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QUEM MESMO ORIENTA O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO? TÃO CEDO E APENAS HÁ DEZ MESES NO PODER CORRE ATRÁS ESCORADO EM NARRATIVAS PARA REVERTER UMA MARCA DE DESGASTE PROVOCADO POR ELE PRÓPRIO NA FORMAÇÃO DA EQUIPE, PROTEÇÃO POLÍTICA E NA FALTA DE RESULTADOS PARA A CIDADE

A lista é longa de erros, omissões, enrolações, promessas não cumpridas e falta de resultados. Quem é leitor ou leitora deste espaço – mas que não os tenho – está cansado de ler as queixas dos gasparenses de que o governo não ouve, está infestado do velho que foi rejeitado nas urnas do ano passado, não se explica – e tem raiva de quem o cobra, prova ou mostra as incoerências – e não produz, e se faz isso, comunica-se muito mal. É uma área decorativa, sem qualquer senso estratégico. Quem anda pela cidade, apesar de tão cedo, também se queixa com o mesmo vigor. 

Por isso, para não fazer mais um textão tornar-me repetitivo e tedioso, vou pinçar, genericamente, três eventos desta semana. Um deles de vingança e ingratidão, vestido de esquecimento. Faço isso, para o meu único deleite pessoal, pois quem está na continuidade do poder de plantão, jura que eu não tenho crédito, não influencio e não sou lido por ninguém além de eu mesmo. Ou seja, não há como se queixar de quem é com a intenção de propagar. Se ninguém me dá bola, não propago nada.

FATO I

O primeiro fato, está e pegou, na contrapropaganda daquelas que não se apaga. As redes sociais se inundaram sobre contraste de Paulo Norberto Koerich, PL, da cara fechada com a sua cidade, cidadãos e cidadãs, com a felicidade explícita como um pinto no lixo, na Oktoberfest pelas ruas da vizinha Blumenau, onde ele nasceu por escolha de melhor maternidade. Não vou reproduzir as dezenas de montagens e memes que circularam por aí, dois entre muitos deles publicado aqui em FINALMENTE, DEPOIS DE DEZ MESES, GOVERNO DE PAULO COMEÇOU RESOLVER OS PROBLEMAS DE GASPAR: BLOQUEOU O EX-PREFEITO ADILSON, SEU ALIADO DE CAMPANHA, DAS SUAS REDES SOCIAIS e em OS MAIORES ADVERSÁRIOS DO GOVERNO DE GASPAR CONTINUAM SENDO A COMUNICAÇÃO TORTA E A FALTA DE TRANSPARÊNCIA DO NECESSÁRIO E ÓBVIO EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS E NERVOSOS APLICATIVOS DE MENSAGENS. NÃO SÃO OS CRÍTICOS. Desperdício de tempo e espaço.

O que significa isto? Cansaço da população depois de dez meses de governo. A população, a maioria votante dos atuais governantes, aproveitou a primeira oportunidade contrastante para mostrar o descontentamento para mandar recados ao gestor da cidade, que a sua cidade está descuidada, e mais do que isso, está longe, da promessa de campanha, para mudar tudo o que os antecessores Pedro Celso Zuchi, PT e Kleber Edson Wan Dall, MDB, em dois mandatos cada um, não entregaram a cidade, cidadãos e cidadãs. Por que o governo não consegue enxergar isto e montar uma gestão de crise, naquilo que sabia ser sua prioridade? Em que mundo vive esta gente?

FATO II

O segundo fato, vou pinçar um comentário para me dar um tempo a mim mesmo naquilo que tenho repetido aqui e por isso, sou acusado de falta de assunto e de não ter dado a chance do novo governo se aprumar, mesmo ele já estando ao fim do primeiro ano, repito, primeiro ano. Faltam três anos apenas. Em dezembro tem férias coletivas já deliberadas.

A leitora, que não tenho, mas ativa nas redes sociais, e não é nenhuma juvenil, mas uma gasparense antenada, Odete Fantoni, da zona sul, a que mais cresce, apareceu na área de comentários do blog, naquilo que a cidade se espalha no silêncio dos aplicativos de mensagens: “voltando pro quintal, hoje teve mais um capítulo da CPI do mato seco“, abriu ela nos trabalhos de observação pública como eleitora e cidadã gasparense.

Estava um encontro de comadres até o momento de fala do Vereador Thimoti [Thiago Deschamps, União Brasil, ligado ao vice Rodrigo Boeing Althoff, PL]: com números incontestáveis, o então ex-secretário [Obras e Serviços Urbanos] Lu [Luiz Carlos Spengler Filho, PP]  ficou mudo por um instante, pareceu até que a pergunta havia fugido do combinado”.

Depois do susto, o ex secretário, mais escorregadio que sabão no molhado, tentou justificar à ausência de responsabilidades, sobrando inclusive pra recepcionista da secretaria de OBRAS que, segundo Lu, era quem fazia as solicitações de serviços da cidade. Sobre a tropa de fiscais e diretores OMISSOS nas suas funções, nem um PIO“.

A culpa foi da controladoria do município que não ENXERGOU A VISTA GROSSA do então secretário nos números da sua Secretaria. Já para o também ex secretário de OBRAS, hoje vereador, Roni Muller, mais uma vez inocentado e apontado como “delator” das ILICITUDES, os ventos sopraram favoráveis! E viva GAXXPÁ” . Antes de continuar o próximo parágrafo: cada vez mais na gestão pública de Gaspar, tornou-se perigoso ser piava. Os bagres estão culpando-as a rodo pela poluição das águas.

Entenderam? Eu preciso ir mais adiante? Vou, mas em outro artigo que já está pronto. Pincei esta observação de uma moradora de Gaspar, para mostrar que a cidade está sendo esclarecida e cada vez mais desapontada. E o pessoal da prefeitura, enclausurado no gabinete e em festas e reuniões de amigos, fingindo que estão em outra cidade. A imprensa que depende das migalhas e pressões do paço, também. Credo.

FATO III

O outro fato é o que coroa toda esta inversão e inércia que os eleitos juraram quebrá-la para dar nova dinâmica. Ela aconteceu na assinatura do papelinho bem caro, mais de R$1,8 milhão, afora os aditivos que poderão vir, para a revisão técnica do atual Plano Diretor, que anunciei aqui com pelo menos uma semana de antecedência, pois estava no Diário Oficial dos Municípios e o Paulo, impressionantemente dava como segredo na entrevista que concedia naquele dia na rádio 89,7 FM.

A sala para a assinatura do papelinho estava cheia. A foto dela, mostra os mesmos – inclusive estavam naquela “inauguração” daquela obra milionária do pasto do jacaré e onde lançaram Kleber candidato a deputado estadual – que resistiram por anos à revisão do Plano Diretor, tanto no governo de Zuchi, e principalmente o de Kleber, e que ao fim, levou a prejuízos deles próprios. E o alvo era o aliado para a busca de votos, mas descartado sem cerimônias depois do serviço feito como cabo eleitoral para ajudar a garantir os 52,98% dos votos válidos aos vencedores, o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt (2005/08), eleito pelo MDB, mas que estava no PL e de lá depois da rasteira dos vencedores, pediu para sair.

Paulo disse que era um “dia histórico”.

Deveria ser o dia da reparação de uma vergonha feita à várias mãos que deixou o Plano Diretor de Gaspar desatualizado e emendado a ponto de não servir e ao mesmo tempo trazer insegurança jurídica aos investidores e ao futuro da cidade. Pior mesmo, foi ver Paulo mal orientado, ou ouvindo fígado dele e de outros que renegam a história de Gaspar e vivem em permanente vingança a quem não se ajoelha aos interesses deles, afirmar que estava se corrigindo um erro e uma necessidade de 20 anos, fato repetido pela publicação oficial da Acig – a omissa neste assunto por anos afio -, que já teve Vilmar de Oliveira Schürmann, Francisco Mastella e Samir Buathen, entre outros, seus presidentes.

Como pode ser 20 anos de atraso, se o Plano Diretor foi promulgado em outubro de 2006 e passou a vigorar 90 dias depois, ou seja, início de 2007? Paulo não sabe fazer contas, mesmo que lhe orientaram errado, ou está desconsiderando o primeiro e único Plano Diretor de Gaspar em vigor? Ou como neste governo tudo o que é velho está misturado, está protegendo quem deveria tê-lo atualizado e assim não fez quando no poder de plantão?

 A primeira revisão do atual e primeiro Plano Diretor deveria ter sido feita em 2012. Era o segundo mandato de Pedro Celso Zuchi, PT. A segunda revisão, esta geral, como manda o Estatuto das Cidades, seria em 2017, gestão do primeiro mandato de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Tudo engavetado, incluindo o estudo que custou aos gasparense quase R$700 mil e feito pela Iguatimi sob encomenda de Zuchi.

Noves fora, de onde e por que Paulo arrumou, falsa e erroneamente este “atraso” de 20 anos, para ficar exposto, mais uma vez, num governo até aqui fraco, de que estaria corrigindo para a história um erro? No máximo há oito anos de defasagem, se for desconsiderada a primeira de 2012. É por estas e muitas outras que o governo da mudança, que está cheio de gente do governo passado mandando nele, a começar pelo prefeito de fato, Pedro Inácio Bornhausen, PP, ex-chefe de gabinete de Kleber, está tão cedo nas redes sociais sendo detonado. Muda, Gaspar!

Abaixo, o médico veterinário e ex-prefeito de Gaspar, Adilson Luiz Schmitt, no seu espaço de voz, que o usou, descartou e agora o quer humilhado não deixou por menos. Foi Paulo e seus bruxos da vingança que levantaram a bola de Adilson para ele chutar. E ele chutou mais uma vez. Meu Deus!

TRAPICHE

Começou. O ex-prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, MDB (foto destacada ao lado), fez um acordo com o Ministério Público – autor da Ação – para não levar ferro na Justiça no uso ou associação de marcas e feitos do governo dele, como o tal Avança Gaspar, que usou exaustivamente na propaganda oficial e nas redes sociais dele” para alavancar a reeleição em 2020.

No “Acordo de Não Persecução Penal”, ou seja, para evitar julgamento naquilo que pode piorar tudo para o indiciado, Kleber vai pagar o valor de um salário mensal de prefeito R$35.042,22, dividido em 36 vezes. Moleza.

Quem denunciou esta irregularidade classificada como Improbidade? O vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT (foto menor, abaixo). Quem defendeu o ex-prefeito? O seu ex-procurador geral e que segurava todas as barras durante nos dois mandatos governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Felipe Juliano Braz.

Retomando. Como se pode notar, aconteceram dois fatos: havia crime e com o uso indevido da marca e situações governamentais para a promoção pessoal e política, Kleber Edson Wan Dall, MDB, conseguiu se reeleger em 2020 época da propositura da denúncia. O então procurador geral e agora seu defensor dos mesmos fatos na Justiça, não conseguiu enxergar problemas. E se enxergou, mediu e percebeu que poderia ter mais vantagens do que prejuízos. Este termo pode estar sinalizado isto, não só para o ex-prefeito e seu procurador, mas também para outros diante da brandura da punição.

Mais tarde, em 2024, todavia, com este inquérito em curso, mais comedido no uso dessa máquina de propaganda, desgastado com a falta de resultados, desgastados por escândalos bem como à falta de oposição na Câmara, protegido pela Bancada do Amém (MDB, PP, PSD, PDT e PSDB) com onze dos 13 vereadores, Kleber não conseguiu fazer o sucessor, seu vice, Marcelo de Souza Brick, PP.

Pelo sim ou pelo não, os atuais mandatários locais estão avisados. Resta saber se pela possível punição convertida num termo brando de longuíssimo prazo, vale a pena burlar a legislação. Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça disciplinou esta matéria e considerou crime, prefeitos e vices que usem suas redes pessoais para associação ou promoção de atos de governo. Do ponto de vista moral e ético, não há o que comemorar. Entretanto, moral e ética, hoje em dia não combinam com a política.

Para encerrar este assunto, diz o acordo: “com a celebração do presente Acordo de Não Persecução Penal, todos os fins da Lei de Improbidade Administrativa serão atingidas, notadamente a proteção do patrimônio público e dos princípios de que regem a Lei de Improbidade Administrativa“. Este acordo se refere ao Inquérito Civil 06.2020.00002710-8 que visava apurar ato improbo por parte do ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, notadamente na sua promoção pessoal ao tempo para tentar e conseguir a sua reeleição em 2020. O acordo sai cinco anos depois da denúncia ao MP.

O acordo foi assinado neste dia 15 de outubro e só agora dado conhecimento. O pedido de arquivamento se deu no dia 17 de outubro. Ele é assinado pela promotora Rafaela Vieira Bergmann, Kleber Edson Wan Dall e Felipe Juliano Braz.

Um leitor, daqueles que não tenho, entra no privado, para questionar o valor do que se vai pagar para a atualizar o atual Plano Diretor de Gaspar, R$1,8 milhão e segundo ele, para deixar tudo na gaveta mais uma vez [ como o da Iguatemi contratado por Pedro Celso Zuchi, PT], se não agradar gregos e troianos, piorando tudo o que já se conhece.

Eu ainda dou ao leitor, que vive a prefeitura de Gaspar, ou seja, não é nenhum alienado, tem ouvidos e olhos neste “ninho”, a chance de que é preciso acreditar antes de detonar. Arrematou ele: “em 2027 voltaremos a conversar sobre isto. 75% de certeza. Perdeu [o governo] o rumo. Não irá comprar briga em ano eleitoral. Os votos foram para limpar a vala comum. Mas, optou em deixar os bagres. Melhor não mexer com eles”.

Retomo. Entenderam? As pessoas da cidade, com quem eu converso, não sabendo quem sou, pois não sou figura pública, repete esta ladainha de desconfiança. E pegou. O governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, está sem uma causa, sem uma cortina de fumaça e sem prioridades para animar o seu público, adversários e desconfiados. 

O atual governo está sendo carregado pela maré, ou seja, pela força dos outros. E está preocupado em não ser pego em alguma pegadinha jurídica; correr com, vingar e intimidar os críticos que poderiam lhe ajudar; dar bola para meia dúzia de bruxos conselheiros fora do governo – os mesmos dos governos passados – os quais não vão arcar com as consequências administrativas e políticas. O governo até agora, por outro lado, o prático, também não escolheu as prioridades para ter marcas factíveis de entrega de resultados necessários, ou algo marcante para associá-lo ao seu governo. Muda, Gaspar!

Finalmente, mais uma grande obra em Gaspar. O contrato de inexigibilidade 85/2025 vai gastar por ano à bagatela R$394.524,00 para estacionar os carros da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, Educação e Planejamento Territorial e até da sede da prefeitura e respectivos funcionários, no Centro de Gaspar.

Tudo isso, para quem alega nos discursos e entrevistas estar com sérios problemas caixa e está publicando um decreto (o 12.625) de desvinculação de receitas para adiar, ou parcelar precatórios e dívidas com credores por vários anos. Muda, Gaspar!

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5 comentários em “QUEM MESMO ORIENTA O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO? TÃO CEDO E APENAS HÁ DEZ MESES NO PODER CORRE ATRÁS ESCORADO EM NARRATIVAS PARA REVERTER UMA MARCA DE DESGASTE PROVOCADO POR ELE PRÓPRIO NA FORMAÇÃO DA EQUIPE, PROTEÇÃO POLÍTICA E NA FALTA DE RESULTADOS PARA A CIDADE”

  1. Adilson Luis Schmitt

    Esclarecimentos sobre atual Plano Diretor de Gaspar. Lei 2803/2006.

    Sobre o meu vídeo explicativo, pois a Lei 2803/2006 entrou em vigor no dia 10/01/2007, durante a nossa Gestão.
    Cumprindo o que Estatuto das Cidades exigia, bem como ficou estipulado que em 2012 ( 5 anos) e em 2017 ( 10 anos), as revisões e atualizações necessárias ocorreriam.
    Somente agora em 2025, realizaram a contratação de uma empresa para dar início aos trabalhos.
    Nosso Plano Diretor até hoje atendeu as necessidades de Gaspar. No entanto, sabemos que o mesmo já deveria ter sido revisado e atualizado.

    Muito obrigado!

    Adilson Schmitt
    Ex Prefeito de Gaspar

  2. Nem vou discutir se se trata de má gestão, falta de competitividade, cabide de emprego para companheiros ideológicos e incompetentes ou tecnologia defasada. Vou ao exemplo que está dentro dos próprios Correios em qualquer agência que você vá, aqui e alhures

    As agências próprias só abrem as nove ou as dez horas da manhã e fecham as quatro horas da tarde. Sábado, nem pensar. Quando você entra numa delas, também entra a paciência e cartazes que dizem que constranger ou ofender funcionários públicos é crime gravíssimo. O atendimento é demorado, confuso e tudo tem um pormenor que pode impedir ou evoluir o despacho ou o recebimento de mercadorias. Os pátios cheios desde bicicletas até furgões quebrados.

    Um franqueado desse mesmo Correios, ao lado dessa agência que não chegou no século 20, abre até 24 horas se desejar e tiver clientes, vai apanhar encomendas, normalmente não possui filas e seus empregados, criam soluções para os impasses. Perceberam aonde os Correios começam a dar prejuízo bilionário, cada vez mais alto, que o governo do PT quer dividir com todos nós?

    SOLUÇÃO PARA OS CORREIOS É PRIVATIZAR OU FECHAR, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O novo esforço para salvar os Correios da bancarrota —que é para onde a estatal se encaminha há muitos anos, com maior velocidade neste mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)— constará da extensa lista dos grandes atentados perpetrados pelo governo federal contra os pagadores de impostos.

    A administração petista tenta iludir o público com a lorota de que a operação de salvamento ocorreria por meio de um empréstimo de R$ 20 bilhões, de que participariam bancos estatais e até privados. Ninguém no mercado emprestaria tanto dinheiro a uma empresa que jogou no ralo do prejuízo R$ 4,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025.

    Como o Tesouro Nacional será o fiador do crédito —vai pagar a conta em caso de calote— trata-se, na verdade, de mais uma doação bilionária de recursos dos contribuintes a esse saco sem fundos do estatismo brasileiro.

    Os Correios, com custos inflados pelo aparelhamento partidário e processos arcaicos, não têm condições de competir com as empresas privadas de logística no Brasil. O monopólio da estatal no transporte de encomendas, que obrigava os cidadãos a pagarem caro por um serviço ruim, foi quebrado em 2009 em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O privilégio ficou mantido apenas para cartas, cartões postais e malas diretas, demandas que o avanço da comunicação imediata digital se encarregou de sufocar.

    Uma lei de 2023 e um decreto de Lula do ano seguinte tentaram fazer voltar o passado ao estabelecerem que os Correios detêm a preferência em licitações para prestar serviços logísticos a órgãos da administração federal.

    A tentativa de golpear a livre concorrência foi questionada na Justiça por uma associação de agentes privados, mas a ação foi extinta por tecnicalidade. De todo modo, o privilégio não salvou nem salvará a finança dos Correios, que em dois anos e meio de gestão petista acumulam R$ 7,6 bilhões de prejuízo —e contando.

    Diante desse quadro terminal, a mera conjectura de injetar outras dezenas de bilhões do erário na estatal deveria provocar repúdio de cidadãos e órgãos de controle. Em relatório desta quinta-feira (23), a Instituição Fiscal Independente, do Senado, alertou sobre as consequências deletérias para o equilíbrio orçamentário do galope dos déficits das estatais, com os Correios na mira.

    A melhor saída para a estatal talvez tenha deixado de ser a privatização. Tudo o que os Correios fazem, com a cabeça no século 20, já é realizado pelas empresas privadas com maior eficiência e menor custo. Nada além do interesse escuso de políticos justifica a continuidade dessa situação.

    Governantes responsáveis já teriam encaminhado uma solução definitiva para estancar a sangria que só faz elevar a já monstruosa dívida federal de R$ 8 trilhões. Essa solução implica privatizar a estatal, se isso ainda for possível, ou fechar as suas portas a bem do interesse público de interromper esse assalto ao contribuinte.

  3. GOVERNO BUSCA PARLAMENTARES PARA RECOMPOR BASE NO CONGRESSO E MIRA 2026, por Victória Azevedo, no jornal Folha de S. Paulo

    O governo Lula (PT) começou a procurar parlamentares para recompor sua base no Congresso Nacional, após a demissão de aliados políticos de deputados que votaram contra a MP (medida provisória) do aumento de impostos.

    A estratégia é que isso seja usado para atender aos aliados que apoiarem o Executivo em votações prioritárias até o fim do ano.

    O rearranjo também busca privilegiar políticos que sinalizarem que deverão caminhar com Lula em 2026. O presidente afirmou de forma categórica nesta quarta-feira (22) que disputará a reeleição, para buscar um quarto mandato.

    Desde o último dia 10, o governo passou a demitir indicados políticos de deputados que votaram contra a MP, numa resposta aos integrantes da base governista que não têm seguido as orientações do Palácio do Planalto.

    A equipe da ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) está mapeando os cargos vagos e procurando lideranças da Câmara dos Deputados para indicar os substitutos. Dois aliados da ministra dizem que integrantes do Planalto também foram procurados por parlamentares, numa tentativa de reaproximação com o Executivo após a demissão de seus apadrinhados.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vem sendo escutado nesse processo e participará dessa recomposição, assim como líderes de partidos da Câmara. Uma reunião entre Motta e Gleisi ocorreu nesta quarta-feira (22) para tratar do assunto. Também estiveram presentes o líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), e o ministro André Fufuca (Esporte).

    Um encontro da ministra com Motta e o líder do União Brasil, Pedro Lucas (MA), está previsto para ocorrer nesta quinta (23) para discutir o mesmo tema. Segundo interlocutores de Motta, o presidente da Câmara tem atuado como articulador junto às bancadas do PP e do União Brasil desde que os presidentes das duas siglas romperam com o governo federal.

    Aliados de Lula dizem que Motta será figura importante nesse processo de recomposição dos cargos, mas negam que haverá uma terceirização da construção dessa base aliada, indicando que o núcleo da articulação política dará a palavra final para quem será contemplado com esses postos.

    O objetivo é evitar o que ocorreu com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que distribuiu cargos até para o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro para manter uma rede própria de apoiadores —não necessariamente fiéis a Lula.

    Além disso, a ideia é que o governo tenha mapeado cada uma das indicações para cobrar fidelidade dos aliados nas principais votações até o final deste ano. Esse movimento é considerado como uma nova oportunidade para o Executivo atrair deputados que até então não estavam contemplados com indicações, de acordo com aliados do petista.

    Mais cedo, nesta quinta, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que essa reaproximação com os partidos é uma diretriz que foi dada pelo próprio presidente da República. “Repactuar a construção dos partidos que estão dispostos a caminhar com o governo para aprovação daquelas matérias que são estratégicas para o país e para o governo.”

    Governistas também dizem que essa reacomodação dos cargos poderá ajudar a distensionar o clima de insatisfação dos deputados com o governo, sobretudo pelo que classificam como uma baixa execução orçamentária das verbas com apadrinhamento político. Parlamentares se queixam do ritmo de pagamento das emendas parlamentares ao Orçamento, principalmente às vésperas do ano eleitoral.

    Guimarães afirmou à Folha que a gestão petista demorou para retaliar os deputados infiéis e que as exonerações de cargos ligados a deputados que votaram contra a MP são uma “assepsia” que veio tarde.

    Um integrante da cúpula da Casa diz que essa reacomodação de cargos não será fácil. Ele afirma que o Planalto precisa dos votos do centrão para aprovar matérias de interesse e cobra que o Executivo dê sinalizações de mudança de postura nesse novo momento para atrair os deputados.

    Por outro lado, esse congressista reconhece que há uma disposição ao diálogo, até mesmo dos deputados que perderam suas indicações políticas ou que vinham se afastando do Executivo. Isso porque a melhoria na avaliação da gestão petista fez com que políticos do centrão admitissem desacelerar o movimento de desembarque do governo, para aguardar um período mais próximo da eleição.

    Um cardeal do centrão avalia que o governo terá mais facilidade de recompor sua base hoje por meio do pagamento das emendas parlamentares do que com cargos estaduais.

    Um aliado de Lula no Congresso afirma que o governo deverá fazer uma força-tarefa para agilizar a liberação das emendas até o final desta semana, tendo em vista a necessidade do Executivo aprovar as propostas alternativas à MP do aumento de impostos ainda em outubro.

    Deputados que estão a par das conversas dizem que essa recomposição da base ocorrerá a conta-gotas até o final do ano, concomitantemente às votações de interesse do Executivo, especialmente pautas do chamado pacote eleitoral, como a que cria o Gás do Povo.

    Um líder do centrão diz que há uma desconfiança do grupo com os interesses do governo com esse movimento. Ele afirma que não há clareza se de fato o Executivo quer recompor sua base ou se está usando esse momento para aumentar o tensionamento com o centrão, mirando já o processo eleitoral —e cita como exemplo o discurso “nós contra eles”, que gerou desgastes aos parlamentares junto à opinião pública.

    Ele diz que é preciso separar a busca pela governabilidade no Congresso e as eleições de 2026, e que o governo errará se tratar tudo num mesmo pacote. Isso porque partidos do centrão que estão formalmente na Esplanada petista já sinalizaram que devem ter candidaturas próprias no próximo ano.

  4. CRIME E DÍVIDA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Donald Trump é a única grande novidade no trato recente dos EUA com a América do Sul. As questões são as de sempre, mas a forma como estão sendo encaradas acaba sendo um imenso desafio para o Brasil.

    Crime e dívida foram sempre as preocupações centrais americanas nas últimas décadas em relação à região. Às duas Trump acrescentou uma dimensão geopolítica só comparável ao que ocorreu na Guerra Fria 1.0.

    Há mais de 50 anos que agências americanas operam na América do Sul no combate ao narcotráfico, num tipo de estratégia que partia do pressuposto da cooperação (forçada ou voluntária) dos Estados da região. Foi o que permitiu o envolvimento direto de militares americanos no Peru e na Colômbia, por exemplo.

    Trump acaba de ampliar do Caribe para águas internacionais no Pacífico os ataques a embarcações que os americanos designam como integrantes do narcotráfico. Sem a menor preocupação com a reação dos países sul-americanos ou mesmo com os aspectos legais nos Estados Unidos (a ponto de o comandante responsável pela área pedir demissão).

    Considerado agora “terrorista” e, portanto, ameaça à segurança nacional americana, o crime organizado tem alta probabilidade de ser usado como “guarda-chuva” para um eventual ataque a alvos terrestres na Venezuela. É uma formidável encrenca política, diplomática e até mesmo militar para o Brasil – e já é tema eleitoral para 2026.

    Trump decidiu socorrer um sul-americano – a Argentina – em difícil situação financeira. Não é novidade. Os Estados Unidos já tinham feito coisa semelhante com o México, 30 anos atrás, embora sejam contextos com diferenças importantes. Um derretimento do México era visto como risco considerável do ponto de vista de imigração e funcionamento do comércio na América do Norte.

    A dívida argentina não é hoje um “perigo sistêmico”, como alegou Trump (e tinha sido o caso da dívida latino-americana nos anos 80). A não ser que se considere problema “sistêmico” um político amigo de Trump perder eleição e, principalmente, permitir avanço político, comercial, econômico e até militar da China na região.

    Mas é essa a visão de mundo do presidente americano. O tarifaço imposto especialmente ao Brasil é um resumo dessa forma de encarar a realidade e, como pretende Trump, mudá-la na marra em favor do que ele considere interesse nacional americano. Que ele está mais prejudicando do que ajudando, mas essa é outra história.

    A recém-anunciada “química” entre Trump e Lula não parece alterar esses pontos fundamentais – são, inclusive, uma das poucas coisas constantes no mar de oscilações e mudanças do presidente americano. O que permite um mínimo de previsibilidade daquilo que vai enfrentar nas relações com os EUA quem quer que seja o vencedor das eleições brasileiras em 2026.

    Vai ser muito difícil

  5. LULA SE APROXIMA DA ELEIÇÃO E SE AFASTA DA MODERAÇÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Mudanças ministeriais devem buscar, idealmente, melhoras na formulação e na gestão de políticas públicas. Ou, numa perspectiva mais pragmática, são úteis ao contemplar aliados capazes de fortalecer a sustentação política ao governo. A ida de Guilherme Boulos para a Secretaria-Geral da Presidência não se encaixa em nenhum dos dois critérios.

    Graduado em filosofia com mestrado em psiquiatria, deputado por São Paulo em primeiro mandato, derrotado em disputas pela Presidência e pela prefeitura da capital, Boulos, 43, não dispõe de experiência administrativa nem formação que o credenciem naturalmente ao posto.

    Seu partido, o modesto PSOL, conta com somente 14 dos 513 votos da Câmara dos Deputados e não tem nenhum representante entre os 81 senadores. De mais a mais, a legenda já apoia organicamente a administração petista.

    Informa-se em Brasília que a missão do novo ministro será reforçar laços com os movimentos sociais à esquerda e intensificar a combatividade nas redes sociais, mirando a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. “Colocar o governo na rua”, nas palavras do próprio Boulos, que surgiu na política como militante de um movimento de sem-teto.

    Não deixa de ser coerente com outras trocas ministeriais que Lula promoveu nos últimos meses. Na mais significativa delas, alojou seu marqueteiro de campanha, Sidônio Palmeira, na Comunicação Social do Planalto.

    Para a pasta das Relações Institucionais, responsável pelo diálogo com o Congresso, nomeou Gleisi Hoffmann, até então presidente do PT e ortodoxa na doutrina da sigla a ponto de se opor até às débeis tentativas da Fazenda de conter a gastança oficial.

    Já estava claro desde o início de seu terceiro mandato que Lula não governaria com a frente ampla vendida na disputa presidencial de 2022 —os aliados ao centro praticamente só receberam postos periféricos na Esplanada. Agora, com a aproximação de 2026, o petista dá cada vez mais sinais de que se afasta da moderação em busca da reeleição.

    O discurso do confronto ganhou força com as resistências do Congresso em aprovar propostas de aumento de impostos e, não menos importante, com o tarifaço de Donald Trump estupidamente apoiado pela direita bolsonarista, que ajudou Lula a recuperar algo de sua popularidade.

    Após o bem-sucedido projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda, aliados especulam agora sobre outras pautas caras à esquerda, como a gratuidade do transporte público ou a limitação legal das jornadas de trabalho —nesses casos o apelo eleitoral, claro, pesa mais do que considerações sobre viabilidade ou consequências adversas.

    Em seu primeiro governo, Lula soube deixar de lado velhas crenças petistas, desde a campanha eleitoral, para fazer os ajustes necessários na economia. Esse movimento, tudo indica, será bem mais difícil desta vez.

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