Texto revisado, alterado e acrescentada mais uma foto do desfile da Oktoberfest de ontem quarta-feira, em Blumenau, retirada do própria rede social do prefeito de Gaspar. Intervenção feita às 10h57min deste 16.10.2025. O meu artigo O QUE A PREFEITURA REPASSOU PARA O HOSPITAL DE GASPAR DARIA PARA CONSTRUIR ATÉ CINCO PONTES DO VALE. PIOR. O ORÇAMENTO QUE ESTÁ PARA SER APROVADO NA CÂMARA, MOSTRA QUE O CAOS FINANCEIRO NA SAÚDE DE GASPAR CONTINUARÁ NO PRÓXIMO ANO já tinha sido publicado na segunda-feira, quando o prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, foi a 89,7FM na terça-feira para ser entrevistado pelo proprietário Joel Reinert e o repórter Paulo Flores. Ainda bem que ninguém me lê. Não passou vergonha.
Paulo, como gestor, enrolou sobre quase tudo que lhe foi perguntado e respondeu, inclusive sobre o Hospital. Especificamente sobre este tema enevoado chamado Hospital voltarei em outra oportunidade. A entrevista foi um desastre repetido. Foi o tal Dia da Marmota. Ou seja, mais uma oportunidade perdida. Inclusive para, com dados, soluções, inovações e resultados, calar seus críticos. É um governo sem um grande fato ou até alma e garra naquilo que fala. Assiste a correnteza da margem e se puder joga os adversários nela.
Foram, quase 20 minutos de falas com a cidade, cidadãos e cidadãs, numa linguagem prolixa e bem distante da atualidade. A maior preocupação do gestor Paulo foi a de não revelar nada e arrumar desculpas para os problemas, inclusive São Pedro, com quem ele sabe não pode mudar o humor do Santo sobre o tempo. Então, aonde mora o verdadeiro problema? É que tudo isso, ou seja, as desculpas do gestor, acontecem depois de dez meses de governo, três de transição, hoje, sabidamente, mal feita.

Era Paulo o candidato a gestor – que agora revela ser um reiterado bom festeiro com os amigos em Blumenau, como na foto desta semana ao lado, a qual foi promovida por seus membros da sua própria equipe de imprensa “o chefe nunca para @delegado.paulokoerich” [numa prova inconteste, mais uma vez, de que não mudaram a chave e que tudo é uma festa fora daqui], enquanto que aqui a dança é outra – quem dizia saber dos problemas e soluções como poucos durante a campanha eleitoral.
Até o momento, o gestor Paulo, sempre de cara fechada – bem diferente dos desfiles na Oktoberfest de Blumenau – as entrevistas com perguntas que teriam que ser aclarada , não conseguiu superá-los, dar soluções prometidas para, minimamente, criar esperanças. Elas, naquela época. nos discursos, deu-lhe 52,98% dos votos válidos contra a continuidade de Kleber Edson Wan Dall, MDB na figura de Marcelo de Souza Brick, PP, e a volta de Pedro Celso Zuchi, PT, de feito inédito até agora de três mandatos.
Um parêntesis necessário: é o governo de Paulo e de Rodrigo Boeing Althoff, também PL, que me dá corda. Ninguém mais.
Voltando.
Sobre as queixas da buraqueira nas estradas com e sem pavimentação – agravada pela poeira e a inconstante passada dos caminhões pipas -, Paulo debitou, mais uma vez, com um tal e recorrente “infelizmente” – palavra que deveria ter sido abolida, em definitivo, na boca um bom gestor com sua equipe ou nas entrevistas – : às “abundantes” chuvas de menos de dois dias que aconteceu neste final de semana que passou. Vem mais outra entre hoje e amanhã.
Retomando mais uma vez. Mas, tomando-se esta premissa como verdadeira, incluindo o “infelizmente”, é de se perguntar: o que foi feito dos quase 250 dias de tempo sem chuvas, abundantes ou não, no governo de Paulo e Rodrigo?
E se ainda isso fosse pouco, para o planejamento e execução, bastaria consultar a sua competente Defesa Civil e saber de que estamos em época de chuvas por aqui. Até desfiles “patrióticos” de Sete de Setembro foram “suspensos” em Gaspar, usando estas “consultas” a Defesa Civil, bem antecipadamente. E as chuvas nem vieram. Então, na programação de manutenção das estradas e pavimentações da cidade, entra a tal contingência diante de sabidos tempos de chuvas e previsões disponíveis dentro do próprio governo e gratuitamente em qualquer site especializado. Não há” infelicidade”. Há probabilidade. E ela é uma ciência.
A INFELICIDADE CONTRATADA COM ANTECEDÊNCIA: EQUIPE E CENTRALIZAÇÃO

Mas, o que pega de verdade, além desse óbvio sempre renegada previsão, planejamento, contingenciamento e que no lugar deles se usa a bengala da expressão “infelizmente”?
Uma parte dessa resposta está na escolha da própria equipe de Paulo e com Rodrigo, este cada vez mais distante dela, seja nas escolhas, na manutenção e influência. Há raras exceções. Repito: raras. A outra está no prefeito de fato, o chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP, cujo partido tinha candidato próprio, que traiu a candidatura e agora espertamente está todo ele no governo que não ajudou institucionalmente a elegê-lo. Pedro centraliza, emperra e está desatualizado operacionalmente. Vestiram a roupa errada a um conselheiro político apenas para premiá-lo como ex-chefe de campanha eleitoral.
Quer um exemplo da teimosia onde o “infelizmente” é parte do resultado? O da buraqueira, que abre a foto do artigo. Ela não é de arquivo. É de segunda-feira, agora.
O primeiro secretário de Obras e Serviços Urbanos escolhido por Paulo foi Vanderlei Schmitz. Ele iniciou a gestão de sapatênis visitando áreas atingidas pelas enxurradas deste janeiro. Era um sinal de um conhecido excelente homem de escritório.
Ou seja, Vanderlei já sinalizava naqueles dias, de que poderia ser um excelente técnico da área como alegavam em sua defesa os seus padrinhos, mas, claramente, não tinha um perfil para estar na linha de frente da manutenção da cidade, notoriamente cheias de problemas, diagnosticados pelos próprios vencedores, se não mentiam nos palanques para vencer.
Um secretário de Obras e Serviços Urbanos ou está na linha de frente, ou possui liderança para comandar uma equipe versátil, ativa e capaz na linha de frente para mudar o curso do barco, porque todos os dias ele sabe que são de tempestades. E ele ou a equipe devem ter o couro duro. Pergunte isso, a empreiteiros que trabalham em obras abertas, lidando com pressões de materiais, maquinários, escassez de mão-de-obra, dead-lines, surpresas do solo, trânsito e custos apertados.
Paulo teimou – e se queimou porque ele assim o quis – em algo que foi avisado, sinalizado e se sabia com antecipação. Paulo por seu prefeito de fato Pedro seis meses, repito, seis meses, para trocar uma peça essencial no seu governo que se sabia pela cidade inteira e gabinete do prefeito que não respondia às vulnerabilidades, emergências e aos resultados prioritários. Meu Deus!
Melhorou a secretaria de Obras e Serviços Urbanos? Não! Como assim, perguntaria o leitor e leitora que exigem de mim coerência naquilo que escrevo? Respondo-lhe. Não tinha como piorar o que já não funcionava com Kleber e não voltou aos eixos mínimos, como o prometido e esperado, com Paulo e Rodrigo.
O que aconteceu então? Apenas o novo secretário de Obras, Leandro Rafael Melo, é um profissional funcional que não conhece a cidade, mas do riscado. Faz o feijão com arroz e corre o menor risco por isso. Tanto que em os tempos de chuvas, os trabalhos da secretaria ficam “represados”, como diz Paulo na entrevista a 89,7FM. E não deviam.
O que represa é tentar atender a todos, o tal mostrar serviços, não tendo braços para isto, em áreas remotas, que merecem a atenção, mas não em épocas de represamento e chuvas as prioridades se deslocam naturalmente. Com esta ânsia e erro nas escolhas das prioridades, deixam-se áreas de intenso movimento à descoberto, em detrimento das escolhas políticas por estradas abandonadas por meses. E aí, avolumam-se as queixas contra a secretaria e o governo. Desgastes. E a única desculpa possível é o impressionante tal “infelizmente”.
Ora se a 300 metros da prefeitura e da secretaria, na entrada da Rua São Pedro, os motoristas são obrigados a desvios, por dias, para não verem seus pneus estourados, isto sinaliza que longe dali a coisa é bem pior e o desgaste maior, como na movimentadíssima Frei Godofredo, a entrada da cidade via Barracão e Santa Terezinha. Veja o vídeo.
UMA SURRA ENTRE A REALIDADE E A NARRATIVA DO “INFELIZMENTE”
Entenderam como Paulo tropeça em si próprio e acha que repórter, como por exemplo Paulo Flores, quando faz o trabalho dele, está sacaneando o prefeito, a prefeitura e os políticos poderosos no poder de plantão?
Paulo Norberto Koerich, PL e os do “infelizmente” que rodeiam o gestor Paulo, querem que o repórter Paulo Flores, as rádios, os veículos de comunicação formais da cidade e de fora – que de vez enquanto se metem a bestas por aqui e por razões bem conhecidas – escondam da sua audiência, o que esta audiência pede por socorro, exatamente por já não encontrar canais oficiais para se queixar ao governo de Paulo. Ou o governo de Gaspar acha que se a prefeitura não resolve, sequer acolhe as queixa – enrola até para responder os requerimentos dos vereadores da própria base – e até desmoraliza os queixosos, eles vão dar aonde, antes de aplicar uma surra nas urnas nas próximas eleições? Nem mais, nem menos.
É por isso, que o governo de Paulo e Rodrigo está levando uma sova nas redes sociais dos que perderam o medo, e num tom mais alto dos aplicativos de quem está no “escurinho” e não quer se meter num barraco público. Paulo devia ouvi-las, mas sua equipe de comunicação está mobilizá-lo nos desfiles de Blumenau. Numa empresa séria, com um Serviço de Atendimento ao Cliente sério, esta é uma ferramenta essencial para perceber o que se pensa da empresa, seus produtos e serviços. É um ponto de reflexão, melhoria e sobrevivência. Em Gaspar, os queixosos são tratados pela atual administração em dívida com a cidade como pragas, inconvenientes ou adversários políticos. Credo.
Resumindo. Tudo isso está corroendo, tão rapidamente, o atual governo de Gaspar, o que quis colar o rótulo da mudança. Está minguando como pouco se viu nos outros governos dos últimos tempos. Então resta ignorar os queixosos, bloquear os que dão sugestões ou criticam – como aconteceu no sábado passado contra o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, sem partido, mas fez campanha e deu voto público para Paulo -, fazer cara feia para uns, buscar fragilidades alheias e prometer vingança para outros.
Não vou me alongar sobre esta desperdiçada entrevista do prefeito à sua cidade na rádio de maior alcance e audiência no horário. Eu a deixo na íntegra para vocês lá no final do Trapiche de hoje.
Sobre o Hospital farei outro artigo. Sobre o caríssimo terreno comprado por Kleber da Furb, Paulo disse que já tem destino, que surpreenderá a todos, mas ainda é segredo. Repito: transparência e comunicação, zeros. Impressionante. Em 20 minutos, cinco temas. É muito desperdício.
Não se sabe quem orienta mesmo esta gente, que vive de arapongagem externa quando o foco é a correção interna. O gestos Paulo parece que ainda não saiu do gabinete da Delegacia. Nas entrevistas e no contado com a cidade, onde a publicidade é parte da gestão, ele alega que não pode falar, como ainda se tivesse ainda fazendo alguma diligência. Sobre o atualização do Plano Diretor, que na entrevista tratou superficialmente como outro segredo, em conto a seguir no Trapiche. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Paulo Norberto Koerich, PL, disse na terça-feira, na entrevista 89,7FM mencionada no artigo acima, de que a revisão e atualização do Plano Diretor de Gaspar vai sair. Mas, ele ainda não pode detalhá-lo. Tratou isso como um segredo a ser resolvido em dias. O primeiro e atual Plano Diretor foi feito pelo ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, eleito pelo MDB, e hoje sem partido, quando seu irmão Maurílio Schmitt, já falecido, era o secretário de Planejamento. Deveria ter sido revisado até 2016, segundo o Estatuto das Cidades. Ou seja, estamos quase dez anos atrasados.
E por quê? O ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, chegou até a contratar a Iguatemi para a revisão e atualização do Plano Diretor. Entre o que contratou e o que aditou, girou em torno de R$700 mil. Deu xabú. A Iguatemi fez um trabalho teórico sem ouvir e ver a realidade. Já escrevi sobre isso várias vezes e espera-se, desgta vez, a não repetição desses fatos. Os poderosos da cidade ficaram putos. A revisão contrariava interesses imobiliários e se ele tivesse em vigor, pelo menos um loteamento nem existiria.
Voltando. Pedro Celso Zuchi, PT, estava à beira de uma sucessão. Não quis arrumar confusão. E o projeto caro, está em alguma gaveta da prefeitura de Gaspar até hoje. A bola ficou com Kleber Edson Wan Dall, MDB. Não preciso recontar pela enésima vez a mesma história de como tudo isso deu errado, inclusive para os espertos que abriram a porteira para passar boiadas. E estão perdendo cabeças, se não perderem parte expressiva da boiada.
Pois é. Mais uma vez não há segredo nenhum e estamos começando de forma equivocada em assunto tão sensível para a cidade, como reconheceu o próprio Paulo Norberto Koerich, PL, na entrevista ao Joel Reinert e Paulo Flores, na 89,7FM. Veja isto. E esta gente é pega de calças curtas a todo instante, julgando que a cidade é feita de uma maioria de tolos.
Antes de Paulo Norberto Koerich, PL, ir à entrevista na 89,7FM, o Diário Oficial dos Municípios, trazia a dispensa de licitação 400/2025, para a bagatela de R$1.891.058,80, afora os aditivos que virão, assinada pelo seu secretário de Planejamento Territorial, Michael Jackson Schoeenfelder Maiochi, mais um indicado pelo ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL, hoje secretário de Proteção e Defesa Civil do estado, às voltas com uma CPI da BRK e Samae cada vez mais cabeluda, quando tentaram passar a incúria para o povo pagar, na modificação do contrato, a conta do esgoto de lá.
O que esta “dispensa de licitação” trata? Da “elaboração de estudos, pesquisas, orientação técnica e elaboração do Projeto de Revisão do Plano Diretor, compreendendo: ações preliminares, proposta metodológica; avaliação temática integrada; diretrizes e propostas; plano de mobilidade urbana sustentável (uau!); elaboração projetos de lei“. Quem vai fazer isto? Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas – Fepese. O atual retaliado Plano Diretor de Gaspar aos interesses dos plantonistas das oportunidades e das vinganças originalmente foi feito pela equipe da Furb, de Blumenau.
Então, que detalhes que faltavam para acertar como alegou Paulo Norberto Koerich, PL, na entrevista a Joel Reinert e Paulo Flores, da FM 89,7, se tudo já estava publicado no DOM quando ele falou isso aos gasparenses? Ou erraram, mais uma vez? Ficou a impressão de que Paulo fez de bobos os entrevistadores, que tem isso como profissão, e os gasparenses, os que ele devia esclarecer, dar transparência, convencer e debater.
Só para comparar. A mesma Fepese, fez igual trabalho para Balneário Camboriú. E lá, segundo os press release da prefeitura, cobrou em torno de R$600 mil. Aqui são três vezes mais. E um decreto da prefeita Juliana Pavan von Borstel, PSD, criou e nomeou a equipe técnica para acompanhar os trabalhos e não ser surpreendida, como foi a cidade e o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, em 2016, com o trabalho da Iguatemi, jogado no lixo, apesar da dinheirama paga por ele com o dinheiro dos gasparenses. Muda, Gaspar!
Quem tem medo de CPI I?. A quase morta CPI do Capim Seco na Câmara de Gaspar que apura a multiplicação de milhares de metros não roçados e pagos na gestão de Kleber Edson Wan Dall, MDB, fato já bem apurado pela polícia anticorrupção de Blumenau, ouviria hoje dois ex-secretários de Obras e Serviços Urbanos: Jean Alexandre dos Santos, PSD, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP.
Quem tem medo de CPI II?. Luiz Carlos Spengler Filho, PP, pediu para não ser ouvido hoje, quinta-feira. Alegou problemas, inclusive o de serviço: ele servidor público municipal como agente de trânsito na Ditran. Credo. Luiz Carlos já foi presidente do PP, vereador, vice-prefeito e chefe de gabinete no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Hoje o PP, é informalmente o que manda no governo de Paulo Norberto Koerich, PL.
Uma conta que não fecha I. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, quer R$20 bilhões dos pesados impostos dos brasileiros para dar fôlego aos Correios que estão em crescente bilionário prejuízo e perda de mercado, na competitividade com empresas que se atualizaram e são do ramo de entregas de encomendas. Esta conta não fecha. Os Correios são paquidérmico, desatualizado, com empreguismo fora da conta, salários altos e não tem compromisso com resultados.
Uma conta que não fecha II. O PT, especialista em atraso, em dar prejuízos e aumentar impostos para tampar a sua incompetência, diz que os Correios se privatizado, deixaria de atender populações interioranas. Este é o mesmo velho discurso na década de 1980 no que tange a privatização das telefônicas. Depende do modelo. Hoje, até nas selvas é possível se comunicar por telefone. Abaixo, na área de comentários há um editorial do jornal Folha de S. Paulo e um artigo de Malu Gaspar, de O Globo, bem elucidativos. Eles dão a dimensão de quão errático é a esquerda do atraso, quando se mete a gestora com o dinheiro e sacrifícios de todos nós. Nem sempre a esquerda do atraso. A direita em Gaspar…
Um leitor, daqueles que não tenho, eleitor declarado de Paulo Norberto Koerich, PL, pinçou na internet e me mandou. Interessante. “Toda gestão tem janelas quebradas. Mas as boas gestões sabem consertar antes que virem manchete. O eleitor não quer perfeição. Quer ver que alguém está cuidando. Salve este carrossel e compartilhe com um gestor que precisa lembrar: o que destrói uma reputação não é o erro, é o descuido repetido“. Ufa!
Abaixo, para quem tiver paciência, está disponível o áudio da entrevista do nada de Paulo Norberto Koerich, PL, do ponto de vista jornalístico e de transparência para a cidade, a 89,7 FM.
12 comentários em “OS MAIORES ADVERSÁRIOS DO GOVERNO DE GASPAR CONTINUAM SENDO A COMUNICAÇÃO TORTA E A FALTA DE TRANSPARÊNCIA DO NECESSÁRIO E ÓBVIO EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS E NERVOSOS APLICATIVOS DE MENSAGENS. NÃO SÃO OS CRÍTICOS”
Pingback: QUEM MESMO ORIENTA O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO? TÃO CEDO E APENAS HÁ DEZ MESES NO PODER CORRE ATRÁS ESCORADO EM NARRATIVAS PARA REVERTER UMA MARCA DE DESGASTE PROVOCADO POR ELE PRÓPRIO NA FORMAÇÃO DA EQUIPE, PROTEÇÃO POLÍTICA E NA FALTA DE RESUL
ESPEREI PELA IMPRENSA GASPARENSE…
Então, vou sair do ócio e neste sábado à tarde escrevo sobre o que ela não escreveu e nem disse na fingida – mais uma – CPI do Capim Seco. Ela ainda vai inocentar quem a Polícia já disse que tem a explicações a dar. Mais, uma vez, é para ninguém ler
Bem colocado sr. Herculano, e o problema maior da bebedeira e festejos em cidades vizinhas seria usar a “viatura” oficial, pedindo para cargos de comissão levar e buscar, o “delegado” e sua esposa. Estes engordam seus bancos de hora.
Porém isto infelizmente é recorrente de quem conhece de deveria cumpriu a lei, uso indevido do carro de serviços da prefeitura.
Credo
E todos enxergam, mas quando fora do poder, como adversário, como cidadão que sustenta tudo isso ou não concorda, nunca como quando se está obrigado a exemplos
A CPI DOS MILHARES DE METROS NÃO ROÇADOS E PAGOS PELA PREFEITURA DE GASPAR BASEADO EM PAPELÓRIO OFICIAL
Então. O ex-secretário de Obras e Serviços Urbanos ao tempo do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos SpenglerFilho, PP – que mais tarde ocupou este cargo como consolo a cessão da vaga de vice para Marcelo de Souza Brick, PP, e adiou o seu depoimento, Jean Alexandre dos Santos, PSD (veio do MDB do atual presidente da CPI e do Partido, Ciro André Quintino), por seu depoimento na CPI do CAPIM SECO deu um nó na relatora, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, policial e líder do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, também policial, acostumados a investigações?
Alguém vai contar isso ou em conto?
TRUMP ENCABRESTA OS ARGENTINOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Às vésperas de eleições legislativas que determinarão o curso do que resta de seu mandato, o presidente da Argentina, Javier Milei, reuniu-se em Washington com o seu aliado Donald Trump. Na Casa Branca, como se fosse um coronel da República Velha brasileira, o republicano condicionou a manutenção do apoio financeiro dos EUA à Argentina ao desempenho de Milei e de seu diminuto partido, A Liberdade Avança, nas eleições de 26 de outubro. É a versão trumpiana do “voto de cabresto”.
“Se ele não ganhar, não vamos perder nosso tempo”, afirmou o presidente dos EUA. “Nossos acordos estão sujeitos a quem vencer a eleição. Porque, com um socialista, fazer investimentos é muito diferente.”
Os acordos a que Trump se refere são uma linha de swap cambial (troca de moedas) de US$ 20 bilhões que os EUA ofereceram à Argentina, bem como intervenções do Tesouro dos EUA no mercado de câmbio argentino.
Embora haja consenso entre economistas de que o peso argentino está caro, e que uma desvalorização é urgente para que o país volte a acumular reservas em dólares, a gestão de Milei vem queimando as combalidas reservas do país para manter o câmbio abaixo do teto de flutuação de 1,467 pesos por dólar.
Nesse contexto, a ameaça de Trump à Argentina é um despropósito por pelo menos duas razões. A primeira é que obviamente se trata de uma tentativa de interferência eleitoral em um país soberano. Os “socialistas” a quem o republicano se refere são os kirchneristas que, como se sabe, tanto dano fizeram à economia da Argentina. Mas são eles, os argentinos, que devem escolher quem os governa, tal como os americanos, que decidiram dar a Trump dois mandatos presidenciais.
A segunda razão é que Trump está canalizando recursos dos contribuintes dos EUA para apoiar uma política cambial que economistas e investidores entendem como insustentável.
Supostamente, a exótica ajuda de Trump à Argentina é uma tentativa de reduzir a influência da China na América Latina. Em tese, Milei, que vociferou contra Pequim e o comunismo em diversas ocasiões, está de acordo.
Na prática, porém, prescindir da China não é uma opção viável para a Argentina. Há meses sem comprar um grão de soja que seja dos EUA, o país asiático aproveitou-se de uma suspensão de impostos de exportação decretada por Milei para comprar toneladas de soja argentina a preços camaradas.
Enquanto isso, produtores dos EUA amargam prejuízos. Apoiadores de Trump, eles esperam por um socorro e agora se sentem traídos pelo republicano, que em vez de colocar a América em primeiro lugar teria feito da Argentina sua prioridade.
Agora resta saber se o partido de Milei realmente ampliará o número de cadeiras no Congresso argentino. Por mais que Trump tenha garantido que não gosta dos peronistas, e que Milei está fazendo a Argentina grande de novo, se há algo que o republicano realmente não tolera são perdedores.
Com popularidade em baixa, Milei precisa desesperadamente de um resultado minimamente satisfatório nas eleições para ter apoio para suas reformas e, ao mesmo tempo, garantir que Trump continue a lhe dar o respaldo necessário para a Argentina não afundar de novo.
Nem vou escrever de tecnologia, preços e competitividade. Vá a uma agência dos Correios e fique lá, por horas mofando na burocracia, na falta de vontade e agilidade dos seus funcionários bem pagos. Agora, vá aos mesmos Correios, MAS de um franqueado. Quanta diferença!
Vá a uma agência dos Correios que só abre às 9h, mas que começa a atender meia hora mais tarde, depois que todos os funcionários dos balcões testaram os equipamentos, tomaram o cafezinho e olharam se tem todos os carimbos na bancada. E se você chegar as 16h30min, corre o sério risco de não ser atendido, pois vão avisando bem agilmente, contrastando com a lerdeza do atendimento, que as 17h para. Aos sábados não abrem. Agora, vá a um fraqueado dos mesmos Correios que as 7h está aberto e alguns lugares só fecha as 22h, e se duvidar, até domingo abre, apesar da recomendação de não fazer isso.
Entenderam o que é uma estatal e o que é uma iniciativa privada? E de uma estatal?
Se esta comparação fosse pouca, agora atente para a Amazon e Mercado Livre, entre outras por exemplo. Não há chuva, feriado, sábado, domingo e noite. E se você consentir, recebe o que pediu até de madrugada
NÃO HÁ CAMINHO DE VOLTA PARA O ATRASO DOS CORREIOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Os Correios (EBCT) são um saco sem fundos, cada vez com menos cartas. Depois de ser a primeira empresa excluída da lista de privatizações herdada do governo Jair Bolsonaro pelo presidente Lula, ela acumula prejuízos bilionários e crescentes. Aparelhada por indicados do Planalto, a empresa conseguiu quase triplicar os resultados negativos entre 2024 e 2025 (R$ 4,35 bilhões no primeiro semestre deste ano ante R$ 1,35 bilhão no mesmo período de 2024) e faz parte agora de uma “reestruturação” oficial. A ideia é que o Tesouro (os contribuintes) seja avalista de empréstimo de R$ 20 bilhões para tentar reerguer uma companhia que parece condenada, como outras estatais que não acompanharam o ritmo da modernidade e sumiram, não por falta de talentos, mas pelo parasitismo das indicações políticas, carentes de talento ou de vocação para os negócios.
O que se planeja no Planalto é conseguir R$ 20 bilhões para sustentar “investimentos” da empresa em 2025 e 2026, para que ela volte ao lucro em 2027. Ainda que seja possível, o passado mostra que não é provável. Nos últimos 12 anos, a EBCT teve prejuízo em sete, incluindo 2025, cujo rombo está dado. O governo Lula culpa o antecessor, Bolsonaro, como em tudo, mas os rombos já aconteciam no governo de Dilma Rousseff, quando, entre 2011 e 2016, acumularam-se prejuízos de R$ 4,7 bilhões. No primeiro semestre de 2025, a empresa obteve empréstimo de R$ 1,8 bilhão de bancos privados (BTG, ABC Brasil e Citi), aos quais deverá recorrer de novo para, ao lado da Caixa e do Banco do Brasil, mais que decuplicar a dose.
Vinte bilhões de reais é muito dinheiro. É a quantia, por exemplo, que a Embraer, uma das mais competitivas empresas brasileiras globais, pretende investir até 2030 para enfrentar um ambiente cada vez mais adverso. Em setembro, o BNDES anunciou um fundo da mesma ordem para ampliar a infraestrutura de apoio à educação e à saúde no país. Foi também o total do fundo para apoio à ciência e à tecnologia no primeiro ano do governo Lula, ou o destinado a apoiar a concessão de rodovias no país, ou o planejado para o Fundo Amazônia. É também um terço dos recursos do PAC em 2025.
Vale a pena? Tudo indica que não. O programa apresentado pela direção da empresa no primeiro semestre, antes da troca do presidente por um quadro técnico egresso do Banco do Brasil, não difere muito do apresentado agora nem do manual de reestruturações de empresas à beira da falência: enxugar quadros, inclusive diretoria (cargos comissionados), renegociar contratos, reduzir a rede de entrega, vender ativos, cortar benefícios, reestruturar passivos, mudar o foco etc. No contexto de negócios em que os Correios se movem, apesar de sua tradição e sua enorme capilaridade, parece uma batalha perdida.
Imobilizada pelo atraso gerencial de indicações políticas extrativistas, sina do Estado brasileiro, a empresa perdeu o momento de virada do mercado, quando despontaram grandes empresas com logísticas de vendas e negócios altamente produtivos, como Amazon e Mercado Livre, ou logo depois que gigantes da entrega globais, como DHL, haviam determinado regras de um jogo que seria dominado por agilidade, investimentos e competitividade.
Dirigentes da empresa atribuem ao fim do monopólio das remessas internacionais ou ao início da taxação das “blusinhas” (cobrança de impostos de bens abaixo de US$ 50, antes isentos) o início da derrocada dos resultados da companhia. Não é verdade, porque prejuízos já vinham de antes. Arrogar um monopólio para sustentar negócios deixou de ser adequado ou até mesmo polido hoje em dia, e muito menos a permanência de privilégios tributários indefensáveis. Sindicatos da empresa argumentam, corretamente, que uma gestão estritamente profissional é capaz de fazer muito mais e melhor, sem privatizações. O resultado que se conhece com a gestão estatal, porém, é um só, constante, que tende a ser destruidor de competências, motivações e patrimônios. Gestões políticas não só foram insensíveis a inovações como tolheram investimentos ou os destinaram a prioridades erradas, como o inchaço do quadro de pessoal. A gestão estatal (é certo que não precisaria ser assim) ajudou a afundar os Correios, auxiliada pela visão primitiva dos negócios com que foi conduzida.
O Planalto quer fazer uma gambiarra para salvar a empresa, quando, se confia nela, poderia injetar dinheiro diretamente, mas há escassez de recursos — menos para programas eleitorais. Há função social inegável nos Correios, que a empresa já cumpriu com brilhante pioneirismo: nenhum dos rincões do Brasil, quando as regiões do país eram ilhas incomunicáveis pelas distâncias e dificuldades de transportes, deixou de receber correspondências quando elas eram o único meio de comunicação entre a imensa maioria dos cidadãos. Esse tempo passou.
Os Correios podem ser substituídos. Quando outros setores relevantes foram privatizados, como o de telecomunicações e energia, criaram-se taxas para que as empresas privadas, ou outras, fossem remuneradas para suprir o vácuo social deixado pelos serviços estatais (o Fust é um exemplo). Esse deveria ser um caminho.
A SÍNDROME DO PÉ-DE-PANO: UM RETRATO (NÃO EXCLUSIVO) DE NOSSOS MUNICÍPIOS, por Adilson Luiz Schmitt, sem partido, médico veterinário, ex-prefeito eleito pelo MDB, em aliança com o PP (2005/09). Este artigo, originalmente, foi publicado nas redes sociais do autor e oferecido por ele para este espaço.
Prezado amigo e amiga,
Confesso que minha paixão pela vida pública começou cedo.
Antes mesmo de assistir ao programa do Silvio Santos, eu já estava lá, grudado na TV, acompanhando as travessuras do Pica-Pau e sua trupe. Cresci, e a paixão pelos animais me levou à Medicina Veterinária, o útil unindo-se ao agradável.
O ápice dessa jornada veio quando, ironicamente, uni todos esses mundos ao assumir o cargo de prefeito.
E foi justamente nos corredores da prefeitura que reencontrei, sob uma nova roupagem, um velho conhecido: o Pé-de-Pano.
Permitam-me esclarecer: eu não era o Pé-de-Pano.
Naquela gestão, eu estava mais para o Pica-Pau, inquieto, provocador e determinado a fazer barulho onde a inércia reinava. Tive que ser agitado onde o cavalo era preguiçoso; enérgico onde o sistema estava cansado; ousado onde a burocracia se escondia atrás do medo.
Minha missão era galopar, ser a faísca, o movimento, tentando compensar o passo manco e o espírito medroso que parecem habitar boa parte das administrações municipais.
Se esta crônica lhe soar familiar, não se preocupe: a ironia que nos une é o retrato de um fenômeno nacional.
Em muitos municípios brasileiros, a gestão pública adotou um modelo de eficiência tão peculiar que só pode ser batizado de Governo Pé-de-Pano, aquele que transforma o tédio em rotina e a lentidão em método administrativo.
O líder municipal, na versão Pé-de-Pano, é um verdadeiro mestre zen da inércia.
Ele evita a iniciativa, pois agir exige moviment, e movimento quebra o protocolo sagrado da preguiça.
Qualquer projeto novo, “o asfalto prometido na eleição passada”, “a reforma da praça”, a “solução para o buraco da rua principal”, é recebido com um olhar cansado e um suspiro existencial.
O gabinete se transforma em divã, e a agenda, numa lista de tarefas para serem adiadas à próxima encarnação.
A prefeitura, sob o ritmo Pé-de-Pano, funciona numa cadência que faria o trânsito da capital parecer uma corrida de Fórmula 1.
A ineficácia é tão democrática que atinge todos os bairros.
Os recursos chegam, as promessas são feitas, mas a máquina emperra com a previsibilidade de um relógio parado.
E tudo isso, claro, embalado por um medo atroz: o pavor de tomar a decisão errada, que é sempre maior do que a vontade de fazer o certo.
Enquanto isso, o eleitor permanece na plateia, assistindo ao espetáculo do nada. A única coisa que realmente se move rápido é a sujeira nas esquinas e o mato crescendo nas calçadas.
Mas o Pé-de-Pano oferece, sim, uma filosofia de vida, caro eleitor: ele nos ensina que a maior prova da incapacidade de fazer muito é a capacidade de não fazer nada.
E se nada é feito, quem pode reclamar do que não existe?
O governo se alimenta do imobilismo, e o cidadão, da frustração que se repete a cada gestão.
Esta crônica “““NÃO APONTA O DEDO PARA UM ÚNICO MAPA””””, mas para o espelho de muitos municípios, grandes e pequenos, onde a performance do Pé-de-Pano continua sendo a norma.
E isso precisa mudar.
A reflexão é simples:
Um líder que se move na velocidade de um bocejo não merece o seu voto.
É hora de aposentar o cavalo cansado e permitir que o Pica-Pau volte a fazer barulho.
Pense bem: seu município merece um Pica-Pau — ou continuará refém do seu velho Pé-de-Pano?
A MARMOTA E OS CORREIOS, por Malu Gaspar, no jornal O Globo
Já virou lugar-comum para quem acompanha o noticiário no Brasil dizer que vivemos mergulhados num recorrente Dia da Marmota. A expressão, para os não familiarizados, é uma referência ao filme “Feitiço do tempo”, com Bill Murray, em que o protagonista acorda toda manhã para viver o mesmo dia em que os mesmos fatos se repetem, mas só ele percebe. Há vários “Dias da Marmota” rolando no Brasil neste momento, mas poucos vêm de tão longe e são tão sintomáticos quanto o dos Correios.
A estatal divulgou ontem um plano de reestruturação com medidas genéricas, de corte de despesas, demissões e venda de ativos a renegociação de contratos com fornecedores para recuperar a competitividade. Não foi informado quantas demissões, qual a economia estimada, se haverá metas de eficiência ou em que prazo se daria a tal recuperação.
O único dado concreto é que a empresa precisará de um socorro de R$ 20 bilhões para não quebrar. Como o governo Lula briga neste momento com o Congresso por mais recursos, alegando dificuldades fiscais, fica feio dizer que enterrará uma bolada dessas numa estatal obsoleta e deficitária. Ficou combinado então que o empréstimo será feito por um consórcio de bancos, com garantia do Tesouro. Na prática, se os Correios derem o calote, o contribuinte pagará a conta. Não é dinheiro da União, mas é.
Considerando que esse já é o segundo plano de demissão voluntária desde o início do ano e que o empréstimo de R$ 20 bilhões já vem para cobrir outro de R$ 1,8 bilhão feito agora em junho, fica evidente que a reestruturação é cortina de fumaça para esconder um fato eloquente: os Correios são “insalváveis”. Ao longo das últimas décadas, suas funções mais relevantes foram as de cabide de emprego e foco de corrupção.
Para que fique clara a dimensão desse Dia da Marmota, foi ali que nasceu o primeiro escândalo de corrupção do primeiro mandato de Lula, lá em 2005, quando veio à tona um vídeo mostrando um apadrinhado do hoje bolsonarista Roberto Jefferson enfiando no bolso maços de dinheiro de propina recém-recebida. Pressionado, Jefferson revidou revelando o mensalão, e o resto é História.
Em 2010, a direção dos Correios, já franqueada por Lula e Dilma Rousseff ao PMDB, aplicou o dinheiro do fundo de pensão dos funcionários, o Postalis, em títulos da Venezuela e da Argentina e numa série de empreendimentos fraudulentos que se tornaram alvo de operações da Polícia Federal, com prisões e delações premiadas. O rombo, estimado em mais de R$ 15 bilhões, é pago até hoje pela estatal, por seus funcionários e pelos aposentados, que chegam a sofrer 80% de desconto no contracheque.
Depois do trauma, Michel Temer e Jair Bolsonaro incluíram os Correios no plano de privatizações e começaram a preparar a empresa para a venda, com planos de demissão voluntária, fechamento de agências, automatização e encerramento de operações deficitárias — exatamente o mesmo cardápio de agora.
Combinados com a explosão do comércio digital na pandemia, os ajustes fizeram a companhia passar a dar um lucro que chegou a R$ 2,3 bilhões em 2021. A partir de 2022 — ano eleitoral e o último da gestão Bolsonaro —, a coisa voltou a degringolar.
Ao assumir, Lula anunciou concurso para contratar mais 3,5 mil funcionários, botou quadros do PT para mandar na companhia e sepultou a ideia de privatização. Quem defende a decisão diz que os Correios preenchem uma função social porque vão aonde ninguém vai, como comunidades conflagradas pela violência ou muito longínquas, em que entregar encomendas não dá lucro. Por isso, dizem, são insubstituíveis.
É o mesmo argumento usado nos anos 1990 contra a privatização da telefonia. Naquela época, os celulares e a internet engatinhavam, mas era claro que estatais obsoletas e corruptas não teriam a menor condição de competir com a nova tecnologia. Hoje ninguém mais sente falta dos orelhões, das fichas, nem de receber herança em ações da Telebras, e o Brasil é um dos países do mundo com mais celulares per capita.
É graças a esses aparelhos que boa parte da população das periferias, das favelas e até dos ermos da Floresta Amazônica faz negócios, enviando e recebendo encomendas não só pelos Correios, mas também pelos mercados livres e amazons da vida.
A experiência já mostrou que, com regulação bem feita, é possível estimular a competição e evitar a exclusão social. Dá até para obrigar as companhias a criar um sistema eficiente de distribuição de CEPs para que nenhum brasileiro fique sem endereço formal. O que não dá é para continuar torrando dezenas de bilhões do meu, do seu, do nosso para manter uma operação claramente insustentável. Nem a marmota de Bill Murray merece isso.
CORREIOS SÃO SACO SEM FUNDOS NO GOVERNO LULA, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o conjunto das estatais federais consideradas no resultado das contas públicas —o que exclui a Petrobras e os bancos oficiais— tem sido constantemente deficitário, mesmo sem contar gastos com juros. Em 2024, o rombo chegou a R$ 6,7 bilhões, o maior já medido em termos nominais.
A administração petista tenta dourar a pílula com o argumento de que déficit fiscal não significa necessariamente prejuízo, e muitas das empresas estão apenas fazendo investimentos com recursos que já tinham em caixa. Se a diferença contábil parece complicada, os Correios tornam desnecessário compreendê-la: eles acumulam tanto déficits como prejuízos bilionários.
Esse descalabro financeiro vai enfraquecendo outra tese governista —a de que os balanços de estatais no vermelho não implicam riscos para as finanças do Tesouro Nacional, ou seja, para o dinheiro do contribuinte.
Conforme a Folha revelou, o Planalto articula com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e bancos privados um empréstimo de R$ 20 bilhões para socorrer os Correios. A fim de encorajar as instituições a participar da empreitada inglória, o Tesouro deverá ser o fiador da operação.
Nesta quarta-feira (15), o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, confirmou o reforço no caixa e anunciou, sem detalhes, um plano de recuperação que incluirá demissões voluntárias, com previsão de volta dos lucros em 2027. Acredite quem quiser.
Funcionário de carreira do BB, Rondon está no cargo há somente um mês. Substitui Fabiano Silva dos Santos, advogado ligado a Lula que pediu demissão em julho. A demora na troca alimentou ambições de partidos que já contam com apaniguados na folha de pagamentos.
Tal mixórdia de loteamento político, rombos na contabilidade e socorro oficial resultam da decisão petista, movida a ideologia e corporativismo, de retirar a companhia do programa de privatização —ao lado de outros entulhos estatais como a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).
Os prejuízos dos Correios se multiplicaram vertiginosamente, de pouco mais de R$ 600 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024 e R$ 4,4 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano.
Tanto as receitas estão em queda como as despesas estão em alta, incluindo as com pessoal. São 80,3 mil funcionários contados em junho, número só inferior, entre as empresas federais, aos de BB (88,6 mil) e Caixa (83,3 mil).
Não se está diante de um problema conjuntural, mas de uma estrutura obsoleta que há muito perdeu as condições de competir com gigantes do setor privado que investem pesadamente em tecnologia e logística.
É nesse saco sem fundo que se pretende despejar mais dinheiro, com a certeza de que ao final a conta, como sempre acontece nessas situações, será paga pelo contribuinte brasileiro.
O piNçador Matutildo, piNçou:
“Os prejuízos dos Correios se multiplicaram vertiginosamente, de pouco mais de R$ 600 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024 e R$ 4,4 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano.”
O Bedelhildo enviou:
. . .e até agora ninguem foi preso!
E o Chatildo, churrasqueou:
Os “gestores” livres, leves e soltos, seguramente ostentando!
Eengordando o currículo político para mais uma nova indicação e boquinha com os cada vez mais altos impostos on line de todos nós burros de carga