O comentário de hoje é curto. A notícia de ontem foi a “demissão” – e não vou abrir polêmica, outra vez, se foi a pedido ou não – do procurador geral do município de Gaspar, Júlio Augusto de Souza Filho, um dos integrantes do bonde do ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL, que tomou conta do núcleo duro da gestão de Paulo Norberto Koerich, PL, em Gaspar.
O cerne da questão é: por quê, mais uma vez, Paulo, um policial de 30 anos de carreira com fama de experiente investigador, incluindo o Gaeco e passando por todas as principais funções da carreira até chegar à secretaria estadual de Segurança no governo de Carlos Moisés da Silva, União Brasil, levou tanto tempo para tomar esta decisão?
Mais. Por quê, Paulo continua reticente em limpar e se livrar do legado de comissionados e ACTs escolhidos a dedo em Blumenau e região por Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, tanto para a secretaria de Planejamento Territorial e a superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, diante do que já revelei aqui e já foi parar amplamente no Ministério Público como no caso – para citar um – da recuperação da barranca do Rio Itajaí Açú, à margem da Rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro da Figueira?
Tem mais.

Paulo numa entrevista a rádio 89 FM caiu na sua própria armadilha desmoralizante dizendo que tudo se tratava de fofocas e que ele próprio tinha entrevistado quem, justamente, agora, diz não servir e vai exonerando-os, diante de tantas evidências que se tornam públicas e peças de inquéritos ou apurações policiais. Para um investigador de fama, entrevistou mal. Muito mal.
Se Paulo tivesse ouvido o que ele qualificou de “fofoqueiros”, se não tivesse sido envolvido e ouvido os “conselhos” dos velhos e principalmente, novos amigos da onça – que sempre aparecem ao lado de poderosos de plantão para tirar casquinhas para si e seus interesses – bem como olhado para os termos das operações desencadeadas em Blumenau contra o milionário cartel de empreiteiras, da merenda escolar e da contratação de vigilância em escolas públicas de lá, teria ele se saído melhor e até alterado a imagem de teimoso e vingativo que vai construindo e se arraigando na cidade entre os seus próprios eleitores e eleitoras.
AVISADO, PAULO DEU MAIS UMA CHANCE AO AZAR
Paulo disse que falou com os promotores e investigadores envolvidos nas operações em Blumenau, depois de “admitir” ter sido surpreendido no envolvimento de nomes daqui contratados por ele próprio sob indicação do PL, de Mário Hildebrandt e empurrões de Egídio Maciel Ferrari, PL, de lá, talvez porque sabia de que não eram bons tê-los como agentes ao seu redor. Está gravado esta “surpresa” na sua entrevista na 89 FM.
Até nisso o gestor e o novo político Paulo foi displicente, resistente, ou teimoso. Era mais que um aviso de fontes críveis de que Paulo sabe avaliá-las – de há muito como idôneas – muito bem e não, mera antro de fofocas, como se vem provando no curso das investigações e das apurações até então disponibilizadas ao público. Paulo não agiu. E quando reagiu, fez isto tardiamente. E está pagando com desgastes políticos e administrativos por isso. Se for um aprendizado, será capaz de sacudir a poeira e dar à volta por cima. Mas, repito: terá que mudar de companhias e “conselheiros”. E só ele pode decidir sobre isto. É doído, reconheço.
E este assunto não termina aqui. O núcleo duro que Mário Hildebrandt, PL, ofereceu para comandar e “salvar” Paulo Norberto Koerich, PL, em Gaspar, mas, de verdade, meteu-o numa enrascada daquelas. E vai muito mais além de Maiochi e Júlio Augusto. Passa ainda pela secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha, a quem, no aparelhamento do poder, Paulo lhes quase irrestrita autonomia e autoridade num tal “Comitê de Gestão”. Ele tudo fazia, travava, tratava e desmandava na gestão do próprio Paulo, com a participação do chefe de gabinete e único fora desse grupo, o gasparense da gema, Pedro Inácio Bornhausen, PP.
Burocracia, falta de integração, falta de comunicação e de transparência; surpresas, mudanças bruscas, lentidões entre a necessidade e a realização. Decisões em um grupo fechado. Medo. Criava-se dificuldades. Vendia-se prioridades internas colidentes com as mais simples e urgentes, que deixam o governo exposto nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Hoje, começa ficar mais claro à razão disso.
O pacote dessa gente de Blumenau que, até para chegar ao local de trabalho precisava de GPS, está o André de Moura da Cunha, instalado como secretário adjunto de Ana Karina e que na verdade se posicionou como um chefe de gabinete paralelo, e ainda o quer. Neste rol, está a terceira superintendente de comunicação do atual governo em tão pouco tempo, Gisele Scopel. Marketing é tudo. Cortinas de fumaças e neblinas precisam disso. Só que a tormenta chegou. E com ela, desastres nos ambientes mal protegidos. A visão dos escombros supera a fantasia vendida, exatamente porque continua exposta, desperta mais atenção, irritação e festa dos adversários. E da própria mídia por onde passou Gisele, a ND e cuja ilustração abre este comentário de hoje.
Encerrando. O tempo é o senhor da razão. Transparência não combina com narrativas. Vitória de 52,98% dos votos válidos não é para servir aos interesses de um pequeno grupo que sempre mandou na cidade por décadas, independente de quem estivesse no poder de plantão. E agora se sabe pelas operações do Gaeco, em Blumenau, de que todos estão integrados regionalmente. Paulo, possui pouco tempo, mas tem, se quiser mudar, abrir olhos e ouvidos, para recomeçar de verdade o seu governo de mudanças que prometeu na campanha eleitoral. Com esta proposta ela foi esmagadoramente vencedora entre os gasparenses.
Afinal, quando o bonde de Mário Hildebrandt, PL, vai partir definitivamente de Gaspar e Paulo valorizar os políticos e profissionais daqui, bem como tomar o comando do seu próprio bonde? Ou Hildebrandt vai querer também ser candidato a prefeito de Gaspar em 2028? Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Já escrevi de que o gato tinha, desgraçadamente, subido no telhado. A gestão do Hospital de Gaspar pelo Hospital Santo Antônio pode não acontecer a partir de Primeiro de Julho, adiada sucessivamente desde Primeiro de Janeiro deste ano. O pessoal de Blumenau, rigoroso no controle do Hospital de lá, que já teve no fundo do poço levado pelos políticos e hoje é referência nacional, começou a olhar supostas ligações perigosas de gente de Blumenau envolvida nas últimas operações de Gaeco e Promotoria Pública de lá, no processo de transição do Hospital daqui e que não há nada de transparência dele.
Estranhamente, as instituições de Gaspar estão, mais uma vez, diante de tantas evidências e escândalos, quietinhas. Inclusive um tal de Observatório Social. Esta irmandade… Perguntar não ofende: cortaram a língua dessa gente ou estão no mesmo embrulho? Estou aberto as explicações.
Halley Edson da Silva, militante do Novo, em Blumenau, foi um dos que mais ajudou nas redes sociais a elucidar, de forma simples, curta e muito mais valiosa do que os meus textões que não são lidos por ninguém, esta relação estranha de Paulo Norberto Koerich, PL, e o bonde de Mário Hildebrandt, PL, pego nas três operações da polícia de Blumenau contra a corrupção, Gaeco e Ministério Público.
Não tardou, Halley Edson da Silva, começou mais uma vez, ter a sua vida vasculhada por gente empregada na prefeitura de lá mas, com ligações ao poder de plantão daqui. Estranha mania dessa gente. Ao invés de sanear os seus problemas, os implicados e os obrigados à solução, procuram defeitos para calar os mensageiros das suas lambanças, ou omissões. Imperdoável para quem disse que mudaria tudo o que incomodava a cidade, os eleitores e eleitoras no passado. Com isso, Halley dobrou a aposta. Os poderosos, que não encontraram defeitos em Halley, estão experimentando do próprio veneno. Muda, Gaspar!
Leitor assíduo deste espaço e que os poderosos de plantão do passado e do presente juram que não os tenho, defende a tese de que o que se desvenda não só tem relação com os sucessivos governos de centro e de direita de Blumenau desde Renato de Mello Vianna, mas é suprapartidário e estava bem enraizado nos oito anos de governo de Kleber Edson Wan Dall, eleito pelo MDB e hoje no Podemos, com Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.
Perguntar não ofende I: daquele pacote de R$300 milhões de obras (que em poucas horas virou R$370 milhões aos empresários da Acig e Ampe) anunciados por Paulo Norberto Koerich, PL, e seu ex-braço direito da sua administração,. Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, quase em segredo aos vereadores no gabinete da prefeitura de Gaspar, ainda está de pé? Pela legislação eleitoral, Gaspar está ameaçada de perder – ou impedida de usá-las até novembro – verbas já liberadas.
Perguntar não ofende II: quando será a próxima reunião na pedreira?
Perguntar não ofende, igualmente III: os pareceres do procurador Júlio Augusto de Souza Filho a favor de empreendimentos locais vão continuar prevalecendo em confronto com a legislação em vigor, os estudos de técnicos especialistas do meio ambiente de Gaspar, validados pelo Ministério Público Estadual, alguns deles, em decisões judiciais? A conta no facebook “Jornal Pragas”, expôs didaticamente, algo intrincado e comum no poder de plantão e que rola na Justiça e que tem uma proposta de compensação de mais de R$5 milhões e outras compensações, que o empreendedor não as quer. Esta não é a única. Então…
16 comentários em “PAULO CRIOU NEBLINAS PARA ESCONDER TROVOADAS QUE ELE PRÓPRIO AS CONTRATOU PARA O SEU GOVERNO. PREVISÃO DE ESPECIALISTAS ALERTARAM-NO PARA O DESASTRE. ELE AS IGNOROU. AGORA, PAULO ESTÁ ENTRE ESCOMBROS E FANTASMAS POR SUA PRÓPRIA CULPA. É A SEGUNDA CHANCE DELE REFUNDAR O SEU GOVERNO QUE JÁ VAI PARA A METADE SEM DIZER A QUE VEIO. SOBRESSAEM ATÉ AQUI, OS PROBLEMAS. UMA MARCA.”
Sobre este assunto, há exageros e aproveitamento dos dois lados. O certo, no entanto, é que o Brasil não fez a sua parte na segurança e controle mínimo dos narcotraficantes, afrouxou o controle na lavagem de dinheiro e permitiu que fosse dominados territórios pelos bandidos dos morros e asfalto. Por outro lado, incomodamos o Comércio mundial que os Estados Unidos queriam se ver donos e não estão satisfeitos no nosso relacionamento com a China e agora, com a Europa, apesar de restrições e resistências. O chantageador e louco Trump tem mais dois anos de governo e em novembro deverá ficar mais fraco no Congresso. Se o Brasil e os governantes do presente e os eleitos tiverem cabeça e menos discurso a favor do futuro do Brasil, sabem quando a tempestade passará. Até lá se precisará de muita diplomacia e não de enfrentamentos tanto de Lula como dos Bolsonaros
DA COMPERAÇÃO À INTERVENÇÃO, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo
A classificação de PCC e CV como organizações terroristas, uma ameaça inaceitável à soberania brasileira, num contexto de intervenção na América Latina, pode não ser a única arma de Donald Trump contra o Brasil. Planalto, Itamaraty e setores alvos já se preparam para uma nova bomba: a conclusão do processo americano com base na Seção 301, que pode fazer grandes estragos na economia. O prazo está vencendo…
A Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA dá direito a Washington de investigar, retaliar e impor sanções a qualquer país, sob pretexto de práticas comerciais consideradas contra os interesses americanos. Ou seja, vale tudo. A abertura da ação citou de PIX à Rua 25 de Março em São Paulo. Seria cômico, não fosse trágico. Trump recuou do tarifaço de 50% e da aplicação da Lei Magnitsky, mas voltou com tudo ao trocar a relevante cooperação da PF com FBI e DEA por uma intervenção unilateral da CIA, que atua com espionagem e faz o que bem entende nos países, à revelia dos governos. Tudo com a 301 pairando no ar. Por trás desse movimento estão a eleição brasileira e a família Bolsonaro.
A intenção de Trump, o imperador do mundo, parece clara: transformar o Brasil num joguete nas suas mãos e consolidar o caminho para mandar no “quintal dos EUA”. Em tese, pode usar PCC e CV para impor navios na costa brasileira, espionar governos, empresas e organizações e, em última instância, promover ações armadas e prender nossos nacionais, como na Venezuela. Enquanto isso, avança sobre Cuba, México, Chile…
O mais estarrecedor nem é a loucura de Trump, mas a ação antipatriótica e traiçoeira dos Bolsonaro. Eles, porém, têm de combinar, não com os russos, mas com todos os brasileiros, que tendem a se dividir quanto a esse assalto à soberania na mesma proporção da polarização política. Por ora, o efeito imediato do ataque americano é que não se fala mais em Dark Horse, em pedido de R$ 134 milhões, no envio do “máximo” para os EUA, enquanto as forças políticas se realinham para as eleições em torno dos “terroristas” (como o próprio Lula passou a chamar) PCC e CV.
Flávio foca na segurança, no combate ao crime e no status de próximo da Casa Branca. Lula mira na democracia, na soberania e conclama os brasileiros a defenderem o Brasil contra a ingerência da potência. Caiado e Zema imaginam colher os frutos que caem das duas árvores.
O risco, porém, não é restrito ao campo e ao momento eleitoral, mas é principalmente para o depois, a partir de 2027. O que está em jogo é: o Brasil aceita uma intervenção americana, um governo submisso e um “imperador” mandando no País e no seu futuro?
ILIBERALISMO À BRASILEIRA: A EXCEÇÃO COMO REGRA, por Fernando Schüler, no jornal O Estado de S. Paulo
“O Julgador é, ao mesmo tempo, a principal vítima das condutas que é chamado a julgar”, diz o defensor público Antônio Ezequiel Inácio Barbosa, em sua manifestação sobre a ação que corre no STF contra o deputado Eduardo Bolsonaro. Os fatos que cercam a ação são conhecidos. O deputado foi fazer seu proselitismo em Washington, denunciando ministros do Supremo pelo que considera violações a direitos, no Brasil, e terminou ele mesmo réu, no STF. Na outra semana, a Defensoria Pública pediu a nulidade do processo.
Barbosa é um constitucionalista de sólida formação e defensor público junto ao STF. Sua manifestação não traz ânimo político. É a calma tomada de posição de um servidor de Estado reafirmando algo que, por alguma razão, se perdeu no Brasil dos últimos anos: o rigor da lei e a objetividade do direito.
Ele cita a máxima associada a Voltaire: “desaprovo o que você diz, mas defendo até a morte seu direito de dizê-lo”. A lembrança é ótima, mas nem seria necessária. Bastaria a Constituição. E vai aí seu maior acerto: “debater a legitimidade da atuação do Judiciário não é coagir seus membros”. E completa: “é exercer a função crítica que a Constituição atribui ao mandato parlamentar”.
Se estas duas frases simples fossem entendidas, no Brasil dos últimos anos, teríamos muito a nos orgulhar de nossa democracia. Quem sabe o orgulho que tínhamos quando parlamentares de esquerda foram ao Parlamento Europeu denunciar a “prisão política” de Lula e as decisões de nosso Judiciário, com ampla liberdade e legitimidade.
O ponto é que não entendemos. E, ao invés disso, cometemos o pecado original que nenhuma República deveria cometer: confundir pessoas com instituições. A ideia turva de que criticar uma autoridade significa um ataque ao Estado, quando não à própria democracia. Isto é péssimo, pois uma democracia liberal depende precisamente dessa distinção.
A relativização da regra virou uma espécie de vício brasileiro. Homofobia é crime, mas pode não ser, a depender de quem é o acusado; cidadãos comuns não têm foro, mas podem ser julgados diretamente pelo Supremo, a depender de algum “entendimento”; parlamentares gozam de imunidade por “quaisquer” palavras. Desde que alguma autoridade não ache o contrário, neste ou naquele caso.
A verdade é que fomos nos tornando, nos anos recentes, um exemplo bem-acabado do que se convencionou chamar de uma “democracia iliberal”. O conceito foi cunhado originalmente por Fareed Zakaria em um artigo na Revista Foreign Affairs, em 1997. Sua essência é a cisão entre a democracia, entendida como um sistema eleitoral aberto e plural, e o constitucionalismo liberal, um sistema de regras estáveis e garantias individuais, como a liberdade de expressão.
O iliberalismo é um tipo de doença silenciosa nas democracias. É feito de deslizamentos e ajustes das regras do estado de direito na “margem”. Na criação de zonas de sombra, onde se proíbe a censura prévia, mas é permitido a um ministro desmonetizar uma revista conservadora, se ele achar que deve; suspender o lançamento de um documentário cujo conteúdo sequer é sabido. Ou mandar apagar um cidadão da internet – podendo ser um senador, um deputado estadual ou uma adolescente de 16 anos, como se viu no Brasil recente – de “ofício”, sem maiores constrangimentos.
O iliberalismo tende a surgir primeiro como exceção. E logo como regra. No Brasil tem sido assim. Exemplo típico são os inquéritos sobre fake news, de 2019. Lógica de exceção que já se prolonga por mais de sete anos, e “deve seguir ao menos até as eleições”, segundo um ministro – sem que ninguém faça ideia sobre o que uma coisa teria a ver com a outra. O risco maior é quando o vezo iliberal se converte, ele mesmo, na regra. É precisamente este o sentido dos decretos assinados por Lula, ainda na outra semana. Os decretos já partem de uma anomalia: o executivo ampliando competências de um órgão de Estado – a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), criada por lei, no Congresso. Mas este não é o ponto central.
O grave, efetivamente, é converter uma agência ligada ao Executivo – um poder de mando político, essencialmente – em órgão de monitoramento do universo digital. E logo de boa parte do universo da opinião, em nossa democracia. Isto inclui tratar, entre outras coisas, dos “crimes contra a democracia”. Isso em um País no qual a AGU, ainda recentemente, mandou que fosse apagada a postagem crítica de uma jornalista a uma lei em discussão no Congresso. Com direito a refazer a decisão, dias depois, criando a estranhíssima regra de que isto não poderia ser feito com jornalistas. Como se nossa Constituição estabelecesse duas classes de brasileiros quanto ao direito de opinar sobre leis em discussão no parlamento. Ou sobre a liberdade de expressão em geral.
Não penso que estas coisas sejam “acidentes de percurso”, como me definiu um tipo de alto escalão, dia desses, em um debate. Há uma doença na vida pública brasileira. Quando aceitamos a relativização da lei, imediatamente ingressamos em uma ladeira escorregadia. De exceção em exceção o poder toma gosto. Move-se como um organismo, raramente disposto a recuar. E é por isso que toda república vive de limites. De freios e contrapesos. De regras e garantias individuais, cuja força precisamos urgentemente reconstruir.“
Segurança pública em crise. Corpos encontrados em diferentes pontos da cidade, confrontos policiais que terminam em morte, aumento da população em situação de rua e frequentes apreensões de drogas e anabolizantes.
Na saúde, a situação também preocupa. Há relatos de negligência hospitalar, dificuldade para conseguir atendimento nos postos e falta de especialistas em diversas áreas.
Na habitação, o cenário parece fora da realidade da população. Aluguéis cada vez mais caros, enquanto a mobilidade urbana se deteriora. Nos horários de pico, os ônibus circulam lotados, transportando muito mais passageiros do que o razoável.
Na educação, as dificuldades enfrentadas pelas famílias de baixa renda são enormes. Quem depende da escola pública para deixar seus filhos sabe dos desafios diários.
Enquanto isso, denúncias de irregularidades em obras públicas, trocas constantes de secretários e poucos vereadores se manifestando de forma firme sobre os problemas que afetam a população.
A pergunta que fica é: até quando o povo continuará calado diante de tantas promessas não cumpridas e da sensação de ter sido enganado?
“Se o prefeito tinha fama de ser um excelente investigador, a prisão de um secretário por corrupção levanta uma questão inevitável: os critérios para escolher e fiscalizar sua equipe foram realmente adequados? Afinal, se quem era considerado um dos melhores não percebeu um problema tão grave dentro do próprio governo, como a população pode confiar que os demais problemas da cidade estão sendo acompanhados de perto?”
Ao Observador
Não sei de quem você está se referindo, mas se o desenho serve para Gaspar, nenhum (ex)secretário ainda foi preso. Ele está com tornozeleira eletrônica, como outros daqui.
Passado e presente, de lá e de cá, tudo misturados. Vergonha sem igual.
Como todo político (antigo ou que posa de “novo”), usou uma fama e uma onda passada. O futuro só mudará com transparência e cobrança pública – mas, com fatos e provas -, como aconteceu recentemente. E o rei ficou nu. Se ele e quando reconhecer isto – a nudez -, já terá sido um grande passo para se redimir, trocar de companhias (antigas e novas) e que mais se parecem serem “amigos da onça”.
Avisos para a reflexão aos Brasil e aos brasileiros anestesiados por seus falsos líderes e que criam fantasmas como inimigos do povo para terem vantagens eleitorais que atrasam ou levam ao precipício todos, menos a casta dominante do estado.
AS LIÇÕES DO CAOS BOLIVIANO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
La Paz está sitiada. Há estradas bloqueadas, caminhões parados, combustível escasso e dinamite nas manifestações. Um jovem morreu. O presidente Rodrigo Paz, eleito há sete meses prometendo estabilizar a economia após duas décadas de hegemonia do Movimento ao Socialismo (MAS), remonta seu gabinete para evitar o colapso de seu governo. Evo Morales, escondido nos trópicos cocaleiros e acuado por acusações criminais, reaparece nas sombras da crise, mobilizando a militância de rua que ajudou o MAS a conquistar o poder.
A cena boliviana expõe em carne viva um dilema que atravessa a América Latina. Governos de direita vêm chegando ao poder embalados pelo desgaste da esquerda populista, pela estagnação econômica, pela insegurança e pelo cansaço com Estados caros e ineficientes. Mas a vitória eleitoral não dissolve automaticamente o modelo que os eleitores punem nas urnas. Ele sobrevive em sindicatos, corporações, expectativas sociais e, sobretudo, na baixa tolerância à dor do ajuste.
A Bolívia é um exemplo dramático porque o colapso da economia socialista já não podia ser disfarçado. Depois de anos de déficits elevados, reservas dilapidadas e subsídios improdutivos, o país entrou em escassez de dólares, inflação e desabastecimento. Os eleitores disseram “No MAS!”. Paz venceu prometendo liberalizar a economia sem desmontar a proteção social. Parecia uma fórmula prudente. Descobriu logo que prudência fiscal e prudência política nem sempre caminham juntas.
A eliminação dos subsídios aos combustíveis detonou uma reação em cadeia. A reforma agrária anunciada pelo governo enfureceu movimentos indígenas e sindicatos camponeses. Paz acabou revogando a medida, trocou ministros e anunciou pacotes emergenciais, como cortes de salários do Executivo. Ainda assim, a agitação continua.
Há ecos por toda a região. Javier Milei reduziu drasticamente a inflação argentina e reequilibrou as contas públicas, mas a política cobra o intervalo doloroso entre estabilização macroeconômica e melhora da vida cotidiana. No Chile, José Antonio Kast cresceu sobre a fadiga produzida pelos anos Boric, pela insegurança e pelo fracasso do maximalismo constitucional progressista. No Peru, presidentes caem em série num sistema político incapaz de produzir legitimidade duradoura. No Brasil, o retorno do lulopetismo reflete, entre outras coisas, a dificuldade de sustentar disciplina fiscal em sociedades acostumadas à expansão contínua do Estado – e seu desgaste, a impossibilidade de sustentar essa expansão.
Apesar da onda à direita, o eleitor latino-americano parece menos movido por fidelidade doutrinária do que por frustração acumulada. Derruba governos porque crescimento, segurança e serviços públicos continuam decepcionando. Depois se frustra novamente com quem prometeu consertar o que recebeu. Os ciclos políticos encurtaram. A impaciência aumentou. As ruas frequentemente cobram resultados em velocidade incompatível com reformas estruturais.
A nova direita chegou ao poder com propostas diversas: Milei é libertário na economia e populista no estilo; Kast é conservador e mais institucional; Bukele é securitário e iliberal; Bolsonaro é moralista, personalista e pouco liberal na economia. Em comum, todos cresceram em sociedades cansadas de inflação, criminalidade, corrupção e paralisia estatal.
A crise boliviana mostra como esse cansaço pode conviver com dependências políticas profundas. Décadas de subsídios, benefícios corporativos e expansão estatal calcificaram relações difíceis de desmontar democraticamente. A conta chega sob a forma de inflação, escassez ou dívida, mas isso não torna automaticamente aceitável o custo social do tratamento. Ajustes rápidos demais podem incendiar países já frágeis. Ajustes tímidos demais prolongam a agonia.
La Paz convulsionada simboliza uma região presa entre dois impulsos igualmente desgastados: a política da anestesia permanente e a política do choque sem lastro social. Em algum ponto entre esses extremos, as democracias latino-americanas precisarão encontrar condições para sustentar reformas duras e duradouras sem destruir a legitimidade necessária para realizá-las.
COMBATE A FACÇÕES NÃO DEVERIA TER IDEOLOGIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Nos dois polos do espectro político veem-se reações inflamadas à decisão do governo de Donald Trump de classificar como terroristas as principais facções do crime organizado no Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O jogo eleitoral explica grande parte dos discursos hiperbólicos.
Para a direita adepta dessa e de outras bandeiras belicosas e populistas na segurança pública, trata-se do início de uma guerra implacável contra o narcotráfico —e, não menos importante, de uma medida associada ao encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro (PL) na antevéspera.
Para a esquerda liderada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trata-se de ameaça à soberania e traição aos interesses pátrios maquinada pela família Bolsonaro —que, também nessa versão, acaba levando os créditos pela ofensiva trumpista.
Ela não vem de hoje, muito menos se limita ao Brasil. Do ano passado para cá, a Casa Branca já classificou como terroristas organizações criminosas do México e da Venezuela, entre outras com atuação nas Américas Central e do Sul. O intento de estender tal designação ao PCC e ao CV era conhecido havia meses e fazia parte das preocupações diplomáticas do governo Lula.
A estratégia americana se ampara em um erro conceitual. Pelos critérios mais aceitos do regramento internacional, o terrorismo se caracteriza, principalmente, por objetivos políticos e ideológicos —e, por mais que o PCC e o CV imponham seu jugo cruel sobre comunidades e se infiltrem na economia e no Estado, seu objetivo é assegurar os lucros do crime, não derrubar governos.
As consequências vão além da teoria, ao abrir caminho para intervenções armadas fora do território dos Estados Unidos, facilitar deportações e criar riscos de sanções contra pessoas, empresas e bancos pelos quais passe dinheiro das facções.
Idealmente, uma colaboração bem-vinda deveria se dar na forma de recursos, treinamento e inteligência, dado que o crime organizado é, sim, um fenômeno transnacional. No plano doméstico, demos passos importantes com a Operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado, e sua nova fase, a Fluxo Oculto, deflagrada nesta semana.
Ambas se basearam na cooperação institucional entre órgãos federais e paulistas contra o aparato financeiro utilizado pelo PCC. Sem ações espetaculosas nem disputas políticas, é possível e imperativo fechar brechas por onde o crime se infiltra na economia legal e perpetua seus ganhos.
Não há, até aqui, mais do que especulação em torno dos impactos da medida de Trump, inclusive os meramente eleitorais. Mesmo o imprevisível e destrutivo presidente americano há de saber, de todo modo, que perante a comunidade internacional estará lidando com uma das maiores democracias do mundo, não com uma ditadura falida como a que atacou na Venezuela.
Sobre o editorial acima, do jornal Folha de S. Paulo, um comentário meu
O governo brasileiro e especialmente o irresponsável petismo de Lula, na mentirosa e dissimulada guerra de narrativas de tirar do rico, tributando-o mais para distribuir aos pobres como se fossem eternos dependentes do estado para a cabala fácil de votos, vem se estabelecendo numa derrama arrecadatória sem precedentes para cobrir os seus próprios desatinos e rombos das contas públicas dessas benesses, desperdício, pendurilhos a privilegiados, empreguismo e corrupção.
Ao cidadão comum, desprotegido, sem contadores, sem padrinhos, sem caros advogados, movimentações atípicas de apenas R$2 mil reais atiçam a inteligência artificial da Receita federal, mas bilhões do crime organizado, políticos e empresários de fachadas ou de verdade corruptos e sonegadores, não. Interessante esta artificialidade. Só esta semana os órgãos de repressão governamentais “notaram” movimentações de mais de R$20 bilhões, repito R$20 bilhões esquemas de lavagem, sendo que R$1 bilhão, repito R$1 bilhão, em dinheiro vivo que passou por este sistema.
Pare fechar, uma conta rápida. Quanto são 32% de tributos sobre R$20 bilhões e que o governo deixou de arrecadar, mas para compensar aumentou contra todos para a sua farra governamental e de reeleição? Quantos outros bilhões estão passando nesta boiada, gerando concentração de renda, deixando de ser reproduzido como agregação de riqueza econômica para a sociedade, e duplamente sumindo neste ralo pois não são tributados, e a conta em mais impostos é repartido entre todos, inclusive, e as vezes, principalmente, entre os próprios pobres que o governo os têm na coleira com esmolas? Acorda, Brasil!
VAI ROLAR A FESTA, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo
Daniel Vorcaro comprou tudo e todos, construiu e destruiu um banco em tempo recorde, e agora? Agora, o governo federal, o governo do DF, o Supremo, os bancos públicos e privados movem mundos e (principalmente) fundos e a raia miúda e os contribuintes pagam parte da conta do Master com o “ajuste fiscal” incluído no acordo de salvação do banco, de R$ 6,5 bilhões.
Nesse caso, “ajuste” significa fim de concursos e de vagas e piora de serviços e de manutenção da capital, ou seja, mais arrocho para o funcionalismo público e mais descuido e irritação para a população que depende de professores, médicos, transportes, burocracia azeitada…
Enquanto isso, o Dr. Vorcaro volta a negociar um acordo de delação premiada com a PF, contando o que ainda não se sabe, e tem a audácia de pretender retomar o seu banco liquidado, pagar algumas dívidas e ainda ficar com um troco. Pode isso, minha gente?
Esse é o Vorcaro que oferecia jantares de R$ 60 mil para, por exemplo, o então governador do Rio, seu “amigo, amigo, amigo” Cláudio Castro, e disponibilizava R$ 134 milhões para Flávio Bolsonaro e “o máximo” para Eduardo Bolsonaro nos EUA, para ambos, em tese, tocarem o filme do pai.
E que contratava escritório de advocacia da família de um ministro do STF por R$ 130 milhões, tinha sociedade com outro num resort de luxo e andava por aí em jatinhos e festas nem sempre convencionais, com poderosos e garotas de programa.
Isso sem falar nos R$ 146 milhões em imóveis que Vorcaro estava dando para o próprio presidente do BRB de então, Paulo Henrique Costa, que até exigia piscinas.
Nós, leigos, que pagamos impostos, temos QI suficiente para entender a emergência de cobrir o rombo e manter a capacidade de empréstimo do banco estatal da capital da República, tentando evitar uma crise de bom tamanho no sistema financeiro nacional.
O governo federal aprovou o acordo, sem assumir fiança num ano eleitoral em que Master e Vorcaro são peças-chave. Ficou assim: o BRB pede empréstimo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com fiança dos grandes bancos públicos e privados e, em caso de calote, o GDF cobre com dois fundos, o estadual (FPE) e o municipal (FPM).
Ok, mas nós ainda queremos saber como ficam Vorcaro, seu sócio, seu cunhado pastor, Ibaneis, Castro, Paulo Costa, Flávio e Eduardo, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli… A lista é longa.
E o mais importante, inclusive para os servidores e cidadãos do DF e beneficiários de fundos de pensão: e os bilhões que embalaram a festa? Onde estão, para onde irão? Essa resposta o nosso QI não alcança.
CÂMARA VILANIZA OS EMPRESÁRIOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A redução da jornada de trabalho e a revisão da escala 6×1 são temas legítimos numa sociedade que discute produtividade, qualidade de vida e transformação das relações laborais. O problema é que a Câmara dos Deputados decidiu conduzir esse debate de forma irresponsável, com retórica eleitoreira e demonização do setor produtivo, composto em sua maioria por micro e pequenas empresas, responsáveis por 7 em cada 10 vagas de emprego criadas no Brasil.
Esses valentes empreendedores brasileiros, a maioria dos quais gente comum com um sonho na cabeça, decidiram investir no País, a despeito da imensa carga tributária, do cipoal burocrático e da persistente insegurança jurídica. Por isso, deveriam ser mais bem tratados pelo Congresso. Mas os deputados, preocupados exclusivamente com as eleições, optaram pelo caminho da demagogia explícita e, em seus discursos, transformaram os empresários em insensíveis senhores de escravos, ignorando o que eles tinham a dizer sobre o assunto.
A sessão que aprovou a PEC do fim da escala 6×1 tornou isso explícito. O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que a proposta acabaria com a “escravidão moderna do século 21”. O deputado Florentino Neto (PT-PI) declarou que a escala “escraviza”. O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) citou Joaquim Nabuco para defender que “não basta acabar com a escala 6×1, é preciso acabar com a exploração das trabalhadoras e dos trabalhadores”. Em diversos momentos da discussão, empresários, grandes ou pequenos, foram retratados quase como inimigos morais da civilização.
É evidente que jornadas exaustivas precisam ser combatidas. O problema começa quando qualquer ponderação sobre custo, produtividade ou impacto econômico passa a ser tratada como defesa da exploração humana, sem levar em conta os desafios técnicos e econômicos num país de baixíssima produtividade.
Para ter uma ideia, a escala 6×1 ainda está presente em 53,2% dos empregos do transporte aéreo, em 52% dos serviços de alojamento, em 47,1% da alimentação e em 42,2% do comércio, segundo o Ministério do Trabalho. Hospitais, restaurantes, hotéis, supermercados e pequenos negócios não conseguem substituir jornadas e recalcular estruturas inteiras da noite para o dia. Ainda assim, a Câmara acelerou a tramitação e impôs um prazo de 60 dias, após a promulgação da PEC, para que empresas e trabalhadores renegociem acordos e convenções coletivas para adequação inicial à nova carga horária, o que certamente levará à judicialização. A PEC originalmente apresentada por Reginaldo Lopes (PT-MG) previa um período de adaptação de dez anos.
Formalmente, representantes empresariais participaram da tramitação, por meio de audiência específica com entidades patronais e manifestações de confederações empresariais. Mas, na prática, falaram para as paredes. Quase nada do que foi apresentado pelo setor produtivo parece ter surtido efeito concreto sobre o texto ou sobre o ritmo da tramitação.
A maioria das audiências públicas promovidas pela comissão especial foi dominada pelas centrais sindicais, por movimentos sociais e por representantes do governo, todos obviamente interessados na mágica de reduzir a jornada sem tocar em salários. Os estudos da Confederação Nacional da Indústria mereciam ao menos ser levados em conta. A entidade estima impacto anual entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões.
Nada disso significa que a escala 6×1 deva permanecer intocável. Mas reformas dessa magnitude exigem transição responsável, negociação séria e respeito às particularidades de cada atividade econômica. O Congresso preferiu outro caminho: transformar empresários em vilões convenientes de uma campanha eleitoral disfarçada de avanço social. No plenário, falar em custo, produtividade ou prazo de adaptação virou quase confissão de insensibilidade moral. Brasília talvez ganhe aplausos com essa encenação. Quem produz, emprega e sustenta a economia brasileira ficará com a conta.
Quando Gaspar tenta imitar a miséria do oportunismo urbano e ocupação do conflagrado Rio de Janeiro
É OPORTUNA A AÇÃO DO MPRJ CONTRA LEI ANISTIANDO CONSTRUÇÃO IRREGULAR NO RIO, editorial do jornal O Globo
Fez bem o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) em defender na Justiça a inconstitucionalidade de duas Leis Complementares (LCs), aprovadas em 2024 e em vigor desde 2025, que autorizam e incentivam construções irregulares na cidade do Rio. A primeira, a LC 281, permite, mediante o pagamento da taxa conhecida como “mais valia”, legalizar “puxadinhos” de toda sorte erguidos até 30 de maio de 2025, como andares extras ou fechamento de varandas. A segunda, a LC 291, é ainda mais perniciosa: permite, mediante outra taxa chamada “mais valerá”, legalizar obras em construção ou futuras que estejam em desacordo com as normas urbanísticas, por um período de dois anos a partir de 1º de dezembro de 2025. É uma lei tão estapafúrdia que autoriza irregularidades que nem sequer foram cometidas. O recado do poder público com essa legislação é simples: pagou, liberou.
Desde 2009, sucessivas legislaturas têm adotado o mecanismo da “mais valia” para legalizar obras irregulares no Rio. E, desde 2018, entrou em vigor o disparate do “mais valerá”, anistiando irregularidades futuras — dispositivo que viola não apenas a Constituição, mas também a lógica e o bom senso.
A situação é ainda mais insólita porque as duas leis foram aprovadas, por iniciativa do então prefeito e atual candidato ao governo do estado, Eduardo Paes (PSD), logo depois da sanção de um novo Plano Diretor com regulações sensatas para a revitalização e a ocupação do espaço urbano. “As mudanças flexibilizam regras de ocupação do solo e ampliam o potencial de construção em várias regiões da cidade, sem observar as exigências constitucionais relativas à realização de estudos técnicos e à participação popular adequada durante a tramitação legislativa”, afirma a representação do MPRJ. Para que então criar regras, se elas podem ser alteradas ao sabor das pressões
Construtoras argumentam se tratar de medida temporária, necessária para o bom funcionamento do mercado imobiliário. Afirmam ainda que, uma vez aprovada e sancionada a lei, uma reversão na Justiça criaria insegurança para os investidores. “Não podemos entender como normal que regras estabelecidas e projetos licenciados legalmente sejam questionados. Se existe alguma falha na regra, que se discuta uma nova lei para futuros projetos”, afirma Claudio Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio.
É preciso, é verdade, ter cautela com os projetos que autorizaram o aumento de potencial construtivo em várias áreas da cidade e a conversão de imóveis hoteleiros em residenciais, como contrapartida para investimentos — bem-vindos e necessários — na revitalização das áreas centrais. Mas isso é muito diferente da “boiada” imobiliária instaurada pela “mais valia” e pelo “mais valerá”. Cabe a pergunta óbvia: se a anistia é temporária e voltada a projetos restritos, por que então tem sido sistematicamente renovada há quase duas décadas? É evidente, como o MPRJ argumenta, que as irregularidades terão consequências desastrosas, talvez irreversíveis, para o meio ambiente, a infraestrutura e a paisagem urbana.
Essa turma que caiu de paraquedas pra Gaspar, não se restringe aos citados, tem muitos mais, a iniciar pela secretária de assistência social e por aí vai…
Realmente, tomaram Gaspar. Como ela diz nos seus pitis: é phoda.
Agora, eles caírem de paraquedas por aqui não é o pior e nem eles são culpados. Primeiro, alguém permitiu que eles caíssem em Gaspar: Paulo Norberto Koerich e o PL. Ninguém mais. Segundo é um mecanismo – esse da empregabilidade de companheiros e rodízio de estrangeiros entre nós – que já vimos no tempo do PT e de Pedro Celso Zuchi. Terceiro é de se perguntar, o que isto agregou a cidade e principalmente ao governo bolsonarista de Paulo Norberto Koerich além de um selo nada apropriado que lhe deixa nu?
Herculano
Se….
Gaspar parece ter ganhado um prefeito especializado em arqueologia administrativa. Paulo Koerich, ao que tudo indica, passa mais tempo escavando a gestão anterior do que governando a cidade que recebeu para administrar.
É claro que fiscalizar, revisar contratos, apontar erros e corrigir distorções faz parte do dever de qualquer gestor público. O problema começa quando isso deixa de ser instrumento de gestão e vira método de governo. Quando a administração municipal passa a viver de olhar para trás, alguém precisa fazer a pergunta óbvia:
**se o prefeito passa o dia inteiro cuidando do governo do Kleber, quem está cuidando do governo do Paulo?**
O dia tem 24 horas. A cidade tem problemas reais. Ruas, escolas, obras, saúde, limpeza urbana, planejamento, trânsito, atendimento à população, licitações, manutenção dos serviços públicos. Nada disso espera o prefeito terminar sua caçada política ao passado.
A impressão que fica é que Gaspar está sendo governada pelo retrovisor. Enquanto o discurso oficial tenta convencer a população de que todos os males nasceram na gestão anterior, a cidade segue andando para trás — e ninguém parece disposto a puxar o freio de mão.
O prefeito foi eleito para administrar Gaspar, não para ser comentarista permanente do governo que passou. A população não entregou a ele uma lupa para procurar defeitos antigos; entregou uma caneta, uma estrutura pública e a responsabilidade de resolver os problemas de agora.
Criticar o passado pode render manchete, discurso e aplauso de torcida. Mas não tapa buraco, não melhora escola, não organiza fila, não acelera obra, não limpa cidade e não entrega resultado.
Gaspar precisa de governo, não de desculpa. Precisa de comando, não de narrativa. Precisa de prefeito olhando para frente, não de gestor parado no acostamento da história, apontando o dedo para quem já saiu enquanto a cidade perde velocidade.
No fim, a pergunta continua incomodando:
**se Paulo Koerich dedica seu governo a cuidar do governo do Kleber, quem afinal está cuidando de Gaspar?**
A eleição de Paulo Norberto Koerich (PL) foi um grande erro eleitoral para Gaspar, eleitores gasparenses infelizmente não enxergaram isso, mais uma é tantas presepadas de Paulo Norberto Koerich (PL) que é impossível achar um adjetivo correto, se é negligência ou ingenuidade. Experiência na segurança pública seu currículo é invejável, como administrador público e executivo um desastre.
O MORDOMO DA CASA BRANCA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O senador Flávio Bolsonaro empenhou-se em conseguir uma foto ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de provar, aos que duvidam de sua candidatura no campo da direita, que é forte o bastante para ter acesso à Casa Branca, espécie de Meca dos reacionários de todo o mundo, mesmo sendo apenas um parlamentar brasileiro medíocre. Nesse sentido, pouco importa se o encontro durou um minuto ou uma hora, conforme diferentes versões. O que interessa, para o clã Bolsonaro, é que aconteceu e foi registrado numa imagem que pode dar sobrevida a uma candidatura questionada mesmo por alguns dos mais fiéis adeptos do bolsonarismo, graças aos enroscos de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista de um dos maiores escândalos da história recente do País.
Dito isso, a imagem vale muito mais do que mil palavras. Fora os fanáticos seguidores de Jair Bolsonaro, ninguém consegue enxergar ali alguém que pretende ser chefe de Estado no Brasil. Pelo contrário: na pose de mordomo da Casa Branca, Flávio transpira subserviência a Trump. Tal comportamento é o exato oposto do que se espera de um presidente da República, que representa o Estado brasileiro nas relações internacionais e, por isso, deve ser sempre altivo.
Mas ali Flávio Bolsonaro não representava o Brasil e, caso seja eleito, continuará sem fazê-lo. O único propósito de Flávio é representar sua família, sobretudo seu pai, hoje em prisão domiciliar em razão de uma tentativa de golpe de Estado. Por isso se comportou como um orgulhoso sabujo de Trump: para deixar claro que, uma vez presidente, colocará o Brasil a serviço do trumpismo. Coisas assim deveriam horrorizar os bolsonaristas que se dizem “patriotas”.
Mas o bolsonarismo que Flávio herdou do pai e que tenta manter, de maneira um tanto atabalhoada, não hesita em sacrificar os interesses brasileiros se isso representar a manutenção do poder do clã Bolsonaro. Ao lado de Flávio no encontro com Trump estava o irmão Eduardo, certamente o responsável pela visita. Deputado que perdeu o mandato por faltas, Eduardo, autoexilado no Texas, há tempos trabalha para envenenar as relações entre Brasil e EUA com o objetivo de fustigar Trump a intervir aqui em favor de Jair Bolsonaro.
Como se recorda, a traição dos Bolsonaros ao País funcionou num primeiro momento, quando Trump impôs draconianas tarifas comerciais ao Brasil como forma de pressionar o País a rever a condenação de Jair Bolsonaro. Depois, no entanto, o instinto transacional de Trump falou mais alto e ele percebeu que faria melhor negócio se dialogasse com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva – a quem chamou de presidente “dinâmico”. Mas esse revés não parece ter desanimado a família Bolsonaro, que continua empenhada em envergonhar e prejudicar o Brasil usando suas relações com a extrema direita americana para ter acesso a Trump e usar essa suposta proximidade com o presidente americano como trunfo eleitoral.
Todo esse esforço, contudo, resultou apenas numa foto que rapidamente serviu de matéria-prima para todo tipo de piada nas redes sociais. Não poderia ser diferente, considerando-se que nada a respeito desse encontro deve ser levado a sério, pois só serviu para dar um respiro a Flávio em meio ao escândalo de sua relação com Daniel Vorcaro. Se a campanha de Flávio tivesse produzido a imagem com inteligência artificial, ou se o aflito senador tivesse posado com um Trump de papelão, teria obtido o mesmo resultado e ainda pouparia o dinheiro da viagem a Washington.
Mas Flávio adicionou pilhéria à bazófia. Considerando-se que o senador mentiu seguidas vezes sobre suas relações com Daniel Vorcaro, é muito difícil acreditar em qualquer coisa que ele diga a respeito do encontro com Trump – ainda mais porque só temos a sua versão sobre a reunião. A julgar pelo que ele relatou aos jornalistas pouco depois do encontro, Flávio falou de tudo com o presidente americano, desde terras raras até crime organizado, passando por tarifas e a saúde do pai. E ainda deu dez minutos de lambuja para Trump comentar sobre as obras para o salão de baile na Casa Branca. Já a julgar pelo site da Casa Branca ou pelas redes sociais de Trump, que ignoraram o encontro, a coisa toda se resumiu mesmo à imagem embaraçosa de Flávio.
Qualquer semelhança como que se vê por aqui, não é mera semelhança. É uma prática. E com ética bandida embutida. E contra os que investigam e informam aos pagadores de cada vez mais altos e pesados feitos para sustentar a corrupção e ladroagem bandida arrumadinha entre agente públicos, políticos e privados.
OPERAÇÃO CONTRA CLÁUDIO CASTRO REVELA A CONTAMINAÇÃO DO ESTADO POR ESQUEMAS, editorial do jornal O Globo
Em menos de duas semanas, o ex-governador fluminense Cláudio Castro foi alvo de duas operações policiais, sob acusação de envolvimento em esquemas distintos de corrupção, com duas personalidades que há algum tempo deixaram as páginas de negócios e celebridades dos jornais para frequentar o noticiário policial: Ricardo Magro — o dono do grupo Refit foragido em Miami, considerado o maior sonegador do país, com dívidas tributárias estimadas em R$ 26 bilhões — e Daniel Vorcaro — cujo Banco Master, liquidado em novembro, era o epicentro de fraudes e de um ecossistema de tráfico de influência suprapartidário, com ramificações múltiplas pelos três Poderes.
as acusações. É essencial enfatizar que ele ainda não apresentou sua versão para os fatos desvendados pela Polícia Federal (PF) — e deverá ter o amplo direito de defesa que a Constituição assegura a todos. É possível que convença a Justiça de sua inocência. Mesmo assim, é lamentável que seja o sétimo ocupante do Palácio Guanabara em tempos recentes a enfrentar problemas judiciais — quatro foram presos, um cassado e só um inocentado. As acusações que o atingiram expõem o ponto a que chegou a contaminação da máquina estadual por esquemas criminosos.
Além das denúncias de que Castro atuou para blindar e favorecer o Refit, a PF apresentou evidências persuasivas de vínculos suspeitos com as fraudes de Vorcaro. Pelas acusações, ele manteve no comando do fundo previdenciário dos funcionários do estado do Rio, o Rioprevidência, diretores comprometidos com as falcatruas. O fundo chegou a mudar normas de gestão para comprar algo como R$ 3 bilhões em papéis fajutos do Master, quando os apuros do banco já eram conhecidos. Castro, diz a PF, manteve encontros com Vorcaro em “sincronismo” com a liberação dos recursos do Rioprevidência. O dinheiro veio em boa hora para manter girando a roda de imposturas de Vorcaro. “Os elementos reunidos indicam, em tese, que Cláudio Castro mantinha vinculo próximo com Daniel Vorcaro e exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master”, afirmou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na decisão que autorizou a operação.
Já haveria crime apenas com o uso temerário dos recursos destinados a financiar a aposentadoria de 179 mil servidores ativos e dos 243 mil inativos ou pensionistas. A situação se torna ainda mais grave porque, em virtude da legislação em vigor, o Tesouro estadual é obrigado a cobrir qualquer rombo atuarial dos fundos previdenciários públicos, ainda que eles funcionem com autonomia como se fossem uma previdência privada. A conta, portanto, sobrará para o contribuinte fluminense, num momento em que o estado, com dívidas crescentes estimadas em R$ 225 bilhões, tenta se equilibrar entre regimes de recuperação fiscal para continuar a prover serviços básicos. Independentemente das conclusões da Justiça, o custo Master ficará como legado inequívoco da gestão Castro.