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A GESTÃO PITI. ESTA É A MAIS NOVA FORMA DO GOVERNO DE GASPAR OUVIR OS SEUS PRÓPRIOS SECRETÁRIOS E ABAFAR À FALTA DE INTEGRAÇÃO PARA RESULTADOS

O que é “dar um piti”? É uma gíria brasileira que significa ter um chilique, faniquito, escândalo ou ataque de nervos; um comportamento descontrolado e exagerado, geralmente com choro, gritos ou birra, como criança. É uma explosão emocional, um momento de perda de controle, e a expressão é usada para descrever alguém que faz cena.

Pois bem. Foi isto que ensaiou a secretária de Assistência Social de Gaspar, Neusa Pasta Felizetti, PL, vinda de Blumenau – entre tantos –, ao antecipar e alongar há duas semanas, o seu feriadão de Carnaval.

E eu colaborei – reconheço, mas sem querer, tanto que agora desdobro ele – não só para dar veracidade e repercussão ao fato em si, bem como para ampliar o piti dela. E o jogo da secretária deu certo: ela conseguiu reverter e a “pedido” do governo “reconsiderou”, à “anunciada” saída dela do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. É o que ela queria: ficar.

Você pode conferir as minhas seis notas sobre a possível saída dela, na seção TRAPICHE do artigo que publiquei na segunda-feira de folia e pecado, dia 16, sob o título QUANDO O GESTOR FALHA EM TEMPOS DE CAÇA À CORRUPÇÃO E BUSCA DE MAIS SEGURANÇA AO POVO, O NOVO POLÍTICO EMPRESTA PARA SI OS RESULTADOS DA POLÍCIA PARA A PROPAGANDA À COMUNIDADE. Na quarta-feira, como se soube, tudo isso já eram cinzas. Também registrei esta “silenciosa desistência”.

Retomando.

Sem Orçamento, sem estrutura, espaços, resultados e fazendo o que não é dela, como a causa animal, com uma diretoria que deveria estar ativa em outro local, Neusa anunciou aos seus aqui, alhures e na sua própria rede social (a foto do “recado” abre este artigo com a frase ambígua e cifrada da secretária: “minha via é andar por aí! E a partir de hoje, será” ) de que estaria indo embora.

Os “bombeiros” de Blumenau e Florianópolis atuaram para adiar o que se mostrava ser desastroso para Paulo na sua imagem e ajustes para a campanha que se avizinha.

QUEM NÃO TEM COLÍRIO USA ÓCULOS ESCUROS

Entretanto, advirto desde já de que não é este o assunto especifico que quero tratar como causa e concluir este artigo: o piti, a saída e a não saída de Neusa do staff de Paulo. Ele é mais amplo. Ele é uma senha antiga. É um comportamento. Vem desde quando Paulo tinha assinado a ficha no PL, num convescote privado na Casa D’Agronômica, em Florianópolis, e o negava de pés juntos por aqui em público, inclusive num jantar que os donos das cidade fizeram para ele no “Questão de Gosto” para anunciar com festa a “boa nova”.

Resumindo, tudo isto é falta de transparência, comunicação, empenho e liderança para resultados das e nas mudanças esperadas e prometidas na campanha eleitoral. Era um sinal lá atrás. Isto não mudou. Só se agrava.

Primeiro, nada se muda se está refém de quem comanda a cidade por décadas, sejam qual o partido ou ideologia estejam no poder ou quem for o eleito.

Segundo: nada se muda se não se escolhe os melhores, ouvindo-os e se equilibrando entre os atualizados em cada assunto.

E por último: nada se muda se não se estabelecer em prioridades, assumir riscos e dar segurança aos que ficarem expostos. São eles que fazem de fato, um governo. É que toda mudança, antes de produzir resultados, por exatamente tirar muitos da zona de conforto, de interesses – e no ambiente público isto é extremamente alto – e produzir dúvidas, provoca reações vestidas de ingenuidades e continuidade naquilo que supostamente está produzindo resultados para os mesmos. 

O GARGALO E O PITI COMO GESTÃO DO GOVERNO DE MUDANÇAS

Por que Neusa fez o piti? Porque não era ouvida. Porque não era integrada do grupinho decisório, mesmo ela sendo de Blumenau, o que possui prioridade no atual governo de Gaspar. Porque ela sacou que poderia ir embora como incompetente, como outros de lá e daqui já foram. E isto, ela – que não é mais nenhuma jovenzinha – não quer ver grudado no currículo dela. Neusa, então, foi preventiva. Não há lugar dentro da prefeitura de Gaspar que não esteja na ponta da língua de que tudo “está travado” na burocracia; de que “projeto nenhum vai para frente”, ou que “demora demasiadamente no seu trâmite”, mesmo quando há dinheiro disponível ou carimbado para a realização. I-na-cre-di-tá-vel!

Quem perde com isso e não é de hoje, pois vem de antes da própria posse de Paulo? O governo? Sim, mas principalmente a cidade, os cidadãos e as cidadãs.

E isto tem nome e sobrenome: área de compras e licitações, ligada a centralíssima secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha, que apesar dos laços gasparenses, fez-se na função em Blumenau e Indaial.

É ela e o procurador geral, Júlio Augusto Souza  Filho, o secretário de Planejamento Territorial, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, estes vindos de Blumenau indicados pelos ex-prefeito de lá, Mário Hildebrandt, PL -, com o chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP, são os que mandam e atrasam tudo. É consenso. Mesmo que não sejam culpados. Ou seja, há um problema grave de gestão e percepção aí.

Eles surpreendem e deixam na chuva o próprio governo de Paulo Norberto Koerich, PL, obrigado e de quem se espera resultados diferenciais. O grupinho não consegue sequer dar andamento à simples manutenção da cidade [ veja o TRAPICHE, abaixo], que toma quase todas as sessões inteiras da Câmara em debates e explicações estéreis, não dos supostos adversários, mas espantosamente, dos próprios vereadores da base. Se não se consegue este mínimo para a estabilidade e imagem do “novo” governo, como pode se criar condições para mudanças necessárias, mas principalmente desejadas, prometidas e esperadas?

DORMINDO COM O INIMIGO

Vira e mexe, esse grupinho de poderosos do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, criado exatamente para dar agilidade com segurança, deixa gente decente exposta, como foi o caso do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, o empresário Nelson Mario Küstner.

É este grupinho que ainda não conseguiu desatar o nó do Hospital de Gaspar, com o sugadouro de dinheiro bom e sem retorno; não criou condições para a implantação do sistema de coleta e tratamento de esgotos, não foi capaz de dar base legais para a cobrança das taxas de lixo, criou embaraços à construção de escolas, CDIs e até a implantação de uma inovação propaganda como conquista do governo, o tal cartão de materiais escolares. Isto sem falar, que diante do discurso da falta de dinheiro, foi capaz de anunciar a compra de um terreno milionário de empresa falida, que ninguém quis em leilão, quando a prefeitura sequer, após mais de um ano, conseguiu botar na praça o seu leilão de bens inservíveis. Impressionante. A lista é longa e cansativa…

Restou a Neusa fazer o piti. Se Nelson tivesse feito o seu, já teria desmanchado este castelo mal armado e que vai engolindo o experimentado policial, com fama de excelente investigador, Paulo Norberto Koerich. Quem pode dar piti? Quem tem votos ou é dono de diretório partidário que se associou ao governo e Neusa não tem votos e nem diretório de partido. Quem pode dar piti? Quem possui autoridade em determinado assunto e é reconhecido como tal pela sociedade local, e Neusa não possui este status, é apenas uma eficaz operadora. Quem pode pode dar piti? Quem tem padrinhos nas entranhas do poder. E isso, Neusa tem. A começar por outro prefeito, ex-deputado, e ex-delegado, Egídio Maciel Ferrari, PL, de quem foi ativa nas campanhas e assessora parlamentar. E ele agiu a favor dela.

A senha do modo gestão piti foi dada por Neusa. Um perigo. Demonstra à falta de coordenação e resultados. E a pior delas. E elas começam na falta de reunião rotineira do colegiado. É lá todos que todos do governo são integrados e direcionados para as prioridades, bem como cobrados por resultados que dependem de vários setores. Quem diria: o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, foi vencido pelo piti da Neusa. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Mais um discurso de transparência que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, deixou parar no colo dos adversários – nem tanto assim – e nas mãos do PT: o esclarecimento aos gasparenses do defeituoso quilômetro mais caro de asfalto de Santa Catarina: mais de R$12 milhões por 990 metros do pasto do Jacaré, feito ao tempo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, ligando as avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo, no bairro Sete, onde os donos da cidade lançaram Kleber para deputado e ele entendeu que os “padrinhos” estavam tramando lhe retirar do trono e fingiu não ter sido “convidado”. Impressionante!

O que impressiona, de verdade? A relutância em esclarecer este assunto e com isso, e com isso, ao mesmo tempo, o atual governo “assumir à dúvida ou os erros do outro”. O assunto foi parar na promotoria. Ela também ficou espantada como a prefeitura ao tempo de Paulo vem enrolando neste assunto. O MP levantou a bola e a prefeitura não a chutou. O vídeo do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, dá o tom. A outra pergunta que não quer calar, é como o Tribunal de Contas do Estado finge que este assunto não é com ele. O que se esconde via a empreiteira neste caso?

Impressionante I. Quando se olha para o governo de Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, no estado de São Paulo, o que espanta não é a quantidade de obras relevantes, algumas muito difíceis e caras, que foram ou estão sendo entregues, mas a quantidade de grandes projetos que ele destravou, a maior parte sob dúvidas, sem dinheiro e na intrincada Justiça.

Impressionante II. É por isso, que a reeleição de Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, um técnico, um operacional, um determinado, promete ser mamão com açúcar, num estado com uma mídia atenta e reconhecidamente crítica. Quando alguns outros governadores, mas principalmente prefeitos, entenderem isto, virarão figuras importantes e confiáveis para seus eleitores e eleitoras.

Impressionante III. Neste final de semana, quando o comentário acima sobre o piti da Neusa já estava pronto, recebi recados e imagens de um mutirão de moradores do Barracão, zona sul de Gaspar, para dar destino ao lixo acumulado por dias nos recolhedores da comunidade. O que impressiona? A zomba. O prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, foi as redes sociais, outra vez mau orientado, parabenizar os cidadãos e cidadãs, que foram à cidadania, naquilo que próprio governo de Paulo está falhando e não está entregando à cidade, apesar de estar cobrando a taxa de lixo para recolher e dar destino seguro.

Impressionante IV. Quando Paulo Norberto Koerich, PL, assumiu, viu-se ajudado pelo mutirão da roçada feita pelos correligionários bolsonaristas que vieram em seu socorro. E tinha uma desculpa razoável: o suposto estado lastimável de uma administração que recebeu de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Agora, não. A culpa e desgaste é só dele, e dos que estão ao redor dele, complicando algo a que está obrigado a dar solução para os gasparenses. Nem mais, nem menos.

Impressionante V. O caso do lixo, exala fedor e não é de hoje. Paulo teve 13 meses para resolver este assunto e terá até junho para botar um edital na praça ou ir para o CIMVI. E cada dia, a coisa só piora. O Samae não avança. Paulo já tem no seu colo a barbeiragem da tentativa do aumento das tarifas que não passou na Câmara no apagar do ano passado. Neste final de semana, restou agradecer à iniciativa dos moradores que não aguentavam mais a incapacidade do governo e do Samae de dar soluções ao lixo deles, exposto, não recolhido gerando desconforto e doenças.

Impressionante VI. O núcleo duro do antigo governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos PP, está com sangue nos olhos diante do escrutínio de alguns setores do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Como ainda possuem braços de confiança dentro do aparelho da prefeitura de Gaspar, como prevenção e retaliação, colocaram lupa nos repetidos aditivos do atual governo. E mais uma vez, o grupinho de Blumenau, está no centro das atenções. Avisado, Paulo está. Muda, Gaspar!

Como funciona. Está se aproximando, mais uma vez, a hora de buscar os votos nas casas dos eleitores e eleitoras gasparenses. Dias atrás, um eleitor pediu para a sua vereadora visitá-lo. Já estranhou quando teve que confirmar o endereço dele. Ela pediu o GPS localizador dele. Detalhe: quando pediu o voto em outubro de 2024 para o dito eleitor, ela não precisou de GPS para encontrar a casa dele. Credo!

Não vai acabar bem. O vereador braço direito do escanteado vice-prefeito de Gaspar, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, apresentou um abaixo-assinado com dezenas de assinaturas de moradores de uma rua para simples limpeza de uma boca de lobo dela e que se pede há meses, repito: há meses. Thimoti prometeu acampar com os moradores na Câmara e na frente da prefeitura para o escândalo. E depois, juram, que sou em quem exagero. Eu só reverbero o que quase todos escondem.

Porta-voz do velho governo? O vereador Giovano Borges, PSD, encurralou a líder do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, na Câmara, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. “Você era PSD [foi suplente de vereadora e assumiu] e tinha cargo na Jari, até os 45 minutos do segundo tempo do antigo governo [Kleber Edson Wan Dall, MDB]”, lembrou Giovano. “Você fez parte do antigo governo”, ao condená-la pelos ataques que ela faz ao governo de Kleber. “Você fez parte dele”. Pois é…

É que Giovano Borges, PSD, está escaldado. Ele atraiu para uma armadilha a secretária de Educação, a ex-vereadora Andreia Symone Zimmermann Nagel, PL, numa reunião com moradores do Poço Grande. Eles queriam ter uma linha exclusiva para determinados alunos da região [eles recebem passe escolar para o uso do transporte coletivo]. Andreia enfrentou, esclareceu e salvou o governo neste caso. Restou a Giovano choramingar, mas contra quem tem que se explicar nas incoerências.

É grave. Na Câmara, Giovano Borges diz parte da equipe do Samae feita para dar manutenção as urgências, fica na sede da autarquia jogando baralho, mesmo quando há demanda para agir nas ruas com vazamentos de água boa, cara e que falta as vezes nas casas dos gasparenses. Com a palavra o presidente do Samae, Cicero Giovani Amaro, PL, que já foi vereador e pelo PSD de Giovano, mas que não se reelegeu há duas legislaturas.

Estou de alma lavada. Durante quatro anos sempre afirmei aqui, e sempre fui contestado, de que o ex-secretário da Educação de Gaspar, o jornalista de Blumenau, Emerson Antunes, PSD, era uma indicação do núcleo evangélico liderado pelo deputado Federal, Ismael dos Santos, PSD, em parceria com o irmão de templo de ambos, Kleber Edson Wan Dall, MDB.

Mais de cinco anos depois da nomeação de Emerson Antunes, PSD, o próprio presidente do PSD de Gaspar, o vereador Giovano Borges, PSD, na tribuna da Câmara, dá-me o atestado que sempre me negou: “esta não foi minha indicação. A indicação do partido [Marcelo de Souza Brick] e a minha [Giovano] era por Antônio Mercês”. Entenderam a razão da credibilidade deste espaço? 

Até a sessão da semana passada e meados do segundo mês do ano, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, não tinha, repito, não tinha enviado à Câmara um Projeto de Lei sequer. E o registro foi feito no plenário. E deixou gente incomodada. Então…

Esta é a foto oficial da eleição da nova diretoria da AMVE – Associação dos Municípios do Vale Europeu. Gente jovem. O prefeito de Brusque, André Vechi, PL, foi eleito presidente. Já Egídio Maciel Ferrari, PL (Blumenau), Geleade Gadiel Wollert, MDB (Doutor Pedrinho), Jean Michel Grundmann, PP (Benedito Novo), e Nei Paulo Venturi, MDB (Rodeio), são os vices. E Paulo Norberto Koerich, PL, de Gaspar? Desta vez, nem na foto apareceu. Sintomático.

O trevo da BR 470 com a rua Hercílio Fides Zimmermann parece que caminha para os finalmentes. Incrivelmente é o último na ligação da rodovia com Gaspar. Primeiro veio o da Lagoa, depois, a da ponte do Vale, o do Belchior Baixo e o há poucos meses, o da Segalas, também no Belchior Baixo. E se tem uma pegadinha, a qual a Ditran, mais uma vez, comeu mosca. Quem vai de Gaspar para Blumenau pela BR-470, devia ser orientado no trevo da ponte Hercílio Deecke, que deveria pegar à esquerda para subir a Luiz de Franzói e acessar a BR-470, no Sertão Verde. Se insistir pela Hercílio Fides Zimmermann, terá que descer para Ilhota ir até o viaduto da Ponte do Vale, para só então, fazer o retorno em direção a Blumenau.

Nada mudou. As reuniões para atualizar o Plano Diretor, tarefa atrasada há mais de dez anos e obrigada pelo Estatuto das Cidades, estão se dando no escurinho e entre os mesmos, sem a obrigatória participação popular. A única “novidade” foi o recado do presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, aos donos da cidade, de que tudo passará pela Câmara. Ou seja, tudo poderá ainda piorar mais do que já está.

O Observatório Social de Gaspar que não observa nada. É decorativo. De verdade, e perguntar não ofende: para que serve o Portal Transparência que enfeita o site eletrônico do Município de Gaspar? É um deboche explícito ao velho método de esconder o que é obrigado a estar público. O que mudou mesmo?

Falta imprensa em Gaspar. Bastou a NSC Blumenau vir a Gaspar para fazer uma reportagem sobre o prédio da Igreja Matriz e no caminho passar por algo que lhe chamou atenção. Ela mostrou e repercutiu o serviço incompleto, bem como à exposição ao perigo de veículos e pedestres num conserto inacabado na Rua Luiz de Franzoi, na Margem Esquerda. Diante da repercussão comunitária por aqui, diante do uso massivo das redes sociais nos arredores e que chegou ao gabinete do governo, a secretaria de Obras e Serviços Urbanos foi acionada, deu um jeito, rápido, no simples e óbvio que se enrolava. E tem vereador, com indicação, discurso, papelinho e abaixo assinado por mais de um ano pedindo a simples limpeza de bueiro. E nada. Credo!

O que é que é esta “montanha” abaixo, toda ornada de capim, ocupando espaços de estacionamento de equipamentos no pátio da secretaria de Obras e Serviços Urbanos de Gaspar, com cara de descaso e criadouro de bichos nocivos à saúde? Creiam, é a cama de animais, feito de serragem e que sobrou da expofeira. Ela está “curando”. Não foi descartada. Não foi usada. Entendidos dizem que ela até pode ajudar os agricultores – aqueles que a prefeitura quer que assinem papelinhos confessando dívidas – em técnicas auxiliares na produção de hortas. Muda, Gaspar!

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19 comentários em “A GESTÃO PITI. ESTA É A MAIS NOVA FORMA DO GOVERNO DE GASPAR OUVIR OS SEUS PRÓPRIOS SECRETÁRIOS E ABAFAR À FALTA DE INTEGRAÇÃO PARA RESULTADOS”

  1. Pingback: O NÓ GÓRDIO. O ATUAL GOVERNO DE GASPAR DESMORALIZA QUEM ELE PRÓPRIO ESCOLHEU PARA "IMPRIMIR MUDANÇAS". E SE NÃO FOI ELE QUEM ESCOLHEU, AO MENOS ASSINOU O PAPELINHO QUE DEU O EMPREGO E PODER. A SEGUIR, QUATRO EXEMPLOS PARA REFLEXÕES. HÁ M

  2. Em ano de eleições gerais, a amostra do pior que ainda virá ser ele for reeleito: a irresponsabilidade a a insegurança jurídica com quem escolhe um judas, por ele ser rico e estrangeiro, mas essencial para a nossa economia, para malhar e colocar o governo de esquerda no palanque para atrasar ainda mais o Brasil e deixar assim, os brasileiros mendigos de Brasília, a insaciável inventora de cada vez mais altos e novos impostos on line contra o futuro, a criação e livre circulação virtuosa de riqueza na economia

    A CARGILL FOI INVADIDA, E O GOVERNO CEDEU, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    Em agosto do ano passado, os çábios de Brasília soltaram o decreto 12.600, incluindo milhares de quilômetros de hidrovias em trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Plano Nacional de Desestatização. A iniciativa abria o caminho a estudos para avaliar uma eventual concessão de serviços de navegabilidade, dragagem e manutenção dos canais. Há anos, o Arco Norte da Amazônia, com suas rotas fluviais, transporta cerca de 40% das exportações nacionais de soja e milho.

    Desde a assinatura do decreto por Lula, uma dezena de povos indígenas combate o que chamam de venda desses rios. Assim como sucede com as eventuais reservas de petróleo da Margem Equatorial, o governo diz que pretende apenas estudar a opção. Fica combinado assim. O decreto fala em dispensa de licenciamento ambiental. (O garimpo ilegal poluiu com mercúrio o leito do Tapajós e uma dragagem revolveria a terra, contaminando as águas.)

    Passou o segundo semestre, e o caso parecia ser apenas uma guerra de palavras.

    No dia 22 de janeiro a encrenca mudou de aspecto: indígenas e seus aliados bloquearam o acesso de caminhões ao terminal da Cargill no porto de Santarém. A Cargill opera em 70 países e é uma das maiores negociantes de grãos do mundo. Em 2021 exportou seis milhões de toneladas por esse terminal.

    Os manifestantes pediam a revogação do decreto 12.600. (A Cargill nada tem a ver com o estado presente do debate em torno do decreto de agosto.) Seguiram-se outros bloqueios. Em 13 de fevereiro o Tribunal Regional Federal concedeu uma liminar à empresa dando 48 horas para que o bloqueio fosse encerrado. Palavras ao vento. Seis dias depois uma barcaça da Cargill foi interceptada.

    Na madrugada do dia 21 de fevereiro, os manifestantes dobraram a aposta e invadiram o terminal da Cargill, 42 funcionários abrigaram-se por três horas em salas trancadas. Um manifestante exaltado disse, num vídeo, que destruiria instalações do terminal.

    Não foi preciso. Na segunda-feira passada o governo revogou o decreto 12.600 e seus efeitos. Mandou parar tudo, inclusive as análises neutras da hidrovia do Rio Tapajós e de trechos dos rios Madeira e Tocantins.

    Para quem joga com as canetas de Brasília, o caso estaria resolvido. O terminal da Cargill foi invadido, o decreto foi revogado e todos passaram a viver na paz da Amazônia.

    Faltou combinar com a Cargill. A empresa financia projetos para a plantação de cacau no Pará, inclusive em áreas de pastagens degradadas. Há um estudo para que ela venha a investir até 250 milhões de dólares no cultivo de cacau na região, gerando milhares de empregos e beneficiando populações originárias. (Nos últimos cinco anos a Cargill investiu no Brasil mais de R$ 8 bilhões.)

    Diante dos acontecimentos de Santarém, com a exposição da insegurança jurídica que ele produziu, em questão de dias o projeto do cacau amazônico migrou para o Equador.

    JOGO DO CONTENTE

    O ministro da Educação, Camilo Santana, resolveu reagir aos números do Censo Escolar com o jogo do contente:

    “O número de matrículas na educação básica reduziu, perdemos um milhão de matrículas apenas no último ano. Mas isso não é um problema, é na verdade um bom sinal de que nosso sistema educacional está mais eficiente.”

    “A queda de matrículas também está relacionada à diminuição da repetência. Os alunos estão repetindo menos e, com isso, a gente deixa de ter um inchaço no sistema educacional com alunos fora da série em que deveriam estar”

    O ministro elogiou sua gestão e chegou a criticar reportagens que mostravam a queda no número de matrículas.

    Sumiu um milhão de matrículas e o sistema melhorou. Quem acredita nisso ganha um fim de semana na Groenlândia. Alguns fatores citados por Santana são verdadeiros, pois a queda de matrículas na educação básica reflete um dado demográfico real. Havendo menos crianças, haverá menos matrículas.

    Esse fator não explica a queda no ensino médio, onde o governo investiu mais de R$ 16,6 bilhões em 2025, com o programa Pé-de-Meia, concedendo ajudas a quatro milhões de jovens do ensino médio. As redes estaduais públicas, que concentram 80% dos alunos, perderam 428 mil matrículas entre 2024 e 2025. Já a rede privada teve uma pequena alta de 0,6%.

    Santana perdeu uma oportunidade de discutir os resultados do Censo Escolar. Pena.

    LULINHA, CARA E COROA

    Eremildo é um idiota e odeia CPIs. O que ele não consegue entender é que Lula dissociou-se de seu filho Fábio Luís, o Lulinha, por quaisquer ligações que ele pudesse ter com as malfeitorias contra os aposentados do INSS. Em dezembro do ano passado ele foi claro:

    “Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu metido nisso será investigado.”

    A bancada da oposição na CPI do INSS tentou ouvir Lulinha, mas foi impedida pelo voto da maioria da comissão. Na semana passada, quando os parlamentares quebraram o sigilo bancário de Lulinha, a bancada governista foi aos tapas.

    Naquela altura, a Polícia Federal já havia pedido a quebra do sigilo ao Supremo Tribunal e o ministro André Mendonça a havia concedido.

    O cretino concluiu que os parlamentares governistas não acreditaram em Lula.

    LULA X FLÁVIO

    Parecendo jogar parado, Flávio Bolsonaro aparece empatado numa pesquisa sobre o segundo turno contra Lula, e o Planalto acordou.

    Flávio Bolsonaro não está tão parado quanto parece. Cinquenta e cinco apoiadores de sua candidatura pagaram para impulsionar críticas ao PT pelo desfile da Acadêmicos de Niterói. Receberam entre R$ 100 e R$ 300.

    Essa técnica foi uma das marcas da campanha de seu pai, que gerou o gabinete do ódio.

    Tudo bem, mas foi a escola de samba quem resolveu desfilar criticando as famílias conservadoras.

    ZEMA DE COLETE

    Quando era um novato na política, o governador Romeu Zema queixou-se porque molhou os sapatos ao visitar uma região alagada.

    Passou o tempo e o governador ilustrou-se, vestindo um colete-emergência. Mudou o modelo e ele e sua equipe passaram a vestir um colete tão colorido que, pelo andar da carruagem, na próxima enchente irão à região inundada num carro alegórico.

    LULA E HERDEIROS

    Lula parece prestes a convencer Fernando Haddad a disputar o governo de São Paulo. Hoje, o ministro da Fazenda não parece ser páreo para o governador Tarcísio de Freitas, que o derrotou há quatro anos.

    Olhando a manobra com boa vontade, Haddad iria para o sacrifício porque não há melhor alternativa.

    Olhando com má vontade, esse seria a terceira derrota eleitoral de Haddad. Como dizia um cacique oposicionista:

    “Lula é um urso que come o dono.”

  3. AINDA HOJE, DOMINGO – DIA DO SENHOR E DO ÓCIO -, HAVERÁ ARTIGO INÉDITO DESTE PECADOR. Este é apenas um aviso e satisfação aos que me cobram, insistentemente, no privado. E não são poucos. Mas, todos, segundo os poderosos de plantão, não são leitores e leitoras deste espaço. Interessante constatação.

  4. Cegos, ou teimosos, ou reiterados criminosos sob a nossa também criminosa permissividade? A estranha aposta do PT, Lula e a esquerda do atraso a favor de mais tributos e contra o futuro do país, arriscando ainda mais uma reeleição que promete, que promete cada vez mais ser dura e em risco. Por impostos altos para a farra da incompetência e gastos sem controle, negam-se a sanha da marca própria chamada demagogia. E por isso, eles têm certeza que somos duplamente burros (ignorantes) e burros de cargas ( empobrecer para com prazer satisfazer os modernos coletores de pesados, cada vez mais altos e novos impostos on line) sem – ou dificílimos – canais de contestações

    LAMBANÇA TRIBUTÁRIA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Constantemente em busca de artifícios para cumprir seu desmoralizado arcabouço fiscal, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva resolveu aumentar impostos de importação sobre mais de 1.200 produtos como bens de capital e equipamentos eletrônicos como celulares. Para alguns desses itens, o aumento de alíquotas já estava valendo, enquanto para outros entraria em vigor a partir de 1.º de março.

    O pretexto oficial era favorecer a indústria nacional, já bastante protegida, mas a reação negativa não tardou, pois ficou claro que se tratava de uma medida meramente arrecadatória. Como estamos em ano eleitoral, até mesmo os petistas do entorno de Lula manifestaram seu descontentamento. Resultado: o governo teve de recuar.

    As estimativas de arrecadação com mais esse tarifaço, digno de Donald Trump, variavam de R$ 14 bilhões a R$ 20 bilhões, o que muito convinha ao governo. A arrecadação adicional de R$ 14 bilhões já constava da Lei Orçamentária Anual (LOA), aprovada pelo Congresso em dezembro. Faltava apenas definir de que forma esses recursos seriam arrecadados.

    Recorreu-se então à elevação do Imposto de Importação, tributo regulatório cujas alíquotas podem ser alteradas pelo Executivo sem necessidade de aprovação do Congresso.

    Para justificar o injustificável, o Ministério da Fazenda produziu nota afirmando haver, no Brasil, uma “escalada das importações de bens de capital e bens de informática e telecomunicações”, que somaram US$ 75,1 bilhões em 2025, um crescimento acumulado de 33,4% em relação a 2022.

    A importação de bens de capital, ao contrário do que faz crer o governo, deveria ser celebrada, uma vez que equipamentos e maquinários trazidos do exterior ajudam a indústria nacional a produzir outros bens e serviços, fazendo a economia brasileira girar.

    Uma vez que a nota da Fazenda não convenceu ninguém, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa do aumento de impostos. Segundo ele, a medida afetava apenas empresas estrangeiras e se prestava, na verdade, a “trazer essa empresa para o território nacional”.

    O problema é que, noves fora o palavrório técnico, ficou claro para todos que, mais uma vez, o governo petista estava recorrendo ao aumento de impostos para bancar sua gastança, razão pela qual a medida pegou muito mal.

    Diante disso, a taxação de 20% de imposto de importação sobre telefones celulares foi revogada – segue valendo a alíquota anterior, de 16%. Ao todo, o governo recuou na alta de alíquotas para 15 produtos e manteve tarifa de importação zero para outros 105.

    Não era difícil prever o repúdio à medida, que afetava não só o preço de produtos que a classe média consome, mas também alguns itens importantes na cadeia produtiva nacional, com prováveis efeitos sobre a inflação.

    No entanto, como a revogação do imposto de importação vale somente para cerca de 10% dos mais de 1.200 produtos que tiveram alíquotas ampliadas, resta evidente que o espírito taxador do governo Lula segue intacto.

  5. CHEGOU DECANO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Gilmar Mendes teve de entrar em campo. Dias Toffoli tentou controlar o bicho; Alexandre de Moraes ainda tenta domá-lo. Davi Alcolumbre mostra que nem o exercício autoritário do poder – o rolo compressor com que governa o Congresso – consegue dirigir o ímpeto imprevisível de uma crise que veio para ficar. Não tem a caneta togada capaz de decidir como bem quiser, quando quiser. Gilmar Mendes tinha de entrar em campo. Foram chamá-lo. Ele veio.

    O caso Master veio para ficar. É incontrolável. Empurra-pressiona tudo em Brasília e a partir de Brasília – e desafia a operação abafa contra as investigações.

    Sempre tendente a prosperar e se impor, dado o volume de graúdos desfilantes nos celulares de Vorcaro e seus laranjas, o acordo por acomodação – liderado pelo Supremo de nossos salvadores – nunca esteve tão ameaçado; mesmo diante da blitz intimidatória que o pescador Xandão botou na rua. O ministro faz pesca probatória a partir de indícios de sigilos fiscais vazados. É provável que capture a solidariedade dos pares. Não seria suficiente.

    Pela primeira vez em quase sete anos, até Moraes tem receios – porque sabe onde e com quem fumou charutos, sabedor também de que essa fumaça escapou do bunker para, havendo República, logo aparecer em algum relatório policial, talvez num como aquele em que a Polícia Federal listou indícios de crimes cometidos pelo colega dublê de juiz e empresário do ramo hoteleiro. O caso Master exigia a intervenção destemida do decano. Talvez não haja República. Há o decano.

    Há muita informação represada, aquilo que o cadeado de Toffoli trancara. A PF só agora começa a periciar esse material. Não será apenas o anulador-geral da República a figurar, entre os empresários supremos, como palestrante para Vorcaro. André Mendonça, noutra frente, restituiu a autonomia do Coaf, restabelecido o fluxo rotineiro dos relatórios de inteligência financeira – que, relativamente ao Master, Toffoli determinara que lhe fossem remetidos. O decano tinha de vir.

    Algo se destrava. Ou destravava. O Senado afrontou Alcolumbre e transformou a CPI do Crime Organizado – está aí a Operação Carbono Oculto para justificar o movimento – em CPI do Master, aprovada a quebra dos sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático da empresa por meio da qual Toffoli fora sócio de uma fachada de Vorcaro.

    O caso exigia a intervenção do decano – e Gilmar Mendes interveio. Ele deita a regra: só quem pode quebrar sigilo de empresa de ministro do Supremo é ministro do Supremo. Só quem pode quebrar sigilo de empresa de ministro do Supremo é outro empresário ministro do Supremo. A Maridt foi chamá-lo. Seus advogados cavaram processo antigo, arquivado. Foi escolhido. E resolveu.

    Há lotes de informações represadas e várias frentes a serem investigadas. Muita coisa pôde andar a partir do afastamento de Toffoli da relatoria do caso Master. O Supremo nos informa o que não andará – não sem a resistência xandônica: a apuração sobre as relações de Toffoli (e de Moraes) com a galera de Vorcaro. Gilmar Mendes chegou. •

  6. OS CAROS AMIGOS DO MASTER, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O saldo do calote do conglomerado Master é desconhecido. É possível que existam haveres recuperáveis, mas o total de passivos ainda está sendo apurado. Sabe-se, por exemplo, que, apenas no banco, o Fundo Garantidor de Crédito cobrirá perdas de R$ 40,6 bilhões.

    O FGC restitui a clientes depósitos a prazo (CDBs), depósitos a vista e títulos no valor de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Muitas perdas não serão cobertas pelo fundo, que em última instância é financiado pela sociedade via custos bancários maiores. O dano certamente irá muito além de meia centena de bilhão de reais.

    Para onde escorreu esse dinheiro? Quem se beneficiou das operações do banco ou de pagamentos fora da contabilidade?

    Daniel Vorcaro e sócios contam com apoios de peso na política e no Judiciário. Quais são seus os interesses? Por que tentam barrar uma CPI, negociam empecilhos ou atrapalham a investigação, como o fizeram o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e parte do Tribunal de Contas da União (TCU)?

    Em tese, um banco utiliza recursos que capta dos clientes, com depósitos ou vendas de títulos, a fim de comprar ativos. Isto é, conceder empréstimos ou adquirir outros haveres rentáveis.

    O Master comprava precatórios de difícil recuperação, investia em fundos de propriedade secreta e ativos desconhecidos, emprestava a empresas de fachada e negociava participações cruzadas com outros empresários.

    Por vezes, inventava que teria empréstimos a receber, como créditos que vendeu ao BRB, o banco estatal do Distrito Federal —fraude denunciada pelo Banco Central. Captava ainda investimentos de paus mandados de governos estaduais ou políticos em geral, caso do comando de fundos de previdência de servidores do Rio de Janeiro e do Amapá.

    Com ativos fictícios ou superavaliados, não teria como honrar passivos quando a ciranda terminasse. A música parou. Vorcaro tentou vender o Master ao BRB.

    Quem autorizou a compra pelo BRB? Quem deu ordem aos fundos de previdência? O que ganhavam parlamentares que propunham no Congresso leis de salvação ou proteção do Master?

    A CPI contra o Crime Organizado convocou personagens graúdas envolvidas nessa história ou que podem explicá-la. Quebrou sigilos de empresas e do banco.

    Remedia em parte a omissão suspeita dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apoiada por parte da cúpula das casas. André Mendonça, que substituiu Dias Toffoli na relatoria do inquérito no STF, parece ter limpado o entulho de restrições à investigação da PF.

    A apuração dessa fraude gigantesca mal começou. Sabe-se mais sobre o que se faz para encobri-la do que a respeito de quem fugiu com o dinheiro dos clientes e investidores e dos ganhos dos “amigos nos Poderes”, que Vorcaro diz ter. Caros amigos ou amigos caros, todos devem ser expostos.

  7. JUÍZES SEM JUÍZO, por Bernardo de Mello Franco, no jornal Folha de S. Paulo

    A causa do fim dos penduricalhos ganhou um impulso inesperado. Na quarta-feira, representantes de associações de juízes foram ao Supremo defender os pagamentos acima do teto. Em vez de justificá-los, deram novos argumentos por sua extinção.

    O advogado Alberto Pavie Ribeiro, da Associação dos Magistrados Brasileiros, disse que a carreira não seria mais “atrativa” por causa dos salários pagos aos juízes. No Tribunal de Justiça do Rio, o subsídio inicial de um juiz substituto é de R$ 35,8 mil, fora benefícios.

    O jurisconsulto garantiu que um corte nas gratificações causaria fuga e escassez de magistrados. Faltou combinar com as legiões de candidatos que se apresentam a cada concurso. Em março, quase 4 mil farão prova para um cadastro de reserva do TJ fluminense.

    A presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho, Cláudia Márcia de Carvalho Soares, causou sensação com um rosário de queixas. “Juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível”, lamuriou-se. “Não tem água e não tem café”, emendou

    A juíza aposentada acrescentou que os desembargadores “mal têm lanche”. Em tom inflamado, ela também reclamou da imprensa. Disse que a palavra penduricalho, usada em reportagens sobre o tema, teria “conotação extremamente negativa”. “A magistratura brasileira não recebe penduricalho, que fique registrado”, decretou, como se desse ordens a um escrivão.

    Além de defender interesses corporativos, a doutora militava em causa própria. Em dezembro, ela recebeu R$ 113,8 mil líquidos de aposentadoria, sendo R$ 48,5 mil a título de indenizações. Os dados estão no site do Tribunal Regional do Trabalho.

    Num passado recente, imaginou-se que a criação de portais de transparência seria suficiente para conter a farra dos supersalários. Com a publicação das cifras na internet, a elite do funcionalismo teria vergonha de receber e reivindicar verbas acima do teto constitucional, hoje fixado em R$ 46,4 mil.

    Quem acreditou que a casta abriria mão de privilégios pecou por excesso de otimismo. A máxima de que a luz do sol é o melhor detergente não resistiu aos juízes sem juízo.

  8. Depois de mais de um ano essa administração do Pedro Bornhausen tem uma grande obra, a demolição daquela construção na barranca do rio Itajaí.

  9. O CONGRESSO E O BANCO MASTER, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    O caso do Banco Master tornou-se radioativo. O Banco Central teve mais de um ano para enquadrá-lo e frangou o tamanho da fraude. O ministro Dias Toffoli tomou as rédeas do inquérito e embrulhou-se. O Supremo Tribunal Federal (STF) tirou-o do caso, mas, no mesmo lance, solidarizou-se com ele. (Como isso é possível, só o tempo dirá.) Uma parte do Congresso quer uma CPI; outra prefere apenas interrogar Daniel Vorcaro, dono da encrenca e arquivo vivo de suas ramificações.

    Nessa confusão, em Brasília atira-se para todos os lados, menos para o alvo: as conexões de Vorcaro. Não deixa de ser curioso que, enquanto o tiroteio toma conta da agenda, a única instituição que vem investigando com sucesso o material radioativo é mantida ao largo da agenda. Trata-se da Polícia Federal (PF), a que se devem as poucas novidades saídas da caixa-preta do Master.

    Por incrível que pareça, a criação de uma CPI traz mais riscos que esperanças. A CPI da fraude das Lojas Americanas ainda está na memória. Aquela CPIzza terminou num vexame. Não responsabilizou viv’alma nem ouviu os grandes acionistas da empresa. Quando terminou, havia deputados denunciando deputados, e só.

    Vorcaro quer um microfone para responsabilizar o Banco Central, o governo quer proteger sua tropa, e parte da oposição quer manter as investigações longe de seus afortunados parlamentares. Com essas forças chocando-se na discussão do problema, só havia uma resultante possível: o sigilo. O ministro Dias Toffoli bem que tentou. Teve a má sorte de encrencar-se com a Polícia Federal, e deu no que deu.

    A saída de Toffoli da relatoria jogou na agenda o que seria o vazamento, a partir de um grampo, de uma reunião fechada do STF. Beleza, sorteia-se um novo relator, e o crime estaria num provável grampo, que revelou com fidelidade o desfecho do problema. Ministros do Supremo querem identificar e punir os responsáveis pelo vazamento. Tudo bem, desde que prossigam as investigações da PF.

    O estouro do Master começou com um banco fraudando operações e lesando fundos de pensão de servidores. Essa rede de tramoias vinha das conexões de Vorcaro, azeitadas por negócios, eventos e festas. Uma parte dessas conexões está guardada nos 52 aparelhos celulares do banqueiro e de seus diretores. Esse material está com a PF, que até agora não o mostrou, nem ao STF.

    É por aí que a maior fraude bancária de Pindorama poderá vir à luz. Nessa trama, Vorcaro é um detalhe, como detalhes foram os Magalhães Pinto do Banco Nacional e os Calmon de Sá do Econômico. Os banqueiros arruinados são a parte móvel de um elenco. Ora é um, ora é outro, até que chega o próximo. A trama é sempre a mesma e passa pelas conexões desses bancos com o andar de cima da política de Pindorama. (Na receita do Econômico e do Nacional, havia ex-ministros no pódio.)

    Se as combinações de Brasília resultarem numa CPI para o Master, tudo bem, desde que não atrapalhe nem tente obstruir o trabalho da PF. Tentou-se e não deu certo.

  10. CONVECÇÃO, CONHECIMENTO E VAIDADES, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Publica ela Udesc. Devo acrescentar que ele é graduando em engenharia Civil (7º semestre) e Engenharia Ambiental e Sanitária (8º semestre), ou seja, possui autoridade para o tema deste artigo que originalmente foi publicado nas redes sociais do autor.

    No último fim de semana estive em Urubici participando de um curso na área de Direito, Contabilidade e Contadoria. Saí de Gaspar no sábado sob quase trinta graus, aquele calor que nos acompanha desde cedo e parece grudar na camisa. Algumas horas depois, já na serra, o termômetro marcava dezenove. O corpo percebe antes mesmo da mente. O ar parecia mais leve, o silêncio mais presente, o ambiente naturalmente mais recolhido. Não era apenas a temperatura que mudava, era também o ritmo.

    Durante o curso conheci uma participante formada em Direito, profissional do setor público, nascida em Urubici. Inteligente, comunicativa, segura nas palavras. Tivemos uma conversa agradável, dessas que fluem com facilidade. Ela argumentava com firmeza, demonstrava preparo e convicção. Ainda assim, apesar de ser filha da terra, demonstrava sentir frio.

    Em certo momento alguém perguntou se deveria ligar o ar-condicionado, um aparelho modelo split instalado quase encostado no teto. Ela respondeu que apenas se fosse no modo quente. Foi quando fiz um comentário técnico, quase automático. Observei que, naquela posição, mesmo no quente o efeito seria pequeno, porque o ar aquecido tende a subir. Expliquei, de forma simples, o princípio da convecção: o ar quente, por ser mais leve, sobe; o ar frio, mais pesado, desce. Por isso aquecedores costumam ficar na parte inferior dos ambientes. Acrescentei, em tom que me pareceu natural, se ela não se recordava desse conceito e perguntei, quase em tom de brincadeira, se havia faltado às aulas de física.

    Foi o suficiente para que ela virasse o rosto.

    Naquele instante compreendi que a situação tinha deixado de ser técnica. Não era mais sobre física, nem sobre circulação de ar. Era sobre sentimento. Talvez sobre exposição. Talvez sobre a forma como cada um de nós reage quando é confrontado, ainda que discretamente.

    Do meu ponto de vista, o episódio revela algo que vai além daquele momento. Percebo, com certa frequência, uma dificuldade de lidar com o contraditório, especialmente quando se ocupa uma posição de formação sólida ou de atuação pública. O fato de alguém dominar o Direito, a Contabilidade ou a gestão pública não significa que domine todos os campos do saber. E isso é absolutamente normal. Somos limitados por natureza.

    Eu, particularmente, não me incomodo de ser questionado. Ao contrário, considero o questionamento um exercício saudável. Ele nos obriga a pensar, a revisar, a amadurecer. O que me chama atenção é quando uma simples observação é recebida como afronta. Como se reconhecer um ponto técnico fosse diminuir a própria trajetória.

    A física não se altera pela nossa sensibilidade. A convecção continuará existindo independentemente da nossa disposição para aceitá-la. O ar quente continuará subindo. O frio continuará descendo. A natureza não negocia seus princípios.

    Voltei de Urubici com o conteúdo do curso assimilado, mas também com uma reflexão silenciosa. Nem sempre as pessoas estão abertas a ouvir algo que escape do roteiro confortável de suas certezas. E talvez o maior aprendizado não esteja no domínio de conceitos técnicos, mas na capacidade de ouvir sem se fechar, de aceitar sem se sentir diminuído.

    Porque no fim das contas, saber é importante. Mas reconhecer que não sabemos tudo é o que nos torna verdadeiramente humanos.

  11. AUMENTO DE ALÍQUOTAS DE IMPORTAÇÃO É CONTRAPRODUCENTE PARA A ECONOMIA, editorial do jornal O Globo

    A decisão do governo brasileiro de elevar as alíquotas de impostos de importação entre 7% e 20% para mais de mil produtos dos setores de bens de capital e informática e telecomunicações carece de lógica. Com a intenção de proteger e incentivar a produção local, o governo prejudica indústrias e consumidores. Máquinas e produtos de informática de última geração são imprescindíveis para que as empresas brasileiras tenham condições de competir nos mercados internacionais. Ao encarecer esses equipamentos, o governo torna as exportações industriais brasileiras menos atraentes. O imposto mais alto também tem impacto negativo no mercado doméstico, pois aumentos de custos são repassados de forma automática a consumidores locais. Crítico da política protecionista do presidente americano, Donald Trump, o governo brasileiro insiste em cometer o mesmo erro.

    O efeito será sentido de forma mais aguda nos setores de metalurgia, mecânica, automotivo, alimentos e bebidas, papel e celulose, farmacêutico, mineração, óleo e gás, energia, construção pesada, logística e agronegócio. Não há sentido em manter taxação tão alta sobre computadores ou smartphones, hoje ferramenta de trabalho para milhões de brasileiros também na prestação de serviços.

    A possibilidade de zerar o imposto de importação para alguns itens estrangeiros sem similar no Brasil e a preservação dos regimes especiais vigentes não mudam o quadro geral. Ficou mais caro investir em eficiência e em novos negócios baseados na economia digital. Essa realidade ressalta a teimosia extraordinária dos governos petistas em apostar no protecionismo como alavanca de desenvolvimento. Se proteger a indústria local fosse uma política eficaz, o Brasil já seria potência fabril há muito tempo.

    Na tentativa de se justificar, o Ministério da Fazenda publicou nota mencionando o aumento da participação de bens de capital importados no consumo nacional (de 33,6% em 2017 para 45% no ano passado). Incluindo bens de informática, as importações cresceram 33,4% em dólar desde 2022. “Em 2025, as importações especificamente de máquinas e equipamentos alcançaram US$ 28,8 bilhões, mais que o dobro das exportações, estimadas em US$ 11,5 bilhões”, diz o governo. Ora, tais números deveriam ser motivo de celebração, indício da modernização das empresas brasileiras, com acesso a equipamento de melhor qualidade e mais baratos que os produzidos localmente.

    A Fazenda aponta como ameaça a ascensão chinesa nos setores de bens de capital, aço e tecnologia. Mas, para enfrentar eventuais práticas desleais chinesas, há outros mecanismos mais eficazes que as tarifas. A China, por sinal, nem será o país mais afetado pela medida brasileira. Quem mais perderá são os Estados Unidos.

  12. O texto fala em concessão. Não houve. O que está autorizado, é apenas um estudo. E a invasão, foi a uma empresa que nada tem a ver com o estudo ou possível privatização. Foi usada como refém para a chantagem. Incrível.

    LULA ERRA AO CEDER A CHANTAGEM DE GRUPOS INDÍGINAS, editorial do jornal O Globo

    Foi um erro o governo federal ter decidido revogar a concessão de hidrovias na Amazônia, cedendo à pressão descabida de lideranças indígenas que incluiu atos de vandalismo e invasão de propriedade privada. O decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluía no Programa Nacional de Desestatização as hidrovias nos rios Madeira, Tocantins e Tapajós, estratégicas para facilitar o transporte de grãos na região. O secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, atribuiu a decisão à “escuta ativa” dos povos indígenas, que apontaram impactos do projeto nas comunidades. Mas o recuo foi claramente uma capitulação à chantagem, para reduzir o desgaste à imagem do Planalto na base governista, especialmente no PSOL.

    Protestos nada pacíficos contra o decreto começaram há um mês. Na madrugada do último sábado, um grupo invadiu o terminal da multinacional de alimentos Cargill no Porto de Santarém (PA), cuja portaria já estava bloqueada. A operação teve de ser interrompida. A fachada do escritório central, em São Paulo, também foi vandalizada. Antes da invasão, os manifestantes interceptaram uma balsa de grãos atracada no porto. O Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, que coordenou os protestos, afirmou ter esperado posição oficial do governo federal por 30 dias e não ter obtido resposta a pedidos de audiência para tratar do assunto.

    Foi evidentemente exagerada a reação ao decreto. O próprio Planalto deixou claro que não se tratava de obras ou de privatização da hidrovia do Tapajós. “O normativo trata exclusivamente da realização de estudos técnicos sobre uma possível concessão dos serviços de navegabilidade”, afirma nota do governo. Ora, se o objetivo do decreto era estudar o assunto, por que então suspendê-lo? Estudos técnicos poderão fornecer informações importantes sobre possíveis impactos e subsídios para mitigá-los, como ocorre em tantos outros empreendimentos envolvendo concessões para a exploração de recursos pela iniciativa privada. É injustificável recuar sem sequer realizar uma análise técnica independente e pesando os riscos e benefícios da iniciativa.

    Representantes dos povos indígenas têm todo o direito de se opor a um decreto governamental e a expor suas reivindicações. Nada impede também que se discutam os termos do projeto. Isso é saudável para a sociedade. Mas não é tolerável invadir propriedades e praticar vandalismo contra empresas essenciais para o êxito do pujante setor do agronegócio brasileiro. Está certa a Associação Brasileira de Terminais Portuários ao qualificar “atos de violência contra uma empresa privada que não possui ingerência sobre a pauta apresentada” como improdutivos e prejudiciais ao “legítimo espaço democrático de diálogo”. A aceitação da baderna só contribui para deteriorar o ambiente de negócios e afugentar investimentos do país.

    Se a concessão de hidrovias na Amazônia é estratégica para escoar produção de grãos e minério, o governo tem obrigação de dar continuidade ao projeto. As comunidades indígenas merecem ser ouvidas, e suas ponderações devem ser levadas em conta. Mas há outros setores envolvidos, como o agronegócio, e suas reivindicações também precisam ser consideradas. Há que buscar um equilíbrio entre as demandas. Lula dá péssimo exemplo ao revogar o decreto sob chantagem. O recado é claro: basta partir para a violência que o governo cede.

  13. Qualquer semelhança com o você vê aqui em Gaspar, não é mera coincidência. Esta percepção está presente em muitos dos meus textos. E os políticos daqui, insistem no erro e ficam brabos com a observação alheia e os resultados contra eles próprios

    A ARTE DE PISAR EM CASCAS DE BANANA, por Wilson Gomes, no jornal Folha de S. Paulo

    Lula, Janja, Toffoli e Moraes —para ficar em figuras centrais da República no debate público da última semana— provavelmente estão convencidos de que controlam a própria comunicação. Quer dizer, que sabem preservar sua imagem, proteger o próprio capital reputacional, compreender os códigos pelos quais são julgados e evitar as armadilhas narrativas que os adversários produzem. À luz do modo como foram pautados na mídia e na conversação pública, entretanto, não são exemplo de sucesso.

    É possível que Toffoli e Moraes considerem que, no fundo, são pouco vulneráveis à opinião pública, já que seus mandatos não dependem do voto. O mesmo cálculo não deveria ser plausível para Lula e Janja, a poucos meses do primeiro turno da próxima eleição presidencial. Nada indica que 2026 não repetirá o padrão dos dois ciclos anteriores: um país literalmente dividido ao meio, em que a vitória dependerá de uma fração mínima de eleitores sem compromisso de lealdade com nenhum dos lados.

    Por isso, foi ainda mais surpreendente o episódio em que Lula e Janja incentivaram e desfrutaram do espetáculo de culto à personalidade do presidente no Carnaval do Rio. O erro é ainda mais notável porque Lula dispõe hoje, como estrategista de comunicação, de um dos mais experientes profissionais de comunicação eleitoral do país. De fato, desde que sua comunicação passou aos cuidados de Sidônio Palmeira, este foi o primeiro grande desastre de imagem do casal presidencial.

    Uma estratégia de comunicação é coisa séria demais para ser deixada por conta de políticos. Fazer política já é tarefa suficiente; dominar a comunicação exige competências que muitas gerações não adquiriram. Há, aliás, algumas regras elementares que quem atua nesse campo tem em conta, mas que muitas vezes escapam a quem resolve improvisar, embriagado pelos aplausos fáceis.

    Primeiro, a política é uma atividade competitiva que frequentemente assume a forma de um jogo de soma zero: o ganho de um é, necessariamente, a perda do outro. Não é como no futebol, em que um gol perdido é apenas um gol não feito; é como no tênis, em que, se o ponto não for seu, será do adversário.

    Segundo, o adversário tratará de extrair o máximo proveito de cada vacilo. Pequenos erros serão ampliados; tropeços mais graves serão convertidos em escândalos e apresentados como provas de incompetência ou indignidade.

    Terceiro, no mundo digital, nada se perde e nada se esquece. Tudo é registrado, editado, arquivado e permanece disponível, ainda que adormecido, até que alguém o recupere e o devolva à circulação. O passado não desaparece; ele apenas aguarda o momento em que poderá ser reativado para produzir dano político.

    Na política contemporânea, cada agente público existe como imagem. Não importa o que pensa de si o presidente ou o ministro do STF, nem o que dizem aqueles que o conhecem, nem mesmo o que ele é de fato. O que realmente importa é a representação predominante sobre ele, formada pela mídia e pelo debate público que atravessa plataformas e aplicativos e acaba alimentando a conversa social mais ampla.

    No caso da folia de Lula e Janja, tratou-se de um desastre previsível e contratado. Teve de tudo: a insistência em comparecer a um desfile em homenagem ao presidente em plena pré-campanha eleitoral; a disposição da primeira-dama de desfilar; alegorias que transformaram adversários em vilões e reforçaram antagonismos políticos desnecessários. Não apareceu o Lulinha Paz e Amor nem o Lula da Frente Ampla, mas o Lula de ego inflado e salto alto, tão encantado com o afago à própria autoestima que não percebeu que pisava na ponta dos pés de grupos de cujo apoio desesperadamente precisa.

    Se representantes da escola não tivessem sido recebidos no Planalto, se Janja e ministros não tivessem visitado a agremiação em aeronaves oficiais, se Lula não tivesse comparecido ao desfile em sua homenagem, apesar dos conselhos em contrário, o roteiro poderia ter sido lido como criação autônoma do carnavalesco. Não foi assim. Sua presença foi interpretada como endosso; o desfile, como propaganda; as alegorias irreverentes e afrontosas, tão normais no Carnaval, como um tapa na cara dos conservadores deliberadamente desferido pelo próprio Lula.

    Mais uma vez, Lula atravessou a rua para pisar em uma casca de banana. Não escorregou por falta de estratégia ou de conselho, mas porque ele e Janja acreditaram que sua própria intuição bastaria —que poderiam, por uma noite, dispensar o cálculo, ignorar os riscos e entregar-se ao conforto da adulação.

  14. Como governo está ele próprio entrando num beco sem saída no viagem enganadora do social sua bengala a cata de votos entre os mais pobres, e não exatamente de inclusão e autonomia cidadã

    DESCONTROLE DE GASTOS AFLIGE PROGRAMAS SOCIAIS, editorial do jornal O Globo.

    É inegável a importância dos programas de Estado no combate à vulnerabilidade social, mas as boas intenções das gestões petistas têm sido acompanhadas de descontrole, traduzido na explosão de gastos que deteriora o equilíbrio das contas públicas, reduz o espaço orçamentário para outras demandas e prejudica as próprias populações que se pretende beneficiar. É sinal eloquente desse descontrole a constatação de que a despesa com programas e benefícios sociais subiu 500% desde 2004, já descontada a inflação, de acordo com cálculo da Instituição Fiscal Independente do Senado realizado a pedido do GLOBO. O mais grave é não existir monitoramento sobre a eficácia das políticas sustentadas por tais gastos.

    Criado em 2003 a partir da unificação de programas sociais do governo Fernando Henrique Cardoso, o Bolsa Família começou com orçamento de R$ 12 bilhões (em valores atualizados). Ao longo dos anos, os gastos foram crescendo, não só pela ampliação no contingente de beneficiados, mas também pela percepção dos governos de que a iniciativa representava um ativo eleitoral. Durante a pandemia, com os aumentos substanciais do benefício, os valores dispararam. No ano passado, o Bolsa Família custou R$ 160 bilhões aos cofres públicos, quase quatro vezes o que custava antes da pandemia.

    O crescimento dos gastos com o Bolsa Família não é a única fonte de preocupação. O Benefício de Prestação Continuada (BPC), concedido a idosos e deficientes de baixa renda, também saiu de controle em virtude de brechas nos critérios de concessão e à profusão de decisões judiciais ordenando pagamentos. Ele contempla cerca de 6,7 milhões de brasileiros. Em 2025, os gastos com o BPC representaram R$ 129 bilhões, ante R$ 118,3 bilhões em 2024. Para 2026, estão previstos R$ 133 bilhões. Com o envelhecimento da população, não é difícil imaginar que esse valor aumentará. Há duas outras agravantes. Por não haver exigência de contribuição prévia, o benefício é financiado integralmente pelo Tesouro Nacional. E, por ser vinculado ao salário mínimo, cresce ao sabor dos aumentos reais dados ao mínimo.

    Não surpreende que a própria equipe econômica se diga preocupada com a expansão dos gastos sociais. Em declarações recentes, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem se mostrado favorável a unificar benefícios, migrando-os para um programa de renda básica. A ideia, ainda em gestação, é que esse redesenho faça parte da plataforma de campanha à reeleição.

    A explosão dos gastos, no entanto, não preocupa apenas pelo impacto em contas públicas já deterioradas. Preocupa a criação de toda sorte de benefícios — o último é a lei que torna permanente o Gás do Povo, garantia da recarga de botijões a famílias carentes — sem saber se eles funcionam e se estão calibrados para beneficiar quem de fato precisa, evitando abusos ou fraudes. As gestões petistas costumam afirmar que gasto social é investimento. Mas todo investimento precisa ter uma medida de seu retorno, para garantir que o dinheiro não seja desperdiçado e não gere efeitos indesejados. Até porque o país tem outras demandas em áreas como saúde, segurança ou educação. Recursos não são ilimitados. É óbvio que, se o governo gastar demais e sem controle de um lado, faltará do outro.

  15. Ludmila Lins Grilo, escreve no X

    Pelo visto, o TJMG é reincidente em decisões normalizando relacionamentos amorosos com menores de 14 anos.

    Acabei de ler outra decisão, dada por outros desembargadores, absolvendo um acusado do crime de estupro de vulnerável. Decisão recentíssima, de 27/01/2026. A menina tinha 12 anos, e o acusado 22. Ela engravidou dele e morreu. Bebê sob os cuidados da família do réu.

    O sujeito foi absolvido pelos seguintes fundamentos, dentre outros: 1) o avô da vítima disse que a menina “gostava muito dele”; 2) avô não se opôs; 3) relação afetiva duradoura; 4) réu bancou consultas médicas; 5) convivência pública do casal; 6) bebê que precisa do réu; 7) “desnecessidade da pena”; 8) vínculo afetivo pretérito; 9) proximidade relativa da idade; 10) inexistência atual de risco.

    Absolvição unânime. Julgadores: Relator Des. Haroldo André Toscano de Oliveira; Revisora Des. Beatriz Pinheiro Caires; Des. Marcos Padula. Processo: 1.0000.25.007271-7/001

    ESTUPRO DE VULNERÁVEL É CRIME, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    “Dois jovens namorados”, “relações familiares e afetivas”, “vínculo afetivo consensual, com prévia aquiescência dos genitores da vítima e vivenciado aos olhos de todos”. Assim o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, caracterizou o elo entre um adulto, hoje com 35 anos, acusado de estupro de vulnerável, e a vítima, à época com 12 anos.

    Condenado em primeira instância, o homem conviveu com a adolescente e com ela teve uma filha. Segundo a lei, no entanto, trata-se de estupro de vulnerável: “conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos”, independentemente de consentimento.

    Ademais, precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) —como a Súmula 593— determinam que relacionamento amoroso não afasta a configuração do crime de estupro.

    Dos três votos na decisão do TJ-MG, o único contrário foi da desembargadora Kárin Emmerich. Diante da repercussão negativa, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu procedimento para avaliar a atuação do tribunal.

    O caso aponta para uma preocupante tendência de relativizar o critério etário presente na legislação. Levantamento do UOL revelou ao menos outras nove decisões judiciais, incluindo do TJ-MG e do próprio STJ, no sentido de alegar relacionamento consensual para afastar o crime de estupro de vulnerável.

    De nada adianta o aumento da pena para crimes sexuais contra crianças e adolescentes, sancionado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro do ano passado, se as próprias cortes não estão dispostas a aplicar a letra da lei, que estabelece o critério objetivo de 14 anos justamente para não dar margem a tentativas de justificar a violência sexual, como fez o tribunal mineiro.

    De acordo com o Ministério da Justiça, em 2025, 71% (57.329) do total de casos de estupro registrados no país (80.605) foram de vulnerável. Além disso, o último Censo do IBGE, de 2022, revelou que 34.202 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos viviam em união conjugal —77% desse estrato era do sexo feminino.

    A violência sexual, principalmente contra menores de idade, é um crime subnotificado e de complexa investigação porque no geral se dá no ambiente doméstico e é perpetrado por parentes ou conhecidos da família.

    Por isso é tão importante que o sistema de Justiça garanta segurança jurídica e a punição dos responsáveis, em vez de criar malabarismos retóricos que impeçam a aplicação objetiva da lei.

  16. GAXXPÁ, a capital nacional da dos altos TRIBUTOS, dos altos SALÁRIOS, das EXTRAVAGÂNCIAS PALACIANAS dos representantes do POVO, não pára de impressionar.
    Depois da CPI do DESCONHEÇO,
    da CPI do BISCOITO,
    das batidas policiais por causa das horas/máquina,
    caminhões de macadame,
    do fedor do lixo e das tramóias nas secretarias de obras e agricultura,
    caiu no nosso LOMBO as EXTORSIVAS DIÁRIAS dos vereadores e seus “correligionários”!
    SERÁ PQ SOMOS UNS BANANAS???

    Até agora NÃO HOUVE INDISPONIBILIDADE DE BENS DOS ENVOLVIDOS PRA RE$$ARCIMENTO DO DINHEIRO ROUBADO DO POVO,
    NEM CADEIA PRA NINGUÉM 👀😠

  17. SUPERSALÁRIOS E PENDURICALHOS PRECISAM TER UM FIM, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Reportagem da Folha mostra que, em certos anos, alguns servidores federais recebem mais de R$ 2 milhões do Estado. O teto mensal de pagamentos para o funcionalismo é de cerca de R$ 46,3 mil.

    São novas evidências de descontrole federal, estadual e municipal e de apropriação indevida de dinheiro público que amplia a desordem administrativa. Além do mais, é sintoma de um pacto de abuso de funções e de poder na cúpula do Estado, acordo que faz do cidadão refém indefeso.

    Juízes, legisladores e bem assentados no topo do Executivo se concedem favores ou toleram avanços sobre o Orçamento.

    Neste mês, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu remunerações extras e indenizações não previstas em lei. Também proibiu novas regras ou normas infralegais que prevejam pagamentos dessa espécie ou o reconhecimento de supostos direitos que já não estivessem em vigor até 5 de fevereiro.

    Em até 60 dias, órgãos federais, estaduais e municipais devem demonstrar que pagamentos estão estabelecidos em lei ou suspendê-los. No dia 25, o plenário do STF analisa as decisões de Dino.

    No mesmo mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez bem em vetar partes de diplomas que elevavam a remuneração de servidores de Senado, Câmara e Tribunal de Contas da União (TCU).

    Eram artifícios, mais penduricalhos, que violavam a Lei de Responsabilidade Fiscal ou a emenda constitucional que regulou a Previdência dos servidores. Há, pois, ofensiva por novas vantagens ou contraofensiva para entrincheirá-las, em reação a Dino.

    Que a remuneração do funcionalismo seja objeto outra vez de deliberação da alta corte é sintoma de descalabro institucional.

    Segundo Dino, desde 2000 o STF já tomou quase 13 mil decisões quanto a pagamentos que burlam o teto ou a incrementos salariais de outra forma indevidos. O conluio perseverante de tribunais, Legislativos, promotorias, procuradorias e governos solapa a jurisprudência.

    Em suma, o magistrado quer que o Congresso legisle decisivamente sobre a questão ou diz que o STF o fará. A complexidade e a criatividade das normas de indenização ou mesmo de parcelas da remuneração são tamanhas que é de se temer um arranjo provisório, de novo a ser desmontado por juízes e legisladores.

    Afinal, muitos servidores poderosos não apenas se julgam uma classe especial como agem para malversar o Orçamento de outras maneiras, como no caso de emendas parlamentares ou de concessão de benefícios tributários, desconsiderando a lei e a racionalidade financeira elementar.

    A contenção do abuso depende da exposição completa das apropriações indevidas e de transparência na definição de direitos e deveres dos servidores.

    Depende da reforma administrativa de um Estado em falência também de moralidade. Em última instância, depende de um basta do eleitorado.

    1. O eleitorado é engavetado pelo coeficiente eleitoral, aquele que elege candidatos SEM VOTOS e cancela os demais. Por isso NADA MUDA.

      Precisamos de Reforma Eleitoral, com a aprovação das candidaturas avulsas e da contagem pura dos votos.
      Esse negócio de coligação também é um abuso. Se possuem “afinidades”, que se amontoem no mesmo poleiro.

      PRECISAMOS ACABAR COM OS PRIVILÉGIOS DOS puliticos ANTES QUE eles ACABEM CONOSCO.

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