Este texto desta terça-feira – em que escapamos de uma enchente anunciada decorrente do El Niño atípico – é rápido, o que por si só, é excepcional, diante dos meus reiterados textões para ninguém os ler. Um vídeo, também rápido, que posto abaixo, esclarece – por quem é do ramo acadêmico – melhor que as minhas palavras. Sem metas, não há gestão. Para se ter metas, é preciso projeto. E projeto estabelece um resultado, que é cobrado e avaliado. Nem mais. Nem menos.
Um defeito de origem. Paulo Norberto Koerich, PL, um policial civil de carreira bem sucedida e afamada, não queria ser candidato a prefeito. Foi convencido, na marra, pelo “grupo” que manda na cidade e na política local. O” grupo” queria um “novo” candidato, identificado e de suposta confiança do “grupo”, mas de imagem “limpa” aos da cidade. O “grupo” estava cansado do menino promessa, mas que se tornou enrolão, que se desgarrava, numa vida política solo e perigosa para o “grupo”, Kleber Edson Wan Dall, eleito no MDB. O “grupo” também não queria que Kleber criasse asas com a sucessão que ele armava com Marcelo de Souza Brick, PP. O “grupo”, também não queria a volta ao quarto mandato de Pedro Celso Zuchi, PT.
Hoje, Kleber está no Podemos. E por quê? Simplesmente ele tem tesão, gana, estômago, cheira poder e não sabe fazer outra coisa além de política e politicagem, mesmo diante dos desgastes que possui, incluindo no meio evangélico. Kleber está no Podemos, para ser o cabo eleitoral a favor da reeleição de Jorginho Mello, PL, o criador de Paulo político e pasmem, que sozinho Paulo não pode ser. Ao menos, Paulo não vai poder dizer – e nem Kleber – que os votos de Jorginho em Gaspar são exclusivamente dele. Salvam-se, ou se afundam os dois.
TESÃO, GANA E ESTÔMAGO
A um político antes de tudo é preciso ter tesão, gana e estômago para a coisa política e gestão de um município cheio de problemas de toda a ordem como é Gaspar, conciliando interesses políticos partidários e a sustentabilidade na Câmara. A Paulo faltam os três: tesão, gana e estômago. Tanto que com ficha assinada no PL na Casa d’Agronômica, em Florianópolis, sob testemunhas, como Pedro a Jesus, Paulo negava tudo isso aqui, por semanas, incluindo naquele famoso jantar no Espaço Bunge JBS. E olha: era de lançamento do nome dele pelo “grupo” que manda em Gaspar, mesmo alguns deles nem morando e votando aqui.
Pior. Paulo desde então não conseguiu diferenciar entre o que é administração e gestão. E mesmo assim foi eleito. Pareceu-se até uma surpresa, mesmo diante das evidências de que não seria surpresa alguma a sua eleição diante de tantos interesses representados. E onde tudo começou a falhar e trabalhar contra a imagem do afamado Paulo? Na formação da equipe. Ela mudou tanto, ou mais, em tão pouco tempo, como fez Kleber, o que o enfraqueceu Kleber. Nem este mau exemplo serviu de aprendizado e aviso a Paulo. Credo!
Ao menos, Kleber tinha um núcleo duro, uma comunicação coerente – ele próprio era um bom comunicador de si mesmo e das fantasias que a marquetagem longeva (por mais de nove anos juntos) dele inventava. Paulo é um terror na comunicação. E os profissionais pagos por ele (nós), insistem nesta exposição que o enfraquece ainda mais. E para completar, Paulo, que disse ter entrevistado todos os que importou de Blumenau a mando do “grupo” daqui (pedreira) e de Florianópolis, teve que admitir que fez mal feito este trabalho. Logo em algo que deu fama estadual. Os “escolhidos” ou “plantados” aqui – e ainda há – estavam manchados por operações policiais. Inacreditável. E contra a própria fama
Mas, o que pega no DNA da atual administração municipal gasparense é a incapacidade de Paulo em liderar processos, percorrer caminhos políticos decisórios do poder (na região, em Florianópolis e até em Brasília onde não possui depois de dois anos interlocutores sólidos no seu espectro ideológico), e assim ser reconhecido e estar à frente de mudanças para a cidade. No fundo, se lhe falta jogo de cintura de político, falta o pragmatismo de gestor.
Hoje, olhando para os Projetos de Lei – e as resposta à meia boca dos requerimentos – que aportam na Câmara, está mais parecido com o PT e o sindicalismo de Luiz Inácio Lula Silva no inchamento da máquina pública, do que um liberal em busca de parcerias, atualização e agilidade para resultados desta mesma máquina. Ela nem chegou na era digital, quando já estamos navegando na inimaginável e até desconhecida era da Inteligência Artificial.
Definitivamente, Paulo não é um bom cabo eleitoral para Jorginho. E Jorginho sabe disso.
FALTA UM PORTO DE CHEGADA
E qual a razão disso? Paulo não é um gestor naquilo que se define óbvia e classicamente. Um gestor precisa de metas, métricas, equipes, projetos e entregas. Quem o cerca não faz – ou ele não deixa fazer – este necessário papel orientativo, de projeção e de discernimento. “Não bastam bons ventos (ditado dos tempos das caravelas), sem não se sabe o porto que se quer chegar“. Paulo aproveitou o bom vento e se elegeu. Foi a parte mais fácil. Falta saber aonde ele quer chegar (e com quem).
Outro ditado. E este torna claro o erro para quem tem pavor de colocar todos numa sala, regularmente – Kleber fazia isto toda semana com o primeiro escalão – sob uma mesma vibe, com cobranças por resultados prometidos, rever as prioridades diante de percalços e novas necessidades, além da promoção da integração cara a cara entre as divergências ou dificuldades, hoje cada vez mais confusa em troca de mensagens individuais e em grupos: “é na tempestade que se conhece o verdadeiro comandante“. Os secretários de Paulo revelam nos bastidores pavor desse tipo de reunião. Ficam desprotegidos. Até os tais raros e escondidos “happy hour”, são temidos.
Gestão é isto: como se chegar a um resultado querido, prometido e estabelecido. Veja e ouça o vídeo abaixo o conclua você mesmo.
Paulo perdeu quase dois anos. Tem mais um ano e meio para aprender o que é gestão ou então terceirizar isto para quem entende deste riscado. Por enquanto, está refém de burocratas, ou de jogos de vaidades vindos Ana Karina Schramm Matucheski Cunha, na poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa; de Pedro Inácio Bornhausen, na secretaria de Planejamento Territorial; e de André de Moura Cunha, na Chefia de Gabinete
TRAPICHE
Está mais do que na hora de Paulo Norberto Koerich, PL, assumir o Samae de Gaspar. Há guildas de interesses que dominaram aquela autarquia. O funcionário de carreira, ex-vereador, Cicero Giovane Amaro, PL, perdeu totalmente o controle de uma peça fundamental da administração e do futuro da cidade.
Um vídeo antigo das câmeras de seguranças internas, em que dois servidores se estapearam em pleno horário de serviço espantou muita gente. Mas, ele só veio público, porque o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, fingiu não ver o que rolava nos aplicativos de mensagens – e se viu perdeu a oportunidade de colocar o dedo na ferida – de servidores olhando o serviço dos outros, jogando cartas ou em caravanas em cursos externos.
Este vídeo do estapeamento, mostra outro defeito do governo de Paulo Norberto Koerich, PL: o tal PAD – Processo Administrativo Disciplinar. Um PAD já teria resolvido isto há muito tempo. O PAD, reclamam os servidores, em alguns casos passam batidos e em outros viram peça de perseguição.
E por falar em PAD – Processo Administrativo Disciplinar – o Projeto de Lei que quer aumentar para os absurdos R$5.500,00 a gratificação dos três membros do PAD, mostra bem como Paulo Norberto Koerich, PL, se desgasta à toa. Ninguém, em cidade alguma, bem maior que Gaspar, como Blumenau, Brusque e Itajaí, ganha mais que R$2.500,00.
O relator da matéria, Giovano Borges, PSD, promete emendar o Projeto de Lei. E diante do exagero e do desgaste provocado, parece que todos os demais vereadores enfiaram a viola no saco, ainda mais em época de campanha eleitoral.
Quem ficou com o pincel na mão? Paulo Norberto Koerich, PL. Pode isso? Quem foi o bruxo que lhe tirou a escada? E vai ficar por isso mesmo? Ele não vai espantar o bruxo da sua sala e convivência? Cruzes.
A Câmara de vereadores de Gaspar já pagou esta ano R$108.245,00 em diárias. Estamos só no início de setembro. O presidente Ciro André Quintino, MDB, como em anos anteriores, continua sendo o campeão: R$15.575,00. Ele é Seguido por Roni Jean Muller, MDB, R$9.630,00 e Alexsandro Burnier, PRD, R$9.360,00. Nelas, não estão inclusas as diárias dos assessores deles e as de deslocamentos.
Enrolação I. Há duas décadas se enrola – mesmo com TAC no Ministério Público e o marco do Saneamento Básico que prevê para 2033 que 90% do esgoto esteja tratado – Gaspar engatinha e se enrola. Vai começar pela estação de tratamento. E por quê? Para não esburacar a cidade em época de eleições. Erro de cálculo. Vai as ruas em 2028.
Enrolação. Mudou a chefia de gabinete e o método continuou o mesmo. O relator do Projeto de Lei em que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, pede autorização da Câmara para contrair empréstimo de R$100 milhões, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, re3queriu mais informações no que tais recursos seriam usados, quando contraídos. Ficou sem respostas. O governo quer um cheque em branco ou não possui projetos. Muda, Gaspar!
A conta de luz, para a maioria dos catarinenses aumentou quase 10%. Quem aprovou isto? Deputados Federais e Senadores nos jabutis que inventam para subsidiar uma série de projetos, entre eles, termoelétricas onde não há gás, e perpetuar a poluição na extração de carvão no sul do estado, desperdiçando (jogado fora mesmo) energia eólica e fotovoltaica, mais limpas e baratas (hoje em dia).
9 comentários em “O VELHO NOVO GOVERNO DE GASPAR CONFUNDE ADMINISTRAÇÃO COM GESTÃO. SEM RESULTADOS, PRECISA DE SUPOSTOS ADVERSÁRIOS E DE GENTE QUE DEIXOU NA ESTRADA, PARA ELEGER JORGINHO MELLO, PL, O CRIADOR DA CRIATURA”
Os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, apanharam feio neste caso, que estarreceu – já se sabia, mas o jornalismo profissional e investigativo do liberal jornal O Estado de S. Paulo mostrou provas na edição de hoje – o país.
Este é o editorial de amanhã (já disponível para os assinantes na área digital) do jornal O Estado de S. Paulo, ou “O Estadão” fundado em quatro de janeiro de 1875, repito, 1875 e conhece poderosos, mentirosos, chantagistas, processadores, intimidadores e censuradores como poucos neste país.
MORAES TEM QUE SAIR DO SUPREMO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Alexandre de Moraes não tem mais condições de seguir como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e deveria pedir exoneração do cargo, para o bem da própria Corte. As revelações feitas pelo Estadão de que Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, desmentem categoricamente que o ministro fosse alheio ao acerto e a todas as suas implicações éticas e legais.
Para começar, participar da elaboração de um contrato é exercício de advocacia, atividade incompatível com a magistratura. Mas as mensagens do celular de Vorcaro tornadas públicas hoje pintam um quadro muito mais grave. O banqueiro, pivô do maior escândalo da história do sistema financeiro nacional, tratava Moraes como alguém a quem podia recorrer para influir no curso de investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, perguntou, em referência ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em outra mensagem: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”. Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Não se sabe o que Moraes respondeu. Pouco importa, porque já não se pode negar o que está diante dos olhos: um investigado por fraudes bilionárias buscava num ministro informação, orientação e intervenção sobre atos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto seu banco pagava somas exorbitantes ao escritório de sua família – contrato que tem as digitais do próprio Moraes.
Há perguntas que só uma investigação responderá. Moraes procurou Gonet? Falou com Andrei? Tentou retardar diligências? Transmitiu informações sigilosas? Dependendo das respostas, podem estar em jogo ilícitos de imensa gravidade, como prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. Gonet não pode continuar tratando esse material como “insuficiente”, como já o fez no passado, sem cair ele mesmo em suspeição.
Gonet arquivou anteriormente uma representação contra o ministro. Agora surgiram evidências novas, e uma delas envolve o procurador-geral nominalmente: Vorcaro pedia a Moraes que recorresse ao próprio Gonet para conter a investigação. André Mendonça já cobrou esclarecimentos da PGR e avalia os próximos passos. Se isso ainda não basta para abrir uma investigação formal e independente, é difícil saber o que bastaria.
Investigar, porém, resolve apenas parte da crise. As suspeitas recaem justamente sobre o uso do poder que Moraes continua exercendo. O homem que lhe pedia ajuda para alcançar o chefe da PF e o procurador-geral era o dono do banco que despejava dezenas de milhões de reais no escritório de sua mulher. O ministro participou pessoalmente do contrato e agora pode ter de ser investigado pelas mesmas instituições sobre as quais Vorcaro esperava que ele exercesse influência. Essa situação é incompatível com a normalidade institucional.
Moraes tem direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as garantias legais que tantas vezes negou a outros, mas essas garantias não obrigam o Supremo a carregar, por tempo indefinido, o peso de um ministro cuja permanência compromete a autoridade da própria Corte.
O STF já errou demais no caso Master. Dias Toffoli, que também mantinha negócios com Vorcaro, só deixou a relatoria do caso depois que sua posição se tornou insustentável. Agora a crise atinge Moraes em outro patamar – o mesmo ministro que tantas vezes invocou a defesa do STF e do Estado Democrático de Direito para justificar o exercício de seus poderes. Chegou a hora de demonstrar que seu compromisso com as instituições vale também quando o sacrifício é seu.
Moraes tem de deixar o Supremo. Sua responsabilidade criminal será apurada, mas a responsabilidade institucional já se impõe. Se ele se recusar a retirar esse peso da Corte, sua permanência terá de ser enfrentada por quem a Constituição encarregou de julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF: o Senado. Defender o Supremo, agora, significa impedir que a crise de um ministro se torne a crise da instituição.
“Este vídeo do estapeamento, mostra outro defeito do governo de Paulo Norberto Koerich, PL: o tal PAD – Processo Administrativo Disciplinar. Um PAD já teria resolvido isto há muito tempo. O PAD, reclamam os servidores, em alguns casos passam batidos e em outros viram peça de perseguição.” Ao que dizem este PAD assim como o PAD engavetado do ex vice prefeito Lu, ambos foram enterrados sob determinação e articulação de ninguem menos que Pedro Inácio Bornhausem, isso porque a chefe dos brigões do SAMAE é esposa do presidente do PP. E pelo jeito esses 5.500,00 a mais no salário do Luizinho do PAD é o preço pago. Muda Gaspar
Pessoalmente tenho dúvidas. Mas, se foi, o tiro saiu pela culatra, de forma quase mortal e consagra uma série de desencontros e absurdos que a imprensa vive escondendo, mas que faz a farra de redes sociais, e principalmente da nervosa troca de conversas no whatapp gasparense, regional e até em Florianópolis. E quem está levando chumbo é quem assinou este desastroso Projeto de Lei. E precisava disso? Quem ele ouviu para enfrentar tanto gratuito desgastes, inclusive da sua própria base na Câmara. Credo!
O dia ontem, foi de risada no Paço Municipal com a pataquada da Vereadora Eli tentando copiar a primeira-dama no festival de cuca em Brusque neste final de semana
Pensei que na prefeitura de Gaspar fosse lugar de trabalho e não encontro de comadres
Bom dia.
Acho que a democracia praticada no Brasil só favorece as QUADRILHAS ESPECIALIZADAS EM ROUBAR O POVO.
O resto é eleitor brigando por eles..😳
A democracia é uma palavra. E ela pode ser uma expressão. Por enquanto, ela é uma bandeira.
LUTA NA LAMA, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Vazamento para todos! Vazamento para todos já! Só vazam informações sigilosas sobre um lado, seletivamente. Tem de equilibrar essa balança de ilegalidades. Justiça, ministro André Mendonça! Se vaza contra Lulinha, há que vazar contra Flávio Bolsonaro. Alô, Dino! Igualdade!
E então proliferam as plantações na imprensa – feitas por colegas togados – sobre Mendonça estar influenciado por delegados da Polícia Federal lotados em seu gabinete, que seriam lavajatistas-bolsonaristas adversários de Andrei Rodrigues, aquele que bebeu o uísque de Vorcaro com Xandão e Gonet. Na última sexta, Rodrigues reafirmou que a corporação, órgão de Estado, atua de forma independente e sem viés político.
(Não há mesmo vazamentos sobre as investigações relativas aos dinheiros de Vorcaro remetidos, via empresa de fachada, para fundo americano gerido por advogado amigo de Eduardo Bolsonaro; de modo que: ou será inquérito exemplar-singular, que avança sigilosamente, ou será inquérito mentiroso, que não vaza porque não avança. Há esperança, porém, dado que Dino, relator xandônico de tudo quanto se refira a orçamento secreto, tem agora consigo a investigação sobre se emendas parlamentares abasteceram a produtora do filme Dark Horse.)
Vazamento isonômico para todos! O discurso caricatural que abre esta crônica está presente, disparado a sério, no debate público eleitoral corrente. Uma eleição presidencial disputada no Supremo e na PF, de seus descomedimentos podendo vir o que decidirá o pleito. Pleito engessado, com pouca margem para transformações – no qual vai presente, como expectativa bizarra, o elemento surpresa que mudaria tudo: “a bala-de-prata dos vazamentos”.
Um jogo partidário poderoso em que o presidente diz não se meter com investigações da PF enquanto manda o diretor-geral da corporação procurar o relator de inquéritos no STF sobre seu filho – e sobre seu adversário – para se lhe apaziguar. Um jogo partidário perigoso em que ministros do tribunal constitucional, agentes-articuladores políticos com caneta para decidir (influir) monocraticamente, bebem uísque com Lula, discutem a campanha eleitoral e formam bancadas. A eleição é jogo de sobrevivência também para eles.
(E de repente temos Dias Toffoli, num ato grotesco de desproporção, abusando do poder de cautela da Justiça Eleitoral para suspender – tirar mesmo do ar – a campanha de um candidato a presidente…)
Uma eleição presidencial disputada na lama, em que o maior volume de eleitores já admitiu escolher quem estará menos chafurdado. É tapar o nariz e votar. Tapar o nariz e rejeitar. A rejeição, ao mesmo tempo, sendo critério com peso talvez sem precedentes, o que explicaria os casos Lulinha/Marcola e Dark Horse ferirem pouco as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro. E assim vamos, parece, até o fim – à espera do vazamento-bomba.
NÃO SE PODE ENTERRAR DINHEIRO DO CONTRIBUINTO NOS CORREIOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Os Correios encerraram o primeiro semestre deste 2026 com prejuízo de R$ 5,55 bilhões, 30% acima do já desastroso resultado do período correspondente do ano passado. A estatal federal caminha para o pior ano de sua história, superando o rombo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025.
Preso à ideologia e ao corporativismo, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insiste em prolongar o problema, o que implicará torrar mais dinheiro do contribuinte —incluiu-se na proposta orçamentária de 2027 um aporte de R$ 6 bilhões para a empresa.
A capitalização é uma exigência contratual do consórcio de bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander) que concedeu empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios no final de 2025.
Além de garantir o crédito, a União se comprometeu a fazer a injeção de recursos até o fim de 2027, sob pena de vencimento antecipado da dívida. Há negociações, ademais, para outro empréstimo, de R$ 7 bilhões.
O Executivo se defende com o argumento de que houve progressos no plano de reestruturação da empresa. É muito pouco: no segundo trimestre, o prejuízo recuou 5,5% ante abril-junho de 2025, para R$ 2,39 bilhões, e 24% em relação ao primeiro trimestre (R$ 3,16 bilhões); o rombo semestral, porém, superou os R$ 4,26 bilhões anteriores.
No período, a receita líquida caiu. Despesas com pessoal recuaram modestamente, cerca de 4%, e os custos de serviços ficaram R$ 1,3 bilhão abaixo do orçado. O primeiro programa de demissões voluntárias de 2026 teve pouco mais de 3.000 adesões —cerca de um terço da meta de 10 mil. Parte das medidas administrativas, como o corte de lojas, patina sob pressão sindical.
Qualquer melhora ocorre em ritmo lento, insuficiente para estancar prejuízos sucessivos e recompor a geração de caixa.
A garantia da União e o aporte previsto ampliam o passivo fiscal. Cada empréstimo afiançado e cada capitalização transferem o ônus para o Tesouro e pressionam o resultado primário (não financeiro) de 2027. Recursos que poderiam reforçar o superávit ou financiar despesas essenciais serão consumidos para sustentar uma estatal que não para em pé.
Em entrevista à TV Globo, Lula reconheceu que os Correios “ficaram na mesmice” diante da evolução do setor e do surgimento de plataformas privadas de entrega.
Incapaz de se adaptar às transformações tecnológicas e à concorrência, a empresa deteriorou-se à vista de todos. Nada era mais previsível, mas o petista se recusa a enxergar o óbvio —que a chance de salvar os Correios passa por sua privatização ou mesmo, se não houver interessados, por seu fechamento; nunca por novos recursos do contribuinte.
Em 2020, fez-se um plano bem estruturado de desestatização, com manutenção da natureza pública dos serviços postais essenciais, infelizmente interditado por Lula e seu partido.