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DESCOBERTOS NA INCAPACIDADE DE ENTREGA PROMETIDA NA CAMPANHA, FUNCIONÁRIOS ESCOLHIDOS POR PAULO E RODRIGO EM CARGOS DE COMISSÃO ESTÃO ESCULACHANDO, AMEAÇANDO E AGREDINDO OS CRÍTICOS NAS REDES SOCIAIS. O SILÊNCIO SOLIDÁRIO DO GOVERNO IMPRESSIONA NO AVAL

Texto modificado e revisado às 13h36min deste 10.07.2025. Bom dia. Ainda continuo com dificuldades – devido a problemas de ordem familiar – para escrever artigos regulares, mesmo estando entupido por informações, provas e dados extasiantes dos gestores da cidade. Os dados me chegam pelas minhas antigas e novas fontes. 

Os cidadãos e cidadãs, eleitores e eleitoras se dizem enganadas e estupefatas pelo discurso da campanha dos eleitos e que não se concretizou ainda. Esses discursos prometiam soluções e resultados diferenciais contra à falta de transparência e entrega de resultados à sociedade pelos antigos governos. 

Mas, mesmo diante das minhas dificuldades de escrever, este é o terceiro artigo desta semana, uma semana em que os poderosos de plantão – movidos pelos mesmos de sempre – foram obrigados a sair dos labirintos confortáveis onde estavam e, emergencialmente, entupirem de propaganda na mídia amiga, com aquilo que ainda não fizeram à cidade. Só promessas, repetidas e quase todas, vagas.

Então, rapidamente, mais uma vez, vamos,  ao artigo desta quinta-feira.

O assunto é tão grave que não poderia passar despercebido. Ele, no fundo retrata bem de quem são tão iguais, ou piores, os atuais no poder de plantão se comparados aos gestores do antigo governo e que foram derrotados por ampla e esmagadora maioria em outubro do ano passado pelos atuais.

Relembrando à causa do nervosismo que ronda a barrosa da figueira derrubada pelo vento e descaso. Tudo desandou e piorou depois que uma simples e despretensiosa enquete foi realizada numa conta gasparense no Instagram em algo que iria e estava passando em branco: os seis primeiros meses de governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. A enquete quis saber como os gasparenses estavam avaliando esse período inicial de Paulo e Rodrigo. Como o esperado, o resultado, ao vivo, foi desastroso.

Mas, o que estava óbvio “surpreendeu”, impressionantemente os governantes locais que pareciam estar – ou ainda estão – numa bolha. Saíram, desesperadamente da inércia atirando e se explicando.

A enquete da conta da rede social – com comentários explícitos e foi isso que mais doeu – apenas confirmou tudo o que se falava na cidade há tempos, referendou às críticas veladas e até certo ponto, envergonhadas, nas redes sociais e o pau puro que se espalhava silenciosamente pelos aplicativos de mensagens.

A enquete, no fundo, referendou e desgraçadamente para além dos cidadãos e cidadãs, este espaço que também está na mira de descrédito, esculacho e perseguição do poder de plantão, como esteve nos governos anteriores, pois não possui, não teve nenhum acerto e compromisso para abafar as mazelas ou à falta de resultados dos eleitos. Ou seja, o atual governo que é tão igual aos demais. Mudaram apenas nomes e supostamente, partidos, pois de verdade quem continua mandando é o PP e o MDB que mandava no tempo de Kleber Edson Wan Dall, MDB; Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.

O CEMITÉRIO ESTARÁ PRONTO PARA O SEU VELÓRIO VOVOZINHA

Odete Fantoni, uma das raras leitoras daqui, idosa, ativa participante das redes sociais, expressando suas opiniões fundamentadas – até então, simpática ao atual governo – foi uma entre tantas, desta vez, escolhida para ser o alvo da ira do governo de Paulo e Rodrigo. Ela foi agredida nas redes sociais. Um funcionário comissionado, suplente de vereador, ativo bolsonarista, não teve dúvidas em constranger Odete. Tudo com o intuito, não apenas desqualificá-la por sua idade, mas calá-la na suprema intolerância que expressou no comentário: “relaxa vovozinha. Com certeza o seu velório já vai ser feito na capela reformada. O projeto já está praticamente pronto…” Credo!

A primeira conclusão: é para a clara intolerância, o despreparo do comissionado para a função pública onde como agente público e político, está exposto a questionamentos. E na falta de argumento, preferiu transformar em ofensa pessoal de uma pessoa supostamente jovem e com poder a uma pessoa idosa sem poder. E isto aconteceu, vejam só, num governo que posa de defensor de uma população cada vez maior, a mais idosa e necessitada de assistência. Fotos e fatos falsos, então. Isto é etarismo. É descriminação. E é tipificado como crime.

É de se perguntar ainda, se alguém fizesse tal discriminação e ameaça publica a avó, ou mãe do autor dos comentários, para rechaçar um questionamento em função pública, qual seria a reação dele?

O segundo, é o silêncio parceiro do governo de Paulo e Rodrigo a este tipo de agressão. Até a publicação deste artigo há uma conivência inexplicável. Nenhuma punição ao servidor que falou em nome do governo. Nenhuma explicação. Nenhum pedido de desculpas. Nenhum esclarecimento. Então…

O terceiro. Está claro como o atual governo, da mesma forma como aconteceu com os anteriores, trata seus críticos, questionadores, cidadãos e cidadãs moradores de Gaspar e que querem interagir, pedem explicações, respostas e resultados ao que se elegeram: com humilhação, constrangimento, ameaças, polícia e processos. E para que? Para aprendam a lição e com isso que fiquem bem quietos nos seus cantinhos. Dos gasparenses, os poderosos só querem votos e impostos. A nova eleição está marcada para outubro do ano que vem.

Quarto e não por último, o próprio agressor reconhece que em seis meses ainda não conseguiu promover o resultado que prometera ( ou é necessário), via o atual governo, na campanha eleitoral, que o fez ganhar o cargo e a função no Cemitério pelos votos que fez. Seis meses depois, o projeto está praticamente pronto, alega. Mas, porquê está atrasado, ou quando vai ficar pronto, quando vai ser executado e entregue à população, nada.

Perguntar não ofende: esta é a nova comunicação do governo de Gaspar que correu atrás do rabo para se explicar que não fez quase nada nos primeiros seis meses de gestão? E está repetindo tudo o que anunciou e já tinha anunciado quando candidato? Só resultados, e dos bons, mudam o estado de desânimo da cidade com o novo governo. O resto é conversa fiada. Então, na falta de resultados, só resta desqualificar, agredir e subestimar os que pedem resultados. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Registro. Faleceu aos 74 anos, o indaialense o advogado e jornalista Oscar Jenichen. Ele foi chefe de reportagem, na década de 1970 do afamado Jornal de Santa Catarina. Trabalhou dando assessoria na Acib (Blumenau) e na prefeitura de Blumenau, entre outras. Ele está sendo velado até as 13 horas desta quinta-feira na capela Ipê, no crematório Neuhaus, na BR 470. 

Registro à parte. A esposa de Oscar Jenichen, Átila, faleceu neste 13 de junho.

Quem diria. O presidente estadunidense Donald Trump, Republicano, doido e radical, sem argumentos econômico, tornou-se o cabo eleitoral do decaído Luiz Inácio Lula da Silva, do PT e da esquerda do atraso. As novas pesquisas que estão nas ruas e sairão neste final de semana vão dizer isto.

Mais, uma vez, Jair Messias Bolsonaro, PL, está salvando a si e punindo os brasileiros. Fez isso, quando atraiu o juiz federal Sérgio Fernando Moro, hoje senador pelo Paraná. Vestido de ministro da Justiça, quando a Polícia Federal via a movimentação do Coaf chegou perto dos filhos (o senador Flávio Bolsonaro, especialmente), Sérgio Moro teve que correr de forma humilhante do governo. E na esteira, a Lava Jato foi desmanchada para a volta de Luiz Inácio Lula da Silva, PT.

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19 comentários em “DESCOBERTOS NA INCAPACIDADE DE ENTREGA PROMETIDA NA CAMPANHA, FUNCIONÁRIOS ESCOLHIDOS POR PAULO E RODRIGO EM CARGOS DE COMISSÃO ESTÃO ESCULACHANDO, AMEAÇANDO E AGREDINDO OS CRÍTICOS NAS REDES SOCIAIS. O SILÊNCIO SOLIDÁRIO DO GOVERNO IMPRESSIONA NO AVAL”

  1. Pingback: O PIOR E O MELHOR DO "DESBALANÇO" DE SEIS MESES DE GOVERNO DE PAULO E RODRIGO, AMBOS DO PL, PARA GASPAR, NA RÁDIO 89 FM: "SE NÃO TERMINAR A INTERVENÇÃO QUEBRARÃO OS DOIS: O HOSPITAL E O MUNICÍPIO" - Olhando a Maré

  2. TRUMP

    Se o leitor e a leitora atenta deste espaço olhar bem, Trump foi praticamente o dono desta área de comentários. Já Lula, Bolsonaro e outros atingidos ou defendidos por ele, periféricos. O que mostra isso? Como o Brasil está mal representado por essa gente que taxa quem trabalha, mas que Trump quer desempregá-la. Triste e real constatação.

  3. TRUMP SABE O QUE QUER, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Desde 2005, quando Bush II impôs sanções específicas contra a ditadura venezuelana não se via coisa igual. A sanção de 50% contra o Brasil, atingindo todas as exportações nacionais foi geral, ampla e irrestrita. As primeiras sanções contra a Venezuela foram pontuais, contra pessoas.

    A carta de Trump tem 496 palavras e as 65 do primeiro parágrafo tratam de Jair Bolsonaro com clareza cristalina: “A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE! (Ênfase dele.)”

    Segue-se o anúncio e a defesa das sobretaxas. Valendo-se de mais uma realidade paralela, Trump disse que elas compensarão políticas comerciais que “causaram (…) déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!”.

    Desde 2009 os EUA têm superávit comercial com o Brasil. A batatada sugere que o texto não passou pelo crivo dos profissionais do Departamento de Estado.

    O sujeito da carta de Trump é Jair Bolsonaro e num só dia ela funcionou como um toque de alvorada para a oposição ao governo de Lula. Alinharam-se, com graus variáveis de clareza, os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, todos candidatos à sucessão de Lula.

    Dos presidentes da Câmara e do Senado, com um dia de atraso, saiu uma nota que não condenou o tarifaço de 50% e falou em “diálogo”, palavra que não aparece na carta de Trump. Pelo contrário, o que há lá é uma exigência de que “IMEDIATAMENTE!” seja suspensa a “Caça às Bruxas” que ele vê no julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, de Bolsonaro e dos envolvidos na trama golpista de 2022/23.

    Impertinente na forma e nos objetivos comerciais, a carta de Trump embute uma novidade: pela primeira vez na História, um governante americano se coloca como patrono de um candidato à Presidência do Brasil. Pior: presidentes americanos mal sabiam seus nomes e jamais mandaram um filho para batalhar por ele acampando em Washington. No limite, em 1964. O general Castello Branco tinha apenas a simpatia do adido militar americano, coronel Vernon Walters, seu companheiro de barraca na Itália, durante a Segunda Guerra.

    EDUARDO MOSTROU SEU MAPA

    Pareceu bravata quando Eduardo Bolsonaro disse na segunda-feira à repórter Julia Chaib, em Washington, que “Trump não joga palavras ao vento (…) tem alguma coisa acontecendo e eu estou com uma expectativa alta. (…) Esses próximos tempos podem trazer boas novidades”.

    Na quarta-feira as novidades vieram e Eduardo voltou a falar:

    “Apelamos para que as autoridades brasileiras evitem escalar o conflito e adotem uma saída institucional que restaure as liberdades. Cabe ao Congresso liderar esse processo, começando com uma anistia ampla, geral e irrestrita, seguida de uma nova legislação que garanta a liberdade de expressão — especialmente online — e a responsabilização dos agentes públicos que abusaram do poder”.

    Era o mapa do tesouro para o bolsonarismo trumpista. Sua chave está na anistia.

    A sobretaxa de 50% afeta as exportações nacionais, e o projeto que anistia os bolsonaristas, devolvendo a elegibilidade do ex-presidente, está no Congresso há meses.

    Nesse cenário, o Congresso aprova a anistia, podendo dizer que a decisão foi soberana, pois a apresentação do projeto antecedeu o joelhaço de Trump. O presidente americano poderá, no seu melhor estilo, cantar vitória, retirando as sanções punitivas.

    A segunda fala de Eduardo Bolsonaro olha para a frente. Quando a sobretaxa de 50% produzir seus efeitos no bolso do andar de cima, destruindo empregos no de baixo, o que hoje é indignação patriótica poderá virar, aos poucos, impaciência com o Congresso.

    DESCOBERTA TARDIA

    O ministro Fernando Haddad quer mais tributos para a jogatina e faz muito bem. Justificando-se, explicou:

    “Os caras estão ganhando uma fortuna no Brasil, gerando muito pouco emprego, mandando para fora o dinheiro arrecadado aqui, e que vantagem a gente leva?”.

    Quem criou as regras para as apostas foi o atual governo. Entre março de 2023 e 31 de julho de 2024, servidores do Ministério da Fazenda reuniram-se 251 vezes com os “caras”.

    RECORDAR É VIVER

    Desde janeiro de 1977, quando o presidente Jimmy Carter assumiu a presidência dos Estados Unidos, o governo americano distanciou-se da ditadura brasileira. Moeu o Acordo Nuclear assinado com a Alemanha, sobretaxou os calçados brasileiros e deu asilo a Leonel Brizola. O governo do presidente Ernesto Geisel fingia que não era com ele.

    Certo dia, no Palácio do Planalto, o general Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil, ouviu a sugestão de que fosse convocado um movimento de união nacional em defesa da soberania nacional. Resposta de Golbery:

    “Imaginemos que esse movimento gere uma passeata saindo da Cinelândia com faixas contra Carter. Quando a marcha chegar à rua Uruguaiana aparecerá o primeiro cartaz pedindo o fim do Ato Institucional nº 5. Quando a passeata chegar à praça Mauá, terá cartazes pedindo a legalidade para o Partido Comunista”.

    A ideia foi esquecida.

    ALCKMIN SAI DA FRIGIDEIRA

    A trapalhada do IOF, mais a crise com Donald Trump, parecem ter congelado a ideia do comissariado petista de substituir Geraldo Alckmin na chapa presidencial.

    MADAME NATASHA E OS BRICs

    Madame Natasha gosta dos BRICS, mas não sabe por quê. Ela acompanhou sua última reunião de cúpula e não entendeu nada. Humilde, resolveu ler a Declaração do Rio de Janeiro, com 126 itens. (O documento final da Conferência de Yalta, que redesenhou a Europa em 1945, tinha 14.)

    Natasha perdeu o fôlego ao ler o item 38:

    Ressaltamos a contribuição significativa das zonas livres de armas nucleares para o fortalecimento do regime de não proliferação nuclear, reafirmamos nosso apoio e respeito a todas as zonas livres de armas nucleares existentes e suas garantias associadas contra o uso ou a ameaça de uso de armas nucleares, e reconhecemos a suprema importância dos esforços que visam acelerar a implementação das resoluções sobre o Estabelecimento de uma Zona Livre de Armas Nucleares e outras Armas de Destruição em Massa no Oriente Médio, incluindo a Conferência convocada de acordo com a Decisão 73/546 da Assembleia Geral da ONU.

    Uma frase de 98 palavras é coisa de burocrata onipotente. Repetir nela por cinco vezes as palavras “nuclear” ou “nucleares” é ter um estilo radioativo. Natasha decidiu pedir ao chanceler Mauro Vieira que entregue ao diplomata que redigiu o texto a concessão de uma de suas bolsas de estudo.

    NATASHA APRENDEU COM GUGA CHACRA

    Guga Chacra disse tudo: Trump não ameaçou o Brasil com aumento de tarifas ou tarifaço. Ele anunciou sanções.

    Quando Trump aumenta tarifas, negociam-se tarifas e tudo bem. Quando ele aumenta tarifas vinculando sua ameaça à exigência de encerramento do processo contra Bolsonaro “IMEDIATAMENTE!”, a palavra certa é sanção

  4. A RODA DA SORTE, por Merval Pereira, no jornal O Globo

    Não fossem Trump e Bolsonaro quem são, seriam surpreendentes os erros que cometem, um atrás do outro, na tentativa de evitar a punição deste último, que parece inevitável. Teria também o mesmo fim Trump, mas uma questão de prazo técnico, não de culpabilidade, o livrou da cadeia, pois foi eleito presidente, e com isso suspendeu o processo que pende sobre ele pelo mesmo crime, o de tentativa de golpe para impedir a posse do seu sucessor.

    A Justiça brasileira, vejam só, foi mais ágil e mais eficaz que a americana, e Bolsonaro perdeu o direito de se candidatar por outro crime, cometido com a intenção de justificar perante os embaixadores dos principais países do mundo o golpe que se preparava para dar. O timing político-eleitoral não foi favorável a Bolsonaro, pois ele foi condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho de 2023, enquanto Trump ainda não vencera a eleição americana, o que só veio a acontecer em janeiro de 2025.

    Nesse intervalo, Trump tinha mais do que fazer. Mesmo, porém, se ainda não estivesse inelegível e dependesse da decisão do Supremo nesse processo de agora para poder se candidatar, é quase nula a possibilidade de o presidente dos Estados Unidos, ou de qualquer outro país, ter condições de interferir numa decisão da nossa mais alta Corte de justiça. Tanto Trump quanto os Bolsonaro cometem um erro crasso de imaginar que um país com instituições que resistiram a um golpe de Estado, notadamente o Supremo, possa submeter sua soberania às ordens de um simulacro de tirano de filme de James Bond.

    Portanto, quando anuncia, no alto de sua ignorância, que a única saída para evitar as sanções dos Estados Unidos seria anistiar seu pai, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro revela seu desconhecimento do país que pretende governar, além do desprezo pela soberania do país que o pai desgraçadamente governou. É claro que ainda falta mais de um ano para a eleição, e nesse país em que tudo acontece, tudo pode acontecer para virar mais uma vez a roda da fortuna.

    Até o tiro no pé imperialista ( nunca esse clichê se mostrou tão adequado), a popularidade de Lula estava em decadência e a direita tinha um candidato com grandes chances de vencer a eleição do ano que vem. Hoje, já não há tanta certeza assim, e temos que esperar as pesquisas para constatar o estrago que esse arreganho autoritário provocou no sentimento do povo brasileiro. O fato é que o nacionalismo, tão explorado por Bolsonaro e os seus, nunca foi tão provocado quanto agora, e desta vez quem está do lado certo é Lula.

    Mesmo os que já não viam com bons olhos a reeleição de Lula, examinando a possibilidade de apostar em um bolsonarista menos radical como o governador de São Paulo, estão hoje sem uma boia de salvação, pelo menos no momento. Para obter as graças de Bolsonaro à sua candidatura, que pareceria bem encaminhada, Tarcísio de Freitas tinha que carregar certos fardos. Mas a atitude submissa de agora, sua falta de autonomia para se colocar a favor dos interesses nacionais contra uma agressão externa inaceitável, o coloca como um direitista radical, não um político de direita com propensão ao diálogo e mente mais aberta que seu tutor.

    O certo é que o governador de São Paulo vai ter que fazer muita força para voltar a ter o apoio de uma parcela do eleitorado mais interessada no futuro do país do que no futuro dos Bolsonaro. Se Tarcísio acha que os dois se confundem, não é o candidato procurado por larga parcela do eleitorado. Caberia a Lula aproveitar-se da situação de unidade nacional pela nossa soberania e voltar a atrair esse eleitorado que lhe fugia das mãos.

    Para isso, porém, teria que retomar a postura de um candidato em busca da conciliação política e de união nacional. Não será fácil convencer os eleitores novamente, pois seu governo, até agora, é um fiasco nesse quesito, e promessa não cumprida, para reaver credibilidade, precisa de esforço maior e provas incontestáveis. Abre-se espaço para a famosa terceira via que quebre essa polarização que nos leva a um beco sem saída.

  5. AGOSTO EXPLOSIVO: A TARIFA QUE PODE DETONAR OS PRÓPRIOS ALIADOS, Aurelio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral de Gaspar (2004/09), graduado em Gestão Pública pela Udesc.

    Proposta de taxação de 50% por Trump sobre produtos brasileiros ameaça justamente a base que o apoiou e escancara nossa vulnerabilidade econômica.

    Agosto tem má fama no Brasil. E não é só superstição. Foi em agosto que Getúlio Vargas se suicidou, que Jânio Quadros renunciou, que o impeachment de Dilma Rousseff foi consumado. Foi também em agosto que os Estados Unidos lançaram as bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, marcando o início da era nuclear e o fim da Segunda Guerra Mundial. Se existe um mês que concentra rupturas históricas e impactos profundos, é esse.

    Agora, em 2025, agosto promete mais uma dose de instabilidade: a ameaça feita por Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, segundo o próprio presidente americano, seria uma resposta à “falta de reciprocidade” nas relações comerciais e à suposta perseguição a aliados políticos no Brasil. E para deixar o recado ainda mais claro, a data de início da taxação anunciada é 1º de agosto, como se o simbolismo do mês servisse para potencializar o estrondo.

    Mas o que mais chama atenção nessa história toda não é o tom de retaliação, e sim o destinatário real da bomba econômica: os grandes estados exportadores do Brasil, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Ou seja, exatamente as regiões que formam o coração do Brasil produtivo e, ironicamente, a base política e eleitoral que mais apoiou tanto Trump quanto o governo anterior brasileiro.

    A metáfora usada pelo senador Flávio Bolsonaro é contundente: seria como lançar uma bomba econômica, com efeitos concentrados e destrutivos. Não há exagero. A taxação pode comprometer cadeias produtivas inteiras, derrubar contratos internacionais, provocar demissões em massa e pressionar ainda mais a economia de estados que dependem fortemente da exportação de commodities e manufaturados para os Estados Unidos.

    O que parecia ser um gesto de força contra “inimigos ideológicos” pode, na prática, se revelar um golpe contra os próprios aliados. É o famoso tiro pela culatra. E não será a primeira vez que decisões tomadas com base em afinidades políticas superficiais acabam por prejudicar quem mais aplaudiu.

    O Brasil, diante disso, precisa fazer mais do que lamentar ou emitir notas diplomáticas. A crise exige reação prática: diversificação de mercados, fortalecimento de acordos regionais, investimento em autonomia tecnológica e produtiva. Não podemos mais viver à mercê do humor político de uma potência externa. Precisamos de estratégia, de maturidade diplomática e de coragem para romper com a dependência que nos torna vulneráveis.

    Agosto está aí, mais uma vez, como um divisor de águas. Que ele nos alerte, não apenas sobre os riscos de alianças ideológicas sem lastro, mas também sobre a urgência de reconstruir nossa soberania econômica. Porque o Brasil produtivo merece mais do que sobreviver às bombas. Ele precisa prosperar, com ou sem o aval de Washington.

  6. O governo do PT quer e está nos taxando mais sob a alegação de que está cobrando dos ricos. Pelas provas e circunstâncias é para sustentar a corrupção institucional desenfreada com o dinheiro público ou colocando esse dinheiro dos cidadãos para bancar o roubo bilionário feito por grupos e sindicatos contra idosos pobres, doentes e analfabetos

    CORRUPÇÃO COM EMENDAS CORRÓI ORÇAMENTO, editorial do jornal O Globo

    A explosão das emendas parlamentares nos últimos anos veio acompanhada de uma consequência nefasta: investigações e denúncias de corrupção. Há cerca de 80 inquéritos e procedimentos em curso com o objetivo de apurar suspeitas de desvio das emendas, conduzidos sob sigilo por nove ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — pois os parlamentares desfrutam a prerrogativa de ser julgados lá.

    A dimensão do escândalo é proporcional às cifras distribuídas pelo Parlamento, em patamar inédito entre as democracias. Em 2015, as emendas somavam R$ 5,4 bilhões (em valores atualizados). De 2019 a 2025, saltaram de R$ 18,5 bilhões para R$ 50,4 bilhões, mais de 170%. Em participação na Receita Líquida da União, cresceram de menos de 1% para cerca de 2,5%, aumentando mais que a arrecadação.

    O fortalecimento do Congresso como definidor de despesas já seria problemático pelas distorções intrínsecas (ganham o dinheiro localidades com melhor relacionamento no Congresso, não as que mais precisam). Torna-se ainda mais preocupante com as evidências crescentes de que recursos têm sido desviados ao caixa dois de campanhas eleitorais. Degrada-se, assim, a qualidade da democracia.

    A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou recentemente a execução, pela Polícia Federal (PF), de mandados de busca e apreensão contra o deputado Júnior Mano (PSB-CE). Ele é suspeito de destinar verba de emendas a prefeituras de aliados no interior do Ceará, usadas em licitações fraudulentas para que os empresários vencedores dirigissem os recursos a campanhas de políticos aliados. Mano, afirma a PF, “exercia papel central na manipulação dos pleitos eleitorais, tanto por meio da compra de votos, quanto pelo direcionamento de recursos públicos desviados de empresas controladas pelo grupo criminoso”.

    Das provas recolhidas pela PF, constam menções aos deputados José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, Eunício Oliveira (MDB-CE) — ex-presidente do Senado e ministro das Comunicações no primeiro mandato de Lula — e Yuri do Paredão (MDB-CE). Está sob investigação uma frente pluripartidária. As provas foram encontradas no cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido contra Carlos Alberto Queiroz (PSB), conhecido como Bebeto do Choró, cidade cearense onde foi eleito prefeito no ano passado, mas não pôde tomar posse, impedido pela Justiça Eleitoral.

    A Primeira Turma do Supremo decidiu tornar réus outros três deputados do PL sob a acusação de “comercialização de emendas”: Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, ambos do Maranhão, e o suplente Bosco Costa, de Sergipe. O deputado Juscelino Filho (União-MA) foi forçado a sair do Ministério das Comunicações ao ser denunciado sob a suspeita de desviar emendas. O deputado Félix Mendonça (PDT-BA) é suspeito de cobrar propina para liberar emendas de R$ 4,6 milhões a pelo menos dois prefeitos baianos. No Rio Grande do Sul, o deputado Afonso Motta (PDT-RS) é acusado de pedir “comissão” de 6% sobre verbas obtidas em Brasília para um hospital gaúcho.

    Nada indica que o tráfico de emendas parlamentares ficará por aqui. As investigações têm deixado evidente até que ponto o abuso deletério das emendas leva invariavelmente à corrosão do Orçamento pela corrupção.

  7. AS RAZÕES DO TARIFAÇO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    O presidente Donald Trump já manifestou seu desconforto com o Brics e, sobretudo, com a proposta do grupo de usar moedas locais — e não o dólar — em suas transações comerciais. Quando o Brics estava reunido no Rio de Janeiro, ameaçou aplicar tarifas de 10% sobre os países que de algum modo desafiassem a posição do “poderoso dólar”. Na última quarta-feira, a ameaça se concretizou, mas só contra o Brasil. Ele impôs uma tarifa absurda de 50% sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos, aplicada a partir de 1º de agosto.

    Por que a sanção não foi imposta, pelo menos não ainda, a outros integrantes do Brics, como China e Índia, as duas maiores economias do grupo?

    A primeira resposta é o fator Bolsonaro, como Trump deixou explícito na carta ao presidente Lula, publicada em rede social. Isso tornou a ação econômica — a tarifa — ainda mais absurda e autoritária. Para apoiar um aliado político processado pela Justiça brasileira, Trump impõe uma punição unilateral ao Brasil, passando por cima de todas as normas do comércio internacional.

    Mas, procurando informações nos bastidores do governo Trump e do movimento Make America Great Again, jornalistas do New York Times e do site Politico encontraram algumas histórias interessantes. A primeira: bolsonaristas e trumpistas pediam menos. Queriam algum tipo de sanção que atingisse o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal. Seria uma reação tanto ao julgamento de Bolsonaro quanto à decisão do STF impondo limitações às big techs, americanas. O tarifaço, dizem os relatos, foi ideia exclusiva de Trump, por entender que outras sanções não teriam efeito político pretendido. Qual efeito? Livrar Bolsonaro da cadeia.

    E por que a medida foi aplicada neste momento, se já faz tempo que os bolsonaristas e seus aliados americanos pedem as sanções? Sempre segundo as reportagens do Times e do Politico, publicadas ontem, Trump mirou o alvo Lula. Por causa de declarações mais duras do presidente brasileiro, nos encontros do Brics, contra Trump e o império do dólar.

    Aqui, convém notar que a China não deixa de criticar as tarifas de Trump, mas critica de maneira diplomática, mais contida, tendo como porta-vozes funcionários do segundo escalão. No primeiro escalão, o presidente Xi Jinping já falou pelo telefone com Trump, quando acertaram os procedimentos para negociações, feitas em nível ministerial. Do mesmo modo, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, modera suas declarações (ficou mudo aqui no Brasil) e foi a Washington para abrir negociações diretas com Trump. Claro, eles não têm lá o fator Bolsonaro. Mas é bem explícita a diferença no comportamento entre os líderes das três maiores economias do Brics.

    A China vai além. Se Lula fala há muito tempo sobre comércio no Sul Global com moedas locais, os chineses fazem na prática. Já montaram um sistema de transações comerciais e financeiras em sua moeda, o yuan, e com moedas de mais de cem países, especialmente da Ásia. Aqui, não se usam as moedas locais nem no Mercosul.

    O Banco do Povo da China (o banco central deles) criou, em 2014, uma instituição que hoje se chama Companhia de Pagamentos Interbancários Internacionais. Presente mundo afora, com vários bancos associados, chineses e outros, encarrega-se das operações financeiras que apoiam as trocas comerciais entre a China e seus parceiros.

    Mas o governo chinês não sai por aí esculhambando o dólar americano. É que a China tem as maiores reservas do mundo, US$ 3,2 trilhões, boa parte em dólares mesmo e títulos do Tesouro americano. Não interessa o colapso desses ativos. O Brasil tem reservas de US$ 342 bilhões.

    Trump é um líder autoritário dentro e fora de seu país. Ofendeu as instituições brasileiras, o que mereceu resposta firme. Mas, neste mundo de hoje, como mostram tantos países importantes, incluindo China e Índia, ninguém pode escapar de negociações comerciais com Washington.

  8. Está na cara que os bandidos do poder paralelo dominam parte do Brasil e dos nossos políticos.

    MÁFIAS & POLÍTICA, por José Casado, na edição do dia 11 de junho de 2025 da revista Veja

    Alguns dos mais votados deputados federais do estado do Ceará estão sob suspeita de participação no desvio de quase 500 milhões de reais em dinheiro público. São novos nomes na lista de meia centena de parlamentares submetidos a “apurações específicas”, como dizem juízes do Supremo Tribunal Federal, sobre a manipulação de emendas ao Orçamento da União e fraudes em licitações municipais. O caso do Ceará, porém, tem uma peculiaridade: a polícia vinculou os principais personagens da investigação, um deputado federal e um prefeito cassado, às máfias do crime organizado dominantes em parte do mapa estadual.

    É o primeiro episódio conhecido em que a polícia apresenta ao Supremo Tribunal Federal um inquérito sobre indícios de fraudes em emendas parlamentares ao Orçamento federal relacionadas a vestígios de infiltração de grupos mafiosos do Brasil (Comando Vermelho) e do México (Cartel de Jalisco) na estrutura política de 15% dos 184 municípios cearenses. Entre os crimes eleitorais descritos está a compra de votos, com o dinheiro das emendas, para eleição de prefeitos e vereadores no ano passado.

    O principal personagem nessa investigação é o deputado federal Antônio Luiz Rodrigues Mano Júnior, mais conhecido como Júnior Mano. Aos 40 anos, encarna uma história de rápida ascensão na política: ex-vice-prefeito da sertaneja Nova Russas, a 300 quilômetros de Fortaleza, agora governada por sua mulher, em meia década se tornou o segundo deputado federal mais votado no Ceará (com 216 500 votos).

    Júnior Mano se elegeu para a Câmara na aba de Jair Bolsonaro em 2018. Esteve no Partido Liberal até ser expulso, a pedido de Bolsonaro, por suposta infidelidade — apoiou candidatos do Partido dos Trabalhadores na campanha municipal do ano passado. Migrou para o Partido Socialista Brasileiro, com o patrocínio do senador Cid Gomes, e foi recebido em solenidade pelo vice-presidente Geraldo Alck­min e pelo prefeito do Recife, João Campos. Até a última terça-feira, 8, quando o juiz Gilmar Mendes mandou a polícia vasculhar sua residência e gabinete na Câmara, era visto como provável candidato do PSB ao Senado em 2026 na vaga de Cid Gomes, que anunciava aposentadoria.

    Júnior Mano, segundo a polícia, tinha “papel central” numa engrenagem de fraudes no Orçamento, com a manipulação de emendas parlamentares, nos repasses de recursos da Caixa Econômica Federal e nas licitações municipais. As comissões cobradas, tratadas como “pedágio” e “imposto” nas trocas de mensagens dos operadores financeiros, variavam de 12% a 15% do valor das emendas e transferências numa rotina “institucionalizada de corrupção”.

    O deputado nega tudo. Investigações locais e federais, no entanto, mostram que um dos seus principais auxiliares é Carlos Alberto Queiroz Pereira. Ano passado, ele se elegeu prefeito de Choró, cidade do sertão central distante 170 quilômetros de Fortaleza. Antes da posse, foi preso. Fugiu, teve o mandato cassado e continua em fuga com acusações de trapaças orçamentárias, crimes eleitorais variados e, também, de envolvimento com grupos de narcotraficantes brasileiros e mexicanos.

    Maria do Rozário Ximenes, ex-prefeita de Canindé, vizinha de Choró, ajudou a polícia a mapear oito das dezenas de empresas usadas para lavagem das comissões cobradas na manipulação de emendas parlamentares. Entre as operações vinculadas à dupla Júnior Mano-Queiroz Pereira há uma de 58 milhões de reais. Esse dinheiro, indica a polícia, teria sido aplicado na compra de votos durante a temporada eleitoral de 2024.

    Júnior Mano arrastou para o inquérito no STF outros dois dos mais votados deputados federais do Ceará. Um deles é José Guimarães, 66 anos, eleito com 186 000 votos. Líder do governo Lula na Câmara, é reconhecido por quase três décadas de influência em áreas-chave do Banco do Nordeste, instituição federal sediada em Fortaleza.

    Outro é Eunício Oliveira, 72 anos, ex-presidente do Senado (2017-2019), chefe do MDB cearense, empresário com negócios na agricultura e em serviços de segurança privada. Eleito com 188 500 votos, licenciou-se na Câmara no mês passado para planejar a disputa de uma das duas vagas de senador no ano que vem.

    Esses dois deputados são mencionados de forma indireta em conversas de auxiliares da dupla Júnior Mano-­Queiroz Pereira, mas o juiz Gilmar Mendes achou conveniente iniciar uma “apuração específica”. É provável que esse caso de fraudes orçamentárias e eleitorais, com personagens vinculados às máfias dominantes no Ceará, entre no cardápio da CPI do Crime Organizado, cuja estreia está marcada para agosto no Senado.

  9. TRUMP VAI UNIR O BRASIL? por Mariliz Pereira Jorge, no jornal Folha de S. Paulo

    Foi preciso um tarifaço disparado com sotaque novaiorquino e topete tingido para o Brasil cogitar, mesmo que por instantes, uma trégua ideológica. Donald Trump, ídolo de uma ala da direita brasileira que tem orgulho de mugir em inglês, pode acabar provocando a primeira reconciliação entre petistas, isentões e bolsonaristas desde que a polarização virou o esporte nacional, com torcida organizada, juiz comprado e zero fair play.

    Trump, que conduz diplomacia com a sutileza de uma geladeira velha barulhenta, resolveu mirar sua artilharia econômica no Brasil. Uma bomba tributária com endereço certo. Alvo: o agronegócio, aquele mesmo que muitos tratam como sinônimo de patriotismo e motor da pátria que alimenta o mundo. Sobrou para o aço, para os aviões da Embraer, para o boi, para a soja e para o orgulho de muita gente que decorou a frase “agro é tech, agro é pop, agro é tudo”.

    E aí começou o curto-circuito. De repente, a turma que gritava “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” precisa escolher entre a bandeira que beija e o gringo que idolatra. É quase como pedir a um adolescente que escolha entre o iPhone e o TikTok: um curto-circuito emocional.

    Como explicar para a tia do Zap, aquela que coleciona figurinhas da Michele Bolsonaro e vídeos de exorcismo anticomunista, que o Trump não é “dos nossos”? Nunca foi. Não acorda pensando no futuro do agronegócio brasileiro, não defende valores cristãos nem luta contra o comunismo. Ele apenas faz o que sempre fez: proteger os próprios interesses. E agora está usando a economia brasileira como moeda de troca para blindar seu velho aliado: Jair Bolsonaro. Quem paga a conta é o Brasil.

    O velho símbolo da soberania nacional, o uniforme da seleção e das passeatas golpistas, anda suando frio. Agora, talvez a camiseta de futebol volte a ser só… Uma camiseta. Quando o ataque vem de um ídolo conservador, com o mesmo discurso reaça que tanto agrada essa turma, o Zé das Couves começa a perceber que ser patriota de verdade não é gritar contra inimigos imaginários, é defender o país de quem ameaça, de fato, os nossos interesses.

    Nos últimos tempos, o patriotismo virou um software binário. Ou você era “patriota”, com bandeirinha no nome e assinatura “Deus, Pátria, Família e Mico-Leão-Dourado”, ou era traidor: aquele que ousava criticar militares, desconfiava da cloroquina e preferia Paulo Freire ao Olavo de Carvalho.

    Mas eis que Trump reaparece e exige uma atualização urgente nesse sistema. Afinal, é pra ser patriota ou é pra passar pano? Dá pra colocar bandeirinha brasileira no perfil sem parecer infiltrado no grupo do Zé Trovão? É permitido cantar “230 milhões em ação” sem soar como se estivesse prestes a invadir o STF? Ou, como diria o coach mais sensato do Brasil, aquele motorista de táxi que já leu Augusto Cury, você quer ter razão ou quer ser feliz?

    Com o tarifaço, o país vive um raro momento de consenso. Do Leblon a Roraima, do barzinho progressista ao grupo do agro no Telegram, todo mundo achou um inimigo comum. Pela primeira vez em anos, a esquerda e a direita se olham, desconfiadas, mas unidas na indignação, ainda que estejam disputando de que é a culpa do delírio trumpista: “Bolsonaro maldito! Lula desgraçado!”

    Talvez, no fim, Trump acabe fazendo pelo Brasil o que nenhum político local conseguiu: um lampejo de lucidez coletiva. Uma pausa no Fla-Flu ideológico para lembrar que, no fundo, ninguém gosta de tomar prejuízo nem de ser feito de bobo. E se for isso que nos une, que seja. Melhor se juntar por interesse nacional do que por fantasia ideológica.

    Talvez eu esteja sonhando demais. Pronto, acordei.

  10. TRUMP AJUDA A TAXAR MILIONÁRIOS, por Adriana Fernandes, no jornal Folha de S. Paulo

    Após o anúncio da sobretaxa de 50% dos EUA, o meme que ainda viraliza nas redes —com a frase “Lula quer taxar o rico e o Bolsonaro quer taxar o Brasil”— é prova de que ação de Donald Trump ajudou Lula. O governo ficou numa situação mais confortável na votação do projeto que cria o imposto dos milionários para financiar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda —promessa de campanha do presidente para a classe média.

    Relator do projeto, o deputado Arthur Lira dizia a interlocutores, há menos de dois meses, que não tinha nenhum compromisso com a compensação da isenção por meio de uma tributação das rendas mais altas, como foi proposto pela Fazenda.

    Teve que mudar. No mesmo dia que o noticiário fervia com a notícia da sobretaxa, divulgado na véspera, Lira recuou e manteve a alíquota de 10%. A pressão das redes sociais contra ele dar alívio aos super-ricos pesou na decisão. A essência da proposta de Haddad foi mantida.

    No anúncio do relatório, o ex-presidente da Câmara já tinha admitido a pressão ao reclamar das reportagens dos jornais apontando que ele queria isentar os mais ricos do Brasil quando propôs inicialmente a redução da taxação dos milionários: “É muito difícil a gente fazer discussão nesse nível de manchete”.

    Não resta dúvida de que o relatório é resultado do acordo que lhe garantiu a indicação por Lula de uma aliada para o Judiciário, além de uma costura antecipada para as eleições de 2026 em Alagoas. Mas a reação negativa da sociedade foi um ingrediente com o qual Lira não contava e que o obrigou a ceder mais.

    Enquanto a guerra política aumenta com a sobretaxa de Trump, outros acordos já estão sendo costurados. O próximo será em torno do decreto do IOF, com uma modulação da alta das alíquotas pelo STF para cada lado. Ninguém perde ou ganha sozinho.

    Depois será a vez de um acordo para o impasse dos precatórios, a maior bomba fiscal para o Orçamento em 2026. Mesmo que seja mais um remendo, o acordo virá. Contanto que todos cheguem vivos a 2027.

  11. AGRESSÃO DE TRUMP DIFICULTA EQUILIBRISMO NA DIREITA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Se o intento de Donald Trump ao promover sua grotesca investida comercial contra o Brasil era ajudar Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados direitistas, parece claro que o tiro político saiu pela culatra.

    A truculência ignara do republicano deu de imediato a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o papel de defensor dos interesses nacionais ante a chantagem de uma potência estrangeira, para o qual pode atrair o apoio de eleitores e forças políticas ao centro, da sociedade, do empresariado e da comunidade internacional.

    A Bolsonaro, inelegível e muito perto de ser condenado por tentativa de golpe de Estado, resta uma posição subalterna ao padrinho poderoso, a quem agradece de público pela imposição de tarifas brutais que ameaçam empregos e o bem-estar de brasileiros.

    O debate —pertinente— sobre os excessos do Supremo Tribunal Federal (STF) que cerceiam a liberdade de expressão na internet fica interditado pela exorbitância da ingerência americana. Trump, ademais, está longe de ser um paladino dos direitos democráticos.

    Quanto aos candidatos a herdeiros dos votos bolsonaristas, que hoje fazem seus cálculos para a disputa presidencial do próximo ano de olho na baixa popularidade de Lula, a agressão americana dificulta o equilibrismo entre a fidelidade declarada ao ex-presidente e a busca pelos eleitores mais moderados.

    O exemplo mais evidente é o de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo —o estado brasileiro que tem mais a perder com o fechamento do mercado americano. Tecnocrata transformado em político por Bolsonaro, Tarcísio preserva em seu governo bandeiras do ex-chefe, como as escolas cívico-militares, mas não a intolerância ante opositores e instituições.

    O governador se comprometeu com um indulto a Bolsonaro, mas essa é ainda uma hipótese distante. Agora, ao ter de se posicionar sobre a ameaça premente de Trump, complicou-se.

    Em sua primeira manifestação, preocupou-se apenas em culpar Lula, por colocar “ideologia acima da economia” e “agredir o maior investidor direto no Brasil”. Só depois, em entrevista, lembrou-se de falar dos danos para o estado que governa, recomendando negociar e “deixar de lado as questões ideológicas”.

    Foram semelhantes, ao se concentrarem na responsabilização do governo petista, as reações iniciais dos governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), também potenciais presidenciáveis da direita. Só no dia seguinte, Zema chamou a medida de Trump de “errada e injusta”.

    Na tentativa de agradar a bolsonaristas, sem os quais não chegam a um segundo turno presidencial, e a moderados, que podem ser decisivos no pleito, a trinca de governadores corre o risco de não parecer confiável a ninguém. Uma afronta das dimensões da cometida por Trump não dá margem a pequenez, dubiedade e tergiversação.

  12. O FAVOR DE TRUMP A LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prestou um enorme favor ao presidente Lula da Silva com a ameaça de impor tarifas comerciais ao Brasil para obrigar o País a se render a suas absurdas exigências, entre as quais livrar Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado. Deu ao demiurgo petista tudo o que um populista como ele mais deseja num momento de impopularidade: um inimigo para brigar. De preferência, um inimigo que faça ameaças de tal ordem que possam, se efetivadas, causar prejuízos reais à economia, abalar setores e negócios estratégicos como o agronegócio e o aço, encarecer a vida dos brasileiros e, de quebra, enfraquecer as forças políticas aliadas de Trump no Brasil.

    Ainda é cedo para decretar que o tiro do presidente americano saiu pela culatra, mas é evidente que boa parte da conta de seu eventual tarifaço recairá sobre os ombros de quem supostamente moveu mundos e fundos para a ação de Trump contra o Brasil. Nesse pacote, inclui-se, em primeiro lugar, o clã Bolsonaro. Como se sabe, o ex-presidente e seus associados liberticidas viram na volta de Trump à Casa Branca uma boia de salvação para si e para o bolsonarismo. Alguns aliados, mais cautelosos, trataram Trump como símbolo do nacionalismo triunfante que sonhavam em aplicar no Brasil. Outros, mais delirantes, chegaram a clamar por uma invasão americana. Entre um passeio e outro na Disneylândia, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, se apresenta como exilado político nos Estados Unidos e fez lobby na Casa Branca para que Trump liderasse a campanha bolsonarista contra o Supremo Tribunal Federal (STF), instituição tida como algoz de seu pai e de aliados golpistas.

    O efeito prático está aí: o risco de o nacionalismo patriótico do bolsonarismo se converter numa oposição aos interesses do Brasil. Pode ser de pouca serventia a tentativa dos Bolsonaros e dos principais nomes da direita brasileira – como o governador Tarcísio de Freitas, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e outros de menor musculatura política – de atribuírem culpa a Lula, ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, ao Itamaraty ou ao PT. Assim como ocorreu em países como Canadá, Austrália, México e, em certa medida, Alemanha, a interferência política de Trump em assuntos nacionais produziu resultados contrários: desmoralizou o americano e enfraqueceu o potencial eleitoral de seus aliados.

    Para um governo e um presidente com imagem combalida pela incompetência e pela inépcia, nada mais útil do que ter um inimigo externo e assim, em tese, tentar “unir” o País contra os prejuízos da medida – incluindo o setor produtivo, que majoritariamente enxerga o lulopetismo com desconfiança. Bastou a publicação da carta de Trump para que Lula, seus exegetas no Palácio do Planalto e os habituais porta-vozes do lulopetismo nas redes decretassem uma espécie de estado de defesa da soberania nacional. E assim o enredo está urdido: um governo ruim, um presidente perdendo aliados e uma base desanimada se veem ávidos para galvanizar apoios Brasil afora contra a ameaça trumpista. A essa agenda se soma a campanha do “nós contra eles”, deflagrada recentemente após a crise do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), e assim se completa a receita populista do lulopetismo com um só objetivo: a reeleição de Lula.

    Mas que Lula e a companheirada não se enganem. Apesar do favor político oferecido por Trump, o tarifaço, se vier, resultará em prejuízos econômicos consideráveis – ao agronegócio, à indústria e aos consumidores –, e com o tempo é provável que parte de tais efeitos seja debitada também da conta de Lula, sobretudo porque este não atuou para reduzir as tensões com os Estados Unidos de Trump. Recorde-se que Lula, ao contrário, investiu na aproximação com a China, advogou pela substituição do dólar como moeda do comércio global e fez campanha contra companhias americanas de internet. Por ora, o jogo favorece Lula, mas a eleição ainda está muito longe.

  13. TRUMP EXPÕE CUSTO DE BOLSONARO PARA A DIREITA, por Igor Gielow, no jornal Folha de S. Paulo

    O inaudito ataque de Donald Trump ao Brasil, após meses ignorando solenemente a relação com o país, transformou o presidente americano em ator central da corrida eleitoral do ano que vem.

    Não há precedente histórico para o ocorrido, embora seja importante lembrar que o americano costuma reverter suas decisões mais drásticas em pouco tempo, como parte de sua propalada técnica de negociação passivo-agressiva —que até aqui só logrou trazer balbúrdia ao cenário global.

    Na eleição de 2022, bolsonaristas se queixaram da nota da embaixada americana defendendo o sistema eleitoral contestado pelo então presidente, mas perto da carta de Trump aquilo foi um sussurro.

    Perde de imediato Jair Bolsonaro (PL), que já declarou ter em Trump seu ídolo político. A coincidência de arco narrativo dos dois populistas sempre foi notável, na ascensão, na queda, na contestação institucional com toques golpistas.

    O próprio republicano reconheceu isso ao dizer, nas postagens anteriores à carta tarifária, que Bolsonaro sofria a mesma caça às bruxas a que ele teria sido exposto. Aqui a dupla hélice, com um “delay” de dois anos usual entre os acontecimentos, se separou: a lei no Brasil é mais dura, e nenhum condenado pode ser presidente, como é o caso nos EUA.

    Seja como for, agora Bolsonaro vê o custo de sua simbiose ideológica com Trump ser exposto. O apoio aberto do americano pode até lhe render o exílio, mas não mudará a disposição de seus julgadores —não deveria aguçar nenhum punitivismo também, mas aí talvez seja otimismo institucional em demasia.

    Por mais malabarismo verbal que faça, o núcleo duro bolsonarista não tem como blindar o ex-presidente se o Brasil for de fato afetado pelo tarifaço, a começar pelo azedume de seus aliados no agronegócio.

    É previsível, claro, um acirramento da polarização. Quem for bolsonarista raiz irá culpar o presidente Lula (PT), o ministro Alexandre de Moraes e os demais Torquemadas da fantasia desse grupo pela crise, ainda que seja preciso muita criatividade para justificar a ação de Trump no fim do dia.

    Perde ainda mais a direita e centro-direita que orbitam Bolsonaro devido a seu cacife eleitoral. As manifestações sobre o episódio dos governadores desse grupo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) à frente, demonstra a dificuldade colocada.

    Em diferentes gradações, culparam Lula por adular ditaduras e esposar o antiamericanismo tradicional do PT. São fatos, mas que nada têm a ver com a ligação umbilical de Trump e Bolsonaro, simbolizada nesse entorno pela imagem de Tarcísio como boné do Maga.

    Em outras circunstâncias, seria a desculpa ideal para essa direita romper de vez com o bolsonarismo, mas o temor do julgamento das redes do grupo e o peso eleitoral do ex-presidente ainda falam mais alto. Não será surpresa, contudo, se integrantes da segunda geração bolsonarista comecem a se distanciar em busca de voo próprio.

    Com tudo isso, ganha um ativo eleitoral inesperado Lula, bastando ler de forma inversa os parágrafos anteriores. É facílimo colar qualquer crise, se é que ela haverá mesmo, na relação entre Bolsonaro e Trump. De quebra, o republicano é majoritariamente malvisto no Brasil, como apontam pesquisas.

    Mas uma coisa é o ambiente da luta política, do vale-tudo das redes. O risco para Lula é exatamente ir ao ataque ostensivo como ação de governo, pois aí um acirramento dos efeitos práticos do embate com a Casa Branca poderá ser debitado da eventual ideologização da resposta brasileira.

    O histórico de Trump permite supor que haverá recuos nessa tensão antes de ela escalar de forma incontrolável, mas, se isso ocorrer, nunca é demais lembrar quem tem mais recursos à mão para a briga.

  14. NOTA DE REPÚDIO – QUANDO O RESPEITO FOGE, A DOR FICA, por Aurélio Marcos de Souza. Texto extraído das redes sociais do autor. Aurélio Marcos é reconhecido advogado, foi procurador geral do município de Gaspar (2005/09), ou seja, sabe medir a gravidade tanto do gesto feito por um agente de governo bem como a omissão do próprio governo em tal declaração e é graduado em Gestão Pública, pela Udesc.

    Ao ler a coluna de Herculano Domício, publicada no site Olhando a Maré, me deparei com algo que me doeu mais do que posso expressar com palavras. A matéria relatava a agressão gratuita e cruel dirigida à senhora Odete Fantoni, uma mulher idosa, ativa, leitora assídua e participante respeitosa da vida pública local.

    A frase dita por um servidor público comissionado — “relaxa vovozinha, com certeza o seu velório já vai ser feito na capela reformada” — não é apenas uma grosseria. É uma afronta à dignidade humana. Uma violência simbólica que ultrapassa todos os limites do aceitável.

    Na hora, parei para pensar: Será que esse cidadão não tem uma mãe? Uma avó? Uma tia com mais idade? Como alguém pode olhar para uma pessoa idosa — que representa a sabedoria, a história e a experiência de uma vida — e tratá-la com tanto desprezo?

    Mesmo sem conhecer pessoalmente a dona Odete, senti como se o ataque fosse dirigido a qualquer um de nós. Porque a falta de empatia e o desrespeito, quando naturalizados, nos ferem coletivamente. Eles corroem o que temos de mais precioso: a capacidade de conviver com humanidade, de ouvir, de discordar sem ofender.

    É triste perceber que cargos públicos estejam sendo usados para atacar, e não para servir. Que pessoas nomeadas para representar a gestão escolham a intimidação como resposta à crítica. O que deveria ser diálogo virou deboche. O que deveria ser exemplo virou ameaça.

    Este não é o caminho. A política só faz sentido quando é feita com respeito às pessoas — todas elas. Quando falta empatia, sobra crueldade. E não há administração que se sustente sobre esse tipo de conduta.

    Por isso, deixo aqui meu mais profundo repúdio à atitude desse servidor. E minha solidariedade à dona Odete, que não está sozinha. Que sua voz continue sendo ouvida, porque ela representa tantas outras que, por medo ou cansaço, já se calaram.

    Esperamos providências, sim. Mas, mais do que isso, esperamos uma mudança de postura. A política precisa voltar a ser feita com alma, com humanidade e, principalmente, com respeito às pessoas — de qualquer idade, opinião ou condição.

    Porque quando a empatia sai pela porta, a crueldade senta-se à mesa. E isso, nós não podemos aceitar.

    Gaspar Linda Prefeitura de Gaspar

    1. Bom dia.
      Obrigada pela solidariedade e atenção diante do ocorrido.

      Eu expus o fato não pra me vitimizar, até pq esse episódio aconteceu meses atrás, mas por ser recorrente.

      Tanto que uma criança MORREU dentro do hospital de Gaspar por NEGLIGÊNCIA MÉDICA, e, até agora, ninguém foi PUNIDO.

      Vereadores com DISCURSOS inflamados mostrando solidariedade com o caso de violência e morte ocorrido lá na escola do Rio Grande do Sul, e nem um PIO sobre o sangue derramado dentro do próprio quintal…

      Estamos EXAUSTOS.

      1. Impressionante a degradação. Na falta de argumentos, intimidação sem qualquer respeito à dignidade humana e à divergência de opinião. É o pior do PT ao avesso. Quem diria.

  15. POIS É.

    Nobel de Economia sobre Trump taxar Brasil: “Motivo de impeachment”. O economista Paul Krugman chamou a ação de Trump de “maligna e megalomaníaca”. Segundo ele, tarifas anunciadas têm “fins políticos”

  16. COISAS DE MAFIOSOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O presidente americano, Donald Trump, enviou carta ao presidente Lula da Silva para informar que pretende impor tarifa de 50% para todos os produtos brasileiros exportados para os EUA. Da confusão de exclamações, frases desconexas e argumentos esquizofrênicos na mensagem, depreende-se que Trump decidiu castigar o Brasil em razão dos processos movidos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado e também por causa de ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas americanas que administram redes sociais tidas pelo STF como abrigos de golpistas. Trump, ademais, alega que o Brasil tem superávit comercial com os EUA e, portanto, prejudica os interesses americanos.

    Não há outra conclusão a se tirar dessa mixórdia: trata-se de coisa de mafiosos. Trump usa a ameaça de impor tarifas comerciais ao Brasil para obrigar o País a se render a suas absurdas exigências.

    Antes de mais nada, os EUA têm um robusto superávit comercial com o Brasil. Ou seja, Trump mentiu descaradamente na carta para justificar a medida drástica. Ademais, Trump pretende interferir diretamente nas decisões do Judiciário brasileiro, sobre o qual o governo federal, destinatário das ameaças, não tem nenhum poder. Talvez o presidente dos EUA, que está sendo bem-sucedido no desmonte dos freios e contrapesos da república americana, imagine que no Brasil o presidente também possa fazer o que bem entende em relação a processos judiciais.

    Ao exigir que o governo brasileiro atue para interromper as ações contra Jair Bolsonaro, usando para isso a ameaça de retaliações comerciais gravíssimas, Trump imiscui-se de forma ultrajante em assuntos internos do Brasil. É verdade que Trump não tem o menor respeito pelas liturgias e rituais das relações entre Estados, mas mesmo para seus padrões a carta endereçada ao governo brasileiro passou de todos os limites.

    A reação inicial de Lula foi correta. Em postagem nas redes sociais, o presidente lembrou que o Brasil é um país soberano, que os Poderes são independentes e que os processos contra os golpistas são de inteira responsabilidade do Judiciário. E, também corretamente, informou que qualquer elevação de tarifa por parte dos EUA será seguida de elevação de tarifa brasileira, conforme o princípio da reciprocidade.

    Esse espantoso episódio serve para demonstrar, como se ainda houvesse alguma dúvida, o caráter absolutamente daninho do trumpismo e, por tabela, do bolsonarismo. Para esses movimentos, os interesses dos EUA e do Brasil são confundidos com os interesses particulares de Trump e de Bolsonaro. Não se trata de “América em primeiro lugar” nem de “Brasil acima de tudo”, e sim dos caprichos e das ambições pessoais desses irresponsáveis.

    Diante disso, é absolutamente deplorável que ainda haja no Brasil quem defenda Trump, como recentemente fez o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que vestiu o boné do movimento de Trump, o Maga (Make America Great Again), e cumprimentou o presidente americano depois que este fez suas primeiras ameaças ao Brasil por causa do julgamento de Bolsonaro.

    Vestir o boné de Trump, hoje, significa alinhar-se a um troglodita que pode causar imensos danos à economia brasileira. Caso Trump leve adiante sua ameaça, Tarcísio e outros políticos embevecidos com o presidente americano terão dificuldade para se explicar com os setores produtivos afetados.

    Eis aí o mal que faz ao Brasil um irresponsável como Bolsonaro, com a ajuda de todos os que lhe dão sustentação política com vista a herdar seu patrimônio eleitoral. Pode até ser que Trump não leve adiante suas ameaças, como tem feito com outros países, e que tudo não passe de encenação, como lhe é característico, mas o caso serve para confirmar a natureza destrutiva desses dejetos da democracia.

    Que o Brasil não se vergue diante dos arreganhos de Trump, de Bolsonaro e de seus associados liberticidas. E que aqueles que são verdadeiramente brasileiros, seja qual for o partido em que militam, não se permitam ser sabujos de um presidente americano que envergonha os ideais da democracia.

  17. PREPOTÊNCIA BURRA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    O ataque de Donald Trump ao Brasil não tem paralelos históricos. Trata-se sobretudo de uma agressão política, cujos termos são por definição inegociáveis. Trump age com a prepotência de quem, de fato, escolheu dividir o mundo em esferas onde os fortões fazem o que querem, e os fracos – como o Brasil – que se virem.

    A última vez em que um presidente americano agiu contra o Brasil por questões políticas ocorreu sob Jimmy Carter em meados da década de 1970. As semelhanças são remotas dada a brutalidade – e a irracionalidade ideológica – exibida por Trump neste momento.

    Naquela época dois fatores haviam se combinado: a pressão contra a ditadura militar brasileira por violações de direitos humanos e o acordo nuclear do Brasil com a Alemanha, que incluía a transferência de tecnologia sensitiva. O presidente era o general Ernesto Geisel, que reagiu cancelando um acordo de cooperação militar com os EUA. O Brasil fez um programa nuclear paralelo e a democratização liquidou a questão dos direitos humanos.

    Do ponto de vista apenas comercial e geopolítico o tratamento que Trump dá ao Brasil é simplesmente burrice. Mas é um extraordinário nível de mediocridade estratégica, ignorância histórica e posturas prejudiciais aos próprios interesses da superpotência que Trump vem exibindo desde que assumiu. Em nome de um eleitorado que aplaude o populista que está diminuindo em vez de aumentar a liderança e a capacidade de ação americana.

    Os danos comerciais ao Brasil são consideráveis, mas em situações semelhantes de imposição de tarifas Trump demonstrou a falta de consistência habitual – é algo que pode ser eventualmente “negociado”. Problema muito mais grave é político e terá impacto no contexto eleitoral doméstico brasileiro. Como aconteceu em países como Canadá, Austrália, México e, até certo ponto, Alemanha, a interferência política de Trump nos assuntos de cada um produziu os resultados contrários. Trump desmoralizou, enfraqueceu e tirou potencial eleitoral das forças políticas que quis “proteger”. No caso brasileiro, o clã Bolsonaro e todo agente político que aderiu ao fãclube de Trump.

    É claro que esse é um problema do capitão e sua ilusão infantiloide de que um prepotente como Trump possa livrá-lo da cadeia – onde provavelmente mais e não menos gente vai querer vê-lo agora. Bem mais complicada é a situação do governo brasileiro que, ao contrário da esquerdista que preside o México, não soube criar qualquer canal direto com a Casa Branca.

    O Brasil é uma potência menor, com escassa capacidade de retaliação que não nos torne ainda mais vulneráveis, sobretudo em relação a insumos. É grande a tentação de pular para um lado no confronto geopolítico, mas um pouco de inteligência estratégica indica que os Trumps acabam indo embora, e a profundidade dos laços entre Brasil e EUA permanece. Mas o mais provável é que ninguém vai enxergar esse horizonte nos próximos dias.

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