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PREFEITURA MANDA BANANAS PARA OS VEREADORES DA PRÓPRIA BASE E NÃO DIZ O QUANTO OS PROJETOS INDIVIDUAIS E O DA REFORMA ADMINISTRATIVA ENDIVIDARÃO, AINDA MAIS, GASPAR NO PRESENTE E NO FUTURO

Há um desconforto geral na bancada do PL, do União Brasil e dos que aderiram ao governo de Paulo Noberto Koerich, PL, como o PP e parte do MDB, estes dois para lhe dar governabilidade. Sucessivos projetos criando cargos, aumentando remuneração, reclassificando funções, somada à cara – para ser estudada e naquilo que vai resultar –  Reforma Administrativa. Não se sabe ao certo o quanto tudo isto vai custar aos gasparenses e afetar os números deste mesmo Orçamento.

E sempre que se toca neste assunto, ele se torna um segredo absoluto num governo que insiste em dizer por aí que é transparente. Os simples e obrigatórios requerimentos dos vereadores pedindo explicações para se tocar estas matérias adiante na Câmara, ou não foram respondidos, ou pior, quando foram, as respostas vieram truncadas, ignoradas ou pela metade, num atentado sem igual contra a autoridade e a obrigação da função dos vereadores de fiscalizar o que faz o prefeito e seus secretários.

As secretarias envolvidas, mas principalmente a poderosa e centralizadora de Fazenda e Gestão Administrativa, por onde tudo passa nestas questões orçamentárias e tocada pela que veio de Blumenau, Ana Karina Schramm Matucheski Cunha, deita e rola no desprezo aos vereadores, com o aval do próprio Paulo, o único com autoridade formal sobre ela para reverter este comportamento. Ele diante das queixas e das evidências, se não fosse solidário a este desatino, já teria pedido para ela esclarecer e colocar tudo em pratos limpos, não exatamente para os vereadores, mas principalmente para a cidade, cidadãos e cidadãs.

Eu exagero? Veja e ouça você mesmo leitor e leitora que eu não os tenho – segundo os que estão no poder de plantão e não querem a tal transparência no ambiente público a que estão obrigados por conta disso – um corte que fiz do pronunciamento do vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, na sessão da Câmara da terça-feira passada. Thimoti não é exatamente de oposição. Ele é do time que elegeu Paulo, é o porta-voz do vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, eleito pelo PL e hoje no Republicanos, que anda numa relação bem estranha no poder de plantão.

Entenderam? Na imprensa de Gaspar e regional este assunto não é tratado nem como notícia. Sabe-se bem a razão disso. Este assunto começou a aparecer aqui. Depois, de mansinho, em algum pronunciamento da suposta oposição como Dionísio Luiz Bertoldi, PT, Giovano Borges, PSD e Roni Jean Muller, MDB. Avolumou-se nas Comissões – agora transmitidas e com mais liberdade de se expor este tipo de problema até então escondido no silêncio das salas fechadas – e fez até a líder do próprio governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, dar dois passos atrás, como já relatei em artigos anteriores.

É que Paulo Norberto Koerich, PL, viu que estava fácil passar este inchamento da máquina pública gasparense tão igualzinho ao que condena, na teoria e no discurso fácil, naquilo que faz o governo do PT, com Luiz Inácio Lula da Silva. Bastava ter aval, vejam só, do Sintraspug – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipais de Gaspar. Esticou a corda e exagerou, como foi a multiplicação das dezenas da remuneração extra dos membros da Comissão de Processo Administrativo e Disciplinar. Aliás esta ideia está agora, por unanimidade, com os dias contados

Gaspar pode não estar endividada ou se endividando, ou inchando de funcionários burocratas em tempos digitais e da Inteligência Artificial além da conta. Entretanto, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, não colabora para quebrar esta possível avaliação equivocada. Ele não esclarece nem os vereadores, nem a cidade, nem os cidadãos e cidadãs que pagam esta pesada conta com seus impostos. Então, fica com a má avaliação.

E ouvidos ele agora possui na Câmara com um secretário de recados. Toda semana, desde que assumiu, o que também não mora em Gaspar, o chefe de gabinete André de Moura Cunha, estica o expediente e está na Câmara ouvindo as queixas. Mas, é outro que faz parte do jogo de desprezo com os vereadores da própria base, diga-se e, com a cidade, expondo ainda mais como teimoso, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Propaganda. Este ano, nem por ofício, assisti a nenhum programa político que os políticos nos engam como sendo gratuitos. É caro. É obrigatório. E quem os paga somos nós. O mundo e a mídia mudaram. Tudo está digitalmente na palma das nossas mãos, até mesmo para os que se arriscam fora das suas bolhas. E os políticos nos programas de rádio e tevê nos tratam como gente engaiolada no século passado.

Debate boca. Ontem a noite, até comecei a assistir o Debate da Band, atrasado no tempo marcado para começar. Era um mau sinal. E foi. Não passei dos dois minutos iniciais de cada um. Lixo. Todos atrasados no tempo. Olho os recortes das bolhas nesta madrugada. Não é apenas só lixo, é a falta de propostas reais para mudar e melhora o Brasil para os brasileiros. Disputou-se quem é o pior. Todos sujos. Baixaria. São eles que vão nos governar e comprar votos dos analfabetos, ignorantes, desinformados e fanáticos. Misericórdia.

Depois que as reuniões das três Comissões temática da Câmara de Gaspar começaram a ser transmitidas pela internet, aconteceram duas coisas interessantes para a vida politica administrativa de Gaspar. Já se sabe de onde a coisa vem malhada e de como certos vereadores são passageiros de algo que não sabem, ou não querem fazer: fiscalizar, questionar e se interessar pelas pegadinhas embutidas no papelório que a prefeitura manda para eles aprovarem, as vezes ao interesse político e contra a cidade.

Ao menos os gasparenses já pode conhecer melhor seus vereadores para além do grande teatro das terças-feiras, onde muitos deles têm o hábito de faltar, ou sair cedo. Estes tais quase regulares Projeto de Lei de Anula e Suplementa das dotações orçamentárias e que torna o Orçamento uma peça de ficção, ganhou nas duas semanas passadas um esfrega de gente que está atenta, exatamente porque o assunto ganhou as ruas. E não exatamente pela imprensa tradicional.

Um deles tirava R$2 milhões do Fundo da Infância e Adolescência e distribuía estes recursos por todo o lado na prefeitura, bem longe da sua finalidade. Chamou a atenção. Até porque, o Ministério Público já tinha botado água no chope no projeto Fábrica feito pelo ex-secretário de Educação, de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, o jornalista vindo de Blumenau na cota do PSD do deputado Federal não reeleito pelo PL, Ismael dos Santos, Emerson Antunes.

Bingo. Obrigado a dar explicações por requerimento dos vereadores, Paulo Norberto Koerich, PL, deu um cavalo de pau e encontrou R$ 2 milhões “sobrando” na rubrica que sustenta a Iluminação Pública de Gaspar, a que também está caótica e está comprando caríssimas lâmpadas, que diz de última geração, mas que estão sendo apelidas pela população de pisca-pisca. Além de piscarem, ao invés de acessas, queimam muito cedo. Prejuízos.

O bandeiraço. Gaspar também entrou no bandeiraço pela vitória de Flávio Bolsonaro, PL. O que ficou claro pelas imagens? Faltou a montoeira de secretários e comissionados de outros municípios empregados por Paulo Norberto Koerich para o seu PL. Faltaram vereadores conservadores também. Pouca gente e envelhecida, para uma cidade que deu 71,16% dos votos válidos ao candidato Flávio, no primeiro turno.

Este número reduzido e a falta de representatividade de lideranças são sinais do salto alto, da falta de renovação e principalmente da ausência de um líder político que engaje a expressiva parte conservadora da cidade – que já elegeu por três mandatos nós últimos 22 anos um petista. Paulo Norberto Koerich, PL, não é esta renovação e não inspira a juventude. Perguntar não ofende: quem mesmo, ele elegeu como deputado estadual pelo seu seu PL?

A eleição passou e a Câmara de Gaspar voltou ao normal dela. Os vereadores estão pedindo capinação, roçada, limpeza de bueiros, consertos de calçadas, patrolamento, fechamento de buracos, lombadas físicas… Meu Deus! Mas, desta vez, os da própria base estão mais valentes e preocupados com a inércia do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, neste mínimo obrigatório e que gera insatisfação nas ruas 

É que esses vereadores acabam de vir de um mutirão de caça a votos. Só levou vantagens quem falou do tal nós contra eles. Quem falou em melhorias da cidade ou dependeu delas, só ouviu queixas e levou um esfrega nas urnas para si e seus candidatos. Os vereadores queixosos estão preocupados, na verdade, é com o outubro de 2028. E para piorar, na cidade tomou conta a história de que Paulo Norberto Koerich, PL, está inchando e aumentando o custo da máquina, quando o PL tem uma bandeira de modernidade, enxugamento e resultados diferentes da esquerda do atraso, PT e Lula.

Quer a prova de que se improvisa? O caminhão do lixo que caiu no Gaspar Alto dentro de um ribeirão foi fruto de um pontilhão de madeira que  se fez emergencialmente para atender a comunidade enquanto a prefeitura teria que fazer as duas cabeceiras de concreto para colocar um kit de concreto já doado pela Defesa Civil de Jorginho Mello, PL. Impressionante.

Depois que fizeram o pontilhão de madeira, o povo deixou de buzinar nos ouvidos do prefeito Paulo Norberto Koerich, PL. E ele, sua turma, se deram por satisfeito. O projeto da Defesa Civil de Florianópolis não continuou prioritário e se perdeu na burocracia das secretarias de Planejamento Territorial (quatro secretários em menos de dois anos e um com tornozeleira eletrônica) e a de Fazenda e Gestão Administrativa que trava tudo. O tempo cobrou o preço político e de imagem. E o resultado veio com a queda do caminhão. Como está vindo por todo o canto da cidade em outros casos. Agora, a ponte de concreto vai sair. Mas, só depois do segundo desastre.

O retrato da cidade. O único terminal urbano de Gaspar não tem varrição e coleta de lixo. O serviço de guincho deixaram o contrato vencer. Falsários estão vendendo certificados para servidores terem seus salários aumentados e isto numa cidade onde o gestor é um investigador policial de primeira, foi delegado de todas as categorias até chegar a ser secretário estadual de segurança do ex-governador Carlos Moisés da Silva, Republicanos. Credo!

Um gesto. A secretária de Educação, Andreia Symone Zimmermann Nagel, PL, convidou e convenceu o médico veterinário e ex-secretário de Agricultura de Gaspar e Blumenau, Renato Beduschi, para trazer seus bichos do sítio dele para a festa das crianças no Domingão no Centro. Já a secretária de Agricultura e Aquicultura de Paulo Norberto Koerich, PL, Karine Aline Mateus, vinda de fora, perdeu mais uma vez, a passada. Está cuidando das abelhas sem ferrão.

Quem acredita? O vereador e presidente da Câmara de Gaspar, e presidente do decadente MDB gasparense, Ciro André Quintino, MDB, foi o que mais sentiu à sua derrota na missão impossível antecipada – e ele sabia disso muito bem, porque, bobo não é – de ser candidato viável a deputado Federal. Ciro saiu-se muito mal aqui. Pior nos votos de fora. Ciro está, desde a abertura das urnas, encontrando culpados. Todos fora dele próprio e da sua Gaspar.

Diz que sempre foi MDB. Não é verdade. Começou no PSDB. No serviço público é um dos muitos crias do ex-prefeito, o médico veterinário Adilson Luiz Schmitt, eleito em 2004 pelo MDB e hoje em partido, tendo passado até pelo PL. Ciro André Quintino reclama, sem razão, do seu MDB que segundo ele, está distante do povo e da nova realidade política brasileira. Até quer menos partidos. Defende a bi-polarização.

O próprio Ciro André Quintino, MDB, é parte desta metamorfose de interesses que é o seu partido aqui em Santa Catarina desde a morte do ex-deputado estadual, Federal, senador, prefeito de Joinville e governador, o blumenauense Luiz Henrique da Silveira. Jorginho de Mello, que também passou pelo PSDB, destruiu e enterrou o MDB catarinense aos seus interesses de reeleição e poder, sem uma oposição consistente. Uma parte ficou com o governador e outra com outros interesses.

Então, do que reclama Ciro André Quintino, MDB, que tem como padrinhos Jerry Comper, MDB, que ficou com Jorginho Mello, PL, e o presidente do partido, o deputado Federal por Jaraguá do Sul, Carlos Chiodini? Ele era vice de João Rodrigues, PSD. Pior mesmo é esta estória para boi dormir que Ciro conta de que o povo – os eleitores e eleitoras que não lhes deram votos – está de saco cheio dos políticos por gastarem o dinheiro público feito dos pesados impostos do contribuinte.

Realmente, o povo está de saco cheio. Ciro André Quintino, MDB, possui o diagnóstico correto e nisto estamos alinhados. Mas, mesmo assim, Ciro tem fortes queixas das minhas observações. Contudo, Ciro é parte desta hipocrisia – a observação hipocrisia é dele próprio e está gravado. Ciro é o campeão de diárias na Câmara por anos afio. E mal aberta as urnas, ele já estava em Florianópolis usando-as. Tudo o que o enfraquece na imagem dele e contraria o seu próprio discurso como político exemplar nas atitudes que não consegue ele próprio ter. Muda, Gaspar!

Este, provavelmente, mais uma vez, será p único artigo da semana. Uma boa semana a todos. E que Deus tenha compaixão de nós no domingo.

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2 comentários em “PREFEITURA MANDA BANANAS PARA OS VEREADORES DA PRÓPRIA BASE E NÃO DIZ O QUANTO OS PROJETOS INDIVIDUAIS E O DA REFORMA ADMINISTRATIVA ENDIVIDARÃO, AINDA MAIS, GASPAR NO PRESENTE E NO FUTURO”

  1. A CAMINHO DE UM ESTELIONATO ELEITORAL, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    O eleitor que acompanha o noticiário sobre as eleições certamente já topou com reportagens e opiniões a respeito do ajuste das contas públicas. Mas quem acompanha apenas os programas partidários e as declarações dos candidatos só encontra dois tipos de mensagem, que podem ser assim resumidos: o adversário é uma porcaria; e o próximo governo será muito bom para todos.

    Há um certo consenso entre analistas, políticos e marqueteiros neste ponto: ajuste de contas, também conhecido como ajuste fiscal, será muito importante para o governo, qualquer governo, mas nunca será tema de campanha. Por dois motivos: o tema é complicado; e só trata de maldades.

    Fica, assim, mais ou menos combinado: nenhum candidato se arriscará a falar de ajuste, e o eleito só se ocupará do problema depois da posse. O nome disso é estelionato eleitoral. E é impressionante que tanta gente entenda ser assim mesmo.

    Só que o problema é um baita problema. Não encaminhar uma solução significa deixar que o país caminhe na direção de uma forte crise econômica, tipo governo Dilma. Aos números. O governo federal deverá gastar neste ano cerca de R$ 2,6 trilhões. É isso mesmo: trilhões. E não estão incluídas aqui despesas contratadas com a recente oferta de bondades eleitorais.

    Como nota o economista Alexandre Schwartsman, parece fácil cortar daí uns R$ 200 bilhões, o que já representaria um bom ajuste. Mas é um enorme engano. As despesas dividem-se em discricionárias (que o governo gasta se, e como, quiser) e obrigatórias, tipo dinheiro carimbado em que não se pode mexer, por determinação legal e constitucional. Deixadas as coisas como estão, o ajuste só pode ser feito nas despesas discricionárias. Eis o problema: esses gastos nem chegam a 10% do total.

    Para este ano, estão previstos R$ 244 bilhões. Esse dinheiro paga o funcionamento do governo: do cafezinho dos burocratas às viagens das autoridades; da conta de luz das repartições ao uniforme dos soldados; das recepções nos palácios às operações da Polícia Federal; da manutenção a aluguéis de prédios.

    Há exageros? Certamente. Talvez não precise ter camarão no almoço de ministros dos tribunais superiores. Dá para vender uns imóveis. Mas não é por aí que se arranjarão R$ 200 milhões de cortes. A menos que se paralise completamente o governo. Se bem que isso… bom, deixa pra lá.

    As despesas obrigatórias, para este ano, deverão chegar a R$ 2,35 trilhões. As principais:

    — Previdência, R$ 1,1 trilhão;

    — Salários do funcionalismo, R$ 445 bilhões;

    — Programas sociais, R$ 400 bilhões;

    — Saúde e educação, gastos vinculados à receita, por norma constitucional, R$ 190 bilhões.

    Considerem o maior item. A despesa com a Previdência aumenta estruturalmente à medida que a população envelhece. É um problema global. Qual a solução para isso? Uma reforma, outra, que eleve a idade mínima de aposentadoria e o tempo de contribuição, a ser aprovada pelo Congresso.

    Difícil. Aliás, ainda na sexta-feira passada, o Congresso fez o contrário. Promulgou uma Emenda Constitucional que reduz a idade mínima e tempo de contribuição de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, ao custo de mais de R$ 3 bilhões por ano. Vantagem que logo será reivindicada por outras categorias. Tem mais. Dos 35 milhões de aposentados e pensionistas do INSS, 22 milhões recebem um salário mínimo. Esse salário é corrigido anualmente pela inflação mais um ganho real. O gasto previdenciário cresce na mesma medida.

    Como conter essa despesa? Ou corrigindo o salário mínimo só pela inflação ou desvinculando-o das aposentadorias e pensões, que passariam a ser reajustadas apenas pela inflação. Mas, para fazer qualquer mudança nessa e nas demais despesas obrigatórias, é necessário um amplo entendimento entre o Executivo e o Congresso.

    Reformas estruturais ocorrem quando o presidente da República toma a liderança e convence o Congresso a apoiá-las. Ou quando a crise avança ao ponto de jogar o país em ambiente de dívida pública elevada, juros na lua e recessão. Modelo: governo Dilma.

  2. TRUMP SACRIFICA UCRÂNIA NO ALTAR DAS ELEIÇÕES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Na guerra contra a Rússia, a Ucrânia levou anos para encontrar um modo de impor altos custos econômicos ao invasor sem depender inteiramente da disposição dos aliados. Seus drones passaram a atingir refinarias, terminais e outras peças da infraestrutura que abastece a guerra e sustenta exportações russas. A campanha começou a doer. É justamente por isso que Washington quer que pare.

    Em tese, pode até haver razões legítimas para esse pedido. A guerra dos EUA contra o Irã agravou a escassez mundial de derivados de petróleo, e os ataques ucranianos às refinarias russas apertam ainda mais um mercado já sob estresse. O diesel caro pressiona a economia pelo transporte, pela agricultura e pelos preços ao consumidor. Os EUA não estão obrigados a ignorar esse custo. Mas a própria eficácia econômica dos ataques revela seu valor político. Se eles são importantes o bastante para mexer com preços e despertar a urgência da Casa Branca, também são importantes o bastante para valer alguma coisa numa negociação.

    Só que, na prática, a condução do presidente Donald Trump se prova deletéria. Washington dispõe de meios poderosos para pressionar Kiev. A Ucrânia continua dependente de inteligência americana e de sistemas de defesa aérea que não consegue substituir rapidamente. O autocrata russo, Vladimir Putin, sofre com perdas militares e danos à economia de guerra, mas pode resistir por muito mais tempo sem pedir licença aos EUA. Trump escolheu agir primeiro sobre o lado em que seu poder produz resposta mais rápida.

    A ordem das concessões importa. O Tesouro americano já abriu uma exceção para determinadas operações com diesel russo. Kiev vem sendo pressionada a suspender uma campanha que aumentou seus custos para Moscou. As contrapartidas russas, porém, ainda não estão na mesa. Não há compromisso público de peso equivalente que assegure uma trégua ampla, garantias efetivas à Ucrânia ou punições automáticas para uma violação futura.

    Trump anunciou o chamado “cessar-fogo energético” antes de existir um acordo bilateral confirmado; a própria Casa Branca falava em uma proposta “potencial”. A versão inicialmente conhecida também tinha uma simetria enganosa. Proibir os dois lados de atacar refinarias protege uma extensa infraestrutura russa da Ucrânia. Kiev quase não possui alvo equivalente, pois sua vulnerabilidade energética crítica está nas usinas, redes, instalações de gás e sistemas de aquecimento que Moscou vem bombardeando. A “reciprocidade” cabe no comunicado, mas não no mapa dos alvos.

    Relatos dos bastidores sugerem que haveria uma ambição diplomática maior. Ela incluiria a reconstrução da Ucrânia, garantias de segurança, estabilização territorial e incentivos econômicos à Rússia. Mesmo admitindo-se que seja verdade, isso só tornaria mais estúpido, não menos, começar gastando os instrumentos de pressão de que Washington ainda precisará. Depreciar antes a moeda de troca reduz o que ela poderá comprar depois.

    A proximidade das eleições legislativas americanas explica a pressa e só torna essa tática mais temerária. O pleito pode não ter criado a política de Trump para Moscou, mas comprime seu calendário. Diesel caro exige alívio rápido; uma manchete de “paz” vale politicamente mais antes da urna que depois dela. Putin não trabalha com o mesmo relógio. Se perceber que sua resistência produz novas exceções às sanções e mais pressão americana sobre Kiev, terá motivos para esperar. Depois de pedir a outros países que pagassem o preço das sanções, Washington abre sua própria brecha assim que a conta chega ao eleitor americano.

    Em tese, pode fazer sentido, do ponto de vista de um presidente americano, exigir concessões de Kiev e oferecer incentivos a Moscou. Mas cada concessão precisa comprar algo concreto do Kremlin. Produzir movimento em Kiev é fácil para Washington. O teste é produzir mudanças em Moscou. Se a resistência russa continuar rendendo mais pressão sobre o adversário e mais incentivos para si, Trump estará ensinando ao agressor exatamente a lição que deveria fazê-lo desaprender: esperar compensa.

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