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PAULO PASSA RECIBO, PRESSIONADO PELAS CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO PODEM SER MAIS NEGADAS OU DRIBLADAS E SEM ALTERNATIVAS, FAZ O CERTO: MANDA SUSPENDER AS OBRAS DE RECUPERAÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ LIBERADA EM REPENTINA VELOCIDADE PELO SEU EX “PREFEITO DE FATO” DE GASPAR. MAIOCHI VEIO DE BLUMENAU E ESTÁ SUPER ENROLADO – SEGUNDO POLÍCIA, GAECO E MPSC – EM CASOS DE CORRUPÇÃO POR LÁ

Depois de seis dias em silêncio, mesmo com três operações emblemáticas da Polícia, Gaeco – Grupo de Atuação Especializada ao Combate ao Crime Organizado – e Ministério Público de Santa Catarina deflagradas na região com repercussão nacional e avisado de que tudo cheirava a problemas, o investigador de fama, delegado, delegado regional, delegado geral e ex-secretário de Segurança de Santa Catarina, neófito na política e eleito prefeito com 52,98% válidos – com concorrentes de peso – exatamente com a promessa de combater a corrupção, veio a público se dizer “surpreendido” com tudo e os que os envolvidos para o seu governo.

A ficha corrida de todos era limpa, jurou.

Paulo Norberto Koerich, PL, naturalmente, passou vergonha. Passou recibo, impressionantemente. Logo ele, com o currículo que construiu ao longo de brilhante carreira policial. Ele nunca poderia atestar o que atestou em áudio e vídeo, aparentemente articulado como se do outro lado houvesse um monte de tolos.

Aposta incompreensível. Armação premeditada de velhos e novos amigos da onça? Assessoria de comunicação débil no quesito estratégico e tático, se é que ela foi ouvida nisso. O que se descobriu e vai se descobrindo, eu já escrevia aqui ha meses. Repeti isto no penúltimo artigo desta semana. É bater em ferro frio. A cidade inteira está pasma. Vira a página, porque vem mais. E a culpa não é da polícia que apura, e nem dos mensageiros que não se calam diante de tanta porcaria.

CORTINA DE FUMAÇA

Mas, Paulo, num surto de coerência forçada, tomou ontem uma providência com cheiro de marquetagem para atenuar o erro de quase um ano na nomeação de Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, envolvido até o talo com dúvidas no que Gaeco vem apurando nas três operações, mas principalmente na “Ponto Final” como secretário de Planejamento Territorial de Gaspar.

É obvia. Necessária. Urgente, mas cheira à mais uma cortina de fumaça. Só o tempo dirá. E Paulo tem a chance única de refundar o seu governo e se desligar das amarras que o levaram a esta mancha profissional. A política faz coisas.

Voltando.

Paulo, suspendeu e mandou apurar – com disponibilização da documentação do processo para o Gaeco de Blumenau, de como foi contratada a recuperação da barranca do Rio Itajaí, na Rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira. Ufa! E precisa disso? Esta não deveria ser um cuidado e uma prática na sua gestão? Não foi isso que ele jurou para ganhar as eleições?

Antes, todavia, Paulo perdeu tempo e ficou exposto, mais uma vez, parecendo estar correndo atrás do próprio rabo e entisicado pelos outros, naquilo que é mais do que óbvio que deveria ser antecipado e iniciativa dele.

Deixou o vereador Giovano Borges, PSD, sapatear nas redes sociais e atravessar um requerimento com o mesmo objetivo: clarear esta contratação, liderada por Maiochi, o “dono de Blumenau” e coordenador do propinoduto das obras do tempo em que Mário Hildebrandt, PL, foi prefeito de lá, segundo o que está nas investigações e bem detalhada pela NSC que teve acesso a parte dos documentos dessa investigação.

ELOS PERIGOSOS. NÃO BASTA ESTAR LIMPO. É PRECISO PARECER LIMPO

A foto acima é emblemática. É de quando Mário era o secretário de Defesa Civil e Proteção do estado governador por Jorginho Melo, e Maiochi, o secretário de Planejamento Territorial estava assinado a ordem de serviço para a obra da Anfilóquio Nunes Pires. Uma festança.

Quem não aparece nas fotos? A Engeplan, envolvida até o talo – incluída num grupo de outras empreiteiras, inclusive de Gaspar – neste jogo que a Polícia, o Gaeco e o Ministério Público de Santa Catarina estão apurando e desatando nos seus nós entre elas, servidores públicos.

“Os donos de Blumenau”, se instalaram no coração da administração de Paulo Norberto Koerich, PL, Eles tinham uma panelinha chamada de “comitê gestor”, para serem “os novos donos de Gaspar” e Paulo não sabia de nada? Hum! E Maiochi era o porta voz desse grupo. Credo.

Se não é uma simples e nova cortina de fumaça, Paulo precisa passar um pente fino em tudo no seu governo, incluindo à obrigatória contratação de uma auditoria externa para não ser levado no bico como foi até aqui, se o seu discurso de que era passageiro de tudo isso, é, realmente, para valer. Qualquer um com o currículo do Paulo faria isso. A não ser que…

Falta a Paulo muitas, coisas. Como, por exemplo, explicar a cidade, aos cidadãos, e as cidadãs, não naqueles viozinhos que fez esta semana que o deixam ainda mais exposto, a razão pela qual a área jurídica falhou clamorosamente e está deixando passar (é no mês que vem) o prazo para acionar a Progresso Ambiental, de Blumenau – envolvida no cartel -, na refação da avenida do Pasto do Jacaré. Quando Paulo souber quem ia a Curitiba buscar parte da propina em uma das operações que a policia apura, terá ganho tempo e uma pista de ouro.

Falta a Paulo investigar mais a fundo, a razão pela qual a sua assessoria jurídica trazida de Blumenau e que faz desse “comitê de gestão”, dobrou a aposta, arriscou tudo e deu um parecer contra os técnicos do meio ambiente da prefeitura de Gaspar e do Ministério Público, liberando mais de 60 lotes num loteamento no Sete de Setembro. A empresa daqui também está envolvida no esquema de Blumenau que veio dar em Gaspar.

A lista é longa e passa até pela revisão do Plano Diretor. Ele está na fase final das oficiais feitas com a sociedade nos bairros. Sabe quem não foi nesta oficinas ouvir a cidade ou sentir o que ela pensa de tudo isso? O mais interessado de todos e que movimenta a revisão:  Instituto Masterplan, que reúne empresários e entidades. Perguntar não ofende? A revisão está pronta nos gabinetes mais uma vez?

O próprio presidente da Câmara deu a dica num encontro com os empresários que tratava do Plano Diretor: no final tudo será resolvido na Câmara. Então perguntar, não ofende: é para beneficiar uns e prejudicar outros? É para fazer, mais uma vez, o povo de Gaspar de bobo?  E ainda falam em transparência. Eliminam esta palavra do vocabulário, por favor!

E para encerrar duas observações necessária.

Neste “comitê gestor” faz parte dele a secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski da Cunha. Justo. Mas, ela também é identificada com este grupo de Blumenau. Era incompreensível como algumas coisas andam, a toque de caixa, como foi o caso da obra contratada com a Engeplan, e outras prioritárias, mendigadas por secretários ao comitê, ficam meses. Agora, não é mais. Maiochi tinha prioridade.

E neste caso da obra da Anfilóquio Nunes Pires, a superintendência de Defesa Civil, tocada pelo terceiro Sargento Bombeiro Militar Rafael Araújo de Freitas, morador de Gaspar há anos, foi passageiro. Maiochi e o comité gestor tomou conta de tudo. Muda, Gaspar!

  • as duas charges, entre outras que recebi para uso, foram produzidas por leitores meus, oferecidas gratuitamente, e não estão assinadas a pedido dos seus autores. Eles, eleitores de Paulo Norberto Koerich, PL, receiam justificadas retaliações. Agradeço.

TRAPICHE

Prestem bem atenção. O outro investigador, delegado que atuou por aqui e era querido por sua atuação firme, delegado Regional que teve uma treta com Paulo Norberto Koerich, PL, foi deslocado para uma hibernação em Brusque. Lá, ele surgiu como político para ser deputado estadual pelo PTB com a causa animal na mão. Votação expressiva. Com este cacife, Egídio Maciel Ferrari, PL foi eleito prefeito de Blumenau. A administração dele também está patinando.

Mas, este não é o ponto da corrupção e falta de transparência. São estarrecedoras, as entrevistas que Egídio concedeu sobre este assunto nos últimos dias para blogs, rádios e televisão, inclusive agora ao meio dia a NSC TV Blumenau. Começa que é articulado. Domina a comunicação. Evita o tal, “veja bem…”. Bem diferentes dos limitados e controlados vídeos de Paulo Norberto Koerich, PL. A pergunta que não quer calar: por que Egídio não quis esta gente toda que sabia parte dos pecados dela e Paulo aceitou assim, numa boa, com todos lhe avisando, inclusive aqui, que daria onde deu? E mais do que isso: deu status e carta branca? Credo!

Este assunto desse grupo de Blumenau é antigo. Se olhar quem são os donos dos postos de combustíveis que lavavam parte do dinheiro das empreiteiras para os servidores e políticos de Blumenau, vai se entender bem a raiz do problema.

Há uma lenda contada nos bastidores políticos e institucionais de Blumenau. Mário Hildebrandt, PL, mas que se pendurou em vários partidos ao longa da sua curta trajetória política para estar sempre na crista da onda, rompeu com o esquema para ele comandar e dar vida própria. Mário já negou que sabia de alguma coisa. Resumindo. Mário ficou vulnerável, soma-se à ganância dentro do esquema como a de Maiochi. No fundo, segundo a lenda, Mário está sendo vingado pelos que perderam a boquinha lá atrás quando ele rompeu com seus padrinhos. Credo.

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22 comentários em “PAULO PASSA RECIBO, PRESSIONADO PELAS CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO PODEM SER MAIS NEGADAS OU DRIBLADAS E SEM ALTERNATIVAS, FAZ O CERTO: MANDA SUSPENDER AS OBRAS DE RECUPERAÇÃO DA BARRANCA DO RIO ITAJAÍ LIBERADA EM REPENTINA VELOCIDADE PELO SEU EX “PREFEITO DE FATO” DE GASPAR. MAIOCHI VEIO DE BLUMENAU E ESTÁ SUPER ENROLADO – SEGUNDO POLÍCIA, GAECO E MPSC – EM CASOS DE CORRUPÇÃO POR LÁ”

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  2. Pagador de Impostos

    Encaminhei para o e-mail falecomolhandoamare@gmail.com
    Cópia da denúncia encaminhado duas semanas atrás na câmara, que foi arquivado pelo presidente Ciro sem chegar aos vereadores.
    Denúncia que expõe o modus operandi usado para fraudar a licitação em Gaspar.

  3. A CONTA SALGADA DAS BONDADES DE LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Uma reportagem recente do Estadão revelou que o custo das medidas anunciadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva para estimular a economia nos últimos dois anos atingiu R$ 140 bilhões. O levantamento, realizado pelo banco BTG Pactual, inclui dez propostas que já estão em vigor ou prestes a serem executadas. Portanto, não se trata de uma conta fechada: é muito provável que a conta da demagogia fique ainda mais salgada, especialmente porque Lula precisa muito recuperar sua popularidade para aumentar suas chances de reeleição, num cenário de disputa apertadíssima. Tudo isso, é óbvio, resultará em mais inflação e pressionará ainda mais a já estratosférica taxa de juros, aumentando o custo do dinheiro e o custo de vida justamente para aqueles eleitores cujo voto Lula pretende conquistar.

    A farra começou no fim de 2024, com o anúncio da isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. Promessa que Lula havia feito dois anos antes, ainda durante a campanha, a benesse foi aprovada pelo Congresso no ano passado e entrou em vigor em janeiro. O governo abriu mão de R$ 31 bilhões, valor que inclui o desconto no imposto para quem recebe até R$ 7.350 mensais, mas o efeito eleitoral da medida tem sido pífio, a julgar pelas pesquisas.

    O problema é que, para o eleitor, a despeito do desemprego baixo, da alta da renda e da inflação razoavelmente sob controle, a sensação é de dificuldade, ante uma alta persistente dos preços dos alimentos e o endividamento crônico.

    Foi nesse contexto desafiador que o governo pisou no acelerador e recorreu a um verdadeiro arsenal de medidas. Diferentemente do IR, no entanto, cuja renúncia fiscal, em tese, será compensada pela tributação dos mais ricos, a maioria das novas iniciativas tem caráter parafiscal, uma temeridade considerando o histórico lulopetista com esse tipo de política.

    Medidas parafiscais, em um primeiro momento, não causam impacto no Orçamento Geral da União. Os recursos que bancam essas políticas podem ter origem em fundos, estatais ou bancos públicos. Não há descumprimento de regras fiscais, tampouco é necessário obter aval do Congresso para colocá-las em vigor.

    Parece o melhor dos mundos, mas o perigo está na recorrência com que o governo tem feito uso delas, no espírito que o motiva a implementá-las e nas consequências adversas que elas produzem na economia. Depois da isenção do IR, foram anunciadas ao menos dez iniciativas, e nove delas não escondem o caráter eleitoreiro.

    A mais recente é a nova etapa do Desenrola, programa de renegociação de dívidas lançado no dia 4 passado e bancado com dinheiro do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Além de pessoas físicas inadimplentes, microempreendedores individuais, estudantes e agricultores familiares, a ideia é alcançar quem paga as contas em dia e trabalhadores informais.

    Há ainda diversas medidas para estimular a tomada de empréstimos, como o consignado privado, o novo modelo de crédito imobiliário, o Reforma Casa Brasil e as novas faixas do Minha Casa Minha Vida. O governo ainda vai bancar a conta de energia de famílias de baixa renda por meio das faturas de outros consumidores e botijões de gás com dinheiro do pré-sal.

    Vem mais por aí. Depois do Move Brasil, com R$ 21,2 bilhões em crédito para a compra de caminhões, ônibus e outros veículos pesados, operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo ainda pretende lançar uma linha de crédito barata para compra de automóveis para taxistas e motoristas de aplicativo, além de subsídios para reduzir preços de gasolina e etanol. O pretexto é ajudar quem utiliza o veículo como fonte de geração de renda, mas é simplesmente impossível não associar as medidas aos auxílios lançados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro a meses da disputa eleitoral.

    A conta dessas iniciativas, cedo ou tarde, chega ao Orçamento, mas o governo Lula prefere fingir que nada disso terá custo nem prejudicará as contas públicas. Se Lula efetivamente conseguir se reeleger, terá de arcar com a herança maldita gerada por si mesmo. Dessa vez, não poderá jogar a responsabilidade no antecessor.

  4. Se jogarmos uma carteira de trabalho numa reunião da familia Bolsonaro, a filhocracia some. Tal qual os petistas, Todos parasitas do estado.

  5. BENESSES NÃO ALAVANCAM APROVAÇÃO A LULA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    A despeito de uma série de benesses concedidas ao eleitorado, os fracos índices de aprovação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) praticamente não se moveram, mostra a mais recente pesquisa do Datafolha. Tampouco se alteraram de forma relevante as intenções de voto que apontam para uma disputa presidencial acirrada.

    Observe-se, porém, que os pesquisadores do instituto foram às ruas na terça (12) e na quarta-feira (13) de uma semana de fatos novos, capazes, ao menos em tese, de influenciar o cenário político.

    De mais impactante, revelou-se na tarde de quarta a intimidade chocante entre Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida pelo Planalto, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

    Além do mais, o Planalto anunciou mais medidas eleitoreiras; outras há pouco entraram em vigor, como a renegociação de dívidas do Desenrola 2. Foi decretado, na terça, o fim da chamada “taxa das blusinhas”. Na quarta, uma medida provisória criou subsídios para a gasolina.

    O governo petista apostou na ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que entrou em vigor neste ano, e hoje faz vasta propaganda do intento de reduzir a jornada de trabalho. Ainda assim, foi avaliado como ótimo ou bom por não mais de 30% dos entrevistados (ante 29% em abril) e como ruim ou péssimo por 39% (40% em abril).

    A redução do saldo negativo não passa, pois, da margem de erro —e os números estão no vermelho desde fevereiro de 2024. Hoje, dizem aprovar o trabalho do presidente 45% dos brasileiros aptos a votar, enquanto 51% o reprovam. A insatisfação parece persistente, mesmo com melhoras em emprego e salário.

    Lula lida com consequências de seus erros, como as pressões inflacionárias e os juros sufocantes decorrentes da expansão desmesurada dos gastos públicos. O endividamento das famílias alcançou patamares recordes, e o crescimento econômico é declinante.

    A principal dúvida imediata quanto ao cenário político e eleitoral, de todo modo, recai sobre a reação às notícias relativas ao envolvimento de Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master.

    Não é, cumpre notar, o primeiro caso rumoroso relacionado ao filho do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. Apesar desse péssimo histórico, Flávio permanece empatado, com 45%, na simulação de segundo turno contra Lula, que tem histórico de condenações por corrupção anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.

    Demais competidores em potencial à direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que hoje têm índices nanicos de intenção de voto no primeiro turno, decerto tentarão capitalizar o desgaste do pré-candidato do PL para romper a polarização entre PT e bolsonarismo que marcou as duas últimas corridas.

    Caiado e Zema rondam os 40% no segundo turno, indicando que o antilulismo, com qualquer nome, será uma das forças do pleito.

  6. Não é bem assim, também. A NSC atrás de audiência fácil, e fazendo de Florianópolis, o espelho de uma Santa Catarina plural e diversificada, dedicou-se a ser uma extensão em todos os noticiários diários dessa versão que não se sustentou dessa mesma rede social. Até a casa cair. E ainda, está reforçando a tese de que a Polícia é quem apurou mal, para diminuir os danos e ainda manter a dúvida esclarecida pelo MP.

    LINCHAMENTO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O Ministério Público de Santa Catarina concluiu que o cão Orelha, encontrado debilitado e com ferimentos no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis, não foi vítima de agressão nem de maus-tratos. Ou seja, o animal, cuja morte comoveu o País por ter sido supostamente resultado de espancamento atribuído a adolescentes, morreu em decorrência de uma infecção, e não da alegada violência.

    O caso é exemplar de como funciona o tribunal da internet. Ao longo do processo, os pais dos adolescentes acusados pela polícia viveram o inferno das redes sociais, sofrendo todo tipo de ameaça, sem terem como se defender. O tribunal acusa, condena e executa sem apelação.

    Nem mesmo os sinais de que a investigação policial estava eivada de erros, omissões e manipulação bastaram para arrefecer o ímpeto dos linchadores virtuais. Ao contrário, parece ter servido para dar notoriedade a seus responsáveis. Por exemplo, o delegado-geral da Polícia Civil catarinense na época, Ulisses Gabriel, aproveitou ao máximo a visibilidade súbita, usando as redes sociais para falar das investigações e para defender a redução da maioridade penal. Gabriel, que é objeto de inquérito civil em razão de sua conduta durante as investigações, trilhou o caminho de tantos outros que ganharam os holofotes por mau comportamento: lançou-se candidato a deputado estadual pelo PL.

    Os adolescentes e suas famílias tiveram suas identidades expostas, foram colocados em risco e sofreram danos de difícil reparação. É evidente que foram vítimas de ilegalidades, a começar pela violação de direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como a preservação da identidade dos menores. Mas não apenas isso: seus direitos constitucionais, como a presunção de inocência, a ampla defesa e o contraditório também foram desrespeitados por autoridades públicas que deveriam protegê-los.

    Tudo isso no embalo das redes sociais, o local moderno dos antigos rituais de linchamento. Esse justiçamento promovido por uma massa que se constitui para esse fim dá a quem participa dele o conforto da impunidade. Nenhum dos algozes corre o menor risco, porque a massa é infinitamente superior à sua vítima, que fica completamente à mercê de seus algozes.

    O assassinato virtual dos que são acusados de crimes abomináveis, como espancar um cão até a morte (e não um cão qualquer, e sim um cão “comunitário”, que era supostamente cuidado por todos na região), serve como uma espécie de crime “permitido”, perfeitamente justificável, incentivado e até mesmo desejado. Torna-se, dessa maneira, praticamente irresistível, porque dá aos participantes a liberdade total para exercitar seus piores instintos, aqueles que a vida em sociedade obriga a reprimir.

    Por fim, mas não menos importante, depois do linchamento cada um dos linchadores vai cuidar de sua vida, com a consciência tranquila: afinal, num linchamento, não é possível dizer quem deu o golpe fatal. É a comunidade quem mata – e, quando até mesmo o poder público participa do linchamento, salve-se quem puder.

  7. Miguel José Teixeira

    “História de um Nome”
    (Stanislaw Ponte Preta)

    No capítulo dos nomes difíceis têm acontecido coisas das mais pitorescas. Ou é um camarada chamado Mimoso, que tem físico de mastodonte, ou é um sujeito fraquinho e insignificante chamado Hércules. Os nomes difíceis, principalmente os nomes tirados de adjetivos condizentes com seus portadores, são raríssimos, e é por isso que minha avó a paterna – dizia:

    – Gente honesta, se for homem deve ser José, se for mulher, deve ser Maria!

    É verdade que Vovó não tinha nada contra os joões, paulos, mários, odetes e — vá lá – fidélis. A sua implicância era, sobretudo, com nomes inventados, comemorativos de um acontecimento qualquer, como era o caso, muito citado por ela, de uma tal Dona Holofotina, batizada no dia em que inauguraram a luz elétrica na rua em que a família morava.

    Acrescente-se também que Vovó não mantinha relações com pessoas de nomes tirados metade da mãe e metade do pai. Jamais perdoou a um velho amigo seu — o “Seu” Wagner — porque se casara com uma senhora chamada Emília, muito respeitável, aliás, mas que tivera o mau-gosto de convencer o marido de batizar o primeiro filho com o nome leguminoso de Wagem — “wag” de Wagner e “em” de Emília. É verdade que a vagem comum, crua ou ensopada, será sempre com “v”, enquanto o filho de “Seu” Wagner herdara o “w” do pai. Mas isso não tinha nenhuma importância: a consoante não era um detalhe bastante forte para impedir o risinho gozador de todos aqueles que eram apresentados ao menino Wagem.

    Mas deixemos de lado as birras de minha avó — velhinha que Deus tenha, em Sua santa glória — e passemos ao estranho caso da família Veiga, que morava pertinho de nossa casa, em tempos idos.

    “Seu” Veiga, amante de boa leitura e cuja cachaça era colecionar livros, embora colecionasse também filhos, talvez com a mesma paixão, levou sua mania ao extremo de batizar os rebentos com nomes que tivessem relação com livros. Assim, o mais velho chamou-se Prefácio da Veiga; o segundo, Prólogo; o terceiro, Índice e, sucessivamente, foram nascendo o Tomo, o Capítulo e, por fim, Epílogo da Veiga, caçula do casal.

    Lembro-me bem dos filhos de “Seu” Veiga, todos excelentes rapazes, principalmente o Capítulo, sujeito prendado na confecção de balões e papagaios. Até hoje (é verdade que não me tenho dedicado muito na busca) não encontrei ninguém que fizesse um papagaio tão bem quanto Capítulo. Nem balões. Tomo era um bom extrema-direita e Prefácio pegou o vício do pai – vivia comprando livros. Era, aliás, o filho querido de “Seu” Veiga, pai extremoso, que não admitia piadas. Não tinha o menor senso de humor. Certa vez ficou mesmo de relações estremecidas com meu pai, por causa de uma brincadeira. “Seu” Veiga ia passando pela nossa porta, levando a família para o banho de mar. Iam todos armados de barracas de praia, toalhas etc. Papai estava na janela e, ao saudá-lo, fez a graça:

    – Vai levar a biblioteca para o banho? “Seu” Veiga ficou queimado durante muito tempo.

    Dona Odete — por alcunha “A Estante” — mãe dos meninos, sofria o desgosto de ter tantos filhos homens e não ter uma menina “para me fazer companhia” – como costumava dizer. Acreditava, inclusive, que aquilo era castigo de Deus, por causa da idéia do marido de botar aqueles nomes nos garotos. Por isso, fez uma promessa: se ainda tivesse uma menina, havia de chamá-la Maria.

    As esperanças já estavam quase perdidas. Epílogozinho já tinha oito anos, quando a vontade de Dona Odete tornou-se uma bela realidade, pesando cinco quilos e mamando uma enormidade. Os vizinhos comentaram que “Seu” Veiga não gostou, ainda que se conformasse, com a vinda de mais um herdeiro, só porque já lhe faltavam palavras relacionadas a livros para denominar a criança.

    Só meses depois, na hora do batizado, o pai foi informado da antiga promessa. Ficou furioso com a mulher, esbravejou, bufou, mas — bom católico — acabou concordando em parte. E assim, em vez de receber somente o nome suave de Maria, a garotinha foi registrada, no livro da paróquia, após a cerimônia batismal, como Errata Maria da Veiga.

    Estava cumprida a promessa de Dona Odete, estava de pé a mania de “Seu” Veiga.

    (Fonte: https://contobrasileiro.com.br/historia-de-um-nome-cronica-de-stanislaw-ponte-preta/)

    Ooops. . .
    Revisitei o texto acima só para “Bedelhar”:
    a união de dois fortes sobrenomes redundou em um prenome e um segundo prenome, idem!

    Thriller: https://www.youtube.com/watch?v=4V90AmXnguw

  8. Pegos, políticos sempre dizem que é mentira, depois que é coisa de fofoqueiros, a medida que as provas vão ser apresentando, mudam de versões assim na cara dura e sem mais nada a explicar as cagadas que fazem no escurinhos que chamam de transparência, juram que não sabiam de nada, e finalmente, quase chorando, dizem que são vítimas de perseguições. Só se for dos erros, omissões e sacanagens deles próprios. É assim lá e aqui. Notem que as desculpas são iguaizinhas

    SEM MEIA CONVERSA ENTRE FLÁVIO E VORCARO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Flávio Bolsonaro primeiro disse que era mentira, confrontado com a informação verídica de que pedira – e levara – dinheiros de Daniel Vorcaro para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro. Depois, ante a exposição de suas mensagens, teve de admitir a verdade; isso após seis meses de omissões e mentiras sobre suas relações com o miliciano comprador de burocratas e autoridades. Comportamento idêntico ao de Dias Toffoli: o ministro que, tendo sido sócio da rede vorcárica no tal hotel, ocultou a sociedade e permaneceu como relator do caso no STF.

    A bateção bolsonarista de cabeças foi intensa e pública, até que Flávio plantasse a versão que ora prospera – a do “contrato de confidencialidade”. Não podia falar a respeito do lance porque impedido formalmente, o que o levaria a mentir, faz dois meses, declarando-se “sem nenhum contato pessoal” com o banqueiro. Um senador da República que subordina o contrato com a democracia representativa, o mandato, a um acordo entre privados que produzira o pagamento de cerca de US$ 10 milhões – por meio de empresa laranja metida com PCC e máfia italiana – a um fundo nos EUA gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.

    Operação que deixaria de ser fedida – sob a suspeita de que haveria sobras de caixa – com a apresentação dos registros formais do fluxo de remessas-entradas da bufunfa toda, totalmente transferida à produtora do filme.

    Nunca se tratou de filho pedindo dinheiro para produção sobre o pai. Experimentasse você pedir dinheiro a Vorcaro para bancar homenagem a papai. Era um senador da República, filho de ex-presidente e cotado como candidato à Presidência, alguém influente sobre essa escolha; alguém a ser agradado. Vide Ciro Nogueira, de oposição também, cujo mandato foi, segundo a PF, instrumentalizado a serviço de interesses vorcáricos.

    Estamos ante uma questão ainda – ainda – de natureza político-comunicacional, sob a qual a pergunta decisiva permanece a mesma. O que Vorcaro contratava, ao contratar o escritório de advocacia? O que comprava, ao comprar parte do resort?

    Pode Flávio fazer essas perguntas? No que Vorcaro investia, ao investir no filme?

    Existe o padrão vorcárico de estabelecimento de relações. Inexiste a hipótese de que alguém acreditasse – em novembro de 2025, à véspera da prisão do cara – em que o dinheiro “privado” de Vorcaro fosse limpo, proveniente que era de traficâncias com fundos de pensão e da venda de créditos fraudulentos.

    Flávio fala como se suas conversas com o sujeito fossem restritas a dezembro de 2024. Começaram em dezembro de 24; se intensificaram em 2025, à medida que a situação do Master se degradava, chegando àqueles termos íntimos (“Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente.”) depois de as investigações sobre o banco se tornarem públicas, o que ocorrera entre agosto e setembro de 25.

    Naquele momento, o senador da República deveria ter feito cessar o contrato-contato e revelado a existência do acordo e as razões por que o encerrava. Prevaleceu o homem de negócios.

  9. A DIREITA DIANTE DE SEU VENENO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A ruidosa revelação do pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro presta dois serviços essenciais ao País: primeiro, como já afirmamos neste espaço, expõe a baixa estatura moral e política do primogênito de Jair Bolsonaro para ser o principal candidato da direita à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; segundo, serve de advertência definitiva para o campo conservador e insta-o a se afastar da usina de escândalos que é, essencialmente, o bolsonarismo. Já passou da hora de romper a subordinação aos métodos do clã Bolsonaro.

    Há anos, parte da direita trata o bolsonarismo como atalho eleitoral inevitável. Alega-se que Bolsonaro conserva votos, mobiliza militância e encarna a rejeição ao lulopetismo. Isso pode explicar a conveniência de curto prazo de políticos que orbitam o ex-presidente, mas não justifica a abdicação moral, programática e institucional de um campo político inteiro.

    Quem se prende a Jair Bolsonaro e seus filhos não recebe apenas votos. Recebe também vícios, métodos e passivos. Recebe também a confusão entre público e privado, o culto familiar, a hostilidade às instituições, o desprezo pela liturgia democrática e a incapacidade de distinguir causa pública de negócio particular. O bolsonarismo é tóxico por natureza. Sua toxicidade é o seu próprio modo de existir.

    A direita democrática tem diante de si uma oportunidade preciosa, que é permitir ao Brasil se libertar de Lula e suas ideias envelhecidas sem se submeter a Bolsonaro. O governo lulopetista oferece razões de sobra para ser derrotado. É anacrônico, estatizante, aparelhado e incapaz de apresentar uma agenda moderna de crescimento econômico, responsabilidade fiscal e eficiência administrativa. Mas a malaise lulopetista não absolve a direita de seus pecados nem autoriza a entrega do campo conservador a uma família incapaz de atravessar uma semana sem produzir um novo escândalo.

    Convém à direita decidir se pretende ser força política adulta ou torcida organizada do ressentimento. Se deseja governar o País, terá de oferecer mais do que antipetismo: compromisso com a Constituição, respeito às instituições, responsabilidade fiscal, defesa da economia de mercado e padrões mínimos de decência. Nada disso floresce à sombra de Jair Bolsonaro e de seu sucessor imediato, Flávio Bolsonaro.

    O bolsonarismo tenta vender a fantasia de que qualquer crítica ao clã favorece Lula. É chantagem. O que favorece Lula é a incapacidade da direita de se desintoxicar do bolsonarismo. Enquanto o campo conservador permanecer preso a personagens marcados por golpismo, escândalos e negócios mal explicados, o petismo explorará o medo de alternativa ainda pior. Bolsonaro é, nesse sentido, um seguro de vida para Lula.

    A ruína política de Bolsonaro poderia ter sido o ponto de partida para a reconstrução da direita, abrindo espaço para lideranças comprometidas com reformas e moderação. Em vez disso, muitos preferiram ajoelhar-se diante do espólio bolsonarista, como se o patrimônio eleitoral do ex-presidente fosse transmissível por sangue. O resultado é Flávio Bolsonaro – que não tem estatura nem para ser poste do pai golpista, que dirá presidente da República.

    Não há futuro respeitável enquanto a direita tratar a família Bolsonaro como destino. O conservadorismo democrático não precisa de herdeiros ungidos por sobrenome. Precisa de partidos sérios, lideranças preparadas, programa consistente e coragem para romper com aquilo que o degrada. A ruptura não será indolor, mas pior é seguir arrastando o peso morto de um movimento que sequestrou a direita e a associou ao que há de mais rebaixado na vida pública. Deve-se perguntar quantos escândalos mais serão necessários para reconhecer essa verdade.

    Eis a chance definitiva da direita: assumir seu lugar numa democracia madura, como força reformista, responsável e comprometida com a ordem constitucional, ou continuar servindo de biombo para uma família que transformou o antipetismo em negócio político. Se quiser voltar a merecer a confiança dos brasileiros, precisa romper com o bolsonarismo. Fora disso é tornar-se cúmplice de um desastre.

  10. Prefeito passa é um Atestado de ignorância como gestor ou de ser “conivente” com as coisas erradas.
    Começo a entender porque muita gente boa já saiu, foi trocada por interesses, ou se afastou.

    1. Hum. É incompreensível. Eu mesmo estou pasmo, mas não é de hoje. Mas, quando ele avisou a cidade de que faria isto o que está acontecendo. Com ficha assinada no PL, com Jorginho Melo, PL, avalista, na Casa d’Agronônica, sob testemunho dos daqui, negou como Pedro negou Jesus por três vezes. Contem para a cidade o que aconteceu naqueles dias, Francisco Hostins Júnior, PL, e Bernardo Leonardo Spengler Filho, este então presidente do PL.

  11. Elias Martins da Silva Neto

    Ainda na Taxa das Blusinhas, foi zerado apenas o Imposto Federal as leis estaduais são independentes:
    Com relação ao ICMS sobre as “taxas das blusinhas” (compras internacionais de até US$ 50 no Programa Remessa Conforme), a legislação estadual consolidada em 2025 e ativa em 2026 determina uma alíquota padrão, com uma exceção elevada em dez estados. Alíquotas de ICMS (Maio de 2026):Alíquota Padrão: \(17\%\) na maioria dos estados. Alíquota Majorada: \(20\%\) em dez estados (Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe).

  12. Elias Martins da Silva Neto

    Taxa das Blusinhas foi aprovada pela LEI 14.902/2024, sancionada em junho de 2024

    A Medida Provisória (MP) nº 1.357/2026, que zera a alíquota do Imposto de Importação (20%) sobre compras internacionais de até US$ 50,00 realizadas por pessoas físicas, a chamada “taxa das blusinhas”.

    Prazo de Vencimento: A MP tem validade de 60 dias, prorrogável automaticamente por mais 60 dias, nada mais que estratégia eleitoreira.

  13. Enquanto isso, na Capital Nacional da Moda Infantil, o silêncio continua…

    O VEXAME DAS BLUSINHAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou o vale-tudo na busca pela reeleição ao zerar o Imposto de Importação sobre bugigangas estrangeiras – sobretudo chinesas. Conhecida como “taxa das blusinhas”, a cobrança, que gerou tanta celeuma nos últimos três anos, foi revogada por meio de uma medida provisória assinada em cerimônia improvisada no Palácio do Planalto.

    O evento em que a nova medida foi anunciada nem sequer estava na agenda presidencial, mas, segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, tudo foi pensado “com calma e cuidado” pelo governo. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, por sua vez, disse que a revogação contribui para “melhorar o perfil da tributação brasileira”, como se uma medida puramente eleitoreira pudesse ter o efeito de uma reforma estrutural.

    Mas quem se superou mesmo foi o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. Segundo ele, “depois de três anos em que conseguimos combater o contrabando e regularizar o setor, nós podemos dar um passo adiante”. É isso mesmo: o contrabando no País, de acordo com Ceron, teria sido praticamente “eliminado” em razão da taxa das blusinhas. É sintomático que a perda da arrecadação com a suspensão do imposto, que garantiu R$ 1,78 bilhão somente nos quatro primeiros meses do ano e R$ 5 bilhões em 2025, não tenha sido sequer mencionada.

    O governo petista simplesmente não consegue ser honesto a respeito da taxa das blusinhas. Primeiro, decidiu implantá-la unicamente com o objetivo de aumentar a arrecadação – mas a desculpa na época era de que se fazia necessário “equilibrar o jogo” no varejo brasileiro, como argumentou o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Agora, edulcora a decisão de suspender a taxa com argumentos que insultam a inteligência dos cidadãos brasileiros e que mal e porcamente escondem o caráter escandalosamente eleitoreiro da medida.

    A indústria têxtil e o comércio varejista, claro, ficaram furiosos, e com toda a razão. As bugigangas chinesas jamais foram isentas de Imposto de Importação, mas o governo se abstinha de cobrá-lo quando os envios eram realizados entre pessoas físicas e o valor do produto era inferior a US$ 50. Tal brecha acabou por ser fartamente explorada por plataformas estrangeiras que se passavam por pessoas físicas, fracionavam as encomendas e inundavam o País com quinquilharias sem pagar impostos.

    Não é uma questão de protecionismo comercial. Os produtos asiáticos, sobretudo chineses, já chegam ao País a preços abaixo dos praticados no mercado exatamente porque são subsidiados já na origem. Com a isenção do Imposto de Importação, passam a ter uma vantagem adicional diante de setores nacionais que geram empregos, pagam tributos e enfrentam condições mais que desfavoráveis para produzir e comercializar no País, a começar pelas altas taxas de juros. Na prática, o governo optou por subsidiar empresas estrangeiras em detrimento da indústria e do comércio locais, por puro interesse eleitoral. Melhor seria reduzir a carga tributária suportada pelas empresas brasileiras, de modo a melhorar a competitividade do produto nacional ante a inundação de blusinhas chinesas. Mas isso um governo petista, perdulário por natureza, jamais faria.

    Lula, a bem da verdade, sempre manteve uma atitude pusilânime em relação ao tema. A cobrança da taxa das blusinhas poderia ter sido instituída por meio de medidas infralegais, mas veio por meio de um jabuti envergonhado no projeto de lei sobre o Programa Mover, de incentivos à indústria automotiva. Coube ao então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mobilizar os parlamentares pela aprovação da proposta, provavelmente à custa de muitas emendas ao Orçamento.

    A mobilização recente da oposição para derrubar a taxa acrescenta insulto à injúria. Quando a medida que instaurou a cobrança tramitava no Congresso, ninguém trabalhou para derrubá-la, tanto que o texto passou por 380 votos a 26 na Câmara e por 67 votos a zero no Senado. E Lula, embora dissesse ser pessoalmente contra a cobrança, não vetou o texto à época.

    Em resumo, nada do que está relacionado à tal taxa das blusinhas diz respeito aos interesses dos cidadãos brasileiros. Os únicos interesses atendidos são os dos políticos que só pensam em voto, e não no País.

  14. INTIMIDADE DE FLÁVIO E VORCARO É DE ESTARRECER, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    São estarrecedoras as conversas em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra do fraudador Daniel Vorcaro valores milionários supostamente para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Começa com essa bomba a campanha de alguém que já reunia escassas credenciais para pleitear o Planalto.

    Os diálogos divulgados na quarta-feira (13) pelo site Intercept não deixam dúvida da proximidade entre o senador e o delinquente. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, escreveu o senador a Vorcaro, em 16 de novembro último, véspera da prisão do banqueiro por tentativa de fuga.

    No afago fraterno, Flávio apelava ao então dono do Master para que saldasse os R$ 134 milhões prometidos para o filme “Dark Horse” (azarão), cinebiografia hagiográfica de Jair feita nos Estados Unidos. Com a prisão do “irmão” e a derrocada do banco, o repasse ficou em R$ 61 milhões.

    O dinheiro do Master não era de Vorcaro —daí sua desenvoltura em celebrar contratos vultosos para se aproximar de agentes públicos. Era produto do maior roubo da história do sistema financeiro nacional, que custará à sociedade ao menos R$ 60 bilhões.

    Policiais desconfiam de que a iniciativa artística dos Bolsonaros seja fachada para financiar o ex-deputado fujão Eduardo nos EUA. A hipótese é plausível dada a fortuna do alegado orçamento, cujo custo rivalizaria com grandes realizações de Holywood.

    A reação do pré-candidato do PL foi desastrosa. Primeiro negou relação com o ex-banqueiro. Depois, diante do fato, disse não ter feito nada de errado ao pedir dinheiro para uma ação privada, sem envolver verba pública. O argumento perde o sentido quando se leva em conta a fonte pagadora. Vorcaro tentou comprar a República com o seu dinheiro sujo.

    Fechou contrato de R$ 129 milhões com o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, repassou R$ 35 milhões à família Dias Toffoli por resort. Pagou R$ 6,1 milhões à banca de parentes de Ricardo Lewandowski, da qual o ex-ministro se licenciou para assumir a pasta da Justiça.

    Com a consultoria do ex-ministro Guido Mantega, que levou Vorcaro a audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Master gastou R$ 14 milhões. Desembolsos milionários também houve com empresas de parentes do governador pessedista Ratinho Júnior (R$ 21 milhões) e do senador petista Jaques Wagner (R$ 12 milhões). Oponente de Wagner na Bahia, o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) recebeu R$ 5,5 milhões em consultoria.

    O escritório advocatício do presidente do partido de Neto, Antônio Rueda, obteve R$ 6,4 milhões do banco. Ao homólogo de Rueda no PP, Ciro Nogueira, a Polícia Federal afirma que Vorcaro pagava mesada de até R$ 500 mil.

    Esse era o padrão rapace e inescrupuloso do “irmão” de Flávio Bolsonaro. Por isso o pré-candidato do PL deve explicações sobre a intimidade com o mafioso.

    1. A família tem muita afinidade com mafiosos.
      Lembram do Adriano Nóbrega, ex assessor do Flávio na ALERJ e ex chefe da milícia no RJ?
      Pois é…

      1. Tudo às escâncaras. Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come. E o sistema fecha qualquer alternativa. Poucos espectadores, quase todos torcedores para seus bandidos de estimação. Impressionante. Caminhamos firmes para o abate.

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