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É HORA DE PENSAR, ESCOLHER, CONFRONTAR, EXPUGAR E RECOMEÇAR. O BRASIL TEM JEITO. A MAIORIA DOS POLÍTICOS, NÃO. BOLSONARISMO É TÃO PERIGOSO CONTRA O FUTURO COMO É O LULISMO

(a ilustração-montagem que abre este artigo é do jornal Folha de S. Paulo e publicado no dia 28 de outubro)

APRESENTAÇÃO: A INCAPACIDADE DE SE DIFERENCIAR DO QUE JÁ ESTÁ PODRE    

Não estive férias. Fiquei, pelo menos ,três semanas preso à prioridades emergenciais familiares (saúde) e diminui sensivelmente o número de artigos. E isto aconteceu em um momento crucial da vida político-administrativa brasileira e até mesmo, local. Lamento. São escolhas. Fiz as minhas. Compreendo às queixas dos leitores e leitoras que não os tenho, segundo os poderosos de plantão de Gaspar. Eles, querem me ver eternamente acuado, calado, desmoralizado e até, comprado. 

Este é o  modo pelo qual, com migalhas, chantagens e na maioria das vezes, prejuízos, dominam  e impõem suas manobras de poder e criam benefícios para si próprios em detrimento do comunitário, mas não os querem desnudados na comunidade.

Para reiniciar a minha rotina e não fugir da polêmica, meu eixo motriz, escolhi mais um tema controverso ou tabu nos dias de hoje, infelizmente: o quanto esta família Bolsonaro é um problemaço para a governabilidade do país. Dialética zero. Projetos que beiram a fantasia como se a capacidade de pensar, que beira a esperteza, só estivesse na cúpula da família. Liderança para conquistar, mudar e se auto-sustentar, zeros. Imposição e enganação como regras e protocolos gerenciais. Tomaram posse da direita, do conservadorismo e liberalismo no grito e fake news como se fosse o espelho desse espectro ideológico. Não foram ou não são capazes do convencimento; ditam. Esqueceram que existe vida além da própria bolha onde estão, na qual manipulam, amedrontam e decretam, rotulando e perseguindo sem compaixão no mundo virtual não os reais, mas os supostos adversários imaginários dentro da direita e conservadorismo. Incrível!

Este artigo é simples e rápido, passada a eleição de segundo turno. E rapidamente há consensos. E isto não abarca um retrato nacional. Ele é catarinense e gasparenses também.

A FOGUEIRA COMO PRÊMIO PARA QUEM LEVA O PARTIDO NAS COSTAS

A direita, o conservadorismo e até mesmo um rascunho de liberalismo em Santa Catarina, possuiu uma referência. Ela se chama Ana Caroline Campagnolo Galvão, PL, 35 anos, casada, com filhos, professora, graduada em história e declarada, cristã protestante. Ana Caroline mostrou que há vida além dos Bolsonaros no campo da direita e do conservadorismo. Para quê! Como a jovem francesa Joana D’Arc (1.412/31) serviu para a Causa da Guerra dos Cem Anos na França, mas não para os traidores – e derrotados ao final dela – desta mesma causa, Ana Caroline foi levada à fogueira não pelos inimigos, mas pelos seus.

No estranho mundo conservador dos Bolsonaros, Ana Caroline foi massacrada pelo gado do seu próprio espectro ideológico, algo que deveria ser unicamente parte do jogo rasteiro dos petistas, lulistas e os da esquerda do atraso. Ana Carolina desafiou os que a teme simplesmente porque ela insiste em construir algo mais sólido ou perene, instruído e argumentativo para uma visão e causa contra a esquerda do atraso, o petismo e o lulismo. Ana Caroline desafiou gente grande no seu campo ideológico – inclusive os acovardados que se esconderam no exterior sob as mais variadas desculpas – na propagação do radicalismo, uma perigosa doença e uma seita que os convida ao suicídio em nome de um líder e não exatamente naquilo que ela propõe, como a busca de ambientes melhores para todos, dentro e fora do espectro ideológico. Feitas as contas pós resultados das urnas, Ana Caroline foi a vencedora como gestora política. Plantou. Adubou. Sofreu com as intempéries. Colheu. E acima do esperado.

Ana Caroline foi e é hoje a deputada mais votada da história de Santa Catarina. Repetiu o feito. Saiu 196.571 para 387.523 votos. Carregou votos. Botou gente do PL sem votos na Assembleia Legislativa. E gente que não a quer agora presidente da Casa. Uau. Pessoalmente, acho que ela não precisa disso. É maior e ficará com mais tempo para fazer o que está fazendo pela direita e o conservadorismo catarinense.

Retomando. O impressionante protagonismo, números e desempenho de Ana Caroline a favor do PL, da causa conservadora e do próprio bolsonarismo, no entanto, não inibiu os Bolsonaros e os bolsonaristas em diminui-la e até humilhá-la. Nem os serviu como alerta o exemplo edificante. Ao contrário. Trocaram o devido respeito pelo temor, bem como à necessidade da destruição dos resultados para que o sucesso se transforme em fracasso e onde todos perdem. Credo!

Ana Caroline, jovem, com habilidades para tal, não é uma tiktoker. É uma silenciosa conscientizadora – sem deixar de usar a mídia digital, é claro e como pedagoga que é – nos seus núcleos políticos espalhados por quase todos os municípios catarinenses. Os Bolsonaros e o doentio bolsonarismo sabem que se trata de um ativo da deputada, e não de uma onda ou de um senhor para causas suicidas. E por isso, para eles, manipuladores, vaidosos e vingadores, logo trataram de rotulá-la como “perigo” a ser contido. Impressionante.

Acompanhe o vídeo abaixo. É auto-explicativo. Volto mais adiante.

BOLSONARISMO É UMA ESPÉCIE DE FANATISMO OU SEITA. NÃO É EXATAMENTE DIREITA OU CONSERVADORISMO.

Explicado com lucidez pela própria deputada Ana Caroline Campagnolo Galvão, PL, e para eu não divagar em textões incompreensíveis – que não são lidos pelos bolsonaristas, a maior parte incapaz disso -, posto aqui uma intervenção, lúcida, de mais um do campo da direita, entre tantos que passaram pelos meus feeds: Sandro Rocha. E ele não está sozinho. Este tipo de observação está virando um consenso. Eduardo Bolsonaro, dos Estados Unidos, começa aperder a centralidade ditatorial da direita a favor da família. E Flávio perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, PT, porque a maioria dos brasileiros já não suporta candidatos com folha corrida, testa de ferro, dissimulados, fracos ou incapazes de liderar processos de mudanças. A maior parte do brasileiro pressentiu cheiro de esperteza e escolheu entre os piores, o que já se sabia ser o pior deles. Com isso, Flávio perdeu para ele mesmo, a família e as coisas mal explicadas, inclusive, até no exílio voluntário a que se submeteu e fez aquela vexatória carta vitimista e não de um estadista, tendo a ooportunidade para tal.

E se isto fosse pouco, é de lá dos Estados Unidos que estão desabonado gente que ficou aqui para pelo menos ocupar os espaços que deixaram, como o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos.

Veja este vídeo de Sandro Rocha. Volto mais adiante para mais um round.

Essa gente que trata da relação entre a chamada direita e os Bolsonaro exagera? Eu exagero? Então você não viu o que os bolsonaristas catarinenses acabaram de fazer a favor do carioca, que precisou voltar para as barras da família em Brasília, o jovem Jair Renan Bolsonaro, caçula do clã de Jair Messias. Deram-lhe 131.555 votos para ocupar uma das 16 vagas de deputado Federal, depois dele ser eleito em 2024, inexpressivo vereador por Balneário Camboriú na franquia Bolsonaro, com 3.033 votos.

O vídeo abaixo, não mostra apenas o tamanho do erro da seita e do fanatismo, mas como ela trabalha contra Santa Catarina. O estado possui 16 vagas na Câmara Federal. Segundo a Constituição e o IBGE deveriam ser 20. O STF jogou a Constituição Federal no lixo, sob silêncio e até aplauso do Congresso Nacional, e não referendou este aumento obrigatório de cadeiras representativas. E deixou por outro lado, estados que deveriam perder cadeiras, como as quatro do Rio de Janeiro, surfarem numa falsa extra representação.

Santa Catarina além de não possuir 20 cadeiras e ter que se contentar com 16 vagas sub representadas, terá uma a menos, seguramente, por tudo o que se prova. Basta olhar e tentar entender, se conseguir, o vídeo abaixo de Jair Renan. Assista-o. Volto para encerrar o artigo deste domingo.

Encerrando. Não se trata de Direita, Centro e Esquerda. Trata-se de escolhas. O bolsonarismo escolheu Flávio. Escolheu mal. Sabia. Pior. Provou que não possui votos votos para sua escolhas e a que a direita e os conservadores não é gado. E esta é a escolha do bolsonarismo para representar Santa Catarina por Jair Renan. Vergonhosa. Por isso, a esmagadora maioria massacra e trata como traidora a catarinense cabeça e raiz no campo da direita e do conservadorismo, mas resistente a reconhecer os Bolsonaros como guia, Ana Caroline Campagnolo Galvão, PL. Ela pensa. Ela constrói uma rede de seguidores e apoiadores no campo conservador, direita e liberalismo. E isto é, ao mesmo tempo, mesmo usufruindo dos resultados que garante mais bolsonaristas eleitos, um perigo para os bolsonarismo da família Bolsonaro.

E essa gente desmiolada e radical acha Ana Caroline Campagnolo Galvão, PL – e outros que pensam -, traidora, melancia, esquerdista, comunista. Credo!

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4 comentários em “É HORA DE PENSAR, ESCOLHER, CONFRONTAR, EXPUGAR E RECOMEÇAR. O BRASIL TEM JEITO. A MAIORIA DOS POLÍTICOS, NÃO. BOLSONARISMO É TÃO PERIGOSO CONTRA O FUTURO COMO É O LULISMO”

  1. PRESERVAR O SOCIAL OU FAZER O AJUSTE FISCAL É UM FALSO DILEMA, por Marcos Lisboa, no jornal Folha de S. Paulo

    As escolhas de política econômica passaram a dominar o debate depois da eleição.

    Existem sinais de problemas econômicos à frente, como, por exemplo, o número recorde de empresas em recuperação judicial, o elevado endividamento privado e as graves dificuldades de algumas companhias em setores como varejo e agronegócio.

    As dificuldades se disseminam com o desequilíbrio das contas públicas e as altas taxas de juros.

    Os problemas devem se agravar em 2027, mas o tamanho da encrenca dependerá das decisões do governo já na transição para o novo mandato.

    No debate, contudo, têm sido criados espantalhos retóricos. Um exemplo é o suposto dilema: ajuste fiscal ou preservar os programas sociais? Isso pode ser verdade em outros países, mas não é o nosso caso.

    A imensa maioria dos gastos públicos não pode ser reduzida em razão de cláusulas pétreas da nossa Constituição. Não se pode demitir servidores, diminuir seus salários ou suas aposentadorias, por exemplo, ou reduzir as transferências para estados e municípios.

    Não é possível realizar o ajuste fiscal com base no corte dos gastos com saúde, educação ou Previdência.

    O principal desajuste fiscal no Brasil é o mandatório crescimento recorrente de despesas públicas, em meio à distribuição de novos benefícios para grupos de interesse.

    Recentemente, o governo concedeu subvenções para o consumo de gasolina e diesel, abriu mão de receita para privilégio da indústria química, concedeu auxílio financeiro para táxis, ônibus e exportadores, entre dezenas de outras medidas.

    Antes disso, com a PEC da Transição, em 2022, os gastos com saúde e educação voltaram a ser vinculados a indicadores da receita do governo. Isso significa que aumentos de arrecadação, seja pelo crescimento da economia, seja por novas regras de tributação, devem ser, em parte, destinados ao aumento do gasto público.

    Parcela relevante da Previdência, a maior conta primária do governo federal, está indexada ao salário mínimo, que, por força legal, cresce com a inflação mais o crescimento real do PIB.

    Essa era a inconsistência do arcabouço fiscal, como documentei com Marcos Mendes e coautores no texto “O algoritmo do gasto”, na sequência do anúncio da medida.

    As regras a partir da PEC da Transição implicavam que, qualquer que fosse o aumento de arrecadação, o aumento das despesas obrigatórias iria comprimir as despesas discricionárias e inviabilizar a política pública.

    A saída do governo foi introduzir, progressivamente, diversas brechas para viabilizar a expansão dos gastos fora do arcabouço.

    O resultado foi o crescimento da relação dívida/PIB em mais de dez pontos percentuais neste governo.
    Equilibrar as contas públicas começa por rever as regras que resultam no aumento recorrente desses gastos sociais, não por reduzi-los.

    A diminuição da sua taxa de crescimento para um índice mais próximo da inflação ajudaria a reduzir a pressão sobre as contas públicas que resulta no crescente endividamento do governo, que contribui para as elevadas taxas de juros.

    Essa agenda implica retirar a vinculação e a indexação das despesas com saúde, educação e Previdência, que passariam a crescer a uma taxa menor e independente da arrecadação.

    A revisão das distorções tributárias, auxílios financeiros e subsídios não é tarefa fácil. Os grupos beneficiados se entrincheiram na defesa dos seus privilégios.

    Será preciso liderança e consistência política. Basta lembrar a dificuldade que foi rever a desoneração da folha de pagamentos, introduzida há 15 anos.

    A relação entre o descontrole fiscal e a política social decorre de um problema bem mais profundo no Brasil. Temos uma incapacidade de realizar diagnósticos sobre os temas de política pública; desenhar, com técnica, as soluções; avaliar os resultados com independência; corrigir e aperfeiçoá-las.

    O resultado é que novas políticas vão sendo adicionadas para realizar o mesmo objetivo.

    Foram duas versões do Minha Casa, Minha Vida, e o déficit habitacional está relativamente estável há 18 anos.

    Já estamos no terceiro Desenrola em poucos anos, e o BC anuncia endividamento recorde.

    Os recursos para educação têm aumentado seguidamente há décadas, mas o aprendizado dos estudantes brasileiros continua no fim da fila entre países semelhantes, como medido pelo Pisa.

    Já tivemos três tentativas de viabilizar uma indústria naval no Brasil, seguidamente renovamos recursos públicos para que a Zona Franca de Manaus se tornasse sustentável, ou que a renda do Nordeste convergisse para a do Sudeste. O fracasso das iniciativas não levou à revisão das medidas. Pelo contrário, foram ampliadas.

    O resultado é o empacotamento de seguidas medidas com objetivos semelhantes, fracassos semelhantes, e gastos crescentes sem benefícios relevantes para a população. Um Estado que gasta muito e gasta mal.

    O dilema não é entre preservar o social e fazer ajuste fiscal. A má condução da política pública, que não cuida das pessoas, tem, como efeito colateral, o descontrole fiscal.

    O dilema é viabilizar um Estado que cuide das pessoas, garantindo a qualidade das políticas públicas, e também das contas do governo, para que as novas gerações não sejam penalizadas.

    O debate sobre política econômica não se exaure no fiscal ou na qualidade da política social e de desenvolvimento.

    Existe também um debate sobre a política monetária. Temos uma taxa básica de juros elevada no Brasil, e também taxas de juros de mercado bastante altas.

    Estão sendo discutidas medidas criativas, como aumentar a meta de inflação, entre muitas outras intervenções que prometem resultados rápidos e indolores.

    Seria bom verificar primeiro a nossa história. A gestão Tombini tentou baixar a taxa básica de juros com inflação acima do centro da meta, e o resultado foi uma economia que continuou a reduzir sua taxa de crescimento, com diminuição progressiva da criação de empregos e aumento da inflação.

    Segundo, avaliar cuidadosamente a pesquisa com dados e cuidado estatístico, como os trabalhos de Carlos Viana Carvalho.

    O risco do aumento da meta de inflação é elevar as expectativas inflacionárias e as taxas de juros.
    Tratar a política monetária como o governo anterior tratou a pandemia pode resultar em uma crise prematura.

    Os debates sobre a economia e seus desafios perpassam o governo. Não se trata de uma agenda de alguns ministros. Requer PEC na contramão das escolhas que foram realizadas pelo governo atual. Sua aprovação necessita de debate com a sociedade e negociação com a política. Melhor se antes ocorrer a construção de uma base aliada ampla.

    Essa agenda requer a liderança do exercício da política que compartilha decisões e constrói coalizões.

    Trata-se de agenda para a Presidência.

  2. O Estado não Produz RIQUEZA, transferência de Renda Inversa: O imposto no Brasil é majoritariamente regressivo (incide sobre consumo e produção). Para financiar “benesses” e a opulência das altas castas do Estado, cobra-se mais imposto no prato de comida do trabalhador.

    O Absurdo da Inflação como Imposto Oculto: Quando a arrecadação via imposto direto atinge o limite do suportável, o Estado passa a financiar o déficit emitindo dívida ou moeda. Isso gera inflação, que destrói justamente o poder de compra da aposentadoria e do salário mínimo dos mais vulneráveis.

    ilusão de que o Estado possui recursos próprios, uma fonte inesgotável ou uma “árvore mágica” de onde saem as verbas. É esse termo que permite a demagogia de políticos que prometem benesses como se fossem presentes dados por eles, quando na verdade estão apenas redistribuindo o que tiraram do povo.O que temos Hoje é um “feudosismo fiscal”

    1. E o candidato dos Bolsonaros, Flávio, ao invés de um plano claro para estancar este tipo de sangria dos cada vez mais altos novos impostos on line e com split payment contra os que consomem, produz e não sonegam, pelo populismo barato e atrás de votos fáceis, entrou nesta corrida maluca de quem irresponsavelmente faria esta transferência inversa de renda. Ficou tão igual ao PT, ao lulismo e a esquerda do atraso, gerou dúvidas e consequentemente falta de confiança no seu próprio campo ideológico, que por conseguinte, perdeu a confiança e as eleições. E ainda diz estar procurando culpados, que não sejam ele próprio, um despreparado e ao mesmo tempo, lambuzado para as mudanças que queria encarnar

  3. NÃO SERÁ FÁCIL SALVAR A DEMOCRACIA, por Marcos Mendes

    Em 2012, o Brasil acumulava uma década de crescimento médio anual do PIB de quase 4%, tendo passado ileso pela recessão mundial de 2008-2009. A desigualdade e a pobreza caíam. Havia um clima de “agora vai”.

    No mesmo ano, contrariando o otimismo reinante, comecei a escrever o livro “Por que o Brasil Cresce Pouco?”, publicado em 2014, que apontava para estagnação econômica, com ameaça de ruptura da democracia.

    O argumento é que transitamos para a democracia, em 1985, com uma sociedade muito desigual. A elite econômica, que gozava de privilégios no governo militar (subsídios, cargos em estatais, proteção comercial, etc.), conseguiu mantê-los e ampliá-los na nova ordem constitucional.

    Em paralelo, o eleitor mediano, que é pobre, passou a demandar políticas sociais que o governo militar não provia. Elas cresceram fortemente, melhoraram os indicadores sociais, mas muitas são de baixa qualidade e favorecem a classe média.

    Criou-se um Estado que atende a todos, dos ricos aos pobres. O custo fiscal se multiplicou, financiado inicialmente por inflação, depois por aumento da carga tributária e aumento da dívida.

    Por um lado, esse modelo ajudou a consolidar a democracia. O Estado provedor amplo mitigava o conflito distributivo, todos se sentiam atendidos.

    Por outro, o modelo inibe o crescimento: carga tributária crescente, corte de investimento em infraestrutura, economia fechada, má alocação de capital pela distribuição política de subsídios, pressão inflacionária e juros altos.

    Funcionou por um tempo. Principalmente enquanto a expansão da China puxou nossas exportações e o custo tributário e da dívida ainda eram baixos.

    Porém, com pouco crescimento e ônus fiscal crescente, o Estado deixou de ser capaz de atender a todas as demandas. O baixo crescimento cria ressentimento em quem não consegue ascender socialmente ou acha que está pagando mais do que recebe. Aumenta a tensão política, e o pacto que sustenta a democracia se fragiliza.

    Havia uma possibilidade de dar certo. Se o gasto social tivesse criado uma nova classe média instruída, segura de que não voltaria à pobreza, capaz de concorrer no mercado de trabalho com os filhos da elite, teríamos aumentado a produtividade do trabalho e o estoque de talento criativo. Diminuiria a dependência de assistência social, e gradativamente surgiria um novo consenso em favor de mais crescimento. A classe média majoritária pressionaria contra a proteção e subsídio aos ricos. A produtividade aumentaria e a desigualdade continuaria a cair.

    Porém, as políticas sociais foram aumentando de custo e perdendo eficácia. Os privilégios e os subsídios cresceram. O aumento do gasto em educação não se traduziu em melhoria do ensino. Um eleitorado dependente de assistência social passou a ser conveniente, assim como os financiamentos de campanha em troca de benesses a empresas.

    A desigualdade parou de cair, e ainda estamos entre os mais desiguais do mundo. A despeito da multiplicação de verbas sociais, ainda temos quase 10 milhões de pessoas na pobreza extrema. O modelo emperrou antes de criar nova dinâmica social e econômica.

    Novos fatos agravaram o conflito social: polarização política internacional catalisada pelas redes sociais, crescimento do crime organizado, a Covid com seus custos e traumas.

    As redes de influência levaram à corrupção generalizada, contaminando até o principal garantidor da estabilidade democrática —o STF—, que agora opera sob a lógica da proteção de grupos e de forma partidária.

    Não será fácil “salvar a democracia”.

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