando Henrique Cardoso ontem, é Jair Bolsonaro hoje, será qualquer outro amanhã. Trata-se de um expediente tão repetido que já não convence além dos convertidos. Ao recorrer mais uma vez a essa muleta retórica, o partido revela menos sobre o passado que critica e mais sobre o presente que tenta justificar.
Esse padrão se completa com o maniqueísmo de sempre. Na cosmologia petista, o mundo segue dividido entre o bem (o próprio partido) e o mal, ocupado por qualquer adversário. Não há nuances nem autocrítica, apenas a reafirmação de uma superioridade moral que, de tanto repetida, já perdeu eficácia. O problema é que o tempo passou. Lula está em seu terceiro mandato, o PT acumula décadas no centro do poder, e a insistência em se apresentar como vítima de heranças alheias soa cada vez mais deslocada. Um governo que ainda precisa se explicar pelo passado revela, por contraste, a dificuldade de sustentar um legado próprio.
Quando o manifesto se volta ao futuro, o quadro pouco muda. A lista de propostas é extensa, mas familiar. Passa por reindustrialização conduzida pelo Estado, protagonismo estatal em setores estratégicos, planejamento econômico robusto e soberania produtiva. Tudo embalado em linguagem atualizada, mas ancorado no repertório de sempre. É o desenvolvimentismo clássico reapresentado como novidade. Falta-lhe, sobretudo, concretude. Nesse vazio, cresce a impressão de que o governo Lula 3 ainda não encontrou suas próprias marcas. Administra, reage, ajusta, mas não imprime direção clara. Longe de dissipar essa percepção, o manifesto acaba por cristalizá-la.
Não por acaso, o texto surgiu “amaciado”, desidratado de temas espinhosos. Evitam-se conflitos, suavizam-se formulações, calibram-se palavras, de modo a conciliar a grita habitual da militância do partido enquanto seus morubixabas tentam compensar as agruras políticas do atual mandato à construção de alianças convenientes País afora. O objetivo é não criar ruídos desnecessários, para não comprometer o projeto central. Qual projeto? A reeleição, naturalmente.
No fim, o manifesto cumpre o papel involuntário de expor o esgotamento de uma fórmula e escancara a dificuldade do lulopetismo de sair de si mesmo. O futuro que anuncia não chega a ser uma promessa. É, quando muito, uma reprise, cuidadosamente empacotada, mas reconhecível desde as primeiras linhas.
DISCURSOS FARCESOS DE LULA E FLÁVIO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Com índices de aprovação frágeis, más notícias nas pesquisas de intenção de voto e uma derrota histórica em sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abraçou o populismo em seu pronunciamento por ocasião do Dia do Trabalho.
“Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”, discursou.
Parece cômica a retórica antissistema vinda de um político com o histórico de Lula —em seu terceiro mandato presidencial graças à anulação pelo Supremo Tribunal Federal, por questões formais, de suas condenações por relações promíscuas com grandes empreiteiras. Mas a escolha da palavra não é por acaso.
Duas semanas atrás, falando em um evento de esquerda na Espanha, o petista reclamou da perda da bandeira antiestablishment para a ultradireita. “Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que, agora, o outro lado se apresente como antissistema”, disse, conforme reportou O Estado de S. Paulo.
É notável que, entre uma declaração e outra do líder, o PT tenha realizado um congresso em que mostrou o objetivo de evitar polêmicas e atrair setores do centro político. Afinal, se discursos radicais inflamam seguidores fiéis, a disputa presidencial pode ser decidida, mais uma vez, por eleitores avessos à polarização.
Cálculo semelhante é feito nas hostes de Flávio Bolsonaro (PL), hoje empatado com Lula nas simulações de segundo turno —e empenhado na missão inglória de parecer mais moderado que o pai condenado por tentativa de golpe de Estado.
Flávio embarca no golpismo paterno ao lançar dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro em um evento extremista nos Estados Unidos, mas por aqui procura parecer um candidato responsável ao discutir com empresários propostas para reformas fiscais vigorosas em 2027, como noticiou a Folha.
Nem isso, porém, ele se dispõe a defender abertamente, por temer que ideias como interromper o aumento acima da inflação do salário mínimo e dos gastos com saúde e educação lhe custem votos. Ao que parece, pretende prometer reequilíbrio orçamentário sem detalhar medidas difíceis, como na proverbial omelete sem quebra de ovos.
Não espantam os malabarismos retóricos numa corrida em que os líderes na preferência dos votantes são também campeões em rejeição. É provável que radicalismo e moderação venham a ser apresentados conforme as circunstâncias e conveniências, sobretudo ao tratar do imperativo ajuste das contas públicas.
Perdem os eleitores, aos quais serão oferecidos, em vez de opções programáticas, discursos farsescos —e, muito possivelmente, um governo tumultuado.