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O NÓ GÓRDIO. O ATUAL GOVERNO DE GASPAR DESMORALIZA QUEM ELE PRÓPRIO ESCOLHEU PARA “IMPRIMIR MUDANÇAS”. E SE NÃO FOI ELE QUEM ESCOLHEU, AO MENOS ASSINOU O PAPELINHO QUE DEU O EMPREGO E PODER. A SEGUIR, QUATRO EXEMPLOS PARA REFLEXÕES. HÁ MUITOS OUTROS

O enrosco está grande. A bateção de cabeças, também. Sobre o que é “nó górdio”, explico mais adiante, se o conhecimento de algum leitor ou leitora for suficiente.

Verdadeiramente? Custa-me crer – e tenho pensado reiteradamente qual é a razão disso, se tudo até aqui não é feito propositadamente pelo seu entorno para deixá-lo exposto, fraco e até desmoralizado. Custa-me crer que nada disso esteja sendo feito sem o conhecimento, coordenação e autorização expressa do prefeito Paulo Norberto Koerich, PL. Ao menos, há a assinatura dele em algumas dessas coisas. E elas precisam de explicações, ou então, realinhamento. Paulo deve ter lido, debatido, sido aconselhado e em algum momento, convenceu-se de que era o melhor a ser feito. E fez. É o normal, mas…

Nem vou escrever, mais uma vez, o que toda cidade de Gaspar sabe, de que, quem manda de verdade no governo é o PP – na foto abaixo foto de Paulo com o mais longevo dos vereadores e presidente de fato do partido, José Hilário Melato, o que está na ata é Francisco Fantoni Júnior, filho de Clarindo – e parte do MDB que mandaram e complicaram o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, que todos queriam ver mudado e levaram esta proposta para ser dita aos ouvidos dos eleitores e eleitoras. O PP, parte do MDB com um monte de gente mandada para cá pelo ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL, para aparelhar o governo, colocar tudo sem transparência e se estabelecer em dúvidas quanto era antes dele – o monte – chegar.

Retomando.

Não é à toa que em um ano e um mês, o governo de Paulo já tenha nomeado e trocado três vezes de superintendente de Comunicação, a alma de tudo – empresas, produtos, serviços, políticos e governo – nos dias de hoje. Paulo, contrariou e negou o discurso bem antes do previsível. Não há quem aguente comunicar à cidade – e ainda ser taxado de equivocado -com tanta incoerência e indisfarçável, por conta da falta de continuidade tática, incompetência.

Restou, então, a gestão piti. Eu abordei isto em A GESTÃO PITI. ESTA É A MAIS NOVA FORMA DO GOVERNO DE GASPAR OUVIR OS SEUS PRÓPRIOS SECRETÁRIOS E ABAFAR À FALTA DE INTEGRAÇÃO PARA RESULTADOS. O gabinete e o entorno ficaram possessos. Ainda bem.

Retomando pela segunda vez.

Aliás, um próximo ao gabinete de Paulo me disse que, todo o comissionado quer dar o seu piti para pelo menos ser “ouvido”, para ver “esclarecido” e “resolvido” os problemas em sua área de responsabilidade, mas falta – em meio ao ninho de cobras e com variados tipos que espantam os nomeados – coragem, a qual não faltou a secretária de Assistência Social, Neusa Pasta Filizetti, PL, uma das muitas vindas de Blumenau, mas não atrelada ao grupo que manda e desmanda com o PP e parte do MDB daqui. Vou pinçar quatro exemplos da semana passada. Assustadores.

Ah, antes porém explico o que é “nó górdio”. Ele vem da mitologia grega. É uma expressão que define um problema complexo, intrincado, aparentemente insolúvel, mas sujeito a uma solução simples e radical. A lenda nos conta que o rei da Frígia amarrou a sua carroça com um nó impossível de desatar. Alexandre, o Grande, resolveu o desafio cortando-o com a sua espada. Ou seja, soluções simples para impasses difíceis. Na foto de abertura, um nó górdio de Paulo foi para a espada: o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, eleito pelo PL e já mal escorado no Republicanos. Ficaram dezenas de outros.

O PRIMEIRO EXEMPLO

E vou começar pelo Orçamento e a Neusa. Sempre escrevi aqui que o Orçamento de Gaspar é uma peça de ficção contábil. Pensei que com a “novo” governo e a fama da “nova” secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha – no canto esquerdo, explicando aos vereadores o Orçamento proposto por |Paulo e seus secretários, u seja, nao é mais uma invenção minha -, a que centraliza tudo, a protegida por irmãos de segredos, de que, finalmente, ao menos neste assunto técnico, isto teria sido mudado, ou superado.

Tenho pena de mim mesmo e da minha ingenuidade. E sabem qual é a razão para isso?

O primeiro Projeto de Lei que Paulo Norberto Koerich, PL, mandou para a Câmara em 2026 – isso porque os vereadores estranharam em tribuna à ausência de matérias do Executivo – quase no fechamento do segundo mês deste segundo ano de governo, foi um “autoriza criar créditos especiais no atual Orçamento da secretaria de Assistência Social. Credo. Bingo. Entenderam uma das fundamentações do piti da Neusa?

Paulo não pode reclamar, como reclamava até o dia 31 de dezembro do ano passado, de que “estava engessado” no Orçamento que Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Marcelo de Souza Brick, PP, deixaram para ele. Mas, este de 2026 já é o Orçamento feito por Ana Karina, pela secretária Neusa, debatido e assinado por Paulo – o gestor experimentado – e aprovado na Câmara no final do ano passado, depois de intensa, penso, explicações.

E perguntar não ofende: de verdade, o que mudou mesmo do governo passado para o atual, a ponto de que o primeiro Projeto de Lei do ano é uma mudança de rubricas no Orçamento de uma secretaria cuja titular, muito próxima, com padrinhos externos fortes, precisou se estabelecer num piti para ser atendida? Meu Deus! E depois eu sou um problema, que exagero. Entretanto, esta gente está na mesma lama que condenaram os outros e ainda não se limparam devidamente. Todos estão enxergando-os

O SEGUNDO EXEMPLO

Qual o segundo Projeto de Lei que o prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, enviou para a Câmara aprovar? O que “autoriza a adesão do município de Gaspar ao Consórcio Intermunicipal da Região do Alto Uruguai – Cirau – e dá outras providências. Aí se pensa em Santa Catarina, o que já era bem estranho, pois o Alto Vale do Uruguai, lá pelas bandas de Concórdia no meio Oeste Catarinense está bem longe de nós.

Não! É com municípios gaúchos, alguns paranaenses e todos menores que Gaspar. Gaspar é o primeiro de Santa Catarina. Espantou alguns do paço este pioneirismo. Confira em www.cirau.com.br. Credo!

Qual a justificativa que está escrito pelo prefeito no PL que enviou à Câmara na semana passada? A de habilitar a área de compras e licitações – a que não funciona e deixa gente pendurado em pincéis a todo instante – para participar de compras coletivas, principalmente de equipamentos para a secretaria de Obras e Serviços Urbanos.

Mas, tão longe daqui e em outro estado? E nada que não possa ser feito por gente experimentada e consórcios da própria AMVE ou de outros mais perto como o da AMFRI? Credo!

Paulo – ou os seus daqui e os de Blumenau, trazidos em sua maioria pelo ex-prefeito de lá Mário Hildebrandt, PL, cada vez mais exposto – não inova, não se torna referência e ainda cria coisas estranhas para estar se explicando? Não precisa de adversário e nem deste espaço. Impressionante.

Tudo começa assim: primeiro vem a autorização da Câmara; depois a confusão no paço. Até porque o Portal Transparência da prefeitura de Gaspar, nem hacker consegue acessá-lo além da primeira página de tão armado de propósito como desleixo para esconder tudo. Tempestade perfeita. 

E quando se pede informações, ou esclarecimentos, seja na Ouvidoria, seja pelos vereadores direto para o gabinete do prefeito, os próprios gestores fazem o que de melhor sabem e estão fazendo superando inclusive a gestão de Kleber – um craque neste assunto – – até aqui: muita enrolação. Até o próprio Ministério Público está experimentado dessas esperteza a conta gotas. Pede explicações e para cansá-lo, fazê-lo desistir ou até ganhar tempo, a prefeitura de Paulo as remete incompletas

É um jogo manjado dos outros governos e que se jurou que se terminaria se o eleito fosse. E por isso, entre outras, ganhou com 52,98% dos votos válidos contra a continuidade e contra um outro adversário, um prefeito de inédito até hoje de três mandatos.

O TERCEIRO EXEMPLO

Este é intrigante e revelador. A recém empossada secretária de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, Katiani Zimmermann, está em Portugal onde integra a Missão Técnica Empresarial Lisboa, promovida pela Fecomércio catarinense, em parceria com o Sesc e o Senac. Foi conhecer oportunidades para alavancar o nosso turismo, foco da missão. Jura-se que não há dinheiro de Gaspar. Menos mal. Mas, alguém pagou.

Tem uma turma que está louvando nas redes sociais este passeio como “sensacional”.

Nada contra, se antes, ela e o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, tivessem feito antes a mínima lição de casa, ou seja, a programação da comemoração dos nossos 92 anos de emancipação de Blumenau com atividades de promoção comercial, turística e cultural. Nem uma linha até este domingo. Em lugar nenhum. Nem inauguração de buracos tapados, bueiros desobstruídos ou calçadas destruídas pelo Samae.

Ela saiu no dia 23. Voltaria neste domingo. E a nossa data de emancipação será daqui a três semanas (18 de março).

Como atrair alguém, se não cuidamos do nosso quintal, da nossa história? Como inovar, se quem avança são os outros ao nosso redor e até menores do que nós, inclusive, supostamente no potencial turístico, ou na atração de investimentos, empresas e negócios? Ou alguém acha que a Rota das Águas, a Vila D’Itália e agora, o Arraial d’Ouro teriam avançados, inclusive na mínima divulgação e promoção? Afinal, qual é a nossa vocação sustentável – criação de empregos, renda e equilíbrio social – diante de crises, mudanças e oportunidades?

Afinal o que queremos ser e quem queremos atrair ou ser parceiros? Só especuladores imobiliários?

De vez em quando aparecem coisas que não pegam como o DEL e até a tal Capital Nacional da Moda Infantil. Atende pessoas. Atende egos. Atende o nada. É longa a lista de encomendas e o remendos. Andamos em círculos. Há décadas. E parece que vamos continuar assim: empregando na administração pública, os próximos ou apoiadores, por serem eles apenas apoiadores e próximos.

A secretária – apesar do irmão padrinho – que olhe bem para o governo de Paulo e veja o que ele próprio fez com o antecessor dela, o empresário Nelson Mário Küstner.

Nelson – e o entorno dele que funcionava minimamente – teve que sair depois foi pendurado e exposto em praça pública pelo próprio governo, numa armadilha e que nunca pensou que ficaria manchado da forma que ficou. Perguntar não ofende: a secretária já mandou fazer a licitação para o aluguel do transformador da Arena Multiuso, prefeito Francisco Hostins para o festão particular e de lucros? Ou vai delegar – como delegou Nelson – para o entorno do gabinete que continua rindo por ser se safado bonito disso tudo?

Se não cuidar pessoalmente deste assunto – e de outros -, deixar para a última hora, por contas de outras secretarias, se terceirizar para viajar e não ficar de olhos bem abertos, poderá ser surpreendida como foi Nelson. O núcleo duro de Paulo vindo todo de Blumenau está de olhos bem atentos nos de Gaspar. Quando deveria ser o contrário, até porque até há gente competente e o que deveria estar em jogo era a reeleição de Paulo, que os de Blumenau, não possuem compromisso algum.

O QUARTO EXEMPLO

Este revela um esforço hercúleo da nova superintendente de comunicação para criar um clima onde ele não existe. Beira o surrealismo.

Primeiro, papel institucional de um governo não se delega, assume-se. Este papel é do eleito, do líder, do obrigado às relações e aos resultados pela sua causa, ou comunidade onde está inserido, ou a representa. E ponto. Querer terceirizar, ou delegar a subordinados, é consentir em enfraquecer quem está obrigado a esta representação pela cidade e seus comunitários. E colocar na mesma baleia, vereador que nem da base é? E com fotos? Meu Deus!

Portas da frente são abertas pela importância de quem passa por ela. E ponto final.

Escrito isso, é certo, então, de que antes da relação institucional, vem os objetivos (do eleito), depois o planejamento e só então, a operação. Ela sim, é feita pelos que ele pediu para ser sua equipe. Se não há propósitos, esta relação institucional não tem razão de ser, a não ser para fotos, encenação e press releases, pois não gera resultados concretos para as partes e à sociedade.

Nada é institucional. A equipe está obrigada à realização. Sem objetivos, não há relação institucional produtiva, não há trocas. E tudo fora disso, é roleta russa. Pode dar muito certo, como pode dar muito errado. E um ano depois depois da posse – com muitas prematuras trocas – o que revela má escolhas -, à falta de respostas estão aí a cobrar o governo de Paulo.

Faltam projetos, faltam canais técnicos, faltam caminhos políticos, faltam realizações e consequentemente, faltam reconhecimentos. Simples assim.

A roda já foi inventada. Estamos no tempo da Inteligência Artificial. Ela até está substituindo os programadores. Alguém precisa entender que estamos nos anos 26 do século 21, no segundo ano de um governo que se esperava à virada de chave e num ano de eleições, rápidas e por enquanto, desconhecidas.

E dependendo do resultado de outubro, poderá ser tarde para muitos que eram os arautas das novidades. Quem não faz o mínimo do básico operacional, não pode dissimular como representante institucional. O mundo de hoje é prático. Do político e do gestor público, dependentes de avaliações e votos, se exige resultados coletivos. Nem mais, nem menos. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Registro do festão I. A posse do novo presidente da Ampe Gaspar e Ilhota, o jovem Kauê Benkendorff, no Questão de Gosto, foi de dar gosto e teve múltiplos recados. E nada ingênuos. O primeiro dele foi o massivo prestígio do empossado. Ele trabalhou para isso. Desconta-se aí que é ano de eleições gerais e há muitos aproveitadores, também para se dar bem com o pires na mão com os empresários. A Acig, definitivamente, está caminhando para trás e agarrada a poucos e antigos. Ela mais parece uma entidade feitas de segredos. Isto não se tinha, por exemplo no tempo do seu fundador Vilmar de Oliveira Schürmann e seu sucessor, Francisco Mastella, ambos falecidos. O último a ter esta capacidade de articulação na Acig foi Samir Buhatem.

Registro do festão II. Espera-se que a Ampe aposente bobagens do passado como o DEL e a tal Capital Nacional da Moda Infantil feitas por presidente marqueteiro, ávido por mídia e suas fantasias. A realidade dos sócios, das empresa, do mundo dos negócios, das oportunidade e das cidades é outra. Tudo é muito rápido. As verdades são desconstituídas num piscar de olhos. Não dá tempo, infelizmente, para comemorar. É uma luta pela atualidade e não pela história do passado que a Acig tem de sobra e não vale nada como exemplo para hoje.

Registro do festão III.E a imprensa? Esteve lá na boca livre, mas pelo jeito está de férias. Nada de repercussão. Nem de bastidores. Eles fervilharam. Muita sinalização. Muito blefe. Muita mentira. E os discursos? Na maioria longos, tempo preciso gasto para nominar e amaciar egos de assessores vestidos de “autoridades”, antes dos conteúdos despropositados e sem entusiasmo. Futuro, zero!

Registro do festão IV. Noves fora, os micro e pequenos empresários são agora, majoritariamente conservadores. O que significa isto? Que o PT e a esquerda do atraso, fizeram tanta sacanagem com eles que os perderam, apesar do belo trabalho do Sebrae no amparo da maioria deles. As Ampes nasceram no PT e na esquerda do atraso para contestar as grandes empresas, os grandes investidores e as grandes ou paquidérmicas entidades de classe. Como se está vendo, ao mesmo tempo, ela não aguentam tanta promessa, tantos impostos e tanta falência a que cai mais diretamente no dono. E o conservadorismo no convescote do Questão de Gosto estava ao lado do Novo, estranhamente não do PL, Republicanos e União Brasil. E se fizesse uma pesquisa, João Rodrigues, PSD, teria vencido Jorginho Melo, PL. Teve gente que ficou assustada ou enrustida.

Registro do festão V. Também está certo que o escanteado e exilado vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, já não possui a sua entourrage como tinha. Ele não construiu, aproveitou-se. E isto tem um preço. Para preservar os bicos na atual administração os filiados ao PL, Republicanos e principalmente, União Brasil, fazem questão de passarem bem longe dele em ambientes de olhares públicos atentos, como se fosse alguma guarda revolucionária a dedar até inocentes.

Registro do festão V. Se o “Novo” catarinense polarizou, o de Gaspar, exatamente no festão, ficou sumido. O ponto destoante foi um discurso incoerente de quem se diz diferente dos demais políticos e partido. Um representantes deles, com mandato e querendo permanecer nele em outubro, pediu para os empresários se engajarem na política, escolherem seus políticos de estimação e bancá-los financeiramente nas campanhas vindouras. Além de ilegal, o governo e congressistas tiram da saúde, educação, assistência social e infraestrutura, bilhões e bilhões de reais dos nosso pesados, novos e cada vez mais altos impostos on line para bancar fundos partidários e eleitorais. Essa gente gulosa e sem freios nos quer na miséria absoluta e eterna. E se dizem “novos”? Creto!

Pensar, nunca foi para todos. Duas para se pensar: se o Brasil tributar a burrice, fecha as contas e teremos saldo positivo. Simples assim. Outra, O ministro Gilmar Mendes, do STF, determina que a Lei de Gérson (o nosso canhotinha de ouro da seleção tricampeã de 1970, na frase para vender cigarros os que notoriamente fazem mal a saúde) está acima da Constituição. Como investir e apostar num futuro se a insegurança jurídica joga leis no lixo ao sabor dos poderosos de plantão e assessorias protetivas bilionárias, familiares, ao arrepio da lei no entorno dos próprios juízes?

O Refis Agrícola em Gaspar, foi um fiasco. Estimava-se arrecadar em R$600,00 mil e R$1 milhão. Segundo apuração preliminar, este Refis que colocava produtores rurais na parede dia sim e outro também, mesmo assim, não chegou a R$200 mil. Ao invés de apurar internamente as incoerências e inconsistências do governo Kleber Edson Wan Dall, MDB, que deu a pasta de porteira fechada para o PP, a secretaria de Agricultura e Aquicultura preferiu encontrar pelo em ovo nos pobres produtores rurais e armou para eles se auto-declararem devedores, pois prova assinada da dívida não tinha na secretaria. O maior devedor não reconheceu a assinatura dele nos papelinhos. Outros viram que as obras feitas nas suas propriedades, eram as obrigatórias limpeza de valas que a prefeitura queria cobrá-los. E teve muito mais. Mesmo sob chantagem.

Enquanto os eleitores e eleitoras, animados por seus políticos de estimação estão brigando entre ser de direita, esquerda, petista e bolsonarista, esses mesmos políticos vão se arrumando para as eleições de outubro. E não é em Brasília. Não é em Florianópolis. É aqui mesmo. Veja este exemplo que se esconde.

O até então petista gasparense de carteirinha, José Lana, aposentado no Samae, acaba de ser contratado como assessor externo do gabinete do deputado estadual bolsonarista, Ivan Naatz, PL. José Lana, é sogro do também vereador bolsonarista, Alexsandro Burnier, PL.

Outro registro necessário. O líder comunitário do Barracão, na zona sul de Gaspar, Moacir Barbieri (ao lado), comemorou neste 25 de fevereiro, 95 anos. Lúcido, ativo e dividindo o seu lazer entre o Barracão e o Balneário Rincão, onde até poucos meses atrás ia e voltava dirigindo, diz que a política está irreconhecível.

Como posso discordar dele? “Coca”, como é chamado por familiares e próximos, já foi vereador pelo velho PFL (2017/20, o que saiu da Arena e hoje tem cara da PSD. Ensaiou e perdeu como vice prefeito em 2000 na chapa encabeçada pelo ex-prefeito Luiz Fernando Poli, PFL, de então. Poli nasceu no MDB pelo qual foi eleito pela primeira vez.

Uma observação minha. Sem as ferramentas de multimídia e redes sociais, Moacir Barbieri, era e é reconhecido um líder da sua comunidade. E coloca no bolso, quem é experiente neste ilusionismo e alguns que a experimentam e não conseguem nem sequer repetir expressões filosóficas alheias. Triste constatação.

E o cão Orelha? Exumaram-no, não encontram nenhum osso quebrado, nem prego atravessado na cabeça, nem indícios de morte violenta. Os políticos, ativistas, bem como a NSC TV Florianópolis – a que acha a Ilha o centro de Santa Catarina – que deu espetáculo a este tipo de coisa mal apurada por seu jornalismo ativista caolho, está mansinha e fingindo que não foi bem assim. Credo.

O culpado I. Por outro lado, NSC Blumenau esteve aqui ao vivo, na quarta-feira passada e fez uma ampla e clara reportagem ao vivo. Ela mostrou nua e cruamente, o drama dos dos adolescentes alunos de Blumenau para acessarem a unidade do IFSC, no bairro Bela Vista.

Culpado II. Os ônibus de Blumenau não podem acessar o território gasparense. Compreende-se. Até 2016 podiam. Não se compreende porque podia e agora não pode. Hoje caminham mais de um quilômetro do ponto ao IFSC e vice e versa. Expostos à travessia, ao trânsito, chuva, sol e até a falta de calçada em Gaspar. De lá para cá, só enrolação da burocracia, dos gestores públicos e dos políticos. A Agência Reguladora de Jorginho Melo, PL, diz que não pode fazer nada. Virgula: pode. Esta mesma agência já multou o ônibus que adentrou aqui com passageiros. Só pode multar. Criar soluções, não. Burocratas. Lei. E políticos contra o bom senso e gente que lhes paga.

O culpado III. Com a reportagem, com todas as letras, ficou claro que o problema é da secretaria de Infraestrutura e Mobilidade, tocada há quatro anos, no governo Jorginho Melo, PL, pelo deputado estadual Jerry Comper, MDB – e que agora, às vésperas de coleta de votos, se diz gasparense. É uma parte da estrutura da secretaria que pode criar soluções, acordos, entendimentos. E quem daqui está lá com Jerry uma semana sim, outra também em Florianópolis, empilhando diárias que o torna campeão delas na Câmara? O vereador e cabo eleitoral do deputado, Ciro André Quintino, MDB, om que vive nas redes sociais, com equipe, mostrando problemas. Este não. Tanto Jerry quanto Ciro já estão na praça pedindo votos. Então…

O dia da marmota I. A gente já viu isto e não se importou. Agora, pode ser tarde. Mas, é preciso começar. A direita de Gaspar é medrosa. No domingo, parte do Brasil foi para as ruas contra um STF autoritário e fora das leis, do devido processo legal e a má interpretação da Constituição a que está obrigado a segui-la.

O dia da marmota III. Os daqui, com medo de mostrar a cara, ou principalmente à incapacidade de mobilização deles de uma maioria que se expressa exuberantemente nas urnas, entretanto, exatamente por falta de liderança, ou porque a gestão municipal da direita não possui serviços e realizações para mostrar e estimular a população a lhes reconhecer, misturou-se às manifestação de Blumenau, Itajaí (fogo ao lado) e Balneário Camboriú.

O dia da marmota III. O pessoal do novo foi a Itajaí. Um vereador do PL, campeão de votos, apareceu, solitariamente em Blumenau para fotos e cantar, mais uma vez, de galo. Já em Balneário Camboriú restou aplaudir os de lá. Ora, se há uma causa, quem tem que se mobilizar é a comunidade. Só esta mobilidade nas aldeias é que dá legitimidade e conscientização para o verdadeiro problema que se quer constranger ou expurgar.

Político é um bicho danado. Em Gaspar, tem vereador que não sabe a diferença aspirina e esparadrapo, mas, vejam só, já está louvando a polilaminina – que a maioria dos leitores e leitoras nem sabe bem o que é -, a que promete nos experimentos iniciais, recompor a medula espinhal de traumatizados, livrando-os da prisão de dores insuportáveis, camas, cadeiras, muletas ou bengalas. É a suposta “cura” da moda.

Por que o político faz isso? Para esconder as suas fraquezas e pixotadas para aquilo que foi eleito. É mais uma cortina de fumaça. Foi assim com a cloroquina de outra finalidade, mas que inventou como se cientista fosse, para a “cura” da Covid e condenação das vacinas que deram fim a epidemia. Foi assim, mais escandalosamente, com fosfoetanolamina, criada na versão sintética por um químico no laboratório da USP (São Carlos) e que virou a “pílula do câncer“. O Congresso Nacional chegou até a aprovou, sem o aval da Anvisa, em 2016. Em 2020, quando tudo era desmascarado pela ciência, o STF julgou a “lei” inconstitucional. Como podemos eleger gente assim? Precisam da desgraça alheia para serem reconhecidos como curandeiros.

Olha a dengue aí gente! Só porque ela supostamente está controlada em Gaspar, foram cedidos funcionários ao Samae para a coleta de móveis descartados como lixo, para o setor de transporte e está no forno a demissão (encerramento de contração emergencial) de outros tantos nos próximos dias.

Antes de discutir na internet, lembre-se: só 8% dos brasileiros interpretam um texto, apenas 6% sabem diferenciar fato de opinião, e 29% dos adultos são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem).

Uma boa semana a todos.

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14 comentários em “O NÓ GÓRDIO. O ATUAL GOVERNO DE GASPAR DESMORALIZA QUEM ELE PRÓPRIO ESCOLHEU PARA “IMPRIMIR MUDANÇAS”. E SE NÃO FOI ELE QUEM ESCOLHEU, AO MENOS ASSINOU O PAPELINHO QUE DEU O EMPREGO E PODER. A SEGUIR, QUATRO EXEMPLOS PARA REFLEXÕES. HÁ MUITOS OUTROS”

  1. Pingback: A TRANSPARÊNCIA DE FACHADA. PREFEITURA DE GASPAR FAZ "NOTA OFICIAL", SOBRE AS DÚVIDAS NAS COBRANÇAS A MAIOR DA ROÇADA NO ATUAL GOVERNO. ELE ORQUESTROU E USUFRUIU COMO TROFÉU NUMA CPI NA CÂMARA CONTRA AS MESMAS GRAVES FALHAS DE KLEBER. ONDE

  2. Pingback: QUEM ESTÁ DESMORALIZANDO EM TÃO POUCO TEMPO O GOVERNO PAULO? ELE, OU QUEM ELE ESCOLHEU? PAULO NÃO CONHECE OU FINGE O QUE É O TAL "NÓ GÓRDIO". JÁ PASSOU - E MUITO - DO TEMPO DE ELIMINÁ-LO. CHEGOU A HORA DA DESMORALIZAÇÃO - Olhando a Mar

  3. Leia este artigo. A guerra está em outro patamar. Estamos sob a mira do desconhecido da nossa imaginação até a mais fértil. Tenho lido muito nos últimos dias sobre isto – tem coisa fantasiosa, também-, até porque a Inteligência Artificial no fundo ainda além de recente, é muito mais desconhecida como resultados ue pode produzir. O que impressiona, além do desconhecimento? A velocidade como ela evolui em todos os campos e como ela embarca o digital e até, criam, o analógico. Isto a torna uma arma combinada, barata, e assustadoramente um intruso à nossa privacidade pessoal, corporativa, logística, industrial e espionagem. Leia, mesmo que você já seja um analfabeto funcional – como muitos que estão nos governos ditando regras do atraso. É preciso ler para ao menos não passar o recibo de ignorância.

    A IA VAI À GUERRA, por Pedro Dória, no jornal O Globo

    Quão legítimo é o uso de inteligência artificial numa guerra? Da semana passada para cá, essa discussão veio para o centro do debate político americano. E, pela primeira vez, o Vale do Silício rachou. Mais que isso. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, disse “não” ao governo Donald Trump. Nunca um líder havia dito “não” para esta Casa Branca, bem pelo contrário. No último ano e pouco, houve um festival de homenagens, elogios e até troféus dados ao presidente por CEOs da alta tecnologia. Ainda assim, mesmo tendo havido ruptura formal, a tecnologia da Anthropic fez parte do arsenal americano neste ataque ao Irã. Em quê? Ainda não sabemos.

    Das três principais companhias de IA — na lista ainda estão OpenAI e Google —, a Anthropic era a principal fornecedora do Pentágono, o Departamento de Guerra americano. Mas mantinha uma posição clara, devidamente registrada em contrato, a respeito dos limites de uso. Sua IA, o Claude, não poderia ser usada em campo de batalha, nem para ajudar a definir alvos para uso letal à distância. Além disso, a Anthropic não queria sua tecnologia em armas autônomas, que definem alvos e atacam, sem participação de humanos na decisão. E, naturalmente, veto completo para vigilância em massa de cidadãos americanos. (Que seria ilegal, diga-se.)

    Esses usos diversos se dividem em dois grupos. A IA, no estado atual, já seria bastante útil para agilizar a tomada de decisões durante uma batalha. Assim como para processar dados que levem à definição dos alvos ideais para ataques à distância — um ataque desses matou o aiatolá Ali Khamenei durante o fim de semana. Definir quem está onde, num país tão fechado quanto o Irã, depende de espiões, naturalmente. E Teerã se tornou a cidade com mais espiões por habitante do mundo nestes últimos anos. Mas não só. A informação precisa ser confirmada. Para isso se conta com dados de satélite, fotografias, conversas interceptadas. É uma massa de informação que, com um modelo particularmente bom de processamento de dados como o Claude, é imensamente facilitada sem perder precisão. Não sabemos se os Estados Unidos usaram a IA para ter certeza da localização do aiatolá no momento do ataque. É bastante provável que sim.

    Outra coisa bastante distinta é o uso desses modelos para armas autônomas. Um drone que levante voo, vá a algum canto, selecione onde atacar — e puxe o gatilho por conta própria. Dispare sem que um ser humano participe da conversa, entenda por que a IA decidiu tal coisa e corrobore se é mesmo para disparar. Inteligências artificiais falham. Falham feio. Vidas humanas não deveriam estar “nas mãos” de modelos como os que temos hoje.

    É preciso compreender a natureza da Anthropic. Amodei e seu time estavam na equipe que desenvolveu o GPT 1 e, principalmente, o 2. Foi essa a primeira versão a deixar claro que IAs eram capazes de sustentar conversas tal qual seres humanos. Esse núcleo de engenheiros deixou a OpenAI por ter a impressão de que a empresa era relapsa com questões éticas e de segurança. De que punha a velocidade de desenvolvimento na frente. Todo o branding da Anthropic se baseia na ideia de que a segurança, de que responsabilidade ética são princípios essenciais. De que humanos estarão sempre no comando. Quando o Pentágono exigiu a remoção de determinadas cláusulas, o comando da empresa se viu perante uma decisão existencial. Ou rompia com seus princípios fundadores, ou dizia “não” ao governo Trump. Disse “não”.

    A OpenAI disse “sim”. Segundo o CEO Sam Altman, o governo não usará o GPT para vigilância em massa de cidadãos americanos nem para armas autônomas. Então, qual é a diferença? Que fronteira a Anthropic se recusou a ultrapassar, mas a OpenAI topou? É possível que a diferença esteja nas firulas jurídicas, na maneira como as palavras se arranjam nas frases e abrem espaço a interpretações diversas. Os dois CEOs sabem, perfeitamente, quem é Donald Trump. Que ele é imprevisível. Que toma decisões no rompante, com frequência irresponsavelmente.

    Os Estados Unidos não ordenaram um ataque militar que culmina com a morte de um chefe de Estado no pós-guerra. Operações da CIA, nos anos 1960, houve. Mas eram secretas, nada assumido. Que se deixe claro: Khamenei era um dos piores ditadores do mundo. Só nos últimos cinco anos, a ONU e a Anistia Internacional documentaram estupros em série contra manifestantes, homens e mulheres, presos nas cadeias iranianas. Uma das vítimas tinha 12 anos. Chibatadas seguidas de choques elétricos. Em janeiro deste ano, o governo ordenou que se abrisse fogo, de metralhadoras, contra passeatas. Morreram por baixo 30 mil pessoas. São raras as ditaduras que abrem fogo aberto contra passeatas. Nas que tivemos aqui na América Latina, nenhuma fez isso. Ainda assim, o assassinato de um chefe de Estado é uma linha que não se cruza impunemente. Abre a porteira para que se faça de novo, de novo e de novo. Ainda mais quando os critérios de tomada de decisão não estão claros.

    A inteligência artificial que os Estados Unidos desenvolvem estará nas mãos de um governo que toma decisões graves sem objetivo claro e sem permissão do Congresso? Por que o Pentágono quis extirpar do contrato a proibição de uso para espionagem em massa de cidadãos americanos?

    Essa conversa apenas começou.

  4. Como o STF e a Justiça, desmoralizaram desgraçadamente a instituição, os operadores e a jogaram no lixo a lei que, aquela criada pelos representantes do povo -os frouxos ou corruptos – e nos torna iguais perante ela

    O INTERDITOR, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Esqueça o debate jurídico sobre a forma como Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilos da empresa de Dias Toffoli pela CPI do Crime Organizado. Discuti-la sob os valores e as leis da República significaria legitimar o que só pode ser compreendido como movimento autoritário – reação abusiva de poder – contra a imposição-exposição da verdade. A verdade é que o decano interveio – foi chamado e resolveu – porque a cousa avançava descontroladamente sobre os trânsitos e outros tráfegos dos ministros-empresários do STF pela rede-laranjal do Master.

    Mendes chegou tratorando para reforçar-defender a “operação abafa” cujo corpo desafiado expunha fraquezas. A intervenção conquistou. Ele será doravante o relator de qualquer demanda por acesso a informações da Maridt. Tornou-se – como quis, porque quis, porque pode – o interditor: apenas ministro-empresário pode autorizar quebra de sigilos de ministro-empresário. Para começo de conversa. E não serão André Mendonça, Edson Fachin ou Paulo Gonet a contestá-lo.

    Mendes forjou para si a prevenção sobre esse puxadinho – teria matado o princípio do juiz natural, não estivesse já morto no Supremo – e garantiu a blindagem do camarada. Garantiu a blindagem dos camaradas togados constantes nos celulares e nas fumaças de Vorcaro e seus zetteis. Essa era a meta. A invenção do caminho – a instrumentalização do processo – é consequência.

    (Gilmar Mendes – o que age dessa maneira – acusou a CPI de abuso de poder e, fiador maior dos métodos de Xandão, cobrou “fato determinado” à comissão. O cronista jura. Defensor primacial do inquérito xandônico das Fake News, aquele que tem como objeto – há quase sete anos – o que for desejado por Alexandre de Moraes, o decano fundamentou a proteção escancarada a Dias Toffoli e turma como ato contra o que seriam “investigações livres e indefinidas”, que poderiam “produzir um quadro de insegurança e de perigo para liberdades fundamentais”. O cronista jura.)

    Não perca mais tempo com discussões sobre mandado de segurança ressuscitado para hospedar barriga de aluguel, parir habeas corpus e garantir ilha de relatoria sobre – é disto que se trata – tudo quanto se referir à empresa do confrade. Desentranhou; autuou como HC; assegurou a prevenção; e mandou arquivar novamente o presunto – de 2021, relativo à CPI da Covid, que tornara moribundo em 2023. Ministros do Supremo, se criam o próprio Direito, criam também os meios. Ele queria – precisava – da prevenção. Pegou-a.

    Mendes foi o escolhido para a missão – ou terá se escolhido, mostrado a direção, iluminado o porão do tribunal. Isso não importa. Importa que o caso Master, incontrolável, ficou grande demais. Nem Moraes conseguiria intimidar as investigações. Daí Gilmar. A comunicação, via Gilmar, é mais ampla: não há a mais mínima chance de aquilo que a Polícia Federal listou em relatório – indícios de crimes cometidos por Dias Toffoli – ser apurado. E não serão Mendonça, Fachin ou Gonet a contestar a ordem.

  5. A DECISÃO DE GILMAR EM SOCORRO DE TOFOLLI É UM ESCÁRNIO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, acrescentou mais uma linha esdrúxula na trama do banco Master, a esta altura já repleta de relações anômalas entre Daniel Vorcaro, controlador da instituição, e as mais diversas autoridades públicas brasileiras.

    Na sexta-feira (27), em uma manobra que achincalha os ritos processuais, o decano da corte suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli. A providência investigativa havia sido determinada dias antes pela CPI do Crime Organizado.

    Como se estivesse coberto de razão, Gilmar vociferou em sua decisão. Classificou a quebra de sigilo como “destituída de idoneidade por completa e absoluta ausência de fundamentação válida” e afirmou que ela “apresenta narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas”.

    Sob essa camada de retórica tempestuosa, contudo, encontra-se pouca substância. Pode-se e deve-se, é verdade, discutir os limites de atuação da CPI. Criada com o propósito de esquadrinhar o alcance do crime organizado, a comissão ampliou seu escopo de modo a incluir o banco Master.

    Embora sejam convincentes os argumentos parlamentares —é preciso esclarecer se a cúpula do Judiciário se envolveu com o mundo do crime—, as apurações precisam respeitar as normas do Estado de Direito. E cabe ao STF, no fim das contas, frear eventuais ataques às garantias individuais.

    Ocorre que o Supremo também deve observar certos procedimentos, mas os ministros amiúde agem como se desconhecessem essa regra rudimentar. Foi precisamente o que fez Gilmar.

    Sua canetada favorável à empresa da família Toffoli jamais poderia constar de um manual jurídico. Ela se deu em um mandado de segurança de 2021, impetrado pela produtora Brasil Paralelo no contexto da CPI da Covid. Ou seja, sem nenhuma relação com o Master, Toffoli e a atual CPI. E pior: o processo estava arquivado.

    Com a manobra, o pedido da Maridt caiu no colo de Gilmar, dado que ele relatou o caso da Brasil Paralelo. Ou seja, tudo se passou como se houvesse uma jogada combinada nos bastidores para o decano socorrer Toffoli.

    E não foi o único gesto recente a evidenciar o espírito de corpo que contamina o Supremo. Na quinta-feira (26), o ministro André Mendonça havia decidido que os irmãos de Toffoli, convocados pela CPI do Crime Organizado, estavam dispensados de cumprir essa obrigação.

    É um escárnio. Passou da hora de os membros do STF entenderem que não estão acima das leis e que a sociedade exige respostas satisfatórias sobre os laços pouco republicanos entre Toffoli e Vorcaro. Não é demais lembrar que o ministro é citado em conversas no celular do ex-banqueiro.

    As iniciativas em favor de Toffoli são tantas e tão heterodoxas que se torna inevitável perguntar o que ele está escondendo que demanda tamanho esforço.

  6. Canrobert Marcolino

    Justiça entendeu que houve uso do poder hierárquico para pressionar funcionários a defender medida administrativa nas redes sociais em Gaspar, no Vale do Itajaí

    https://ndmais.com.br/justica/ex-prefeito-e-prefeitura-de-gaspar-sao-condenados-por-coagir-servidores/

    “Pessoal, prestem atenção. Se até meia-noite não tiver compartilhamento de cada um dos senhores e das senhoras desse vídeo e comentários defendendo, positivos, na postagem, amanhã eu vou tomar providências. Certo? Compartilhe, ligue, fale um com o outro aí, resolva esse negócio. Eu quero compartilhado por cada um dos senhores, amanhã eu vou tomar nota disso aqui com o pessoal da comunicação”

    1. Parece piada, tanto é que o réu, condenado, faz troça

      Oito anos para a Justiça decidir em algo essencial, o constrangimento coletivo por quem dava empregos de favores e cobrar por isso. E a Justiça só se pronuncia, quando o prefeito não é mais prefeito, ou seja, não está obrigado a não mais fazer o que fez. Sintomático. E a pena? Uma miséria que beira ao ridículo. Tem gente que por bem menos, gente do governo do réu que foi atrás para perseguir e conseguiu muito mais e ao tempo do governo do réu como aviso para ficar quieto.

  7. Carlos Nascimento

    Herculano você não acha que ….

    O governo de Paulo parece ter adotado uma estratégia de gestão peculiar: consome 24 horas do dia em uma ofensiva incessante contra seus antecessores. Embora a gestão anterior tenha, de fato, deixado flancos abertos para críticas, a atual administração parece ter transformado a retórica do “nós contra eles” em sua única plataforma de atuação.

    Em vez de demonstrar capacidade técnica ou apresentar um cronograma robusto de novas obras, o Executivo limita-se a gerenciar o legado. Até o momento, o que se vê é a continuidade — ou apenas a conclusão — de projetos iniciados e encaminhados pela gestão passada. Surge, então, a dúvida que ecoa nos corredores da cidade: falta fôlego político ou capacidade de execução própria?

    A estratégia da aniquilação
    Ficou claro que o plano para uma eventual reeleição não passa pelo canteiro de obras, mas pelos tribunais e pela desconstrução pública. Paulo parece buscar a vitória pela aniquilação moral dos adversários, e não pelo mérito das suas entregas.

    Contudo, essa tática de “jogar pedras no telhado vizinho” guarda um risco óbvio: quem foca no ataque expõe a própria vidraça. Enquanto o governo se ocupa em destruir reputações, a cidade padece com a inércia administrativa. No fim das contas, o maior prejuízo não é dos políticos em disputa, mas da população, que assiste a um governo paralisado pelo rancor eleitoral.

    1. Bem observado. E é uma pena. Gaspar não merecia isto. Mas, quando a observação de que o atual Executivo se limita ao legado, ou seja, ao que o antecessor mal deixou, é um exagero retórico. Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, deixaram um amontoado de problemas, Então, só pode o atual, ampliando-os. Pois, mudar, como prometeu, até agora, não mudou nada. Só se complicou.

  8. SEGREDO JUDICIAL, USO E ABUSO, por Demetrius Magnoli, no jornal O Globo

    Nos sistemas democráticos, a sociedade deposita confiança extrema nas autoridades encarregadas de gerenciar a Justiça. A prova encontra-se no instituto do segredo judicial. Aceitamos que elas detenham informações temporariamente vedadas a nós — concordamos com uma radical assimetria de poder. A implicação: vandalizar o privilégio do monopólio da informação é uma traição maior de confiança. O STF envereda por esse caminho, sob a alegação paradoxal de que vivemos em excepcionalidade permanente.

    O segredo de Justiça tem diversas finalidades, como proteger as investigações contra interferências dos acusados e preservar a identidade das vítimas de certos crimes repugnantes. Serve, ainda, no caso desse tipo de crimes, para evitar a exposição pública de suspeitos não declarados réus. As manipulações do segredo no inquérito 4.781, das fake news, e na efêmera relatoria de Toffoli à frente do caso Master cumprem outras funções, que são ilegítimas.

    O inquérito das fake news, instituído de ofício pelo STF e sem sorteio de relatoria, nasceu como excepcionalidade, nos idos de março de 2019. Sob o pesado manto do segredo, censurou reportagem de uma revista, derrubou um número desconhecido de perfis de redes sociais e prolongou-se no tempo, englobando uma vasta coleção de casos sem conexão direta com o objeto original.

    A emergência criada pela conspiração golpista do bolsonarismo, justificativa oferecida pelo plenário do tribunal, esgotou-se com a transformação dos investigados em réus, há quase um ano — mas o inquérito prosseguiu. Seu desdobramento mais recente foi a imposição de medidas cautelares contra auditores da Receita Federal, seguida pela abertura de investigação contra Kleber Cabral, presidente da entidade de classe dos auditores, motivada apenas por entrevistas concedidas à imprensa.

    O segredo imposto ao inquérito não protege as investigações ou preserva vítimas. Sua utilidade primária é limitar o escrutínio público dos atos judiciais do relator, Alexandre de Moraes. Não sabemos que perfis de redes sociais foram derrubados nem o motivo de tais atos de censura permanente. Ignoramos as razões para a retirada de passaportes e a aplicação de tornozeleiras eletrônicas a funcionários públicos não declarados réus. Desconhecemos o teor da acusação contra um líder classista que se limitou a pronunciar críticas às duras cautelares contra seus representados.

    O segredo de Moraes tem validade seletiva, não excluindo a publicidade oportunista. Os nomes dos auditores investigados foram, oficialmente, tornados públicos. Por essa via, o relator pinta um rótulo na testa de cada um — mas, ao mesmo tempo, impede que apresentem à opinião pública seus argumentos de defesa. A segunda utilidade do segredo judicial controlado pelo relator é a intimidação do conjunto dos auditores fiscais.

    Toffoli aprendeu a lição do abuso de poder. Na relatoria do caso Master, impôs segredo máximo sobre o inquérito e cercou a investigação da PF por restrições incomuns, sob a justificativa absurda de evitar choques a um sistema financeiro que já absorveu a liquidação do banco de fantasia. Aí, o segredo judicial é uma venda aplicada aos olhos da sociedade, proibindo-a de conhecer a extensa teia de relações políticas de Daniel Vorcaro.

    Os atos intimidatórios de Moraes, que parecem conectados às iniciativas extravagantes de Toffoli, configuram uma invasão das prerrogativas de André Mendonça, novo relator do caso Master. No fim, o relator do inquérito das fake news nomeou a si mesmo correlator do inquérito sobre a pirâmide financeira de Vorcaro. A aparente parceria Toffoli-Moraes espalha um rastro de suspeita sobre toda a paisagem.

    É que, sobre os dois ministros, paira a sombra de segredos não judiciais: o contrato da mulher de Moraes com o Master e os negócios da empresa de Toffoli com fundos vinculados a Vorcaro. Pode não ser nada — ou ser muito.

    O abuso do segredo volta-se contra o próprio STF, oferecendo verossimilhança às narrativas políticas extremistas. Passa da hora de levantar as cortinas, iluminando o palco onde circulam os juízes de capa preta.

  9. PAÍSES RICOS PODEM TRABALHAR MENOS, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    A jornada de trabalho tem caído ao longo da história mundial. Isso decorre de uma combinação de três fatores: o enriquecimento das sociedades, a introdução de tecnologias que aumentam a produtividade e a democracia. Já voltaremos à última questão, mas podemos adiantar um fato observado por toda parte: os trabalhadores têm jornadas maiores nas ditaduras.

    Na Europa da social-democracia, trabalha-se em média 30 horas semanais. São sociedades que já chegaram lá, têm padrão de vida elevado e boa educação, que favorece a introdução de novas tecnologias. Em ambiente democrático, sindicatos, partidos e organizações civis tomaram a decisão de trabalhar menos para já desfrutar a riqueza acumulada. Dito de outro modo, essas sociedades consideram que seu atual nível de consumo já é suficiente para uma boa vida, de modo que se pode desacelerar a produção. Mas todas elas trabalharam duro, com longas jornadas. Não existe almoço grátis.

    Em que ponto se encontra o Brasil, neste momento em que se discute a redução da jornada e a eliminação da escala 6×1? O debate é democrático, e há diversas propostas na praça. Pode-se dizer, entretanto, que há maior probabilidade política de vingar a diminuição das atuais 44 horas semanais para 40, com dois dias de descanso, mantida a mesma remuneração mensal. Dois caminhos são propostos para introduzir essas mudanças: um por Emenda Constitucional, outro por Projeto de Lei, que precisa de quórum menor para ser aprovado. E que também pode ser flexibilizado mais facilmente.

    Trabalhar menos recebendo o mesmo salário é, obviamente, uma boa ideia. Tanto que pesquisas de opinião mostram eleitores de direita e esquerda apoiando igualmente a redução de jornada. Mas o debate político e as pesquisas em geral deixam de lado uma questão essencial: quanto custa trabalhar menos e, pois, produzir menos?

    É falso o argumento de que os trabalhadores, tendo mais tempo de lazer, tornam-se mais produtivos. É o contrário. Sendo mais produtivos, com mais educação e tecnologia, geram mais riqueza e podem, depois, trabalhar menos. É o que mostra a história dos países ricos.

    Dados da PNAD Contínua levantados pelo economista Alexandre Schwartsman, também comentarista da CBN, mostram que a jornada de trabalho semanal tem caído no Brasil, embora modestamente. Entre 2012 e 2015, as horas efetivamente trabalhadas chegavam a 38,9 por semana. No período entre 2022 e 2025, caíram para 38,4.

    A produtividade do trabalho não aumentou e permanece em nível baixíssimo. Trabalhar um pouco menos reduziu a produção — ou, dito de outra maneira, reduziu o crescimento do PIB per capita. Além disso, convém notar a diferença. Na lei, a jornada de trabalho é de 44 horas semanais. Na prática, considerando as horas efetivamente trabalhadas, a realidade é outra.

    Um estudo dos economistas José Pastore, André Portela e Eduardo Pastore, para a Associação Brasileira das Companhias Abertas, mostra que as jornadas efetivas no Brasil vão de 20 horas semanais a até mais que as 44 do teto legal. Revela também que as escalas têm o mesmo grau de variação. Vão de seis dias trabalhados por um de descanso, sobretudo nas empresas pequenas e médias, em comércio e serviço, até escala de 12×36 para diversas categorias. Na grande indústria e em setores do agro, mecanizados, a jornada já é de 40 horas semanais, com dois dias de descanso. No agro, trabalha-se direto no tempo da colheita, mas com pagamento de horas extras e folgas. Tudo isso foi resolvido em negociações coletivas.

    Conclusões: trabalhar menos, antes de ganhar produtividade, gerará menos produto e, pois, menor crescimento. A hora trabalhada terá custo maior para as empresas, que podem reagir aumentando preços, cortando funcionários ou trocando gente por máquinas. Temos uma democracia ativa e uma economia já bastante diversificada. As negociações coletivas resolvem melhor as situações de cada setor.

  10. GOVERNO DEVERIA ESQUECER PORTARIA QUE RESTRINGE COMÉRCIO NOS FERIADOS, editorial do jornal O Globo

    Tornou-se constrangedora a forma como o governo federal tem insistido na portaria descabida que modifica regras para o trabalho no comércio durante os feriados. A previsão era que ela entrasse em vigor neste mês, mas foi mais uma vez suspensa. Na semana passada, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, criou um grupo com representantes de empresários e trabalhadores para apresentar uma proposta consensual sobre o tema em até 90 dias. Esforço desnecessário. A ideia já deveria ter sido descartada há muito tempo.

    Editada em 2023, a nova norma estabelece que supermercados, farmácias e lojas só podem abrir em feriados por meio de acordo ou convenção coletiva firmada entre sindicatos e empresas. Ela revoga a portaria editada em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro, permitindo a abertura sem necessidade de negociação. É como deve ser. O funcionamento do comércio nos feriados facilita a vida dos cidadãos e representa importante fonte de recursos para cidades turísticas. Não há por que mexer numa regra consolidada que dá certo.

    A inconveniência e a inutilidade da nova portaria ficam evidentes pela sucessão de adiamentos. A entrada em vigor chegou a ser anunciada para março de 2024. Passou para maio, daí para julho, depois foi transferida para julho de 2025 e em seguida para março de 2026. Apesar do impacto inexorável no comércio, na economia e na rotina dos brasileiros, o Ministério do Trabalho anunciou a medida sem discussão com os setores envolvidos. Não surpreende tanta celeuma. Se fosse boa ideia, certamente já teria sido adotada. É pouco provável que o grupo de trabalho consiga em 90 dias, em ano de eleições, aquilo que o governo não conseguiu até agora.

    A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sustenta que, se a portaria vingar, há risco de lojas fecharem nos feriados, especialmente em lugares onde não há sindicatos. Também haverá aumento de custos relacionados ao trabalho, como pagamento de benefícios e encargos adicionais, além da dificuldade para definir os feriados em que o comércio funcionará. Pequenos comerciantes tendem a ser os mais afetados.

    Na época em que anunciou a portaria, Marinho afirmou atender a uma reivindicação dos sindicatos. É legítimo que representantes dos trabalhadores levem suas pautas ao Planalto. Mas, apesar dos laços históricos do PT com o movimento sindical, o governo precisa olhar para todos os brasileiros. Há outros envolvidos, e é evidente que não há consenso, ou não haveria tanta relutância.

    Embora algumas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, já disponham de legislações próprias e acordos que permitem o trabalho no comércio durante os feriados, outras sentirão o impacto da medida. É incompreensível que, num momento de desaceleração da economia, o governo acolha iniciativas que freiem o comércio e reduzam a arrecadação. Além de improdutiva, a portaria é inoportuna. Há problemas muito mais urgentes a resolver. O governo faria bem se a esquecesse.

  11. ELIAS MARTINS DA SILVA NETO

    Espero que o eleitor, contribuinte e povo gasparense esteja acompanhando esse nó górdio dessa gestão atrapalhada sem rumo e desorganizada, e no próximo pleito façam uma escolha de quem realmente conhece a cidade de Gaspar.
    A pessoa correta para isso é realmente um gasparense sério, trabalhador e honesto.
    Vive até hoje como profissional, e conhece Gaspar muito bem.
    Nome dele? Só pensar….
    Refletir. Grande veterinário renomado. E conhecido por todos. Quem ? Sim..

  12. HERMENÊUTICA NELES, por Merval Pereira, no jornal O Globo

    Mais uma vez a disputa hermenêutica ganha destaque na crise institucional em que vivemos. Hermenêutica é a ciência da interpretação de textos e símbolos para além do sentido literal, vem de Hermes, o mensageiro grego dos deuses. Como há muito tempo a Justiça brasileira vive de interpretar as leis, em vez de cumpri-las, o episódio da quebra de sigilo da família Toffoli tornou-se exemplar dessa tendência. A CPI do Crime Organizado não conseguiu maioria para quebrar o sigilo do ministro Dias Toffoli porque a base do governo, auxiliado pelo Centrão, não deixou, mesmo depois que ele foi obrigado a sair da relatoria do caso por um flagrante conflito de interesses, pois o resort Tayaya, de propriedade da empresa Maridt, dos três irmãos Toffoli, foi comprado por um grupo ligado ao banco Master.

    A CPI resolveu entrar no caso por outro ângulo, e quebrou o sigilo fiscal da Maridt para investigar uma possível ação de lavagem de dinheiro na transação. O decano do STF, ministro Gilmar Mendes, considerou que a CPI aprovou as quebras de sigilo da empresa de Toffoli “em manifesto e incontornável descumprimento dos limites” do objeto da apuração parlamentar. Segundo Gilmar, a justificativa para a “providência invasiva” é “destituída de idoneidade por completa e absoluta ausência de fundamentação válida”. O ministro considerou que a CPI incorreu em desvio de finalidade. “O requerimento (de quebra de sigilo) apresenta narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas. Há, na espécie, um verdadeiro salto lógico e jurídico: sob o pretexto de combater o crime organizado, a Comissão decreta a quebra de sigilos e a produção de relatórios sem a indicação de um único elemento concreto que vincule a ora requerente aos fatos narrados no requerimento de criação”.

    Já o senador Alessandro Vieira, relator da CPI, garante que vai insistir no caso, por indícios de que a venda do resort pode ter sido apenas uma ficção para justificar essa dinheirama na conta dos Toffoli. O problema é que essa disputa de interpretações esbarra em uma mágica jurídica cada vez mais em uso por ministros do Supremo, que superam as leis com seus poderes incontrastáveis para atingir seus objetivos. No caso do mensalão, por exemplo, o ministro Edson Fachin, sabedor que seu colega Gilmar Mendes já tinha a maioria da Turma para condenar o juiz Sérgio Moro, adiantou-se e considerou que a Operação Lava Jato, da Vara de Curitiba, estava há anos em jurisdição errada, e a transferiu para outras instâncias, a fim de evitar as ações de Mendes.

    Ressalte-se que o advogado de defesa de Lula, o hoje também ministro do Supremo Cristiano Zanin, vinha há anos reivindicando essa transferência, e sempre os ministros recusavam, inclusive o próprio Fachin e Gilmar. O relator fez ouvidos moucos, e deu sequência ao julgamento, que culminou com a condenação de Moro e a anulação de todos os processos da Lava Jato, mesmo os que não foram presididos por Moro em Curitiba e, por associação, outros de outras instâncias. Duas mágicas jurídicas.

    Nesse caso atual, Gilmar Mendes desarquivou um processo em que ele fora o relator, apenas para receber a ação da defesa da empresa dos Toffoli, por semelhança. Com isso, evitou que o juiz natural do caso, o ministro André Mendonça, assumisse a reclamação. Acatado o pedido da defesa, com o habeas-corpus concedido por Mendes, anularam-se todas as investigações relativas aos Toffoli, e o outro caso foi novamente arquivado. Destaque-se que o habeas-corpus é dado a pessoas, não a empresas. Mas desta vez foi. Perguntas que ficam no ar: como a defesa da Maridt descobriu a primeira ação, que já estava arquivada? A troco de que o caso antigo foi desarquivado? Aconteceu o que o próprio Gilmar Mendes e outros companheiros seus criticam largamente: o autor do pedido escolheu o ministro que relataria o caso. Há ilegalidades nessa ação? Como é o Supremo que decide o que é legal nesse país, nada do que seus ministros façam a principio é ilegal. Essa é uma questão que precisa ser analisada à luz da hermenêutica.

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