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A COMUNICAÇÃO MANCA DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, TRANSFORMA ESTA ÁREA VITAL DE IMAGEM PARA RESULTADOS PARA SI E O SUPOSTO PROJETO DE GESTÃO DIFERENCIAL, EM UM CENTRO DE FOFOCAS E DISPUTAS PESSOAIS DE QUEM NÃO ENTENDE SER ELA É ESTRATÉGICA, ANTES DE MERAMENTE UMA PRODUTORA FORMAL DE “PRESS RELEASES”. ELES NÃO CRIAM MARCA POSITIVA DO GOVERNO, DO GESTOR E DO POLÍTICO

A badalada e queridinha da própria mídia regional e até estadual – e por isso FOI um soco na boca do estômago do próprio governo de Paulo Norberto Koerich, PL -, Gisele Scopel, mais uma vinda de Blumenau, não aguentou e pediu para sair da Superintendência de Comunicação da prefeitura de Gaspar, acima uma reprodução da mídia social local. Ela mostra que Gisele, ao menos, soube fazer o marketing de si própria. Saiu por cima da carne seca. Gisele sabia o que o governo Paulo fez com os seus antecessores. Lição para outros.

Mas isto é notícia velha. Peixe fedendo. O que ninguém explica são as razões específicas desta saída. E não precisa. Está na cara de todos. E a própria Gisele quando contratada sabia disso. Advertências não faltaram. Era um desafio. E, infelizmente, como se comprova agora, ela foi vencida pelo próprio risco que assumiu. Eu mesmo aqui precifiquei à saída dela. Fui amaldiçoado. Inclusive por Gisela. Bingo. Estou, desgraçadamente, de alma lavada mais uma vez. No fundo perdeu a comunicação profissional com inteligência.

Gisele foi a terceira experiente do ramo a ser nomeada por Paulo Norberto Koerich, PL e a cair em menos de dois anos deste governo nesta Superintendência. A comunicação nos dias de hoje é estrategicamente vital quando se lida e se precisa do público.

Veja o que aconteceu mais uma vez nas eleições desta ano: a comunicação de guerrilha, digital e organizada com finalidade específica, derrotou o favoritismo antecipado. Caíram a abstenção, o nulo e brancos pela motivação intencional. E Luiz Inácio Lula da Silva, PT, foi eleito para o quarto mandato e o mercado não enxergou e hoje amargurou prejuízos.

CURIOSOS, FOFOQUEIROS E ESPIÕES

Voltando. O primeiro superintendente de Comunicação anunciado com pompa e descartado pelo governo de Paulo Norberto Koerich, foi Felipe Gabriel Rodrigues, de Blumenau. Tinha um bom currículo na área. Durou seis meses. Depois veio Jefferson Douglas da Silva, com menos badalação, também de Blumenau. Durou sete meses. Agora, Gisele – a estrela -, durou quase oito meses. Mas, perguntar não ofende: o próximo durará nove meses? Teremos neste ritmo mais três Superintendente de Comunicação no atual governo de Gaspar em quatro anos?

Melhor será Paulo nomear a sua esposa Chaiane Mara Brechbule Koerich e que todos os passantes da Superintendência, em off e para os coleguinhas da mídia em Santa Catarina se queixaram da sua interferência em algo que, sabidamente, Chaiane não entende, mas culpava os superintendentes pelo insucesso do marido como gestor público.

Se nomeá-la, resolve-se tudo. E corre o risco da solução ou do afundamento na mesma proporção. Mas, tudo estará em casa.

A COMUNICAÇÃO SEM INTELIGÊNCIA ESTRATÉGICA É NULA

Retomando.

A comunicação de uma empresa, entidade e de um governo – e até de uma beldade -, diante da agilidade, profusão e agora da Inteligência Artificial,  com à falta de controles sobre conteúdos e propagação, perdeu o seu único status operacional de antigamente.

A comunicação de hoje, é antes de tudo, tático e estratégico num modo de vigilância e revisão constante como aconteceu na eleição de domingo. Em 20 dias o PT, Lula e a esquerda do atraso resolveram os seus problemas e reverteram uma eleição tida como perdida. A função da comunicação é a de construir imagens com convencimento e não apenas a de relatar, esconder ou justificar fatos. Eles são marginais dessa imagem dinâmica e em constante atualização.

É complicado, complexo e difícil até para os mais experientes. Para curiosos, é um desastre. E é o caso de Gaspar até o momento.

Quer exemplos extremos e atuais? Um pinço de longe: Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, governador de São Paulo vindo de fora de São Paulo, como muitos do staff de Paulo Norberto Koerich, PL. Só por isso, no caso de Tarcísio, teria tudo para dar errado. No entanto, ele superou este estereótipo com realizações, transparência e resultados. Isto é escolha. É inteligência. É tático. É imagem pura no inconsciente. E ela, por si só, esconde os defeitos e fragilidades de Tarcísio e do governo dele, porque todos temos.

E exatamente diante da imagem tática que se construiu intencionalmente, Tarcísio foi reeleito tratorando quem sabe – se provou neste domingo – desqualificar os outros.

O outro exemplo, eu pinço de Gaspar entre dezenas capitais que posso listar, muitos dos quais já passaram por aqui e deixaram bem putos os do governo, como se eu fosse culpado por expor os erros sucessivos dessa gente.

O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, teve dois anos para fazer duas simples cabeceiras de concreto para colocar uma ponte doada pela Defesa Civil de Jorginho Mello, PL, lá no Gaspar Alto. Só se mexeu neste assunto quando a imagem do governo foi tragada por um caminhão de lixo pendurado num pontilhão improvisado. E agora, para completar o serviço porco, a imagem que circula (foto ao lado), é que finalmente, acordaram e estão fazendo as tais cabeceiras para o “kit de concreto”.

E quem fez a divulgação? A Associação de Moradores do Gaspar Alto (foto) nas redes sociais. Não a prefeitura, a secretaria de Obras e Serviços Urbanos ou a própria Superintendência de Defesa Civil. Credo!

ATÉ CAVALO ENCILHADO PAULO PERDE POR MÁ COMUNICAÇÃO

Paulo reclama que há fofoqueiros na praça desgraçando a imagem de um governo que mal se comunica, pouco realiza e muito erra nesta área. Até naquilo que parece ser a sua maior conquista, o Hospital Santo Antônio, de Gaspar, Paulo perde a oportunidade porque se comunica mal e não é transparente com a sociedade. Só ela, a transparência, daria créditos inéditos a ele. Mas, a trocou por picuinhas. E vai deixar o legado passar em branco.

No fundo, o atual governo de Gaspar não possui canais de credibilidade para avalizá-los de dentro para fora. Fez todos comerem migalhas. E se não comem, o imaginário da cidade, trata de colocar o rótulo.

E para piorar, dentro do governo poucos se salvam para dizer o que fazem de diferente pela cidade, cidadãos, cidadãs e o futuro. E quando colocam a cabeça para fora, correm o risco de perderem o pescoço. Incrível! E para completar, não se sabe quem foi o gênio em comunicação que disse ao Paulo de que ele é um comunicador para estar se desgastando a toda nas postagens que ele faz. Resta então tirar fotos com velhinhos e crianças.

Ainda há tempo. O tempo que corre contra a reeleição dele próprio. Bastaria olhar para dentro da próprio gabinete e ao redor de si. Comunicação não é fazer press releases. De verdade? É fazer a população compreender a versão oficial. Enquanto isto, com a casa em pedaços, há uma disputa no baixo clero dela pela superintendência de comunicação que vai da chefia de gabinete, passa por gabinetes na Câmara e estaciona na própria consorte do prefeito a quem estão pedindo as bençãos. Meu Deus. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

A verdade seja escrita. Na última pesquisa feita em Gaspar neste domingo com a abertura das urnas, está claro de que o conservadorismo, a direita e o liberalismo local continua intacto e a esquerda do atraso um nicho respeitável. Resta saber que aproveitará melhor isto. E a esquerda em 2028 estará sob o fogo cruzado de um governo possivelmente desgastado nacionalmente.

Em 2022, o paulista Jair Messias Bolsonaro, PL, na reeleição, conseguiu 74,95% dos votos válidos. Ontem, seu filho, o senador carioca Flávio Bolsonaro, PL, 74.34%. Enquanto isso, Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022, conseguiu em Gaspar 25,05% dos votos válidos e agora, 25,66%. Então, não prospera as versões de que houve um crescimento vertiginoso por conta das migrações e do histórico enclave petista entre os gasparenses.

O deputado estadual eleito por Blumenau, onde já tentou e não conseguiu por várias vezes a prefeitura de lá, Ivan Naatz, PL, tenta se manter vivo politicamente no governo de Jorginho Mello, PL, depois de não se reeleger a deputado estadual numa guerra fatal contra o ex-prefeito de lá, Mário Hildebrandt, PL. Os dois foram para o saco.

E por quê faz isto? Para voltar a cena política em 2028. A corrida à prefeitura de Blumenau não está descartada, mas Ivan Naatz, PL, procura alternativas para concorrer à prefeitura de Gaspar ou de Penha. Antes terá que se desembrulhar de alguns pecados que o perseguem na Justiça Eleitoral.

Enquanto o PT nacional fazia a barba, cabelo, bigode e sovaco na comunicação nacional para a vitória, em Gaspar o PL dava exemplos de como esta habilidade passa bem longe do campo conservador e principalmente bolsonarista, o que se apropriou da direita no país.

Uma simples uma organização de carreata se tornou um problema incontornável entre os criaram o grupo para tal. Ninguém mais tinha voz (print ao lado). Um a um os participantes foram perdendo a voz no grupo. Resultado: briga entre eles próprios e pouca adesão. E as urnas não deixaram a menor dúvida. E havia quem reclamasse por democracia. Não entre os bolsonaristas.

E esta treta do tal e.mail de ameaças a integridade das crianças em creches e escolas de Gaspar? Primeiro, o e.mail, é no meio digital o mais vulnerável e rastreável, mesmo quando se faz de uma lan house e usando a tal VPN. Segundo, este e.mail era coisa antiga e foi para vários educandário, até que um, diante do silêncio da cidade, fez chegar a um comunicador. E aí…

Paulo Norberto Koerich, PL, tinha a fama de um policial investigador astuto e implacável e por conta dessa fama construída em 30 anos de carreira, chegou até ser secretário de Segurança de Carlos Moisés da Silva, Republicanos, salvando o chefe no caso da compra dos respiradores que nunca chegaram, apesar de pagos antecipadamente, no tempo da pandemia da Covid 19.

Paulo Norberto Koerich, PL, por seu passado, conhece como poucos, então, a polícia científica catarinense. Incrivelmente, Paulo e o seu governo estão encurralados neste assunto quando já deveriam estar com o nome do autor deste e.mail. Ou seja, com o pau e a cobra na mão para não ter contra eles, a ira dos pais, a vulnerabilidade das crianças e o uso político de tudo isto. Credo!

Não custa lembrar de que em Blumenau, a morte de crianças por um psicopata numa creche entre os bairros da Velha e Agua Verde levou a contratação emergencial de seguranças e discussões histéricas se podiam ser armados ou não. Adivinha o que aconteceu? Um problema se tornou num escândalo de má contratação e uso do dinheiro público. Afinal, que interesses movem a ameaça, o abafamento e o palanque político – casualmente em tempo de campanha e eleições – em algo tão essencial para a sociedade gasparense? Muda, Gaspar!

Começou a corrida para a eleição de vereadores em 2028. Tem vereador tiktocker preocupado com derrota de Flávio Bolsonaro, PL. E nas redes que diz dominar, já começaram a pedir que trabalhe. Em tempo. Não foi a direita que perdeu, foi o bolsonarismo com um candidato pau mandado, manchado e fraco.

Diz a normalidade que uma reforma se começa pelo telhado. A casa de velórios do cemitério Santa Terezinha, primeiro fizeram a reforma interna. E agora, viram o desperdício. E vão finalmente colocar um telhado novo. Credo.

Quando eu escrevo sou demonizado. E nem entendo bem a razão disso, pois os que me demonizam logo dizem que eu não sou lido por ninguém. Se não sou lido, não há razão para preocupação. O governo pediu autorização da Câmara para contrair empréstimos até R$100 milhões no Banco do Brasil. Não disse para que. Os vereadores fecharam o olho, resmungando e aprovaram. O que aportou agora na Câmara? Um projeto de Lei, emendando o anterior, dando genericamente a destinação do tal empréstimo. Quem obrigou a isso? O Banco do Brasil. Bonito né, vereadores e assessores técnicos da Câmara! Muda, Gaspar!

Outra ré. O Samae de Gaspar quer mais gente. O seu presidente, o ex-vereador Cícero Giovane Amaro, PL, até foi à Câmara dar explicações. Nem adiantou. A matéria não prosperou numa das comissões. Até pode ser votada, se o presidente alinhado com o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, Ciro André Quintino, MDB, quiser, sem estes pareceres. Sob vistas – extensão de prazo para melhor análise – vai aguardar a tal Reforma Administrativa que aos poucos, estava sendo fatiada e colocando no saco a maioria dos vereadores.

Um experiente funcionário público de Gaspar me fez a seguinte observação ao ver o noticiário sobre a audiência da semana passada da Revisão do Plano Diretor de Gaspar. Todos os loteamentos que estão dando problemas e vão ainda dar, foram iniciados no governo de Kleber Edson Wan Dall, eleito pelo MDB, agora no Podemos para dar apoio aos Bolsonaros. E quando Pedro Inácio Bornhausen, PP, era o chefe de gabinete de Kleber entre 2017 e 2019.

Agora, depois de organizador da campanha, ser o chefe de gabinete de Paulo Norberto Koerich, PL, Pedro Inácio Bornhausen, PP, é o secretário de Planejamento Territorial, o que está comandando a revisão do Plano Diretor e que vai lidar com os pepinos herdados nos loteamentos, alguns deles, já judicializados. A seu favor, diga-se que Pedro também herdou a secretaria, depois que três secretários, sem o últimos deles, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, vindo de Blumenau, ser pego numa braba operação do Gaeco por lá. Muda, Gaspar!

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2 comentários em “A COMUNICAÇÃO MANCA DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, TRANSFORMA ESTA ÁREA VITAL DE IMAGEM PARA RESULTADOS PARA SI E O SUPOSTO PROJETO DE GESTÃO DIFERENCIAL, EM UM CENTRO DE FOFOCAS E DISPUTAS PESSOAIS DE QUEM NÃO ENTENDE SER ELA É ESTRATÉGICA, ANTES DE MERAMENTE UMA PRODUTORA FORMAL DE “PRESS RELEASES”. ELES NÃO CRIAM MARCA POSITIVA DO GOVERNO, DO GESTOR E DO POLÍTICO”

  1. PRESIDENTE RECEBERÁ UMA HERANÇA MALDITA DELE MESMO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    Não deixa de ser uma ironia: Lula receberá uma herança maldita dele mesmo. Na economia e na política. Na economia, a responsabilidade é inteiramente dele. Sim, o ambiente internacional — com guerras, preços essenciais elevados, como combustíveis e fertilizantes, e juros em alta — cria restrições ao crescimento. Mas o governo já poderia ter tomado medidas para controlar os efeitos desses fatores externos.

    Não tomou por causa da política. E não foi apenas para ganhar as eleições. Antes mesmo da campanha, a projeção do próprio governo previa um déficit nas suas contas superior a R$ 80 bilhões. Na contabilidade oficial, isso apareceria como déficit zero, mas ninguém mais acredita nesses truques. Nem o governo, quando mostra que a dívida pública subiu nos quatro anos do governo e tem tendência de alta. E, se a dívida sobe, só pode ser porque o governo gasta mais do que arrecada.

    Aqui entra a política. Ao déficit previsto antes da campanha, deve ser somado o custo das medidas eleitoreiras tomadas nas últimas semanas. Calcula-se que essas medidas têm custo em torno de R$ 300 bilhões, que comprometem o Orçamento deste ano e do próximo.

    É outra ironia: para ganhar a eleição, Lula distribuiu dinheiro e créditos, abriu mão de receitas e prometeu novas bondades — como a tarifa zero no transporte urbano aos fins de semana — que impõem um enorme desafio para sua próxima administração.

    Considerou uma bobagem isso de fazer superávit. Para ele, o melhor caminho é promover o crescimento com investimentos e estímulos do governo. Parece fazer sentido. Mede-se a dívida pública pela sua relação com o Produto Interno Bruto (PIB). Essa dívida é hoje de 83% do PIB. Ora, se o PIB crescer mais depressa, essa relação cai, certo? Errado. Não há como o PIB crescer mais depressa, especialmente no atual modelo — com o governo, as famílias e as empresas endividados e pagando juros de agiota.

    Já está acontecendo. O país cresce num ritmo anual de pouco mais de 1%, com inflação acima da meta e com o Banco Central mantendo taxa de juros chamada de “restritiva” — taxa que restringe consumo e investimentos. Para que esses juros caiam, só tem um jeito: o governo reduzir seu déficit, gastando menos do que arrecada. Fazer o tal ajuste fiscal — esse que Lula disse que não fará.

    Muitos economistas e analistas políticos entendem que esse ajuste será feito por bem ou por mal. No caso, por mal, à medida que a crise econômica avançar. Seria um estelionato eleitoral, é verdade, mas como que inevitável.

    Os mercados reagirão mal à vitória de Lula. Isso significa Bolsa em queda, juros em alta, real desvalorizado. Tudo que pode complicar o quadro econômico, apontando para mais inflação, com desaceleração do PIB.

    O pessoal esperará uma palavra de Lula sobre uma eventual mudança de política. No mercado, dizem que colaboradores do presidente já mandaram alguns recados. Ocorre que Lula ganha com um Congresso majoritariamente de direita. Encontrará forte oposição, mesmo porque o país está rigorosamente dividido. Essa divisão não acaba depois desta eleição, assim como não acabou depois de 2022, quando Lula ganhou também com apertada maioria.

    No terceiro mandato, Lula não ampliou sua base política. Ao contrário, fixou-se na esquerda. Comenta-se agora que o vice Geraldo Alckmin pode cumprir a tarefa de aproximar o governo do centro e dos meios econômicos. Pode ser, mas até agora o que se viu foi uma virada de Alckmin para a esquerda.

    Um sinal importante — nesta ou naquela direção — será dado com a eventual formação de um novo ministério, especialmente da equipe econômica. Ocorre que Lula virou a eleição com a esquerda, com a extraordinária mobilização dos últimos dias. É a essa militância que deve seu quarto mandato. A ver.

    E o que teria acontecido se Flávio Bolsonaro tivesse vencido? Ele também teria dificuldade para fazer o ajuste fiscal. Além disso, na política, traria um risco à democracia, considerados o passado e o presente da família.

  2. LULA GANHA NOVA CHANCE DE CORRIGIR O SEU GOVERNO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prestes a completar 81 anos de idade, deu mais uma mostra de vigor pessoal e político ao conseguir uma inédita virada em segundo turno e reeleger-se, neste domingo (25), para seu quarto mandato presidencial com 52% dos votos válidos.

    Se o feito reforça sua condição de maior líder popular brasileiro deste século, urge que a soberba não o impeça de compreender o significado de sua vitória dada como improvável até o dia anterior.

    Seu governo foi mal avaliado pela sociedade, o que quase lhe custou ser batido por um político de pouca expressão, nenhuma experiência no Executivo e ligações rumorosas —Flávio Bolsonaro (PL), como se não bastasse, seria também um risco para a normalidade democrática.

    Para superar o rival, Lula recorreu, como nunca o fizera em disputas anteriores, ao uso descarado da máquina pública. Empilhou benesses e promessas casuísticas, conspurcou programas e tornou ainda mais pesada a herança de déficits e dívidas que deixará para si próprio.

    Ainda que tenha preservado a alto custo sua cadeira no Planalto, não pôde impedir que forças à direita ampliassem, novamente, sua participação no Legislativo e nos estados —o que será outro grande obstáculo desde já.

    Tudo isso deveria ser mais do que suficiente para inspirar autocrítica e correção de rumos. Há mais, porém: é tão grave a crise orçamentária semeada pelo petista que será preciso escolher entre um ajuste duro e potencialmente impopular, renegado na campanha, e a rota de um colapso econômico. Sem conter o déficit do governo, os juros permanecerão na estratosfera e levarão a uma recessão que elevará a pobreza e o desemprego.

    A nova chance que Lula recebeu do eleitorado será também, muito provavelmente, a última. Sua impressionante trajetória política será enriquecida se encerrada com atitude de estadista, que busca o interesse público antes da popularidade.

    Seu terceiro governo já deveria ter sido, como se prometera, de frente política ampla. No entanto as forças ao centro receberam não mais que postos subalternos no primeiro escalão, preenchido muito mais com critérios de afinidade partidária e ideológica que de competência técnica.

    Relações de confiança também foram os parâmetros principais para as indicações para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF), o que contribuiu para o descrédito da corte, ora em crise inaudita.

    A despeito dos esforços quixotescos de Fernando Haddad na Fazenda, a política econômica foi ditada ora pelas crendices, ora pelas conveniências eleitoreiras de Lula e do PT. Está hoje desacreditada por completo.

    O mandatário preferiu reeditar políticas do passado a adaptar-se a um novo contexto doméstico e global, bem mais adverso que o de suas primeiras passagens por Brasília. Que mire o futuro agora e faça um bom quarto governo.

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