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A INCOERÊNCIA ROLA SOLTA. CORRÓI E DESTRÓI, PRECOCEMENTE, DISCURSOS, PROMESSAS, EXPECTATIVAS E A IMAGEM DO “NOVO” GOVERNO DE GASPAR. O ATUAL PARECE TÃO IGUAL AO QUE ACUSOU DE SER ERRÁTICO E SEM TRANSPARÊNCIA. POR ISSO, PRECISAVA SER TROCADO

Alterado no Trapiche às 10h56min. Eu tenho um rótulo de crítico dos governos e políticos no poder de plantão em Gaspar. Aceito. Mas, é completamente falso. Já provei isto. Não adianta. É um rótulo. E sou um perseguido por isso, por esclarecer, contrariar poderosos interesses e não aceitar tréguas. Também não vou me repetir ou me alongar neste detalhe fundamental. Vou comprovar, mais uma vez, que apenas olho a maré e que se repete com medidas e formas diferentes. Hoje, vou pinçar à penúltima treta – entre tantas que já aconteceram e muitas que estarão por vir – a qual tomou conta das redes sociais cidade e dos aplicativos de mensagens, ou grupo deles, na semana passada. 

Alegando não ter dinheiro em caixa, a prefeitura de Gaspar quer comprar um milionário terreno, que ninguém quis em três leilões, sem saber exatamente o que fazer com ele.

Apenas, tratar deste assunto, de forma bem atrasada, diante do silêncio da imprensa local e regional. Vou expô-la para que ela nos remeta, mais uma vez, à algumas reflexões e só faço isso diante do silêncio sepulcral institucional do governo gasparense. Ainda não foi à público dar explicações necessárias ao povo da cidade e para os que o elegeram.

NÃO TEM DINHEIRO I

O vereador Giovano Borges, PSD, terceiro mandato, ligado ao ex-vereador e ex-vice-prefeito Marcelo de Souza Brick, PP, foi à tribuna da Câmara na terça-feira passada. A Casa estava cheia de homenageados do mês. E parte dos homenageados, gente de opinião.

Giovano, comedido naquele dia, três observações importantes: a falta de transparência do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, com os vereadores de uma forma geral – e ele não se considera de oposição, mas insinua de que agora em diante poderá sê-lo -; uma suposta ingratidão do governo de Paulo para quem, como ele, não tendo nenhuma afinidade, ou devendo favores ao governo, deu celeridade e votos favoráveis até aqui a todas as matérias do Executivo – incluindo as polêmicas – enviadas à Câmara; e à nomeação – a qual, ressalte-se, é de livre arbítrio de quem ganha as eleições e cabe aos que perderam só espernear – e ocupação de cargos comissionados de primeiro e outros escalões. Segundo Giovano, na sua fala, os nomeados não funcionam a favor da cidade e pior, a favor do próprio governo.

Não ficou neste discurso institucional na tribuna da Câmara. Insatisfeito, Giovano se vestiu de um personagem que não consegui ainda identificar e gravou um vídeo que se tornou hit nas redes sociais e principalmente no silencioso, com observações ácidas, nos aplicativos de mensagens. 

Com o humor do ridículo, Giovano atingiu três objetivos com o vídeo que reproduzi abaixo deste artigo: deixar nu, literalmente, o governo de Paulo; expor os problemas numa linguagem acessível aos desinformados, pois o que Giovano fez, vale mais que dez textões meus e as múltiplas falas sem alma e comunicação cativa de Paulo se justificando nas suas decisões; Giovano mostrou, claramente, que o homem da lei e austero delegado Paulo não está só perdido, mas está perdendo o discurso de gestor capaz de solucionar, às claras, os problemas de Gaspar, como o prometido na campanha e no mote para que ele tivesse o apoio magistral de 52,98% válidos entre cinco concorrentes, sendo um a continuidade do que não se queria ver continuado com Marcelo de Souza Brick, PP e a volta do único prefeito de três mandatos por aqui, Pedro Celso Zuchi, PT.

NÃO TEM DINHEIRO II

Leitores e leitoras, não vou me alongar, além do normal. O vídeo do vereador Giovano é autoexplicativo e comunicativo.

Impressionante como no poder, o sistema que manda na cidade de Gaspar há décadas – e onde está também o vereador, o parceiro e padrinho de Marcelo, o próprio vereador – transforma e engole o dono da cadeira de prefeito de Gaspar. Inclusive para desmoralizá-lo e da pior forma possível.

O único que enfrentou e por isso se deu mal até hoje, foi Adilson Luiz Schmitt (2005/08), nascido no MDB, na dobradinha então com o arquirrival PP, hoje sem filiação partidária, mas esteve no PL e fez campanha para Paulo e Rodrigo. Adilson não é desafeto ou adversário do atual governo, mas, como outros, tomou prudente distância.

E esta manobra da compra milionária do terreno de 12.182? (no edital de leilão diz que a matrícula 3.365 tem 21.538) metros quadrados é do PP. Ela já passou por três leilões em setembro e outubro deste ano e ninguém o quis. Começou com o lance mínimo em R$18,5 milhões na primeira praça. A segunda, foi reduzido este preço pela metade. No terceiro leilão, em outubro nem por 30% da avaliação inicial foi arrematado.

Agora, a prefeitura de Paulo e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos está interessado. E pelo jeito, pelo preço original. E este assunto caminha celeremente para passar pela Câmara – se não houver a mobilização da cidade. E o primeiro passo já foi dado: o decreto de desapropriação. Será o teste e à prova do custo e de como o PP já tomou conta do governo de Paulo e Rodrigo. 

Rodrigo, descartado, sinaliza que tomará distância nessas negociações e tramitações. Ele acaba de se mudar para o Republicanos como expliquei na semana passada em RODRIGO DÁ MAIS UM PASSO EM FALSO. ELE ESTÁ BRIGANDO COM A SORTE HÁ ANOS. ESTÁ SEM CAUSAS. FORJA UMA MARCA POLÍTICA PERIGOSA E SEM VOLTA NA SUA IMAGEM DE POLÍTICO. Este terreno é de uma massa falida. Foi a leilão. Ninguém o quis pelo preço que a prefeitura está disposta a pagar por ele e sem saber exatamente o fazer nele. 

E quem levar este terreno, seja a prefeitura ou um particular – caso dê zebra nas pretensões já bem “encaminhadas” nos bastidores da prefeitura sob a liderança chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP -, mas com aval da procuradoria geral, Júlio Augusto de Souza Filho e da dona dos cofres da prefeitura e a que diz eles estarem sempre vazios, a secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha – perderá, uma área grande. Tudo em função de vários recuos obrigatórios devido ele estar encalacrado na área da rótula da ponte do Vale, da Avenida Francisco Mastella e Rua Itajaí. Isto sem falar que é difícil e até perigoso acessá-lo.

EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA

E Paulo? Quieto. Como diz o ditado popular: em boca fechada não entra mosca. Cercado por apoiadores, não consegue mais ouvir além do seu círculo. E pelo jeito, também não está vendo as redes sociais além do seu perfil e de meia dúzia que o aplaude e o protege. Aliás, vira e mexe, estas redes de Paulo são bloqueadas aos críticos, até por simples cobranças. Aconteceu contra Adilson. Vingança que retira do governo o ar de estadista que ele quer, mas não exala.

Por isso, Paulo está se desgastando – e venho pontuando isso faz tempo – com o malho da cidade; não as minhas pontuações. Comunicação torta desde antes da posse; já mudou e nada adiantou. Falta liderança e gente com senso estratégico. Infelizmente, e tão cedo, a cidade aos poucos, vai conhecendo o outro lado dele. Orientado, Paulo, em meio a este espetáculo e repercussão do vereador Giovano Borges, PSD, foi as redes sociais falar sobre como salvou um cão jovem abandonado no Morro da Fumaça (apropriada denominação para aquilo que  acontece na comunicação e no governo). Anunciou que mandou a poliçada atrás do tutor malvado. Uau! O que está claro? Falhas na política do bem estar animal.

Paulo está publicando, como a Diretoria Animal está salvando gambás, enquanto fede a má repercussão da nota dada aqui na sexta-feira de que os quatro cães adotados pela secretaria de Obras e Serviços Urbanos, estão infestado de pulgas e incomodando servidores. Falta de cuidado com animais e caso grave de saúde pública contra os servidores públicos nos seus locais de trabalho. Sobre isto, Paulo não deu um só pio. Só quer saber quem me passou a informação que não pode ser contestada. Mas, para que isso, é importante para ele, se há outras prioridades que vai comprometendo a sua imagem diante da solução emergencial simples no caso das pulgas nos cães adotados pelo poder público? Credo! 

Para encerrar: quem mesmo orienta e mete o prefeito de Gaspar em tão grosseiras frias, que até o vereador Giovano se torna o herói da cidade? E depois sou eu quem não larga o porrete. Mas, pudera… Já é quase um ano de governo. E as queixas e distribuição de culpas são as mesmas desde o tempo da campanha. Se não tem dinheiro, qual a razão de usar para outras coisas que não são prioridades para se ter apenas a governabilidade mínima a partir da Câmara, quando foi o governo que fez a barbeiragem em bancar a eleição de Alexsandro Buenier, PL, para presidente, aumentado a falta de maioria de um para dois votos? Muda, Gaspar!

TRAPICHE

A capela mortuária do cemitério municipal Santa Terezinha foi recuperada. Mão a palmatória do suplente de vereador, Eder Carlos Muller, União Brasil. Com pouco, fez muito. Ele botou a mão na massa. No restante do cemitério, o básico: capinação. Um grande avanço. Propaganda.

Entretanto, ontem, Dia de Finados, foi encontrado, escondido, em um jazigo, com sinais de violação, uma pistola (que depois a polícia verificou se tratar de uma réplica) e produtos químicos. O que significa isto? Que a bandidagem está fazendo do cemitério um mocó para suas ações e marcação de territórios. Câmeras podem dedar e desvendar este assunto. Mas, esta descoberta começou mal: por horas, esperou-se para a vinda da polícia para recolher os objetos ilícitos encontrados lá. E na imprensa, que testemunhou, nada relatou, até a publicação deste artigo.

A novela Hospital Gaspar continua a representar capítulos tristes e desgastes profundos ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos. Em mais um Projeto vapt vupt, atropelando prazos e debates obrigatórios ou necessários, usando a urgência, a misericórdia e a complacência dos vereadores, a Câmara de Gaspar aprovou tirar R$2,65 milhões da iluminação pública para dar ao Hospital. E para quê? Cobrir coisas básicas, inclusive a folha de pagamento.

Perguntar não ofende: o que foi feito do espetáculo na sociedade Alvorada repleto de gente apoiadora da eleição de Paulo Norberto Koerich, PL, e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, que dava o assunto do Hospital de Gaspar como resolvido? Na Câmara, no Hospital, na prefeitura, para os doentes, principalmente, nada mudou. Ele continua sendo um problemaço

Dizia-se naquele setembro – e já estamos em novembro – que os R$20 milhões do governo do estado e outros R$7,5 milhões do município vindos de financiamentos do Finisa, da Caixa, que é para obras -, tudo estaria resolvido em coisas mal esclarecidas, desde o início e até agora, do ponto de vista jurídico, administrativo, técnico e financeiro. Afinal, o Hospital Santo Antônio, de Blumenau, já assumiu o gerenciamento do Hospital de Gaspar? Se assumiu, até agora, nada mudou. E ninguém explica à razão disto a cidade.  Os vereadores, ao aprovarem a toque de caixa milionários remessas para o Hospital são solidários com esta trama e drama.

E não adianta aprovar estas suplementações emergenciais, não exigir explicações e depois fazer discursos demagogos aos seus eleitores e eleitoras para aquilo que não possui transparência e não funciona à comunidade, principalmente mais vulnerável que não possui alternativas com planos de saúde e a possibilidade de ir a Blumenau, Brusque ou Itajaí. 

O campeão disso é Ciro André Quintino, MDB. Mais, uma vez, ele relatou e mostrou inconformismo dele na tribuna da Câmara, para fazer likes nas suas redes sociais. Reclamou outra vez, de que o mau atendimento do Hospital continua. E citou fatos da semana passada. Segundo ele, não “devemos criticar o Hospital que faz o seu trabalho certo, mas sim as pessoas do Hospital”. Gente, malabarista.

Se isto o que o vereador Ciro André Quintino, MDB, argumenta tiver fundamento, lembra-lo uma premissa do core business de um hospital não ofende: um hospital somente com paredes e aparelhos não atende pessoas e não cumpre a sua missão que é a curar doentes e salvar vidas, pois este resultado depende unicamente de pessoas. E um hospital sem pessoas hábeis, senso técnico e capacidade de escolhas, não é um Hospital. 

Ciro André Quintino, MDB, como político escorregadio, insiste em fazer mingau sem leite e sem uma fécula de liga. E o resultado disso, ele próprio já relatou na tribuna e nas redes sociais: teve gente que chegou lá bem viva e morreu por negligência, como ele próprio acentuou. Se não mudar o discurso, mais gente vai chorar a perda de seus entes por lá em iguais condições. Só a responsabilização funciona não como punição, mas como melhoria dos processos. A melhoria dos processos deveria ser a meta contínua do Hospital. O resto é consequência.

Ciro André Quintino, MDB, o apoiador de Paulo Norberto Koerich, PL, disse-nos no seu discurso inócuo na Câmara, mais uma vez, o que todos sabem na cidade, menos no governo: de que nada mudou no Hospital desde que ele se tornou um saco sem fundo e um grande problema na saúde pública de Gaspar. Tudo continua tão igual quanto no tempo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP. Nem a intervenção marota de Pedro Celso Zuchi, PT, foi levantada. Simples assim!

Como mudar ou avançar se dança das cadeiras é sempre dos mesmos? O único que saiu do circuito, foi o diretor de Turismo, da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda de Gaspar, João Simon. Não era da patota, não era político, não era suplente de vereador e estava mostrando serviço.

Para o seu lugar, deve ir a presidente do Conselho Municipal de Turismo, Jaqueline Sabel Mazoto, oriunda do setor das cascatas, num pedido dos empresários ao governo. A princípio será cumprido. 

Já Diego Inácio Vilvok – que já esteve na secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, mas atualmente assessorava a líder de governo na Câmara, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Na secretaria vai ser o diretor administrativo. 

João Vitor da Silva Costa sai do gabinete onde interferia na descomunicação no gabinete do prefeito e vice. Ele vai para o gabinete da vereadora Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Quem foi dispensado de membro – na verdade pela documentação era o presidente – da Comissão Interventora do Hospital de Gaspar, foi o ex número dois da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, Claudionor da Cruz Souza. Quem se desligou da assessoria da Câmara, foi Ramires dos Santos, Podemos. Vai dar o seu lugar na Câmara à Juçara Scheidt, retirada do governo de Paulo Norberto Koerich, PL.

E por falar em dança, a eleição para o governo do estado no ano que vem em Santa Catarina, está meio encalacrada, por conta, da imposição da família Bolsonaro, e apadrinhamento da parte bolsonarista do PL, em aceitar o alienígina Carlos Bolsonaro, PL, vereador carioca, sem votos por lá, para ser candidato a senador por Santa Catarina. Ele fará par com outro alienígina, seu irmão, Jair Renan Bolsonaro, PL, inexpressivo vereador em Balneário Camboriú e que quer ser deputado Federal, para voltar para a sua Brasília.

Qual o problema? Há duas vagas para o Senado. Nas contas do PL, uma seria da deputada Federal ativista Caroline De Toni. E a outra, na composição orquestrada pelo presidente do PL e governador de Santa Catarina, Jorginho Melo, com o PP seria a tentativa de reeleição de Esperidião Amim Helou Filho. Madrinha de Carlos Bolsonaro, Caroline não quer perder a corrida ao Senado. Se ela não for para outro partido, Esperidião cai nos braços do PSD de João Rodrigues. E em Gaspar, tudo se embrulha.

Mau presságio. O MDB está se aninhando à reeleição de Jorginho Melo, PL. Desde que Luiz Henrique da Silveira, já falecido, deixou de ser governador, em campanhas solos ou em parceria, o MDB foi perdedor. A última com Carlos Moisés da Silva, sem partido, que tentou a reeleição pelo Republicanos.

Tem gente na circulando pela Policlínica, vestido de novo secretário da Saúde de Gaspar. Credo!

Onze meses depois da posse, finalmente, foi criada a omissão de avaliação de bens móveis inservíveis do município de Gaspar para serem levados a leilão. Tartaruga ganha fácil dessa gente. Se tudo der certo, em março o leilão estará na praça.

Este vídeo abaixo mostra o descaso da administração municipal com a acessibilidade. Esta calçada é publica. Até os cegos enxergam que ela não presta, é perigosa ou os desorienta. E está a 400 metros da prefeitura de Gaspar. Muda, Gaspar!

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12 comentários em “A INCOERÊNCIA ROLA SOLTA. CORRÓI E DESTRÓI, PRECOCEMENTE, DISCURSOS, PROMESSAS, EXPECTATIVAS E A IMAGEM DO “NOVO” GOVERNO DE GASPAR. O ATUAL PARECE TÃO IGUAL AO QUE ACUSOU DE SER ERRÁTICO E SEM TRANSPARÊNCIA. POR ISSO, PRECISAVA SER TROCADO”

  1. A cidade dos buracos vai virar uma imobiliária?
    Lembro do vereador vale marmita atacando a compra do terreno da Furb e agora sobre a desapropriação do terreno da olimalhas nem um piu, e olha que vão pagar ainda mais caro.

  2. Pingback: NUM CONTRATO DE R$25 MILHÕES DA ROÇADA, PELO MENOS R$20 MILHÕES NO GOVERNO KLEBER, DOCUMENTA A CPI DA CÂMARA E QUE DÁ NOMES, FORAM DEVIADOS. A POLÍCIA E O MINISTÉRIO PÚBLICO SABIAM DISSO DESDE 2022. POR MUITO MENOS, PREFEITOS, SERVIDORES, INTERMED

    1. Quem é leitor ou leitora deste espaço, que os poderosos de Gaspar e os envolvidos neste esquema denunciado não existirem, já sabiam de tudo isto há anos. Na imprensa local, regional e estadual, nada, nadinha de nada. Esperaram pelo relatório de uma CPI

      Amanhã tem mais

    2. mas isso a polícia já havia apurado, não?
      falta mesmo é o próximo passo….
      será que vamos comprar pipoca ou veremos mais uma vez essa turma comer pizza?

  3. O GRITO DE SOCORRO NAS FAVELAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A pesquisa AtlasIntel que mostrou que a maioria dos brasileiros (55,2%) aprova a operação policial realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio, é reveladora de um país em desespero pelo avanço aparentemente irrefreável de facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação de que a aprovação chegou a 87,6% entre os moradores das favelas cariocas é um grito de socorro de cidadãos que se sentem largados à própria sorte. Está-se falando de 2 milhões de brasileiros que há décadas vivem sob o jugo do terror mafioso daqueles bandos ou das milícias.

    Esse apoio popular incontestável à operação policial, a mais letal já realizada no País, expressa a indignação de cidadãos que são obrigados a viver nas áreas mais vulneráveis do Rio – mas não só lá – e que não aguentam mais ser submetidos ao poder paralelo do crime organizado, vítimas de extorsão, ameaças, aliciamento e assédios de toda sorte. Quando o Estado se ausenta, o crime ocupa seu lugar – eis a perversa lógica das máfias.

    Não se trata, portanto, de sede de sangue, mas de uma súplica por resgate. O que a pesquisa revela é a esperança de que o Estado, ainda que por meios truculentos, volte a exercer sua função precípua: garantir segurança e dignidade a todos os cidadãos, independentemente do lugar onde moram, da cor da pele ou da renda.

    Esse clamor, porém, tem sido muito maltratado pelas autoridades políticas, a começar pela maior delas. Uma semana após a operação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não foi capaz de oferecer à Nação uma palavra sequer que não cheire a cálculo eleitoral. Seu governo mostra-se perdido na área de segurança, sem políticas públicas no âmbito da competência da União que, de fato, sejam capazes de unir o País na construção de uma saída definitiva dessa espiral do medo.

    Por sua vez, governadores de oposição – notadamente Cláudio Castro (RJ), Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Jorginho Mello (SC), Romeu Zema (MG) e Eduardo Riedel (MS) – exploram o resultado daquela intervenção policial com o mesmo oportunismo. Reunidos no Rio sob um pomposo nome de “consórcio da paz”, limitaram-se às platitudes e às promessas vãs. Nenhuma proposta minimamente exequível foi apresentada, nenhum plano de cooperação federativa digno do nome foi estruturado. A política, em todas as esferas, parece ter se rendido à tentação de explorar o legítimo sentimento popular como ativo eleitoral.

    No Congresso, essa visão tão míope quanto interesseira tem dado azo a respostas igualmente superficiais. A instalação da tal “CPI do Crime Organizado”, no Senado, soa mais como desperdício de tempo e energia do que como esforço real de enfrentamento do problema. O populismo penal, como sói acontecer nessas horas, volta a dar as caras. O Legislativo serviria melhor ao País se liderasse um debate crucial: qual é a natureza do problema que o Brasil enfrenta? Ainda é possível tratar as grandes organizações criminosas como questão de segurança pública ou o Brasil lida com um fenômeno de outra ordem, com características de guerra?

    A aprovação popular à operação no Rio não significa carta branca para o arbítrio estatal. É um pedido de paz, ordem e legalidade onde há muito grassa o brutal poder paralelo dos delinquentes. Nenhum cidadão deveria ter de escolher entre viver sob o domínio do crime ou da truculência policial, materializada em abusos, tortura e execuções sumárias. Tivéssemos estadistas, e não políticos oportunistas, eles estariam empenhados em romper com essa infame dicotomia. Para isso, são necessários planejamento, integração entre as forças do Estado, inteligência e políticas sociais que quebrem o ciclo de abandono das áreas onde Comando Vermelho, PCC e outras facções sentam praça. Mas isso é coisa de longo prazo, e o horizonte dos atuais dirigentes é a eleição de 2026.

    Agora, embalados pela aprovação popular, a tentação dos governantes será enorme. Não serão poucos os que enxergarão na repetição de um modelo falido de política de segurança uma forma de capitalizar votos em 2026. Mas convém registrar: isso não tornará um só brasileiro mais seguro

  4. UM DANO PARA ALÉM DO MORAL. ELE É ELEITORAL. E O PT SABE DISSO

    O jovem deputado Federal do PL mineiro e hábil em usar as ferramentas digitais de comunicação em massa, Nikolas Ferreira, como o X, rotulou o Partido dos Trabalhadores, como Partidos dos Traficantes, em associação ao discurso protetivo dos direitos humanos aos bandidos, que na opinião dele, desprotegem as pessoas reféns da crueldade em territórios de infraestrutura precária ocupados.

    O PT reagiu prontamente. Foi a Justiça. E Nikolas está obrigado a apagar a mensagem. Vai aguardar as consequências que deverão ir além de apenas retirar a postagem.

    O que é certo? Este rótulo, sacado usando a sigla PT, pode ser o que irá pegar, gerar discursos e narrativas, desgastar, incomodar e enfraquecer o PT nas eleições do ano que vem, independente da agora retirada obrigatória da postagem do deputado da sua conta do X. Por quê? Esta sacada associativa pegou. E ela pegou mais, com a obrigação judicial de retirar a postagem já multi-multiplicada nos meios tradicionais e digitais e exatamente pela polêmica, tornando-a centro de um debate nacional. O PT estava sem alternativa, na verdade. Quieto, assumiria o rótulo. Contestando, deu acelerou perigosamente a promoção e conhecimento da associação.

    O próprio juiz Wagner Pessoa Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, deu a dica na sua decisão: “A publicação de informações falsas ou desprovidas de autenticidade, imputando aos apelantes [ neste caso o PT e autores do pedido de retirada do ar da publicação, a observação é minha] apoio a grupo terrorista, configura dano moral, uma vez que atinge diretamente a honra e a imagem deles. A gravidade do dano é acentuada pelo fato de que os apelados [Nikolas] são figuras públicas com amplo alcance midiático”.

    Resumindo. A postagem pode ser retirada da rede social do deputado; ele pode ser punido por ter criado, divulgado ou até resistido a retirá-la, como ameaça. Mas, o rótulo, não. E este está com uma cola super aderente na sociedade, cada vez mais insegura, incluindo as decorrentes de decisões judiciais que soltam bandidos de todos os tipos e ladrões do dinheiro público, sob as mais diversas justificativas, que a sociedade, há tempos diz não entender. Basta-se olhar as pesquisas sobre o tema. Sobre a operação trágica da semana passada, mais de 60% em média da população fluminense a apoia, enquanto, os favelados, encalacrados, dominados, ouvidos por estas mesmas pesquisas, 87%.E o grupo da esquerda e instituições, resistindo a percepção dos dominados e os que estão preventivamente dando recados de que não querem este tipo de dominação cruel, onde a civilidade pregada pela academia, intelectuais, jornalistas e até julgadores passa bem longe. É o medo, doutor! Medo

  5. A GUERRA CONTRA O CRIME NÃO É UMA METÁFORA, por Joel Pinheiro da Fonseca, no jornal Folha de S. Paulo

    Imagine que uma operação do Exército da Ucrânia mate 117 soldados russos, capture 115 prisioneiros de guerra e apreenda armamentos do inimigo. A população ucraniana receberia essa notícia com alegria, mesmo sabendo que a guerra está longe do fim.

    Mesmo com a aprovação geral, críticas seriam possíveis ao governo ucraniano: a operação faz sentido estratégico? Ela vale os recursos humanos, bélicos e financeiros investidos? Novas operações como essa serão sustentáveis? As tropas ucranianas cometeram crimes de guerra, como execução de soldados inimigos já rendidos? São questionamentos importantes.

    Há um tipo de crítica, contudo, que ninguém faria: a de que se exagerou na violência contra os russos. Veja: os soldados russos são tão humanos quanto os ucranianos e suas mães sofrem como qualquer mãe ucraniana; mas, numa guerra, a empatia vem depois da sobrevivência. Qualquer líder ucraniano que, nesse momento, propusesse que operações futuras devessem minimizar as mortes russas pagaria um preço político.

    Este texto não é sobre a guerra da Ucrânia, e, sim, sobre o crime organizado brasileiro. Como toda analogia, há limites. Há diferenças jurídicas entre cidadãos de países diferentes em guerra e o conflito contra cidadãos criminosos do próprio país.

    Quando, no entanto, uma facção domina um território, defende-o com armamento pesado, explora-o financeiramente cobrando por serviços vários, impõe sua lei penal internamente e, como no caso do Rio, controla a entrada e saída de pessoas, ela já deixou de ser uma mera organização criminosa e passa a ser algo mais próximo de um inimigo invasor do território que deveria estar sob o Estado brasileiro. É nossa soberania que está em jogo. Se esses soldados inimigos não entregam suas armas, então é legítimo que a polícia use força letal contra eles.

    Institutos de pesquisa, entre eles o Datafolha, revelam: a maioria da população fluminense aprovou a operação. O Atlas-Intel foi além e coletou a informação dos moradores de favela cariocas: entre eles, a aprovação da operação chega a 87,6%. Quem sente na pele o poder das facções defende o confronto violento. E os direitos humanos? Permitir que uma população viva à mercê do crime é também uma violação dos direitos humanos. A opinião pública diz isso cada vez mais alto: estamos em guerra.

    A política já captou a mensagem. Nossa lei não está dando conta. Dos 117 faccionados mortos, 78 tinham ficha criminal (por que estavam soltos?). Classificar como terrorista é o caminho? Cabe a discussão. O governo federal teme que a classificação justifique intervenção indesejada do governo Trump. Mas desde quando Trump se importa com a legislação de qualquer país? Nosso governo deveria buscar a cooperação americana nessa guerra ao crime organizado.

    A oposição já defende o confronto direto há tempos e agora surfa o sentimento popular. Mas é preciso cobrar responsabilidade dela também: as facções não se limitam às fronteiras estaduais; algum nível de coordenação federal, tal como proposta na PEC da Segurança, é necessário.

    O sinal está dado, a política tem que se mexer. Toda vez que os democratas negligenciam o combate ao crime, opções antidemocráticas e fora da lei se tornam mais atrativas. É preciso agir.

  6. INSTITUIÇÕES SÃO FRACAS, CRIME ORGANIZADO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    A Operação Overclean, da Polícia Federal, entrou na oitava fase na última sexta-feira. Em investigações ordenadas pelo Supremo Tribunal Federal, já apanhou contratos suspeitos que chegam a R$ 1,4 bilhão. Os envolvidos são políticos de expressão nacional e funcionários de governos estaduais e prefeituras. A fonte do dinheiro roubado é pública: emendas parlamentares.

    O esquema da corrupção se repete pelo país: empresas-fantasmas ficam com parte dos recursos destinados por deputados e senadores a obras e serviços públicos. Trata-se, portanto, de roubar a população. O cardápio inclui, além da grossa corrupção: organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitações. É aqui, nessas fraudes, que está a base dos “negócios”.

    Na sexta-feira, a Polícia Federal apurou casos ocorridos no Tocantins, mas também foram cumpridas ordens de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em São Paulo. Nas sete fases anteriores da Overclean, foram investigados casos em vários outros estados. O crime é nacional.

    Não passa semana sem que se descubra um caso desses. Significa que polícias e Judiciário trabalham bastante, mas também mostra como a corrupção está espalhada. Mesmo com as ações policiais, políticos e funcionários parecem não se preocupar. Talvez por acreditar que, no final dos processos, acabarão se livrando das acusações.

    A corrupção é sempre aliada do crime organizado, como nota a economista Maria Cristina Pinotti em artigo publicado no Valor Econômico, no último dia 3 de outubro (“Como enfrentar organizações mafiosas”). Ela tem se dedicado a estudos que mostram os impactos da corrupção na sociedade, inclusive os econômicos. A roubalheira e a violência acontecem quando há governos fracos e ineficientes, o que obviamente prejudica o desenvolvimento do país e a vida da sociedade.

    Portanto, o combate às organizações criminosas deve ser abrangente. Para Pinotti, há três pilares. Primeiro: leis que elevem o custo do crime e reduzam a impunidade. E processos mais rápidos, paralelos ao sistema jurídico tradicional. A polícia e a Justiça têm de ser mais eficientes que o crime. O Projeto de Lei antifacção, enviado ao Congresso na última sexta, vai nessa direção.

    O segundo pilar, nota Pinotti, é “a oferta eficaz de serviços públicos — segurança, saúde, educação, infraestrutura —, retirando dos criminosos a vantagem de substituir o Estado em troca da submissão dos cidadãos”. O Estado e as instituições, incluindo a polícia, têm de estar presentes todos os dias. Entrar numa comunidade controlada pelo Comando Vermelho para matar ou capturar seus líderes não adianta nada se nos dias seguintes o local volta à rotina de controle das organizações criminosas.

    É necessária também a participação da sociedade civil para pressionar as instâncias de poder. Tivemos recentemente um exemplo de como isso pode funcionar: as grandes manifestações de rua que fizeram os parlamentares recuar da “PEC da Blindagem”, a Proposta de Emenda à Constituição que tornava praticamente impossível investigar e processar deputados e senadores.

    O combate ao crime organizado também exige colaboração e atuação conjunta dos governos federal, estaduais e municipais. Drogas e armas do crime circulam pelo país todo, passam por portos e aeroportos. Trata-se, portanto, de uma questão de Estado e de toda a sociedade, não um problema dos partidos, da esquerda ou da direita.

    Finalmente, a questão internacional. Organizações criminosas brasileiras tornaram-se multinacionais. Drogas e armas das organizações brasileiras chegam de países vizinhos. O dinheiro é escondido em paraísos fiscais. Não haverá combate eficaz sem colaboração internacional.

    E, se ainda há dúvidas sobre o tamanho do desastre, basta verificar alguns dados anotados por Pinotti. Com apenas 3% da população mundial, o Brasil responde por 10% das mortes violentas globais. Na América Latina e no Caribe, a violência do crime organizado é a maior do mundo, segundo relatório do Banco Mundial.

  7. DE CLT A PJ, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    A migração de 5,5 milhões de trabalhadores do regime CLT, de emprego com carteira assinada, para o de pessoa jurídica entre 2022 e julho de 2025 é prova das rápidas transformações do mercado de trabalho.

    O fenômeno, conhecido como pejotização, tem motivos como a redução do custo regulatório e tributário —potencialmente vantajoso para o trabalhador, que pode ter vencimento líquido maior, e empregador, que tem encargos menores sobre o salário.

    De fato, contratações pela CLT são oneradas em cerca de 70% por várias normas e proteções legais, enquanto PJs são tratados como prestadores de serviços, isentos desses ônus.

    Estudo do economista Nelson Marconi (Eaesp-FGV) indica que em profissões de alta escolaridade enquadradas no Simples Nacional (faturamento até R$ 4,8 milhões), remunerações de PJs podem chegar ao dobro das recebidas por celetistas, graças ao menor custo empresarial.

    A busca por flexibilidade e a visão positiva sobre empreendedorismo, sobretudo entre adultos jovens, também pesam a favor.

    Pesquisa Datafolha de junho deste 2025 revela que 59% dos brasileiros preferem trabalhar por conta própria (68% entre jovens), valorizando horários maleáveis e maior renda.

    Há riscos de abuso, em que relações de subordinação são mantidas muitas vezes sem ganhos de remuneração para o trabalhador, apenas para favorecer a empresa, o que pode caracterizar fraude.

    Cabe notar que, dos migrantes de CLT para PJ, 80% (4,4 milhões) optaram pelo MEI, regime simplificado criado em 2008 para favorecer a formalização de autônomos e pequenos empreendedores, cujo faturamento anual é limitado a R$ 81 mil.

    Na visão do Ministério do Trabalho, enviesada pelo sindicalismo tradicional, esse padrão pode indicar migração forçada de pessoas de menor qualificação para driblar tributos, prejudicando os trabalhadores sem poder de barganha. Nesse caso, há precarização que expõe vulneráveis a ciclos de informalidade.

    Mesmo assim, voltar à CLT plena seria pouco realista. A preferência visível por autonomia sugere que rigidez excessiva sufocaria a geração de empregos e elevaria custos empresariais.

    Outro desafio é compatibilizar flexibilidade e relações contratuais diversas com a necessidade de financiamento da Previdência Social. O Supremo Tribunal Federal (STF), que está prestes a deliberar sobre a legalidade da pejotização, fará bem em evitar tanto o velho paternalismo quanto a desproteção de trabalhadores.

  8. A realidade cruel devora a narrativa romântica dos culpados

    A SOCIOLOGIA DE LULA ROMANTIZA O CRIME, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Já entrou para a antologia política a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que os traficantes são “vítimas dos usuários”. Em seguida, temendo os efeitos eleitorais, tentou dizer que a frase foi “mal colocada”. Seus intelectuais de estimação – sempre prontos a traduzir toda estupidez lulista em tese sociológica – contemporizaram: o presidente só queria apontar a cumplicidade do consumo na cadeia do tráfico. Mas não foi ato falho. Para Lula e a esquerda, o crime, numa sociedade capitalista, é mero subproduto do meio, um reflexo das desigualdades. A culpa, portanto, é da sociedade.

    De Marx a Foucault, a cada geração os esquerdistas conjuram a fraseologia da “violência estrutural” para dissolver responsabilidades pessoais em sociologia. O criminoso é desconstruído como sujeito ético e reduzido a objeto de forças externas. No lugar da moral, entra o diagnóstico: “contextos de vulnerabilidade”, “ressocialização em meio aberto”, “reeducação psicossocial”. Sob essa semântica profilática, a delinquência vira sintoma, e o delinquente, paciente de uma patologia coletiva diagnosticada por quem jamais esperou um ônibus à noite. E enquanto o crime avança, os criminólogos lapidam eufemismos.

    Essa subcultura humanitária não disfarça uma inversão moral: a compaixão pervertida em condescendência. A responsabilização do indivíduo é tratada como opressão burguesa, e a indulgência, como virtude. O progressismo cultiva o marginal como símbolo de “autenticidade social”, enquanto humilha o cidadão comum, que paga impostos e respeita a lei, como hipócrita e alienado. O delinquente virou personagem de “resistência”; o trabalhador, engrenagem da máquina de opressão.

    A teologia da inocência universal esquerdista redime vítimas perpétuas e condena culpados abstratos: o “sistema”, o “mercado”, a “herança colonial”. Mas, mais do que um instrumento de satisfação narcísica, essa vitimologia é uma ferramenta de poder: um modo de capturar o monopólio da virtude, exigir mandatos para desconstruir “estruturas” e desmoralizar toda contestação como repressão “fascista”.

    Os ideólogos que povoam o governo alternam garantismo e punitivismo ao sabor da conveniência política: rigor contra adversários, indulgência com aliados. É a ética dos “companheiros” travestida de teoria crítica. Os mesmos militantes que celebram terroristas e ditadores recriminam a punição a delinquentes como “violência estatal”. Entre o sentimentalismo e o cinismo, derramam lágrimas para bandidos e fazem selfies com tiranos.

    O Comando Vermelho herdou mais que seu nome das milícias marxistas dos anos 1970. Elas lhe ensinaram não só táticas de guerrilha urbana, mas o léxico da guerra cultural. “Paz, justiça e liberdade!”, rezava o lema da facção, enquanto a contracultura glamourizava a bandidagem: “Seja marginal, seja herói!”.

    Hoje a esquerda festiva celebra qualquer pichador como um Rimbaud das periferias. Mas essa farsa revolucionária se repete todos os dias como tragédia. Juízes progressistas libertam criminosos com dezenas de reincidências (alegando que o “Estado de Direito” não admite “futurologia”), desativam hospitais de custódia e despejam psicopatas em “ambientes comunitários”. ONGs financiadas por facções filmam documentários sobre “direitos humanos”. Ministros e secretários de Segurança querem enfrentar o crime com assistentes sociais e campanhas de reeducação. O resultado é um país onde o medo é rotina, e a lei, ficção.

    A ideologia coitadista fabricou um paradoxo cruel: quanto mais a esquerda se compadece dos criminosos, mais abandona os pobres. O progressismo penal, que se apresenta como gesto civilizatório, é na prática um luxo ostentado por elites protegidas nas torres de marfim da academia ou em condomínios amuralhados. E quem paga a conta são os pobres. São eles que veem seus filhos aliciados, seus bairros sitiados, sua vida devorada por uma guerra estetizada pela retórica progressista.

    Nenhuma sociedade pode prosperar quando transforma a justiça em “opressão” e o criminoso em “oprimido”. O Brasil já experimentou o bastante dessa moral bastarda. É tempo de descartar a mitologia de que punir o criminoso é “criminalizar o pobre”. A esquerda quis humanizar o crime. Desumanizou-se a si mesma. E os pobres são punidos todos os dias pelos tribunais da bandidagem.

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