Pesquisar
Close this search box.

A TRANSPARÊNCIA DE FACHADA. PREFEITURA DE GASPAR FAZ “NOTA OFICIAL”, SOBRE AS DÚVIDAS NAS COBRANÇAS A MAIOR DA ROÇADA NO ATUAL GOVERNO. ELE ORQUESTROU E USUFRUIU COMO TROFÉU NUMA CPI NA CÂMARA CONTRA AS MESMAS GRAVES FALHAS DE KLEBER. ONDE ESTÁ O ERRO E A ESPERTEZA DO ATUAL, ALÉM DE NÃO FAZER A MAIS SIMPLES, ÓBVIA E NECESSÁRIA LIÇÃO DE CASA? A “NOTA” DEVERIA ESTAR NO SITE OFICIAL DA PREFEITURA. NÃO ESTÁ. REVELADOR. OU SEJA, NADA MUDOU NA COMUNICAÇÃO E TRANSPARÊNCIA.

Se o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, é diferente como ele jura por palavras, recados, cara feia e vinganças, mas faz outra coisa na prática cotidiana e repetidamente igual ao do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, Paulo precisa, urgentemente, trocar os seus bruxos. Exemplo abundam. Está exposto. Está se autoflagelando. Triste.

Esses bruxos – um grupo de amigos antigos, empresários que sempre mandaram na cidade seja qual for o governo, familiares (um perigo), políticos que sempre estiveram no poder de plantão de uma forma e de outra sem se importarem ao partido a que estão filiados, bem como de gente de Blumenau que Paulo escolheu, ou foi obrigado – por Blumenau e Florianópolis – a empregar por aqui – estão o orientando – por erro ou propositadamente – para ele ficar torto na foto. Incrível.

Vou repetir o que já escrevi em outras ocasiões: mesmo nunca sendo próximo, conhecendo-o há quase 50 anos, é difícil crer que o próprio Paulo é quem se arruma na foto- com tanta gente ao seu lado para isso – para ser fotografado torto ou dá ordens ao lambe-lambe de plantão para que ele, ainda assim, fique torto na imagem final para a cidade e os que queriam vê-lo bonitinho nela.

Neste artigo, também não vou evitar repetir o que já escrevi em dois artigos esta semana sobre o tal “nó górdio” e a bomba em que o vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, da então frágil base do sepultado vice, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos (era PL) em O NÓ GÓRDIO. O ATUAL GOVERNO DE GASPAR DESMORALIZA QUEM ELE PRÓPRIO ESCOLHEU PARA “IMPRIMIR MUDANÇAS”. E SE NÃO FOI ELE QUEM ESCOLHEU, AO MENOS ASSINOU O PAPELINHO QUE DEU O EMPREGO E PODER. A SEGUIR, QUATRO EXEMPLOS PARA REFLEXÕES. HÁ MUITOS OUTROS e em QUEM ESTÁ DESMORALIZANDO EM TÃO POUCO TEMPO O GOVERNO PAULO? ELE, OU QUEM ELE ESCOLHEU? PAULO NÃO CONHECE OU FINGE O QUE É O TAL “NÓ GÓRDIO”. JÁ PASSOU – E MUITO – DO TEMPO DE ELIMINÁ-LO. CHEGOU A HORA DA DESMORALIZAÇÃO

COMUNICAÇÃO É ASSUNTO SÉRIO. MENOS AQUI

Perguntar não ofende: quem mesmo é o comunicador, com credibilidade, referência que Paulo Norberto Koerich, PL, possui para dialogar, convencer e usar para falar com a cidade? Ele, os seus, e sua manca assessoria de comunicações – que nem sabe o nome da rua onde está a prefeitura – querem ventríloquos. E a cidade inteira sabe bem o que é isso. E não é de hoje.

Voltando.

Já escrevi inúmeras vezes sobre este assunto, a comunicação, no governo de Paulo. É algo que conheço há décadas, e apesar de tudo, estou minimamente atualizado, mesmo diante da velocidade das mudanças de linguagem, abordagem, forma, conceitos, ferramentas e contexto que tomaram a comunicação em si, nos ambientes corporativos públicos e privados. O governo Paulo não possuiu comunicação, não dá importância, quer milagres e ela, por conta dos curiosos metidos, trabalha, sem querer, contra. Falta-lhe autoridade para enquadrar essa gente folgada, irresponsável e que se acha entendida no assunto, ou trata o outro lado do balcão, a população, como tolos.

Paulo trocou de titular três vezes em 13 meses. Uma vergonha. E já está culpando quem chegou há poucos dias. Kleber, por exemplo, teve a sua titular de comunicação, com defeitos ou não, por oito anos e ela foi quem fez a campanha para ele chegar ao poder. Perceberam a diferença. A comunicação não é de hoje, é parte do poder. Nem mais, nem menos. E se não confia nela, afunda-se na imagem fragmentada.

Surpreendido, o governo Paulo, que possui problemas sérios não apenas no governo e na operação mínima da máquina governamental – que não é simples e não a domina, até porque não consegue reuni-la com o mínimo de regularidade para conhecê-la e coordená-la -, mas também na sua base de sustentação política na Câmara. E ela começa pela líder de governo, a policial da ativa Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Alyne não saiu ainda da delegacia, mas pior, do seu PSD – como lembrou recentemente, o vereador Giovano Borges, presidente do PSD – que serviu caninamente ao governo Kleber. Como política Alyne não concilia, não engole sapos e vive em guerra declarada, permanentemente. Ela não apenas confronta os adversários que eram na verdade seus pares no governo passado, mas, pasmem, os que estão obrigados a defenderem o atual governo. Alyne está cada vez mais isolada. É uma problema a mais.

Ora, como um governo pode sobreviver e se dizer unido com tantos tiroteios assim, a todo momento, dentro do próprio governo, da chefia de gabinete, das secretaria, na Câmara e na própria bancada governista onde tem que engolir José Hilário Melato, PP, Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP que vira e mexe vem com novidades que deveriam estar na boca de Alyne, de Ciro André Quintino, MDB, o voto de minerva e agora, o incontrolável ex-presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL, o expurgado aliado, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, desnudando as incoerências do governo com farta documentação e deixando o governo de joelhos?

A NOTA OFICIAL, QUE NÃO É OFICIAL

Uma Nota Oficial de um governo deveria estar em destaque no site oficial da prefeitura, para que da posição oficial do governo não restasse dúvida nenhuma para ninguém da cidade e alhures. Até o momento em que publico este artigo, na área dedicada a notícias, a que fala com os veículos de comunicação, os propagadores da comunicação, ela não está. Desprezo. Diz a “Nota”.

“A Prefeitura de Gaspar reafirma seu compromisso inegociável com a legalidade, a transparência e o respeito ao erário público. Não compactuamos com qualquer tipo de irregularidade na aplicação dos recursos públicos e mantemos vigilância permanente sobre todos os atos administrativos, sempre pautados pela responsabilidade e pela honestidade”.

Volto. Não é a prefeitura – uma entidade despersonalizada -, é o governo – feito de pessoas eleitas, escolhidas e contratadas – que não compactua, em primeiro lugar. De resto, é um amontoado de palavras escolhidas com muito cuidado. De prático, elas não representam nada. A começar pela palavra de transparência, pois esta nota, com muito tempo de atraso e de forma seletiva, devia estar no site do governo. Não está.

“Diante das acusações de uso irregular de dinheiro público, informamos que a documentação pertinente já está sendo analisada em conjunto com a Controladoria Geral do Município. A apuração buscará esclarecer de forma técnica e criteriosa se houve eventual equívoco, identificando sua natureza — se decorrente de falha administrativa sem intenção ou se caracterizado por conduta dolosa.”

Volto. A Controladoria Geral do Município, só para lembrar, é ligada ao gabinete do prefeito Paulo. Foi a cara CPI do Capim Seco, com cara assessoria, de que é mostrou – conforme depoimento do Ernesto Hostin – que é a Controladoria que dá a palavra final sobre este assunto. No governo Kleber, esta mesma CPI do Capim Seco, com presidência de Ciro André Quintino, MDB, e relatoria de Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, mostrou também que o gabinete de Kleber, trabalhou, exaustivamente, para encobrir as falhas.

Então o que falhou desta vez mesmos estando sob holofotes e ainda se curando da picada de cobra de veneno doído? Quem vai lavar as mãos desta vez? O controlador, o chefe de gabinete, a secretária da Fazenda, o compras, ou o prefeito? Ou vai ficar para o fiscal, coitadinho que não sabia o que estava lendo?

“Reforçamos que, caso seja constatada qualquer irregularidade, as medidas cabíveis serão adotadas com rigor, independentemente de quem esteja envolvido. Havendo dolo, as consequências legais serão aplicadas conforme determina a legislação vigente”.

Enchimento de linguiça. Repetição tolas de palavras e expressões de parágrafos anteriores na falta de algo mais substancial e sério. Coisa de advogado no papel de defesa de gente enrolada, quando deveria ser este texto técnico, claro, objetivo e contundente no contexto de comunicação. E deveria começar assim. “Acabo de nomear excepcionalmente uma comissão especial… Tudo poderá ser acompanhado neste link. estão afastados preventivamente, sem presunção de culpa – mas, pela clareza e isenção do processo -os envolvidos até a conclusão dos Processos internos” Nem mais, nem menos. Incrível como em nome de uma suposta normalidade política tudo é ajeitado desde o início. O final disso, já está escrito. E nenhum grande vai ser pego.

“Esclarecemos ainda que, até o presente momento, a Prefeitura não recebeu formalmente o requerimento mencionado pelo vereador que apresentou a acusação de uso indevido de recursos públicos para a realização de roçada. Permanecemos à disposição para receber qualquer documentação oficial que contribua para o devido esclarecimento dos fatos.

A gestão municipal seguirá atuando com transparência, responsabilidade e absoluto respeito à população.”

Bobagens, além da continuada enchimento na nota oficial de linguiça de quem está encurralado e está tentando diminuir às próprias responsabilidades e as explicações públicas que continua devendo. Paulo é um experiente policial investigador de mais de 30 anos de serviço na área, onde chegou a ser secretário estadual de segurança.

Paulo, mais que qualquer outro sabe, que ele não precisa receber formalmente, como diz na nota, o requerimento do vereador Thimoti, ou de outros – incluindo os cidadãos e cidadãs – sobre este cabuloso caso contra o dinheiro do povo de Gaspar.

Havendo indícios, ainda mais públicos, por menores que sejam, ele, como policial que é, Paulo iria atrás, preventivamente, sua função na sua delegacia – aliás já fez várias vezes. Paulo, não deixaria brecha para prevaricação.

E como prefeito eleito, Paulo ESTÁ OBRIGADO a ir atrás de algo gravíssimo, denunciado num fórum institucional relevante, a Câmara, fatos que estão fartamente anunciados na mídia local e regional, nas redes sociais abertas e inundam os aplicativos de mensagens. Mais, do que isso, e principalmente, tudo na boca do povo, certo, aumentado, distorcido, contra ele. Simples assim. Paulo virou burocrata? Qual a razão disso e se sujeitar a tanto desgastes em tantos outros assuntos que ele está se desgastando exatamente por sua inércia ou confronto para ver tudo jogado para debaixo do tapete e os arautos punidos pela lei do talião? Credo.

Paulo não é nenhum ingênuo, mas incompreensivelmente, está sendo tragado pela própria equipe que o cerca e na maioria dos casos, foi ele mesmo quem a escolheu. Kleber está comemorando. E tão cedo. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, orientado por sua líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, prepara uma armadilha para o defenestrado vice-prefeito, o engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos (que era PL no dia das eleições de outubro de 2024).

É que o Diretor Obras, neste caso das roçadas cobradas a mais, era Renato Prebianca, indicado na distribuição política, segundo a vereadora Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, pelo vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, e o vice Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos. 

Renato Prebianca, vejam só, foi defenestrado da diretoria de Obras, e faz tempo, para dar lugar à uma penca de indicados do mais longevo dos vereadores e um dos que mais interfere no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, José Hilário Melato, PP, exatamente para dar sustentação ao atual governo.

Renato Prebianca, a princípio, por não ter cuidado bem deste assunto que estava na berlinda, e ele sabia dessa berlinda, presume-se, deve ter a sua parcela de culpa. Mas, quem era o fiscal desse contrato e uma montoeira de outros obrigados a olharem as ordens de serviços, contratos, empenhos, notas e pagamentos? O engenheiro comissionado Gabriel Alves e que está de saída. E pelo que se sabe e apurado até agora, neste emaranhado de esconde-esconde, da completa falta de transparência do atual governo, Gabriel não foi indicado pelo Thimoti e o Rodrigo. A conferir.

O buraco, na verdade, é mais embaixo, bem mais embaixo. A máquina não está engrenada e azeitada. Há uma guerra de vaidades, desconfianças e boicotes, em todos os níveis dentro da prefeitura de Gaspar, como nunca se viu antes em governo desde o levante do terceiro ano do governo de Francisco Hostins, PDC (1989/92), ao qual o próprio Paulo Norberto Koerich, PL, pertenceu como chefe de gabinete. Impressionante. Nem a programação dos 92 anos de emancipação de Gaspar de Blumenau conseguiu chegar a ser feita, divulgada e colocada em ação. Impressionante.

O problema começa na chefia de gabinete, com Pedro Inácio Bornhausen, PP – o ex-chefe de gabinete de Kleber Edson Wan Dall, MDB -, e se espalha com Ana Karina Schramm Matachuscki Cunha, na centralizada e burocrática secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, passa pela procuradoria geral de Júlio Augusto de Souza Filho, Michel Maicon Schoenfender Maiochi (ambos do núcleo duro de Blumenau) e até a secretaria de Obras e Serviços Urbanos, onde está este problema, que era de Vanderlei Schmitz, e agora é de Leandro Rafael Melo. Paulo precisa se reinventar. E logo. As eleições estão chegando. E os números das urnas terão interpretação.

A deputada Federal Júlia Zanata, PL, esteve um final de semana em Gaspar e região. A tiracolo dela, estava a vereadora e policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Júlia, no espectro político dela – erada e teimosamente rotulada de extrema direita – tem luz própria e disso ninguém duvida. A pergunta é: ela emprestou luz para a Alyne? Se Zanata não viesse aqui no passeio com Alyne, quantos votos teria a menos?

Impagável. O “jornal pragas”, uma conta de supostos simpatizantes do PT de Gaspar no facebook, resgatou o gestor profissional de sucesso e fama de grandes corporações, inclusive multinacionais – já aposentado, mas naquela época não. O “jornal pragas” mostrou Sérgio recomendando, a partir o pátio da Igreja Matriz de São Pedro, com vistas para a cidade, os candidatos Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, em 2016 como prováveis administradores capazes virar a vida de Gaspar e dos gasparenses para uma cidade de excelência.

A falta de resultados e a sobra de dúvidas do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, todos sabem. Algumas coisas, inclusive, estão na polícia para verificação. Tentando se redimir do erro e de como foi maltratado nos seus interesses na prefeitura por seus recomendados, Sérgio Roberto Waldrich tentou tirar Kleber do mandato de prefeito para dar a função ao novo vice arranjado pelo grupo e Waldrich, Marcelo de Souza Brick, PP. Kleber não comeu a isca de ir a deputado estadual. A igreja evangélica, em bloco, bateu o martelo para Marcos da Rosa, União Brasil, de Blumenau (apadrinhado por Ismael dos Santos, PSD), hoje de muda para o PL, Político é um bicho bem diferente do pragmatismo profissional. Brasília, em vários casos, inclusive o Master, não deixa dúvida nenhuma de como isso funciona.

Qual a dúvida que martela a cabeça dos que estão ao redor de Sérgio Roberto Waldrich? O apoio explícito que ele liderou, deu e articulou para Paulo Norberto Koerich, PL, ser prefeito de Gaspar. Será que a sina se repetirá. Ainda é cedo. Há tempo para o cavalo de pau, tanto para Paulo quando para Sérgio. Alguns que estavam ao lado de Sérgio, já entraram no modo “canarinho quando está na muda [de penas] não canta. Muda, Gaspar!

Bom final de semana a todos. Aos do governo de Gaspar, também!

Compartilhe esse post:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
LinkedIn
Email

20 comentários em “A TRANSPARÊNCIA DE FACHADA. PREFEITURA DE GASPAR FAZ “NOTA OFICIAL”, SOBRE AS DÚVIDAS NAS COBRANÇAS A MAIOR DA ROÇADA NO ATUAL GOVERNO. ELE ORQUESTROU E USUFRUIU COMO TROFÉU NUMA CPI NA CÂMARA CONTRA AS MESMAS GRAVES FALHAS DE KLEBER. ONDE ESTÁ O ERRO E A ESPERTEZA DO ATUAL, ALÉM DE NÃO FAZER A MAIS SIMPLES, ÓBVIA E NECESSÁRIA LIÇÃO DE CASA? A “NOTA” DEVERIA ESTAR NO SITE OFICIAL DA PREFEITURA. NÃO ESTÁ. REVELADOR. OU SEJA, NADA MUDOU NA COMUNICAÇÃO E TRANSPARÊNCIA.”

  1. O MASTER ACABOU NO STF, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    O código de ética proposto pelo ministro Edson Fachin estava nas cordas quando os celulares de Daniel Vorcaro começaram a falar. Entre os ministros que se opunham à proposta estavam Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Por caminhos diferentes, os dois levaram o escândalo do banco para dentro do Supremo. Toffoli teve um resort, do qual era sócio, vendido ao cunhado de Vorcaro. Moraes enviava mensagens ao banqueiro, e a banca de advocacia de sua mulher e de seus filhos havia sido contratada pelo banco, com honorários milionários, de R$ 3,6 milhões mensais.

    Ao longo de todas as encrencas, os dois ministros conseguiram se proteger, vendo nas notícias uma tentativa de atacar o Supremo. O Supremo tem tanto a ver com as conexões dos ministros quanto com a morte do aiatolá Ali Khamenei.

    Se existisse um código de conduta, Toffoli poderia dizer aos sócios do resort que a negociação era tóxica e Moraes afastaria a banca da família do banco de Vorcaro. No mínimo diriam que o tribunal tem um código de conduta.

    Vorcaro tinha amigos no Legislativo e, no bolso, altos funcionários do Banco Central. Seria o jogo jogado: um banqueiro corrupto compra parlamentares e burocratas. A entrada de magistrados na sua rede de influência é uma novidade. (Talvez isso tenha acontecido porque em casos anteriores a ação da Polícia Federal tenha sido anestesiada.)

    A bola do código de conduta dos magistrados está com o ministro Edson Fachin e com a relatora Cármen Lúcia. Eles deverão decidir a melhor oportunidade para anunciar o texto do projeto.

    Nem tão rápido que pareça prejulgamento, nem tão lento que vire pizza fria.

    A REDE DE VORCARO

    A operação abafa destinada a livrar a cara do banqueiro Daniel Vorcaro teve a virtude de colocar mais holofotes sobre suas conexões.

    O ministro André Mendonça substituiu seu colega Dias Toffoli e puxou o tapete da turma do abafa. Ele mandou Vorcaro para a cadeia com uma decisão de 48 páginas que expôs a milícia e as altas conexões de Vorcaro. Com habilidade, evitou citar vários hierarcas que têm foro privilegiado.

    Com base nas investigações da Polícia Federal e no conteúdo dos celulares de Vorcaro, Mendonça sabe muito mais.

    EREMILDO, O IDIOTA

    Eremildo é um idiota e não acompanha o caso do banqueiro Daniel Vorcaro pelo que as pessoas dizem, mas pelas datas em que as coisas aconteceram.

    No dia 13 de agosto de 2024 o senador Ciro Nogueira apresentou emenda a uma proposta que alterava a autonomia do Banco Central, elevando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a conta a ser coberta pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ou seja, a conta de uma eventual quebra do Master iria para o sistema bancário. Uma “bomba atômica no mercado financeiro”, segundo Vorcaro.

    A emenda não andou.

    No dia 4 de dezembro, levado pelo ex-ministro Guido Mantega, Vorcaro foi recebido por Lula num encontro fora da agenda pública. Acautelando-se, Lula chamou três testemunhas: Gabriel Galípolo (então diretor do Banco Central), Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Lula disse-lhe que seus pleitos seriam discutidos tecnicamente pelo Banco Central.

    O diretor de Fiscalização (Paulo Sérgio Neves de Souza) e o chefe do Departamento de Supervisão bancária, Belline Santana, estavam no bolso de Vorcaro.

    No dia 28 de março de 2025, o Banco de Brasília, o BRB, anunciou a compra de 58% das ações do Master.

    A 4 de abril Galípolo discutiu com os quatro grandes bancos do país uma solução para os ativos do Master que não seriam adquiridos pelo BRB, por serem considerados de maior risco. A expectativa, na ocasião, era de um acordo envolvendo o uso do FGC.

    Em abril de 2025, cinco meses depois da ida de Vorcaro a Lula, o Banco Central pediu ao Fundo Garantidor de Créditos um empréstimo de R$ 11 bilhões para salvar o Master. O FGC liberou R$ 5,7 bilhões.

    Como se viu, não adiantou.

    O FUTURO DE VORCARO

    Pelo andar da carruagem, Daniel Vorcaro tomará uma cana pesada. Disso resultará a possibilidade dele vir a colaborar com a Justiça.

    Vorcaro tem mais a contar, além do que seus celulares revelaram.

    Quem conhece o mecanismo das delações premiadas acredita que as conversas começarão pelo pagamento de uma multa bilionária. Provavelmente a maior já vista.

    FANFARRÃO

    De um banqueiro conservador:

    “O que mais surpreende na novela do Banco Master é o poder de infiltração de um fanfarrão. Vorcaro é um rebento de um tempo de tolerância.

    A velha banca não lidava com gente que patrocina eventos na Europa, mantém mansões para festas e tem uma academia perto de seu gabinete para marombar.”

    FARA DIBA SAI DA TOCA

    Dado o tamanho da encrenca no Irã deu-se o óbvio: a ex-imperatriz Farah Pahlavi ofereceu seu filho Reza como alternativa para o estabelecimento de um Estado de Direito no país. Ela tem 87 anos e desde 1979 vive entre Paris e os Estados Unidos. Reza tem 65 anos e deixou o Irã em 1979.

    Os Pahlavi intitulam-se uma dinastia, iniciada em 1925 pelo avô de Reza, um oficial da brigada de cossacos persas.

    Farah acompanhou o marido, o Rei dos Reis, no exílio. Sua vida acumula glórias e sofrimentos. Ela era uma estudante de arquitetura em Paris quando foi apresentada ao xá Reza Pahlavi, que buscava uma nova mulher. Enquanto o marido era um imperador de opereta, ela foi uma imperatriz classuda, amiga de pintores e de costureiros.

    Tiveram quatro filhos, e dois mataram-se no exílio.

    Suas chances com o filho Reza são poucas, mas também eram poucas suas chances de virar imperatriz.

    SEM CHORO NEM VELA

    No meio da tempestade provocada pelos celulares de Daniel Vorcaro, a repórter Pepita Ortega revelou que o procurador-geral Paulo Gonet pediu o arquivamento do inquérito das joias sauditas presenteadas ao então presidente Jair Bolsonaro em 2021. Ora as joias valiam R$ 16,5 milhões, ora caíram para R$ 5 milhões.

    Em 2023, durante semanas, as joias sauditas foram o principal assunto da política.

    Passados cinco anos, a PGR mandou o inquérito ao arquivo, e o caso vai para a sepultura.

    PRESENTE NA REDE

    No próximo dia 24 o MDB completa 60 anos e irão para a rede, digitalizadas, as atas das reuniões de sua Executiva Nacional. O acervo ficará no site da Fundação Ulysses Guimarães.

    O MDB teve várias encarnações. Em 1970 discutia sua autodissolução. Quatro anos depois, surrou a ditadura. Mais tarde acabou tornando-se o maior partido do país, e daí em diante, aos poucos definhou.

    Essas atas permitirão uma visita à memória de Ulysses Guimarães (1916-1992).

  2. QUER LER UM RESUMO? por Augusto Franco, no X

    Essa degeneração institucional que estamos vendo no Brasil não caiu do céu. Foi construída durante décadas pela atuação de uma força política iliberal disposta a implantar sua estratégia de conquista de hegemonia sobre a sociedade a partir do Estado controlado pelo partido.

    O objetivo dessa força política nunca foi dar golpe de Estado e sim vencer eleições sucessivamente para se prorrogar no governo, violando a alternância democrática. Seu modo de atuação foi ocupar as instituições do Estado e da sociedade para privatizá-las partidariamente, colocando-as a serviço do seu projeto de poder.

    Seu objetivo final é alterar por dentro o DNA da democracia, substituindo-a por cidadania ofertada para o povo pelo líder populista. Para tanto, ela se alinha politicamente a regimes do eixo autocrático (como Rússia, China, Irã, Angola, Cuba, Venezuela, Nicarágua etc.) em luta contra as democracias liberais, colocando a noção de soberania nacional acima da democracia como valor universal.

    Não podendo fazer maioria no parlamento e não conseguindo aparelhar as forças armadas e policiais e a totalidade dos órgãos de controle, essa força política, se delongando na governo, está conseguindo colonizar a suprema corte, os tribunais superiores e o ministério público.

    E além disso está hegemonizando as organizações da sociedade, como os coletivos de juristas “pela democracia” (como o grupo Prerrogativas), os institutos de pesquisa de opinião e as agências de checagem, uma infantaria de jornalistas dos grandes meios de comunicação e da rede suja de sites e blogs (como o DCM), as universidades (sobretudo nas áreas de humanas das federais), muitas ONGs e movimentos sociais, os sindicatos, centrais e associações profissionais, os meios artísticos e culturais (via artistas famosos) e os partidos satelizados (alinhados ao eixo autocrático).

    Como viu que não conseguiria implantar essa estratégia por meio da catequese ideológica, convertendo individualmente os agentes políticos e sociais para seu ideário, essa força política lançou mão de todos os meios, legais e ilegais, legítimos ou ilegítimos, ao seu alcance, inclusive a cooptação e a corrupção, depositando seus ovos dentro da carcaça podre de um sistema político que já vinha se degenerando rapidamente.

    Foi assim que surgiram o mensalão, o petrolão e uma infinidade de escândalos dos governos Lula I e II, Dilma I e II e, novamente, Lula III, que desembocaram agora nas fraudes do INSS (em que parece estar envolvido o próprio filho do presidente) e no golpe do banco Master e assemelhados que está dragando as mais altas instituições da república.

  3. ATUAL ARITMÉTICA DO STF, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

    Por uma dessas jabuticabas tão brasileiras, o maior “escândalo financeiro” do País”, como classificou o ministro Fernando Haddad, não fez (ainda?) nem cócegas na reputação de bancos, banqueiros e Faria Lima, mas atingiu o coração da política em ano eleitoral e o fígado do Supremo na sequência da condenação de generais e um ex-presidente. Assim, o escândalo Master ainda vai chegar ao sistema financeiro, mas já jogou pesadas nuvens sobre o futuro, não só do STF, mas do Brasil.

    A nota do ministro Alexandre de Moraes mais confunde do que esclarece, ajuda a exacerbar a crise entre STF, PF e PGR e confirma que o Supremo está com três ministros a menos. Em vez de onze, são oito, o que é número par e não permite desempate.

    Dias Toffoli está fora de combate, Xandão está gravemente ferido e o AGU Jorge Messias aguarda atrás da trincheira, sabe-se lá até quando. Há clima para a votação no Senado? E para a sua chegada à Corte?

    Um bom teste do Supremo será no próximo dia 13, quando a Segunda Turma julgará se mantém ou não a prisão de Vorcaro, o que já jogou a PF e a PGR uma contra a outra e agora vai jogar luzes sobre a guerra interna do Supremo, apesar de a votação ser no plenário virtual. Se a turma seguir a PF, será unânime para deixar o ex-banqueiro na Papuda. Se preferir a PGR, ele vai voltar a usar uma vasta cabeleira, fora dela – o que não é o mais provável.

    Integram a turma André Mendonça, novo relator do caso Master, Nunes Marques, também indicado por Bolsonaro, Gilmar Mendes, o decano que se joga em todas as fogueiras, Dias Toffoli, obrigado a renunciar à relatoria do caso, e Luiz Fux, que continua calado. As principais dúvidas: Toffoli vai ter o descaramento de votar? E Fux será o fiel da balança?

    A guerra interna e as decisões sobre o Master no Supremo estão envolvidas numa enorme nuvem de fumaça em que se misturam bilhões de reais, ou dólares, jatinhos e resorts, almoços e jantares em residências oficiais e, como não poderia faltar, pitadas do escândalo Epstein nos EUA. Vorcaro, o Epstein brasileiro, gaba-se com a própria namorada de botar “300 garotas de programa” como isca para seus múltiplos alvos.

    A lista de envolvidos com Vorcaro já não é tão sigilosa, mas continua crescendo e há de tudo. Ministros do STF, ministros do governo, ex-ministros, governadores, senadores, deputados, advogados (pagos aos milhões). Na fase seguinte, a expectativa é que os bancos deixem de apenas planejar mudanças de autodefesa em créditos, fundos e FGC e passem a entrar na linha de fogo. Sem falar que as investigações podem chegar ao PCC. Tomara que não.

  4. Se mudou o comunidador, não resolveu. Fazia tempos que não via um prefeito tão alterado. E ai surge a dúvida como diz o ditato, quem não deve não teme.
    Até por que não daria pra ter um “erro” tão infantil do qual foi motivo de tanto discurso contra a antiga gestão. Não deve errar em nada, muito menos ali. Então de duas uma, ou vai pelos ares a CPI do campim e seus relatórios, ou tem muito erro ou má fé ainda. Se for erro, quem nomeia a equipe? Quem fiscaliza? Quem confere? Quem ordena pagamento? Já não basta o caso do Secretário Nelson indicar ignorância no assunto.

    1. Pode mudar mais dez vezes. Antes da mudança vem o respeito. Antes do respeito vem a autoridade ao comunicador

      A corda que colocaram no pescoço do ex secretário Nelson Mário Kustner, e a puxaram em praca publica, mostra bem como funciona o senso ético e como se foge das responsabilidades funcionais

  5. Joao Carlos Silva

    Herculano

    Nããooo …. Elegemos esta turma para bater boca com imprensa e ameaçar os críticos?

    Delegado que se fez na vida usando imprensa para aparecer, agora vai p rádio esbravejar… quando vira notícia…

    Discordo de quem diz que a cidade está parada….

    A cidade está andando para traz…. e ladeira a baixo… Dr. Paulo segue os paços de seu líder Governador Moisés…

    Resta saber se Rodrigo será sua Daniela .

    Sempre jogou a honra alheia aos ventos agora vai na rádio pedir para que não denunciem no ministério público antes de se ter certeza….

    1. Paulo, avisado estava. O gabinete dele é um problema grave. Não há articulação e liderança. Ele sabe que está frágilizado. Mas, também acha que com cara feia vai botar para correr os que só querem mudanças que Gaspar as rejeita por seus políticos coelhos e seus entorno de interesses desde quando Paulo era chefe de gabinete de Francisco Hostins

  6. Eles não devem explicações. Eles não podem mais serem ministro da mais alta corte de Justiça do país. Não possem credibilidade e pelo jeito, idoneidade. Como podem distribuir Justiça aos que pedem por soluções do litígios na Jurisdição?

    MORAES PRECISA DAR EXPLICAÇÕES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A existência de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já seria motivo mais do que suficiente para o afastamento do magistrado de eventuais julgamentos da corte sobre o caso.

    A situação de Moraes se agravou dramaticamente com o relato do jornal O Globo segundo o qual teria trocado mensagens com o controlador do Master, Daniel Vorcaro, em 17 de novembro do ano passado, dia em que o agora ex-banqueiro teve sua prisão decretada pela primeira vez.

    “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, pergunta Vorcaro em uma das conversas, segundo a reportagem. Moraes responderia por meio de textos convertidos em imagens programadas para desaparecer logo após serem vistas.

    O ministro negou ter recebido as mensagens, que classificou como “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”. Fora o surrado recurso de atribuir questionamentos a conspirações antidemocráticas, a declaração está longe de esclarecer o tema.

    O jornal informa ter checado o número de seu celular no material apreendido pela Polícia Federal, e o procedimento inusual de resposta gera suspeita. Em outros diálogos privados, Vorcaro menciona o que parecem ter sido encontros pessoais com Moraes.

    Por mais que nada exista de comprovado até agora contra o magistrado, o contrato multimilionário de sua mulher e o surgimento de seu nome na investigação do escândalo impõem providências mais drásticas e explicações mais cristalinas. Do contrário, a credibilidade de todo o Supremo estará em xeque.

    Não menos porque há outro ministro envolvido até o pescoço no caso. Dias Toffoli só a muito custo deixou a relatoria do inquérito relativo ao Master no mês passado, quando vieram à tona evidências de transações entre a empresa Maridt, da qual é um dos sócios, e um fundo de investimentos ligado a Vorcaro.

    Em manobra de corporativismo vexatório, os colegas de toga inventaram um meio para que Toffoli deixasse o comando do inquérito sem se declarar impedido. Dias depois, o ministro Gilmar Mendes assinou mais uma pirueta jurídica para suspender a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da Maridt.

    Toffoli não tem isenção para julgar a prisão de Vorcaro. De Moraes esperam-se explicações detalhadas sobre seus contatos e relações, inclusive familiares, com o ex-banqueiro —como se o contrato milionário com sua família já não fosse o suficiente para seu impedimento de atuar no caso.

    Negativas brevíssimas e lacônicas, como as que tem divulgado, não satisfarão o direito dos brasileiros de esclarecer as dúvidas sobre um dos juízes da corte mais elevada. Dissipa-se a cada dia a tolerância da sociedade com as não poucas mostras de autoproteção, soberba e abuso de poder.

  7. MORAES E TOFFOLI DEVEM EXPLICAÇÕES COM URGÊNCIA, editorial do jornal O Globo

    As últimas revelações sobre o caso Master impõem aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o dever de dar explicações urgentes e, acima de tudo, convincentes. As mensagens trocadas por Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pela colunista do GLOBO Malu Gaspar, são o desdobramento mais grave do caso desde que ela própria noticiou o contrato milionário do escritório de familiares de Moraes com o Master — jamais desmentido nem explicado. Ao mesmo tempo, as transações imobiliárias de Toffoli e seus familiares com o grupo de Vorcaro seguem envoltas em dúvidas.

    De acordo com investigações da Polícia Federal, a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes se estendeu pelo dia 17 de novembro de 2025, quando o banqueiro foi preso. Conversas extraídas do celular de Vorcaro sugerem que ele informava Moraes sobre as negociações para venda do Master e mostram que falou também sobre o inquérito sigiloso da Justiça Federal de Brasília que o levaria à prisão. Nas mensagens, enviadas na forma de imagens de visualização única, Vorcaro por duas vezes pergunta a Moraes se havia novidade e questiona: “Conseguiu bloquear?”. Naquele mesmo dia, foi anunciada a operação fajuta de venda do Master para o grupo Fictor. Horas depois, Vorcaro foi preso, e o Master liquidado.

    Moraes negou em nota ter recebido mensagens de Vorcaro e afirmou tratar-se de “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. Quando O GLOBO noticiou que ele encontrara o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar do caso Master, Moraes afirmou que a pauta se restringira “exclusivamente” às sanções da Lei Magnitsky, aplicadas pelos Estados Unidos. Diante das mensagens trocadas em novembro, ele não tem mais como negar a relação com Vorcaro.

    A PF não dispõe dos prints das respostas de Moraes, mas sua existência ficou registrada, levantando várias dúvidas. Que diziam as mensagens? Por que foram enviadas com tantos cuidados? Eram frequentes? Que queria Vorcaro ao procurar Moraes? Por que ele, e não sua mulher, Viviane Barci de Moraes, advogada com quem mantinha contrato milionário por serviços vagamente definidos? Que nível de amizade havia entre os dois? Tais dúvidas não devem ser encaradas como ofensas, mas como questões de interesse da sociedade, a quem mesmo ministros do Supremo devem explicações, afinal não estão acima da lei.

    Já haviam ficado no ar dúvidas sobre as relações entre Toffoli e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro envolvido no escândalo. Toffoli demorou a admitir ser sócio da empresa que vendeu sua parte no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo de Zettel. Afirmou nunca ter recebido dinheiro, mas isso não basta. Ele foi relator do caso Master, sobre o qual decretou sigilo quase absoluto, e tomou medidas questionáveis. Só saiu do caso quando veio à tona a sociedade no Tayayá. Ainda há fatos a esclarecer.

    Ministros do STF não podem se dar o direito de omitir explicações. Elas em nada prejudicam o papel crucial da Corte na defesa da democracia quando o país sofreu tentativa de golpe de Estado. Esse feito está gravado na História, como O GLOBO já afirmou em editoriais. O fato de Vorcaro e seus cúmplices estarem presos mostra que as instituições funcionam, mesmo quando vivem crises. Mas, enquanto tudo não é esclarecido, seria de bom-tom que Moraes e Toffoli se declarassem suspeitos em todas as votações relacionadas ao caso Master. Não podem pairar dúvidas sobre as relações de Vorcaro com figuras tão relevantes da República.

  8. HERCULANO
    Cuidado! Tem Policial em fúria, melhor não comprar briga .

    Enquanto isto, nos corredores do poder já há quem diga que o vice-prefeito Altof começa a olhar para o gabinete com outros olhos. Afinal, quando um governo passa mais tempo tentando criminalizar adversários e intimidar críticos – do que governar, o roteiro costuma terminar sempre do mesmo jeito.

    No meio desse cenário surge um efeito curioso: quanto mais o governo fraqueja; o vereador Melato, maior fica. Já há quem diga que ele está chegando perto dos dois metros.

    A história ensina que governos raramente caem por grandes discursos ou erros. Às vezes tropeçam em erros simples. Em Brasília, um dia bastou uma pedalada.

    Em Gaspar, se Ciro e Melato resolverem puxar o fio, talvez descubram que o novelo é bem mais fácil de desenrolar do que o governo imagina.

    Você viu?
    Por outro lado, tem parlamentar preocupada em viajar para capital em busca de convencer o delegado gera de polícia, a agir contra seus adversários.

    1. É uma vergonha e um deboche descarado dos vencedores e envolvidos contra os que votaram – e acreditaram – neles para, finalmente, darem à volta por cima naquilo que ele próprios diziam em busca de votos fáceis uma obrigação resolver. Se não possui mais razão e a máscara cai, resta a fúria. E ela, a fúria, mostra, claramente, quem está com no caminho certo. Vamos em frente que a estrada é longa e cheia de buracos, cortinas de pó e muita lama, como a maioria de Gaspar.

  9. Carlos Nascimento

    Na política de Gaspar, a líder do governo na Câmara parece ter escolhido um papel curioso: o de palanque ambulante.

    A vereadora Alyne, que deveria ser a principal articuladora da base governista, prefere atuar como uma espécie de “neo-radical de direita” de rede social — mais dedicada a fabricar conflitos do que a defender resultados concretos da gestão.

    Enquanto a cidade espera obras, planejamento e soluções reais, o que se vê é um roteiro repetido: ataques, insinuações e tentativas de desconstruir adversários. Tudo isso como se a eleição já estivesse amanhã, quando ainda está longe.

    Líder de governo, em tese, deveria mostrar números, projetos, entregas. Mas quando a estratégia vira transformar a política em um eterno jogo de “polícia e ladrão”, o debate público empobrece e a cidade perde tempo.

    No fim, a pergunta que fica é simples: Qual o medo que move Alyne e Paulo a ponto de a cidade agonizar com um governo que segue paralisado?

    1. Perfeito. Está na cara de todos em Gaspar e arredores, inclusive em Florianópolis, com que tenho contatos, este óbvio e necessário; Então, por que este óbvio, necessário e urgentíssimo, não ainda não fazem parte do governo de Paulo e de Alyne, a ex-defensora e empregada até dias atrás do governo Kleber Edson Wan Dall, MDB?

  10. Inicialmente quero lhe agradecer o espaço de marketing gratuito até porque “ninguém chuta cachorro morto”😊
    Quando você fala “Alyne não saiu ainda da delegacia” eu te garanto que a polícia nunca sairá de mim e estar fora de atividade é o que os meus adversários mais gostariam mas eles podem esperar sentado!
    Na sequência vc afirma “Como política Alyne não concilia, não engole sapos e vive em guerra declarada, permanentemente. Ela não apenas confronta os adversários que eram na verdade seus pares no governo passado, mas, pasmem, os que estão obrigados a defenderem o atual governo.”
    Deixo claro aqui, principalmente neste final de semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, que esta é a SUA OPINIÃO pessoal e vc na MINHA OPINIÃO segue a máxima de que “dificil, desequilibrada ou baraqueira, sempre existe uma palavra pronta para as mulheres que não seguem o roteiro determinado pelos homens”

    Não irei JANAIS moldar minha personalidade â sua vontade e muito menos vivo para agradar e alisar meus opositores, declarados ou dissimulados.

    O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, orientado por sua líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, prepara uma armadilha para o defenestrado vice-prefeito” Não ajo como aqueles que combato, a realidade está aí e talvez o próprio Vereador tenha querido “rifar” seu indicado político para assim resolver o problema de estar sendo responsabilizado pela perda do cargo.🤷🏼‍♀️.

    Quanto a última parte, quando vc fala “A deputada Federal Júlia Zanata, PL, esteve um final de semana em Gaspar e região. A tiracolo dela, estava a vereadora e policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Júlia, no espectro político dela – erada e teimosamente rotulada de extrema direita – tem luz própria e disso ninguém duvida. A pergunta é: ela emprestou luz para a Alyne?
    Aproveito novamente o tema do 08 de março para lhe dizer que, como afirmei acima, vc nos classifica tentando nos depreciar. Eu nem devia responder mas uso do seu espaço para reafirmar que NENHUMA NILHER PRECISA PEGAR EMPRESTADA A LUZ DA OUTRA PORQUE TODAS TEMOS LUZ PRÓPRIA!
    Feliz dia da mulher 👊🏼💪🏼🌷

    1. Alyne, vamos por partes, é melhor.

      1. Não faço marketing, ainda mais de graça para políticos. Não chuto cachorro morto, estou velho demais para isto; tenho consciência contra os maus tratos animais. Sem ser veterinário, acompanho e escrevo sobre cachorros loucos que perambulam na política.

      2. A minha opinião de que o modus polícia e política não combinam é uma pessoal opinião, apenas. Se combinavam, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, informado por informantes, não estaria metido num nó górdio como está. A cidade inteira sabe disso. Se você e parte do governo não enxerga, é porque, como a avestruz, enterrou a cabeça na areia, achando que o problema teria desaparecido com esta atitude onde o monstruoso corpo ficou à amostra de todos.

      3. Está ridículo ser política mulher, e a qualquer debate, em suposta vantagem, invocar dos homens com opiniões minimamente divergentes agressões às suas como se fosse atos de misoginia ou de atitudes puramente machistas. Aliás, misoginia (o ódio ou aversão às mulheres, que se manifesta através de atitudes e comportamentos que as desvalorizam, discriminam e violentam, com origem em culturas patriarcais), é uma pauta, recorrente de esquerda. Eu, por exemplo, nunca invoquei o etarismo, para desqualificar o debate adulto vindo de uma jovem mulher.

      4. Sobre o vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, autor das denúncias amplamente documentadas, vereador que já pertenceu à base do governo e foi levado à oposição por erros táticos do governo, à sua arrogância amplia cada vez mais o problema. O seu chefe, Paulo Norberto Koerich, PL, na entrevista que deu ao Joel Reinert e Paulo Flores, na 89 FM, se não fez jogo, disse até porque estava na defensiva que se o vereador o tivesse procurado – e penso que o caminho mais fácil seria a liderança de governo – talvez este assunto nem teria chegado a público, sejam pelos esclarecimentos, ou pelos “acertos”. Como se viu, as portas estavam e ainda estão fechadas. Deu do que deu.

      5. Alyne, eu não tenho qualquer relacionamento próximo a você e a conheço desde aquela alegre criança pela minha proximidade do seu pai (e mãe), o delegado Ademir Serafim e de muito longe, quando o perseguiram e o removeram para Palmitos, como se fosse uma promoção. Mas, você se tornou minha fonte de consulta. E não entendeu como esta relação é altamente preciosa e até, poderia ajudar o governo sob ataque. Não é primeira vez que você usa a condição de fonte para trucar e formalmente conduzir a erro, bem como desmoralizar o que escrevo aqui. E este sim, é um problema seríssimo e imperdoável, com lei do retorno, no jornalismo. Veja o que está acontecendo em Brasília. É uma desmoralização atrás da outra.

      6. A base de tudo na relação de uma fonte é a cumplicidade com a verdade ou as realidades doídas, bem como as negociações para guarda por algum tempo, ou permanentemente, ou então as revelações dos segredos entre dois interlocutores que se respeitam. Fonte no jornalismo é bem diferente para a polícia do que se chama de informante, alcaguete, delator, traidor, X-9 e bandido. Nem tudo é off, nem tudo é passível de divulgação. E não sou bandido.

      7. Sobre a luz própria de Júlia Zanata, PL, continuo com a mesma opinião. E acrescento outra: sem Jair Messias Bolsonaro, PL, a tiracolo, sem a troca de partido. você não teria se elegido nem no seu PSD. E para encerrar este nenhenehem, desafio em dobradinha com Zanata, o carioca Carlos Bolsonaro e Jorginho Melo, o que esqueceu Gaspar, a se candidatar a deputada estadual para ver mesmo o tamanho do poder de seus próprios votos com todos esses padrinhos de peso.

      8. E sobre o conceito de extrema direita e extrema esquerda, meus conceitos são técnicos, sociológicos, antropológicos e históricos adaptados à nova realidade dos anos 26 do século XXI. Não considero o bolsonarismo um eixo de extremismo, mas que tem ente que beira ao irracional num mundo de conciliação e de respeito à divergência, ah isso tem. E não são poucos, os “consertadores” do mundo muito particular e que só cabe na cabecinha deles. Um bom final de semana para você e os seus.

  11. LULINHA, O PROBLEMÃO DE LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A política tem o curioso hábito de criar personagens dos quais depois não consegue se livrar. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tornou-se um desses casos. Há quase duas décadas, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reaparece no noticiário com incômoda frequência, quase sempre nos momentos menos convenientes para o pai e o partido que governam o País. Agora, às vésperas de mais uma disputa presidencial, Lulinha – dono de uma magnífica história que o fez saltar de monitor do Zoológico de São Paulo para empresário envolvido em negócios milionários – volta ao centro de histórias mal explicadas. Lembra, assim, que certos problemas políticos podem desaparecer por algum tempo, mas, quando são problemas de fato, raramente desaparecem de vez. Viram assombração.

    Desde o primeiro mandato de Lula, o nome de Lulinha simboliza uma dificuldade recorrente do lulopetismo: convencer a opinião pública de que relações entre poder político e negócios privados em torno da família presidencial são apenas coincidências. Foi então que o discreto biólogo deu um salto empresarial tão rápido quanto surpreendente, ao tornar-se sócio de uma empresa financiada por uma gigante das telecomunicações. Em circunstâncias normais, uma biografia empresarial assim despertaria curiosidade, quando não espanto. No singular universo lulopetista, porém, tentou-se apresentá-la como exemplo de meritório espírito empreendedor.

    Foi assim que nasceu a Gamecorp, agraciada com investimento milionário da Telemar, na época controladora da operadora Oi. O caso reuniu cabeludos indícios de trambiques e jamais foi plenamente explicado, mas parece claro que o sobrenome Lula revelou-se especialmente valioso, capaz de gerar oportunidades que dificilmente surgiriam para qualquer empreendedor comum. Na cosmologia de Brasília, todo acesso tem seu preço.

    Ao longo dos anos seguintes, o roteiro repetiu-se. O nome de Lulinha surgia em negócios variados e relações com personagens que orbitavam o poder político e econômico. Nada disso resultou em condenações judiciais. Tampouco veio acompanhado de explicações claras. Na política, essa combinação costuma bastar para manter suspeitas persistentes.

    E eis que surge o episódio das fraudes bilionárias no INSS. A investigação menciona mensagens em que investigados discutem pagamentos destinados ao “filho do rapaz”, expressão que a polícia tenta confirmar se seria referência ao filho do presidente. Há também suspeitas de relações empresariais entre Lulinha e personagens ligados ao esquema. A defesa do empresário nega irregularidades, mas o fato político permanece: mais uma vez o nome do filho do presidente aparece nas franjas de um escândalo.

    O detalhe mais revelador envolve o convite para uma viagem de negócios a Portugal, feito pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Segundo reportagem do Estadão, os dois teriam visitado instalações ligadas à produção de cannabis medicinal, ramo em que Antunes pretendia investir. Pode parecer trivial, mas em política raramente é. Passagens internacionais em primeira classe e agendas empresariais além-mar dificilmente são oferecidas por simples gentileza. Em geral representam investimento em acesso – no caso de Lulinha, acesso direto ao sobrenome mais poderoso da República. Ou um mimo para retribuir façanhas.

    Caberá à Justiça esclarecer as suspeitas. Politicamente, porém, o problema já está posto. Lula construiu sua trajetória afirmando representar o oposto das elites que confundem interesses privados e funções públicas. A história mostrou que o discurso não passou de engodo. É por isso que o chamado “fator Lulinha” seguirá como um problema político permanente para o presidente. O enredo volta ao palco, e o personagem muda de papel – ora empresário promissor, ora investigado circunstancial –, mas o roteiro segue o mesmo.

    Talvez seja injusto com o pai. Talvez seja apenas o destino de políticos poderosos. Mas há algo que parece incontornável. Lula sempre foi um assombro da política, para o bem e para o mal. E o fantasma que insiste em persegui-lo atende pelo apelido de sempre: Lulinha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não é permitido essa ação.