O jornalismo em Santa Catarina, à medida que a gaúcha RBS veio para cá, foi depredado. A RBS foi embora deixando a NSC (uma farmacêutica) no seu lugar, quando a teta comercial secou e as mídias sociais tomaram de assalto os veículos tradicionais, na mudança dos novos hábitos de se comunicar do século XXI.
Aqui a TV, com raras exceções e por curtíssimo tempo, foi influenciadora no ambiente da opinião pública. Talvez, muito mais, na rivalidade ou bairrismo clubístico no futebol. O jornalismo de informação e opinativo sempre esteve nas rádios e a serviço de grupos econômicos ou políticos. Igualmente nos três grandes jornais de então: “O Estado” (Florianópolis), “A Notícia” (Joinville) e “Jornal de Santa Catarina” (Blumenau). Morreram.
Sem referências, os políticos antigos na nova comunicação, movidos pela marquetagem tiktoker, a que conhece bem o público imbecilizado, fazem a festa. Na semana passada, o governador Jorginho Mello, PL, sem marca de governo e até então a caminho de uma reeleição fácil levada pela bolha conservadora, decidiu escorregar numa nova casca de banana no outro lado da rua. A primeira é a espantosa vulnerabilidade que ele se estabeleceu num tal de “El Niño” que promete estragos, inclusive nas urnas. Não fez o serviço de casa, restou contratar um meteorologista afamado para nos alertar de que o perigo está bem por perde de nós e do governo.
O BEM AMADO
Estropiado pela bolha do tipo se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, na armação do alienígena do ex-vereador carioca sem expressão alguma Carlos Bolsonaro, PL, ao senado por Santa Catarina, agora o experimentado político e governador resolveu passar um atestado em público de que é um mentiroso. Se não for isto, fez um discurso apropriado de um personagem de Dias Gomes, como o Coroné Odorico Paraguaçú, em “O Bem Amado”. E quer tornar o esclarecido eleitor catarinense um imbecil.
Resumindo tudo isto, até aqui: Jorginho Mello, PL, mal orientado ou sem orientação ficou exposto. E mais uma vez.
E mais do que isso. Chamou um jornalista, egresso da RBS porque não servia no sistema multimídia por não conseguir se expressar oralmente as suas ideias opinativas na mesma qualidade que as escrevia, Upiara Boschi, como testemunha e aval da sua mais nova patacoada.
No papel dele, Upiara que se tornou um blogueiro referência a partir de Florianópolis – o centro político de Santa Catarina -, tinha escrito que a campanha para quem seria o novo dono do Centro Administrativo em 2027 tinha subido de patamar e que o neo-concorrente de Jorginho, e na mesma vibe conservadora de Jorginho, João Rodrigues, PSD, tinha declarado renúncia à candidatura, se Jorginho realmente apresentasse o projeto da Viamar, a rodovia alternativa a criminosamente congestionada BR-101.
COBRANDO A PROMESSA E A DESISTÊNCIA
Isto eu já tinha tratado em DEPOIS DA ANESTÉSICA VITÓRIA DA SELEÇÃO DE FUTEBOL BRASILEIRA DE FUTUBOL É PRECISO ACORDA E OLHAR COMO E PORQUÊ DOS POLÍTICOS, POR ESTA SIMPLES VITÓRIA, ESTAREM NOS DOPANDO, NÃO EM BRASÍLIA, MAS AQUI EM GASPAR, BLUMENAU, VALE E SANTA CATARINA PARA NOS EMBRULHAR MAIS UMA VEZ E NAS ELEIÇÕES DE OUTUBRO . E pensava em página virada. Mas, não
Jorginho ao pedir o aval de Upiara para montoeira de papelada encadernada durante a discurseira do convescote burlesco, acabou atirando em si próprio. Upiara, escreveu, que tecnicamente, João Rodrigues, PSD, tinha razão. E João, um ex-radialista, ou seja, com vantagem exagerada às constantes derrapadas de Jorginho Mello, PL, nesta área da comunicação clara, espontânea e de convencimento. Resultado disso? João capitulou Jorginho.
Jorginho Mello, PL, jogou para a plateia esclarecida para animar a bolha e confundir uma esmagadora maioria que não sabe diferenciar o que é uma ideia, um anteprojeto e um projeto. E queria, por isso, a desistência de João Rodrigues, PSD, prometeu. João não desistiu. Ao contrário. Fez Jorginho provar do próprio veneno: a mentira.
VIAMAR É UMA NECESSIDADE URGENTE, ANTES DE SER UM EMBRULHO MARQUETEIRO
No vídeo abaixo e que percorreu as redes sociais neste final de semana – há mais outro do próprio João Rodrigues, PSD, no mesmo sentido -, deixo os três ex-prefeitos (João, de Pinhalzinho e Chapecó; Antídio Aleixo Lunelli, de Jaraguá do Sul, bem como Esperidião Amim Helou Filho, de Florianópolis e ex-governador de Santa Catarina e que lidaram bem com licitações, anteprojeto e projeto), explicarem o que Jorginho dissimulou entre um projeto da Viamar que disse ter pronto em suas mãos e um anteprojet,o o que realmente tinha disponível no momento do discurso fake.
Nem mais, nem menos. O que Jorginho e o governo do estado possuem é um anteprojeto, uma boa e necessária urgente ideia que todos devem se comprometer e implementá-la, com transparência, com custos sob controles, no menor tempo viável possível, inclusive João Rodrigues, PSD. Está faltando no mesmo espaço dela uma ferrovia interligando os portos ao sistema nacional.
Voltando. E pior. Na forma como promete açodadamente licitá-lo – quem ganhar o primeiro lote, é quem vai fazer o projeto olhando e talvez aproveitando parte do anteprojeto – vai abrir portas para dúvidas, corrupção e tudo, ainda parar por anos, mais uma vez e contra a mobilidade e o desenvolvimento – industrial, logístico e turismo – do estado em favor dos catarinenses. E mais: o governo Federal não deveria, nunca, ficar de fora deste projeto.
Falei com gente que lida com licitações, com advogados que tratam de matérias do direito administrativo, com engenheiros afeitos a isto tudo. E todos chegaram a mesma conclusão: projeto não há, até porque nem ART – Anotação de Responsabilidade Técnica – do Crea – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – também há.
É então, impossível, que o entorno de Jorginho Mello, PL, bem como ele próprio, um político experimentado desde gerente do falecido BESC, mas experimentado, passando por Câmara de vereadores, pela Assembleia, Camara dos Deputados, Senado e três anos no Centro Administrativo, não saibam disso.
A CONFUSÃO
Mas, a confusão já está instalada na cabeça do eleitor e da eleitora. Gente, leitora do meu espaço, no contato pessoal da semana passada e deste final de semana, e que reputo de amplo conhecimento, ficou em dúvida. Se essa gente está confusa, e começa a ser esclarecida, Jorginho vai perder a narrativa, pois com o tempo, ele passará por mentiroso. E isto se estenderá aos demais temas, mesmo que lá não tenha dúvida nenhuma. Quem mesmo orienta Jorginho? Meu Deus!
Jorginho Mello, PL, ao criar dois factoides – um de um projeto que não possui e outro para pedir a renúncia da candidatura de João Rodrigues, PSD, baseado em fato armado – ele se estabeleceu numa verdade pronunciada pelo ex-primeiro ministro do Brasil, o mineiro Tancredo de Almeida Neves: “quando a esperteza é demais, ela come o dono”. Ai, ai, ai.
Aliás, Jorginho Mello, PL, que vive publicando pesquisas que o deixam num patamar confortável de reeleição em primeiro turno, não precisava desse tipo de circo mal armado. Se fez, é porque há cheiro de outros números. E se João Rodrigues, PSD, chegar ao segundo turno, Jorginho sabe que o que ele fez e o que aconteceu com Carlos Moisés da Silva, atualmente no União Brasil, em outubro de 2022. Está se desenhando a lei do retorno se Jorginho não se aprumar desde já. Pois passado o primeiro turno, com senadores, deputados eleitos, a campanha será outra. E a trairagem será sempre uma marca a rondar os poderosos.
TRAPICHE
Eu pensei em escrever sobre as falas de desprezo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, em Itajaí, ao povo catarinense originário – todos de origem de imigrantes fugidos da fome e guerras – e o de adoção – a maioria de migrantes em busca de sonhos de realização pessoal e empreendedora. Mas, este tema tomou conta dos que fazem Santa Catarina ser maior do que o desastre nacional no aspecto social, desigualdades, econômico e de perspectivas que alimentam os discursos hipócritas dos políticos. Por muito menos, o Ministério Público catarinense tem representado contra cidadãos e cidadãs à condenação ou explicações. E a Justiça aceito.
A melhor expressão de repúdio, se não houver um pedido público de desculpas do PT e do presidente-candidato ao quarto mandato, Luiz Inácio Lula da Silva são a falta de votos nas urnas em outubro deste ano. Afinal, foi um discurso de campanha.
O governador Jorginho Mello, PL atrapalhado pelas susas próprias trapalhadas, surfou e bem. Os outros políticos, até comprometidos com o governo de Inácio Luiz lula da Silva, PT, sentiram o “punch” no fígado à beira de uma eleição que já não seria boa para o campo da esquerda do atraso. Os bolsonaristas, nadaram no exagero, como se não houvesse passado que precisa ser revisto para que não se repita no futuro.
A deputada Federal Júlia Zanatta, PL, por exemplo, usou um número recorrente que mostra que a Santa Catarina repudiada é que sustenta a farra da centralização dos impostos em Brasília que some e não nos retorna em investimentos. Nos números dela, O estado manda R$107,3 bilhões de impostos e recebe de volta, apenas R$7,7 bilhões. Mas, esta regra injusta e maléfica, não mudou ao tempo do governo e Jair Messias Bolsonaro, PL. Mudará se Flávio for eleito? Até agora, nenhum pacto.

Mas, por outro lado, há exageros também. Na tradicional festa da Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo, em Gaspar, a barraca da “Sacola Surpresa” tinha todos os números, menos o 13 (foto acima). Poderia ser das superstições, mas isto a própria Igreja Católica condena. Ou poderia ser um ranço político de quem tocava a barraca.
É isso que viu o fervoroso católico, empresário e vereador – e agora candidato a deputado estadual – Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Ele deveria reclamar para o bispo. Quando religião, superstição e política se misturam, a razão vai embora. A sacola ficou encalhada. Depois de três dias de festa e pressão, ao menos o número 13 apareceu. Gente sem noção.

Já se sabe aonde o deputado estadual Ivan Naatz, PL, o ex-secretário de Defesa Civil e Proteção, Mário Hildebrandt, PL, e o governador Jorginho Mello, PL, se encontram: na Barragem Norte de José Boiteux. Todos em linha com o mesmo discurso de que as obras, que ninguém vê, estão a pleno, para a recuperação dela e a tempo de diminuir em até dois metros o nível do Rio Itajaí Açú em Indaial, Timbó, Blumenau e Gaspar.
Eles contestam vídeos de cidadãos preocupados, que foram lá, e que circulam nas redes sociais. Neste vídeos, quase tudo está parado por lá. Até foi feita uma roçada em parte do perímetro da barragem; há também uma retroescavadeira abrindo os acessos. Se a chuvarada continuada decorrente do “El Niño”, reza-se, para trazer estragos em qualquer lugar do Sul do país, mas para passar longe daqui.
Se aqui o Rio Itajaí Açú subir além da expectativa antes de quatro de outubro e a barragem for a culpada por tragar pessoas, sonhos, móveis, imóveis e mobilidade, tragará também os votos dos políticos no entorno do governador que em uma contratação marqueteira, optou-se gastar prioritariamente dinheiro com um meteorologista de fama para dar alertas. Alertados, todos já estão, inclusive os políticos. Credo!
E por falar em El Niño, como estão as obras e as explicações técnicas-econômicas da recuperação da barranca do Rio Itajaí Açú, ali na Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira. E as comportas do Bela Vista e a do Sertão Verde? E o Tribunal de Contas do Estado liberou a licitação para a construção da Barragem de Botuverá para salvar Brusque e parte de Itajaí. Estava, viciada.
Gaspar era conhecida por ser a cidade “Coração do Vale”. Os políticos inventaram e aprovaram na Câmara e o presidente da República sancionou como sendo a “Capital Nacional da Moda Infantil”. Não pegou. Ninguém sabe aonde isto está ou foi parar. Quem tentou montar um centro de vendas com a Moda Infantil, faliu. Mas, Gaspar é conhecida por ser também, a cidade dos candidatos paraquedistas para bem remunerar as dezenas de cabos eleitorais.
Honrando esta tradição, o maior deles nesta eleição deste ano, deu as caras por aqui para carimbar a fama: o inexpressivo ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, PL, que quer ser senador por Santa Catarina. E gente daqui tratando como se um legítimo barriga-verde ele fosse e não tivéssemos candidatos entre nós para esta representação. De três, temos hoje, um. Muda, Gaspar!
Delegado não é prefeito. É bafo popular que o deputado Ivan Naatz, PL, está sentindo em Blumenau na campanha de reeleição. O povo está reclamando para ele que o prefeito Egídio Maciel Ferrari, do seu PL, não está funcionando. Naatz, implora por mais tempo, tempo para ele se reeleger, diz que isto se deve a roubalheira do governo Mário e Maria, referindo-se ao ex-prefeito e ex-vice, Mário Hildebrandt e Maria Regina Soar. E olha que Naatz é advogado e queria ser desembargador no quinto da OAB. Então sabe o limite dessas acusações tão claras e diretas e o que fala.
Mas, perguntar não ofende: a Maria Regina Soar não é a vice de Egídio Maciel Ferrari, PL, e está com a corda toda? Este pacto do policial com os que o deputado qualifica de ladrões, não foi o que deu a vitória a Egídio e a Ivan Naatz, PL? Que história é esta que precisa antes “recuperar” tudo o que supostamente foi roubado, para só depois a cidade voltar a funcionar normal e minimamente a partir do que é obrigação da prefeitura, incluindo a simples manutenção da cidade? Blumenau, não está sozinha. Aqui, outro delegado, Paulo Norberto Koerich, PL, passa por igual perrengue e faz tempo. No fundo, Ivan está percebendo que está mal acompanhado na parceria da cabala de votos. Apostas erradas e de uma elite descomprometida a não ser com o poder, comemorações e vinganças.
12 comentários em “QUANDO O JORNALISMO PLURAL FALHA, O POLÍTICO FAZ FARRA E DISCURSA PARA ALIMENTAR AS BOLHAS NAS REDES SOCIAIS, DEVIDAMENTE ENVENENADAS PARA A CAMPANHA ELEITORAL. JORGINHO MELLO, PL, PISCOU. DESESPERO? PRECISAVA DISSO? E JOÃO RODRIGUES, PSD, O PEGOU NO PULO DO GATO”
O PURO-SANGUISMO BOLSONARISTA E MICHELLE, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
É preciso lembrar que a direita brasileira está no pós-Bolsonaro; e que a escolha do primogênito Flávio Bolsonaro como candidato do bolsonarismo, o cavalo puro sangue designado a encarnar o pai, é produto sobretudo da necessidade de a família Bolsonaro manter – reafirmar – a hegemonia sobre essa propriedade.
Jair está fora de combate, perseguido e injustiçado, esse é o texto; Flávio sendo aquele sacrificado cuja matéria incorpora o pai, conjuntura em que a derrota eleitoral se converteria em discurso de vitória, protegido o patrimônio político, defendida a empresa familiar que Bolsonaro criou dentro da máquina do Estado. Território desde o qual – pensando em 2030 – dois projetos de poder se desenvolvem e chocam. Nenhum deles de Flávio, ambos avançando à revelia do que seriam os interesses da candidatura lançada para 2026.
Não há puros nessa peleja patrimonial por liderança e controle. E não será somente Eduardo Bolsonaro a tocar agenda própria e nociva às chances eleitorais do irmão. Michelle Bolsonaro faz o mesmo contra o enteado. A diferença está na forma da reação de Flávio, dura apenas para com a madrasta, expressão da natureza conspiracionista do bolsonarismo.
Ela não é Bolsonaro. O bolsonarismo é puro-sanguista. Ela não tem sangue Bolsonaro. É forasteira. Oportunista. Traidora certamente, quando faltar Jair.
Assim se organiza o pensamento bolsonarista. Note-se que o bolsonarismo eduardista – o que estará sempre mordendo, para que Flávio possa encenar moderações – refere-se a Michelle com o nome de solteira. A existência política que lhe é permitida, limitada, deriva da condição circunstancial de mulher do pai. Nenhuma novidade, se lembrarmos também de que Bolsonaro lançou o filho Carlos – contra a mãe – em contenda pelo que seria a cadeira da família na Câmara do Rio, trono que a então ex-mulher pretendia conservar. Ela não era Bolsonaro; só autorizada a usar a franquia. Separada, não poderia querer a reeleição. Carlos a venceu. Matou a própria mãe.
Os irmãos se unirão para vencer – matar – Michelle. Ela é uma ameaça sem precedentes ao que os filhos de Jair concebem como poder hereditário. Se todos ali chegaram aonde chegaram sendo beneficiários de transferências do patriarca, não será exagero dizer que, a partir do capital do mito, somente Michelle teria constituído persona pública com possibilidades de prosperar autonomamente. O roteiro do vídeo profissional que publicou é expressivo de alguém que tem, e sabe que tem, existência individual. Michelle não precisa de Flávio hoje. Flávio precisa de Michelle já.
A direita brasileira está sob o que seria a primeira etapa do pós-Bolsonaro, com o ex-presidente preso e doente, alijado da atividade política direta, fase em que se disputa também a prerrogativa de lhe ser porta-voz. Desnecessário sendo descrever o vale-tudo até onde irá o conflito quando não houver mais Jair.
E as tranqueiras de Blumenau continuam aportando por aqui. A última, um ex gerente de um setor, que após ele deixar a gerência, teve boa parte de seus ex comandados presos, ou afastados. Vem pra cuidar do dinheiro grosso que estão prometendo pra habitação e regularização fundiária.
Pois é. Paulo Norberto Koerich, Pl, já foi avisado disso, ou mais uma vez vai para a rádio chamar os antenados de fofoqueiros e que até então, ele próprio entrevistando, e não viu nada de anormal. Gato escaldado, deveria ter sempre, medo de água fria. Aqui, pede esquentar ainda mais a água. Parece não um erro, mas um método. Meu Deus!
UMA CIDADE CHEIA DE VELHOS PROBLEMAS CONHECIDOS DIANTE DA PARALISIA DA PREFEITURA
Bastou uma chuvarada mais forte nesta madrugada para que os mesmos problemas de anos em Gaspar, agravados pela falta reiterada de manutenção e prevenção aparecessem. E a população correu para as rádios, redes sociais e aplicativos de mensagens em ampliadas queixas e acusações.
Enquanto isso, está cheio de político na praça vestido de candidato e ilusionista em soluções que nunca chegam de fato ao cidadão e cidadã. Se tantas e todas essas reclamações são públicas e se perdeu o medo da autoridade, porque é uma realidade que não se resolve, por que ela não chega a quem pode resolver de verdade?
Também o que queriam os eleitos, importando tanta gente enlameada em casos de corrupção em Blumenau ou que para andar em Gaspar só faz isso com GPS, daria em que resultado mesmo?
Com a palavra Paulo Norberto Koerich, PL. Quando chegar os possíveis danos do “El Niño”, a coisa será bem mais complicada. E a eleição do pessoal que vive de discursos fantasiosos, estará bem mais comprometida. Pois esse pessoal é parte do problema, não por ser a causa, mas por não dar a solução que prometeu e todos acreditaram nessas promessas. Muda, Gaspar!
A MNORFOLOGIA DO CRIME ORGANIZADO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, investiga um esquema de instrumentalização do sistema de transporte público paulistano pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), por meio do qual empresas de ônibus seriam utilizadas para conectar operadores financeiros e lavar dinheiro. À primeira vista, parece apenas mais um grande inquérito policial. Na verdade, a operação oferece uma radiografia em alta resolução da morfologia do crime organizado brasileiro.
O caso chama a atenção justamente porque conecta peças que costumam aparecer separadas no noticiário. Uma empresa de ônibus; planilhas clandestinas; empresas de fachada; distribuidoras de combustíveis; relações com a máfia calabresa ’Ndrangheta. Uma influencer e um vereador investigados por suposta participação no esquema surgem como engrenagens de um único mecanismo. A amplitude das conexões reveladas – do transporte urbano ao crime transnacional – é o que torna a operação singular entre as investigações recentes.
Hoje, o crime organizado movimenta bilhões de dólares, explora cadeias produtivas e opera em dezenas de países. O narcotráfico continua central, mas complementado por exploração de negócios ilícitos envolvendo combustíveis, garimpo, fraudes financeiras, logística, comércio exterior e plataformas digitais. A violência é o instrumento mais visível. O verdadeiro poder, porém, nasce da capacidade de converter dinheiro ilegal em patrimônio aparentemente legítimo e influência duradoura. A infiltração do crime organizado na economia formal é uma realidade, como revelou outra operação, a Carbono Oculto.
Mais do que a presença do PCC numa empresa de ônibus da capital paulista, a Operação Última Parada investiga a utilização da economia formal para lavar recursos, remunerar operadores e proteger ativos. Outras investigações recentes – como a citada Carbono Oculto, Tank e Mafiusi – sugerem um padrão semelhante: estruturas empresariais sofisticadas, redes financeiras complexas e conexões internacionais cada vez mais difíceis de distinguir da economia lícita. As suspeitas sobre o vereador Senival Moura (PT) ilustram o risco de infiltração no Estado para lubrificar engrenagens criminosas. Esse risco não é episódico: é estrutural e atravessa diferentes esferas de poder e instâncias de governo.
Essa, porém, é apenas uma das faces do problema. Em diversas regiões, as facções exercem controle territorial, impõem regras próprias, arbitram conflitos, exploram economias locais e desafiam a autoridade do Estado. A lógica mafiosa da infiltração econômica e política é empregada por milícias que transformam bairros, fronteiras e pedaços da Amazônia em mininarcoestados. São dimensões distintas do mesmo fenômeno que se retroalimentam: os recursos da economia criminosa financiam o poder territorial; o domínio territorial protege os negócios criminosos.
O Brasil continua respondendo a essa realidade com instrumentos concebidos para atacar adversários menos sofisticados. Avanços recentes, como a Lei Antifacção, são claramente insuficientes. Há uma urgência em aperfeiçoar uma legislação antimáfia, fortalecer mecanismos de asfixia financeira do crime organizado e enfrentar o debate sobre instrumentos jurídicos e operacionais próprios ao combate de organizações de caráter paramilitar. O tempo que o Estado demora para atualizar seu arcabouço normativo é o tempo que o crime organizado usa para consolidar suas posições de poder.
A principal contribuição da Operação Última Parada talvez não esteja no número de prisões ou de mandados judiciais cumpridos, e sim no fato de que ela obriga o País a olhar de frente para o inimigo diante de si. O mesmo ecossistema criminoso reúne empresários e pistoleiros, contadores e arsenais, contratos públicos e implacáveis tribunais do crime, mercados financeiros e comunidades sequestradas. Enquanto essa realidade continuar fragmentada no diagnóstico, também permanecerá fragmentada na resposta do Estado.
Dois Pesos e Duas Medidas na Política Catarinense?
A política brasileira parece viver sob regras diferentes, dependendo de quem está sendo julgado. O que gera indignação quando praticado por um grupo muitas vezes é ignorado quando ocorre dentro do próprio campo ideológico.
Em Santa Catarina, figuras da direita conservadora frequentemente defendem valores como “Deus, Pátria e Família”, a moral cristã e a preservação dos costumes tradicionais. Entretanto, críticos questionam se esses mesmos princípios são cobrados com o mesmo rigor de todos os que os defendem publicamente.
O caso da deputada federal Julia Zanatta é frequentemente citado nesse debate. Sua imagem política está fortemente associada ao conservadorismo, ao armamentismo e aos valores familiares. No entanto, questionamentos envolvendo aspectos da vida pessoal de pessoas próximas ao seu círculo raramente mobilizam a mesma indignação observada em situações semelhantes envolvendo políticos de esquerda. Para muitos observadores, isso revela uma seletividade moral que enfraquece o discurso daqueles que afirmam defender determinados valores.
O mesmo ocorre quando lideranças políticas fazem declarações polêmicas. Falas atribuídas à deputada Caroline de Toni sobre o Nordeste geraram críticas, mas não produziram a mesma reação institucional que outros episódios envolvendo políticos de campos ideológicos diferentes. Da mesma forma, declarações agressivas de autoridades estaduais contra representantes de outros poderes são frequentemente tratadas como simples embates políticos, sem maiores consequências.
Essa diferença de tratamento não passa despercebida. Quando o personagem envolvido pertence ao grupo adversário, surgem campanhas de repúdio, pedidos de punição e ampla cobertura nas redes sociais. Quando pertence ao próprio grupo, surgem justificativas, relativizações e silêncios convenientes.
Também chama atenção o silêncio de parte de segmentos religiosos diante de situações que aparentemente entram em conflito com os valores que dizem defender. Muitos cidadãos questionam se a reação seria a mesma caso os envolvidos fossem políticos de esquerda. A percepção de que alguns são julgados com rigor e outros recebem tolerância especial contribui para aumentar a desconfiança da população.
Enquanto isso, temas relevantes para o país acabam ficando em segundo plano. O debate público se concentra em disputas ideológicas, enquanto questões relacionadas ao desenvolvimento nacional, à economia, à educação, à saúde e à infraestrutura recebem menos atenção do que merecem.
Uma democracia forte exige coerência. Valores morais, princípios éticos e respeito às instituições não podem ser defendidos apenas quando convêm politicamente. Se uma conduta é considerada errada, deve ser considerada errada independentemente da ideologia de quem a pratica. Caso contrário, a política deixa de ser uma discussão sobre princípios e passa a ser apenas uma disputa de conveniências.
Jorginho Mello trocou o esforço de governar por discursos de palanque, prometendo obras que não saíram do papel e deixando as barragens sem reformas essenciais, o que aumenta o risco de enchentes e expõe a fragilidade da gestão. A cobrança sobre o retorno dos R$ 107,3 bilhões enviados a Brasília precisa de transparência e resultados concretos, não só retórica eleitoral. O prefeito Paulo Roberto sofre acusações de estelionato eleitoral diante de promessas não cumpridas que frustraram eleitores locais.
Sobre a visita de Lula a Itajaí na última semana: o presidente criticou o racismo em Santa Catarina, mencionou a “hegemonia branca” e citou Hitler ao advertir contra discriminações regionais, fala que o governo estadual classificou como xenófoba e anunciou representação à PGR. Esse episódio ampliou a polarização política no estado, transformando um ato de cobrança social em conflito institucional entre Executivo federal e governo estadual. Por final, A fala de Lula em Itajaí foi infeliz, agressiva e desnecessária.
Em vez de buscar conciliação, preferiu generalizar e lançar suspeitas que ofendem parte da população catarinense.
Quando um presidente fala para um estado inteiro nesse tom, o efeito político é de divisão, não de diálogo.
Por isso, a reação do governo catarinense encontra algum respaldo, ao menos no campo moral e político.
Mais do que um debate sobre racismo, o episódio mostrou um uso imprudente da tribuna presidencial para alimentar conflito regional.
Excelente. Obrigado pela leitura e interação
Será feliz é simples: basta IGNORAR a mão que nos aperta o pescoço.
Um cidadão me disse que com as críticas e soluções que eu aponto pra Gaspar, deveria me candidatar a prefeita.
Pois dar pitaco do lado de fora, qualquer um dá.
Respondi que, olhando do lado de fora, a impressão que temos é que Siglas partidárias são facções com prerrogativas de criar as leis que os inocentarão nos TRIBUNAIS.
Por essa razão, me contento com o direito constitucional do exercício pleno a cidadania.
Ele não deu resposta…
Primeiro, que se candidatou e se elegeu, fez isso porque queria e prometeu soluções. A maioria acreditou. Então responder a esta promessa é o mínimo que ele pode fazer para seu grupo, sua cidade, estado ou país.
Segundo. Quando se candidatou, também contratou a exposição às críticas, inclusive as injustas. E há. Ele, no fundo, é um devedor do que prometeu
Quanto calar os críticos e não responder com resultados, e menos, do menos. Sempre. Igual ao que foi substituído e não servia. Crítico tem um papel importante na sociedade. Os políticos e os maus gestores públicos querem mansos, trouxas e pagadores da pesada conta, incluindo os serviços que não chegam ao cidadão e cidadã
PROBLEMA? QUE PROBLEMA? por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Tem cada vez mais gente achando que o caso Vorcaro vai dar em nada. Não porque os envolvidos sejam todos inocentes. É bem o contrário: há muitos suspeitos em todo o espectro político e nas mais altas esferas do poder. Assim, tal é a conversa em Brasília, melhor abafar o caso para não criar uma crise institucional em pleno ano eleitoral.
Dirá o leitor: mas não deveria ser o contrário? Se há tantos envolvidos, gente graúda, a crise já está instalada e precisa ser resolvida, com ampla apuração e punição dos culpados, tudo dentro da lei. Faz sentido, mas não pela lógica praticada nos Poderes de Brasília. Lá, funciona mais ou menos assim: um corrupto de esquerda anula um corrupto de direita, de modo que o resultado é zero. Problema resolvido.
Vorcaro foi bem esperto. Distribuiu dinheiro e favores com as duas mãos. Formou uma legião não de “amigos de vida”, mas de autoridades interessadas em abafar o caso, por puro instinto de sobrevivência. Mas o que fazer com o próprio? A mesma coisa que ele, Vorcaro, está fazendo. Vai enrolando. Oferece uma delação fajuta, depois outra, quem sabe uma terceira — e assim vai ganhando tempo à espera de que o caso esfrie. Daí pode receber uma pena pequena, quem sabe uma domiciliar, salvando uns trocados. Moral da história: se todos estão envolvidos, então ninguém está envolvido.
Esse tipo de lógica, que faz desaparecer o problema, vale para diversas situações. O leitor pode estranhar, mas considere o caso da taxa de juros e das metas de inflação. A inflação está em alta sob qualquer medida que se considere. As projeções também. Pela regra do regime de metas, o Banco Central deveria elevar a taxa de juros (a Selic) e não reduzi-la, como fez há duas semanas. Mas, sabe como é, a Selic já está muito alta, há bastante tempo. E se a gente olhar mais à frente, lá por 2028, a inflação se aproxima da meta de 3% ao ano. Ao adiar o cumprimento da meta, o BC está, de certo modo, mudando o alvo. E tem gente dizendo que essa meta de 3% é muito baixa. Elevando-a para, digamos, 5% ao ano, está tudo resolvido. Já estamos lá, os juros podem ser derrubados.
Não é mesmo uma manobra parecida, suprimir o problema? Se bem que, nesse caso, tem outra lógica. Como diz o próprio BC, uma causa básica da inflação está no frequente aumento de gastos do governo Lula, estimulando o consumo. O BC eleva juros para esfriar a economia e derrubar a inflação. Mas o governo acelera gastos e distribui créditos subsidiados, o que aquece a economia e pressiona a inflação. Além disso, os déficits seguidos do governo Lula elevam a dívida pública e, pois, os juros. Para os analistas de fora do governo, o déficit deste ano chegará a R$ 60 bilhões. Mas, quando se olha para as projeções do Ministério da Fazenda, lá se diz que o resultado das contas públicas será um superávit em torno de R$ 4 bilhões. E as duas aritméticas, acreditem, estão certas. Ocorre que a Fazenda tira várias despesas da contabilidade oficial, até chegar a um superávit, que é meta do arcabouço fiscal.
De novo, suprimiram o problema. Na real, tem déficit. No papel timbrado, sobra dinheiro. Vai por aí o caso dos penduricalhos. Pela Constituição, nenhum funcionário público pode receber mais de R$ 46.336,19, valor do subsídio mensal dos magistrados do Supremo Tribunal Federal. É o teto. Milhares de funcionários ganham muito mais que isso, com base em interpretações jurídicas construídas pelos próprios interessados. Surgiram assim os penduricalhos, auxílios diversos, vantagens, indenizações, que ultrapassam o teto, mas são considerados extrateto. O STF poderia simplesmente declarar que teto é teto — e ponto final. Em vez disso, está regularizando os penduricalhos. Na prática, suprimiu o teto.
E ficamos assim: na real, tem corruptos; a inflação está fora da meta; o déficit público sobe; a dívida aumenta; funcionários recebem acima do teto. No modo à brasileira, os corruptos escapam, a meta de inflação se ajeita, o buraco nas contas públicas desaparece, e o teto salarial não existe.
PUXANDO A CAPIVARA, por Ruy Castro, no jornal Folha de S. Paulo
Outro dia, num programa de TV sobre futebol, alguém disse várias vezes que era preciso “puxar a capivara”. A insistência com que repetia a expressão me fez pensar que estava havendo uma infestação de capivaras nos gramados. Pelo insólito da coisa, resolvi ir aos entendidos. Aprendi que “puxar a capivara” significa “puxar a ficha”, “levantar o histórico”, “analisar direito”. Tem a ver com a capivara que, quando surge à beira d’água e você decide puxá-la para a margem, não imagina como é pesada. Tem que puxá-la inteira para saber. Como raramente puxo capivaras para a margem, como eu podia adivinhar?
Não duvido de que, em breve, estaremos puxando capivaras a respeito de tudo. Certas combinações verbais são irresistíveis e, quando as aprendemos, não hesitamos em usá-las por qualquer motivo. Exemplos. Se concordo com alguém, agora tenho que dizer “Sigo o relator”. Se fico mais exigente, é porque “subi o sarrafo”. Se o fulano não deu conta do recado, é porque “não entregou”. Ninguém mais fica estático para mandar uma mensagem —está sempre “passando para”. Ficar atento é “ligar o sinal de alerta”. Mudar de atitude é “virar a chave”. E em tudo o sujeito tem de “dar o seu melhor” —ninguém se contenta em, modestamente, dar seu mais ou menos.
Já certas adiposidades verbais só acontecem por escrito. Ao ler um texto, veja quantas vezes o autor não começou a frase com “É importante notar que”, “É interessante observar que”, “É fundamental acrescentar que”, “É indispensável destacar que”, “É bom enfatizar que”, “Vale salientar que”, “Cabe lembrar que”, “Há de se ressaltar que”, “Deve-se frisar que” e um enxame de outros quês.
Sugestão: se você tropeçar numa dessas gorduras verbais, faça de conta que o sujeito não as escreveu e foi direto ao que ele achava indispensável lembrar, frisar ou destacar. Você descobrirá que essas frases não fazem falta. E terá economizado preciosos segundos de vida.
Claro que todos nós, às vezes, falamos ou escrevemos sem pensar. Periga alguém puxar a capivara.