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MOBILIDADE É CRUCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO. EM GASPAR ELA SE APRISIONA EM LABIRINTOS QUE VÃO DA FALTA DE VISÃO À INÉRCIA PASSSANDO PELOS INTERESSES BEM PARTICULARES VALIDADOS PELOS PODEROSOS DE PLANTÃO. E NÃO É DE HOJE

No artigo de segunda-feira passada, mostrei como o governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e do engenheiro multititulado Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, foram pegos pela mesma rede daquilo que parece que nada vai mudar. Eles se elegeram prometendo tirar Gaspar do atraso e marasmo que envolvem-na na falta de transparência, legalidade e resultados.

Os sinais abundam. E parte deles já foi tema recorrente em exemplos por aqui.

E o que me faz pensar e concluir dessa forma? É que, com raríssimas exceções – e há, esta má impressão à cidade está bem expressa naquela equipe que Paulo escolheu, montou e já teve que mudar várias vezes em apenas, repito, apenas cinco meses por falta de resultados para a cidade e o governo. Faltam quatro anos e meio para terminar o atual mandato. Parece coisa de Zeca Pagodinho, em “Deixa a Vida me Levar…” Então quem deu o atestado não foi a minha implicância, mas as próprias trocas. Estava na cara e se negava. Não se resistiu. E ao final, o governo se obrigou à rever as escolhas. Incluindo a comunicação que continua tão manca quanto antes, exatamente por falta de produto.

Voltando.

No artigo de segunda-feira mostrei que, enquanto o governador Jorginho Melo, PL, o que criou o candidato Paulo e Rodrigo, resolvia, por iniciativa política e administrativa firme, coordenada e de resultados práticos da prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan Von Borsten, PSD, em tese adversária de Jorginho e do PL, o problema do Hospital municipal de lá, aqui, apenas assistíamos, silenciosamente, o noticiário. Ao mesmo tempo, ficávamos e ampliávamos o crônico, angustiante, antigo pesado fardo do Hospital de Gaspar.

Um parêntesis. Houve, até, na semana passada, um a reunião do interventor do Hospital de Gaspar, o segundo homem de finanças e administração do município, Claudionor de Souza Cruz, com os vereadores da Comissão de Fiscalização e Finanças. Dela, só fotos. Dados concretos e decisões para reverter o estado caótico, mais uma vez, nada veio a debate ou algum esclarecimento à cidade. Bem igual aos tempos de Pedro Celso Zuchi, PT e Kleber Edson Wan Dall, MDB, que se queriam esquecidos neste quesito.

Retornando pela segunda vez.

Ou seja, continuamos a colocar montanhas de dinheiro bom dos impostos dos gasparenses no Hospital, para continuar com a herdada marota intervenção municipal inventada há 15 anos por Zuchi. O Hospital de Gaspar não é só um grave problema administrativo e técnico, sem o devido e proporcional retorno para a sociedade e sem prestação de contas públicas. Ele é hoje, um problema de desgastes à imagem do político no poder de plantão. Nem mais. Nem menos. E parece que o atual governo ainda não se deu conta disso. Está priorizando exposição de animais que nem aqui é criado.

Resumindo: ao caso acontecido há duas semanas e protagonizado pela prefeita de Balneário Camboriú, faltou por outro lado, iniciativa, liderança e moeda de troca com o governo do “delegado prefeito” e do engenheiro multittulado para tirar esta grande pedra do caminho da gestão deles e dessa forma, focarem em outros urgentes, entre eles, a zeladoria da cidade, melhoria no atendimento dos postinhos de saúde, diminuição da fila de exames e consultas especializadas e a revisão ou elaboração de um Plano Diretor para contemplar um novo horizonte de desenvolvimento para a cidade com segurança jurídica a investidores, loteadores e empreiteiros como regra geral e não a privilégios. Juliana, notoriamente, mais uma vez, foi mais eficaz que o governo de Gaspar, o que se diz mais próximo a Jorginho do que ela.

Retomando pela terceira vez.

No artigo de segunda-feira QUEM NÃO ENXERGA OPORTUNIDADES TAMBÉM NÃO PLANTA E COLHE RESULTADOS. CINCO MESES DEPOIS DA POSSE E OITO DA VITÓRIA, A GESTÃO DE PAULO E RODRIGO INICIA UM ESFORÇO MARQUETEIRO PARA SAIR DA INÉRCIA mostrei ainda que, em algo muito simples e que depende apenas de gestos, o “delegado prefeito” pisava na bola ao não enxergar o perigo futuro, agir e se solidarizar com gente morrendo na travessia da duplicada BR-470 na Rua Albertina Maba, na Margem Esquerda, bem contra uma marginal que o DNIT quer entregar à comunidade sem pavimentá-la.

O “delegado prefeito” e sua turma de puxa-sacos do gabinete coalhado de gente do tempo do governo Kleber e que se queria mudado, deixaram uma frágil e suposta oposição tomar conta do tema. E ficaram indignados. Se esta suposta oposição se tornou voz dos sem voz do outro lado do rio, é porque o governante político de plantão, mal informado, orientado e assessorado, comeu mosca. E teve que correr atrás do prejuízo montando o circo no DNIT em Florianópolis. Nem mais, nem menos.

Até a Câmara de Vereadores passou recibo desta vez. E para que não houvesse ciúmes entre os 13, uns cederam e os atrasadinhos, arrumaram um requerimento. Nele, como mostra o retrato posado acima que fizeram para dizer que todos estão no mesmo tom neste assunto, afiaram, afinaram o discurso e posaram para uma foto. Foi para dizer à cidade e ao DNIT que estão solidários na pressão por uma solução, pela cidade para salvar vidas no futuro naquela região diante das duas que já se foram, não importando se são da situação ou da oposição. E a hora para criar soluções concreto é agora, quando se começa o término do trecho e se aproxima as eleições presidenciais do ano que vem.

AS PICADAS, OS CAMINHOS E AS LIGAÇÕES

Reescrevi tudo isso até aqui, para mostrar, mais uma vez, de que não se trata de um cochilo. É que vai se tornando uma marca de um governo que discursou , entretanto, verdadeiramente, não se preparou nem para mudar, muito menos para enfrentar os desafios. E pior. Além de não estar nada disso numa escala de prioridades – porque não se pode fazer tudo de uma vez – isto parece, cada vez mais, estar ligado à falta de visão e comprometimento com o futuro.

Mas, o que impressiona? É ver gente conhecida por ter visão, ser empreendedora, líder de equipes realizadoras, possuir resultados reais no currículo, além de fortes relacionamentos institucionais – como Francisco Graciolla e Sérgio Roberto Waldrich – estar associada a um governo que parece estar afundando, tanto quanto as estacas das obras que se diz serem de um calibre e são de outros, mas enterradas, ninguém quer tirar a prova para pegar gente esperta e ladina de ontem e que quer se perpetuar nos dias de hoje no poder.

Vou mudar o disco, mas voou voltar ao tema.

Qual foi a notícia de duas semanas atrás? A abertura do novo acesso entre Brusque e Guabiruba, com previsão de início das obras para 2026. É um projeto que visa desafogar o trânsito na região e fortalecer à integração entre os dois municípios (foto de abertura do artigo). O projeto, com 3,4 quilômetros de extensão, conectará o bairro Rio Branco, em Brusque, a Guabiruba Sul, e terá estrutura semelhante à rodovia SC-108, com pista simples e pontos de terceira faixa. 

O investimento total será de R$ 20 milhões, com R$ 14 milhões do governo do estado e R$ 6 milhões divididos entre as prefeituras de Brusque e Guabiruba. Novamente, o governador Jorginho no centro dos resultados comunitários pretendidos em Brusque e Guabiruba, dois vizinhos de Gaspar. É claro que é uma semente plantada para as eleições do ano que vem. E daí? Está se encurtando distâncias, como era o slogan de governo de Antônio Carlos Konder Reis, Arena (UDN).

Qual foi a notícia que faltou? A ligação de Gaspar – Gaspar Grande, o bairro do “delegado prefeito” -, Gaspar Alto via a Garuba a Blumenau para acessar a Rua Pastor Osvaldo Hesse, no Ribeirão Fresco quase no Centro de lá, ou a Rua da Glória, no Distrito do Garcia, sem falar na ligação com a própria Guabiruba por este itinerário e que está projetado para ser mais facilitado a Brusque no novo contorno com Guabiruba. Esta ligação de Gaspar, Blumenau, Guabiruba e Brusque por rota alternativa não interessa apenas a Gaspar, mas a Blumenau, onde está o outro delegado como prefeito e canal direto com Jorginho, Egídio Maciel Ferrari, PL, que luta para liberar logo pelo menos três quilômetros da travada via expressa no Fidelis.

Obras se começam. Pois se não começam, nunca poderá se exigir o seu término e nem rubricar verbas no Orçamento seguinte. É assim que funciona. Se não projetar e lançar agora, não entrará no Orçamento de 2026. Simples assim.

Guabiruba sabe que precisa de caminhos. Sejam eles, para o desenvolvimento econômico ou o turismo. Gaspar parece desconhecer essa premissa e prioridade e mais outra necessidade: como estamos em um ambiente sujeitos a desastres climáticos severos, estas ligações secundárias são rotas alternativas de comunicação, de suprimentos, sobrevivência ou resgates.

ESTAMOS ENCALACRADOS NOS INTERESSES PEQUENOS

Nada seria anormal se os gasparenses tivessem escolhido à continuidade de Kleber e Marcelo de Souza Brick, PP. Ou alguém desconhece que, depois de parte dos lindeiros tomarem as margens da Rodovia que liga Gaspar a Brusque, inventou-se uma desculpa e se lutou contra a duplicação da Rodovia que liga as duas cidades a nossa vocação para o isolamento não se sobressairia? Preferiu-se a picada. Tente ir de uma cidade a outra em horário normal. Se seguir a sinalização, parece uma lenta procissão que além de tirar a paciência dos motoristas, faz-se perder dinheiro.

No outro lado da cidade, o simples deslizamento de um pedaço da Anfilóquio Nunes Pires para o Rio Itajaí Açú, na Figueira, nada se transitará com o Bela Vista, ou Blumenau por esta via. E aí se faz da BR-470, uma via urbana ainda mais congestionada. O binário das Linhas Círculo na saída ou entrada da cidade na Coloninha no lado oeste é um exemplo da pior da nossa “engenharia de tráfego criativa”. Tanto que vira e mexe, as redes sociais são entulhadas com caminhões articulados arriscando-se aos acidentes e às multas transitando na contramão.

Porque o nosso foco é outro: é o de fechar ruas sem desafetação; é o de colocar muros em outras para não ser perturbado no morar; é o de ocupar vias projetadas no ultrapassado, esfacelado e desmoralizado Plano Diretor e ao final, sem soluções, aos loteadores e investidores riscarem do mapa quando não inventam outras vias para prejudicarem os críticos deste modelo de insegurança jurídica; isto sem mencionar os atos no Conselho de Desenvolvimento Urbano e na Câmara de Vereadores legalizando áreas para indústrias e ou empresas de logística, que se estabeleceram in devidamente em locais impróprios, quando se faltou fiscalização da prefeitura em ruas que não suportam a movimentação de caminhões.

Como que alguém que está mais preocupado de validar o erro a amigos, poderá pensar em abrir caminhos para o futuro, mesmo que tenha que contrariar pequenos interesses? Ao que parece e assim se sinaliza, ser mais conveniente burlar as regras. Então qual a necessidade da atualização do Plano Diretor? Isto não vai ser resolvido importando gente para secretaria de Planejamento Territorial, que consegue se manchete em outros locais mais pelas dúvidas do que por pensar e reconfigurar cidades.  Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Perguntar não ofende. Gaspar é a Capital Nacional da Moda Infantil, certo? Qual é o evento para marcar isto que a cidade fez até agora? Aliás, onde comprar a tal moda infantil em Gaspar?

Gaspar não é conhecido por nenhuma atividade ligada a pecuária? Qual a cabanha referência no Sul do país que se tem por aqui? Afinal, qual a razão se ser e foco da tal secretaria de Agricultura e Aquicultura para Gaspar? Quanto esta atividade é representativa na economia local? Gente sem noção.

A tal Expo Feira – confundida com eventos diferentes com nomes assemelhados Expo Gaspar e Expo Fest -, além do improviso, só podia dar no que deu. E não foi pelas razões que elenquei anteriormente: foi por falta de liderança e boicotes recíprocos seja no ambiente interno como externo. Impressionante a convergência neste aspecto. Ao final, o governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL, voltou atrás (foto ao lado) ao que se fazia nos antes e era supostamente condenado. Voltou atrás para não piorar o que estava encalacrado.

A propaganda oficial até tentou esconder, mas não deu. Esta “feira” foi tão importante para vida da cidade tanto quanto a Capital Nacional da Moda Infantil, que até o secretário de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, Nelson Mário Küstner, estava ausente e viajando.

Ao final da Expo Gaspar, quem ganhou algum troco, novamente, foi um particular que explorou a comercialização de toldos, a área de shows, parte da comercialização de bebidas e gastronomia numa tal de Expo Fest.

Ao final da Expo Feira ficou um pré-compromisso nos discursos emocionais de que no ano que vem não só haverá a Expo Feira, mas sim, a Expo Gaspar que não se realiza há anos. Ok. A Expo Gaspar pode mostrar melhor a pujança nas áreas industrial, comercial, serviços e agro de Gaspar ao mesmo tempo, se até lá a Arena Multiuso Francisco Hostins ainda estiver disponível. Entretanto, seu custo gira em torno de R$3 milhões e para isso precisa mudar a Lei de Diretrizes Orçamentária, pois não há esta rubrica.

Um dos raros leitores deste espaço me passou este pensamento atribuído a George Orwell, o autor do icônico 1984 e o repasso sem qualquer comentário adicional: “quanto mais sociedade se distancia da verdade, mais ela odeia aqueles que a revelam”.

Perguntar não ofende: rainha e princesas da Expo Gaspar 2025? Mas, foi realizada a abertura Expo Gaspar 2025? Aonde? Quando? Gente sem noção. Em tempos de aplicativos de mensagens, nada mais passa batido, principalmente a inércia e a tentativa de mascarar o que não pode ser mascarado. Em tempo: foram eleitas a rainha e princesas da Expo Gaspar 2026. A missão é a de divulgar o futuro evento.

Constatação do erro. Quem gerenciava a operação de roçadas em Gaspar, a que está sob suspeita, inclusive é motivo de uma CPI do Capim Seco, na Câmara de Vereadores, presidida pelo vereador Ciro André Quintino, MDB, e até agora está sem transparência à cidade do que fez e apurou, é a mesma pessoa que gerencia a “nova” empresa no “novo” governo. ele vai fazer relatórios diferentes para os mesmos trechos de roçada? Essa gente não tem medo do perigo. E sempre dobra a aposta. Muda, Gaspar!

Registro. No dia 19 de junho a ponte Hercílio Deecke fez 65 anos da sua abertura. Foram dois anos e meio de construção ao tempo do  prefeito Dorval Rodolfo Pamplona. Duas grandes reformas: uma em 1983, e outra, na marra e sob polêmica em 2011 na administração de Pedro Celso Zuchi, PT, que a entregou em 2013 como é hoje. Ligando a Margem Esquerda e à BR-470, temos a Ponte do Vale, também erguida ao tempo da gestão de Zuchi, basicamente com recursos federais. Atualmente, precisamos de pelo menos mais uma ponte sobre o Rio Itajaí Açú. Entretanto, nossos prefeitos, no momento, nem conseguem reconstruir pontilhões levados pelas enxurradas de ontem. Muda, Gaspar!

A pesquisa da Neokemp Pesquisas, divulgada pelo site conservador paranaense e de abrangência nacional, Gazeta do Povo, foi recebida pela maioria dos deputados estaduais de direita com uma certa comemoração. É que a pesquisa coloca com muito tempo de antecedência o prefeito João Rodrigues, PSD, de Chapecó, no radar das eleições. Ele está com reais possibilidades de ir ao segundo turno dividindo o eleitorado conservador catarinense.

E por que os parlamentares da base de apoio a Jorginho Melo, PL, “comemoraram” discretamente? Porque mostra ao governador que para ele “fidelizar” as lideranças no apoio à sua candidatura dele, Jorginho vai ter que abrir os cofres, até agora, segundo interlocutores, sob rigoroso controle. Sob o mesmo ângulo, a pesquisa mostrou que pode ser temerária as composições para reconduzir Jorginho ao segundo mandato, que incluam o “aluguel” do eleitorado conservador de Santa Catarina para eleger o paraquedista o vereador carioca Carlos Bolsonaro, PL, a uma das duas vagas ao Senado que serão disputadas no ano que vem.

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16 comentários em “MOBILIDADE É CRUCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO. EM GASPAR ELA SE APRISIONA EM LABIRINTOS QUE VÃO DA FALTA DE VISÃO À INÉRCIA PASSSANDO PELOS INTERESSES BEM PARTICULARES VALIDADOS PELOS PODEROSOS DE PLANTÃO. E NÃO É DE HOJE”

  1. AVISO

    Não estou de férias. Mas, minhas interversões com artigos próprios (e longos) diminuíram por semanas. Estou conciliando esta obrigação não remunerada com percalços familiares que exigem minha dedicação na escolha do foco e prioridade.

    Todavia, hoje, se rudo der certo posto, um pequeno artigo sobre esta inominável ideia do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, PL, de alugar os votos dos catarinenses, para colocar um filho seu – que não tem identidade nenhuma com o estado, no Senado. E tudo com o aval do governador Jorginho Melo, PL. A que ponto chegamos.

  2. EXECUTIVO MIRA EXECUTIVO FRACO E “PODER DESM ÔNUS”, por Joelmir Tavares, no jornal Valor Econômico

    As movimentações do Congresso que resultaram em derrotas para o governo Lula nas últimas semanas são uma evidência de que o parlamento quer dar demonstração de força e manter o quadro de ingerência no orçamento sem ter que assumir responsabilidades, avalia a cientista política Lara Mesquita.

    Para a professora da Fundação Getulio Vargas, os reveses impostos ao Executivo também podem ser lidos como tentativa de frear ações, agora ou no futuro, em prol do reequilíbrio institucional.

    “Obviamente, a Câmara e o Senado estão tentando mandar um recado com a derrubada dos vetos e do decreto do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que é mostrar que o Executivo está enfraquecido”, diz. “Há também uma tentativa de manutenção de longo prazo das prerrogativas que o Congresso acumulou nos últimos anos”, completa ela, em alusão ao avanço sobre o Orçamento, via emendas, e à concentração de poder nos presidentes da Câmara e Senado.

    Na avaliação de Mesquita, o ganho de autonomia consolidou a imagem de que “o destino do Congresso independe do destino do Executivo”. O acesso a vultosos recursos das emendas orçamentárias e dos fundos partidário e eleitoral derrubou a lógica de governabilidade anterior, com adesão dos partidos ao Executivo em troca de benefícios.

    “Aumentou o custo de colaborar com o Executivo. Além disso, se o Executivo fracassar, isso respinga pouco no Congresso, porque no presidencialismo a responsabilidade acaba recaindo sobre a figura do presidente, sejam os ônus ou os bônus.”

    A situação é agravada por “anomalias” na organização do trabalho legislativo. Para a professora, é questionável manter o formato de votação híbrida (virtual e presencial), adotado na pandemia. O modelo, que reduz o tempo de debate, foi empregado, por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na votação de quarta (25) sobre o IOF. “Se fosse sessão presencial, teria sido diferente. Esse modelo concentra poder no presidente da Câmara e desempodera o plenário, as comissões e o Legislativo enquanto corpo.”

    Mesquita diz que “é natural”, em uma democracia, o Legislativo participar da tomada de decisões sobre a agenda, mas que não é tarefa dele executar o orçamento. Estudos mostram que a interferência orçamentária no Brasil é maior do que em outros países. “Não é papel do Legislativo ser ordenador de despesa. Se o Legislativo quer ser ordenador, ele tem que ser capaz de ser responsabilizado também”, afirma.

    A discussão sobre ajuste tem se concentrado na pressão do Legislativo por corte de gastos do Executivo, mas é preciso também cobrar “responsabilidade legislativa”, defende Mesquita. Para ela, a demora na votação do orçamento de 2025 – aprovado em março, com três meses de atraso – precisa ser lembrada, diante das queixas de congressistas sobre o ritmo da execução. “Não se pode dizer que o governo está sendo negligente, como se estivesse executando o orçamento há seis meses”, observa.

    “Temos o Executivo afirmando que ‘está defendendo os pobres, enquanto o Congresso está defendendo os ricos’. É esperado [o discurso], num contexto em que o governo tenta justificar por que ele não está entregando tanto quanto gostaria. Do outro lado, há um Congresso que só se preocupa com os seus interesses e se exime. Historicamente, o eleitor não atribui esse tipo de responsabilidade [orçamentária] ao Poder Legislativo.”

    Apesar das críticas, a cientista política diz que é preciso relativizar afirmações como a de que o Congresso estaria praticando “chantagem”, porque são atribuições dele fiscalizar o Executivo e discutir leis. “Nas derrubadas de vetos e outras questões, não acho que dê para dizer que o Legislativo esteja extrapolando suas prerrogativas e funções constitucionais. Alguém pode ficar insatisfeito, mas não é igual a dizer que o processo democrático esteja sendo deturpado.”

    Para ela, contudo, é difícil apontar saídas institucionais. “Não sei se existe algo que o governo possa fazer para reverter isso. Ou melhor, até existe: fazer como o governo Bolsonaro e abrir mão de ter agenda. Mas essa é uma das diferenças importantes de um governo para o outro.”

    A aprovação, pelo Congresso, do aumento no número de deputados é algo “sintomático, sobretudo, do corporativismo”, segundo Mesquita. A medida também expôs contradição com a demanda por corte de gastos e desconexão com a opinião pública. Uma pesquisa do instituto Datafolha apontou que 76% dos brasileiros são contra a ampliação de cadeiras, de 513 para 531.

    “Se esse aumento tivesse como objetivo resolver a questão da proporcionalidade entre a representação política e a população dos Estados, seria adequado. Mas isso não está acontecendo. A nova bancada vai ser ainda mais desproporcional do que a atual.”

  3. O CONGRESSO ESTÁ SEM RUMO, DESCONECTADO DA REALIDADE DO PAÍS, editorial do jornal O Globo

    O Congresso está sem rumo. Fala em responsabilidade fiscal e austeridade, mas, no mesmo dia em que derruba o decreto presidencial aumentando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), aprova a ampliação da Câmara de 513 para 531 deputados — com impacto anual perto de R$ 750 milhões (incluindo emendas parlamentares) e efeito cascata nas assembleias legislativas. No setor de energia, o Parlamento beneficia com bilhões grupos de pressão e repassa a conta ao consumidor. Para não falar no descalabro das emendas, que segue sem solução. O Congresso sempre foi sócio do Executivo no descontrole das contas públicas — e será cada vez mais, se não adotar postura fiscalista.

    O decreto determinando aumento do IOF era um equívoco. Incapaz de realizar cortes de gastos, o governo apelou, mais uma vez, à alta da já escorchante carga tributária. Tal medida inibe o crédito, desestimula investimentos e pressiona a inflação. Mesmo com os recuos, o decreto era inaceitável, e derrubá-lo era a medida correta. A Câmara fez bem em não aceitar mais aumento de impostos. Mas, para manter tal postura, deveria ter proposto cortes estruturais em busca do equilíbrio fiscal. Não adianta acertar numa decisão e errar noutras tantas.

    Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), precisam pôr em prática o que se comprometeram a fazer no discurso. Em repetidas declarações, Motta demonstrou preocupação com a “situação insuportável” do país. Falando sobre ajuste fiscal num simpósio em Brasília, disse não ser mais possível “empurrar sujeira para debaixo do tapete”. Em entrevista ao GLOBO, prometeu se empenhar por “medidas estruturantes”. Alcolumbre descreveu o decreto do IOF como usurpação das atribuições do Congresso e reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca de soluções. Apesar de todo esse blá-blá-blá, nada de “estruturante” ou minimamente capaz de resolver a crise fiscal andou no Congresso. Pelo contrário.

    Contas: Governo tem de duas a três semanas para encontrar solução após derrubada de decreto do IOF, diz secretário do Tesouro

    Um Projeto de Lei assinado por Motta prevê acúmulo de aposentadoria e salário de parlamentares, ultrapassando o teto constitucional, de R$ 46.366. O aumento de 18 cadeiras na Câmara dos Deputados aprovado nesta semana seria injustificável mesmo que as contas públicas estivessem ajustadas. Com a bomba fiscal próxima de estourar e estrangular o Orçamento, parece um deboche. O Parlamento também ofende os eleitores quando derruba vetos presidenciais aos famigerados “jabutis” da lei das usinas eólicas (nesse ponto, ainda há tempo de manter vetos ligados a termelétricas a carvão e gás, mesmo assim o custo do que já impuseram na conta de luz dos brasileiros é estimado em R$ 35 bilhões anuais).

    Com declarações a favor e ações contra o ajuste fiscal, o Congresso se revela distante da realidade, contraditório e inepto. A estratégia de atribuir responsabilidades ao Executivo tem limites. O Parlamento não depende de nenhum outro Poder para evitar a explosão da dívida pública. Poderia começar desvinculando o salário mínimo dos benefícios previdenciários. Outras medidas estruturais de impacto são a desvinculação das despesas de saúde e educação da arrecadação e cortes nas emendas parlamentares, que consomem 21% das despesas livres do governo. Que tal Motta, Alcolumbre e companhia deixarem de lado o falatório e começarem a trabalhar a favor dos brasileiros?

  4. CONGRESSO ACUA O EXECUTIVO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Há requintes de maldade na maneira como o Congresso partiu para cima do Executivo ao reverter o aumento do IOF. Parece até um caso de etarismo, pois se trata de ataque a um governo velho, que promove ideias velhas abraçado a táticas políticas idem.

    O uso pelo Executivo de velhas ferramentas na relação com o Congresso traduz enorme senilidade política, além da incompetência geral dos quadros encarregados da “articulação”. Chega a ser fascinante observar como o Planalto ignora a profunda alteração da relação de força entre os poderes.

    O resultado é humilhante para o Executivo, ao qual faltou desde o início do atual mandato presidencial uma clara agenda política em sentido amplo. E que se vê manietado e encurralado agora na sua vital agenda política em sentido estrito, que é aumentar impostos para sustentar gastos que sempre sobem acima da receita.

    É importante ressaltar que se trata de um faroeste sem mocinhos, cujo pano de fundo é o patrimonialismo profundamente arraigado no sistema político brasileiro. Reforma recente, como a tributária, é ilustrativa de como o Estado brasileiro foi capturado e utilizado na defesa de interesses regionais ou setoriais – e não se trata de corrupção.

    Não há diferenças significativas entre o PT e os agrupamentos políticos ao “centro” (para dar um nome a essa geringonça política) nesse sentido. Na sua essência, a principal disputa política em Brasília hoje é por migalhas de um Orçamento engessado, e nessa luta o partido do governo é apenas mais “fominha” do que os outros.

    Nesse contexto de enfrentamento o Congresso não é visto como “herói”, ainda mais quando trata de aumentar o número de deputados sem nada fazer para alterar a desproporção no nosso sistema proporcional de eleição (o voto não vale a mesma coisa em todo lugar). Nem o Executivo é visto como “vítima”, mas apenas como inoperante e frustrado na sanha arrecadatória.

    Surge como incapaz de governar e de alterar rumos especialmente na política fiscal, cuja dinâmica própria – agravamento – reitera nos agentes econômicos (não apenas os operadores de mercado) expectativas negativas. Que o governo não consegue reverter atribuindo culpa a Bolsonaro, aos ricos, aos banqueiros, às chuvas, à comunicação oficial, ao domínio da direita nas redes.

    Sobrou a Lula a velha atividade palanqueira de sempre (curiosamente, está criticando isso em Trump). Na qual surge como um personagem em busca do que imagina que já foi. E claramente cansado com o cargo, a situação, a luta incessante e a falta de resultados que pensava colher logo. Não deve ser fácil decidir se vai mesmo para mais uma eleição.

  5. O SUPREMO PRECISA OUVIR A DEMOCRACIA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) formou uma comissão para estudar uma reforma do Judiciário, em particular do Supremo Tribunal Federal (STF). É uma iniciativa mais que oportuna com vistas a restaurar a credibilidade de uma das instituições mais importantes da República. A composição da comissão, que conta com advogados, professores de Direito e dois ex-presidentes do próprio Supremo, Ellen Gracie e Cezar Peluso, confere densidade técnica e legitimidade para a faina que se avizinha.

    O Estadão se une a uma das mais importantes organizações da sociedade civil neste louvável esforço republicano para não só chamar a atenção para os reiterados desvios de conduta de alguns ministros do STF, como para, de boa-fé, propor saídas para a crise de credibilidade da Corte. A negligência com os imperativos éticos e legais da magistratura tem contribuído decisivamente para conspurcar a imagem do Supremo e do Judiciário como um todo perante parcela expressiva da sociedade.

    O objetivo da comissão, como destacou a advogada Patricia Vanzolini, ex-presidente da OAB-SP e integrante do grupo de trabalho, é “corrigir rumos”. Há tempos o STF tem se desviado daquilo que se espera de uma Corte constitucional em qualquer democracia: discrição, sobriedade e respeito ao devido processo legal e à separação de Poderes. Infelizmente, o Supremo arrogou para si o papel de protagonista numa pletora de questões que nem remotamente lhe dizem respeito.

    Como é notório, o STF acumula um passivo considerável de decisões controvertidas, para dizer o mínimo, que se contrapõem à letra da Constituição. A falta de decoro, em muitos casos, afronta a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) e oblitera os limites éticos aos quais estão submetidos os ministros de uma Corte que deveria se pautar por uma autocontenção que, há demasiado tempo, parece ter-se perdido. O problema, portanto, não é apenas jurídico, mas político e institucional.

    Em razão de seus próprios desvios, o STF tornou-se objeto de contestação inaudita em sua história republicana. É verdade que algumas das manifestações contrárias à Corte nem de “críticas” podem ser chamadas, pois partem de liberticidas que vituperam contra a instituição com propósitos nitidamente antidemocráticos. Mas há setores da sociedade civil genuinamente preocupados com o mau funcionamento da Justiça. É o caso da OAB-SP e, certamente, deste jornal, que não poucas vezes tem apontado neste espaço os caminhos pelos quais o Supremo tem se perdido no afã de “recivilizar” o País, seja lá o que isso signifique.

    Algumas ideias já discutidas na reunião inicial da comissão da OAB-SP são boas e bem-vindas. Outras representam retrocessos. Mas isso não tem importância no momento. Afinal, o grupo de trabalho aí está justamente para escrutinar as sugestões apresentadas por seus integrantes. O busílis é que, por melhores que sejam as propostas, não é por vácuo normativo que os ministros do STF têm errado tanto ao transmitir à sociedade a percepção de que muitas de suas decisões são politicamente motivadas. O que parece ter afrouxado foi a consciência e o decoro de juízes que, precisamente pelo poder que têm, deveriam ser mais prudentes.

    Eis o ponto fundamental: em que pese a louvável iniciativa da OAB-SP, inclusive por seu valor simbólico, a crise de credibilidade do Supremo não decorre de ausência de normas para disciplinar a atuação dos juízes. O que tem faltado, em muitos casos, é o cumprimento rigoroso de preceitos éticos da magistratura por ministros que parecem convencidos de que o poder de que dispõem lhes confere licença para agir como melhor lhes aprouver, às vezes em flagrante violação da lei, por incrível que isso pareça.

    Nesse sentido, o trabalho da comissão não resolverá por si só os problemas de um STF que parece fazer ouvidos moucos para críticas insuspeitas da sociedade à qual deve servir. Porém, pode oferecer ao Congresso subsídios importantes para uma reforma que busque resgatar os princípios de equilíbrio, respeito à Constituição e responsabilidade institucional. Se servir para despertar a humildade adormecida de alguns ministros e trazê-los de volta ao leito da normalidade institucional, será lucro.

  6. JUDICIÁRIO ESTÁ COMN PARAFUSO SOLTO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    O paralelo pode parecer exagerado, mas o caso é o seguinte: em 1788, depois de ter perdido as colônias da América do Norte, George III, rei da Inglaterra, ficou maluco.

    Um ano depois, deu-se uma revolução na França. Luís XVI foi deposto, preso e guilhotinado. Degolaram também sua mulher e barbarizaram a vida de seu filho, uma criança.

    A Revolução aconteceu na França porque lá o andar de cima perdeu a cabeça na defesa de privilégios e honrarias absurdos, pouco se lixando para a defesa das instituições que lhes pareciam sólidas. A cegueira dos franceses foi tamanha que madame Du Barry, namorada do avô de Luís XVI, fugiu para Londres e vivia bem, até que decidiu voltar à França. Presa, foi para a lâmina.

    Dois séculos e um oceano separam o Brasil do XXI da França do XVIII. Muitos são os males que afligem Pindorama, mas uma parte da magistratura e do Ministério Público foi para uma coreografia de penduricalhos y otras cositas más. Armou-se um sistema de autoavacalhação institucional.

    Dentro de uma legalidade desenhada pela magistratura, o Código de Processo Civil diz que “assessorias jurídicas podem ser exercidas de modo verbal, sem necessidade de formalização por contrato de honorários”. Em 2016, dez dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça tinham parentes advogando na Corte. Anos depois, esse número passou para cerca de 15. Vá lá, quem trabalha de graça é relógio. A questão acaba sendo a forma como se trabalha.

    Graças aos penduricalhos, uma desembargadora de São Paulo recebeu R$ 678 mil líquidos em dezembro passado. São os supersalários, disseminados pelo país e pelas diversas instâncias. No ano passado, os penduricalhos custaram à Viúva R$ 6,7 bilhões. Os supersalários transbordaram para o Ministério Público. Todos legais, diria o conde de Artois, irmão de Luís XVI.

    O ministro Gilmar Mendes, do STF, reclamou dos penduricalhos, dizendo que “estamos vivendo um quadro de verdadeira desordem”. Astuciosa desordem, pois sempre custa à Viúva, jamais a remunera. Astuciosa e potente, pois a repórter Rosane de Oliveira foi condenada a indenizar uma juíza que recebeu R$ 662 mil partindo de um vencimento de R$ 35 mil. Tudo legal. O malfeito da repórter foi ter dado cifras aos bois.

    Os penduricalhos estabeleceram-se disfarçando-se como gratificações que poderiam ser cobradas retroativamente. Em abril tentou-se saber a quanto ia a conta. Nada feito. Novo pedido, nova negaça. Numa gracinha típica da espécie, o Ministério Público de São Paulo decidiu conceder um mimo que pode chegar a R$ 1 milhão, indenizando os promotores pelos serviços prestados há décadas, quando eram estagiários.

    Magistrados e procuradores sonham com a planilha salarial de Polichinelo. Contratado por 30 liras mensais, ele queria receber uma lira por dia, sete por semana, 15 por quinzena e 30 ao fim do mês.

    Estavam assim as coisas quando o repórter Arthur Guimarães de Oliveira revelou que os penduricalhos do Ministério Público de São Paulo formaram um passivo de R$ 6 bilhões, ervanário equivalente a uma vez e meia o orçamento anual da instituição. Esse dinheiro não existe, mas as Excelências correrão atrás dele.

  7. O desastre do saneamento em Gaspar e que se perpetua no atual governo, contribui ainda mais para esta triste estatística

    BRASIL TEM SANEAMENTO DE PAÍS SUBDESENVOLVIDO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    No panorama global, o Brasil é um país remediado —isto é, longe da bonança dos ricos, porém a uma distância considerável dos miseráveis. Ocupa o 84º lugar entre 193 países no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medida da ONU que leva em conta renda per capita, expectativa de vida e escolaridade.

    Essa posição intermediária pode camuflar, entretanto, as profundas disparidades nacionais, entre estratos sociais, regiões geográficas e também indicadores de bem-estar social. Um exemplo evidente de setor em que não superamos o pior do subdesenvolvimento é o saneamento básico.

    Conforme a Folha noticiou, estatísticas do Banco Mundial mostram que em 2022 menos da metade da população brasileira (exatos 49,6%) tinha acesso a coleta e tratamento de esgoto. Deplorável por si só, o dado expõe um vexame na comparação internacional.

    Naquele ano não muito distante, países mais pobres ostentavam índices melhores, casos de Índia (52,1%), Iraque (52,8%), Paraguai (55,2%) e África do Sul (71,7%). Ficamos também abaixo da média global, de 56,6%.

    O número oficial mais recente, 55,2% em 2023, parece indicar um avanço, mas a base de dados do Banco Mundial não permite o cotejo no período. O fato é que o Brasil só recentemente tomou providências essenciais para enfrentar um atraso de décadas.

    Não sem resistências corporativistas e ideológicas, foi aprovado em 2020 o novo Marco Legal do Saneamento, que abriu caminho para maior investimento privado no setor a fim de cumprir metas de universalização dos serviços até o início da próxima década.

    O diploma, felizmente, sobreviveu às investidas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em favor da obsoleta hegemonia das estatais —cujos resultados expõem a ineficácia de modo eloquente.

    Impactos da nova legislação já se fazem sentir. No ano passado, com o impulso da desestatização da gigante paulista Sabesp, o atendimento privado chegou a 30% dos municípios brasileiros, seis vezes o percentual observado em 2019, antes da implementação do marco regulatório.

    O setor público não dispõe dos recursos capazes de viabilizar os investimentos necessários para a universalização, estimados em R$ 45,1 bilhões anuais ao longo do próximo decênio. Já houve aumento expressivo nos últimos anos, de R$ 18,8 bilhões em 2021 para R$ 25,6 bilhões em 2023.

    A expansão dos serviços depende do mercado. Reportagem do jornal Valor Econômico informa que os leilões de concessão devem somar neste ano R$ 27 bilhões em aportes no setor. Há obstáculos, no entanto.

    Entre os principais, obviamente, estão os juros básicos de 15% anuais aplicados pelo Banco Central para conter a inflação elevada pelos gastos excessivos da administração petista. O cumprimento da promessa de universalização não depende da benevolência dos governantes, mas de regras estáveis e boa saúde econômica.

    1. Bom dia.
      Sobre a mobilidade de Gaspar, a prefeitura, junto com o Ditran, foram manchete nos jornais locais: retiraram o gelo-baiano da avenida das Comunidades, no centro da cidade.
      Será que vai dar nó???

  8. Os cupins dos nossos pesados impostos. Mas, todos eles foram escolhidos por nós nos votos livres da democracia. E eleitos, mandam bananas para a nossa indignação e contas mais altas para nós pagarmos. Nem mais, nem menos.

    O SCOTCH JUNINO DE HUGO MOTA, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Não sei quantas vezes li e escrevi sobre a paralisia de Brasília em 2025. Paralisia de Brasília – a partir do Congresso. Paralisada a atividade parlamentar; não as gestões dos parlamentares. E assim vamos – sob o São João estendido – até meados de julho.

    Eis o ritmo do Legislativo que votou o Orçamento de 2025 em março de 2025; e que ora reclama da morosidade do Executivo em desembaraçar emendas. Tudo parado. O maledicente diria que não será de todo ruim a cousa atravancada, dada a agenda da rapaziada.

    O maledicente é um ingênuo. A cousa atravancada é seletiva. A paralisia, relativa. Por exemplo: a turma – a turma do discurso pelo corte de gastos – em mobilização para aprovar o aumento do número de deputados. (E nenhum sinal há de que bancará o fim dos supersalários e a reforma da previdência militar.)

    Outro exemplo: a turma mobilizada pela formalização da prática – arruaça orçamentária – de usar dinheiros de emendas para custear folhas de pagamento país afora. Outro: a turma se mobilizando para recuperar verbas do orçamento secreto canceladas em função de irregularidades.

    Outro: a turma mobilizadíssima para contratar o aumento na conta de energia elétrica da sociedade. Ordem unida mesmo, donde se recomende prudência antes de declarar a derrota do governo Lula na matéria. O PT formou com o chamado Centrão para derrubar os vetos do presidente e consagrar mais uma vitória do influente lobby daqueles que garantem a suas gerações de energia 25 anos de mercado obrigatório.

    Derrotados fomos nós. Mais reveses virão. O Parlamento paralisado nunca falta aos interesses amigos-corporativistas.

    O menor de nossos problemas será Hugo Motta bebendo uísque diretamente da garrafa. A lamentar, em nota pessoal do cronista, somente o desperdício do scotch 12 anos, destilado que mereceria um copo (baixo) e duas ou três pedras de gelo. O nosso problema de verdade: que Motta, forte e vaidoso para descer o golão quente, seja um presidente da Câmara ao mesmo tempo fraco e vaidoso.

    Prometeu tudo a todos – garantida mesmo apenas a anistia para toda a gastança. Prometeu tudo para todo mundo, e agora sai à cata de uma identidade – de um caráter – para sua presidência. Aí está o Hugo fiscalista, que exige corte de despesas; o mesmo que tem mandato para proteger e ampliar os bilhões em emendas parlamentares. A famosa conta que não fecha.

    No mundo real, já não bastará ao governo pagar as emendas. A conta sobe à medida que a eleição se acerca e a aprovação de Lula permanece baixa. A galera vai criando os textos para justificar – nem precisaria – o embarque noutra canoa. Faltam incentivos – hoje – para que partidos, mesmo os com ministérios, sejam leais ao Planalto. Motta pode prometer à vontade. Quem decide: Ciro Nogueira, Arthur Lira… Falam até em Eduardo Cunha. Antes estivéssemos paralisados. Andamos para trás.

  9. OMISSÃO POLÍTICA VIABILIZA SUPERSALÁRIOS NO SETOR PÚBLICO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    No mérito, acabar com salários exorbitantes no serviço público deveria ser a providência mais simples de uma reforma administrativa.

    Afinal, o teto para as remunerações dos funcionários do Estado brasileiro está fixado com clareza no inciso XI do artigo 37 da Constituição, já modificado e ampliado duas vezes desde a versão original de 1988. Ali se estabelece como limite máximo o subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Esse valor é hoje de R$ 46.366,19, também pago a deputados federais, senadores, procurador-geral, presidente e vice-presidente da República. O tema poderia estar resolvido aí, não fossem interpretações criativas do texto legal.

    Sabe-se com precisão onde a regra é burlada —basicamente no Judiciário e no Ministério Público, cujos membros se autoconcedem benefícios extrassalariais de todo tipo, como abonos e auxílios. A proliferação de tais manobras, umas mais descaradas que outras, forjou a necessidade de explicitar em lei o que se pode ou não excluir do teto.

    Mesmo isso não deveria ser tarefa controversa. Fora os próprios beneficiários diretos da farra, inexiste setor relevante da sociedade que defenda esses supersalários —que elevaram o custo médio por magistrado a R$ 68,1 mil mensais no ano retrasado.

    Tampouco é difícil constatar que os valores envolvidos constituem aberração na realidade nacional, mesmo considerando que profissionais qualificados como os juízes devem ser bem remunerados. Comparações internacionais mostram que o gasto do sistema de Justiça brasileiro, de 1,33% do PIB, não tem paralelo nas principais economias.

    Por fim, casos escandalosos surgem a todo momento. A Folha acaba de noticiar, por exemplo, que o Ministério Público paulista estima um passivo de R$ 6 bilhões —uma vez e meia seu orçamento anual— em pagamentos retroativos devidos a procuradores e promotores. Segundo a instituição, não há horizonte visível para a quitação da conta.

    A despeito de tudo isso, o mundo político teme enfrentar interesses de corporações poderosas, e o tema se arrasta há décadas. Uma emenda constitucional burocraticamente proposta pelo Executivo em 2024 foi logo desfigurada pelo Congresso Nacional. Projeto aprovado pelos deputados e que tramita no Senado mais institucionaliza que reduz os abusos.

    Fala-se agora, entre muitas ressalvas e senões, que supersalários serão discutidos em um certo grupo de trabalho sobre reforma administrativa recém-criado pela Câmara. Acredite quem quiser.

  10. Já os novos e os perpétuos manda-chuvas de Gaspar, os que TRAVAM o desenvolvimento SUSTENTÁVEL econômico, social e AMBIENTAL, os mesmos que se orgulham do fato de nunca terem perdido uma eleição no município, ocuparão os mesmos 1,80 M2 que os relis mortais lá na cidade do pé junto.

    Mas como eu acredito na lei do RETORNO, penso que
    tudo o que fizeram por ganância ou vingança sórdida estará incluso no caderninho da reencarnação…

    1. Impressionante como a maior parte da cidade já percebeu isso tão rapidamente. Erro de comunicação? Não! São gestos e atitudes que levam a esta percepção

  11. LULA E A CPI DO INSS, por Carlos Pereira, no jornal O Estado de S. Paulo

    Fiscalizar o Executivo por meio de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) é uma das funções clássicas do Legislativo em sistemas presidencialistas baseados na separação de poderes. CPIs são instrumentos que, idealmente, alinham o comportamento do governo às expectativas do eleitorado.

    Mas essa ameaça virtuosa do Legislativo ao Executivo só é crível quando há real disposição política para exercê-la. Em contextos em que o partido do presidente – ou a coalizão que o sustenta – detém a maioria no Legislativo, o incentivo para investigar o próprio governo tende a desaparecer. Afinal, por que provocar instabilidade que pode comprometer os ganhos de estar no poder?

    É o caso do atual governo Lula. Com uma coalizão formada por 16 partidos, o governo detém uma supermaioria: 350 cadeiras (68%) na Câmara dos Deputados e 59 (73%) no Senado. Em tese, CPIs não deveriam representar risco algum – mesmo diante de denúncias relevantes ou da gravidade dos malfeitos, como os que envolvem o atual escândalo do INSS.

    Mas essa maioria numérica não tem se convertido em maioria substantiva. Apesar do aumento da disciplina interna dos partidos – inclusive dos governistas – o governo tem enfrentado dificuldades para aprovar sua agenda ou mesmo neutralizar ameaças no Congresso. Isso revela um paradoxo: ao contrário do que muitos imaginavam, mais disciplina partidária não significa, necessariamente, mais coesão da coalizão.

    Essa fragilidade da supercoalizão de Lula tem origem nas escolhas do próprio Executivo. Ao optar por uma coalizão extensa, ideologicamente heterogênea, e resistir a compartilhar poder e recursos de forma proporcional ao peso político dos aliados no Congresso, o governo comprometeu a capacidade de mobilização coordenada de sua base. O resultado é uma maioria instável – numerosa e extremamente cara, mas pouco confiável.

    Além disso, os índices crescentes de desaprovação do governo junto à sociedade têm dificultado a agregação consistente de interesses em torno do Executivo. A estratégia dominante, inclusive entre a maioria dos aliados, tem sido permanecer no governo apenas para extrair o máximo de benefícios possíveis – sem necessariamente apoiá-lo. E, o que é pior, já com o olhar voltado para um desembarque e o apoio a uma candidatura de oposição em 2026.

    A instalação da CPI do INSS, portanto, não deve ser subestimada. A sua existência escancara o grau de desagregação da coalizão. A CPI pode se transformar em mais um canal de desgaste, ampliando a erosão da imagem do governo e comprometendo suas chances eleitorais.

  12. CLT EM BAIXA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Não é novidade que o mercado de trabalho passa por profunda transformação rumo a contratos mais flexíveis. Essa realidade foi reconhecida, felizmente, pela reforma de 2017, que buscou facilitar a criação de empregos formais.

    A própria carteira de trabalho não conta hoje com grande prestígio. Segundo pesquisa recém-divulgada pelo Datafolha, a maioria dos brasileiros com mais de 16 anos de idade (59%) declara preferência pelo trabalho por conta própria, ante 39% que veem mais vantagens em serem contratados por uma empresa. Essa tendência é ainda mais pronunciada entre os jovens (68% em favor da autonomia).

    O levantamento aponta também que, desde 2022, os que se inclinam por um contrato CLT, mesmo com rendimento menor, caíram de 77% para 67%. Já a parcela que considera mais importante ganhar mais do que ser registrado passou de 21% para 31%.

    Mulheres (71%) e pessoas com renda até dois salários mínimos (72%) preferem a carteira.
    É possível que o vigor atual do mercado de trabalho favoreça a percepção dos trabalhadores de que podem aumentar os ganhos sem os encargos trabalhistas.

    Não surpreende, assim, que a CLT seja menos atrativa para trabalhadores qualificados, que enxergam nesses encargos obstáculo à remuneração.

    As consequências dessa mudança são ambivalentes. A preferência pela autonomia é mais cabível hoje, diante das transformações tecnológicas globais que abrem novas modalidades de trabalho. Nesse sentido, é positiva.

    A transição para a atuação por conta própria, com menores proteções da legislação, não é isenta de riscos. Nos estratos de menor renda, o risco de precarização é maior, assim como a vulnerabilidade em períodos de crise econômica e mesmo ante práticas desleais de contratantes.

    A dependência de plataformas digitais, por exemplo, expõe entregadores autônomos a condições instáveis, como algoritmos que reduzem ganhos ou desativam contas sem aviso.

    Mesmo assim, é digno de nota que os próprios trabalhadores prefiram tais condições à tutela sindical obsoleta e ineficaz.

    Os dados mostram que é urgente ao país ponderar sobre como equilibrar flexibilidade e proteção social. Políticas públicas que promovam qualificação e inclusão digital são essenciais para evitar que a busca por autonomia se traduza em precariedade.

    É também preciso aprofundar reformas que facilitem e tornem menos custosa a abertura de postos formais de trabalho.

    1. Bom dia.
      Lembrando que a Prefeita de BC, Juliana Pavan, transfere 8 milhões/mês para o Hospital Ruth Cardoso, sendo esse quatro vezes maior que o hospital de Gaspar, e que socorre as demandas mais complexas de Bombinhas, Porto Belo, Itapema e Camboriú.

      Já no Perpétuo Socorro, uma casa de saúde que não dá conta nem de curar as necessidades primárias de seus locais; que leva a óbito uma criança por falta de agilidade pra arrumar uma AMBULÂNCIA, a prefeitura de Gaspar DESEMBOLSA 4,5 MILHÕES/MÊS.

      Tomando outro exemplo na cotação da infraestrutura, a vida que ligará Brusque a Guabiruba, 4,5 Km, estão orçados em 20 milhões.
      Aqui GASTARAM 12,5 em MENOS de 1 Km no Pasto do Jacaré 🥂

      Já o POVO que recebeu o aval da Câmara de Vereadores de Gaspar para se instalar onde não CABIAM, por falta de infraestrutura viária, hídrica e energética, quem está pagando o preço da aposta errada dos “antigos gestores públicos” são os antigos moradores do entorno.

      Pra PIORAR, ninguém será punido, uma vez que os novos empossados no legislativo Municipal APROVARAM as CONTAS do guverno krebis 👀

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