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A INDICAÇÕES FEITAS PELOS VEREADORES REVELAM ACIMA DE TUDO UMA CRÔNICA E AGRAVADA DOENÇA ADMINISTRATIVA PARA RESULTADOS DO BÁSICO DE UM GOVERNO. ELAS CONTINUAM BATENDO RECORDES NUM CÍRCULO VICIOSO QUE VIROU NORMALIDADE E FAZEM OS REPRESENTANTES DO POVO DE MENSAGEIROS DA VERGONHA ALHEIA

Até esta a aprovação desta publicação, tinham sido registradas na Câmara de 13 vereadores de Gaspar, 1.182 indicações pelos 13 vereadores. A expressividade delas, vejam só, veio da base do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Pelo andar da carruagem, vai ultrapassar, facilmente, as 1.500. E pior: elas são, em grande parte repetidas e qual a razão disso? Mesmo sendo algo muito simples, foram ignoradas e não ganharam soluções, explicações. Elas tratam de coisas simples, cotidianas, solenemente ignoradas pela  estrutura de governo. Não só deste, mas principalmente, deste.

Há um ditado que diz que a soma de pequenos problemas é o torna grande, na percepção popular de pouca coisa funciona no poder público para a sociedade.

E Gaspar está jogada às traças. Até na propaganda oficial mal feita. Na comunicação errática. Então, Gaspar possui um grande problema. Ele é feito da soma de pequenos deles como limpeza urbana, varrição, entupimentos de bueiros, buracos por toda a cidade – por desgaste do material ou pelos provocados, não consertado ou mal reparados do Samae -, falta de patrolamento, pintura de faixas, calçadas que impedem à mobilidade, falta de jardinagem, postinhos de saúde que não funcionam ou em péssimo estado de conservação, escolas e creches com notórios graus de precariedade física, acesso e manutenção; animais de estimação abandonados ou desassistidos, vulnerabilidades sociais expostas…

A lista é longa, longuíssima. Tudo coisa miúda, já que com coisa grande e essencial não se lida, ou se comunica muito mal, ou não se enfrenta, ou não se esclarece

TINHA UM POSTE NO MEIO DO CAMINHO. NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM POSTE…

E há até coisas encaminhadas, aparentemente de fácil solução. Mas, até isso, pode chegar à beira de uma ridícula anedota. Tudo para justificar, ou esconder à falta de argumentos para a também, tamanha falta de iniciativa, organização, liderança e realização. Refiro-me por exemplo, o poste que há quase um ano impede a construção do Pórtico da Vila D’Itália, no Alto Gasparinho.

Os R$550 mil trazidos por emenda parlamentar pela deputada Ana Paula Lima, PT, a pedido do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, estão depositados na prefeitura há um ano. Eles estão sendo “comidos” pela inflação e pela alta dos materiais de construção para muito além dela. O projeto foi da prefeitura. Ou seja, há mais de um ano, a própria prefeitura sabia que lá tinha um poste e que ele precisava ser removido para a execução do projeto do pórtico de entrada e saída da Vila D’Itália. Imagem do pórtico foi gerada por Inteligência Artificial. Será bem muito simples e mais modesto: um arco, duas torres e duas bandeiras.

Ou seja, há projeto, há aprovação da prefeitura na burocracia de várias secretarias, há dinheiro e a prefeitura se enrola, que nasceu neste governo, para executá-lo, naquilo que diz ser uma das suas faces de promoção econômica de Gaspar: o turismo.

Quem deu a notícia do poste no meio do pórtico?

A própria líder do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, a vereadora Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL ao se justificar perante os insistentes reclamos do vereador e da comunidade do Alto Gasparinho, região que vive do turismo, por iniciativa de teimosos pequenos investidores de lá e às suas expensas e comunicação deles próprios. É mais uma prova de que não exagero, não minto e até posso me enganar, mas…

Segundo Alyne, a obra do pórtico da Vila D’Itália (ilustração de IA e diferente da proposta original) não sai porque há um poste (foto real e que abre este artigo) da Celesc precisa sair para dar lugar ao Pórtico. E quem ficou com a incumbência de resolver isto perante a Celesc? O então ex-chefe de gabinete de Paulo, o engenheiro elétrico Pedro Inácio Bornhausen, PP, ex-chefe de gabinete do governo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, e até bem pouco tempo, do próprio Paulo. Pedro, aliás, já foi na Celesc, o seu poderoso gerente regional. Pedro já é secretário de Planejamento Territorial. E mesmo assim, até agora, nada.

É um jogo de empurra? Pode ser. Mas, acima de tudo é um retrato de um governo. Não há comunicação que dê jeito. E não adianta Paulo bancar o repórter de uma gestão que não consegue se explicar. Ela não possui planejamento, iniciativa, interação, prioridades e resolutividade, inclusive para os seus. E esta montoeira de indicações repetidas? Não é sintoma. É uma ferida exposta que anula qualquer bom resultado, falação ou boa intenção.

Quem mesmo orienta Paulo Norberto Koerich, PL, o que Jorginho Mello, em campanha acabou de chamar de “meu prefeito”. Possivelmente, está mal informado e correndo riscos de perder votos no primeiro turno que luta para tê-los e impedir qualquer a segunda disputa de outubro.

Um governo, que agora colocou o seu “novo” chefe de gabinete como garoto de recados na Câmara, faria melhor, se no mínimo lesse as indicações dos seus apoiadores e começasse a se mexer, para o bem da cidade e da imagem dele próprio. Estas indicações, não são, na sua maioria, pedidos do vereador que a assina, mas de seus eleitores e eleitoras que estão fungando no cangote deles e vão dar votos para os candidatos apoiados não só para os vereadores, mas principalmente por Paulo. E em coisa simples, banais, simplérrimas. E é por isso, a descrença e a raiva. Credo!

Para se ter ideia do descontrole em números retratados nas indicações dos vereadores, em 2016, último ano do governo de Pedro Celso Zuchi, PT, os 13 vereadores produziram naquele ano 299 indicações. No último ano (2020) do primeiro mandato de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, 392. Já no último ano (2024) do segundo mandato de Kleber, 1.047. Todos sabiam como a cidade estava se deteriorando, tanto que ele não conseguiu fazer o seu sucessor. Mas, Paulo ao invés de conter, permitiu que tudo se acelerasse numa velocidade que foge ao controle: 1.182 até esta quarta-feira.

E a líder de governo, sem argumento, resolveu dar nome aos bois da enrolação: o homem forte de Paulo Norberto Koerich, PL, o secretário de Planejamento Territorial, Pedro Inácio Bornhausen, PP. Há quase um ano não consegue junto a Celesc mudar um simples poste para construir o Pórtico da Vila D’Itália, com dinheiro em caixa. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

É louvável sob todos os aspectos o Projeto de Lei do vereador Roni Jean Muller, MDB, que proíbe a prefeitura de Gaspar de aceitar patrocínios ou ser parceira de eventos que contenham o patrocínio de qualquer tipo de BETs. É pouco, mas é muito diante da inércia governamental diante de uma calamidade social nacional. O PL está aprovado. Já é Lei em vigor.

Na sanha arrecadatória para supostamente cobrir os gastos sem controle do governo e parte da corrupção – em todos os níveis – que não se apura e não se pune adequadamente, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, regulamentou esta viciante praga social disponível a qualquer um na palma das mãos pelos smartphones. E esta praga resiste, mesmo diante de desgastes eleitorais. Manobra-se em colocar um freio neste salto ao precipício contra a população e a economia como um todo.

Para se ter uma ideia, um estudo que acaba de ser publicado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia em Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made/USP) provou que as BETs tiraram até agora R$141 trilhões, repito, trilhões, do PIB que podiam estar na indústria, no comércio e serviços, gerando riquezas, impostos e milhares de empregos. Mas, não, estão nos empobecendo como sociedade. Quem mais aposta e perde? Os pobres: 43% dos apostadores ganham até dois salários mínimos – sem falar os que recebem benefícios do governo. E estes benefícios vêm dos nossos pesados impostos cada vez mais altos e on line dos que ainda trabalham. Tudo torrado neste vício.

O principal argumento do governo petista e os defensores das viciantes BETs no Congresso Nacional, local esta farra foi aprovada entre Senadores e Deputados Federais irresponsáveis – é derrubado pelo próprio estudo do Made/USP: o governo arrecada hoje em torno de R$9 bilhões em impostos com as BETs. As BETs legais, mas principalmente as ilegais – que as próprias legais não ajudam a combatê-las – e sem qualquer controle do governo, sonegam R$46 bilhões. Se há este estudo é porque o governo sabe o que está acontecendo. Se sabe, o governo e os parlamentares – que se dizem nossos representantes – são coniventes no crime contra a sociedade. Estão, em nome de pouquíssimos espertos e máfias criminosas, estão enfraquecendo e destruindo uma sociedade. E mais, estranho, é como se fecha os olhos para tudo isto.

Estamos há duas semanas das eleições de quatro de outubro, dia de São Francisco de Assis, o despojado, nascido na riqueza. Um ano e meio depois de empossados, os vereadores de Gaspar da atual legislatura não cederam suas vagas a seus suplentes para meros 30 dias. O jogo partidário é bruto. E usam a tribuna da Câmara como palanque e que não consegue fora da Câmara. Se a sessão não fosse transmitida e cenário para recortes deles para as suas redes sociais e outras mídias digitais, a história seria outra.

Exagero? É que temos quatro vereadores candidatos nesta eleição geral: Dionísio Luiz Bertoldi, PT; Alexsandro Burnier, PRB; Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP e Ciro André Quintino, MDB. Nem em sonho passou pela cabeça deles deixar a tribuna da Câmara para se dedicar de corpo e alma à campanha. Por isso, não terão sucesso extra Câmara. Verdadeiramente, não são projetos de partidos e até comunitários.

Abriram-se as audiências da revisão do Plano Diretor de Gaspar para discutir a mobilidade urbana. A maioria dos políticos de Gaspar a ignorou. Foi pedir votos para si e outros, aqui e fora daqui. Entenderam qual é a prioridade deles na comunidade em transformação e que dizem gerenciar ou representá-la?

O sumido vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, PL, está comemorando a nova salinha que ganhou na prefeitura para despachar. O que falta de verdade, é tinta na caneta para estes despachos. Outra cena anedótica da semana. A assinatura do Fundo da Cultura, sem fundo. E na foto, gente que não consegue ficar junta nem um minuto além da foto (muda). Meu Jesus!

Em Gaspar há no organograma a superintendência da Gestão Compartilhada. Vejam só: ligada diretamente ao gabinete do prefeito. Ela é uma filha bastarda da Reforma Administrativa de Kleber Edson Wan Dall, MDB, que substituiu o programa socialista e marqueteiro do Orçamento Participativo, de Pedro Celso Zuchi, na cartilha nacional do PT. Quem está na Gestão Compartilhada de Paulo Norberto Koerich, PL? O importado de Blumenau, Renato Cauduro Wanrowky. Pelo sobrenome, sabe-se bem de quantas gerações isso vem.

Pois bem. Ao ser cobrado por um gasparense, simples, pagador de impostos, em audiência pública nesta semana sobre a inoperância da tal Gestão Compartilhada, o ex-chefe de gabinete e atual secretário de de Planejamento Territorial, Pedro Inácio Bornhausen, PP, afirmou que “ela não existe mais”. Ora, se não existe, por que há titular nomeado nesta vaga? Talvez não venha existir na Reforma Administrativa, atrasada em quase dois anos, e agora travada providencialmente na Câmara para depois das eleições. Porque coisa boa, não é.

E por falar em coisa que não funciona e não se explica, e quando se pede explicações, ninguém as dá, e ainda rotula como chatos que as quer. Logo depois da posse, em oito de janeiro de 2025, Paulo Norberto Koerich, PL, pelo decreto 12.335 nomeou o morador e gasparense do Gaspar Alto, José Luiz Gaspar Clerici PL, como comissionado diretor de uma tal Associação de Moradores e Mutirões.

José Luiz Gaspar já foi vereador, mas em Blumenau em dois mandatos, pelo MDB, o que servia de referência aqui e que desapareceu por lá. José Luiz Gaspar Clereci fez aqui em 2024, 445 votos e foi recompensado. Na Associação de Moradores e Mutirões não disse a que veio. E um ano e meio depois pediu, finalmente, para sair. Da “vasta” lista de realizações da diretoria por aqui, consta apenas a pavimentação em regime de mutirão da Rua Filadélfia, no Arraial D’Ouro. Muda, Gaspar!

É cedo e não pretendo me enfronhar na análise deste assunto, que é moda nacional e com gente mais competente, que o Miguel José Teixeira, de Brasília reproduz em abundância e competência, incluindo os pitacos., além dos meus. Assisti, integralmente, o desastre chamado sessão especial do Supremo Tribunal Federal. Quem ficou exposta não foram os ministros, mas, perigosamente, a Justiça.

A observação do decano Gilmar Mendes, dizendo que até a máfia, tem um código de ética, encerra tudo o que eu possa comentar. O interessante disso tudo, que os criminosos não se permite aos desvios, e no Supremo, uma parte dele, bem identificada com o atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT e a esquerda do atraso, acha que o código de ética entre eles próprios é algo impróprio. Inaceitável é existem códigos, leis e jurisprudências que só servem para alguns e em algumas ocasiões. Brasil, mostra a sua cara. Dia quatro de outubro haverá silenciosas eleições gerais. Que Deus nos Proteja de certos juízes. Se eles fazem isso em rede nacional, o que fazem entre quatro paredes de gabinetes? À Glória, Senhor!

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3 comentários em “A INDICAÇÕES FEITAS PELOS VEREADORES REVELAM ACIMA DE TUDO UMA CRÔNICA E AGRAVADA DOENÇA ADMINISTRATIVA PARA RESULTADOS DO BÁSICO DE UM GOVERNO. ELAS CONTINUAM BATENDO RECORDES NUM CÍRCULO VICIOSO QUE VIROU NORMALIDADE E FAZEM OS REPRESENTANTES DO POVO DE MENSAGEIROS DA VERGONHA ALHEIA”

  1. UMA CRÔNICA NO X, por @cronistaartificial

    Flávio Dino não argumenta: ocupa moralmente o recinto antes que o adversário consiga abrir a boca. Sua retórica mistura homilia de sacristia estatal, pedantismo de bacharel e malandragem partidária. Cada frase chega escoltada pela presunção de que ele representa a civilização, enquanto o interlocutor encarna a ignorância, o extremismo ou o crime.

    O truque consiste em apresentar a própria ideologia como neutralidade institucional. Dino esconde o partido sob a toga, puxa a Constituição da cartola e chama a prestidigitação de hermenêutica. Quando faltam provas, sobra solenidade; quando aparece uma contradição, ele a sufoca com uma parábola moral; quando alguém o contesta, responde como professor régio corrigindo a caligrafia de um criado.

    É a retórica do parlapatão investido de autoridade: não pretende convencer, mas constranger; não demonstra, catequiza; não enfrenta a acusação, declara-se proprietário da virtude. E ainda contempla a própria impostura com aquele sorriso satisfeito de quem acaba de fraudar o raciocínio e espera ser felicitado pela elegância da caligrafia.

  2. UMA ANÁLISE, por Felipe Moura Brasil, na conta do autor no X

    O dia 15/9/2026 precisa ficar marcado na história do Brasil como a data de atuação mais ostensiva do sistema contra a ética, a transparência, a honestidade intelectual, o interesse público e a igualdade perante a lei.

    No momento em que milhões de brasileiros se indignam com o cinismo, a truculência e as manobras da ala pró-Moraes do STF, no entanto, milhões também manifestam intenção de voto em um dos dois maiores grupos políticos atingidos pelo escândalo do Banco Master e que, em razão de rabos presos e esqueletos no armário, sabotaram juntos a Lava Jato e a Lava Toga, e ainda consentiram em 2019 com a criação do inquérito das fake news, agravando os vícios da pior composição da história do Supremo.

    Não existe República funcional sem uma base moral sólida, presente não apenas no espírito das leis escritas, mas também no espírito de mulheres e homens públicos, ou pelo menos no das pessoas que têm o dever de fiscalizá-los para que ajam conforme os princípios constitucionais, não conforme a sua ganância e a conveniência da tribo.

    Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido no julgamento sobre os indícios de crimes de Moraes, ajudando o alvo, foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro antes de André Mendonça, quando o então presidente buscava blindar o filho e atual candidato Flávio contra investigações de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, como acabou conseguindo fazer, com voto de Nunes Marques.

    Flávio Dino, que pediu vista do processo com medo dos efeitos eleitorais negativos para Lula, foi indicado pelo atual presidente, quando o petista quis justamente emplacar uma “cabeça política” no Supremo.

    Gilmar Mendes, que repetiu sua perfomance histriônica contra investigações de aliados e seus ataques tradicionais ao juiz do caso, é o mesmo que blindou Lula e Flávio Bolsonaro contra a Lava Jato e um desdobramento: a operação Furna da Onça.

    Já a fortuna de Daniel Vorcaro, seus sócios e operadores foi construída com dinheiro privado de 1,6 milhão de investidores enganados pela propaganda Master e com dinheiro público obtido com ajuda do PT da Bahia no caso do Credcesta e do PL do Rio de Janeiro no caso do Rioprevidência, entre tantas outras fontes suspeitas.

    Com essa fortuna, Vorcaro garantiu a “consultoria” do lobista lulista Guido Mantega, contratou o escritório da esposa de Moraes e pagou o filme bolsonarista Dark Horse, abrindo portas palacianas e janelas de WhatsApp para turbinar seus negócios.

    Agora que ele está preso e o conteúdo de seu celular veio à tona, Moraes passou a defender até que haja pedido da PGR para abertura de inquérito, o que não aconteceu quando foi aberto o inquérito das fake news, relatado por ele por sete anos e meio.

    O bolsonarismo tenta faturar politicamente em cima da aliança entre lulismo e alexandrismo, mas é corresponsável pelo estado de coisas que denuncia em carros de som e redes sociais, para enganar segmentos anestesiados da população.

    Cada um desses grupos se suja na lama do poder e acaba alimentando o outro, que aproveita para se limpar na sujeira alheia.

    Manter esse ciclo em vigor é aprisionar o Brasil em um eterno 15/9/2026.

  3. A SESSÃO DO FIM DO MUNDO NO STF, por Vera Rosa, no jornal O Estado de S. Paulo

    A lavação de roupa suja que marcou a sessão de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) escancarou uma guerra fratricida entre homens de toga. Sem prazo para terminar, o reality show do “fim do mundo” tem como pano de fundo não apenas a eleição presidencial, mas também a estratégia de cada grupo para dar as cartas do poder. Qualquer que seja o desfecho da crise deste Setembro Negro, porém, não há vencidos nem vencedores: a Corte está à deriva.

    Convocada para decidir se o ministro do STF Alexandre de Moraes deveria ser alvo de investigação, após a Polícia Federal apresentar relatório com mensagens comprometedoras trocadas entre ele e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a sessão mostrou uma escalada de discussões ásperas, que ganharam memes nas redes sociais.

    Sob pressão, o presidente do STF, Edson Fachin, voltou a ser chamado de “Frachin”. Apelidado por uma ala do Congresso de “trinca dos infernos”, o trio formado por Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino teve o auxílio de Cristiano Zanin na tentativa de unir as diligências sobre as relações ilícitas de magistrados com Vorcaro. Queria que o escrutínio sobre a conduta suspeita de Moraes ocorresse juntamente com a avaliação a respeito das ações de André Mendonça no caso Master. Mas, como o placar expôs o racha na Corte e terminou empatado em 4 a 4, Dino pediu vista, o que pode empurrar a investigação sobre Moraes para depois das eleições.

    Entre muitos “data venia” e “Vossa Excelência” aqui e acolá, os homens de toga exibiram as entranhas de uma Corte que perdeu a credibilidade. “Eu não me perdi, mas experimentei a perdição”, resumiu Cármen Lúcia, citando Clarice Lispector. Única mulher ali, ela chegou a pedir desculpas pelo “constrangimento” que o STF impõe ao País.

    Durante a sessão, Mendonça disse haver uma “PF paralela” e bateu boca com Moraes; Gilmar, por sua vez, afirmou que até a máfia tinha ética. “É o momento mais corrupto da história do Judiciário”, insistiu Dino ao prever que o STF enfrentará “uma crise por semana”.

    A manutenção do conflito preocupa a campanha do presidente Lula. A 18 dias das eleições, e vendo Flávio Bolsonaro (PL) avançar no jogo, Lula tenta descolar sua imagem da encrenca que envolve Moraes.

    “O nosso adversário não é o Supremo”, disse à coluna o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Na prática, porém, a crise pode não apenas influenciar o resultado das eleições como ressuscitar a pressão pelo impeachment de ministros da Corte. Moraes tenta se blindar para assumir o comando do STF, daqui a um ano. Até lá, no entanto, o tribunal viverá uma nova temporada: a do “salve-se quem puder”.

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