A Câmara de Vereadores de Gaspar aprovou, mais uma vez em “regime de urgência”, na semana passada o Projeto de Lei do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, que cria o cargo efetivo de turismólogo, com 40 atribuições inicialmente, na verdade, um copia e cola da regulamentação da profissão de 2012. Ele vai custar em torno de R$110 mil por ano. O turismólogo vai ficar lotado na secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo. Esta é a notícia. Atrasada em anos.
O que vem a seguir nas minhas observações é parte das incoerências, desculpas esfarrapadas, do salve-se quem puder, da paternidade – se der certo – e da orfandade – se der errado – no continuado folclore das gestões e políticos gasparenses nesta área por aqui.
Quero deixar claro que não sou contra a contratação de um burocrata formado, com canudo e registro. Muito provavelmente, depois de passar no concurso público, ele ficará sentado, compensado banco de horas, queixando-se do sistema e estará desatualizado ao avanço da área. Distribuirá justificativas para as ideias, se as tiver, que não vingarem na burocracia do paço municipal. E aproveitará para pedir mais viagens, diárias e cursos para “conhecer” novas realidades.
O passo seguinte neste ou em outro governo, será o de inventar um turismólogo comissionado para atender o poder de plantão e o inchaço da máquina pública, sem efetivos resultados para o setor e a sociedade.
E qual é o ensaio disso tudo? A própria justificativa do PL 56/2026. “O turismo representa importante instrumento de renda, emprego e oportunidades para a população, além de promover a valorização do patrimônio histórico, cultural, natural e gastronômico local“. Só palavras. Nem uma linha, nem um dado sobre isto (número de empresas, empregos, foco, setores, faturamento, geração de tributos, perspectivas). Incrível. Também quem aprovou, não cobrou e levantou nada.
POLÍTICA, VOCAÇÃO, OPORTUNIDADE, LIDERANÇA E EMPREENDEDORISMO
Retomando. Turismo é resultado de uma política pública, é vocação – cria-se ou se aproveita -, é visão, é oportunidade, é perseverança, é preservação de memórias, cultura. É autenticidade e é empreendedorismo.
Ou alguém – para não ir longe da nossa história e realidade – acha que Antônio Pedro Pereira Nunes (Turismo Holzmann) “inventor” da Oktoberfest de Blumenau em 1984 (a primeira começou no dia 5 de setembro) era turismólogo formado? Era, na verdade e de fato, um empreendedor do setor que não dependia do empreguinho de sobrevivência – ou projeção – na prefeitura, mas sabia que todos podiam – da cidade, e mais tarde como se revelou, da região – usufruir de um eco sistema em mudanças e que tinha sido abalado pelas grandes enchentes (1983 e 1984) contra a marca atrativa chamada de Blumenau.
Antônio Nunes era um entusiasta com crédito na sua comunidade e no seu negócio. Eu estava lá na reunião na Sociedade Caça e Tiro Salto do Norte onde ele expôs a ideia dele. Era um sonhador. Era um líder. Mexeu com a tradição rural/urbana/originária da cidade, os Clube de Caça e Tiro, enquanto o atual prefeito atual sem identidade com este passado, estava na Festa de Peão, de Barretos, vestido não de Fritz, mas de peão – a que usa os mesmos animais essenciais da colonização e que ele os proíbe esse por aqui -, para supostamente, promover a festa daqui.
Voltado e resumindo: Antônio Nunes foi abraçado pelo poder político de plantão e pela sociedade nas suas ideias, evidências de que se precisava sair do lodo, recuperar a autoestima, fortalecer o senso de reconstrução e superação não da cidade em si, mas do turismo.
Antônio Nunes exalava respeito nas experiências que ele viu quando andava pelo mundo e na inspiradora alemã Munique.
Assim foi com outros de lá como Francisco Canola Teixeira, um professor de matemática, paranaense que depois de Blumenau, organizou o turismo de Pomerode como ele é hoje , Norberto Mette – que até se ensaiou também por aqui, mas que não prosperou; não por sua competência, mas pela falta de visão dos políticos e das nossas divisões na compreensão desse tipo de negócio – para não citar outros e principalmente a nova geração, como Marcelo Greuel.
CURIOSOS QUE NÃO COLOCAM A MÃO NA MASSA
Gente que não sabe diferenciar entre “vem de encontro” e “vem ao encontro“, parece também que não sabe à razão do sucesso dos nossos vizinhos, ou da gaúcha Gramado. E gente nunca colocou a mão na massa, mas discursa, dá entrevistas, como entendida, mas, até a coisa melar, quando, espertamente, tira o corpo mole fora.
Não foi um turismólogo que despertou a vocação – talvez organizou, atualizou e adaptou, aí ele é importante e concordo – de regiões como de Blumenau, Pomerode, Gramado e as sustentam até hoje. Há uma história por detrás de cada destino, circuito ou aparelho turístico. É a tal autenticidade. Ela se fundamenta em memória; história, em orgulho e exemplos. Não é uma invenção marqueteira. As ferramentas do marketing – e um turismólogo atualizado, neste caso e dificilmente um burocrata efetivo, com estabilidade, na prefeitura – apenas transportam o visitante ao orgulho, à essência que fascina e as diferenças percebidas pelos visitantes.
É isto que chamamos de atração turística. E é atração, porque é diferente do que encontramos em outro lugar. Ela surpreende, supera as expectativas e recompensa o que investimos – escolhas, tempo e dinheiro -, incluindo a forma de acolher o visitante.
Gaspar primeiro precisa se descobrir como única nesta marca “Vale Europeu” ou até ser algo fora dele. Depois, resolver as divisões internas que há entre os que querem fazer uma política de turismo por aqui, fatos que se escondem em atas, reuniões e interesses onde se a farinha é pouca, o meu pirão primeiro. E só então, integrar-se internamente e ser parte de um pacote chamado Vale Europeu. Ele está prontinho da silva. Ao menos somos parte dele desde a colonização. Falta a Gaspar o diagnóstico do presente, a visão de futuro e as escolhas.
E esta integração, não se resume à simples a colocação de um simplérimo totem com QR Code no Morro da Igreja Matriz como aconteceu atrasadamente em anos na semana passada, sem local para estacionamento para visitas guiadas de particulares e ônibus. Também não é a inundação via a imprensa local obrigada à publicação dos press releases, ou nas redes sociais amigas de tal feito, como prestação de contas ao gabinete do poder de plantão. Só faltava Paulo Norberto Koerich, PL, com aquela eloquência comunicativa peculiar, ir para a frente do totem fazer um discurso modorrento, orientado pelos comunicólogos que estão enterrando o governo manco e sem transparência há quase dois anos.
OS GASPARENSES JÁ DERAM LIÇÕES AOS POLÍTICOS DISCURSEIROS

Gaspar já possui, retalhos de exemplos diferenciais de sobrevivência no ambiente do turismo. E todos eles passaram bem longe do poder público – que é padrasto dele nos simples acessos: a rota gastronômica da Vila D’Itália (no Alto Gasparinho), a Rota das Águas (as cascatas, gastronomia e hotelaria do Distrito do Belchior) e agora, a boicotada Rota do Arraial do Ouro (gastronomia e hotelaria), na região de mesmo nome no Distrito do Belchior. E mesmo assim, Gaspar, mais uma vez, continua e está sem marca.
Outro exemplo de empreendedorismo profissional e comunitário que não dependeu de criar nenhum cargo público para o sucesso, está estampado em dois eventos que nasceram pequenos e se inseriram no nosso calendário. Hoje eles são atrativos nacionais: o festival de aeromodelismo e o rodeio crioulo, onde um simples aluguel de um transformador foi capaz de gerar uma comoção que abateu contra um empresário sério quando na titularidade da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, numa armação de velhos políticos e burocratas de plantão. No comunitário, o nosso exemplo está nas festas das comunidades religiosas, culminando com a de São Pedro.
O que fará um turismólogo de verdade, além de um emprego bem remunerado, estável, com aval do Sindicato, na prefeitura de Gaspar para haver tanta badalação nos discursos dos nobres vereadores? Espera-se que turismólogo não proponha mais um título como o recente, já tão rapidamente esquecido e desacreditado “Capital Nacional da Moda Infantil“. Coração do Vale (de que Vale? O Itajaí Açu ou o Europeu?) já está bom demais. Está enfraquecido e cansado, é verdade, simplesmente porque esta não é a nossa vocação.
Aguardemos, então, o turismólogo. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, acaba de descobrir que estamos fora do mapa por falta por falta de política, ação, atração, imagem, organização e autenticidade, mas de um turismólogo. Os políticos da base e da suposta oposição, concordam e embarcaram na urgência da criação do cargo burocrático. Até que seja montado o concurso e o turismólogo seja chamado, já terá ido para o espaço o atual governo. Quanta lerdeza, até para um diagnóstico da formalidade burocrática. Credo! Muda, Gaspar!
TRAPICHE
O jabuti gasparense I. Diante do perturbador silêncio da mídia local e regional, tratei aqui, deste assunto “discretamente” na terça-feira da semana passada, até porque o foco, na verdade, era outro: GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, E A CÂMARA ESCONDEM POR 90 DIAS – EXATAMENTE PARA DEPOIS DAS ELEIÇÕES – APROVAÇÃO DA MILIONÁRIA “REFORMA ADMINISTRATIVA”, BEM COMO AS FATIAS DOS VEREADORES NESTE EXAGERADO BOLO. ELE ESTÁ FERMENTADO CONTRA A DISCUSSÃO NACIONAL NESTAS ELEIÇÕES: COMBATE AO INCHAMENTO, O EMPREGUISMO, A INEFICÁCIA DA MÁQUINA PÚBLICA, A CRIAÇÃO DE PRIVILÉGIOS E PENDURICALHOS. OS “MÁGICOS” ILUDEM A SOCIEDADE, A QUE PAGA TUDO ISTO.
O jabuti gasparense II. Aportou na Câmara de Gaspar o Projeto de Lei 50/2026 com o discreto – como sempre nestes casos – título: “altera dispositivo da Lei nº 3339 de 31 de agosto de 2011, que instituiu a Comissão Permanente de Sindicância e Processo Administrativo Disciplinar e dá Outras Providências”. É de propósito. É para passar sem chamar a atenção. Entretanto, o relator sorteado foi Giovano Borges, PSD. Hum. Ele está viúvo na CPI que ele quis criar para apurar as possíveis irregularidades nas obras da barranca do Rio Itajaí Açu, ali na Anfilóquio Nunes Pires, bairro Figueira, resolveu pegar este PL para subir nas tamancas. Virou herói. E ganhou Gaspar. O governo em tempo de eleições, recolheu a sacola de espertezas
O jabuti gasparense III. Leitor e leitora: primeiro guarde bem este número: uma UFM aqui vale hoje R$165,20. Segundo, percebam as mágicas dos que armam no Paço Municipal. E terceiro assistam o esperneio do inexplicável de gente que ainda insiste neste assunto mal explicado. Quando a Lei 3339/2011 foi promulgada por Pedro Celso Zuchi, PT os membros – que só podem ser servidores efetivos – desta Comissão ganhavam de gratificação, quatro UFMs e o presidente 5,5 UFMs (ao cálculo de hoje, também guardem bem, respectivamente, R$660,80 e R$908,60). Noves fora, para quem passou em aula de aritmética no ensino básico, estes dois números convertidos para o que se colocou na Câmara, o aumento em reais beira em quase 750%. Uau!

O jabuti gasparense IV – No governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, hoje no Podemos para fazer campanha à reeleição de Jorginho Mello, PL, e ajudar Paulo Norberto Koerich, PL, o membro dessa Comissão do PAD subiu de quatro para sete UFMs ou seja, R$1.156,40 por mês de gratificação. O secretário da Comissão, que invariavelmente se reúne uma vez por semana, saiu de quatro, para 5,71 e depois para onze UFMs, ou seja R$1.817,20 por mês neste ano. E o presidente, de quatro para 7,88 e agora percebe mensalmente 12 UFMs, ou seja R$1.982,40.
O jabuti gasparense V. Qual a proposta do governo de Paulo Norberto Koerich, PL? Tornar as gratificações iguais para os três membros da Comissão do PAD: R$5.500,00, sem atrelamento a UFMs. O reajuste das gratificações se daria nos índices das negociações salariais da data base da categoria e não pela UFMs. Apesar de expresso no PL que está na Câmara de que a gratificação não se incorpora ao salário, só este “novo” sistema de atualização dos valores, abre brecha para na Justiça reconhecer que uma coisa é igual a outra. Isto sem falar que, tanto o presidente bem como o secretário da Comissão do PAD, podem pedir mais aumento proporcional, pois já tinham este diferencial na Lei em vigor. É direito adquirido. E não será mais R$5.500,00 para todos.
O jabuti gasparense VI. Perceberam com o igual evoluem em desigualdade evoluem no ambiente público em penduricalhos mal construídos no Executivo e aprovado na Câmara? E neste caso vai custar por ano em torno de R$241 mil? É assim que funciona a política, os políticos e o jogo entre uma casta de servidores. E qual é a explicação de algo mal feito, fora de mercado e da lógica? Nenhuma como mostra a ilustração das verbas bilionárias criadas pelos políticos para usarem na campanha eleitoral e permanecerem no poder viciado em jabutis. E pegou mal mais uma vez. E não só entre os vereadores, o governo, os cidadãos e as cidadãs que pagam esta disparatada conta , mas entre os próprios servidores. Eles identificaram privilégios para apenas três. E ao mesmo tempo, oportunidades de isonomia para outras situações similares em Conselhos.
O jabuti gasparense VII. Um mal estar danado. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, vinha esticando a corda com os vereadores nesse processo de inchamento da máquina pública, e os vereadores, negociando com o governo para eles próprios terem vantagens com isto tudo e principalmente com a milionária a Reforma Administrativa. Ela sendo providencialmente retirada do radas para não dar mais xabu na campanha eleitoral em curso como reportei aqui. Passado 25 de outubro, o que se esconde já está precificado e virar como trator. Entretanto, neste caso específico do PAD, todos esqueceram de combinar com Giovano Borges, PSD. E a casa caiu.
O jabuti gasparense VIII. Não restou aos vereadores, incluindo o mais longevo deles, José Hilário Melato, PP – que dá os votos que faltam ao governo -, dizer claramente de que não vai embalar este filho. É de outros no tamanho que está. Na mesma toada caminhou a líder de Paulo Norberto Koerich, Alyne Karla Serafim Nicoletti, ambos do PL, que segundo ela, já tinha advertido o governo antes da matéria chegar à Câmara. Como é que é? Credo. Mais uma vez, um retrato reiterado da teimosia que leva a desgastes impróprios ao governo. Ou pego de calças curtas, todos querem embrulhar o problema no pacotão contra a cidade para depois das eleições? Alguma dúvida de que os discursos são de fachadas? Muda, Gaspar!

Esta ilustração ao lado, é didática e diminui o meu textão. Ouvi da própria líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, que o superintendente da Ditran de Gaspar, Luciano Amaro Brandt, é teimoso. E só depois de mais de um ano e meio, muitos acidentes e quase uma comoção nas redes sociais e mídia na semana passada, resolveu instalar uma lombada física móvel no tal trevo da Parolli, para ver se contem os apressadinhos e desatentos que provocam acidentes repetidos naquele local.
Não deveria ser assim. A Ditran, pela ilustração, possui recursos e autonomia. E os vereadores que entraram na mesma toada de reclamação, parecem que não estão fazendo a lição de casa ao exigir prestações e aberturas das contas da Ditran de Gaspar. Não custa lembrar que a Ditran é ligada a secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, tocada por Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha, a que não compartilha e senta nos números essenciais de Gaspar. Então há muitos teimosos num mesmo lugar. O mau resultado é inevitável não só para a cidade, mas para o próprio governo.
Em Gaspar há candidatos para qualquer lado que você olhe. Um desperdício. Todos olhando para o seu próprio umbigo. Uma pena. O PT até então parecia hegemônico. Ele mais uma vez possui candidato a deputado estadual, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi. Uma promessa e expoente da sigla por aqui, João Pedro Sansão, preferiu o vereador de Blumenau, Jean Volpato para quem presta assessoria especializada.
E o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT? Está fazendo o L para o advogado paulistano João Paulo Tavares Bastos Gama, ex-superintendente do Porto de Itajaí que quer uma vaga na Assembleia Legislativa. E olha que Lovídio Carlos Bertoldi, PT, irmão de Dionísio, já foi o homem forte dos governo dos PT por aqui. Até tentou ser prefeito. E ficou na mão já naquela época.
Quando a deputada Federal Júlia Zanatta, PL, exige fidelidade canina dos que não estão seu partido ao projeto de Flávio Bolsonaro, é porque ela sabe que o seu candidato não empolga a direita e o conservadorismo catarinense como conseguiu, por exemplo, Jair em outros tempos. Flávio será eleito no segundo turno, se parar de fazer barbeiragem, compondo, repito, compondo com a própria direita, e como única saída para se tirar Luiz Inácio Lula da Silva e o PT do poder, bem como colocar um freio de arrumação no STF que expõe e desestabiliza o próprio Judiciário.
E quando chegar o segundo turno, a deputada Júlia Zanatta, PL, terá visto estragos como Santa Catarina perder uma vaga na Câmara para poste Jair Renan Bolsonaro e tomara que não seja na vaga dela, bem como outras quatro que o STF nos tirou na proporcionalidade que a Constituição diz que temos direito desde o censo de 2022/23 do IBGE. Esta briga que nos tolhe, não está no radar, até agora, incrivelmente, de nenhum candidato a deputado Federal.
Quando isto vai parar? Manchete do UOL da semana passada: “perdas com Bets anulam ganhos com isenção do IR“. Está tudo fora do controle tanto no ambiente das legais, mas principalmente das ilegais. Há crime. Há doença mental contra os brasileiros levados ao vício e compulsividade. Há dívidas e impagáveis. Há drenagem na circulação da riqueza das pessoas na economia.
O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, por duas semanas, ainda não conseguiu explicar aonde vai usar os R$100 milhões que quer que a Câmara o autorize a contrair. O vereador e relator desta matéria, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, está esperando a resposta do seu requerimento ao gabinete de Paulo para distribuir o seu parecer nas comissões da Câmara.
O primeiro debate dos presidenciáveis no tradicional que abre este tipo de confronto a partir da TV Band, mostra três fatores: Luiz Inácio Lula da Silva, PT e Flávio Bolsonaro, PL, liderando, mas lambuzados, vão jogar parados ausentes da exposição. A decepção ficou por conta da inesperada ausência de Romeu Zema, Novo. Ronaldo Caiado, PSD, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos, Missão, disputaram que se sairá melhor na rabeira. Renan foi agressivo e para se diferenciar onde patina. Busca de reconhecimento, onde as cartas já estão marcadas: Lula e Flávio. Além disso, foi também o mais autêntico, possui habilidade comunicativa, conhecimento e clareza, mesmo se possa questioná-lo nos exageros tipo Enéas Carneiro. O tempo provou que Enéas tinha razão.
Em Santa Catarina, o alienígena vindo da inexpressividade de quase 20 anos como vereador no Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, PL, também sumiu do debate da NSC com os candidatos a senador. No fundo, ele nem sabe onde está Santa Catarina. Em solidariedade, a oestina, catarinense, a deputada Federal, Caroline De Toni, PL, também não apareceu para supostamente não constranger Carlos e ter que dar explicações em nome dele. Assumiu riscos. E exagerados, até porque isso é contra a capa de herói do bolsonarismo.
Político candidato é igual aquele produto antigo – ou remédio – que você acostumou a usar, não quer trocar, mesmo sabendo que ele está ultrapassado, é melhor, mais seguro, tem outras formulas, é mais barato e tem novas fórmulas frutos de pesquisas e adapatação as doenças que evoluiram. Só jovens, fazem esta experimentação. Os antigos, nem propaganda e marketing, são suficientes para convencê-los à experimentação.
17 comentários em “MAIS UM RETRATO DO ATRASO DE GASPAR. CÂMARA APROVA A CRIAÇÃO DO CARGO DE TURISMÓLOGO. MAIS UM, NO PROCESSO DE INCHAÇO DO GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL. E GASTA 20 MINUTOS LOUVANDO À VINDA DE UM BUROCRATA DIPLOMADO COMO SE FOSSE A SALVAÇÃO DE UM SETOR QUE SÓ NÃO PATINA MAIS, GRAÇAS OS VOOS AUDACIOSOS DE EMPREENDEDORES GASPARENSES. ELES DESISTIRAM, HÁ MUITO, DO SETOR PÚBLICO E DOS POLÍTICOS DISCURSEIROS”
CANDIDATOS ESCONDEM “MALDADES” ECONÔMICAS, por Raquel Landim, no jornal O Estado de S. Paulo
Com algumas exceções, os planos econômicos que vêm sendo apresentados pelos principais candidatos à Presidência são exagerados, vagos, com muitas promessas, contas que não fecham e pouca viabilidade política.
Mas não chega a assustar que os presidenciáveis escondam as “maldades” econômicas que vão precisar fazer em 2027. Ninguém se elege dizendo que vai retirar aumento real de aposentado. É assim em toda eleição. E é bom o eleitor estar ciente.
O diagnóstico do ajuste fiscal brasileiro é conhecido. Os economistas responsáveis são unânimes em afirmar que seria importante cortar subsídios, cobrar mais impostos dos mais ricos (retomar a discussão dos lucros e dividendos), mexer na regra de reajuste do salário mínimo, que impacta a Previdência, ajustar os limites constitucionais de saúde e educação.
Também vai ser preciso mostrar muita força política para retirar poder do Congresso e cortar emendas parlamentares, que chegam a alarmantes R$ 60 bilhões. E, claro, começar a discutir uma nova reforma da Previdência, ainda que a sociedade não esteja preparada. O tema precisa entrar na pauta.
Não é suficiente contar com o crescimento da economia para ajustar as contas. Essa agenda desenvolvimentista é antiga e não funciona no Brasil. Alguns candidatos chegam a flertar com essa hipótese. Mas é bom não ter ilusões.
Passadas as eleições, o detalhamento das medidas de ajuste fiscal é urgente, e os coordenadores econômicos das campanhas sabem disso. Não vai poder ser um ajuste gradual como sugerem alguns candidatos. O próximo presidente vai precisar apresentar propostas de emendas à Constituição (PECs) e projetos de lei que deem conta do recado logo no início do mandato. O ônus político é enorme e só presidentes recém-ungidos podem ter essa força.
A boa notícia é que a agenda fiscal finalmente entrou no debate da campanha, que estava capturada por corrupção e operações da Polícia Federal (PF) sobre o INSS e o Banco Master.
O problema brasileiro é grave. A dívida bruta chega a R$ 10 trilhões, ou 82% do PIB. Desnecessário dizer que é insustentável. A taxa de juros é de 14% ao ano, o que não permite investimentos e gera quebradeira de empresas. Esse também é um assunto que passou a ser discutido nas campanhas. Só que juro não se abaixa na marra. Só o ajuste fiscal é capaz de resolver isso.
Até aqui, os investidores vêm tendo muita paciência com o Brasil, à espera de quem vai surgir nas urnas em outubro. Se as medidas não vierem após as eleições, vai ter efeitos no dólar e no preço dos ativos.
Também seria bom fazer algo que os candidatos têm evitado: indicar o próximo ministro da Fazenda. Dario Durigan vem falando pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ganhou certa confiança do mercado. Daniella Marques, que responde por Flávio Bolsonaro (PL), é uma técnica respeitada. Mas serão eles os comandantes da economia? •
Este é pior retrato de que como Lula lidera o desastre econômico, a insegurança jurídica, tributária contra o Brasil e os brasileiros. Em campanha para se reeleger, Lula, PT e a esquerda do atraso juram que tudo vai continuar ainda pior. Lula está liderando a corrida eleitoral. Então, não é ele o culpado. É quem quer falir, perder dinheiro conquistado por anos de trabalhado duro, cortar sonhos e ficar endividado, sem perspectivas de ser um cidadão livre, sem a esmola do estado que não chega e alimenta a grossa rede de corrupção dos que estão no entorno dos políticos de Lula, do Congresso e até do STF.
CASAS BAHIA E HABIB’S FAZEM PAÍS ACORDAR PARA PROBLEMA FAZ MEIA DÉCADA NO FORNO, por Vinicius Freire Torres, no jornal Folha de S. Paulo
A recuperação extrajudicial de Casas Bahia e Habib’s, marcas “pop”, acabou por dar rosto para uma situação que anda ruim faz tempo, não apenas por causa de juros e dívidas. O enrosco, porém, não é bem compreendido ou é manipulado a depender do gosto político do freguês.
Parece ficar mais forte a sensação de “crise no ar”, de que o “Brasil vai mal”. Até pessoas que deveriam estar mais informadas do problema não se deram conta de que o novo rolo começou faz meia década, tanto em empresas avariadas como na situação do crédito de firmas e famílias.
A política econômica ruim de Lula 3 agravou essa situação, em particular a partir de 2024. Além do mais, lapso ou descaso regulatório facilitou a distribuição em massa dos letais cartões de crédito a uma população recém-bancarizada e que teve aumentos de renda nos últimos cinco anos menores do que se imagina.
Juros altos de fato deram a rasteira em empresas que estavam mal das pernas por vários motivos. Mas a impressão de onda de destruição geral do varejo é equivocada. Mesmo os pedidos de recuperação extrajudicial precisam de contexto.
Sim, em números, os pedidos são “recorde”, mas a maior novidade é o agro. De uns 3% de participação no total de pedidos de 2013 a 2017 passou a 30% no ano passado —e subindo. Descontado o agro, o número desses pedidos cresce bem mais devagar, embora esteja nos níveis da recessão medonha de 2015 e 2016. O salto das recuperações extrajudiciais para um patamar próximo do atual ocorrera JÁ EM 2023.
Não temos bons dados para comparar o tamanho econômico (valores) da encrenca. Por outro lado, muita recuperação é discutida com bancos, sem alarde. Por fim, mudança na lei (2021) facilitou o recurso à extrajudicial. Quanto ao agro, o assunto não cabe nestas colunas, hoje.
Há outros indicadores a matizar essa história ruim. Bancos são obrigados a separar um dinheiro para cobrir perdas com possíveis calotes, as ditas provisões. Sobem desde janeiro de 2025, de 7% do crédito para 7,8% agora (também a média deste ano). Os dados, porém, não são imediatamente comparáveis com os do período anterior, por mudança legal no modo de registrar perdas potenciais. Para dificultar a análise, empresas maiores passaram a tomar mais crédito fora de banco, via mercado de capitais.
A inadimplência de pessoas físicas e empresas com os bancos aumenta desde janeiro de 2025 (de novo, difícil comparar com anos anteriores). Entre empresas, problema grave mesmo é com firmas pequenas e médias, das quais pouco se fala por não terem marcas conhecidas.
Juros nos bancos sobem desde o trimestre final de 2024. Sem conserto macroeconômico, que não veio, daria besteira. A dívida das famílias, como proporção de sua renda anual, recomeçou a aumentar em meados de 2024. O grande salto, porém, acontecera em 2021 (de 41% para 49%). O tamanho relativo da dívida é agora similar ao de 2022 (quase 49%) e foi em média de 48% em 2023 e 2024, embora o serviço da dívida seja um pouco maior. “Endividamento” (mais crédito) não é ruim se a economia é estável. Não é nosso caso.
Dívida privada alta e a do governo em alta forte eram sinais de que o padrão de crescimento botaria a língua para fora, seja por economia aquecida além da conta, descrédito do governo ou por um choque externo. Vai ser difícil digerir esses excessos. Assunto para amanhã.
A BATALHA DECISIVA, por Malu Gaspar, no jornal O Globo
A guerra mais sangrenta e decisiva para o resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do tribunal.
À primeira vista, tudo se resume a uma disputa de poder. Se der Lula, a ala de que fazem parte Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes tende a emplacar aliados nas três vagas que se abrem até o fim do próximo mandato com as aposentadorias de ministros, mais a de Luís Roberto Barroso, que continua indefinida com a derrota de Jorge Messias no plenário do Senado Federal. A vitória de Flávio Bolsonaro faria o Supremo pender à direita e empurraria o centro de gravidade na direção do ministro André Mendonça, que detém ao mesmo tempo a relatoria dos casos do Banco Master e do INSS.
Sob essa guerra de tronos, porém, há também uma batalha pela sobrevivência política e judicial de alguns personagens, que aparece para o público na forma de um embate entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Resumidamente, o ministro desconfia que Andrei use o cargo para atrapalhar as investigações, enquanto o chefe da PF o acusa de tentar dirigi-las politicamente para prejudicar Lula e favorecer Flávio.
Num dos últimos capítulos dessa história, Mendonça determinou que os delegados deixassem sob custódia em seu gabinete os dados brutos obtidos nas apurações sob seu comando, incluindo os resultantes da quebra de sigilo telemático e fiscal. Mandou, ainda, que não compartilhassem informações com os superiores hierárquicos (leia-se, diretor-geral) e que as eventuais trocas nas equipes fossem submetidas a ele.
No final de junho, Mendonça ordenou que os investigadores do INSS entregassem os relatórios de apurações que se arrastavam havia meses sem conclusão. Só depois disso, as suspeitas de tráfico de influência contra Lulinha e sua turma se transformaram nos três inquéritos que passaram a assombrar a candidatura de Lula.
Foi aí que Andrei recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU), pedindo que tentasse revogar as medidas de Mendonça, que classificou como inconstitucionais e abusos de poder capazes de gerar nulidades no processo. Com isso, emparedou Messias, o advogado-geral da União, que é aliado de Mendonça e tenta encontrar uma solução para a crise sem ter de atender Andrei.
A autonomia da PF é essencial para o avanço de apurações sensíveis e importantes, por isso é de espantar que um ministro do STF queira interferir no dia a dia de uma investigação. Só intriga que não se tenha ouvido uma palavra da PF quando os ministros em questão eram Moraes, que controlava de perto cada etapa do caso da trama golpista, ou Dias Toffoli, que também tentou impedir policiais de acessar dados do Master fora do seu gabinete e ainda tentou nomear, ele mesmo, peritos para analisar quebras de sigilo de Daniel Vorcaro.
Naquele momento, Andrei entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas descrevendo em minúcias os negócios de Toffoli e Vorcaro, mas o STF arquivou o relatório. Toffoli deixou o comando do caso, mas continuou ministro.
Como se sabe, as relações de Moraes com o dono do Master são tão ou mais flagrantes, mas não houve relatório do diretor-geral da PF. Pelo contrário. Embora os últimos meses tenham sido repletos de divulgação de informações sigilosas de todo matiz, as únicas investigações de vazamento que tiveram alguma consequência são as relativas a Moraes. O último episódio ocorreu no caso Lulinha, numa ação disseminada que expôs principalmente os inquéritos relatados por Mendonça — há um com Flávio Dino, mas sobre esse não se sabe quase nada.
A partir daí, a defesa de Fábio Luís passou a falar em vazamentos seletivos e direção política, evocando a lembrança da Lava-Jato e o argumento da perseguição judicial — que também tem como meta final alegar nulidades no processo, tornando ainda mais complicada qualquer tentativa de apaziguar os ânimos entre Andrei e Mendonça.
A esta altura, já não há mais como impedir que os casos Lulinha e Dark Horse produzam estragos para Lula e Flávio, já que nenhum dos inquéritos terminará antes da eleição. Mas ainda há como evitar que muita coisa do caso Master venha à tona, e é isso o que acontecerá caso as nulidades plantadas pelo conflito entre Andrei e Mendonça emplaquem. Para alguns figurões, isso é muito mais importante do que ganhar a eleição.
O problema não é exatamente o presidente e os governadores que elegemos, mas os deputados Federais e Senadores, que nos dizem representar que formam quadrilhas com o Executivo, e agora diante do rabo preso deles, estão sob a tutela de medo do STF. Não reelegê-los, é um com caminho para romper estes laços criminosos ou de submissões,
OMISSÃO ELEITOREIRA DO SENADO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Em nome das urnas, o Senado resolveu abrir mão de sua própria razão de ser. Nesta semana, os relatores de duas das mais importantes Propostas de Emenda à Constituição (PEC) em tramitação no Congresso Nacional anunciaram que pretendem colocar para votação os textos tal como vieram da Câmara dos Deputados. Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, e Rogério Carvalho (PT-SE), relator da PEC da Segurança Pública, não escondem o motivo. Mudar os textos significaria devolvê-los à Câmara e reduzir as chances de que sejam aprovados antes das eleições.
A PEC da Segurança chegou ao Senado em março e só foi enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em agosto. A do fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara em maio, esperou quase três meses pelo mesmo despacho. Nesse intervalo, o Congresso foi esvaziando à medida que deputados e senadores se ocupavam de campanhas, alianças, palanques e disputas locais. Agora, acertados os principais conchavos eleitorais, eles voltam a Brasília e descobrem, subitamente, que estão sem tempo.
Durante o recesso parlamentar, este jornal criticou a decisão do Congresso de praticamente reduzir seu segundo semestre a algumas semanas do chamado “esforço concentrado”. E citou justamente as duas PECs, então paradas, entre as matérias que os próprios líderes diziam considerar prioritárias. O risco era óbvio: meses de pouca atividade seguidos por votações a toque de caixa, com menos tempo para análise e escrutínio público. Sem contar que situações como essa são o palco perfeito para a proliferação de “jabutis” – mudanças inseridas em projetos sem qualquer relação com o tema original do texto. Pois bem, eis o “esforço concentrado” em ação.
Poucos assuntos têm hoje tanto apelo eleitoral quanto a redução da jornada de trabalho e a segurança pública. E problemas nos textos eram conhecidos havia meses. Ficaram esquecidos junto com as PECs e, agora que as urnas se aproximam, não serão enfrentados.
Na PEC do fim da escala 6×1, por exemplo, a Câmara estabeleceu uma transição de apenas 14 meses para a redução da jornada. O prazo foi criticado pelo setor produtivo diante dos possíveis efeitos sobre empresas, empregos e preços. O Senado poderia discutir se 14 meses são suficientes, mas Omar Aziz já avisou que pretende evitar mudanças para que a PEC não volte aos deputados.
Com a PEC da Segurança ocorre algo ainda mais curioso. A proposta pretende reorganizar atribuições, competências e instrumentos numa área em que o País acumula problemas há décadas e que, aliás, deveria estar no centro da campanha eleitoral deste ano. O projeto enviado pelo Executivo foi bastante alterado pela Câmara, que reduziu o papel da União originalmente imaginado pelo governo. O PT não gostou. Houve críticas, resistência e negociação. Cinco meses depois, o relator petista no Senado acha melhor não mexer em nada. Uma alteração, afinal, mandaria a PEC de volta à Câmara.
É para situações como essa que existe uma Casa revisora. Afinal, o sistema é bicameral. O Senado não é obrigado a mudar uma vírgula das duas PECs, mas não pode chegar a essa conclusão antes de fazer o próprio trabalho, apenas porque revisar de verdade pode atrapalhar os planos eleitorais.
A situação é ainda mais difícil de engolir porque a urgência foi fabricada pelo próprio Congresso. Ninguém os impediu de discutir a redução da jornada nos quase três meses em que a proposta esperou despacho. Preferiram cuidar de outras coisas. Agora, a demora virou argumento para a pressa.
Eventuais correções nas duas PECs podem adiar sua promulgação. Paciência. Os senadores tiveram meses para examiná-las e escolheram não fazê-lo. Não cabe agora sacrificar a revisão dos textos para recuperar o tempo desperdiçado e ainda entregar duas medidas populares antes das eleições.
O Senado não pode escolher quando será Casa revisora e quando será apenas o carimbador da Câmara conforme a conveniência eleitoral. Se revisar dá trabalho, custa tempo ou ameaça votos, azar dos senadores. É preciso fazer esse trabalho, pois é assim que funciona uma democracia.
Briga no parquinho do SAMAE…. coisa antiga que só revelaram agora…
Fiquei feliz que estão tirando os ratos podres e colocando gente que sabe o que esta fazendo….
O governo precisa de pessoas, principalmente as que sabem o que fazem independente do governo…
Percebemos..
O que o senhor achou da “obra” para levar água aos moradores do Arraial?
A população, quando pediu ao SAMAE água na torneira não imaginava que na sequência correria o RISCO de morrer SOTERRADO 👀😰😰😰
Coisa antiga? Credo. Mas, deste governo, o que perdeu o faro por investigações dos seus e deixou se contaminar por gente contaminada de Blumenau. Coisa antiga? Quem prevaricou? Isto não era para um PAD – Processo Administrativo Disciplinar. E ainda querem aumentar em zilhões de por cento a gratificação desse pessoal, se vive de olhos e banca fechados? Tudo para debaixo do tapete e com vísceras e provas a rodo na cidade. Com a palavra, Cícero Giovane Amaro, o presidente em campanha para continuar e nada mexer lá. Enquanto isso, tem gente provando água da torneira. N]ao vale depois pedir atestado médico para abonar as faltas.
A EXPANSÃO DO PODER DOS IRMÃOS BATISTA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A Globe, empresa de investimentos pessoais dos irmãos Wesley e Joesley Batista, acaba de anunciar a compra da Avibras, a maior indústria bélica do País, que está quebrada há anos. É um investimento que dificilmente se pagará, por variados motivos, razão pela qual só se pode entender o negócio como mais um gesto dos empresários para cultivar suas excelentes relações com o governo petista. O caso, exemplar da tradição patrimonialista nacional, mostra como está borrada a fronteira entre os interesses do Estado brasileiro e os negócios pessoais dos irmãos Batista – cujo poder, em razão disso, está em franca expansão.
Não parece ser um negócio isolado, e sim parte de um padrão. Em 2015, ainda no governo de Dilma Rousseff, o grupo J&F, dos irmãos Batista, constituiu a Âmbar Energia, que uma década depois compraria 12 usinas da Eletrobras e assumiria o controle da Amazonas Energia, que tinha dívidas de R$ 10 bilhões. Foi um negócio de ocasião, proporcionado pela vontade praticamente explícita do governo Lula de entregar a Amazonas Energia aos irmãos Batista. No ano passado, a Âmbar comprou a fatia da antiga Eletrobras na Eletronuclear, entrando como sócia na construção da usina nuclear de Angra 3, cuja conclusão custaria estimados R$ 24 bilhões. É praticamente impossível obter retorno satisfatório nesse negócio, mas talvez o que interesse aos irmãos Batista seja o ganho intangível de estar nas boas graças do governo petista.
É precisamente o que acontece no caso da Avibras. A empresa está em recuperação judicial desde 2022, alegando que perdeu competitividade no Oriente Médio e no Sudeste Asiático, alguns de seus principais mercados, em razão do crescimento de empresas fortemente financiadas por governos estrangeiros. Esperava, portanto, que o governo brasileiro fizesse o mesmo e encontrasse uma maneira de salvá-la – algo que os sindicatos e os militares demandavam.
Aparentemente, foi o que o Ministério da Defesa fez, ainda que não de maneira direta. Segundo o Estadão, o ministro José Múcio Monteiro Filho se empenhou na busca dessa solução, que visava a assegurar que o controle da companhia permanecesse nacional. A preocupação era garantir a sobrevivência da Avibras, considerada “estratégica” – palavrinha que opera milagres no governo Lula.
A nova Avibras, claro, nasceu livre de dívidas, sem a parte “ruim”, que ficou com a antiga. O plano de reestruturação previa ainda R$ 300 milhões em investimentos privados (consta que Joesley foi um dos investidores), além de outros R$ 300 milhões em financiamentos públicos, como o BNDES. Assim se deu a entrada triunfal dos irmãos Batista na companhia.
A operação, cujo valor não foi divulgado, ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas não há razão para imaginar que o órgão se oporá à operação dos irmãos Batista – que se tornaram líderes absolutos no segmento de proteína animal justamente por adquirir vários frigoríficos sem que o Cade objetasse.
Desse modo, os irmãos Batista caminham a passos largos para atingir um outro patamar de poder no Brasil, extrapolando o mundo dos negócios. É uma trajetória impressionante, sobretudo quando se recorda que esses empresários, não faz muito tempo, confessaram crimes aos borbotões no âmbito da Lava Jato e chegaram a ser presos. Afastaram-se do Conselho de Administração da JBS e submergiram.
Mas eis que a volta triunfal se fez possível com uma inexplicável decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, de dezembro de 2023, até hoje não apreciada pelo colegiado, que suspendeu multas de R$ 10,3 bilhões impostas à J&F no acordo de leniência firmado com as autoridades brasileiras. Toffoli aceitou a tese de que os empresários, malgrado estivessem assessorados pelos melhores escritórios de advocacia do País, haviam sido coagidos a confessar os crimes. Três meses depois, em março de 2024, Joesley e Wesley voltaram ao Conselho de Administração da JBS.
E agora entram de vez no ramo do capitalismo de compadrio.
FAÇA O QUE DIGO, NÃO FAÇA O QUE FAÇO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Seis meses após o ministro Flávio Dino impor limites à criação de penduricalhos por atos administrativos de órgãos do Judiciário, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) se valeu desse expediente e criou um penduricalho por ato administrativo. A partir de agora, uma tal “gratificação por atuação de alta complexidade técnica e administrativa” garante a seus beneficiários – os servidores mais graduados do STF – um adicional de até 22,5% do salário a título de “indenização”, ou seja, isento de impostos. A contradição do STF seria apenas patética se não revelasse algo ainda mais grave: a perversão do sentido de serviço público.
Em fevereiro, Dino proibiu exatamente o que o STF, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Superior Tribunal Militar (STM) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fizeram em seguida: inventar novos penduricalhos por deliberações interna corporis, sem previsão legal. Questionado pelo Estadão, o STF alegou que a nova gratificação seguiu o modelo adotado em outros tribunais depois de avaliação técnica e orçamentária. É uma alegação correta na forma. O STF, de fato, seguiu um caminho já trilhado por aqueles outros tribunais. Mas é ofensiva na substância, pois só explica a origem do penduricalho, não sua razão de existir – que, a rigor, não há.
A “gratificação por atuação de alta complexidade técnica e administrativa” foi criada pelo STJ em maio. Como incêndio em mato seco, logo se espalhou entre as cortes superiores, beneficiando, hoje, ao menos 5.600 servidores, a um custo anual de R$ 150 milhões. Não é pouco dinheiro. Tampouco é baixo o número de privilegiados. Mas o problema de fundo é a afronta à moralidade pública. Não tem cabimento em uma república decente premiar uma casta de servidores em razão da natureza específica de seu trabalho, pelo qual, diga-se, já é bem remunerada.
Como já dissemos em editorial recente (ver O STF na república dos penduricalhos, 4/8/2026), a fabricação de exceções remuneratórias segue um roteiro tão revoltante, pois revela um Judiciário que virou as costas para a sociedade brasileira, quanto enfadonho, de tão reiterado que é. De uma hora para outra, uma atividade rotineira qualquer é reclassificada como “acúmulo de serviço”, “função adicional”, “alta complexidade”, ou coisa que o valha, de modo a ensejar um mal disfarçado aumento salarial a título de “indenização” – o que, além de ser um ardil semântico, não raro faz a remuneração mensal dos servidores contemplados extrapolar o teto constitucional. Esse novo penduricalho criado pelo STF é exatamente isso.
É claro que a complexidade, o grau de especialização exigido e a responsabilidade de determinados cargos podem, sim, justificar uma remuneração diferenciada. É justo reconhecer financeiramente o mérito ou o desempenho de um trabalhador, seja no serviço público, seja na iniciativa privada. O que é injustificável, como fizeram o STF e outros tribunais, é transformar o simples exercício de uma atividade profissional, para a qual o servidor foi nomeado ou aprovado em concurso, em desculpa para um pagamento adicional, como se cumprir o trabalho diário fosse, por si só, um esforço extraordinário a merecer uma recompensa igualmente extraordinária.
Até o presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello, crítico contumaz do que chama de “gamificação” da remuneração dos servidores do Judiciário e do Ministério Público, instituiu a gratificação de atuação de alta complexidade em seu tribunal. Se nem os que reconhecem o problema resistem ao assédio corporativo, vê-se o grau de dissociação que há entre o Judiciário e o restante do País.
Anteontem, em palestra no Tribunal de Contas do Município de São Paulo, o ministro Alexandre de Moraes defendeu uma ampla reforma do sistema político, que, na sua visão, “faliu”. Ele até tem razão. Mas deveria começar olhando para o seu próprio quintal. A impressão que se tem é de que a vocação para o serviço público cedeu lugar à cobiça nas mais altas esferas do sistema de Justiça.
CINISMO PETISTA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O ministro Dario Durigan informou que quer se reunir com os economistas Pedro Malan e Arminio Fraga para discutir a agenda fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual quarto mandato. Chega a ser comovente a tentativa dos petistas de revestir de racionalidade e sensatez uma candidatura, a de Lula, fundada na demagogia e na presunção de que dinheiro público brota em árvore – nada mais distante, aliás, da prudente condução da economia por Malan e Arminio, respectivamente ministro da Fazenda e presidente do Banco Central nos governos de FHC.
Na hipótese de que esse encontro realmente ocorra, seria muitíssimo interessante e útil se Durigan se dispusesse a discutir a “herança maldita” – não aquela que Lula levianamente disse ter recebido de Fernando Henrique Cardoso quando chegou ao poder, em 2003, mas sim a “herança maldita” real, aquela que Lula legará a si mesmo, caso vença a eleição e permaneça mais quatro anos no poder.
Os números falam por si. A dívida bruta do governo geral – dado do Banco Central que inclui os governos federal, estaduais e municipais, além do INSS – aumentou nada menos que dez pontos porcentuais ao longo do terceiro mandato do petista, saindo de 71,38% do Produto Interno Bruto (PIB), em janeiro de 2023, para 81,9% do PIB em junho, o maior patamar dos últimos cinco anos.
Diante desse descalabro, tanto Malan quanto Arminio já manifestaram preocupação. Em artigo publicado no Estadão por ocasião dos 400 dias deste governo Lula, Malan avaliou o programa Nova Indústria Brasil e constatou que “o pensamento de 15 anos atrás” perdurava. Alertou, no texto, que uma política fiscal insustentável impediria o desenvolvimento econômico e social sustentado no longo prazo.
Fraga, por sua vez, disse recentemente que a política fiscal do governo Lula é fraca, não facilita em nada a vida do Banco Central e cria fragilidades que afetam a saúde das empresas e do próprio Estado brasileiro. Segundo ele, o quadro é desastroso, e o País caminha para uma crise semelhante à que gerou a recessão econômica do governo de Dilma Rousseff.
É improvável que Durigan, uma espécie de estagiário ambicioso que ora ocupa a Fazenda, se abale com essas observações. Nada parece capaz de desviá-lo do objetivo de agradar ao chefe, na ânsia de ficar no cargo caso Lula vença, razão pela qual não vale um pequi roído sua tentativa de espalhar por aí que o próximo mandato do petista, caso venha, será de ajuste fiscal. É apenas a reciclagem preguiçosa da conhecida farsa de Lula para engabelar eleitores de centro.
Que ninguém se deixe enganar. Lula foi desonesto em relação a Malan, Arminio e Fernando Henrique Cardoso desde seu primeiro dia no poder. Em abril de 2004, por exemplo, declarou que recebeu da gestão tucana uma herança “pra lá de maldita”, numa referência à crise cambial e à alta da dívida pública legadas por FHC. O que Lula não disse é que boa parte dessa turbulência resultou do chamado “risco Lula”, isto é, do temor dos mercados com a perspectiva de vitória do petista. A verdadeira herança de FHC para Lula, jamais reconhecida pelo petista, foram o controle da inflação, o superávit primário consolidado e a cultura da responsabilidade fiscal, materializada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000. Sem isso, Lula jamais teria condições de implementar sua agenda social, por meio da qual pretende ser consagrado pela História.
Mas Malan e Arminio são dois democratas, genuinamente interessados no bem do País. Por essa razão, é possível até que aceitem conversar com Durigan, ocasião em que poderiam explicar ao voluntarioso ministro que ele está simplesmente errado, por exemplo, ao dizer que a dívida pública sobe porque os juros são elevados – tentativa nada sutil de livrar o perdulário governo Lula de responsabilidade pelas escorchantes taxas. Nessa aula, Malan e Arminio poderiam ensinar a Durigan que os juros são altos porque o mercado cobra cada vez mais caro para financiar um governo que sistematicamente gasta mais do que arrecada e não demonstra compromisso com o equilíbrio fiscal.
LULA E FLÁVIO DÃO TAPA NA CARA DO ELEITOR, editorial do jornal Folha de S. Paulo
O primeiro debate presidencial da eleição de 2026 ficou marcado antes pelas faltas do que pelas presenças. Com três candidatos no palco, o evento registrou o menor número de participantes em um confronto inaugural desde 1989, quando o país retomou o voto direto para o Executivo federal.
O baixo número de postulantes não é um problema em si. A experiência acumulada ao longo das décadas atesta que a multiplicidade de nomes sem expressão pouco contribui para o propósito do encontro —isso quando não o transforma em um campeonato de bufonaria e vulgaridades.
Ocorre que, desta vez, entre os ausentes estavam os dois líderes das pesquisas de intenção de voto: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a 39% das preferências na mais recente rodada do Datafolha, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 33% no mesmo levantamento.
Com a decisão de não comparecer ao evento promovido pelo Grupo Bandeirantes, pelo jornal O Estado de S. Paulo, pela TV Cultura, pela Gazeta e pela Jovem Pan, tanto Lula quanto Flávio deixaram claro que põem as estratégias de campanha acima de rituais básicos em uma democracia.
Debates cumprem uma função importante no contexto eleitoral: estimulam o confronto direto entre as ideias dos principais candidatos a um determinado cargo público. Permitem, dessa forma, que as pessoas analisem as propostas sob a perspectiva privilegiada do contraditório.
Verdade que o resultado nem sempre é satisfatório. Regras rígidas impostas pelas próprias campanhas não raro esterilizam o confronto, permitindo que os postulantes lancem mão de muitas evasivas e prestem poucos esclarecimentos acerca do que pretendem fazer caso sejam eleitos.
Ainda assim, são um momento único no pleito. Palanques, propagandas e vídeos nas redes sociais constituem o domínio do marketing, enquanto entrevistas não se prestam ao cotejamento de diversas candidaturas.
Quando Lula e Flávio dão as costas ao debate —para nada dizer do nanico Romeu Zema (Novo), que também faltou ao evento—, eles estão afirmando que não pretendem discutir o país longe de suas zonas de conforto.
Com a ausência dos três, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) não conseguiram empolgar quem assistiu ao encontro. Mais do que isso, desperdiçaram boa parte do tempo com ataques a Lula e Flávio, em vez de aproveitarem para expor suas propostas.
Renan, em particular, pareceu se espelhar no péssimo exemplo de Pablo Marçal (PRTB), que, em 2024, comportou-se como arruaceiro juvenil na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Na época, José Luiz Datena, nome do PSDB, interrompeu as ofensas com uma abominável agressão física.
No domingo (23), não houve nada parecido com isso. Mas, quando decidiram faltar ao debate, Lula e Flávio deram um simbólico tapa na cara dos eleitores.
Boa tarde.
O cargo de “turismólogo” não é nada. Pior foi criar uma vaga de assistente social para atender exclusivamente os servidores do SAMAE.
Vereadora Mara queria DUAS…
Antes, porém, abriram vaga, com apoio do SINDICATO, para um médico do trabalho, com carga horária reduzida, mas DIÁRIA, exclusivamente para atender os funcionários da prefeitura.
Segundo os vereadores, no início do ano sempre sobrecarrega a agenda.
Carambolas!! Pq não contratar um AUXILIAR somente para os dois meses de pico?
E os outros DEZ MESES que o contratado vai ficar com tempo ocioso, vai ser realicado para socorrer às ubs sem médicos?
E o calhamaço de contratações para a área da saúde, já autorizada pela câmara, para as vagas que serão abertas na nova ubs (em obras) do Coloninha?
Será que metade são ex do Perpétuo Socorro, dispensados pelo Santo Antônio, ou será que alçam os 100%?
Se a intenção fosse RESGUARDAR a SAÚDE da população gasparense, bastaria abrir as portas da policlínica, com estrutura acabada, equipada e OCIOSA.
Virou almoxarifado de correligionários sem colocação na iniciativa privada, levando embora até o dinheiro do esparadrapo e do paracetamol.
Por isso que eu digo que esse negócio de direita e esquerda só existe pra enganar Mané, e que no escurinho dos acordos de porões, as ideologias se fundem num único bordão: nosso pirão PRIMEIRO!
Boa noite, dona Odete, uma das que não me lê, segundo o poder de plantão do passado e do presente.
O governo que faz isto é de direita, conservador, bolsonarista e liberal. É o que contratou por entrevista, gente que está se explicando na polícia, Ministério Público e Justiça.
No fundo, paarece um governo socialista, petista e sindical que diz combater. Vergonha não o que faz, como engana.
É uma atrás da outra. É um inchamento – aumentos salariais, benefícios, horas a menos e penduricalhos – nunca antes visto na prefeitura de Gaspar. E tudo aprovado na Câmara quase semanal e silenciosamente.
O Sindicato dos servidores parece ser o administrador da Área de Recursos Humanos da prefeitura. E na campanha para as eleições de outubro agora, esta gente que incha e descontrola o quadro de pessoal da prefeitura de Gaspar, é o mesmo que está no palanque culpando o governo do PT, da esquerda do atraso, o que é contra as privatizações e amaldiçoando de Luiz Inácio Lula da Silva, que está levando o Brasil e os brasileiros para o buraco e ao pagamento de cada vez mais altos impostos on line para suportar a farras de penduricalhos, privilégios, empreguismo sem qualificação para uma uma casta de servidores e pendurados em partidos políticos.
Pois é…e querem SILÊNCIO, subserviência, submissão, controle!
Mas não são todos a favor da “liberdade de expressão”?
QUANDO OS ÁRBITROS ENTRAM NO JOGO: O JANTAR DA DESORDEM INCONSTITUCIONAL, por Marcus André Melo, Folha de S. Paulo, no jornal Folha de S. Paulo
STF não responde à crise com autocontenção, mas com uma confusão ainda maior entre jurisdição e política. Moraes assume também o papel de articulador político entre Lula e Alcolumbre, em plena campanha eleitoral
O escândalo do Banco Master pareceu provocar no STF um instinto de autopreservação. A magnitude das revelações e a reação da opinião pública teriam aparentemente convencido seus ministros de que era necessário conter excessos e restaurar a credibilidade da corte. A proposta do presidente Edson Fachin de criar um código de ética foi interpretada como sinal, ainda que tímido, desse movimento.
Os acontecimentos recentes mostram que essa expectativa era ilusória.
Jantar realizado na residência de Alexandre de Moraes reuniu o presidente da República, o presidente do Senado e os ministros Moraes e Cristiano Zanin. A cena, concebida como demonstração de pacificação, é, na realidade, uma representação exemplar da desordem institucional brasileira.
Em democracias institucionalizadas, conflitos entre os Poderes são processados por canais oficiais, públicos e impessoais. No Brasil, um ministro do Supremo transforma sua residência privada em mesa de negociação entre o presidente candidato à reeleição e o chefe da Casa Legislativa incumbida de aprovar ministros e eventualmente julgá-los. Participa também o ex-advogado pessoal do presidente, hoje ministro da corte. A cena se torna ainda mais perturbadora porque alguns dos presentes —ou seus familiares— são alvo de acusações envolvendo possíveis conflitos de interesse, questões que poderão chegar ao próprio tribunal.
O problema não é obviamente haver convescotes entre autoridades, mas a dissolução das fronteiras entre os papéis que exercem. Moraes presidiu o TSE na eleição anterior e foi relator do processo que levou à condenação e prisão do ex-presidente. Agora assume, para perplexidade geral, também o papel de articulador político entre Lula e Alcolumbre, em plena campanha eleitoral. Um cenário institucionalmente inquietante é que assumirá a presidência do STF em 2027. O que significa que as disfuncionalidades provavelmente recrudescerão.
Quando da nomeação de Zanin e Flávio Dino apontei aqui na coluna o risco da passagem direta da advocacia pessoal e de protagonismo político-partidário para a mais alta corte. Os episódios recentes mostram que não se tratava de preocupação abstrata. No Maranhão, decisões de Dino incidem diretamente sobre uma arena política da qual foi protagonista e chefe político. No inquérito das fake news, investigações relacionadas a reportagens sobre sua família colocam em risco o sigilo das fontes e estimulam a perigosíssima distinção entre jornalistas “dignos de proteção” e blogueiros que poderiam ser investigados.
O mesmo ator passa a ser participante do conflito, mediador político e juiz de suas consequências. Não há código de ética capaz de corrigir essa confusão se a própria corte já não reconhece a separação entre autoridade judicial e poder político.
O caso Master não engendrou autocontenção; apenas breve encenação dela. O que veio depois revela algo mais alarmante: o STF parece responder à erosão de sua legitimidade aprofundando as práticas que a provocaram.
AS ESQUISITAS COMPRAÇÕES DO MINISTRO DINO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Em sessões no STF e nas suas redes sociais, o ministro Flávio Dino produziu uma série de comparações entre o exercício de profissões para relativizar a liberdade de expressão do jornalista e a garantia do sigilo da fonte. Seu objetivo era demonstrar que a prática do jornalismo exige que o profissional tenha um diploma de jornalista.
São comparações, digamos, esquisitas. Disse o ministro em sessão do Supremo:
— O direito de ir e vir implica que qualquer pessoa possa pilotar um avião? Ou o direito à saúde autoriza que qualquer um receite remédios? E o direito de defesa permite que qualquer cidadão exerça a advocacia?
Por partes: o direito de ir e vir está na Constituição. Garante que qualquer um possa se locomover livremente pelo território nacional, entrar e sair dele sem proibições impostas pelo Estado. É uma garantia contra o confinamento de determinados grupos sociais ou étnicos.
Tem óbvias limitações. Se alguém é legalmente condenado, vai para a cadeia. Se há uma emergência sanitária, como a pandemia, o Estado pode impor restrições de movimentação. Nada disso tem a ver com pilotar aviões. A Constituição garante o direito de o cidadão escolher e exercer uma profissão. Há uma ressalva: determinadas profissões são regulamentadas por lei, como piloto de aviões, que precisa ter conhecimento e habilidades específicas. Lógico: o que está em jogo é a vida dos passageiros.
Liberdade de expressão é um direito fundamental, cujo exercício não pode sofrer limitações. Dirão: o jornalista pode escrever ou falar o que quiser? Pode. É irresponsável? Não, pode ser processado se comete crime. A incompetência do piloto pode matar. O mau jornalismo pode trazer notícias erradas ou ofender pessoas, é verdade. Mesmo assim, numa democracia não pode haver censura prévia, nem restrições para o exercício da liberdade de expressão. Por isso mesmo, o STF decidiu, em 2009, que não é necessário diploma para a prática do jornalismo.
Eram tempos diferentes. Quase só havia a imprensa tradicional. As redes sociais ainda não estavam disseminadas. Hoje, qualquer um pode criar um blog, divulgar notícias e emitir opiniões sobre cosméticos ou política. De novo, o blogueiro pode ser processado caso cometa crimes naquilo que publica. Aqui também vale o princípio maior da liberdade de expressão.
O exercício da medicina depende de formação em faculdade reconhecida pelo Estado. Não tem nada a ver com o direito à saúde. A Constituição diz que a saúde é direito do cidadão e dever do Estado. Não diz que qualquer cidadão tem o direito de fazer cirurgias e emitir receitas. O direito à saúde é universal, como a liberdade de expressão. Para exercer a medicina, é necessário o diploma de médico. De novo, a questão aqui é a segurança dos pacientes. É preciso médicos competentes para que o direito à saúde seja de fato universal.
Igualmente no caso do direito de defesa. Para que o cidadão exerça esse direito, é preciso que haja advogados formados em instituições legalmente reconhecidas. Não tem nada a ver com o exercício da liberdade de expressão, universal, aberto a todos, de pilotos de avião a jornalistas.
Sobre o sigilo da fonte, o ministro tratou de restringi-lo. Disse que só vale quando for necessário ao direito de informação, não à desinformação. Comparou:
— Porque senão o médico teria liberdade para matar e alegaria sigilo médico.
Não faz sentido. O sigilo médico protege a relação médico/paciente. Significa que o médico deve guardar sigilo sobre o que lhe diz o paciente e sobre a doença e o tratamento. No exercício do jornalismo, o sigilo da fonte foi estabelecido na Constituição para proteger a fonte. E, protegendo a fonte, abre espaço a que o jornalista possa obter informações relevantes para o público.
Na semana passada, o ministro André Mendonça, também do STF, determinou investigações sobre os vazamentos no caso Lulinha. E esclareceu: a investigação não está dirigida ao jornalista, “com ou sem diploma”. Melhor assim.
PARTIDOS TEM O DEVER DE BARRAR CRIMINOSOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
É obrigação legal e moral dos partidos filtrar seus candidatos antes de permitir o registro na Justiça Eleitoral. Não é aceitável que legendas sustentadas pelo contribuinte por meio dos bilionários Fundos Partidário e Eleitoral permitam que pessoas suspeitas de ligação com o crime organizado ou procuradas pela Justiça carreguem suas siglas às urnas.
É certo que a legislação estabelece limites para quem pode concorrer, mas antes disso há uma questão de responsabilidade política. Como uma legenda que se apresenta como instituição idônea, que escolhe representantes para concorrer aos postos de formular leis, executar o Orçamento da União e participar de decisões que influenciam a vida de milhões de brasileiros, pode tratar a análise dos antecedentes de seus próprios candidatos como assunto menor?
Reportagem da Folha de S.Paulo identificou ao menos nove candidatos a deputado federal ou estadual que são ou foram investigados sob suspeita de ligação com organizações criminosas. Sete já são alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral. As suspeitas envolvem PCC, Comando Vermelho, milícias, jogo do bicho e Terceiro Comando Puro. Entre os candidatos há até um deputado estadual preso preventivamente desde outubro do ano passado e condenado em primeira instância a mais de 36 anos de prisão.
O G1 fez outro levantamento e encontrou nove candidatos com mandados de prisão civil em aberto por dívidas de pensão alimentícia, que somam mais de R$ 95 mil em oito dos casos. A natureza desses casos é evidentemente distinta: dívida de pensão não é crime, e o mandado de prisão civil não torna ninguém inelegível. Mas é difícil compreender por que os próprios partidos não identificaram situações públicas que um veículo de imprensa encontrou cruzando a lista de candidatos com o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões.
Os dois levantamentos foram publicados menos de uma semana depois do fim do prazo de registro das candidaturas. Ora, se jornalistas conseguem fazer esse pente-fino em poucos dias, não deveria ser impossível para partidos dotados de diretórios municipais, estaduais e nacionais fazer o mesmo na preparação das chapas.
Antes do registro há conversas, negociações, reuniões e convenções. Dirigentes partidários, muitos deles com mandato, dedicam parte considerável de seu tempo à montagem das chapas. O mínimo que se espera de tamanho esforço é alguma diligência sobre quem receberá o direito de representar a legenda e, potencialmente, dinheiro público para pedir votos.
Dinheiro, aliás, não falta. Neste ano, os partidos têm à disposição R$ 4,96 bilhões do Fundo Eleitoral e cerca de R$ 1,4 bilhão do Fundo Partidário. É razoável exigir que parte desse esforço seja dedicada a saber quem exatamente as legendas estão colocando na rua em seu nome.
As autoridades também precisam ser mais ágeis e elevar o sarrafo. Às vésperas do fim do prazo de registro das candidaturas, o Ministério Público Eleitoral enviou às legendas uma recomendação cobrando medidas para impedir a infiltração do crime organizado nas eleições. As legendas reclamaram do prazo curto. De fato, foi curto. Mas ninguém precisava avisá-las de que facções tentam entrar na política. Combater a entrada de facções não pode depender de uma cobrança do Ministério Público na última hora. É obrigação elementar de quem pretende governar o País – e em particular daqueles partidos que fazem da segurança pública sua principal bandeira.
Partidos conhecem a trajetória de quem recrutam, negociam candidaturas, calculam votos e escolhem onde investir seus recursos. Quando todo esse cuidado desaparece na hora de verificar eventuais vínculos com organizações criminosas, cabe perguntar se estamos mesmo diante de mera negligência.
Facções criminosas têm dinheiro e interesse em controlar o poder público. Os partidos sabem disso. Ninguém pode afirmar, sem provas, que uma legenda abra deliberadamente suas portas ao crime em troca de dinheiro clandestino. Mas, diante da falta de cuidado na escolha de seus candidatos, fica difícil condenar quem desconfia que essa cegueira possa ser conveniente.