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NUM CONTRATO DE R$25 MILHÕES DA ROÇADA, PELO MENOS R$20 MILHÕES NO GOVERNO KLEBER, DOCUMENTA A CPI DA CÂMARA E QUE DÁ NOMES, FORAM DEVIADOS. A POLÍCIA E O MINISTÉRIO PÚBLICO SABIAM DISSO DESDE 2022. POR MUITO MENOS, PREFEITOS, SERVIDORES, INTERMEDIÁRIOS E EMPRESÁRIOS FORAM INDICIADOS, PRESOS E PERDERAM MANDATOS EM VÁRIOS MUNICÍPIOS, EM OPERAÇÕES QUE GANHARAM MANCHETES ESTADUAL

A CPI estava encerrada. O relatório estava pronto. Mas, a sua divulgação, como uma articulada e oportunidade cortina de fumaça, deu-se horas antes da sessão da Câmara de ontem. Foi para abafar possível debate sobre a compra de outro milionário e polêmico terreno, diante de um suposto caixa municipal sem dinheiro e com destinação não bem conhecida da cidade e que abordei em A INCOERÊNCIA ROLA SOLTA. CORRÓI E DESTRÓI, PRECOCEMENTE, DISCURSOS, PROMESSAS, EXPECTATIVAS E A IMAGEM DO “NOVO” GOVERNO DE GASPAR. O ATUAL PARECE TÃO IGUAL AO QUE ACUSOU DE SER ERRÁTICO E SEM TRANSPARÊNCIA. POR ISSO, PRECISAVA SER TROCADO

Perguntar, não ofende: o que mesmo mudou?

Retomando. Não vou entrar nas minudências, até porque muito do que está lá no relatório, eu já havia antecipada por anos afio diante do silêncio de quem deveria dar publicidade à cidade. Fui e estou perseguido, constrangido e punido por isso, e pasmem, por quase tudo está no relatório, ou do que deveria estar e não está. Estou de alma lavada, outra vez. E com tristeza pela cidade, cidadãos e cidadãs.

Faltam fatos, detalhes e nomes. Finalmente, a imprensa de Gaspar, sem alternativa, publicou um xoxo resumo deles, todo baseado no robusto relatório e que valida apenas o que a polícia já tinha apurado profissionalmente. Este assunto está atrasado na busca e punição dos culpados. Vou deixar para os meus leitores e leitoras dois links de reportagens locais para consultas: CPI da Roçada sugere o indiciamento de 17 pessoas e CPI da roçada: relatório final aponta desvio de mais de R$20 milhões em Gaspar – Jornal Cruzeiro do Vale

A CPI TEM VALOR. MAS, APENAS REFORÇOU O QUE JÁ ERA BEM CONHECIDO DA CIDADE QUE SABE MELHOR DOS ESCÂNDALOS PELO SILENCIO DOS APLICATIVOS DE MENSAGENS

Antes, porém, um parêntesis. Um leitor meu, desses que os poderosos de plantão de ontem e de hoje sempre juram que não os tenho, além de mim mesmo, agora pela manhã, fez a seguinte observação: “mas isso a polícia já havia apurado, não? Falta mesmo é o próximo passo….será que vamos comprar pipoca ou veremos mais uma vez essa turma comer pizza?“. 

Advirto esses abafadores de ontem e de hoje, todos bem misturadinhos, pela enésima vez. Este é o sentimento generalizado da maioria dos gasparenses. Só os poderosos e políticos de ontem e hoje que os servem, fingem não perceberem ontem. E a pecha está pegando para os que estão no poder de plantão servido aos que verdadeiramente mandam cortar cabeças na cidade há décadas.

Tudo o que está no relatório da CPI do Capim Seco da vereadora, a policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, que teve a presidência de Ciro André Quintino, MDB, e a participação de Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil; Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP (ela e Ciro formaram a Bancada do Amém dos governos de Kleber Edson Wan Dall, MDB, o que está no centro de tudo isso), foi relatado tanto ao Gaeco – material que serviu de base para a CPI e o Ministério Público lá em 2022, pelo controlador geral do município, Ernesto Hostin (foto acima). Estamos no final de 2025.

Por muito menos, e com mais celeridade investigativa, prefeitos, vereadores, secretários, intermediários e empresários foram presos, cassados e enquadrados em crime de corrupção. Agora, o relatório da CPI repete e reforça os fatos, nomes e indícios. E ele está sendo remetido novamente para a polícia, Ministério Público para reforçar o que já havia apurado ou era de conhecimento dessas instituições, bem como adicionalmente, ao judiciário e ao próprio Tribunal de Contas que nunca enxergou qualquer irregularidade. Talvez isto, em algum tempo, caminhe.

ERNESTO HOSTIN FOI A PEDRA NO SAPATO. ELE TEVE A VINGAÇA. ELE CONHECE BEM ESSA GENTE E FAZ TEMPO

Quem salvou a CPI? Ernesto Hostin, funcionário de carreira (hoje não está mais no quadro da prefeitura de Gaspar), ex- assessor, ex-amigo próximo, irmão em Cristo de Kleber (“ele era um menino de Deus“), que estava controlador geral do município até então entregue a comissionados, contra a lei e que facilitavam os processos irregulares. Hostin viu que tudo poderia sobrar para ele e livrar os poderosos. Ele foi o último a depor, quando todos os envolvidos já comemoravam de que ele não seria chamado. Era uma trama e um trunfo de bastidores da CPI. Os envolvidos estão estupefatos até hoje.

O depoimento reservado de Ernesto Hostin, respaldado em farta documentação que colecionou ao longo do tempo para não ser pego em descrédito, é explosivo sob  todos os ângulos. Se levado a termo, escandaliza Gaspar e leva mais gente que não foi citada no relatório final da CPI do Capim Seco, como o ex-secretário de Fazenda e Gestão, secretário interino de Saúde, ex-presidente do MDB e coordenador de campanha de Kleber, Carlos Roberto Pereira, bem como a secretária administrativa do gabinete do prefeito Kleber e a ex-número dois da secretaria da Fazenda, Josiele Cristina Casanova. Ela era a voz de Kleber. Ela pressionava o controlador em nome do prefeito e, um dia, em rompante de poder, chegou a demiti-lo por telefone, segundo relatou reservadamente Ernesto aos membros da CPI. Ou seja, há testemunhas. A demissão de Ernesto não se concretizou. Ele era antes da Função Gratificada, um efetivo. E este buraco era em outro lugar.

Sentiram o tamanho do buraco. Nem a CPI quis se meter naquilo que me meti e paguei caro.

ESTE SUPOSTO DESVIO MILIONÁRIO É UMA PEQUENA AMOSTRA, SEGUNDO O EX-CONTROLADOR GERAL

Impressionante é que um contrato, em número arredondados, de simples roçagem em Gaspar de R$25 milhões, R$20 milhões, segundo a CPI possam ter sido desviados.

E pela narrativa de Ernesto Hostin, não só sabiam, por ele, como perseguiram-no, humilharam-no e o isolaram, praticando as irregularidades sem que ele não tenha autorizado o processo para os pagamentos. Inacreditável! Ernesto é um herói? Em parte. Na verdade está salvando – e desde 2022, repito, pois chegou em 2021 a controladoria – a pele dele. É que esta trama, foi desenhada por gente grande para culpar bagrinhos ou quem deveria colocar sob controle dos procedimentos legais ou dar fim nesta esbórnia com a exclusão de gente encardida.

O depoimento reservado, mais detalhado do que o que está na tal oitiva da Câmara, é mais elucidativo e rico em detalhes.

Jorge Luiz Prucino Pereira, PSD, que ocupou vários cargos, entre eles o der secretário de Planejamento Territorial e da Fazenda e Gestão Administrativa, foi o número dois de Kleber na Fecam – Federação Catarinense dos Municípios -, então homem de confiança de Kleber, irmão de tempo, foi pintado por Ernesto Hostin como centro de todas as irregularidades.

Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB, mandou Ernesto ficar quieto no canto dele. Assim também fez o secretário de Obras e Serviços Urbanos, ex-vereador, o ainda funcionário público efetivo na Ditran, ex-presidente do PP e ex-vice-prefeito, Luiz Carlos Spengler Filho. O procurador geral, Felipe pediu a Ernesto para não mais procurá-lo com este tipo de assunto. Kleber, fingiu estar preocupado ao mesmo tempo em que sua administrativa de gabinete pressionava a controladoria pelas vistas grossas e a autorização dos pagamentos sem conferência da documentação. Era uma organização.

Todo o terceiro andar [do centro administrativo da prefeitura na subida da Matriz] sabia de tudo [ referindo-se não só este caso das roçadas, mas dos negócios e trâmites irregulares dentro do processo de licitação, contratação, fiscalização, empenhos, liquidação e pagamentos]. O gabinete do secretário da Fazenda foi instalado na frente do meu para ter mais controle”.

O HOSPITAL DE GASPAR É UMA BOMBA ATÔMICA NA COMPARAÇÃO AO QUE SE APUROU NA CPI DO CAPIM SECO

O que chama a atenção? A prática e o loteamento dessa prática.

Ernesto Hostin no seu depoimento se coçava em algo muito pior: o Hospital de Gaspar. E em alguns momentos, pediu-se para ele não se “desviar” do foco, as roçadas, bem como a Ecosystem, cujos os donos um dia foram parar no gabinete dele, sem Ernesto saber; e lá na cara limpa, cobraram os pagamentos que Ernesto analisava. Quem franqueou a visita surpresa e intimidatória? O gabinete do prefeito.

Se este da roçada é uma bomba, imagina o tamanho dela no Hospital“, repetiu tentando puxar o assunto que era imediatamente cortado.

E deve vir coisas, pois Ernesto abasteceu o Gaeco e o Ministério Público com informações relevantes do Hospital. O que impressiona, mais uma vez, como este esquema – aliás fui chamado pelo então secretário de Fazenda e Gestão Administrativa à Justiça para explicar o que eu queria dizer com “esquemas” – não desabou. Intimidação e constrangimento que me alimentaram em ir cada vez mais fundo neste assunto. Afinal, tudo isso tinha razão de ser. E tinha. E eu, como Ernesto, não recuamos. Os mais espertos, percebendo a lama que os contaminava, saíram. Outros dobraram as apostas. Agora, vamos ver quem tem café neste bule de apostas.

Tem razão Ernesto Hostin temer pela integridade dele e da sua família, como revelou no depoimento oficial na Câmara, cuja foto abre este artigo. Ele não falou muito do que relatou na reunião fechada aos membros da CPI

Qual é mesmo a santa que protege essa gente toda e persegue quem quer tudo as claras, porque o que foi feito de errado, para não chamar de crime, foi com o dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses, catarinenses e até brasileiros. Não pode ser a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e nem São Pedro. Dinheiro que se diz estar faltando no caixa da prefeitura. Não para indenizações de milionários terrenos sem destinação de prioridade para o município. O que demonstra isto? Que nada está estancado ou devidamente controlado. O esquema, infiltrado na aproximação externa principalmente, e interna, está desmoralizando até os eleitos que prometeram mudar tudo isso. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, depois de longa reflexão, resolveu se posicionar sobre o embate contra os cruéis narcotraficantes nas favelas da Penha e Morro do Alemão. “Houve matança. E precisa ser apurada”. Credo. 87% dos moradores destas precárias áreas dominadas por bandidos, aprovaram a ação das forças de segurança.

Está dada a largada da narrativa e discursos da próxima campanha eleitoral. Resta saber se a maioria dos brasileiros quer este domínio cruel à margem da lei, igualdade de direitos, da tributação e do devido processo legal

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12 comentários em “NUM CONTRATO DE R$25 MILHÕES DA ROÇADA, PELO MENOS R$20 MILHÕES NO GOVERNO KLEBER, DOCUMENTA A CPI DA CÂMARA E QUE DÁ NOMES, FORAM DEVIADOS. A POLÍCIA E O MINISTÉRIO PÚBLICO SABIAM DISSO DESDE 2022. POR MUITO MENOS, PREFEITOS, SERVIDORES, INTERMEDIÁRIOS E EMPRESÁRIOS FORAM INDICIADOS, PRESOS E PERDERAM MANDATOS EM VÁRIOS MUNICÍPIOS, EM OPERAÇÕES QUE GANHARAM MANCHETES ESTADUAL”

  1. RENATO LUIZ NICOLETTI

    Interessante sua constatação de que o Ministério Público já sabe desde 2022 dos valores desviados e nada de prático se viu até agora! Passaram 3 anos e não há denuncia. O que os impede? Você já pensou em fazer as mesmas críticas e cobranças, de forma tão fervorosa ao Ministério Público, como faz aos membros da CPI? Daqueles você pode exigir ações coercitivas para o ressarcimento e a responsabilização de quem deve. Mas, porque não cobra e critica na mesma intensidade como tem feito com a CPI?

    1. Caro, obrigado pela leitura, interação e contribuição para o debate.

      Primeiro, isto está no mesmo artigo, e foi tema de outros. Segundo, por que eu NÃO faria críticas ao Ministério Público? Por fim, compreendo a sua preocupação e defesa da CPI, até porque a sua esposa foi a relatora da CPI, que teve um viés político, não porque foi falha ou imparcial, mas porque se estabeleceu num ambiente político, e você, apesar de reconhecido técnico na área jurisdicional, também é e foi um ente político.

      1. RENATO LUIZ NICOLETTI

        Caro Herculano. Não me surpreende que sua resposta seja nessa linha. Saiba que o fato de ser casado com a relatora, não é o que me move a debater isso. Evidentemente que as CPI’s se estabelecem num ambiente politico. Lamento que não esteja disposto a reconhecer que as fofocas acerca dos fatos, foram entabuladas, os nomes “aos bois” foram dados e o valor do prejuízo apurado. Se isso não foi positivo, sugira alterações legislativas para acabar com esse instrumento legal. A população só teve acesso a essas informações porque existiu a CPI, pois tudo corre em inexplicável segredo de justiça. E isso não é bom? Você sabe que não preciso defender minha esposa, jamais. Sou testemunha do cuidado e zelo que ela teve em respeitar a lei e fazer o que é certo, ainda que pudesse melindrar pessoas que conhece e teve contato ao longo da vida policial e publica.

        1. Caro, não vou polemizar pois isto, como você bem conhece e demonstrou na sua réplica – incluindo o seu interesse de defender a brasa da sua sardinha -, só interessa aos que estão envolvidos e vão caminhando, silenciosa e matreiramente para se safarem.

          Hoje mesmo, em “UMA VIDA NÃO QUESTIONADA NÃO MERECE SER VIVIDA”. “MUITOS ODEIAM A TIRANIA APENAS PARA QUE POSSA ESTABELECER AS SUAS”, mostro como seu ex-PSDB, do qual você foi presidente do diretório em Gaspar, agiu, para clarear e fazer retornar ao “cofre público”, aquilo que era dele, ou seja, da cidade. E contra a falta de transparência, que você reclama do judiciário neste caso específico, mas que permeia quase tudo que em que poderosos estão metidos, é uma bandeira que luto quase solitariamente. E sou punido por pedir apenas clareza naquilo que é de todos.

          A minha luta, parece ser a sua e a da sua esposa. Ela está acima das nossas vaidades. Ou entendi errado? Obrigado

  2. Pingback: EMPRESÁRIOS E INVESTIDORES DA ÁREA CONSTRUÇÃO CIVIL E IMOBILIÁRIA, PRINCIPALMENTE, E OUTROS DE ITAJAÍ, DÃO EXEMPLOS DE COMO IMPULSIONAM O PODER PÚBLICO A SOLUÇÕES DE MOBILIDADE. GASPAR, PREFERE SE ESTABELECER NO ATRASO PARASITA - Olhando a Mar

  3. LULA, TRANSFORMA METAMORFOSE EM COERÊNCIA

    Diz a manchete do UOL (Folha de S. Paulo): Defensor de explorar a Foz do Amazonas, Lula cobra fim do petróleo na COP

    Este é o presidente do Brasil. E há quem diz que precisamos acreditar nele como presidente e não como um oportunista, manipulador, mentiroso ou humorista

  4. HADDAD, COMO LULA, DIFICULTA A REDUÇÃO DOS JUROS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Fernando Haddad foi a voz solitária da racionalidade econômica no governo e no PT até a primeira metade do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ao longo deste ano, contudo, vai deixando de lado os reparos à gestão das contas públicas e compartilhando críticas oportunistas ao Banco Central.

    Na terça-feira (4), disse que, se fosse presidente do BC, votaria pela redução dos juros. Nesta quarta (5), para surpresa de ninguém, a instituição manteve sua taxa, a Selic, em 15% anuais.

    No atual patamar, os juros são insustentáveis, diz o ministro da Fazenda —é fato. No entanto ele não aborda as condições para que eles possam começar a cair, como afirma desejar, para já.

    Na hipótese menos ruim, Haddad apenas prepara discurso para a campanha eleitoral de 2026, ameaçando a credibilidade do BC e dificultando o corte da taxa. Se não é o caso, mostra compreensão precária dos problemas macroeconômicos do país.

    A economia ainda está inflacionada. A variação do IPCA deve terminar o ano perto de 4,5%, longe da meta de 3%. A expectativa para o fim de 2027, mesmo com a Selic nas alturas, é de 3,8%. Continua difícil conter a alta dos preços de serviços, pressionados pelo mercado de trabalho aquecido.

    O déficit com o exterior sobe, em boa parte devido à queda do saldo comercial, pois as importações crescem, dada a escassez de oferta, sintoma de atividade econômica acima do potencial.

    O IPCA melhor do que o esperado deste ano deve-se a safra, clima melhor, preços mundiais bem comportados e queda do dólar por efeito de medidas de Donald Trump. No mais, a carestia e a desvalorização do real são contidas pelo arrocho monetário.

    As taxas de juros seriam menores caso houvesse contribuição da política de gastos, que pressiona a demanda. No ano passado, o afrouxamento da meta fiscal e o pacote frustrante de ajuste deram impulso a um movimento de alta de dólar, inflação e juros.

    Haddad tergiversa sobre os erros, preferindo atribuir responsabilidades a administrações passadas ou ao Congresso Nacional. De fato, o governo herdou gastos contratados e isenções fiscais —muitas delas, diga-se, de outras administrações petistas. Porém o que fez foi agravar o quadro.

    Sob Lula, o Tesouro terá déficit primário (sem contar juros) em todos os anos —neste 2025, o rombo esperado ronda os R$ 70 bilhões, dos quais a maior parte não será considerada para o cumprimento da meta oficial.

    A despesa federal já aumentou 14%, em termos reais, cerca de R$ 290 bilhões ao ano, e no momento avança no Congresso um reajuste salarial para os servidores do Judiciário mais caro do mundo. A dívida pública subiu de 71,7% para 78,1% do PIB.

    O governo criou as condições que levaram os juros ao insustentável. Baixar a Selic agora ou sem mais causaria danos no dique que contém deterioração macroeconômica ainda maior, se não for o gatilho de tumulto imediato.

  5. TROCA DE FAVORES, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Lula decidiu desafiar uma convenção do marketing político segundo a qual, se a onda é forte, o melhor é passar por baixo dela. E passou a criminalizar a atuação da polícia na megaoperação no Rio, que desfruta hoje de um apoio na população tão inédito quanto o número de mortos registrado no confronto com uma organização criminosa preparada para combater.

    Considerando que segurança pública é a preocupação n.º 1 do eleitor, o tipo de assunto no qual governos petistas apanham fácil, peitar a onda em favor da megaoperação é postura de alto risco. O que levaria um político experiente a optar por um cálculo que só promete desvantagens?

    Relatos de quem esteve conversando com Lula nas últimas semanas – antes da megaoperação, mas depois dos sucessivos erros políticos da oposição (dos quais o apelo a Trump foi monumental) – dão conta de que ele está convencido de vencer no primeiro turno. Lula já insinuou isso publicamente.

    Os profissionais em pesquisas são mais cautelosos. Observam como são voláteis as alterações em termos de aprovação/desaprovação do governo em função da velocidade com que se sucedem os acontecimentos políticos dentro e fora do Brasil. A “arte” desse tipo de interpretação de dados estatísticos consiste em separar a “volatilidade” da “constância” nos números.

    Lula ganhou nos erros dos adversários, mas adotou agora tática arriscada

    Trata-se dos tais “fatores estruturais”, que teimam em permanecer negativos do ponto de vista do governo. Grosso modo eles se dividem em dois grandes grupos. O primeiro é a disseminada noção de que o “sistema” quebrou e que governos (qualquer um) nada resolvem. Muito menos o que está de plantão.

    O segundo é específico de Lula e o PT. O velho em Lula não é a sua idade, mas a incapacidade atual de “vender” sonhos e perspectivas. Há transformações importantes também nas periferias que o petismo e seu único nome viável hoje não conseguiram acompanhar – resultado em boa parte do mesmo tipo de “sociologia” que os levam a considerar criminosos como “reflexos” de uma sociedade capitalista cruel.

    Vem daí a combinação de duas conhecidas táticas, a dos “ricos contra pobres” e o assistencialismo turbinado. Ocorre que a primeira já não “cola” como em eleições anteriores, pois a pregação da prosperidade avançou bastante em faixas do eleitorado que Lula há anos não consegue atingir. E na segunda não há diferenças sensíveis em relação ao Centrão de “centrodireita”, que vive da eterna expansão fiscal. Assistencialismo virou política de Estado.

    Lula é altamente competitivo sobretudo – neste momento – em função de erros e omissões dos adversários. Mas parece que resolveu devolver o favor.

  6. Já faz mais de um ano daquela operação da polícia civil, será que o MP já apresentou a denúncia?
    E essa CPI era pra ser um cópia e cola da operação policial, mas pelo jeito foram feitos vários recortes para proteger alguns.

    1. Pois é. E os recortados, já estão agindo para calar os que ousaram tocar neles. Sempre presentes se exibindo nas redes sociais, agora querem que todos os esqueçam. Interessante.

  7. Como esquemas poderosos e endinheirados, com o tempo, vão se livrando de culpas e penas na jurisdição

    ERA UMA VEZ O PETROLÃO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O Supremo Tribunal Federal (STF) avança em sua cruzada para reescrever a história recente do País. A cada decisão no âmbito da Lava Jato, um novo capítulo é rasurado. A operação, que desvendou o maior esquema de corrupção de que o País já teve notícia e devolveu bilhões de reais aos cofres públicos, tem sido sistematicamente desmontada na Corte, como se nunca tivesse existido. Mais uma vez, o ministro Dias Toffoli desferiu um golpe na memória nacional ao votar para anular todas as provas e processos contra o notório Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras e uma das figuras centrais do escândalo do petrolão.

    Duque não é um criminoso qualquer nesse enredo infame. Foi ele quem ajudou a institucionalizar, dentro da Petrobras, o sistema de propinas que financiou campanhas do PT, sustentou partidos aliados e enriqueceu agentes públicos e empresários durante os governos petistas. Em suas delações, admitiu ter recebido vultosas quantias de dinheiro, tendo devolvido cerca de R$ 100 milhões, além de implicar diretamente Luiz Inácio Lula da Silva na engrenagem criminosa. Mesmo assim, Dias Toffoli, que até pouco tempo atrás não via nulidades nas condenações de Duque, mudou radicalmente de entendimento e agora se soma a uma maioria no STF empenhada em apagar qualquer vestígio da operação.

    A justificativa, é claro, segue a mesma: Duque seria mais um réu indefeso que foi submetido a “abusos e fraudes processuais”. O argumento foi reiterado pelo decano da Corte, Gilmar Mendes, que, ao analisar o caso do ex-diretor, evocou o conteúdo das mensagens capturadas ilegalmente por um hacker para concluir que houve “conluio” entre o então juiz federal Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato em Curitiba. Ou seja, o que se vê é o STF acolher provas obtidas por meios ilícitos para anular processos inteiros que resultaram de investigações policiais lícitas, robustas e, ademais, respaldadas por provas materiais, confissões, rastros bancários e acordos de colaboração homologados pelo próprio Supremo.

    É uma inversão lógica e moral que assombra esta república que ainda peleja para se firmar como tal, vale dizer, para tratar todos os cidadãos de modo igual perante a lei. Sabe Deus por quais razões, o STF se arvorou em revisor jurídico e político da Lava Jato, transmitindo à sociedade a mensagem de que o crime compensa, desde que o criminoso tenha como recorrer às mais altas instâncias judiciais do País.

    Não se trata aqui de negar que a Lava Jato cometeu excessos, e este jornal os apontou reiteradamente. Mas o que o STF tem feito vai muito além da correção de distorções. Trata-se de uma política deliberada de destruição institucional de tudo o que a operação representou: a inédita possibilidade de que, no Brasil, poderosos fossem responsabilizados por seus crimes.

    O caso de Duque é sui generis. Suas condenações, que somam mais de 39 anos de prisão, foram baseadas em provas consistentes. Preso desde agosto de 2024, ele agora poderá desfrutar da vida como se nada tivesse feito de errado, como se o assalto à Petrobras tivesse sido uma alucinação coletiva.

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