Se você é leitor ou leitora habitual deste espaço, então você já leu esta observação abaixo, MUITAS outras vezes. Vou repeti-la pela SEXTA vez neste ano – em tão curto espaço de tempo -, ou refrescar à memória dos “esquecidos”, ou, tornar claro para os novos por aqui, os quais inventam e encontram nas entrelinhas, “interesses” outros naquilo que publico.
AVISO NECESSÁRIO E REPETIDO MAIS UMA VEZ: este blog não é e nunca foi impulsionado, não montou nenhum grupo de WhatsApp – ou em outros aplicativos de mensagens – para dar volume de acessos – apesar de ousadas propostas neste sentido – , não é e nunca foi monetizado pelos acessos que recebe, não é e nunca foi patrocinado por particulares, empresas, dinheiro público ou de políticos, também nunca “pediu ajuda de custos” a políticos e empresários para se manter.
Acrescento: não monta premiações, não “cria” agências para disfarçadamente intermediar negócios de comunicação aos interesses dos poderosos “amigos” de plantão e também, não dá assessoria privada para políticos locais.
Se você quer republicar os artigos, por favor, só na íntegra para não descontextualizar a análise, comentário ou à crítica. E ao final de cada artigo, há botões facilitadores para replicar estes artigos via aplicativos de mensagens, e-mails e redes sociais. Estes botões fazem isso automaticamente para você. Há também espaço para a sua opinião, correções e contraponto.
Os políticos – e amigos e patrocinadores desses políticos – querem que os artigos esclarecedores como o abaixo, em novo governo que veio para mudar, sejam banidos, estão se articulando, desacreditando e farão de tudo para isso. Até poucos dias, aplaudiam-me, porque eram os beneficiados diretos com a minha clareza. E no fundo, essa forma dessa gente aplaudir quando na oposição, sufocar, desacreditar, perseguir e até processar é contra você e a cidade.
Então, exatamente por causa deles, é que este espaço é de vigia e continuará “olhando a maré” para o descontentamento dos políticos sustentados por nossos pesados impostos, cada vez mais altos e on line – ou os que manipulam à sombra do poder, descaradamente. E falsamente, ainda pregam a transparência dos atos deles; dizem que vão desnudar os dos outros, mas tudo, de verdade, que querem é que se escorra mansamente para debaixo do tapete do esquecimento eterno.
O ARTIGO
O texto original foi alterado e revisado às 10h02min, deste 16/06/2025. O que você lê aqui, percorre de forma fragmentada na cidade, sob desconfianças e medo, mas você não vê debatido publicamente, nem mesmo na Câmara de Vereadores, o que deveria ser a arena desse tipo convergência. Nesta segunda-feira vou deixar, mais uma vez, as minudências de lado. Vou trazer três retratos macros do governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e do engenheiro multititulado Rodrigo Boeing Althoff (foto abaixo, Rodrigo à esquerda e Paulo à direita). Um deles está ao final do TRAPICHE.

Paulo e Rodrigo foram eleitos com 52,98% votos válidos. A promessa clara era a de mudar o que estava torto e finalmente construir um futuro, supostamente integrado à região onde está inserida.
Ou seja, os eleitos não podem dizer foram surpreendidos pelo que acharam e ainda estão achando na prefeitura. Parte é porque não fizeram a lição de casa na tal transição. E não adianta tapar o sol com a peneira ou intimidar quem toca nestas feridas causadas pela falta de iniciativa e equipe – toda escolhida pelo atual governo – capaz à resultados diferenciais.
Outra, é que começa ficar evidente para a cidade que o Plano de Governo foi só uma peça marqueteira. Ela foi arrumada por obrigação de apresentá-la na Justiça Eleitoral quando decidiram ser candidatos.
Este discurso palanqueiro de esperança, somado ao cansaço da cidade ao que não andava e se enrolava por aqui, derrotaram um vice-prefeito que representava a continuidade de oito anos de um governo sob forte questionamento e má herança. Derrotaram um prefeito de três mandatos explorando bem a ótica ideológica da direita contra a esquerda, o que por si só, como se vê hoje, não só aqui, é pouco.
Derrotaram dois outros candidatos entrantes como como Paulo e Rodrigo e que tinham o mesmo mote do que eles: mudanças. Oberdan Barni, Republicanos, hoje alinhado com Paulo, e Ednei de Souza, Novo, que começa esboçar uma reação crítica, nem deram para o cheiro na falta de votos dos gasparenses. Ou seja, Paulo e Rodrigo, entre os três que pregavam mudanças e se diziam capazes de colocar isso em prática e consequentemente, a “casa quebrada” em ordem, foram os escolhidos pela cidade, cidadãos e cidadãs.
Então, há uma correlação direta com o diagnóstico que se tinha e os resultados que ainda não chegaram. Nem formar equipes o novo governo conseguiu. Tudo está tão parecido com o governo derrotado. Alguns já foram embora e por várias razões mal explicadas. Outros estão, notoriamente, patinando. Há também os que estão ocupando espaços e até atrapalhando. Há, concretamente, respostas que precisam ser dadas a sociedade. Nem mais, nem menos.
E o que se vê nestes primeiros cinco meses e que se sinalizava na transição? Inércia, falta de transparência, confusão interna, equipes sem comando, falta de planos, perseguição aos críticos e resultados pífios; um governo com a cara do antigo que os candidatos vencedores juravam ser problemático. E para completar, a comunicação está torta por desrespeito e interferência de curiosos ou ausência de líderes [a comunicação ficou sem titular por dois meses]. Ainda bem que se tem quatro anos e meio para mudar, ou três para a campanha da reeleição. As oportunidades estão passando. E consequentemente os resultados então não chegaram, inclusive no cheque em branco que os eleitos receberam das urnas.
O PRIMEIRO EXEMPLO DA SEMANA PASSADA I

A prefeita de Balneário Camboriú, a jovem Juliana Pavan von Borstel, filha do ex-prefeito que marcou a modernização do município, ex-senador, ex-vice e governador, Leonel Arcanjo Pavan, agora prefeito de Camboriú, ambos do PSD, em tese, é adversária do governador Jorginho Melo, PL. Ele, por enquanto, tem em seu calcanhar de reeleição do ano que vem, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, PSD e que Jorginho o quer como alinhado e candidato ao senador.
O que fez Juliana, naquilo que está fazendo desde o primeiro dia? Pondo em ordem a “casa”. Notoriamente, como faz questão de demonstrar a prefeita em seus atos, ela foi deixada em desordem por Fabrício de Oliveira, do PL de Jorginho.
Balneário Camboriú é territorialmente um município pequeno, afamado e principalmente, rico se considerarmos as receitas próprias de IPTU, IBTI e ISS. Desta vez Juliana focou no Hospital Ruth Cardoso (foto de abertura), o que nasceu quando não se tinha mais controle das dívidas e problemas do Santa Inês. Lembram-se? Então é recorrente tanto no problema e na solução.
Acima, com o o governador Jorginho Juliana exibe o papelinho que firmou para os compromissos mútuos. O governo do estado vai assumir não só a gestão do Hospital Ruth Cardoso, ou seja, colocar nele grosso dinheiro para o atendimento, funcionamento e ampliação, mas receber o imóvel e o Hospital todo aparelhado. Enquanto isso, a gestão de Juliana foca nos postinhos numa cidade de poucos, ou abrandados, problemas sociais.
Juliana simplesmente, iniciou o processo de estadualização do Ruth Cardoso. Vai dar o prédio e tudo que tem lá para o Estado. Está tirando um problemão das suas costas, sob a exagerada – e não vou me alongar nos números dela – alegação de ser ele um hospital regional e estar atendendo a uma população de quase um milhão de habitantes. E quem vai pagar tudo isso? Os impostos de todos os catarinenses. E Juliana vai focar em outros assuntos para manter a cidade atrativa, valorizada e se possível, viável do ponto de vista de circulação.
Resumindo: é um gol de placa. E pronto. E diante deste gol, eu volto.
O PRIMEIRO EXEMPLO DA SEMANA PASSADA II

E o que faz, por outro lado, o “delegado prefeito” Paulo com o saco sem fundo de recursos bons dos gasparenses para o Hospital de Gaspar (foto ao lado), dinheiro que está faltando na prefeitura de Gaspar, como sempre tanto reclama? Repetindo o que condenava na administração passada.
Uma repetição dos últimos 50 anos. Com o agravante: ninguém sabe direito quem é o dono dele e nem se pode repassar o patrimônio as queira assumi-lo integralmente como está acontecendo com o Ruth Cardoso.
Continua à falta de transparência. Continuam as queixas. Continuam as denúncias pesadas, inclusive de negligência, não proferidas por quem pode ser perseguido por processos para ficar calado e deixar com isso tudo se agravar, mas em discursos abertos na Câmara de Vereadores. Continua a intervenção Municipal sem prestação de contas mensais acertadas com o Ministério Público. Continua aquilo que não se sabe o quer ser a vocação do Hospital.
Resumindo: é caótica não só a situação econômica, financeira e patrimonial, mas a técnica e jurídica. Impressionante.
Não vou adiante, martelar no que já está martelado aqui e na cidade por anos afio, desgastando os políticos no poder de plantão, seja na incapacidade de resolver a situação, seja nas dúvidas que surgem sobre à clareza do que está acontecendo com o Hospital de Gaspar e quem pode ser responsabilizado pelos resultados, ou, principalmente à falta deles.
A própria líder do governo do “delegado prefeito” Paulo, a policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, chegou a dar o nome de quem supostamente travaria as soluções. Está gravado. Mas, o pivô de tudo isso, denunciado, continua lá, firme e forte com aval do governo que se queixou publicamente. Então…
Então se não resolve algo diagnosticado, tornado público e aparentemente tão simples de ser resolvido, como vai ser o de encaminhar e até solucionar algo tão complexo como Juliana Pavan, PSD, resolveu para o seu Ruth Cardoso? Primeiro é preciso vontade. Segundo, é preciso determinação. Terceiro é preciso ter planos e neles enxergar oportunidades. E Juliana enxergou, mesmo na adversidade política partidária. E Jorginho pode ter todos os defeitos, mas ele sabe onde o calo dói na sede imponderável de poder.
Ah, mas isso pode não dar certo. Pode. Entretanto, por enquanto, quem avançou melhor nisso – e com espetáculo estadual, foi Juliana, não Paulo Norberto Koerich, PL. Ela com habilidade, relacionamentos e equipe, transferiu a corda do seu pescoço para Jorginho. Simples Assim. Muda, Gaspar!
O SEGUNDO EXEMPLO DA SEMANA PASSADA I

A travessia da perigosa e duplicada BR-470 de um lado para o outro na altura da Rua Albertina Maba, na Margem Esquerda, lembra um episódio da madrugada do dia três de setembro de 2011, quando uma van com escolares da oestina Nova Erechim, bateu num caminhão que se atravessava na ligação dela com a Rua Hercílio Fides Zimmermann, então nossa única ligação do Centro com a rodovia [e apesar da importância até hoje o viaduto na BR 470 não está pronto]. No acidente morreram quatro no local e 12 ficaram feridas, a maioria com gravidade, quando iam ao Parque do Beto Carreiro, em Penha.
O prefeito da época, Pedro Celso Zuchi, PT, diante da comoção, estava lá na manifestação popular de indignação. Estava lá enfrentando o DNIT de seu PT com Dilma Vana Rousseff, aparelhado em Santa Catarina para o PL de Valdemar da Costa Netto e Jorginho Melo. Prometia, sem competência para isso, colocar lombadas físicas naquele “trevo” da BR 470. Alegava, queria, minimamente, criar mais segurança por lá não só aos gasparenses que precisavam cruzar a rodovia para alçá-la. Ele sabia que extrapolava a sua autoridade. Prefeito manda apenas em ruas e estradas municipais.
Entretanto, era uma forma de protesto. De junto com a comunidade ser solidário e fazê-la ser ouvida e inserida num ambiente de indignação e até solução. Era um gesto: o de estar do lado da comoção da cidade, das pessoas daqui, de outras cidades e motoristas expostos. Simbolicamente botou a sinalização, ano menos (foto acima). Marcou território no imaginário mesmo não havendo naquela época redes sociais e aplicativos de mensagens para juntar gente e reverberar o ato.
O SEGUNDO EXEMPLO DA SEMANA PASSADA II

Já o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e seus “orientadores”, diante da segunda morte no local, mesmo havendo indicação de travessia de pedestre e redutor eletrônico de velocidade que o DNIT foi forçado a colocar lá para diminuir as pressões comunitárias passadas, avaliou como uma traição, os políticos, inclusive do seu partido, reunidos com o povo lá na rodovia em protesto por uma passarela e esbaldando-se nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Alegava que estavam fazendo teatro fora da competência do município em dar soluções. Credo. Quem são os bruxos que orientam o prefeito? Em que mundo ele está?
Paulo não deixa de ter razão. Se ele não manda na rodovia, ele manda no município e a rodovia passa por sua Gaspar e está ceifando vida dos seus cidadãos e cidadãs. Isto diz respeito a ele sim, como líder político e administrador da cidade. Nem mais, nem menos.
Tanto diz respeito, depois de ver que enxugava gelo com a sua tentativa de ficar distante do assunto, tardiamente, ele e outros da sua gestão e vereadores do seu partido resolveram ir em comitiva ao DNIT, em Florianópolis, reclamar e pedir uma solução (foto acima). E para provar que estava errado, fez o que condenou nos outros: a uma emissora amiga, fez uma entrevista na rodovia se posicionando por uma passarela, urgente. Ufa! Antes tarde do que muito tarde.
Tomara que esta mudança de postura do “novo” prefeito de Gaspar, faça-o reclamar menos e tomar as rédeas das equipes nas demais urgências em defesa do saneamento das contas, da publicidade contra as dúvidas que assumiu do governo passado, da transparência do seu governo, ou seja, de enxergar oportunidade – como fez Juliana – e trabalhar para resultados que prometeu e o fizeram ser eleito por esmagadora maioria dos votos dos gasparenses. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Devido ao feriado, provavelmente, este será o único artigo da semana. Por isso, deixo uma frase de origem anônima para reflexão diante do estado de medo, insegurança e perseguição que se instalou entre nós: quando você disser ‘sim’ para os outros, certifique-se de não estar dizendo ‘não’ para você.
Um dia esta conta chega. E poderá ser tarde demais para os que ficaram calados, amedrontados ou pior, por conveniência e oportunismo, sócios da mentira e da enganação.
O secretário de Obras e Serviços Urbanos, Vanderlei Schmitz, volta a ordem do dia. Depois de cinco meses, a avaliação é de que ele é um bom burocrata de gabinete e não um solucionador dos múltiplos problemas em campo. O sinal estava dado nos primeiros dias da sua gestão, quando foi às áreas afetadas pelas enxurradas de sapatênis e saiu delas sem ser molhá-los ou sujá-los de lama.
Quem não quis ver foi quem o indicou e o sustentou este tempo todo em área tão vital para a imagem do governo. E não em grandes obras, mas nas simples de manutenção da cidade.
As queixas das pequenas coisas se avolumam e se tornaram um grande problema. Se não estancar, avaliam, vai se tornar irreversível. O secretário só pensa em motoniveladora e planilhas.
Enquanto isso, em pleno inverno o capim está ganhando das roçadas com contrato em vigor, praças e áreas de lazer sujas e comprometidas, deslizamentos de meses que uma simples Bobcat resolve continuam sendo estorvo para moradores; nem cimentar tijolos no prédio da antiga Metalúrgica Turbina que há semanas teve a remoção de moradores indesejados de lá, foi capaz. E se esta amostra é pouco, basta olhar as quase mil indicações dos vereadores: perto de 70% referem-se às demandas da pasta de Obras e Serviços Urbanos.
Pensei que se tratava de fake news. Fui verificar. Mas, não. É notícia nacional, não desmentida até o momento. O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, PL, quer que seu filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro, candidate-se como senador por Santa Catarina pelo PL de Jorginho de Melo. Viramos um estado sem representação no senado e agora, a serviço dos interesses de poder político de uma família sem qualquer identidade com o povo barriga-verde. Impressionante.
Já temos Jorge Seif Júnior, PL, em vias de ser cassado e Renan que virou vereador em Balneário Camboriú, mas que seus planos pessoais é o de se tornar deputado Federal. Nos planos da família, Michele seria senadora pelo Distrito Federal – se não for candidata a presidência ou vice -, o auto exilado deputado Federal Eduardo, candidato a senador por São Paulo, e o senador Flávio Bolsonaro, tentaria a reeleição pelo Rio de Janeiro.
O Conselho Tutelar de Gaspar é composto de cinco titulares. Há semanas, trabalha, sobrecarregado com apenas três. Uma pergunta que não quer calar: não deveria haver uma eleição suplementar para resolver este tipo de assunto em ambiente tão essencial, ainda mais numa comunidade dormitório, em expansão, com graves conflitos familiares e de notória vulnerabilidade social?

Pensando bem. O governador Jorginho Melo, PL, destinou R$10 milhões para pavimentação em Gaspar no tal “SC Levada a Sério”. Se a gente olhar para os R$12 milhões, gastos há quatro anos para se fazer menos de um quilômetros do Pasto do Jacaré – e que se teima em não buscar explicações – estes R$10 milhões não vão dar nem para o cheiro.
Vai se tornando uma marca. E perigosa à medida que se aproxima a eleição do ano que vem. O governo de Jorginho Melo, PL, vira e mexe está mais nas páginas políticas com senso de casos de polícia.
Ora se a maioria dos inscritos no tal “Universidade Gratuita”, que de gratuita não tem nada, pois somos nós catarinenses que pagamos esta pesada conta com nossos impostos, burlou o sistema de fiscalização nos parâmetros de acesso, está claro de que há fragilidades de controle. Pior. A constatação do Tribunal de Contas mostra também, o caráter de jovens sob suspeição, futuros profissionais. E a maioria dos problemas detectados está em estudantes de Direito e Medicina. Credo.
Coisas de Gaspar. E amigos. Só aqui ocupam os espaços públicos, tornam-os particulares e depois correm atrás para regularizar a situação, principalmente como Vias Projetadas e até ruas regulares e denominadas. O Bela Vista Country Clube, comprou para a expansão dele, um terreno vizinho. Entre o clube e os imóveis que comprou, existia a Rua XV de Julho, assim denominada numa lei que passou pela Câmara e foi assinada no 27 de outubro pelo ex-prefeito Luiz Fernando Poli, como sendo 604/78.
Nada de errado, se não houvesse um tapume no local impedindo á livre circulação na Rua XV de Julho. Ela não foi comprada e nem compensada pelo clube ao município. Ao menos nada disso aportou na Câmara até agora, ou no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano onde deveria ser levada para fechá-la. Por quê? Antes desse fechamento, mesmo que não atenda à função de rua, é preciso haver a desafetação e esta área, possui um valor para o município que de alguma forma precisa ser compensado. O clube sempre cobrou da prefeitura o uso das suas dependências para eventos públicos. E está certo. Por enquanto, em tese, a rua existe e é de uso comum, porque é ainda pública. Há outras com o mesmo defeito de circulação em Gaspar. Muda, Gaspar!
Hoje, haverá uma outra rara reunião do colegiado do governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e do engenheiro multititulado Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. E com caras novas. Ambos poderiam abrir o site da Câmara e clicar em indicações. Um boa listinha para o básico já que não se tem nenhum projeto dinâmico e relevante. A população agradeceria.
Perguntar não ofende: o que é feita da CPI do Capim Seco presidida pelo vereador Ciro André Quintino, MDB, e relatada pela vereadora líder do governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL? Por que não se transmite as suas reuniões? Por enquanto, apenas um discreto e confuso press release
15 comentários em “QUEM NÃO ENXERGA OPORTUNIDADES TAMBÉM NÃO PLANTA E COLHE RESULTADOS. CINCO MESES DEPOIS DA POSSE E OITO DA VITÓRIA, A GESTÃO DE PAULO E RODRIGO INICIA UM ESFORÇO MARQUETEIRO PARA SAIR DA INÉRCIA”
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AMPLIAÇÃO DA CÂMARA DESAFIA VONTADE POPULAR, editorial do jornal O Globo
Deveria servir de alerta aos congressistas o resultado de pesquisa Datafolha mostrando que três em cada quatro brasileiros (76%) são contra o aumento do número de deputados federais de 513 para 531, aprovado pela Câmara no início do mês passado e em análise no Senado. De acordo com o levantamento, apenas 20% se mostraram favoráveis.
Pela Constituição, cada uma das 27 unidades da Federação tem no mínimo oito e no máximo 70 deputados, dependendo do tamanho da população. Em agosto de 2023, ao julgar ação impetrada pelo governo do Pará, o Supremo Tribunal Federal fixou prazo, até 30 de junho deste ano, para que o Congresso redistribuísse as cadeiras com base na população apurada pelo último Censo — isso não acontecia desde 1993. O que era para ser um rearranjo das bancadas acabou se transformando em oportunidade para aumentá-las. A aritmética criativa dos congressistas resultou no acréscimo de 18 deputados, realidade que destoa de outros países. Os Estados Unidos têm o mesmo número de representantes (435) desde 1929. A Itália reduziu os seus de 630 para 400. A Alemanha, de 736 para 630. E por aí afora.
Se confirmado, o inchaço custará R$ 64,6 milhões anuais, segundo cálculo da própria Diretoria Geral da Câmara. O valor leva em conta apenas custos diretos, como salários dos novos deputados, estruturas de gabinete e outras despesas do mandato. Sem falar nas emendas parlamentares. No ano passado, cada deputado teve direito a R$ 38 milhões apenas em emendas individuais. Uma conta trivial de multiplicação mostra que, mantido esse patamar, os custos chegariam perto de R$ 750 milhões. Em meio à grave crise fiscal do país, aumentar despesas é um contrassenso. Tanto que a Câmara tem cobrado acertadamente do governo medidas para equilibrar suas contas.
O aumento também geraria efeito cascata nas Assembleias Legislativas, uma vez que a Constituição vincula o número de deputados estaduais ao tamanho das bancadas na Câmara. Levantamento feito pelo GLOBO mostrou que a criação de 30 novas vagas nas Assembleias teria impacto anual de quase R$ 75 milhões nos cofres estaduais — apenas em custos diretos.
Pela proposta aprovada, a partir de 2027, os estados que deveriam perder cadeiras ficariam como estão, enquanto aqueles cuja população passou a ser proporcionalmente maior ganhariam deputados. Seus defensores alegam que a simples redistribuição resultaria em perda de recursos de emendas para alguns estados e em desequilíbrio federativo. É um argumento sem sentido. Os recursos das emendas no Brasil já são exorbitantes e precisam ser cortados — para todos os estados.
Atualizações periódicas de bancadas são necessárias para equilibrar distorções da demografia. É natural que, ao longo das décadas, determinados estados ganhem população e outros percam. O certo seria recalibrar as bancadas. Por isso o Senado tem obrigação de barrar a irresponsabilidade gestada na Câmara. O Brasil não precisa de mais parlamentares, categoria que integra a elite do funcionalismo. Congressistas deveriam olhar com atenção a pesquisa Datafolha. Insistir em ampliar a Câmara para manter seus interesses paroquiais significa ir na contramão do que pensam os brasileiros. Para quem vive sob constante escrutínio do eleitorado, não é bom desafiar a vontade popular. A resposta poderá vir nas urnas.
O que corrói o poder aquisitivo das pessoas além da inflação alta, é também a criação e aumento de impostos pelo governo. Sobre isto, a maioria dos analista econômicos, mas principalmente o governo estão num silêncio criminoso. O dinheiro que deveria gerar riqueza, o governo toma como imposto para cobrir ineficiência, desperdícios, ladroagem e corrupção dos seus
O COPOM FEZ A COISA CERTAAO SUBIR JUROS, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
O regime de metas de inflação baseia-se em teoria e décadas de prática mundo afora. Introduzido no Brasil em 1999, o sistema funciona bem em todas as economias relevantes. Sendo combinação de ciência e arte, há espaço para divergências. Nesta semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou a taxa básica de juros (Selic) de 14,75% para 15% ao ano. Foi meia surpresa.
A maior parte dos analistas esperava manutenção da taxa. Parte minoritária acreditava na alta. Mas todos entendiam que qualquer opção fazia sentido. E, mais importante, ninguém contava com redução dos juros. A divergência, portanto, estava no detalhe de 0,25 ponto percentual — inexpressivo para o objetivo de trazer a inflação para 3% ao ano, isso lá em 2026.
Entre os analistas que trabalham com o modelo de metas, há mais consensos que diferenças. Entendem que a Selic elevada é necessária para levar a inflação anual dos atuais 5,3% (medida até maio último) para os 3% definidos pelo Conselho Monetário Nacional.
Não tem caixa-preta. Todos os movimentos do Banco Central (BC) são públicos, explicados em atas de reunião, relatórios diversos e documentos teóricos, disponíveis no seu site oficial. Nesse material, verifica-se que as projeções mostram inflação acima da meta até 2026. Fora do governo, as projeções dos analistas apontam na mesma direção, embora os números não coincidam perfeitamente.
Nasce daí o consenso do regime de metas. Se a inflação atual e as projeções rodam acima da meta, a taxa básica de juros deve subir o tanto necessário para derrubar o nível geral de preços. Não se trata, portanto, de achismo, praticado por tantos políticos mundo afora.
Não é só Lula que fica de bronca com o BC. Trump já ameaçou demitir o presidente do Federal Reserve (o Fed) se ele não reduzisse os juros “imediatamente”. Na verdade, nem ele nem Lula podem demitir “seus” presidentes de BCs. As instituições têm independência, seus diretores têm mandatos.
Voltando às metas. Como é sempre difícil cravar o número, muitos bancos centrais trabalham com intervalos de tolerância. No caso brasileiro, a margem é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Logo, entre 1,5% e 4,5% ao ano, a inflação brasileira estará dentro do intervalo de tolerância. Mas fora da meta. A tolerância existe para abrigar situações excepcionais. De repente, vem uma baita seca, derruba a produção de alimentos e eleva os preços do momento. Se a inflação estiver rodando na meta de 3%, pode subir até 4,5% sem que o BC precise reagir a esse acontecimento excepcional. Tem tempo para esperar que os preços se acomodem.
Mas, se o BC brasileiro “mirar” no teto da meta — como quer muita gente por aqui —, é certo que a inflação ultrapassará essa margem de 4,5%. Mesmo pequenos movimentos dos preços já levariam a inflação a níveis que exigiriam juros ainda mais altos.
Tudo considerado, está errado quando membros do governo dizem que a inflação brasileira está controlada, “só um pouquinho” fora do teto da meta. E que, por isso, o BC poderia reduzir juros ou pelo menos não os aumentar. Se o BC agisse assim, a inflação subiria a níveis acima dos 10%, como já aconteceu por aqui, na época de Dilma.
Por que mesmo é importante ter uma inflação baixa? Porque a inflação destrói o poder aquisitivo da população, especialmente dos mais pobres, que não têm como se defender da alta de preços.
O controle da inflação não depende apenas do Banco Central. Quando eleva os juros, o BC tem o objetivo de esfriar a economia, diminuir crédito e consumo. Trata-se de conter a demanda excessiva, aquela que cresce além da capacidade produtiva e causa alta de preços.
Se o governo, em movimento contrário, aumenta seus gastos e a oferta de crédito subsidiado, isso aquece a economia e favorece a inflação. E exige que o BC eleve os juros muito mais do que precisaria. Se o governo cortasse gastos, o trabalho do BC seria mais suave e rápido. Na ânsia de distribuir bondades para cativar o eleitor, o governo corre o risco de elevar a inflação que o derrotará.
O vergonhoso governo Lula, do PT e da esquerda do atraso que inclui o PDT. Quem vai pagar o que sindicados e associações roubaram dos idosos pobres, doentes e analfabetos, com aval do aparelho estatal serão todos os brasileiros. É isso que está se pedindo ao amigo STF
A CARA DE PAU, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Na semana passada, a Advocacia Geral da União – o governo Lula – pediu ao Supremo o aval para que o ressarcimento a aposentados e pensionistas roubados fique de fora das regras fiscais em 2025 e 26. A demanda tem por fundamento o discurso – cara de pau – da imprevisibilidade. A AGU quer vender que esse assalto seria ocorrência excepcional, como se desastre natural. Uma enchente.
Assim: o INSS, instituição subordinada ao Ministério da Previdência, é infiltrado e pilhado por vários anos, a República não apenas deixa a roubalheira se estabelecer como mesmo lhe facilita o crescimento, o crime é afinal descoberto – e então a União reivindica a excepcionalidade do evento. Lupi e seus wolneys não tinham como prever.
O governo quer do STF o reconhecimento de que o Executivo nada tem a ver com a rapinagem, cara de pau por meio da qual solicita também a chancela do tribunal ao pedido por – a turma é previsível – abertura de crédito extraordinário. Atenção à generosidade: quer o crédito extraordinário para que a restituição seja agilizada.
O argumento bondoso da agilidade – para que os roubados sejam ressarcidos logo, antes da eleição. Propõe-se a fabricação de dinheiros à margem do arcabouço fiscal. E se pretende que acreditemos em que a grana roubada será encontrada e recomporá os cofres públicos. Nunca será.
Sejamos ainda mais claros: o governo pedirá fundo extra para pagar a conta, fazer uso político da restituição e então deixar morrer a busca pelos dinheiros larapiados. Ninguém sabe a quanto irá a fatura. O ministro da Previdência fala em algo entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões – talvez R$ 4 bilhões. A AGU pediu o bloqueio de R$ 2,5 bilhões das entidades investigadas. Essa bolada não foi ainda recuperada e não há previsão sobre quando – e se – será. Nunca será.
Sejamos ainda mais claros: a União quer tirar o corpo fora geral. A estratégia – que o pedido ao STF escancara – é de se tornar vítima. O pedido é para que o Executivo seja desresponsabilizado – como se esse esforço por restituir os roubados fosse um favor do governo Lula. O próximo passo seria transformar a devolução dos bilhões pilhados em algum programa social.
A AGU também pediu ao Supremo – sob essa lógica do “não é comigo” – que suspenda todos os processos judiciais que pleiteiem a responsabilização da União e do INSS pelos roubos via descontos associativos. Em nome – olhe a cara de pau de novo – de se preservar a capacidade administrativa do INSS…
Examinado o mérito da questão, deveria ser declarada a inconstitucionalidade de o cidadão roubado exigir também o pagamento de indenização. É o que se demanda. A AGU pede ao STF que suspenda – que declare inconstitucional – o recurso a um direito individual assegurado pela Constituição.
Relator da matéria, o ministro Dias Toffoli convocou audiência de conciliação a respeito para a próxima terça-feira.
Quem fez esta sacanagem contra nós? Os que elegemos para nos representar. E eles se elegeram com os nossos votos, mas principalmente usando as bilionárias verbas dos fundos partidário e eleitoral, dinheiro dos pesados impostos que foram tirados da infraestrutura, desenvolvimento, Saúde, Educação´, Assistência Social
E na hora de votar não pensaram no povo que os elegeu e paga a conta cara da eleição deles e agora da luz, mas das grande e afortunadas empresas, lobbies e interesses que não são os da nação. Simples assim. E pior, ainda querem criar mais vagas de deputados federais, com mais estrondosos custos, ao invés de redistribuir as já muitas 513 proporcionalmente a população de cada estado, como manda a Constituição.
Resumindo, vergonha, incluindo os catarinenses que concordaram com essa mazela inexplicável.
MAIS UMA DEROTA PARA O CONSUMIDOR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A sessão conjunta do Congresso realizada na terça-feira passada expôs mais um capítulo da queda de braço entre o governo e o Legislativo. Mas, desta vez, o maior derrotado foi o consumidor de energia, que pagará caro por mais um desarranjo no disfuncional setor elétrico que deve custar R$ 197 bilhões em 25 anos, segundo a PSR, uma das principais consultorias do País.
A derrubada de vetos presidenciais à lei que criou o marco das eólicas em alto mar (offshore) passou longe do interesse público. Marcada pela subjacente disputa de poder entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a votação resultou em incentivos descabidos e injustificáveis a todo tipo de fonte de energia, mesmo aquelas que há anos não precisam de qualquer benefício para se sustentar.
Generosos quando se trata de fazer cortesia com o chapéu alheio, os parlamentares garantiram a prorrogação de contratos firmados há 21 anos no âmbito do Proinfa. Criado após o racionamento de 2001, o programa estabeleceu incentivos vultosos para diversificar a matriz elétrica, garantindo a construção de algumas das primeiras pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), eólicas e usinas de biomassa do País.
Vinte anos depois, o cenário mudou radicalmente. Com o avanço da tecnologia, os preços da energia renovável despencaram, a ponto de atualmente representarem quase metade da eletricidade gerada no País, segundo o Ministério de Minas e Energia.
O encerramento dos contratos do Proinfa não extinguiria essas usinas pioneiras, mas obrigaria seus donos a reduzir substancialmente seus preços para vencer os leilões, e, portanto, sua margem de lucro. Hoje, elas geram energia a cerca de R$ 549,97 por megawatt-hora (MWh). Para ter uma ideia, no leilão de energia nova de 2022, eólicas novinhas em folha foram contratadas a um preço médio de R$ 171,20 por megawatt-hora, incluindo sua construção.
Ainda assim, os parlamentares acharam por bem assegurar a renovação dos contratos dessas usinas já completamente amortizadas por preços absurdos por mais 20 anos, e mesmo que não haja demanda para essa eletricidade. Para não serem acusados de privilegiar um segmento em detrimento do outro, deputados e senadores também asseguraram uma reserva de mercado à produção de hidrogênio renovável a partir de etanol no Nordeste e a obrigação de contratação da energia gerada por eólicas no Sul.
Eis a razão pela qual o Brasil é conhecido como o país da energia barata e da conta cara. Todos esses custos serão repassados às contas de luz, exigindo reajustes mais elevados nas tarifas de energia. Outros trechos da lei que haviam sido vetados pelo presidente Lula da Silva ficaram para a sessão conjunta do Congresso que será realizada em julho, mas, a julgar pela votação desta semana, tudo indica que eles serão derrubados, garantindo benesses também a termoelétricas a gás, painéis solares e até mesmo usinas movidas a carvão, independentemente do custo e das externalidades.
Ao derrubar os vetos, os parlamentares não afrontaram somente o ministro Silveira e o presidente Lula. Quem está sob ataque é o marco do setor elétrico, que estabeleceu condições para a concorrência entre as mais diversas fontes de energia nos leilões a fim de impedir que um apagão como o de 2001 voltasse a acontecer. Entre seus princípios estava garantir a qualidade e a continuidade do serviço com modicidade tarifária, ou seja, pela menor tarifa possível para o consumidor.
A lei, por óbvio, precisa de mudanças para aprimorar o planejamento e a segurança do setor elétrico, que mais recentemente passou a ter de lidar com desafios adicionais, como a intermitência das fontes renováveis e os eventos climáticos extremos. Mais uma vez, no entanto, os parlamentares optaram por privilegiar os empresários que orbitam no Congresso em detrimento do interesse público. Quando a conta chegar – e ela chegará –, responsabilizarão a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como se não tivessem qualquer responsabilidade sobre o tarifaço que ela terá de aplicar.
A contradição vergonhosa do governo do PT, que diz cobra impostos para dar aos pobres, mas quando ele próprio não se dá ao exemplo
GASTO COM MORADIAS DE EMBAIXADORES REFLETE DESCASO COM DINHEIRO PÚBLICO, editorial do jornal O Globo
Há quem possa argumentar que R$ 174,8 milhões pouco representam num Orçamento de R$ 2,2 trilhões. Mas a cifra — correspondente à despesa com aluguéis e funcionários das residências oficiais em 188 postos diplomáticos, segundo dados obtidos pelo GLOBO — é exorbitante, considerando o fausto dessas acomodações. Comprova o descaso da nossa diplomacia com o dinheiro público. Nada justifica que se gastem milhões com coberturas, mansões e palacetes no exterior.
É questionável o Brasil pagar 317 mil francos suíços (R$ 2,16 milhões) pelo aluguel da residência oficial em Genebra do chefe da Missão Permanente do Brasil junto às Nações Unidas (ONU), cuja sede fica em Nova York. Ao todo, as despesas com a casa em Genebra custam R$ 5,2 milhões ao Erário, primeiro lugar na relação de gastos com moradia, seguida por Buenos Aires, Vaticano, Washington, Roma e Haia.
Em Estocolmo, capital da Suécia, o Brasil mantém uma de suas residências diplomáticas mais caras — a sétima da lista. Trata-se de um casarão de dois andares construído no século XIX na Ilha de Djurgården, bairro nobre e turístico, a 25 minutos da sede da embaixada. Com amplo jardim, é chamado de Villa Mullberget e tem um selo de valor histórico, concedido pelo Museu da Cidade de Estocolmo. O aluguel mensal é R$ 117 mil, ao câmbio atual. Por ano, US$ 250 mil (R$ 1,4 milhão). O custo total da moradia é R$ 2,46 milhões anuais, incluindo três funcionários que também cuidam da manutenção do imóvel, além de gastos com serviços de segurança. A Suécia é o 53º destino das exportações brasileiras.
O descompasso entre a relevância comercial e as despesas com moradia de diplomatas parece não ter importância para o Itamaraty. A residência oficial do embaixador em Praga, capital da República Tcheca — 124º destino das exportações brasileiras — é um palacete de dois andares, a 6 quilômetros da embaixada. Aluguel e despesas com quatro empregados custam R$ 2,14 milhões anuais, nono lugar na lista de gastos. Outro exemplo é a Áustria, 108º importador de produtos e serviços brasileiros — na capital, Viena, está a 16ª residência diplomática mais dispendiosa (R$ 1,7 milhão ao ano). Há ainda uma cobertura em Budapeste, na Hungria, 93º destino das exportações brasileiras, alugada por US$ 14 mil mensais (R$ 78,8 mil). Fica a dois quarteirões do Rio Danúbio, ponto nobre.
Diplomatas costumam justificar a suntuosidade das moradias como necessidade do cargo e afirmam que postos como Buenos Aires ou Washington justificam o custo. Mas que dizer de o terceiro maior gasto com residência de embaixador (R$ 3,31 milhões por ano) ser no Vaticano? Em Roma, o Brasil já mantém, desde a década de 1920, sua embaixada no Palazzo Pamphilj, na Praça Navona, comprado em 1960 por Juscelino Kubitschek. Ainda assim, gasta R$ 2,9 milhões por ano para abrigar o embaixador. Enquanto governo e oposição se digladiam em torno da necessidade de enxugar gastos, o rol de despesas do Itamaraty no exterior comprova que sempre há onde cortar.
Para ajustar uma distorção esperta e antiga, cria-se outra, com mais custos e distorções. A Câmara é a representação proporcional de cada estados com dois parâmetros: o máximo e o mínimo de deputados mesmo que tenham população a mais ou a menos. Pressionado por questionamentos o Supremo Tribunal Federal, que quer aplicar a Constituição deste quesito, os deputados Federais, não estão dispostos a diminuir a representação de quem teve a população diminuída segundo o Censo do IBGE, nem aumentar os que tiveram a população aumentada. Querem a farra e sair de 513 – já um exagero – para 531 e com a descarada mentira de que isso não aumentaria os custos. Está nas mãos do Senado o serviço de Casa
QUEM PRECISA DE MAIS DEPUTADOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
O brasileiro pode estar calejado pelo corporativismo do Congresso Nacional, mas ainda demanda sensatez por parte dos parlamentares.
O projeto de lei complementar que amplia de 513 para 531 o total de assentos na Câmara dos Deputados —e força um gasto adicional de R$ 64,6 milhões ao ano pelo erário— é uma dessas medidas rechaçadas pela população, como mostra o Datafolha.
Segundo a pesquisa, publicada na terça-feira (17), 76% dos brasileiros são contra a expansão e apenas 20% a aprovam.
No mesmo dia em que esses resultados foram divulgados, o Senado pautou a votação do texto, já aprovado pela Câmara. A deliberação acabou suspensa, mas a decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de programá-la para a próxima semana sinaliza que interesses dos parlamentares tendem, mesmo sob algum embaraço, a prevalecer sobre os do país.
O projeto não passa de interpretação distorcida da determinação do Supremo Tribunal Federal para que as cadeiras sejam redistribuídas de acordo com os dados do Censo 2022.
A decisão do STF é correta por cumprir a exigência do artigo 45 da Constituição, ignorada há duas décadas pelo Congresso, que estabelece a proporcionalidade entre o tamanho das bancadas e as populações dos estados.
A equação seria simples: as sete unidades da federação que registraram decréscimo populacional perderiam assentos a partir das eleições de 2026. Outras nove, nas quais se apurou aumento do número de habitantes, ganhariam novos postos. O total de deputados seria mantido em 513.
Contudo não foi essa a conta paroquial da Câmara, onde o projeto nasceu. Seu presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), preferiu a artimanha de ignorar o corte de parlamentares de estados com população em queda e de acrescentar 18 novos postos na Casa —o que gera, em efeito cascata, mais 34 assentos nas Assembleias estaduais.
Já existem assimetrias representativas na Câmara. Num exemplo, a imposição constitucional do teto de 70 deputados por unidade federativa condenou os eleitores de São Paulo, o estado mais populoso do país, à sub-representação. Essa distorção permanecerá intocada.
Ao ordenar que o Congresso deliberasse sobre a correção do tamanho das bancadas até 30 de junho, o STF não contemplou a hipótese de elevação do total de cadeiras. Ao Senado, agora, cabe ouvir a sensata contrariedade dos brasileiros com uma resoluta negativa a tal embuste.
GOVERNO FRACO, CONGRESSO DESTRUTUTIVO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Se havia alguma dúvida quanto à fraqueza política do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional, esta semana tratou de dissipá-la.
A tentativa parlamentar de derrubar os decretos presidenciais de aumento do IOF tramitará em regime de urgência. Houve ainda ameaças abertas de que dificilmente será aprovada a medida provisória que elenca providências com o objetivo de diminuir, de modo precário, o déficit das contas do Tesouro Nacional.
Na terça-feira (17), foi instalada Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar o roubo de parte de aposentadorias e pensões do INSS. Ademais, uma série de vetos presidenciais foi derrubada com facilidade, para não dizer com escárnio pelos interesses do país.
A debilidade política da administração petista, de fato, é evidente desde as eleições de 2022.
O presidente venceu a disputa por margem mínima de votos; no Congresso, é francamente minoritário em termos numéricos e ideológicos. Jamais conseguiu firmar coalizão que levasse para o governo apoios bastantes dos partidos que receberam ministérios e outros cargos. A articulação política foi desde sempre inábil.
A estratégia de elevar despesas de forma temerária e, a seguir, tentar obter receitas suficientes mostrou-se inviável desde meados de 2024, o que tornou a Fazenda muito dependente de medidas pontuais e da boa vontade decrescente dos parlamentares.
O governo fica cada vez mais acuado —situação que apenas se deteriora com a falta de vontade de apresentar um programa fiscal capaz de redundar em acordo político que ao menos atenue o perigo do endividamento.
A querela judicial das emendas parlamentares e a voracidade de deputados e senadores por recursos escassos, se não inexistentes, emparedam Lula 3, que, além do mais, padece de taxas baixas de aprovação do eleitorado.
Na terça (17), o Congresso não só derrubou vetos presidenciais. Também afrontou a racionalidade econômica e o planejamento da produção de energia elétrica, insumo essencial. Os parlamentares restabeleceram subsídios, reservas de mercado e outros favores a fontes de energia ditas alternativas ou mais caras, a fim de beneficiar lobbies empresariais.
A conta de luz aumentará para consumidores. Será gravemente prejudicado um planejamento que possa levar em consideração a demanda real de energia, preços de mercado, impactos ambientais, novidades tecnológicas e conveniências operacionais. Dificultou-se a gestão de um setor já regulado de modo caótico.
O governo Lula desperdiçou a oportunidade de início de mandato para formar uma aliança partidária forte, com divisão efetiva de poder, e tomar medidas mais difíceis para o equilíbrio orçamentário. Na falta de liderança, o Congresso já se entrega a cálculos para as eleições de 2026, cuida de seus bilionários interesses paroquiais e deixa a economia do país à própria sorte.
O PT, Lula, Janja, Gleisi, o PT e a esquerda do atraso são visceralmente o contra o mundo evoluir, as pessoas se atentenarem, só porque eles pararam no tempo e não se adaptaram o então eficaz discurso mentiroso e demagógico aos novos tempos que já chegam a Inteligência Artificial, mesmo entre os pobres que já não são tão dependentes assim do assistencialismo de misérias estatais com grosso dinheiro dos nossos impostos que suporta o populismo dos governantes de plantão. Mesmo apanhando impiedosamente como mostram TODAA AS pesquisas mais recentes.
RICOS E POBRES, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo
A “fórmula mágica” adotada pelo Planalto para manter esperanças de vitória em 2026 é basicamente retornar ao Lula do “rico contra os pobres” de uns 30 anos atrás. É quando ele perdia eleições. Implícita nessa postura está a constatação, também dentro do Planalto, de que o “simples” assistencialismo não funciona mais como fábrica de votos. Daí a “pegada” mais agressiva, abraçada também pelo ministro da Fazenda – que está devolvendo ao “mercado” o aberto desprezo com que vem sendo tratado nos bastidores.
Assim, em vez de “luta de classes” fala-se em “justiça fiscal” para explicar aumento de impostos para empresas e classe média” – de onde se pretende extrair os tapa-buracos no orçamento público causados pela política fiscal irresponsável (aliás, não só do Executivo). Afinal, são “ricos”, então paguem. E, se estão reclamando, é porque nós (o governo) estamos fazendo a coisa certa.
Uma medida de caráter descaradamente populista, como baixar a conta de luz para uma faixa encarecendo para outra, sai envernizado de “faremos os ricos pagarem as contas dos pobres”. Esse tom transparece nas falas de Lula na recente reunião do G-7, descrito como uma espécie de “clube dos ricos” em contraste com o G-20, que tem ali um certo número de países “pobres”.
O público alvo são as faixas de renda de até dois salários mínimos, nas quais Lula costumava manter sólida vantagem eleitoral sobretudo no Nordeste. É nesse segmento que políticas de assistência social têm funcionado menos, mas é onde se espera que a tática do “ricos contra pobres” produza algum tipo de galvanização.
Ocorre que o grande problema é exatamente o eixo central em torno do qual tudo gira: Lula. É impossível para os estrategistas no Planalto admitirem que na erosão estrutural da imagem do presidente reside seu maior obstáculo. O que se cristaliza em largas parcelas do eleitorado é a percepção de um governo inoperante, sem liderança efetiva, sem uma mensagem clara.
E empenhado agora em ampliar a exposição de Lula, o que equivale a insistir numa tática que as pesquisas demonstram não estar funcionando – Lula aumentou o tempo de palanque, mas os números a favor não subiram. É insistir no enredo e formato da época em que uma novela parava o País, quando agora o “streaming” está substituindo a novela – também nas faixas mais pobres.
É difuso, porém extraordinariamente poderoso, o tipo de sentimento que está se sedimentando em relação a Lula e seu governo. Chama-se cansaço. Para combatê-lo estão vestindo o velho personagem com as roupas empoeiradas de antigamente. Até isso cansa.
GOVERNO CONTA COM RECESSO PARA RESPIRAR, por Vera Magalhães, no jornal O Globo
Lula não tem sequer uma boa notícia para comemorar no primeiro semestre de 2025. Não à toa, depois de algumas mudanças ministeriais no início do ano para inaugurar o que seria a fase das “entregas” do terceiro mandato, hoje a coisa mais difícil é achar um ministro disposto a dar as caras para defender a administração, que vai levando um 7 a 1 por dia no Congresso sem esboçar plano de reação.
As obras não apareceram, as viagens aos estados foram episódicas, sem nada de memorável — pelo contrário, numa recente ida a Pernambuco Lula chegou a dizer que Deus deixou o sertão sem água porque sabia que ele seria presidente e resolveria o problema —, e nem aquele apelo para que assuma pessoalmente a articulação política parece fazer sentido num momento de completo afastamento entre Executivo e Legislativo.
O presidente recebeu Hugo Motta (Republicanos-PB) e seu antecessor Arthur Lira (PP-AL) sábado no Alvorada. Nada aconteceu, e nesta segunda-feira o governo tomou uma derrota de lavada na votação da urgência para a votação dos Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) para derrubar um já desidratado decreto de elevação do IOF.
De nada adianta a cantilena que lideranças governistas tentam vender nas conversas em off segundo a qual a votação da urgência não necessariamente significa que o mérito dos PDLs será aprovado. Só quem nunca pisou no carpete verde da Câmara pode se convencer desse blá-blá-blá.
As semanas de trégua que o governo terá, graças aos santos juninos e a seus festejos de grande potencial eleitoral, só seriam relevantes se os responsáveis pela suposta articulação política e a equipe da Fazenda tivessem o que oferecer no lugar do IOF. Mas já ficou claro que ninguém fala a mesma língua nesse capítulo.
Existe uma incompatibilidade fundamental entre a composição da base aliada e o time escalado para ser seu interlocutor. Enquanto os partidos do Centrão vão aumentando sua indisposição em relação à agenda de Lula para o Brasil, os escalados para toureá-los são 100% petistas, dos líderes na Câmara, no Congresso e no Senado aos ministros do Palácio do Planalto.
O placar da votação da urgência dos PDLs escancarou o que isso significa: menos de 100 votos é o que o núcleo petista da articulação política comanda hoje. No Senado, o cálculo de lulistas desolados e preocupados é que esse grupo fiel não chegue a 20 dos 81 senadores.
Se as nuvens carregadas sobre o arcabouço fiscal não fossem suficientes para prenunciar um segundo semestre tão complicado quanto o primeiro, Lula ainda recebeu de presente de Davi Alcolumbre (União-AP) a leitura do requerimento de criação da CPI Mista do INSS.
Depois do tão esperado recesso, nada indica que o trem volte aos trilhos, pois o Legislativo segue colocando lenha na fogueira onde ardem a popularidade e a governabilidade do petista.
É nesse cenário de conflagração que o governo precisará aprovar, até 30 de setembro, o projeto que amplia a isenção de Imposto de Renda da Pessoa Física para quem ganha até R$ 5 mil, considerado a cartada mais certeira de Lula para recuperar sua popularidade e, consequentemente, sua dianteira nas pesquisas de intenção de voto para o ano que vem. Esse é o prazo para que a mudança valha em 2026 — e, mesmo assim, será uma perspectiva apenas para a declaração de IR de 2027, com efeitos nas urnas ainda a ser medidos.
O clima na Esplanada oscila entre a apatia, a desconfiança entre ministros e a admissão de que são poucas as armas disponíveis para mudar essa clara disposição do Congresso de complicar a vida do governo. Só liberar as emendas, agora, parece pouco diante de um quadro em que deputados e senadores parecem não acreditar mais nas chances de reação do presidente e de seu combalido exército
PROLIFERAÇÃO DE ‘GATOS’ DE ENERGIA DEVE SER ENCARADA COMO CASO DE POLÍCIA, editorial do jornal O Globo
É paisagem corriqueira nas metrópoles brasileiras o impressionante emaranhado de fios pendendo dos postes, grande parte puxando energia da rede sem pagar e gerando riscos para a segurança. São inúmeros os “gatos”, apelido popular dos furtos de energia. Pode parecer problema menor, diante de tantas outras mazelas. Mas não é. Um relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostrou que perdas não técnicas — causadas por furtos, fraudes ou erros operacionais — impuseram prejuízo de R$ 10,3 bilhões ao setor de distribuição no ano passado. Esse valor representa quase o custo previsto do programa federal Pé-de-Meia (R$ 12 bilhões), incentivo à permanência de alunos no ensino médio.
Pelos dados da Aneel, o problema está concentrado. Apenas duas concessionárias — Light, no Rio de Janeiro, e Amazonas Energia — respondem por mais de um terço dessas perdas (34,1%). Elas ocorrem sobretudo na rede de baixa tensão, onde o controle é mais difícil. Contribuem para a distorção ligações clandestinas, adulterações em medidores, desvios da rede e falhas na medição ou no faturamento.
A Aneel não aplica penalidade às concessionárias quando metas de redução de perdas não são alcançadas, mas limita o repasse desses valores às tarifas. Portanto as empresas que não conseguem controlá-las absorvem prejuízo. A ideia é que isso funcione como incentivo para que invistam em medidas de combate às fraudes. Mesmo assim, a conta sobra para o consumidor, uma vez que as perdas em níveis considerados “eficientes” são incorporadas às tarifas.
No caso dos “gatos”, parece evidente que a solução não depende só do setor de energia. Trata-se de um caso de polícia, e como tal deve ser encarado. De acordo com o artigo 155 do Código Penal, constitui crime “subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel” — “equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico”. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão e multa.
Não é, sem dúvida, questão simples de resolver. Em geral, funcionários de concessionárias não conseguem entrar em áreas conflagradas nem para fazer reparos, quanto mais para desfazer conexões ilegais. A própria polícia encontra dificuldades nas incursões, pois os bandidos costumam erguer barricadas nas comunidades. Territórios são controlados por organizações criminosas que impõem ali suas próprias leis. Furtam energia, sinal de TV, internet, depois cobram taxas dos moradores pelos serviços ilegais. O achaque é hoje uma das principais fontes de renda tanto das quadrilhas de traficantes quanto de milicianos.
Mas não se pode ter leniência com o crime, porque direta ou indiretamente quem acaba punido é o consumidor, obrigado a pagar mais pelo serviço. As autoridades de segurança têm o dever de coibir furtos de energia, até porque eles ajudam as quadrilhas a se capitalizar. Não fazer nada ou tratar o problema como algo menor só estimula a proliferação dos “gatos”
Os que se dizem nossos representantes, usam essa representação, para a chantagem em benefício próprio como se viu ontem à noite na aprovação do Decreto Legislativo contra o aumento do IOF. Se o governo atender os parlamentares na fome pelas emendas e outros recursos, não descartam em aprovar mais impostos contra o povo
É TUDO PELAS EMENDAS, editorial do jornal O Estado de São Paulo
A disposição do Congresso para comprar briga com o governo deve refluir nos próximos dias por duas razões. O calendário é a primeira delas. Em meio às festividades juninas, numa semana com um feriado prolongado e a um mês do recesso parlamentar, a disputa entre Executivo e Legislativo sobre quem tem mais – ou menos – responsabilidade fiscal tende ao apaziguamento. A outra, mais importante e de ordem prática, diz respeito às emendas parlamentares. Tratar das emendas parlamentares pode parecer repetitivo, mas é impossível não falar do assunto quando tudo parece girar em torno disso no País.
Foi a expectativa de manter o poder sobre as emendas que levou Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) ao comando da Câmara e do Senado, assim como seus antecessores Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG). É em razão das emendas que o cargo de relator do Orçamento é tão disputado pelos parlamentares. É, sobretudo, por causa das emendas que o Congresso está em pé de guerra com o Supremo Tribunal Federal (STF). E é em nome das emendas que o Legislativo cobra do governo que faça cortes estruturais de despesas.
Antes houvesse alguma convicção, da parte dos deputados e senadores, sobre a importância da responsabilidade fiscal para o controle da inflação, a redução da taxa básica de juros, o aumento dos investimentos, a geração de empregos e o crescimento econômico. Não parece ser o caso.
Afinal, a Mesa Diretora da Câmara, presidida por Motta, certamente não teria apresentado um projeto de lei para liberar o acúmulo de salários e aposentadorias para ex-deputados federais que ocupem cargos eletivos nos âmbitos federal, estadual e municipal, prática que é vedada desde 1997. Os parlamentares tampouco teriam aprovado, em maio, um projeto de lei complementar que aumenta o número de vagas de 513 para 531, a pretexto de adaptar a Casa aos resultados do Censo de 2022.
Há quem possa argumentar que os gastos adicionais, tanto no projeto que assegura o pagamento de salários e de aposentadorias quanto no que cria mais vagas na Câmara em vez de redistribuir as atuais entre os Estados que ganharam e os que perderam população, serão residuais diante do tamanho das despesas públicas.
Mas não é disso que se trata. A questão é que quem cobra corte de gastos precisa ter um mínimo de coerência entre o discurso e a prática. Do contrário, fica difícil explicar alterações tão bruscas de comportamento como a que Motta apresentou há alguns dias, entre a fatídica reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na noite de 8 de junho, e a manhã do dia seguinte.
Ao longo da semana, ficou mais claro por que Motta mudou de ideia. Além da pressão dos setores diretamente impactados pelo aumento de impostos proposto pela equipe econômica, pesou o fato de que o Executivo, em pleno mês de junho, praticamente não empenhou valores para pagar emendas parlamentares neste ano, que somam mais de R$ 50 bilhões. Isso se deve tanto ao atraso na apreciação do Orçamento de 2025 – aprovado em março pelo Legislativo e sancionado em abril por Lula da Silva – quanto às exigências que o ministro Flávio Dino, do STF, estabeleceu para liberar as emendas.
A derrubada do decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) vai depender de acertos que ocorrem ao longo dos próximos dias. Mas a entrevista que a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, concedeu ao jornal Valor já deu o tom desse debate.
O arcabouço fiscal, segundo ela, vale para o Executivo e o Congresso, de forma que sustar o decreto presidencial reduzirá a previsão de receitas e, portanto, exigirá um contingenciamento de recursos ainda maior que o anunciado no mês passado. Um contingenciamento maior vai mirar as despesas discricionárias – e, por óbvio, não poupará as emendas parlamentares.
“Ninguém quer votar medida impopular. Da esquerda à direita”, acrescentou a ministra. A menos de um ano e meio das próximas eleições, o que todos parecem querer, tanto no Executivo quanto no Legislativo, da direita à esquerda, passando pelo Centrão, é manter tudo como está.
HADDAD VIAJANDO, no jornal O Estado de S. Paulo
Haddad saiu em férias. Não sem fantasiar sobre a imprensa e o que se chama de mercado. O governo Lula seria objeto de críticas jamais dirigidas a seu antecessor. É falso. Dois episódios bastariam para desmontar o vitimismo. As reações de quem faz as manchetes e os preços às PECs dos Precatórios e Kamikaze.
O jornalismo foi duríssimo com Bolsonaro e Guedes, que celebraram superávit depois de dar calote em dívida. E implacável quando, em 2022, dispararam medidas assistencialistas para financiar a tentativa de reeleição do presidente. Espero que você se lembre de para onde foram os juros, em pleno ano eleitoral, ante aquela barbaridade.
Haddad é ingrato. Imprensa e mercado ignoraram o que expressava a PEC da Transição – compromisso com a gastança – e acreditaram na navegabilidade da canoa arrombada conhecida por arcabouço fiscal. Só tomaram algum contato com a realidade por ocasião do pacotinho de gambiarras do final de 2024.
O influente bloco que Haddad pôs na rua abarca campanha segundo a qual ele trabalharia por justiça tributária. É como se chama hoje o exercício de girar a roleta e esperar – com a convicção possível à combinação entre sorte e desespero – o ponteiro indicar qual imposto terá a alíquota aumentada.
Não pode um? Será qualquer outro. Isso porque a Fazenda estudou a mordida do IOF – a que estabelecia o controle de capitais – por mais de ano. A turma estuda – e arremessa os dados. Se colar, colou.
Pode ser até ação justa, como a que tributa as casas de aposta adicionalmente. Atirando para todos os lados, até se arrisca acertar aqui e acolá. A questão sendo por que até se acerta. Porque se instrumentaliza o razoável num catadão arrecadador para fins de tapar o rombinho da vez.
Carga sobre os ricos, diz a propaganda – com a qual arcarão pobres e remediados, informa a prática. Haddad raspa o tacho. Justiça tributária feita no improviso, empilhando puxadinhos, para cobrir Orçamento mentiroso. Fachada ao propósito de levantar dinheiros, fechar a conta de 2025 e rolar a bomba – que a turma engorda enquanto empurra – até 2026, o que significaria jogá-la para 2027.
O ano eleitoral será o do vale-tudo. Para chegar lá e ter sua PEC Kamikaze, o governo nomeia por justiça tributária o gato de soltar um pacotinho fiscal a cada seis meses. Sempre com a promessa de soluções estruturais – que nunca vêm. É como – via jeitinhos para efeito agora – o ministro apregoa estar “corrigindo distorções”.
Corrige distorções distorcendo a verdade. E então a PEC da Transição – que derramaria mais de R$ 150 bilhões na economia – veio para pagar gastos contratados por Bolsonaro. É falso. O rombo legado pelo antecessor fora a plataforma a partir da qual se obteve o cheque para botar o voo de galinha do crescimento no ar, PIB insustentável erguido à base de estímulos estatais, aposta no endividamento público que o governo Lula já dobrou.
RESPONSABILIDADE POR DESAJUSTE FISCAL É DE LULA, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Sem liderança política do Executivo, dada a interdição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a qualquer discussão sobre controle de despesas, o país permanece preso em crônica crise fiscal, com as contas públicas em desajuste alarmante.
Depois de patrocinar um aumento de gastos permanente de R$ 150 bilhões ao ano por meio da PEC da Gastança, ainda antes da posse, e de adotar regras insustentáveis para a expansão de gastos obrigatórios, o governo petista se limita a trabalhar com medidas paliativas, visando chegar a 2026 sem uma crise aguda.
Diante da fragilidade política do Planalto e de sua base parlamentar, não é surpresa a resistência do Congresso e da sociedade à nova investida arrecadatória, que busca aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e, por meio de uma medida provisória, majorar outros tributos, como os incidentes sobre instrumentos financeiros hoje isentos, apostas online e fintechs.
O impasse político em torno dessas medidas —corretas, isoladamente, mas que teriam mais legitimidade se houvesse um plano de contenção das despesas— é prova de que não será possível avançar sem um compromisso claro do Palácio do Planalto.
Culpar gestões anteriores, como fez novamente o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é uma estratégia desgastada que não exime o governo Lula de responsabilidade nem comprará alguma boa vontade do eleitorado.
A piora dos resultados é clara e decorre de escolhas imprudentes da atual administração. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, o resultado primário estrutural da União —que exclui gastos com juros e itens não recorrentes do Orçamento— passou de um superávit de 0,3% do PIB em 2022 para déficits de 1,4% e 1,7% do PIB em 2023 e 2024, respectivamente.
Não há como esconder a deterioração dos números, e a estratégia de elevar impostos pontualmente não resolverá o problema.
O Congresso Nacional não pode se eximir de culpa. A hipocrisia parlamentar é flagrante: enquanto critica o aumento de impostos, o Legislativo se recusa a abrir mão de emendas parlamentares, que alcançaram R$ 52 bilhões em 2025.
Num toque quase caricatural, soube-se também que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), enquanto posa de arauto da responsabilidade fiscal, propõe que parlamentares possam acumular salários e aposentadorias.
A resistência em discutir reformas estruturais, como a desvinculação entre os gastos com saúde e educação e o crescimento das receitas ou entre os benefícios previdenciários e o salário mínimo, deixa em suspenso qualquer possibilidade de recuperar a capacidade financeira e administrativa do Estado.
Lula faria melhor em abandonar a retórica populista e liderar um entendimento nacional sobre o ajuste fiscal, sob pena de legar uma herança maldita —possivelmente para si próprio
VAMOS PARTIR DAS PALAVRAS E COBRANÇAS PARA A AÇÃO? por Bruno Carazza, professor associado da Fundação Dom Cabral e autor de “O País dos Privilégios (volume 1) e “Dinheiro, Eleições e Poder”, ambos pela Companhia das Letras, para o jornal Valor Econômico.
Um estrangeiro desavisado que observasse o noticiário político-econômico brasileiro na semana passada poderia ser levado a acreditar que haveria no país um pacto multipartidário para superar a crise fiscal.
Logo na segunda-feira, em evento organizado pelo Valor, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), conclamou diversos grupos sociais a darem a sua cota de colaboração: “A situação do país é grave e é preciso ter responsabilidade. Ninguém quer abrir mão de nada: quem está ganhando acima do teto quer continuar ganhando, o parlamentar não quer corte de emenda, o governo não quer discutir determinado assunto porque desagrada a sua base. Tem que tratar as coisas com responsabilidade”, criticou.
Dias depois, em audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu a necessidade de revisão dos gastos, para além da sua proposta de elevação de tributos: “Compartilho as preocupações [de cortar despesas], porque elas são corretas. As partes têm que caber no todo. E para isso acontecer, nós precisamos ir para a mesa e saber o que, politicamente, o Congresso está disposto a enfrentar”.
Pelo lado da oposição, o bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ) até se declarou favorável à proposta do governo de isentar de imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil, desde que sejam apresentadas medidas compensatórias: “Vocês não pensam em fazer corte de gastos, querem equilibrar aumentando imposto. A própria isenção do Imposto de Renda, que é uma medida positiva para os mais pobres, não vem acompanhada de uma medida compensatória pelo lado da despesa.”
Na sexta-feira, para arrematar, o próprio Lula mirou a necessidade de rever as renúncias fiscais para manter os programas sociais de seu governo: “Vocês sabem quantos bilhões damos de isenção para os ricos do país que não pagam imposto? R$ 860 bilhões, quatro vezes o Bolsa Família”, afirmou o presidente, citando estimativa ainda provisória sobre o volume de gastos tributários federais.
Qualquer brasileiro minimamente interessado pelo noticiário nacional sabe que essas declarações fazem parte de uma disputa política em que, por trás das juras de preocupação com as contas públicas, o governo Lula resiste a rever despesas, enquanto o Congresso é pródigo em ações para prorrogar e ampliar benesses tributárias.
Sendo tão inocente quanto o estrangeiro não versado na política brasileira que lê as manchetes de jornal, fico relativamente otimista diante desses posicionamentos de lulistas, líderes do Centrão e bolsonaristas. A sensação de que um colapso fiscal é iminente, com previsões de paralisação parcial da máquina pública a partir de 2027, parece estar finalmente preocupando a todos que têm interesse em ocupar o poder após as próximas eleições.
É urgente, porém, avançar no debate. Em meio aos temas sugeridos pelo governo, o comando do Congresso e a oposição, há possibilidades concretas de se avançar em pelo menos duas vertentes: o combate aos supersalários e as renúncias fiscais.
Estudo publicado recentemente pela Transparência Brasil e pela República.org calcula que apenas juízes, desembargadores e ministros receberam R$ 7 bilhões em benefícios remuneratórios indevidamente pagos acima do teto em 2024. O problema é que os supersalários, antes restritos a magistrados e membros do Ministério Público, estão se alastrando para carreiras dos demais Poderes, inclusive em âmbito estadual e municipal.
Há, porém, uma agenda com amplo apoio popular que, se houver vontade política da cúpula do Executivo, do Congresso e do STF, pode moralizar o padrão remuneratório no Estado brasileiro e gerar uma economia permanente para os cofres públicos.
Extinguir as férias de 60 dias para magistrados e membros do Ministério Público, estabelecer em lei uma lista restritiva de benefícios que têm natureza indenizatória (o Movimento Pessoas à Frente possui uma minuta de projeto) e cobrar imposto de renda sobre essas verbas já seria um grande avanço. Vedar a concessão administrativa de pagamentos retroativos – e submeter os pleitos judiciais, inclusive de juros e correção, aos institutos da prescrição e da decadência – também geraria uma considerável economia de recursos.
Com relação às renúncias fiscais, há um amplo espaço para moralização. Como boa parte dos programas atuais envolve isenções ou reduções de PIS, Cofins e IPI – tributos que serão extintos com a reforma tributária – o Congresso e o governo poderiam estabelecer um desmame gradual desses benefícios até 2033, data de entrada em vigor da nova tributação sobre o consumo.
Não faltam no país entidades da sociedade civil, acadêmicos, técnicos do governo, consultores da Câmara e do Senado e outros especialistas com ideias razoáveis para se fazer um ajuste fiscal estrutural, equilibrado e sem sobrecarregar (com tributos ou cortes de programas sociais) a maioria da população.
Mas é fundamental que haja, nos três Poderes, representantes com disposição para ouvir – e sobretudo, com coragem para implementar as sugestões.