Foi reveladora esta dispersa entrevista de Paulo Norberto Koerich, PL. A principal foi a reafirmação de como a comunicação pode trabalhar contra o próprio comunicador que não se prepara, não é preparado, ou não possui o dom de perceber a oportunidade que lhe foi dada. O pior da longa e enfadonha entrevista – mas, quase todas ao vivo são assim, bem como os discursos de improviso que são feitos em eventos públicos – foi a constatação de algo que escrevo há anos e sou combatido, perseguido, constrangido e punido sobre bens patrimoniais pelo que esclareço à sociedade: a falta de resultados do atual governo para com a sociedade.
O melhor, que, mesmo desacreditado por esta óbvia minha constatação, os mesmos políticos e burocratas que tentam me punir por eu dar transparência à cidade, cidadãos e cidadãs que eles negam, ou enrolam, “coincidentemente” eles próprios conseguiram chegar à mesma conclusão, ao admitir e anunciar isto, publicamente, como aconteceu na semana passada com o prefeito Paulo, ao repórter Paulo Flores e ao proprietário da 89 FM Joel Reinert,.
E para isso, pinço apenas e quase exclusivamente daquela entrevista para este artigo inédito desta segunda-feira a afirmação nua e crua de Paulo, a intervenção marota feita no Hospital de Gaspar por Pedro Celso Zuchi, PT, há quase 15 anos e levada à exaustão por Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, “se não terminar, quebrará tanto o Hospital quanto o município”. Bingo!
Estou de alma lavada, mais uma vez. É uma atrás da outra. Incrível. Acima, a imagem de uma reclamação da comunidade do bairro Lagoa. Cansados, ela ganhou a mídia regional por exclusiva falta de comunicação da prefeitura de Gaspar naquilo que tinha dito que faria e mudou para obter recursos federais da Defesa Civil e assim, segundo explicou, não onerar os cofres municipais. E quando procurada para se explicar isso, manifestou-se por nota escrita. Abaixo, o prefeito está com o presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL, vestido de candidato a deputado estadual e que para ter vantagens em Gaspar vai depender dos resultados da prefeitura para a comunidade. Por enquanto, estão numa bolha bolsonarista que começa a murchar ou ser mais esclarecida.
O DESPERDÍCIO DE TEMPO E AS OBVIEDADES

Retomando pela primeira vez.
E não apenas neste assunto abordado naquela entrevista, escolhida por mim, entre tantas que a prefeitura arrumou na última hora, depois que o assunto dos primeiros seis meses de governo ia passando quase em branco entre os gasparenses.
Esta “corrida contra o tempo, com muito improviso” só aconteceu após uma ingênua enquete que foi feita pela conta do “Gaspar Mil Graus”, no Instagram. E ao respondê-la, a cidade caiu na malhação incomum contra a atual gestão. A mesma que venceu em outubro do ano passado por larga margem, tudo porque prometeu mudar e dar uma nova cara à administração pública da cidade com resultados diferenciais para a sociedade, além da transparência comprometida pelos políticos anteriores. Derreteu! Tão cedo? Credo!
Escolhi esta entrevista da 89 FM por critérios próprios, pelo improviso, pelo tempo dado e nunca para diminuir as demais. Ela foi a mais longa e no veículo de maior audiência. Impressionante o desperdício da oportunidade. “Não consegui chegar ao minuto 11“, escreveu-me um leitor a quem pedi avaliações, pois vivo disso e não só de opiniões da minha cabeça, como se alega.
Aliás, o próprio Paulo quando nem pensava em ser político ou prefeito de Gaspar – ao menos falava isso -, muitas vezes, contribuiu com este espaço para informar, formar, reposicionar e consolidar as minhas opiniões sobre a gestão pública gasparense.
Voltando. Outros a quem consultei sobre a mesma entrevista, pediram-me tempo, pois “estavam ouvindo-a” em etapas. Ou seja, ela não era cativante, convidativa, não matava a cobra e mostrava a cabeça dela. Ao contrário. Era cansativa. Repetitiva. Desconexa. Descontextualizada. Sem números. Sem prazos. Vazia.
A entrevista à 89 FM durou quase uma hora contando a apresentação e intervalos. Quem tem esse tempo todo para ouvir relatos enrolados?
Desta quase uma hora, 50 minutos foram de interação sobre o “(des)balanço”, ou da “prestação de contas” como se quis em determinados momentos, dos primeiros seis meses de governo de Paulo e Rodrigo Boeing Althoff, este também do PL. Tudo genérico. A maior justificativas. Afinal, não se tinha resultados à apresentar (a tal cabeça da cobra).
Então restou falar, mais uma vez, de planos e renovar velhas promessas como esta, a de resolver a caótica situação administrativa-financeira-técnica do Hospital de Gaspar. A prefeita Juliana Pavan von Borsten, PSD, de Balneário Camboriú, também de primeira viagem, por exemplo, já resolveu o dela e colocou a bomba chamada Hospital Ruth Cardoso colo do padrinho de Paulo e Rodrigo, o governador Jorginho Melo, PL. A conta do rico Balneário virá agora, embalada, para todos os catarinenses.
Pelo jeito, o “novo” assessor de imprensa da prefeitura de Gaspar e mais um vindo de Blumenau, Jefferson Douglas da Silva, terá trabalho neste mar sem peixes. Parece a espera da tainha que não vem ou passa longe do alcance da rede do lanço, para desespero do vigia. Restará pedir ajuda a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na imagem postada abaixo. No Hospital onde é padroeira, parece que nem a santidade conferida a ela pelo Vaticano para milagres tem sido capaz de operá-los.
FALTA DE TRANSPARÊNCIA É A TÔNICA DO GOVERNO

Retomando pela segunda vez.
A falta de transparência do novo governo de Paulo e Rodrigo, repete o que se viu nos governos anteriores e que o “novo” governo, para vencer, prometeu acabar com este vício, que a cidade não suportava mais e resolveu dar recados claros disso nas urnas: mudanças.
Neste caso específico da suposta busca de soluções para o Hospital de Gaspar, Paulo, na entrevista, chegou a pedir desculpas por não poder “revelar” o que foi ou está sendo feito para criar soluções tanto para o Hospital bem como para a prefeitura, a qual ficará com folga no Orçamento se tudo caminhar como se imagina naquilo que é necessário e se negocia escondido da cidade.
Só segredos.
A prefeitura de Gaspar onde Paulo manda e desmanda não é uma entidade de segredos que ele já frequentou.
Ela, Paulo e o Hospital sob intervenção pública, são entes politicamente expostos. Devem explicações do pesado dinheiro que está indo para lá e sem o devido retorno para quem precisa dele em tempos de doenças e agonia. Paulo deve explicações do que ele e seus “bruxos” estão fazendo para mudar este quadro caótico, de incertezas e especulações.
Hoje, só o Hospital, come de cara, dez por cento de um Orçamento de R$510 milhões anuais (que nem foi atualizado pela inflação passada) e mesmo assim, só traz problemas e insegurança aos cidadãos e cidadãs. Consequentemente, esse quadro agrava por si só à má imagem do próprio Hospital e se isto fosse pouco, sem dono para ser responsabilizado, ainda é responsável cível e criminalmente por resultados que não possui controles e não devia ser responsabilizado, como a indenização determinada pelo Tribunal de Justiça a um mau atendimento e que resultou em morte em 2004, quando nem havia intervenção municipal no Hospital de Gaspar. Mas, por ser interventor, é “dono” do Hospital e do caixa dele. E precisa arcar com as contas apresentadas. Inclusive judiciais.
Há outros processos dolorosos tanto quanto este na fila. Isto sem falar em honorários advocatícios atrasados que estão sendo pagos pelo Hospital, gente que se apresenta como aliado, “emprestou” dinheiro para o Hospital e está na Justiça pedindo o ressarcimento devidamente corrigido…
Antes de prosseguir para finalizar: as vezes, deu-me a impressão, ao escutar a entrevista, sem a presunção da vaidade, de que Paulo estava repetindo o que escrevi, várias e tantas vezes sobre este e outros assuntos, cujas soluções são tão óbvias não apenas para mim, mas para a maior parte dos gasparenses, como já foi para o próprio Paulo quando não estava vestido de político e gestor de Gaspar.
Então qual a razão de eu ser um problema para os antigos e atuis gestores? Porque não me dobro ao silêncio que querem de mim sobre dúvidas, mazelas, ou de possuir simples opinião divergente. E se não houver quem questiona, ou abre espaço como abriu a conta “Gaspar Mil Graus” para a manifestação populares, o Rei nu só se importa com os bobos da Corte. E como os há por aqui. E na maior parte, os mesmos em qualquer governo.
MUDA, GASPAR. PORQUE O HUMOR DOS VOTANTES JÁ MUDOU
Finalizando. Paulo reconhece que é grave a situação do Hospital e segundo ele, “está trabalhando dia e noite” para uma solução que não tem e não a quer revelá-la, talvez temendo novos fracassos. Em seis meses e mais outros três meses de transição que teve para resolver ou encaminhar esta parada, nada aconteceu.
De verdade? “Dia e noite” as pessoas, normalmente as mais vulneráveis socialmente, temem ficarem doentes e elas precisarem irem compulsoriamente ao Hospital de Gaspar. Isto é o fato real. Mesmo assim, Paulo pediu mais 90 dias para anunciar alguma solução. Ai, ai, ai.
Paulo deu a entender, que o governador Jorginho estaria na parada. Paulo, entretanto, se estiver devidamente bem assessorado, e não questiono isto, sabe que jurídica e societariamente – sem falar na “falência” financeira que faz o Hospital precisar de mais de R$50 milhões por ano para apenas deixá-lo aberto, mas com dívidas e grossos passivos a lhe infernizar – o Hospital de Gaspar está numa situação complicada como um ente empresarial viável.
Falta, por exemplo, responder – e ninguém ousa perguntar – quem é o dono dele e como uma instituição filantrópica se reverte, com segurança jurídica, para o saneamento, uma parceria pública-privada, ou até mesmo, para a reversão do patrimônio e da gestão ao governo do estado como fez Juliana em Balneário de Camboriú no quinto mês da sua gestão. Aqui precisamos de mais tempo. Então há complicadores. Fortes, presume-se.
O certo é que, com R$50 milhões a mais em caixa no já apertado Orçamento deixado por Kleber, o prefeito Paulo terá ganho uma batalha expressiva; terá fôlego financeiro mediano a curto prazo e poderá dizer, finalmente, a que veio. Até o momento, está sendo engolido pela falta de equipe e a comunicação entre seus pares, foi surpreendido e empurrado às pressas à uma prestação de contas dos seis meses, foi engolfado na desconfiança por algo muito simples, insistiu na falta de transparência com a cidade, bem como à falta de resultados mínimos prometidos e esperados não só para os 52,98% dos votos válidos que recebeu nas urnas de outubro do ano passado entre cinco candidaturas, onde uma era a que fez a intervenção e a outra, tinha prometido revertê-la, contudo, usufruiu dessa terceirização como poucos. Vida longa ao… Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Então quer dizer que os Bolsonaros, mais uma vez, para salvarem a pele deles (lembram como atraíram e fritaram, rotulando-o como traidor, o ex-ministro Sérgio Fernando Moro?), usam a chantagem e agora, o presidente Donald Trump, o maluco, o gangster (segundo respeitáveis publicações e negociadores internacionais), para interferir no judiciário e no Congresso Nacional brasileiros? Com a carta política e com inverdades de Trump querem obter a anistia para eles e por extensão, se der, aos que eles arrastaram no movimento pró continuidade no poder, o qual perderam nas urnas pelos votos.
Credo. Um tiro no próprio pé. Gente doente. Donald Trump e os Bolsonaros se tornaram cabos eleitorais de quem já estava caído, segundo as pesquisas como o PT e Luiz Inácio Lula da Silva. Incrível! Nesta semana, novas pesquisas poderão mostrar o tamanho do erro dessa tal direita torta, messiânica, radical e por isso, errática. Para ela, o Brasil e os brasileiros estão em outro plano, ou a serviço das vontades pessoais de poder dos Bolsonaros.
Então se não houver anistia para os Bolsonaros, todos os brasileiros vão pagar esta cara conta que nos isolará do que restar do multilateralismo? Ou alguém duvida que não se apresentarão punições cruzadas? Santa Catarina é dependente de exportações. E Jorginho Melo, PL, quieto? Carlos Bolsonaro querendo ser senador paraquedista por aqui. Jair Renan se posicionando para ser candidato a deputado Federal por aqui. E para salvá-los, os brasileiros e os catarinenses burros de cargas – e agora de gente doida – ainda perdem os empregos? Os investidores se afastam e os empresários, rotulados de ricos pela esquerda do atraso, quebram? Credo!
Nem Bolsonaro. Nem Lula. Qual é mesmo a diferença entre o PT, Lula, a esquerda do atraso e os Bolsonaros? Todos, de uma forma ou de outra nunca querem largar o osso do poder em nome de uma suposta ideologia melhor e ficticiamente limpa que vendem aos fanáticos, analfabetos, ignorantes e desinformados. Temos problemas? Temos! E graves. Inclusive dentro das instituições, algumas já contaminadas para além da corrupção, com e pelo próprio crime organizado. Mas, quando vamos resolver as nossas diferenças entre nós mesmos e virar este jogo bipolar que sempre nos arrasta para o mesmo abismo? Bananeiros.
E por falar em bananeiros. Não pegou bem para o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, e repercute por todos os cantos da cidade, à falta de qualquer posicionamento e até de punição para seus comissionados do bolsonarismo radical. Eles, agora, estão ameaçando, explicitamente, pelas redes sociais quem ouse questionar o atual governo gasparense. Incluindo, idosos.
Há que ache que não se trata de iniciativas isoladas, mas de desespero. Quem diria. Para lembrar releia DESCOBERTOS NA INCAPACIDADE DE ENTREGA PROMETIDA NA CAMPANHA, FUNCIONÁRIOS ESCOLHIDOS POR PAULO E RODRIGO EM CARGOS DE COMISSÃO ESTÃO ESCULACHANDO, AMEAÇANDO E AGREDINDO OS CRÍTICOS NAS REDES SOCIAIS. O SILÊNCIO SOLIDÁRIO DO GOVERNO IMPRESSIONA NO AVAL
Correndo atrás dos fatos. Na entrevista justificativa que Paulo Norberto Koerich, PL, deu a 89 FM para explicar à falta de resultados dos seus seis primeiros meses de governo, ele próprio trouxe o caso do descaso da secretaria de Obras e Serviços Urbanos com a Rua Albertina Maba. A rua da Margem Esquerda foi cortada pela duplicação da BR-470 e da noite para o dia, o povo de lá se viu não só isolado, mas encalacrado numa via marginal da rodovia, sem condições de pavimentação e na manutenção naquilo que é de barro. Os moradores de lá avisaram a prefeitura por meses. E nada.
Só depois que os governantes (e vereadores) levaram pau explícito do povo da Albertina Maba pelas redes sociais é que a prefeitura se mexeu. E só depois que conseguiu uma autorização expressa do Dnit, passou a cuidar da marginal como se fosse uma rua municipal. Este é o retrato comum da atual gestão. Apenas reage, quando atacada pelos cidadãos e cidadãs, em desespero, cansados de tanto pedir e reclamar em situações e soluções óbvias. Com raras exceções e bem conhecidas dos gasparenses, o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, não age antes do problema se tornar tóxico para o próprio governo.

Impressionante. Durante a entrevista justificativa que Paulo Norberto Koerich, PL, deu a 89 FM para explicar à falta de resultados dos seus seis primeiros meses de governo, mais uma vez ele, sem ser perguntado, colocou a secretaria de Agricultura e Aquicultura no centro de tudo como modelo da sua gestão. De Educação quase nada falou (talvez porque ela, claramente, está funcionando apesar dos múltiplos problemas), sobre Saúde – sem ser o Hospital – também é outra área que que quase passou em branco… Gastou tempo louvando a tal Expofeira. Ela não saiu no modelo que o governo queria. Paulo nada falou de como deixaram tudo abandonado na Arena Multiuso Francisco Hostins após o evento, como mostra a foto ao lado. Quando termina um evento, presta-se contas. Não há retrato melhor disso.
Quem ouviu a entrevista de Paulo Norberto Koerich, PL, na 89 FM, neste ponto específico, poderia ter se confundido e achado que Gaspar é essencialmente rural. Tudo sem números e comparativos para esta importância toda que Paulo deu à pasta. Nem mesmo, uma política agrícola e pecuária há em Gaspar. Até discurso na linha de que precisamos dar condições para esse pessoal ficar lá no interior (?) e não vir para a cidade [morar e trabalhar] houve. Alguém precisa atualizar o discurso do MST do gestor público.
Um recorde I. Nunca antes se empenhou e pagou tantas diárias na Câmara de Vereadores de Gaspar tocada por um vereador jovem e do PL. Estamos na metade do ano e já foram empenhadas a vereadores e funcionários R$99.615,00. O campeão das diárias continua sendo Ciro André Quintino, MDB com R$11.009,00; seguido do presidente Alexandro Burnier, PL, com R$7.782,00; de Roni Jean Muller, MDB, com R$7.695,00; de Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL, com R$7.457,00; e de Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, com R$6.998,00.
Um recorde II. Os três últimos vereadores de Gaspar desta lista de maiores merecedores de diárias estão no primeiro ano de mandato. Não estão computados os respectivos assessores que eles podem levar em viagens para registros e propaganda política nas redes sociais dos políticos. Somados, algumas despesas são assustadoras. E ainda se pensa em aumentar o número de assessores na Câmara.
Um recorde III. Até sexta-feira, tinham sido protocoladas 1.149 indicações dos 13 vereadores na Câmara de Gaspar. Dois números para comparação. No mesmo período do ano passado: 595 e no ano todo de 2024, menos do que agora, 1047 indicações.
Um recorde IV. Os vereadores de Gaspar estão trabalhando mais? Talvez. O povo está mais atento e reclamando mais? Com certeza! Como indicação lida com o cotidiano da cidade (bueiros entupidos, capim, buracos, iluminação…), isto mostra que quem não está trabalhando, não está atendendo à cidade e os vereadores é a prefeitura de Gaspar. E como a Câmara está dividida entre governo e à suposta oposição, isto prova à falta de ação do governo com o básico. Então, por isso, na entrevista dos primeiros seis meses do governo, o prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, teve que correr atrás dos questionamentos e se justificar nos seus seis primeiros meses de governo, faz todo o sentido. Muda, Gaspar!
11 comentários em “O PIOR E O MELHOR DO “DESBALANÇO” DE SEIS MESES DE GOVERNO DE PAULO E RODRIGO, AMBOS DO PL, PARA GASPAR, NA RÁDIO 89 FM: “SE NÃO TERMINAR A INTERVENÇÃO QUEBRARÃO OS DOIS: O HOSPITAL E O MUNICÍPIO””
Pingback: QUEM NÃO REALIZA, NÃO É PERCEBIDO. QUEM NÃO CUMPRE O DESEJO COLETIVO DE MUDANÇAS QUE MOTIVOU À SUA ESCOLHA, É MALHADO. PAULO AINDA NÃO COMPREENDEU A REGRA DESTE CONTRATO TÁCITO QUE ELE ASSINOU COM A CIDADE E AS PESSOAS QUANDO GANHOU AS ELEIÇÕES
BOLSONARO, O PATRIOTA FAJUTO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Jair Bolsonaro não está nem aí para o Brasil. É um patriota fajuto. Prova cabal disso – como se fosse necessária mais alguma – foi sua mais recente manifestação acerca da ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de sobretaxar em 50% os produtos importados do Brasil caso os processos contra Bolsonaro sob acusação de tramar um golpe de Estado não sejam anulados.
Demonstrando preocupação apenas protocolar com os efeitos desastrosos da anunciada tarifa sobre a economia brasileira, Bolsonaro foi direto ao ponto: “O tempo urge, as sanções entram em vigor no dia 1.° de agosto. A solução está nas mãos das autoridades brasileiras. Em havendo harmonia e independência entre os Poderes, nasce o perdão entre irmãos e, com a anistia, também a paz para a economia”. Traduzindo: para Bolsonaro, basta que as “autoridades brasileiras” o livrem da cadeia para que seu amigão Donald Trump desista de castigar o Brasil.
A publicação deixou claros o método e as prioridades do ex-presidente. Longe de colocar o Brasil “acima de tudo”, como costuma repetir em seus comícios, Bolsonaro usou a perspectiva de prejuízo de setores estratégicos da economia brasileira – e da de São Paulo, em particular – como moeda de troca por sua própria liberdade.
Assim, o ex-presidente age como um sequestrador que dita as condições para liberar o refém em seu poder. O refém, no caso, é o Brasil, capturado por sua verborragia liberticida. Sua derrota na eleição de 2022 mostra que boa parte do País conseguiu sair do cativeiro, mas infelizmente ainda há alguns cidadãos aprisionados por sua retórica destrutiva.
Se é compreensível que Bolsonaro e sua grei estejam empenhados apenas em cuidar da própria vida, é cada vez menos tolerável que um punhado de políticos, a pretexto de herdar o capital eleitoral do ex-presidente, ainda hesite entre a lealdade ao padrinho e os interesses do Brasil. Esse episódio da agressão estúpida de Trump ao Brasil escancarou de vez a pusilanimidade dessa turma.
Se serviu para alguma coisa, portanto, a exposição pública do egoísmo de Bolsonaro traçou uma linha divisória no chão. Associar-se a Bolsonaro significa, necessariamente, estar contra o País. É assim que a sociedade deve olhar para todos os que, seja por convicção ideológica, seja por cálculo eleitoral, não se constrangem em vincular sua imagem a um sabotador do Brasil. Como já sublinhamos nesta página, passou da hora de as lideranças políticas conservadoras, entre as quais se destaca o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, escolherem de que lado estão, afinal: do Brasil ou de Bolsonaro. São dois caminhos absolutamente antitéticos.
A conivência com a chantagem, com os ataques reiterados às instituições republicanas e aos princípios do Estado Democrático de Direito é inaceitável para qualquer um que tenha a intenção de seguir uma trajetória digna na política – muito mais para quem aspira à Presidência da República. A admissão pública de Bolsonaro de que quer instrumentalizar a diplomacia comercial do País em troca de uma anistia é um divisor de águas para todos os atores do campo da direita que se pretende democrática, particularmente para aqueles que, como o sr. Tarcísio de Freitas, até aqui se desdobraram para manter uma convivência política ambígua com o bolsonarismo e, assim, conquistar o voto de oposição ao lulopetismo na esteira da inelegibilidade de Bolsonaro.
Independentemente dos vieses ideológicos e da luta pelo voto dos eleitores, a boa política exige coragem para defender com brio os valores próprios de uma sociedade livre e plural, como é a brasileira. Impõe o respeito à verdade dos fatos. Demanda um compromisso inarredável com o interesse público em primeiro lugar. Nada disso se associa, nem remotamente, ao que o sr. Bolsonaro encarna.
Noutras palavras: Tarcísio de Freitas e as demais lideranças conservadoras terão de negar Bolsonaro se acaso quiserem ser vistas ao lado do Brasil. Ou continuarão orbitando um projeto político personalista, antinacional e falido que visa apenas à impunidade de seu líder, à custa da erosão das instituições republicanas.
TRUMP, TARIFAS E O VALE DO SILÍCIO, por Pedro Dória, no jornal O Globo
A carta do presidente Donald Trump anunciando tarifas de 50% para as exportações brasileiras tornou-se o principal assunto no país faz uma semana. Claro – o impacto já se faz sentir em inúmeros setores. Vendas já acertadas vêm sendo canceladas. Muito de nossa conversa vem se concentrando no primeiro parágrafo da explicação que Trump oferece para a decisão: ou a Justiça suspende o julgamento de Jair Bolsonaro ou as sanções virão. Mas falamos pouco do segundo parágrafo – a queixa, também dirigida ao STF, sobre decisões contra as grandes plataformas digitais.
Em termos concretos, Trump ordenou a abertura de uma investigação pela Seção 301 da Lei do Comércio. Nesse artigo 301 estão expostos argumentos que podem levar os Estados Unidos a punir com tarifas um país que use “práticas comerciais irracionais ou discriminatórias”. Em tese, se uma nação trata os produtos americanos de forma distinta de equivalentes vindos de outros países, esse trecho da lei dá poderes de retaliação ao presidente da República. Nunca, desde a sanção da lei em 1974, a Seção 301 foi usada para contestar ordens judiciais de outro país. Em geral, é contra barreiras alfandegárias. Muito menos para determinar como um país deve tratar a circulação de informação, moderação de conteúdo ou o que o valha.
Nenhuma surpresa aí. Afinal, trata-se de Donald Trump. De que importa se uma decisão é inédita, incoerente ou mesmo legal? Não são esses os critérios adotados nos rompantes que saem do Salão Oval. É importante compreender que, não à toa, os principais CEOs da tecnologia estavam na posse do presidente americano. Entre eles há os que abraçaram o trumpismo com sinceridade, e há os que abraçaram por fingimento. Mas todos compreenderam que manter distância protocolar não era alternativa. Entenderam também outra coisa: Trump estava eleito, ocupa o cargo e, dados os seus impulsos, poderia ser um aliado para pressionar países que têm planos de regular o mercado digital. Isso inclui quase todas as democracias relevantes. Reino Unido e União Europeia, Austrália, Canadá, Índia e três quartos da América Latina.
Mas pressão é uma coisa. O confronto direto, com ameaças tão pesadas, é outra. E não é do interesse das empresas de tecnologia. O Brasil representa 10% do tráfego mundial do Instagram, 5% das buscas feitas no Google, 5% do uso do ChatGPT. O Google ganhou US$ 5 bilhões no Brasil em 2024. A Meta ganhou metade disso. Num cálculo da Reuters, meio bilhão de dólares dos US$ 10 bilhões que a OpenAI ganhou no ano passado veio daqui. O confronto direto nesse nível — ou afrouxa a regulação ou puniremos — pode forçar o Estado brasileiro a cercear a operação dessas companhias. Ou até bloqueá-las. O Brasil é o segundo mercado mais importante no Hemisfério Ocidental para todas. Só o mercado americano é maior.
Isso abre uma discussão mais ampla. O mundo se move na direção de regular plataformas digitais. O Brasil não está sozinho. Se os Estados Unidos decidirem punir todos os países que impuserem regras às redes, a consequência evidente será abrir espaço para empresas chinesas. Não é bom negócio para ninguém. Parece, aliás, tão absurdo que o mais provável é ser mais uma bravata trumpista.
Por enquanto, o consumidor americano será penalizado. Seu café, seu suco de laranja, seus sapatos e até seus carros ficarão mais caros. Para o brasileiro, o peixe e a picanha serão mais baratos. Mas é irônico que alguns dos setores econômicos mais atingidos sejam, justamente, os mais ligados ao financiamento do bolsonarismo. Ontem, em entrevista à Folha de S.Paulo, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro sacou do bolso a possibilidade de tirar o Brasil do sistema swift, que rege as transações internacionais. Falou em bloquear os bens de empresários brasileiros e punir empresas americanas que operem aqui. Como ocorreu com a Rússia quando invadiu a Ucrânia.
A ameaça do filho Zero Três é tão absurda que parece rompante retórico. Mas absurda já é a carta de Trump, um sujeito intempestivo que, sabe-se lá, pode até tomar decisões assim. A família Bolsonaro ainda conta com financiadores importantes. Agora, decidiu tornar essa parte relevante de sua base refém. Ou o STF se ajoelha, ou o Brasil será punido. De sua parte, Trump faz o mesmo com o Vale do Silício. Ou a Justiça brasileira cede, ou ficará mais difícil para empresas americanas de tecnologia atuarem por aqui.
Eles cuidam dos problemas deles. Nós, do nosso. Alguém acreditou no papo de “Brasil acima de tudo”? Era mentira.
TRUMP NÃO É DE DIREITA. E ISSO DEVERIA NOS FAZER PENSAR, por Stephen Kanitz, economista, nas redes sociais do autor
É impressionante como tantos jornalistas brasileiros falam de Trump com ares de autoridade , sem sequer entender quem ele é.
Direita ou esquerda? Liberal ou estatista? Trump escapa de todas, e justamente por isso é tão eficaz e tão mal compreendido por nossos intelectuais. Achar que Trump é um ressurgimento da Extrema Direita, como muitos jornais estão informando mostra o desconhecimento brutal destes jornais.
A verdade é que Trump não é de direita, tampouco de esquerda. Já foi democrata, hoje é tolerado a contragosto pelos republicanos. Seu pensamento está mais alinhado a uma corrente praticamente ignorada no Brasil: o comunitarismo.
Comunitaristas acreditam que comunidades fortes e autossuficientes devem ser priorizadas em relação ao mercado global ou ao Estado centralizador.
Não é à toa que Trump, antes de político, foi um planejador urbano.
Viveu de imaginar e construir condomínios, bairros e centros multifuncionais. Seu raciocínio sempre partiu do local, do bairro, do entorno , e não das abstrações do mercado mundial ou da utopia socialista.
Sua crítica à globalização é, nesse contexto, lógica: por que a Apple deveria produzir na China para vender mais barato nos EUA, se isso significa desempregar seus vizinhos comunitários.
Para Trump, isso é burrice econômica e traição comunitária. Prefere pagar mais caro, desde que o emprego e a prosperidade fiquem dentro da comunidade.
Foi essa visão que levou às tarifas de 50% sobre produtos chineses.
Uma política que, ironicamente, lembra nossa velha Política de Substituição de Importações, defendida por décadas pela escola de economia da Unicamp.
Mas enquanto aqui ela é celebrada como marco do “desenvolvimentismo progressista”, quando aplicada por Trump é demonizada como “populismo protecionista”.
Há algo de hipócrita nisso tudo.
Já a esquerda latino-americana nunca fez esse cálculo. Nunca se preocupou em criar produtos populares, acessíveis à classe C e D, tese defendida por Seches, Gouveia, Wright e eu desde 1994. Preferiram importações, subsídios e slogans.
Trump também rejeita o modelo clássico de exportação de produtos que o próprio povo acaba não consumido consumir.
Ele segue a velha máxima de Henry Ford: “Todo trabalhador deve poder comprar o produto que fabrica.”
Uma ideia revolucionária no Brasil, onde há décadas a esquerda ignora a base do consumo popular.
Aqui, políticas públicas sempre foram desenhadas para garantir salários mais altos , mesmo que isso tornasse nossos produtos inacessíveis a quem produziu.
Enquanto isso, nossa indústria seguiu fazendo carros, eletrodomésticos e roupas voltadas para a elite ou para exportação. Pouco se pensou em criar produtos duráveis, acessíveis, para as classes C e D. Pior: chamaram de “neoliberalismo” quem ousou propor isso nos anos 90.
Trump não é um messias. Mas também não é o vilão simplório que nossos comentaristas insistem em pintar.
Talvez por isso incomode tanto. Ele nos obriga a repensar o que entendemos por Estado, mercado e comunidade. E pior: nos força a encarar o quanto abandonamos a ideia de um capitalismo voltado para o povo , e não para estatísticas de exportação.
Estamos prontos para discutir ideias sem os rótulos fáceis? Ou vamos continuar prisioneiros da velha dicotomia “direita-esquerda”, enquanto o mundo real opera em outras frequências?
Comente, compartilhe, critique, mas pense.
O Brasil precisa de mais reflexão honesta e menos torcida organizada.
A MÁXIMA “O PATRIOTISMO É O ÚLTIMO REFÚGIO DOS CANALHAS” AGORA É NOSSA, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo
A direita, sempre burra, atirou no próprio pé, e Trump deu uma sobrevida a um regime, o lulismo, que respira por aparelhos
Agora somos todos patriotas. A máxima “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” é algo que nós, brasileiros, deveríamos ter junto ao nosso coração.
Em 2022, “patriotas” era um termo que os bolsonaristas usavam para si. “Patriotas” invadiram a Praça dos Três Poderes. Chegou a hora de a galera do outro lado da babaquice nacional dizer que o Brasil nunca usará uma camisa azul, vermelha e branca? Toda a intelligentsia zoava os patriotas bolsonaristas. Agora vestem a camisa da seleção brasileira com orgulho.
O “Lulanistão” deprime. Ser obrigado a conviver com o ridículo do novo patriotismo é humilhante. Quando se pensa que atingimos o fundo do poço, vamos mais fundo. O crítico literário americano Lionel Trilling (1905-1975) dizia que o historiador romano Tácito (século 1º d.C.) escrevia como um intelectual sem nenhuma esperança para com a Roma dos ditadores. Seria uma obrigação moral dos historiadores brasileiros escrever agora sobre o Brasil sem nenhuma esperança?
“Agora somos todos o STF!” A direita, sempre burra, atirou no próprio pé. Trump deu uma sobrevida a um regime, o lulismo, que respira por aparelhos. A chance de sair do coma foi dada de bandeja pelo Trump. Ao contrário de xingarmos o presidente americano —e não me venham com expressões ridículas como “estadunidense”—, a galera do outro lado da babaquice nacional deveria acender velas para ele. Bandeiras americanas queimadas na Paulista! Oh! Finalmente o Brasil foi lembrado pelos americanos. O vira-lata em nós tem um dia de cachorro de madame. Banho e tosa numa clínica de pets chiques.
Na verdade, o Trump ter lembrado de taxar o Brasil significa que, depois de um longo e tenebroso inverno, os ianques lembraram que nós existimos. Da irrelevância geopolítica absoluta, temos nossos 15 minutos de fama internacional.
E como conseguimos tal proeza? Lambendo as botas de Putin, indo celebrar o fim da Segunda Guerra Mundial na pátria da grande guerra patriótica —os russos chamam a Segunda Guerra Mundial assim. Lula, ao lado da fina flor das democracias mundiais, lambendo as botas dos chineses, com a chefe da diplomacia nacional rogando para que eles nos ensinem a defender nossa democracia dos seus inimigos —assim como os chineses defendem a democracia deles, claro. Lambendo as botas do regime teocrático iraniano, pátria do respeito aos povos, vítima da “agressão americana e sionista”. Gozando com a ideia de criar uma moeda que “desdolarize” a economia global.
Enfim, temos a nossa “crise dos mísseis em Cuba”. Lula quer fazer do seu quintal “Lulanistão” a cabeça de ponte dos regimes não democráticos do mundo. Glória nacional, finalmente. Lula quer transformar o Brasil no representante do “eixo da resistência global” contra a ameaça americana à liberdade. Sendo esta, claro, defendida por China, Rússia e Irã.
A liderança brasileira é regredida. Bolsonaro, por sua vez, exige que o Supremo agilize seu processo, contando, claro, com o poder do seu amigo rico, Trump. A miséria da política nacional atinge seu clímax. Deveríamos fazer um minuto de silêncio para a vergonha nacional. A incompetência é o combustível do Brasil nos últimos tempos.
É possível que Trump, de fato, esteja preocupado com o Bolsonaro —essa outra face do ridículo nacional? Ainda custo a acreditar, apesar de que o presidente americano reforça bem a suspeita de que o mundo seja mesmo um circo. Achar que pode se meter num processo jurídico de outro país é coisa de gente de inteligência duvidosa mesmo. Somos sim a república das bananas, mas deixamos claro que as bananas são nossas e não do Trump.
Enquanto os brios da nação verde oliva acordam —para um pesadelo—, o país continua no buraco. O governo federal continua gastando rios de dinheiro para manter o populismo vivo e atuante no “Lulanistão”. Patinamos na nossa incompetência. A soberania nacional —essa expressão que no Brasil de hoje tem tanta segurança semântica quanto a palavra “energia espiritual”— está quase perdida para o crime organizado, mas os novos patriotas acham que as big techs é que são a ameaça a essa pretensa soberania.
A ditadura também falava em soberania nacional. As forças armadas também falavam em soberania nacional. Todos ridicularizados. Agora é “cool” falar dela. Aliás, ela vai bem obrigado na tão cantada em prosa e verso Amazônia, território colonizado em grande parte pelo mesmo crime organizado, esse sócio do mercado, do governo e de todos nós, enquanto nos matam, nos roubam e nos perseguem nas ruas a pauladas. Festa no “Lulanistão”. Cantemos nosso hino.
Estamos na torcida pra que um dia alguém invente um aplicativo (APP) pra envio de mensagens instantâneas ou pra fazer reuniões por video conferência que funcione já que o WHATSAPP, MESSENGER, GOOGLE MEET e o MICROSOFT TEAMS pelo visto não funcionam. Neste dia, quem sabe, vai começar a sobrar dinheiro para o povo. O próximo grande projeto dos vereadores será o terceiro assessor (já tem um pra dirigir o corolla e outro pra bater foto e filmar tudo). Já o terceiro será o agente de viagens particular dos políticos e ficar pesquisando preço de passagens, hotel, e coletando notinhas para comprovar despesas e garantir a diária gorda e dobrar sua remuneração ao final do mês.
Sintética e perfeita observação. A Câmara de Gaspar espelhao desativo legislativo de Brasília. E o povo está de saco cheio de Brasília. O que você escreve, percorre a cidade e se amplia quando o governo não produz resultados e os vereadores da própria base, não tendo para onde correr, eles cobram resultados, fingindo ao povo que não são parte do problema.
Vem aí a emenda de vereador em Gaspar. Como em Brasília começa com migalhas ou tostões e por questões de jogo bruto do toma lá dá cá, vira como milhões de Reais engolindo e chantageando com a maior parte do minguado Orçamento
Este Desgoverno não criou nada.
As poucas ações que ainda funcionam na educação foram criadas na gestão passada.
Nas demais secretarias quem está mandando é indicando é o novo prefeito de fato Mário Hildebrand que vai empilhando seus nomes de confiança no novo governo de Gaspar. Mario tem mais indicados que Rodrigo Altof no governo.
Ainda não sei se é desgoverno, mas que falta liderança, planejamernto, gestão e resultados a isto falta. Sobra arrogância, incapacidade, má escolhas (escolheram quem já provou que não é capaz de não entregar nem o básico) e consequentemente, falta resultados. Segue o mito e espera-se o milagre. Resultados só com inteligência, trabalho e trabalhadores comprometidos
O VERDADEIRO INIMIGO DO BRASIL É A POLARIZAÇÃO, por Lygia Maria, no jornal Folha de S. Paulo
A política brasileira virou a paródia de um romance de cavalaria. Petistas e bolsonaristas se enfrentam a partir da criação de inimigos e paixões imaginárias. São como Dom Quixote, que luta contra moinhos de vento e vê numa camponesa rude, sem nenhum afeto por ele, sua amada e nobre dama Dulcinéia.
Por óbvio, o jogo do poder envolve embates entre opostos, mas a natureza fantasiosa dos objetos em disputa e a incitação ao medo tensionam ainda mais o campo político, desviam o foco dos verdadeiros problemas do país e implicam graves desvios éticos.
Na última semana, as peripécias quixotescas foram evidentes. Eduardo Bolsonaro, fingindo que seu amado Donald Trump se importa com a democracia brasileira, apoia a agressiva alta de tarifa pelos EUA, que afeta produção, emprego e pode piorar a inflação.
Para ele e seus apoiadores, o STF é o grande vilão, como se não houvesse evidências de que o ex-presidente conspirou para dar um golpe. Deixam claro, portanto, que o slogan “Brasil acima de tudo” sempre foi uma ficção. Alegam defesa da liberdade de expressão, quando na verdade não passa de chantagem para tentar livrar Jair Bolsonaro da cadeia.
Já Lula e o PT reforçam a datada narrativa de ricos contra pobres para aprovar o aumento do IOF, que não tem nada a ver com redistribuição de renda.
Se fosse esse o objetivo, seu governo não teria expandido o gasto público de forma descomunal, elevando assim juros e inflação, que prejudica os mais pobres. Teria atuado para cortar subsídios, rever a regressividade dos impostos que incidem sobre o consumo, desvincular o salário mínimo da Previdência, acabar com os supersalários e mais uma série de medidas que de fato contribuem para diminuir desigualdades e impulsionar a economia.
Com a ajuda do ex-presidente, incluem o imperialismo ianque na disputa imaginária, de tom autoritário, do “nós contra eles”.
Enquanto petistas e bolsonaristas escrevem sua narrativa delirante, só os fiéis escudeiros da democracia e do desenvolvimento do país sabem que o real inimigo nessa história é a polarização.
APRENDIZES DE BOLSONAROS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A direita brasileira que se pretende moderna e democrática, se quiser construir um legítimo projeto de oposição ao governo Lula da Silva, precisa romper definitivamente com Jair Bolsonaro e tudo o que esse senhor representa de atraso para o Brasil. Não se trata aqui de um imperativo puramente ideológico, e sim de uma exigência mínima de civilidade, decência e compromisso com os interesses nacionais.
O recente ataque do presidente americano, Donald Trump, às instituições brasileiras, supostamente em defesa de Bolsonaro, é só uma gota no oceano de males que o bolsonarismo causa e ainda pode causar aos brasileiros. A vida pública de Bolsonaro prova que o ex-presidente é um inimigo do Brasil que sempre colocou seus interesses particulares acima dos do País. A essa altura, portanto, já deveria estar claro para os que pretendem herdar os votos antipetistas que se associar a Bolsonaro, não importa se por crença ou pragmatismo eleitoral, significa trair os ideais da República e arriscar o progresso da Nação.
Por razões óbvias, Bolsonaro não virá a público condenar o teor da famigerada carta de Trump a Lula. Isso mostra, como se ainda houvesse dúvidas, até onde Bolsonaro é capaz de ir – causar danos econômicos não triviais ao País – na vã tentativa de salvar a própria pele, imaginando que os arreganhos de Trump tenham o condão, ora vejam, de subjugar o Supremo Tribunal Federal e, assim, alterar os rumos de seu destino penal.
Nesse sentido, é ultrajante a complacência de governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) diante dos ataques promovidos pelo presidente dos EUA ao Brasil. As reações públicas dos três serviram para expor a miséria moral e intelectual de uma parcela da direita que se diz moderna, mas que continua a gravitar em torno de um ideário retrógrado, personalista, francamente antinacional e falido como é o bolsonarismo.
Tarcísio, Zema e Caiado, todos aspirantes ao cargo de presidente da República, usaram suas redes sociais para tentar impingir a Lula, cada um a seu modo, a responsabilidade pelo “tarifaço” de Trump contra as exportações brasileiras. Nenhum deles se constrangeu por tergiversar em nome de uma “estratégia eleitoral”, vamos chamar assim, que nem de longe parece lhes ser benéfica – haja vista a razia que a associação ao trumpismo provocou em candidaturas mundo afora.
Tarcísio afirmou que “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado”, atribuindo ao petista a imposição de tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras aos EUA – muitas das quais saem justamente do Estado que ele governa. Classificando, na prática, a responsabilidade de Bolsonaro como uma fabricação, o governador paulista concluiu que “narrativas não resolverão o problema”, como se ele mesmo não estivesse amplificando uma narrativa sem pé nem cabeça.
Caiado, por sua vez, fez longa peroração, com direito a citação do falecido caudilho venezuelano Hugo Chávez, antes de dizer que, “com as medidas tomadas pelo governo americano, Lula e sua entourage tentam vender a tese da invasão da soberania do Brasil”. Por fim, coube a Zema encontrar uma forma de inserir até a primeira-dama Rosângela da Silva no script para exonerar Bolsonaro de qualquer ônus político pelo prejuízo a ser causado pelo “tarifaço” americano se, de fato, a medida se concretizar.
O Brasil não merece lideranças que relativizam os próprios interesses nacionais em nome da lealdade a um projeto autoritário, retrógrado e personalista. Até quando a direita brasileira permitirá ser escrava de um desqualificado como Bolsonaro? Não é essa a direita de um país decente. Não é possível defender o Estado Democrático de Direito e, ao mesmo tempo, louvar e defender um ex-presidente que incitou ataques às urnas eletrônicas, ameaçou as instituições republicanas, sabotou políticas de saúde pública e usou a máquina do Estado em benefício próprio e de sua família ao longo de uma vida inteira.
O Brasil precisa, sim, de uma direita responsável, madura e comprometida com o futuro – não de marionetes de um golpista contumaz.