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TEIMOSIA DESGASTANTE. OU PAULO NORBERTO KOERICH, PL, NÃO SABE PARA QUE QUER UM CHEQUE EM BRANCO DE R$100 MILHÕES DA CÂMARA EM EMPRÉSTIMOS, OU PERDE UMA GRANDE OPORTUNIDADE DE COMUNICAÇÃO EM PLENA CAMPANHA ELEITORAL, COMO PÉSSIMO CABO ELEITORAL PARA ALAVANCAR A PROPAGANDA DO SEU GOVERNO E AJUDAR O SEU PRÓPRIO PADRINHO POLÍTICO, JORGINHO MELLO, PL

É domingo, véspera do feriado de Sete de Setembro. O sol voltou, mas o temor de uma catástrofe continua nas previsões e imaginário das pessoas. Frio tardio e atípico. E você desinformado da sua cidade por quem tem esta obrigação institucional de esclarecê-lo e resolver as questões primárias da cidade.

A imprensa local está dedicada ás cortinas de fumaças de interesses dos políticos locais e dos que mandam neles há décadas. Nela, só notícias sobre desgraça de pobres no trânsito, na polícia e no medo das chuvarada do “El Niño”. Enquanto isso, as redes sociais e principalmente os aplicativos de mensagens da aldeia – para além da confusa campanha eleitoral com as incríveis sacanagens vindas de Brasília contra o devido processo legal – bombam e desgastam, ainda mais, diante dos tropeços do governo de Paulo Norberto Koerich, PL.

Em primeiro lugar é preciso saber se Paulo é teimoso dentro de uma bolha de vinganças, ou se os bruxos que o rodeiam são os que estão usando-o e fritando-o, ainda mais, na sua já desgastada imagem de gestor de Gaspar, reduzindo-o à mera lembrança da fama que tinha como investigador astuto e delegado implacável, que chegou a trabalhar no Gaeco – Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado -, tornou-se delegado geral e até secretário de Segurança de Santa Catarina, no governo de Carlos Moisés da Silva, Republicanos.

É impressionante este tipo de repetição. É uma atrás da outra. Nenhuma contenção. E a Comunicação importada, ampliando tudo isto.

O CHEQUE EM BRANCO I

Volto à sessão da Câmara de terça-feira passada. Reveladora. Pastelão. O vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, na qualidade de relator da matéria, pediu a quebra do “Regime de Urgência” do Projeto de Lei em que Paulo pede à Câmara, a autorização para contrair um empréstimo de R$100 milhões no Banco do Brasil, supostamente em condições melhores aos que já foram autorizados – em menor volume disponível – no governo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos.

O requerimento da quebra do “Regime de Urgência”, depois de longa, confusa, errática dobra de aposta e “clara” falta de transparência do governo de Paulo, foi negado por oito votos a cinco – dos 13 possíveis. Detalhe e guarde ele para o TRAPICHE: o presidente Ciro André Quintino, MDB, que só vota no desempate, estranhamente votou com Dionísio. Estranho? Ele apenas ratificou assim, recados sem meias palavras ditas na tribuna minutos antes. Fígado. Jogo. E tudo diante do “novo” e “inocente” chefe de gabinete, André de Moura Cunha, transformado em garoto de recados pelos vereadores em plena sessão. Credo!

O que quer Dionísio? Que Paulo explique, não exatamente a ele Dionísio, mas aos vereadores, e pincipalmente aos gasparenses, o que Paulo vai fazer com os R$100 milhões quando autorizados a contrair o empréstimo.

Um requerimento de Dionísio pedindo estas explicações, com atraso, até foi respondido – e tudo passa pela atual chefia de gabinete, mas, principalmente, pela antiga chefia de gabinete, a de Pedro Inácio Bornhausen, PP. Eles enrolaram. É uma prática contra a Câmara. Não responderam estes itens específicos. É provocação. Continuada. E em nome do governo, vejam só, quem saiu em socorro de Paulo? O mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP. Então não é preciso ir mais adiante para explicar como tudo está armado e a razão pela qual Paulo resolveu, neste caso, e mais uma vez, afrontar o Legislativo. O PP se tornou seu guarda-costas. E tem um preço alto neste cabo de guerra. E o primeiro a entender de que estava ficando fragilizado, foi outro matreiro, o presidente da Casa, Ciro André Quintino, MDB.

CHEQUE EM BRANCO II

Até Paulo, com os vereadores, fez a mesma coisa: enrolou. Numa reunião com eles, pediu para confiarem na palavra dele. Cinco disseram no voto que não. Estão escaldados tanto com Paulo como com Kleber que fez a mesma coisa. Kleber pediu voto de confiança, ganhou o cheque em branco – também sob protestos – para os empréstimos. Kleber, todavia, foi mais esperto. Ele tinha um programa chamado “Avança Gaspar” e até projetos, mas não os executou, ou fez isto, em fim de quase oito anos de governo para tentar emplacar o sucessor Marcelo de Souza Brick, PP. Era tarde. Não deu certo.

Pior. Kleber usou parte deste cheque em branco, em manobra interna e sigilosa, para comprar um terreno de R$14 milhões para salvar o caixa da Furb, e alongou esta dívida. Ela ao final, vai chegar a R$22 milhões aos gasparenses. O que era para ser um Centro Cívico (prédios para a prefeitura e Câmara) será uma pracinha à meia boca para estudantes e inventada por Paulo, quando deveria ter apurado as responsabilidades disso tudo.

Mas, quando começa a desconfiança dos vereadores sobre Paulo neste caso da autorização do empréstimo de R$100 milhões? Quando o ex-secretário de Planejamento Territorial, o ex-“dono de Blumenau”, o presidente das reuniões da turma da pedreira feitas em Gaspar, o que está com tornozeleira eletrônica e teve mais uma vez a visita do Gaeco na semana passada lá na casona dele de Blumenau, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, fez uma reunião secreta com os vereadores anunciando obras de R$300 milhões. Logo depois a repetiu com os empresários na ACIG. Mas, desrespeitosamente aos vereadores. E o deboche foi ainda maior. Em questão de horas, os R$300 milhões viraram, na lábia, R$360 milhões. Projetos? Zero.

Até hoje, sobre esta montanha de obras, não se sabe de nada, a não ser do acontecido com o secretário, que Paulo, apesar de tê-lo entrevistado antes de nomea-lo por indicação do ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebtrandt, PL, jura que não sabia dos desvios passado Maiochi que a polícia e o Ministério Público estão enquadrando-o. Os vereadores de Gaspar estão escaldados. Inclusive os da base do governo, que ensaiaram um contido piti, a começar pela líder do governo, a também policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Ela – e agora Ciro – vê Melato pintando e bordando no governo de Paulo depois de ter sido um providencial e estratégico um crítico feroz de Paulo. Entenderam? Ou preciso desenhar?

A OPORTUNIDADE PERDIDA

Resumindo e encerrando. Paulo não possui planos e projetos, ou se os têm é algo que precisa esconder. E se não precisa esconder, está fazendo burrada, perdendo tempo, desgastando-se à toa e jogando fora, uma oportunidade de ouro de se recuperar da má imagem que grudou nele em tão pouco tempo – menos de um ano – como gestor de Gaspar, tanto que não pode ser cabo eleitoral de Jorginho Mello, PL, por aqui.

O que se esconde, de verdade, estava nas entrelinhas dos discursos dos vereadores da base naquela sessão que levou quase meia hora na discussão desse requerimento do Dionísio: o inchamento da máquina do governo que vem sendo promovida por Paulo com aval da própria Câmara; e isto vai deixá-la sem caixa e lastro para investimentos próprios. É só conversar com a secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha, outra vinda de Blumenau. O que ela mais sabe falar é que falta dinheiro, enquanto outra parte arrota uma receita de R$700 milhões para o ano que vem.

É a tal “esperteza que vai comer o próprio dono“, como alertava o ex-primeiro ministro do Brasil, Tancredo de Almeida Neves.

Paulo Norberto Koerich, PL, teve a chance, repito, de ouro, para calar a boca de Dionísio e os quatro votos que recebeu contra, incluindo o de Ciro, e de impedir este comentário. Ou seja, se Paulo não é o teimoso, está cercado de gente que o quer nas cordas, sempre para não ter vida própria na nova empreitada que aceitou a favor da sua cidade, Gaspar. E não sou eu que estou promovendo este desgaste no presente contra o seu passado de glória. Eu apenas olho a maré.

Em tempos de campanha eleitoral e bocudos à solta com múltiplos interesses no presente e nas armações futuras, era só ele dizer para que precisa dos R$100 milhões, mostrar os projetos, levá-los à comunidade e sair para o abraço. Pelo jeito, não quer – o que é ruim – ou não pode – o que é terrível. Quem mesmo o orienta Paulo? Gente travada? Gente sem horizonte? Ou gente malvada? O quadro abaixo e referente a esta votação da terça-feira passada dá, mais uma vez, pistas significativas da barbeiragem de Paulo e do pessoal que o cerca. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Orçamento fake I. Há mais de uma década está no Orçamento da Câmara de Gaspar uma gorda rubrica chamada de construção da sede própria. É fake. Já bati nela há anos seguidos e várias vezes. É um jogo de forças política antigas e contábil. E o presidente que tentou usar de fato esta rubrica para iniciar a construção do prédio próprio da Câmara, foi perseguido e banido da vida política de Gaspar. Lembram do médico, evangélico, paulista, vereador Silvio Cleffi, PSC e enterrado no PP? Tadinho. Não conhecia Gaspar. Não acreditou em mim.

Orçamento fake II. Será sempre mais fácil gastar até mais do que precisaria para construir um prédio novo, funcional e moderno nas gambiarras do atual alugado. Apostem. Há um histórico politico nisso tudo. O poder público vive de jogos de aluguel com os senhorios. Retomando. E foi um Projeto de Lei mexendo nesta rubrica votado na Câmara na sessão passada, o pivô de mais um mal-estar entre os vereadores. E que se expressou no voto do presidente Ciro André Quintino, MDB, em outro assunto, relatado acima.

Orçamento fake III. O Projeto de Lei em questão retirou R$1,2 milhão desta rubrica fake que trata da “construção da nova sede da Câmara” – nem terreno há mais para isso, pois o perderam pelo prazo concedido para o uso pelo poder público – foi para um tal “anula e suplementa”. São jogadas contábeis. Saiu da suposta construção para suportar novas despesas (R$1 milhão) e R$200 mil para divulgação da Câmara em veículos de comunicação.

Orçamento fake IV. A líder do governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, com fundadas razões, como o “defeso eleitoral”, implicou e votou contra. O outro voto contra, também justificado, mas por outras razões, foi o Roni Jean Muller, MDB. Entretanto, o presidente Ciro André Quintino, MDB, que é candidato, dono da verba, virou bicho por conta das implicações de Alyne que também não teve o seu pedido de explicações atendido por Ciro. E uma farra. Paulo Norberto Koerich, PL, faz com a Câmara e os vereadores. O presidente da Câmara, faz com seus pares, em algo que poderia ser contornado em simples conversa de corredor onde se esbarram.

Orçamento fake V. Se Ciro André Quintino, MDB, virou bicho, sem meias palavras, lavou a minha alma e aumentou a credibilidade deste espaço, que ele desdenha como poucos, há décadas. Na cara dura, o campeão de diárias da Câmara, mostrou um papelinho com pedidos dos vereadores para as mordomias, como o aumento de assessores nos gabinetes e que ele alinhado com o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, tramam e se alinham com o próprio Executivo na Reforma Administrativa que engavetaram até passar as eleições para ninguém perder votos até lá. E Ciro fez chantagem. Está gravado.

Orçamento fake VI. Resumindo. Esta rubrica milionária da construção da sede própria do legislativo gasparense, até pela segurança do senhorio, ou pela decência orçamentária da Câmara, deveria ser extinta e não mais servir de pêndulo de chantagens e interesses – políticos ou administrativos – da hora, ou do presidente de plantão da Câmara, ou de quem manda nele nos acertos das votações da mesa diretora e sua sucessão. Esta é a verdadeira hipocrisia que esconderam do debate. E se preparem. Vem aí o aumento do número de assessores, dos vereadores e da remuneração deles todos. O Vale Marmita será fichinha. Esperem a eleição de outubro passar.

Mal acompanhado I. O candidato a governador João Rodrigues, passou vergonha em Blumenau – registrei aqui – a depender do seu próprio partido, o PSD, caricato por lá, bem como o PP e o MDB, extintos, apesar de históricos e referência em Santa Catarina no passado. Em Gaspar não foi diferente a passagem de João Rodrigues, PSD.

Mal acompanhado II. João Rodrigues esteve aqui. Alguém ficou sabendo? O PSD, PP e MDB de Gaspar têm justificadas razões para escondê-lo e desmoralizá-lo. João está mal assessorado. Deve abrir o olho. Se ele ficar à beira da congestionada BR-101, ganha mais votos do que visitar cidades como Blumenau e Gaspar. A luta dele é para chegar no segundo turno. Só a partir de então, poderá ser outra história. Em nova fase, com senadores e deputados eleitos, os traíras estarão disponíveis como sempre.

El Niño I. Gaspar se safou do primeiro teste das pesadas chuvas da semana passada. E tem gente gozando com o pau dos outros. O técnico titular da Defesa Civil de Gaspar, terceiro sargento do Corpo Bombeiro Militar, Rafael de de Araújo Freitas. trabalhou firme no planejamento e prioridades para mitigar as fragilidades claras aos olhos de todos. Os políticos estão comemorando o que pouco fizeram por este resultado. Será que comemorarão quando a verdadeira catástrofe vier e for incontrolável?

El Niño II. Está cada vez mais claro que os investidores e empreenderes do ramo imobiliário em Gaspar armaram arapucas em seus empreendimentos contra os futuros donos de lotes. Rua estreita de acesso ao empreendimento está sendo alargada com dinheiro da prefeitura (ou seja, de todos) para acessar e valorizar o empreendimento; emendas parlamentares estão pavimentando ruas frontais de acesso a loteamentos particulares e agora, estão pressionando por canais extravasores de áreas historicamente alagáveis, como no bairro Figueira. Para um caso se faz propaganda pública. Para outro, se faz apelo, como obrigação do poder público. Falta é Ministério Público nesta gente.

Lagoa I.  Finalmente, o Paulo Norberto Koerich, PL, deu as caras na comunidade da Lagoa. Ela viu parte da estrada com lama de asfalto eleitoral ruir diante de caminhões com peso permitido pela lei. Primeiro, Paulo deixou ou morador de lá, o vice-prefeito com quem está brigado, o engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, criar-se como vingança por trás de tudo isso, silenciosamente, inclusive alimentando os vereadores, não identificados com a comunidade, candidatos a alguma coisa neste quatro de outubro.

Lagoa II. Segundo. O TAC – Termo de Ajustamento de Conduta – tem a parte uma empreiteira protagonista e interessada na solução do problema. E faz isso porque é da comunidade. E não é de hoje. Até porque se o caso for dar na Justiça, nada se resolve a curto prazo devido a fragilidade da massa asfáltica eleitoreira do passado sob solo instável, sem preparação alguma. Por isso, o TAC tem há também a parte da prefeitura. É esta parte que está faltando. A burocracia da prefeitura é o ponto central dos desgastes do governo e dos palanques oportunistas à empreiteira. E isto ficou claro durante o encontro de ambos com a comunidade.

Vocês, meus leitores e leitoras, que eu não os tenho, o Hospital Santo Antônio de Gaspar continua sendo a grande sangria do caixa da prefeitura de Gaspar. E isto se esconde da população e das prestações de contas – prometidas – que deveriam estar na praça. O Portal Transparência, por enquanto, sonega todos estes dados. Mais, uma vez, falta Ministério Público neste tipo de assunto sério e que lida com o futuro de todos nós.

E se criam cortinas de fumaças, a neste ambiente. O Hospital, mesmo diante da promessa de melhorias, não é a solução, se os postinhos de saúde não funcionam, perpetuam filas desde os atendimentos de simples consultas até as de laboratórios e exames de especialidades de obrigação da Policlínica. Inventaram na semana passada propaganda seis “novas” ambulâncias. Todas elas alugadas. Qual o problema? Não há motoristas para o uso delas como se deveria. Outra. Silenciosamente, Teresa da Trindade, pediu para sair deste ambiente que nunca melhora e sempre há culpados. Credo! Muda, Gaspar!

A coisa em Blumenau está desgringolando. Depois das operações que pegaram gente misturando coisas na área da merenda, da vigilância das escolas e nas obras, agora vem aí mais uma que pode ser chamada de “Gaiola Digital”. Gaspar que se prepare.

A limpeza dos ribeirões de Gaspar mostra como se desperdiça tempo e trabalho. As máquinas chegam em determinado local, as 9h, começam o trabalho as 10h, pois antes precisam examinar acesso, descarte e segurança. Às 11h param para almoçar no pátio da prefeitura, bem distante do local de trabalho, apesar do Vale Refeição, que economizam. Voltam as 14h. As 16h param para bater o ponto na prefeitura. Muda, Gaspar!

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2 comentários em “TEIMOSIA DESGASTANTE. OU PAULO NORBERTO KOERICH, PL, NÃO SABE PARA QUE QUER UM CHEQUE EM BRANCO DE R$100 MILHÕES DA CÂMARA EM EMPRÉSTIMOS, OU PERDE UMA GRANDE OPORTUNIDADE DE COMUNICAÇÃO EM PLENA CAMPANHA ELEITORAL, COMO PÉSSIMO CABO ELEITORAL PARA ALAVANCAR A PROPAGANDA DO SEU GOVERNO E AJUDAR O SEU PRÓPRIO PADRINHO POLÍTICO, JORGINHO MELLO, PL”

  1. A ENCRUZILHADA BRASILEIRA, por Fernando Schüller,

    Os acontecimentos da semana levam a uma espécie de encruzilhada brasileira. A estratégia do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já é conhecida há muito tempo. A cada vez que surge uma denúncia, uma ameaça, uma proposta de investigação, venha ela de onde vier, há um bloqueio. Quer dizer, a estratégia é sempre a mesma: a melhor defesa é o ataque.

    Então você tem 52 mensagens do banqueiro fraudador Daniel Vorcaro dirigidas a uma conta chamada “Alexandre de Moraes Brasília”, entre elas revelando eventualmente que o ministro, ou pelo menos esta conta em nome do ministro, passava informações sigilosas sobre uma operação da Polícia Federal contra o próprio banqueiro, que de fato aconteceu um, dois, três dias depois, e que eventualmente orientava ou pedia informações sobre uma eventual fuga para o exterior por parte do banqueiro. Tudo isso, de uma gravidade muito difícil de exagerar, eu diria constrangedora para a República Brasileira. E é isso que está em questão.

    Qual é o resultado no final desta semana? Quem acaba sendo alvo de um pedido de investigação no Supremo, utilizando o inquérito das fake news, é o próprio relator do processo, nesse caso, André Mendonça. Quer dizer, quem está tentando investigar e quem busca, eventualmente, que o tema vá ao plenário do Supremo.

    Também é Mendonça quem busca um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) — que não vem, porque pede a anulação de qualquer prova, de qualquer mensagem, de qualquer informação —, é o próprio ministro André Mendonça.

    É uma inversão completa de valores na República. Isso aconteceu lá atrás quando o Eduardo Tagliaferro, que era um perito criminal, um peixe pequeno na verdade, fez denúncias graves e acabou ele próprio como réu. Não vai se espantar se esse processo terminar com o próprio ministro André Mendonça — que tenta investigar, que tenta dar transparência a esse processo, que tenta levar ao plenário um pedido de autorização para investigação — virando réu, o que seria uma brutal e mais uma inversão de valores na República brasileira.

  2. NENHUM MINISTRO ESTÁ ACIMA DO SUPREMO, editorial do jornal Correio Braziliense

    Nenhum homem está acima da instituição. Essa máxima, elementar numa democracia, tornou-se a questão central para o Supremo Tribunal Federal (STF). A crise provocada pelo caso Banco Master ultrapassou os limites de uma investigação criminal e expôs divergências entre ministros, Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR) num grau de tensão que ameaça contaminar a credibilidade da própria Corte. O Supremo precisa, com urgência, reencontrar o caminho da estabilidade.

    Não se trata de proteger seus integrantes nem de blindá-los, mas de preservar uma instituição que ocupa posição central no sistema democrático brasileiro. O STF não pode se transformar numa arena em que disputas pessoais, suspeitas de conflitos de interesse e decisões dos próprios envolvidos deixem em segundo plano a Justiça e o interesse público. A regra deve valer para todos: fatos precisam ser investigados, responsabilidades individualizadas e direitos preservados. Não existem atalhos legítimos no Estado de Direito.

    As investigações sobre o Master são especialmente delicadas porque alcançaram extensa rede de relações empresariais, jurídicas e políticas. Quando integrantes da mais alta Corte entram em confronto por decisões ligadas a uma investigação dessa dimensão, o problema imediatamente se torna institucional. Divergências jurídicas são naturais num tribunal colegiado. O que não é normal é a impressão de que decisões judiciais, investigações e medidas policiais possam ser movimentos numa disputa entre magistrados.

    Existe o risco de transformar o Supremo simultaneamente em personagem, investigador, vítima e juiz de fatos que eventualmente alcancem seus integrantes ou pessoas próximas a eles. A resposta para esse problema não pode ser corporativa. Se existem suspeitas, devem ser investigadas segundo a lei. Se forem falsas, os atingidos têm direito à reparação. Se houver irregularidades, ninguém deve receber tratamento privilegiado em razão do cargo que ocupa.

    O mesmo rigor vale para Daniel Vorcaro e eventuais colaboradores. Delação premiada não é sentença nem prova suficiente para condenação. As declarações precisam ser confirmadas por provas independentes. Da mesma forma, PF e Ministério Público precisam atuar com autonomia, sem submissão aos interesses dos investigados ou às disputas políticas e institucionais.

    A crise também expõe um problema anterior ao Master: a excessiva personalização do Supremo. O STF passou muitas vezes a ser identificado pelos nomes dos ministros, e não pela força de sua jurisprudência. Essa inversão precisa acabar. O Supremo não pertence aos seus 11 integrantes. Cada ministro exerce temporariamente uma parcela do poder conferido pela Constituição à instituição. Ministros passam, a Corte permanece.

    Defender o Supremo, portanto, não significa defender automaticamente qualquer ministro. Pode significar investigar seus integrantes, reconhecer impedimentos, corrigir decisões e impor limites. A transparência fortalece o tribunal, enquanto o corporativismo o enfraquece.

    Nada será mais destrutivo para sua legitimidade do que consolidar a percepção de que existem dois padrões de Justiça: um para os cidadãos e outro para as cúpulas do Estado. O caso Master tornou-se um teste para o STF. O Congresso não pode usar a crise para intimidar ministros, mas a Corte também não pode responder às críticas legítimas refugiando-se numa fortaleza corporativa. A saída está na colegialidade, na transparência, no respeito às competências constitucionais e ao devido processo legal.

    É preciso despersonalizar o conflito. Nenhum ministro é maior do que o Supremo, assim como o Supremo não está acima da Constituição. Sua autoridade será preservada se demonstrar que a regra fundamental da República vale para todos: ninguém está acima da lei.

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