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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDXCV

Nunca uma anotação brasileira valeu tanto para uma realidade brasileira. O ex-primeiro ministro do Brasil, o mineiro Tancredo de Almeida Neves (1910/85) certa vez observou: “quando a esperteza é demais, ela come o próprio dono“. O Republicano Donald Trump é conhecido como um hábil – e nem sempre ético – negociador. É bilionário por conta de seus múltiplos negócios na área imobiliária. É um jogador. Judicializa tudo. Possui influencias poderosas. É líder, duro, radical e teimoso. Mas, achando-se o dono do mundo, a ponto de ser incompreensivelmente um servil ao russo Vladimir Putin, Trump vai ficar sem fichas para jogar nas eleições de novembro.

Trump tratou de estragar o mundo e humilhar aliados como a OTAN e a UE. Agora, a menos de dois anos do início desse “reinado” próprios eleitores, que julgou como súditos, dos Estados Unidos vão lhes das um duro silencioso recado nas urnas em poucas semanas. O rei está nu. E ficará sem pele. Política é poder, mas é preciso sabedoria e habilidade para ser respeitado e cativar este poder no ambiente democrático, diferente dos ambiente autocráticos, autoritários e ditaduras. Esta charge premonitória é de 2024. By Herculano

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9 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDXCV”

  1. > Tudo a Ler
    (Por Isadora Laviola, FSP, 21/10/26)

    Oi, leitor! Oi, leitora!

    > Até onde uma mulher é capaz de ir para conquistar a própria liberdade? Em “Aquela que Restou” (trad. Amélia Bonfim e Rada Gankova, Ercolano, R$ 89,90, 128 págs.), romance da escritora búlgara Rene Karabash, a jovem Bekia se assume socialmente como homem, escapando de um casamento arranjado.

    O livro finalista do Booker Internacional neste ano se passa nos Bálcãs, onde uma tradição permite a uma mulher virgem fazer essa mudança de papéis, adquirindo direitos antes reservados aos homens.

    Karabash, que se define como queer, diz ao jornalista Diogo Bercito (*) que não quer reduzir o livro a esse rótulo. É, na verdade, um livro sobre patriarcado.

    >> Em outro lado do espectro, na alta sociedade nova-iorquina, uma mulher que se casou de acordo com as dinâmicas de gênero socialmente convencionais se descobre vítima de violência patrimonial quando seu marido pede o divórcio.

    “Na ingenuidade afetiva e na segurança de que aquele casamento jamais se desmancharia, Belle nunca se protegeu materialmente diante do pior, o fim”, escreve a crítica Paula Jacob (**). Belle Burden é a autora do livro “Estranhos: Vestígios de um Casamento” (trad. Heloísa Mourão, Record, R$ 69,90, 266 págs.) e virou best-seller ao relatar suas memórias.

    Até a próxima semana,
    Isadora Laviola
    Jornalista da editoria de Livros

    +em:
    (*) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/como-um-livro-radical-sobre-virgem-que-se-rebela-contra-o-machismo-alcancou-premios.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (**) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/best-seller-de-belle-burden-toca-a-dor-da-violencia-patrimonial.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  2. > Tudo a Ler (I)
    (Por Isadora Laviola, FSP, 21/10/26)

    acabou de chegar

    > “Não Pense num Elefante” (trad. Adriano Scandolara, Fósforo, R$ 94,90, 256 págs.) argumenta que a força política da direita não está em suas ideias, necessariamente, mas na linguagem e no enquadramento que adota. O autor é o linguista americano George Lakoff, que começou a escrever o livro inspirado pelo sucesso eleitoral de George W. Bush, em 2004. Segundo o repórter especial Rafael Cariello, o livro é reducionista e olha para o mundo como se só houvesse dois polos políticos.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/livro-argumenta-que-voto-se-organiza-por-valores-e-estruturas-mentais-nao-por-fatos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >> “Cordão de Aço Não Arrebenta Fácil” (Patuá, R$ 60, 148 págs.), romance de estreia de Bruno Gil Gonzalez, retrata os efeitos do alcoolismo sobre uma família. A enfermeira Cristina tenta conciliar o trabalho e o sonho de cursar medicina com a responsabilidade que sente pelo pai alcoólatra. Lendo o livro como uma alcoólatra em recuperação, Alice S. diz que o livro “acerta ao mostrar que parar de beber não resolve magicamente tudo o que foi destruído”.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/livro-mostra-como-alcoolismo-de-uma-pessoa-pode-adoecer-toda-uma-familia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >>> “Mentes que Brilham, Virtudes que se Apagam” (Matrix, R$ 89, 248 págs.), do jornalista Caio Túlio Costa, investiga as contradições entre a obra e a vida de grandes intelectuais. Com base em cartas, biografias e documentos de autores como Kant, Sartre e Simone de Beauvoir, o livro revela mentiras, traições e posicionamentos controversos. O livro não pretende cancelar esses pensadores, mas, como aponta o repórter especial Ivan Finotti, isso surge inevitavelmente na conversa.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/livro-de-caio-tulio-costa-revela-as-mentiras-e-traicoes-de-genios-do-pensamento.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  3. > Tudo a Ler (II)
    (Por Isadora Laviola, FSP, 21/10/26)

    agenda literária

    > Na quinta (22), às 19h, a Livraria da Tarde (r. Cônego Eugênio Leite, 956 – Pinheiros – São Paulo) promove o encontro “A Voz Feminina no Mercado de Livros”, com Ana Lima Cecilio, editora do Grupo Record; Rita Palmeira, crítica literária e curadora da Flip; e Lizandra Magon de Almeida, diretora editorial da Jandaíra e presidente da Libre. A conversa será mediada por Brisa Espinheira, do portal PublishNews.
    +em:
    https://www.google.com/maps/search/r.+C+nego+Eug+nio+Leite,+956+-+Pinheiros+-+S+o+Paulo?entry=gmail&source=g

    >> No sábado (24), às 14h, Pedro Bandeira lança “A Traição de Capitu” na Livraria Martins Fontes Paulista (av. Paulista, 509 – Térreo – São Paulo). Serão distribuídas 50 senhas para os autógrafos, a partir da abertura da loja. Para retirar uma senha, é preciso comprar ou apresentar o novo livro.
    +em:
    https://www.google.com/maps/search/av.+Paulista,+509?entry=gmail&source=g

    >>> Também no sábado (24), às 16h, a Livraria Ponta de Lança (r. Aureliano Coutinho, 26 – Santa Cecília – São Paulo) recebe o lançamento do romance “Xilocosmos”, com a presença do autor Bernardo Carvalho.
    +em:
    https://www.google.com/maps/search/r.+Aureliano+Coutinho,+26+-+Santa+Cec+lia+-+S+o+Paulo?entry=gmail&source=g

    (TRPCE)

  4. > Tudo a Ler (III)
    (Por Isadora Laviola, FSP, 21/10/26)

    e mais

    > No centenário de Michel Foucault, o professor Danichi Hausen Mizoguchi escreve sobre como a obra do francês continua “a iluminar criticamente as modulações pelas quais a sociedade contemporânea administra corpos, prazeres e condutas”. De “História da Loucura” a “Vigiar e Punir”, o filósofo investigou como verdades são construídas e os custos de alinhá-las à experiência.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/10/centenario-de-foucault-reacende-debate-sobre-coragem-e-verdade-que-diz-muito-sobre-hoje.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >> A Companhia das Letras comprou os direitos de publicação no Brasil do primeiro romance do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que já tem contos publicados. “O Homem que Só Escrevia em Aviões” será lançado na Espanha no fim deste mês e deve chegar por aqui em 2027. O livro, como conta o Painel das Letras, acompanha um escritor frustrado que descobre um talento ao tomar liberdades criativas em um trabalho de tradução.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/walter-porto/2026/10/pedro-almodovar-vai-lancar-seu-primeiro-romance-no-brasil-sobre-autor-frustrado.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >>> A Intrínseca publicará em junho de 2027 “The Disappearers”, livro do jamaicano Marlon James descrito no New York Times como “o romance da década, se não do século”. Com mais de 600 páginas, o livro retrata a comunidade homossexual e a violência homofóbica na Jamaica dos anos 1980 e 1990.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/colunas/walter-porto/2026/10/intrinseca-vai-publicar-livro-chamado-de-romance-do-seculo-pelo-new-york-times.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  5. > Tudo a Ler (IV)
    (Por Isadora Laviola, FSP, 21/10/26)

    além dos livros

    > O prêmio Jabuti anunciou sua lista de finalistas (*), com cinco indicações em cada categoria. Algumas têm causado controvérsias. O ensaio sobre política “Por que a Esquerda Morreu?”, do sociólogo Jessé Souza, foi alocado na categoria saúde e bem-estar (**). A editora justificou com a abordagem do “bem-estar coletivo” no livro, enquanto o autor se disse surpreso de estar na categoria. Entre os semifinalistas da categoria capa, o designer Vicente Pessôa criticou a resistência do prêmio (***) em incluir obras produzidas com IA. Segundo ele, que já foi eliminado do prêmio em 2023 por usar a tecnologia, a regra “força todo mundo a mentir e premia a mentira”.
    +em:
    (*) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/premio-jabuti-2026-anuncia-os-cinco-livros-finalistas-de-suas-categorias-veja-a-lista.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (**) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/livro-sobre-morte-da-esquerda-e-indicado-como-saude-e-bem-estar-no-jabuti.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler
    (***) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/jabuti-forca-todo-mundo-a-mentir-diz-ilustrador-que-foi-desclassificado-por-usar-ia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >> Também foram anunciados nesta terça (20) os vencedores do prêmio literário da Biblioteca Nacional. Entre os 13 premiados, estão o romance “Os Imortais”, de Paulliny Tort, a coletânea “O Jardim das Oliveiras”, de Adélia Prado, os contos de “Recapitulações”, de Maria Valéria Rezende, e Raoni Metuktire por suas “Memórias do Cacique”. Cada um dos vencedores ganha R$ 30 mil.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/biblioteca-nacional-premia-o-romance-os-imortais-adelia-prado-e-cacique-raoni.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >>> Os livros da escritora irlandesa Sally Rooney deixarão de ser vendidos no Reino Unido. A autora de best-sellers como “Pessoas Normais” e “Conversa entre Amigos” pretendia destinar seus lucros para apoiar o Palestine Action, grupo pró-palestino classificado na Grã-Bretanha como terrorista. Suas vendas foram barradas pelo Tribunal de Apelação de Londres.
    +em:
    https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/livros-de-sally-rooney-sao-barrados-no-reino-unido-apos-apoio-a-grupo-palestino.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  6. > Tudo a Ler (V)
    (Por Isadora Laviola, FSP, 21/10/26)

    ▶️ Para ver

    > ‘Aquela que Restou’ retrata insurgência contra uma sociedade machista
    – Livro chega pela Ercolano após ser indicado ao Booker Internacional
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/tv/2026/10/livro-aquela-que-restou-retrata-insurgencia-contra-uma-sociedade-machista.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >> Sonho libertário de Foucault com LSD está soterrado no Vale da Morte na era Trump
    – Conheça a lisérgica viagem do filósofo francês pelo deserto da Califórnia em 1975
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2026/10/sonho-libertario-de-foucault-com-lsd-esta-soterrado-no-vale-da-morte-na-era-trump.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    >>> Livro mostra os momentos finais e o retorno da rádio Eldorado
    – ‘#VoltaEldorado’ é assinado por diretor artístico da emissora
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/10/livro-mostra-os-momentos-finais-e-o-retorno-da-radio-eldorado.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newstudoaler

    (TRPCE)

  7. 🐔 Frango em apuros
    (Por Beatriz Pecinato, Folha Mercado, FSP, 21/10/26)

    O México suspendeu a importação de carne de frango do Brasil (1).
    A medida foi anunciada depois que a doença de Newcastle foi detectada em uma granja comercial de perus em Santa Catarina.

    ↳ O vírus atinge aves e provoca alterações neurológicas, redução na produção de ovos e alta na mortalidade.

    ↳Não há risco de contaminação humana pelo consumo de alimentos infectados, diz a Embrapa.

    Rebobinando…
    Na segunda, o governo decretou estado de emergência zoossanitária (2) por 60 dias em quatro municípios de SC.
    O estabelecimento já foi interditado.

    Por que importa?
    O México foi o sétimo maior comprador de frango do Brasil em 2025.
    Além do país, a China interromperá os envios de carne de aves apenas de Santa Catarina (3).
    Pequim é o maior comprador da proteína (4) brasileira deste ano.

    > 420 mil toneladas chegaram às terras chinesas entre janeiro e setembro de 2026, cerca de 10% das vendas totais.

    O Chile se manifestou e suspendeu as importações de carnes, ovos e aves ornamentais que vêm do estado.

    Apesar disso, o foco da doença não deve causar longos danos econômicos ao setor se autoridades conseguirem contê-lo rapidamente, dizem analistas.
    O Brasil é o maior exportador de frango do mundo.

    (TRPCE)

    (1) México suspende importação de frango brasileiro após surto de doença aviária
    – Caso da doença de Newcastle foi identificado em granja comercial de perus em Santa Catarina
    – Infecção é altamente contagiosa entre aves, mas não representa risco grave ao ser humano
    +em: https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/mexico-suspende-importacao-de-frango-do-brasil-apos-surto-de-doenca-aviaria.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (2) Governo decreta emergência zoossanitária em municípios de SC após detecção da doença de Newcastle em granja
    – Caso foi identificado em produtor de Nova Itaberaba (SC); autoridades dizem que consumo de carne de aves segue seguro
    – Acordo com a China prevê autoembargo de exportações diante de registro da doença
    +em: https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/doenca-de-newcastle-e-detectada-em-fornecedor-da-mbrf-e-ameaca-exportacoes-brasileiras.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (3) China, México e Chile restringem importações de frango do Brasil por doença de Newcastle em SC
    – No caso chinês, veto se restringe apenas à produção em Santa Catarina
    – Foco de doença foi identificado em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus em Nova Itaberaba
    +em: https://c-level.folha.uol.com.br/agro/2026/10/china-mexico-e-chile-restringem-importacoes-de-frango-do-brasil-por-doenca-de-newcastle-em-sc.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (4) Nas barreiras às carnes do Brasil, o frango merece maior atenção
    – País tem mais fôlego na disputa internacional pelo mercado de carne bovina
    – Na avicultura, a concorrência é maior com a presença da China na exportação
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/09/nas-barreiras-as-carnes-do-brasil-o-frango-merece-maior-atencao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

  8. > A maldição de quem está no poder
    – Na última década, o partido de governo perdeu 28 de 37 eleições presidenciais livres na América Latina
    (Por Mauricio Moura, Fundador do instituto de pesquisa Ideia, O Globo, 21/10/26)

    Na Roma antiga, quando um general voltava vitorioso, desfilava pela cidade numa carruagem dourada, coroado de louros, aclamado pela multidão. Atrás dele, porém, ia um escravo com uma única tarefa: sussurrar no ouvido do triunfador, durante todo o trajeto, que ele era apenas um homem e que aquilo passaria. A tradição sobreviveu como lição de humildade. O que os romanos não previram é que, dois milênios depois, o escravo seria substituído por milhões de eleitores com um celular na mão. E eles não sussurram. Gritam, todos os dias, em tempo real.

    O ano de 2024 entrou para a história como o maior ciclo eleitoral já registrado, com cerca de 2 bilhões de eleitores. Foi também o pior ano da história para quem estava no poder. Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 1905, todos os partidos governistas que enfrentaram eleições em países desenvolvidos perderam votos. A queda média foi de sete pontos, mais que o dobro da punição imposta depois da crise financeira de 2008. Conservadores britânicos, democratas americanos, o LDP japonês: ninguém escapou. Nem gigantes como o CNA sul-africano e o BJP de Modi, que perderam suas maiorias. Uma contabilidade básica mostra que, desde a pandemia, governantes foram derrotados em 40 de 54 eleições de países democráticos.

    Na América Latina, a maldição é ainda mais antiga e mais cruel. Na última década, o partido de governo perdeu 28 de 37 eleições presidenciais livres na região, quase três em cada quatro. Entre 2018 e 2023, a oposição venceu 19 de 21 disputas. O Brasil não ficou imune: em 2022, Bolsonaro tornou-se o primeiro presidente da Nova República a perder uma reeleição. Agora, a cinco dias do segundo turno, Lula terminou a primeira rodada atrás de Flávio Bolsonaro, com 45,1% contra 47%, algo raro para um presidente candidato. Seja qual for o resultado de domingo, a pressão sobre o incumbente já está escrita nos números.

    O principal motivo é o bolso. A inflação pós-pandemia acabou, mas o eleitor não compara índices, compara preços. A taxa de inflação caiu, só que o preço do café, do aluguel e do pãozinho não voltou ao patamar anterior. Para o cidadão, o “nível” do custo de vida é o que pesa, e isso cai na conta de quem está sentado na cadeira. Governos de esquerda, direita e centro foram derrubados pelo mundo pela mesma fatura de supermercado.

    O segundo motivo é o mais desconfortável para quem governa: a eleição deixou de ser escolha e virou plebiscito sobre a rejeição. Quem está no poder carrega todos os problemas acumulados, enquanto o desafiante carrega apenas a esperança de mudança. Em pesquisa de opinião, esse é o dado mais revelador: o voto “contra” é mais mobilizador que o voto “a favor”. E o incumbente é sempre o alvo mais fácil.

    Claudia Sheinbaum, no México, Kyriakos Mitsotakis, na Grécia, e o governo irlandês flertam com romper a maldição. O que têm em comum? Primeiro, governam para o preço percebido, não para o índice: renda no bolso, entrega visível, efeito sentido antes da campanha. Despejar medidas em véspera de eleição não costuma funcionar. Segundo, se apresentaram como mudança dentro da continuidade, seja com um novo rosto, seja com uma nova agenda. O incumbente que defende o passado perde; o que faz campanha como desafiante dos problemas do país, e não como guardião do próprio legado, tem chance. Terceiro, ofereceram um horizonte. O eleitor não reelege quem administra crises, reelege quem lhe dá um motivo para acreditar no amanhã.

    Governar em 2026 é desfilar na carruagem com milhões de escravos digitais gritando no ouvido, todos os dias, que aquilo vai passar. A tentação é tapar os ouvidos. O caminho é o oposto: ouvir, com método, o que o eleitor está dizendo, antes que ele diga nas urnas. A maldição dos incumbentes não é um destino. É um diagnóstico. E, como todo diagnóstico, só serve para quem tem coragem de lê-lo a tempo.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/politica/mauricio-moura/coluna/2026/10/a-maldicao-de-quem-esta-no-poder.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

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